sábado, setembro 20, 2014

Dominique


Opinião

O Brasil e o próximo governo

O ESTADO DE S.PAULO
O próximo governo enfrentará juros mais altos no mercado internacional já no primeiro ano - e o aperto deverá aumentar em 2016, segundo as projeções da maioria dos dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos). Para os americanos, essa mudança representará, principalmente, uma normalização da política monetária, depois de anos de juros básicos próximos de zero e de muito dinheiro emitido para facilitar a recuperação da economia. O ritmo da mudança nas condições de financiamento vai depender da criação de empregos e da evolução dos preços. Com a melhora dos negócios e o aumento das contratações, a inflação também deverá subir e convergir para a meta de 2%. Como contrapartida, a política será apertada e o crédito ficará mais caro e seletivo. O dinheiro será menos acessível, portanto, aos clientes com ficha menos favorável, sejam indivíduos, empresas ou países. Esta é mais uma excelente razão - e mais premente que nos últimos anos - para o governo brasileiro cuidar de sua credibilidade financeira e da blindagem do País contra choques externos.

Os mercados financeiros receberam o recado sobre as perspectivas de 2o15 e de 2016 na quarta-feira passada. Naquele dia, o Comitê Federal de Mercado Aberto, formado por diretores do Fed e responsável pela política monetária da maior economia do mundo, anunciou mais uma redução dos estímulos ao crescimento, mas com manutenção dos juros básicos na faixa de zero a 0,25% ao ano. Em outubro, o Fed reduzirá de US$ 25 bilhões para US$ 15 bilhões a compra de títulos do Tesouro e de papéis lastreados em hipotecas. Para realizar essa compra, a instituição emite dinheiro e com isso irriga os mercados. O corte mensal de US$ 10 bilhões foi iniciado em janeiro e poderá encerrar-se antes do fim do ano.

O Fed tem reduzido os estímulos porque a economia americana continua criando empregos e a produção segue em alta, depois de um tombo temporário no primeiro trimestre, explicável em grande parte pelo inverno excepcionalmente forte. Nos últimos três meses houve aumento mensal, em média, de 200 mil postos de trabalho. Esses postos foram abertos basicamente pelo setor privado, porque os governos continuaram ajustando suas finanças.

Apesar desses dados positivos, os membros do comitê avaliaram a melhora como insuficiente, porque muitos trabalhadores continuam desempregados ou empregados em tempo parcial, comentou a presidente do Fed, a economista Janet Yellen. Embora a taxa de desemprego, de 6,1%, seja cerca de 2 pontos inferior à de dois anos atrás, a maior parte do comitê considera ainda necessária uma política propícia ao crescimento econômico. Daí a decisão de manter "por um tempo considerável" uma política "altamente acomodatícia". Essa orientação inclui a conservação dos juros na faixa atual.

Ninguém define a extensão do "tempo considerável", mas, segundo a maioria dos dirigentes do Fed, será conveniente um primeiro aumento de juros no próximo ano. Catorze participantes da reunião apontaram 2015, enquanto 1 indicou 2014 e 2 mencionaram 2016. Em junho, esses palpites foram 12, 1 e 3. Os fatos poderão evoluir de forma diferente, até porque a elevação dos juros dependerá também da inflação. A taxa de 2%, segundo a projeção central, provavelmente só será alcançada em 2016.

O governo brasileiro tem, portanto, algum tempo para montar uma política mais apropriada às novas condições financeiras. Mas o tempo é curto, porque mudanças nas contas públicas são politicamente complicadas. Mas ninguém poderá alegar surpresa, mesmo porque a redução dos estímulos monetários nos Estados Unidos foi anunciada no primeiro semestre do ano passado. Além do mais, o mercado já está mudando e isso é normal.

Sobrou dinheiro no mercado internacional durante anos. O governo brasileiro foi incapaz de promover nesse período o fortalecimento e o crescimento da economia. A expansão média em quatro anos dificilmente chegará a 2%. Agora terá de realizar ajustes num cenário bem menos favorável.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 20 / 09 / 2014

O Globo
"Nunca antes: Erro em ‘numerinho’ obriga IBGE a corrigir toda a Pnad"

Com mudança, desigualdade cai em vez de subir e ganho de renda é menor.

Instituto superestimou peso das estatísticas de sete estados. Problema foi identificado por Ipea e consultorias Instituição com 77 anos de história, o IBGE informou ontem que errou em sua principal pesquisa anual, a, Pnad, que fora divulgada na véspera com dados de mercado de trabalho, educação e acesso a bens. O instituto superestimou o peso das estatísticas de sete estados. Com a correção, a desigualdade no país agora registrou queda, em vez de alta. A elevação da renda foi de 3,8%, e não os 5,7% do dia anterior. O analfabetismo caiu menos. O diretor do IBGE responsável pela pesquisa, Roberto Olinto, disse que o problema foi “na hora de calcular o numerinho que compõe a amostra” A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, afirmou que duas comissões vão apurar responsabilidades.

