sábado, julho 26, 2014

Pitacos do Zé


Palmeiras e...

José Ronaldo dos Santos
Uma fotografia de ontem, feita pelo amigo Júlio Mendes, mostrando uma amendoeira morta na Praça da Matriz (Ubatuba), me fez reler um antigo texto.

Assim escreveu o Seo Filhinho, na década de 1970:

“Não são poucos, principalmente turistas, que se mostram curiosos quanto à idade e procedência das palmeiras que circundam a praça da Igreja Matriz.

Eis porque consignamos aqui algumas informações sobre elas e também sobre as amendoeiras, também conhecidas por chapéu de sol –que encontramos estendendo suas frondes em diversos pontos da cidade e que se vão espalhando pelas praias do Município.

As amendoeiras são árvores nativas da Malásia, mas muito bem aclimatadas no Brasil, sendo empregadas na arborização de logradouros públicos, principalmente nas praias, onde oferecem resistência aos ventos, germinando e desenvolvendo-se bem em solo arenoso, de pouco humo.
Acreditamos que as primeiras mudas dessas árvores chegaram em Ubatuba através das mudas adquiridas pela Câmara em 1876, no Rio de Janeiro, de conformidade com o recibo seguinte:

‘O Sr. João Pedro dos Santos (Para a Câmara Municipal)
A  Duarte, Filho  & Genro
12 amendoeiras, a 1$500........................................18$000
Caixão e carreto das mesmas no Rio.........................1$200
Frete.....................................................................3$600
                                                                             RS 22$800

Recebemos do Sr. João Pedro dos Santos  -Procurador da Câmara Municipal de Ubatuba, a quantia de vinte e dois mil e oitocentos réis.
Ubatuba, 27 de fevereiro de 1876.
Duarte, Filho & Genro’
(Atas da Câmara Municipal)

Se as amendoeiras que encontramos aqui, espalhadas por toda parte, fossem nativas, como querem alguns, certamente a nossa Câmara, que há mais de um século já se mostrava preocupada com a ornamentação urbana, não cometeria a insensatez de importar 12 mudas do Rio de Janeiro, para plantá-las em nossas praças”.

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Dominique


Opinião

A baixaria israelense

O ESTADO DE S.PAULO
O mínimo que Israel deve ao Brasil é um pedido formal de desculpas por ter o porta-voz da sua chancelaria, Yigal Palmor, cometido a grosseria de chamar o País de "anão diplomático" e "parceiro diplomático irrelevante" - além de fazer uma alusão que imaginava ferina à goleada de 7 a 1 sofrida pela seleção brasileira na Copa. A baixaria se seguiu à decisão de Brasília de chamar "para consultas" o embaixador em Tel-Aviv, Henrique Pinto, para marcar seu protesto pelos indiscriminados ataques israelenses à Faixa de Gaza, que já deixaram cerca de 800 mortos e mais de 4.700 feridos, a grande maioria civis. Nem uma escola da ONU que servia de abrigo escapou.

Além da convocação do embaixador, um gesto de forte repercussão em relações bilaterais, superado apenas pela retirada do representante, o Itamaraty externou ao chefe da representação israelense, Rafael Eldad, sua condenação à "desproporção" dos revides ao disparo de mísseis do movimento radical Hamas, que controla o território. Os lançamentos já passam de 2 mil. Um deles caiu a pouca distância do aeroporto de Tel-Aviv, levando companhias estrangeiras a suspender os voos para o país. Além dos intensos bombardeios a Gaza, as forças israelenses invadiram a área, alegadamente para localizar e destruir os túneis utilizados pelo Hamas para transportar munições. Mais de 30 soldados foram mortos. A macabra contabilidade, porém, é de que, para cada vida israelense perdida, os palestinos perdem 25.

Na sua primeira manifestação sobre o conflito, semana passada, uma nota convencional do governo brasileiro instou as partes a cessar as hostilidades e buscar o caminho do diálogo. No mesmo dia, a presidente Dilma Rousseff considerou "lamentável" o acirramento da violência, sem distinguir seus causadores. Já na quarta-feira, além de chamar o embaixador do Brasil e reclamar com o seu colega israelense, o Planalto emitiu outra nota - dessa vez de dura condenação a Israel, sem citar as ações do Hamas. Pouco antes, a delegação brasileira no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas votou a favor da abertura de uma investigação sobre eventuais "crimes de guerra" e violação do direito internacional durante a ofensiva israelense. A resolução foi aprovada. Por fim, o desastrado assessor de Relações Internacionais do Planalto, Marco Aurélio Garcia, equiparou os "massacres" israelenses a um "genocídio".

Pode-se especular até o fim das matanças no Oriente Médio o que terá levado um governo praticamente quedo e mudo nos últimos quatro anos diante de crises internacionais a se manifestar de forma tão estridente no caso de Gaza. A rigor, pouco importa: a guinada brasileira, que surpreendeu os próprios protagonistas de mais este ciclo de agressões e revides - cuja origem, descontados os incidentes que os precederam, parece ser a reconciliação da Autoridade Palestina do moderado Mahmoud Abbas com o Hamas do intratável Kaled Meshal -, mereceria de Israel um silêncio glacial ou uma resposta diplomática, nunca um destampatório que deixa à mostra sua prepotência. Deu a impressão de que o caudilho Hugo Chávez reencarnou em Jerusalém.

A política externa brasileira raramente é criticada - muito menos nesses termos - por autoridades estrangeiras, ainda quando a considerem um despropósito, como a tentativa do então presidente Lula de se intrometer na pendenga entre Washington e Teerã sobre o programa nuclear iraniano. A última vez que um país com o qual se mantinha relações destratou o Brasil foi em 1947, no começo da guerra fria, quando o jornal oficial do regime soviético, o Pravda, afirmou que os generais brasileiros, entre eles o à época presidente Eurico Gaspar Dutra, conquistaram as suas medalhas não nos campos de batalha, mas nos cafezais. A reação imediata do governo foi romper todos os vínculos com a URSS.

