sábado, junho 14, 2014

Dominique


Opinião

Advertência oportuna

O ESTADO DE S.PAULO
A greve é um direito garantido pela Constituição aos trabalhadores para que possam defender seus interesses em convenções, acordos coletivos, laudos arbitrais ou sentenças normativas da Justiça do Trabalho. Utilizá-la com objetivos ideológicos, políticos ou partidários é desfigurar esse direito.

Esse foi o argumento invocado pela Seção Especializada em Dissídios Coletivos do Tribunal Superior do Trabalho (TST) para declarar abusiva a greve deflagrada por professores e servidores administrativos da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) em novembro de 2012, para tentar impedir a posse da reitora Anna Maria Marques Cintra. Colocada em terceiro lugar na eleição feita pela comunidade, ela foi escolhida para ocupar a Reitoria pelo cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, presidente da Fundação São Paulo, entidade mantenedora da PUC-SP. Pelas regras da instituição, o cardeal tem a prerrogativa de escolher um dos integrantes da lista tríplice indicada por docentes, estudantes e funcionários.

Estimuladas por micropartidos radicais, as três corporações se opuseram à decisão do arcebispo de São Paulo. Invocaram a "democracia acadêmica", pretendiam que fosse nomeado reitor o candidato mais votado. Cedendo às pressões, o Conselho Universitário - integrado por 47 representantes de professores, alunos e funcionários - revogou a lista tríplice que havia homologado semanas antes, como forma de inviabilizar a posse da professora Anna Maria Marques Cintra. Dom Odilo impetrou recurso judicial e a 7.ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu a decisão do Conselho, o que permitiu que a reitora finalmente assumisse seu cargo.
Para forçá-la a renunciar, as associações de docentes, estudantes e servidores administrativos deflagraram greve por tempo indeterminado. A entidade mantenedora da PUC-SP reafirmou a legalidade da nomeação da reitora e alegou que, se deixasse o cargo, todas as medidas por ela tomadas depois de sua posse seriam anuladas - inclusive a emissão de diplomas, certificados e bolsas de estudo. Também advertiu que a greve prejudicava financeiramente a instituição, uma vez que a suspensão dos trabalhos administrativos dificultava o pagamento das mensalidades, gerando problemas de caixa. As associações de professores, estudantes e funcionários não só mantiveram a greve, como passaram a impedir a entrada da reitora e dos pró-reitores no câmpus.

Alegando que a paralisação tinha motivação ideológica e que o protesto era político, a Fundação São Paulo entrou com recurso ordinário na Justiça do Trabalho, acusando o Sindicato dos Professores de São Paulo (Simpro) e o Sindicato dos Auxiliares de Administração Escolar de São Paulo de "extrapolar o âmbito trabalhista em suas manifestações de protesto".

Apesar de os advogados desses sindicatos terem alegado que não poderia recair a responsabilidade sobre as corporações, pois o protesto era "do conjunto da comunidade universitária", o recurso foi acolhido pelo TST. A Corte determinou que os professores repusessem as aulas não dadas e que os servidores administrativos compensassem 50% dos dias parados. Mais importante do que as sanções aplicadas, foram os argumentos usados pelos ministros para sustentar sua decisão. O relator do recurso, Walmir Oliveira da Costa, afirmou que os grevistas exorbitaram. "A greve não teve o objetivo de reivindicar condições próprias de trabalho. Foi um movimento claramente político, denotando a abusividade", disse ele. Por maioria de votos, o TST entendeu que, quando "as greves extrapolarem o âmbito laboral", serão classificadas como abusivas - o que permite demissões por justa causa, entre outras sanções.

A decisão não poderia ter vindo em melhor hora. É uma advertência aos líderes sindicais que, confiantes na impunidade, invocam os pretextos mais absurdos para suspender atividades essenciais, recorrer à violência nos piquetes, promover badernas e deixar a população refém de interesses ideológicos e corporativos.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 14 / 06 / 2014

Correio Braziliense
"Bem-vindo willkommen bienvenido bienvenue"

Terceira cidade sede da Copa que mais receberá estrangeiros durante o torneio — e a número um quando se trata de turistas brasileiros —, Brasília está pronta para estrear no Mundial. Serão disputadas sete partidas no Mané Garrincha. A primeira delas, amanhã, às 13h, entre Suíça e Equador. Torcedores das duas seleções já invadiram a capital. Na edição de hoje, o Correio mostra o que mudará no trânsito neste domingo. E ainda traz um roteiro de bares onde assistir aos jogos, dicas de restaurantes com o melhor da culinária brasileira, exposições em que a bola é a estrela da vez e os horários de visitação aos mais belos monumentos da capital da República. 


Folha de S. Paulo
"Belo Monte deve atrasar geração de energia em um ano"

Concessionária prevê adiamento de 2015 para 2016 e culpa atrasos no licenciamento ambiental do governo

Terceira maior hidrelétrica do mundo e principal obra de infraestrutura do país, a usina de Belo Monte deve ter a geração de energia atrasada em ao menos um ano. A Norte Energia, que ganhou o leilão e é controlada por estatais e fundos de pensão, enviou à Aneel um pedido de adiamento de fevereiro de 2015 para abril de 2016. Segundo a solicitação, que está ainda em análise pela Aneel, o atraso ocorreu devido a “fatos resultantes de atos do poder público”. Esses atos se referem à postergação do processo de licenciamento ambiental. Segundo a Norte Energia, a “janela hidrológica” da obra foi perdida devido à demora no licenciamento. Greves de operários e bloqueios de grupos indígenas também são apontados como motivos pelo atraso. Para a empresa, a decisão final sobre o novo prazo para geração cabe agora à Aneel. A previsão é que Belo Monte deva consumir investimentos de R$ 29 bilhões e, quando pronta, levar energia a 17 Estados.

