sábado, outubro 04, 2014

Dominique


Opinião

A ameaça do crime organizado

O ESTADO DE S.PAULO
A onda de violência que tomou conta da região metropolitana de Florianópolis e de outras cidades do interior de Santa Catarina nos últimos dias é um problema que transcende o Estado. Ele mostra que a violência não poupa nenhum Estado, rico ou pobre, e que nem mesmo os presídios federais escapam de ser controlados por organizações criminosas. Construídos para serem de "segurança máxima" e garantir o isolamento de presos de alta periculosidade de vários Estados, impedindo que continuem a comandar o crime de trás das grades, eles estão se revelando igualmente vulneráveis.

Desde o dia 26, a Polícia Militar (PM) catarinense já registrou mais de 50 ocorrências em 21 cidades. A violência, que começou na capital, se espalhou pelo interior, depois que foi reforçada a segurança em Florianópolis e os ônibus deixaram de circular durante a madrugada. As ocorrências vão de incêndio de ônibus a atentados contra casas de policiais e bases da polícia. Não são apenas os alvos dessas ações que mostram a decisão dos bandidos de desafiar diretamente o Estado. Sua audácia parece não ter limites, pois na quinta-feira atacaram também uma guarita da sede do governo, atingida por dez tiros.

Como acontece em outros Estados - e o melhor exemplo é São Paulo, com o Primeiro Comando da Capital (PCC) -, o foco da crise em Santa Catarina está também nos presídios. Os presos reclamam das condições do sistema penitenciário e, em carta enviada por um grupo deles à juíza Alexandra Lorenzi da Silva, da Vara de Execuções Penais, pedem melhorias neles. A magistrada prometeu a realização de vistoria nas próximas semanas. Mas o Departamento Estadual de Administração Prisional (Deap) contestou a autenticidade da carta.

Alega ele que na Penitenciária de São Pedro de Alcântara os presos não têm acesso a computadores, equipamento usado para a elaboração da carta, e, portanto, ela não foi redigida ali. Além disso, "mais da metade das assinaturas está agrupada em sequência de 50 signatários, grafada com a mesma caligrafia". Isso demonstraria a sintonia dos presos com seus cúmplices de fora dos presídios que, devidamente orientados, seriam os que na verdade redigiram e divulgaram a carta.

O aspecto mais grave da perfeita coordenação dos vários grupos criminosos, porém, foi apontado pela Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic). Segundo ela, a ordem para a onda de atentados partiu de dentro do presídio de segurança máxima de Mossoró, no Rio Grande do Norte, onde estão, desde 2012, os principais líderes do Primeiro Grupo Catarinense (PGC). Eles foram para lá transferidos depois de outra onda de atentados semelhantes aos de agora, cometidos em 2012. A ela se seguiu uma outra em 2013, sendo a de agora, portanto, a terceira.

Duas conclusões se impõem a partir desses fatos. A primeira, que era evidente desde 2012 e agora fica apenas reforçada, é que mesmo num Estado rico e bem organizado como Santa Catarina a violência e a força do crime organizado, dentro e fora dos presídios, não são muito diferentes daquelas que se observam no Maranhão, por exemplo, com seu tristemente famoso Complexo Penitenciário de Pedrinhas e os incêndios de ônibus em São Luís e em outras cidades. Sem falar que a organização e a maneira de agir do PGC em quase nada diferem das do PCC paulista e de outros grupos cariocas.

A segunda é que esse episódio compromete seriamente a reputação de segurança máxima dos presídios federais. Se outros episódios semelhantes se repetirem, eles não mais merecerão esse nome. E, se não houver onde se garantir o isolamento efetivo das lideranças das organizações que controlam os presídios, e de dentro deles comandam o crime aqui fora, a situação em todos os Estados só tende a se agravar.

Santa Catarina e Maranhão são apenas os Estados mais em evidência neste momento. O que se passa ali - e que aconteceu em São Paulo em 2006 - pode se repetir em outros Estados a qualquer momento, se os governos estaduais e federal não unirem seus esforços, acima de diferenças partidárias, para enfrentar o problema.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 04 / 09 / 2014

O Globo
"Marina ataca Aécio, que já aposta no confronto com Dilma"

Tucano conta com máquina partidária para buscar votos em Minas; adversária investe em campanha pela internet

Em disputa acirrada para chegar ao segundo turno contra Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB) fazem apostas diferentes em busca de votos. Em queda nas pesquisas, Marina atacou o tucano e disse que o PSDB está acostumado a perder para o PT. Já Aécio disse que tem respeito por Marina e bateu forte em Dilma, voltando a apontar casos de corrupção no governo.

Folha de S. Paulo
"Racionamento de água atinge 2,8 milhões no Estado de SP"

O racionamento oficial de água no Estado de São Paulo atinge 2,77 milhões de habitantes em 25 municípios. O número de pessoas prejudicadas é 32% maior em relação a levantamento da Folha do começo de agosto.

Há corte no fornecimento em cidades com abastecimento a cargo de prefeituras, fora do sistema Sabesp. Em Valinhos, que fica 18 horas sem água duas vezes por semana, o rodízio deve durar mais um ano. 

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sexta-feira, outubro 03, 2014

Joaninha esquerdista


Coluna do Celsinho

Líderes

Celso de Almeida Jr.

Não dá pra não lembrar...

Afinal, foi uma convivência que garantiu muitas lições.

Refiro-me a Nadim Kayat.

Sua candidatura a prefeito de Ubatuba, em 1988, contou com a minha participação.

Já escrevi bastante sobre ele.

Por isso, quem conhece esta história, compreende o motivo de - em tempo de eleição - eu recordar do saudoso amigo com mais intensidade.

Naquela época, dentre muitos ensinamentos, eu aprendi o motivo de não surgirem novas lideranças no cenário político.

