sábado, setembro 13, 2014

Pitacos do Zé


Era uma vez...

José Ronaldo dos Santos
Aproveitando uma folga, estou caminhando com a mana Ana. Nesses serões, quando a Terra se refresca, já não é tão normal encontrar, como em outros tempos, as pessoas proseando nos banquinhos, pelos portões.  Mas... exercitando e fazendo caminhadas se vê muita gente! Que bom que nós, em nossa Ubatuba, temos uma academia a céu aberto! De repente...

De repente, em duas bicicletas, quatro adolescentes passam farreando. Um deles, com potente voz, canta uma música que tem uma letra horrível e reveladora, pelo baixo nível do palavreado,  de quão desrespeitoso  e atrasado culturalmente  é o rapaz. “Miserável cultural!”. Na hora comentei: “É um dos novos colonizadores que só colabora para a degradação da nossa cidade”. De repente...

De repente reparei naquele rapaz e me veio à mente outro momento, parecendo história de “Era uma vez...”.

No ano de 1976,  eu trabalhava em uma obra na Praia da Enseada, onde o construtor, Idílio Barreto, contratou quatro operários recém-chegados de Minas Gerais. Eram “peões de obra” que “queimavam panela” para alavancarem uma nova fase de vida. Dentre esses, eu admirava muito o “Miro” porque era bem educado, trabalhava caprichosamente e não desperdiçava o seu suado salário. Mais tarde, quase um ano depois, ele trouxe o restante da família (esposa e três filhos). Foram morar num dos nossos sertões.

Sem nunca ter a intenção, os nossos caminhos foram se cruzando. Desse modo, acompanhei nascimentos, casamentos dos familiares, locais de moradia etc. Fico contente porque o meu amigo – muito batalhador! – se realizou (tem uma boa casa, carro e parece estar muito saudável). Agora, contrariando a lei da evolução , onde subentende que os nossos filhos têm que ser melhores do que nós,  vem a decepção: o miserável rapaz, que até transparecia estar sob efeito de algum alucinógeno, é neto do “Miro”. 

Que regressão! O que diria o seu avô, caso estivesse ao meu lado, caminhando aos cuidados de uma Lua que despontava e fazia brilhar toda a Baía de Ubatuba, tendo que escutar tais barbaridades?

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Dominique


Opinião

E ainda faltam 22 dias

O ESTADO DE S.PAULO
Parafraseando uma conhecida tirada, eleição é bom, mas dura muito. A contar apenas do início da temporada de propaganda no rádio e na TV, são um mês e meio de campanha para o primeiro turno e outras duas semanas entre a divulgação dos seus resultados e o confronto derradeiro entre os dois candidatos preferidos (se o que tiver levado a melhor não receber a maioria absoluta dos votos válidos, mais um). É bem verdade que nos Estados Unidos ainda é pior, pois a disputa propriamente dita é precedida pela campanha das chamadas primárias para a escolha, nas urnas de cada partido, dos nomes a serem ungidos nas futuras convenções. Além disso, perto das "campanhas negativas" que marcam as eleições naquele país, os presidenciáveis brasileiros parecem um modelo de comedimento.

Ainda assim, a longa duração das campanhas é um incentivo à incivilidade política e à degradação do debate dos temas com os quais o eleito terá de se haver, sem falar que o sistema presidencialista de governo, por sua própria natureza, sobrepõe o cotejo de personalidades ao das propostas de cada qual. Olhando em volta, aliás, se vê que o mesmo se aplica crescentemente ao parlamentarismo - com os líderes valendo mais que os desacreditados partidos. Na era da comunicação visual, instantânea e incessante, a democracia de massa é a arena darwiniana em que tendem a sobreviver apenas os mais aptos a persuadir o eleitor, pelas imagens e a retórica, de que eles - à diferença dos execráveis rivais, aliados às forças do atraso e do privilégio - são os que se identificam verdadeiramente com as aspirações e os interesses populares.

É o que fazem as candidatas que encabeçam as pesquisas de intenção de voto. A petista Dilma Rousseff apela deslavadamente para o medo. Repete à exaustão que ai dos brasileiros pobres se ela não ficar mais quatro anos no Planalto, com "mais mudanças, mais futuro", porque os outros ou estão a serviço do capital financeiro ou já prometeram "ajustes dolorosos". De seu lado, Marina Silva, a ex-candidata a vice de Eduardo Campos, do PSB, que a "Providência Divina", como disse, alçou para o topo depois do acidente aéreo de 13 de agosto, vaza a cada aparição a sua trajetória de superação de adversidades e, sempre que pode, toma como pessoais as críticas políticas de que é alvo. Nesse sentido, não há nada de novo a amparar o advento da "nova política" que ela antecipa.

O tucano Aécio Neves, enfim, continua perplexo por ter ido dormir certa noite embalado pela certeza da ida ao segundo turno e, quem sabe, à vitória final apenas para descobrir na manhã seguinte que Marina havia tomado o seu lugar na corrida. "A coisa mudou e vamos reconhecer que mudou", admite um tanto tardiamente, mas demonstra insegurança quanto aos rumos a tomar. Ora ataca a presidente por recorrer ao "vale-tudo" contra a rival, ora faz coro com ela na acusação de que a outra "se dá como vítima".

A questão é que o clima da campanha é o pior possível e, salvo o eterno improvável, assim prosseguirá. Os campos da peleja podem mudar, mas não o jogo pesado de Dilma nem os revides descalibrados da oponente. Isso ficou claro, primeiro, na pendenga sobre a independência do Banco Central (BC), apoiada por Marina. E, agora, sobre a importância do pré-sal.

No caso do BC, Dilma sugeriu que Marina é "sustentada" por banqueiros. Na réplica, esta se enrolou ao dizer que a meta é proteger a instituição "dos grupos que acabaram com a Petrobrás". No caso do pré-sal, a presidente tenta extrair o que puder do fato de o termo aparecer apenas uma vez no programa de Marina. Ela é verberada por desdenhar de uma fonte de riqueza que trará para a educação e a saúde R$ 1,3 trilhão - um chute. Há pouco, em um comício em Belém, um Lula transtornado berrou que, se a presidente precisar, "eu vou mergulhar e buscar lá no fundo o petróleo". E de novo não ocorreu a Marina réplica melhor do que afirmar que o PT colocou "por 12 anos um diretor para assaltar os cofres da Petrobrás". Na realidade, quem apadrinhou Paulo Roberto Costa na estatal foi o PP, com o aval do PMDB.

