sábado, agosto 30, 2014

Dominique


Opinião

Recessão e incompetência

O ESTADO DE S.PAULO
Está confirmado oficialmente: a presidente Dilma Rousseff conseguiu levar o Brasil a uma recessão, com dois trimestres consecutivos de produção em queda. Depois de encolher 0,2% no primeiro trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) diminuiu mais 0,6% no período de abril a junho. Mas o governo, além de trapalhão, foi criativo na incompetência. Enfiou a economia brasileira no atoleiro enquanto os países desenvolvidos, com Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido à frente, começavam a vencer a crise. Mas quem, na cúpula federal, se dispõe a reconhecer o desastre e sua causa, o rosário de erros agravados a partir de 2011? A presidente Dilma Rousseff e seus ministros continuam culpando o mundo pelo desempenho brasileiro abaixo de pífio. Esse mundo malvado só existe como desculpa chinfrim para um fiasco indisfarçável. O comércio internacional voltou a crescer, a China continua comprando um volume enorme de matérias-primas e até os países mais afetados pela crise global, como Espanha, Portugal e Grécia, saíram da UTI e estão em movimento. Mesmo em desaceleração, outros emergentes estão mais saudáveis que o Brasil.

No segundo trimestre, o PIB dos Estados Unidos cresceu em ritmo equivalente a 4,2% ao ano. A rápida melhora da maior e mais desenvolvida economia é boa notícia para todo o mundo, mas desmente a lengalenga da presidente Rousseff e de sua equipe. O crescimento americano foi puxado, principalmente, pelo investimento produtivo, base para novos avanços.

No Brasil ocorreu o contrário. O investimento em máquinas, equipamentos, instalações e infraestrutura foi 5,3% menor que no primeiro trimestre do ano e 11,2% inferior ao de um ano antes. No segundo trimestre de 2013, o total investido correspondeu a 18,1% do PIB. Outros emergentes têm exibido taxas frequentemente acima de 24%. Mas o governo ainda conseguiu piorar esse indicador, derrubando a formação bruta de capital fixo para 16,5% do PIB. Foi uma taxa igual à do segundo trimestre de 2009, quando o Brasil estava em recessão, arrastado - naquele momento, sim - pela crise global.

O governo é obviamente culpado pela indigência na formação de capital fixo. Os seus erros prejudicam as ações oficiais - o fiasco do Programa de Aceleração do Crescimento é uma prova disso - e ainda criam insegurança entre os empresários. Empresário assustado com as intervenções do governo e muito inseguro quanto à evolução da economia só investe em máquinas, equipamentos e instalações se for irresponsável.

O investimento baixo e ainda em queda compromete o potencial de crescimento econômico. A recessão no primeiro semestre é parte de um desastre incompleto e ainda em curso. A produção industrial diminuiu 1,5% no trimestre e ficou 3,4% abaixo da de um ano antes. No Brasil, a indústria é a principal fonte de empregos decentes e o mais poderoso motor para o conjunto da economia. Há anos o governo tem cuidado muito mais do consumo que do investimento e, de modo especial, do fortalecimento da indústria. O resultado é inconfundível.

A criatividade na incompetência é evidenciada também pela combinação de baixo crescimento com inflação elevada e contas públicas em deterioração. Em julho, o setor público teve déficit primário de R$ 4,7 bilhões. Pelo terceiro mês consecutivo esse indicador ficou no vermelho. Isso é uma enorme anomalia. Incapaz de equilibrar suas contas, o governo tem-se comprometido, há muito tempo, a separar pelo menos o dinheiro suficiente para pagar juros e estabilizar ou reduzir sua dívida. Esse dinheiro posto de lado é o superávit primário.

A equipe econômica prometeu um resultado primário de R$ 99 bilhões para todo o setor público. O governo central - Tesouro, Previdência e Banco Central - deveria contribuir com R$ 80,7 bilhões. Até julho, o governo central acumulou apenas R$ 13,47 bilhões. O setor público total, R$ 24,68 bilhões. Alcançar a meta, só com muita criatividade e muitos truques. O desastre fiscal combina os efeitos de dois fracassos - da política econômica em geral e, de modo especial, dos incentivos tributários concedidos a setores selecionados. Não funcionaram.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 30 / 08 / 2014

O Globo
"PIB cai 0,6% no 2° trimestre e Brasil enfrenta recessão"

Investimento e indústria têm forte perda

Crise foi interna, com queda de 1,6% na demanda. Recuo do Brasil só não foi pior que o da Ucrânia. Mantega culpa cenário externo, Copa e seca. O PIB brasileiro caiu 0,6% entre abril e junho, na comparação com o trimestre anterior. E, ao revisar os dados para o desempenho da economia no primeiro trimestre, o IBGE agora apurou retração de 0,2%. Com dois períodos seguidos de queda no PIB, o Brasil teve recessão técnica. Só o consumo das famílias e a agropecuária avançaram. A indústria amargou perda de 1,5%, e os investimentos recuaram 5,3%, ambos no pior desempenho desde 2009, auge da crise global.

Folha de S. Paulo
"Marina cresce e empata com Dilma"

Candidata do PSB sobe 13 pontos e chega a 34%, mesmo número da petista, mostra Datafolha; Aécio cai para 15%

Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) estão empatadas com 34% das intenções de voto, cada uma, na corrida à Presidência. É o que mostra pesquisa Datafolha finalizada ontem (29). No segundo turno, Marina seria eleita com dez pontos percentuais de vantagem em relação à atual presidente: 50% contra 40%. O cenário mostra o fortalecimento da candidatura da ex-ministra. No levantamento anterior, há duas semanas, Dilma tinha 36%, e Marina, 21% dos votos do eleitor no primeiro turno.