Nadim, quase quatro décadas mais velho do que eu, narrava com entusiasmo as lembranças de sua juventude.

Aluno da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, nos anos 50, ele admirava os grandes mestres envolvidos na militância política.

Professores brilhantes, profissionais renomados, participavam dos partidos e preparavam novos quadros.

Preocupavam-se em colher nas universidades os jovens determinados, preparando-os para os embates políticos.

Nos partidos, era comum a existência de comitês de orientação política e partidária, que ensinavam e relatavam experiências.

Cursos de história universal, de administração pública, de ética, de filosofia, de oratória integravam a rotina dos partidos.

Líderes brilhantes, corajosos, preparados, inteligentes, encantavam a militância e despertavam na juventude o desejo de participar.

Esta chama tocou o jovem Nadim Kayat, que chegou a disputar eleições legislativas, colaborando na busca de votos para a sua legenda.

Não fosse um grave problema de saúde certamente ele teria seguido este caminho.

Curiosamente, foi em sua aposentadoria em Ubatuba que o desejo de colaborar com os destinos da cidade fez despertar o político adormecido.

Testemunhei a sua garra naquela campanha.

A sua disposição para levar um novo pensamento aos quatro cantos da cidade.

Perdeu a eleição, mas deixou o seu recado, que ainda hoje ecoa em muitos pensamentos.

Com exemplos e ensinamentos, ele revelou-me como surgem as novas lideranças.

São os partidos políticos que têm esta nobre tarefa.

São eles que, em regimes democráticos, criam a estrutura necessária para capacitar, para motivar, para descobrir talentos, garantindo a oportunidade para as novas vozes, para os novos líderes.

São homens e mulheres talentosos que aparecem a partir do debate intenso, da vivência política, da capacitação competente, da prática cotidiana da liberdade de expressão, do incentivo permanente ao estudo, ao questionamento e a reflexão.

Faltam novas lideranças?

Passados 26 anos da experiência política de Nadim Kayat em Ubatuba, continuo convicto de que a ausência de líderes nas esferas municipal, estadual e nacional está diretamente relacionada a fragilidade dos partidos políticos brasileiros na formação de novos quadros.

Quando esta prática for resgatada, seremos surpreendidos positivamente com as novas opções.

Quantos anos faltam para testemunhar esta boa nova?

Com a palavra, os partidos políticos do Brasil.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique


Opinião

Dilma e a Polícia Federal

O ESTADO DE S.PAULO
Para tentar impedir que o escândalo do mensalão e as denúncias de corrupção contra o governo respinguem sobre sua campanha pela reeleição, a presidente Dilma Rousseff vem alegando que concedeu à Polícia Federal (PF) total liberdade para investigar as denúncias de corrupção na Petrobrás, inclusive orientando-a a instaurar inquéritos criminais e a adotar medidas para acabar com o uso de caixa 2 pelos partidos políticos e esquemas de lavagem de dinheiro para financiar campanhas eleitorais.

O argumento foi usado por ela em um dos últimos debates entre os presidenciáveis. "Eu dei autonomia à PF para prender o senhor Paulo Roberto e os doleiros todos", afirmou na ocasião. O mesmo argumento também foi repetido nos programas do PT durante o horário eleitoral, que deram a entender ter sido Dilma a primeira inquilina do Palácio do Planalto a ter colocado a PF a serviço do combate à corrupção e dos ilícitos cometidos em empresas estatais.

A propaganda do PT é enganosa e a fala de Dilma carece de consistência técnico-jurídica, deixando claro o quanto ela desconhece a Constituição que há quatro anos jurou cumprir. Em palestra para cerca de 200 estudantes e professores de direito de uma universidade de Brasília, quando discorreu por mais de uma hora sobre reforma política, financiamento de campanha eleitoral, compra de votos, corrupção e fortalecimento do regime democrático, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa enfatizou esse ponto.

"Não é a presidente da República que manda prender. Ela tem, no máximo, poderes para não interferir na atuação do órgão", disse Joaquim Barbosa, confessando-se "surpreso" com o desconhecimento generalizado de direito constitucional por parte dos políticos - inclusive Dilma.

Essa foi uma crítica sutil às afirmações não só da presidente da República, mas também a recentes declarações do vice-presidente, Michel Temer, e do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Eles haviam protestado contra a vistoria, por agentes da PF, de um avião da campanha do senador Edison Lobão Filho, candidato ao governo do Maranhão e filho do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, acusando a corporação de ter sido "instrumentalizada para atingir candidaturas legitimamente constituídas".

Na ocasião, Dilma - que hoje elogia as ações da PF - criticou a corporação. "Qualquer órgão integrado por pessoas pode cometer um erro. Mas autonomia não significa autonomia para cometer coisas incorretas. Uma das coisas que a gente tem que garantir, principalmente em processos eleitorais, é que órgãos governamentais não sejam usados em proveito de um ou outro candidato", afirmou Dilma, com sua maneira tortuosa de se expressar, e de certo modo endossando a tese de que a ação de busca e apreensão executada pela PF teria tido o objetivo de "constranger" e "intimidar" políticos peemedebistas maranhenses.

Na realidade, como afirma o ex-ministro Joaquim Barbosa, a Polícia Federal é um órgão de Estado e não precisa de qualquer autorização presidencial para exercer suas atribuições funcionais. Pela Constituição, ela tem competência para promover investigações independentes, mesmo quando os investigados sejam políticos da base do governo ou mesmo integrantes da administração direta e indireta. Em outras palavras, a autonomia da Polícia Federal não é administrativa nem financeira. É uma autonomia funcional. E se seus delegados e agentes deixarem de agir, em casos de denúncias de algum ilícito, incorrem em crime de responsabilidade.