Nesse clima, não admira que os 22 dias que faltam até a votação pareçam uma eternidade.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 13 / 09 / 2014

O Globo
"Eleições 2014 - ‘Em todos os partidos tem gente corrupta’, diz Dilma"

Petista afirma ver risco à democracia em proposta de Marina

Presidente reitera que não sabia de denúncias contra Costa e que o tirou por falta de afinidade. Na série de sabatinas do GLOBO, a presidente Dilma Rousseff defendeu o PT e sua coalizão dizendo que em todos os partidos há "gente corrupta e gente que não é corrupta'.' Disse que respeita Sarney e que Collor foi inocentado. Mesmo sem citar Marina Silva, centrou suas críticas em propostas da adversária do PSB. Em resposta a uma pergunta sobre a afirmação de Marina de que governará só com bons quadros, Dilma disse que, “toda vez que a democracia prescindiu de partidos, caímos na mais negra ditadura’.’ Disse ainda que demitiu o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa por falta de afinidade e antes de saber de denúncias contra ele. 

Folha de S. Paulo
"Haddad recua e libera faixas de ônibus para táxis"

Prefeito de São Paulo implanta mudança faltando três semanas para eleições; especialistas criticam medida

O prefeito Fernando Haddad (PT) anunciou que a partir deste sábado (13) os táxis estão liberados para circular por todas as faixas de ônibus de São Paulo, em qualquer horário. Antes a permissão era restrita às marginais Pinheiros e Tietê e a uma dezena de avenidas da cidade. Apenas os táxis que estiverem com passageiros poderão se beneficiar da medida. Em ano eleitoral, com o PT em sérias dificuldades em SP e em disputa acirrada para o Planalto, a decisão atende à demanda dos taxistas na maior capital do país. Eram 70 km de faixas compartilhadas, agora serão 440 km. No sábado passado, a presidente Dilma, candidata à reeleição, participou de evento de sindicato da categoria, que a apoia nas urnas. Segundo Haddad, que antes defendia a exclusividade de ônibus nas faixas, a medida foi tomada após técnicos de trânsito concluírem não haver prejuízo à velocidade dos ônibus nas vias também usadas por táxis. Especialistas em mobilidade criticaram a decisão do prefeito. Em corredores de ônibus, táxis continuam vetados nos horários de pico.

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sexta-feira, setembro 12, 2014

La vai o trem


Coluna do Celsinho

Julinho para Vice

Celso de Almeida Jr.

Em véspera de eleição para presidente, quero falar de prefeito.

Afinal, dois anos passam rápido.

E, neste período, em 2016, estaremos no calor das eleições municipais.

Por isso, o mais cedo possível, já palpito na questão do vice.

Nas candidaturas a prefeito, pelo andar da carruagem, não teremos muitas novidades.

Nomes já conhecidos vão encarar o pleito.

Que os céus os protejam, e a nós também...

Sobre o vice, porém, não vi nenhum movimento.

Assim, já registro a minha sugestão:

Julinho Mendes.

Para conhecê-lo mais, anote aí:

http://www.ubaweb.com/revista/g_listar_mat.php?colunista=Julinho%20Mendes

É o endereço do site em que ele é colunista.

Vale acompanhar as suas manifestações, os seus pensamentos.

Vejo em Julinho um apaixonado pela terra, conhecedor de nossas histórias, cidadão atuante na valorização de nossa cultura.

E, principalmente, um homem autêntico; corajoso ao expor suas opiniões.

É isso amigos.

Não encarem isso como uma brincadeira.

A questão é muito séria.

Ao Julinho, em especial, peço que perdoe a sugestão.

Nós dois sabemos que o jogo político é pesadíssimo.

A questão é que Ubatuba merece uma representação com raízes nesta terra, que compreenda e valorize a história da cidade.

Há bons nomes neste sentido.

Mas, antecipadamente, já declaro a minha opção, o meu voto.

Torcendo para que ele tope.

E, obviamente, que os pré-candidatos majoritários e seus partidos avaliem a sugestão.

Vamos lá...rumo a 2016!

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique


Opinião

O Ideb e o desastre na educação

O ESTADO DE S.PAULO
O País venceu a barreira da universalização do ensino, mas continua muito atrasado com relação à qualidade da educação. Essa é a conclusão do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) referente a 2013, divulgado de dois em dois anos e calculado a partir das notas dos alunos em provas de português e matemática e das taxas de reprovação nos anos iniciais e finais dos ensinos fundamental e médio.

Criado em 2005, o Ideb também serve para monitorar o desempenho das secretarias estaduais e municipais de Educação e verificar se os municípios, Estados e União estão cumprindo as metas para cada ciclo escolar. Em 2013, o ensino médio obteve 3,7 pontos, numa escala de zero a dez. Foi a mesma nota do Ideb de 2011, o que mostra a estagnação desse ciclo. No ensino fundamental, o índice subiu de 4,1 para 4,2, entre 2011 e 2013, mas o patamar esperado pelas autoridades educacionais era de 4,4. Dos 27 Estados, 16 tiveram em 2013 uma nota no ensino médio pior do que a obtida em 2011. Outros seis, apesar de terem registrado resultados melhores, não atingiram as metas esperadas. Em São Paulo, as escolas públicas de duas em cada três cidades do Estado também não atingiram as metas.

As péssimas notas fizeram soar mais um sinal de alerta, mostrando que a educação continua muito abaixo dos padrões necessários a um a economia competitiva e capaz de ocupar mais espaços no comércio mundial. A qualidade da educação básica estagnou - e, mais grave, em patamares muito baixos. Os anos finais do ensino fundamental e do ensino médio encontram-se numa situação crítica, sem transmitir informações mínimas para justificar a diplomação dos alunos. Assim, mesmo quando os estudantes dos anos iniciais do ensino fundamental avançam, o ganho se perde nas séries à frente. O Ideb de 2013 revelou que até as escolas particulares pioraram.