Folha de S. Paulo
"Delator liga 2 ex-diretores a corrupção na Petrobras"

Esquema atuou nas áreas de Serviços e Internacional, diz Costa; acusados negam

O esquema de desvios na Petrobras não era exclusivo do área de Abastecimento, do ex-diretor Paulo Roberto Costa. Segundo depoimentos dele PF e ao Ministério Público Federal, houve irregularidades nas diretorias de Serviços e Internacional. Indicado pelo PT. Renato Duque chefiou o setor de Serviços c Engenharia de 2004 a 2012, período em que Costa integrou a cúpula da petroleira. A área internacional era comandada por Nestor Cerveró, apoiado também por peemedebistas. Duque é conhecido pela proximidade com o tesoureiro do PT, João Vaccori Neto. A menção a nomes próximos do partido deixou o governo em alerta gerou tensão no comitê de Dilma, informam Andréia Sadi. Natuza Nery e Valdo Cruz. Via interlocutores. Duque negou ligação com negócios de Costa. Advogado de Cerveró também negou as acusações. A Petrobras não se manifestou. Sobre o caso. Dilma disse que “não é função da imprensa Fazer investigação”; só divulgar informações.

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sexta-feira, setembro 19, 2014

Das Nuvens


Coluna do Celsinho

Pnad

Celso de Almeida Jr.

O saneamento básico é um dos pontos retratados na Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar-Pnad, divulgada nesta semana pelo IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Neste setor, a pesquisa indicou estagnação na expansão da rede coletora de esgotos e no abastecimento de água.

Na região norte do Brasil,  onde a situação é mais grave, tenho a oportunidade de conferir o problema.

Escrevo de Porto Velho, capital de Rondônia.

Por aqui, a única rede que coleta esgoto no centro da cidade foi feita no início do século passado, quando da construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.

Passados mais de 100 anos, o procedimento ainda é o mesmo:

O esgoto, sem tratamento algum, é jogando no rio Madeira.

Por aqui - ainda - somente um de cada três habitantes conta com água tratada.

A maior parte da população utiliza água de poço, com grande risco de contaminação.

Pois é...

Estamos falando da capital de um importante estado do norte brasileiro.

Com isso, dá para imaginar a gravidade do problema.

Esse quadro implica diretamente na saúde da população.

Estudos apontam que em 2013, também em Porto Velho, de 283 internações ocorridas por doenças infecciosas, 253 seriam evitadas se existisse saneamento adequado.

E por aí vai, Brasil afora...

Há muito o que fazer, prezado leitor, querida leitora.

Priorizar ações elementares, como o saneamento básico, deveria ser consenso na classe política.

Infelizmente, pelos números indicados pelo Pnad, o tema não tem merecido a devida atenção.

Viste: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

Direito ao delírio

Fernando Gabeira
No passado tratei de vários temas polêmicos que hoje aparecem até nas campanhas presidenciais. Um deles, entretanto, jamais consegui defender com clareza: o direito ao delírio. Ninguém levou muito a sério, acabei desistindo. O delírio para mim não é alucinação. As visões ou vozes na alucinação não existem na realidade. Oliver Sachs descartou a tese corrente de que expressam loucura. Ele mostrou que algumas visões alucinatórias são uma reação do cérebro à falta de estímulo. Acontecem mais em cegos e pessoas perdendo a visão.

O delírio embaralha uma realidade, extrai conclusões fantásticas dos fatos que estão diante de nós. Ele nos liberta diante de um bloco de governo que nos assalta, sugando recursos de uma empresa nacional.

Não se trata de realismo mágico, gênero que os grandes romancistas recriaram em seus países. Mas sim de um delírio defensivo, maneira provisória de enfrentar o real. Nada me impede de ver uma onda gigante de óleo varrendo o Congresso, inundando os caracóis do cabelo de Renan Calheiros, tingindo de preto os do ministro Lobão. Uma onda varrendo gente abraçada na bandeira do Brasil, gritando “o petróleo é nosso”. Na realidade, o petróleo é deles, muito mais deles que nosso. Você pode escolher o caminho racional, dissertar sobre o respeito aos bens públicos, mas acredita mesmo que os argumentos os impressionam?

No meu delírio, vejo Dilma como uma replicante. Em “Blade Runner”, os replicantes se revelavam em pequenos gestos mecânicos, buscando o cigarro na boca com o isqueiro. Dilma se revela, no meu delírio, quando começa a falar. Quando diz “no que se refere” tenho a sensação nítida de que apertaram a tecla play.

No meu delírio vejo o general Horta Barbosa, por sinal sogro de um amigo da juventude, caminhando com seu bastão, diante de milhares de estudantes da época, gritando “o petróleo é nosso”, e a onda invadindo o Congresso e o Planalto. E vejo intelectuais ocupando tribunas e blogs para nos garantir que sempre foi assim, a corrupção é incontrolável.

E vejo o velho Pedro Simon gritando: “as empreiteiras, as empreiteiras, lembrem-se: os políticos não se corrompem sozinhos, alguém os paga”. Irmanados no mesmo escândalo, Renan e Henrique caminham sobre a onda de óleo que se estende pelo tapete do salão verde, cruzando todas as divisões do parlamento. Pastoso, escorregadio, o óleo se avoluma, Romero Jucá pegou um tubo e fotografa sua manobra com uma câmera GoPro.

O óleo avança no Planalto, e no que se refere a Dilma, ela não sabia de nada, jamais soube, e o óleo escorre pelos gabinetes. País oleoso, o nosso.

Esta semana me veio à cabeça o livro de Marie Cardinal que em francês se chamou “Les mots pour le dire” (Palavras para dizer). Mas o livro de Marie Cardinal sugeria na minha memória algo mais denso do que apenas um desabafo. O livro conta a historia de Cardinal, que perdia muito sangue, como se estivesse continuamente menstruada. Livres dos médicos que a queriam operar, ela resolveu narrar sua infância, seus traumas, e só assim superou a doença.