Por isso, quando a presidente da República alegou no debate entre os presidenciáveis que estimulou a PF a investigar as denúncias de corrupção na Petrobrás, "o que não acontecia nos governos anteriores", ela contrariou a verdade.

Seu comitê eleitoral ainda tentou refutar as críticas de Barbosa, distribuindo uma nota em que alega que as palavras de Dilma acerca dos "atos de atuação legal da PF" estariam sofrendo "interpretações maliciosas e inverídicas". Maliciosa é, mais uma vez, a insistência da assessoria de Dilma em desmentir as bobagens que ela fala.

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 03 / 09 / 2014

O Globo
"Adversário de Dilma no 2º turno está indefinido"

Datafolha mostra empate técnico entre Marina e Aécio; Ibope registra diferença de 5 pontos

Presidente aparece na frente nos dois institutos com 40% das intenções de voto e venceria os adversários no segundo turno . Considerando apenas os votos válidos, a petista tem 45% no Datafolha e 47% no Ibope.

Novas pesquisas divulgadas ontem, a três dias da eleição, indicam que a distância entre Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB) continua caindo. Nos dois levantamentos, Marina voltou a cair, dentro da margem de erro. No Datafolha, ela e Aécio estão tecnicamente empatados, já que a senadora aparece com 24% das intenções de voto e o tucano tem 21%. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos. No Ibope, essa vantagem a favor da candidata do PSB é um pouco maior : cinco pontos. Nas duas pesquisas, Dilma tem 40% das intenções de voto e venceria os adversários no segundo turno. Nas simulações de segundo turno do Datafolha, Marina e Aécio conseguiriam a mesma votação contra Dilma: 48% a 41%, com vantagem de sete para a petista.

Folha de S. Paulo
"Marina e Aécio empatam no 2º lugar"

Pesquisa Datafolha mostra ex-senadora com 24 % e tucano com 21 %, em i gualdade técnica; Dilma lidera com 40%

Na reta final da eleição presidencial, o Datafolha mostra empate técnico entre Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB) na disputa pelo segundo lugar. Dilma Rousseff (PT) lidera com 40%, mesmo percentual das duas pesquisas anteriores. Em um mês, Marina perdeu dez pontos e tem 24%. No período, Aécio subiu sete pontos, para 21 %. A margem de erro é de dois pontos. A vantagem da ex-senadora sobre o tucano, que chegou a ser de 20 pontos em setembro, caiu para três. Em votos válidos, descartados os nulos e em branco, o Datafolha traz a presidente Dilma com 45%, enquanto Marina e Aécio somam 27% e 24 % respectivamente. A presidente lidera nas cinco regiões do país. Seu melhor desempenho é no Nordeste, com 55%. O pior , no Sudeste, com 32%. No segundo turno, a petista venceria os dois ri vais pelo mesmo resultado: 48% a 41%. 

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quinta-feira, outubro 02, 2014

Dominique


Opinião

Detalhes, detalhes

Luis Fernando Veríssimo
Há momentos de grave introspecção em que um homem faz um inventario de si mesmo — seus sonhos, suas desilusões, suas possibilidades e onde, diabo, ele enfiou o chaveiro e o antiácido — e se faz perguntas. Valeu a pena? Devo continuar? Quem sou eu, e por que estou falando sozinho? Dessa espécie de promontório filosófico ele avista o caminho que já percorreu e o caminho que ainda precisa andar ou, se tiver sorte e aparecer um táxi, rodar.

O Brasil já teve várias oportunidades de, por assim dizer, afastar-se de si mesmo, examinar-se, decidir o que precisava ser feito, ajustar a gola da camisa e ir em frente. Falam que os nossos partidos políticos não significam nada como se isso fosse um grande defeito, e é uma das nossas vantagens sobre países mais ortodoxos e sem graça. Ou seria uma vantagem se fosse aproveitada. Nada está preestabelecido na nossa política, não temos compromisso com nenhuma forma de coerência, podemos ir inventando nosso destino no caminho.

Mas nosso distanciamento crítico raramente leva à sabedoria. Nossos momentos de introspeção geram curiosidades — um maluco que foge da Presidência, um atleta que é corrido da Presidência, um torneiro mecânico que sucede a um sociólogo como se fosse a coisa mais natural — sem um mínimo de lógica ou fidelidade a princípios rígidos ou até a preconceitos claros.

Como o Brasil, também deveríamos nos reavaliar e nos reinventar, e praticar, a intervalos, uma espécie de escafandrismo interior para descobrir o que somos, o que fizemos e deixamos de fazer, como continuar, como parar e como votar — mesmo sabendo que só uma pequena parte do nosso destino é decidida por nós e que o acaso e a natureza decidem o resto. E devemos nos consolar com o seguinte pensamento: só um detalhe nos separa da fortuna e da solução de todos os nossos problemas.

Foi a mãe do Bill Gates que teve o Bill Gates, não a nossa. E você acertar todos os números de uma Sena acumulada menos um, esse um é o detalhe. Esse um decide o seu destino.

O detalhe é como o vidro de um aquário. Um vidro com poucos milímetros de espessura através do qual você vê claramente os peixes coloridos e as plantas exóticas do outro lado. Os milímetros do vidro do aquário separam dois mundos inteiramente diferentes. Só um detalhe parecido separa você de outra vida.

