sábado, setembro 06, 2014

Dominique


Opinião

Desperdício inaceitável

O ESTADO DE S.PAULO
Em meio a um dos períodos de seca mais dramáticos de que se tem memória no País, surgem novos dados que atestam um nível inaceitável de desperdício de água nos maiores municípios. Ainda que os números comprovem também importantes avanços na universalização do serviço de distribuição de água nas grandes cidades, as perdas constatadas deveriam ser suficientes para provocar uma ação enérgica das autoridades.

Estudo do Instituto Trata Brasil, que desde 2007 acompanha o trabalho de saneamento básico no País, constatou que 40% dos 100 municípios avaliados perderam mais de 45% da água faturada, isto é, efetivamente distribuída para os consumidores. Dessa fatia, 11 cidades perderam mais de 60%. Apenas 27% dos municípios sofreram perdas inferiores a 30% e somente 4 deles tiveram perdas menores que 15%, que é o nível considerado aceitável pelos autores do estudo. Já as cidades que sofreram perdas entre 30% e 60% equivalem a 62% do total.

Há casos espantosos entre as cidades analisadas, com base em dados de 2012. Macapá, capital do Amapá, é a recordista de desperdício no País, com 73,91% da água faturada, seguida de Porto Velho (RO), que perde 70,66%. Outras capitais com péssimo desempenho são Recife (62,03%), Boa Vista (62,84%) e Cuiabá (65,31%).

Tais indicadores expõem problemas graves de infraestrutura, pois a maior parte da água é desperdiçada em razão de vazamentos, ligações clandestinas e erros de medição, entre outras falhas. No caso da Grande São Paulo, por exemplo, um estudo recente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) indica que 17% da rede de distribuição tem mais de 40 anos de idade e 34% têm entre 34 e 40 anos. A região central é a mais problemática, pois suas tubulações foram instaladas há cerca de 80 anos.

Ademais, 40% dos vazamentos não são visíveis, pois ocorrem na tubulação enterrada, sendo necessárias técnicas mais sofisticadas para sua detecção. São essas as perdas mais significativas da Sabesp, segundo aponta sua investigação, pois representam 66% do total do desperdício de água tratada que a empresa produz.

O cenário em São Paulo não é bom nem mesmo em relação aos vazamentos visíveis. De acordo com a Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp), o número de reclamações em relação a esse problema cresceu 89% no primeiro bimestre deste ano em comparação a igual período de 2013.

O Instituto Trata Brasil informa que o índice de perdas em São Paulo chegou a 36,3% em 2012, número semelhante ao apurado pela Arsesp. Para a Sabesp, contudo, o porcentual naquele ano foi de 32,1% e o atual é de 31,2%. A meta para 2014 é baixá-lo para 29,3%, o que obrigaria a empresa a proceder a troca das tubulações antigas a toque de caixa. A julgar pelos números do Trata Brasil, porém, isso não deve ocorrer tão cedo. O índice de desperdício em São Paulo, em vez de diminuir, aumentou entre 2011 e 2012, o que indica uma clara lentidão para a resolução dos problemas.

Mesmo com todos esses reveses, a capital paulista aparece entre as melhores cidades analisadas - e há outros 10 municípios de São Paulo entre os 20 primeiros colocados do ranking, que leva em conta não somente a distribuição de água, mas também a coleta e o tratamento de esgoto. Isso significa que a situação nas metrópoles em geral é crítica.

A média de perdas nas grandes cidades é de 39,43%, maior do que a média nacional, de 36,9%. Em 90% dos municípios, a redução das perdas foi inferior a 10% no período, de onde se conclui, conforme o relatório, que "pouca importância tem sido dada a esse tema, mesmo nas maiores cidades".

As notícias diárias sobre a crescente possibilidade de um colapso no fornecimento de água em razão da seca prolongada são um lembrete de que a abundância a que os brasileiros se habituaram não existe mais. Por esse motivo, impõe-se a adoção urgente de uma política responsável para combater o desperdício e racionalizar o uso da água no País.

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 06 / 09 / 2014

O Globo
"Ensino médio piora em 16 estados e fica abaixo da meta"

Rede estadual do Rio melhora e passa do 15º para o 4º lugar no ranking

Objetivo do país no Ideb, principal indicador da qualidade da educação, foi alcançado só nos primeiros anos do ensino fundamental. Os resultados do índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgados pelo MEC, revelam que o país estagnou (a nota média de 3,7 do último exame, de 2011, manteve-se e não atingiu as metas para o ensino médio e os anos finais do fundamental (5» ao 9» ano). Em 16 estados, o ensino médio piorou. A rede do Estado do Rio, que há quatro anos chegou a ficar na penúltima posição, melhorou, indo do 15e para o 4º lugar. Pernambuco foi o estado que mais progrediu, avançando 12 posições. O governo federal atrasou a divulgação dos dados, provocando críticas de educadores e políticos.

Folha de S. Paulo
"Propina foi paga a políticos, diz ex-diretor da Petrobras"

Paulo Roberto Costa delata senadores, deputados e ao menos um governador

Após fazer acordo de delação premiada, o ex-diretor do Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou que 12 senadores, 49 deputados federais e ao menos um governador receberam dinheiro desviado da estatal, segundo a Folha apurou. haveria integrantes de PT. PMDB e PP.