Pensei, delirantemente, que a receita de Marie Cardinal talvez se aplicasse ao país: conter a sangria através das palavras claras. Para começar, quando falarmos de governo, Congresso e empreiteiras compreendermos que estamos diante de um grande sistema de assalto. O governo governa, as empreiteiras constroem. Mas não estava combinado que 3% dos contratos seriam pagos a um grupo político. Se isso for encarado como algo tolerável e rotineiro, o delírio talvez seja a única forma de sobreviver, porque o país mesmo teria enlouquecido mansamente.

Minhas retinas fatigadas não vão esquecer a onda de óleo. Usando faixas, oferecendo coquetéis, abraçando bebês, presidindo sessões solenes, em todos os rituais do governo, verei o óleo enegrecendo os colarinhos brancos, transbordando as taças de champanhe, afogando os camarões da salada. Delirando pelo menos estarei com a minha realidade, respeitando o delírio dos outros, que acham que isso é um governo e isso é um Congresso. No fundo, sei o que são. Só os chamarei de governo e Congresso para estabelecer uma linguagem comum.

As investigações não servem apenas para punir, mas para refazer nossa relação com o Brasil. Que país é esse? Como viver essa farsa política? Como resistir a um governo cínico e impermeável às regras republicanas? Li um pouco sobre a relação do povo com os governos no Leste Europeu e bastante sobre a saga dos intelectuais em Cuba. São condições muito diferentes da nossa, mas sua experiência ensina a viver, quando não se tem ilusões sobre a natureza do governo. Eles têm algo a ensinar. Mas só voltarei ao manual de sobrevivência se toda essa onda de óleo se tornar uma gigantesca pizza de alcatrão.

Artigo publicado no Segundo Caderno do Jornal O Globo

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 19 / 09 / 2014

O Globo
"Desemprego e desigualdade aumentam, mas renda sobe"

RETRATOS DO BRASIL/PNAD

Inflação corroeu os ganhos dos mais pobres
Saneamento melhora e cresce acesso à internet
Dilma cita dados positivos. Aécio e Marina criticam

O freio na economia e a inflação mais alta fizeram a desigualdade avançar em 2013, o que não ocorria há 20 anos. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, mostrou ainda que o desemprego subiu de 6,1% para 6,5%, com 6,693 milhões de desempregados. Apesar disso, a renda dos trabalhadores aumentou 5,7%. O ganho foi maior para os 10% mais ricos. Entre os 10% mais pobres, o avanço foi de só 3,5%. Isso explica a piora na distribuição de renda. Candidatos à Presidência, Dilma afirmou que o desemprego ainda é baixo, Aécio falou em “fracasso do governo” e Marina culpou “políticas erradas”.

Folha de S. Paulo
"Dilma lidera no 1° turno, mas empata com Marina no 2°"

Presidente abre 7 pontos sobre candidata do PSB, mostra Datafolha; Aécio vai de 15% a 17%

A presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, ampliou a vantagem sobre Marina Silva (PSB) nas intenções de voto no primeiro turno da eleição, segundo o Datafolha. A diferença, que indicava empate técnico, subiu para sete pontos. A pouco mais de duas semanas das eleições, a petista oscilou um ponto para cima e aparece com 37%. Já a ex-senadora perdeu três pontos e está com 30% das intenções de voto. A margem de erro é de dois pontos, para mais ou para menos.

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quinta-feira, setembro 18, 2014

Dominique


Opinião

A falta de gestão no ensino

O ESTADO DE S.PAULO
A comprovação de que o que falta ao ensino fundamental e médio não são mais recursos, mas sim uma gestão mais transparente e eficiente, acaba de ser reiterada pelos números do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

Desde que foi regulamentado, há oito anos, o Fundeb aumentou significativamente os recursos repassados para as Secretarias municipais e estaduais de Educação. No caso dos Estados, as transferências pularam de R$ 2,9 bilhões, em 2007, para R$ 9,3 bilhões, em 2013 - aumento de 221%. No total, as verbas do Fundeb passaram de R$ 67 bilhões para R$ 116 bilhões, no período, descontada a inflação. O dinheiro foi destinado ao pagamento de professores, à compra de equipamentos e à manutenção de atividades básicas, como merenda e transporte escolar.

Mas, apesar desse aumento, a maior parte dos Estados beneficiados - principalmente os do Norte e do Nordeste - não conseguiu atingir a média nacional da rede pública no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2013 nem cumprir as metas estabelecidas para esse ano pelo Ministério da Educação.

A situação mais grave ocorreu nos Estados do Pará e do Piauí, cujas redes estaduais registraram uma queda na qualidade do ensino médio nos últimos seis anos. Em vez de avançar, como as autoridades educacionais previam, dado o aumento dos repasses federais, a qualidade regrediu. Já os Estados de Alagoas, Maranhão e Rio Grande do Norte se encontram numa situação crítica, uma vez que suas escolas públicas de ensino médio não registraram qualquer aumento de qualidade de ensino nos últimos seis anos. Estão estagnadas, apesar do aumento dos repasses financeiros.

Estados que também receberam vultosos repasses federais, como Amazonas, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba e Pernambuco, continuaram ocupando as últimas posições no Ideb de 2013. "Houve um forte crescimento dos gastos sem indicadores claros de melhoria do serviço", afirma o professor Gustavo Moraes, do Departamento de Economia da PUC/RS. "Não há uma associação clara entre gasto e proficiência. O governo está gastando mais, o que não quer dizer, necessariamente, que as notas dos alunos vão aumentar", diz Naércio Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper.

