sábado, agosto 09, 2014

Dominique


Opinião

Aloprados agora atacam do Planalto

A adulteração difamatória dos perfis no Wikipedia de Míriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg, feita de dentro do Palácio, tem de ser investigada com seriedade

O Globo - Editorial
O termo foi lançado com propriedade pelo próprio presidente Lula, quando, na campanha para a reeleição, em setembro de 2006, petistas foram presos pela Polícia Federal, em São Paulo, quando se preparavam para comprar um dossiê falso contra a candidatura de José Serra ao governo paulista. Um bando de “aloprados”, tachou Lula, até como forma de manter distância daquela operação atrapalhada de sabotadores incautos. Entre os “aloprados”, estavam pessoas próximas a ele e de sua campanha.

O tempo correu, o PT ampliou o exército de militantes na internet, e cresceu, também, o número de sites/blogs chapas-brancas, bancados com dinheiro público, até que, na campanha presidencial seguinte, em 2010, soube-se de nova operação aloprada. No ano anterior, o sigilo fiscal do candidato tucano, adversário de Dilma Rousseff, José Serra, fora quebrado na agência da Receita Federal em Mauá, na Grande São Paulo. Arquivos com informações pessoais, sigilosas, sob a guarda do Estado, haviam sido invadidos. E também de familiares do candidato.

A atuação do PT na internet é ponto forte do partido. Mérito dele. O problema é a atuação criminosa na rede de computadores a serviço de interesses partidários.

A mais recente ação aloprada foi cometida a partir do Palácio do Planalto, de onde acessaram-se os perfis no Wikipedia dos jornalistas Míriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg, para difamá-los. Por uma dessas irônicas coincidências, trabalha hoje no Planalto, como ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, presidente do PT em 2006, e acusado por Lula, na época, de ter escolhido aqueles “aloprados” para trabalhar na sua campanha.

A seriedade do fato, agravada pelo local em que ocorreu, exige investigação profunda, séria. O governo, pela secretaria de Comunicações do Planalto, lamentou o uso da rede do Palácio para o ataques aos profissionais, porém alegou ser impossível localizar-se os registros dos acessos, feitos em 2013, para se identificar o(s) culpados(s).

Há controvérsias. Técnicos garantem que as informações podem ser resgatadas dos servidores de Palácio. E, se lá não estiverem, a identidade de quem as retirou terá ficado gravada.

Mais este escândalo reafirma a incapacidade de militantes que chegaram ao poder em 2003 de conviver com a independência e diversidade de pensamento. Portanto, com o jornalismo profissional. Na sua intolerância, agem como fascistas. Por isso, constituem ameaça à democracia.

O fato denuncia, também, o fácil trânsito em palácios desses agentes do autoritarismo. Nada surpreende, nem a constatação de que este é mais um ataque de aloprados mantidos nas cercanias dos poderosos do turno, como ferozes cães de guerra. Tudo faz parte de uma mesma cultura política, partidária e ideológica que não tem pudor de mobilizar todos os meios para se manter nos aparelhos instalados dentro do Estado.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 09 / 08 / 2014

O Globo
"Lucro da Petrobras cai 25% no ano, para R$ 10 bi"

Com menos dinheiro em caixa, dívida da empresa sobe 9% para R$ 241 bi

No trimestre, ganho foi de R$ 4,9 bi, abaixo da previsão de analistas do mercado, de R$ 7 bi. Defasagem de 6,8% no preço da gasolina influencia resultado

A Petrobras teve lucro de R$ 4,9 bilhões no segundo trimestre, abaixo das projeções do mercado, de R$ 7 bilhões. No ano, o ganho foi de R$ 10,3 bilhões, 25% inferior ao do primeiro semestre de 2013. Segundo analistas, a defasagem nos preços dos combustíveis e o aumento da importação afetaram o caixa da empresa, que viu sua dívida crescer 9%. 

Folha de S. Paulo
"EUA bombardeiam bases de radicais islâmicos no Iraque"

Ataques com caças e drone ocorrem 2 anos e 7 meses após tropas terem deixado o país do Oriente Médio

Dois anos e sete meses após deixarem o Iraque, os EUA atacaram Irbil, no norte do país, em resposta ao avanço dos extremistas do listado Islâmico sobre o Curdistão iraquiano. O governo local não relatou mortes. Três bombardeios ocorreram horas depois de o presidente Barack Obama autorizar a ofensiva para “evitar um potencial genocídio”. Os ataques, com caças e drone, começaram às 13h45 locais (7h45 de Brasil ia) e focalizaram alvos militares, como veículos e bases de lançamento de mísseis. A tomada de cidades pelos rebeldes tem causado a fuga de milhares de pessoas que temem ser mortas caso não se convertam a uma vertente radical do islamismo, imposição dos invasores. Cerca de 40 mil curdos se refugiaram nas montanhas, e o cerco do Estado Islâmicos os deixa sem acesso a comida e água. Aviões americanos e britânicos lançaram suprimentos na área. Líder do grupo extremista islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi convocou os americanos para o confronto. “Então espere, que esperaremos vocês.”   

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sexta-feira, agosto 08, 2014

Pitacos do Zé


"Se Fosse em época de eleição...”