TCHAU

Vou tirar férias. Sem foguetes, por favor. Volto no dia 2 de novembro. Até lá.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 02 / 09 / 2014

O Globo
"Aeroportos elevarão tarifa sem ter de melhorar qualidade"

Reajuste da Infraero não exige como contrapartida melhora nos serviços

Nova regra prevê correção em novembro, após eleição, e mais outra em janeiro de 2015. Tarifas estavam congeladas desde 2012

Resolução que está prestes a ser aprovada pela Anac levará a um reajuste de 7,93%, em novembro, nas tarifas de embarque nos 60 aeroportos administrados pela Infraero, informa GERALDA DOCA. A taxa do Santos Dumont, no Rio, vai ser atingida. Em voos internacionais, a tarifa será de R$ 80,64. E haverá novo aumento em janeiro de 2015, já que os preços estavam congelados desde 2012. Porém, ao contrário do que ocorre nos terminais privatizados , os novos parâmetros para reajuste na Infraero não têm como contrapartida a exigência de melhoria no atendimento ao público.

Folha de S. Paulo
"Alckmin não cumpriu 4 de cada 10 promessas de 2010"

Metas do tucano em transportes e ambiente em SP tiveram as piores avaliações

Candidato à reeleição, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), chega à reta final da disputa eleitoral, segundo balanço da Folha, sem ter cumprido quase metade das promessas feitas por escrito em 2010. A eleição é domingo. A gestão Alckmin teve desempenho insatisfatório em 23 de 52 metas definidas em documento entregue pela campanha tucana à Justiça Eleitoral, ou 44% do total. As piores avaliações foram nas áreas de transportes e infraestrutura e ambiente. O resultado foi satisfatório em 29 promessas (56%), cumpridas totalmente ou situadas em estágio avançado. Os destaques positivos no terceiro mandato de Alckmin são a educação, a habitação e o desenvolvimento econômico e social. A última pesquisa Datafolha mostra o governador com 49% das preferências, contra 23% de Paulo Skaf (PMDB) e 10% de Alexandre Padilha (PT). Considerando-se só os votos válidos, Alckmin ganharia já no primeiro turno.

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quarta-feira, outubro 01, 2014

Dominique


Opinião

Tudo o que não sabemos

Fernando Gabeira
Queria compartilhar alguns momentos de minha semana. Compartilhar é muito comum nas redes sociais. Não sei se mereço a generosidade do verbo, porque recebo dinheiro por isso. Compartilhando textos e imagens sou um cara da classe média: fascista, violento e ignorante, segundo a definição da filósofa Marilena Chaui.

Fascista porque é o nome genérico de quem não vota no governo que a filósofa defende. Violento porque dou empurrões nos gatos, quando pulam na cama antes do amanhecer, ignorante porque passei a semana inteira às voltas com a enormidade do que não sei.

Fui a São Paulo entrevistar o norte-americano Brian Greene, autor da Teoria das Cordas, um dos mais brilhantes cientistas de sua geração. Além de teórico, dedica-se a traduzir a ciência em livros, séries de TV e dois cursos de física quântica em seu site.

Um dos grandes produtos da revolução científica foi a aparição desses escritores que tentam estabelecer uma ponte entre os complexos problemas da física e o grande público.

Constituem o que C. P. Snow denominou de Terceira Cultura. Ocupam um espaço cada vez maior e, às vezes, respondem questões que a filosofia e a cultura humanista não respondem. Usando a ignorância como plataforma, perguntei a Brian Greene algo que todos sabemos: o que é o tempo?

Numa longa resposta, mostrou como o tempo pode se desdobrar de formas diferentes na física quântica e me lembrei de uma de suas aparições na TV, em que David Letterman queria saber como é possível viajar ao futuro. Greene, ao concluir a resposta que me deu, disse que, de uma certa maneira, Santo Agostinho tinha razão: sabemos o que é tempo, mas é difícil defini-lo.

Nesses contatos com grandes cientistas a gente percebe que acreditam na possibilidade de uma explicação última do universo e que trabalham para isso.

Temos uma angústia humana de saber tudo. Um dos temas da entrevista: qual o limite da matemática para explicar fenômenos sociais no futuro?

A questão do saber ou não saber existe em todos nós. Observando o discurso de Marilena Chaui percebi que falava ignorância com muita raiva. Aprendi no caminho que, às vezes, ficamos bravos porque algo que nos desagrada do lado de fora está também dentro da gente. Se o PT levar para a política de ensino a raiva de Marilena Chaui, vai acabar com o analfabetismo à porrada no Brasil.

Revi o discurso da Chaui num quarto de hotel e minha cabeça procurou asilo num verso de Murilo Mendes: “…um estado de bagunça transcendente”.

Um ato público com dois homens sentados no sofá e a filósofa curvando-se como uma cantora de blues: eu detesto a classe média.

Um dos homens no sofá era o líder máximo, vestido de vermelho. Quando foi à França queria convencer os franceses de que era da classe média e gostaria de levar os pobres para esse destino.

Filósofa: — Você é o nosso operário. Não pode ser da classe média. Se os sujeitos da História vão pra classe média, a história fica sem sujeito, corre solta.

Líder: — Não sabia que estava no caminho errado. Chegamos à classe média por engano. Vou trocar a placa. E você vai pra Paris explicar a mudança aos franceses. Dará uma boa discussão.

Na plateia de camisas vermelhas, um que veio do interior para o encontro comenta no ouvido do amigo: — Cara, acho que vamos perder em São Paulo. Vi muitas camisetas pretas. E o preto, você sabe, era a cor dos inimigos.

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O último refúgio para minha cabeça é me exilar no verso do grande poeta de Juiz de Fora Murilo Mendes: “…um estado de bagunça transcendente”.

Volto à animação:

O líder suando nos bastidores: — O que fazer com todos os meus ternos de grife, meu apartamento de classe média?

Filósofa, jogando o xale branco nas costas: — Fica firme. Você tem de esquecer que é da classe média.

Líder enxugando o suor: — Não vou ficar com essa camisa vermelha a semana inteira. Quero comer num lugar legal. Vamos fazer uma coisa: visto meu melhor terno, vou a um bom restaurante e, ao encontrar os fascistas violentos e ignorantes, dou uma bronca neles. Depois da sobremesa. Tá legal?