Além dos problemas de gestão, os recursos do Fundeb também têm sido objeto de corrupção. Um levantamento da Controladoria-Geral da União (CGU), realizado em julho do ano passado nas prefeituras de 120 municípios, mostrou que em 73% delas houve desvio de verbas, principalmente por meio de fraudes em licitações.

A lei que regulamenta o Fundeb não estabelece nenhum ente supervisor e prevê apenas a criação de conselhos locais para controlar os recursos recebidos da União. Mas, de cada dez conselhos, três não cumprem esse papel - dizem os técnicos da CGU, que há mais de um ano pedem mudanças na legislação, para a criação de um órgão federal que fiscalize a aplicação dos recursos do Fundeb pelos municípios e Estados.

Há cinco meses, a Polícia Federal prendeu 6 ex-prefeitos, 4 vereadores e 5 secretários municipais de 20 municípios do Estado da Bahia, por terem desviado R$ 30 milhões das verbas do Fundeb. Não por acaso, essas cidades não atingiram as metas previstas e várias delas recuaram nas pontuações do Ideb. Para o ministro da Educação, José Henrique Paim, um órgão federal não conseguiria coibir os problemas de má gestão e de corrupção na aplicação dos recursos do Fundeb pelos governos municipais e estaduais. A tarefa poderia ficar a cargo dos Tribunais de Contas dos Estados, diz ele.

As deficiências do ensino básico, como se vê, decorrem mais de inépcia administrativa e de controles eficazes do que de escassez de recursos. Se esses problemas não forem equacionados, o repasse dos recursos do pré-sal e dos royalties do petróleo pouco significará para a educação.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 18 / 09 / 2014

O Globo
"Dilma revê e Aécio insiste em ataques a Marina"

Após Ibope, candidata do PSB também reforça estratégia

Petistas consideram já ter conseguido estancar crescimento da ex-senadora, que voltou a denunciar corrupção na Petrobras com PT. Após pesquisa do Ibope mostrar Dilma Rousseff em queda, Marina Silva estável e Aécio Neves subindo, os três principais candidatos à Presidência redefinem estratégias a 18 dias da eleição. Coordenadores do PT defendem que Dilma reduza os ataques a Marina, mas o marqueteiro João Santana ainda resiste. Já Aécio continuará a bater tanto no governo como em Marina, explorando o passado petista da candidata do PSB. No comitê de Marina, a ordem é não deixar ataques sem resposta e reforçar críticas aos adversários. Ontem, ela disse que o escândalo na Petrobras é o maior mensalão da História.

Folha de S. Paulo
"Dilma suspende programa de governo após impasse"

Divergência com alas do PT em alguns temas e 'efeito Marina' afetam decisão

Candidata à reeleição, a presidente Dilma suspendeu a divulgação do programa de governo após impasse com alas do PT que defendem propostas contrárias ao Planalto. Temas como "emprego" e "direitos humanos" geram divergências. A lei eleitoral exige dos postulantes à Presidência que, ao fazer o pedido de registro da candidatura, protocolem as propostas, mesmo que sejam textos genéricos ou diretrizes. Em julho, o PT entregou uma espécie de esboço do programa. A campanha petista admite que a experiência de Marina Silva (PSB) com o lançamento de seu projeto trouxe preocupação.

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quarta-feira, setembro 17, 2014

Pitacos do Zé


Eleições (II)

José Ronaldo dos Santos 
No final de semana, avistei uma placa irresponsavelmente largada numa vala, ao lado do aeroporto de Ubatuba. Além de constituir uma sujeira, ela desperta reflexões:

a-1- A Justiça Eleitoral precisa ser aperfeiçoada e o eleitor não pode achar normal o desmerecimento da sua capacidade de escolha. Pensam os candidatos que esses retratos entulhando o passeio público garantirão seus votos?

b-2- O outro, bem conhecido por essas bandas, ao indicar o voto no novo, está assinando a sua condição de ficar na penumbra sonhando com o barco quimérico de outra oportunidade. Eu vou nessa! Afinal, salvo para evitar um mal maior, sou contra a reeleição em todos os níveis e só voto no novo! Ficará sempre fora, se depender de mim, aquele que desperdiçou oportunidades de resgatar a cidade de Ubatuba! Quem caiu caiu!

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Dominique


Opinião

O perigoso plebiscito escocês

O ESTADO DE S.PAULO
O plebiscito que decidirá amanhã se a Escócia deve ou não se tornar independente do Reino Unido é uma grande incógnita, não somente em relação à expectativa do resultado da votação em si - há empate técnico entre o "sim" e o "não" -, mas, principalmente, a respeito de suas consequências. Para onde quer que se olhe, no entanto, pode-se afirmar que os escoceses farão bem se decidirem pela manutenção do atual status - ainda que seja como opção pelo menor dos males.

Apesar do que pensam os nacionalistas escoceses, a questão transcende a Escócia. Na reta final da campanha, quando a vitória do "sim" tornou-se plausível, até mesmo os norte-americanos, reservados quando se trata de comentar assuntos políticos internos de seus aliados, expressaram grande preocupação com o futuro do Reino Unido, se a secessão prevalecer. "Temos interesse em que o Reino Unido permaneça, forte, robusto e unido", disse o porta-voz da Casa Branca, John Earnest.

A questão fundamental aqui é que os eventuais ganhos que a Escócia possa vir a ter com a independência não compensariam o brutal desgaste da separação e, em especial, o enfraquecimento do Reino Unido - cujas consequências seriam desastrosas para a Europa.

