sábado, julho 19, 2014

Dominique


Opinião

A crise chega ao emprego

O ESTADO DE S.PAULO
A crise bate no mercado de emprego e mancha um dos poucos indicadores positivos da economia brasileira: a criação de postos de trabalho. Em junho foram contratados 25,36 mil trabalhadores com carteira assinada, o menor número para esse mês desde 1998. As contratações do semestre, de 588,67 mil, também foram um recorde negativo - o resultado mais baixo para esse período a partir de 2009. Os números foram divulgados na quinta-feira pelo Ministério do Trabalho. No mesmo dia a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) anunciou a situação do emprego industrial paulista no mês passado: 16,5 mil vagas fechadas. Em um ano, as demissões líquidas chegaram a 96,5 mil, um resultado bem pior que o esperado, informou o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da entidade, Paulo Francini. Este ano, segundo ele, deve ser o pior desde 2009, quando 112,5 mil postos foram eliminados.

As demissões na indústria comprometem a qualidade do emprego. Esse detalhe tem sido aparentemente menosprezado, ou ignorado, pela presidente Dilma Rousseff e por seus ministros, em suas bravatas sobre o desempenho da economia brasileira. A retórica oficial sobre as maravilhas do emprego no País vira fumaça, facilmente, quando se consideram uns poucos fatos.

Em primeiro lugar, os números tradicionalmente publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) são muito limitados, porque se referem somente às seis maiores áreas metropolitanas. As últimas taxas de desemprego, pouco superiores a 5%, são pouco representativas. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), também do IBGE, cobre cerca de 3.500 municípios e tem mostrado um cenário bem menos favorável. A do primeiro trimestre indicou 7,1% de desemprego, número superior aos encontrados em vários países - desenvolvidos e em desenvolvimento - com taxas de inflação muito menores.

Em segundo lugar, o desemprego brasileiro seria provavelmente maior se a oferta de mão de obra qualificada fosse mais ampla. Embora crescendo pouco e acumulando dificuldades, a indústria procurou, nos últimos anos, conservar o maior número possível de empregados. Ao custo das demissões seria preciso acrescentar o custo e as dificuldades de recomposição dos quadros, em caso de recuperação da economia. O discurso oficial tem omitido também esse detalhe, embora empresários e porta-vozes da indústria tenham chamado a atenção, várias vezes, para a escassez de pessoal qualificado ou dotado apenas de uma formação básica razoável.

Em terceiro lugar, os empregos decentes, no Brasil, ainda são principalmente aqueles criados na indústria. O setor de serviços, na economia brasileira, ainda é muito diferente daquele encontrado nos países mais desenvolvidos. Boa parte dos postos gerados em serviços oferece remuneração mais baixa e menores benefícios que aqueles vinculados ao emprego na indústria ou no comércio.

Em junho, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, a indústria de transformação, a extrativa mineral e a da construção civil fecharam 41,02 mil postos. Em 12 meses, esses três setores eliminaram 34,09 mil vagas, enquanto o conjunto da economia contratou 763,5 mil pessoas. O setor de serviços proporcionou 537,88 mil contratações, 70,44% do total. A agropecuária, o setor mais competitivo da economia nacional, foi o principal criador de empregos em junho, com 40,82 mil vagas abertas, mas o acumulado em 12 meses foi o fechamento de 26,3 mil postos.

No Brasil, como na maior parte do mundo, a agropecuária moderna cria poucos empregos diretos, mas pode contribuir para a abertura de vagas em outras áreas. Numa economia como a brasileira, o dinamismo geral da produção e a expansão dos empregos decentes dependem ainda principalmente da indústria. Não se promove desenvolvimento industrial com desonerações parciais e provisórias, favores a grupos ou segmentos selecionados e barreiras protecionistas. Também esses fatos têm sido ignorados em Brasília.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 19 / 07 / 2014

Correio Braziliense
"Míssil atinge em cheio a luta contra a Aids"

Entre os 298 mortos do avião derrubado na Ucrânia estavam cerca de 100 pessoas que iam ao congresso sobre a doença. O dentista Joep Lange, uma sumidade no tema, é uma das vítimas

A tragédia, que horrorizou o mundo, imprimiu um terrível golpe à comunidade científica. O holandês Joep Lange, 59 anos, era considerado por colegas um dos maiores especialistas do mundo no combate ao HIV. ”A cura da Aids poderia estar a bordo daquele avião", desabafou o pesquisador Trevor Stratlon. O presidente dos EUA, Barak Obama. responsabilizou separatistas pré Moscou pela queda do Boeing 777, que ia da Holanda para a Malásia. e culpou a Rússia pela tragédia. 

Folha de S. Paulo
"Obama liga derrubada de avião a rebeldes pró-Rússia"

Presidente dos EUA diz que um míssil derrubou aeronave no leste da Ucrânia

O presidente Barack Obama (EUA) disse ter evidências de que o avião do Malaysia Airlines foi derrubado por um míssil lançado de uma área controlada por separatistas ucranianos apoiados pela Rússia. "Um grupo de separatistas não pode derrubar aviões [...] sem equipamento e treinamento sofisticados. Isso tem vindo da Rússia”, afirmou. Segundo o americano, três aeronaves militares ucranianos foram abatidos nas últimas semanas. O Conselho de Segurança da ONU autorizou pedido para uma investigação independente sobre as causas da queda, que causou a morte de 298 pessoas. Separatistas pró Rússia limitaram acesso de inspetores europeus ao local da queda do avião. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, não respondeu diretamente a Obama e pediu um cessar-fogo na região. O embaixador russo na ONU atribuiu à Ucrânia “toda a culpa” pela tragédia. A capital Kiev se tornou a única forma segura de chegar à Ucrânia por ar, relata o enviado Leandro Colon. O espaço aéreo do leste vem sendo evitado.

