sábado, junho 21, 2014

Dominique


Opinião

Por um Brasil de todos

O ESTADO DE S.PAULO
Campanha eleitoral - e não se trata de outra coisa - é assim mesmo, quando os poderosos de turno resolvem se beneficiar das fragilidades das instituições democráticas: vale o que parece, não o que é; importa a versão, danem-se os fatos. E nessa aventura marota, na qual mergulhou de cabeça para evitar um desastre para o PT em outubro, Luiz Inácio Lula da Silva é insuperável. Por isso, não se pode negar razão ao senador Aécio Neves, agora candidato oficial dos tucanos à Presidência, quando declarou, na segunda-feira à noite em São Paulo: "Não vamos cair nessa armadilha do debate que apequena a política, do nós contra eles, da disputa de classes".

A pregação da luta de classes, mote desde sempre das campanhas eleitorais do PT, desvirtua um dos fundamentos da sociedade democrática, o de que para se conquistar o bem comum é preciso somar e não dividir. Desde suas origens políticas na luta sindical, Lula notabilizou-se por "partir para cima" de seus "inimigos", atacá-los sem trégua, eliminá-los sob qualquer pretexto. Houve apenas uma ocasião em que mudou de tática: por recomendação de seus marqueteiros, para consolidar a tendência de vitória nas eleições de 2002 passou a encenar o "Lulinha paz e amor". Tal como faria pouco depois, ao renegar, na famosa Carta aos Brasileiros, a pregação estatizante com que até então combatia a política econômica do governo FHC, Lula abandonou temporariamente - só temporariamente - sua vocação visceral para "guerra e ódio".

A mesmíssima prática marqueteira de manipular os fatos para impor a versão que mais lhe convém Lula adota agora na tentativa de transformar em limonada o intragável limão da manifestação anti-Dilma ocorrida na Arena Corinthians. Ninguém provido de um mínimo de sensatez, educação e civismo aprova o modo grosseiro, com o uso de expressões chulas, com que a presidente foi ofendida pela multidão.

Feita a ressalva necessária, é preciso também repelir com veemência a canhestra tentativa lulopetista de apresentar o episódio do Itaquerão como prova de que Dilma é "vítima das elites". Absolutamente, não. Registre-se que o ministro Gilberto Carvalho, homem de Lula dentro do Palácio do Planalto, saiu-se na última quarta-feira com a aparentemente surpreendente versão de que o episódio do Itaquerão não deve ser debitado a uma iniciativa da "elite branca" presente no evento, mas é o resultado da "pancadaria diária" de que o governo e o PT são vítimas nos meios de comunicação. Trata-se de uma variante tática do jogo lulopetista, que merece comentário à parte.

O fato é que a contundente manifestação no estádio corintiano foi o resultado do mesmíssimo sentimento de insatisfação difusa que desde junho do ano passado tem levado diariamente às ruas brasileiros que, frustrados por mais de uma década de um ufanismo mirabolante e vazio, começam a se dar conta de que caíram num enorme conto do Lula. E mesmo que se admita, apenas para argumentar, que a manifestação anti-Dilma no Itaquerão tenha sido obra exclusiva da "zelite", esta pode ser condenada por se ter comportado em relação à chefe do governo do PT exatamente da mesma forma como o PT e seu governo se comportam em relação a ela, a "elite"? Colhe-se o que se planta.

De qualquer modo, é profundamente lamentável que, faltando ainda quase quatro meses para o pleito de outubro, a campanha eleitoral esteja enveredando pelo descaminho da retórica belicosa com que Lula e o PT pretendem, em desespero, aprofundar entre os brasileiros a divisão alimentada pelo ódio. E por essa perspectiva desanimadora é também responsável a oposição, que entra no jogo do lulopetismo em vez de se concentrar numa campanha propositiva, que desmistifique, com objetividade e clareza, a empulhação populista de Lula e sua sucessora, aponte caminhos viáveis para garantir as inegáveis conquistas sociais e econômicas dos últimos 20 anos e defina uma rota segura para devolver ao Brasil a certeza de que estará rumando em direção à prosperidade econômica e à justiça social.

É preciso tirar o ódio do caminho e estimular a cidadania, valorizar a unidade na diversidade e lutar, com genuíno espírito democrático, por um Brasil de todos.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 21 / 06 / 2014

Correio Braziliense
"PT confirma nome de Dilma em disputa considerada a "mais dura" da história"

A missão do partido é enfrentar os conflitos estaduais e tentar recuperar os índices de popularidade da presidente que disputará a reeleição


O PT oficializa hoje, em Brasília, a candidatura de Dilma Rousseff à reeleição, mas precisará resolver uma lista de problemas ao longo da campanha, que começa formalmente no início de julho. Líder nas pesquisas, a presidente da República conseguiu estancar a queda e estabilizar-se nos 40%, mas enfrenta uma alta rejeição alta, o que pode dificultar a disputa em segundo turno. A economia não é tão pujante como era em 2010, quando Dilma elegeu-se pela primeira vez. E os aliados, sobretudo nos estados, dão sinais de possíveis baixas — o próprio PMDB aprovou a indicação de Michel Temer como vice com um percentual de 59% dos convencionais.