José Ronaldo dos Santos
O título deriva de frase crítica comum, quando o cidadão vê as coisas que cabem às autoridades eleitas (vereador, prefeito etc.) resolverem. Afinal, esses cargos políticos existem graças à nossa contribuição. Imagine que o brasileiro trabalha um terço do ano só para dar conta dos impostos e tributos! Caso o cidadão viva noventa anos, ele vai dedicar trinta anos de seu esforço para manter essa máquina chamada Estado.

Em Ubatuba (SP) não é diferente. Está correto o amigo Júlio ao escrever: “Durante campanha vocês “políticos” ou politiqueiros, parece que tomam um chá de lâmpada e em ideias mirabolantes, prometem, falam que a cidade está carente de eventos, que a cidade está suja, que a cidade precisa disso e daquilo.... depois que assumem o poder, tomam laxante cerebral, esquecem de tudo e o marasmo permanece”.

A imagem acima está fazendo um mês. Trata-se de um buraco; fica na ciclovia, no Bairro da Marafunda. Aguardei de propósito para ver se alguém reclamava, se funciona mesmo a “Regional Oeste” etc. Sei que por ali passam funcionários e autoridades com salários que deveriam ser justificados para atuarem em casos. Porém, parafraseando o mesmo Júlio, falta tirar a bunda da cadeira e ser honesto na função que tem.

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Lagarta com cara de gente...


Coluna do Celsinho

Saída

Celso de Almeida Jr.

Gera preocupação o futuro dos jovens ubatubenses.

Afinal, quais as perspectivas de trabalho que têm?

O comércio local, a hotelaria, os prestadores de serviços, absorvem uma pequena parte desta demanda.

Várias famílias, também, conseguem criar condições para que seus filhos consolidem suas atividades profissionais em cidades mais promissoras.

A questão principal é que a maioria da juventude não dispõe desta retaguarda.

Voltando à nossa iniciativa privada, pergunto, ela é pujante?

Alguns segmentos, sem dúvida, estão consolidados.

Mas, novamente, reflito sobre a maioria.

Geralmente, são pequenas empresas com limitado poder de investimento e que resistem a contratações.

Sabem dos riscos que a legislação trabalhista embute.

E os serviços públicos?

Geram empregos, através de concursos ou acordos políticos.

Não proporcionam, porém, uma diversidade de possibilidades profissionais.

Uma saída para este cenário nebuloso seria oferecer aos nossos jovens uma excelente formação nos ensinos fundamental, médio e técnico.

Esta base educacional representaria a possibilidade de evolução, afinal, pelo país afora, há vagas no mercado de trabalho para gente preparada.

Sem falar na possibilidade de uma carreira acadêmica, disputando vagas nas melhores universidades.

Há diversos programas que oferecem bolsas de estudos integrais para os menos favorecidos.

É necessário, porém, ter uma boa formação para conquistá-las.

Pois é, meus amigos...

No melhor cenário, garantir capacitação de alto nível para nossos jovens poderia, finalmente, atrair empreendedores para o município.

Eles teriam a certeza de encontrar por aqui mão de obra qualificada.

O tempo passa e a velha e boa fórmula para uma vida mais promissora ainda é pouco aplicada.

Educação de qualidade é a saída para a estagnação.

Janela magnífica para o progresso e a liberdade.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique


Opinião

Voto útil

Merval Pereira, O Globo
Pesquisa a pesquisa, vai sendo reduzida a diferença num cada vez mais provável segundo turno entre a presidente Dilma Rousseff e os dois principais candidatos oposicionistas. Nesta rodada da consulta Ibope Inteligência/TV Globo, a soma de votos nos adversários já empata com a da presidente no primeiro turno, 38% a 38%. Num segundo turno, reduz-se a distância que a separa tanto de Aécio Neves (PSDB), quanto de Eduardo Campos (PSB).

Na disputa com Aécio Neves, a candidata-incumbente venceria hoje por uma diferença de seis pontos percentuais: 42% das intenções de voto, contra 36% do candidato tucano. Essa distância entre os dois era de nove pontos percentuais na pesquisa anterior. Na disputa simulada pelo Ibope entre Dilma e Eduardo Campos, a petista continua na frente, mantendo uma diferença de 12 pontos — 44% a 32%.

Isso quer dizer que o candidato do PSDB, Aécio Neves, agrega 13 pontos percentuais num hipotético segundo turno, enquanto Dilma acresce à sua votação apenas mais quatro pontos. Já o candidato do PSB, Eduardo Campos, cresce nada menos que 23 pontos, enquanto Dilma apenas seis.

À dificuldade que os dois estão tendo, especialmente Campos, de subir no primeiro turno, opõe-se todo potencial de crescimento na eventualidade de um segundo turno, quando o eleitor terá diante de si um duelo de vida ou morte entre a presidente candidata à reeleição e um oposicionista. Nesse caso, entra em ação o voto útil.

O resultado da nova pesquisa Ibope/TV Globo mostra que a campanha petista sobre o aeroporto de Cláudio, em Minas, não afetou a competitividade de Aécio Neves, que cresce lentamente na margem de erro. Já a resiliência da candidatura de Dilma fica mais uma vez demonstrada, reforçada pela sensação generalizada de que, ao final, ela será a vencedora.