É inconcebível, obviamente, repetir a dose. Basta a elegância do chanceler Luiz Alberto Figueiredo ao lembrar que o "anão" é um dos 11 países que se relacionam com todos os membros da ONU - e "não usa termos que desqualifiquem governos de países amigos".

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 26 / 07 / 2014

O Globo
"Israel e Gaza vivem trégua de 12 horas, e palestinos retiram mais de 80 corpos de escombros"

Em Paris, diplomatas reunidos pediram o prolongamento do cessar-fogo humanitário

Uma trégua de 12 horas entre Israel e o grupo islâmico Hamas entrou em vigor na manha deste sábado, às 8h local (2h Brasília), e equipes de emergência e os moradores estão usando o período para retornar às suas casas, reunir suprimentos essenciais e procurar pessoas presas nos escombros na Faixa de Gaza. Até agora, o Ministério de Saúde palestino informou que pelo menos 81 corpos foram recuperados. Todos eles foram transferidos a diferentes necrotérios e hospitais. Logo após o frágil cessar-fogo entrar em vigor, os palestinos se aventuraram para fora nas ruas de Gaza, com muitos voltando para as áreas que tinham sido consideradas muito perigosas durante dias. No Norte de Beit Hanun, no Sul da Khan Younis e Shejaiya e Zaitun, os palestinos encontraram cenas de destruição total, com casas no chão e corpos estendidos nas ruas e sob os escombros. 

Folha de S. Paulo
"Mercado financeiro reavalia chances de reeleição de Dilma"

"Serra ou o caos", profetizava o megainvestidor George Soros caso Lula vencesse o tucano José Serra na eleição presidencial de 2002

Doze anos depois, o mercado vê Dilma Rousseff (PT) com cada vez menos chances. Já há quem aposte na vitória da oposição, tendo Aécio Neves (PSDB) como favorito. Várias consultorias atualizaram nesta semana palpites sobre o resultado da eleição com base nas recentes pesquisas Datafolha e Ibope. Usando modelos mais ou menos sofisticados que levam em conta intenções de voto, rejeição, resultados e tendências de pleitos passados, elas chegam a cravar percentuais. A brasileira MCM apostou pela primeira vez que a oposição tem chance de 60% a 40% de derrotar Dilma (antes dava lances iguais). E a japonesa Nomura ampliou de 60% (junho) para 70% agora as chances de Aécio. Outras consultorias ainda veem Dilma com maior probabilidade de vitória. Mas ela seria cada vez menor.

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sexta-feira, julho 25, 2014

Rumo ao infinito...


Coluna do Celsinho

Adido

Celso de Almeida Jr.

Nesta semana, conversei com um adido político de uma embaixada dos Estados Unidos da América.

Seu papel, observar o andamento da política e reportar aos superiores, é função fascinante.

Opinião minha - é claro - entusiasta destas questões.

O que impressiona é a formação do jovem profissional.

Profundo estudioso de nossa história, discreto, sabe ouvir, valorizando nossos pontos de vista.

Pois é...

Magnífico é o campo da diplomacia.

Exige estudo, dedicação, sensibilidade, estratégia, postura e grande capacidade de observação.

Foi curioso como ele apresentou algumas questões, estimulando o aprofundamento em certos temas.

Organizado, atento, anotava o que julgava relevante, numa postura de extrema humildade.

Afinal, não estava conversando com nenhuma autoridade, mas com um cidadão brasileiro comum.

Falar, como sabemos, é bom.

Saber ouvir, entretanto, é o que fundamenta as boas decisões.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique


Opinião

Motos e violência no trânsito

O ESTADO DE S.PAULO
Os dados mais atuais, colhidos em 2012 pelo Datasus, sistema que contabiliza os atendimentos médicos feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), reforçam a constatação de que as mortes em acidentes de trânsito são um problema da maior gravidade, que pode ficar ainda pior, se não se der mais atenção à educação e à fiscalização. As estatísticas do Ministério da Saúde revelam que o trânsito mata mais de cinco pessoas por hora no Brasil e que o número de mortes aumentou 39% em dez anos: em 2002, 33 mil brasileiros morreram em acidentes com automóveis e motocicletas, passando para 46 mil em 2012. Isso representa 3,4% a mais do que o total de óbitos em 2011 e mais do dobro do aumento verificado entre 2010 e 2011 - de 1,47%.

O levantamento revela que não se trata de um problema nacional, mas localizado, pois influiu nesse aumento a aceleração do crescimento dos registros de mortes no Nordeste. Das 1.498 mortes registradas a mais em 2012 em comparação com o ano anterior, 1.105 ocorreram nos nove Estados nordestinos. E na região, na qual se concentram somente 15% dos 76 milhões de veículos que circulam no País inteiro, conforme dados fornecidos pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), o número de mortes provocadas por acidentes de trânsito representa 28% do total nacional.

As motocicletas desempenham um papel preponderante nestas estatísticas macabras. De acordo com os dados mais recentes, que acabam de ser divulgados, o Brasil teve 12.480 motociclistas mortos em 2012, aumento de 9,2% em comparação com 2011, quando morreram 11.433 pessoas. Em relação a dez anos antes, o número de condutores de motos acidentados e mortos mais do que dobrou. A causa mais evidente da escalada é o aumento do número desses veículos nas ruas e nas estradas: em dez anos, a frota de automóveis foi ampliada em 177%, chegando ao total de 76,3 milhões, enquanto no mesmo período a de motos circulando cresceu mais de 300%, passando de 4 milhões para 16,9 milhões.