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sexta-feira, agosto 29, 2014

Contornando a chuva...


Coluna do Celsinho

Recessão

Celso de Almeida Jr.

Acabo de ler que o Brasil entrou em recessão técnica.

Isso em função da queda do PIB por dois trimestres seguidos.

O PIB, Produto Interno Bruto, revela a soma dos bens e serviços produzidos pelas pessoas físicas, empresas e governos - trimestralmente - e é calculado pelo IBGE.

Uma diversificada lista de produtos e de atividades econômicas é analisada para consolidá-lo.

E, a má notícia, é que o consumo e os investimentos diminuiram e as empresas tendem a demitir.

Em plena campanha eleitoral, isso dará o que falar.

A candidatura oficial reforçará que isto é um retrato dos últimos seis meses e que a situação já está sendo revertida.

Da oposição, naturalmente, teremos reação forte.

Aos pacientes leitores, que brindam-me com semanal atenção, recomendo providenciar novo cofrinho.

Em dias nebulosos, as moedinhas poderão garantir o leitinho das crianças.

Quem avisa, verdadeiramente, amigo é.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique


Opinião

Petrobrás na campanha

O ESTADO DE S.PAULO
Dilma Rousseff, candidata à reeleição, anda reclamando de "ataques" à Petrobrás. "Eu acho extremamente equivocado colocar a maior empresa da América Latina, sempre durante a eleição, como arma política", afirmou recentemente. Para ela, a instituição "está acima" de escândalos. Mas não é a oposição ou a imprensa que ataca a Petrobrás, como quer dar a entender a candidata à reeleição. O ataque à maior estatal brasileira está continuamente vindo do próprio governo, ao envolver a Petrobrás em "erros, malfeitos, crimes, atos de corrupção", conforme listagem da própria candidata.

O episódio mais recente, que fez Dilma voltar ao tema, é a possibilidade de o ex-diretor Paulo Roberto Costa, preso por suspeita de corrupção, utilizar o recurso da delação premiada: falar o que sabe em troca de diminuição da pena. Atualmente, a Operação Lava Jato, da Polícia Federal, investiga 13 empresas ligadas a Costa que, segundo a Procuradoria da República, obtiveram "vertiginoso acréscimo patrimonial" na época em que ele foi diretor da Petrobrás.

Nas palavras da candidata, "a Petrobrás é muito maior do que qualquer agente dela, seja diretor ou não, que cometa equívocos (...) isso não significa uma condenação da empresa. Não se pode confundir as pessoas com as instituições". Não se está fazendo essa confusão nem condenando a Petrobrás. O País quer é responsabilizar pessoas pelos "erros, malfeitos, crimes, atos de corrupção" que possam ter cometido.

Se houve confusão entre pessoas e instituições, foi a própria candidata quem a fez. Em seu característico estilo, Dilma pontificou: "Veja bem, ó: a Graça Foster e a diretoria inteira da Petrobrás representam a União. (...) É de todo interesse da União defender a Petrobrás, a diretoria da Petrobrás". Aqui, se tratava de outro escândalo - Dilma e sua turma têm sido pródigas em proporcionar escândalos envolvendo a estatal -, quando se revelou que Graça Foster havia transferido imóveis para os filhos em meio à crise sobre a Refinaria de Pasadena. Neste caso, a candidata à reeleição tinha todo interesse eleitoral em que a estrutura do Estado - o Ministério da Justiça e a Advocacia-Geral da União - fosse utilizada para agir em favor de diretores cuja atuação na Petrobrás está sendo estudada pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Quando lhe interessa calar, Dilma utiliza o cargo de presidente da República como motivo para silenciar. "Eu não tenho o que comentar sobre a decisão de uma pessoa presa fazer ou não delação premiada, isso não é objeto do interesse da Presidência da República." Mas ela se adiantou na defesa de Graça Foster, quando esta corria o risco de ter seus bens bloqueados pelo TCU. A candidata disse que seria um "absurdo" o bloqueio dos bens da presidente da Petrobrás. Absurdo seria o País ter de engolir inerme uma operação que, segundo o TCU, gerou prejuízo de R$ 792,3 milhões à estatal.

A candidata Dilma não faz reparos a que a Petrobrás esteja presente na campanha eleitoral. Em 2010, ela utilizou largamente a estatal e a descoberta do pré-sal como matéria política. O que ela não gosta - como se vê pelas suas falas - é que informação independente sobre a Petrobrás, sem os filtros do governo, chegue ao público nesse momento pré-eleitoral. Mas isso, longe de ser um ataque contra a Petrobrás, é a sua mais genuína defesa, especialmente quando aqueles que deveriam fazê-lo não o fazem.

Não é a Petrobrás, mas o governo que está sendo julgado, o que é legítimo - e desejável - numa democracia. As eleições devem ser uma prestação de contas sobre o que foi feito e como foi feito pelo governo. E ninguém mais do que Dilma pôs a Petrobrás nessas eleições ao reconhecer, em março, que a sua decisão de aprovar a compra da Refinaria de Pasadena tinha como base um parecer "técnica e juridicamente falho". Ela mesma, com suas ações e palavras, desconstruiu a imagem eleitoreira de que seria uma eficiente gestora. Por isso, a Petrobrás - e seus sempre prejudicados acionistas minoritários - tem todo o interesse em estar nas eleições. É sua chance de conseguir outros gestores.

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 29 / 08 / 2014

O Globo
"Programa de Marina deve tirar prioridade do pré-sal"

Candidata se encontra com usineiros e promete investir em etanol, se eleita

Proposta que será apresentada hoje prevê também que Mercosul terá menos importância que acordos bilaterais, manutenção do tripé da economia e investimento de 10% das receitas da União em Saúde. 

