sábado, julho 05, 2014

Dominique


Opinião

Mais energia para a inflação

O ESTADO DE S.PAULO
Mais um sinal de alerta para a inflação acaba de soar no mercado. Os consumidores, principalmente os de baixa renda, estão mais pessimistas que o pessoal do mercado financeiro e das consultorias quanto à evolução dos preços até o meio do próximo ano. Segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), os consumidores projetam uma inflação de 7,4% para os 12 meses até junho de 2015. Para o mesmo período, a mediana das projeções do mercado ficou em 5,91% na pesquisa Focus do Banco Central (BC) divulgada na última segunda-feira. Essa pesquisa é realizada semanalmente com cerca de 100 economistas do mercado financeiro e de consultorias independentes. Os cálculos do BC para os 12 meses até o meio do próximo ano apontam uma alta de 5,9% para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como referência para a política monetária. Como a expectativa é considerada um fator inflacionário pelos especialistas, o ministro da Fazenda e os dirigentes do BC deveriam ficar de prontidão: os donos do julgamento final sobre a alta de preços estão prevendo dias muito ruins.

De fato, nem os dirigentes do BC, responsáveis principais pela política anti-inflacionária, se mostram muito otimistas quanto à evolução de preços e tarifas nos próximos dois anos. Segundo suas estimativas, o IPCA ainda subirá 5,7% em 2014 e 5,1% nos 12 meses até junho de 2016. O ritmo continuará, portanto, muito acima dos 4,5% fixados como meta oficial. Mas o esforço maior, por enquanto, é para impedir a superação, no ano gregoriano, do limite de tolerância, 6,5%. Esse limite, no entanto, será superado neste mês ou no próximo, segundo projeções de vários especialistas.

O risco se eleva com os novos aumentos da conta de luz. A Eletropaulo, responsável pelo abastecimento da capital paulista e de 24 municípios da região metropolitana, foi autorizada a cobrar 18,06% a mais dos consumidores residenciais e 19,93% das indústrias. Como os números de São Paulo têm grande peso na formação do IPCA, o estouro do limite de tolerância se torna quase certo.

Outras 14 distribuidoras foram também autorizadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a aumentar suas tarifas. O maior reajuste, 35,05%, foi atribuído à Copel, mas a empresa, atendendo o governo do Estado, pediu a suspensão do aumento. Sobraram três companhias com autorização para aumentos médios superiores ao da Eletropaulo: AES Sul (29,54%), RGE (22,77%) e Vale Paranapanema (19,66%).

Com esses ajustes, parte do impacto antes previsto para 2015 deve ocorrer neste ano. O efeito teria sido possivelmente menor - mais diluído no tempo - se os aumentos de tarifas tivessem ocorrido a partir do ano passado. Isso teria facilitado o repasse dos custos maiores da energia fornecida pelas centrais térmicas. Mas a presidente Dilma Rousseff preferiu congelar os preços, em mais um esforço para administrar os índices de inflação. Com esse mesmo objetivo o governo federal negociou com municípios e Estados o congelamento das tarifas de transporte público. O controle de preços de combustíveis, com grande custo financeiro para a Petrobrás, é parte da política oficial há mais tempo e foi mantido pelo atual governo.

Nenhum desses truques produz efeitos por muito tempo. Além disso, todos produzem danos importantes. Prejudicam o fluxo de caixa e a rentabilidade das companhias afetadas, derrubam o valor de suas ações, diminuem sua capacidade de investir e transmitem sinais distorcidos ao mercado - por exemplo, estimulando na hora errada o consumo de certos bens ou serviços. Além disso, a manobra resulta muitas vezes em custo para o Tesouro, como no caso das tarifas de eletricidade.

Não se combate a inflação com o controle de preços e a maquiagem dos índices. Políticas desse tipo apenas adiam as soluções necessárias e agravam os problemas. Governos sérios controlam a inflação com aumento de juros e outras medidas monetárias e também com austeridade fiscal e incentivos à produção e à expansão da oferta. Os erros cometidos pelo governo brasileiro nem sequer são originais. Nem todos aprendem com as lições da história.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 05 / 07 / 2014

Correio Braziliense
"A dor que calou nossa alegria"

Brasil celebrava a classificação às semifinais, após os 2 x 1 contra a Colômbia, quando explodiu como uma bomba a notícia de que Neymar havia fraturado uma vértebra. Atingido por uma joelhada nas costas pelo lateral-direito Zuniga, aos 4l minutos do 2° tempo, o maior atacante brasileiro da atualidade está fora da Copa. Uma onda de tristeza invadiu o país. Na terça-feira, será a primeira vez que, sob o comando de Felipão, a Seleção jogará sem o craque da camisa 10. E justamente diante do mais forte adversário neste Mundial: a Alemanha. Em 1962, o Brasil ficou desfalcado da genialidade de Pelé, também contundido. Mas conquistou o título. Está na hora de repetir a façanha.


Folha de S. Paulo
"Brasil vai à semifinal, mas Neymar está fora da Copa"

Equipe de Felipão bate a Colômbia por 2 a 1 com gols de zagueiros; atacante sofre fratura em vértebra

Na sua melhor partida nesta Copa do Mundo, o Brasil venceu a Colômbia por 2 a 1 e garantiu a classificação para a semifinal — desde 2002 a seleção não chegava tão longe. Os zagueiros Thiago Silva e David Luiz foram decisivos. Eles marcaram os gols da seleção brasileira em dois lances de bola parada. Um lance violento da partida, porém, abalou a vitória.Uma joelhada do colombiano Zunig atingiu as costas de Neymar, 22, e tirou o craque brasileiro da Copa. Em seu primeiro Mundial, o camisa 10 teve fraturada a terceira vértebra lombar. Chorando, ele saiu de maca, foi levado ao hospital e usará uma cinta para imobilizar acoluna por até 6 semanas. Agora, o Brasil enfrentará a Alemanha, que ganhou da França por 1 a 0. 0 duelo será na terça (8),em Belo Horizonte, no segundo confronto entre os times na história das Copas.O primeiro foi na final do Mundial de 2002. O capitão Thiago Silva recebeu o segundo amarelo e não jogará.

