sábado, maio 24, 2014

Dominique


Opinião

Esses babacas do metrô

Fernando Gabeira - O Estado de S.Paulo
Houve um tempo em que esperávamos a Lua entrar na sétima casa, Júpiter se alinhar com Marte e a paz reinar no planeta. Era a aurora da era de Aquarius. Aquarius, Aquarius. As mulheres arrancando os sutiãs, os homens com calça boca de sino, cavalos da polícia dançando, tudo porque a Lua tinha, finalmente, entrado na sétima casa.

Nossas esperanças hoje são mais prosaicas. Em vez de Júpiter se alinhar com Marte, contemplamos o alinhamento da Copa do Mundo com as eleições no Brasil. E os nervos estão mais sensíveis. Na cúpula, governo e Fifa se estranham. Para Jérôme Valcke, o contato com as autoridades brasileiras foi um inferno. Para Dilma Rousseff, Valcke e Joseph Blatter são um peso.

É o tipo de divórcio que não se resolve com as cartomantes que trazem de volta a pessoa amada em três dias. Eles se distanciam num mero movimento defensivo. Quem será o culpado se as coisas não derem certo?

Dilma, com a Copa das Copas, quer enfrentar a eleição das eleições e põe toda a sua esperança nos pés dos atletas. A Fifa não gostaria de entrar numa gelada no Brasil, mesmo porque o Qatar a espera com calor de 52 graus. Seriam dois fracassos seguidos, pois Blatter já admitiu que o Qatar foi um erro.

Essa conjunção histórica está levando a uma certa irritação da cúpula conosco, que não inventamos essa história. Blatter declarou que os brasileiros precisavam trabalhar mais porque as promessas de Lula não foram cumpridas. Nada mais equivocado do que essa visão colonial. Se Blatter caísse no Brasil e vivesse nossa vida cotidiana, constataria que trabalhamos muito mais que ele mesmo, um cartola internacional. Desde quando o objetivo do nosso trabalho é cumprir as promessas de Lula?

A tática de Lula é diferente da de Blatter. Lula não critica nossa insuficiência no trabalho, mas nossas aspirações de Primeiro Mundo. Ele, que vive espantando o complexo de vira-latas, apossando-se politicamente de uma frase de Nelson Rodrigues, nos convida agora a reviver o espírito que tanto condena: "Querer vir de metrô ao estádio é uma babaquice. Viremos a pé, de jumento...". Para Blatter, precisamos trabalhar mais; para Lula, desejar menos. Só assim nos transfiguramos na plateia perfeita para o espetáculo milionário.

Lula começou sua carreira falando em aspirações dos mais pobres, hoje prega o conformismo. Não é por acaso que o PT faz anúncios inspirados no medo de o adversário vencer as eleições. Não há mais esperança, apenas um apego desesperado aos carguinhos, à estrutura do Estado, aos grandes negócios.

No passado exibi um filme em que Lula e Sérgio Cabral dialogam com um garoto do Complexo da Maré. Eles entram em discussão, Cabral ofende o jovem e Lula diz ao garoto que gostava de jogar tênis: "Tênis é um esporte de burguês". Na cabeça de Lula, o menino tinha de se dedicar ao futebol. Outras modalidades seriam reservadas aos ricos. Se pudesse livrar-se de seus aspones e andar um pouco até a Baixada Fluminense, veria um campo de golfe em Japeri onde atuam dezenas de garotos pobres da região. Dali saem alguns dos melhores jogadores de golfe do Brasil.

Lá por cima, pela cúpula, muito nervosismo, uma certa impaciência com um povo que não se ajusta ao espetáculo. Estão mais ansiosos que os próprios jogadores para que o juiz dê o apito inicial. Nesse momento, acreditam, o Brasil cai num clima de festa. Com a vitória da seleção o Brasil entraria num alto-astral e os carguinhos, os grandes negócios, tudo ficaria como antes.

Li nos jornais algumas alusões à Copa de 70, a que assisti na Argélia. De fato, o PT vai se agarrar à seleção como o governo Médici o fez naquela época.

Mas já se passaram tantos anos, o Brasil mudou tanto, e o alinhamento das eleições com a Copa, organizada pelo País, tudo isso traz novidades que a experiência de 1970 não abarca.

Estamos entrando num momento inédito. Dilma é vaiada em quase todo lugar por onde passa. Lula está visivelmente ressentido com o povo, que não o celebra pela realização da Copa; que é babaca a ponto de desejar ir de metrô ao estádio.

Não importa qual deles venha. "Que vengan los toros", como dizem os espanhóis. Não importa quantos gols nosso ataque faça - e espero que sejam muitos -, a glória do futebol não obscurece mais nossas misérias políticas e sociais. Se os idealizadores da Copa no Brasil fizessem uma rápida pesquisa, veriam que o sonho de projetar a imagem de um país pujante e pacífico está ardendo nas fogueiras das ruas, na violência das torcidas, no caos cotidiano nas metrópoles, nos relatos sobre a sujeira da Baía de Guanabara.

O governo do PT e aliados não poderá esconder-se atrás do futebol, porque eles já foram descobertos antes de a Copa começar. A Copa do Mundo não sufoca as denúncias de corrupção porque a própria Copa está imersa nela. A Fifa, com Jérôme Valcke sendo acusado de venda irregular de jogadores, não ajuda. Até o técnico Felipão caiu nas redes do fisco português.

O sonho de uma plateia ideal para a Copa, milhares de pessoas com bandeirinhas, de um eleitorado ideal que vota sempre nos mesmos picaretas, de torcedores ideais que vão a pé ou de jumento para estádios bilionários, esse sonho entra em jogo também. Assim como aquele de projetar a imagem positiva do Brasil, o sonho de uma plateia ideal para a Copa foi por terra. Nem todos cantam abraçados diante das câmeras.

Começou um jogo delicado em que a Copa do Mundo é apenas uma etapa. Valcke vai viver o inferno nos 52 graus do Qatar e Dilma enfrentará a eleição das eleições, a qual precisa vencer, mas não para de cair.

A Lua entrou na sétima casa e não veio o paraíso. As eleições se alinham com a Copa, como Júpiter e Marte, e o Brasil, num desses momentos de verdade decisivos para sair dessa maré. Se estão nervosos agora, imagino quando as coisas esquentarem.

Os babacas que querem ir ao estádio do metrô podem querer também um governo limpo, um combate real à corrupção, serviços públicos que funcionem.

