sábado, agosto 16, 2014

Dominique


Opinião

Seis meses desastrosos

O ESTADO DE S.PAULO
O Brasil continuou perdendo espaço na economia mundial, no primeiro semestre, com desempenho muito pior que o da maior parte dos países, tanto emergentes quanto desenvolvidos. A recuperação global vem sendo mais lenta do que se previa há alguns meses, mas o quadro brasileiro é especial. O País tem exibido uma rara combinação de baixíssimo crescimento com inflação elevada, contas públicas em deterioração e comércio externo empacado. Na sexta-feira a estagnação foi confirmada por mais uma fonte oficial. Em junho, a atividade econômica foi 1,48% inferior à de maio e 2,68% menor que a de um ano antes, segundo o índice produzido mensalmente pelo Banco Central (IBC-Br). Esses números são da série livre de efeitos sazonais. O crescimento ficou em 0,08% na primeira metade do ano. Em 12 meses, chegou a 1,41%, mas com forte perda de ritmo na fase final.

O balanço completo do período janeiro-junho será divulgado no fim do mês pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas o índice do BC é considerado uma boa antecipação do Produto Interno Bruto (PIB) e, além disso, harmoniza-se muito bem com os dados parciais de produção, consumo e investimento conhecidos até agora e também com os números da balança comercial. Será enorme surpresa se o PIB vier muito melhor que o IBC-Br.

As projeções mais otimistas para o ano todo continuam sendo as do setor público. O Ministério do Planejamento publicou em julho uma estimativa de crescimento econômico de 1,8%. No mês anterior o BC havia divulgado uma projeção de 1,6%. As bolas de cristal do setor privado mostram cenários muito piores. A mediana das projeções do setor financeiro chegou a 0,81% no dia 8, segundo a pesquisa Focus, conduzida pelo BC. Na semana anterior a estimativa de crescimento estava em 0,86%. Na metade de julho havia chegado a 1,05%.

Os maus números de junho têm sido atribuídos, pelo menos em parte, à Copa do Mundo. Houve menos dias de trabalho e menor atenção aos negócios e, além disso, decisões importantes foram adiadas. Há alguma verdade nesse argumento. Mas a Copa durou cerca de um mês e a economia foi mal durante todo o semestre. Além disso, vários números da série do IBC-Br foram revistos para baixo, segundo a informação publicada ontem. O dado de maio passou de -0,18% para -0,80%. O de abril, de +0,05% para -0,01%. O de março, de +0,04% para -0,24%. Seria cômico atribuir todo esse desastre à mudança de rotina provocada pelo campeonato da Fifa.

O futebol pode servir para explicar parcialmente, portanto, a redução do consumo e o recuo da produção industrial em junho e, talvez, em parte de julho. Mas é necessário examinar outros fatores para analisar o atoleiro econômico do primeiro semestre deste ano. Um dos principais componentes do quadro é a estagnação da indústria.

A produção industrial nos primeiros seis meses foi 2,6% menor que a de janeiro a junho de 2013. A de bens de consumo duráveis, 8,6% inferior à de um ano antes. Esse número combina, à primeira vista, com os do consumo. O volume das vendas no varejo, no mesmo período, ficou 4,2% acima das de um ano antes, sem contar as de carros, veículos, peças e material de construção. Quando esses itens entram na conta, a diferença fica em apenas 0,1%. Isso se explica em parte pelo endividamento dos consumidores, pela alta dos juros e pelo efeito da inflação no orçamento familiar.

Mas o aumento da importação também é parte da conta. Nos 12 meses terminados em junho, a parcela de importados no mercado nacional de bens industriais chegou a 21,8%, o coeficiente mais alto desde 2007. O cálculo é da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Juntam-se nesse quadro a perda de vigor do mercado interno e o baixo poder de competição da indústria. A competitividade foi erodida por vários fatores desastrosos. Mais estímulo ao consumo que à produção, baixo nível de investimento, ineficiência da infraestrutura e política comercial mais ideológica do que pragmática são exemplos evidentes. Grandes erros nasceram das fantasias do governo, incluída a do mercado interno como seguro contra a crise.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 16 / 08 / 2014

O Globo
"Especialistas dos EUA vão investigar acidente com jato que matou Campos"

Equipe do NTSB está a caminho do Brasil
Caixa-preta não gravou áudio do voo, diz FAB.

Uma equipe dos Estados Unidos está a caminho do Brasil para participar da investigação da queda do jato executivo que matou o candidato à Presidência da República pelo PSB, Eduardo Campos, e mais seis pessoas. O grupo é formado por especialistas do National Transportation Safety Board (NTSB), a principal autoridade norte-americana de investigação de acidentes, e da Cessna Aircraft Company, o fabricante do avião.

Folha de S. Paulo
"PSB sela acordo para lançar Marina Silva no lugar de Eduardo Campos"

O PSB superou as divergências internas e selou acordo para lançar Marina Silva à Presidência da República no lugar de Eduardo Campos. 