Como a avaliação do governo não mudou, e sua rejeição continua alta, o fato de a expectativa de vitória continuar sendo a seu favor pode indicar certo desânimo do eleitorado, que ainda não enxerga nos candidatos de oposição uma alternativa real à sua ânsia de mudança, que não se alterou: 69% querem que o próximo presidente mude tudo ou quase tudo no governo.

Foi perguntado aos eleitores quem acreditam será o presidente eleito em outubro, independentemente de suas intenções de voto, e o resultado continua o mesmo: 55% acreditam que a presidente Dilma será reeleita ao fim. Outra marca que também não sofreu alteração foi a rejeição, com a presidente continuando com o maior índice, citada por 36% dos eleitores brasileiros.

A presidente também não consegue sair do inferno astral da baixa avaliação de seu governo: 35% o consideram regular, enquanto 32% o avaliam como ótimo ou bom, e 31% como ruim ou péssimo. Esse nível de aprovação coloca o governo Dilma na parte inferior de uma escala de valores que permite prever uma reeleição quando o candidato tem acima de 35% de ótimo e bom na avaliação de seu governo. Abaixo disso, como se encontra a presidente há alguns meses, a reeleição fica praticamente inviabilizada.

Como ela terá uma grande exposição na propaganda eleitoral, pode ser que consiga reverter essa impressão do eleitorado. Mas a maneira com que a presidente Dilma está governando o país é desaprovada por cerca de metade (49%) dos eleitores brasileiros, contra 47% que a aprovam. O Ibope Inteligência aponta “alterações significativas” entre alguns segmentos analisados. A intenção de votar em Aécio cresce três pontos percentuais entre eleitores de 35 a 44 anos, ao passo que as menções a Dilma nesse segmento decrescem dez pontos.

O segmento em que o candidato tucano tem maior percentual de intenções de voto é no ensino superior, em que cresceu de 33% para 35%, contra uma queda de cinco pontos percentuais de Dilma, que foi a 22% no segmento. A presidente Dilma cresceu de 45% para 50% entre eleitores menos escolarizados, e de 34% para 45% entre os do Norte e Centro Oeste.

O Nordeste permanece o maior reduto eleitoral governista, com Dilma sendo escolhida por 51% dos eleitores, contra 11% de Aécio e 12% de Campos. Até o momento, portanto, os adversários de Dilma não conseguiram reduzir a vantagem que ela tem no Norte e no Nordeste, onde tirou 11 milhões de votos à frente na eleição de 2010 recebendo 55% dos votos no Nordeste.

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 08 / 08 / 2014

O Globo
"Energia pode subir 24% com socorro a elétricas"

Bancos públicos vão arcar com 68% do novo empréstimo ao setor

Governo fecha mais R$ 6,6 bilhões de financiamento ao setor. Com isso, impacto na conta de luz, a ser repassado em 2015, será maior

O governo fechou com oito bancos novo socorro às distribuidoras, de R$ 6,6 bilhões , para cobrir o rombo com a crise de energia. Desse total, R$ 4,5 bilhões, ou 68%, virão de bancos públicos. Os empréstimos às distribuidor as já somam R$ 23,3 bilhões este ano, incluindo encargos. O valor será repassado às contas de luz. Segundo fontes do governo, o impacto será de 11,7% em 2015 e mais 11,7% em 2016. Mas analistas calculam que, com o financiamento acertado ontem, os repasses anteriores do Tesouro e o custo maior da energia, as tarifas subirão 24% no ano que vem.

Folha de S. Paulo
"Juiz diz que prova ficou 'fragilizada' e solta ativistas"

Laudos que descartaram explosivos com presos enfraquecem acusação

A Justiça mandou soltar os manifestantes Fábio Hideki Harano e Rafael Marcos Lusvarghi, presos em 23 de junho em ato contra a Copa do Mundo em São Paulo. Ambos deixaram a prisão no início da noite de ontem (7). A decisão do juiz Marcelo Matias Pereira ocorreu após a Folha revelar que laudos oficiais comprovaram não serem explosivos objetos encontrados com eles no protesto, segundo a polícia.  

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quinta-feira, agosto 07, 2014

Dominique


Opinião

O outro debate

Luis Fernando Veríssimo
Não faz muito, 150 mil pessoas se manifestaram nas ruas de Tel Aviv contra a política do governo israelense em relação aos palestinos e pela criação de um Estado palestino na região. Aqueles que se apressam a atribuir qualquer crítica a Israel ao antissemitismo talvez possam explicar a presença de 150 mil antissemitas em Tel Aviv. O “Haaretz” é o principal jornal de Israel e um dos mais importantes e respeitados do mundo. A posição do jornal na questão palestina é a mesma dos manifestantes de Tel Aviv.

A crítica mais informada e relevante à politica da direita no poder em Israel é feita nos seus editoriais e nas colunas de colaboradores como Gideon Levy, citado por Noam Chomsky num recente artigo deste para a revista “The Nation”, e que é apenas um exemplo dos muitos intelectuais, escritores, artistas, homens públicos e outros cidadãos de Israel que se opõem às ações do seu governo — e não são antissemitas. Antes, se preocupam em evitar que a maior conquista da antidiáspora judaica, a construção de uma sociedade moderna, democrática e pluralista numa paisagem inóspita, seja frustrada não pelas areias do deserto, mas pelo radicalismo.