Babacas, felizmente, são imprevisíveis.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 24/ 05 / 2014

Correio Braziliense
"Ações da PF complicam políticos"

Arquivos de doleiro mostram quem é quem e esquentam o ambiente 

Atingido em cheio, André Vargas renunciou à Vice-Presidência da Câmara, deixou o PT e caiu em desgraça. Agora as investigações que arranharam o ex-ministro Padilha ameaçam também Collor (PTB-AL), Vacarezza (PT-SP), Argólo (SDD-BA) e o governador Sinval Barbosa, (PMDB-MT).

Folha de São Paulo
"Sinto vergonha dos atrasos da Copa do Mundo, diz Ronaldo"

Integrante do comitê organizador do evento, ex-jogador critica ‘burocracia’ no país e lamenta lentidão nas obras

Integrante do comitê organizador da Copa, o ex-jogador Ronaldo Nazário, maior artilheiro dos Mundiais, afirmou se sentir “envergonhado” com os atrasos na obras do evento, que começa em 19 dias. “Eu me sinto envergonhado, porque é o meu país, o país que eu amo, e a gente não podia estar passando essa imagem para fora”, disse em entrevista à Reuters. Para Ronaldo, as críticas que vêm sendo feitas por dirigentes da Fifa em relação aos preparativos do país para a Copa do Mundo são justas, uma vez que o governo concordou com todas as exigências quando aceitou receber o evento, em 2007. “De repente chega aqui, é essa burocracia toda, uma confusão, um disse me disse, são os atrasos. É uma pena”, afirmou. O ex-jogador disse que “os estádios, de uma maneira ou outra, vão estar prontos”. Mas “o legado que fica para a população - as obras de infraestrutura, de mobilidade urbana, aeroportos - é uma pena que tenha atrasado tanto”. O governo não se manifestou. 

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sexta-feira, maio 23, 2014

Vida de professor...


Coluna do Celsinho

Memória da Gente

Celso de Almeida Jr.

Nesta próxima segunda-feira, 26 de maio, às 11h, no Colégio Dominique, teremos a inauguração do núcleo Memória da Gente, coordenado pelo Instituto Salerno-Chieus.

O Memória da Gente promove o registro e a divulgaçãode de ações de pessoas que contribuíram e contribuem para enriquecer a história de Ubatuba. 

Cidadãos dos mais variados campos de atuação serão lembrados em painéis fotográficos, textos, depoimentos em vídeos, expostos nas dependências do Colégio Dominique.

Para Celso Teixeira Leite e Allan Ricardo Benetti, responsáveis pelo projeto, o critério de seleção do homenageado valoriza essencialmente o legado de sua obra como um benfeitor da comunidade.

A primeira exposição apresenta LIA DE BARROS, pioneira do turismo e uma referência do setor na região.

A mostra contará também com o acervo fotográfico do pesquisador de nossa história EDSON SILVA.

O apoio cultural é do SINHORES - Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Litoral Norte de São Paulo.

O material não exposto ficará à disposição de pesquisadores e visitantes no DOC-LEK (Núcleo de Documentação Luiz Ernesto Kawall) instalado na Biblioteca Hans Staden e, também, via internet:

Confira: http://www.colegiodominique.com.br/instituto-salerno-chieus

Para quem perder o lançamento, recomendo visitar a exposição aos sábados, das 10h às 16h.

Anote: Colégio Dominique - Rua dos Gerânios, nº 10 - Jardim Carolina - Ubatuba - SP

A inauguração deste espaço histórico no Colégio Dominique é uma das ações do Instituto Salerno-Chieus para criar ali um ponto de visitação turísitica.

Tudo a ver com Ubatuba.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique


Opinião

A grande proeza de Putin

O Estado de S. Paulo
Apreciador de voos retóricos, desta vez o presidente Vladimir Putin não exagerou ao qualificar como "evento que marcará época" o acordo da ordem de US$ 400 bilhões assinado entre a Rússia e a China, ao cabo de uma década de negociações, pelo qual Moscou venderá anualmente a Pequim 38 bilhões de metros cúbicos de gás durante 30 anos, a partir de 2018. Em termos estritamente financeiros, o negócio parece ter ficado melhor para o comprador do que para o vendedor. Este deverá receber de seu novo cliente apenas US$ 350 por mil metros cúbicos, ante os US$ 380 que chega a cobrar dos países europeus.

Já da perspectiva superior das relações globais de poder, o ganho russo poderá ser tão grande como é patente, desde já, a derrota dos Estados Unidos, com a sua política de circunscrever a influência da Rússia, que data dos anos Bush. O presidente Obama a transformou numa estratégia de isolamento diplomático e econômico em seguida à anexação da Crimeia por Moscou e a sua aberta intromissão nos conflitos internos da Ucrânia. O mínimo que se pode dizer é que Putin acaba de dar a volta por cima. O acordo do gás é a sua maior proeza desde que ascendeu ao Kremlin em 1999, como presidente interino.

Nesses 15 anos, à medida que consolidava a sua autocracia, fixou-se na meta de reconstruir o império russo - sob o seu comando inconteste, bem entendido. Ele chegou a afirmar que a derrocada de sua mais recente encarnação, a União Soviética, foi "a maior catástrofe geopolítica do século 20". Desse projeto - que ainda carece de um sistema produtivo moderno além do setor de petróleo e gás - faz parte a União Econômica Eurasiana, o grandioso sonho de Putin para competir com a União Europeia e os EUA. O pacto com a China representaria um passo firme nesse rumo. Não que Pequim vá trocar de parceiros comerciais: o seu alvo seguirá sendo o Ocidente. As suas trocas com os EUA valem três vezes o comércio com a Rússia.

Mas, na esfera política, as suas tensões com Washington são crescentes. O presidente Xi Jinping não disfarça o ressentimento com o apoio de Obama a outros países asiáticos em suas desavenças com a China. E, embora ele tenha ficado neutro na crise da Ucrânia, a sua aproximação com Putin não perdeu intensidade. Desde a posse de Xi, em fins de 2012, eles já se encontraram sete vezes - como anteontem em Xangai para a celebração do acordo energético. A escalada de conflitos ideológicos que parecia levar a URSS e a China a um confronto militar nos anos 1970 jaz na proverbial lata de lixo da História.

O acesso ao gás russo - pelo qual Pequim desembolsará US$ 50 bilhões para financiar a construção de um gasoduto de 4 mil quilômetros da Sibéria à fronteira comum - permitirá à China diminuir sua dependência do carvão cuja queima envenena o ar de suas megalópoles e contribui gravemente para o aquecimento global. Já a balança comercial russa dependerá menos das compras europeias de gás - que os países da área decidiram reduzir, quando possível, como reação à ingerência de Putin na Ucrânia. É de lembrar que os protestos em Kiev contra o então presidente filo-russo Viktor Yanukovich começaram depois que ele cedeu às pressões de Moscou para frear a aproximação ucraniana com a União Europeia.