Mas esta não é a única explicação para as estatísticas. Mesmo tendo a maior população, as maiores frotas de automóveis e motocicletas e o maior número de ocorrências com eles, a Região Sudeste exibe números decrescentes de acidentes fatais com veículos de quatro ou de duas rodas. Retomando uma tendência de queda registrada no período entre 2005 e 2007, segundo os dados do SUS, o total de mortes, que tinha sido de 16.466 em 2011, caiu para 16.253 em 2012, uma redução de 1,3%. Houve no Nordeste, com 4,5 milhões de motos circulando, 4.820 mortes. Ou seja, uma por 933 veículos de duas rodas. No Sudeste, com 6,8 milhões desses veículos e 3.358 mortes, a proporção é de um óbito por 2.038 motos.

O presidente da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), Dirceu Rodrigues Alves Júnior, diz que o problema não está no veículo, mas no condutor: "93% dos acidentes de trânsito são causados por falhas humanas. Atos inseguros, manobras imprudentes, motos que desrespeitam as leis de trânsito e terminam caindo". O presidente do Sindicato dos Motoboys de São Paulo, Gilberto Almeida dos Santos, atribui tais ocorrências a uma série de fatores: "De um lado, há as ruas, que não são feitas para receber tantas motos. De outro, as vias são esburacadas, sujas, sem cuidado. Tem ainda a fiscalização das motos, que é pouca. E aí vem o motoqueiro, que muitas vezes não respeita os limites de velocidade".

Se isso ocorre nas cidades, no interior nordestino é muito pior. Com crédito farto e fácil, o nordestino trocou a tração animal por motos e nelas circula por cidades e estradas, em vias percorridas por automóveis em alta velocidade com condutores não habituados a cruzar na pista, de repente, com famílias inteiras na garupa de um motociclista inapto, inábil e imprudente. Os números dessa tragédia são assustadores. Se não se investir pesado em educação e fiscalização, o Estado vai conviver permanentemente com o desconforto de vê-los crescer vertiginosamente.

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 25 / 07 / 2014

O Globo
"'Diplomacia de anão' - Israel diz que Brasil é irrelevante e criador de problemas"

Reação vem após chamada de embaixador para consultas.

Itamaraty justifica decisão dizendo não aceitar mortes de mulheres e crianças na ofensiva contra Gaza. Porta-voz israelense ironiza atuação internacional brasileira. Israel reagiu duramente à decisão brasileira de chamar para consultas o embaixador em Tel Aviv por conta do "uso desproporcional da força" na ofensiva a Gaza. Um porta-voz da Chancelaria israelense qualificou o Brasil de "anão diplomático" e "parceiro irrelevante que cria problemas em vez de contribui com soluções". Numa referência à derrota brasileira na Copa, ele afirmou que desproporcional é perder de 7x1. "O Brasil entende o direito de Israel se defender, mas não está contente com a morte de mulheres e crianças", declarou o ministro Luiz Alberto Figueiredo. 

Folha de S. Paulo
"Israel reage a crítica e diz que Brasil é 'irrelevante'"

Governo israelense responde após Itamaraty condenar atual ofensiva contra palestinos

Em resposta à crítica do Brasil à ofensiva em Gaza, o porta-voz da chancelaria de Israel qualificou o país de "gigante econômico e cultural", mas "um anão diplomático" que continua "politicamente irrelevante", relata o enviado Diogo Bercito. Um dia antes, em nota, o governo brasileiro havia condenado o uso "desproporcional" da força do Exército israelense no atual conflito, sem menções aos ataques palestinos. O Hamas, grupo que controla Gaza e que lançou mais de 2.000 foguetes contra Israel na atual ofensiva, elogiou o Brasil. O ministro Luiz Alberto Figueiredo (Relações Exteriores) tentou minimizar a reação israelense e disse que o país também condena o Hamas pelo lançamento de foguetes contra Israel. O governo Dilma não quer "bater boca" diante de conflito que já deixou mais de 730 mortos, em sua maioria civis palestinos.

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quinta-feira, julho 24, 2014

Dominique


Opinião

Uma vergonha

O ESTADO DE S.PAULO
O fechamento do pronto-socorro da Santa Casa de São Paulo - o maior da maior cidade do País - é a dramática demonstração do desleixo e da irresponsabilidade com que o poder público, em todos os seus níveis, trata a saúde, setor que dele recebe sempre muito menos do que precisa para se manter. Esse era o desfecho mais do que previsível, diante do aprofundamento contínuo da crise que a Santa Casa enfrenta há vários anos, e por isso soam falsas - para dizer o mínimo - as queixas dos governos federal, estadual e municipal, de que não foram avisados da medida extrema.

Só não viu o que ia fatalmente acontecer - e que prejudica as 1,2 mil pessoas que em média procuram diariamente o pronto-socorro - quem não quis. E o que aconteceu é simples. Faltaram medicamentos e materiais os mais diversos - itens básicos como seringas, cateteres e luvas - indispensáveis ao funcionamento da unidade, que fornecedores deixaram de entregar quando a dívida da Santa Casa com eles chegou a R$ 50 milhões.

A instituição preferiu assegurar, com o pequeno estoque de insumos que ainda lhe resta, o atendimento de 700 pacientes internados no setor de emergência e mais 100 que já se encontravam à espera de atendimento do que aceitar novos pacientes aos quais seria impossível dar tratamento adequado. É uma atitude que qualquer administrador minimamente responsável tomaria. O provedor da Santa Casa, Kalil Rocha Abdalla, alega com razão que a situação se tornou insustentável, porque os repasses recebidos pela instituição dos governos federal e estadual não cobrem os custos dos atendimentos do SUS.

