sábado, junho 28, 2014

Dominique


Opinião

O PAC do trem fantasma

O ESTADO DE S.PAULO
Um trem fantasma circula entre Campinas e Rio de Janeiro, correndo nos trilhos imaginários do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Prometido inicialmente para este ano, o trem-bala nunca saiu da promessa, continua como um vago projeto e, assim mesmo, seu status aparece como "adequado" no 10.º balanço do PAC, apresentado na sexta-feira pela ministra do Planejamento, Míriam Belchior. Em agosto do ano passado o leilão do trem de alta velocidade, com percurso de 511 quilômetros e custo estimado de R$ 32 bilhões, foi adiado pela terceira vez. Mas oficialmente o projeto está em dia.

Bastaria essa classificação para minar a credibilidade de mais um balanço triunfal de realizações federais. Mas outros dados comprovam, mais uma vez, o baixo grau de sucesso de um programa destinado principalmente, como indica seu nome, a ampliar a capacidade de expansão da economia brasileira.

O novo relatório comprova, mais uma vez, a predominância dos gastos com habitação no mais vistoso programa do governo central. A execução orçamentária do PAC 2 até 30 de abril deste ano envolveu aplicações de R$ 871 bilhões, 84,6% do total previsto para o período 2011-2014. Os financiamentos habitacionais, R$ 285,3 bilhões, corresponderam a 32,7% do valor aplicado. Nem sequer se poderia classificar esse montante como investimento, até porque o dinheiro pode ter sido gasto, no todo ou em parte, em imóveis velhos.

Somando-se a isso as aplicações do programa Minha Casa, Minha Vida, R$ 78 bilhões, chega-se a R$ 361,6 bilhões, ou 41,7% dos R$ 871,4 bilhões comprometidos entre 2011 e o fim de abril. O resto é dividido entre os demais setores, com destaque para os de energia e de transportes.

Não há como desmentir: o PAC é essencialmente um conjunto de financiamentos e investimentos habitacionais. Os programas de moradia podem ser importantes socialmente, economicamente úteis e louváveis sob vários aspectos, mas a aceleração do crescimento, finalidade explícita do programa, depende muito mais de investimentos em infraestrutura.

Os dispêndios das estatais, R$ 231,4 bilhões desde o início do PAC 2 até 30 de abril, corresponderam a 26,6% das aplicações totais. Somados os gastos do Orçamento-Geral da União chega-se a R$ 324,2 bilhões, valor bem menor que o dedicado à habitação.

Como explicar o peso desproporcional dos gastos com habitação? A resposta provavelmente envolve a dificuldade muito maior de planejar, projetar e executar obras de estradas, ferrovias, portos, armazéns, aeroportos, centrais elétricas, sistemas de transmissão e de pesquisa, exploração e refino de petróleo.

A escassa competência do governo federal no tratamento dessas questões já foi comprovada muitas vezes, especialmente a partir do primeiro PAC. Muitos projetos emperram antes de sair do papel, ou já nas primeiras fases de execução, por descumprimento, por exemplo, dos padrões financeiros cobrados pelo Tribunal de Contas da União. Outros emperram por má administração ou mesmo por falhas escandalosas de planejamento, como, por exemplo, nos casos de centrais elétricas impedidas de funcionar por falta de linhas de transmissão.

O PAC nunca foi, de fato, mais que uma sigla usada para marketing político. Desde a primeira versão, esse nome serviu basicamente para designar uma colcha formada pela costura apenas formal de várias ações desenvolvidas, em nível federal, pela administração direta e pelas várias estatais.

Já existiam os grandes projetos do setor elétrico. O planejamento da Petrobrás, periodicamente revisto e atualizado, era parte da rotina da empresa. As necessidades do setor de transportes eram conhecidas e obras importantes estavam em execução. O PAC nada acrescentou a esse conjunto, além de um nome de fantasia e de uma bandeira de propaganda.

Esse programa - ou "programa" - teria algum valor prático se tivesse ao menos servido para introduzir maior racionalidade no planejamento federal. Nada semelhante ocorreu. Ao contrário: a qualidade gerencial decaiu, como ficou demonstrado com a desastrosa intervenção na política de tarifas de energia, com a manutenção do controle de preços da Petrobrás e com o uso das estatais para remendar as contas públicas. O resto é propaganda ruim, nem sequer enganadora.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 28 / 06 / 2014

Correio Braziliense
"O Mundial em dia de Copa América"

O Chile é um velho freguês. Faz 14 anos que não vence o Brasil. Nos jogos de Copa, ganhamos todos. Mas... É bom tomar cuidado. Taticamente, o adversário evoluiu. Na partida de hoje, no Mineirão, a Seleção de Felipão pegará uma das equipes mais aplicadas do Mundial. Neymar e Sánchez, que brigam pela mesma vaga no Barcelona, são esperança de gol para as duas torcidas. No outro clássico sul-americano, a Colômbia de James Rodríguez — eleito o craque da primeira fase — enfrenta o Uruguai de Cavani, que herdou a responsabilidade de marcar gols após a saída de Suárez. Os vencedores se cruzam nas quartas de final. Haja coração!