É óbvio que a eleição de um governo duro como o liderado por Netanyahu é consequência da ameaça à segurança e à sobrevivência do Estado de Israel, mas Netanyahu não é a cara de Israel, muito menos da cultura e da história do Povo do Livro, e o mandato dado à direita pelo eleitorado não inclui a autorização expressa de matar civis e crianças para fechar túneis, uma missão de difícil compreensão.

Nos debates que se travam no mundo inteiro sobre os direitos e as culpas dos dois lados no atual conflito, tem-se dado pouca atenção a este outro debate, dentro de Israel e antigo como ele, entre direita e esquerda, teocratas e laicos, falcões e moderados, e que no fundo, sem literatura, é uma disputa pela alma do país. O Moacyr Scliar, escritor judeu, laico, homem de esquerda, entusiasmado pela experiência social que transcorria em Israel, mas preocupado com os efeitos da radicalização no seu futuro, pregava menos explosão e mais moderação no Oriente Médio. Foi chamado de antissemita.

Luis Fernando Veríssimo é escritor 

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 07 / 08 / 2014

O Globo
"Crise reduz em 20% produção de automóveis"

Sem fôlego para crescer

Apesar de incentivos do governo, setor teve o pior julho desde 2006

Vendas no mercado interno caem 13,9%, e exportações sofrem com problemas na Argentina

A indústria automobilística viu sua produção recuar 20,5% em julho , no pior resultado para o mês desde 2006. Apesar dos incentivos do governo, como a prorrogação do IPI reduzido, as vendas no país caíram 13,9%, e as exportações, 36,7%, afetadas pela crise argentina. A presidente Dilma Rousseff informou que o governo quer elevar para 27,5% o percentual de etanol na gasolina. Montadoras temem danos à frota mais antiga. 

Folha de S. Paulo
"Crise russa ampliará as exportações brasileiras"

Retaliação de Putin às sanções de UE e EUA beneficiará a venda de carnes

Numa retaliação às sanções impostas à Rússia devido à crise na Ucrânia, o governo de Vladimir Putin anunciou embargos a importações de alimentos e matérias-primas dos EUA e de países da União Europeia. A medida vai favorecer as exportações brasileiras de carnes, principalmente a de frango. Se ocupar só o espaço dos EUA, o Brasil elevará as vendas anuais de aves das atuais 60 mil toneladas para 210 mil. (...) Há dois meses, em Paris, o governo russo havia sinalizado ao Brasil a necessidade de aumentar as compras de carnes brasileiras. 

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quarta-feira, agosto 06, 2014

Dominique


Opinião

Domingo no absoluto

Fernando Gabeira
Vou falar dos black blocs. Não para atacá-los ou defendê-los, apesar de minha posição contra a violência.

Como hoje é domingo, pensei em outro caminho, chegar um pouco mais longe.

Os revolucionários do século passado eram chamados de nostálgicos do absoluto pelo escritor George Steiner.

Segundo ele, a sede do absoluto que marcava as religiões deslocou-se para a política. O céu foi substituído pelos amanhãs que cantam, pelo fim da exploração do homem pelo homem, por todas as utopias que os intelectuais pregavam.

Esse deslocamento da religião para a política foi observado pelos próprios marxistas, como Antonio Gramsci. O filósofo italiano questionava a frase constante entre os comunistas: perdemos uma batalha mas venceremos a guerra.

Gramsci chegou a arranhar esse tema ao ver um contrabando religioso na análise dos comunistas: como acreditar que chegaremos à vitória através de uma sucessão de derrotas? Esse tema não seria a transposição da ideia de alcançar os céus através do vale de lágrimas? Mas Gramsci não negava os céus, apenas questionava o roteiro.

Uma visão mais ampla do momento que alimentou utopias encontra-se em Isaiah Berlin, no livro “O sentido da realidade”. Ele aponta alguns marcos decisivos na história do pensamento. Um deles foi o surgimento do romantismo alemão, no fim do século XVIII. A partir dali, a essência do homem transferia-se da razão para outra fonte: a vontade. Foi um movimento que ofuscou o modelo do erudito, do homem que alcança a felicidade por meio da compreensão. Abriu-se o espaço para o herói trágico, que busca realizar a si próprio a qualquer custo, contra qualquer adversidade, não importam as consequências.

Pistas que os escritores do século passado nos deixaram já não iluminam todo o caminho. Houve grandes deslocamentos no princípio do século XXI. O terrorismo, por exemplo, mudou de caráter. Os terroristas do início do século XX adiaram o atentado à carruagem do arquiduque Franz Ferdinand porque havia crianças no veículo. O atentado contras as Torres Gêmeas, em Nova York, entre outros, mostrou que não se hesita mais diante da morte de crianças, sob o argumento de que o inimigo também bombardeia crianças.

A linha divisória entre movimentos de contestação é mais difícil de situar do que no terrorismo, que assumiu contornos de fanatismo religioso.

O traço mais nítido, hoje, é ausência de uma estratégia, de um lugar utópico para onde conduzir o mundo. Não há análises sociais, não há táticas, no sentido da escolha de setores a seduzir, neutralizar ou combater. Não há documentos nem um espaço de discussão conhecido.

Dizem alguns críticos de cinema que isto é a marca do pós-moderno. Alguns filmes de agora já não se preocupam com enredos e tramas, mas sim como uma sequência de ações. São apenas um amontoado de ações e ponto final.