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sexta-feira, julho 18, 2014

Para refletir


Coluna do Celsinho

Candidatos

Celso de Almeida Jr.

Eleição, claro, deveria sempre ser levada muito a sério.

O Brasil, porém, oferece em todas as áreas oportunidades para o riso se fazer presente.

O período do registro das candidaturas, para as eleições de outubro próximo, terminou.

Assim, os nomes escolhidos para constar na urna eleitoral começam a aparecer.

Selecionei alguns:

Filho do Padre

Fala Paletó

PM da Gaiola

Galo Cego

Agora é nóis

Ureia-Lá

Risca Faca

Zé Macedo Acorda Cedo

Parrola Neles

E por aí vai...

Pois é, prezado leitor, querida leitora.

Nossa democracia, como se vê, comporta de tudo.

Pensando nisso, reflito sobre um nome para a minha candidatura.

Espera aí!!!

Isso é ficção, pode ficar tranquilo.

Não nasci para ser candidato.

Entretanto, como gosto de acompanhar os movimentos da política e dos políticos, vale o exercício.

Avaliando tudo o que vejo, analisando o meu dia a dia, eis o meu nome político:

Doutor Paciencinha.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique


Opinião

O Brasil na armadilha

O ESTADO DE S.PAULO
Doze horas depois de anunciar a nova decisão sobre os juros, mantidos em 11%, apesar da inflação elevada e resistente, o Banco Central (BC) publicou o complemento da história: a produção continua estagnada e o País, na melhor hipótese, está pouco acima de uma recessão. Confirmou-se, mais uma vez, a armadilha apontada por vários analistas - uma combinação de fortes pressões inflacionárias com grave enfraquecimento da economia. A manutenção da taxa básica de juros, a Selic, foi sacramentada, sem surpresa, na quarta-feira à noite. Na quinta de manhã foi divulgado o índice mensal de atividade econômica (IBC-Br) produzido pela instituição e considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB). Em maio, o indicador ficou 0,18% abaixo do nível de abril e apenas 0,38% acima do apurado um ano antes, na série livre de efeitos sazonais. No trimestre encerrado em maio o resultado foi 0,33% mais alto que o dos três meses até abril.

Mesmo sem conhecer esses dados - uma hipótese improvável - os membros do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC dispunham de informação suficiente, acumulada no último mês e meio, para saber do estado precário da economia. A produção industrial caiu 0,6% de abril para maio e ficou 3,2% abaixo do nível de um ano antes. De janeiro a maio o setor produziu 1,6% menos que no mesmo período de 2013. O emprego industrial continuou em queda. Caiu 0,7% de abril para maio, ficou 2,6% abaixo do registrado um ano antes e recuou 1,7% em 12 meses. O número de horas pagas diminuiu, mas, apesar disso, a folha de pagamento, descontada a inflação, ainda custou 1,4% mais que em abril de 2013 - mais um sinal do desajuste, apontado várias vezes pelo BC, no mercado de trabalho.

O mau desempenho da indústria já se reflete no setor de serviços. A receita nominal do setor, em maio, foi 6,6% maior que a do mês correspondente do ano passado. Descontada a inflação, restou um crescimento muito próximo de zero. As únicas boas notícias do setor produtivo são as da agropecuária, com perspectiva de mais uma safra recorde de grãos e oleaginosas. No setor externo, só o agronegócio, com superávit comercial de US$ 40,78 bilhões no primeiro semestre e de US$ 82,43 bilhões em 12 meses, tem evitado um desastre completo.

A evolução do IBC-Br nos 12 meses terminados em maio - 1,95% - ainda é melhor que o crescimento previsto para o PIB entre janeiro e dezembro deste ano, de 1,6% nas contas do BC e de 1,05% nas do mercado. Todas as medidas de estímulo anunciadas nos últimos quatro ou cinco anos fracassaram. Foram insuficientes para reforçar o potencial de produção e de crescimento da indústria e, de modo geral, da economia brasileira. Os poucos segmentos dinâmicos e competitivos, como a agropecuária e a indústria aeronáutica, mantiveram seus padrões e continuaram avançando, apesar da baixa qualidade geral da política econômica e da ineficiência geral da economia. O último pacote anunciado pelo Executivo dificilmente produzirá resultados melhores, porque, com poucas mudanças, é uma reedição de medidas já fracassadas.

Quanto à inflação, nem os dirigentes e técnicos do BC parecem levar muito a sério o recuo das taxas nos últimos dois meses. Oficialmente, eles ainda esperam efeitos dos nove aumentos de juros entre abril do ano passado e abril deste ano. Evitam novos aumentos e provavelmente continuarão evitando até o fim do ano, ou, no mínimo, até a apuração das eleições.

Mas continuam descartando a hipótese de redução significativa da inflação anual até o fim de 2015. Mantêm, oficialmente, a perspectiva de uma convergência gradual para o centro da meta (4,5%), mas sem fixar com clareza um prazo, mesmo aproximado. Se houver novidade quanto a isso na ata da reunião do Copom, com divulgação prevista para a próxima quinta-feira, será uma surpresa.

A melhora dos indicadores de crescimento econômico e de inflação depende, em grande parte, do Executivo. Mas a presidente Dilma Rousseff teria de buscar a austeridade orçamentária e de mudar amplamente a estratégia de crescimento - hipóteses quase inimagináveis.