Folha de S. Paulo
"Justiça dos EUA impede Argentina de pagar dívida"

Juiz manda devolver dinheiro depositado e obriga o país a negociar com credores

A Justiça dos EUA determinou a devolução do dinheiro depositado pela Argentina no exterior e obrigou o país a negociar com os credores com os quais trava uma batalha judicial. O governo de Cristina Kirchner transferiu US$ 832 milhões para pagar parcela da dívida, que vence no dia 30, aos credores que aceitaram o acordo em2005e 2010. A Casa Rosada afirmou que a decisão foi “insólita” e um “abuso de autoridade” e informou que o dinheiro “já pertence a terceiros”. Segundo a Justiça, o depósito foi uma “violação judicial”, pois só poderia ser feito se o país também pagasse o US$ 1,3 bilhão ao grupo de credores com quem está em litígio. Irritado com o impasse, o juiz norte-americano que cuida do caso, Thomas Griesa, determinou que os advogados da Argentina e do grupo de credores “se sentassem para negociar” em Nova York. Até a conclusão desta edição, não havia informação sobre o resultado do encontro.

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sexta-feira, junho 27, 2014

Torta


Coluna do Celsinho

Exemplar

Celso de Almeida Jr.

Nesta semana, em Natal, na arena das Dunas, o jogador uruguaio Luis Suárez mandou uma mordida no ombro do zagueiro italiano Giorgio Chiellini.

Uma cena esquisitíssima, provando a recaída do artilheiro, que em sua carreira completou três dentadas documentadas.

O Comitê Disciplinar da FIFA puniu Suárez com nove jogos de suspensão pela seleção do Uruguai, além de quatro meses de afastamento do futebol e multa de 250 mil reais.

Deixou a Copa.

Perdeu patrocinadores.

Punição rápida.

Punição dura.

Punição exemplar.

Muito bacana o futebol.

Regras claras e avanços tecnológicas ajudam a aprimorar este esporte que encanta multidões.

Em campo deve prevalecer a verdade, o talento, o jogo limpo.

Amantes do futebol, deveríamos naturalmente adotar o modelo para a vida em sociedade.

Na prática, porém, destacam-se as mordidas, cotoveladas, cabeçadas e caneladas.

Em todos os sentidos.

Em todas as áreas.

Sem restrições.

Sem punições.

Passou da hora de mudar o jogo.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique


Opinião

Diplomacia da bola

O ESTADO DE S.PAULO
A presidente Dilma Rousseff está tentando aproveitar a oportunidade diplomática criada pela realização da Copa do Mundo no Brasil. Entre um jogo e outro, aos quais compareceram diversos chefes de governo estrangeiros no País, Dilma abriu sua agenda para estabelecer contatos importantes - e sinalizar a disposição de reaquecer relações com os Estados Unidos, de se aproximar da Colômbia e de impulsionar o acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia, entre outras iniciativas positivas.

No caso dos Estados Unidos, Dilma recebeu o vice-presidente Joe Biden, no primeiro encontro de alto nível entre representantes dos dois países desde a revelação, no ano passado, de que o serviço de inteligência americano teria espionado empresas e cidadãos brasileiros - entre os quais a própria Dilma. O episódio levou a presidente a cancelar uma visita de Estado a Washington, e, desde então, as relações entre os dois países estão estremecidas.

Dilma ainda espera um pedido de desculpas formal por parte do presidente Barack Obama. Em seu encontro com a presidente, Biden não ofereceu as desculpas, mas se disse "confiante" na rápida normalização das relações, salientando que o convite para que Dilma visite os Estados Unidos continua de pé. A própria presidente, antes do início do Mundial, disse a jornalistas estrangeiros que estava pronta para "seguir adiante" nas relações com os americanos, superando o lamentável episódio da espionagem.

Os gestos são claros na direção de uma distensão - mesmo porque o comércio entre os dois países vai muito bem, independentemente da atmosfera carregada. De janeiro a maio deste ano, em relação a igual período de 2013, as exportações do Brasil para os Estados Unidos cresceram 12,69%, enquanto as vendas para a China tiveram um aumento de 5,69% e as exportações para a Argentina recuaram 19,33%.

No mesmo período, os Estados Unidos ficaram muito próximos de se tornar o maior exportador para o Brasil, com 15,36% do total, ante 16,61% da China. Logo, o desentendimento entre Dilma e Obama soa mais como um ruído passageiro numa relação que apresenta robustez em seus múltiplos pontos de interesse.

Já a aproximação de Dilma com o presidente reeleito da Colômbia, Juan Manuel Santos, ocorre no momento em que a Aliança do Pacífico, bloco econômico integrado pelos colombianos, desponta como a grande novidade econômica da América Latina, um contraponto à apatia do Mercosul.

Amarrado a seus parceiros regionais por compromissos muitas vezes mais ideológicos do que racionais, o Brasil vem perdendo a chance de se associar a países e blocos muito mais dinâmicos, que abririam preciosas oportunidades de negócios justamente no momento em que precisa sacudir sua economia. No encontro de Dilma com Santos, em que o colombiano elogiou a "espetacular" hospitalidade dos brasileiros na Copa, sinalizou-se a intenção de conciliar interesses de ambas as partes.

"A Aliança do Pacífico não é aliança contra ninguém nem concorrência com ninguém", disse Santos. Ele deu a entender, no entanto, que o interesse da Colômbia em "encontrar sinergias" com o Mercosul se limita ao fato de que o bloco inclui o Brasil, maior potência da região.

Do mesmo modo, Dilma aproveitou o encontro com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, para mostrar disposição de fechar o acordo comercial com a União Europeia, cuja conclusão tem sido adiada em razão das exigências argentinas.

Como tem acontecido com frequência nas relações comerciais entre Brasil e Argentina, os "hermanos" vêm ditando o ritmo e os termos das negociações, explorando a hesitação brasileira na hora de fazer prevalecer seu maior peso econômico.

"Há determinação do Brasil e do Mercosul para avançarmos nas negociações com a União Europeia para ampliar e diversificar o intercâmbio comercial", disse Dilma após conversar com Merkel, sinalizando que o Brasil tem todo o interesse de alcançar um acordo com os europeus, a despeito das reservas argentinas.