Folha de S. Paulo
"Seleção repensa tática para conter Neymar faltoso"

Neymar é o terceiro jogador que mais comete faltas na seleção brasileira de Felipão

E o que anteriormente era motivo de elogios, pela dedicação na marcação, agora é causa de preocupação. Pendurado com um cartão amarelo, recebido na estreia na Copa ante a Croácia, no dia 12 de junho, ao acertar com o braço um rival em disputa de bola, ele estará suspenso do jogo seguinte se receber outro até as quartas de final –antes da semifinal, os amarelos serão zerados.

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sexta-feira, junho 20, 2014

Gota d'água e formiga


Coluna do Celsinho

Cof Cof

Celso de Almeida Jr.

Tosse brava.

Minha avó, Ivete, receitava fatiar beterraba num prato e cobrir com açucar.

Na sequência, colheradas do líquido vermelho e doce.

Faltou paciência.

Optei pelo mel.

Aliviou.

Não resolveu.

Lembrei do Dr. Luiz Goulart.

Garoto, na pauliceia, contava com o zelo do saudoso médico.

Em seu consultório, num pote de vidro, balinhas cor de rosa chamavam os meus dedos.

Seu olhar generoso autorizava a investida.

Depois, a consulta demorada, cautelosa, preocupada, detalhada.

A receita.

A cura.

Poxa!

Ainda há profissionais assim?

Cético, teimoso, vou atrás da beterraba.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique


Opinião

Pacote ruim e requentado

O ESTADO DE S.PAULO
Em mais um esforço para reconquistar o apoio do empresariado, a presidente e candidata Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, lançaram um pacote requentado de medidas para "reforçar", segundo a explicação oficial, "a competitividade da indústria brasileira". Alguns benefícios foram remodelados e poderão impor maiores custos ao Tesouro, mas o conjunto dificilmente produzirá resultados melhores que os obtidos nos últimos anos, quando a produção industrial ficou estagnada. 

Além disso, os investimentos têm permanecido na vizinhança de 18% do Produto Interno Bruto (PIB), muito abaixo do padrão observado em economias emergentes mais dinâmicas, incluídas várias sul-americanas. Antes do anúncio público das bondades, a presidente reuniu-se com 34 empresários no Palácio do Planalto.

"A gente podia ter eleição a cada seis meses", disse o presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato. A frase pode ter sido uma brincadeira, mas brincadeiras também contam verdades. Nem um marciano recém-chegado poderia desconhecer o sentido eleitoral do encontro e do pacote.

Também ficaram evidentes a improvisação das medidas e a pouca ambição da pauta de reivindicações empresariais - algo do tipo "qualquer coisa é melhor que nada".

O componente mais velho do pacote é o Programa de Sustentação do Investimento (PSI), criado em 2009, quando o Brasil começava a emergir da recessão. A ideia inicial era usá-lo como instrumento de reativação econômica e abandoná-lo em seguida. Mas o PSI, prorrogado várias vezes, ainda deveria valer até o fim deste ano. O governo acaba de esticá-lo novamente, desta vez até o fim de 2015.

O Tesouro seguirá fornecendo o dinheiro e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) continuará, provavelmente, a aplicá-lo com a mesma eficácia dos últimos anos. Pode-se medir essa eficácia pelo baixo nível do investimento privado e pelo desempenho de uma indústria batida pelos concorrentes em todos os mercados - até na América do Sul e no Brasil.

Os números do comércio exterior e a participação crescente dos produtos estrangeiros no mercado interno mostram também a ineficácia do Reintegra, em vigor desde 2012. Na versão recauchutada, esse programa será permanente e garantirá ao exportador um benefício fiscal entre 0,1% e 3% do valor faturado. A alíquota será fixada anualmente pelo governo e ficará, neste ano, em 0,3%. Com essa medida, o governo contorna, mais uma vez, a tarefa muito mais complexa de propor e negociar uma reforma tributária.

Essa reforma é necessária para eliminar uma das principais desvantagens do produtor nacional diante dos competidores estrangeiros. Deveria servir também para eliminar a guerra fiscal entre Estados e racionalizar a tributação, mas nada disso ocorrerá, se depender da disposição do governo e da articulação do trabalho parlamentar.

Além de ser um pobre substituto para uma reforma tributária séria, o Reintegra beneficia, por enquanto, um número limitado de setores. Segundo o ministro da Fazenda, o governo poderá estudar a inclusão de outros segmentos da indústria, mas nada foi prometido. Também é limitado, por enquanto, o alcance da desoneração dos encargos trabalhistas. Antes do pacote dessa quarta-feira, o governo já se havia prometido tornar permanente essa desoneração.

Todos esses benefícios, permanentes ou passageiros, são retalhos mal costurados e tornam mais frágil e confuso um sistema fiscal já em más condições e especialmente prejudicado, nos últimos anos, pela contabilidade criativa.

Com a mudança do Refis, também anunciada, o governo reduziu o pagamento inicial exigido no refinanciamento de dívidas tributárias. Ampliou, portanto, o estímulo à sonegação, conhecido efeito do programa.

O resto também é o de sempre. A uniformização da margem de preferência para produtos nacionais, nas compras do governo, é mero protecionismo, sem efeito sobre a competitividade internacional. Favorece os acomodados, sem benefício real para a economia.