Os resultados medíocres contrariam as expectativas das autoridades, que imaginavam que as pontuações de 2013 seriam melhores do que as de 2011. "Imaginávamos que teríamos uma onda de melhoria que passaria dos anos iniciais e acabaria chegando ao ensino médio. O impacto não foi o esperado. Há a necessidade de uma reflexão mais profunda sobre isso", reconheceu o ministro da Educação, José Henrique Paim. Ao justificar o fracasso da política educacional, ele atribuiu a culpa, entre outros fatores, à falta de formação superior dos docentes dos anos finais do ensino fundamental e médio e ao descompasso do currículo deste último ciclo com relação ao mercado de trabalho.

Os pedagogos reconhecem que o ensino médio é o maior gargalo da educação brasileira, mas atribuem as péssimas notas do Ideb de 2013 à falta de articulação entre União, Estados e municípios. "Os resultados são frustrantes. Existia uma expectativa de que, com mais investimentos, haveria um avanço, o que não ocorreu", afirma Mozart Ramos Neves, do Conselho Nacional de Educação. "Os dados refletem um cenário onde temos muito esforço, mas ainda pouco foco na aprendizagem e no que acontece em sala de aula. Boa parte do debate público educacional recente foi centrada no porcentual do Produto Interno Bruto ou nos recursos do pré-sal que seriam destinados à educação. Não existe o mesmo engajamento e mobilização para discutir as práticas escolares e as reformas estruturantes que fazem a diferença para o aluno aprender efetivamente", afirmam Denis Mizne e Ernesto Martins Faria, da Fundação Lemann.

O fracasso da política educacional, que há mais de uma década é marcada por prioridades equivocadas e orientada por modismos pedagógicos e interesses eleiçoeiros, nega às novas gerações a formação escolar de que necessitam para se inserirem num mercado de trabalho cada vez mais exigente. Também dificultam sua emancipação social e condenam jovens e adolescentes, por falta de escolas de qualidade, a um futuro de dificuldades. Fica evidente agora por que o governo tentou adiar a divulgação do Ideb de 2013: para não prejudicar a campanha da presidente da República pela reeleição.

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 12 / 09 / 2014

O Globo
"Marina: PT pôs diretor para assaltar Petrobras"

Em sabatina do Globo, candidata diz que petistas tentam encobrir escândalo

'É um batalhão de Golias contra Davi', diz ela, que acusa PT e PSDB de se unirem para atacá-la. Entrevistada ontem na série do Globo com candidatos à Presidência, Marina Silva (PSB) afirmou que os partidos perderam o vínculo com a sociedade e que não consegue imaginar as pessoas confiando em "um partido que coloca por 12 anos um diretor para assaltar os cofres da Petrobras", em referência ao PT e ao ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, preso na Operação Lava-Jato. Marina também acusou PT e PSDB de se unirem, como "um batalhão de Golias contra Davi", para atacar sua imagem. 

Folha de S. Paulo
"Inflação só volta para a meta em 2016, diz BC"

Para órgão, alta de preços está longe dos 4,5%, mas não mostra mais ‘resistência’

O Banco Central prevê que a inflação só começará a recuar em direção à meta do governo, de 4,5 % ao ano, em 2016. O IPCA, índice oficial, está em 6,51% no acumulado de 12 meses — acima do limite da meta (6,5%). A instituição, porém, adotou um discurso mais otimista ao considerar que a inflação não mostra mais “resistência”, de acordo com a ata do Copom. O BC reafirmou que não pretende mexer na Selic neste ano — na semana passada, manteve a taxa em 11% ao ano. 

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quinta-feira, setembro 11, 2014

Dominique


Opinião

Um debate abastardado

O ESTADO DE S.PAULO
Seria engraçada se não fosse deplorável a troca de acusações entre as candidatas Dilma Rousseff e Marina Silva sobre quem é mais submissa aos banqueiros. Começou, como sabem todos quantos tiveram a desventura de ouvi-las, com um ataque rombudo da presidente à promessa da adversária de que, eleita, encaminhará projeto de lei para tornar o Banco Central (BC) autônomo em relação aos governos de turno e ao Congresso Nacional. Em um vídeo de propaganda, na segunda-feira à noite, Dilma se pôs a "explicar" ao público o que significaria, no seu entender, o que "parece algo distante da vida da gente, né?". Seria nada menos do que "entregar aos banqueiros" um poder imenso "sobre a sua vida e a de sua família". Seu fiel escudeiro, Marco Aurélio Garcia, completou a estultícia: "Se houver essa independência, que será a dependência dos bancos privados, teremos a impossibilidade de formular políticas macroeconômicas e de desenvolvimento".

Marina replicou por baixo; fulanizou a discussão, disparando que "nunca os banqueiros ganharam tanto" como no atual governo, graças à "bolsa empresário", à "bolsa banqueiro", à "bolsa juros altos". Trata-se de uma rajada de despropósitos, a começar do primeiro, que deve ter caído no meio empresarial, que carrega um caminhão de justas queixas da assim chamada política econômica, como uma massagem de sal nas suas feridas. De mais a mais, funcionando como funciona o BC, a inflação supera a meta e a economia cambaleia entre a recessão e um pífio crescimento de menos de 1%.

A personalização da pendenga era tudo o que Dilma queria, desde que tomou a decisão (ou tomaram por ela) de partir para cima da rival, trocando as luvas pelo soco inglês. A campanha da presidente parece ter concluído que as suas chances de dar a volta por cima no segundo turno, desmentindo as pesquisas que apontam a vitória da pregadora da "nova política", variam na razão direta da competência de Dilma em oxidar a aura graças à qual a ex-petista, concorrendo pelo Partido Verde, colheu desconcertantes 19,6 milhões de votos na disputa de 2010. A presidente há de ter intuído que, se é para falar em banqueiros - atrás apenas dos políticos entre os campeões do desafeto nacional, especialmente na população mais pobre -, o negócio é vincular a desafiante aos vice-líderes desse inglório duelo. E mandou ver.

"Não adianta querer falar que eu fiz 'bolsa banqueiro'", retrucou. "Eu não tenho banqueiro me apoiando. Eu não tenho banqueiro me sustentando." É preciso ser muito desinformado para ignorar a pontiaguda alusão à educadora Maria Alice Setubal, a Neca, cujo irmão Roberto preside o Itaú Unibanco, o que a torna herdeira da instituição. Amiga de longa data de Marina, ela coordena o seu programa de governo e faz a ponte entre a candidata e o empresariado (que a olhava de soslaio quando era vice na chapa de Eduardo Campos). Segundo a Folha de S.Paulo, no ano passado Neca doou perto de R$ 1 milhão para um instituto criado por Marina para desenvolver projetos sobre sustentabilidade. O valor equivale a 83% do total arrecadado no período.