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 18 / 07 / 2014

Correio Braziliense
"Guerra abate avião com 298 inocentes"

O governo americano sustenta que o Boeing 777 da Malaysia Airlines, que ia de Amsterdã para Kuala Lumpur com 283 passageiros e 15 tripulantes, foi abatido por um míssil. A tragédia aconteceu quando o avião sobrevoava região da Ucrânia dominada por separatistas pró-Moscou. (...) O Conselho de Segurança da ONU convocou para hoje reunião de emergência. 

Folha de S. Paulo
"Queda de avião com 298 acirra a crise entre Rússia e Ucrânia"

Governo ucraniano diz que aeronave foi abatida por míssil lançado por separatistas; Putin acusa Kiev

Um avião da Malaysia Airlines, que ia de Amsterdã para Kuala Lumpur com 298 pessoas a bordo, caiu no leste da Ucrânia, próximo à fronteira com a Rússia. Até a conclusão desta edição, ao menos cem corpos haviam sido achados - não há relatos de sobreviventes. (...) O governo ucraniano afirmou que um míssil lançado por rebeldes pró-russos abateu o jato, enquanto o presidente da Rússia, Vladimir Putin, culpou a Ucrânia pela queda. Os EUA disseram ter evidências de que a tragédia "não foi um acidente".

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quinta-feira, julho 17, 2014

Dominique


Opinião

Recesso, mais um drible na lei

O ESTADO DE S.PAULO
Driblando mais uma vez a Constituição, deputados e senadores vão entrar em recesso branco sem ter votado o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). A Copa terminou e a maioria dos brasileiros voltou ao batente, mas para os parlamentares o esforço de torcer deve ter sido especialmente esgotante. Uma regra constitucional proíbe interromper a sessão legislativa antes da aprovação daquele projeto. A proibição está no segundo parágrafo do artigo 57 e seu sentido prático é muito claro. Até o fim de agosto o Executivo deve encaminhar ao Congresso a proposta do Orçamento-Geral da União (OGU). Para montar essa proposta, os técnicos do governo devem levar em conta as prioridades, metas e outras condições fixadas na LDO. Essa é a exigência legal. E daí? Qual a importância dessa regra, quando se pode contorná-la com um pouco de conversa mole e nenhuma resistência séria entre os políticos?

Os congressistas têm experiência nesse jogo. O projeto da última LDO foi votado com muito atraso, mas nem por isso os parlamentares tiveram de renunciar às férias. As explicações podem variar de um ano para outro. Podem mudar também as motivações do atraso na votação da proposta do Orçamento. Já é quase rotina, em Brasília, começar o ano fiscal sem a programação financeira convertida em lei. Desta vez, decidiu-se adiar a votação da LDO para o começo de agosto por falta de quórum para o exame do relatório preliminar preparado pelo senador Vital do Rêgo (PMDB-PB). A responsabilidade pelo atraso foi atribuída à oposição. Parlamentares contrários ao governo teriam decidido bloquear a tramitação do projeto para manter em funcionamento o Congresso e a CPI da Petrobrás.

A manobra falhou. Não serão convocadas sessões para votação entre 18 e 31 de julho, segundo combinaram deputados e senadores. Comissões poderão funcionar, mas ninguém será obrigado a comparecer. Assim, os parlamentares ficarão livres para descansar ou para cuidar das campanhas eleitorais em seus Estados. Não haverá recesso, oficialmente, e a Constituição será simplesmente driblada. "Recesso é quando se paralisa o Legislativo. Quando apenas se deixa de convocar ordem do dia, o Congresso continua funcionando, as comissões podem se reunir e os parlamentares, fazer discursos no plenário", pontificou o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Mas o recesso de fato irá muito além do fim de julho. O senador Renan Calheiros já anunciou a intenção de convocar, até as eleições, sessões deliberativas só para os dias 5 e 6 de agosto. Também para isso apresentou uma justificativa: deliberar durante o processo eleitoral poderá levar os congressistas a uma "zona cinzenta", onde poderão acabar votando matérias sem levar em conta o interesse nacional ou cedendo à demagogia. A motivação alegada, portanto, é nobilíssima. Trata-se de afastar os parlamentares das tentações associadas a interesses eleitorais. Nunca se sabe se alguém poderá fraquejar.

Em mais de 70 dias, portanto, os congressistas deverão ter apenas duas sessões deliberativas. O período de folga será maior, naturalmente, em caso de segundo turno. Se tudo der certo, o projeto da LDO será votado nas duas sessões previstas para agosto. Mas quem cuidará, no Congresso, da proposta do Orçamento federal? Como de costume, o texto deverá ser entregue no fim de agosto e um dirigente do Congresso o receberá com a solenidade necessária. Mas será uma enorme surpresa se o projeto for votado antes do estouro dos fogos de artifício em 31 de dezembro.

Se a tramitação for parecida com a do ano passado, quando não houve eleições, o governo eleito começará o mandato, em 1.º de janeiro, sem dispor de uma programação financeira completa. Poderá realizar nos primeiros meses somente alguns gastos indispensáveis, geralmente autorizados pelas normas orçamentárias. No próximo ano, essa limitação talvez faça pouca diferença. Se for prudente, o novo governo cuidará de economizar tanto quanto puder nos primeiros meses. Mas o verdadeiro ajuste, se estiver nos planos, só virá mais tarde.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 17 / 07 / 2014

Correio Braziliense
"Brasil sofre retrocesso no combate à Aids"

Referência contra a doença, país amarga revés e vê casos de infectados pelo HIV crescerem 11%

Orgulho nacional e modelo em todo o planeta, a política pública de prevenção da doença já não exibe a mesma eficiência. Dados divulgados ontem pela Unaids, agência da ONU dedicada à luta contra a Aids, mostram que, enquanto avançava o número de novos casos no Brasil, entre 2005 e 2013, houve uma queda de 27,5% no mundo, puxada principalmente por países do Caribe e da África Subsaariana. 