O acordo de anteontem - nominalmente entre a estatal russa Gazprom e a chinesa National Petroleum Corporation - é um negócio entre desiguais - a segunda maior economia do planeta e aquela que encolheu para a condição de "emergente". É, literalmente, de outro século a distância entre a potência econômica soviética e a sociedade agrária que Mao Tsé-tung resolveu industrializar com o Grande Salto para a Frente de 1958 ao custo de 40 milhões de mortos por inanição. A nova parceria estratégica com a China, propiciada pelas suas vastas reservas de gás, não devolverá à economia russa a supremacia perdida. Mas Moscou está conseguindo, via Pequim, o que de há muito Putin ambicionava: mudar o equilíbrio geopolítico global em detrimento de Washington. 

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 23/ 05 / 2014

Correio Braziliense
"Dura Lex..."

Três mensaleiros de volta à Papuda

O presidente do STF, Joaquim Barbosa, suspendeu o direito ao trabalho externo para os réus do mensalão Valdemar Costa Neto, Bispo Rodrigues, Jacinto Lamas e Pedro Corrêa. Os três primeiros devem ser transferidos para a Papuda, e o último para uma penitenciária em Pernambuco.

Folha de São Paulo
"Copa custa só um mês de gastos com educação"

Investimentos equivalem a cerca de 9% das despesas com a área no país

Apesar de serem mais altos hoje que o previsto no início, os investimentos para a Copa representam parcela relativamente pequena dos orçamentos públicos. Os gastos de União, Estados e municípios para o evento somam R$ 25,8 bilhões. Esse valor equivale, por exemplo, a 9% das despesas públicas anuais em educação, de aproximadamente R$ 280 bilhões — o que seria suficiente para custear cerca de um mês de gastos com a área. A comparação, porém, deve ser relativizada. Isso porque, no futuro, financiamentos a estádios e a outras obras trarão retorno. Além disso, os gastos começaram há sete anos, concentrados nos últimos três. No entanto, são raros no país os projetos que mobilizam tantos recursos. O Mundial custará o triplo do que se planeja gastar na transposição do rio São Francisco. Como os números devem ser atualizados, é provável que se aproximem mais dos R$ 30 bilhões da usina de Belo Monte, no Pará. As obras de infraestrutura custarão ao menos R$ 4,5 bilhões acima das previsões iniciais. No caso dos estádios, o custo original total era de R$5,9 bilhões e, de lá para cá, subiu 36%. 

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quinta-feira, maio 22, 2014

Dominique


Opinião

O zigue-zague do ministro

O Estado de S.Paulo
A regra vale para todas as instâncias da convivência humana: atos incompreensíveis podem gerar interpretações equivocadas, mas, ainda assim, compreensíveis. É o caso das reações que emergem nas páginas da imprensa e nas mídias sociais, atribuindo motivos escusos às desencontradas decisões do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre o destino dos 12 acusados de participar do megaesquema de lavagem de dinheiro desmantelado em março pela Operação Lava Jato da Polícia Federal.

Chefiada pelo notório doleiro Alberto Youssef, a quadrilha teria cometido fraudes financeiras da ordem de R$ 10 bilhões. Entre os seus parceiros, clientes e beneficiários estariam dirigentes de grandes empresas, executivos federais e parlamentares. Os 12 estavam detidos por ordem de um juiz federal do Paraná, Sérgio Moro. Dois deles haviam sido presos em flagrante: a doleira Nelma Mitsue Penasso Kodama, presa em Guarulhos quando tentava embarcar para a Itália com € 200 mil na calcinha, e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, quando tentava destruir provas que o incriminavam.

O imbróglio jurídico começou no domingo, quando o ministro Zavascki acolheu pedido da defesa de Costa para que ele fosse libertado em razão de um vício processual. Dado que os nomes de três deputados - André Vargas, sem partido, ex-PT; Cândido Vaccarezza, do PT; e Luiz Argôlo, do SDD - apareciam em trechos das oito ações penais propostas pelo Ministério Público, alegaram os advogados, o material deveria ter seguido diretamente para o STF, onde são processados os detentores do direito ao chamado foro privilegiado por prerrogativa de função pública. Não tendo isso acontecido, impor-se-ia a soltura do detento.

Zavascki não titubeou. Mandou libertar Costa e também Youssef e seus dez comparsas. Fez mais: ordenou a suspensão dos inquéritos e das ações em curso e a entrega dos autos a ele. Além disso, criticou o juiz Moro pela suposta iniciativa de desmembrar o conjunto, enviando ao STF apenas as peças referentes aos políticos - algo que só a Corte poderia fazer. Moro retrucou que não houve "desmembramento de ação penal ou inquérito, mas encontro fortuito de provas relacionadas a fatos completamente diversos". E lembrou que Vargas "jamais foi investigado".

O juiz aproveitou para advertir o ministro dos riscos da libertação da gangue de Youssef: aqueles ligados ao narcotráfico, titulares de alentadas contas no exterior, poderiam fugir do País. Zavascki, não querendo "tomar decisões precipitadas" por desconhecer os processos, como disse, sustou a soltura do pessoal, que ainda não se consumara. Costa, que já deixara a cadeia, em liberdade continuará. Por que, não se sabe. É de perguntar se, tivesse recuado antes disso, o ministro o manteria preso ou o libertaria ainda assim. De uma forma ou de outra, o trabalho da Polícia Federal e do Ministério Público pode acabar no museu dos deveres cumpridos em vão.

No plano normativo, o zigue-zague de Zavascki reflete a incapacidade do Supremo de estabelecer de uma vez por todas e com a necessária clareza os critérios para o desmembramento (ou não) de ações penais que incluem aspirantes ao foro privilegiado. No mensalão, políticos e outros acusados ficaram no mesmo balaio. Mais recentemente, o deputado tucano Eduardo Azeredo, acusado no mensalão mineiro, renunciou ao mandato para ser julgado em primeira instância e ganhar tempo. Embora a Corte tivesse decidido anteriormente que não cairia no golpe da renúncia, dessa vez o aceitou.