Em relação às questões práticas da separação, a principal é a moeda a ser adotada pela nova nação independente. Não se sabe se será feita a opção pelo euro - o que demandaria um longo processo de adaptação para o ingresso na zona da moeda europeia - ou se a libra será mantida, hipótese considerada remota por exigir uma união monetária justamente com o país do qual os nacionalistas escoceses pretendem se separar.

Além disso, a campanha pelo "sim" não explicou como será feita a divisão dos ganhos com a extração do petróleo do Mar do Norte nem como a Escócia independente pretende bancar sua parte na dívida nacional britânica. Não explicou porque ninguém sabe explicar.

Os secessionistas também são indiferentes aos argumentos de que a independência da Escócia pode ter como resultado a fragmentação britânica - colocando em risco o próprio Reino Unido, uma potência crucial para a economia da Europa e para o esforço de frear os ímpetos do presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Tais problemas, no entanto, não foram suficientes para conter o ímpeto retórico dos nacionalistas - que chegaram a elogiar Putin por restabelecer o orgulho russo. Para esses líderes secessionistas, a Escócia independente será aquela que não participará de "guerras ilegais", abrirá mão de suas armas nucleares, receberá bem os imigrantes - um contraponto ao suposto "chauvinismo" do Reino Unido - e perseguirá o ideal de "justiça social" que, em sua visão, os poderosos britânicos negligenciam. Metade dos eleitores escoceses parece acreditar nessa utopia, a julgar pelas pesquisas de intenção de voto.

Esse discurso nacionalista cresceu no vácuo deixado pelos unionistas, que desconsideraram, por absurda, a hipótese de que a ideia de separação pudesse prosperar. Afinal, a Escócia já goza de imensa autonomia, algo muito próximo de uma situação de independência, e não parecia haver motivo racional para alterar o quadro.

Na história britânica, a Escócia não aparece como subordinada à Inglaterra, e sim como parceira. Como lembra o historiador escocês Niall Ferguson, "pode-se dizer até mesmo que foi a Escócia que adquiriu a Inglaterra", quando, em 1603, o rei James VI da Escócia herdou o trono com a morte da rainha Elizabeth I. Foi James VI, coroado como James I da Inglaterra, que adotou o termo "Grã-Bretanha", para deixar claro que os súditos, fossem ingleses ou escoceses, seriam todos considerados britânicos.

Com a liberdade que essa sólida união lhes concedeu, os escoceses estabeleceram um sistema legal e educacional distinto do inglês. A autonomia aumentou ainda mais quando, em 1999, o Parlamento escocês foi restabelecido, após plebiscito. Portanto, não há nada nesse contexto que sugira qualquer forma de subordinação da Escócia à Inglaterra - o que somente reforça o caráter pouco consequente do movimento secessionista.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 17 / 09 / 2014

O Globo
"Ibope: Dilma perde pontos nos dois turnos da eleição"

Vantagem da petista para Marina Silva diminui; Aécio sobe quatro

Ex-senadora oscilou negativamente dentro da margem de erro; pela pesquisa, presidente tem hoje 36% das intenções de voto contra 30% da adversária do PSB e 19% do tucano. Nova pesquisa Ibope divulgada ontem mostra que a presidente Dilma Rousseff (PT) manteve a liderança na disputa pelo Planalto, mas sua vantagem sobre a adversária do PSB, Marina Silva, foi reduzida em dois pontos. Dilma caiu de 39% para 36% das intenções de voto no primeiro turno. Marina perdeu dentro da margem de erro, indo de 31% para 30%, e Aécio Neves (PSDB) cresceu quatro pontos, chegando a 19%. Na simulação de segundo turno entre as duas candidatas mais bem colocadas,  Dilma também registrou perda, estando agora com 40% das intenções de voto. Marina manteve 43%. Como a margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, as duas permanecem em empate técnico no segundo turno, com vantagem numérica para Marina. Na simulação entre Dilma e Aécio, a diferença em favor da petista, que era de 15 pontos, caiu para sete. 

Folha de S. Paulo
"Despejo de sem-teto em SP termina em confrontos e saques"

Conflito entre policiais e invasores levou ao fechamento de lojas e bloqueios de vias; PM vê ação de ‘black blocs’

A reintegração de posse de edifício invadido por sem teto na av. São João teve confrontos com policiais, disseminando tensão e paralisando a região central da cidade de São Paulo. Na confusão, duas lojas foram saqueadas e houve barricadas e um ônibus queimado. O comércio fechou. A polícia usou bala de borracha e bomba de gás. O prédio estava ocupado havia seis meses por 315 famílias da Frente de Luta por Moradia, entidade ligada ao PT. Um ex-coordenador é assessor da presidência da Cohab. O grupo, porém, nega conotação política no ato.

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terça-feira, setembro 16, 2014

Dominique


Opinião

PT constrange empresários

O ESTADO DE S.PAULO
A destruição dos fundamentos da economia e a consequente perda de confiança dos setores produtivos são obras que têm a indelével assinatura do PT. Além de terem de encarar uma crise causada em grande medida pela imperícia das autoridades econômicas e da própria presidente Dilma Rousseff, os empresários do País ainda estão sendo sistematicamente demonizados na campanha da presidente à reeleição - no horário eleitoral gratuito, eles são apresentados como vilões que aniquilam o bem-estar dos pobres em nome do lucro. Mesmo assim, com o caradurismo habitual, os petistas enviaram a esses mesmos empresários uma carta em que pedem dinheiro para financiar a campanha de Dilma.