Ela concordou com a inversão da chapa e deverá ser anunciada oficialmente na próxima quarta-feira (20). O novo presidente do PSB, Roberto Amaral, era visto como último entrave ao acerto. Sob forte pressão de correligionários, ele se convenceu a apoiar Marina, que disputou o Planalto em 2010 pelo PV. O PSB agora discutirá a indicação do novo vice na chapa presidencial. O deputado gaúcho Beto Albuquerque, hoje candidato ao Senado, é o mais cotado para a vaga.

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sexta-feira, agosto 15, 2014

Carrim


Coluna do Celsinho

Jahú

Celso de Almeida Jr.

Nos próximos dias 21 e 22 de agosto, o Instituto Salerno-Chieus promove a exposição "Jahú - Influência de uma época", organizada pelo pesquisador Alexandre Ricardo.

A espetacular travessia do Oceano Atlântico com o hidroavião Jahú, em 1927, comandado pelo brasileiro João Ribeiro de Barros, é relembrada através de mais de 50 itens e curiosidades, além de revistas, filmes e palestras.

A exposição acontece no Colégio Dominique, à rua dos Gerânios, nº 10, no Jardim Carolina, das 9h às 18h e a entrada é franca.

O Aeroclube de Ubatuba, o Núcleo Infantojuvenil de Aviação (NINJA), a Pousada Manobra e o Restaurante Alentejano apoiam a iniciativa.

O evento integra as comemorações dos 25 anos da Biblioteca Hans Staden - instituição auxiliar do Colégio Dominique - e o público infantojuvenil poderá adquirir o livro Jahú-Sonho com Asas, de Ivan Jaf, com ilustrações de Ronaldo Barata, da Editora Panda Books.

Enfim, uma atividade cultural para todas as idades.

Vale registrar a frase de Alexandre Ricardo, criador da exposição:

"Quero deixar uma semente de contribuição com nossa História para que não caia no esquecimento das gerações futuras."

Vamos contribuir com ele nesta nobre intenção.

Participe, levando a garotada da família neste fascinante voo ao passado.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique


Opinião

A favor do voto contra

Nelson Motta
Nos Estados Unidos, como fazem com automóveis, os eleitores têm direito a um recall de políticos que estão dando defeito

Millôr Fernandes, que a cada dia está mais atual e inteligente, teve uma ótima ideia para democratizar o nosso sistema eleitoral, infelizmente nunca aplicada ou sequer proposta: o voto contra. O eleitor teria direito a dois votos, um no seu candidato preferido, e outro contra quem considerasse indigno de um cargo publico e nocivo à sociedade, um direito tão democrático como eleger um representante.

No final das contas, entre os prós e os contra, talvez não melhorasse muito o nível dos eleitos, mas muitos notórios malfeitores travestidos de políticos, que compram apoios e usam dinheiro sujo para fraudar as eleições, que buscam um mandato para fugir da Justiça, ficariam fora do poder. Economizaríamos tempo e dinheiro dos longos processos de cassação do TSE, sairia mais barato prevenir do que remediar.

Nos Estados Unidos, como fazem com automóveis, os eleitores têm direito a um recall de políticos que estão dando defeito. Seja por traição ao eleitorado com promessas não cumpridas, escândalos de corrupção, irresponsabilidade fiscal ou ineficiência administrativa, um recall pode ser proposto na Justiça e o elemento, democraticamente, ser cassado se assim quiser a maioria. Vários eleitos com grandes votações já foram enxotados no meio do mandato.

Em sua clarividência, Millôr talvez imaginasse o Brasil atual, onde parece haver mais vontade de votar contra do que a favor. O voto contra seria uma alternativa mais eficiente e democrática ao voto branco ou nulo — um protesto inútil que acaba beneficiando os que lideram a votação.

É triste, mas hoje no Brasil, mais do que as qualidades e propostas dos candidatos, o fator mais importante na definição das eleições pode ser a quantidade de abstenções, brancos e nulos. Entre os 70% de descontentes, a maior parte dos que vão votar em Aécio Neves quer é se livrar de Dilma e do PT. Entre os que estão descontentes, mas votam em Dilma, a maioria odeia Aécio e os tucanos mais do que gosta dela e de seu governo.

Se a ideia de Millôr estivesse em vigor, Marina Silva seria eleita no primeiro turno. Ou iria para o segundo com o Pastor Everaldo.

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 15 / 08 / 2014

O Globo
"PT pressiona para rachar o PSB de Eduardo Campos"

Lula e Dilma ligaram para o presidente do partido após a morte do candidato. Marina Silva é a preferida de parte dos socialistas e de aliados que compõem a coligação; PSB afirma que decisão seguirá seu ‘exclusivo critério ’ e será anunciada somente após o enterro do ex -governador de Pernambuco.