Folha de S. Paulo
"Marina defende usineiros e acena ao agronegócio"

Candidata busca aproximar-se de setor, com o qual teve relação atribulada; Dilma diz que oposição faz ‘campanha da mentira’, e Mantega critica rivais

Em visita a uma feira do setor sucroalcooleiro na região de Ribeirão Preto (SP), a candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, adotou discurso pró-usineiros. Ela disse que, se for eleita, buscará corrigir políticas “equivocadas” do governo Dilma Rousseff (PT). Segundo Marina, os usineiros “fizeram o dever de casa, se ajustaram”, mas não tiveram apoio da presidente.

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quinta-feira, agosto 28, 2014

Dominique


Opinião

A ascensão se consolida

O ESTADO DE S.PAULO
Nestas cinco semanas e quatro dias até as eleições, a menos que Marina Silva dê um tiro no pé daqueles irremediáveis ou se descubra a seu respeito um segredo que arruíne a sua imagem pública, a candidata tenderá a assegurar presença no segundo turno que provavelmente decidirá a eleição presidencial. Não é de excluir que a ex-senadora filiada ao PSB apareça nas pesquisas finais em situação até melhor do que lhe deu a do Ibope/Estado/TV Globo publicada ontem, na qual perde para Dilma por apenas 5 pontos (34% a 29%) e supera pelo dobro disso o tucano Aécio Neves (com 19%).

Anteontem ela enfrentou o primeiro teste aos olhos do eleitorado - o debate na TV Band. Não que ela tenha saído do confronto coberta de glórias - o que tampouco foi o caso dos demais -, porém mostrou firmeza no ataque e agilidade na defesa. Logo no início, invocou deliberadamente as manifestações de junho do ano passado para cobrar da presidente o fracasso dos pactos que havia prometido para aplacar o clamor por mudanças. Ao ouvir da adversária que "nós acreditamos que tudo deu certo", denunciou que o "Brasil cinematográfico" da propaganda oficial é uma ficção. Depois, criticada por Aécio pelo fato de se recusar a subir ao palanque de Geraldo Alckmin em São Paulo, apoiado pelo PSB, enquanto cita o também tucano José Serra como um nome a quem poderia recorrer se eleita, retrucou, no papel de candidata da mudança: "A polarização PT-PSDB já deu o que tinha que dar".

Hoje decerto se discutirá como ela se saiu na prova de fogo da entrevista aos severos apresentadores do Jornal Nacional, da qual Aécio, o então candidato Eduardo Campos e, notadamente, Dilma saíram chamuscados. Se não tiver dado vexame, tudo indica que o resto virá por gravidade.

Os números do Ibope e o desempenho de Marina no debate inaugural sugerem, de um lado, que a sua ascensão está longe de ser fruto exclusivo do impacto emocional provocado pelo desaparecimento do titular de sua chapa - fadado a se dissipar com o correr do tempo -; de outro, desmentem que ela carece de musculatura para brigar com Dilma e Aécio ao mesmo tempo. Seu patrimônio eleitoral, na realidade, era já robusto há cinco meses, quando o Datafolha simulou uma disputa com Marina no lugar de Eduardo. Dilma teve 39% das intenções de voto; Aécio, 16%; e Marina, 27%. Ou seja, 6 pontos a mais do que viria a receber na sondagem do mesmo instituto logo após a morte do governador.

Agora, os números do Ibope, coerentes com os levantamentos privados dos dias anteriores, respaldam a avaliação de que aquele resultado estava aquém do potencial da candidata. Este se mede não apenas pelos apoios obtidos, mas também pelos seus índices de rejeição. Em abril, para ter ideia, 21% dos entrevistados disseram que não votariam nela "de jeito nenhum" (ante os 33% de Aécio e de Dilma). Agora, os marinafóbicos são apenas 10% (ante 18% e 36%, respectivamente). O crescimento da ex-ministra parece espelhar a redução, da ordem de 10 pontos, do contingente de indecisos ou propensos a invalidar o voto. Mais: em abril, os dados diziam que só Marina tinha cacife para levar a eleição para o segundo turno. Agora, antes mesmo da oficialização de sua candidatura, ficou claro que a rodada final era inevitável.

Pondo de ponta-cabeça o cenário tido como consolidado de um desfecho entre Dilma e Aécio, eis que Marina prevalece. No Datafolha, com 4 pontos sobre a presidente (no limite da margem de erro); no Ibope, com nada menos que 9.

Seria leviandade sugerir, quando não sustentar, que a eleição acabou. É inegável que a situação ficou muito difícil para Aécio. Era quem mais tinha a perder com o movimento migratório pró-Marina. Dilma, afinal, tem razoável capital eleitoral e grandes recursos de poder. O que não se vislumbra - à parte o imprevisível - é o que poderia levar Marina a perder parte dos apoios que tomou de todos e dos que a todos se opunham, a ponto de repor a disputa nos trilhos dos quais não se imaginava, antes da tragédia do Boqueirão, que pudesse se desviar. Já o segundo turno, como se diz, "é uma outra eleição".

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 28 / 08 / 2014

O Globo
"Escândalos na Petrobras: Maioria no TCU livra Graça de bloqueio de bens"

Cinco dos nove ministros votaram contra punição a presidente da estatal

Julgamento sobre prejuízos na compra da refinaria de Pasadena foi suspenso após pedido de vista. Cinco dos nove ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) votaram ontem contra o bloqueio de bens da presidente da Petrobras, Graça Foster, mesmo após a revelação de que ela transferiu imóveis para seus filhos depois do escândalo com a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA. Outros dois foram favoráveis ao bloqueio, mas o julgamento foi interrompido após um pedido de vista. Apesar de não ter os bens bloqueados, a presidente da estatal foi incluída na lista dos que podem ser responsabilizados ao fim da apuração do caso. A presidente Dilma disse que o TCU “fez justiça" ao não punir Graça. 