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sexta-feira, julho 04, 2014

Libélula


Coluna do Celsinho

Pós Copa

Celso de Almeida Jr.

Em poucos dias, terminará a Copa

Alegrias e tristezas, tudo passará.

Na lembrança, os melhores momentos.

Pois é...

Em campo, entrará a disputa eleitoral.

No pós Copa, até o início da propaganda eleitoral gratuita na tv e no rádio, em 19 de agosto, há um intervalo considerável.

Neste período, também, os governos não podem contar com propagandas institucionais e outras vantagens.

Eis a hora para testar a capacidade dos candidatos em ocupar espaço nas mídias.

Conferir a conduta.

Avaliar a criatividade.

Em tempo de redes sociais, muita coisa acontecerá por este caminho.

Mas, chamar a atenção da grande imprensa, com posturas diferenciadas, não será tarefa fácil.

Com a palavra, os candidatos e seus estrategistas.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique


Opinião

O abuso da maioria

O ESTADO DE S.PAULO
Incomodado, o Planalto usa de todos os meios para tentar conter a repercussão das denúncias envolvendo a Petrobrás e abusa de sua maioria no Congresso para barrar qualquer investigação mais séria sobre a estatal nas duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) - a do Senado e a mista -, cujo desenrolar é um contínuo atropelo da transparência, como se viu nas sessões de quarta-feira.

A Constituição estabelece que, para a instauração de uma CPI, basta que a proposta tenha o apoio de um terço de uma Casa legislativa. É um mecanismo para evitar que a maioria bloqueie investigações de interesse público. Foi com base nesse dispositivo que, em abril, o Supremo Tribunal Federal (STF), por meio de decisão liminar, determinou que o campo de investigação da CPI da Petrobrás fosse "apenas" as denúncias relativas à estatal de 2005 a 2014, conforme proposta de senadores da oposição.

A decisão do STF parecia pôr fim a uma batalha política, na qual o Planalto tentava de todas as formas bloquear uma investigação mais profunda sobre as denúncias envolvendo a Petrobrás durante os governos Lula e Dilma. Sob o argumento de que a oposição tinha apenas intenções políticas com a CPI, o Planalto pretendia fazer o mesmo, incluindo no campo de investigação da CPI outros casos, sem nenhuma conexão com as denúncias contra a Petrobrás, mas que envolvessem governos da oposição. Aplicava a máxima de que a melhor defesa é o ataque.

No entanto, o STF decidiu que a tentativa de inflar a CPI, com assuntos estranhos à proposta original, feria o direito previsto na Constituição de uma minoria instalar uma CPI, desde que respeite as regras para esse caso. Com a decisão, a CPI teria como objeto principal três denúncias contra a Petrobrás: suspeitas de superfaturamento e evasão de divisas na compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos; indícios de superfaturamento na construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco; e indícios de pagamento de propina pela companhia holandesa SBM Offshore a funcionários da estatal.

O Planalto, entretanto, não se deu por vencido. Com maioria para dominar as duas CPIs criadas, esvaziou-as completamente. Ao invés de âmbitos de investigação, transformou-as em sessões de amigáveis (e intermináveis) entrevistas, de modo que nenhum dano lhe fosse causado. Já passaram pelas CPIs Paulo Roberto Costa - que um dia após um depoimento absolutamente morno (e satisfatório aos governistas) voltou a ser preso pela Polícia Federal -, Nestor Cerveró - que vem fazendo uma ginástica hercúlea para não se indispor com Dilma e ao mesmo tempo salvar a sua pele - e Graça Foster. A esta o relator Marco Maia (PT-RS) fez nada menos do que 70 "perguntas", impedindo que fosse ouvida qualquer novidade.

O episódio mais recente foi a omissão de qualquer referência à compra da refinaria em Pasadena durante a sessão de perguntas à diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo, Magda Chambriard, na quarta-feira, na CPI do Senado. E não se pode dizer que o assunto estava esquecido: no mesmo dia, o Estado havia revelado pareceres do Tribunal de Contas da União (TCU) que apontam os equívocos da compra da refinaria americana e mostram ser insustentável a tese governista de que foi um "bom negócio".

Por essa razão, os aliados do Planalto estão tramando, conforme revelou reportagem do Estado, incluir mais um tema na CPI: a operação entre a Petrobrás e a empresa ibero-argentina Repsol YPF, realizada em 2001, no governo FHC, quando José Jorge, atualmente ministro do TCU e relator do caso Pasadena, era ministro de Minas e Energia e presidente do Conselho de Administração da Petrobrás. Encontraram um caso para tentar diminuir o impacto das denúncias de irregularidades ao longo dos governos Lula e Dilma. No entanto, o negócio entre Petrobrás e Repsol YPF já está na Justiça, e os réus foram absolvidos em maio de 2005, havendo atualmente apenas um recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O Planalto abusa da sua maioria no Congresso, impondo o que deseja, ainda que à revelia de legítimas decisões da Justiça. Acha-se no direito de fazer o que bem entende no Legislativo. Não poderá reclamar se, nas urnas, o eleitor também fizer o que bem entender.

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 04 / 07 / 2014

Correio Braziliense
"Chegou a hora de abater o condor"

No voo rumo ao hexa, a seleção canarinho enfrenta hoje uma surpreendente Colômbia, às 17h, em Fortaleza. Nunca, o adversário que tem um condor como símbolo no brasão nacional, chegou tão longe numa Copa do Mundo.