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 20 / 06 / 2014

Correio Braziliense
"Colômbia antecipa a maratona de festas em Brasília"

Empolgados, fantasiados e muito coloridos, os colombianos incendiaram o Mané Garrincha de alegria e conquistaram os torcedores brasilienses. Em campo, La Tri retribuiu. Bateu a Costa do Marfim por 2 x 1 e garantiu a classificação antecipada às oitavas de final. Jogadores celebraram os dois gols com a dancinha que já se tomou marca registrada do time nesta Copa. Depois, a animação dos hinchas continuou fora do estádio, abrindo a maratona de festas do feriadão prolongado, que se estende até a segunda-feira, quando o Brasil enfrenta Camarões, em Brasília. O jogo é decisivo para a classificação do time de Felipão às oitavas. Dependendo do resultado, a Seleção terá como adversário a Holanda ou o Chile.


Folha de S. Paulo
"Ameaça de calote faz Bolsa cair 5% na Argentina"

Clima de incerteza sobre pagamento da dívida do país já atinge empresas

Um dia após o governo Cristina Kirchner afirmar que não vai pagar parte de sua dívida que vence no fim deste mês, a Bolsa de Buenos Aires teve um pregão tenso e registrou forte desvalorização, de 4,9%. As empresas argentinas que negociam seus papéis em Nova York foram afetadas e tiveram queda de até 7,8%. Também pesou para os investidores a declaração do chefe de gabinete de Cristina de que “não há missão preparada” para ir aos EUA negociar com credores. 

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quinta-feira, junho 19, 2014

Dominique


Opinião

Endividado, birrento e ridículo

O ESTADO DE S.PAULO
O Brasil é um dos emergentes com maior dívida pública e isso é comprovado por qualquer critério - o do governo brasileiro ou o do Fundo Monetário Internacional (FMI), rejeitado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Dever oficialmente 66,3% ou 56,8% do Produto Interno Bruto (PIB) talvez faça alguma diferença para a imagem nacional, se o mercado aceitar o padrão contábil mais favorável. Mas a posição continuará muito ruim nas comparações com outros devedores, alguns desenvolvidos e muitos em desenvolvimento. Qualquer analista do setor financeiro poderá obter facilmente os números necessários para o confronto e a conclusão será óbvia.

Em mais uma briga ridícula, inútil e talvez contraproducente, o governo brasileiro conseguiu convencer o pessoal do FMI a divulgar também a dívida bruta calculada segundo o padrão nacional. Não haverá tratamento diferenciado. A mesma regra valerá para os 188 países-membros.

O Fundo poderá incluir em documentos oficiais os valores estimados segundo o método de cada país, mas continuará divulgando as cifras obtidas de acordo com o padrão internacional. Ao insistir nessa mudança, as autoridades brasileiras mais uma vez se distinguiram de forma negativa.

A dívida pública brasileira - títulos emitidos pelos governos de todos os níveis nos mercados interno e externo - correspondia a 66,3% do PIB no fim do ano passado, segundo o FMI. De acordo com Brasília, o número correto era 56,8%. O cálculo oficial brasileiro exclui os papéis em poder do Banco Central (BC), como se fossem irrelevantes e nada acrescentassem ao risco soberano.

Mas esses papéis são reais, têm alguma função e integram os compromissos do setor público, argumentam os críticos da posição defendida pelo ministro da Fazenda. De toda forma, o critério seguido pelos técnicos do FMI é geralmente aceito na comunidade global e, por ser uniforme, permite a comparação entre os vários países.

A publicação dos dados produzidos por Brasília fará pouca ou nenhuma diferença para essa comparação. A dívida bruta de 56,8% do PIB, reconhecida pelo governo como o número relevante, ainda será maior, proporcionalmente, que os débitos de 20 dos 29 emergentes incluídos em tabela divulgada em abril pelo FMI. Quando se usa o número do Fundo (66,3%), a posição brasileira é pior que a de 24 dos 29 países. Pelos dois padrões a situação brasileira no fim de 2013 era menos favorável que a da média dos emergentes (34,9%) e também menos confortável que a dos latino-americanos (51,4%).

A dívida bruta brasileira, em termos brutos, supera também, como porcentagem do PIB, os compromissos de vários governos de países desenvolvidos. No fim do ano passado, 13 economias avançadas de uma lista de 32 tinham dívidas públicas inferiores à do Brasil por qualquer dos dois critérios - 56,8% ou 66,3%. Governos de economias sólidas, mais modernas e com histórico muito melhor que a do Brasil, exibiam no fim do ano graus de endividamento muito mais sustentáveis. Alguns exemplos: Suécia (41,4%), Noruega (29,5%), Nova Zelândia (35,9%), Coreia (36,7%), Dinamarca (45,2%), Austrália (28,8%) e Suíça (49,4%).

A presidente Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda têm o costume pitoresco, e um tanto impróprio, de confrontar a situação fiscal brasileira com a dos países mais desenvolvidos, como se as contas públicas e o endividamento do País fossem muito melhores.