Folha de S. Paulo
"Presidente do BB pagou multa para se livrar da Receita"

Evolução do patrimônio de Aldemir Bendine foi alvo de investigação do fisco; executivo nega haver ilegalidade

O presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, pagou multa de RS 122 mi à Receita Federal em 2012 para se livrar de questionamentos sobre a evolução de seu patrimônio e a compra de apartamento com dinheiro vivo, informa Leonardo Souza. A aquisição foi revelada pela Folha em 2010. 

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quarta-feira, agosto 27, 2014

Dominique


Opinião

O custo da pressa eleitoral

O ESTADO DE S.PAULO
Só a combinação de improvisação, incapacidade administrativa, insuficiência técnica e, sobretudo, avidez por resultados político-eleitorais pode explicar as dificuldades que a administração do prefeito Fernando Haddad vem encontrando para elaborar e executar projetos que não sejam barrados por falhas relevantes pelo Tribunal de Contas do Município (TCM) - e até pela Justiça, como no caso do pretendido aumento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

Em sua mais recente decisão preventiva, destinada a evitar o desperdício de recursos públicos, o TCM suspendeu a licitação por meio da qual a Prefeitura paulistana pretendia contratar 32 empresas para fazer reformas de escolas, creches, postos de saúde e outros prédios onde funcionam serviços municipais. A suspensão havia sido pedida pelo Ministério Público Estadual (MPE), que apontou irregularidades nos critérios para a contratação dessas empresas. O valor dos contratos é de cerca de R$ 100 milhões.

Esta já é a quinta licitação anunciada pela administração Haddad suspensa pelo TCM em pouco mais de um ano e meio. Por diversos motivos, o órgão encarregado de fiscalizar e controlar o uso do dinheiro dos contribuintes paulistanos já barrou projetos que somam R$ 6 bilhões, ou 12% de todos os gastos previstos no orçamento municipal para este ano.

Ironicamente, a nova suspensão foi determinada pelo conselheiro João Antonio, que já foi secretário de Relações Governamentais de Haddad, que o indicou para a função contrariando decisão do diretório municipal do partido de ambos, o PT. A decisão poderá ter custos para o partido, pois a licitação permitiria a execução de obras nas 32 subprefeituras - com amplos efeitos eleitorais, portanto.

De acordo com as regras definidas pela Prefeitura, cada empresa ficaria à disposição do subprefeito para realizar obras sem necessidade de licitação específica para cada serviço. Em tese, isso daria maior fluidez às ações municipais, pois, em média, um processo de licitação para pequenas reformas pode demorar até seis meses.
As empresas seriam remuneradas de acordo com uma tabela fixa de preços de materiais, como cimento, tijolo, aço e outros. O MPE entendeu, porém, que cada serviço deve ter seu valor determinado por uma pesquisa dos preços do mercado, como determina a Lei de Licitações, daí sua objeção.

Como em decisões anteriores do TCM suspendendo licitações, a Prefeitura defendeu-se alegando não ter havido irregularidades na maneira como vinha encaminhando o processo de licitação, mas apenas detalhamento mais preciso dos projetos. A assessoria do prefeito Fernando Haddad argumentou que as restrições do TCM decorrem do fato de que, nos últimos dois anos, São Paulo passou a dispor de "um volume de projetos muito maior do que nos oito anos anteriores".

Ainda que a justificativa fosse procedente - o que, dado seu tom grandiloquente, soa pouco provável -, entre o anúncio de um projeto e sua execução vai uma grande distância, que a gestão petista, na capital paulista e em nível federal, não tem conseguido percorrer com um mínimo de eficiência.

Veja-se o caso do maior, em valor, dos projetos paralisados pelo TCM. Trata-se da construção de 150 quilômetros de corredores de ônibus, promessa de campanha de Haddad que, se cumprida, se tornaria uma das principais realizações de sua administração. Poderia até ser apresentada por petistas que concorrem a cargos executivos como modelo de eficiência da gestão do partido. Trata-se de um projeto de R$ 4,7 bilhões que está parado por falta de projeto básico e da definição da origem dos recursos para executá-lo. Ou seja, não se sabe exatamente o que será feito nem com que dinheiro.

O TCM também paralisou licitações de valor menor, mas igualmente com falhas graves, como a da nova inspeção veicular (por falta de planilha de custos e de estudos de impacto sobre o orçamento, além de infringência de dispositivos legais) e a da compra de 846 câmeras para monitorar o trânsito (por falta de identificação dos pontos em que elas serão instaladas, entre outros motivos).

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 27 / 08 / 2014

O Globo
"Marina se distancia de Aécio e venceria Dilma no 2º turno"

No Ibope, entrada de candidata do PSB muda quadro da disputa eleitoral

Duas semanas após a morte de Eduardo Campos, sua substituta já aparece com 29% das intenções de voto contra 34% da petista e 19% do tucano. Pesquisa do Ibope divulgada ontem mostra mudança do quadro eleitoral apenas duas semanas após a morte de Eduardo Campos (PSB) num acidente de avião. Marina Silva, que o substituiu, já aparece na segunda colocação, com 29% das intenções de votos, abrindo vantagem de 10 pontos sobre o tucano Aécio Neves. A presidente Dilma continua liderando no primeiro turno e tem hoje 34%. Numa simulação de segundo turno entre ela e Marina, porém, a ex-senadora venceria por 45% a 36%. Já contra Aécio, Dilma hoje seria reeleita. Aliados da candidata do PSB comemoraram, enquanto o tucano e a petista minimizaram o resultado da pesquisa, encomendada pela Rede Globo e por “O Estado de S. Paulo”.  