Isso produz uma perigosa consequência, advertem os professores Rubens Glezer e Eloísa Machado, da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas. É que "depender da posição de um ministro em um ou outro dia, neste ou naquele caso, afasta-nos do governo das leis e nos coloca sob o governo dos homens". Não espanta que, com tantas decisões judiciais opacas, muitos acabem fazendo ilações ad hominem sobre os autores daquelas que fogem à compreensão. As suspeitas podem ser ocas, mas a confiança na Justiça sai ferida.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 22/ 05 / 2014

Correio Braziliense
"O construtor de utopias"

João da Gama Rigueiras Lima ajudou a revolucionar a arquitetura nacional 

Marcante, sua obra está espalhada por toda Brasília. "É o maior arquiteto brasileiro”, dizia Niemeyer. “O construtor no mais amplo e criativo sentido da palavra", sintetizou Lucio Costa. Lelé, como todos o chamavam, morreu ontem, aos 82 anos, em Salvador. Seu corpo será velado hoje na capital da República e enterrado na sexta-feira. 

Folha de São Paulo
"Para 73% dos paulistanos, protestos são prejudiciais"

População de SP se divide no apoio à realização da Copa no país, diz Datafolha

Em plena greve de motoristas de ônibus em São Paulo, o humor dos paulistanos sobre manifestações mudou. Segundo pesquisa Datafolha, feita nesta terça (20), 73% afirmam que os atos geram mais prejuízos que benefícios para a sociedade. Durante os protestos do ano passado, no final de junho, esse percentual era de 36% dos entrevistados. Também caiu muito a aprovação às manifestações. Agora, 52% são a favor dos protestos, e 44%, contra. Em junho, o apoio era de 89%. Os moradores da cidade de São Paulo estão divididos em relação à conveniência de realizar a Copa do Mundo no Brasil: 45% são a favor; 43%, contra. Como a margem de erro da pesquisa é de quatro pontos, o resultado é um empate técnico. Uma expressiva maioria (90%) dos entrevistados diz acreditar haver corrupção na organização do evento. Quando o assunto são protestos durante o Mundial, 76% dos paulistanos afirmam que os atos vão ganhar força até lá.  

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quarta-feira, maio 21, 2014

Dominique


Opinião

Não façam o que faço

O Estado de S.Paulo
Às vésperas de completarem um ano as primeiras revelações de que Washington conduzia o maior programa de espionagem eletrônica jamais concebido no mundo - exposto por um funcionário terceirizado da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA), Edward Snowden -, o Departamento de Justiça indiciou um grupo de militares chineses por invadir os computadores de cinco empresas americanas, entre elas as gigantes Westinghouse, US Steel e Alcoa.

Os militares servem na Unidade 61.398 do Exército da China. Baseada em Xangai, dedica-se à captura de segredos econômicos e tecnológicos armazenados em forma eletrônica. A sua atividade foi identificada no ano passado por uma empresa privada de segurança cibernética. Segundo as autoridades americanas, os hackers devassaram também os computadores do sindicato dos trabalhadores da US Steel. É a primeira vez que um governo toma a iniciativa de abrir processo criminal contra militares na ativa em outro país - no caso, o seu maior credor e um dos seus principais parceiros comerciais.

"A amplitude das informações roubadas exigia uma resposta agressiva", disse o secretário de Justiça Eric Holder. O FBI, por sua vez, imprimiu cartazes, sob o título "Procurados", com os nomes, as fotos e as funções dos militares, além da relação dos seus presumíveis delitos, como "acessar um computador sem autorização para obter vantagem comercial e ganhos financeiros particulares". A ficção é indisfarçável: os "procurados" nunca serão achados; julgados à revelia, poderão ser condenados a mais de 50 anos de prisão, dos quais não cumprirão nem um dia porque a China obviamente não os entregará; e, por fim, trabalham para o seu governo.

Pequim, além de negar que alguma vez tivesse tentado roubar segredos comerciais na internet e de se declarar um bastião em defesa da segurança na rede mundial - uma alegação mais incrível do que a outra -, comparou os EUA, sem dizê-lo nesses termos, ao ladrão em fuga que grita "pega ladrão". Em nota, a chancelaria chinesa lembrou ser de conhecimento geral que "há muito tempo os americanos têm conduzido atividades de furto eletrônico e ciberespionagem em larga escala contra autoridades estrangeiras, companhias e pessoas".

De fato, o aluvião de documentos vazados por Snowden, principalmente por intermédio do então colunista do Guardian, de Londres, Glenn Greenwald, atestam que a NSA, vinculada ao Departamento de Defesa dos EUA, monitorou as comunicações de líderes estrangeiros de países amigos, entre eles a chanceler alemã Angela Merkel e a presidente Dilma Rousseff, e de empresas como a Petrobrás. Isso enquanto dava a sua palavra de que "não fazia espionagem econômica em nenhum domínio". Na realidade, soube-se há pouco, havia invadido os servidores da empresa chinesa de telecomunicações, Huawei.

O presidente Barack Obama teria dito certa vez ao colega chinês Xi Jinping que uma coisa é espionar programas militares ou decisões de política externa de terceiros países, outra é roubar informações de uma empresa estrangeira para repassá-las a um congênere nacional. O New York Times cita casos de espionagem americana para "respaldar negociações comerciais" - beneficiando, afinal, determinados setores econômicos. Considerando os objetivos, não fica clara a diferença entre isso e a invasão chinesa dos computadores de uma Westinghouse, em negociações para a construção de usinas nucleares no país.

Tampouco está claro por que Washington resolveu provocar agora a China, que decerto retaliará. O fato é que a política asiática de Obama assume cada vez mais tons antichineses, como se viu na sua recente viagem à região. Ele foi ao Japão, Filipinas e Vietnã para deixar patente o seu apoio aos três países em suas desavenças marítimas com a China. As relações entre Tóquio e Pequim, em especial, passam por um período de crispação motivado pela disputa em torno de ilhotas, reivindicadas pela China, que quer expandir sua jurisdição naqueles mares. Para o governo Obama, trata-se de uma questão de monta.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 21 / 05 / 2014

Correio Braziliense
"Aquecimento pelo hexa"

Jogadores da Seleção Brasileira começam a desembarcar no Brasil e exibem otimismo

Com o encerramento da temporada europeia, jogadores da Seleção Brasileira vão, aos poucos, retornando ao Brasil para curtir os últimos dias de folga antes da apresentação ao técnico Luiz Felipe Scolari, na segunda-feira, na Granja Comary, em Teresópolis. O lateral-direito Daniel Alves, o volante Paulinho, o armador Oscar e o zagueiro David Luiz participaram ontem de evento de um patrocinador, em São Paulo, e falaram com otimismo da preparação para a Copa do Mundo no Brasil. A estreia será em 12 de junho, no Itaquerão, diante da Croácia.