De acordo com o relato de Costa a procuradores e policiais. políticos ficavam com 1% do valor dos contratos na época em que ele era diretor (de 2004 a 2012). O ex-executivo decidiu colaborar com autoridades para tentar reduzir sua pena quando o caso chegar à Justiça.

O depoimento de Costa foi entregue no inicio da semana ao STF para que o ministro Teori Zavascki homologue o acordo de delação. Os políticos citados por Costa só poderão ser investigados com autorização do Supremo pois os parlamentares têm foro privilegiado.

Para assessores da presidente Dilma, as consequências das revelações de Costa para a campanha são imprevisíveis. Eles avaliam que a petista não será pessoalmente atingida, mas temem estragos na imagem da Petrobras e do governo. A empresa não comentou.

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sexta-feira, setembro 05, 2014

Coloridas...


Coluna do Celsinho

Causa e efeito

Celso de Almeida Jr.

Reintegrar presos à sociedade, valendo-se da educação e do trabalho, parece frase de efeito.

O fato é que algumas prisões brasileiras já apontam para este caminho, valendo-se do aprimoramento da gestão.

Uma das soluções tem sido passar a administração de presídios para a iniciativa privada.

Neste formato, em parceria com indústrias, é possível instalar algumas ilhas de trabalho no complexo prisional.

O preso passa a receber um salário, sendo que uma fração dele é obrigatoriamente destinada para a administração penitenciária.

Um dinheiro que garante o contínuo aperfeiçoamento dos presídios, com rápida aquisição de equipamentos, sem a burocracia característica da gestão pública.

Para especialistas, ações assim apontam para um futuro onde os presídios se autossustentem.

No formato atual, a terceirização representa uma mensalidade que o governo paga a administradora licitada.

Mas, o ideal, é que esta conta não seja paga pela sociedade e, aos poucos, este caminho está sendo construído.

Para o preso, cada três dias de trabalho permite que um seja usado para a remissão da pena.

O plano de ação para a ressocialização oferece, ainda, condições adequadas para o preso estudar.

Isso, por si só, gera a redução da violência nas prisões, implicando na diminuição da reincidência criminal.

Padrões assim, para se implantar, exigem avaliar as condições previstas na legislação específica dos recursos humanos, já que os agentes penitenciários dos estados sempre ficam apreensivos com a tercerização.

Naturalmente, nenhuma destas possibilidades reduz o extremo rigor disciplinar mantido na prisão.

Afinal, trata-se do cumprimento de uma pena em função de um crime.

O fato é que o modelo tem comprovadamente garantido a reintegração social, respeitando os direitos humanos universais.

Merece, portanto, ser aprimorado e seguido.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique


Opinião

O Sr. Propina

O ESTADO DE S.PAULO
Nada do que a Transparência Internacional está dizendo de Paulo Maluf é novidade para os brasileiros, em especial para os paulistas, testemunhas mais próximas de suas peripécias - digamos assim - na administração pública nas últimas décadas, que o transformaram no mais marcante símbolo da corrupção entre nós e réu de dezenas de processos. Mas o fato de ele ter sido escolhido por essa organização como uma das estrelas de sua campanha mundial contra a corrupção, que acaba de ser lançada em Berna, na Suíça, como que consagra definitivamente a sua má fama e cobre de vergonha a imagem do Brasil no exterior.

O ex-prefeito da capital, ex-governador do Estado e atualmente deputado é chamado, em peça publicitária patrocinada pela Transparência, de Sr. Propina (Mr. Kickback). Isto é apenas o apelido do qual certamente não vai se livrar daqui para a frente. Tem muito mais. "Longe dos contribuintes que o elegeram, Maluf comprou relógios de luxo e joias em casas de leilão de Nova York", acrescenta a campanha, citando casos que, se não estão entre os mais graves de que ele é acusado, servem para mostrar a sem-cerimônia e a autoconfiança com que ele se comporta em qualquer circunstância.

A Transparência cita também a proeza linguística da qual, graças ao humor dos brasileiros - única maneira realmente efetiva por meio da qual puderam até agora punir Maluf por suas peripécias -, ele não tem do que se orgulhar. Não há muitas pessoas que podem dizer que existe um verbo criado a partir de seu nome, observa a organização. "Mas Paulo Maluf pode." É o nosso já velho conhecido, o tristemente famoso verbo malufar, que significa - informa a Transparência para o resto do mundo - "roubar dinheiro público".

Segundo ela, Maluf teria recebido US$ 344 milhões em propinas durante os quatro anos em que governou São Paulo como prefeito eleito, de 1993 a 1996 (antes havia sido nomeado para o mesmo posto pelo regime militar). Dinheiro enviado para paraísos ficais, acrescenta, nos quais pode movimentá-lo em contas sem revelar seu nome.
O lado mais triste dessa história é também lembrado: "Apesar de sua notoriedade, Maluf não está na prisão. Na realidade, ele é membro do Congresso. Se ele corre risco de ser preso se sair de seu país, no Brasil ele está livre".

Não por acaso, a campanha da Transparência foi lançada na Suíça como forma de pressionar o governo desse país a modificar suas leis em relação à proteção do sigilo bancário, das quais se valem políticos do mundo inteiro para esconder dinheiro de origem ilícita. O mesmo fazem instituições de vários outros países. Aliás, a Suíça já foi levada a fazer algumas mudanças em sua legislação e foi graças a elas que as autoridades judiciais suíças colaboraram com as brasileiras em alguns casos desse tipo.