Após a trágica mor te do candidato do PSB à Presidência , Eduardo Campos , o PT começou a atuar ontem para que o PSB rache em alguns estados e apoie a candidatura à reeleição da presidente Dilma Rousseff . Reunido , o partido do ex-governador de Pernambuco informou que a decisão só será anunciada após o enterro de Campos , morto anteontem num acidente aéreo em Santos . Dilma e o ex-presidente Lula ligaram para o presidente em exercício do PSB, Roberto Amaral, próximo de petistas . Parte do partido , porém , defende que a candidata seja Marina Silva, vice na chapa que era encabeçada por Campos . Outros partidos que integram a coligação , como o PPS do deputado Roberto Freire, também defendem Marina, que ontem manteve o silêncio.

Folha de S. Paulo
"Família de Eduardo Campos quer candidatura de Marina"

Viúva do presidenciável morto em acidente aéreo apoia ideia; 'seria a vontade dele', diz irmão

Familiares de Eduardo Campos, candidato à Presidência pelo PSB que morreu na quarta-feira (13) em acidente aéreo, defendem que a vice dele, Marina Silva, o substitua na disputa pelo Palácio do Planalto. Esse é o desejo da viúva, Renata, e do único irmão do candidato, Antônio Campos, primeiro integrante da família a se pronunciar publicamente a favor de Marina. "Tenho convicção de que essa seria a vontade dele". No comando do PSB, há clima favorável para que Marina assuma a vaga. Alguns líderes do partido defendem a continuidade do projeto do ex-governador de Pernambuco. Essa posição, porém, não é unânime.

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quinta-feira, agosto 14, 2014

Dominique


Opinião

Fricções

Fernando Veríssimo
Centenas de personagens inventados ocupam um grande espaço em nossas vidas e nunca vão embora. A ficção também é um método de reprodução humana

O Jorge Luis Borges chamou o espelho de método de reprodução humana anticonvencional. O sexo e o espelho são, os dois, culpados de multiplicar pessoas, e assim contribuir para as misérias do mundo. Borges escreveu sobre seus pesadelos com espelhos e labirintos e tinha um notório problema edipiano com o pai, além de um notório ascetismo com relação ao sexo. O pavor de espelhos e o desgosto com sexo e paternidade se acoplam na aversão de Borges ao produto das duas coisas: gente. Mais gente.

Mas enquanto lamentava a proliferação humana de um lado e do outro do espelho, Borges também colaborava para aumentar a demografia imaginária da Terra, inventando pessoas. Ao contrário dos espelhos, os ficcionistas não copiam gente, criam gente, e lançam irresponsavelmente no mundo. Como se não bastassem os parentes e os vizinhos e os bilhões de chineses, temos que nos preocupar com a Antígona, o Hamlet, o Raskolnikov, o Swann, centenas de personagens que, só por serem inventados, não ocupam espaço menor em nossas vidas, e nunca vão embora. A ficção também é um método de reprodução humana, de uma fertilidade espantosa.

Certa vez tive a ideia de imitar o “Ficciones” do Borges e escrever um livro só de histórias eróticas chamado “Fricções". O livro começaria não com uma ficção, o que só agravaria a densidade demográfica de gente inventada, mas com uma reminiscência. Em 1959 eu estava em Paris (disse ele só para dizer que estava em Paris) e tinha 22 anos. Num café, conheci uma moça húngara. Seu francês era quase nenhum. O meu era de Aliança Francesa, mas eu faltava muito. Conversamos em inglês. E acabamos indo para o seu quarto num prédio sem elevador. Quantos andares eram? Quem estava contando?! Meu único medo era que, na confusão das línguas, tivesse havido algum mal-entendido, e meu último franco tinha ido para pagar o café. Mas não, era sexo de graça mesmo. Só que sexo com uma especificação. Na cama, ela ordenou:

— Hit me!

— What?

— Hit me! Hit me!

Ela queria que eu batesse nela. Em 1956 a União Soviética tinha invadido a Hungria para abafar uma revolta contra a dominação comunista e ocupado o país por um bom tempo. Não fiz como os soviéticos. Bati, mas em retirada. Ainda mais que a húngara era grande.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 14 / 08 / 2014

O Globo
"Acidente de avião mata presidenciável do PSB"

Vice na chapa, Marina é a candidata natural

Dilma e Aécio suspendem campanha. Numa tragédia que ficará na História da política brasileira e mudará o cenário da campanha eleitoral deste ano, o candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, de 49 anos, morreu ontem quando o avião em que viajava caiu em Santos, litoral norte de São Paulo. (...) Campos interrompeu o segundo mandato como governador de Pernambuco para entrar na disputa presidencial. Estava em terceiro nas pesquisas, com 9% das intenções de voto. O PSB agora tem dez dias para decidir quem o substituirá na eleição. A vice na chapa de Campos, a ex-senadora Marina Silva, é a candidata natural. (...) A presidente Dilma Rousseff, de quem o ex-aliado Campos se tornou crítico , decretou luto oficial de três dias. Ela e o presidenciável tucano, Aécio Neves, suspenderam as atividades de campanha.