Folha de São Paulo
"Greve de ônibus trava SP, e Haddad fala em ‘guerrilha’"

Paralisação surpresa prejudica 230 mil passageiros; capital tem engarrafamento recorde no ano

Descontentes com acordo trabalhista celebrado pelo sindicato, motoristas e cobradores organizaram greve surpresa que parou São Paulo nesta terça (20). O ato ocorreu a 23 dias da Copa e uma semana após movimento similar travar o Rio. Os grevistas, que não aceitaram reajuste de 10% e pedem até 33%. fecharam 16 dos 28 terminais da capital, atravessaram ônibus nas ruas e impediram colegas de trabalhar. A prefeitura estima que 230 mil passageiros tenham sido prejudicados. A paralisação ocorreu em meio à disputa de poder no sindicato da categoria, que tem 37 mil trabalhadores e orçamento anual de R$ 16 milhões. O prefeito Fernando Haddad (PT) falou em "sabotagem”. “É uma guerrilha inadmissível”, disse. Com a paralisação, a cidade teve engarrafamento de 261 quilômetros, recorde no ano. O rodízio foi suspenso. O metrô ficou sobrecarregado. Empresas e repartições públicas dispensaram funcionários mais cedo. Universidades cancelaram aulas. A mobilidade foi prejudicada, ainda por outros protestos. Professores da rede municipal, também me greve, bloquearam a avenida Paulista. Grupo sem-teto invadiu sede de incorporadora dona de terreno invadido na zona leste. 

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terça-feira, maio 20, 2014

Dominique


Opinião

A real situação dos aeroportos

O Estado de S.Paulo
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) anunciou que haverá punições severas para empresas aéreas que descumprirem horários durante a Copa do Mundo - e tais regras continuarão válidas depois da competição. Trata-se de uma iniciativa necessária, pois os atrasos tornaram-se parte do cotidiano da aviação nacional, e no Mundial, com o previsível aumento do movimento de passageiros, a situação tende a piorar, exigindo pulso firme para reduzir a possibilidade de um caos aéreo. No entanto, é também sabido que parte considerável dos problemas do setor tem origem no acanhamento dos aeroportos, cuja capacidade para absorver o crescente fluxo de voos e viajantes está sempre no limite e cuja ampliação, com vista à Copa, está atrasada. Logo, não há garantia de que o castigo que a Anac ameaça impor será suficiente para minorar o problema, que vai muito além da irresponsabilidade de uma ou outra empresa.

A partir de 5 de junho, as companhias aéreas que desrespeitarem os slots (horários de pousos e decolagens) - ou seja, se houver atraso superior a 15 minutos - pagarão uma multa entre R$ 24 mil e R$ 60 mil. Se a empresa solicitar o slot e não utilizá-lo, será multada em até R$ 30 mil. Se houver pouso ou decolagem sem nenhuma autorização, a multa será de até R$ 90 mil, a mais alta do pacote.

Haverá punições também para a aviação geral, que inclui jatinhos, táxis aéreos e aviões executivos. Até agora dispensados dos slots, esses voos terão de cumprir horários previamente acertados durante a Copa. As multas vão variar de R$ 7 mil a R$ 63 mil. Além disso, os pilotos brasileiros de jatinhos que desrespeitarem as regras poderão ter sua licença de voo suspensa por até 180 dias. Já os pilotos estrangeiros poderão ser impedidos de pousar em território brasileiro.

Não haverá penalidade se o atraso for motivado por problemas alheios à vontade da companhia aérea, como mau tempo ou necessidade imprevista de manutenção da aeronave. Mesmo nesses casos, porém, a Anac vai apertar a fiscalização para que as empresas tenham planos de contingência.

Tal postura rígida faria sentido num país em que os aeroportos funcionassem muito bem, fazendo das companhias aéreas as únicas responsáveis por eventuais atrasos. Mas os passageiros de avião no Brasil sabem que a realidade é outra - nos aeroportos, principalmente quando há grande movimento, impera o improviso.

Em resposta à pressão da Anac, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) afirma que o planejamento para a Copa começou a ser feito em 2013 e "está alinhado com todas as autoridades do setor" - uma maneira nada sutil de dizer que o governo há tempos está ciente do plano e a ele deu seu aval. No entanto, como a associação deixou claro, nenhum planejamento será suficiente se as condições dos aeroportos não forem as ideais. "Esperamos que na Copa a capacidade dos aeroportos seja plena para garantir o bom andamento do evento", disse o presidente da Abear, Eduardo Sanovicz.

O diretor-presidente da Anac, Marcelo Guaranys, afirmou estar seguro de que a estrutura dos aeroportos estará totalmente adequada às necessidades da Copa. Diante dos atrasos das obras para suportar o grande fluxo de turistas, porém, é difícil acompanhar o otimismo de Guaranys.

Dos 16 aeroportos que serão usados na Copa, 11 ainda estão passando por reformas, a menos de um mês do início da competição, e é improvável que tudo fique pronto a tempo. Em pelo menos um caso, o de Fortaleza, o governo já sabe que a ampliação não respeitará o prazo, tornando necessário improvisar um terminal coberto por lona. O Galeão, no Rio, que será uma das principais portas de entrada de estrangeiros, ainda sofre com apagões, e o governo admite que há risco de interrupção de energia durante a Copa.

Diante de tal quadro, a atitude da Anac de impor pesadas multas e anunciar forte fiscalização, como se fosse possível culpar apenas as companhias pelos eventuais atropelos, é uma forma de negar os problemas estruturais e a responsabilidade do governo por eles.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 20 / 05 / 2014

Correio Braziliense
"Acidente aéreo"

Piloto morre após choque no ar contra o avião do pai

Um acidente envolvendo dois monomotores perto de um aeródromo em São Sebastião provocou uma tragédia sem precedentes para a família Melo. As aeronaves de Ubiratan, 62 anos, e Frederico, 32, pai e filho, se chocaram no ar, após uma provável manobra mal executada, causando a queda de um dos ultraleves. Frederico não conseguiu manter o controle do equipamento e caiu de bico. O jovem instrutor morreu na hora. O pai ainda conseguiu pousar, apesar das avarias. A colisão será investigada pela 30ª DP. "O pai deve ser indiciado por homicídio culposo, mas, neste caso, nenhuma pena pode ser maior do que a perda de um filho”, adiantou o delegado Érito Cunha.

Folha de São Paulo
"Supremo manda soltar ex-diretor da Petrobras e doleiro"

Ministro argumenta que investigações da Lava Jato deveriam ter sido enviadas ao STF após indícios de elo com deputados.