Filósofa: — Bela solução. Você é iluminado. Não é a toa que nosso partido tem tantos postes no governo, uma nova geração de postes ja está a caminho, e ficaremos no poder 20 anos-luz.

Líder: — Preciso trocar a placa, um novo nome. Se não viemos para a classe média, onde estamos afinal?

Filósofa: — No paraíso. A classe operária entra no paraíso. Temos bons marqueteiros, belas imagens, uma grana garantida para os blogueiros. Não se iluda, meu caro: sempre haverá serpentes dizendo que a classe média produz grande parte do conhecimento, que o fascismo é coisa do século passado. São as serpentes da ignorância.

Líder: — Prometo recusar todas as maçãs, companheira. Mesmo porque somos patrocinados pela carne de boi. No meu paraíso todos comem carne de boi, até cantor vegetariano.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 01 / 09 / 2014

O Globo
"Marina volta a cair e já é ameaçada por Aécio"

Disputa pelo 2º lugar é acirrada, com Dilma isolada na liderança

Em um mês, vantagem da candidata do PSB sobre o tucano é reduzida de 20 para 5 pontos no Datafolha e de 18 para 6 no Ibope. Os dois institutos registram vitória da presidente no 2º turno, mas com pontuações diferentes

Pesquisas Ibope e Datafolha divulgadas ontem mostram que Marina Silva (PSB) continuou em queda e viu sua distância para Aécio Neves (PSDB), que chegou a ser de 20 pontos no início de setembro, cair para cinco ou seis, a depender do instituto. Dilma Rousseff (PT) se manteve em primeiro nos dois levantamentos. No segundo turno, a petista venceria Marina por oito pontos de vantagem, segundo o Datafolha, ou quatro, de acordo com o Ibope. A presidente hoje também venceria o tucano no segundo turno.

Folha de S. Paulo
"Aécio encosta em Marina; Dilma mantém vantagem"

A cinco dias do 1 º turno, diferença de Marina sobre Aécio cai para cinco pontos, segundo o Datafolha

A disputa pelo segundo lugar na corrida presidencial tende a se acirrar na reta final, mostra o Datafolha. Dilma Rousseff (PT) lidera com 40%. Marina Silva (PSB) está com 25%, e Aécio Neves (PSDB), com 20%. O levantamento encerrado na terça (30) foi o quarto seguido em que Marina caiu ou teve oscilação negativa e Aécio apresentou variação positiva. No mês, a vantagem da ex-senadora sobre o tucano diminuiu 15 pontos. Em relação à pesquisa anterior, de 25 e 26 de setembro, Dilma se manteve estável, Marina oscilou dois pontos para baixo, e Aécio, dois para cima. Em votos válidos, Dilma soma 45%, Marina, 28%, e Aécio, 22%.

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terça-feira, setembro 30, 2014

Dominique


Opinião

Dilma e a diplomacia petista

O ESTADO DE S.PAULO
O vexame que a presidente Dilma Rousseff fez o País passar perante uma audiência mundial, ao utilizar a tribuna da ONU para fazer campanha eleitoral, não resultou apenas de reles cálculo marqueteiro. É a consequência natural de uma visão distorcida do que vem a ser o interesse nacional, deliberadamente confundido com o interesse do partido ao qual Dilma pertence. Logo, ao defender na ONU as supostas realizações da era lulopetista, como se elas qualificassem o Brasil no cenário internacional, Dilma sacramentou a diplomacia partidária que vem carcomendo a credibilidade brasileira. Essa crença de que a política externa do País não pode ser "apenas uma política de Estado" foi reafirmada pela presidente, com essas exatas palavras, em entrevista à revista Política Externa, a propósito de seus planos para as relações exteriores, caso seja reeleita.

Na conversa, Dilma afirmou que "aprisionar a política externa em um só modelo" - isto é, a diplomacia de Estado, e não de partido - "denota uma atitude conservadora por parte dos que não querem mudar nada". Para ela, as estratégias diplomáticas são, "antes de tudo", uma "escolha da sociedade, que se faz periodicamente por meio de eleições". Com isso, a presidente reafirma, com a maior clareza possível, que a política externa legítima é aquela ditada pelo partido vencedor das eleições - e os que a isso se opõem são desde logo "conservadores" que "não querem mudar nada".

É evidente que o partido legitimado pelas urnas pode e deve implementar seu programa nos diversos aspectos da administração pública, aí incluída a atuação internacional. No entanto, isso é muito diferente de obrigar a diplomacia brasileira a atuar como braço do PT, alinhando o Brasil a países párias e a ditaduras, somente porque estes compartilham da ideologia companheira, e amarrando o País a compromissos que o impedem de fazer acordos comerciais que o tornariam mais competitivo no mercado internacional. A julgar pelo entusiasmo com que Dilma defendeu esse modelo na entrevista, no entanto, pode-se esperar que ele seja até mesmo aprofundado no eventual segundo mandato.

Indiferente à realidade, em autêntico estado de negação, Dilma disse que as "novas prioridades da política externa brasileira produziram resultados extraordinários" - orgulhando-se do desastroso desempenho comercial de seu mandato, que recentemente obrigou o governo a incluir a exportação fictícia de plataformas de petróleo para ajudar a conta a fechar no azul. Na construção da triunfante narrativa petista, Dilma diz que essa performance "extraordinária" não se deve apenas à demanda internacional por commodities, "mas fundamentalmente porque o Brasil, com sua nova política externa, adaptou-se bem às profundas mudanças que ocorreram, e ainda ocorrem, na geoeconomia e na geopolítica mundiais".