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 27 / 06 / 2014

Correio Braziliense
"Jeitinho padrão Fifa salvou jogo no Mané"

Um acerto sem precedentes, tanto diplomático quanto alfandegário, permitiu que um avião de Gana, fretado às pressas, entrasse no Brasil com USS 3 milhões a bordo. Da Base Aérea de Brasília, o dinheiro foi escoltado pela PF até um hotel e distribuído aos jogadores ganeses. Tudo para evitar um vexame na Copa: eles ameaçavam não enfrentar Portugal caso não recebessem prêmio de US$ 100 mil cada um.


Folha de S. Paulo
"Decisão põe Argentina mais perto de calote"

Justiça dos EUA nega pedido do país para ganhar tempo e negociar com credores. Torneio tem a maior média de gols desde 1958

A Justiça norte-americana recusou pedido do governo argentino e manteve a sentença que obriga o país a pagar US$ 1,3 bilhão a um grupo de credores. A decisão aproxima cada vez mais a Argentina de dar um segundo calote em 13 anos. O objetivo do governo de Cristina Kirchner era conseguir a suspensão temporária da sentença para negociar com esse grupo de investidores e continuar pagando o resto de sua dívida. Antes da decisão, o país depositou US$ 832 milhões no exterior para pagar a parcela da dívida que vem sendo honrada com outro grupo que aceitou a reestruturação em 2005 e 2010. A Justiça dos EUA, porém, pode confiscar o dinheiro. Pela sentença, esses credores só poderão receber se o US$ 1,3 bilhão também for pago. O ministro da Economia disse que a intenção da Justiça americana é “levar o país ao ‘default’”. 

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quinta-feira, junho 26, 2014

Pitacos do Zé


Ideias movem tudo

José Ronaldo dos Santos
“Não é triste mudar de ideia; triste é não ter ideia para mudar”, já escreveu há mais de meio século Aparício Torelly, o Barão de Itararé.

A partir disso, me vejo refletindo sobre a perda da noção de cidadania, sobretudo entre os pobres, no meu meio social. O que está causando – ou contribuindo – para que seja constatado isso?

Talvez a resposta esteja na psicologia que envolve a pobreza. Primeiramente, bombardeado pelas tantas propagandas, ele (pobre) não consegue consumir como gostaria. Acaba, mais tarde, consumindo a tecnologia, a moda etc...etc... já descartada pelos mais ricos. “Tudo em suaves prestações”. Depois, as suas relações sociais são frágeis, sempre driblando os conflitos. No fundo, dizia o meu saudoso pai, na lida estafante que tinha: “O pobre é bom enquanto é útil”. Assim, tudo isso e algo mais, resulta na sensação de impotência, de pouca importância no que pensa ou deixa de pensar, sendo incapaz de participação política.

Será, então, que decorre daí o desrespeito ou pouca importância às noções de civilidade (participação comunitária e cultural, higiene, limpeza, uso das vias públicas, aproveitamento escolar etc.)?

Enfim esta é uma reflexão de ordem ética, no entendimento de crítica à moralidade do comportamento humano.

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Dominique


Opinião

A sangria das estatais

O ESTADO DE S.PAULO
Incapaz de cuidar direito das próprias contas, o governo continua usando as estatais para abastecer o Tesouro e disfarçar suas más condições financeiras. Essa manobra foi usada nos últimos dois anos e continua em pauta em 2014. A melhor explicação para o novo lance, desta vez com a Petrobrás, é a evidente piora do balanço do setor público. Algo parecido ocorreu na década de 1980, quando a administração central, sem crédito na praça, usou as empresas federais como canal de financiamento. O resultado foi desastroso. Quase todas estavam em péssimo estado quando foram privatizadas. O quadro fiscal é hoje bem melhor do que naquela época, apesar da gastança e do mau uso do dinheiro público. Mas o governo, sem disposição para resolver seus problemas da maneira correta, prefere lançar mão de expedientes de baixa qualidade. Uma das saídas é recorrer às estatais para abastecer seu caixa, assim como tem recorrido à política de controle de preços e tarifas para disfarçar a inflação.

Desta vez, o sinal de alerta soou quando foi divulgado o novo arranjo com a Petrobrás - uma concessão de quatro áreas do pré-sal, sem licitação, em troca de pagamentos de R$ 2 bilhões neste ano e mais R$ 13 bilhões entre 2015 e 2018. A reação no mercado financeiro foi imediata e mais uma vez despencou o preço das ações da empresa. Em Brasília, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, negou qualquer motivação de ordem fiscal para a iniciativa do governo. Esqueceu-se, no entanto, de apresentar qualquer explicação mais convincente.

A presidente da estatal, Graça Foster, classificou como "ótima oportunidade" o contrato direto, sem disputa com outros possíveis interessados, e mencionou a redução do risco exploratório como uma das vantagens. Também se dispensou de informar por que o acordo foi proposto neste momento, de forma aparentemente improvisada, e de contar se algo semelhante estava previsto nos planos financeiros e operacionais da companhia.

A explicação mais simples e mais evidente se impõe. A curto prazo, o contrato com a Petrobrás garante ao Tesouro uma receita adicional de R$ 2 bilhões. A maior parte do dinheiro, reservada para o período até 2018, representa um pequeno seguro para o próximo governo, talvez ainda sob a chefia - esta é a aposta mais importante no Planalto - da presidente Dilma Rousseff. Os R$ 2 bilhões previstos para este ano podem parecer uma soma pequena, mas, considerando-se o tenebroso quadro das finanças públicas, serão muito bem-vindos.