Mas é difícil de encontrar exemplo como o de Maluf, isto é, de políticos acusados de corrupção em dezenas de processos que conseguem escapar pelas brechas da lei. Um dos outros exemplos de corrupção citados pela campanha da Transparência, o ex-ditador da Tunísia Zine Al-Abidine Ben Ali, se não perdeu - nunca se sabe - toda a fortuna amealhada ilicitamente, pelo menos perdeu o poder. Já Maluf é deputado, e cortejado até por antigos inimigos, do mais alto coturno, que aceitam posar sorridentes a seu lado em troca de apoio.

E Maluf é incorrigível. Mesmo com mandado de prisão expedido pela Interpol, que o impede de deixar o País, e agora estrelando, no mau sentido, a campanha da Transparência, continua a negar olimpicamente, sempre sorrindo, qualquer envolvimento com atividades ilícitas. E ainda se dá ao luxo de fazer gracinhas, como quando respondeu à pergunta sobre se pretende manter sua candidatura a deputado federal, apesar de seu registro ter sido negado pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, decisão da qual vai recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral: "Estou em campanha. E olha, você pode votar também no 1111 (seu número na campanha), que não é um mau candidato". Até quando isso vai durar?

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 05 / 09 / 2014

O Globo
"Ministros tiram férias para reforçar campanha de Dilma"

‘Governo novo, equipe nova’, diz presidente sobre futuro de Mantega

Após crescimento de Marina nas pesquisas, PT convoca integrantes do governo para trabalhar na eleição; no Ceará, candidata volta a sinalizar com mudanças no Ministério, caso seja reeleita. Com o acirramento da disputa após o crescimento de Marina Silva (PSB), a campanha de Dilma Rousseff convocou ministros petistas para atuar na eleição na reta final. Gilberto Carvalho (Secretaria Geral) entrará de férias na próxima segunda para agir junto a movimentos sociais e à Igreja Católica. Paulo Bernardo (Comunicações) deixará o cargo por dez dias para apoiar também sua mulher, candidata ao governo do Paraná. O PT conta ainda com Ricardo Berzoini (Relações Institucionais) e Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário), que devem tirar licença a partir da semana que vem. Ao ser perguntada se manteria Guido Mantega na Fazenda caso seja reeleita, Dilma respondeu: “Governo novo, equipe nova. Não tenha dúvida disso.” A cúpula da campanha petista tem procurado economistas para tentar reduzir a rejeição do mercado financeiro à presidente. 

Folha de S. Paulo
"Dilma afirma que Mantega não fica num 2º governo"

‘Governo novo, equipe nova’, diz presidente sobre futuro do ministro

Um dia depois de haver apontado para mudanças em sua equipe em 2015, se for reeleita, a presidente Dilma Rousseff (PT) deixou claro que o ministro Guido Mantega será substituído. Em evento de campanha em Fortaleza, quando questionada sobre o futuro do titular da Fazenda, a petista disse: “Eleição nova, governo novo, equipe nova”. Em entrevista a jornalistas Dilma afirmou: “Eu não falo isso [nomes da equipe]. Sabe por quê? Por que dá azar falar de uma coisa que ainda não ocorreu. Mas é governo novo, equipe nova. Não tenha dúvida disso”. A declaração da presidente foi avaliada como “muito ruim” pela equipe da Fazenda e comemorada por líderes empresariais, que veem na frase sinal de correções na política econômica num eventual novo governo. 

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quinta-feira, setembro 04, 2014

Dominique


Opinião

Imprensa à bolivariana

Folha de S.Paulo - Editorial 
Sob as ditaduras que comandaram a América Latina no século 20, foram vários os casos de empastelamento de jornais críticos ao regime de plantão. A truculência física contra a imprensa ficou no passado, mas, no presente, governos da escola bolivariana abusam do poder econômico e político para alcançar objetivos parecidos.

O caso mais recente foi registrado no Equador de Rafael Correa. Depois de 32 anos de existência, o jornal "Hoy", um dos maiores do país, deixou de existir. A Superintendência de Companhias, órgão estatal, determinou o seu fechamento, ao lado de 700 empresas de diversos setores, por perdas superiores a 50% do capital social.

A controladora do "Hoy" admitiu problemas financeiros, mas culpou a perseguição de Correa à imprensa crítica. As iniciativas do presidente incluem uma rigorosa Lei de Comunicação, processos judiciais contra jornalistas, auditorias financeiras periódicas, manipulação da publicidade estatal e intimidação de anunciantes privados.

Na Bolívia, o governo de Evo Morales fomentou, por intermédio de empresários amigos ou fundos anônimos, a compra de cinco canais de TV –dois dos quais de alcance nacional– e o principal jornal diário do país, o "La Razón".

São os chamados meios paraestatais, na definição do jornalista boliviano Raúl Peñaranda, autor de um premiado livro sobre o assunto. Controlados de fato pelo governo, passaram a fazer uma cobertura oficialesca –distante, portanto, do que se espera da imprensa.

O mesmo recurso aos meios paraestatais tem sido utilizado pelo chavismo na Venezuela, presidida por Nicolás Maduro. Ao menos três veículos importantes (o canal de notícias Globovisión e os jornais "Últimas Noticias" e "El Universal") foram há pouco tempo vendidos a pessoas ligadas ao governo, com impactos na linha editorial.