Tal "adaptação" resumiu-se ao aprofundamento das chamadas relações "Sul-Sul" - política que justifica a prioridade dada a parceiros que ou têm pouca relevância ou demonstram escasso apreço à democracia. Essa estratégia representou ganhos pífios para o Brasil, mas alimentou o discurso petista contra os países ricos. Assim, para Dilma, o "resultado mais expressivo" dessa diplomacia foi o "claro e substancial aumento do nosso protagonismo mundial".

A despeito dessa megalomania companheira, no entanto, Dilma dá pouca ou nenhuma importância para a diplomacia formal, e o maior exemplo disso é o contínuo sucateamento do Itamaraty. São abundantes as reclamações de diplomatas a respeito das restrições orçamentárias - causadas em parte pelo fracasso da estabanada política de multiplicação de representações diplomáticas promovida pelo governo Lula.

Além disso, enquanto reivindica para o Brasil um lugar entre os protagonistas globais, Dilma descuida dos rituais mais elementares das relações internacionais. Só isso explica o chá de cadeira que a presidente está dando a 28 embaixadores estrangeiros que estão há meses esperando que ela os receba para lhe apresentar suas credenciais, formalidade necessária para que eles sejam reconhecidos oficialmente como representantes de seus países.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 30 / 09 / 2014

O Globo
"Bolsa tem maior queda em 3 anos e dólar sobe"

Mercado reage à alta de Dilma, mas economistas veem exagero

Ação da Petrobras cai 11%, e Bovespa recua 4,52%. Dólar vai a R$ 2,457. Para analistas, operadores usam eleição para especular

Com o avanço da petista Dilma Rousseff nas pesquisas, a Bolsa recuou 4,52%, na maior queda desde 2011. As ações da Petrobras caíram 11,17%, e o dólar subiu 1,69%, para R$ 2,457, a maior cotação em quase seis anos. Desde 2002 as eleições não provocavam tanta turbulência na Bolsa de Valores. Mas, para economistas, o movimento do mercado financeiro é exagerado, e há operadores aproveitando a incerteza eleitoral para especular. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, atribuiu as perdas no mercado a incertezas no exterior.

Folha de S. Paulo
"Com Dilma em alta, Bolsa tem maior queda em 3 anos"

Ibovespa cai 4,52%, puxado por Petrobras; dólar vai a maior patamar desde 2008

A seis dias das eleições, o mercado financeiro reagiu mal ao avanço da presidente Dilma Rousseff (PT) na pesquisa Datafolha, divulgada na noite de sexta (26). A Bolsa de Valores brasileira caiu 4, 52%, a maior baixa desde setembro de 2011. Das 69 ações do Ibovespa, 62 fecharam o dia no vermelho. A maior desvalorização foi a dos papéis da Petrobras, que caíram 11%. Já o dólar teve valorização de 1% e fechou cotado a R$ 2,44 — o mais alto patamar desde dezembro de 2008. O real foi a moeda que mais se desvalorizou em relação ao dólar entre as 24 moedas emergentes mais negociadas no mundo. A vantagem de 1 3 pontos de Dilma sobre a rival Marina Silva (PSB) frustrou a expectativa dos investidores. O mercado financeiro não aprova a reeleição da petista por considerar que sua política econômica levou o país ao crescimento baixo com inflação alta. 

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segunda-feira, setembro 29, 2014

Pitacos do Zé


A água nossa de cada dia

José Ronaldo dos Santos
Para a saúde do nosso corpo existe uma infinidade de veias, artérias e vasos sanguíneos. Se por infelicidade um mínimo entupimento ocorrer, a nossa existência estará comprometida. No meio ambiente também é assim. Daí a necessidade de preservar e valorizar o mínimo olho d’água e os lugares a marejar que se encontram pelos caminhos do nosso município (Ubatuba- SP). Não convém se descuidar de que é urgente um desenvolvimento sustentável porque os recursos não são infinitos.

Na nossa realidade caiçara, as mudanças foram ao extremo. Quando eu nasci, há mais de meio século, todos se serviam dos rios para as muitas tarefas. Na casa dos meus avós paternos, na Praia do Sapê, o rio volumoso e piscoso ficava bem “próximo da porta da cozinha”. Foi lá que conheci marisco do rio (sururu), enguia (mussum), cágado, jundiá, mandi, cafula, camarão vadio, lagosta, piaba e tantos outros complementos da nossa alimentação. Já na Praia da Fortaleza, onde moravam os avós maternos, além do rio encachoeirado de muita serventia,  a água “vinha de longe” até no cisqueiro, em calhas de bambu. Era debaixo de uma enorme pedra que brotava aquela água cristalina. Hoje, nesse lugar, uma estrada cortou o terreno e destruiu tudo. Já não aflora água alguma. Perdeu o homem, perderam os outros bichos e danou-se a vegetação que ali existia. Ou seja, além da vida humana, é preciso um desenvolvimento capaz de atender aos demais seres. Assim escreveu Leonardo Boff: “Todos constituem uma comunidade planetária em que estamos inseridos, e, sem eles, nós mesmos não viveríamos”.

A propósito, interessa aos moradores de Ubatuba: escutei, no posto de combustível do Bairro do Ipiranguinha, alguém afirmando que o governo estadual está com projeto em andamento para construir uma captação de água no município vizinho de Natividade da Serra, no lugar chamado de Balsa. Isso quer dizer que os rios com nascentes na Serra do Mar, antes de se encontrarem na represa de Paraibuna, devem dar um alívio aos paulistanos. Porém, volto a repetir: os recursos não são infinitos. Daí a preocupação de replantar água, de proteger os mananciais e de retomar atitudes que respeitem o meio ambiente.