Segundo ele, a Santa Casa recebe hoje R$ 20 milhões mensais, quando seriam necessários cerca de R$ 34 milhões. "No pronto-socorro central, por exemplo, temos 100 leitos e operamos sempre com cerca de 60 pacientes a mais, em macas no corredor, pelos quais não recebemos um centavo", afirma Rocha Abdalla. Não há exagero no que ele diz. Na terça-feira, depois do anúncio da medida, a reportagem do Estado entrou no pronto-socorro e viu 46 pacientes sendo atendidos no corredor, um terço dos quais esperava ali há três dias por um leito regular.

O provedor esclarece que o fechamento do pronto-socorro não tem ligação com a dívida total da Santa Casa, de mais de R$ 300 milhões, que está sendo renegociada, mas apenas com a dívida de R$ 50 milhões com os fornecedores. E que nos últimos meses ligou várias vezes para os secretários municipal e estadual de Saúde avisando sobre a situação, "mas parece que ninguém acreditava".

Um dos aspectos mais lamentáveis dessa triste história é que, quando o inevitável e anunciado aconteceu, os governos federal e estadual - assustados com a péssima repercussão da medida - resolveram inverter espertamente as posições, jogando nas costas da Santa Casa uma responsabilidade que é inteiramente deles. O Ministério da Saúde fala em atitude "unilateral" e alega que vem repassando recursos extras à instituição. Pura demagogia.

A Secretaria Estadual da Saúde, por sua vez, resolveu liberar imediatamente R$ 3 milhões para que a Santa Casa reabra o pronto-socorro, o que só acontecerá, é claro, se os fornecedores aceitarem esse ridículo adiantamento de 6% da dívida de R$ 50 milhões. E o secretário David Uip ainda tem o desplante de exigir em troca uma auditoria nas contas da Santa Casa. O que lhe cabe, em vez de pôr em dúvida a lisura ou a competência da instituição, é fazer um mea culpa por não lhe ter dado ajuda maior, o que é obrigação do governo, já que seus serviços de pronto-socorro não dão conta do recado sozinhos.

A responsabilidade do governo federal é ainda maior, porque na raiz da crise das Santas Casas, a começar pela de São Paulo, e dos hospitais filantrópicos em geral, está - como há muito é sabido, mas não custa repetir - a defasagem da tabela de procedimentos do SUS, que cobre apenas 60% dos custos. Com os restantes 40% eles que "se virem". Essa é a principal causa do endividamento e da crise dessas instituições, responsáveis por 45% dos atendimentos do SUS.

Tirar as Santas Casas da crise, da qual o fechamento do pronto-socorro da de São Paulo é apenas o sintoma mais alarmante, é condição essencial para salvar o próprio sistema de saúde pública.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 24 / 07 / 2014

O Globo
"Prejuízo com Pasadena - TCU isenta Dilma e culpa ex-diretores da Petrobras"

Tribunal bloqueia bens de Gabrielli, Cerveró e Paulo Roberto Costa

Dirigentes da estatal na época da compra de refinaria poderão ter que ressarcir US$ 792 milhões aos cofres da estatal. O Tribunal de Contas da União isentou ontem a presidente Dilma Rousseff e demais ex-integrantes do Conselho de Administração da Petrobras de culpa pelos prejuízos com a compra da refinaria de Pasadena, nos estados Unidos. Apenas integrantes da diretoria-executiva da estatal na época, no governo Lula, foram responsabilizados, entre eles o ex-presidente José Sérgio Gabrielli e os ex-diretores Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa, que tiveram seus bens bloqueados. 

Folha de S. Paulo
"TCU condena 11 executivas da Petrobras por refinaria"

Envolvidos terão de devolver R$ 1,6 bi por perda em negócio; tribunal isenta Dilma

O TCU (Tribunal de Contas da União) condenou 11 diretores e ex-diretores da Petrobras a devolverem US$ 792 milhões (cerca de 1,6 bilhão) por prejuízos na compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, em 2006. Os oito ministros aceitaram parecer do relator do processo, José Jorge, que determinou o bloqueio dos bens dos envolvidos por um ano. Entre os condenados estão José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, Nestor Cerveró, ex-diretor da área internacional, e Paulo Roberto Costa, ex-diretor de abastecimento. (...) Segundo o relator, os pagamentos que causaram o prejuízo bilionário foram baseados em "pressupostos flagrantemente inconsistentes" e incorreram em atos "ilegítimos". A Petrobras não comentou a decisão do TCU. Em sua defesa ao tribunal, disse que não houve prejuízo na aquisição de Pasadena.

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quarta-feira, julho 23, 2014

Dominique


Opinião

Os nossos 'presos políticos'

O ESTADO DE S.PAULO
O fenômeno do "ativismo" ora em curso no País atingiu de vez o nível do delírio. Convictos de que estão acima das leis e de que o Estado é, por definição, um ente inimigo, os chamados ativistas, também conhecidos como militantes, se dedicam dia após dia a atormentar os cidadãos comuns nas grandes cidades, sob o argumento de que a democracia lhes faculta o direito de bloquear avenidas, de depredar a propriedade alheia e de praticar outros delitos.

Quem disso discorda e defende a necessária ação da polícia e da Justiça contra a baderna e o vandalismo é logo acusado, por uma barulhenta rede de simpatizantes espalhados pelas universidades e pela internet, de advogar a "criminalização das lutas sociais". Quando finalmente o Estado decidiu agir, encarcerando vândalos que se dizem "ativistas", essa rede imediatamente reagiu, dizendo que os detidos e os indiciados são "perseguidos políticos" - uma farsa que expõe seja a má-fé, seja a confusão moral dessa turma.