Em primeiro lugar, a comparação é inadequada porque se trata de países de categorias diferentes. Algumas das maiores economias, como a americana, a francesa, a italiana e até a alemã, têm de fato dívidas públicas bem maiores que a brasileira. Mas seus governos pagam juros muito menores quando têm de vender seus títulos e, além disso, conservam posições muito melhores que a do Brasil nas classificações de risco. A comparação é imprópria, em segundo lugar, porque em várias economias desenvolvidas o endividamento público é menor que no Brasil. Muito mais aceitável seria o confronto com outros emergentes. Nesse caso, a desvantagem brasileira é indiscutível por qualquer contabilidade.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 19 / 06 / 2014

Correio Braziliense
""Não tinha só elite branca no Itaquerão", diz Gilberto Carvalho"

Contrariando discurso do governo, ministro da Secretaria-Geral da Presidência admite que havia pessoas de outras classes sociais no Itaquerão durante a abertura da Copa. Para ele, a eleição deste ano será a mais difícil para o PT


Destoando da linha adotada pelo governo federal após os xingamentos recebidos pela presidente Dilma Rousseff na abertura da Copa do Mundo, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse nesta quarta-feira (18/6) que as ofensas não partiram somente da “elite branca”. A declaração foi feita durante encontro com blogueiros e ativistas pró-governo, no Palácio do Planalto. Carvalho disse ainda que as eleições de 2014 serão as mais difíceis para o PT e se queixou do que classificou de “pancadaria diária” que o governo receberia da mídia.

Folha de S. Paulo
"Reunião de Lula com petistas cria mal-estar"

A ausência do assessor mais próximo da presidente Dilma Rousseff numa reunião dos coordenadores da sua campanha à reeleição, em São Paulo, gerou mal-estar no Palácio do Planalto, criando ruído entre aliados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de sua sucessora. Ex-chefe de gabinete de Dilma, Giles Azevedo não participou de um encontro de Lula com coordenadores da campanha petista há cerca de dez dias, realizado logo após reunião do Instituto Lula em cerca de 30 pessoas discutiram a conjuntura econômica. Lula aproveitou a presença dos coordenadores da campanha de Dilma para tratar de assuntos da eleição presidencial em seguida. A ausência de Giles Azevedo, fiel escudeiro da presidente que deixou o governo em abril para participar do comando da campanha, não agradou à presidente Dilma, informada do encontro depois que ele foi realizado.


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quarta-feira, junho 18, 2014

Pitacos do Zé

Era assim...

Ficou assim...

Um pé

José Ronaldo dos Santos
Foi nossa a iniciativa de plantar algumas árvores no terreno da escola (EE Idalina, no bairro do Ipiranguinha- Ubatuba) para abrandar o calor em épocas quentes, oferecer sombras e frutos, dar mais equilíbrio no ambiente etc. Afinal, quem não prefere um espaço arborizado para quebrar a frieza ou feiura das nossas construções? As mudas foram buscadas no Monte Valério.

Um pé de jambo ficou perto do portão, em seguida vieram as amendoeiras perto de um pé de uva japonesa que já estava bem crescido. Decidi, juntamente com a finada Cleuza e o José Aparecido,  que o nosso cajá-manga ficaria o mais protegido possível, perto da secretaria da escola. E ali foi plantado o ser que media 30 ou 40 centímetros. Era o dia 21 de setembro de 1999.

Neste dia – 16 de junho de 2014 – ele e o velho tarumã que encostava no muro foram cortados. A alegação era que estavam afetando a estrutura do prédio escolar. Só sei dizer que vai fazer falta.

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Dominique


Opinião

Argentina em xeque

O ESTADO DE S.PAULO
Treze anos depois de quebrar e de entrar em calote, a Argentina continua encrencada com a dívida externa e sua economia afunda em crise, com inflação elevada, produção estagnada, baixo poder de competição e escassez de moeda estrangeira. A situação se agravou na segunda-feira com mais uma derrota judicial nos Estados Unidos. Nesse dia, a Corte Suprema rejeitou a apelação contra uma sentença favorável a um grupo de credores de US$ 1,3 bilhão - uma pequena parte do calote anunciado no fim de 2001. A maior parte dessa dívida foi reestruturada em 2005 e 2010, mas alguns detentores de títulos públicos argentinos preferiram ficar fora da negociação e continuar pressionando o governo pelo pagamento. São os "holdouts".

Em pronunciamento pela TV, a presidente Cristina Kirchner chamou de extorsão a cobrança apoiada pelo Judiciário americano e apontou um possível desdobramento da decisão: se pagar a alguns daqueles credores, outros em situação semelhante poderão exigir o mesmo tratamento. Nesse caso, o desembolso total poderia chegar a cerca de US$ 15 bilhões. Além de impossível, seria um absurdo, segundo a presidente, um país destinar mais de metade de suas reservas ao pagamento de dívidas.

Em 6 de junho o Banco Central da Argentina dispunha de US$ 28,62 bilhões de reservas, segundo informação exibida em seu site nessa terça-feira. No começo do ano o país dispunha de cerca de US$ 30 bilhões em moeda estrangeira. No ano anterior, a Argentina havia perdido cerca de US$ 10 bilhões.

A escassez de reservas tem assombrado o governo argentino desde antes da crise iniciada em 2008, mas o problema agravou-se a partir daí. Como resposta, as autoridades ampliaram o protecionismo e multiplicaram as medidas burocráticas de controle de importações. O país mais prejudicado foi o Brasil. O ingresso de produtos brasileiros no mercado argentino foi muito dificultado. Em alguns períodos chegaram a formar-se enormes filas de caminhões na fronteira.