Adiantar esse dinheiro será mais um sacrifício para a Petrobrás, mas atender aos interesses fiscais e político-partidários do governo já é uma rotina para a empresa. De passagem, a presidente da companhia, Graça Foster, mencionou o reajuste de preços como uma das condições para a empresa enfrentar as novas tarefas e, obviamente, os novos desembolsos.

A manobra do governo mantém a política de improvisações fiscais dos últimos anos. Em 2013, receitas extraordinárias garantiram a maior parte do superávit primário de R$ 77,07 bilhões contabilizado pelo governo central. Só as receitas de concessões e as prestações iniciais do novo Refis, o programa de parcelamento de dívidas tributárias, proporcionaram 56,9% daquele resultado. Com os dividendos, R$ 17,14 bilhões, a soma dos três itens equivaleria a 79,16% do superávit primário, o dinheiro separado para o pagamento de juros.

Neste ano, até abril, concessões e dividendos garantiram R$ 9,22 bilhões, 31% do resultado primário do período. Os bônus de concessões foram 297,4% maiores que os de um ano antes, enquanto a soma proporcionada pelos dividendos foi 716,4% superior à de janeiro a abril de 2013. Seria escárnio classificar como normal esse aumento de dividendos.

Com a economia em passo de tartaruga, a arrecadação de impostos deverá continuar fraca. Sem coragem para controlar os gastos e para podar benefícios fiscais ineficazes para o conjunto da economia, mas vantajosos para alguns setores, o governo continuará recorrendo a expedientes para ajeitar suas contas. O acordo com a Petrobrás é só mais um lance desse jogo.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 26 / 06 / 2014

Correio Braziliense
"Juro de empréstimo a pessoa física dispara"

Taxa cobrada chega, em média, a 42,5% ao ano, a maior desde maio de 2011. Temor de nova onda de calotes levou bancos a cortarem várias linhas de crédito. A ordem é dar preferência a operações com desconto em folha.


Folha de S. Paulo
"STF libera Dirceu para trabalhar fora da prisão"

Decisão contraria Joaquim Barbosa; corte nega que Genoino cumpra pena em casa

A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal aceitou recurso apresentado pela defesa de José Dirceu e autorizou o ex-ministro a trabalhar durante o dia fora do presídio da Papuda, no Distrito Federal, onde ele cumpre pena do mensalão. Segundo os ministros, presos no regime semiaberto não precisam cumprir um sexto de suas penas antes de terem direito de trabalhar fora da prisão. O entendimento contraria a interpretação de Joaquim Barbosa, que não participou da sessão. O presidente do STF havia negado o pedido de Dirceu em maio. Petistas e advogados de réus do mensalão pressionavam para que o recurso fosse julgado pelo plenário, o que só ocorreu quando Luís Roberto Barroso assumiu a relatoria do caso. Ontem, o STF negou pedido de prisão domiciliar para José Genoino. Quatro laudos médicos oficiais dizem que o petista não tem cardiopatia grave. Para a maioria dos ministros, autorizar sua prisão domiciliar feriria o princípio da igualdade.

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quarta-feira, junho 25, 2014

Dominique


Opinião

Momento difícil da saúde

O ESTADO DE S.PAULO
A saúde no Brasil passa por um momento particularmente difícil. A rede pública continua a se debater com velhos problemas que não consegue resolver e, por isso, se agravam a cada dia. Por outro lado, a saúde privada se expande, mas isso não lhe permite - nem essa é a sua vocação - suprir a maior parte das falhas da rede pública, à qual, aliás, já está parcialmente ligada por meio de convênios com o Sistema Único de Saúde (SUS). Ela pode ser apenas um complemento.

Reportagem do jornal Valor mostra que os números sobre a saúde impressionam à primeira vista, mas escondem graves deficiências. O País tem cerca de 6.800 hospitais públicos e privados, 500 mil leitos e 195 mil unidades de serviços, um conjunto que representa 10,2% do PIB. Mas todos os que utilizam o sistema de saúde conhecem a precariedade - com raras exceções - do atendimento oferecido pelo setor público. E, embora a saúde privada - pela qual se paga caro - seja bem melhor, também ela não está isenta de problemas, como atestam o elevado número de queixas dos usuários ao serviço de proteção ao consumidor e as frequentes medidas tomadas pelo poder público para fazer os planos de saúde respeitarem os compromissos assumidos com seus clientes.

Os hospitais privados já respondem por 70% dos atendimentos no País. Mesmo considerando que muitos deles prestam serviço aos SUS - e, portanto, integram dessa forma a rede de saúde pública -, sua participação no sistema é muito elevada. E a tendência da saúde privada é crescer. Por um lado, o número de usuários dos planos de saúde continua a aumentar. No ano passado, o aumento foi de 4,6%, superior aos de 2011 e 2012, que foram, respectivamente, de 3% e 3,6%. Por outro lado, as empresas operadoras dos planos vêm investindo em hospitais, ambulatórios e laboratórios próprios para atender àquela demanda.

Tenta-se, dessa forma, corrigir o desequilíbrio criado nos últimos anos, quando a expansão dos planos de saúde foi muito maior do que a da rede privada de médicos, hospitais e laboratórios. Como consequência, aumentaram as queixas dos usuários sobre a demora nos atendimentos, o que fez a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) fixar prazo para eles, cujo desrespeito tem levado à punição de vários planos. Mesmo que tais investimentos produzam os resultados esperados, isso resolverá apenas uma parte do problema - a melhoria dos serviços prestados aos cerca de 50 milhões de usuários dos planos.