Folha de S. Paulo
"Obra inacabada da Copa desaba e mata 1 em BH"

Acidente em viaduto a 6 km do estádio Mineirão deixa 22 pessoas feridas

A queda de um viaduto em construção causou a morte de ao menos uma pessoa e feriu 22 em Belo Horizonte. A seis quilômetros do Mineirão, a obra na zona norte da cidade integra o pacote de mobilidade urbana da Copa e não ficou pronta a tempo para o Mundial. Quatro veículos foram atingidos. A motorista de um micro-ônibus que passava sob o viaduto morreu esmagada. Presume-se outra morte: a do condutor de um carro, não localizado até a conclusão desta edição. Dois caminhões da obra, desocupados, foram prensados. Responsável pela obra, a construtora Cowan disse que iniciou investigação própria para determinar as causas do desabamento. A obra teve financiamento do governo federal, via PAC da Copa. A presidente Dilma lamentou o acidente numa rede social.

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quinta-feira, julho 03, 2014

Dominique


Opinião

Educação virou bandeira política

O ESTADO DE S.PAULO
Alertada por assessores de marketing político da necessidade de bandeiras fortes na área da educação na campanha, a presidente Dilma Rousseff anunciou a continuidade do programa Ciência sem Fronteiras, entre 2015 e 2018, determinou a ampliação do crédito educativo para a pós-graduação, por meio do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), e lançou a segunda etapa do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).

O programa Ciência sem Fronteiras foi criado há três anos para oferecer bolsas de estudo no exterior, com financiamento público e da iniciativa privada. Mas sua implementação foi feita sem planejamento, com a concessão de bolsas para estudantes que não falavam inglês e não tinham condições de acompanhar os cursos. Por isso, a iniciativa privada se desinteressou pelo projeto e Dilma anunciou que o governo bancará todas as bolsas.

Já a nova versão do Pronatec - batizada de Pronatec 2.0 e muito ambiciosa, pois promete abrir 12 milhões de vagas em 220 cursos técnicos e em 646 cursos de qualificação entre 2015 e 2018 - é considerada pelo Palácio do Planalto um dos principais trunfos para atrair o eleitorado jovem. A ideia é enfatizar o caráter "emancipatório" do ensino profissionalizante e da educação tecnológica de nível médio.

Como um de seus adversários - Aécio Neves - anunciou que dará prioridade ao ensino técnico, Dilma quer consolidar o Pronatec como marca de sua gestão. Só em 2014 o governo destinou R$ 5,5 bilhões para o programa.

Desde o lançamento da primeira etapa do Pronatec, em 2011, já foram realizadas 7,4 milhões de matrículas em institutos federais, escolas técnicas vinculadas a universidades federais, a redes públicas estaduais e a centros de formação administrados por entidades empresariais. As matrículas se concentraram no Sudeste e no Nordeste e os cursos têm duração média de dois anos.

Apesar de sua importância para a formação de mão de obra especializada, a segunda fase do Pronatec foi recebida com críticas. Especialistas em educação consideram irrealista a promessa de 12 milhões de matrículas e reclamam da falta de cálculos mais precisos da demanda de vagas com base no perfil socioeconômico do público a ser alcançado e de uma avaliação rigorosa das necessidades do mercado de trabalho.

Também põem em dúvida a capacidade gerencial do governo de implementá-lo, uma vez que na primeira etapa a rede pública de educação profissional e tecnológica cresceu de forma desordenada, sem professores em número suficiente e sem condições mínimas de funcionamento por falta de instalações adequadas. Questionam as diretrizes pedagógicas de alguns cursos técnico-profissionais, alegando que o Brasil é um dos poucos países no mundo em que a formação técnica e tecnológica seria mais difícil do que a acadêmica. Desaprovavam os vultosos recursos que já foram gastos com o programa e advertem para a falta de rigor na previsão de custos para a segunda etapa. Entre 2011 e o final de 2014, o Pronatec consumirá R$ 14 bilhões. Com relação à segunda etapa, o ministro da Educação, Henrique Paim, afirma que os investimentos "provavelmente" serão maiores.

Por dificultar o desenvolvimento de um sistema moderno e eficiente de formação e qualificação profissional, o ensino médio - que registra altas taxas de evasão escolar e baixos índices de desempenho estudantil - sempre foi considerado um dos principais gargalos da educação brasileira. Concebido como uma alternativa destinada a oferecer uma formação técnica e profissionalizar os jovens que o ensino médio não conseguiu reter, o Pronatec deveria ser um dos principais programas do governo. Mas, a exemplo do que acontece com o Ciência sem Fronteiras, orientado por interesses eleiçoeiros e não por critérios técnicos, o Pronatec peca pelo excesso de ambição, pela falta de articulação do ensino profissional com o setor produtivo e pela falta de qualidade de muitos cursos.

É o que acontece quando a educação é conduzida com base em interesses políticos.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 03 / 07 / 2014

Correio Braziliense
"A capital do Brasil não é Buenos Aires, mas..."

Mais de 100 mil argentinos devem invadir Brasília para apoiar Messi & Cia, sábado, às 13h, contra a Bélgica. A Polícia Federal vai reforçar a segurança e monitorar os barra-bravas, os temidos torcedores do país vizinho.


Folha de S. Paulo
"Copa melhora o humor do país, e Dilma cresce"

A Copa mudou o humor dos brasileiros e beneficiou a presidente Dilma (PT) na corrida presidencial, aponta pesquisa Datafolha realizada na terça (1) e na quarta (2) com 2.857 eleitores. Na pergunta estimulada, Dilma tem 38% das intenções de voto, ante 34% no levantamento anterior, de junho. Na espontânea, a petista cresceu de 19% para 25%. A margem de erro é de dois pontos percentuais. Em segundo lugar está o senador Aécio Neves (PSDB), que oscilou de 19% para 20%. O ex-governador Eduardo Campos (PSB) foi de 7% para 9%. Pastor Everaldo, candidato do PSC, manteve-se com 4%.