Os black blocs soam para mim como um movimento pós-moderno. São apenas ações, não propõem um futuro, nem se dão ao luxo de explicar como e com quem chegarão a ele.

E as bandeiras vermelhas que tremulam ao seu lado, os deputados da esquerda da esquerda tradicional que pedem sua libertação? Não significam que, no fundo, são movidos pelas velhas utopias?

É possível estar perdido na mesma floresta por razões diferentes. A esquerda clássica apoia aquilo que espera, de alguma forma, controlar.

No estalinismo, a paixão pelo controle a levou à destruição do outro, como na Guerra Civil Espanhola, com a morte de tantos anarquistas.

Cem anos depois da I Guerra Mundial, vivemos em crise. No debate “Mutações: Fontes passionais da violência”, o amigo Adauto Novaes cita Paul Valéry, para quem o espírito seria aniquilado pela tecnologia. Era uma reflexão sobre a I Guerra.

Modestamente, acho que não foi apenas o espírito que sucumbiu à tecnologia, mas a cultura à diversão, a palavra à imagem, o enredo à ação irrefletida, as evidências às versões.

Por aqui, a paisagem depois da batalha, entre outras consequências, revela uma cena política desoladora, povoada por picaretas de gravata e mascarados incendiários.

Ainda bem que hoje é domingo e os domingos suavizam o peso do tempo sobre nossos ombros.

O poeta fabrica um elefante com pedaços de móveis, algodão, paina e doçura, para vê-lo arrebentado no final do dia. Podemos repetir como Drummond: amanhã, recomeçamos.

PS — Gosto de Caetano Veloso e mais do que isso: sou muito grato a ele. E não só por sua ajuda em campanhas difíceis, mas pelo fato de existir e compor maravilhosas canções que, entre outras coisas, me ajudaram a atravessar tantos anos de exílio. É uma honra substitui-lo e, ao mesmo tempo, uma perda: não posso mais ler sua coluna semanal.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 06 / 08 / 2014

O Globo
"Israel se retira e famílias voltam para casas destruídas"

Depois de 29 dias de guerra, Israel e o Hamas iniciaram ontem uma trégua de 72 horas, que negociações no Cairo tentam tornar definitiva. Nenhum dos lados rompeu o cessar-fogo, como ocorrera na semana passada. Com a calmaria, milhares de palestinos retornaram para suas casas, mas muitos só encontraram ruínas. As tropas de Israel saíram de Gaza, e o premier Benjamin Netanyahu afirmou que os túneis subterrâneos do Hamas foram destruídos. O líder do grupo, Ismail Haniyeh, também declarou vitória. A ONU alertou os dois lados para evidências da ocorrência de crimes de guerra. 

Folha de S. Paulo
"Planalto controlou perguntas e ações da CPI da Petrobras"

Sub de ministro foi destacado para coordenar estratégia no Senado, com PT e estatal; pasta nega irregularidade

Assessores do Palácio do Planalto coordenaram uma operação entre a Petrobras e a liderança do PT no Senado para combinar a atuação da CPI na investigação da estatal. A coordenação do grupo ficou a cargo do número 2 do ministro Ricardo Berzoini (Relações Institucionais). O secretário-executivo da pasta, Luiz Azevedo, ajudou a elaborar o plano de trabalho da comissão. O Planalto destacou ainda Paulo Argenta, outro assessor de Berzoini, para evitar que a CPI saísse do controle. Os dois tiveram acesso antecipado a perguntas da comissão. O ministério informou que "faz parte das atribuições da pasta acompanhar as atividades legislativas, inclusive as CPIs". O Senado abrirá sindicância sobre o caso. O Congresso vai instalar nesta quarta (6) CPI mista para investigar o cartel do metrô de São Paulo. 

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terça-feira, agosto 05, 2014

Dominique


Opinião

Para ocultar a podridão

O ESTADO DE S.PAULO
Só pode ter uma causa a farsa armada pelo governo, o PT e a Petrobrás na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o escândalo da compra da Refinaria de Pasadena, em curso no Senado - a seleção sob medida e o repasse antecipado das questões a cair nas sabatinas a que se submeteriam figurões da estatal, como revelou a revista Veja -: a ânsia de calafetar até a mais microscópica das frestas do caso para que permaneçam nas sombras as dimensões do pântano profundo que recobre os subterrâneos da transação.

Segundo o transcrito de uma conversa de 20 minutos filmada a que a publicação teve acesso, o chefe do escritório da Petrobrás em Brasília, José Eduardo Sobral Barrocas, comentou com o advogado da empresa, Bruno Ferreira, e um terceiro interlocutor não identificado que o assessor especial da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Paulo Argenta; o assessor da liderança do governo no Senado, Marco Rogério de Souza; e o assessor da liderança do PT na Casa, Carlos Hetzel, foram os autores das perguntas previamente encaminhadas à presidente da petroleira, Graça Foster, ao seu antecessor Sérgio Gabrielli e ao ex-diretor Nestor Cerveró, para que combinassem as respostas a fim de não cair em contradição. Eles depuseram na CPI entre os dias 20 e 27 de maio.

