sábado, agosto 02, 2014

Dominique


Opinião

Os abutres do bem

Guilherme Fiuza, O Globo
Lula da Silva pediu a cabeça de uma funcionária do Santander. O banco entregou-lhe a cabeça dela. Era uma funcionária abutre, dessas que atacam os cordeirinhos socialistas, escrevendo coisas desagradáveis sobre o governo popular. Como ousa essa agente do capitalismo selvagem dizer que a queda de Dilma Rousseff nas pesquisas eleitorais anima o mercado?

É bem verdade que a queda de Dilma nas pesquisas anima o mercado, mas... precisava dizer isso para todo mundo? A analista do Santander não poderia ser mais discreta com seus clientes? Não dava pelo menos para falar mais baixo? Ou mudar de assunto?

Não dá para entender por que esses analistas de conjuntura insistem em falar de coisa triste. Em vez desses boletins sisudos e cinzentos, poderiam mandar mensagens coloridas e alegres, prevendo um PIB maravilhoso e garantindo que a inflação está quietinha no seu canto. Se o ministro da Fazenda faz isso, por que um banco não pode fazer? São mesmo uns pessimistas. Abutres!

Mas aqui no nosso terreiro, financista estrangeiro não vai cantar de galo, não. Como avisou Dilma na Copa do Mundo, o brasileiro já superou seu complexo de vira-latas. Os pastores alemães sentiram na carne o que significa isso. E os pitbulls do governo popular foram para cima do Santander: Dilma rosnou, Lula mordeu, e o banco teve que engolir suas palavras.

Onde quer que esteja agora, o companheiro Hugo Chávez deve estar explodindo de orgulho dos seus amigos petistas. Lula já dissera que a Venezuela chavista é um modelo de democracia, e agora mostra que não estava brincando.

A reação do filho do Brasil em defesa da reeleição de sua criatura foi um ato de estadista. O que fazer diante de uma análise desfavorável ao governo do PT? Elementar: fuzilar o analista. Com classe: “Não entende porra nenhuma de Brasil.” Quase é possível ouvir a reação eufórica do coronel Chávez: “Meu garoto!”

Aqui na Terra, a parceria chavista também é só alegria. Depois de destroçar a economia argentina com seu populismo cor-de-rosa, Cristina Kirchner deu o calote e recebeu o caloroso abraço do Brasil.

“Não podemos aceitar que a ação de alguns poucos especuladores coloquem em risco a estabilidade e o bem-estar de países inteiros”, declarou Dilma em Caracas, lugar ideal para esse tipo de ternura. Estão vendo como esses abutres são maus? Atacam uma viúva indefesa, que é leal ao falecido e mantém irretocável a reputação caloteira da família.

O abraço de Dilma em Cristina é pleno de simbolismo. A presidente brasileira deve muito à companheira argentina. Foi Cristina quem começou, corajosamente, a esconder os indicadores feiosos da economia, e a fabricar números novinhos em folha — tornando os índices de inflação, por exemplo, até simpáticos.

Dilma tomou coragem e foi atrás, implantando no governo brasileiro a contabilidade criativa — sem dúvida uma das realizações mais engenhosas do PT no poder. Numa triangulação mágica entre o Tesouro, o BNDES e estatais como a Petrobras e a Caixa, o governo popular aprendeu a esconder déficits e assim ampliar o orçamento do fisiologismo. Nem a seleção alemã pôs o Brasil na roda com tanta maestria.

Entre outras maravilhas da bravura bolivariana, os Kirchner arruinaram as empresas de energia — base do crescimento — para garantir a conta de luz baratinha, que o povo adora. Os abutres pensam que é fácil enganar o povo, mas enganados estão eles: custa caríssimo.

Propaganda populista, truques assistencialistas, engordar a máquina para enriquecer os aliados — isso tudo custa dinheiro. Como declarou Dilma, é um absurdo que esses urubus não tenham um mínimo de sensibilidade para com o bem-estar dos marajás da viúva.

E o governo brasileiro tem autoridade para defender a Argentina nesse momento difícil, porque segue a mesma escola de abutres do bem: além dos números amestrados, por aqui o setor elétrico também foi depredado em favor da bondade tarifária — que ajudou adicionalmente a sumir com metade do valor da Petrobras (fora o antro de negociatas, que ninguém é de ferro).

E, para provar que o Brasil faz questão de estar no mesmo barco da Argentina, o governo Dilma acaba de bater um novo recorde, depois de construir os estádios de futebol mais caros do mundo: o primeiro semestre de 2014 registrou o maior déficit nas contas públicas do século 21.

É bem verdade que o PT ainda não conseguiu torpedear a imprensa com a eficiência dos Kirchner. Mas tem suas listas negras, e continuará caçando essa gente que não entende porra nenhuma de Brasil.

Guilherme Fiuza é jornalista

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 02 / 08 / 2014

O Globo
"O nó do crescimento: Produção da indústria cai em 21 de 26 setores"

O maior impacto veio do ramo de veículos, que recuou 36,3% em um ano.

Desempenho industrial brasileiro teve retração de 6,9% em relação a junho de 2013, informa o IBGE. Na área de bens de capital, importante indicador de investimentos no país, o tombo foi de 21,1%.

A produção industrial brasileira caiu 6,9% em junho, sobre o mesmo mês de 2013. Dos 26 setores pesquisados pelo IBGE, 21 tiveram retração nesse período. O tombo na indústria de bens duráveis, que soma veículos, eletrodomésticos e móveis, chegou a 34,3%. A produção de bens de capital, que representa investimentos diretos na indústria, recuou 21,1% sobre junho de 2013 e 9,7% em relação a maio deste ano. Essa trava nos investimentos deve ter um peso negativo no PIB, avaliam especialistas.