O problema da grande maioria - os outros três quartos dos 200 milhões de brasileiros - continuará sem solução, até que o governo resolva enfrentar o desafio de reformar e melhorar o SUS, que atende a população que não pode pagar planos de saúde. Segundo os especialistas na matéria, os dois pontos principais a serem atacados são a melhoria da gestão do SUS e a obtenção de mais recursos. Para Bernard Couttolenc, presidente do Instituto Performa, o problema da gestão é crucial e vem em primeiro lugar, porque "não adianta colocar mais dinheiro num balde furado".

De fato, fazer investimentos sem mexer na estrutura administrativa e gerencial do SUS, ineficiente e vulnerável a fraudes, é puro desperdício. Feito isso, e garantida a entrada de novos recursos, é preciso primeiro atacar o velho problema da defasagem da Tabela de Procedimentos do SUS, que atualmente cobre apenas 60% dos custos. Isto é fundamental para evitar que as Santas Casas e os hospitais filantrópicos conveniados ao SUS - e que são responsáveis por 45% dos atendimentos - continuem a operar com prejuízo e sob a ameaça da falência. Será preciso investir também na modernização e ampliação da rede pública de hospitais, que desde 2010 perdeu cerca de 13 mil leitos.

Essa não é tarefa fácil, mas essencial para evitar o colapso da saúde pública. Fazer respeitar os direitos dos usuários que pagam caro aos planos de saúde, como se vem tentando fazer, é, sem dúvida, importante. Mas tão ou mais importante é ter a coragem de atacar os problemas do SUS, do qual depende a maioria da população.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 25 / 06 / 2014

Correio Braziliense
"O fantasma está vivo. E morde..."

Godin, à frente, comemora. Com um gol do zagueirão, o Uruguai, carrasco do Brasil em 1950, garantiu vaga nas oitavas de final e despachou a Itália da Copa. Suárez deu uma mordida em Chiellini (detalhe) e pode até ser suspenso do Mundial pela Fifa. A Colômbia, que goleou o Japão por 4 x 1, será a próxima adversária da Celeste.

Folha de S. Paulo
"Criação de vagas desacelera, no pior maio em 22 anos"

Mercado de trabalho no país registra saldo entre contratações e demissões de 58,8 mil novos postos Godin (ao centro) é abraçado após marcar em Natal

O mercado formal de trabalho no país registrou 58,8 mil novas vagas de emprego em maio, o pior saldo (contratações menos demissões) para o mês desde 1992. Havia uma expectativa do governo federal de que a Copa pudesse impulsionar as contratações para que elas ultrapassassem os 72 mil postos de trabalho criados em maio do ano passado. Para o ministro Manoel Dias (Trabalho),o pessimismo que tomou conta dos empresários foi responsável pelo fraco desempenho do mercado de trabalho. A indústria de transformação demitiu mais do que contratou, registrando saldo negativo de 28,5 mil postos. Já o setor de serviços quase dobrou o número de admissões, com 38,8 mil vagas. Além desse dado ruim do emprego, o governo poderá enfrentar queda da arrecadação em maio —que será divulgada na sexta (27). Estudo da FGV com dados preliminares indica que a receita deve ter encolhido 6,6%, descontada a inflação,sobre igual mês de 2013.

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terça-feira, junho 24, 2014

Dominique


Opinião

Soberba e populismo

O ESTADO DE S.PAULO
Há uma característica peculiar no DNA do PT que tem dificultado a articulação de alianças em torno da candidatura de Dilma Rousseff à reeleição: a soberba. A arrogância do comando lulopetista, que posa de monopolista da virtude e despreza os aliados porque age por puro fisiologismo, tem sido responsável por importantes reveses nesta pré-campanha eleitoral. O mais recente é a decisão do PMDB fluminense de apoiar a candidatura de Aécio Neves à Presidência em dobradinha com a do governador Luis Fernando Pezão à reeleição.

A dissidência do PMDB fluminense não se enquadra exatamente na galeria dos episódios louváveis que honram a política brasileira. É pura e simplesmente o desdobramento do toma lá dá cá que o PT não inventou, mas empenhou-se diligentemente em aperfeiçoar ao longo de quase 12 anos no poder. Desde a eleição ao governo estadual do peemedebista Sérgio Cabral em 2006, coerente com a orientação da direção nacional do partido, o PMDB fluminense e o governador em particular posicionaram-se com armas e bagagens no séquito de Luiz Inácio Lula da Silva. A ligação entre Lula e Cabral parecia tão sólida que este chegou a sonhar, em 2010, em ser o vice de Dilma Rousseff. Teve de se contentar com a candidatura à reeleição.

Mas a decepção definitiva de Cabral veio quando, em vez de honrar a aliança apoiando o candidato dele à própria sucessão, o PT optou por aceitar o fato consumado da candidatura do senador Lindbergh Farias ao governo do Estado, até porque a popularidade de Cabral caíra vertiginosamente, contaminando a de Pezão. Agora, Cabral e o PMDB fluminense dão o troco. Oficialmente, Pezão e Cabral continuarão apoiando Dilma. Mas a poderosa máquina política do PMDB fluminense vai trabalhar por Aécio Neves.

Às más notícias no plano das alianças eleitorais a soberba lulopetista parece disposta a responder com mais do mesmo, a julgar por tudo que foi proclamado na convenção nacional que confirmou a candidatura de Dilma à reeleição. A começar pelo fato de que a presidente está agora oficialmente enquadrada, pela proverbial imodéstia de Lula, na condição subalterna de "criatura" do Grande Chefe.