Folha de S. Paulo
"Acidente mata Eduardo Campos; rivais preveem Marina candidata"

Avião cai em Santos, e sete a bordo morrem

PSB tem dez dias para indicar um substituto. Ex-governador de Pernambuco estava em 3° na corrida ao Planalto. O candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Henrique Accioly Campos, 49, morreu nesta quarta (13) em acidente aéreo em Santos, litoral paulista, onde cumpriria agenda de campanha. O jato partira do Rio e caiu em área residencial. Dois pilotos e quatro assessores também morreram, e sete pessoas em solo ficaram feridas. A Aeronáutica investiga a queda. (...) O PSB tem dez dias para anunciar a eventual substituição do candidato. Adversários na disputa, PT e PSDB já se preparam para enfrentar Marina Silva, a vice de Campos. Candidata à reeleição, a presidente Dilma Rousseff (PT) decretou luto oficial de três dias e afirmou que o acidente "tirou a vida de um jovem político promissor". Também presidenciável, Aécio Neves (PSDB) disse ter perdido um amigo. Marina declarou que guardará dele a imagem de "alegria" e "sonhos". 

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quarta-feira, agosto 13, 2014

Dominique


Opinião

Compre Dilma, leve Lula

O ESTADO DE S.PAULO
O presidente do PT, Rui Falcão, avisou: quem votar em Dilma Rousseff estará votando, na verdade, em Lula - aquele que, segundo suas próprias palavras, não consegue "desencarnar" da Presidência.

A "promoção casada" foi explicitada em entrevista de Falcão ao jornal Valor. Respondendo a uma questão sobre se Lula terá "maior participação" em um eventual segundo mandato da presidente, o petista disse que "sim" e explicou, praticamente sem rodeios, que a passagem de Dilma pelo Planalto serviu apenas para guardar lugar para seu chefe.

"Precisamos eleger a Dilma, para o Lula voltar em 2018", disse Falcão. "Isso significa que, ela reeleita, começa o ciclo de debate, de planejamento, para que o nosso projeto tenha continuidade, com o retorno do Lula, em 2018, que é a maior segurança eleitoral de que o projeto pode continuar."

A preocupação de Falcão e da militância petista é compreensível. Embora a propaganda oficial martele que o PT está fazendo um governo revolucionário, que tirou milhões de pessoas da miséria e as levou ao paraíso do consumo, os eleitores em geral parecem cada vez mais descontentes. Com crescimento econômico pífio, inflação alta e perspectivas sombrias para o emprego, é natural que o tal "projeto" petista esteja sendo questionado, conforme mostram todas as pesquisas de opinião e de intenção de voto.

Para Falcão, porém, a chamada "nova classe média" tem reclamado do governo porque não foi devidamente instruída sobre os benefícios que a administração petista lhe deu. Faltou que Dilma lembrasse a essa gente que sua ascensão social se realizou não graças a seus méritos pessoais, mas pelas magnânimas políticas do governo. É a tese da ingratidão, levantada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e corroborada por Lula. "Essa ideia do mérito próprio estimula a fragmentação, o individualismo, afasta as pessoas de coisas mais sociais, coletivas", disse Falcão. Para ele, Dilma errou ao não "dialogar" com essa classe média "individualista".

O recado de Falcão é que, se Dilma conseguir se manter no cargo - graças à imensa exposição que ela terá na campanha na TV e aos programas sociais que sustentam uma formidável base de clientes do PT -, a presidente não terá mais autonomia para imprimir o seu estilo de governar. A mensagem da cúpula do partido serve tanto para Dilma quanto para o eleitorado, ressabiado com a possibilidade de que a presidente, uma vez reeleita, imponha de vez uma agenda vinculada às suas convicções ideológicas, que hostilizam o capital e desconfiam da democracia representativa.

O dirigente petista afirmou que, até agora, Lula procurou não se intrometer, para que Dilma "se afirmasse". Foi, segundo suas palavras, um "distanciamento planejado e deliberado". Não que Lula tenha deixado de se imiscuir em assuntos que diziam respeito apenas à sua sucessora ao longo do primeiro mandato. Ele teve de aparecer várias vezes para apagar incêndios políticos diante do notório alheamento da pupila em relação ao Legislativo, incluída aí a própria bancada do PT.

Lula também deu pitacos sobre a política econômica. Em algumas oportunidades chegou a ser absolutamente direto: "Nós poderíamos estar melhor, e a Dilma vai ter que dizer isso na campanha claramente: como é que a gente vai melhorar a economia". Além disso, Lula incluiu no governo de Dilma olheiros de sua estrita confiança, como Gilberto Carvalho e Ricardo Berzoini, ministro de Relações Institucionais.