Folha de S. Paulo
"Carros puxam pior queda da indústria em 5 anos"

Produção industrial cai 7% em junho; montadoras já afastam trabalhadores.

A produção da indústria brasileira caiu 6,9% em junho na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo o IBGE. Foi a quarta queda consecutiva c o pior desempenho do setor desde setembro de 2009. Em relação a maio, o recuo da indústria foi de 1,4%.

O setor de bens duráveis (que inclui automóveis e eletrodomésticos) teve forte retração de 14% em junho sobre o mesmo mês do ano passado. Dos 2,6% de queda acumulada da indústria neste ano, 1,9 ponto percentual vem do enfraquecimento da produção de veículos.

A demanda em queda e os estoques em alta já levam as indústrias automotivas a afastarem funcionários. A Fiat e a Ford vão conceder férias coletivas aos trabalhadores em agosto. A General Motors avisou sindicatos que haverá suspensão temporária de contrato de trabalho.

A balança comercial teve em julho o segundo melhor resultado do ano. Graças aos embarques de petróleo e à venda de uma plataforma, as exportações superaram as importações em USS 1,6 bilhão. 0 resultado, porém, foi insuficiente para reverter o deficit no ano. 

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sexta-feira, agosto 01, 2014

Pintura metálica


Coluna do Celsinho

Passividade

Celso de Almeida Jr.

O garoto que enfiou a mão na jaula de um tigre num zoológico em Cascavel, Paraná, teve o braço direito amputado, dada a gravidade do ferimento causado pelo ataque do animal estressado.

As imagens do menino de 11 anos, brincando em área proibida,  provam que a tragédia poderia ser evitada.

A criança não contou com o pai, nem com funcionários do zoo ou com quem gravava as imagens com celular.

Soube que algumas testemunhas alertaram o pai e o menino.

Mas não estou falando de palavras.

Refiro-me a atitudes.

É incrível, mas só assistiram as cenas preliminares daquele previsível desastre.

E não agiram.

Não agarraram a criança, salvando-a do pior.

Nesta história, há uma criança mal orientada e um tigre feroz.

E, infelizmente, adultos atônitos, irresponsáveis e passivos.

Não custa refletir:

Esta é a postura padrão de nossa sociedade para as outras histórias de nosso cotidiano?

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique


Opinião

O aço que nos tempera

Fernando Gabeira
O relatório sobre a queda do viaduto em Belo Horizonte apontou a causa: a viga de sustentação tinha só 1/10 do aço necessário para conter o peso da estrutura. Stalin chamava-se o homem de aço. Romances populares editados pelos partidos comunistas da época celebravam os bolcheviques de aço, entre eles um aviador que perdeu as pernas e continuou combatendo. No universo ocidental, mais crítico, o aço é integrado ao corpo humano na figura de um herói infantil, o Super-homem. Não tenho nada contra a fusão do corpo com o metal. O titânio tem ajudado muita gente a se mover normalmente: é uma boa presença. Felizmente, não trabalhamos com essa mitologia de corpos de aço. Mas pelo menos o aço de nossas construções deveria ser o suficiente para mantê-las de pé.

Para onde foram os 90% do aço? É uma pergunta pertinente, pois só assim entenderíamos melhor o desabamento, para além do laudo técnico. Ausência do aço necessário, camuflada em misturas de areia e cimento, é um elemento simbólico no País. Foi essa mistura malemolente que derrubou os prédios do Sérgio Naya. No Rio, um deputado confessa em gravação que recebe R$ 15 mil/mês, entre outros ganhos, só com o lanche que é servido por ONGs conveniadas com a prefeitura. Se os lanches pudessem ser decompostos como elementos de uma viga, diríamos que milhares de pães, rios de café com leite, igarapés de laranjada desembocaram na barriga do deputado.

Uma notícia diz que Lula se surpreendeu com o desgaste do governo, esperando algo assim só para 2018. Os governos desgastam-se, naturalmente, numa democracia. Nela precisam gerir recursos limitados para atender a gigantescas necessidades. E vencem as eleições prometendo mais do que podem. Esse é um dos dínamos da alternância. Mas cada governo se desgasta de maneira singular. A tolerância e a cumplicidade com a corrupção são fatores, entre outros, que determinaram o desgaste do PT. Alguns afirmam que corrupção sempre existiu, mas agora aumentou a transparência. Parcialmente correto. No entanto, muitos casos só emergiram, como o mensalão e esse escândalo carioca, de uma forma clássica: a disputa pelo butim.

O desgaste do PT começou como uma pedra na água. O primeiro círculo de descontentes nasceu com os navegantes próximos que abandonaram o barco. Impulsionados pelos ventos econômicos, novos amplos círculos desenham-se na água. O processo não se resume à política interna e à economia. O PT quer realizar uma política externa dele, e não do País. Isso é possível em Cuba ou na China. Não para um partido que chega ao poder pelo voto, num contexto democrático. Os dirigentes chineses e cubanos fundem o país com o partido porque liquidaram a oposição organizada.

Esse tema não tem grande impacto eleitoral, mas sempre me preocupou. A nota que o governo brasileiro publicou sobre a guerra na Faixa de Gaza exprime a posição do partido e de milhões de pessoas diante da morte de civis e crianças. No entanto, uma nota nacional sempre é mais equilibrada, mencionando também a violência do Hamas.

O porta-voz israelense chamou o Brasil de anão diplomático. Um líder trabalhista chamou o Brasil de gigante do futebol. Não somos nem uma coisa nem outra. É um equívoco chamar o Brasil de anão diplomático, pois retira a importância do fato histórico da criação de Israel. Neste caso da guerra em Gaza, a violência da resposta de Israel acabou atenuando a posição do governo brasileiro. Mas, sem dúvida, houve uma inflexão: ingenuamente, Lula achou que poderia influenciar um processo de paz. Chegou a viajar para isso.