A troca de desaforos terminou - ou ficou interrompida - com Marina perdendo o prumo. "O Banco Central autônomo", argumentou, juntando tudo e misturando, "é para ter autonomia dos grupos que acabaram com a Petrobrás." Mas isso é o de menos. O de mais é que é de pasmar: a naturalidade com que as candidatas mais cotadas para adentrar ou permanecer no Planalto em 2015 se puseram a abastardar um debate de grande importância para a condução do Brasil - como é naqueles países com os quais aspiramos a ser comparados. O grau de liberdade da autoridade monetária não apenas para fixar a taxa básica de juros, mas também a política de câmbio, além de zelar pela integridade do sistema financeiro, não deveria ser objeto de tiradas marqueteiras.

A escassa familiaridade da grande maioria dos brasileiros com o assunto deveria ser um motivo a mais para que os presidenciáveis se guardassem de usá-lo como tacape eleitoral. Fazendo a coisa errada, escancaram a pobreza substantiva das suas campanhas. A videopolítica, que privilegia o componente pessoal da competição pelo voto sobre o que efetivamente os competidores têm a oferecer ao País, completa o desserviço.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 11 / 09 / 2014

O Globo
"Dilma desmoralizou a reeleição, acusa Aécio"

Em sabatina no Globo, ele também critica Marina e diz ser 'mudança segura'

'O que é a nova política? Será que é governar com o terceiro time do PSDB e PT?', pergunta tucano. Na série de sabatinas do Globo com os candidatos à Presidência, Aécio Neves (PSDB) afirmou ontem que reeleição "faz mal ao Brasil". Perguntado se seu partido errou ao conseguir aprovar essa possibilidade, ele disse ter sido uma experiência, mas que a presidente Dilma Rousseff (PT) acabou por desmoralizá-la. Seguindo sua estratégia de se apresentar como "mudança segura", disse ter os melhores quadros para o país e criticou Marina Silva (PSB): "O que é a nova política (da ex-senadora)? Será que é governar com o terceiro time do PSDB e PT?" 

Folha de S. Paulo
"Marina e Dilma empatam no 1 º e no 2º turno"

Pesquisa Datafolha mostra disputa mais acirrada entre a candidata do PSB e a petista; tucano Aécio tem 1 5%

A pouco mais de três semanas da eleição, pesquisa Datafolha sobre a sucessão mostra um duplo empate entre a presidente Dilma Rousseff (PT) e a ex-senadora Marina Silva (PSB). No primeiro turno, Dilma tem 36% das intenções de voto ante 33% de Marina, num empate técnico. Aécio Neves (PSDB) soma 15%. Na simulação do Datafolha para o segundo turno, a oscilação negativa de Marina (recuo de dois pontos) e a variação positiva de Dilma (mais dois) levam a um novo empate, mas com vantagem numérica para a candidata do PSB: 47% a 43%. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos, para mais ou para menos. Num período em que foi alvo de ataque de adversários, Marina teve a rejeição ampliada de 11% para 18% nos últimos quatro levantamentos. Segundo o Datafolha, 33% disseram não votar em Dilma, e 23% rejeitam o tucano Aécio. 

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quarta-feira, setembro 10, 2014

Dominique


Opinião

Dilma nas nuvens

O ESTADO DE S.PAULO
A presidente Dilma Rousseff considera "estarrecedor" que um servidor de carreira da Petrobrás - o seu diretor de abastecimento e refino entre 2004 e 2012, Paulo Roberto Costa - tenha sido o mentor do megaescândalo de corrupção na estatal que começou a emergir em março último, com a prisão dele e de seu sócio Alberto Youssef, o doleiro suspeito de branquear R$ 10 bilhões. Costa, como se sabe, conseguiu ser solto, mas voltou para a cadeia em junho, quando se descobriu que mantinha US$ 23 milhões em contas na Suíça, o que poderia induzi-lo a fugir do País. Em fins de agosto, para não ser condenado às penas a que de outro modo estaria exposto e, ainda, obter perdão judicial, ele começou a contar ao Ministério Público e à Polícia Federal o que seria a versão integral da roubalheira.

No último sábado, a imprensa divulgou quantos - e, em um caso, quais - seriam os políticos e autoridades que ele teria acusado de receber propinas equivalentes a 3% do valor de contratos firmados com empresas participantes da tramoia. Na segunda-feira, na sua vez de ser ouvida por este jornal na série de entrevistas com os candidatos ao Planalto, a presidente fez a respeito do esquema afirmações, estas sim, de estarrecer. Pelo cinismo, em primeiro lugar. "Eu não tinha a menor ideia de que isso ocorria dentro da empresa", sustentou, de cara lavada. A ex-ministra de Minas e Energia e ex-titular da Casa Civil do governo Lula - e, nessa condição, presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, a sua mais alta instância decisória - não pode se passar por nefelibata, vivendo nas nuvens.

Não bastasse a massa de informações sobre a empresa a que tinha acesso por força dos cargos que ocupava no aparato estatal mesmo antes de vir a comandá-lo, as questões relacionadas a energia, em geral, e ao petróleo, em especial, sempre interessaram de perto a ex-mestranda em economia pela Unicamp. Depois, presidente da República, colocou no comando da Petrobrás uma servidora de carreira, cuja lealdade à amiga próxima decerto faria com que compartilhasse com ela histórias do cotidiano da companhia que talvez não comentasse nem sequer com os membros da diretoria executiva por ela nomeados. Por último, o serviço de inteligência do Executivo federal sempre poderia ser acionado para seguir de olhos bem abertos o que se passava na maior empresa brasileira.

É praticamente impossível escapar à conclusão de que Dilma, a detalhista, não quis saber do enraizado sistema de fraudes que, ao beneficiar políticos da base aliada do Planalto, contribuía objetivamente para consolidar a agigantada coligação eleitoral de nove partidos com a qual espera se reeleger. No limite, a presidente não teria querido que se soubesse. A sua outra afirmação estarrecedora foi a de "garantir (o termo é dela) que todas as sangrias que pudessem existir estão estancadas". Podem estar, mas, aí sim, pode-se dizer com absoluta certeza que ela não tem nada com isso. Suspeitas sobre "malfeitos" na Petrobrás se sucediam havia pelo menos três anos. Paulo Roberto Costa deixou a empresa em março de 2012, mas já em agosto tinha montado uma consultoria que funcionava como uma cópia da chave com a qual, anos a fio, abrira as portas dos gabinetes mais procurados da estatal.