Folha de S. Paulo
"EUA impõe sanções mais duras à Rússia"

Crise na Ucrânia motiva medida; Putin recebe notícia durante visita ao Brasil

Os EUA anunciaram as mais duras sanções econômicas contra a Rússia desde o início da crise da Ucrânia, em fevereiro. Para o governo Obama, a gestão de Vladimir Putin viola "a soberania" do país vizinho e apoia separatistas mesmo após a anexação da Crimeia. As medidas foram anunciadas enquanto o presidente russo participava de reuniões do Brics em Brasília. 

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quarta-feira, julho 16, 2014

Dominique


Opinião

A boa-nova do Fed

O ESTADO DE S.PAULO
Boa notícia para o governo brasileiro, já assombrado pelo mau desempenho do comércio exterior, por pressões na área cambial e pelo risco de fuga de capitais estrangeiros: o novo aumento de juros nos Estados Unidos, mais um fator de perturbação, ainda poderá demorar muito tempo. A decisão dependerá da combinação de vários fatores - recuperação mais firme da economia, com normalização do mercado de emprego, aumento da inflação e das expectativas inflacionárias e maior avanço da reforma financeira. O recado foi transmitido aos senadores em Washington, ontem, pela presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, Janet Yellen.

Não se pode fixar uma data, com segurança, para a próxima alteração dos juros, porque isso dependerá da evolução conjunta de todos aqueles indicadores. Se tudo correr muito bem, a mudança poderá ocorrer no próximo ano, poucos meses depois de encerrada a atual fase de estímulos monetários (emissão de dinheiro por meio do recolhimento de títulos federais no mercado). Essa fase poderá terminar em outubro, segundo estimativa divulgada há poucos dias e reafirmada pela presidente do Fed, mas também isso dependerá das condições econômicas nos próximos meses.

De acordo com Yellen, a economia tem melhorado e o recuo do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre deve ter sido causado, principalmente, por fatores transitórios. O inverno excepcionalmente longo e severo tem sido citado como uma das causas. Mas a recuperação, ressaltou a presidente do Fed, é incompleta. Embora o desemprego tenha continuado em queda e chegado a 6,1% da força de trabalho, permanece acima do nível normal de longo prazo, estimado por participantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc). Esse comitê, semelhante ao Copom brasileiro, é responsável pela orientação da política monetária.

O pronunciamento de Yellen foi classificado como ambíguo por fontes do mercado financeiro. É uma crítica um tanto gratuita. Autoridades monetárias devem, de fato, comunicar-se com a máxima clareza e fornecer as melhores indicações para a operação dos vários mercados, mas a presidente do Fed parece ter sido tão explícita quanto poderia ser. Não é sua função indicar data e hora para as próximas decisões sobre juros, nem isso teria sentido, quando ainda há muita incerteza quanto à evolução dos principais indicadores nos próximos meses. Há pouca dúvida sobre a tendência de melhora da economia americana, mas as decisões do comitê, acentuou Yellen, serão baseadas numa avaliação geral e segura, tanto quanto possível, do quadro da produção, do emprego, dos preços e do estado do sistema financeiro.

Não há nenhuma ambiguidade nessa mensagem. Ao contrário, há uma clara referência à disposição de cumprir o duplo mandato do Fed - garantir a melhor combinação entre emprego e estabilidade de preços.

Os mercados haviam reagido com alguma ansiedade à comunicação anterior do Fed, quando se mencionou o mês de outubro como provável ponto de encerramento das compras mensais de títulos. A perspectiva de aumento de juros em pouco tempo, a partir daí, excitou a especulação. Mas a distância entre os dois fatos poderá ser maior, segundo Yellen.

Se esse for o caso, e se o mercado entender dessa forma, tanto melhor para o Brasil. Com a perspectiva de mais um déficit em conta corrente em torno de US$ 80 bilhões, neste ano, qualquer novo aperto nas condições internacionais de financiamento será ruim para o País. Já se prevê um investimento estrangeiro direto na altura de US$ 63 bilhões, insuficiente, portanto, para cobrir aquele déficit. A cobertura dependerá, como em 2013, de outros tipos de capitais, menos seguros, mais especulativos e menos comprometidos com o fortalecimento do setor produtivo. Mas o fechamento das contas externas de 2014 é apenas o desafio mais fácil, embora mais próximo. O fortalecimento efetivo do setor externo dependerá de políticas de longo alcance para tornar a economia mais produtiva e com melhor atuação internacional. Isso exige muito mais que soluções improvisadas.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 16 / 07 / 2014

Correio Braziliense
"Após a Copa, o choque de realidade do Brasileirão"

Três dias depois de encerrado o Mundial, um show de bola e de público, volta à cena hoje o Campeonato Brasileiro, com um futebol ainda mais sofrível que o da Seleção Canarinho na humilhante derrota por 7x1 para a Alemanha.