Ao lançar a nota, o governo praticamente abre mão de dialogar com um dos atores. O Brasil não tem o poder de resolver uma crise que desafia a humanidade, como a do Oriente Médio. Mas tem sido eficaz na pacificação de conflitos nos países de sua região. Está na busca efetiva da paz o grande fundamento de nossa política externa. Mas o PT move-se em zigue-zagues.

A política externa tem pouco impacto eleitoral, mas soma-se aos equívocos que, no conjunto, jogam o PT numa aventura romanesca: navegar sem novas ideias num oceano de desejos de mudança. São Paulo é uma referência: o governo perde para qualquer um dos opositores, sinal de que, para a maioria dos entrevistados, o PT já era. Em termos eleitorais, isso é equacionado em números: perdemos aqui, ganhamos em outros Estados, não ameaça a vitória nacional. Mas perder na região mais desenvolvida do País dá o que pensar, sobretudo para quem se diz na vanguarda do progresso, combatendo elites brancas e outros moinhos de vento.

A Bolsa Família é uma zona de conforto porque envolve milhões de pessoas e foi reconhecida internacionalmente. Supor que represente um escudo contra todos os erros e tropeços é um equívoco. Alguns críticos do programa dizem que com a bolsa as pessoas não querem trabalhar. Discordo, minha tese é que, com a bolsa, o governo não quis mais trabalhar, no sentido de interpretar o Brasil, buscar alternativas, ligar-se aos setores mais dinâmicos e desenvolvidos tanto dentro como fora do País. A Bolsa Família deu para o gasto. E agora que o preço político dos erros vai ficando mais alto?

Por mais que os pragmáticos riam, o viaduto que caiu, além de matar duas pessoas, indicou, para mim, o ponto central do momento: nosso sistema político, já frágil, foi perdendo o aço com a mistura de areia e cimento que a longa dominação do PT injetou. O perito de Minas ficou surpreso porque a viga não se partiu antes. Se traduzimos o aço por credibilidade, também ficamos surpresos como o edifício político se mantém no Brasil. É um problema que transcende as eleições deste ano. Mas elas são a única oportunidade para todos poderem olhar para o abismo que se abriu entre o universo político e o Brasil real.

O ano que nos espera, sobretudo no setor da energia, não é dos mais animadores. O pequeno apagão que vivi na manhã de domingo me lembrou da aspereza do caminho. Tocar o País em tempos de crescimento internacional e distribuição de renda é mais fácil. Quem vencer as eleições encontrará uma pedreira.

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 01 / 08 / 2014

O Globo
"Israel e Hamas aceitam cessar-fogo por 72 horas"

Anúncio foi feito após críticas mais fortes dos EUA por ataque a escola

Após 24 dias de intensos confrontos na Faixa de Gaza e mais de 1.400 mortos, Israel e o grupo radical palestino Hamas concordaram com um cessar-fogo humanitário de 72 horas. A trégua, em vigor a partir das 8h de hoje (horário local), foi anunciada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e pelo secretário de Estado americano, John Kerry. Os EUA também intensificaram suas críticas ao bombardeio de Gaza, e a Casa Branca chamou de "totalmente inaceitável e indefensável" o ataque a uma escola da ONU que deixou cerca de 20 mortos no dia anterior. Ontem, mais 60 palestinos morreram antes do anúncio da trégua.

Folha de S. Paulo
"Ação de SP na crise da água equivale a racionamento"

Entre as medidas da gestão Alckmin, está a diminuição da pressão hídrica

Diante da crise de abastecimento de água na Grande SP, medidas do governo Alckmin (PSDB) no principal sistema que abastece a região equivalem a uma situação de racionamento. Segundo a Sabesp, a economia nos últimos cinco meses no Cantareira seria como rodízio de três dias sem água para cada um e meio com. Isso ocorre em meio a uma série de reclamações de falta d'água e resulta de medidas como remanejamento entre sistemas e a diminuição no consumo estimulada por bônus na conta mensal. 

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quinta-feira, julho 31, 2014

Dominique


Opinião

De costas para a realidade

O ESTADO DE S.PAULO
O Brasil estaria bem melhor, com maior crescimento, inflação menor, exportações bombando e contas públicas mais sólidas, se o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reconhecesse os problemas e gastasse menos tempo negando fatos bem conhecidos por qualquer pessoa razoavelmente informada. Ele se envolveu em mais uma batalha desse tipo, nesta semana, em mais um esforço inútil para contestar avaliações apresentadas em relatórios do Fundo Monetário Internacional (FMI). No primeiro documento, sobre efeitos colaterais de mudanças na política dos países mais importantes, o Brasil é incluído na lista dos sete emergentes mais vulneráveis. Os outros são Rússia, Turquia, Indonésia, Índia, Argentina e África do Sul. No segundo, a situação das contas externas brasileiras é apresentada como "moderadamente frágil", com risco de rápida piora, em caso de forte desvalorização dos produtos básicos.

Segundo o ministro, o FMI repetiu, no primeiro estudo, um erro cometido há meses por outras instituições, quando incluíram o Brasil na lista dos países mais sujeitos a problemas, se as condições financeiras ficassem mais apertadas. O Brasil, segundo ele, enfrentou muito bem as dificuldades já ocasionadas pela mudança na política monetária americana. O câmbio, disse o ministro, está estabilizado e o País continua sendo um dos principais destinos do investimento estrangeiro direto.

Mas ele deixou de mencionar dois detalhe importantes. O real foi uma das moedas mais afetadas pelas mudanças nos mercados cambiais, no ano passado, e a instabilidade só foi contida graças a repetidas intervenções do Banco Central (BC). Essas intervenções foram mantidas neste ano, para impedir ou limitar o efeito inflacionário da depreciação do câmbio. Além disso, o investimento estrangeiro direto continua insuficiente - como já foi no ano anterior - para cobrir o déficit na conta corrente do balanço de pagamentos. Caiu, portanto, a qualidade do financiamento necessário ao fechamento das contas externas.