A carta contém todos os elementos da narrativa fantástica criada pelo PT para convencer a opinião pública de que os sintomas de crise são apenas fruto de uma visão "pessimista". Diz o texto, assinado pelo tesoureiro da campanha, Edinho Silva, que os 12 anos de governos petistas fortaleceram "um modelo sustentável de desenvolvimento que associou o crescimento econômico à distribuição de renda e à ampliação do crédito e do consumo".

Como bem sabe a maioria dos destinatários da tal carta, esse "modelo sustentável" não se sustenta nem na frase em que ele aparece.

Ora, como falar em "desenvolvimento que associou o crescimento econômico à distribuição de renda" sabendo que a economia brasileira vem rateando há anos e agora se encontra em plena estagnação? Como acreditar na manutenção do modelo petista diante do fato óbvio de que não há como falar em distribuição de renda se não houver renda a ser distribuída?

Além disso, a política de transferência de recursos e de valorização dos salários, que o governo petista alardeia como se fosse a redescoberta do fogo, só se tornou possível graças à estabilização da economia, a partir do Plano Real, em 1994. Os pressupostos para a manutenção dessas condições são o controle sem tréguas da inflação e a responsabilidade fiscal - elementos que os governos petistas, em especial o de Dilma, arruinaram em nome da malfadada "nova matriz econômica".

Mas a carta dos petistas aos empresários não prima pelo pudor e convida os destinatários a observar que, na era do PT no poder, se construiu "um cenário favorável para a grande maioria das empresas, com ações que se tornaram referências no enfrentamento à grave crise econômica internacional".

Os empresários certamente haverão de se perguntar de que país fala o missivista, pois o Brasil real é aquele em que metade das empresas está com ao menos uma dívida em atraso, conforme o mais recente balanço da Serasa - que não leva em conta débitos com a Receita, com a Previdência Social e com Estados e municípios.

Também não é possível dizer que há um "cenário favorável" para as empresas quando se observa que a geração de empregos na indústria - que são os de melhor qualidade - cai há quatro meses consecutivos. Indicadores para comprovar o estado lamentável da economia são o que não falta.

No entanto, não é de realidade que a carta do PT aos empresários trata. Da correspondência emana o espírito autoritário que marca o partido - pois é possível concluir, como fizeram alguns dos destinatários, que a recusa a doar dinheiro aos petistas pode gerar represálias do governo no futuro. Essa ameaça fica bem menos implícita quando o missivista deixa claro, logo de saída, que fala "em nome da presidente Dilma Rousseff".

Uma carta de teor semelhante foi enviada aos empresários em 2010, na primeira campanha de Dilma. Naquela ocasião, como agora, a mensagem invocava uma certa "cidadania corporativa" para convencer os empresários a colaborar.

A expressão faz jus ao peculiar léxico dilmês, pois junta bananas e abacaxis no mesmo cesto discursivo, mas seu objetivo é claro: qualificar a doação ao PT como uma forma de exercício de "cidadania". Logo, negar-se a colaborar com o partido seria a prova de que os empresários recalcitrantes só pensam em si mesmos - exatamente como aparecem na propaganda do PT.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 16 / 09 / 2014

O Globo
"Mantega anuncia redução de IR para a indústria"

Estratégia é resgatar confiança de empresários no governo Dilma

Alíquota do Imposto de Renda sobre tributação de lucros no exterior cairá de 34% para 25% em todos os segmentos industriais. Benefício, que hoje é restrito a apenas alguns setores, valerá a partir de outubro. Como parte de uma estratégia para resgatar a confiança de empresários no governo da presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou ontem na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Sã o Paulo, que estendeu para todos os setores da indústria manufatureira a redução da alíquota de Imposto de Renda de 34% para 25% sobre lucros no exterior. Com isso, na prática, todas as empresas com subsidiárias no exterior terão o desconto, antes restrito apenas aos segmentos de construção civil, ser viços, bebidas e alimentos. A medida valer á a partir de outubro. 

Folha de S. Paulo
"Alckmin maquia programa de combate ao crime na TV"

Sistema de Nova York citado em propaganda eleitoral não tem prazo de conclusão

A campanha do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição, exibe no horário eleitoral sistema de combate ao crime que ainda não funciona plenamente. O Detecta também utiliza informações com problemas. Segundo a propaganda, Alckmin importou o programa de Nova York. Nas peças da TV, suspeitos são identificados por meio de uma câmera e então a polícia é acionada, mas não existe um software configurado para isso no Estado. (...) A campanha do PSDB reconheceu, em nota, que o programa, apresentado na televisão não representa o atual estágio do Detecta.

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segunda-feira, setembro 15, 2014

Pitacos do Zé

Eleições 2014

O que faz esse pessoal no Portal do Crack, em Ubatuba?


Patrocínio

Nesta semana, hoje e amanhã, o sensei caiçara Nunes estará atrás de patrocínio para que alguns atletas representem a nossa cidade de Ubatuba em mais uma fase do karatê paulista. Desejo-lhe sucesso nessa empreitada. Só posso prometer que farei a cobertura do evento com fotos e textos, torcendo muito pelos melhores resultados.

Dominique


Opinião

Abençoado por Deus e roubado com naturalidade

Fernando Gabeira
Tá lá o corpo estendido no chão. Acabou uma época imprensada entre a crise econômica e uma profunda desconfiança da política. Não quero dizer com isso que o atual governo federal, com sua gigantesca capacidade, milhões de reais e a máquina do Estado, perderá a eleição. Não o subestimo. Quando digo que acabou uma época quero dizer que algo dentro de nós se está rompendo mais decisivamente, com as denúncias sobre o assalto à Petrobrás.