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sexta-feira, junho 13, 2014

Voar é com os voadores...


Coluna do Celsinho

Piloto

Celso de Almeida Jr.

Para o bem da humanidade não me formei psicólogo.

Em verdade, vibro mais com as exatas.

O problema, penso, está no exagerado senso de humor que carrego.

Não resisto a uma abordagem que torne mais suave as situações do cotidiano.

O perigo é a inconveniência da atitude

Aquela manifestação inadequada na hora errada.

Nestes assuntos, só a sensibilidade conta.

Mas, como num vício, arriscar numa brincadeira excita, dá prazer.

Nesta semana, num voo de Brasília a Guarulhos, uma estudante de medicina sofria com medo de avião.

Já voara muitas vezes, mas a decolagem, as turbulências e o pouso provocavam os maiores desconfortos naquela jovem passageira.

Em cruzeiro, um comissário de voo procurava tranquilizá-la, explicando o nível de segurança que a aviação atingiu.

Nesta hora, olhei no crachá do outro comissário, notando algo inusitado.

Seu sobrenome era Piloto.

Pois é...

Não resisti.

Entrei na conversa e disse:

_ Admiro o seu esforço em procurar confortá-la, mas imagine quando ela souber que o Piloto é este aí!!! - apontando para o colega.

A moça arregalou os olhos e o comissário Piloto emendou:

_ Não se preocupe. Deixei na cabine de comando o meu Pastor Alemão.

Gargalhada geral.

Passageira aliviada.

Piloto excelente.

Confirmou, confortando-me, que o bom humor está no ar...

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique


Opinião

O problema da 'fúria aérea'

O ESTADO DE S.PAULO
Voar tem sido um teste de paciência e equilíbrio mental, tanto para passageiros quanto para tripulantes. Aeroportos cada vez mais cheios, aviões cada vez mais desconfortáveis, passageiros que bebem além da conta e tripulantes sem tato para lidar com o público, entre outros fatores, acabam por ampliar a possibilidade de conflito durante as viagens - acarretando riscos graves à própria segurança do voo. Por essa razão, a Assembleia-Geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês) tomou a correta decisão de elaborar medidas para enfrentar o problema.

De acordo com a entidade, que representa 240 companhias aéreas, num total de 84% do tráfego mundial, as novas determinações serão definidas em comum acordo com governos e indústria. A Iata informou que o interesse dos governos foi manifestado em uma conferência da Organização da Aviação Civil Internacional, em abril, na qual se concluiu que há necessidade de aperfeiçoar a aplicação da Convenção de Tóquio (1963), que estabelece o que fazer com pessoas que, com seus atos, põem em risco a segurança dos voos.

Da conferência resultou a nova versão do Protocolo de Montreal, cuja primeira edição é de 1973 e que, agora, na opinião da Iata, "providencia uma efetiva dissuasão para o comportamento inaceitável a bordo de um avião". Uma das mudanças importantes estende ao país de destino do voo a jurisdição a respeito da infração cometida a bordo, antes restrita ao país onde o avião está registrado. Essa medida elimina brechas legais que ajudavam a livrar de sanções os passageiros malcomportados. Além disso, diz a Iata, o Protocolo deixa mais clara a definição de comportamento inadequado, ao incluir ameaça de agressão física e a recusa a seguir instruções da tripulação quando se trata de segurança. Por fim, o texto estabelece mecanismos de indenização para as companhias aéreas prejudicadas.

Entre 2007 e 2013, foram registrados 28 mil casos de incidentes envolvendo o que se costuma chamar de "fúria aérea". No Brasil, há diversos episódios. Um dos mais recentes, em 2012, envolveu um rapaz de 28 anos que provocou um tal tumulto durante um voo entre Montevidéu e São Paulo que o avião teve de pousar em Porto Alegre, onde o passageiro foi entregue à polícia.

Mas há também episódios em que os passageiros reagem porque estão cansados de serem maltratados pelas companhias aéreas e pela precariedade da infraestrutura aeroportuária. Foi o caso, em janeiro passado, de um voo de Cuiabá que deveria ter ido para São Paulo, mas, em razão do mau tempo, teve de pousar no Rio. Depois de mais de duas horas dentro da aeronave, sem ar condicionado, esperando que as portas abrissem - não havia escadas disponíveis no aeroporto -, alguns passageiros, revoltados, forçaram as portas de emergência e saíram. A companhia aérea disse, em nota, que a atitude dos passageiros "infringe as normas de segurança e é um ilícito passível de punição". De fato, os passageiros correram sérios riscos ao tomar para si a tarefa que cabia aos tripulantes. Mas, com passageiros (inclusive crianças) confinados durante horas e o desdém demonstrado pela companhia aérea e pelo aeroporto, a reação era previsível.

Esse, porém, é um exemplo extremo do sofrimento a que são submetidos os passageiros em aviões e aeroportos, sem que as companhias aéreas e os administradores aeroportuários sejam punidos com o rigor necessário. Alguns passageiros - nem todos sob o efeito de álcool ou drogas - decidem fazer justiça com as próprias mãos, o que é reprovável e, ademais, coloca em risco a vida dos demais passageiros, razão pela qual o endurecimento das normas é uma medida necessária. Mas é preciso deixar claro que muitas vezes a reação dos passageiros é derivada do despreparo da tripulação para lidar com pessoas que estão sob alto nível de estresse. Por isso, é louvável que a Iata tenha manifestado a consciência de que é preciso treinar a tripulação em procedimentos para enfrentar situações de conflito e, principalmente, para evitá-las.