Assim como o então diretor, o novo consultor continuou a manter desenvoltos negócios, por exemplo, com a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, tida pelos conhecedores como um poço sem fundo de maracutaias. Era para custar R$ 5,6 bilhões. Deverá custar R$ 41,5 bilhões. A estimativa inicial, desdenhou Costa numa entrevista, era uma "conta de padeiro". O fato é que Dilma, podendo fazê-lo, não moveu um dedo para suturar as veias abertas da Petrobrás. Elas continuavam a verter, com toda probabilidade, até a Polícia Federal desencadear a Operação Lava Jato que levou à prisão, entre outros, a empreendedora dupla Costa & Youssef e à decisão do primeiro de delatar o esquema que chefiava em benefício de empreiteiras e políticos governistas. Já a presidente da República, quando podia coibir o assalto aos cofres da Petrobrás, não o fez. Agora, pelo menos demonstre algum respeito pela inteligência do público. 

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 10 / 09 / 2014

O Globo
"Número de formandos no ensino superior cai 5,7%"

Foi a 1ª vez nos últimos dez anos que houve redução, mostra censo do MEC

Dados do Censo da Educação Superior 2013, divulgados ontem pelo Ministério da Educação (MEC), mostram que, pela primeira vez em dez anos, caiu o número de estudantes que concluem a universidade no país. No ano passado, 991.010 alunos de graduação terminaram seus cursos, contra 1.050.413 em 2012. Em entrevista à tarde, o ministro Henrique Paim disse não saber a razão da queda. À noite, o MEC atribuiu 97% da redução à suspensão ou ao fechamento de cursos em 14 instituições privadas e públicas que passaram por avaliações. 

Folha de S. Paulo
"Agência de risco Moody’ s ameaça cortar nota do Brasil"

Decisão pode elevar os juros pagos por empresas e governo no exterior

A agência norte-americana de classificação de risco Moody’s ameaça rebaixar a nota de crédito do Brasil. A menos de um mês das eleições, a empresa alterou a perspectiva do país de estável para negativa, o que significa que a nota será reavaliada nos próximos meses. Os motivos citados são o baixo crescimento da economia, o abalo na confiança do investidor e a deterioração das contas públicas. Se confirmado, o rebaixamento implicará aumento do custo de financiamento no exterior, e o país ficará a um degrau de ser classificado como investimento de risco. O Ministério da Fazenda afirmou que questões apontadas “estão sendo superadas”. A campanha de Aécio Neves (PSDB) disse que a decisão confirma a “deterioração econômica”. Marina Silva (PSB) falou em “descrédito político”.

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terça-feira, setembro 09, 2014

Pitacos do Zé


A educação dos novos colonizadores

José Ronaldo dos Santos
Passei na casa da Maria e do Zé para entregar uns carás. É uma iguaria bem nossa, da cultura caiçara. A intenção é multiplicar esse recurso alimentar, afinal trata-se de um cultivo fácil. Mas o assunto aqui é outro, está relacionado à educação formal, pois “a informal nós trazemos do berço”, conforme repetia o Tio Marcelino.  Ao ver tantas casas ostentando cartazes de um determinado candidato a deputado, perguntei ao casal:

- O que significa isso? É parente ou conhecido do pessoal da rua?

- Lógico que não, Zé! Cada cartaz desses já rendeu areia, sacos de cimento, blocos e outras coisas. É assim que as pessoas fazem.

Infelizmente essas práticas continuam. O que contribui para esse vergonhoso quadro é a miséria cultural que completa a pobreza material. Com desigualdades assim é impossível o exercício pleno da democracia. É nesse sentido que nos ajudam as reflexões de John Rawls, na sua teoria de justiça social.
  
Para uma verdadeira democracia, é preciso partir do pressuposto de igualdade entre as pessoas. Ou seja, só é efetivado um processo de escolha democrático quando as chances são iguais para todos. E não é o que se verifica em nosso entorno, na nossa realidade brasileira. Agora mesmo estou pensando nas chances que terão os alunos que saem do Ensino Médio como analfabetos funcionais (de acordo com uma pesquisa recente, eles somam mais de 30% dos concluintes nesse nível escolar).

Consequentemente, não terão referências além do senso comum para apurar o processo civilizatório. E ainda: até acharão ruim você ficar se importando com atitudes básicas de civilidade. “Coisas bobas” (depositar lixo no espaço alheio, estacionar carros e motos sobre a calçada, maltratar animais, jogar entulho em qualquer lugar etc. etc.), foi o que disse um sem-noção, meu vizinho: “Você é um ignorante. Fica reclamando por qualquer coisa”. Será que sabe o que é ignorância? O dito cujo, nesse nível de cidadania, merece a cidade que eu idealizo ou a coisa que aí está?  Creio que devo promovê-lo a outros adjetivos. Em se tratando de um “evangélico de púlpito”, acho que não custa dizer: “Perdoai-o Senhor, porque é...........e não sabe o que faz”.

A propósito: a imagem atesta: o buraco na ciclovia, próximo da capela da Marafunda (Ubatuba-SP), completou dois meses.

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Dominique


Opinião

Um pré-sal de lama

O ESTADO DE S.PAULO
É ainda muito pouco - e incerto - o que acaba de vir a público do esquema de corrupção na Petrobrás, a partir das informações que o ex-diretor de abastecimento da empresa Paulo Roberto Costa teria repassado ao Ministério Público e à Polícia Federal desde que começou a contar o que saberia sobre o pré-sal de lama na petroleira. Ele se tornou delator na esperança de escapar a penas que podem somar 50 anos de prisão por suas traficâncias com o doleiro Alberto Youssef, desarticuladas pela Operação Lava Jato em março último. Youssef teria branqueado R$ 10 bilhões. No setor de seu parceiro, as maracutaias podem ter custado à Petrobrás R$ 3,4 bilhões em propinas pagas a autoridades, políticos e empresários, estima o jornal Valor, à razão de 3% de cada contrato assinado.