A também truculenta gestão de Cristina Kirchner, na Argentina, aprovou a Lei de Mídia, em 2009, desenhada para intimidar órgãos críticos da Casa Rosada, entre os quais os do Grupo Clarín.

Todas essas ações demonstram com clareza a faceta autoritária de líderes latino-americanos que têm em comum o fato de não saberem conviver com o contraditório.

Agindo como donos da verdade, debilitam o poder fiscalizador da imprensa e fragilizam o ambiente democrático que, mesmo imperfeito, permitiu sua ascensão ao poder através do voto.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 04 / 09 / 2014

O Globo
"Dilma reage nas pesquisas e agora fala em mudar equipe"

Presidente sobe no Ibope e no Datafolha, mas Marina ainda vence no 2º turno

Pela primeira vez na campanha, a petista diz que fará mudanças no seu Ministério , caso seja reeleita, e admite problemas na economia, reconhecendo que a situação da indústria no país hoje é ‘complexa. Novas pesquisas do Ibope e do Datafolha mostram que Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) continuam tecnicamente empatadas, mas a ex-senadora vence a atual presidente no segundo turno. Aécio Neves (PSDB) cai e se mantém em terceiro. No Ibope, Dilma subiu três pontos (foi a 37%), o que não acontecia desde julho, e Marina cresceu quatro (ficou com 33%). No Datafolha, a petista cresceu um (35%), e a ex-senadora ficou estável (34%). O Ibope ouviu eleitores de 31 de agosto a 2 de setembro. O Datafolha, de 1º a 3 de setembro. Ao discursar na CNI, ontem, Dilma disse que, se reeleita, fará mudanças na política industrial e também em sua equipe. Ela admitiu que é “complexa ” a situação da indústria e afirmou que gostaria de ver o Brasil crescendo “em ritmo muito mais acelerado ”. 

Folha de S. Paulo
"Marina para de crescer, mas continua na frente no 2 º turno"

Datafolha mostra empate técnico entre Dilma (35%) e Marina (34 %) no 1 º turno; Aécio tem 14 %

A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, parou de crescer nas intenções de voto, e a disputa com a presidente Dilma Rousseff (PT) acirrou-se, segundo pesquisa Datafolha finalizada nesta quarta-feira (3). Se o primeiro turno fosse hoje, Dilma teria 35% dos votos, e Marina, 34%, o que configura empate técnico. Na semana passada, as duas apareciam com 34%. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos. A estabilização de Marina ocorreu após o início de ataques dos ri vais e depois de a candidata mudar trecho de seu programa sobre direitos de homossexuais. Já o candidato Aécio Neves (PSDB) oscilou de 1 5% para 14 %. 

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quarta-feira, setembro 03, 2014

Dominique


Opinião

Comércio na balança

Folha de S.Paulo - Editorial
A julgar pelos resultados acumulados até agosto, a balança comercial, que mostra a diferença entre exportações e importações, terminará o ano com saldo próximo de zero. Mais importante, cristaliza-se uma situação pouco promissora para o Brasil: encolhem as vendas de manufaturados e cresce a dependência de produtos básicos.

É gritante a mudança em relação a meados da década passada, quando o país teve superavit acima de US$ 40 bilhões. O mercado internacional então absorvia produtos brasileiros, inclusive industriais, e a bonança externa permitia que se comprassem máquinas e se capacitasse a produção interna.

A dinâmica, porém, mostrou-se efêmera. O país não conseguiu consolidar a presença de sua indústria nas cadeias internacionais de valor, que se modificaram drasticamente com a ascensão da China.

Nos últimos tempos, o Brasil perdeu terreno. As vendas de manufaturados estão estagnadas desde 2008; hoje não passam de 38% das exportações, mas eram 54% há dez anos. Com a alta das importações, o deficit no setor industrial saltou de US$ 37 bilhões em 2009 para US$ 105 bilhões em 2013.

Para completar, as indústrias brasileiras estão cada vez mais ameaçadas no ambiente doméstico, a despeito do protecionismo governamental, e perdem espaço até na América do Sul.

No Fórum de Exportação, organizado na semana passada por esta Folha, especialistas foram unânimes ao dizer que a culpa pela perda de mercado não vem de fora. Embora menos dinâmico, o comércio internacional continua a crescer.

A raiz do problema está no próprio Brasil e tem a ver com o cada vez maior custo de produção: mão de obra cara, logística ineficiente, burocracia excessiva e impostos proibitivos. O dólar barato surge como fator adicional a desestimular a busca de clientes no exterior.

As escolhas do governo exacerbaram as dificuldades. Um erro essencial foi ampliar o protecionismo –o isolamento, ao inviabilizar acesso a insumos e métodos de ponta, faz diminuir a competitividade. A situação chegou a tal ponto que mesmo setores industriais já defendem mais abertura.

Outro equívoco foi apostar apenas no inerte multilateralismo da OMC (Organização Mundial do Comércio) e não celebrar novos acordos comerciais bilaterais.