Esse protecionismo foi sempre aceito sem muita resistência em Brasília, embora representantes do governo brasileiro tenham encenado, em raros momentos, alguns protestos e pressões. Mas a política da Casa Rosada prevaleceu sempre, com mudanças pouco relevantes, e continua prevalecendo.

Na recente renovação do acordo automotivo, velha aberração do comércio bilateral, os negociadores brasileiros aceitaram basicamente as condições ditadas pelo outro lado. Conseguiram como contrapartida a promessa de menores entraves nos demais fluxos comerciais. A exigência, tudo indica, foi mais para constar. Nada, por enquanto, indica uma redução significativa dos obstáculos.

A boa disposição do Brasil como importador e as barreiras protecionistas impediram nos últimos anos um desastre maior nas contas externas do vizinho. A receita comercial é especialmente importante para a Argentina, por causa do limitado acesso ao mercado financeiro internacional, mas, ainda assim, o governo em mais de uma ocasião limitou as exportações de alimentos.

Essas tentativas de conter a alta de preços no mercado interno foram sempre frustradas. A saída encontrada pelas autoridades foi falsificar os índices de inflação. Em pouco tempo todas as contas oficiais produzidas em Buenos Aires ficaram sob suspeita. Depois de muita pressão, o governo começou, neste ano, a produzir indicadores de preços mais compatíveis com os padrões internacionais mais confiáveis.

Durante anos, alguns economistas brasileiros apontaram o calote argentino como ato corajoso e sábio e chegaram a recomendá-lo como exemplo para o Brasil. Jamais argumentaram seriamente a favor dessa ideia. Parecem nunca ter notado as trapalhadas cometidas na Casa Rosada, nos últimos 13 anos, nem a inflação desatada, a falsificação dos dados e a perda progressiva, mas indisfarçável, da eficiência econômica e do poder de competição. Na melhor hipótese, o calote poderia ter criado uma folga para a Argentina investir e ganhar produtividade. Nem para isso serviu. Só resultou em enorme perda de tempo e de oportunidades.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 17 / 06 / 2014

Correio Braziliense
"Agora é torcer, jogar e ganhar em Brasília"

México, capital Fortaleza. Apesar de ocupar apenas um quarto do estádio, a torcida do adversário ganhou em animação da brasileira. Em campo, a Seleção comandada por Felipão também não fez bonito diante da mexicana. Mas teve pelo menos quatro oportunidades claras de gol. Só não abriu o placar porque esbarrou num paredão: Ochoa, eleito o craque do jogo pela Fifa. Com defesas arrojadas, o goleiro garantiu o empate em 0 x 0. Hoje, caso Camarões vença a Croácia, o Brasil terá uma pedreira pela frente na próxima segunda-feira no Mané Garrincha. Isso porque, além do México, o time africano chegará à última partida da primeira fase com chance de classificação para as oitavas de final da Copa. Haja emoção.


Folha de S. Paulo
"Barbosa critica advogados e deixa caso do mensalão"

Presidente do STF acusa defensores de condenados de agirem para pressioná-lo

Com a aposentadoria marcada para o fim do mês, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, deixou a relatoria do processo do mensalão, abrindo mão do controle do caso que o tornou célebre. Barbosa atribuiu a sua decisão à ação de advogados de condenados que, segundo ele, passaram a atuar “politicamente” para pressioná-lo, por meio de “manifestos e até mesmo partindo para insultos pessoais”. O advogado de José Genoino acusou o ministro de “perseguição”. “O melhor é que ele saia”, disse a defesa de Delúbio Soares. Para membros do STF, Barbosa visa evitar o constrangimento de mais derrotas na corte. Definido por sorteio, o novo relator do mensalão será Luis Roberto Barroso, que considerou rigorosas as penas aplicadas pelo STF. O ministro encaminhará pedidos dos condenados rejeitados por Barbosa.

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terça-feira, junho 17, 2014

Dominique


Opinião

Desespero, ódio e baixaria

O ESTADO DE S.PAULO
No desespero diante da sólida evidência de que a incompetência de Dilma Rousseff está colocando seriamente em risco o projeto de poder do PT, Luiz Inácio Lula da Silva apela para seu recurso retórico predileto: fazer-se de vítima, acusar "eles" - seus adversários políticos - daquilo que o PT pratica, transformando-os em inimigos do povo e sobre eles jogando a responsabilidade por tudo de ruim e de errado que acontece no País. Lula decidiu de vez "partir para cima" e deixou claro que até outubro estará se atolando no ambiente em que se sente mais confortável: a baixaria.

Uma das mais admiráveis figuras do século 20, Nelson Mandela, reconciliou a África do Sul - que saía do abominável regime do apartheid - consigo mesma promovendo pacificamente o entendimento entre a minoria branca opressora e a ampla maioria negra oprimida. Lula continua fazendo exatamente o contrário: dividiu os brasileiros entre "nós" e "eles", arrogando-se a tutela sobre os desvalidos, que tem procurado seduzir, transformando-os não em cidadãos, mas em consumidores. Um truque que, como se vê hoje nas ruas, está saindo pela culatra.

Pois é exatamente o homem que subiu na vida com um punhal entre os dentes, disseminando a divisão em vez da consciência da cidadania como arma de luta contra as injustiças sociais, que agora, acuado pelo desmascaramento da enorme farsa que tem protagonizado, tem a desfaçatez de prognosticar que "a esperança vai vencer o ódio".