O esquecimento, ou negligência proposital, desses dois detalhes deixou na sombra um amplo conjunto de problemas. Nem o governo prevê para este ano um crescimento econômico superior a 1,8%, número apontado há poucas semanas pelo Ministério do Planejamento. No mercado, as projeções são inferiores a 1%. O FMI, em sua última revisão do panorama econômico mundial, baixou de 1,8% para 1,3% a estimativa de expansão do PIB brasileiro. Reduziu as projeções para outros países, também, mas os números previstos para o Brasil estão entre os piores, no cenário global, e desde o ano passado têm sido revistos para baixo.

O ministro da Fazenda está certo quanto a um ponto: o FMI tem errado em relação à economia brasileira. Mas tem errado por excesso de otimismo e por levar a sério, mais do que deveria, a política de Brasília.

O Brasil, como outros emergentes, perdeu dinamismo nos últimos anos e isso se deve, segundo a análise do FMI, mais a fatores estruturais do que à conjuntura internacional. São problemas internos: infraestrutura deficiente, contas públicas em mau estado, inflação elevada e contas externas em deterioração.

O câmbio valorizado é parte do problema, admitem os analistas do FMI. Mas eles poderiam acrescentar: esse problema persistirá enquanto a inflação for muito alta e o BC, para atenuar a alta de preços, intervier no mercado para conter a depreciação do real.

Todos esses problemas têm sido extensamente discutidos por economistas brasileiros e estrangeiros. Mas o governo se recusa a enfrentá-los seriamente. As autoridades têm preferido maquiar as contas públicas e administrar os índices de inflação, contendo os preços de combustíveis, da eletricidade e do transporte público.

A situação "moderadamente frágil" das contas externas é um complemento previsível desse quadro. O País dispõe de reservas próximas de US$ 380 bilhões e isso proporciona alguma segurança. Mas a segurança efetiva e duradoura só poderia provir de um aumento da produtividade geral do País e da competitividade. Disso o governo tem cuidado muito mal.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 31 / 07 / 2014

O Globo
"Argentina entra em situação de calote"

Sem conseguir acordo com 'abutres', país ainda tenta negociação

Para socorrer o governo Cristina Kirchner, bancos privados buscam comprar dos fundos os papéis que exigem pagamento imediato de US$ 1,5 bilhão

A Argentina entrou em calote seletivo ontem ao não conseguir acordo com os "fundos abutres" e deixar de pagar juros a outros credores que aceitaram a reestruturação da dívida do país. O mediador entre o governo Cristina Kirchner e os credores soltou comunicado falando em calote.

Folha de S. Paulo
"Prazo para calote vence, e Argentina não fecha acordo"

Tentativa de negociação com credores fracassa; agência rebaixa nota do país

O ministro da Economia da Argentina, Axel Kicillof, afirmou que os fundos com quem o país está em litígio na Justiça dos EUA rejeitaram a proposta do governo de renegociação da dívida. Na reunião em Nova York, também foi negado o pedido de prorrogação da negociação. O mediador designado por tribunal norte-americano, Daniel Pollack, afirmou que, sem o acordo, o calote argentino é iminente - seria o segundo em 13 anos. Terminou nesta quarta (30) o prazo de carência para o país pagar a parcela da dívida que venceu em 30 de junho. 

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quarta-feira, julho 30, 2014

Dominique


Opinião

Negócios e ideologia juntos contra ortografia

José Nêumanne
Está nas mãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Fux uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) em que sociedades civis de arrecadação de direitos autorais contestam a Lei 11.832, que, na opinião delas, autoriza o Estado a intervir numa atividade que é de exclusivo interesse privado. Antes de a Adin chegar a Fux, o presidente da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal, Cyro Miranda (PSDB-GO), foi autorizado a criar um grupo de trabalho para apresentar uma proposta de aperfeiçoamento dos Acordos Ortográficos vigentes. De fato, são dois, pois a presidente Dilma Rousseff adiou a adoção do Acordo Ortográfico de Lisboa, assinado em 1990, do ano anteriormente previsto, 2013, para 2018, e permitindo que também se escreva da forma como se escrevia antes.

Paulista de São José do Rio Preto, o senador, empresário e ex-dirigente de Associações Comerciais, entrou na política seguindo no PL o ministro Guilherme Afif Domingos, secretário da Micro e Pequena Empresa. Eleito em 2010 pelo PSDB, tornou-se conhecido como líder de um grupo que se opôs à extinção dos 13.º e 14.º salários para senadores. Ficou famosa sua frase segundo a qual sentia pena de quem dependia de vencimentos de R$ 19 mil mensais com a estrutura de que dispõe o Senado. E foi uma das cabeças do movimento para convencer a presidente a adiar para as calendas a substituição das antigas regras da ortografia pelas previstas na reforma.

Gaúcha de Lagoa Vermelha, repórter de economia de origem e ex-chefe da sucursal de Brasília da Rede Brasil Sul (RBS), da família Sirotsky, filiada à Rede Globo, a senadora Ana Amélia Lemos, eleita pelo PP de Paulo Maluf numa coligação com os tucanos, tornou-se uma fiel escudeira do senador. Nem Miranda nem Lemos tiveram veleidades em autoria literária, linguística ou no ensino do português. Mas adotaram as ideias do professor Ernani Pimentel, que promove na internet pelo site Simplificando a Ortografia um abaixo-assinado a favor de suas propostas.