Dos 13 membros do colegiado, que tem 180 dias de prazo para apurar o negócio de Pasadena e as ligações de funcionários da Petrobrás com o doleiro Alberto Youssef, 10 são governistas. Maioria na Casa, as lideranças do PMDB, PT e de outras siglas da base do Planalto haviam se apropriado, numa operação a que não esteve alheia a presidente Dilma Rousseff, de uma iniciativa da oposição, quando ficou claro que não seria possível bloqueá-la. Lesados, os oposicionistas conseguiram emplacar outra CPI, dessa vez mista, e ignoraram a contrafação montada no Senado, tendo como presidente o peemedebista Vital do Rêgo e como relator o petista José Pimentel. Nem essa confortável situação era o bastante, agora se sabe. "Risco zero" foi a palavra de ordem.

Isso não pode ser atribuído a um velho cacoete petista nem, apenas, ao cuidado para que nada, absolutamente nada, possa respingar no projeto da reeleição de Dilma - que, em 2006, chefiando o Conselho de Administração da Petrobrás, autorizou a compra de metade da refinaria, por 8,5 vezes mais do que a sua proprietária, o grupo belga Astra Oil, havia pago pelo empreendimento inteiro, apenas um ano antes. A estatal acabaria enterrando na tenebrosa transação US$ 1,245 bilhão, com um prejuízo de US$ 792 milhões, segundo o Tribunal de Contas da União. Em decisão recente, que se seguiu a intenso trabalho de lobby, o órgão isentou a presidente de qualquer responsabilidade pelo maior rombo na história da empresa e resolveu abrir outra ação contra 11 dos seus diretores ou ex-diretores.

Por que então os operadores do Planalto, com a presumível cumplicidade do relator José Pimentel, prepararam e entregaram a "cola" da prova aos sabatinados? Repita-se: o único motivo que faz sentido era impedir que, por descuido, um deles desse uma pista das enormidades que possam estar por trás do escândalo de Pasadena. Não que inexistam indícios veementes disso. Basta citar um exemplo pontual, uma ponta de iceberg: um relatório da própria Petrobrás, obtido em abril pelo jornal O Globo, descobriu que, em fevereiro de 2010, US$ 10 milhões foram retirados da conta da refinaria mediante mera autorização verbal - não se sabe de quem, para quem e para quê. E Pasadena muito provavelmente não foi um raio em céu azul.

O PT no poder, ao aparelhar a Petrobrás, "criou um monstro", como disse certa vez o general Golbery do Couto e Silva da sua criatura, o Serviço Nacional de Informações (SNI). E se há uma personagem central nesse processo, que permitiu o inadmissível na estatal, é a então ministra de Minas e Energia, depois titular do Gabinete Civil e, enfim, chefe do governo. Ninguém, ao longo desses anos, nem mesmo o ex-presidente Lula, há de ter tido influência comparável na estatal. É dela, portanto, a responsabilidade objetiva - não por uma ou outra decisão desastrosa ou falcatrua, mas pelo conjunto da obra.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 05 / 08 / 2014

O Globo
"Governo turbina nova subsidiária da Infraero"

Espanhola e alemã estão no páreo como candidatas a sócia da empresa

Após entrega de Galeão e Confins, governo vai criar estatal livre de dívidas para atuar na aviação regional

Sem conseguir implantar um choque de gestão na Infraero e diante da perspectiva de perda de receitas com a entrega, na próxima semana, de Galeão e Confins à iniciativa privada, o governo decidiu turbinar a nova subsidiária da estatal, que será criada ainda este ano. A Infraero Serviços vai operar aeroportos regionais e terá um sócio estrangeiro. As operadoras Aena, espanhola, e Fraport, alemã, estão no páreo para entrar no negócio, informam Geralda Doca e Gabriela Valente. A nova empresa vais prestar serviços e consultoria e, nos planos do governo, terá um quadro enxuto. A Infraero "antiga" ficará com o passivo trabalhista, de R$ 213,5 milhões.

Folha de S. Paulo
"Presos em SP em protesto não tinham explosivos"

Objetos não ofereciam risco, apontam laudos; defesa pedirá soltura de réus

Os artefatos encontrados com dois manifestantes presos em São Paulo em um protesto durante a Copa não eram incendiários nem explosivos, apontaram laudos da Polícia Militar e do Instituto de Criminalística, informa Giba Bergamim Jr. Detidos há 43 dias, os ativistas Fábio Hideki Harano, 27, e Rafael Lusvarghi, 26, são réus sob acusação de associação criminosa, incitação ao crime e porte de explosivos e outros delitos. Os dois foram acusados de serem "black blocs" e de liderarem protestos violentos.

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segunda-feira, agosto 04, 2014

Dominique


Opinião

A política de Dilma

O ESTADO DE S.PAULO
Em entrevista ao Estado (27/7), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso comentou a sua frustração com a implantação parcial do Plano Real e com a falta de continuidade nas reformas de que o País tanto precisava e continua precisando. "Ficaram pela metade." Referindo-se à reforma política, afirmou: "Eu tomei a decisão de não começar por ela, porque se começássemos por ela não sairíamos dali (....). Estamos pagando o preço pela falta da reforma política".
Ainda que se possa discordar do seu ponto de vista, há nele um raciocínio político no seu mais genuíno sentido: no âmbito do possível, estabelecer as prioridades de ação.

É o que falta à presidente Dilma. Ela completa agora 43 meses governando o País, faltando apenas 5 meses para o término do seu mandato. Nesse tempo de Palácio do Planalto, faltou-lhe definir, dentro do possível, as suas prioridades.