Agora, porém, a intenção, a julgar pelo que declarou Falcão, é ir além. Lula e a cúpula do PT farão de tudo para limitar o raio de atuação de Dilma e, portanto, tentar reduzir os danos eleitorais causados pelo desgoverno de sua administração, que criou um fosso entre a Presidência e o Congresso, os empresários e a classe média.

Como se Dilma fosse uma "trainee" no Planalto, Falcão disse que ela fará um segundo mandato melhor do que o primeiro porque "aprendeu muitas lições". A principal delas talvez tenha sido a de que, como criatura de Lula, não é possível se libertar dele.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 13 / 08 / 2014

O Globo
"ONS prevê colapso no abastecimento de Rio e SP"

Decisão do governo paulista de reduzir vazão de represa afetará 41 cidades

Segundo a ANA, medida poderá prejudicar Vale do Paraíba e até Região Metropolitana do Rio. A decisão do governo de São Paulo de reduzir a vazão da hidrelétrica de Jaguari causará o colapso no abastecimento de água de municípios paulistas e fluminenses atendidos pela Bacia do Rio Paraíba do Sul, alertou ontem o ONS, órgão responsável por coordenar a geração de energia no país. Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), o Rio e a Região Metropolitana também serão afetados. A crise de energia levou a Eletrobras a ter um prejuízo de R$ 105 milhões no segundo trimestre.

Folha de S. Paulo
"Agência federal exige que SP libere mais água a usina"

Segundo a Aneel, atual retenção hídrica pode colocar em risco o sistema elétrico

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) notificou a Companhia Energética de São Paulo (Cesp) a fim de que a empresa triplique o total de água enviado da represa do rio Jaguari, onde ela opera hidrelétrica, para o rio Paraíba do Sul. A Cesp vem descumprindo ordem do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que fixou no mês passado a vazão de 30m³/s. Neste mês, o Departamento de Água e Esgoto (DAEE), do governo Alckmin, determinou o volume em 10m³/s. 

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terça-feira, agosto 12, 2014

Dominique


Opinião

Mais rigor no Enem

O ESTADO DE S.PAULO
A revelação, feita pelo Estado graças à Lei de Acesso à Informação, de que houve um número expressivo de examinadores despreparados na correção das redações do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2013 é motivo de apreensão. Como a prova foi convertida pelo Ministério da Educação (MEC) em processo seletivo das universidades federais, sob a justificativa de democratizar o acesso ao ensino superior público, qualquer problema nas correções põe em risco a credibilidade do sistema.

Há dois anos, os critérios de correção do Enem foram questionados por especialistas em educação, depois da descoberta de que uma redação reproduzindo uma receita de macarrão instantâneo e outra transcrevendo o hino de um clube de futebol haviam sido aprovadas pelos examinadores. Diante da repercussão negativa, o MEC alterou os critérios de correção, montou uma força-tarefa para garantir mais segurança e objetividade nas avaliações e determinou que as redações deveriam ser anuladas automaticamente caso apresentassem "parte do texto deliberadamente desconectada com o tema proposto".

As redações do Enem são avaliadas por profissionais da área de Letras, com formação em Língua Portuguesa, que recebem R$ 3,61 por prova corrigida. Cada redação é examinada por dois corretores independentes, e um não tem conhecimento da nota atribuída pelo outro. Uma vez escolhidos pelo órgão encarregado de aplicar o Enem, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), os corretores têm de passar por um processo de treinamento e capacitação, num total de 136 horas, compreendendo módulos presenciais e a distância. Nesse processo, eles se submetem a uma prova com cem questões, analisam redações diferentes e são obrigados a escrever um texto como se fossem alunos do ensino médio.

Também são monitorados durante o processo de correção por coordenadores e supervisores, que verificam se eles dão notas excessivamente altas ou muito baixas e se são lentos ou rápidos demais nas correções. Os avaliadores são excluídos automaticamente quando obtêm uma nota de desempenho inferior a 5, numa escala de 0 a 10. Caso fiquem entre 5 e 7, têm duas oportunidades para se recuperarem. Na terceira vez em que a nota for inferior a 7, são excluídos e as redações por eles já corrigidas têm de ser revistas.

Para fiscalizar os avaliadores, o Inep desenvolveu uma estratégia: de cada lote de 50 redações que têm de corrigir, há uma excelente redação - a chamada "redação de ouro" -, já examinada pela equipe de especialistas do órgão, e uma segunda redação - conhecida como "redação múltipla" -, que também foi submetida a vários outros corretores. A estratégia permite aos supervisores e coordenadores do órgão verificarem equívocos e desvios cometidos pelos avaliadores nas correções do lote. "Cito a Bíblia: 'Pelos teus frutos te conhecerei'. Só posso saber se um avaliador corrige bem quando produz resultados adequados", diz o estatístico José Francisco Soares, que assumiu a presidência do Inep há seis meses.