As causas para o mau desempenho brasileiro no comércio internacional são múltiplas e não há saída fácil. Mas é certo que, sem maior abertura econômica e a busca de nichos de mercado em escala global, o país não conseguirá superar a armadilha em que se encontra.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 03 / 09 / 2014

O Globo
"Planalto retém resultado de avaliação da educação"

Casa Civil já recebeu dados do Ideb há 15 dias, mas atrasa a divulgação

Governadores suspeitam de uso eleitoral; MEC diz que ainda analisa recursos. O resultado do principal indicador da qualidade do ensino do país, o Ideb, já está pronto para divulgação. Foi enviado há 15 dias à Casa Civil, informa ANTÔNIO GOIS, mas até agora não foi tornado público, apesar de já ter passado pelo crivo da área técnica do Inep, responsável no MEC pelas avaliações. O atraso tem gerado críticas de que o governo estaria retardando a divulgação por motivos eleitorais. O ministro da Educação atribui o atraso ao fato de escolas terem apresentado recursos ao MEC.

Folha de S. Paulo
"Contra crise, USP aprova demissões voluntárias"

Conselho da universidade também faz proposta de reajuste a grevistas

Conselho da USP aprovou nesta terça (2) um plano de demissões voluntárias (PDV) para tentar atenuar uma das mais graves crises financeiras de sua história e uma proposta de reajuste salarial para os funcionários, em greve há quase cem dias. O programa de demissões é uma das medidas propostas pelo reitor Marco Antonio Zago para conter os gastos, que, só com folha de pagamento, chegam a 105% do orçamento da universidade. (...) A universidade também aprovou proposta de reajuste salarial, até então vetado devido à crise, de 5,2% a partir de outubro. Funcionários querem 9,78%.l Antonio Palocci mostrem ao empresariado que um Banco Central independente evitará que recursos públicos sirvam para estimular a economia e elevará o risco de desemprego.

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terça-feira, setembro 02, 2014

Pitacos do Zé


Replantar água

José Ronaldo dos Santos
Atualmente, passando por uma crise de água, o Estado de São Paulo, juntamente com os demais precisam admitir uma verdade: a cobertura vegetal é imprescindível para manter a reserva de água e garantir a vida. Só que não é para pensar que qualquer plantação (soja, milho, eucalipto, cana etc.) resolve. O que resolve é mata nativa; ter muitas reservas mesmo que entremeadas dessas culturas. Digo isto porque é notório, há meses, a formação de um bolsão de ar quente sobre toda a região paulista e proximidades. É ela, observando os dados meteorológicos diários, que impedem as massas úmidas de chegarem à zona central. Ou seja, essas massas acabam fazendo um desvio para o mar, beneficiando mais o litoral nordestino.        

De que vale uma pecuária e safras batendo recordes, mas com tanta gente sofrendo por um bem básico? Por isso digo: é preciso replantar águas e não se descuidar daquelas que já temos. Medidas simples devem partir de nossas casas, de nossos bairros, da nossa cidade: não poluí-las, não desperdiçá-las, reutilizá-las etc. Os proprietários rurais devem proteger as minas e os mananciais. As ocupações urbanas não deveriam ocupar os morros, nem as matas ciliares.

Em Ubatuba (SP), eu conheci estradas repletas de olhos d’água (minas), mas que foram desaparecendo conforme as edificações ganharam os espaços próximos. Quem não consegue adivinhar a razão do nome do Morro da Mina, sem nenhuma vida desde o final da década de 1970, quando se tornou um fornecedor de aterro? E a água límpida que havia no Morro da Bela Vista? E a Barra da Lagoa que era realmente uma grande e piscosa lagoa? E o que dizer da marina no Perequê-mirim construída após o aterro da linda lagoa  que ali, na desembocadura do rio, existia? Etc...etc...?

Resumidamente: precisamos ter atitudes, relembrar a frase do velho cacique americano: “Tudo o que acontecer à Terra, acontecerá aos filhos da Terra”. Talvez, em referência aos danos ambientais no município de Ubatuba, seja pertinente o questionamento do xará Ronaldo: “Não seriam os hábitos dos novos colonizadores?”. 

Está aí uma Cruzada Ambiental a ser empreendida! 

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Dominique


Opinião

As Bolsas Plebiscito de Dilma e Marina

Elio Gaspari
Marina Silva merece todos os aplausos. Anunciou em seu programa o que pretende fazer se for eleita. Ela quer criar uma "democracia de alta intensidade". O que é isso, não se sabe. Lendo-a vê-se que, sob o guarda chuva de uma expressão bonita –"democracia direta"–, deseja uma nova ordem constitucional.

Apontando mazelas do sistema eleitoral vigente, propõe outro, plebiscitário, com coisas assim: "Os instrumentos de participação –mecanismos de participação da democracia representativa, como plebiscitos e consultas populares, conselhos sociais ou de gestão de políticas públicas, orçamento democrático, conferências temáticas e de segmentos específicos– se destinam a melhorar a qualidade da democracia."

Marina parte da premissa de que "o atual modelo de democracia (está) em evidente crise". Falta provar que esteja em crise evidente uma democracia na qual elegeu-se senadora, foi ministra e, em poucas semanas, tornou-se virtual favorita numa eleição presidencial. Ela diz que nesse país em crise "a representação não se dá de forma equilibrada, excluindo grupos inteiros de cidadãos, como índigenas, negros, quilombolas e mulheres". Isso numa eleição que, hoje, as duas favoritas são mulheres, uma delas autodefinida como negra.