A insatisfação generalizada dos brasileiros com a qualidade dos serviços públicos se manifesta vigorosamente nas ruas. Mas Lula, Dilma e o PT se gabam de terem inventado um novo país, criando uma nova realidade nacional de desenvolvimento econômico e conquistas sociais. Estariam plenamente credenciados, portanto, a se lançarem à campanha eleitoral com o apelo à continuidade das fantásticas realizações com que mudaram para melhor a face do País. Mas como não podem ignorar que os brasileiros não estão lá muito satisfeitos com o que veem e, principalmente, sentem, é melhor ir de "mudança". Aliás, "mais mudança", porque, afinal, o estoque de promessas não cumpridas está longe de se esgotar.

O pior é que as principais novidades das "mudanças" apontam na direção do retrocesso. Apesar de terem repudiado o "ódio" revelado pela "elite branca" contra Dilma no lamentável episódio da abertura da Copa do Mundo, o discurso petista continuará focado no estímulo à cizânia nacional, à divisão dos brasileiros entre "nós" e "eles", agora com uma pegada mais "esquerdista" que procurará dar destaque à necessidade do "controle social da mídia" e de uma reforma política destinada não a aperfeiçoar o sistema democrático a serviço de uma sociedade pluralista, mas a consolidar a hegemonia da nomenklatura petista. Não é outro o objetivo do decreto que, a pretexto de "regulamentar o texto constitucional", pretende aparelhar a estrutura do Poder Central com "conselhos populares" manipulados pelo Planalto.

E todo esse conteúdo "popular" se derramará na campanha petista, embalado pela demagogia dos chavões populistas que durante a convenção de sábado Dilma leu no teleponto: "Recolhamos as pedras que atiram contra nós e vamos transformá-las em tijolos para fazer mais casas do Minha Casa, Minha Vida. Vamos recolher os xingamentos, os impropérios e as grosserias e transformá-los em versos de canções de esperança no futuro do Brasil".

A soberba afasta aliados. A demagogia populista nem sempre atrai eleitores.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 24 / 06 / 2014

Correio Braziliense
"Com a bêncão do Mané!"

Neymar dá show, faz dois nos 4x1 sobre Camarões e assume a artilharia da Copa. Que venha o Chile


O camisa 10 da Seleção é mesmo um predestinado. Ao abrir o placar contra os africanos, ontem, ele marcou o centésimo gol deste Mundial, na partida de número 100 da Seleção numa Copa, diante da maior plateia em jogos do Brasil neste torneio e no dia em que o Mané Garrincha bateu recorde de público: 69 mil presentes. Em campo, além de marcar os dois primeiros gols, o segundo quando o jogo estava l x l, Neymar fez a diferença. Chegou a lembrar o lendário ponta-direita que dá nome ao estádio, ao levantar a torcida e enlouquecer camaroneses com dribles e passes desconcertantes. Fred, apagado, desencantou e fez o terceiro. Fernandinho, que substituiu Paulinho, fechou o placar. Classificada em primeiro lugar no grupo, a Seleção enfrenta o Chile, sábado, pelas oitavas de final.

Folha de S. Paulo
"Sarney afirma a Dilma que não disputará a reeleição"

Depois de 59 anos de vida pública, o senador José Sarney (PMDB-AP) comunicou à presidente Dilma Rousseff que desistiu de disputar a reeleição ao Senado nas eleições deste ano. A decisão encerra a mais longeva carreira política brasileira. O senador, que tem 84 anos, afirma que a saúde frágil de sua mulher o motivou. Sarney confidenciou a aliados que teme não ser reeleito diante da crescente resistência ao seu nome. Procurada, a assessoria do senador não confirmou. 

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segunda-feira, junho 23, 2014

Pitacos do Zé


Não é de hoje

José Ronaldo Dias
Ontem, dia 22 de junho, um incêndio que durou das 16 ate 22 horas, assustou os moradores do Bosque dos Coqueirais, no Ipiranguinha (Ubatuba- SP), sobretudo os que estavam em torno de um depósito de sucatas na Rua dos Indaiás, onde ocorreu o sinistro. Não há vítimas, pelo que consta.

O Corpo de Bombeiros, segundo dizem, estava com o caminhão quebrado, tendo que vir um de Caraguatatuba. Depois, apesar da dedicação, faltou água. A solução foi o caminhão-tanque da Sabesp.

Hoje cedo, despertando com o cheiro de fumaça no ar, fui ver o local. Uma labareda continua. Na vizinhança, agora restam os prejuízos. Pelo que apurei, há tempos que o dono era acionado porque o local se tornou um ponto de encontro indesejado. A vizinha mais próxima assim se expressou: “Não é de hoje que nós pedimos para fechar, acabar com esse lugar. Aí ajuntava gente para usar porcaria”.

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Dominique


Opinião

A Operação Athos da PF

O ESTADO DE S.PAULO
A extensa folha corrida de um magistrado de primeira instância de Juiz de Fora, cuja prisão preventiva por tempo indeterminado foi decretada pelo órgão especial do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, retrata a inépcia das corregedorias judiciais. Fossem elas menos corporativas e mais ágeis e rigorosas no cumprimento de suas funções fiscalizadoras, esse magistrado já teria sido punido há muito tempo e certamente não estaria integrando os quadros da Justiça estadual mineira.