Folha de S. Paulo
"Brasil cede presidência, e banco do Brics é criado"
Com aporte de US$ 50 bi, instituição será chefiada por indianos e terá sede na China

Para tirar a instituição do papel e evitar fracasso da cúpula, o Brasil teve de ceder à Índia e abrir mão da presidência do novo Banco de Desenvolvimento do Brics. A decisão foi uma derrota do governo brasileiro, que queria que o país indicasse o primeiro presidente do banco. Ao final da reunião do grupo, que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, em Fortaleza, a presidente Dilma anunciou a fundação da instituição que financiará projetos de infraestrutura de emergentes, com US$ 50 bilhões de capital - podendo chegar a US$ 100 bilhões. Dilma minimizou a perda. "A Índia foi quem propôs a criação do banco. Nada mais justo que detivesse a primeira presidência", afirmou. Caberá ao Brasil o comando do conselho de administração. A sede será na China, e a expectativa é que comece a operar em 2016.  

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terça-feira, julho 15, 2014

Pitacos do Zé


E por falar em cidadania... (LVIII)

José Ronaldo dos Santos
Revisitando a antiga Fazenda Jundiaquara, percorrendo até a divisa com a Sesmaria (da Estufa - Ubatuba - SP), por perto das pedras que dão razão ao nome da fazenda, vimos alguns desmatamentos e cercas de arame. Notadamente divisamos uma invasão sobre a mata nativa. Cabe à Polícia Ambiental e a quem mais fiscalizar isso?

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Dominique


Opinião

Dependência do agronegócio

O ESTADO DE S.PAULO
Com um rombo em torno de US$ 100 bilhões anuais no comércio de manufaturados, o Brasil depende cada vez mais da exportação de produtos do agronegócio para evitar um desastre nas contas externas. Por isso é especialmente preocupante a perspectiva de preços agrícolas em queda nos próximos dois anos, apontada por um relatório conjunto de duas importantes entidades multilaterais, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A divulgação do relatório coincidiu com o anúncio, na sexta-feira, das novas estimativas de oferta e demanda de grãos e oleaginosas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos para a safra 2014-2015, ainda em fim de plantio no país.

Cotações caíram imediatamente, na primeira reação dos mercados às novas informações. Mesmo com a correção de algum exagero, observada já na segunda-feira, as perspectivas continuam desfavoráveis aos produtores, como têm sido na maior parte deste ano.

Segundo as projeções da FAO e da OCDE, os preços dos produtos vegetais devem cair ainda por dois anos e em seguida se estabilizarão em níveis superiores aos de antes da crise de 2008. Já há algum tempo os mercados vêm-se acomodando, depois de alguns anos de cotações excepcionalmente altas. No caso das carnes, os preços devem continuar sustentados por uma demanda crescente.

Apesar da acomodação da maior parte das cotações nos próximos dois anos, ao longo da próxima década a evolução dos mercados deve ampliar as oportunidades para os produtores. A demanda global de cereais em 2023, pouco acima de 1,2 bilhão de toneladas, deve ser 150 milhões de toneladas maior que a do ano passado. Também de acordo com o relatório, deverá crescer o consumo de proteínas, óleos e açúcar, como consequência do crescimento da renda e da urbanização.

A produção global de cereais deverá aumentar 15% e a de oleaginosas, 26%. A agricultura será impulsionada tanto pela demanda de alimentos - em boa parte por causa da melhora de condições nos países em desenvolvimento - quanto pelo uso crescente de biocombustíveis. As oportunidades para o Brasil são evidentes. O agronegócio terá de fazer sua parte, cuidando de sua tecnologia. O governo precisará cuidar da infraestrutura, manter condições razoáveis de financiamento e, acima de tudo, resistir às pressões de seus parceiros - ideológicos ou meramente malandros - contra o sucesso empresarial no campo.

A curto e a médio prazos, no entanto, o País terá de enfrentar os problemas associados à deterioração dos preços internacionais. Até agora, o agronegócio conseguiu produzir um belo resultado comercial, apesar das condições externas. De janeiro a junho as exportações do setor, no valor de US$ 49,11 bilhões, corresponderam a 44,43% da receita do comércio de mercadorias.

O superávit do agronegócio, de US$ 40,78 bilhões, só compensou parcialmente o déficit dos manufaturados, de US$ 56 bilhões. Para uma comparação mais precisa, seria preciso separar desse valor uma pequena parcela de itens do agronegócio incluída na conta de manufaturados (açúcar refinado e etanol, por exemplo). De toda forma, o quadro geral é claro. O bom resultado conseguido com os produtos da agropecuária ocorreu apesar da queda de preços da soja em grão (4,2% em relação ao mesmo período de 2013), farelo (7,8%), óleo (17,4%), carne de frango (9,8%), açúcar (15,1%) e café (9,1%), para citar só os mais importantes.

Mas, além de se preocupar com as condições de produção e de comercialização da agropecuária (investindo em infraestrutura, por exemplo), o governo terá de se preocupar com a competitividade da maior parte da indústria. É ruim para a economia brasileira depender tanto quanto hoje do sucesso comercial da agropecuária e das indústrias ligadas ao setor. Mas a política industrial terá de ir muito além da escolha de campeões e do protecionismo dos últimos anos - políticas inequivocamente fracassadas. Fracassos maiores ainda ocorrerão, se o governo continuar incapaz de aprender com seus erros.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 15 / 07 / 2014

Correio Braziliense
"Brasil entre o fiasco da Seleção e o jogo eleitoral da Copa"

Enquanto a presidente exaltava o sucesso do Mundial, a CBF confirmava a demissão de Felipão, pelo maior vexame do futebol brasileiro na história, e não descartava contratar um técnico estrangeiro

Na defensiva, após as vaias de domingo no Maracanã, a presidente Dilma decidiu partir para o ataque. Reuniu 16 ministros e tratou de capitalizar eleitoralmente o êxito na realização do torneio. Na cerimônia de duas horas e meia, transmitida por rede de emissoras públicas, o único "problema" admitido por ela foi "nossa partida com a Alemanha".