De um ponto de vista externo, você continua respeitando as leis e as decisões majoritárias. Mas internamente sabe que vive uma cisão. A contrapartida do respeito à maioria é negada quando o bloco do governo se transforma num grupo de assaltantes dos cofres públicos.

Uma fantástica máquina publicitária vai jogar fumaça nos nossos olhos. Intelectuais amigos vão dizer que sempre houve corrupção. Não se trata de um esquema de dominação. Ele tem seus métodos para confundir e argumentar.

O elenco escolhido pelo diretor da Petrobrás para encenar o grande assalto na política não chega a surpreender-me. O presidente do Senado, Renan Calheiros, e o presidente da Câmara, Henrique Alves, são atores experimentados. A diferença agora é que decidiram racionalizar. Renan e Alves viveram inúmeros escândalos separadamente. Agora estão juntos na mesma peça. Quem escreve sobre escândalos deve ser grato a eles. Com a presença num mesmo caso, Renan e Alves nos economizam um parágrafo. Partimos daí: os presidentes do Senado e da Câmara brasileira são acusados de assaltar a Petrobrás.

Deixamos para trás um Congresso em ruínas e vamos analisar o governo. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, foi acusado, o tesoureiro do PT também foi denunciado. As declarações deixam claro que Lula levou o diretor para o posto e elogiava seu trabalho na Petrobrás.

Em termos íntimos, não há governo nem Congresso para respeitar. Ambos já mudaram de qualidade. Os que se defendem afirmando que sempre houve corrupção não percebem a fragilidade do argumento. É como se estivessem diante do incêndio do Rio e alguém sussurrasse: “O Nero, lembra-se? O Nero também incendiou Roma”.

Grande parte dos analistas se interessa pela repercussão do escândalo na corrida presidencial. Meu foco é outro: a repercussão na sensação de ser brasileiro. Quem talvez conheça melhor essa sensação são as pessoas que vivem em favelas, dominadas pelo tráfico ou pela milícia.

Existem diferenças entre as favelas e o Brasil que as envolve. Diante de escândalos políticos somos livres para protestar, o que não é possível nos becos e vielas. E contamos com a Justiça. No caso do mensalão, o processo foi conduzido por um juiz obstinado e com dor nas costas, pouco tolerante a artifícios jurídicos. Neste caso da Petrobrás há indícios de que o juiz Sérgio Moro, competente em analisar crimes de lavagem de dinheiro, pretende avançar nas investigações. E avançar por um território que não é virgem, mas extremamente inexplorado: o universo das empreiteiras que subornam os políticos.

Lembro-me, no Parlamento, dos esforços do velho Pedro Simon para que se investigassem também as empreiteiras nos escândalos de suborno. Falar disso no Congresso é falar de corda em casa de enforcado. Ele não conseguiu. Mas Simon queria mostrar também que os políticos não se corrompem sozinhos. Desgastados, polarizam tanto a rejeição que poucos se interessam por quem deu dinheiro e com que objetivo.

Leio nos jornais que as empreiteiras fizeram um pool de excelentes advogados e, pela primeira vez na história, vão se defender de forma coordenada. Vão passar por um momento crucial. Ainda no Congresso, apresentei projeto regulando suas atividades no exterior. A presunção era de que mesmo no exterior o suborno era ilegal para uma empresa brasileira. Alguns países já adotam essa política.

Sinceramente, não sei se o caso das empreiteiras é apenas de bons advogados. Em muitos lugares do mundo, algumas empresas assumem seus erros e se comprometem com um novo tipo de relação com as leis. Isso no Brasil seria uma decisão audaciosa. Sem o suborno, devem pensar, não há chance de ter contratos com o governo.

Se, como no mensalão, a justiça for aplicada com severidade, também as empreiteiras serão punidas. Mais uma razão para pensar numa mudança de comportamento para a qual o País já está maduro. Todo esse processo de corrupção pode ser combatido, parcialmente, a partir de nova cultura empresarial. Os outros caminhos são transparência, Polícia Federal, Justiça, liberdade de imprensa e internet.

Quando afirmo que uma época acabou, repito, não excluo a vitória eleitoral das forças que assaltam a Petrobrás. Mas, neste caso, o governo sobreviverá como um fósforo frio. Maduro, na Venezuela, vê Chávez transfigurado em passarinho. Esse truque não vale aqui, pois Lula está vivo. E no meio da confusão.

Não creio que o Congresso será melhor nem que a oposição, que não soube combinar a crítica econômica com a rejeição moral, possa realizar algo radicalmente novo. O próprio Supremo não é mais o mesmo. Modestamente, podemos esperar apenas alguma melhoras e elas vão depender de como o povo interpretará o saque à Petrobrás. Na minha idade já não me posso enganar: Senado, Câmara, governo, tudo continua sendo formalmente o que é; no juízo pessoal, são um sistema que nos assalta.

O PT, via Gilberto Carvalho, acha que a corrupção é incontrolável e propõe financiamento público de campanha. Bela manobra, como se o dinheiro da Petrobrás não fosse público. Os adversários têm tudo para desconfiar da tese. Ficariam proibidos de arrecadar com empresas, enquanto dinheiro a rodo é canalizado das estatais para o PT, que se enrola na Bandeira Nacional e grita: “O petróleo é nosso!”.

Na medida em que tudo fique mais claro, talvez possamos até economizar palavras, como Renan e Alves nos economizaram um parágrafo participando do mesmo escândalo. Poderíamos usar a frase do mendigo em Esperando Godot, ao ser questionado sobre quem o espancou: os mesmos de sempre.