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quarta-feira, julho 02, 2014

Dominique


Opinião

É só mais do mesmo

JOSÉ NEUMANNE - O ESTADO DE S.PAULO
Antes de se lançar candidato à Presidência da República, o então governador de Pernambuco e presidente nacional do Partido Socialista Brasileiro (PSB), Eduardo Campos, defendia em conversas com interlocutores políticos a teoria de que era preciso que os políticos de depois da redemocratização se unissem para fazer uma reforma de verdade na gestão pública. O exemplo mais próximo que encontrava para apontar como possível aliado era o do senador tucano mineiro Aécio Neves, já então tido como inevitável candidato do maior partido de oposição contra a reeleição da petista Dilma Rousseff. A hipótese de uma união entre os dois ainda parecia plausível quando Campos abriu fogo contra o governo de que fora aliado para tornar viável a própria candidatura. Hoje a proposta sumiu de cena e não está afastada a possibilidade de o socialista apoiar a petista num eventual segundo turno.

O simples fato de os dois candidatos à mudança radical no comando da gestão pública brasileira serem netos de dois dos principais líderes da atividade política no período entre a queda do Estado Novo, em 1945, e o golpe militar de 1964 já bastava por si só para dar à ideia sua verdadeira dimensão: a de papo para espantar o tédio. Afinal, a simples menção aos dois protagonistas dessa aliança "renovadora" nacional (não por acaso uso o nome do partido que congregava civis que apoiavam o regime militar) bastaria para trazer a lume a evidência de que não passava de uma nova roupagem para a única oferta que os políticos têm dado sempre aos cidadãos: "mais do mesmo". Eduardo assina Campos (do pai, o escritor Maximiano), mas é neto de Miguel Arraes, da mais notória oligarquia nordestina, a Alencar do Ceará. Aécio não assina Cunha, do pai, mas Neves, como o avô materno ilustre, Tancredo, que foi ministro da Justiça do suicida Getúlio Vargas e uniu a dissidência do partido governista, o PDS, com o principal partido de oposição à ditadura na época, o PMDB, para se eleger no colégio eleitoral e faltar à posse por doença. 

A citação avoenga de ambos pode até parecer implicância boba deste autor ranheta. Mas os primeiros passos dados na (vá lá) pré-campanha já indicam desde logo que a candidata à reeleição e os dois pretendentes a tirá-la do trono dão indícios claros de que "tudo continua como dantes" no palanque de Abrantes - já que de quartel não se trata mais. Ciente de que a aliança com a ambientalista Marina Silva não o credenciará por si só a chegar ao provável segundo turno contra a presidente, o filho da ex-deputada feita por ele ministra do Tribunal de Contas da União, Ana Arraes, partiu contra o filho do ex-deputado Aécio Cunha com sangue nos olhos e faca nos dentes.

O PSB de Campos - alavanca com que, a exemplo de Arquimedes, ele diz querer remover os compromissos com o passado da política para lançá-la rumo ao futuro ou, no mínimo, para o presente - protagonizou um dos episódios mais óbvios de pragmatismo eleitoral: explicitou apoio ao PT de Dilma no Rio e ao PSDB de Aécio em São Paulo. Mas isso, embora seja mais uma prova de que tudo continua sendo só mais do mesmo, não implica uma prática malfazeja em si, que justifique o apelido dado pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes, ao movimento: "bacanal eleitoral". Como de hábito na política brasileira, o sujo apenas maldisse o mal lavado. Há pouco, Paes deixou de ser um oposicionista ferrenho ao PT federal para se eleger e reeleger pelo PMDB e, assim, aderir ao partido de Lula, que fingia abominar. Nesse caso, Campos tem toda a razão ao afirmar, como o fez na convenção de seu partido, que "o povo brasileiro que não tem filiação partidária, que não vai disputar eleição, não quer saber se a coligação em tal Estado é assim ou assado, mas se tem na política alguém disposto a fazer o debate que não é só do mundo dos políticos, mas do seu mundo, da sua pauta, do seu sonho". Os candidatos deveriam decorar essa sentença.

Mas não bastaria enunciar o nobre conceito. Vai ser preciso praticá-lo. Dilma, ainda em primeiro lugar nas pesquisas e ainda com perspectiva de ganhar no primeiro turno, teve a desfaçatez de repetir todas as promessas que fez na eleição para seu primeiro mandato, em 2010. Manteve, então, o hábito de prometer mais, mesmo já tendo mostrado que nem sempre cumpre. A distância entre discurso e ação no palanque dela reproduz uma incoerência que atinge as raias do absurdo. Em 2011, em nome de uma pretensa faxina moral que prometeu fazer na Esplanada dos Ministérios, afastou Alfredo Nascimento do Ministério dos Transportes. A três meses do pleito de outubro, nomeou para o posto o indicado pelo presidente do PR, Valdemar Costa Neto, que ora mantém residência fixa no presídio da Papuda. Depois, fez uma profissão de fé nas "convicções" que comungaria com Gilberto Kassab, dono do PSD, para alcançar o triplo do tempo de propaganda na TV e no rádio do seu perseguidor mais próximo, Aécio, e sete vezes o de Campos.

Este, de olho nos 72% de eleitores que querem mudar já, lembrou que PSDB e PT estão no poder há 20 anos, mas omitiu que não faz tanto tempo assim que um aliado por ele indicado para o governo Dilma, Fernando Bezerra Coelho, carreou para o Estado que governava 90% dos recursos do Ministério da Integração Nacional. E Aécio, que não consegue se aproximar do primeiro lugar na disputa pela preferência do voto, conseguiu bater a favorita Dilma em baixaria ao sugerir que os dissidentes das legendas governistas "suguem o máximo que puderem" e, depois, votem nele. Esqueceu-se de que o leite que engorda as tetas do Estado é pago pelo povo.