Folha de S. Paulo
"Copa no Brasil é aprovada por 83% dos estrangeiros"

Custo de vida do país foi a principal reclamação dos visitantes, aponta Datafolha

A maioria dos turistas estrangeiros que vieram ao Brasil para a Copa aprovou a organização do torneio, aponta pesquisa do Datafolha. O Mundial foi considerado bom ou ótimo para 83% dos ouvidos, oriundos de 60 países. Apenas 3% acharam a Copa ruim ou péssima. A hospitalidade dos brasileiros foi destaque durante a competição: 95% dos entrevistados disseram que a recepção foi ótima ou boa. (...) O presidente da Fifa, Joseph Blatter deu nota 9,25 para o Mundial brasileiro, 0,25 a mais do que à África do Sul. A avaliação dele, porém, limitou-se aos jogos, não à organização. "O que tornou a Copa tão especial foi a qualidade do futebol", afirmou. Em balanço com 16 ministros, a presidente Dilma disse que o país derrotou o pessimismo. Segundo o governo, o Brasil recebeu mais de 1 milhão de estrangeiros durante a Copa. 

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segunda-feira, julho 14, 2014

Dominique


Opinião

Craques em se safar

O ESTADO DE S.PAULO
Ah, se os jogadores da seleção conseguissem driblar os adversários como os políticos driblam as leis e a Justiça. O artista da hora nessa categoria é o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, principal protagonista do chamado "mensalão do DEM", detonado pela Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, em novembro de 2009. Quando senador - chegou a ser líder do governo Fernando Henrique na Casa -, tinha construído uma imagem de Catão do Congresso, pela contundência com que denunciava os malfeitos da política local e nacional. Era, como se diz no futebol, uma promessa.

Mesmo depois de ter renunciado ao mandato para não ser cassado por sua participação no escândalo da quebra do sigilo do painel de deliberações do Senado, elegeu-se deputado em 2002 com a maior votação do País em termos proporcionais: 1 em cada 4 eleitores do Distrito Federal sufragou o seu nome. No pleito seguinte, confirmou a escrita ao se eleger governador já no primeiro turno. Delatado por desvio de dinheiro público, foi parar na cadeia. Entrou para o folclore por ter alegado que o dinheiro se destinava a comprar panetones para os pobres.

Na quarta-feira, já tendo pedido à Justiça Eleitoral o registro de sua candidatura a um novo mandato, desta vez pelo PR, foi condenado em segunda instância, no caso pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJ), por improbidade administrativa. Segundo a lei da ficha limpa, é o necessário e o suficiente para removê-lo da vida pública. Mas o bom político de mãos sujas precisa mais do que ser descarado: precisa conhecer a letra miúda da legislação para se escafeder entre as suas frestas. De fato, o texto da ficha limpa veda a participação eleitoral dos réus condenados duas vezes (a segunda por um colegiado) só quando a sentença fatal for promulgada antes do registro das respectivas candidaturas.

Arruda e os seus advogados fizeram então o óbvio: trataram de retardar o julgamento que o fulminaria. Recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF) para sustar o processo no TJ, já com data marcada, e obtiveram a liminar que pleiteavam. Quando, na semana passada, o presidente da Corte, Joaquim Barbosa, derrubou a decisão, era tarde - ou assim poderá ser. A esperança de que a legislação moralizadora não acabe virada de ponta-cabeça é o recurso do Ministério Público. Os procuradores argumentam, cobertos de razão, que a condenação de Arruda, embora posterior ao pedido de registro da candidatura, precedeu a análise da solicitação, que ainda nem sequer ocorreu. Eles pretendem ir até o Supremo Tribunal, se for preciso.

Mesmo que sejam bem-sucedidos, até lá o mensaleiro estará livre para fazer campanha na base do fato consumado. É assim que a tigrada se prevalece da justa preocupação dos legisladores, na vigência do Estado de Direito, de sanear a esfera pública sem atropelar as prerrogativas dos seus presumíveis saqueadores. As normas que regulam a competição eleitoral, com o seu polêmico detalhismo, são um exemplo disso. Às vezes, a volta por cima dos gestores ímprobos não depende da manipulação astuta das filigranas legais. Basta a "vontade política" de uma autoridade descomprometida, quando lhe convém, com a lisura de sua gestão.

É o que se pode inferir da decisão do prefeito petista de São Paulo, Fernando Haddad, de manter na sua equipe - no cargo-chave de secretário de Coordenação das Subprefeituras - o vereador Ricardo Teixeira, do PV. No ano passado, decisão judicial o afastou da função depois de ele ter sido condenado por uma contratação sem licitação à época em que era um dos diretores da Dersa, em 2001. Em junho passado, em nova sentença, a Prefeitura foi obrigada a exonerar Teixeira, sob pena de multa de R$ 10 mil por dia. Haddad acabou acatando a decisão. Suspensos anteontem os seus efeitos, tornou a nomear o fiel aliado e bom amigo.

A autora da nova sentença, juíza Simone Gomes Rodrigues Casoretti, não discute se os atos praticados por Teixeira foram culposos ou dolosos. O que importa, argumentou, é "se o réu tem idoneidade para função pública, em cargo de confiança". Quase é possível ver o prefeito dando de ombros.