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 15 / 09 / 2014

O Globo
"Economia fraca faz calote a FGTS subir 42%"

Houve 18.858 novas dívidas em 2013. Débito total chegou a R$ 20,5 bi

Especialistas culpam cenário adverso para empresas, sobretudo micro, pequenas e médias, e renegociação mais fácil como Fundo. O número de novas dívidas de empresas com o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) subiu 42% em 2013: foram 18.858 a mais contra 13.273 em 2012. Em geral, cada dívida corresponde a uma empresa diferente.  A lista inclui quem deixou de fazer algum pagamento mensal de 8% sobre o salário dos empregados. O débito com o Fundo chegou a R$ 20,5 bilhões, avanço de 9%. Para especialistas, o calote é resultado do cenário econômico adverso, com carga tributária e juros altos. Mas também é mais barato renegociar com o Fundo do que com outros credores.

Folha de S. Paulo
"País registra recorde de empresas inadimplentes"

Mais de 3,5 milhões de firmas, metade do total operacional, têm dívida em atraso, afirma Serasa

Mais de 3,5 milhões de empresas estavam em julho com algum tipo de dívida em atraso no país, resultado da queda das vendas e do aumento de custos. É o maior volume de inadimplentes já registrado no setor produtivo, segundo a Serasa. O número equivale a metade das empresas operacionais no país conforme os critérios da Serasa— aquelas que pesquisaram a situação cadastral de um cliente ou tiveram o CNPJ consultado no último ano. A Receita contabiliza cerca de14 milhões de cadastros ativos, incluindo companhias não operacionais, além de firmas que faliram, mas não deram baixa no cadastro de contribuinte.

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domingo, setembro 14, 2014

Dominique


Opinião

Petrobras x Paulo Francis

Carlos Heitor Cony
RIO DE JANEIRO - Durante o escândalo do mensalão, a opinião pública acreditou que, em matéria de corrupção, o poder havia atingido um limite insuperável, para não dizer inédito, na política nacional. Ledo e ivo engano. Em poucos meses, com as sequelas que continuam e que ainda não terminaram, explode uma bomba bem maior e letal para o governo que há mais de dez anos vem sendo manipulado pelo PT.

Desde o início de que, mesmo não sendo a Dinamarca, havia alguma coisa de podre no reino da Petrobras, meu primeiro pensamento foi o calvário de um jornalista, meu amigo Paulo Francis. No programa que então fazia, e gravado em Nova York, ele acusou os sobas que mandavam na maior estatal do Brasil.

Não chegou a citar nomes, falou que o estado maior da Petrobras, engenheiros, diretores e seus respectivos patronos formavam uma quadrilha de bandidos que roubavam descaradamente a empresa, justamente em sua cúpula administrativa e técnica.

Evidente que a "suspeita" do Francis foi desmoralizada pela própria Petrobras, que usando e abusando do dinheiro da fraude, processou o jornalista por calúnia, no foro de um país que tem a fama de ser o mais severo na matéria. A multa chegaria a US$ 100 milhões, mais custas e honorários.

Seus amigos e admiradores, como Fernando Henrique Cardoso, José Serra e outros do mesmo nível procuraram o presidente da empresa para explicar o absurdo do processo e da multa. A Petrobras, com o dinheiro dos outros, venceu a questão.

Paulo Francis entrou em depressão, tal e tanta, que meses depois morreu subitamente. Agora tomamos conhecimento gradativo que um jornalista culto e bem informado tenha feito as acusações que hoje são objeto de uma CPI e de um clamor que atinge não somente a honra da nação, mas a vergonha de todos nós. 

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 14 / 09 / 2014

O Globo
"Crise na estatal - Escândalos travam operações da Petrobras"

Após denúncias, tomada de decisões na empresa ficou mais lenta e burocrática

Fornecedores reclamam de atraso no pagamento; controle de preço da gasolina afeta caixa. As denúncias de corrupção nas contratos da Petrobras estão afetando o dia a dia dos negócios. Segundo fontes ligadas à empresa, aumentou a burocracia na tomada de decisões e há mais lentidão (tara liberar recursos, informam Ramona Ordoñez e Glauce Cavalcanti. Fornecedores reclamam de atraso nos pagamentos, que ocorre sob pretexto de maior rigor na avaliação dos contratos. Mas, para analistas, o preço defasado da gasolina afeta o caixa da estatal. A Petrobras nega que esteja atrasando compromissos. Segundo funcionários, o clima na estatal é de desconfiança generalizada, com e-mails monitorados e novos processos de checagem. 

Folha de S. Paulo
"Desperdício de água de SP é 4 vezes o volume poupado"

Maior cidade do país exemplifica despreparo do Brasil para a crise hídrica

A solução para a crise da água que atormenta a Grande São Paulo passa pela redução do desperdício. Esse item é um dos que formam o tripé para resolver o problema, de acordo com especialistas — os outros são a recuperação ambiental e a conservação dos mananciais. A queda do consumo obtida em agosto em São Paulo não chegou a um quarto do que se desperdiça, aponta caderno especial que aborda o futuro dos recursos hídricos no país. A cidade sofre também com a impermeabilização, que altera a distribuição das chuvas. Há um quadro de despreparo no Brasil para enfrentar as ameaças do clima, resultantes do aquecimento global, bem como a falta de adaptação para lidar com situações extremas, como gente demais (São Paulo), água demais (Rondônia) ou água de menos (Nordeste). Isso em um país amplamente favorecido pela natureza: possui de 12% a 16% da água doce disponível no planeta. Só na aparência, porém, a situação é confortável.

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