Ernani Pimentel, fundador do movimento Acordar Melhor, atua de forma prolífica e polêmica na internet, dizendo-se professor de português há mais de 50 anos, linguista, autor e conferencista. Mas ainda não se deu ao trabalho de informar aos militantes pela ortografia simples, tema do livro que também promove, onde se formou, onde se doutorou e onde dá aulas. Nas entrevistas que deu ao astro da TV Globo Jô Soares e a telejornais como Bom dia DF e em seus manifestos contra a reforma proposta pelos parceiros lusófonos, o guru de Miranda e Lemos não perde tempo dando sugestões para simplificar a ortografia. Ele prefere palavras de ordem do tipo "simplificar a ortografia é promover a inclusão social".

Conforme nosso editorial A ortografia no Senado no sábado (página A3), "ele promove um abaixo-assinado pela 'racionalização e simplificação da ortografia', sem especificar, no entanto, o que deseja mudar. Especifica, no entanto, postular uma redução de carga horária de aulas de ortografia. Segundo o professor, hoje são ministradas 400 horas/aula desde o início do fundamental até o fim do ensino médio, e ele deseja que sejam utilizadas em torno de 150 horas". O Google, principal instrumento de difusão de suas ideias, não é pródigo em dados a respeito de sua vida. Nem sequer lhe foi dedicado um perfil de Wikipedia.

Nos textos publicados por Ernani Pimentel em jornais como o Correio Braziliense, pode-se concluir que o mestre do guru dos senadores é o linguista Marcos Bagno. Este, sim, é conhecido e seu livro, Preconceito linguístico, é debatido seriamente no meio acadêmico. Trata-se de uma espécie de bíblia de extremistas de esquerda que consideram os cânones gramaticais expressões da cultura do opressor, pois a língua deve ser um organismo vivo, alterado a bel prazer de quem a fala, o povo em casa e na rua, e não engessada por escritores, críticos e professores.

A ortografia pode ser, de fato, de interesse negocial. A decisão de Dilma de gerar o caos permitindo conviverem a ortografia que se usava e a que resultou da reforma aceita pelos países lusófonos com aval de suas academias de letras criou um paralelismo indesejável em que se vendem dicionários, vocabulários, livros didáticos e de ficção com as duas formas de escrever. É possível que o adiamento do que tinha sido combinado da adoção da nova ortografia tenha, então, interferido na economia popular, por forçar a família pobre a adquirir material escolar novo e desnecessário. Há quem discorde, por isso, da reforma. É o caso do autor destas linhas.

Isso não quer dizer, contudo, que o Senado - cujo presidente, o peemedebista alagoano Renan Calheiros, também não é um reconhecido cultor da "última flor do Lácio, inculta e bela" - possa arvorar-se a mandar reduzir as horas de aula da ortografia e submeter a língua escrita a caprichos ideológicos ou de "mestres" de currículo ignoto. A conexão entre negócios pouco claros e interesses ideológicos é óbvia no caso. O que se consegue reduzindo horário de aulas de ortografia e abolindo o conceito de erro no uso da língua escrita é o contrário do que se prega. Os populistas que querem acabar com o analfabetismo simplificando a forma de escrever (como se isso tivesse que ver com aprender a ler e compreender o que foi lido) são, de fato, elitistas fascistoides que promovem a interdição da norma culta, ou seja, dos tesouros literários, a quem tem dificuldade para aprender a ler e entender.

Isso é similar ao neocoronelismo de quem, a pretexto de baratear as obras negando o porcentual a pagar a quem as cria, quer eliminar os direitos autorais, praticados desde o século 18, quando as Revoluções Americana e Francesa consagraram os direitos humanos. Nos dois casos, nega-se ao pobre o direito de saber para ascender social, econômica e politicamente. Para evitar tal ignomínia a lei dá à Academia Brasileira de Letras o encargo de guardiã do vernáculo.

*José Nêumanne é jornalista, poeta e escritor.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 30 / 07 / 2014

O Globo
"Bancos farão análises mais conservadoras"

Instituições financeiras já temem sofrer represálias do Planalto

Funcionária foi demitida após ser responsabilizada pelo envio, a 40 mil correntistas, de documento que associava a subida de Dilma nas pesquisas eleitorais à queda da Bolsa

Após a forte reação do governo à análise que o Santander distribuiu para clientes de que as bolsas poderão cair e o dólar subir se a presidente Dilma melhorar nas pesquisas eleitorais, bancos e corretoras decidiram ser mais cautelosos na elaboração desses relatórios. As instituições temem sofrer retaliações do governo, segundo analistas. A avaliação do mercado foi que o banco espanhol errou no tom ao dar a impressão de que era uma opinião política e não uma análise técnica de conjuntura, mas o Planalto, afirmam analistas, teve reação exagerada e tentou tirar proveito político do caso. O Santander demitiu uma funcionária por causa do episódio.

Folha de S. Paulo
"Rússia sofre as mais duras sanções após a Guerra Fria"

Apoio a separatistas no leste da Ucrânia motivou medidas de EUA e Europa

A União Europeia e os EUA ampliaram as sanções econômicas contra a Rússia, numa reação ao apoio do país de Vladimir Putin aos separatistas do leste ucraniano. Analistas consideram esse pacote o mais duro desde o fim da Guerra Fria. A pressão internacional contra os russos cresceu desde que um avião com 298 pessoas foi derrubado por um míssil em região da Ucrânia dominada por rebeldes. Essas novas medidas atingem as áreas de energia, tecnologia, finanças e defesa. 

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terça-feira, julho 29, 2014

Dominique


Opinião

Ter carro já é quase um crime

O ESTADO DE S.PAULO
A cruzada da Prefeitura de São Paulo contra os motoristas de carro parece não ter fim. A última estocada da gestão do petista Fernando Haddad foi o aumento de 67% no preço dos cartões para estacionar nas vagas da Zona Azul. O porcentual é duas vezes superior à inflação registrada desde outubro de 2009, quando houve o último reajuste. A partir de 1.º de agosto, o preço oficial da folha avulsa, válida para uma hora de estacionamento, passará de R$ 3 para R$ 5. O talão com 10 folhas subirá de R$ 28 para R$ 45.