0 ministro do STF Teori Zavascki mandou soltar os 12 presos pela PF na Operação Lava Jato, entre os quais o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto da Costa e o doleiro Alberto Youssef. Segundo ele, o juiz federal extrapolou sua competência ao permitir que a investigação seguisse após aparecerem indícios de participação de parlamentares. Como deputados têm foro privilegiado, só podem ser investigados pelo STF. Isso pode ter ocorrido com André Vargas (ex-PT-PR), Cândido Vaccarezza (PT-SP) e Luiz Argolo (SDD-BA). 0 ministro acatou pedido do advogado de Costa, que alertou para o fato após aparecerem mensagens de Vargas ao doleiro. A PF investiga esquema de lavagem de dinheiro. 0 juiz federal Sérgio Moro soltou o ex-diretor da Petrobras, mas pediu esclarecimentos ao ministro sobre o alcance da decisão. Ele questiona a soltura de Rene Luiz Pereira, preso com outros doleiros na Lava Jato sob acusação de envolvimento com o tráfico de cocaína e lavagem de dinheiro. O juiz expressou temor de fuga dos investigados.

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segunda-feira, maio 19, 2014

Dominique


Opinião

As perspectivas do pré-sal

José Goldemberg* - O Estado de S.Paulo
Os problemas financeiros e administrativos da Petrobrás, com indícios de irregularidades em investigação pela Polícia Federal e o Ministério Público Federal, têm sido amplamente discutidos recentemente e não vou repeti-los aqui.

Frequentemente, investimentos equivocados dão prejuízos maiores do que os resultantes da corrupção. No caso da Refinaria de Pasadena, por exemplo, seria o caso de perguntar por que comprá-la, mesmo que se tratasse de "um bom negócio". A Petrobrás teria sido criada para realizar esse tipo de atividade?

O que vamos fazer é analisar a estratégia adotada pela Petrobrás e pelo governo federal de concentrar todos os esforços da empresa na exploração do petróleo em grandes profundidades no oceano, já que as reservas de petróleo "convencional" estão se esgotando, como já aconteceu em muitos países e ocorre agora, na Bacia de Campos.

Para enfrentar esse problema, as empresas petrolíferas procuram desenvolver técnicas para retirar petróleo de reservas "não tradicionais", como areia asfáltica no Canadá ou exploração em grandes profundidades nos oceanos. O petróleo "não convencional" é mais difícil de produzir e, consequentemente, o seu custo é mais elevado. Sucede que as empresas de petróleo acreditam que a demanda por petróleo vai continuar crescendo e que os preços do produto vão aumentar, o que justificaria a exploração em áreas mais difíceis e problemáticas.

No Brasil, a Petrobrás concentra seus esforços nos depósitos chamados de pré-sal, situados no oceano a grandes profundidades (mais de 5 quilômetros), abaixo de uma camada de sal de cerca de 2 quilômetros de espessura. Essa estratégia enfrenta três desafios: problemas técnicos e econômicos; problemas ambientais; e as alternativas ao uso do petróleo.

Localizar petróleo nas profundezas do oceano é uma coisa, trazê-lo para a superfície e leva-lo até uma refinaria é outra. O otimismo permanente da Petrobrás, de que todos esses problemas vão ser resolvidos, não ajuda muito - nem a falta de transparência sobre os custos do petróleo produzido. Estimativas não oficiais são de que eles seriam superiores a US$ 50,00 por barril produzido. Em comparação, o petróleo "convencional" custa menos de US$ 10,00 por barril para ser produzido, e o fato de ser vendido a mais de US$ 100,00 por barril é consequência de acordos políticos e comerciais dos principais produtores.

Os problemas ambientais da exploração de petróleo em grandes profundezas são, na realidade, "terra incógnita". Não há muita experiência prévia das companhias internacionais nesta área e a liderança da Petrobrás em exploração em águas profundas traz consigo problemas novos. Prudência e humildade seriam uma boa estratégia a seguir nessa área.

Quanto a acidentes na produção de petróleo, é útil comparar as experiências de Estados Unidos, Noruega, Inglaterra e Brasil.

As empresas de petróleo classificam acidentes em várias categorias: segurança ocupacional, colisões, pequenos incêndios e perda total de poços de petróleo. Os Estados Unidos, por causa do acidente da British Petroleum no Golfo do México, têm o pior desempenho em todas as categorias. O Brasil, no entanto, é o pior em colisões e pequenos incêndios. E a Noruega é o líder em segurança.

Os custos elevados na produção de petróleo "não convencional" são o calcanhar de aquiles da estratégia de explorar esse petróleo e pode justamente inviabilizá-la, porque tornam mais competitivas as alternativas ao petróleo.

E quais são essas alternativas?

A primeira delas - e a mais simples - é o aumento da eficiência dos motores usados na indústria automobilística. Tanto a União Europeia quanto os Estados Unidos fixam de tempos em tempos, desde 1980, a quilometragem média por litro de combustível que os veículos automotores devem atingir. Por exemplo, nos Estados Unidos, ela foi fixada em 10,6 quilômetros por litro em 1975; deveria atingir 16,6 quilômetros por litro em 2016; e deverá atingir 23 quilômetros por litro em 2025. Com isso, se a frota não aumentar muito, o consumo de derivados de petróleo diminui.

A segunda é a produção de biocombustíveis como o etanol da cana-de-açúcar, no Brasil, e de milho, nos Estados Unidos. Atualmente, eles substituem 3% do petróleo que é consumido no mundo, mas essa porcentagem poderá facilmente atingir 10%. Há, aqui, uma grande oportunidade para o Brasil exportar sua tecnologia de produção de cana-de-açúcar e de produção de etanol, que já atingiu elevado nível de produtividade.

Grandes empreendimentos em produção de petróleo "não convencional", como o pré-sal, têm grandes riscos. Alternativas existem e elas deveriam ser implementadas com a mesma energia e determinação com que a Petrobrás procura retirar petróleo de grandes profundidades do oceano. O que a prudência recomenda é que a Petrobrás deveria tentar reduzir os seus custos e dividir os riscos com outras empresas petrolíferas mundiais com experiência nessa área.

Contudo, o que estamos presenciando nas políticas adotadas pelo governo brasileiro na área de petróleo desde 2008 é exatamente o oposto. A Petrobrás ficou praticamente sozinha na exploração do pré-sal, endividando-se enormemente a ponto de suas ações terem perdido cerca de 80% do seu valor. Contribuiu para isso o congelamento dos preços de derivados de petróleo, o que levou a empresa a vender gasolina com prejuízo e, nesse processo, asfixiando o Programa do Álcool de cana-de-açúcar.