Marina quer "democratizar a democracia". O jogo de palavras é belo, mas é sempre bom lembrar que na noite de 13 de dezembro de 1968, quando os ministros do marechal Costa e Silva aprovaram a edição do Ato Institucional nº 5, a democracia foi a exaltada dezenove vezes. Deu numa ditadura de dez anos e dezoito dias. A candidata, com sua biografia, é produto da ordem democrática. Ela nunca a ofendeu, mas seu programa vê no Congresso um estorvo. Se o PT apresentasse um programa desses, a doutora Dilma seria crucificada de cabeça para baixo.

Marina não está sozinha com seu projeto de reestruturação plebiscitária. Durante o debate da Band, Aécio Neves criticou a proposta de Dilma de realizar uma reforma política por meio de um plebiscito, rotulando-a de "bolivariana", numa alusão às mudanças de Hugo Chávez na Venezuela. Ela respondeu o seguinte:
"Se plebiscitos forem instrumentos bolivarianos, então a Califórnia pratica o bolivarianismo".

Que todos os santos de Roma e D'África protejam a doutora. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Desde janeiro de 2010, a Califórnia fez 338 plebiscitos e aprovou 112 iniciativas. O mais famoso deles ocorreu em 1978 e tratava do congelamento do imposto sobre propriedades, associado à exigência de dois terços das assembleias estaduais para aprovar aumento de impostos. Tratava-se de responder "sim" ou "não". Deu 65% a 35% e atribui-se a esse episódio um dos maiores sinais do renascimento do conservadorismo americano (em 1980, Ronald Reagan foi eleito presidente dos Estados Unidos).

No Brasil já se realizaram três grandes plebiscitos. Em 1963 e 1993 o povo escolheu entre parlamentarismo e presidencialismo. Ganhou o presidencialismo. Em 2005, a urna perguntava: "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?" O "não" teve 64% dos votos.

A sério, um plebiscito é simples: "Sim" ou Não"? "Parlamentarismo" ou "Presidencialismo"? Essa é uma prática da democracia direta porque é simples.

A proposta de encaminhamento plebiscitário de uma reforma política só não é bolivariana porque vem a ser um truque muito mais velho que a bagunça venezuelana. Em 1934, Benito Mussolini fez a reforma política dos sonhos dos comissariados. Os eleitores recebiam uma lista de nomes com a composição do Parlamento e podiam votar "sim" ou "não". Il Duce levou por 99,84% a 0,15%.

A República brasileira não está em crise, pelo contrário. Seus poderes Executivo e Legislativo serão renovados numa eleição em que Marina vê vícios profundos, ainda que não os veja na possibilidade de ser eleita. Sua proposta de reordenamento do Estado pode encarnar a vontade do eleitorado mas, na melhor das hipóteses, dá em nada. Na pior, em cesarismo plebiscitário. 

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 02 / 09 / 2014

O Globo
"Venda de carros cai 17% apesar de estímulo a crédito"

Pesquisa do BC reduziu ainda mais a previsão do PIB para este ano, com crescimento de só 0,52%

Com a economia fraca, as vendas de automóveis caíram 17,2% em agosto, apesar das medidas do governo para estimular o crédito ao setor. Foram vendidos 272.500 veículos, segundo dados preliminares da indústria. Após o IBGE ter informado, semana passada, que o PIB recuou por dois trimestres seguidos, o mercado já estima que o país vá crescer só 0,52% este ano, segundo pesquisa do BC. Antes, a previsão era de 0,7%.

Folha de S. Paulo
"Governo reage a Marina e apoiará lei pró-igrejas"

Planalto prepara ações para tentar frear o avanço da ex-senadora nas pesquisas


O governo prepara medidas para tentar conter o avanço de Marina Silva (PSB), que empatou com a presidente Dilma (PT) na mais recente pesquisa Datafolha. As ações oficiais envolvem atender demanda de igrejas evangélicas e aproximação com empresariado. O Planalto planeja acelerar tramitação da Lei Geral das Religiões. O projeto de 2009, parado há mais de um ano no Senado, dá benefícios a entidades religiosas, entre eles tributários, hoje exclusivos da Igreja Católica. O texto é uma bandeira evangélica no Congresso. O PT quer que o ex-presidente Lula, o ex-ministro Paulo Bernardes e o ex-chefe da Casa Civil Antonio Palocci mostrem ao empresariado que um Banco Central independente evitará que recursos públicos sirvam para estimular a economia e elevará o risco de desemprego.

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segunda-feira, setembro 01, 2014

Dominique


Opinião

Por acaso existe a realidade?

Fernando Gabeira
Gosto muito de revistas. Mesmo atropeladas pela internet, não deixo de vê-las duas vezes por semana. Vou procurá-las nas bancas até o fim, caso exista mesmo um fim para esse artefato de papel que marcou minha vida, desde adolescente, quando esperava a chegada da revista “Senhor”, religiosamente, a cada mês. Nas bancas, tudo me interessa. Vejo quadrinhos porque gosto da composição audaciosa, da fluidez com que contam uma história visual.

E não consigo deixar de ler os diálogos como esse:

— Décadas atrás, tecnologia ciborgânica semelhante à sua insígnia de armas foi introduzida na minha raça para estimular nossa evolução.