Diante disso, muitos cidadãos creem que a resposta mais inteligente será abster-se ou votar nulo e em branco. É mais cômodo, mas também o meio menos responsável de manifestar desagrado pelo "mais do mesmo" que inevitavelmente virá aí. Afinal, os políticos são escolhidos na urna pelo cidadão e este não deve se omitir.

JORNALISTA, POETA E ESCRITOR

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 02 / 07 / 2014

Correio Braziliense
"Presidente Hollande reafirma princípios após indiciamento de Sarkozy"

O ex-presidente conservador Nicolas Sarkozy foi indiciado na madrugada de quarta-feira (1°/7) por corrupção ativa

Paris - O presidente francês François Hollande recordou nesta quarta-feira (2/7) os princípios de "independência da justiça" e de "presunção de inocência", em referência ao indiciamento do antecessor Nicolas Sarkozy, afirmou o porta-voz do governo, Stéphane Le Foll. Ao fim da reunião semanal do conselho de ministros, François Hollande "recordou que, desde o início de seu mandato, as duas regras, os dois grandes princípios nos quais se apoia sua ação são a independência da justiça e a presunção de inocência", declarou o porta-voz.

Folha de S. Paulo
"FBI e PF investigam fraude em boletos de 34 bancos"

Quadrilha usa vírus para desviar dinheiro em pagamentos pela internet

A Polícia Federal e o FBI investigam quadrilha internacional que frauda boletos bancários, informa Julio Wiziack. Batizada de “a gangue do boleto”, ela opera via internet dos EUA e se conecta ao computador por vírus. O maior número de máquinas infectadas está no Brasil. Os computadores são monitorados à distância, e, toda vez que um código de boleto é digitado ou identificado, a quadrilha intercepta o pagamento. Pelo menos 34 instituições bancárias foram afetadas, em mais de um país. Os maiores bancos brasileiros estão na lista. Entre fevereiro e maio, foram identificados 496 mil boletos nos servidores da quadrilha nos EUA, com datas dos últimos dois anos. 0 valor desses pagamentos atinge US$ 3,8 bilhões (R$ 8,6 bilhões). A fraude foi descoberta pela RSA, empresa de segurança na internet. A Febraban (Associação Brasileira de Bancos) informou que não se manifesta sobre investigações em curso e afirmou que a fraude “parece tecnicamente inconsistente”. Os boletos representam 4,5% do volume de pagamentos, de acordo com a associação.

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terça-feira, julho 01, 2014

Dominique


Opinião

Desastre nas contas públicas

O ESTADO DE S.PAULO
A situação desastrosa das contas públicas agravou-se em maio com um déficit primário de R$ 11,05 bilhões, o pior resultado para o mês e o segundo pior de toda a série oficial, superado somente pelo rombo de R$ 20 bilhões em dezembro de 2008, no começo da crise global. Só um otimismo extraordinário permite apostar, neste momento, no resultado prometido para o ano, um superávit primário de R$ 99 bilhões para todo o setor público - União, Estados, municípios e companhias estatais. O resultado de cinco meses ficou em R$ 31,48 bilhões, 32,62% menor que o de igual período de 2013. Será preciso multiplicar o acumulado de janeiro a maio por pouco mais que três para alcançar a meta fixada para 2014. O superávit primário é destinado ao pagamento de juros da dívida pública, mais precisamente, de uma parte dos juros, porque uma fatia dos compromissos é sempre rolada.

O resultado obtido em 12 meses, um saldo primário de R$ 76,06 bilhões, ficou em 1,52% do Produto Interno Bruto (PIB) estimado para o período, muito longe, portanto, da meta de 1,9% programada para o ano. Em geral, os números do primeiro semestre são os mais favoráveis e garantem alguma gordura para ser consumida nos meses seguintes, quando os governos tendem a aumentar as despesas tanto de custeio quanto de investimento. Neste ano, o conjunto do setor público foi incapaz de juntar essa reserva e com isso ficará mais difícil produzir o resultado final.

Ainda assim, o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Túlio Maciel, tentou, ao apresentar os dados fiscais, mostrar algum otimismo quanto ao alcance da meta. É preciso, argumentou, levar em conta o ingresso, nos próximos meses, de receitas de concessões, de dividendos e de prestações do Refis, o programa de refinanciamento de débitos tributários.

Esse aparente otimismo é sustentado, portanto, pela expectativa de receitas especiais, fora do conjunto da arrecadação recorrente. Dividendos, bônus de concessões e prestações do Refis foram amplamente usados em 2013 para engordar o resultado fiscal e continuam em uso neste ano. Até maio, as concessões de infraestrutura renderam R$ 1,23 bilhão, 13,7% menor que um ano antes, mas os dividendos, R$ 9,01 bilhões, foram 230% maiores que os dos primeiros cinco meses de 2013. Os dois tipos de ingressos deverão aumentar no segundo semestre, segundo as previsões de Maciel, mas, além disso, R$ 2 bilhões da Petrobrás já estão garantidos, em troca da cessão de mais quatro áreas do pré-sal. Esse contrato, sem licitação, foi anunciado na semana passada.

Pela programação oficial, caberá ao governo central - Tesouro, BC e Previdência - produzir R$ 80,8 bilhões de superávit primário. O resto ficará, em princípio, por conta dos governos de Estados e municípios e também das empresas estatais. De janeiro a maio o governo central produziu um saldo primário de R$ 18,10 bilhões; os governos regionais, de R$ 13,56 bilhões; e as estatais, um déficit de R$ 182 milhões. Mas o governo federal assumiu o compromisso, no começo do ano, de garantir o resultado total, se as administrações subnacionais e as companhias controladas pelo setor público deixarem de cumprir integralmente a sua parte.