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 14 / 07 / 2014

Correio Braziliense
"Aprende com eles, Brasil"

O meia Mario Göetze é um predestinado. O cronômetro marcava 3 minutos do segundo tempo quando ele deixou o banco de reservas para entrar para a história. O golaço que marcou na Argentina, a sete minutos do fim da prorrogação, selou não apenas o tetracampeonato da Alemanha. Mas também o indiscutível triunfo da melhor seleção do planeta na atualidade. Humilhado por 7x1 pelos alemães, nas semifinais da Copa, o escrete canarinho bem que poderia mirar-se no exemplo germânico para resgatar o futebol que um dia já foi o mais bonito, temido e respeitado do mundo. A presidente Dilma, que, sob vaias, entregou a taça ao capitão Philipp Lahn, no Maracanã, já havia aberto a discussão sobre a necessidade dessa reforma. Mas, por enquanto, esbarra em críticas da oposição, que a acusa de oportunismo político, e até de aliados. 

Folha de S. Paulo
"Alemanha é tetra no Maracanã"

Seleção alemã vence Argentina por 1 a 0 na prorrogação e é 1a. equipe europeia a triunfar na América
Messi, eleito melhor da Copa pela Fifa, tem nova atuação apagada
Dilma é vaiada ao entregar a taça

A seleção da Alemanha venceu neste domingo a Argentina por 1 a 0 e conquistou sua quarta Copa. A partida, disputada numa Maracanã tomado por quase 75 mil torcedores, foi decidida no segundo tempo da prorrogação, com um gol do jovem atacante Mario Götze. É a primeira vez que uma seleção europeia consegue ser campeã nas Américas. (...) Ao entregar a taça, a presidente Dilma Rousseff (PT) foi vaiada por parte do público no estádio.

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domingo, julho 13, 2014

Dominique


Opinião

O Brasil mostrou a sua cara

O Globo
Hoje chega ao fim uma jornada de sete anos, iniciada quando o Brasil venceu a disputa para sediar a Copa de 2014. Foi uma viagem cheia de percalços, com altos e baixos, e um desfecho muito ruim para o futebol brasileiro. A seleção não chegou ao hexa, e assim não pôde exorcizar 1950 no mesmo Maracanã da derrota histórica de há 64 anos.

E os sete gols sofridos na semifinal com a Alemanha ficarão como dolorosa marca nos cem anos de seleção brasileira. O estádio, renovado, coloca, porém, no currículo a honra de passar a ser o segundo do mundo, ao lado do mexicano Asteca, a servir de palco por duas vezes a uma final de Copa.

Adicione-se, ainda, a qualquer balanço de saldos do evento a enorme exposição que teve o Brasil nos meios de comunicação globais, ajuda incalculável na atração de viajantes. Vai caber à indústria do turismo cativá-los.

No muito que se disse sobre a catastrófica derrota da seleção no Mineirão, identificaram-se entre as raízes da humilhação imposta pelo time alemão algumas facetas observadas na comissão técnica, mas que também fazem parte da vida pública brasileira: a arrogância, a empáfia, o ufanismo, a autossuficiência.

O projeto da Copa começou com alguma contaminação desses ingredientes. O então presidente Lula, lembre-se, desejava um número de cidades-sede superior às 12 do projeto final. E ficou provado que, se a Copa de 2014 tivesse se limitado a menos estados, com melhores condições de infraestrutura, o custo final para o contribuinte teria ficado menor, sem que o evento perdesse o brilho que teve. Além de haver uma quantidade menor de obras, um flanco vulnerável da Copa, como se confirmou.

Animal político, Lula pode ter percebido as oportunidades que o torneio daria, em ano eleitoral, para que ele desfilasse ao lado da candidata à reeleição Dilma Rousseff em estádios novos ou reformados. Mas, antes, precisava eleger a ministra em 2010. Conseguiu.

Trapaças da vida real não o deixaram dar o fecho neste plano de rara antevisão política. A inflação, a impopularidade em alta, as vaias impediram-no. E, no fim, a própria derrota da seleção, e da maneira como ocorreu, foi tremendo gol contra os planos de marquetagem político-eleitoral.

Mas a Copa foi um sucesso. Naquilo que dependeu do futebol e do povo brasileiro. Houve ótimos jogos, com alta média de gols — infelizmente, com a colaboração da defesa brasileira no jogo com a Alemanha — e, para injetar mais emoção, seleções sem maior tradição brilharam, como Costa Rica, duro adversário da forte Holanda nas quartas de final. Foi derrotada apenas nos pênaltis.

A Colômbia, com folha corrida no esporte, terminou sendo difícil adversário do Brasil na disputa por uma vaga na semifinal. O Chile, com tradição, outro obstáculo à seleção brasileira, veio com o melhor time das últimas Copas. Perdeu nos pênaltis, mas quase eliminou o Brasil, também nas quartas, no último minuto da prorrogação.

Ficou a percepção de que a emigração de atletas de todos os continentes para a Europa, o mais forte centro mundial do futebol, tende a nivelar a qualidade dos jogadores do ponto de vista do condicionamento físico, conhecimento de táticas etc. — africanos, asiáticos, de onde sejam.

O sucesso da Copa também foi devido à simpatia e à hospitalidade dos brasileiros. O estrangeiro é recebido com alegria por uma cultura que gosta da diversidade — ela própria fermentada na miscigenação. As Fan Fests espalhadas pelas cidades-sede viraram caldeirões de confraternização.