O caso mais recente, envolvendo uma advogada que diz prestar assistência jurídica a manifestantes, dá a exata medida dessa tentativa cínica de desmoralização do Estado Democrático de Direito no Brasil. A advogada Eloísa Samy, acompanhada de dois adeptos da violenta tática Black Bloc, foi ao Consulado do Uruguai no Rio de Janeiro para - pasmem - pedir asilo político.

Eloísa, de 45 anos, é considerada foragida da Justiça, porque foi denunciada pelo Ministério Público do Rio por associação criminosa. Ela e outros 22 "ativistas" tiveram a prisão decretada pela 27.ª Vara Criminal do Rio. O inquérito da Polícia Civil que baseou a denúncia concluiu, conforme revelou o jornal O Globo, que os acusados planejavam atacar seus alvos com explosivos no dia 13 de julho, quando foi disputada a final da Copa do Mundo.

Em vídeo que gravou para expor sua versão, Eloísa afirma que está sendo perseguida em razão de sua "atuação na defesa do direito de manifestação". O promotor Luís Otávio Figueira Lopes afirma, no entanto, que a advogada, "escudando-se em um suposto exercício da atividade profissional", prestou "apoio logístico" aos delinquentes, "cedendo sua residência para reuniões" de preparação de atos violentos.

É bem possível que Eloísa e seus colegas acreditassem que o Uruguai fosse mesmo lhes dar asilo. Afinal, o país é governado por José Mujica, aquele presidente simpático e modernoso que defende a liberação da maconha. Ele receberia, pois, os "perseguidos políticos" de braços abertos.

A reação da diplomacia uruguaia, porém, escancarou o ridículo da situação. A cônsul-geral Myriam Fraschini Chalar informou aos solicitantes que o Brasil "é um autêntico Estado Democrático de Direito", razão pela qual não há perseguidos políticos no País nem motivo para conceder asilo. A deputada Janira Rocha, do PSOL, que foi ao consulado para dar apoio aos "ativistas", disse à diplomata uruguaia que "o problema não é o Brasil, o problema é o Estado do Rio, que está agindo como um verdadeiro estado de exceção". Pela lógica desse pessoal, até um condômino pode pedir asilo político ao Uruguai se acreditar que está sendo perseguido pelo síndico do prédio.

A patetice, no entanto, não deve servir de pretexto para que os tais "ativistas" sejam tratados com a candura dispensada aos inimputáveis. É o caso de enfatizar que, no inquérito policial sobre os black blocs, Elisa Quadros, vulgo "Sininho", considerada a líder do bando, é acusada de incitar seus companheiros a atear fogo à Câmara Municipal do Rio durante protesto no ano passado - o ato só não se consumou porque militantes mais ajuizados impediram. É o caso também de relembrar que a ação desses delinquentes já produziu um morto, o cinegrafista Santiago Andrade. Eles não estão para brincadeira.

Resta agora às autoridades investigar com rigor as possíveis ligações desses "ativistas" com sindicatos e partidos políticos radicais. Há cada vez mais indícios de que os militantes vândalos podem estar atuando como uma espécie de "braço armado" de organizações que se constituíram graças à democracia, mas que não têm nenhum apreço por ela.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 23 / 07 / 2014

Correio Braziliense
"Cargo de deputado no DF é o mais cobiçado do país"

A descrição é de um emprego de dar inveja a qualquer trabalhador: salário de R$ 20 mil mensais, R$ 173,6 mil de verba de gabinete, R$ 20 mil para indenização de todo tipo de gasto, R$ 1.034 de auxílio-alimentação, pelo menos 75 dias de férias por ano... Não é à toa que levantamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que as vagas da Câmara Legislativa do Distrito Federal são, proporcionalmente, as mais disputadas do Brasil. 

Folha de S. Paulo
"Deputado relata propina por apoio a aliado de Campos"

Ex-dirigente do Pros em Pernambuco conta ter recusado oferta de 'vantagem financeira'; políticos citados negam

O deputado José Augusto Maia (Pros) diz ter recebido e recusado oferta de "vantagem financeira" de seu partido e do PP para apoiar Paulo Câmara (PSB), candidato do presidenciável Eduardo Campos ao governo de Pernambuco, relata Ranier Bragon. Maia, que defendia o apoio a Armando Monteiro (PTB), foi afastado da chefia do Pros no Estado. (...) Políticos citados por Maia negaram ter feito ou saberem da existência de oferta financeira ao deputado. Reservadamente, citaram que ele figura na lista de prefeitos que tiveram contas rejeitadas nos últimos oito anos. A campanha de Câmara divulgou nota em que "refuta veementemente a acusação". Eduardo Campos não se manifestou.

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terça-feira, julho 22, 2014

Dominique


Opinião

Paulistanos ingratos

O ESTADO DE S.PAULO
Ao transformar a cidade de São Paulo em um laboratório de experiências esdrúxulas e marqueteiras, o prefeito Fernando Haddad demonstrou, em menos de dois anos de gestão, que não governa para todos, mas apenas para grupos minoritários estridentes, e que se preocupa somente com os eventuais ganhos eleitorais de suas decisões. Como resultado, Haddad é considerado um mau prefeito por nada menos que 47% dos paulistanos, segundo a mais recente pesquisa Datafolha sobre a qualidade de sua gestão.