Apesar de alegadamente motivada pela declaração de Aécio Neves, na convenção do PSDB que lançou oficialmente sua candidatura à Presidência da República, de que "um tsunami" vai varrer o PT do poder, foram dois os sinais de alerta que levaram Lula a abrir a caixa de ferramentas: nova queda de sua pupila Dilma nas pesquisas e as vaias e agressões verbais em coro de que ela foi vítima na quinta-feira durante o jogo de estreia do Brasil na Copa do Mundo.

Quanto às pesquisas, não há muito mais a dizer do que aquilo que elas revelam: uma tendência constante de queda do prestígio e das intenções de voto na candidata do lulopetismo à reeleição. A debandada dos membros mais "pragmáticos" da "base aliada" reforça essa evidência.

As vaias e xingamentos no Itaquerão, por sua vez, refletem o que têm afirmado, abertamente, muitos líderes oposicionistas e, intramuros, lideranças do próprio PT: Dilma e, mais do que ela, o lulopetismo estão colhendo o que semearam. Nem por isso manifestações como aquelas podem ser endossadas. A grosseria não é coisa de gente civilizada. Um chefe de Estado merece respeito, no mínimo, pelo que representa.

Mas não há de ser quem sempre, deliberada e calculadamente, se esmerou em atacar e ofender adversários que agora vai assumir posição de superioridade moral para condenar quem manifesta, no calor da multidão, um sentimento espontaneamente compartilhado.

E também não vale o argumento com que Lula procurou desqualificar os manifestantes do Itaquerão, a eles se referindo como "gente bonita", ou seja, a famigerada elite. Afinal, a Copa do Mundo no Brasil, essa vitrine que está expondo o País aos olhos do mundo com efeitos duvidosos, foi apresentada à Nação sete anos atrás como uma fantástica conquista pessoal de Lula, uma dádiva generosa ao povo brasileiro. Foi para a "gente bonita" que Lula trouxe esse espetáculo - do qual agora mantém a boa distância e não porque não possa pagar os caríssimos ingressos que, como ele sempre soube, são cobrados pela Fifa.

A candidata Dilma, por sua vez, recolheu-se. Alegou uma gripe para não comparecer, ao lado do chefe, à convenção do PT que lançou, no domingo, a candidatura petista ao governo de São Paulo. Mas o recato acabou aí. Gravou um vídeo em que se refere indiretamente ao episódio do Itaquerão e dá uma magnífico exemplo do tom mistificador que passará a imprimir à campanha eleitoral: "(O Brasil) é um país em que mulheres, negros, jovens e crianças, a maioria mais pobre, passaram a ter direitos que sempre foram negados. É isso que vaiam e xingam. É isso que não suportam".

Os líderes do lulopetismo só estarão a salvo de vaias e constrangimentos se escolherem as multidões que estão sob seu próprio controle.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 17 / 06 / 2014

Correio Braziliense
"Pimenta neles, Brasil!"

Partida contra o México, às 16h, será decisiva para a Seleção garantir vaga nas oitavas de final da Copa

Quente como o chili que apimenta os tradicionais pratos mexicanos. Assim promete ser o segundo jogo da Seleção nesta Copa. Pelo menos nos últimos anos, o time do atacante Oribe Peralta tem sido um adversário difícil. Foram dele, aliás, os dois gols da vitória do México sobre os brasileiros na final dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. Mas, nesta terça-feira, em Fortaleza, os comandados de Felipão, à frente Neymar, estão confiantes de que se repetirá o resultado positivo da Copa das Confederações, quando venceram o rival por 2 x 0, no mesmo Castelão onde duelam logo mais. Um placar positivo hoje pode até garantir ao Brasil a vaga antecipada nas oitavas de final, desde que Camarões e Croácia não passem de um empate amanhã à noite. 

Folha de S. Paulo
"Dilma prepara medidas para tentar agradar a empresários"

Com ações tributárias e de crédito, governo busca o apoio da indústria

Em período pré-eleitoral, a presidente Dilma Rousseff decidiu fazer um “afago” aos empresários e deve anunciar nesta quarta-feira (18) um “pacote de bondades”, informa Raquel Landim. Ela receberá representantes da indústria para uma reunião à tarde no Planalto. As medidas ainda estão em discussão e têm o objetivo de atrair os empresários que estão mais próximos dos candidatos da oposição. Entre as ações, deve estar a renovação do PSI (Programa de Sustentação do Investimento), do BNDES, que financia máquinas e equipamentos com juro subsidiado. O governo também deve aprovar a volta do Reintegra, programa que devolve tributos aos exportadores. Empresários que participarão do encontro veem a medida com “bons olhos”, mas temem que fique apenas na promessa.

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segunda-feira, junho 16, 2014

Dominique


Opinião

O problema da 'fúria aérea'

O ESTADO DE S.PAULO
Voar tem sido um teste de paciência e equilíbrio mental, tanto para passageiros quanto para tripulantes. Aeroportos cada vez mais cheios, aviões cada vez mais desconfortáveis, passageiros que bebem além da conta e tripulantes sem tato para lidar com o público, entre outros fatores, acabam por ampliar a possibilidade de conflito durante as viagens - acarretando riscos graves à própria segurança do voo. Por essa razão, a Assembleia-Geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês) tomou a correta decisão de elaborar medidas para enfrentar o problema.