Segundo as informações obtidos pelo Estado, dos 7.121 avaliadores contratados para corrigir as redações no Enem do ano passado, 845 - o equivalente a 12% do total - tiveram de ser afastados. O porcentual vem aumentando de forma preocupante. No Enem de 2011, foram excluídos 277 dos 3.188 examinadores - cerca de 8,7% do total. Na prova de 2012, dos 5.558 corretores selecionados, apenas 52 - ou 0,9% - foram reprovados. "Tínhamos um monitoramento mais leniente. Agora, temos um monitoramento mais duro. Só corrige redação no Enem quem tiver sido certificado. Dá segurança ter alguém que é excelente para corrigir, dar orientações e acompanhar todo o processo", afirma o presidente do Inep, justificando o aumento do número de examinadores reprovados.

Com o aumento do rigor na seleção e na fiscalização dos avaliadores, resta esperar que o Enem não venha mais a ser desmoralizado com a aprovação de receitas de macarrão e hinos de times de futebol nas provas de redação.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 12 / 08 / 2014

O Globo
"SP ameaça ir à Justiça na disputa por água com Rio"

Pezão critica a Cesp e afirma que cobrará providências da União

Governo paulista diz que prioridade tem de ser para o consumo e não para a geração de energia. O secretário de Saneamento e Recursos Hídricos de São Paulo, Mauro Arce, disse que o estado poderá ir à Justiça para manter reduzida a vazão da represa do Rio Jaguari, o que prejudica o Rio. A decisão da estatal de energia Cesp foi tomada à revelia do ONS, órgão nacional que regula o volume de água em hidrelétricas. O governador paulista, Geraldo Alckmin, alegou que a lei prevê prioridade para o abastecimento humano e que a maior parte da água retida agora em SP é destinada, no Rio, à geração de energia. Já o governador Luiz Fernando Pezão criticou a decisão de São Paulo e disse que cobrará providências do governo federal. 

Folha de S. Paulo
"Mercado prevê PIB fraco e inflação alta até o final de 2018"

Analistas projetam, porém, que o próximo presidente terminará mandato com números melhores que os de 2014

Nos próximos quatro anos, o Brasil deve crescer abaixo da média da última década, com inflação superior à meta de 4,5% e com juros acima de 10%, segundo previsão de analistas ouvidos pelo Banco Central. O novo presidente, porém, terminará a gestão com números melhores que os de 2014. A expectativa dos economistas é que o IPCA fique em 2015 no mesmo patamar do deste ano e caia para 5,3% em 2018 - mas ainda acima do centro da meta.

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segunda-feira, agosto 11, 2014

Dominique


Opinião

Vinculações e eficiência

O ESTADO DE S.PAULO
Por ingenuidade, desconhecimento das incongruências da administração pública, autoengano ou, como parece ser a maioria dos casos, oportunismo, de tempos em tempos políticos propõem a destinação obrigatória de fatias da arrecadação tributária para áreas específicas de atuação do poder público, sob a alegação de que, assim, estariam assegurados os recursos necessários para dinamizar ou melhorar os serviços nessas áreas.

Além do recente aumento de 5,1% para 10% do PIB dos gastos obrigatórios com educação, aprovado pelo Congresso e sancionado pela presidente Dilma Rousseff, há pelo menos cinco projetos que obrigam o poder público a aplicar uma porcentagem mínima de sua receita em determinados setores. Períodos eleitorais tendem a tornar os parlamentares mais suscetíveis a propostas desse tipo. Mas, ao contrário do que dizem seus defensores, elas não resultarão, necessariamente, em melhorias nessas áreas. São, ao contrário, uma ameaça à boa gestão, pois podem gerar desperdícios e outras distorções.

Os recursos que têm destinação obrigatória, e por isso conhecidos como "dinheiro carimbado", compõem a "receita vinculada". As vinculações, como mostrou o Estado (7/8), já cobrem 87% do Orçamento da União. Isso quer dizer que, das receitas tributárias de que teoricamente poderia dispor para executar seu programa - sobretudo para elevar os investimentos na ampliação e melhoria de serviços públicos -, o governo federal só pode destinar livremente a modesta fatia de 13%.

As vinculações, desse modo, tolhem a capacidade do governo de utilizar o dinheiro público nos programas com os quais se comprometeu perante o eleitorado ou são prioritários para a população. Falhas administrativas, incompetência gerencial na execução dos projetos, desperdícios ou corrupção reduzem ainda mais a eficiência no uso do dinheiro do contribuinte, pois retardam ou impedem a geração dos benefícios de que a sociedade tem o direito de dispor como retribuição pelo pagamento dos impostos.

Para tentar dar um pouco mais de racionalidade à administração pública, instrumentos que reduzem as vinculações têm sido criados nos últimos anos. O atual, a Desvinculação dos Recursos da União (DRU) - criada em 2000 e cuja vigência tem sido prorrogada com frequência (pela legislação atual ela expirará em 31 de dezembro de 2015) -, desvincula 20% do dinheiro "carimbado".