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 13 / 06 / 2014

Correio Braziliense
"O anjo japonês (e outras crônicas de uma Copa rodrigueana)"

O Brasil protagonizou ontem uma abertura de Copa do Mundo digna das mais inventivas crônicas de Nelson Rodrigues. Dentro e fora do campo, houve de tudo. Batucada americana ensaiada por uma belga. Vaias e xingamentos da torcida à presidente da República. O primeiro gol contra de um brasileiro num mundial. E até um escandaloso pênalti inexistente - ou seria uma providencial intervenção do Sobrenatural do Almeida? - que só o árbitro, o senhor Yuichi Nisimura, viu e que mudou a história do jogo, abrindo caminho para os 3X1 do escrete Canarinho contra a Croácia. Enquanto isso, país afora, mascarados contrários ao torneio enfrentavam a polícia nas ruas. Que venha o México! Que venha o hexa!


Folha de S. Paulo
"Brasil abre a Copa com gol contra, virada e vaia a Dilma"

Favorecida por erro da arbitragem, seleção faz 3 a 1 na Croácia em São Paulo; país tem protestos isolados

Numa partida difícil, a seleção brasileira venceu a partida de abertura da Copa do Mundo, disputada no Itaquerão, em São Paulo. Bateu a Croácia por 3 a 1. Diante de mais de 60 mil torcedores, o time do técnico Luiz Felipe Scolari saiu perdendo com gol contra de Marcelo, mas virou com dois de Neymar e um de Oscar. O segundo gol, de Neymar, veio de pênalti marcado por erro do árbitro em lance com Fred. Neymar e Oscar foram os principais destaques da estreia. O Itaquerão passou na prova de fogo da abertura, mas teve problemas. Houve filas, o sinal de telefone e internet era ruim e parte da iluminação falhou. A presidente Dilma Rousseff, que não discursou, foi hostilizada por torcedores ao menos quatro vezes — com vaias e xingamentos, também destinados à Fifa. Antes do jogo, um grupo enfrentou a Polícia Militar em São Paulo. Manifestantes mascarados foram hostilizados em ao menos quatro cidades.

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quinta-feira, junho 12, 2014

Dominique


Opinião

Na marca do pênalti

O ESTADO DE S.PAULO
A presidente Dilma Rousseff deve estar se perguntando o que foi que fez de errado ao seguir à risca os conselhos de seu patrono Luiz Inácio Lula da Silva e do seu marqueteiro João Santana para virar o jogo de seu crescente desprestígio. Nos últimos tempos, como a instruíram, ela praticamente só fez expor-se, expor-se e expor-se. Ou abrindo a residência oficial do Alvorada a diferentes grupos de jornalistas, em jantares nos quais não só aceitava responder ao que quisessem, mas ainda - para mostrar ao eleitorado, por meio deles, a sua "face humana" - lhes repassava a sua inigualável receita de bacalhoada.

Ou percorrendo o País inteiro, como a candidata em campanha que é, para ser o centro das atenções em eventos criados só para isso, reproduzindo o que o Lula fazia em 2010 ao carregar o seu "poste" para todo lado. Ou convocando redes nacionais para se vangloriar dos seus feitos, prometer um futuro ainda mais superlativo e ir para cima da oposição. Ou, o que dá no mesmo, sendo a estrela do programa eleitoral e dos spots de propaganda do PT. Nos meses recentes ela há de ter falado urbi et orbi mais vezes do que nos três anos anteriores de mandato. E o que isso lhe rendeu na percepção alheia? Uma torrente de más notícias. As duas de anteontem, então, foram um naufrágio. Uma pesquisa simplesmente deixou a sua reeleição na marca do pênalti. E o PMDB a castigou aprovando o apoio a ela nas urnas de outubro por uma maioria vexatória de tão aquém das expectativas.

Além de trazer mais do mesmo, a pesquisa do Ibope apresentou um resultado inédito e potencialmente letal para a pretensão da presidente. O mais do mesmo é o definhamento do presumível eleitorado da petista, acompanhado da alta das intenções de voto no tucano Aécio Neves e no socialista Eduardo Campos. Variações pequenas, dentro da margem de erro de 2 pontos da sondagem. Mas só Dilma, como se diz, pontuou para baixo, descendo dos 40% de maio para 38%. Aécio foi de 20% para 22% e Campos, de 11% para 13%. Somado-se a isso os 3% do Pastor Everaldo, do PSC, e os 4% dos "outros", desaparece a diferença que levaria Dilma à vitória na primeira rodada. A cada sondagem, o segundo turno se torna mais provável, praticamente uma certeza. E o seu resultado está ficando mais incerto.

Em um tira-teima com qualquer dos rivais, a vantagem de Dilma nunca esteve tão pequena: 11 pontos sobre Campos e 9 sobre Aécio. Esses números não precisam ficar mais apertados para se poder afirmar com segurança que, em tais condições, qualquer desfecho é possível. Dilma continua imbatível no quesito rejeição, com "votos negativos" em alta: agora são 38% os entrevistados que não votariam nela de forma nenhuma. No caso de Aécio são 18% e no de Campos, 13% - em tendência de queda. Pior do que isso para a presidente é a novidade do levantamento: pela primeira vez desde que chegou ao Planalto, o contingente que considera a sua gestão ruim ou péssima superou a parcela que a julga boa ou ótima. A diferença é pequena (35% a 31%), mas, se Dilma não estancar a tendência, não haverá segundo mandato.