Outro dia, vi à distância uma capa que diz: “A realidade não existe”. De longe, podia ser tudo: um texto religioso sobre o budismo, um perfil filosófico de Platão. Mas era uma revista científica. Se os cientistas começam a negar a realidade, o que será dos pobres mortais que já desconfiam de sua existência? Era meu dever comprar a revista para esclarecer minhas dúvidas. Nos textos internos o título abrandava a afirmação da capa: o que é o real?

Textos, editorais, entrevistas não me convenceram de que a realidade não existe. Mas não me deram nenhuma segurança se esse ônibus Usina-Leblon que vem em minha direção é uma perigosa montanha de ferro e lataria ou se é apenas resultado do meu olhar.

Compreendi, creio, as intenções dos redatores expressas logo nas primeiras linhas: o mundo existe somente quando o olhamos? Eles mostram como a ciência tem uma relação paradoxal com os fatos. Ela parte do estudo de uma realidade objetiva com a qual todos concordamos. Ao fazer isso, acaba concluindo que a essência das coisas desafia nossa experiência cotidiana.

Primeira conclusão: a realidade não está jamais onde o senso comum a espera. Quanto mais próximos dela pensamos estar, mais se distancia. Ela é um pouco como essas bonecas russas que sempre contêm uma outra.

Os cientistas simulam, modelizam esta realidade para melhor compreendê-la. É uma busca que exige não apenas ver mais longe, mas também superar nossas intuições e, em certos momentos, resistir a elas. Nesse ponto, anotei uma ressalva: confiar nas intuições tem um grande valor no autoconhecimento, eles não estavam falando de psicologia. Nossas intuições de nada valem diante da equação de Schrödinger, um dos fundamentos da mecânica quântica: uma partícula pode estar em vários lugares ao mesmo tempo. O problema, portanto, não é descrever sua trajetória, mas sua probabilidade de estar neste ou naquele lugar.

Pelo menos isso me ajudou a atravessar a rua diante do Usina-Leblon. Mas a provocação da revista não parava aí. Dizendo-se platônico, o matemático Marx Tegmark, afirmou que acreditava que o mundo real eram estruturas matemáticas:

— Pense no seu melhor amigo — diz o cientista. — E o que você ama nele, seu grande senso de humor, seu sorriso. Tudo isso pode ser traduzido em termos de interações complexas entre partículas, portanto descritíveis através de equações matemáticas.

Mark Tegmark admite, entretanto, que os grandes desafios para a ciência ainda estão na realidade psíquica e na consciência. Precisamos aproveitar este momento ainda imperfeito da ciência. Ainda podemos cantar: “A vizinha quando passa com seu vestido grená”. No futuro, uma fórmula matemática pode expressar este verso.

De todas as audácias que driblam nossa intuição, achei mais razoável a ideia de que não existe o universo, mas sim multiversos. O matemático justifica sua tese: não há nenhuma garantia de que o Big Bang tenha produzido apenas o universo. O nosso estaria apenas na região esférica do espaço que a luz teve tempo de atingir com o Big Bang, há cerca de 13 bilhões de anos.

A própria teoria da inflação que produziu o Big Bang sugere que ela não se deteve numa só explosão, mas produziu muitas outras. Finalmente, apareceu ao longo dos textos um jornalista para nos questionar mais diretamente: “Você já viu um elétron?” Ninguém jamais viu um elétron. As partículas elementares da matéria são caracterizadas pelos efeitos que produzem. Sabemos descrevê-los matematicamente, mas sua natureza íntima nos escapa.

De novo, o Usina-Leblon: a massa azulada se aproxima, vejo o rosto tenso do motorista, que não posso reduzir a uma fórmula matemática, mas conheço os efeitos que ele produz. Corro e tenho e a impressão de que o motorista me xingou. Compreendo sua raiva e a desculpo: ele pensa que existe, assim como existem essa massa compacta chamada ônibus e um maluco com revistas debaixo do braço cruzando seu caminho.

Artigo publicado no Segundo Caderno do Jornal O Globo em 31/08/2014

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 01 / 09 / 2014

O Globo
"País tem que investir o dobro para levar água e esgoto a todos"

Universalização prevista em plano para 2033 custaria mais de R$ 12 bilhões ao ano

Estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), entregue aos presidenciáveis, mostra que, se mantidos os investimentos atuais, objetivo só seria alcançado em cinco décadas. O Brasil terá que investir mais de R$ 12 bilhões por ano para atingir a meta de universalizar o sistema de água e esgoto no país até 2033, como previsto no Plano Nacional de Saneamento Básico, segundo estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O valor é o dobro do que o governo gasta atualmente. De acordo com a pesquisa, entre 1995 e 2011, a média anual destinada à ampliação da capacidade de água e esgoto foi de R$ 6,3 bilhões. Nesse ritmo, a universalização ocorreria apenas em 50 anos.

Folha de S. Paulo
"Airbus culpa pilotos, TAM e Infraero pela tragédia em 2007"

Em processo na Justiça sobre o acidente do avião A320 em 2007, a Airbus afirmou que os pilotos, a TAM e as condições do aeroporto de Congonhas são os responsáveis pela tragédia, informa Ricardo Gallo. O avião passou da pista e explodiu ao bater em prédio. Com 199 mortos, foi o maior desastre de uma empresa brasileira. (...) A empresa afirmou que a desorganização da TAM e da aviação civil no Brasil também colaboraram. Os envolvidos não se manifestaram sobre o processo.