Os projetos que criam vinculações caminham no sentido contrário. Entre os que a reportagem do Estado localizou no Congresso há um, do deputado Paulo Teixeira (PT-SP), que vincula 2% das receitas da União e 1% das dos Estados e municípios para programas de habitação. Só na esfera federal, essa medida aumentaria em R$ 34 bilhões os gastos, neste ano, com programas habitacionais, o que dobraria o orçamento do Programa Minha Casa, Minha Vida, um dos mais custosos do governo Dilma Rousseff, que o transformou em sua vitrine política. Outro projeto, do ex-deputado paulista William Woo (então filiado ao PSDB), propõe a destinação de 8% do Orçamento federal, 2% dos estaduais e 1% dos municipais para ações e serviços de desporto. No total, os cinco projetos vinculariam mais R$ 176 bilhões do Orçamento da União, quase o dobro da dotação atual do Ministério da Educação.

Não se discute a necessidade de aplicação de recursos públicos em áreas essenciais cujos serviços são insuficientes ou insatisfatórios (além da educação, já há vinculação para a saúde). Há carências na área habitacional e o desempenho das equipes brasileiras em competições esportivas internacionais tem sido, em muitos casos, decepcionante - quanto mais próximos estivermos dos Jogos Olímpicos, mais frequentemente esse fato será invocado por quem defende a vinculação de receitas para aplicação em esportes.

O País necessita de programas públicos eficientes nessas áreas. Isso exige identificação correta dos problemas, avaliação das necessidades, concepção adequada de projetos, execução eficiente e, também, recursos. Mas, sem boa administração, a garantia de recursos mínimos estimulará o desperdício e não assegurará resultados.

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 11 / 08 / 2014

O Globo
"Governo quer mais crédito para veículos"

Medida visa a impulsionar o crédito ao consumidor

Ideia é dar mais garantias aos bancos, como agilizar a retomada de veículos em caso de calote, para estimular a redução dos juros. O governo estuda medidas para impulsionar o financiamento de veículos dando mais garantias aos bancos. Segundo uma fonte da equipe econômica, uma das ideias em discussão entre os ministérios da Fazenda e da Justiça é tornar mais ágil a retomada dos carros em caso de calote. Acabaria a obrigatoriedade de notificar o cliente inadimplente, via oficial de Justiça, permitindo que a polícia apreenda o veículo em uma blitz, por exemplo. O governo pretende enviar ao Congresso uma proposta para alterar o Código Civil, a fim de implementar as regras. Bancos argumentam que, assim, poderiam baixar juros. 

Folha de S. Paulo
"SP já tem 2,1 milhões sob racionamento oficial de água"

Cortes em cidades não atendidas pela Sabesp duram de 4 horas a dois dias

Em meio à sua pior seca em décadas, o Estado de São Paulo já tem cerca de 2,1 milhões de pessoas submetidas a racionamento oficial de água, o que equivale a 1 em cada 20 habitantes. Levantamento da Folha em mais de 200 municípios não atendidos pela Sabesp, cobrindo todos os com mais de 100 mil habitantes, revela que as interrupções no abastecimento duram de quatro horas a dois dias.

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domingo, agosto 10, 2014

Dominique


Opinião

O PT perde dinheiro

O ESTADO DE S.PAULO
Os grandes financiadores de campanhas políticas ou não acreditam na reeleição da presidente Dilma Rousseff ou parecem estar fazendo a sua parte - por omissão - para que ela não se reeleja. É o que se pode deduzir da batelada dos números recém-divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com a primeira prestação de contas encaminhadas pelos diretórios nacionais dos partidos, referente aos 30 dias iniciais da temporada eleitoral oficial completados na quarta-feira.

Há quatro anos, nesse mesmo período, quando o grosso do eleitorado mal tinha ouvido falar em Dilma, havendo até quem confundisse o seu sobrenome com o "do chefe", a influência e a popularidade do ainda presidente Luiz Inácio Lula da Silva carrearam para os cofres petistas R$ 6,9 milhões em doações, praticamente todas de pessoas jurídicas. Agora, quando a candidata, embora estável na liderança das pesquisas, encabeça também a lista daqueles em quem os entrevistados não pretendem votar "de jeito nenhum", as contribuições se limitaram a R$ 6,2 milhões.

Com isso, a legenda caiu para a oitava posição no ranking dos valores arrecadados pelas 20 agremiações que os informaram ao TSE. As outras 12 declararam nada ter recebido. Aos 34 anos de existência e há 12 no poder, o diminuído PT se vê na constrangedora situação de ficar atrás nesse quesito do novato partido Solidariedade (SDD) do sindicalista Paulo Pereira da Silva, que rompeu com o Planalto para apoiar o tucano Aécio Neves. O SDD já amealhou R$ 7 milhões.