Com esse índice, Haddad passou a fazer companhia aos piores prefeitos que São Paulo já teve desde a redemocratização do Brasil. Ele não está muito longe, por exemplo, de Celso Pitta (1997-2000), cuja administração, após 1 ano e 6 meses, foi considerada ruim ou péssima por 54% dos paulistanos. Como os paulistanos hão de se recordar, Pitta foi aquele prefeito que chegou a ser afastado do cargo em razão de denúncias de corrupção e que destroçou as finanças do Município.

As vicissitudes de Haddad, porém, são de outra ordem, ao menos por enquanto. Dizem respeito ao trato destrambelhado da coisa pública. Quando se candidatou, Haddad prometia o "futuro". Seu slogan era "Chegou a hora do novo". Eleito, o prefeito mostrou o que entendia por "novo": um conjunto de medidas atabalhoadas, vendidas ao distinto público como algo moderno, mas que prejudicaram o já muito frágil equilíbrio da metrópole.

Tome-se o exemplo do programa "Braços Abertos". No começo deste ano, com o intuito de acabar com uma pequena favela criada na região da Cracolândia - cuja degradação de seus "moradores", uma vez revelada, chocou a cidade -, Haddad sacou esse plano de sua criativa cartola. Era uma solução duplamente mágica: além de desmontar aquele aglomerado de barracos que denunciavam uma grave crise social, o "Braços Abertos" recuperaria os viciados em crack. A "inovação" foi oferecer a esses drogados hospedagem em hotéis da região e um emprego de varredor de rua, com remuneração de R$ 15 por dia, além de assistência médica. A óbvia contrapartida - a de que o viciado fosse obrigado a se tratar - não foi exigida. O resultado é que, em vez de resolver o problema da Cracolândia, a Prefeitura, em nome de uma "nova atitude", acabou financiando indiretamente o consumo de crack.

Irresponsabilidade semelhante norteia a relação entre a Prefeitura e os ditos "movimentos sociais", em relação aos quais o poder público vem se dobrando de maneira inaceitável. A título de "dialogar" com a sociedade, Haddad permite que grupelhos muito bem organizados, cujos objetivos vão muito além dos slogans que gritam, se assenhorem da agenda política municipal, esbulhem a propriedade privada e cassem o direito de ir e vir dos cidadãos - ao bloquear avenidas quando lhes dá na veneta.

Mas nada traduz melhor o improviso dessa administração despreparada do que as faixas exclusivas de ônibus. Pintadas sem critérios outros que não os populistas, elas são vendidas aos paulistanos como a solução para o transporte público. Na visão dos estrategistas eleitorais do PT, as faixas seriam a marca de uma gestão preocupada em valorizar o trabalhador que pega ônibus em detrimento do motorista de carro, identificado por essa propaganda como sendo a "elite". O fato, no entanto, é que as faixas, na média, não representaram ganho significativo de tempo gasto dentro dos ônibus - e nos locais onde elas foram pintadas sem necessidade o resultado foi o caos completo.

Tudo isso se reflete nas pesquisas de opinião. No entanto, para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, criador de Haddad, os paulistanos estão sendo ingratos. Com o exagero habitual, Lula disse que "quem está ganhando 40 minutos por dia para chegar em casa", graças às faixas de ônibus, "não está defendendo ele (Haddad)", razão pela qual é preciso "explicar para a população o que está acontecendo" - isto é, apelar para o marketing na tentativa de convencer a maioria dos paulistanos de que, ao contrário do que parece, eles vivem no paraíso.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 22 / 07 / 2014

Correio Braziliense
"Projeção indica que país crescerá apenas 0,97%"

Pela primeira vez, analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Banco Central estimam um PIB abaixo de 1% para este ano, contra os 2,5% de 2013. Pessimismo é influenciado por sinais de possível recessão na economia. 

Folha de S. Paulo
"Projeção do PIB cai, e governo não prevê melhora até eleição"

Mercado estima que país crescerá menos de 1% neste ano; para o Planalto, economia não deve reagir no curto prazo

Com a retração da indústria, a preocupação com a inflação e a baixa confiança de empresários e consumidores, economistas preveem que o Brasil crescerá menos que 1% neste ano. De dez consultorias e bancos ouvidos pela Folha, oito rebaixaram as suas expectativas para o desempenho do PIB deste ano. Essa é a segunda rodada de redução em menos de 60 dias. (...) A desaceleração da economia preocupa o governo Dilma, mas a avaliação é que não há "milagre" a ser feito para reativar o ritmo do país neste ano eleitoral. Para tentar recuperar o apoio de empresários e políticos aliados, a equipe da presidente tem sinalizado que reconhece erros na gestão e que promete corrigi-los num eventual segundo mandato.

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segunda-feira, julho 21, 2014

Dominique


Opinião

O papel da tecnologia na guerra e na paz

JOSÉ GOLDEMBERG - O ESTADO DE S.PAULO
É comum atribuir a líderes todo o mérito de vencer batalhas na guerra ou enfrentar grandes desafios em tempos de paz. Na guerra são sempre citadas as vitórias de Alexandre, o Grande - que jamais perdeu uma batalha -, Júlio César, que conquistou a Europa, Napoleão Bonaparte, Winston Churchill e, mais recentemente, o marechal Zhukov, que derrotou o Exército nazista. Na paz são lembrados, usualmente, Thomas Edison, que desenvolveu o uso da energia elétrica, Graham Bell, a telefonia, e Steve Jobs e Bill Gates, na era da informática.

Não existe a menor dúvida de que todos eles foram pessoas de grande talento e criatividade, mas o que se esquece com frequência é que não realizaram seus grandes feitos sem o uso de técnicos e da tecnologia, essencial para seu sucesso.