Folha de S. Paulo
"Marina venceria Dilma no 2º turno, mostra Ibope"

No 1º turno, petista tem 34%, candidata do PSB soma 29%, e Aécio, 19%

Pesquisa do instituto Ibope mostra que, se o segundo turno da eleição presidencial fosse hoje, Marina Silva (PSB) venceria Dilma Rousseff (PT) por 45% a 36%. No primeiro turno Marina soma 29%, cinco pontos a menos que Dilma e dez a mais que Aécio Neves (PSDB). A margem de erro da pesquisa, encomendada pelo jornal “O Estado de S. Paulo” e pela Rede Globo, é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Com isso, não há hipótese de empate entre Dilma e Marina ou entre Marina e Aécio nos cenários pesquisados. Pela primeira vez, o governo fala em risco de derrota de Dilma na eleição. O PT está em alerta e avalia tática para enfrentar Marina. No PSDB, o avanço de Marina já era esperado — para tucanos, essa era “a semana” da ex-senadora. No PSB, a ordem é evitar euforia. Pesquisa Datafolha realizada logo após a morte de Eduardo Campos indicou 36% para Dilma. Com 21% e 20%, Marina e Aécio estavam em empate técnico. No segundo turno, Marina aparecia com 47%, e Dilma, com 43%, também empatadas tecnicamente. 

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terça-feira, agosto 26, 2014

Pitacos do Zé


Educar é...

José Ronaldo dos Santos
Na escola estadual do Perequê-mirim, cujo nome homenageia a querida professora Flora (Florentina), o tema deste ano (2014) é a cultura caiçara. Sábado, 23/8, na parte da manhã, mais uma etapa foi apresentada à comunidade.
          
A programação iniciou com o Ezequiel, do Sertão da Quina, contando uma história que ele resgatou da tradição oral, lá no seu bairro. Em outra ocasião eu entrarei em detalhes do que se perpetuou a respeito do Anjo Mau, um lugar da Serra do Mar.

Em seguida, Seo Higino, criador de mexilhão da Barra Seca, juntamente com o Élder Giraud, da Enseada, dando uma aula de como acontece os primeiros passos dessa atividade, destacou a importância dos alunos e da escola em promover esse tipo de aula, essa forma de educar. Afinal, além de fonte alimentar e econômica, o marisco (mexilhão) também contribui para a saúde do mar. “Comer marisco sempre fez parte da nossa cultura”.

Prosseguindo as apresentações, veio um grupo de alunos, animado pela professora Célia, narrando e cantando a Lenda do Boi de Conchas. Depois, enquanto na cozinha o  lambe-lambe (arroz com marisco) entrava na reta final de preparo, ainda houve tempo para apreciar a exposição dos trabalhos referentes ao tema, conversar com os pais e assistir a uma partida de futebol na quadra.

Finalizando, saboreamos o delicioso almoço, conversamos e rimos bastante. Coisa boa! Saldo muito positivo!  Viva todo o pessoal que nos deu mais um exemplo de educação contextualizada! "Enquanto os políticos e alguns níveis da hierarquia educacional exercem a demagogia, nós avançamos na pedagogia, vamos fazendo caminhos (métodos)". São momentos assim, repletos de pessoas especiais, que me recorda a frase do Wladimir Ghika: "A perfeição moral consiste em fazermos sob a inspiração do amor o que faríamos por exigência do dever". Por enquanto é só. Agora vou continuar embalado pelo canto da (o) sabiá-laranjeira no pé de carambola do meu quintal. Bom dia mesmo!

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Dominique


Opinião

Lúcia no céu com diamantes

Fernando Gabeira
De uma certa forma, foi um papo cabeça, pois tratou do cérebro. Fui entrevistar a neurocientista Lúcia Willadino Braga e mostrar como funciona a rede Sarah. O Sarah é um hospital público de excelência que recebe ricos e pobres. Lúcia é sua diretora e foi convidada pelos árabes para trabalhar lá, com orçamento ilimitado para suas pesquisas. Recusou. Num dos intervalos da entrevista, Lúcia mostrou sua pesquisa inédita. Ela mapeou o funcionamento do cérebro de um analfabeto aprendendo a ler.

O resultado, na tela do computador, são algumas formas coloridas do cérebro. Ele mostra como o sangue iluminou uma área quando se tratava de aprender as letras. Mais tarde, duas marcas luminosas indicavam novos pontos de funcionamento do cérebro, para a sintaxe e a gramática.

Comentei com Lúcia o caso de uma neurocientista americana que sofreu um acidente e conseguiu, com o tempo, usar a parte incólume do cérebro para cumprir as funções do lado atingido. Disse que me encantava com a plasticidade do cérebro. Em 90, a ONU criou a Década do Cérebro para estimular os estudos nessa área. Cheguei a comprar uma enciclopédia do cérebro: “The Oxford companion to the mind”. O autor do verbete plasticidade do cérebro não gosta dessa expressão. Ele diz que plasticidade se refere a coisas e o cérebro é um organismo vivo e em constante transformação. Não importa o termo, o mais importante é a opinião de Lúcia: é possível aprender até a morte, há sempre pontos a serem iluminados naquele labirinto que, em certas representações virtuais, parece um quadro abstrato. Voltei otimista com o futuro do meu cérebro. Fui otimista, nos últimos anos de política, quando tratava de assuntos internacionais. Com a ascensão da China, pensei em aprender o mandarim. Cheguei a descobrir um curso em Copacabana.

Hoje poderia estar estudando mandarim em Copacabana. Mas não estou. Saltei fora. Mesmo acreditando na elasticidade do cérebro não posso fugir dos limites do tempo que resta. Optei por um livro em três volumes chamado “Tempo e narrativa”, de Paul Ricoeur. Vale um semestre de mandarim.