Outro fato significativo é a aparente cautela - hedge, dir-se-ia nos mercados financeiros - demonstrada até aqui pelos principais contribuidores em comparação com a largada para a eleição presidencial em que Lula se consagrou ao fincar o seu "poste" Dilma. À época, por exemplo, o mais mão-aberta deles, o Grupo JBS, doou à estreante R$ 9 milhões, três vezes o montante repassado ao seu adversário tucano José Serra. Desta vez, a maior processadora de alimentos do mundo distribuiu igualmente R$ 10 milhões entre Dilma e Aécio. A informação é da Folha de S.Paulo.

Parceiro do PT no plano nacional, compondo pela segunda vez a chapa governista com o vice Michel Temer, mas seu adversário em São Paulo e no Rio de Janeiro, por exemplo, o PMDB juntou nesse começo de contenda R$ 28,5 milhões (4,6 vezes o resultado petista), o que o levou ao pódio da corrida ao ouro nessa fase. É quase o triplo dos R$ 10,9 milhões obtidos na primeira sortida de 2010. Empresas dos setores de construção e energia assinaram os cheques mais polpudos. Isso se explica não pelas expectativas de retribuição em um eventual segundo mandato da dupla Dilma-Temer, mas em função dos Estados.

Este ano, a cúpula do PMDB concentrou na contabilidade do diretório nacional as doações a seus candidatos a governador - que, por sinal, somam 18, ante os 11 da disputa anterior. Para ter ideia do cotejo de cifrões entre os aliados federais, a soma dos recursos destinados aos 17 candidatos estaduais petistas (pouco mais de R$ 22 milhões) equivale apenas à primeira colheita de um único candidato peemedebista, Luiz Fernando Pezão, o vice de Sérgio Cabral a quem substitui atualmente.

Se a bonança se mantiver e se o dinheiro falar mais alto do que tudo o mais, não será fácil alijá-lo do Palácio Guanabara, embora ele apareça apenas em terceiro lugar na mais recente pesquisa do Datafolha no Estado, atrás de Anthony Garotinho e de Marcelo Crivella, praticamente empatados (assim como Pezão e o petista Lindbergh Farias). O aparente paradoxo se repete no Rio Grande do Sul, onde o governador Tarso Genro, do PT, lidera amplamente na arrecadação (R$ 516 mil, ante os R$ 108 mil da senadora Ana Amélia, do PT), mas ambos aparecem tecnicamente empatados na pesquisa do Ibope dessa semana.

A próxima rodada de prestação de contas, a ser divulgada pela Justiça Eleitoral a partir de 6 de setembro, permitirá saber se algo terá mudado na atitude dos costumeiros patrocinadores de campanhas presidenciais em função do fato novo que será o período de propaganda na mídia eletrônica. É também quando os eleitores começam a definir quem será o beneficiário de seu único recurso - o voto.

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 10 / 08 / 2014

O Globo
"Fraudes com remédios desafiam saúde pública"

Irregularidades, como sobrepreço de até 10.000%, ocorrem em 23 capitais

Na segurança, outro tema criticado pela população em pesquisas, índice de homicídios aumentou

Auditorias e fiscalizações do Ministério da Saúde feitas em 2013 e neste ano flagraram irregularidades na distribuição de medicamentos em 23 capitais, como direcionamento de licitações, sobrepreço de 10.000% e venda a mortos, enquanto doentes sofrem no SUS à espera de remédios, contam Alessandra Duarte e Carolina Benevides. Em maio, pesquisa da FGV mostrou que 79% dos entrevistados criticam a saúde pública, e 80% estão descontentes com a segurança, outro tema frequente na agenda eleitoral. O governo pretendia reduzir pela metade o índice de homicídios, mas esses crimes subiram 10% em quatro anos, segundo dados oficiais. 

Folha de S. Paulo
"Menos qualificado sustenta boom de empregos no país"

Dez profissões de baixo salário responderam pela metade das vagas criadas entre 2007 e 2013

Apenas dez profissões de pouca qualificação e baixo salário foram responsáveis pela metade dos 9,4 milhões de empregos com carteira assinada criados no Brasil entre 2007 e 2013. O cargo de servente de obras foi o campeão de vagas geradas, com quase 10% do saldo total entre contratações e demissões, informam Erica Fraga, Mariana Carneiro e Ingrid Fagundez. Trabalhador de chão de fábrica, auxiliar de escritório e faxineiro também estão entre os que sustentaram o boom de empregos, segundo levantamento da Folha no Ministério do Trabalho. Embora tenha favorecido a queda da desigualdade de renda e do desemprego, essa concentração das vagas está associada com o lento avanço da eficiência e do crescimento da economia. Para aumentar a produtividade e cortar os custos, as empresas têm eliminado vagas de cargos intermediários de gestão. Dos 72 diferentes tipos de supervisor, apenas 3 geraram vagas.

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