Titular de uma das Varas de Execuções Criminais em Juiz de Fora, o juiz Amaury de Lima e Souza dias antes havia sido preso em flagrante por porte ilegal de armamento e levado à Superintendência da Polícia Federal (PF), em Belo Horizonte. Em sua casa de campo, foram encontrados armas de uso restrito, munição e explosivos. Ele também é acusado de fazer tráfico de influência na Justiça Criminal mineira e cobrar propina para favorecer traficantes de drogas. Por duas vezes determinou a libertação de José Severino da Silva, o Cabecinha, um dos líderes da quadrilha que assaltou o cofre do Banco Central em Fortaleza, em 2005, levando R$ 164,7 milhões, no maior assalto da história do País e o segundo maior roubo a banco do mundo.

O envolvimento do magistrado com a quadrilha foi descoberto pela Polícia Federal durante a Operação Athos. Executada por 250 agentes, que cumpriram 38 mandados de busca e apreensão e 9 conduções coercitivas (quando a pessoa é levada para prestar esclarecimentos), ela foi deflagrada com o objetivo de desmantelar quadrilhas especializadas em tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e fraudes bancárias nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Só em Juiz de Fora foram presas 12 pessoas - entre elas empresários, advogados e um sargento da Polícia Militar mineira. Todos são acusados de integrar um esquema de transporte de maconha e cocaína da Bolívia e do Paraguai para o interior de São Paulo, por avião, e de distribuí-las nas cidades da Região Sudeste.

Para os responsáveis pela Operação Athos, o juiz Amaury de Lima e Souza seria o chefe do núcleo jurídico da quadrilha, que movimentaria cerca de R$ 120 milhões por ano. Sob sua orientação, ela fazia lavagem de dinheiro nas cidades da Zona da Mata, em Minas Gerais, negociando imóveis e adquirindo automóveis de luxo, caminhões e aeronaves de pequeno porte. A pedido da Polícia Federal, no início deste mês a Justiça determinou a apreensão de 14 veículos, 5 aeronaves, 4 lanchas e 11 imóveis que estavam em nome dos líderes da quadrilha ou de "laranjas", num total de R$ 70 milhões.

O magistrado também é acusado de orientar a advogada da quadrilha, Andrea Elizabeth Leão Rodrigues, a forjar documentos que permitissem a transferência de traficantes presos em outros Estados para Juiz de Fora. Alegando que os familiares dos acusados haviam mudado de Estado, ela apresentava atestados falsos e, uma vez transferidos para essa cidade, os processos eram remetidos para a Vara de Execuções Criminais, da qual o titular era o juiz Amaury de Lima e Souza. Decidindo também com base em documentos forjados, ele autorizava a conversão do regime fechado para o semiaberto, o que possibilitava a fuga de criminosos de alta periculosidade. Vários integrantes da quadrilha que assaltou o Banco Central fugiram graças a esse expediente.

Assim que foi informado da prisão em flagrante do juiz Amaury de Lima e Souza, o órgão especial do Tribunal de Justiça de Minas Gerais reuniu-se em sessão extraordinária, autorizou a abertura de uma investigação administrativa, determinou a prisão preventiva do acusado e distribuiu nota oficial, afirmando que está cumprindo rigorosamente a Lei Orgânica da Magistratura. A Corte cumpriu seu papel rigorosamente, fazendo tudo o que dela se poderia esperar. Mas, se as corregedorias judiciais fossem mais eficientes, magistrados corruptos não teriam ido tão longe, a ponto de se tornarem assessores jurídicos e cúmplices do crime organizado.

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 23 / 06 / 2014

Correio Braziliense
"Jogai por nós, Brasil!"

Em campo, o destino da Seleção Brasileira rumo ao hexa começa a ser decidido às 17h, diante de Camarões. Mas, se depender da torcida em Brasília, o passaporte para as oitavas de final já está selado. O público o Mané Garrincha será o maior em jogos do Brasil nesta Copa: 69 mil pessoas. Mais de 90% vão torcer pela vitória do escrete canarinho. Na cidade, a empolgação é tanta que o estudante Lucas Resende, 23 anos, quer ver o estádio inteiro cantando muito mais que o Hino Nacional a capela ou o manjado. "Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor, ôôô...". Para isso, reuniu amigos e ensaiou músicas mais criativas. No estádio, vai distribuir 5 mil folhetos com a letra das composições. O cantor Naldo e a banda Monobloco também criaram gritos para os torcedores. Só falta, agora, Neymar & Cia completarem o show no gramado.


Folha de S. Paulo
"Polícia de SP investiga só 1 em cada 10 roubos"

Apenas boletim de ocorrência não basta para abrir inquérito, diz governo Alckmin

A Polícia Civil de São Paulo abriu inquéritos para investigar só um em cada dez roubos registrados no Estado entre 2004 e 2013, informa Marina Gama Cubas. Dados obtidos pela Folha por meio da Lei de Acesso à Informação mostram que, no período, 93% dos boletins de ocorrência desse tipo de crime resultaram em investigação formal. No total, mais de 2 milhões de casos foram deixados de lado. Na avaliação de especialistas, a abertura de inquérito é uma obrigação legal. O governo Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou, em nota, que a polícia segue normas internas para atingir “eficiência administrativa”. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, o BO não ê o suficiente para abrir investigação — são necessários “elementos mínimos de informação ou de provas”. A secretaria estadual diz que a instauração de inquéritos sem esses elementos “levaria a uma inútil sobrecarga” da Polícia Civil, do Ministério Público e do Poder Judiciário. 