A segunda limitação é mais prosaica. A idade exige uma certa atenção com objetos que insistem em desaparecer quando precisamos deles. Uma vez disse que se houvesse vida depois da morte gostaria de saber para onde foram todas as canetas que perdi. Hoje, mais velho, creio que usaria a vida eterna para desvendar também o elo entre as canetas, as chaves e os óculos que não só desaparecem sistematicamente, como, ao que tudo indica, associam-se para esta prática que nos atormentou na Terra. Uma prova de que estão mancomunados é o fato de uma delas aparecer quando você está procurando precisamente a outra. Não é um acaso. A observação cotidiana sugere que funcionam como uma verdadeira unidade de guerrilha, enviando uma vanguarda só para despistar.

Com os tempos modernos, as canetas perderam importância. Mas as chaves e os óculos continuam por aí a mostrar que conseguem desaparecer mais vezes e por mais tempo com o passar dos anos.

Nos últimos anos, com o próprio interesse crescente pelo cérebro, surgiram inúmeros livros dedicados à memória com táticas, exercícios e dietas para prolongá-la. Como esqueço das coisas antes mesmo da Década do Cérebro, desenvolvi um método tosco para lembrar. Por que esquecemos algumas coisas e não outras? Você diria, Freud explica. Mas temo que os ardis da memória transcendam às próprias teorias da psicanálise. Tinha, por exemplo, a tendência a esquecer o nome do pianista de jazz Keith Jarrett. Depois de muito pensar, cheguei à conclusão de que era por causa do th que me obrigava a colocar a língua no céu da boca. Era um tipo de preguiça inconsciente que acabava me dando mais trabalho. Como é mesmo o nome dele? Escritores costumam ter uma angústia comum em noite de autógrafos: lembra meu nome? Vão carregar essa angústia enquanto fizerem noites de autógrafos. Depois dessa conversa no Lago Norte, lembrei-me do autor de origem portuguesa António Damásio, que escreveu, entre outros, “O erro de Descartes”, mostrando que não existe um raciocínio puro sem conexão com o corpo e as emoções.

E percebi como é limitado supor que o cérebro se ilumina apenas com conexões racionais. Lembrei-me do velho médico do filme “Morangos silvestres”, de Ingmar Bergman, muito bem-sucedido na carreira a ponto de receber uma homenagem na Catedral de Lund pelo seu trabalho. Na noite em que recebeu a homenagem, compreendeu que sua vida era vazia por falta de um elo sentimental com as pessoas mais próximas. Os momentos de emoção que viveu em poucas horas o fizeram ver uma sequência de afetos que simplesmente ignorou durante a vida. Se Lúcia fizesse um mapa do cérebro do Isaac Borg, creio, algumas novas áreas iluminadas iriam colorir a tela.

Creio que os dois lados do cérebro se iluminam com as novas descobertas, com o sangue irrigando suas pequenas e escuras cavernas.

No que depender do cérebro, as perspectivas são infinitas. Pena que sejamos finitos e que não exista segurança em nossa existência diante de bandos como esse: o de canetas, chaves e óculos.

Artigo publicado no Caderno II do jornal O Globo

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 26 / 08 / 2014

O Globo
"Eleições 2014 - Tráfico e milícia impedem campanha em 41 favelas"

Número é de relatório entregue ao TRE pela Secretaria de Segurança do Rio

Candidatos enfrentam problemas em dez áreas com UPP. Documento cita também cobrança de 'pedágio' de R$ 10 mil e cadastro de títulos eleitorais. Governo estadual diz que não precisará de apoio da Força Nacional

Relatório entregue ontem pela Secretaria de Segurança ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio identificou 41 áreas no estado onde traficantes ou milicianos estão impedindo candidatos de fazer campanha. O documento aponta problemas inclusive em favelas com UPP, caso de Rocinha, Alemão e Maré. Em comunidades com milícias, moradores estão sendo submetidos a um cadastro de títulos eleitorais. Na Vila Ipiranga, em Niterói, traficantes cobram R$ 10 mil para liberar a entrada. O desembargador do TRE Fábio Uchôa, que recebeu o relatório, classificou a situação como caótica, mas o governo estadual não pedirá ajuda da Força Nacional.  

Folha de S. Paulo
"Número de roubos em SP sobe pela 14ª vez seguida"

É a mais longa sequência desde 2001; gestão do PSDB ressalta ritmo de alta menor

O Estado de São Paulo e a capital paulista tiveram em julho a 14ª alta seguida de roubos. É a maior sequência de crescimento nesse tipo de crime desde o início da série histórica, em 2001. Em relação a julho de 2013, houve 20,3% mais casos na cidade. Na mesma comparação, a alta no Estado foi de 12.6%. Em junho, os aumentos haviam sido de 21% e de 14,7%, respectivamente. Nos 12 meses anteriores, a média de crescimento de roubos foi de 29.3% na capital e de 22,3% no Estado. O governo Geraldo Alckmin (PSDB) julga os dados positivos devido ao recuo no ritmo da alta, atribuído pelo secretário Fernando Grella (Segurança Pública) à ação da PM em áreas críticas e ao reforço policial em locais de elevada criminalidade. Os casos de homicídio doloso cresceram 6,8% no Estado e 3,6% na capital. Segundo Grella, isso não indica mudança na tendência de queda. Em 14 meses, houve redução nesse tipo de crime em 12 ocasiões na capital e em 10 no Estado. 