Esses são os preços cobrados por revendedores autorizados, que são raros na cidade. O mais comum é conseguir comprar na mão de flanelinhas, que vendem cartões de Zona Azul por até seis vezes o valor oficial, uma extorsão que raramente sofre algum tipo de repressão.

O reajuste da Zona Azul muito superior à inflação indica que não se trata apenas de uma recomposição de preço, como deveria ser, e, sim, de uma política deliberada para desestimular o uso de carros em São Paulo. É uma punição para quem opta pelo carro não por gosto, mas porque a alternativa é o lento e desconfortável transporte público oferecido pelo Município. Além disso, já se espera um efeito cascata sobre os preços dos estacionamentos da cidade, em especial os da região central, onde o déficit de vagas é maior.

Esse aumento de custos, porém, não deverá desestimular os motoristas a deixarem o carro em casa simplesmente porque, apesar de todo o esforço marqueteiro da Prefeitura, o serviço de ônibus na cidade continua muito ruim. Quando pode, o paulistano compra um carro.

O resultado disso está nos números da SPTrans, responsável pela administração das linhas de ônibus. Segundo seu balanço semestral, o número de passageiros transportados caiu de 1,437 bilhão, entre janeiro e junho de 2013, para 1,418 bilhão no mesmo período deste ano. A SPTrans argumenta que em junho deste ano houve antecipação das férias nas escolas públicas, em razão da Copa do Mundo, o que teria reduzido a utilização dos ônibus.

No entanto, levantamentos anteriores, sem os efeitos sazonais da Copa, mostram que o número de passageiros e de viagens de ônibus não cresceu na proporção que se esperava ante o sacrifício imposto à cidade na forma de grandes congestionamentos, causados em parte pelas faixas exclusivas de ônibus. No primeiro trimestre deste ano, por exemplo, houve um aumento de apenas 2,7% no número de viagens em relação ao mesmo período de 2013. Especialistas creditam o aumento ao seccionamento de várias linhas, o que forçou os passageiros a pegar mais ônibus para ir ao mesmo lugar.

Além disso, é bom destacar que o alardeado aumento da velocidade dos ônibus - que poderia ser um bom motivo para que o paulistano deixasse o carro em casa - só existe no discurso oficial. Um estudo da própria SPTrans indica que, na média, a velocidade nas faixas exclusivas aumentou apenas 1 km/h. É muito pouco para o transtorno que as faixas causam, em especial onde elas foram implementadas sem nenhum planejamento.

Mas a Prefeitura não desiste. Além das faixas pintadas ao deus-dará, a administração petista anunciou que pretende construir 400 km de ciclovias, o que deverá resultar na supressão de até 40 mil vagas de estacionamento pela cidade. Mais uma vez o improviso se impõe, pois não foi apresentado nenhum estudo de viabilidade. A intenção evidente é permitir que Haddad e seu time de secretários criativos possam posar de defensores dos "sem-carro", o que pode pegar bem como propaganda, mas é terrível para a cidade.

A administração municipal decidiu tratar os motoristas de carros como párias, pois nenhuma decisão a respeito do transporte na cidade tem levado em conta que um terço dos deslocamentos é feito por esse meio. Está claro que não há a menor intenção de harmonizar o transporte público com os automóveis. E, se ainda for possível aumentar a arrecadação municipal à custa do bolso do motorista de carro, com o reajuste brutal da Zona Azul, tanto melhor.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 29 / 07 / 2014

O Globo
"Aéreas terão subsídio para operar rotas já existentes"

Medida do governo deve beneficiar cem linhas rentáveis

Subvenção pode somar R$ 1 bilhão por ano. Haverá também investimento público em 270 aeroportos de cidades menores

O programa criado pelo governo para incentivar a aviação regional, publicado no Diário Oficial da União ontem, um ano e meio após ser anunciado, prevê subsídios a empresas aéreas para que operem novas rotas, mas abre espaço para incentivos também a linhas existentes entre capital e cidades do interior. Mais de cem rotas já rentáveis serão beneficiadas, segundo fontes do governo. O programa ainda precisa ser regulamentado, mas o valor da subvenção deve chegar a R$ 1 bilhão por ano. Há previsão de investimentos em 270 aeroportos regionais. 

Folha de S. Paulo
"Economia é alvo do mesmo pessimismo pré-Copa, diz Dilma"

Em sabatina, presidente afirma que repetição do clima que antecedeu ao Mundial é 'especulação contra o país'

A presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, afirmou que "há no Brasil um jogo de pessimismo inadmissível". Em sabatina da Folha, do UOL, do SBT e da Jovem Pan, a petista disse que o clima que antecedeu a Copa também afeta a economia agora. "É muito grave. É uma especulação contra o país", declarou, no Palácio da Alvorada. A candidata chamou de "lamentável" relatório do Santander que indicou impactos negativos no mercado, em caso de sua reeleição, e considerou "protocolar" a retratação do banco. Dilma disse que a inflação está sob controle e reconheceu como equivocada a avaliação do presidente Lula de que a crise de 2008 seria só uma "marolinha" no Brasil. Sobre o mensalão, afirmou que houve "grande discrepância" entre o caso do PT, que teve 25 condenações no Supremo, e o do PSDB, que ainda tramita na Justiça. A respeito do Oriente Médio, insistiu em que há "ação desproporcional" de Israel na faixa de Gaza. 