Esse não é o caminho a seguir e uma correção de rumos torna-se cada vez mais urgente.

*José Goldemberg é professor emérito da Universidade de São Paulo, foi secretário de Ciência e Tecnologia da Presidência da República.

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 19 / 05 / 2014

Correio Braziliense
"Mães pedem um basta à violência no trânsito"

Bêbados ao volante aterrorizam Brasília

Sete dias depois de um bêbado — infrator contumaz ao volante — provocar o acidente em que morreram Alessandra Trino, 33, e a filha, Júlia, de 1 ano, uma manifestação organizada por mulheres de Águas Claras fez uma homenagem às vítimas e cobrou paz no trânsito de Brasília. Levantamento revela que motoristas que pisam fundo no acelerador, boa parte após ingerir bebida alcoólica, são os mais multados no Distrito Federal. Apenas no primeiro trimestre deste ano, 346.964 foram flagrados abusando da velocidade, o que dá uma média de 3.855 infrações por dia.  

Folha de São Paulo
"Virada compacta não evita atos de violência"

Evento registra baleados, esfaqueados e arrastões; Prefeitura não comenta

Mesmo restrita a um perímetro 20% menor do que o planejado, por recomendação da Polícia Militar, a 10ª edição da Virada Cultural foi marcada por episódios de violência, que já haviam ocorrido na versão anterior. A reportagem da Folha presenciou ao menos 18 arrastões na madrugada deste domingo (18), em diferentes pontos da região central de São Paulo. Duas pessoas foram baleadas, e outras duas, esfaqueadas. As detenções passam de cem. O prefeito Fernando Haddad (PT) e a PM não se pronunciaram sobre os crimes desta edição, ao contrário do que fizeram em 2013. Praxe em anos anteriores, a entrevista coletiva dos organizadores não aconteceu. “O arrastão foi absolutamente pontual. Nada que tenha prejudicado o evento”, disse o secretário municipal da Cultura, Juca Ferreira. Vários shows foram cancelados pela chuva. 

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domingo, maio 18, 2014

Quem semeia ventos....


Ubatuba em foco

Obras na cidade

Prefeitura notifica MP sobre irregularidades em obra do "Centro do Professorado" entre 2006 e 2012

Assessoria de comunicação PMU
A prefeitura de Ubatuba encaminhou ao Ministério Público nesta quinta-feira uma série de documentos com irregularidades e apontamentos de ilegalidades na obra do "Centro do Professorado" entre 2006 e 2012. O trabalho entregue ao Poder Judiciário tem cerca de mil páginas e relata problemas no processo desde a desapropriação do antigo imóvel, até a utilização irregular do novo prédio em 2012. Os documentos têm o objetivo de contribuir com o Ministério Público em um eventual ajuizamento de Ação Civil Pública de responsabilidade por cometimento de ato de improbidade administrativa, supostamente perpetrado pelo ex-prefeito da cidade, Eduardo de Souza Cesar. Além disso, a prefeitura trabalha na abertura de uma sindicância interna para apurar as responsabilidades sobre as irregularidades levantadas até agora.

Entenda o caso

São diferentes fatores em questão e eles apresentam uma série de irregularidades ao longo de todo o processo. Logo no início, ainda em 2006, o valor pago pela desapropriação do antigo imóvel, segundo documento do processo, foi distribuído para três pessoas diferentes, sendo R$ 550 mil para o proprietário do imóvel, R$ 250 mil para um escritório de advocacia e outros R$ 50 mil para outro escritório de advocacia. Tal fato, segundo a auditoria, sinalizaria a possibilidade de corretagem durante o processo público. Ainda em 2006, como justificativa pela desapropriação, foi ressaltado o valor arquitetônico e a fácil adaptação do antigo prédio ao novo projeto. No entanto, o antigo prédio foi totalmente demolido.  Após a demolição, os indícios de irregularidades continuam e a construção do "Centro do Professorado" começa sem a aprovação de projeto pela prefeitura, sem a anuência do Condephaat, sem planta regularizada do terreno e com dinheiro carimbado do Fundeb-Educação. Diante disso, o Condephaat embarga os trabalhos, o Tribunal de Contas do Estado aponta irregularidades no uso da verba e determina a paralisação imediata dos repasses provenientes da Educação para a obra, que já tinha recebido mais de R$ 4 milhões do Fundeb. A gestão passada da prefeitura passa a gastar verbas de outros setores da cidade, principalmente da secretaria de Obras, alcançando o valor de cerca de R$ 6 milhões de dinheiro municipal no prédio, totalizando até 2012, um gasto total aproximado de R$ 10 milhões. O impasse torna-se tamanho que o caso vai parar na Justiça em forma de um TAC entre Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, Condephaat e Prefeitura de Ubatuba. A partir de então, a abertura do espaço passa a ficar judicialmente condicionada à diversas questões acordadas pelas partes. Neste TAC, publicado em 2012, outras desapropriações, mudanças arquitetônicas na obra e no entorno e até o aterramento da fiação da Praça da Matriz são citadas como condicionantes para a liberação. Mesmo diante de tantos apontamentos e sem qualquer regularização do prédio e de seu uso, a gestão passada permite o seu funcionamento: sem AVCB e sem Alvará de Funcionamento. Mais que isso, o funcionamento do prédio público ocorreu com iniciativas coordenadas por particulares, com cobrança de entrada, sem a presença de licitação ou concorrência pública para o uso.

A partir de 2013

Em 2013, diante de todos estes fatos e sem qualquer aprovação de uso pelo Corpo de Bombeiros, a prefeitura decreta a interdição da obra e institui um grupo para avaliar todos os problemas do processo. Enquanto os detalhes eram levantados por uma auditoria, a atual administração passa a trabalhar na resolução de pendências existentes desde 2006, como a unificação dos lotes, a regularização da planta e a obtenção do Habite-se do prédio. Nesta mesma época, a prefeitura procura o Condephaat no sentido de uma renegociação do TAC, já que as "condicionantes" estabelecidas pela gestão passada não condizem com a realidade orçamentária da cidade, condicionando a abertura do espaço à outras duas desapropriações na Orla da Praia, aterramento da fiação elétrica de toda a Praça da Matriz e readequação de toda a parte frontal do prédio. Com os trabalhos parcialmente concluídos pela auditoria, a prefeitura ainda identifica problemas internos na obra, como falta de sistema de ventilação e exaustão, instalação de tubos no sistema de hidrantes para combate a incêndio menores do que os exigidos - e pagos - e outras pendências para a obtenção da autorização do Corpo de Bombeiros para o uso do espaço.  Os fatos são reunidos no relatório da auditoria e todo o material acaba encaminhado ao Ministério Público - como já informado no início do texto.