Os políticos do PMDB seriam os últimos a não perceber o desgaste aparentemente irrefreável da presidente que, de mais a mais, nunca os tratou bem (como se isso fosse uma exceção) e que não quis ou não conseguiu impedir o PT de lançar candidatos próprios a governador em Estados peemedebistas, a começar do Rio de Janeiro. Deram-lhe um troco ardido na terça-feira ao manter, visivelmente a contragosto, a coligação cujo vice é o presidente efetivo da sigla, Michel Temer. Na véspera da convenção, os seus caciques diziam que, na pior das hipóteses, 66% dos delegados votariam pela aliança - da primeira vez, em 2010, foram 85%. Os 59% afinal apurados deram a Dilma a mais mequetrefe das vitórias.

É fato que ainda assim ela obteve o que queria do PMDB: os seus 2 minutos e 18 segundos em cada bloco de 25 minutos do horário eleitoral. Terá assim quase a metade do tempo das emissões - o que poderá se revelar um bem que vem para o mal. Doze minutos de jactâncias e promessas, duas vezes por dia, poderão indispor com a candidata o mais crédulo dos eleitores - mesmo com Lula dominando a cena.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 12 / 06 / 2014

Correio Braziliense
"Somos todos Brasil"

Vai ter Copa? Sim. Ela começa hoje. Como será é que são elas

Nunca antes, nem mesmo na ditadura, a disputa de um Mundial dividiu tanto o país. Desta vez, porém, não se ouvem críticas à Seleção Brasileira. Quando a bola rolar, às 17h, contra a Croácia, o time escalado por Felipão será aplaudido ou não pelo que jogar dentro de campo. As divergências sobre a Copa são de outra natureza. Descontentes com a competição acreditam que o governo teria feito melhor se tivesse investido em escolas, hospitais e transporte público no mesmo padrão dos estádios construídos por exigência da Fifa. Na abertura do torneio, no Itaquerão, o Planalto teme que vaias aumentem o desgaste político da presidente Dilma. Futebol à parte, também existe preocupação com protestos de sindicalistas e blackblocs.

Folha de S. Paulo
"Copa começa hoje com seleção em alta e organização em xeque"

País dá início em São Paulo à 20ª edição do torneio, um dos maiores eventos de sua história; Brasil é favorito ao título; Gastos bilionários e obras inacabadas geram desconfiança

O Brasil volta a sediar a Copa do Mundo de futebol nesta quinta-feira (12), após quase sete anos de preparativos e 64 anos depois de abrigar o evento pela primeira vez, em 1950. Brasil e Croácia se enfrentam às 17h, no Itaquerão, em São Paulo, na abertura da 20ª edição do torneio. A seleção nacional, que busca o hexacampeonato, entra em campo como favorita, invicta nos 13 jogos oficiais com Luiz Felipe Scolari, mesmo técnico do penta em 2002. “Chegou a hora! E vamos todos juntos, é o nosso Mundial”, disse Felipão nesta quarta, em entrevista coletiva. A Copa no Brasil consumiu cerca de R$ 26 bilhões, a maior parte dinheiro público, gastos em estádios novos e obras de infraestrutura, muitas incompletas. Dos 167 compromissos assumidos em 2010, só 53% foram concluídos — do que ficou para trás, importantes projetos de mobilidade urbana, prometidos por governo federal e Estados. O evento acontece sob desconfiança de parte da população, que festeja as seleções, mas contesta as despesas bilionárias. Há protestos previstos para esta manhã na região do Itaquerão, mas devem ser só ecos das grandes manifestações de 2013. Os metroviários de São Paulo, que ameaçavam retomar a greve, desistiram da paralisação. Para tentar minimizar vaias na abertura, a presidente Dilma (PT) não discursará no estádio.

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quarta-feira, junho 11, 2014

Dominique


Opinião

A chantagem funcionou

O ESTADO DE S. PAULO
Estava o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Guilherme Boulos, anunciando em entrevista que a sua organização continuaria promovendo manifestações nas ruas de São Paulo na quinta-feira do jogo de abertura da Copa do Mundo quando foi chamado ao telefone. Sete minutos depois de conversar com um assessor do ministro da Casa Civil, Gilberto Carvalho, como informaria em seguida, um jubiloso Boulos retomou a entrevista – para anunciar que o MTST daria uma trégua aos paulistanos. Não iria marcar novos atos em favor dos metroviários ainda em greve naquela segunda-feira. Afinal, acabara de saber que o governo federal havia acatado as suas exigências. “Encerramos nossa jornada com a vitória da mobilização e com nossa pauta completamente atendida”, exultou o dirigente.

Era a rendição do governo da presidente Dilma Rousseff à ofensiva criminosa desencadeada no dia 3 de maio, quando uma área pertencente a uma construtora, propriedade particular, portanto, tornou-se alvo de uma invasão instigada pelas falanges de Boulos e batizada Copa do Povo. Em menos de 40 horas, 2,5 mil barracos foram erguidos no terreno de 150 mil metros quadrados localizado no Parque do Carmo, na zona leste da cidade – e, significativamente, a menos de 4 quilômetros do Itaquerão, o novo estádio do Corinthians. Quatro dias depois, a pedido da empresa proprietária, a Justiça determinou a reintegração de posse da área. A resposta do MTST foi bloquear, sucessivamente, vias estratégicas da capital, das Marginais à Avenida Paulista e ao centro velho. A tática de derrubar a lei no grito provou pela primeira vez dar resultados quando os governos municipal, estadual e federal, PT e PSDB, formaram uma profana aliança para adiar o cumprimento da ordem judicial.