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segunda-feira, agosto 25, 2014

Dominique


Opinião

Liberdade para opinar

O ESTADO DE S.PAULO
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou um pedido da coligação "Com a Força do Povo", da candidata Dilma Rousseff à reeleição presidencial, que punha em risco a liberdade de expressão no País. O PT e seus aliados queriam que a divulgação da opinião de uma consultoria econômica na internet fosse considerada como prática de propaganda eleitoral irregular. A maioria dos ministros do TSE entendeu, no entanto, que não fere a legislação eleitoral publicar e divulgar opiniões sobre os candidatos, e julgou improcedente a representação. Prevaleceu, assim, a possibilidade de que as eleições sejam de fato ocasião para um debate livre de ideias.

A empresa Empiricus Consultoria & Negócios havia publicado na internet um parecer sobre possíveis cenários econômicos decorrentes do resultado das próximas eleições presidenciais. Para divulgar o seu trabalho, a empresa utilizou os serviços de links patrocinados do Google (Google Ads), com as seguintes chamadas: "Como se proteger da Dilma: saiba como proteger seu patrimônio em caso de reeleição da Dilma, já" e "E se o Aécio Neves ganhar? Que ações devem subir se o Aécio ganhar a eleição? 

Descubra aqui, já". O PT não gostou e entrou, juntamente com seus partidos aliados, com uma representação no TSE para que fossem aplicadas ao caso as sanções previstas em lei para propaganda eleitoral irregular.

Em fins de julho, o relator do processo no TSE, ministro Admar Gonzaga, concedeu uma liminar favorável ao PT. O Google foi obrigado a retirar os anúncios e a empresa Empiricus foi proibida "de exibir novos anúncios com referências positivas ou negativas aos candidatos em disputa no pleito presidencial de 2014". Conforme escreveu o relator na decisão liminar, "parece-me claro o excesso cometido com as expressões utilizadas nos anúncios postados". Para Gonzaga, a "ocorrência de propaganda eleitoral paga" se comprovaria pelo fato de o texto, mencionando as próximas eleições, emitir juízos de valor sobre dois candidatos ao pleito presidencial.

No julgamento do caso pelo plenário do TSE, o ministro Gonzaga manteve a sua posição e propôs que a empresa fosse multada em R$ 15 mil, pois, em sua opinião, havia desrespeitado a Lei Eleitoral. Seu voto, no entanto, foi derrotado.

O ministro Gilmar Mendes foi o primeiro a discordar do relator. Segundo Mendes, trata-se de um caso em que a liberdade de expressão está em jogo e não se pode pretender que "a Justiça Eleitoral, agora, se transforme em editor de consultoria". O ministro Luiz Fux acompanhou o voto de Mendes, bem como o presidente do TSE, Dias Toffoli, e os ministros João Otávio de Noronha e Luciana Lóssio. A ministra Laurita Vaz votou com o relator.

A decisão do TSE tem duas importantes consequências. Rejeitou-se a concepção, defendida pelo PT na representação, de que um conteúdo opinativo, simplesmente por ter juízos de valor num contexto eleitoral, seja considerado propaganda. Com independência dos efeitos eleitorais que as opiniões possam ter, há liberdade para expressá-las. Uma opinião ter "viés eleitoral" - seja lá o que isso significa - não muda o seu caráter de opinião nem muito menos tira a legitimidade para expressá-la.

Em segundo lugar, preservou-se o direito de divulgar as opiniões. Para um ambiente de liberdade, não basta a possibilidade de expressar opiniões - deve ser possível divulgá-las. Caso contrário, ter-se-ia uma reduzida liberdade de expressão: pode-se emitir opinião, mas apenas entre os seus conhecidos. O fato de investir dinheiro na sua divulgação - como foi o caso da consultoria Empiricus ao pagar ao Google pelos anúncios - não transforma uma opinião em propaganda. Segundo o TSE, opinião divulgada não é sinônimo de propaganda eleitoral paga.

As regras eleitorais devem ser uma proteção para o debate de ideias, e não o contrário. Se o PT entende que a avaliação da consultoria é equivocada, deve responder no mesmo âmbito: com fatos, com argumentos, com ideias. Mas não com a interpretação enviesada da lei. Numa democracia, quem decide sobre as ideias não é o Poder Judiciário. É o voto.

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 25 / 08 / 2014

O Globo
"Marcha a ré - Indústria acumula perdas desde 2008"

Produção de 12 de 23 setores ainda não se recuperou de crise global

Incentivos do governo não evitam queda de 24% nas montadoras em 6 anos. Com avanço das importações, segmento têxtil recua 29%

Levantamento do Iedi mostra que 12 de 23 setores da indústria acumulam perdas de produção, passados seis anos da crise global. Os segmentos com bom desempenho são os que se beneficiaram do avanço da classe média, como os produtos de limpeza e cosméticos, com ganhos de 18,7%. Empresários afirmam que a crise de 2008 exacerbou deficiências da economia brasileira, como a baixa produtividade e a elevada carga tributária.  

Folha de S. Paulo
"Dilma diz que falta experiência para Marina"

Presidente rebate críticas de rival do PSB na disputa pelo Planalto

Pela primeira vez nesta campanha, a presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, rebateu crítica de Marina Silva (PSB), sua rival na disputa. Neste domingo (24), Dilma classificou de “temeridade” uma fala de Marina do dia anterior de que o país não precisa de uma “gerente” para governar, numa crítica ao estilo da presidente. Dilma atribuiu a declaração a “quem nunca teve experiência administrativa”. As opiniões da presidente foram dadas a jornalistas no Palácio da Alvorada. Sem citar Marina, Dilma disse ainda que “o pessoal está confundindo o presidente da República com algum rei ou rainha, que de fato só tem a representação”. Aécio Neves já havia explorado o tema no sábado (23). Em Salvador, ele disse que nenhum outro concorrente “tem um time mais qualificado para transformar o Brasil”.