A partir de agora

Com todos os apontamentos de irregularidades e os indícios de ilegalidades enviados ao Poder Judiciário, a prefeitura trabalha agora na regularização do Projeto de AVCB e, consequentemente, no agendamento de uma vistoria do Corpo de Bombeiros, para a emissão de um parecer oficial sobre quais serão os ajustes necessários para a abertura regularizada do prédio.

"A previsão é de que ainda neste mês seja realizada a vistoria dos Bombeiros e que, a partir daí, se saiba o que realmente a prefeitura terá que fazer para o espaço ser aberto sem oferecer riscos ao público. Com este parecer em mãos, poderemos ter a dimensão de qual o volume de verbas para os reparos serão necessários, bem como acrescentar estes fatos ao novo TAC", diz Robertson Martins, assessor de Relações Federativas da Prefeitura de Ubatuba. 

"Há total interesse em regularizar a situação e colocar o espaço à disposição da população. Tudo que está sendo feito, será dentro da legalidade, independente do tempo que se demore e do desgaste por não se abrir de forma irregular o teatro como alguns querem".

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Dominique


Opinião

O desastre em números

O Estado de S.Paulo
O falatório triunfal da presidente Dilma Rousseff, empenhada cada vez mais em fazer campanha e cada vez menos em governar, foi desmentido mais uma vez por números oficiais. A economia continua emperrada e nem a repetição de um resultado pífio como o do ano passado está garantido, segundo o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB). A atividade encolheu 0,11% de fevereiro para março e no primeiro trimestre foi apenas 0,3% maior que nos últimos três meses de 2013. Esses e outros dados apontam um começo de ano muito ruim, com indústria em ritmo de tartaruga, inflação elevada, contas externas em mau estado e muita desconfiança entre empresários, investidores e consumidores.

Em março, a atividade foi 0,27% mais alta que a de março de 2013, na série depurada de efeitos sazonais. A média do trimestre foi 1,02% maior que a de janeiro a março do ano passado. Em 12 meses o crescimento acumulado ficou em 2,11%. Além de muito fracos, os números apontam uma desaceleração iniciada em novembro.

Com base no material do BC, consultorias e departamentos econômicos de bancos tentaram estimar, já na manhã de sexta-feira, a evolução do PIB nos primeiros três meses deste ano. Os primeiros resultados ficaram entre crescimento zero e um avanço muito pequeno. Nesta altura, mesmo as taxas de expansão projetadas para o ano, geralmente abaixo de 2%, parecem otimistas, segundo técnicos do mercado.

Na segunda-feira, o BC havia divulgado a mediana das projeções coletadas na sexta-feira anterior na pesquisa Focus, uma consulta semanal a cerca de cem consultorias e instituições financeiras. Essa mediana havia subido de 1,63% para 1,69%. Apesar da ligeira elevação, continuava abaixo da estimativa publicada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) na segunda semana de abril: 1,8%.

Projeções são sujeitas a erros e apenas para especulação vale a pena apostar neste ou naquele número, quando as diferenças, para todos os demais efeitos, são pouco relevantes. Neste caso, o ponto importante parece muito claro: nenhuma estimativa, nem mesmo do governo, aponta para um desempenho econômico muito melhor que o do ano passado.

Pela primeira estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB cresceu 2,3% em 2013. A segunda estimativa deverá refletir, entre outros fatores, o novo critério de cálculo da produção industrial, com universo maior e nova ponderação dos subsetores. Com essa mudança, o aumento do PIB da indústria passou de 1,2% para 2,3%.

Essa alteração, tomada isoladamente, dificilmente levará o cálculo total do PIB a um resultado muito melhor que o já divulgado. Em resumo, os dados oficiais do ano passado continuarão ruins - ou muito ruins, se comparados com os de outros países emergentes - e os números deste ano só serão melhores que os de 2o13 se algum fator especial turbinar a produção nos meses restantes. Nenhum fenômeno desse tipo parece ter ocorrido a partir de abril.

Até o estímulo ao consumo, linha principal da política econômica nos últimos anos, parece perder eficácia. O crédito continua em expansão, mas em ritmo mais lento que nos anos anteriores e os juros estão mais altos. Além disso, a redução do estímulo fiscal seletivo já se reflete no menor dinamismo da indústria automobilística. Como complemento, a inflação persistente afeta o poder de compra das famílias e reduz o entusiasmo dos consumidores. Em março, o comércio varejista restrito vendeu 1,1% menos que um ano antes. O comércio ampliado (com inclusão de veículos, autopeças e material de construção) ficou 5,7% abaixo do nível de março de 2013. O resultado é explicável principalmente pelo setor de veículos e componentes, com vendas 16% inferiores às do mesmo mês do ano anterior.

Esse quadro é consequência previsível de uma política centrada no estímulo ao consumo, sem preocupação com a produtividade e com inegável tolerância à inflação. Até agora, a reação do governo tem consistido em prometer mais do mesmo.

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 18 / 05 / 2014

Correio Braziliense
"A Copa pede passagem"

No palanque e nas ruas/ Disputa em campo, manifestações, segurança e mobilidade urbana vão influenciar as eleições nas 12 sedes dos jogos

Do you speak english?/ Brasilienses afiam o inglês e o espanhol para receber mais de 70 mil estrangeiros que o Mundial deve atrair à cidade. Um Mané como o torcedor nunca viu. Um ano após a inauguração, uma viagem pelos bastidores do estádio em Brasília revela a existência de uma estrutura gigantesca a serviço do futebol. Metrô até o estádio é babaquice? Polêmica à parte, saiba por que as prometidas obras de infraestrutura para o evento internacional atrasam tando no Brasil.  

Folha de São Paulo
"SP vai à Justiça contra ganhos de concessionárias"

Governo Alckmin tenta recuperar parte dos R$ 2 bi que gestoras de rodovias teriam recebido de forma indevida

O governo Alckmin (PSDB) foi à Justiça contra três concessionárias de rodovias em São Paulo para tentar recuperar parte dos R$ 2 bilhões que 12 empresas teriam recebido indevidamente até 2012. Outras cinco ações estão prontas para serem movidas, com base em investigações da Artesp, a agência estadual responsável pelas rodovias. Segundo o órgão, alterações nos contratos feitas em 2006, no fim da gestão Cláudio Lembo (PSD), permitiram às administradoras elevarem suas taxas de retorno de, em média, 18% para 25%.

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