De acordo com a entidade, que representa 240 companhias aéreas, num total de 84% do tráfego mundial, as novas determinações serão definidas em comum acordo com governos e indústria. A Iata informou que o interesse dos governos foi manifestado em uma conferência da Organização da Aviação Civil Internacional, em abril, na qual se concluiu que há necessidade de aperfeiçoar a aplicação da Convenção de Tóquio (1963), que estabelece o que fazer com pessoas que, com seus atos, põem em risco a segurança dos voos.

Da conferência resultou a nova versão do Protocolo de Montreal, cuja primeira edição é de 1973 e que, agora, na opinião da Iata, "providencia uma efetiva dissuasão para o comportamento inaceitável a bordo de um avião". Uma das mudanças importantes estende ao país de destino do voo a jurisdição a respeito da infração cometida a bordo, antes restrita ao país onde o avião está registrado. Essa medida elimina brechas legais que ajudavam a livrar de sanções os passageiros malcomportados. Além disso, diz a Iata, o Protocolo deixa mais clara a definição de comportamento inadequado, ao incluir ameaça de agressão física e a recusa a seguir instruções da tripulação quando se trata de segurança. Por fim, o texto estabelece mecanismos de indenização para as companhias aéreas prejudicadas.

Entre 2007 e 2013, foram registrados 28 mil casos de incidentes envolvendo o que se costuma chamar de "fúria aérea". No Brasil, há diversos episódios. Um dos mais recentes, em 2012, envolveu um rapaz de 28 anos que provocou um tal tumulto durante um voo entre Montevidéu e São Paulo que o avião teve de pousar em Porto Alegre, onde o passageiro foi entregue à polícia.

Mas há também episódios em que os passageiros reagem porque estão cansados de serem maltratados pelas companhias aéreas e pela precariedade da infraestrutura aeroportuária. Foi o caso, em janeiro passado, de um voo de Cuiabá que deveria ter ido para São Paulo, mas, em razão do mau tempo, teve de pousar no Rio. Depois de mais de duas horas dentro da aeronave, sem ar condicionado, esperando que as portas abrissem - não havia escadas disponíveis no aeroporto -, alguns passageiros, revoltados, forçaram as portas de emergência e saíram. A companhia aérea disse, em nota, que a atitude dos passageiros "infringe as normas de segurança e é um ilícito passível de punição". De fato, os passageiros correram sérios riscos ao tomar para si a tarefa que cabia aos tripulantes. Mas, com passageiros (inclusive crianças) confinados durante horas e o desdém demonstrado pela companhia aérea e pelo aeroporto, a reação era previsível.

Esse, porém, é um exemplo extremo do sofrimento a que são submetidos os passageiros em aviões e aeroportos, sem que as companhias aéreas e os administradores aeroportuários sejam punidos com o rigor necessário. Alguns passageiros - nem todos sob o efeito de álcool ou drogas - decidem fazer justiça com as próprias mãos, o que é reprovável e, ademais, coloca em risco a vida dos demais passageiros, razão pela qual o endurecimento das normas é uma medida necessária. Mas é preciso deixar claro que muitas vezes a reação dos passageiros é derivada do despreparo da tripulação para lidar com pessoas que estão sob alto nível de estresse. Por isso, é louvável que a Iata tenha manifestado a consciência de que é preciso treinar a tripulação em procedimentos para enfrentar situações de conflito e, principalmente, para evitá-las.

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 16 / 06 / 2014

Correio Braziliense
"Futebol, fondue e festa no cerrado"

Foi um recorde de público em Brasília, mas também de cores, fantasias e sotaques. O jogo de estreia na capital, entre Suíça e Equador, acabou em 2x1, placar definido nos acréscimos, em favor do time europeu. Mais do que um show em campo, suíços e equatorianos protagonizaram um espetáculo nas ruas. Eles ocuparam, com torcedores de todas as nacionalidades, a área central da capital, transformando os monumentos num cenário cosmopolita antes e depois da partida. O clima de confraternização prevaleceu até diante da impaciência de quem teve de esperar em longas filas, a ponto de perder o apito inicial. O bom humor do brasiliense transpareceu nas selfies enviadas por leitores ao Correio. 

Folha de S. Paulo
"Lula diz que oposição e elite pregam ódio ao PT"

Evento que lançou Padilha ao governo de SP vira palco de disputa nacional

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (15) que oposição, “elite conservadora” e imprensa promovem uma campanha de “perseguição” e ódio contra o PT. Lula usou a convenção estadual do partido, que lançou a candidatura do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha ao governo de SP, para criticar o presidenciável Aécio Neves e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ambos do PSDB. No dia anterior, Aécio havia dito que um “tsunami” irá varrer o PT do poder. O petista ironizou o ataque, dizendo que o tucano deveria ter “colocado o tsunami dele para abastecer o Cantareira”, reservatório de água de São Paulo que está operando em níveis críticos. A troca de acusações reedita polarização nacional de disputas anteriores.

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domingo, junho 15, 2014

Dominique


Opinião

A política (do PT) em xeque

O ESTADO DE S.PAULO
É fato conhecido que ano de eleição tem regras próprias: mais greves, mais reivindicações, maiores movimentações sociais. Mas 2014 está sendo diferente de todos os outros anos eleitorais.