O que mais frustra no seu governo não são os erros pontuais - que abundam -, mas a inexistência de prioridades, de metas claras que confiram um sentido inteligível ao governo.

Esse cenário - que a distancia de qualquer presidente da República que deixou alguma marca positiva de seu governo - começou a ser delineado quando ela se esquivou de ponderar sobre o possível. As suas investidas - como a "faxina ética" de 2011, com a frenética troca de ministros - morreram na praia.

Não que, com audácia, ela almejasse ampliar as "fronteiras do possível". Seus erros têm sido, simplesmente, erros de cálculo. De não saber calcular as suas forças nem saber prever o percurso que queria e teria de fazer.

E isso a levou a ficar refém das circunstâncias, do curto prazo, em ações - para não falar dos discursos - que precisavam de explicações sobre explicações para que adquirissem uma remota aparência de sentido.

Se a presidente Dilma não soube avaliar o possível, muito menos poderia estabelecer prioridades. Contando com folgada maioria no Congresso e igual apoio da opinião pública, a presidente não patrocinou nenhuma das reformas essenciais ao desenvolvimento econômico, social e político do País. Perdeu-se em medidas pontuais, desconexas, cujo único objetivo geral era - como se viu com o passar do tempo - tentar dar sobrevida a um sistema esgotado, cujo relativo sucesso prévio baseava-se em circunstâncias já não mais existentes.

O seu fracasso não é só econômico. É um governo perdido e teimoso, incapaz de ouvir outro som além do eco da sua fala. O País paga diariamente um alto preço por isso. E não apenas no presente, já que a fatura dessa irresponsabilidade recairá também sobre o futuro. Quem sabe quanto tempo se levará para desfazer o imbróglio criado, por exemplo, no setor elétrico? Quanto tempo levará a indústria nacional para se reerguer?

A única estratégia do governo Dilma tem sido a da sua prorrogação por mais quatro anos e a do lulopetismo por tempo indeterminado. O resto é um governo que seria vazio, não fossem os efeitos deletérios da aplicação de sua falta de visão às estruturas política e produtiva do País. Um governo que não tem os pés no chão. Veja-se como reagiu às grandes manifestações de junho de 2013. Num passe de mágica, Dilma firmou - não se sabe com quem - cinco "pactos".

Na prática, era a simples enunciação de problemas nacionais óbvios - responsabilidade fiscal, reforma política, sistema de saúde, mobilidade urbana e educação -, mas sem qualquer sinalização de caminhos para enfrentá-los. Ficou sozinha com o seu discurso, sentindo-se incompreendida. Mas o que houve nesse caso - da mesma forma que nos outros - foi a sua falta de compreensão da política. Não soube traçar, dentro do campo do possível, prioridades e trabalhar a sério nelas. Resultado: depois de uma semana, nem mesmo ela parecia se lembrar do que havia dito.

É esse (des)governo que chega à sua etapa final, com a economia em desagregação e um ambiente social de difuso, porém profundo, desagrado. O remédio para tais males, felizmente, são as urnas.

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 04 / 08 / 2014

O Globo
"Hidrelétricas terão gasto extra de R$ 15,8 bi"

Crise nas usinas

Geradoras vão ao mercado comprar energia mais cara

Forte seca este ano levou à redução do nível dos reservatórios, compromete expansão do setor e pode afetar a atividade industrial

Com contratos a cumprir e reservatórios drasticamente afetados pela falta de chuvas, as geradoras de energia hidrelétrica têm recorrido ao mercado livre, onde o custo do MGW/h chega esta semana a R$ 817,53, para cumprir seus compromissos. Um gasto extra que deve fechar este ano em R$ 15,83 bilhões e já faz as empresas do setor pensarem em recorrer ao governo federal para pedir socorro financeiro, a exemplo do que foi feito com as distribuidoras de energia. A diferença é que, no contrato das geradoras, o risco está embutido e não há previsão de ajuda governamental. A situação atual inibe investimentos, e, segundo um especialista, a curto prazo, a solução é "rezar para chover". 

Folha de S. Paulo
"Israel ataca outra escola, e ONU vê 'ato criminoso'"

Bombardeio mata dez; Ban Ki-moon diz que conflito em Gaza é 'loucura'

Um novo ataque de Israel contra uma escola da ONU em Gaza matou ao menos dez civis palestinos, entre eles crianças. O local abrigava cerca de 3.000 pessoas. O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, classificou o bombardeio de "um ultraje moral e um ato criminoso", que viola lei humanitária internacional. Sobre o conflito entre israelenses e o Hamas, Ban disse que essa "loucura deve parar". Os EUA chamaram o ato, o terceiro contra uma escola da ONU em 11 dias, de "vergonhoso". Já Israel informou que tinha como alvo membros da Jihad Islâmica.

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domingo, agosto 03, 2014

Dominique


Opinião

A tropa petista vai ao ataque

O ESTADO DE S.PAULO
A presidente Dilma Rousseff, seu estafe e grão-petistas em geral têm reagido de forma agressiva e autoritária a todo tipo de reparo sobre o modo como o País vem sendo governado. Relatórios e análises que desmintam o cenário róseo descrito pela propaganda oficial logo são desqualificados pelas autoridades federais, como se os críticos - ainda que pertencentes a instituições internacionais importantes - fossem despreparados ou estivessem apenas movidos por má-fé.
É óbvio que os nervos afloram em época de campanha eleitoral, mas o que se espera da presidente é serenidade, pois ela ainda é a responsável pela administração do País. O que se tem notado, no entanto, é um crescente destempero.