Neste ano de Copa e de eleições em que o poder público mede os passos para não melindrar organizações, grupos e grupelhos autodenominados “movimentos sociais”, que tratam o espaço urbano como se fosse seu pavilhão privado de caça, não espanta que os fundamentos do Estado de Direito e da democracia sucumbam à chantagem dos sem-lei. Para apaziguar o MTST – e inevitavelmente abrindo caminho para que outras violências sejam também premiadas –, Dilma prometeu subsidiar com R$ 152 milhões a construção de 2 mil moradias na Copa do Povo. Estado e Prefeitura arcarão com o restante da fatura. “Não haverá assim gastos com desapropriação”, garante Boulos, aludindo a um suposto acordo com a construtora. O arranjo depende de a Câmara aprovar em segunda votação o Plano Diretor emendado pelo prefeito Fernando Haddad nos termos ditados pelo MTST – para classificar a área invadida como Zona Especial de Interesse Social (Zeis).

“vitória da mobilização”, como festeja o dirigente, foi além – em escabroso prejuízo da massa de candidatos a uma habitação popular que se inscreveram no Minha Casa, Minha Vida e esperam na fila sem partir para a delinquência. Isso porque o MTST, passando a ser incluído no programa federal, fará a sua própria lista. Na sua próxima fase, os movimentos de moradia que o integram poderão assumir, cada qual, a construção de 4 mil unidades habitacionais em vez das mil atuais. Os empreendimentos geridos por essas entidades poderão se situar em qualquer lugar da cidade. Outra mudança será a elevação do teto da renda dos beneficiários da chamada faixa 1 do programa: passará de R$ 1.600 para R$ 2.172, ou três salários mínimos. O acordo com o MTST – ou melhor, os termos da rendição incondicional do governo, porque é disso que se trata – ficou de ser assinado na próxima segunda-feira.

Nas sociedades complexas, caracterizadas pela competição entre inumeráveis interesses, muitas vezes conflitantes, as chances de êxito dos diversos setores dependem de sua capacidade de se organizar, persuadir o público de que as suas pretensões atendem ao bem comum e de pressionar os apropriados centros de decisão do Estado. Mas, até para prevenir a sua proliferação, não deve haver margem para a chantagem e a transgressão da ordem jurídica, como faz o MTST. Muito menos para serem recompensadas por um governo acoelhado ou conivente.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 11 / 06 / 2014

Correio Braziliense
"Em queda, Dilma vai à TV e apela para a Copa"

O medo de vaias levou o presidente da Fifa a sugerir, meses atrás, que nem ele nem Dilma discursem amanhã na abertura do Mundial. A presidente, no entanto, antecipou-se e fez pronunciamento ontem em cadeia de rádio e tevê, em que exaltou a construção dos estádios e chamou de “pessimistas" os críticos da realização do torneio no país. A oposição interpretou a iniciativa como campanha eleitoral antecipada e anunciou que entrará com queixa no TSE. O discurso ocorreu no mesmo dia em que Dilma recebeu o apoio de um PMDB dividido e no qual pesquisa apontou o crescimento de Aécio e Eduardo na corrida pelo Planalto, além de nova baixa na preferência pela petista. 


Folha de S. Paulo
"Apesar de dissidências, PMDB aprova apoio a Dilma"

Votos favoráveis à aliança com o PT atingem 59%, abaixo dos 85% de 2010

Convenção nacional do PMDB aprovou o apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff, mas o resultado revelou um partido dividido entre continuar na coalizão governista e romper com o Palácio do Planalto. Os votos dos peemedebistas favoráveis à participação na chapa de Dilma atingiram 59% (398 contra 275). Na eleição de 2010, esse índice foi bem maior: 85% apoiavam a aliança. Com cinco ministérios e a Vice-Presidência, o PMDB tem demonstrado insatisfação com o PT e o governo. O resultado assegura a Dilma cerca de 2 minutos e 20 segundos (em cada bloco de 25 minutos) a mais na propaganda eleitoral na TV. O encontro, porém, foi pontuado por críticas ao PT. Entre as reclamações peemedebistas, está a resistência do PT a apoiar seus candidatos aos governos estaduais. Ao agradecer o apoio, Dilma elogiou o vice, Michel Temer, dizendo que ele “sabe aproximar pessoas”. Já Temer minimizou a dissidência e afirmou que a aliança visa “abrir as portas” para o partido.

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terça-feira, junho 10, 2014

Dominique


Opinião

Uma greve contra todos

O ESTADO DE S.PAULO
A greve do metrô de São Paulo se explica em poucas palavras. "Estamos em um momento único. Tem uma Copa do Mundo. Tem também eleições no fim do ano", conclamou o presidente do sindicato dos metroviários, Altino de Melo Prazeres Júnior, filiado ao PSTU, na assembleia que aprovou no domingo a continuação do movimento, pouco depois de os desembargadores do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) considerarem abusiva a paralisação, determinarem o seu término imediato e imporem uma multa diária de R$ 500 mil à entidade da categoria em caso de descumprimento da decisão.

O colegiado resolveu também conceder ao setor o reajuste de 8,7% oferecido pela Companhia do Metropolitano, aproximadamente 3 pontos acima da inflação medida pelo INPC nos 12 meses encerrados em abril (a data-base do setor). O TRT decretou a ilegalidade da greve porque a direção do sindicato se recusara a cumprir a ordem da vice-presidente da Corte, desembargadora Rilma Hemetério, para ser mantido integralmente o serviço nos horários matinais e vespertinos de pico e 70% no restante do tempo de operação.