Com a economia em passo de tartaruga, a receita de impostos deverá continuar abaixo das previsões. Ao apresentar os números do governo central, na sexta-feira, o secretário adjunto da Receita Federal, Luiz Fernando Teixeira Nunes, admitiu reduzir de 3% para 2% a projeção de aumento real da arrecadação. Em cinco meses, o governo federal arrecadou R$ 487,21 bilhões. Descontada a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o valor foi apenas 0,31% maior que o de um ano antes.

Como as despesas continuarão crescendo mais que a arrecadação até o fim do ano, o governo mais uma vez terá de recorrer a arranjos contábeis para tornar mais apresentável o resultado final. Seria extremamente irrealista esperar, num ano de eleições, alguma demonstração de austeridade. Além disso, o governo manterá pelo menos parte dos incentivos fiscais a setores selecionados da indústria.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 01 / 07 / 2014

Correio Braziliense
"Contas públicas têm pior maio da história"

O governo acelerou os gastos, para inaugurar obras antes das restrições eleitorais, e afrouxou o esforço fiscal para pagamento de juros da dívida. Com isso, as contas do setor público (União, estados, municípios e estatais) fecharam no vermelho em R$ 11 bilhões. Pior só em dezembro de 2008, no auge da crise mundial.

Folha de S. Paulo
"Câmara de SP aprova Plano Diretor"

Após pressão de sem-teto, vereadores dão aval às diretrizes para a cidade por 44 votos a 8; texto vai à sanção de Haddad

Por 44 votos a 8,a Câmara Municipal aprovou o Plano Diretor da cidade de São Paulo, que define as diretrizes urbanísticas de como a capital paulista deve crescer nos próximos 16 anos. A espinha dorsal do novo Plano Diretor é incentivar a construção dos maiores edifícios ao longo dos eixos de transporte público, como os corredores de ônibus e as estações de metrô e trem.

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segunda-feira, junho 30, 2014

Inseto


Pitacos do Zé

O prazer é o fim

José Ronaldo dos Santos
Quem se desloca de sua casa para um local de festa é porque quer viver as emoções daquela festa. O inverso é tão verdadeiro quanto: quem se afasta de um local assim é porque deseja outra modalidade de prazer, uma paz para a alma.

A introdução acima é só para entender - repensar! - uma situação atual que tende a continuar: o excesso de barulho (som altíssimo) na Festa de São Pedro e outras realizadas na Praça de Eventos, na avenida da cidade (Ubatuba- SP).

Um amigo do Perequê-açu, bem distante dali, xingava muito por esses dias por não conseguir descansar devido ao barulho. A amiga Lúcia, moradora do centro da cidade, também se lamentou por ter dormido só depois de altas horas da madrugada. O Ivan, um italiano que adotou a nossa cidade há anos, desabafou assim: “De lá do Itaguá, onde moro, tinha-se a impressão que o barulho era no nosso quintal. Cadê a lei que rege a potência do som no município? Ela vale para quem?”.

Ontem, 29 de junho, mesmo estando próximo do local onde a Congada se apresentava, a qualidade do equipamento secundário não permitia escutar direito a voz do Mestre Dito Fernandes. Sorte que os rapazes gritavam seus versos, além de sapatearem e manejarem seus bastões com muito vigor.

Depois, no palco principal, como parte da montagem que “custou mais de um milhão de reais”, um som estrondava nossos tímpanos. Até desisti de continuar apreciando os Mambembrincantes.

Creio que o Velho Epicuro, que viveu há 2.300 anos, na Grécia,  pode encaminhar para um bom senso:

“Quando dizemos que o prazer é o fim, não queremos referir-nos aos prazeres dos intemperantes ou aos produzidos pela sensualidade, como creem certos ignorantes, que se encontram em desacordo conosco ou não nos compreendem, mas ao prazer de nos acharmos livres de sofrimentos do corpo e de perturbações da alma”.

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Dominique


Opinião

Um governo a serviço do PT

O ESTADO DE S.PAULO
É grave a informação segundo a qual um funcionário da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República pretendia elaborar uma lista de prefeitos do PMDB do Rio de Janeiro que aderiram à candidatura presidencial de Aécio Neves (PSDB). Não se pode aceitar que um servidor público trabalhe na coleta de informações com o óbvio objetivo de municiar a campanha da presidente Dilma Rousseff (PT), ainda mais quando se trata de dados sobre dissidentes da coligação governista. O espantoso caso constitui mais um exemplo de como os petistas confundem seu partido com o governo - além de revelar as táticas pouco republicanas do PT contra aqueles que ousam desafiá-lo.

Conforme informou o jornal O Globo (26/6), Cássio Parrode Pires, assessor da Secretaria de Relações Institucionais, enviou um e-mail à assessoria de imprensa do PMDB fluminense solicitando a lista de presença do almoço de lançamento da aliança entre o governador peemedebista Luiz Fernando Pezão, candidato ao governo do Estado, e Aécio.

Conhecido como "Aezão", o movimento de adesão ao tucano por parte do PMDB do Rio representa uma importante dissidência no principal partido da coligação que apoia a reeleição de Dilma e tem, inclusive, o vice na chapa, Michel Temer. Como o Rio é o terceiro maior colégio eleitoral do País, é possível medir o grau de apreensão no comando da campanha petista. Por esse motivo, nos últimos dias, o Planalto vem procurando reduzir o alcance da aliança favorável a Aécio, tentando mobilizar prefeitos do Estado que ainda não aderiram ao "Aezão".

Tal articulação, do ponto de vista político, é legítima. Usar a máquina do Estado para fazer uma lista de dissidentes com propósitos obscuros não é. Lembra o modus operandi de regimes autoritários, que desqualificam, perseguem e criminalizam qualquer forma de oposição.