A Copa do Mundo maximizou essas estridências eleitorais e escancarou a distância entre a sociedade e a política, entre a expectativa e a realidade. A última confirmação veio pelo Pew Research Center, renomado instituto de pesquisa norte-americano, que, em recente relatório, deu nome aos bois nessa generalizada sensação de crise.

O atual quadro de insatisfação apresenta um desafio para o Estado brasileiro nas suas três esferas. Não se trata apenas de um problema criado pelo sentimento popular. Existem inúmeras questões que o poder público precisa enfrentar responsavelmente: a (i)mobilidade urbana, o combate às drogas, a educação, a segurança pública, etc. E, numa democracia, a solução de qualquer um desses problemas nunca é algo meramente técnico, operacional. Requer sempre, como condição necessária, a sua viabilização política.

Neste sentido, o legado mais prejudicial que o PT deixa ao País, nestes 12 anos de poder federal, não é na economia, cujo cenário é grave, para não dizer gravíssimo. A sua herança realmente maldita é na política, ao perpetuar e intensificar a lógica do populismo.

Na voracidade por se instalar no poder, utilizou o seu capital político - em essência, o carisma de um homem - para excluir qualquer racionalidade do debate público, vendendo e prometendo o impossível. Impregnou de tal forma o sistema de populismo que, por exemplo, todos os partidos não tiveram outro jeito senão apoiar uma lei que se sabe impossível de ser cumprida: o Plano Nacional da Educação, com a vinculação de 10% do PIB para a educação. Era evidente que quem ousasse se posicionar de forma contrária à lei estaria morto nas próximas eleições.

O papel aceita tudo, e vai-se deformando a percepção popular, como se o problema brasileiro fosse uma questão de voluntarismo político. O resultado é evidente: não temos um país que aprendeu a andar com as próprias pernas, que sabe sonhar, que olha o presente nos olhos, sem medo do futuro.

Assemelha-se mais a uma casa onde o pai e a mãe endoideceram, tiveram-se por ricos e gastaram o que tinham e o que não tinham, contando bonitas e ilusórias histórias aos filhos, que vão descobrindo aos poucos que a festa acaba, que não há mais dinheiro para o almoço e que o mundo é mais complexo do que aquilo que estavam habituados a ouvir em casa.

Por fim, tem-se um país desiludido, conforme semanalmente vão mostrando as pesquisas nacionais e internacionais. O populismo gera volatilidade, altos e baixos "aparentemente" inexplicáveis.

Há quatro anos podíamos tudo, com a abundância do petróleo do pré-sal como cartão de embarque para o mundo desenvolvido e a felicidade perpétua. Não é de estranhar, já que as ideologias têm no seu âmago a ideia do progresso inexorável. Bastaria cumprir a cartilha e tudo seria perfeito.

A sociedade brasileira anseia por uma melhor educação? Sim, mas o primeiro passo educativo é a responsabilidade. Para gastar mais em educação - que é necessário, mas não é o único nem o principal problema - é preciso cortar gastos em outras áreas. Isso não é neoliberalismo. É simplesmente não enfiar a cara no buraco, como uma avestruz diante do perigo.

Como disse Fernando Gabeira, em artigo publicado no Estado (Dilma e as uvas, 6/6), "até que ponto o cinismo triunfará amplamente numa sociedade democrática é o enigma que envolve o futuro próximo do Brasil". É possível uma mudança? Como em política não há determinismos, a resposta é sim, e dentro do mais delicado respeito à democracia.

As crises são sempre oportunidades de renovação, já que fazem ver além do discurso oficial. O pessimismo não é a única carta disponível diante das tristes notícias que chegam aos brasileiros todos os dias. Com o voto, é possível do limão fazer limonada.

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 15 / 06 / 2014

Correio Braziliense
"A capital da Copa"

Brasília vive um dia histórico: a estreia em um Mundial de futebol

São 183 representações diplomáticas e mais de 8 mil estrangeiros residentes aqui. Mas nunca a cidade foi tão colorida e cheia de sotaques. Suíços e equatorianos, que se enfrentam hoje, às 13h, no Estádio Nacional Mané Garrincha, tomaram as ruas e se somaram a turistas de várias nacionalidades. Encantaram-se com a beleza da arquitetura e acabaram por devolver a Brasília a sua vocação primária: a de capital — do Brasil, todos os dias; hoje, do mundo. 

Folha de S. Paulo
"Aécio diz que "tsunami vai varrer" PT do poder"

PSDB formaliza candidatura do mineiro, que exalta ações do governo FHC

O PSDB formalizou neste sábado (14) a candidatura do senador mineiro Aécio Neves à Presidência da República, em convenção nacional do partido. Ao lado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do ex-governador paulista José Serra, Aécio disse que existe uma “ventania” por mudanças e afirmou que "um tsunami vai varrer" o PT do governo federal. Para o candidato tucano, a administração petista protagonizou “um dos mais vergonhosos casos de corrupção da nossa história”, numa referência ao mensalão. Aécio ainda fez questão de lembrar ações do governo FHC. Disse que o ex-presidente lançou as bases para a criação de programas como o Bolsa Família. Também no sábado, o PSC oficializou o pastor Everaldo Pereira para disputar o Planalto pela sigla. Em São Paulo, o PMDB formalizou a candidatura de Paulo Skaf, presidente licenciado da Fiesp, ao governo do Estado.

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