Ela entendeu que o legítimo direito de ir e vir da população da maior metrópole brasileira prevalece sobre o direito igualmente legítimo à greve por aumento de salário de um segmento profissional prestador de um serviço essencial. Nem se trata de uma inovação: a legislação que rege a matéria já condiciona ao interesse público o último recurso de que dispõem os assalariados para ver atendidas as suas demandas. No caso, aliás, se trata de uma demanda desarrazoada, para dizer o menos, mesmo tendo encolhido de 16,5% para 12,2%.

Para entender seja o índice pleiteado, seja a recusa do cumprimento de um ato judicial que apenas tentava adequar ações particulares a uma necessidade geral objetiva, seja, enfim, a decisão de persistir numa paralisação já então formalmente qualificada como abusiva, volte-se ao "momento único" do argumento do sindicalista Prazeres. Copa e eleições, para ele e seus correligionários de extrema esquerda, são de fato oportunidades políticas de acertar dois alvos com a mesma descarga: o governo federal do seu adversário petista e o governo estadual do seu inimigo tucano.

Perto disso, as agruras impostas a milhões de pessoas - que não são propriamente os execrados "burgueses", mas formam grande parte do chamado "povão" - são irrelevantes. A retórica supre o resto. "Os protestos do ano passado entraram na nossa mente", discursou o metroviário (detido, à época, por suspeita de vandalismo). "Não pode ficar massacrando, batendo em trabalhador." Vá dizer isso aos trabalhadores cujo cotidiano eles infernizam, seja qual for o meio de transporte a que tenham acesso, e que, mesmo quando tudo está normal, são obrigados a gastar horas valiosas na ida ao seu sustento e no regresso para o que lhes resta de lazer, convívio e repouso.

Ontem, para piorar, o transtorno não se limitou ao fechamento de praticamente a metade das 61 estações administradas pelo poder público (as 6 estações da Linha 4-Amarela, a cargo da iniciativa privada, abriram normalmente, a exemplo dos primeiros dias da paralisação, na semana passada). Numa manobra combinada, ativistas do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e do Passe Livre, bloquearam logo cedo a Rua Vergueiro, uma das mais importantes do centro-leste da cidade, motivando a intervenção da Polícia Militar, com bombas de efeito moral e balas de borracha. Ao paulistano não se permite nem ser pedestre.

Na terceira manhã de trânsito mais lento na cidade, os manifestantes se agruparam diante da Secretaria de Transportes e da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), que curiosamente ficam uma diante da outra na mesma rua do centro velho da capital, ambas protegidas por PMs com armaduras "robocop" e escudos. Aboletado em um carro de som, Prazeres se entregava a mais uma arenga. "Se não atender o metroviário, não vai ter Copa do Mundo", ameaçou, com a prepotência de quem se acha o dono da cidade. Àquela hora, porém, 30% dos 1.198 metroviários do turno matinal já haviam voltado ao trabalho. (O Metrô já havia demitido 42 grevistas por justa causa.) A firmeza do governo parecia dar resultados.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 10 / 06 / 2014

Correio Braziliense
"Invasão na UnB ameaça atrasar salário de junho"

Barricadas levantadas por encapuzados que ocupam a Reitoria impedem servidores de terem acesso ao local onde é preparada a folha de pagamento da universidade. Ato público cobra a saída de rebeldes do prédio.


Folha de S. Paulo
"Alckmin demite 42, e greve do Metrô de SP é suspensa"

Sindicato da categoria ameaça retomar paralisação na quinta se governo não anular demissões

No quinto dia da greve dos metroviários, a gestão Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou a demissão de 42 funcionários do Metrô. Sob pressão e dividido, o sindicato da categoria decidiu suspender a paralisação por 48 horas. O governo enviou telegramas de desligamento por justa causa para grevistas que, segundo a administração tucana, foram a piquetes nas estações ou veicularam mensagens a favor da greve no sistema de som dos trens. O sindicato dos metroviários diz que as demissões visam intimidar a categoria e ameaçam retomar a greve na quinta, dia da abertura da Copa, se o governo não anular as rescisões. A entidade fará assembleia na quarta. Nesta segunda-feira (9), a greve se enfraqueceu. A tarde, a maioria das estações estava em funcionamento. De manhã, protesto a favor da greve na estação Ana Rosa terminou em tumulto, e 13 pessoas foram detidas. O trânsito ruim teve reflexo no aeroporto de Guarulhos. As filas de táxi e ônibus executivo levaram mais de uma hora, e milhares de pessoas ficaram retidas. 

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segunda-feira, junho 09, 2014

Dominique


Opinião

Dando bom-dia a cavalo

O ESTADO DE S.PAULO
A crônica política brasileira é pródiga em episódios com os quais Luiz Inácio Lula da Silva ilustra o aforismo segundo o qual quem fala muito acaba dando bom-dia a cavalo. Em longa entrevista concedida a uma revista semanal, o ex-presidente exercita sua megalomania, insiste em conhecidas mistificações sobre os governos petistas e o papel de seu partido na vida política brasileira, repete ataques à imprensa e sofismas sobre o "controle social da mídia", não se constrange em praticar o jogo do "faça o que eu digo, não o que eu faço".