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domingo, junho 22, 2014

Dominique


Opinião

Tudo culpa da mídia

O ESTADO DE S.PAULO
O PT não desiste: é tudo culpa da mídia. Depois de Lula ter proclamado aos quatro ventos que o lamentável episódio das ofensas dirigidas a Dilma Rousseff no jogo de abertura da Copa do Mundo foi obra da "zelite", seu homem de confiança no Palácio do Planalto, o ministro Gilberto Carvalho, manifestou opinião diversa, mas não necessariamente divergente, que na verdade "aprimora" o argumento petista: a culpa é da "pancadaria diária" dos meios de comunicação no lombo do PT e de seu governo.
Ajudam a entender as intenções do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência as circunstâncias em que ele se manifestou. Circunstâncias que, de resto, demonstram claramente o que o PT entende por "democratização da mídia": uma reunião, no Palácio do Planalto - patrocinada, portanto, com recursos de todos os brasileiros -, com blogueiros e ativistas militantes ou simpáticos ao lulopetismo, convocados para tratar da necessidade de se articularem e unificarem o discurso contra a "direita militante que não havia antes", para fazer "o debate da mídia para valer" (não ficou claro se o "para valer" se referia ao debate ou à mídia).

Não é a primeira vez que os blogueiros e comunicadores ativistas simpáticos ao PT são convocados para debater seu peculiar senso de exercício democrático do jornalismo. Com Lula já estiveram, recentemente, duas vezes, a última no dia 8 de abril. E desses encontros saem sempre com munição adequada para atacarem nas redes sociais os adversários, aliás, "inimigos" do PT.

E não foi com outro objetivo que Gilberto Carvalho, o responsável no governo pela articulação dos "movimentos sociais" manipulados pelos petistas, reuniu a tropa, nunca é demais registrar, na sede do Poder Executivo, bem pertinho do gabinete da presidente da República. O tema dominante na agenda do encontro foi a luta pela aprovação do polêmico decreto da Presidência que cria conselhos de participação popular para a formulação de políticas públicas em todo o aparelho estatal.

Carvalho enfatizou a necessidade de articulação política de todos os comunicadores que apoiam o governo com base no argumento central dos ideólogos do partido e da campanha eleitoral petista: o País está dividido entre "esquerda" e "direita", esta fortemente apoiada pela "mídia conservadora e hegemônica". E foi neste contexto que, para reforçar a argumentação, chamou a atenção para o episódio do Itaquerão: "Lá no Itaquerão não tinha só elite branca! Eu fui para o jogo, não no estádio, fiquei ali pertinho numa escola, para acompanhar os movimentos. Eu fui e voltei de metrô. Não tinha só elite no metrô não! Tinha muito moleque gritando palavrão dentro do metrô que não tinha nada a ver com elite branca".

E, mais adiante: "A coisa desceu! Tá? Isso foi gotejando, água mole em pedra dura, esse cacete diário de que não enfrentamos a corrupção, que aparelhamos o Estado, que nós somos um bando de aventureiros que veio aqui para se locupletar, essa história pegou! Na classe média, na elite da classe média e vai gotejando, vai descendo! Porque não demos combate, não conseguimos fazer o contraponto. Essa eleição agora vai ser a mais difícil de todas".

Seria ingênuo imaginar que Carvalho estaria fazendo um exame de consciência, um ato de contrição e reconhecimento da incapacidade petista de transmitir sua mensagem às massas. Muito ao contrário, simplesmente reafirmou a tática de vitimização daqueles que começam a se desesperar diante da possibilidade crescente de verem ruir seus planos de permanecer no poder a qualquer custo.

As manifestações dos ativistas, por sua vez, foram pontuadas por críticas à "incapacidade" do governo de neutralizar a "mídia golpista" e pelas soluções recomendadas para o problema: o "controle social" dos meios de comunicação e o apoio do Estado, com injeção de abundantes recursos, àqueles que se dedicam a "defender as causas sociais". Houve até quem reclamasse do fato de o governo não usar a emissora pública TV Brasil: "Eu sei que o senhor não é o dono da TV Brasil, mas a TV Brasil não entra em nada! É preciso que o governo assuma seus riscos para animar os que estão assumindo riscos do lado de cá". Colocada a questão nesses termos, resta saber o que os "do lado de lá" vão dizer nas urnas de outubro.

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 22 / 06 / 2014

Correio Braziliense
"Uma aposta preciosa"

Transformar uma joia antiga em nova, escolher uma peça exclusiva, apostar no efeito de pedras e da prata são algumas das marcas do trabalho de designers brasilienses e dos que decidiram investir no mercado local

Brincos, anéis, pulseiras. Todos elaborados em metais nobres, do mais puro ouro em tons diversificados, ou na prata, que, aos poucos, conquistam seu espaço nesta aristocracia. Para deixá-los ainda mais belos e valiosos, são cravejados de diamantes, esmeraldas, safiras e de uma outra lista de preciosidades. Para considerar algo uma joia, é preciso avaliar o material do qual ele é feito. Nas últimas décadas, o design também é valor agregado. O nome de quem assina o luxo vale tanto quanto a matéria-prima. O talento das mãos que transformam metal fundido em obras de arte, usadas como adornos, confere a tais peças ainda mais status e importância para quem as exibe.

Folha de S. Paulo
"Aliados se distanciam do PT nos Estados"

Os principais partidos que prometem apoiar a reeleição da presidente Dilma Rousseff estarão em palanques opostos aos do PT na maioria das disputas estaduais deste ano

A Folha levantou as pré-candidaturas já anunciadas para governador, vice-governador e senador de PMDB, PSD, PP, PR, PDT e PTB, aliados do Palácio do Planalto com as maiores bancadas na Câmara dos Deputados. Em todas essas legendas, a quantidade de candidatos que disputarão votos contra um petista supera a de nomes que deverão compor chapa com a sigla. O PMDB lidera em número de candidaturas contrárias ao PT. No cenário atual, em 16 Estados há um peemedebista em uma chapa majoritária oposta à chapa petista.

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