Com impressionante naturalidade, Pires, o funcionário público que solicitou os nomes dos prefeitos ao PMDB, disse que os dados seriam usados "apenas a título de conhecimento". "Nós temos interesse em saber quais prefeitos do Rio que vão apoiar declaradamente ou que pelo menos estiveram nessa convenção com o intuito de apoiar o Aécio", afirmou ele. E continuou: "É para a gente saber quem está apoiando. A gente faz o controle de todos os pré-candidatos ao governo federal. A gente quer saber quem está do lado do Aécio, do lado da Dilma...".

Essa prática não tem rigorosamente nada a ver com o trabalho da Secretaria de Relações Institucionais, órgão que é responsável pela relação da Presidência da República com o Legislativo e com governadores e prefeitos. As diretrizes gerais da Secretaria no que diz respeito a assuntos federativos, conforme se lê em seu site, são "qualificar as relações com os entes federados", "fortalecer a cooperação federativa" e "operar a concertação federativa". Fazer uma lista de prefeitos do PMDB que decidiram não apoiar a candidatura de Dilma obviamente não se enquadra em nenhum desses objetivos - e, portanto, só pode servir para ajudar a campanha eleitoral petista e constranger aqueles que dela decidiram desembarcar.

Práticas sorrateiras como essa, que visam a prejudicar a oposição, não são novidade na trajetória recente do PT. Na disputa pelo governo de São Paulo em 2006, dois emissários petistas foram flagrados num hotel com R$ 1,75 milhão, dinheirama que serviria para comprar um dossiê com informações que supostamente comprometeriam o então candidato tucano, José Serra. O escândalo atingiu vários petistas, inclusive alguns graúdos, como Ricardo Berzoini, à época presidente nacional do PT e coordenador da campanha à reeleição do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, Lula qualificou esses companheiros de "aloprados".

Passados oito anos, Berzoini não só foi "reabilitado", como se tornou ministro de Dilma - justamente na Secretaria de Relações Institucionais. A respeito do contato da Secretaria com o PMDB do Rio para obter informações sobre os prefeitos do partido que decidiram apoiar Aécio, Berzoini disse que só queria "chamá-los para almoçar". Acredite quem quiser.

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 30 / 06 / 2014

Correio Braziliense
"Material didático inadequado prejudica ensino de idiomas na rede pública"

A Copa do Mundo evidenciou o baixo nível de fluência da população

A Copa do Mundo levou setores como hotelaria, comércio e segurança a investir em aulas de inglês para os funcionários e trouxe a constatação de que a língua estrangeira é um problema para a maior parte da população brasileira. Na rede pública, o ensino do idioma enfrenta várias dificuldades. O verbo to be é repetido ano após ano durante a etapa fundamental. Na última série do ensino médio, escolas de algumas regiões preferem focar na leitura. Ainda assim, os estudantes que têm interesse em aprender efetivamente a língua precisam, em geral, procurar cursos especializados.


Folha de S. Paulo
"Após 1 ano e meio, gestão Haddad é aprovada por 17%, diz Datafolha"

Prestes a completar um ano e meio de mandato, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), continua mal avaliado pela população

Pesquisa Datafolha concluída na semana passada aponta que só 17% dos entrevistados classificam a gestão do petista como ótima ou boa. O índice é semelhante aos 18% das duas pesquisas anteriores -em junho de 2013, durante a onda de protestos que resultaram na queda da tarifa de ônibus, e em novembro do mesmo ano. O governo Haddad é ruim ou péssimo para 36% dos ouvidos; em novembro, eram 39%, uma oscilação dentro da margem de erro -de três pontos percentuais. O índice dos que o consideram regular subiu de 40% para 44%. A pesquisa constatou que, para 77% dos entrevistados, o petista fez menos do que o esperado. Em outra pesquisa, de abril de 2013, ainda no início de mandato de Haddad, 49% pensavam assim. Apenas 4% acha que Haddad superou as expectativas; em abril de 2013, eram 9%. Agora, o prefeito recebeu nota média de 4,8. Em novembro, a nota era 4,4.

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domingo, junho 29, 2014

Dominique


Opinião

Dunquerque e o aprendiz de feiticeiro

OLIVEIROS S. FERREIRA - O ESTADO DE S.PAULO
O quadro eleitoral de São Paulo é rico em lições. A trajetória política de Paulo Skaf evidencia que a indústria paulista não tem medo do futuro. Ou comprova a tese de Oliveira Vianna sobre a desorganização da sociedade brasileira. A aliança PSDB-PSB mostra o que é a política brasileira do ponto de vista ideológico: "Meu pirão primeiro". É o "pântano". E os mosqueteiros do rei se lançam contra o Decreto 8.243, enquanto Richelieu comanda o processo.

Não hesitei em formar com os que viram no D8243 a criação de um grande soviete. Haveria outra explicação? Talvez. Vejamos. No processo russo, os sovietes eram criação espontânea que bolchevistas, menchevistas e socialistas-revolucionários tentavam controlar. Se a ação dos nossos mosqueteiros segue isolada e o desinteresse político da indústria permite pensar que tudo vai bem, qual o projeto do PT que comove tantos liberais? Por que temê-lo, se os interesses materiais da chamada burguesia estão preservados, se os programas sociais e de participação popular permitiriam que o regime fosse mais democrático? Ainda que teórica, a questão é importante se tomamos como pressuposto que a batalha real que se trava é pela imposição de uma concepção do mundo ou, pelo menos, por um novo tipo de organização política e social.

A imagem que me ocorre é a da retirada da Força Expedicionária Inglesa de Dunquerque, em 1940: primor de improvisação combinada com organização que permitiu que, sem armas, 300 mil soldados fossem recebidos como heróis na Inglaterra - o que levou Churchill a dizer: "Não se ganham batalhas com retiradas". Até hoje se discutem os motivos que levaram Hitler a ordenar a pausa na ofensiva que teria derrotado o inimigo. O fato é que a ordem de cessar fogo foi dada e permitiu aos ingleses, na sua ingenuidade, imaginar que a guerra havia terminado. Alguns desejavam a paz, pois os interesses estavam preservados: a ilha era inglesa e o Império, também. Churchill, primeiro-ministro, sabia, porém, que a guerra era entre duas concepções de civilização.