O historiador Paul Kennedy, em livro publicado recentemente, Engenheiros da Vitória, tenta corrigir essa visão usando exemplos do que ocorreu na 2.ª Guerra Mundial (1939-1945). Ele chama a atenção para o fato de que sem a descoberta do radar a Inglaterra não teria conseguido resistir aos bombardeios da aviação alemã e à invasão subsequente de seu território. Tampouco os russos teriam vencido as grandes batalhas que expulsaram os alemães do seu território sem o aperfeiçoamento de seus tanques de guerra T-34; ou sem seus engenheiros militares capazes de construir pontes para a travessia de rios de mais de um quilômetro de largura em quatro ou cinco horas.
Em tempos de paz, Paul Kennedy aponta alguns exemplos interessantes, argumentando que Steve Jobs não inventou nenhuma máquina, mas juntou desenvolvimentos técnicos feitos por outros num produto compacto e fácil de usar (o computador pessoal) que mudou o mundo. Sua genialidade - como a de Alexandre, o Grande, na guerra - foi a de reunir e comandar técnicos (ou soldados) e fazer bom uso da tecnologia disponível.

Thomas Edison só conseguiu produzir eletricidade usando os conhecimentos desenvolvidos por Michael Faraday, que em 1831 descobriu o princípio por trás do gerador de eletricidade no porão da Academia Real de Ciências da Inglaterra. Henry Ford também não inventou o automóvel, mas sim o método de produzi-lo em massa, passando de produção artesanal para produção em série.

É salutar lembrar esses fatos numa época em que influentes economistas americanos questionam o papel que as pesquisas subvencionadas pelo governo têm em estimular o sucesso da indústria americana. Vários desses economistas citam frequentemente Steve Jobs e Bill Gates como empreendedores de grande sucesso que desenvolveram produtos numa garagem sem nenhum auxílio governamental. Acontece que computadores pessoais, informática e telecomunicações modernas em geral, como internet, telefones celulares, GPS, etc., não existiriam sem a invenção de transistores, em 1947, em laboratórios de pesquisas financiados direta ou indiretamente pelo governo dos Estados Unidos.

Além disso, existem nesse país entidades filantrópicas, como a Fundação Rockefeller e muitas outras - incluída aí a maior delas, criada recentemente por Bill Gates -, que financiam generosamente pesquisas e investimentos de risco. Os recursos dessas fundações se originam em dinheiro que normalmente seria recolhido pelo Imposto de Renda e que as leis americanas permitem que seja utilizado pelos próprios donos por meio de tais instituições. É uma espécie de Lei Rouanet que funciona extraordinariamente bem num país onde existem muitas grandes fortunas. O imposto sobre heranças chega a atingir 40% nos Estados Unidos.

A pergunta a fazer é: por que esses mecanismos que acabaram por produzir inovações, aumento de produtividade e empresários como Bill Gates não existem no Brasil?
Há muitas pessoas talentosas no nosso país e algumas de nossas escolas e universidades dão um treinamento que não é inferior ao de muitas de suas congêneres americanas. Além disso, o Brasil dispõe de um sistema bastante satisfatório de bolsas que permite enviar estudantes para estudos e aperfeiçoamento no exterior, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Mais ainda, o BNDES e a Finep, como a Fapesp, em São Paulo, têm esquemas abrangentes de financiamento de pesquisa para empresas.

O que sucede é que esse conjunto de instrumentos do governo brasileiro não está coordenado com as políticas macroeconômicas do Ministério da Fazenda e as ações do Ministério de Indústria e Comércio. São essas pastas ministeriais que fixam a taxa de câmbio e as tarifas aduaneiras cuja aplicação pode beneficiar ou arruinar todo um setor industrial.

Exemplo disso é o que ocorreu na época em que a importação de computadores foi rigidamente controlada pelo governo para estimular sua produção dentro do País, o que se revelou inviável. O resultado foi a destruição do setor de tecelagem, que não podia importar teares modernos comandados por computadores.

Outro exemplo é o programa de etanol de cana-de-açúcar, que atingiu elevado nível de eficiência usando tecnologia local, mas está sendo destruído pelos preços baixos da gasolina, que são administrados pelo governo para evitar o aumento da inflação. Na prática, o Brasil importa gasolina (ou petróleo) a preços internacionais e a vende a preços mais baixos, o que é, no mínimo, um contrassenso.

Não faltam talentos e competências nas universidades que poderiam suprir o pessoal e a tecnologia necessários para grandes avanços. Faltam políticas públicas que identifiquem os problemas e levem à implementação de soluções.

JOSÉ GOLDEMBERG É PROFESSOR EMÉRITO E EX-REITOR DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP), FOI SECRETÁRIO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 21 / 07 / 2014

Correio Braziliense
"Lei Seca pegou 1.222 apenas durante a Copa"

Desde que a fiscalização se intensificou, em 2010, foi um recorde, com 40 casos por dia, em média. Condutores flagrados vão responder a processo administrativo, serão proibidos de pegar o volante por um ano e só estarão aptos a dirigir novamente após passarem por curso de reciclagem na escolinha pública de trânsito do Detran. 

Folha de S. Paulo
"Conflito na faixa de Gaza cresce e tem o dia mais violento"

Pelo menos 87 civis palestinos e 13 soldados israelenses morreram; Obama liga para o primeiro-ministro de Israel

 A ofensiva de Israel na faixa de Gaza contra o grupo islamita Hamas teve o dia mais violento neste domingo (20), no confronto que já dura quase duas semanas. Segundo o governo palestino, ao menos 87 civis fora mortos. Militares israelenses anunciaram que 13 soldados morreram em emboscadas.

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domingo, julho 20, 2014

Dominique


Opinião

Raposa felpuda

O ESTADO DE S.PAULO
Como velho político, Lula parece ter entendido o recado de que a população quer outra política. Mudou, então, a sua prática política? Não. Simplesmente mudou o discurso, mantendo a sua velha estratégia. Falar mal da política, mas continuar atuando como uma felpuda raposa política.