Segundo o Estado, pelo menos 32 figurões - entre parlamentares, um governador e um ministro - teriam se beneficiado. O jornal citou o presidente do Senado, Renan Calheiros. Para a Folha de S.Paulo, seriam 62 os envolvidos. Já a revista Veja fala em 36, dos quais nomeia 12. Notadamente, além de Calheiros, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão; o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves; a governadora do Maranhão, Roseana Sarney; o ex-governador do Rio Sérgio Cabral, todos do PMDB; e o pernambucano Eduardo Campos, que comandava o PSB. Os demais incluem o ex-ministro das Cidades Mário Negromonte e o senador Ciro Nogueira, ambos do PP. Os petistas são o deputado Cândido Vaccarezza e o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto. Não se informou o que teriam praticado.

Mas o que se publicou foi suficiente para obrigar os principais candidatos ao Planalto a repensar as suas estratégias, a menos de um mês do primeiro turno. Esta insólita campanha já tinha mudado de rumo depois da morte de Eduardo Campos. Antes dominada por Dilma Rousseff e Aécio Neves, a disputa virou de ponta-cabeça. No lugar do ex-governador, Marina Silva disparou nas pesquisas, em prejuízo do tucano e ameaçando a reeleição da petista. Agora, o clima tende a mudar. O tema da corrupção migra da periferia para o centro do debate - tendo como foco o que se cometeu, desde a ida do PT ao poder, na maior e mais estimada empresa nacional.

Não bastará Dilma alegar que o noticiário "não lança suspeita nenhuma sobre o governo, na medida em que ninguém do governo foi oficialmente acusado", para dissipar as suspeitas - anteriores aos depoimentos de Costa, mas potencializadas pelo que a imprensa lhe atribui - de que ela olhou para o outro lado enquanto prosseguia a predação da Petrobrás, iniciada nos anos Lula. A hipótese se ampara na lógica e nos fatos. Se o mensalão consistiu no suborno de deputados para que aprovassem os projetos tidos como essenciais pelo então presidente, o assalto tolerado à petroleira decerto servia, na esfera política, para satisfazer os membros, não raro influentes, da base aliada, de modo a assegurar a coligação eleitoral que daria à candidata quase a metade do tempo do horário de propaganda. Se assim é, Dilma tirou da roubalheira proveito material - contabilizado, no caso, em minutos e segundos.

Os fatos, por sua vez, apontam com mais firmeza ainda o dedo para o Planalto. Em dobradinha com Calheiros, a presidente asfixiou a investigação parlamentar sobre a estatal, cujo ponto de partida era o caso da Refinaria de Pasadena, e cujo ponto de chegada poderia ser um terremoto político comparável à sangria a que o patrimônio da Petrobrás foi submetido nos anos recentes. Dilma argumentou que a CPI pretendida pela oposição - afinal, foram criadas duas, desfibradas - era "eleitoreira". Agora, ironia das ironias, as confissões atribuídas ao ex-diretor apadrinhado pelo PP, endossado pelo PMDB e avalizado por Lula podem fazer mais estragos para Dilma do que uma CPI cujos membros buscam antes o voto do que as verdades a apurar.

Pode sobrar também para Marina devido à menção do político pernambucano a que se achegou para ser a sua vice (não bastasse a história dos laranjas do avião cedido à campanha). Já Aécio, enquanto nada incriminar qualquer dos dirigentes dos nove partidos que o apoiam, se lançará à chance de voltar a subir nas pesquisas.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 09 / 09 / 2014

O Globo
"Dilma diz que 'não tinha menor ideia' de crimes na Petrobras "

Petista afirma que sangria foi estancada; marina vê quadrilha na estatal

A presidente Dilma afirmou ontem que "não tinha a menor ideia" de que havia um esquema criminoso na Petrobras e defendeu apuração rigorosa. "Se houve alguma coisa, e tudo indica que houve, posso garantir que todas as sangrias que eventualmente pudessem existir estão estancadas", disse ela. O fato de dizer que nunca desconfiou, após ter sido ministra da área e estar há três anos e meio na Presidência, lembrou a frase do então presidente Lula ao afirmar que não sabia e foi traído no mensalão. Dilma disse ainda que seus adversários "não podem esquecer seus telhados". Já Marina Silva (PSB), ao comentar o esquema delatado pelo ex-diretor da Petrobras, disse que foi o atual governo "quem manteve toda essa quadrilha" na empresa. Aécio Neves (PSDB) também atacou: "Dilma tinha obrigação de saber aquilo que acontecia no seu entorno."

Folha de S. Paulo
"Dilma diz que nunca soube de ‘malfeitos’ na Petrobras"

Presidente reconhece que ‘tudo indica’ ter havido problemas na estatal

Candidata à reeleição, a presidente Dilma (PT) disse que nunca desconfiou de irregularidades na Petrobras e admitiu que “tudo indica” que houve problemas na empresa, mas que a “sangria foi estancada”. Afirmou jamais ter imaginado que há via “malfeitos” na estatal. Em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, Dilma criticou ataques de adversários em relação aos negócios envolvendo Paulo Roberto Costa. O ex-diretor da estatal fez acordo de delação e indicou políticos do PT, do PMDB, do PSB e do PP como beneficiários de propina. “Os dois candidatos [Marina Silva e Aécio Neves] não podem esquecer os seus telhados”, afirmou Dilma. 

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segunda-feira, setembro 08, 2014

Dominique


Opinião

Sobre o fim de uma era

Fernando Gabeira
No livro de Milan Kundera “A festa da insignificância”, um personagem disse: “Ninguém em torno de Stálin sabia mais o que é uma brincadeira. É por isso, a meu ver, que um grande novo período da história se anunciava”. O personagem, chamado Charles, referia-se a uma piada que Stálin contava e nenhum dos seus ministros conseguia rir, com medo de que o ditador estivesse falando sério.

É muito difícil prever fins de era. Mas quando o país entra numa recessão econômica é razoável prever o fim de uma longa política que resultou num desastre: foi a pior performance da História, pior que a do Marechal Floriano, em tempo de guerra.

No Flamengo, um amigo me perguntou o que era recessão técnica. Repeti o que tenho lido: o país não cresceu nos dois últimos trimestres. É como um time que passasse meio ano sem vencer.