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segunda-feira, julho 28, 2014

Dominique


Opinião

O socorro de Lula a Dilma

O ESTADO DE S.PAULO
Foi necessário que o ex-presidente Luiz Inácio da Silva entrasse em campo para evitar que a presidente Dilma Rousseff fosse incluída pelo Tribunal de Contas da União (TCU) entre os responsáveis pela desastrosa compra da Refinaria de Pasadena, no Texas, pela Petrobrás. Sem a intervenção pessoal de Lula, Dilma teria de lidar na campanha eleitoral com o fato de não ter impedido a realização de uma das transações mais lesivas aos cofres públicos na história da Petrobrás. Para quem já enfrenta queda de popularidade e críticas cada vez mais pesadas pela condução ruinosa da economia nacional, ser ademais tachada de inepta na administração dos negócios da mais emblemática empresa estatal do País certamente traria prejuízos incalculáveis à sua candidatura. Por isso, Lula não titubeou.

Dois dias antes de o assunto sobre a refinaria entrar na pauta do TCU, Lula recebeu José Múcio Monteiro, ministro do tribunal, em São Paulo. Múcio foi ministro de Relações Institucionais do governo Lula e nomeado para o TCU pelo petista.

"Somos amigos", resumiu Múcio ao Estado, ao relatar seu encontro com Lula - no qual, segundo disse, trataram de "política, eleição, Brasil, o governo dele, as perspectivas, blá-blá-blá, a vida dele, a minha... conversa de compadre, foi exatamente o que aconteceu".

Múcio negou ter falado sobre Pasadena, mas o fato é que, após a reunião com Lula, ele conversou com seus pares no TCU para adverti-los de que responsabilizar Dilma neste momento, em plena campanha, seria politizar demais o assunto - como se o tribunal devesse se pautar pelo calendário eleitoral.

De fato, o caso tinha, e talvez ainda tenha, grande potencial para causar estragos na campanha de Dilma. Ela era nada menos que a presidente do Conselho de Administração da Petrobrás quando este autorizou a estatal a comprar metade da Refinaria de Pasadena, em 2006.

Os problemas envolvendo o negócio, conforme revelou em 2012 a Agência Estado, começaram com o pagamento de US$ 360 milhões ao grupo belga Astra Oil, dono de Pasadena, por 50% da refinaria. O valor era 8,5 vezes maior do que o que havia sido desembolsado pela Astra para adquirir a refinaria toda.

No ano seguinte, o conselho, ainda presidido por Dilma, vetou a compra da outra metade da refinaria. Com isso, a Astra foi à Justiça invocando uma cláusula contratual, a Put Option, que obrigava um dos sócios a comprar a parte do outro em caso de desavença. A Petrobrás foi derrotada e teve de pagar aos belgas cerca de US$ 820,5 milhões, valor que incluiu honorários e custas.

No início deste ano, quando confrontada pelo Estado com documentos que atestavam seu voto favorável à compra de Pasadena, Dilma respondeu que tomou sua decisão com base em um resumo executivo "técnica e juridicamente falho". Segundo ela, o resumo não mencionava nem a Put Option nem outra cláusula, a Merlin, segundo a qual a Astra teria remuneração anual de 6,9% fosse qual fosse a situação do mercado. A presidente afirmou que, se soubesse dessas condições, "seguramente" não teria aprovado o negócio.

Decerto a presidente percebia que poderia ser acusada de crime de responsabilidade em tão danoso negócio. Preferiu jogar o escândalo no colo dos executivos da empresa, na expectativa de que o TCU a isentasse.

Foi o que aconteceu, mas, ao que parece, só depois da intervenção de Lula. O relator do caso no tribunal, ministro José Jorge, um ex-pefelista, foi avisado de que seu relatório seria rejeitado se incluísse Dilma entre os responsáveis pelo negócio. Ao apresentar suas conclusões sem apontar nenhum integrante do Conselho de Administração, Jorge disse que preferiu focar a investigação nos executivos da Petrobrás. O Palácio do Planalto respirou aliviado.

Mas o alívio pode ser momentâneo, porque os executivos da estatal não parecem dispostos a assumir o escândalo sozinhos. Como disse o presidente da Petrobrás na época da compra de Pasadena, José Sergio Gabrielli, Dilma "não pode fugir da responsabilidade dela".

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 28 / 07 / 2014

O Globo
"Incentivo a carros teve impacto de 0,02% no PIB"

Renúncia fiscal

Desoneração de R$ 8,3 bi também estimulou pouco o emprego

Estudo mostra que redução de imposto gerou alta anual de apenas 0,04% na criação de vagas. Para montadoras, vendas subiram com IPI menor

Apontada pelo governo como uma estratégia para impulsionar o crescimento da economia, a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para as montadoras teve efeito muito pequeno na expansão do PIB - apenas 0,02% ao ano. Na criação de postos de trabalho, o impacto anual foi de 0,04%. Estudo de professores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) mostra que o setor automotivo recebeu desoneração de R$ 8,3 bilhões, 53,4% do total concedido entre 2010 e 2014. Para Anfavea, imposto menor elevou vendas. 

Folha de S. Paulo
"Anac demora 6 anos para julgar queixa de passageiro"

Agência de aviação atribui prazo a trâmite rigoroso; há 6 julgadores para 3.815 casos

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) julga neste ano reclamações feitas em 2008 por passageiros contra má prestação de serviço de empresas aéreas, informa Ricardo Gallo. Entre os casos mais frequentes, estão extravio de bagagem, falta de assistência quando houve atrasos ou cancelamento de voos e prática de overbooking, infrações punidas por multas. Esses julgamentos se referem a processos na chamada Junta Recursal, segunda instância da agência federal. Nessa etapa, que analisa os recursos de empresas que não concordam com a autuação, há só seis julgadores para 3.815 processos. (...) A Anac atribuiu a demora nas decisões a um "regular e rigoroso trâmite processual". E promete elevar o número de julgadores de seis para oito "em curto espaço de tempo". 