Desde já é bom se preocupar com a seguinte situação: caso persista a falta de chuva no território paulista, o fluxo de turistas para as represas deve cessar na próxima temporada (dentro de três meses). O litoral pode ficar saturado de visitantes. A questão é: a captação atual dará conta do recado? Um conselho: cuidar dos nossos rios e garantir uma reserva de emergência em seu terreno.

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Dominique


Opinião

Velhos conhecidos

O ESTADO DE S.PAULO
A quadrilha que ora está sendo denunciada na Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF), é integrada por gente que participou dos mais importantes escândalos nacionais desde pelo menos 1997, conforme relatou reportagem do Estado. A reincidência desses veteranos mostra que a predação ao erário se tornou para muitos deles um meio de vida - e que eles agiram movidos pela certeza de que a Justiça nunca os puniria para valer.

O elo entre quase todos os casos é o doleiro Alberto Youssef, principal acusado na Lava Jato. Figura conhecida no mundo dos recentes episódios de corrupção e de desvio de dinheiro público, Youssef enriqueceu "sem nunca ter uma atividade lícita", conforme afirma o Ministério Público Federal. Ele é tido como o coordenador do esquema de lavagem de dinheiro para legalizar recursos obtidos por meio de fraudes e de pagamento de propinas na Petrobrás entre 2009 e 2014. Calcula-se que sua expertise tenha sido usada para branquear algo em torno de R$ 10 bilhões.

A trajetória de Youssef começou no escândalo do Banestado (Banco do Estado do Paraná), revelado em 2003. Por meio de depósitos de doleiros em contas de laranjas e nas CC5 (contas criadas para facilitar transferências legais para o exterior), o esquema naquele banco público transferia para paraísos fiscais dinheiro oriundo de narcotráfico e de corrupção. O gerente de câmbio que operou os negócios chamou a atenção na época para a "permissividade" do Banco Central, que transformou o Banestado num paraíso de doleiros - entre eles Youssef -, que teriam movimentado R$ 30 bilhões.

Para não ser condenado à prisão, Youssef fez acordo de delação premiada em 2004, em que admitiu diversos crimes contra o sistema financeiro e os cofres públicos. Mesmo com o compromisso de colaborar com a Justiça e, assim, reduzir a punição, Youssef continuou a atuar. Além de montar uma rede com doleiros, políticos, servidores e empresários para operações de câmbio fraudulentas, suspeita-se que ele tenha tido participação no escândalo do mensalão, por meio da corretora Bônus Banval. Segundo Marcos Valério, pivô do mensalão, o dono da corretora é Enivaldo Quadrado, sócio de Youssef e que também foi preso na Operação Lava Jato.

A quadrilha que atuou na Petrobrás inclui mais nomes conhecidos de outros escândalos. Um deles é o do doleiro Raul Henrique Srour, que atuou com Youssef no Banestado. Ele é acusado agora de fraudar identidades para realizar operações de câmbio. Srour já havia sido citado pela CPI que investigou o escândalo dos precatórios, em 1997.

Outra veterana envolvida no caso da Petrobrás é Nelma Kodama, doleira que também é ligada a Youssef. Ela foi investigada na CPI dos Bingos, na CPI dos Correios e na Operação Anaconda, que apurou um esquema de venda de sentenças judiciais.

A lista da Lava Jato cita ainda Rafael Angulo, que foi condenado por envolvimento em esquema de remessa ilegal de cerca de US$ 700 milhões ao exterior entre 2004 e 2006, na chamada Operação Curaçau. Angulo também trabalhou para Youssef.

Outros mencionados são os notórios Carlinhos Cachoeira e Pedro Paulo Leoni Ramos. O bicheiro Cachoeira, preso em operação contra o crime organizado em Goiás em 2012 e que tinha extensas ligações com o mundo político, movimentou dinheiro em uma das empresas de fachada de Youssef, conforme a investigação da Lava Jato.

Já Pedro Paulo Leoni Ramos, o "PP", foi investigado pela PF em inquérito sobre fraudes em fundos de pensão em 2013 e agora é suspeito em razão de suas relações com Youssef. Um cunhado de "PP", Roberto Figueiredo, também está envolvido na Lava Jato - ele já havia sido preso pela PF na Operação Navalha, que desbaratou esquema de corrupção na contratação de obras do PAC, em 2007.

É provável que a Lava Jato venha a incluir ainda mais nomes conhecidos do submundo das negociatas - gente que não foi punida quando deveria e que, confiante, parece ter se organizado como uma ampla rede dedicada a roubar o quanto puder dos cofres públicos.

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 29 / 09 / 2014

O Globo
"Serviços já são 65% do orçamento da classe C"

MUDANÇA DE HÁBITOS

Ganho de renda é consumido por saúde e educação privadas

Nova classe média inverteu perfil de gastos na última década. Produtos agora representam apenas 35% de suas despesas

Os gastos da classe C com serviços já são quase o dobro da parcela destinada aos produtos, segundo estudo exclusivo do instituto Data Popular. Há dez anos, a proporção era inversa: 63% do orçamento eram usados para despesas com alimentação e outros bens. Serviços básicos, como saúde e educação, consumiram a maior parte do ganho salarial dessas famílias nos últimos anos. O ministro Marcelo Neri, da Secretaria de Assuntos Estratégicos, reconhece que as pessoas estão em busca de mais qualidade. O efeito da mudança é visível na inflação de serviços, que tem ficado entre 8,5% e 9% ao ano.

Folha de S. Paulo
"Dilma não cumpriu 43% das promessas de 2010"

Compromissos nas áreas de ambiente e segurança tiveram o pior desempenho

Em quase quatro anos de mandato, a presidente Dilma Rousseff (PT) não cumpriu 43% de suas promessas realizadas em documento que simbolizava seu programa de governo na campanha eleitoral de 2010, informa Ricardo Mendonça. Dos 69 compromissos assumidos, 14 foram abandonados e 16 tiveram execução insatisfatória. As piores avaliações foram nas áreas de meio ambiente e segurança. Já 22 foram cumpridos integralmente, com destaque na área trabalhista e de saúde. 