— Se é a recessão técnica, por que não demitir o técnico, como no futebol? — concluiu o amigo.

No jogo democrático troca-se o grande técnico de quatro em quatro anos, com direito a mais quatro. O amigo perguntou: quem e como vai nos tirar desse buraco? Se fosse só a recessão econômica as coisas seriam mais simples. Minha resposta seria limitada aos projetos e equipes econômicas.

Mas há uma crise de outra natureza: o imenso abismo entre o sistema político e as aspirações cotidianas. Para milhões de brasileiros, o programa eleitoral na tevê não interessa. Muitos limitam-se a se divertir um pouco com mensagens e figuras que parecem de outra galáxia.

O clima em Brasília é de terra arrasada. O governo e seus aliados tiveram o maior empenho em nivelar por baixo. A frase da velha senhora, na peça de Friedrich Dürrenmatt, foi o guia da esquerda no poder: “O mundo fez de mim uma puta. Vou fazer do mundo um bordel”.

Contei ao amigo do Flamengo que durante muitos meses mostramos que havia algo de errado na economia, que o ciclo estava esgotado.

Dilma e a artilharia do PT nos chamavam de urubus. Tinham e têm, até hoje, confiança de que estão no caminho certo. O que fazer? Se no Planalto animalizam a oposição, o que esperar dos militantes na planície? Sou meio vegetariano, mas admiro a elegância do voo do urubu.

Mesmo sem crise econômica, já seria delicado o momento de rejeição aos políticos. Com ela, aumentam as chances de mudança. Os caminhos para superar a crise econômica, de uma certa forma, já estavam implícitos nesses anos de crítica. Não há uma grande invenção no horizonte.

Para superar a crise de confiança na política, as alternativas são bem mais complicados. Desejo profundamente uma reforma que restabeleça em nosso pais um mínimo de confiança na democracia representativa. Tenho reservas quanto ao rótulo de uma nova política. Sou escaldado com aquele conceito do novo homem, na revolução cubana. Quantos não foram fuzilados ou presos porque não cabiam no modelo?

Se o leitor de Guevara se dedicar a algumas peças de Shakespeare vai compreender que as pessoas, de uma certa forma, são sempre as mesmas ao longo do tempo: imperfeitas, contraditórias, comoventes, limitadas. No entanto, é possível fazer algo melhor no Brasil. A sinceridade de alguns líderes, por exemplo, é algo que pode contribuir para a redução do abismo.

Não há mágicas para criar um novo mundo político. Mas há possibilidades de algo melhor. Por que não aceitar isto? Quem esperou um novo mundo, amanhãs que cantam, sociedades perfeitas, aprendeu, desde que tenha suportado as dores, que o buraco é mais embaixo. A existência de razões para o fim de uma era não basta para inaugurar uma outra. Os atores são importantes, sobretudo se concordarem com alguns pontos essenciais e mantiverem a unidade diante dos anos difíceis que virão.

De um ponto vista econômico a experiência chavista na Venezuela é um fracasso. Mas ainda assim, na últimas eleições, a maioria preferiu Nicolás Maduro. Hoje, na Venezuela, os consumidores passam por uma identificação digital antes das compras. É para evitar que comprem duas vezes no mesmo dia. Com todo o fracasso econômico, Maduro ainda se equilibra conversando com Chavez transfigurado em pássaro ou desenhado numa caverna do metrô.

O Brasil não tem os excedentes do petróleo, é mais complexo que a Venezuela. Os dois estão numa encruzilhada. A nossa é menos assustadora, menos presente no cotidiano. Costumo dizer que a nacionalidade não é uma segunda pele. Você pode se desfazer dela, vivendo no estrangeiro. Mas o Brasil tem um peso na identidade de cada um. Quando murcha, murcha uma parte de nós.

Há uma chance real de mudança que encaro com um otimismo moderado, fiel ao mundo de Shakespeare, ao mundo das pessoas reais que, modestamente, querem controle da corrupção, serviços públicos decentes e políticos, ainda que tediosos, razoavelmente confiáveis.

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 08 / 09 / 2014

O Globo
"Campanha de Dilma muda após delação de corrupção bilionária"

Para Aécio, a presidente ‘não pode dizer que não sabia de nada’

Miguel Rossetto assume coordenação geral no lugar de Rui Falcão , presidente do PT , que é muito ligado ao tesoureiro do partido , João Vaccari Neto , um dos acusados por Paulo Roberto Costa de receber propinas da Petrobras. Um dia após a revelação de que Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, delatou o envolvimento de um ministro e de políticos petistas e aliados em corrupção bilionária na estatal, a presidente Dilma Rousseff mudou a coordenação de sua campanha para reduzir a influência do presidente do PT, Rui Falcão. Muito próximo do tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, um dos denunciados por Costa, Falcão será substituído por Miguel Rossetto, ministro do Desenvolvimento Agrário, que não pertence à corrente majoritária do PT, ligada ao escândalo. Ontem, Dilma disse que o depoimento de Costa “não lança suspeita nenhuma sobre o governo”, porque, até agora, “ninguém foi oficialmente acusado”. Já o candidato do PSDB, Aécio Neves, afirmou que Dilma “não poderá dizer que não sabia de nada”, numa referência ao que disse o ex-presidente Lula na época do mensalão. Marina reforçou o ataque ao PT, mas declarou ser leviano ligar Eduardo Campos às denúncias.  

Folha de S. Paulo
"Apesar da crise, USP é a líder em 20 dos 40 maiores cursos"

Terceira edição do Ranking Universitário Folha amplia o número de carreiras avaliadas

Apesar de estar em uma grave crise financeira, com gastos com pessoal maiores do que o seu orçamento, a Universidade de São Paulo (USP) é o destaque da terceira edição do Ranking Universitário Folha . A instituição, que enfrenta desde maio uma greve parcial que atrasou algumas aulas e fechou parte das bibliotecas e restaurantes, é a mais bem avaliada do país, além de ser a melhor em 20 dos 40 cursos analisados.