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domingo, agosto 31, 2014

Dominique


Opinião

Marina e as mudanças

O ESTADO DE S.PAULO
É razoável supor que a significativa reviravolta na campanha eleitoral provocada pela trágica e imprevisível morte de Eduardo Campos e sua substituição por Marina Silva seja o resultado da maior identificação da nova candidata do PSB à Presidência com o desejo de mudança claramente captado por todas as pesquisas de opinião realizadas a partir das manifestações populares de junho de 2013.

Não se trata aqui, contudo, de investigar as razões pelas quais Marina Silva foi capaz de, desde logo, multiplicar por três as intenções de voto que indicavam a candidatura de Campos fora do segundo turno, colocando-se agora, ela própria, na condição de favorita numa votação final, seja qual for seu oponente. O que importa é procurar entender até que ponto esse fenômeno eleitoral, se vier a se confirmar, será realmente capaz de mudar o futuro do País.

Marina Silva se apresenta como alternativa à polarização PT-PSDB que há duas décadas domina o cenário político nacional e tenta se credenciar para esse desafio com uma proposta de mudança que se consubstanciaria numa "nova política" capaz de elevar o padrão ético e de eficácia na gestão da coisa pública. Não é pouca coisa e é impossível de imaginar que algum cidadão bem-intencionado possa se opor a tão elevado propósito, mesmo que ainda não se conheça sua tradução num programa de governo claramente definido. Resta saber de que condições objetivas a candidata do PSB disporá para enfrentar o nada fácil desafio de transpor para o plano da realidade aquilo que fica tão bem no das intenções.

A implantação bem-sucedida de qualquer programa de governo e sua instrumentalização no aparato governamental - especialmente de um plano que se propõe a desenraizar práticas nefastas consagradas através dos tempos - exigem dois pré-requisitos essenciais: apoio político em seu sentido mais amplo e a existência de quadros técnicos competentes e comprometidos com a excelência da gestão pública.

Um chefe de governo recém-eleito conta, por definição, com o apoio político da maioria da sociedade. Mas, na democracia representativa, para a efetivação de mudanças é indispensável também o apoio político dos representantes do povo e dos Estados que compõem o Poder Legislativo. Não é por outra razão que, quando não tem disposição, competência e coragem para contrariar interesses estabelecidos, o "presidencialismo de coalizão", que é o que temos, torna o Poder Executivo refém do fisiologismo.

O apoio proativo de uma sociedade dotada de informação e discernimento é geralmente suficiente para induzir à correção dos desvios de rota do poder público. As manifestações de junho do ano passado demonstram o potencial dessa prática. Mas a "voz das ruas" nem sempre está disponível, até porque o cidadão, por mais politizado que seja, tem de atender a outras prioridades em seu cotidiano. Somente uma conjugação especial e imponderável de circunstâncias ou de situações-limite de instabilidade social são capazes de "colocar o povo nas ruas" para fazer mudanças. E isso raramente ocorre sem danos irreparáveis à democracia.

Por outro lado, um programa ambicioso de mudanças como o que Marina Silva anuncia depende fortemente da existência de quadros técnicos suficientes e competentes para implementá-lo. Não é, certamente, no âmbito apenas dos partidos que a apoiam que ela encontrará todo o elenco de profissionais à altura do desafio de fazer o governo funcionar. Menos mal que, sabedora dessa carência e aparentemente disposta a substituir o atual compadrio desmedido pela meritocracia, Marina tem acenado com a intenção de recrutar profissionais competentes onde quer que estejam, independentemente de filiação partidária.

Cravar com sucesso no Planalto a bandeira de uma genuína "nova política" é desafio que, além dos pré-requisitos do apoio político e técnico, exige também extraordinária capacidade de articulação e conciliação, de estabelecer o exato ponto de equilíbrio na delicada tarefa de adequar meios a fins - de governar, enfim. A dificuldade para o exercício da conciliação talvez seja a maior vulnerabilidade de Marina Silva. A primeira mudança essencial de que necessita o País, afinal, é o fim da divisão do Brasil entre "nós e eles".

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 31 / 08 / 2014

O Globo
"Onda de mudança se repete nos estados"

Dos 17 governadores que tentam a reeleição, apenas cinco lideram as pesquisas

Situação atual contrasta com a de 2010, quando 13 dos 18 chefes de Executivos regionais conseguiram ficar no poder. Sete candidatos com apoio dos atuais mandatários também estão em desvantagem nos levantamentos.

Folha de S. Paulo
"Marina fatura R$ 1,6 milhão com palestras em três anos"

A candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, abriu, em março de 2011, uma empresa para proferir palestras e faturou RS 1,6 milhão com a atividade até maio deste ano

O valor de sua principal fonte de renda desde que deixou o Senado, em 2010, era mantido sob sigilo, informam Aguirre Talento e Fernanda Odilla. Ela chegou a pedir a entidades para não divulgar o seu cachê. Marina, que revelou seus rendimentos apôs pedido da Folha, mantém em sigilo a identidade dos clientes. Os ex-presidentes Lula e FHC também fazem segredo sobre seus clientes e os valores de seus honorários. Marina já firmou 65 contratos e fez 72 palestras remuneradas. O faturamento bruto da empresa lhe rendeu, em media, K$ 41 mil ao mês. O valor é mais que o dobro dos RS 163 mil (brutos e sem correção pela inflação) que recebia como senadora. 

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