Aflora em toda a extensão da entrevista a obsessão pelo confronto maniqueísta com uma "elite" retrógrada, inominada, a qual acusa de conspirar contra todas as fabulosas conquistas dos governos petistas. É o velho "nós" contra "eles".

É interessante a visão de Lula dos problemas de comunicação de que, entende, padece o governo Dilma. Problemas esses veladamente atribuídos em parte à incompetência do próprio governo, mas agravados pelo comportamento de uma mídia que tem mal-intencionada "predisposição ao negativismo".

Lula cultiva, como se sabe, uma espetacular imagem de si próprio e do modo petista de governar. Mas não se conforma com o fato de essa visão não ser compartilhada pela mídia. Mas tem remédio para isso. Não adianta reclamar que "(...) 'a Globo não me dá espaço'. A gente tem outros instrumentos para dizer o que quer". Como assim? "Tenho dito com a Dilma que não tem de dar ouvidos a quem fala que gastamos muito com publicidade. Eu acho que, se foi anunciado um programa hoje e no segundo dia não houve repercussão, vai em rede nacional. O governo tem de dizer que a mídia não divulgou, porque se não disser, o silêncio se fecha sobre o fato. Dois dias de tolerância e coloca um ministro em rede nacional, não precisa ir a presidenta todo dia".

Se dependesse de Lula, portanto, entre outras providências "democratizantes", dia sim e outro também as redes de televisão, que são o que interessa, abririam espaço para autoridades do governo revelarem todas aquelas realizações importantíssimas para as quais os jornalistas não dão a menor bola. O que significa que, pelo menos enquanto o lulopetismo não conseguir impor seu ambicionado "controle social da mídia", haja verba para publicidade oficial.

São inegáveis, principalmente no campo social, importantes conquistas de 2003 para cá. Mas Lula não deixa por menos do que o delírio absoluto: "Tudo que você imaginar, o Brasil está entre os cinco (melhores/maiores, supõe-se) do mundo". Isso apesar de que "lá fora já não se fala bem da gente". Na vida real, nosso Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), segundo a ONU, é o 84.º no ranking mundial. Em educação, ficamos também no fim da fila.

No capítulo de sua inestimável contribuição para melhorar o mundo, Lula recorreu a um péssimo exemplo: "O Mercosul, quando cheguei à Presidência, não valia nada". Hoje, dominado pelos bolivarianos, vale menos ainda, enquanto a Aliança do Pacífico caminha a passos largos para se tornar o maior polo de atração de investimentos da América Latina.

Lula tem uma receita de "faça o que eu digo..." para avançar no desenvolvimento econômico: "O que o governo tem de garantir é o aumento da poupança interna (não explicou como conciliar isso com o forte estímulo ao consumo), mais investimento do Estado (preferiu ignorar a clamorosa ineficácia na execução dos PACs), mais junção entre empresa privada e pública (desconsiderou o arraigado preconceito petista contra a iniciativa particular), mais capital externo para investir no setor produtivo" (omitiu as dificuldades criadas pelo Mercosul a acordos comerciais bilaterais, sem falar na crescente desconfiança dos investidores internacionais sobre as regras do jogo por aqui).

Lula fala ainda, como não poderia deixar de ser, sobre política. Garante que o PT "é um partido que o próprio povo dirige". Apesar disso, "a gente não pode permitir que meia dúzia de pessoas deformem esse partido". E "o povo"?

Agora, admite Lula, o negócio é campanha eleitoral. Mas confessa: "No primeiro turno todo mundo fala a mesma coisa, promete tudo para o povo".

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 09 / 06 / 2014

Correio Braziliense
"Reitor denuncia clima de guerra civil na UnB"

Professores e servidores fazem protesto hoje, às 10h, contra mascarados que ocupam a Reitoria a quatro dias. Câmeras teriam flagrado atos de depredação na universidade, onde nos últimos dias houve até tiros e pessoas feridas em festas

A Justiça determinou a reintegração de posse da Reitoria. Mas, até as 20h30 de ontem, quando se encerrou o prazo para a desocupação, cerca de 50 pessoas continuavam no prédio. Os encapuzados dizem que se trata de protesto para impedir a criminalização e o julgamento de oito estudantes acusados de vandalismo. Para o reitor, Ivan Camargo, o movimento é uma espécie de vanguarda do atraso que se espalhou por todo o país e hoje inviabiliza o funcionamento da UnB. Na hora da invasão, contou Camargo, câmeras flagraram uma “agressividade inacreditável” em um ambiente acadêmico. “Alguns seguiram para a minha sala e quebraram todas as portas”, descreveu. 

Folha de S. Paulo
"Metroviários contrariam Justiça e mantêm greve"

Tribunal julga paralisação abusiva, e Alckmin ameaça com demissão por justa causa

Os funcionários do Metrô de São Paulo decidiram desrespeitar determinação da Justiça e continuar a greve nesta segunda-feira (9). O Tribunal Regional do Trabalho julgou a paralisação abusiva e determinou o fim do ato, sob pena de multa diária de R$ 500 mil. A Justiça também estabeleceu que o reajuste da categoria seja de 8,7%, o mesmo percentual proposto pelo Metrô, mas abaixo do reivindicado (12,2%). Esse reajuste contrariou os grevistas, que aprovaram em assembleia continuar a greve, iniciada na quinta-feira (5). “Há a Copa, o maior evento esportivo do mundo. Estamos num momento único. Há também eleições”, disse o presidente do sindicato, Altino Prazeres. Segundo os grevistas, a multa não inibe a paralisação, pois há a possibilidade de recorrer à Justiça para adiá-la ou anulá-la. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) ameaçou demitir por justa causa funcionários que não voltem ao trabalho. Haverá um ato de apoio à greve na estação Ana Rosa, com a participação do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto e do Movimento Passe Livre. 