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domingo, setembro 28, 2014

Dominique


Opinião

Dilma Rousseff e a corrupção

O ESTADO DE S.PAULO
Nunca antes na história deste país se viu tanta corrupção no governo. O mensalão e o mais recente escândalo do desvio de dinheiro da Petrobrás para o bolso de políticos governistas, exemplos mais luzidios do mar de lama em que o Brasil oficial chafurda, dão a medida de até que ponto os 12 anos de governos do PT degradaram a moral pública. Enquanto isso, Dilma Rousseff proclama na ONU e na propaganda eleitoral os "valores" que transformaram o Brasil num mundo encantado, enfatizando "o combate sem tréguas à corrupção", mediante "o fim da impunidade com o fortalecimento das instituições que fiscalizam, investigam e punem atos de corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros".

Punir a corrupção? Recorde-se a tentativa do PT de desclassificar como "manipulação política" a condenação, pelo STF, dos dirigentes do partido que urdiram e executaram o até então maior escândalo de corrupção no governo - a compra de apoio de parlamentares para a formação da "base aliada". Os maiorais petistas condenados por uma corte integrada em sua esmagadora maioria por ministros nomeados nos governos de Lula e de Dilma foram transformados pelo lulopetismo em injustiçados "guerreiros do povo brasileiro".

Já quanto ao "fortalecimento das instituições que fiscalizam, investigam e punem", trata-se de mentira ainda mais escandalosa, até por ser uma das mais insistentemente repetidas no ininterrupto discurso eleitoral do PT no poder.Fiscalizar e investigar? Dilma declarou recentemente o que pensa: não é função da Imprensa investigar o governo, mas apenas divulgar notícias. Em outras palavras, só deve ser divulgada a notícia que chega pronta na mão do jornalista, não importa a credibilidade da fonte, pois, se tentar verificar se a fonte tem credibilidade, o jornalista já estará fazendo o que não pode: investigando. Depois Dilma tentou se explicar, dizendo que não era bem o que todo mundo havia entendido, mas já havia deixado clara uma de suas afinidades com a ditadura cubana e o bolivarianismo chavista.

No âmbito do poder público, investigação é o trabalho, por exemplo, da Controladoria-Geral da União, da Advocacia-Geral da União e do Ministério Público (MP). As duas primeiras estão vinculadas ao Poder Executivo. Mas o MP é constitucionalmente autônomo, ou seja, uma potencial fonte de aborrecimentos para o Poder Executivo, em particular quando resolve meter o bedelho em malfeitos dos poderosos de turno. Não é por outra razão que têm sido recorrentes no Congresso as tentativas de impor limitações constitucionais à atuação investigativa do Ministério Público.

Dilma tem repetido que em seu governo a Polícia Federal (PF) tem ampla autonomia para trabalhar. Mais do que isso, que se hoje é aparentemente muito grande o número de casos de corrupção que chegam ao conhecimento público é porque os governos petistas ampliaram os quadros, forneceram equipamentos e garantiram autonomia à PF para cumprir sua missão. Mais uma vez, há confusão.

De acordo com dados oficiais do Ministério do Planejamento, conforme informou o Estado dias atrás, está havendo uma redução do número de delegados, peritos, escrivães e agentes da Polícia Federal. Segundo a Federação Nacional dos Policiais Federais, há hoje cerca de 4 mil cargos vagos, quando o ideal seria triplicar o número de servidores da PF. O mesmo Ministério do Planejamento informou, depois, que, no mês passado, foram admitidos nos quadros da Polícia Federal 541 servidores - ou seja, pouco mais de 10% dos cargos que estariam vagos.

Investigação e fiscalização são frequentemente sinônimos. No âmbito do poder público - sem falar do Poder Legislativo, hoje de joelhos diante do Executivo -, o Tribunal de Contas da União (TCU), órgão auxiliar do Congresso Nacional, tem a responsabilidade constitucional de exercer a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União. Mas durante seus governos Lula deixou bem claro o que pensa do TCU: só serve para criar obstáculos à execução dos projetos e programas oficiais.

Em resumo: o PT não gosta de ser fiscalizado e, muito menos, investigado. Qual a credibilidade de Dilma Rousseff, portanto, para falar em "combate sem tréguas à corrupção"?

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 28 / 09 / 2014

O Globo
"Indecisos e infiéis são os alvos na reta final"

Analistas avaliam que 28 milhões ainda devem decidir voto para presidente

Conquista dessa fatia do eleitorado será decisiva para Marina e Aécio, que buscam chegar ao 2º turno 

Na reta final da campanha presidencial, os candidatos investem nos indecisos e naqueles que admitem mudar o voto, informam Cleide Carvalho e Marco Grillo. Analistas estimam que esse segmento chegue, nesta semana, a 28 milhões de eleitores (20% do total) e seja decisivo, principalmente para Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB). No Rio, candidatos apostam em estratégias distintas.

Folha de S. Paulo
"PF investiga ligação entre tesoureiro do PT e doleiro preso"

Vaccari é suspeito de negociar investimentos de fundos de pensão de estatais em empresas lgadas a Youssef; ele nega

A Polícia Federal investiga se investimentos de fundo de pensão de estatais em empresas ligadas ao doleiro preso Alberto Youssef foram intermediados pelo tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, informam Leonardo Souza e Mario Cesar Carvalho. Os fundos Petros (Petrobras) e Postalis (Correios) aplicaram R$ 73 milhões e perderam quase tudo. 

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