O caso mais recente envolveu um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) que colocou o Brasil entre as cinco economias emergentes mais suscetíveis de sofrer os efeitos de outra crise financeira global. As demais seriam Índia, Turquia, Indonésia e África do Sul. Segundo o relatório, esses países estariam vulneráveis em razão de inflação alta e rombo nas contas internas e externas, entre outros problemas. No caso específico do Brasil, a situação das contas externas é qualificada de "moderadamente frágil".

A resposta do governo a essa análise correta dos fatos foi truculenta. "Não faz sentido a conclusão desse relatório", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Para ele, uma instituição respeitável não faria uma análise dessas e o estudo só pode ter sido elaborado "por uma equipe do FMI que eu não sei quem é".

O ímpeto petista para desqualificar os críticos já chegou às raias do ridículo. Em fevereiro, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) propôs um voto de censura contra o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) depois que este incluiu o Brasil entre as economias vulneráveis. Segundo Gleisi, o relatório do Fed usou uma metodologia inadequada "para se chegar a conclusões confiáveis". Na mesma sessão do Senado, outro petista, José Pimentel (CE), resumiu tudo ao dizer que o Fed é simplesmente incompetente.

Esse estilo arrogante é o mesmo que marcou a reação ao já famoso boletim do Santander, no qual o banco alertava os clientes que, se Dilma subir nas pesquisas, poderá haver "deterioração de nossos fundamentos macroeconômicos".

Embora apenas retratasse o ambiente carregado do mercado e dos investidores graças aos sucessivos erros cometidos pelo governo, o texto foi tratado por indignados petistas como "terrorismo eleitoral". Descontrolado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a exigir a demissão da analista que elaborou o boletim, recorrendo a palavrões para desqualificá-la.

Já a presidente Dilma, em lugar de apaziguar os ânimos, seguiu toada semelhante, ao dizer que vai tomar uma "atitude bastante clara em relação ao banco" - ameaça que ficou pairando no ar - e acusou o Santander de "interferência" no processo eleitoral. O desequilíbrio é evidente.

Outro caso recente em que o governo tratou de desmerecer informações que contradizem o alardeado sucesso de suas políticas ocorreu na divulgação, pela ONU, do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que envolve expectativa de vida, escolaridade e renda média. Segundo a organização, o Brasil aparece em 79.º lugar entre 187 países, tendo subido apenas uma posição em relação ao ano anterior. O ligeiro avanço foi encarado pelo governo como uma ofensa.

Nada menos que três ministros convocaram a imprensa para contestar os números usados pela ONU. Se os dados estivessem atualizados, disseram eles, o Brasil apareceria em 67.º lugar. Não é a primeira vez que o atual governo critica as contas do IDH - para as autoridades, se o índice não refletir os extraordinários avanços sociais patrocinados pelo lulopetismo, então ele só pode estar errado.

Diante desses casos, fica claro que o governo não pretende se limitar a rebater avaliações e números negativos. A tropa petista está de prontidão para ir além, desacreditando com agressividade todo aquele que representar o contraditório. Recordando Dilma: "Nós podemos fazer o diabo na hora da eleição".

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 03 / 08 / 2014

O Globo
"Herança: Renúncia fiscal vai tirar R$ 40 bi do futuro governo"

Desonerações puxarão a economia para baixo entre 2015 e 2017.

Benefícios que foram concedidos nos últimos anos ainda não impulsionaram o PIB.

As reduções de impostos ainda não tiveram o resultado desejado no PIB, mas o próximo governo terá de lidar com o efeito de um conjunto de desonerações, feitas nos últimos anos, que puxarão a arrecadação para baixo. Serão R$ 40 bilhões; de 2015 a 2017, calcula a Receita numa lista que vai do corte do IPI para carros ao crédito a exportadores. O governo diz que o resultado no PIB não ocorre em curtíssimo prazo, relata Martha Beck.

Folha de S. Paulo
"Dilma lança PAC 3 sem concluir 30% de obras do PAC 1"

Há atrasos e projetos refeitos entre as principais ações do programa de infraestrutura; governo vê salto positivo.

A presidente Dilma, candidata à reeleição lançará a terceira versão do Programa de Aceleração do Crescimento, sem que o governo tenha concluído 30% das principais obras da primeira versão do PAC, de 2007. Dos 103 projetos destacados na primeira versão do programa, quatro foram abandonados e outros 27 ainda estão sendo tocados. Atrasos e projetos revistos contribuíram para mudança no cronograma das obras iniciais do PAC, selo lançado por Lula para agrupar as ações de infraestrutura. Entre aquelas que ainda seguem em andamento estão a usina hidrelétrica de Belo Monte (PA), a transposição do rio São Francisco e a refinaria de Abreu e Lima (PF) da estatal Petrobrás. Ações voltadas para o públicos mais pobre tiveram bom desempenho, como as de habitação popular e as de acesso à energia elétrica. O governo diz que 82% de todas as obras previstas na primeira versão foram concluídas e que o PAC representa alta significativa no que se refere a planejamento, transparência e execução de obras no país. 

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