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domingo, agosto 24, 2014

Dominique


Opinião

Semelhanças e diferenças

O ESTADO DE S.PAULO
Dizia Montesquieu que na política é essencial atentar para as semelhanças entre as coisas diferentes e as diferenças entre as coisas semelhantes. É natural que, decepcionados com a política e os políticos, os brasileiros tendam a acreditar, especialmente quando entra em cena o discurso eleitoreiro, que "político é tudo igual". Não é bem assim, claro. Por isso, no momento em que a campanha eleitoral ingressa em sua fase decisiva com o início da propaganda dita gratuita, é mais do que oportuno lembrar a recomendação do filósofo francês, um dos principais arquitetos do Estado moderno, e atentar para as principais diferenças entre os discursos das duas - pelo menos, até agora - mais importantes forças concorrentes no próximo pleito presidencial: o lulopetismo no poder e a oposição tucana.

Como bem observou a colunista Dora Kramer no dia seguinte à inauguração da propaganda no rádio e na TV, foi notável a "diferença central" na conceituação dos dois primeiros discursos de PT e PSDB no que diz respeito ao papel do governo na relação com a sociedade.

De fato, os programas inaugurais dos antagonistas Dilma Rousseff e Aécio Neves transmitiram mensagens substancialmente distintas, radicalmente divergentes, que com toda certeza marcarão o tom de toda a campanha: para o lulopetismo, o governo é o grande provedor do bem comum, o todo-poderoso gerente-geral da felicidade dos cidadãos e fora dele não há garantia de conquistas sociais e progresso. Para os tucanos, no Brasil de hoje o maior problema é o próprio governo do PT, que desde que o País deixou de surfar na onda internacional de prosperidade tragada pela crise de 2009 meteu os pés pelas mãos e, especialmente durante o mandato da atual presidente, não tem sido capaz de conter o retrocesso econômico que ameaça comprometer até mesmo as conquistas sociais e econômicas da administração Lula.

Dizer que as divergências entre os dois grupos são de natureza ideológica implicaria admitir que o balaio de gatos que abriga os atuais detentores do poder - petistas e "base aliada" - seja fiel a alguma ideia que não a do mero apego ao poder. O PT nasceu como resultado da associação do voluntarismo obreirista com os influxos progressistas da militância católica e a arrogância autoindulgente de intelectuais e acadêmicos "de esquerda". O tempo se encarregou de fazer vazar pelo ralo do fisiologismo as veleidades "redentoras" do partido "dos trabalhadores" e acabou sobrando apenas o séquito dos deslumbrados com as benesses do poder.

No que diz respeito ao outro lado, há quem se anime ainda a identificar traços do pensamento social-democrata que inspirou a fundação do PSDB, estabilizou a economia e recolocou o País nos trilhos do desenvolvimento social e econômico a partir de 1995. Escamoteado na campanha eleitoral de 2002, que acabou resultando na entrega do poder ao populismo lulopetista, esse pensamento permanece no momento à espera de alguma explicitação capaz de empolgar quem não se satisfaz em saber apenas o que não deseja para o País.

De modo que, se é difícil de identificar alguma substância programática no discurso dos dois principais, até agora, concorrentes à Presidência, o tom da campanha pelo menos revela claramente, de um lado, que na hipótese da reeleição de Dilma o que se pode esperar é mais do mesmo estatismo populista que, a continuar evoluindo na contramão da História, estará abrindo para os brasileiros as portas do paraíso bolivariano. De outro lado, os tucanos limitam-se a apontar os erros do governo, tarefa fácil na atual conjuntura - é isso que também se espera da oposição. Mas é muito pouco, mesmo que qualquer alternativa ao pesadelo lulopetista possa ser considerada uma bênção. O eleitor consciente merece mais do que ter de optar pelo que é menos pior.

O que importa é que existe, sim, uma diferença essencial entre a visão de mundo inerente ao discurso e à prática lulopetistas de que a sociedade precisa ser tutelada por um Estado todo-poderoso e onipresente, e a convicção oposta, escorada nos fundamentos da sociedade democrática, de que o poder deve ser exercido em nome dos interesses da cidadania e não ser monopolizado por autointitulados benfeitores da Humanidade incapazes de enxergar além do próprio umbigo.

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 24 / 08 / 2014

O Globo
"Falta de chuva já ameaça 40 milhões de brasileiros"

Seca atinge seis bacias hidrográficas que atendem nove estados e o DF

Levantamento é da Agência Nacional de Águas; estiagem em MG, onde nascem os principais rios da região, põe em risco da navegação ao abastecimento. No São Francisco, peixes de águas salgadas são capturados a 85 km da foz

Levantamento feito pela Agência Nacional de Águas (ANA) a pedido do GLOBO revela que seis das principais bacias hidrográficas do país enfrentam problemas causados pela falta de chuvas em Minas Gerais, informa Cleide Carvalho. O estado reúne as nascentes dos rios São Francisco, Grande, Doce, Paraíba do Sul, Paraná e Jequitinhonha. O problema ameaça 40 milhões de pessoas que vivem em nove estados e no Distrito Federal. Parte dessas populações já está sofrendo os efeitos da estiagem, que põe em risco abastecimento, plantio, navegação e produção de energia. No São Francisco, o mar avança sobre suas águas, e, em Sergipe, em áreas, distantes até 85km do litoral, já é possível encontrar peixes de água salgada.   

Folha de S. Paulo
"Economia fraca e inflação em alta afetam emergentes"

Além de atingir o Brasil, a combinação desses fatores deve acometer economias de países como Rússia e Chile

A conjunção de atividade econômica estagnada e de inflação em alta faz um número crescente de vítimas no mundo emergente. À medida que são divulgados resultados econômicos do primeiro semestre, mais países debatem se estão enfrentando uma estagflação — a palavra que sintetiza a combinação de crescimento pífio e inflação.

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