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domingo, junho 08, 2014

Dominique


Opinião

A inflação ainda ameaça

O ESTADO DE S.PAULO
A inflação continua infernizando a vida do consumidor e o resultado final de 2014 poderá ser pior que o do ano passado, embora a alta de preços tenha perdido impulso nos últimos dois meses. A decisão de dar uma trégua na política anti-inflacionária, recém-anunciada pelo Banco Central (BC), poderá, na melhor hipótese, poupar o País de uma estagnação mais grave, mas deixará mais espaço para remarcações no comércio e no setor de serviços. Com isso, a melhora de alguns indicadores do varejo poderá ser temporária. No mês passado, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,46%, bem menos que em abril, quando a variação ficou em 0,67%. O número de maio quase coincidiu com a projeção (0,43%) das cinco instituições financeiras com mais acertos na pesquisa Focus, conduzida semanalmente pelo BC. Mas, se outros números previstos por essas instituições estiverem corretos ou muito aproximados, a acomodação vai durar pouco. A taxa cairá até 0,27% em agosto, voltará a subir em setembro e no fim do ano a alta acumulada chegará a 6,44%, bem maior que a registrada oficialmente um ano antes (5,91%).

O acumulado em 12 meses bateu em 6,37% em maio e poderá ultrapassar o limite de tolerância de 6,5% nos próximos meses. A recomposição de preços contidos politicamente, como os da energia elétrica, da gasolina e dos transportes públicos, poderá pressionar ainda neste ano o custo de vida e engordar a pauta de reivindicações de várias categorias com negociações previstas para o segundo semestre.

O resultado dessas negociações poderá pressionar fortemente os custos empresariais e resultar em grandes repasses para os preços e em maior realimentação da espiral de aumentos. O ambiente eleitoral favorecerá a tolerância às pressões inflacionárias e o próprio governo, com a administração frouxa de suas contas, poderá contribuir para a farra.

Tudo isso é parte do risco assumido pelo Comitê de Política Monetária (Copom), formado por diretores do BC, ao manter em 11% a taxa básica de juros, a Selic, depois de nove altas. O comitê parece ter subestimado - ou talvez negligenciado? - o potencial inflacionário das decisões do governo nos meses mais próximos das eleições.
Outros indicadores, além do IPCA, também evoluíram de modo mais favorável em maio, mas sem apontar, no final do ano, resultados muito melhores que os de 2013. O Índice Geral de Preços (IGP), medido pela Fundação Getúlio Vargas, recuou 0,45% em maio, num movimento perfeitamente simétrico em relação ao de abril, quando havia subido 0,45%.

A queda foi provocada principalmente pela redução de 1,21% no conjunto dos preços por atacado, principal componente do IGP. Os produtos agropecuários ficaram 2,46% mais baratos e os preços dos industriais diminuíram 0,72%. Mas o reflexo dessas quedas no varejo foi bem menor do que poderiam esperar os mais otimistas. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), outro componente do IGP, ainda subiu 0,52%. Foi uma alta bem menor que a do mês anterior, de 0,77%, mas ainda suficiente para produzir uma inflação de 6,42% para as famílias, se acumulado em 12 meses. O terceiro componente do IGP, o Índice Nacional do Custo da Construção, aumentou 2,05%.

A demanda de consumo continua forte, embora os consumidores se tenham tornado mais cuidadosos nos últimos meses, e é preciso levar isso em conta ao examinar os dados e as perspectivas da inflação. Uma forte demanda na ponta do consumo pode neutralizar em parte os efeitos de uma desaceleração ou mesmo de um recuo dos preços por atacado.

O gasto público ainda acelerado, a expansão do crédito, mesmo com certa moderação, e os reajustes salariais dos próximos meses provavelmente ainda alimentarão uma respeitável disposição de consumo - exceto se o consumidor, diante dos sinais econômicos ruins, se tornar bem mais pessimista e cauteloso. Se as pressões inflacionárias prevalecerem nos próximos meses, confirmando a maior parte das projeções, um ajuste muito duro será necessário em 2015. Se faltar coragem para isso, o resultado será desastroso.

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 08 / 06 / 2014

Correio Braziliense
"Dívida compromete renda de servidor por cinco anos"

Enquanto o governo estimula o consumo para incentivar a economia, levantamento do BC mostra que as famílias estão com o orçamento no limite. Nunca os brasileiros deveram tanto aos bancos.


Folha de S. Paulo
"Dilma pretende incluir sem-teto no Minha Casa"

Objetivo é atender reivindicação do MST para estancar protestos na Copa

A presidente Dilma Rousseff ordenou que a sua equipe encontre uma maneira de incluir os sem-teto no programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. O objetivo é tentar neutralizar os protestos e os conseqüentes danos à imagem do governo. A ideia é encaixar o grupo em um dos braços da ação governamental chamado de “entidades”, modalidade na qual o Executivo libera recursos e a organização executa as obras. 0 foco será o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto). Para o Planalto, o grupo é o movimento com maior poder de mobilização durante a Copa. Após a oferta de diálogo, o MTST suspendeu ato que faria em São Paulo. Ministérios negociarão com os líderes uma solução que atenda às reivindicações. Com isso, Dilma adiou o lançamento da terceira rodada do programa. Na nova fase, serão prometidos de 3 milhões a 4 milhões de casas —a maior meta entre todas as rodadas.  

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