Em recente vídeo para jovens, divulgado pelo seu instituto - que é um dos polos coordenadores da campanha da reeleição de Dilma -, o ex-presidente propôs uma reforma política feita por iniciativa popular que acabe com "partidos laranja" e "partidos de aluguel". Ele deseja "um projeto de lei que possa mudar substancialmente a política brasileira, ter partidos mais sérios, acabar com os partidos laranjas, os partidos de aluguel, acabar com partidos que utilizam seu tempo para fazer negócio". Nem parece ser ele quem manda no Partido dos Trabalhadores (PT), partido que, nos últimos meses, promoveu uma das mais profícuas trocas entre cargos de confiança no governo federal por tempo de propaganda política na TV. A população está cansada é dessa hipocrisia: o maior promotor - e maior beneficiário - do sistema político atual pregando virtuosamente a sua reforma.

Com o mesmo descaramento, como se o PT não tivesse sido o partido que mais recebeu doações de empresas privadas nos últimos anos, Lula afirmou que é "radicalmente" contra o financiamento privado de campanha. E ainda expôs os seus motivos. Segundo o político Lula, o financiamento público "é a forma mais honesta na face da terra de financiar uma campanha para não permitir que os empresários tenham influência na eleição da pessoa". No site do Instituto Lula, ao lado do vídeo, está ainda a notícia de que empresários organizaram um jantar em homenagem "às realizações de seu governo" em 2011. Vê-se que o homenageado muito se orgulha desse tributo, mantendo-o em destaque durante anos.

Como se o seu governo não tivesse produzido o maior escândalo de corrupção do Brasil contemporâneo, defendeu a fiscalização para garantir a transparência no uso dos recursos pelo partido. Quer também um projeto de lei de iniciativa popular "que possa mudar substancialmente a política brasileira". Se houvesse de fato essa disposição, bastaria pedir ao seu partido, que conta com ampla maioria no Congresso, para que a realize. Mas isso nem de longe é a sua intenção. No vídeo, ele simplesmente atua como o mais político dos políticos, e ainda trata o espectador como um ignorante da realidade política nacional.

Num esforço por se mostrar próximo da população, o ex-presidente Lula reconheceu que não são apenas os jovens que estão desencantados com a política, mas toda a sociedade. E afirmou: "A política está apodrecida, aqui no Brasil e em várias partes do mundo, porque há uma negação, uma rejeição a político". A política está apodrecida não pela rejeição da população. Isso é um dos efeitos do problema. A política está apodrecida porque políticos, como o ex-presidente, que se dizem "modernos", continuam fazendo o que faziam os coronéis que condenam.

Para completar coerentemente a miríade de incoerências, Lula disse ainda que, numa eventual reforma política, apoiará o voto em lista. Cada eleitor votaria no partido, e não em candidatos específicos. Segundo o ex-presidente, seria um avanço, já que "o deputado não pode ser um deputado avulso, tem que ser um deputado do partido". Ora, o mais personalista dos políticos diz que prefere voto no partido? E diz isso na mesma semana em que Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians, afirmou que é candidato a deputado federal pelo PT simplesmente por causa da insistência de Lula, que conta com Sanchez para alavancar outros candidatos petistas, já que os tradicionalmente "bons de voto" do PT em São Paulo estão na cadeia.

A incoerência de Lula não é nova, mas há um ponto que preocupa especialmente. Dilma falou em assembleia constituinte para uma reforma política quando começou a perder o jogo na opinião pública, após as manifestações de junho de 2013. Lula volta agora ao mesmo tema, numa época em que a cada semana a popularidade da candidata é abalada. Seria isso um sinal de que o lulo-dilmismo quer mudar as regras do jogo justamente no momento em que o seu time começa a ficar atrás no placar?

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 20 / 07 / 2014

Correio Braziliense
"Por que o Brasil está a um passo da recessão"

O crescimento do Produto Interno Bruto no primeiro trimestre foi de 0,2%. O índice do segundo (abril, maio e junho) sai no fim de agosto. Mas, se for registrado um percentual elevado de queda, o país entrará tecnicamente em recessão, avaliam economistas ouvidos pelo Correio. Paralelamente, os indicadores pioram: na semana passada, bancos e corretoras revisaram para baixo as projeções para a elevação anual do PIB. Setores da indústria (automobilística, têxtil e de máquinas) e o próprio varejo têm reduzido as expectativas de venda e produção. 

Folha de S. Paulo
"Minas fez aeroporto em fazenda de tio de Aécio"

Obra de R$ 14 milhões ocorreu na gestão do tucano no governo do Estado

Sob o comando do atual candidato ao Planalto Aécio Neves (PSDB), o governo de Minas gastou R$ 14 milhões para construir um aeroporto dentro da fazenda de um tio do tucano, relata Lucas Ferraz. A obra ficou pronta em 2010, último ano da gestão. O aeroporto, que fica na cidade de Cláudio, a 150 km de Belo Horizonte, é administrado por parentes do presidenciável. Para pousar ali, é preciso autorização de um tio-avô do tucano. Segundo parente, Aécio usa a pista sempre que visita a cidade. O tucano, sua mãe e suas irmãs são donos de uma fazenda a 6 km do aeroporto, ainda sem autorização para operar com o público. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil, faltam documentos para a homologação. O caso está na Justiça. Para desapropriar a área, o Estado depositou RS 1 milhão, mas o tio do tucano contestou o valor. A assessoria de Aécio disse que "não houve gestões pessoais do governador” na definição da obra e que ela obedeceu “critérios técnicos”. 

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