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domingo, julho 27, 2014

Dominique


Opinião

A ortografia no Senado

O ESTADO DE S.PAULO
Desde 2009, o Brasil convive com uma situação anômala: possui duas normas ortográficas. De janeiro de 2009 a dezembro de 2015, o País está oficialmente num período de transição, no qual coexistem a norma antiga e a nova, estabelecida pelo Acordo Ortográfico de Lisboa, assinado em 1990. Para complicar a situação, há atualmente um grupo de trabalho no Senado que quer mudar o acordo, com a intenção de definir um "idioma claro e acessível a todos". Sem uma proposta definida e descumprindo os caminhos legais previstos, a atuação desse grupo é motivo de preocupação. Com a língua não se brinca.

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa foi assinado pela Academia das Ciências de Lisboa e pela Academia Brasileira de Letras (ABL), além das delegações de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Posteriormente, cada país o ratificou internamente. No Brasil, o Congresso Nacional o aprovou em abril de 1995, e a sua regulamentação veio por um decreto presidencial, de setembro de 2008, no qual se definiu a sua obrigatoriedade a partir de 2013. Em dezembro de 2012, a presidente Dilma Rousseff estendeu o prazo para janeiro de 2016, acolhendo em parte o pedido de senadores que queriam adiar sua obrigatoriedade para 2018. Durante a transição, valem as duas normas.

Houve protestos. Por exemplo, o gramático Evanildo Bechara, membro da ABL, comentando a importância de uma uniformização da língua portuguesa, afirmou que adiar a obrigatoriedade era um ato sem sentido, que significava passar um "atestado de ignorância" para professores e alunos que já dominam as novas regras. Aproveitando o novo prazo, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado aprovou a criação de um grupo de trabalho para estudar e apresentar uma proposta para "aperfeiçoar o Acordo Ortográfico". A ideia do grupo foi do presidente da Comissão, senador Cyro Miranda (PSDB-GO), um dos maiores articuladores para que se atrasasse a obrigatoriedade do Acordo.

O grupo de trabalho reúne algumas entidades e um site (Simplificando a Ortografia), do professor Ernani Pimentel. Na internet, ele promove um abaixo-assinado pela "racionalização e simplificação da ortografia", sem especificar, no entanto, o que deseja mudar. Especifica, no entanto, postular uma redução da carga horária de aulas de ortografia. Segundo o professor, hoje são ministradas 400 horas/aula desde o início do fundamental até o fim do ensino médio, e ele deseja que sejam utilizadas em torno de 150 horas. O grupo prevê recolher, até o fim de julho, sugestões de professores, estudantes e público em geral para uma nova ortografia, cuja proposta seria elaborada durante o Seminário Internacional Linguístico-Ortográfico da Língua Portuguesa, em setembro.

Surpreende que toda essa movimentação para uma nova ortografia seja feita à margem da Academia Brasileira de Letras, que é, por lei, a guardiã da língua portuguesa. Tanto é que foi a ABL quem assinou, em Lisboa, em 1990, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Nesse mesmo escopo, a ABL também é responsável pela atualização do Vocabulário Comum, a organização do Vocabulário Onomástico e a publicação do Pequeno Vocabulário da Língua Portuguesa, tarefas que são cumpridas exemplarmente.

Além do desrespeito à lei no que tange à ABL, preocupa o enfoque dado para essa possível nova ortografia. Por exemplo, segundo o professor Ernani Pimentel, "a simplificação ortográfica é a porta para a eliminação do analfabetismo". Pelo que se sabe, esse grave problema se combate com educação de qualidade, não com diminuição de conteúdo. O grupo de trabalho defende também "a necessidade de uma língua mais abrangente e democrática que promova a inclusão social". Coitada da ortografia! Agora, ela é a culpada pelos problemas sociais brasileiros.

A língua portuguesa é um inestimável patrimônio cultural, e alterações exigem criterioso estudo prévio. Por quem tem - por lei - competência para fazê-lo.

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 27 / 07 / 2014

Correio Braziliense
"O segredo de emagrecer sem perder a saúde"

Técnicas buscam equilíbrio emocional e dispersam dietas agressivas

Mente sã, corpo são. O preceito da Antiguidade ganha uma nova interpretação no século 21. Especialistas ouvidos pelo Correio defendem uma abordagem holística para a redução de peso. Mais do que restringir alimentos, é preciso normalizar a relação emocional com a comida e estabelecer uma mudança de hábitos. “Aprendi a controlar a ansiedade. Passei a observar o papel que a comida tem na minha vida”, conta o servidor Jorge de França Júnior, 37 anos. Em abril do ano passado, ele pesava 140kg. Perdeu 55kg. Há seis meses, mantém o marcador da balança em 85kg.

Folha de S. Paulo
"Servidores da prefeitura dão expediente na sede do PP"

Folha flagra 5 nomeadas na Cohab em tarefas do partido; órgão demite 1 deles

Funcionários públicos da Cohab, órgão da Prefeitura de São Paulo responsável por construir casas populares, foram flagrados várias vezes na sede do partido Progressista, na região central, durante o horário de expediente, relatam Artur Rodrigues e Leandro Machado. Nomeados no ano passado, os funcionários ganham até R$ 13 mil, mas deixam de trabalhar e usam carro oficial para atuar em tarefas partidárias. A Cohab é controlada pelo PP, de Paulo Maluf, desde o início da gestão Haddad (PT), em 2013. Tesoureiro do PP e assessor especial da Cohab, Fernando Martins Pizo foi flagrado por quatro dias seguidos na sede do partido. Segundo funcionários da companhia, ele só ia ao trabalho para assinar a folha de presença. Questionada, a Cohab o demitiu. Pizo não respondeu aos contatos da Folha. Outros quatro nomeados do órgão também foram vistos diversas vezes na sede do PP ou no comitê de campanha de candidata a deputado da sigla. A Cohab afirma ter aberto apuração sobre a conduta deles.  

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