Foi assim desde o começo. E os grupos minoritários radicais, donos da palavra de ordem “não vai ter Copa”, logo perceberam que o melhor seria recolher as faixas e guardar capuzes e máscaras.

A imprensa estrangeira, antes cética, passou a registrar a boa qualidade do evento. Simon Kuper, da revista do jornal inglês “Financial Times”, escreveu um artigo sob o título “Por que o Brasil já ganhou”. Veterano em Copas, Simon lembrou que antes de sair para a viagem recebeu o conselho da mulher: “Não vá ser morto.” 

Registrou saber das altas taxas de homicídio no país, mas saudou a segurança nas áreas em que transitavam os visitantes. “Esta é uma Copa sem medo.” Kuper gostou do que viu, de Manaus a Copacabana. Na Copa de 2002, recorda que, no Japão, todos eram bem-educados. E no Brasil, mesmo o policial “afaga amigavelmente suas costas quando você passa”, se você for “um estrangeiro branco, de classe média”.

Para ele, esta foi a melhor das Copas em que trabalhou, desde 1990. Deu certo, portanto, o plano de contingência montado pelos governos para criar seguras zonas de exclusão em estádios, adjacências e áreas de circulação de visitantes, Fan Fests, vizinhanças e bairros turísticos. Decisão correta.

Porém, a outra face de medidas como esta é que o Brasil, diante das deficiências que tem, as quais não consegue resolver — mesmo, no caso da Copa, com sete anos para equacioná-las —, precisa se valer de grandes planos de emergência. Eles sempre são necessários em qualquer país do mundo, mesmo o desenvolvido, mas a diferença está na dimensão. A segurança continua precária?

Exército nas ruas durante o evento. Virou registro histórico o carro de combate Urutu estacionado à frente da subida da Rocinha na Rio-92. Passado o evento, o tanque foi embora e os traficantes voltaram à rotina de violência.

Os aeroportos também foram uma surpresa positiva. O índice de atrasos chegou a 7,3%, contra 8,3%, em todo 2013, nos países da União Europeia. Também aqui, funcionou a improvisação, porque, diante de tamanha demora na passagem da administração de grandes aeroportos à iniciativa privada, por obtusidade ideológica, a saída, em vários casos, foi também o jeitinho — terminais improvisados etc.

Já tinha sido previsto que não haveria maiores dificuldades nos estádios, apesar dos atrasos. Elas estariam fora deles. Dados do próprio Ministério do Planejamento: apenas 24 das 70 obras de mobilidade urbana financiadas com recursos federais ficaram prontas. Ou seja, só 30%. Grande parte do legado para a população ainda está pelo caminho.

Mais soluções “meia-boca” para contornar o obstáculo: decretar feriado nas cidades-sede em dia de jogo. Com menos veículos e pessoas nas ruas, a falta de estrutura de transporte público condizente faz menos estragos.

O Brasil mostrou a sua cara: festeiro, alegre e hospitaleiro, mas incompetente em planejamento, administração de custos — sem falar em superfaturamentos, outro esporte nacional — e em gerenciamento de obras. Resta uma tênue esperança de que alguma lição tenha sido aprendida com vistas às Olimpíadas do Rio, daqui a dois anos. Mas o tempo é curto.

Criou-se, durante um mês, uma espécie de Brasil de fantasia: segurança extrema, feriados, menos dias de trabalho. A Copa, indiscutivelmente, foi um sucesso. Mas, a partir de amanhã, volta a dura realidade do cotidiano.

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 13 / 07 / 2014

Correio Braziliense
"Triste final"

O torcedor brasiliense bem que tentou. Cantou o Hino Nacional a plenos pulmões, gritou “pentacampeão” com orgulho, procurou incentivar o time. Mas bastaram 17 minutos para a realidade aparecer em campo e mostrar na equipe apática, abatida, nula. E foi assim, entre frustração e melancolia, que os 68 mil torcedores presentes no Mané Garrincha assistiram à despedida da Seleção do Mundial de 2014. Depois da tragédia contra a Alemanha, o time de Felipão sucumbirá incompetência ao ser goleado por 3x0, desta vez pela Holanda, e encerrou a Copa em quarto lugar. Contundido e vestindo a amarelinha, Neymar tentava animar os companheiros, em vão. O treinador brasileiro deixou o cargo à disposição da CBF depois de "elogiar” o trabalho feito por sua equipe.


Folha de S. Paulo
"Classe C deixa de ser motor das vendas nos mercados"

Faixa AB já é responsável por 61% do crescimento dos gastos no varejo 

Impulsionadora dos gastos com comida, bebida e higiene nos supermercados brasileiros nos últimos cinco anos, a classe C perdeu neste ano o posto para a AB. Do crescimento de 7% registrado nos gastos das famílias neste ano até abril, a classe AB contribuiu com 61°/o, enquanto a C participou com 34%, segundo estudo do instituto Nielsen. No ano passado, os consumidores da faixa C tinham sido responsáveis por 49% do avanço dos gastos no varejo, e os da AB, por 35%. O crescimento do consumo da classe C ficou abaixo da média nas compras de bolachas, sobremesas prontas, cervejas e sabões em pó. Especialistas apontam a inflação, o endividamento e a desaceleração do emprego e da renda como responsáveis pela perda de participação do grupo nos gastos. O avanço da classe AB é explicado pela mudança de hábito dos consumidores, que em busca de economia reduziram a frequência nos restaurantes e elevaram gastos com perecíveis.

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