Para saber qual Dunquerque temos pela frente, a primeira pergunta será: qual o objetivo do PT? O poder, evidentemente. O poder, sim, mas para quê? O Lula da eleição contra Collor já não existe. Ele pode dizer, na convenção do PT, que é preciso combater os oligopólios e o capital espoliador. Seu discurso hoje, como não foi durante seus governos e os quatro anos de Dilma Rousseff, não é contra a propriedade. Nem contra o capital produtivo. Lula e os petistas objetivam o poder para usufruir as benesses que ele propicia, especialmente o prestígio - que lhes permite festejar qualquer coisa como burgueses na corte de Versalhes - e o controle não sobre a sociedade, mas sobre os produtores (proprietários e trabalhadores). Os instrumentos legais e financeiros do governo estão à disposição daqueles que comandam a política e a produção. E isso lhes basta como projeto político - ainda que para realizá-lo tenham de subverter a ordem em que se criaram.

Voltemos ao D8243, que, mais bem refletindo, é uma ordem de Hitler para parar a ofensiva. Não a de Rommel à frente, mas a dos que, após a pregação anterior nas praças e nas escolas, se sentem com direito a romper as amarras da velha sociedade e sair às ruas... por livre-iniciativa, sem organização central, reclamando participação e democracia direta.

Levantar hipóteses e refletir criticamente é fundamental para que possamos compreender o processo que vivemos, em que a indústria aceita a sua Dunquerque e os liberais não têm uma grande inteligência que os una num projeto de Estado nacional. Essa hipótese que aqui trago é imposta pela observação dos fatos, como ensinava Holmes. Diria que tudo começou com o MST, seguido pela Via Campesina, que nunca foi punida pelos governadores ou pela Justiça. Esses movimentos criaram suas próprias organizações que permanecem incógnitas - e ao PT nada coube senão apoiá-los. Sendo-lhes suporte político e intelectual, contribuiu para que uma ideia simples, do século 18, a de que o agronegócio é o mal que destrói a natureza, fosse difundida por certa pedagogia pseudoanarquista, criando bases emocionais para ações mais ousadas.

Do campo, a ideia de que a organização não partidária impõe a vontade da massa e faz a democracia chegou rapidamente à cidade e, aqui e ali, despontaram movimentos sem outro objetivo que "participar", "fazer" a democracia direta, que os "300 sem-vergonha" que Lula denunciara não permitiam ser feita. O PT, desde a Constituinte, deu enorme contribuição para a desmoralização do sistema político de que deseja, agora, servir-se, já destruído, para se manter no poder. Aprendiz de feiticeiro, a representação popular e a democracia direta ameaçam agora o seu poder, especialmente em São Paulo.

O PT não controla o Passe Livre nem o Movimento dos Sem-Teto, muito menos os black blocs. Será preciso enquadrá-los numa diretriz de ação única que não antagonize a propriedade e permita ao partido continuar sendo o rector do processo e das vantagens conquistadas na Batalha de Dunquerque. O D8243 talvez não crie um soviete, mas pretenda apenas controlar os movimentos espontâneos que o PT não consegue dirigir. É instrumento de um projeto de poder - poder autoritário - que corre o risco de ser solapado pelo desejo de participação e de criação da democracia direta pregadas pelo próprio PT durante os anos em que esteve longe do governo.

Dilma sentiu o que significa para o governo a democracia direta - recebeu os dirigentes do Movimento Passe Livre sem saber o que lhes oferecer. Saberá o secretário-geral reduzir o ímpeto dos que querem realizar aquilo que o PT, com sua propaganda, incentivou e hoje vê como inconveniente?
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PROFESSOR DA USP E DA PUC-SP, É MEMBRO DO GABINETE E OFICINA DE LIVRE PENSAMENTO ESTRATÉGICO. SITE: WWW.OLIVEIROS.COM.BR

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 29 / 06 / 2014

Correio Braziliense
"Com o coração na mão"

Foi sofrido. E a agonia durou até a última cobrança do Chile, que bateu na trave de Julio Cesar. Não apenas por esse golpe de sorte, mas também pelos dois pênaltis defendidos, saiu do Mineirão um goleiro aclamado e extremamente emocionado. Lágrimas de redenção para quem busca afastar o estigma de vilão do último Mundial. Diante do placar de 3x2, sobrou comemoração ao Brasil, mas, não há como negar, faltou futebol. 


Folha de S. Paulo
"Júlio César e trave salvam Brasil de vexame em casa"

Time de Felipão faz contra o Chile a sua pior partida, mas, nos pênaltis, avança às quartas de final graças ao goleiro

Após empate de 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação no Mineirão, a seleção venceu o Chile por 3 a 2 nos pênaltis e passou para as quartas de final da Copa. Destaque, o goleiro Júlio César, 34, defendeu duas cobranças. 0 chileno Jara chutou na trave o último pênalti. 0 travessão já havia salvado o Brasil na prorrogação. 0 Brasil fez a sua pior partida no Mundial, e Neymar foi anulado pelos chilenos. A seleção mostrou nervosismo. Júlio César chorou antes e depois dos pênaltis, mas evitou a eliminação precoce do Brasil na segunda Copa em que o país é anfitrião. Sem Luiz Gustavo, suspenso, o time pega a Colômbia na sexta, em Fortaleza. 0 árbitro, que anulou um gol de Hulk, foi muito criticado pelos brasileiros. Felipão chegou a dizer que voltará a ser “agressivo” no banco. 0 técnico reconheceu a pressão de jogar em casa. “Existe uma tensão, uma dificuldade. Faltam três jogos para atingir o céu.” 

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