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domingo, setembro 07, 2014

Dominique


Opinião

As coisas podem não ser o que parecem

O ESTADO DE S.PAULO
É cada vez menor o número dos que duvidam hoje da derrota de Dilma Rousseff nas urnas de outubro. Mas a probabilidade da vitória de Marina Silva poderá resultar em enorme decepção para quem acredita que o voto na ex-senadora é o melhor caminho para livrar o País do lulopetismo. Esta é a conclusão a que têm chegado, nos círculos políticos de Brasília, petistas e não petistas com algum acesso a Lula, a partir da análise de seu comportamento diante de um quadro eleitoral que era impensável pouco tempo atrás.

Não é de hoje, garantem seus seguidores mais chegados, que Lula perdeu a paciência com a campanha da reeleição de Dilma. E não se trata nem de discordar da estratégia, se é que se pode chamar assim, que a presidente e seu círculo de assessores diretos impuseram à disputa. Aos mais íntimos o ex-presidente se tem permitido expressar irritada decepção com a falta de competência política e de carisma de sua criatura. Afirma mesmo, como se não tivesse nada a ver com isso, que ela "não é do ramo".

Diante do provável revés, Lula se esforça para disfarçar o mau humor com um comportamento discreto que o tem levado, para usar uma expressão futebolística tão a seu gosto, a simplesmente "cumprir tabela" na campanha. Mesmo porque uma omissão ostensiva seria inadmissível e a estridência crítica seria contraproducente.

Lula, portanto, parou para pensar em si mesmo, entregar os anéis para salvar os dedos e se concentrar em 2018, quando ele próprio poderá tentar, com o prestígio popular que lhe tiver restado, uma volta triunfal ao Palácio do Planalto. E, pelo que dizem ser seus cálculos, a eleição de Marina Silva agora pode ser mais útil a esse objetivo do que a reeleição de Dilma.

Dilma Rousseff entregará a seu sucessor um país em situação muito pior do que aquele que recebeu de Lula há quatro anos. Os indicadores econômicos, financeiros e sociais revelam essa lamentável realidade. O próximo ocupante da cadeira presidencial receberá uma verdadeira herança maldita. Reeleita, Dilma terá de mostrar uma competência que já provou não ter para evitar que a inflação estoure, a recessão econômica se instale, os programas sociais definhem e a companheirada em desespero piore as coisas tentando "salvar o seu". E aí provavelmente nem mesmo Lula seria capaz de operar o milagre de manter o PT no poder em 2018.

Já Marina Silva na Presidência, com um programa repleto de boas intenções, mas sem nenhuma perspectiva concreta de apoio parlamentar para aprová-lo e de uma ampla e competente equipe técnica para realizá-lo, seria presa fácil de um PT que, na oposição, estaria à vontade para fazer aquilo em que é especialista: atacar, destruir. E depois de devidamente demolida a imagem de Marina, Lula poderia surgir, mais uma vez, como salvador da pátria.

Mas haveria ainda, segundo essas maquinações, uma segunda hipótese: governar com o PT. Marina não ignora as dificuldades que terá pela frente e tentará garantir o apoio de forças políticas que possam fazer diferença em seu governo. Petistas ou tucanos dariam a Marina apoio decisivo semelhante àquele que o PMDB oferece hoje a Dilma. Mas PT e PSDB dificilmente comporiam juntos uma base de apoio confiável. E, mesmo que os tucanos venham a apoiar Marina num eventual segundo turno contra Dilma, toda a história política da ex-senadora dentro do PT e a aversão aos tucanos que ela não se preocupa em disfarçar indicam que seus parceiros preferenciais seriam os petistas.

Reforçaria essa hipótese o fato de que Marina tem feito acenos de boa vontade a Lula, como a reiterada manifestação de que não seria candidata à reeleição em 2018 e de que estaria disposta a não desalojar completamente o PT de seu governo, promessa implícita na garantia de que pretende governar "com todos os partidos".

Seja como for, Lula parece estar assimilando bem - e talvez até desejando - uma vitória de Marina Silva, que trabalharia para caracterizar como uma derrota de Dilma e não do PT. E o PT estaria, tanto quanto seu líder máximo, preservado do inevitável desgaste de mais quatro anos de barbeiragens políticas e administrativas.
A ser isso verdade, votar em Marina com a intenção de cravar uma bala de prata no coração do lulopetismo seria comprar gato por lebre.

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 07 / 09 / 2014

O Globo
"Delação põe Dilma e Marina na defensiva"

Denúncias envolvem PT, aliados do governo, Campos e Cabral

Ex-diretor da Petrobras também cita presidentes de Câmara e Senado e ministro de Minas e energia; Aécio parte para o ataque e diz que é 'mensalão 2'. A menos de um mês do primeiro turno, delação do ex-diretor do Petrobras Paulo Roberto Costa pode provocar nova reviravolta na campanha. Costa confirmou o esquema de corrupção bilionário na estatal e citou como beneficiários, segundo a revista ’ Veja',’ deputados e senadores da base aliada da presidente Dilma no Congresso, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, o ex-governador Sérgio Cabral do Rio, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney e o ex-candidato do PSB à presidência Eduardo Campos. Dilma disse que tomara providências, mas o Planalto já deu sinais de que teme prejuízos na campanha para a sucessão da presidente. Marina saiu em defesa de Campos e disse tratar-se de "ilação”. Todos os delatados negaram envolvimento. O candidato do PSDB, Aécio Neves, partiu para o ataque e disse que o caso é o "mensalão 2” do PT. 

Folha de S. Paulo
"Ex-diretor da Petrobras liga Campos e petistas a propina"

Segundo revista, ministro e presidentes de Câmara e Senado também são citados em depoimento à PF

Um ex-diretor da Petrobras citou à Polícia Federal os presidentes do Senado. Renan Calheiros (PMDB), e da Câmara, Henrique Alves (PMDB), como beneficiados de esquema de suborno na estatal, segundo a “Veja”.

Sem dar detalhes nem valores, a revista diz que Paulo Roberto Costa também ligou à propina o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) e Eduardo Campos, presidenciável do PSB morto em acidente aéreo no mês passado. 

Na lista de Costa, que está preso e faz delação premiada aparecem o deputado Cândido Vaccarezza e o tesoureiro do PT. João Vaccari Neto, suposto elo do esquema com o partido. Alguns negam. Outros não Falaram, Aécio Neves (PSDB) disse que as menções levam a um “mensalão 2”. 

O PSB de Marina Silva, mobilizou seus dirigentes para acompanhar o caso. E a presidente Dilma disse que tomará as “providências cabíveis”.

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