sábado, maio 17, 2014

Dominique


Opinião

A Copa e a avenida

O Estado de S.Paulo
No dia 17 de junho do ano passado, 230 mil pessoas saíram às ruas de 12 capitais brasileiras para dar vazão, como se disse à época, à vontade de falar - contra o aumento das passagens de ônibus, o descalabro dos serviços públicos, a indiferença dos governantes diante da dureza do cotidiano para a grande maioria da população, o colapso da representatividade do sistema político e a gastança com a Copa. Aquela não foi a primeira nem a derradeira das manifestações tidas como prova de que "o gigante acordou", na jubilosa avaliação dos seus participantes mais otimistas.

Onze meses menos dois dias depois, foram apenas 21 mil as pessoas, desigualmente distribuídas por 7 capitais, que se animaram a dar visibilidade a um rol de protestos e reivindicações em cujo centro estaria a denúncia das "injustiças da Copa". A causa, porém, não mobilizou mais de 5,5 mil ativistas, concentrados em Belo Horizonte (2 mil), Rio e São Paulo (1,5 mil em cada uma delas). Aqui, o dia foi dos aproximadamente 8 mil professores municipais, em quilométrica passeata por melhores salários, e dos 6 mil sem-teto que promoveram concentrações e bloqueios em seis áreas da cidade.

Metalúrgicos circularam por cinco outros pontos, enquanto umas poucas centenas de ex-funcionários de uma associação privada também fizeram a sua parte para o intermitente bloqueio da Avenida Paulista, o coração da capital. Está claro que muita coisa se transformou de um ano para cá em matéria de expressão pública seja lá de que bandeira for. Não só o número de manifestantes ficou reduzido a uma fração daqueles das jornadas de junho - que chegaram a ser chamadas "históricas" -, como, principalmente, mudou o seu perfil e mudaram as suas palavras de ordem.

O que havia então era um desabafo em grande medida espontâneo de uma massa composta na esmagadora maioria por jovens em defesa do interesse coletivo desatendido por um Estado pronto a gastar uma fortuna com o Mundial, mas avaro e negligente quando se trata de investir na qualidade de vida do povo, cobrando o que seria demais dos usuários de transporte coletivo e respeitando de menos os pacientes do SUS. O que prevalece agora, a julgar pelo que se acabou de ver, são setores organizados em defesa de interesses delimitados (acesso à moradia, por exemplo) ou corporações profissionais (como professores) com suas periódicas demandas por aumento salarial.

Do espírito de junho, como se queira julgá-lo, ficaram os minoritários protestos contra a Copa - com o seu escasso senso de realidade e elevada propensão para o confronto e o vandalismo. Se agora servem quase só para dar carona a pressões de terceiros por suas cobranças próprias, é improvável que consigam recobrar força durante o campeonato a ponto de provocar os temidos distúrbios de repercussão internacional. Como diz a presidente Dilma Rousseff, "na hora de a onça beber água este país vai endoidar". Até os líderes dos sem-teto falam em "um protesto a cada semana até a Copa".

De qualquer modo, ela virá e se irá. Mas permanecerá - ou, antes, poderá ficar pior - a truculência com que, sejam multidões ou grupelhos, os interessados em promover tais ou quais verdades têm se apoderado do sempre concorrido espaço público nos pontos nevrálgicos das metrópoles brasileiras, cerceando o direito de ir e vir que a Constituição a todos assegura. Manifestações pacíficas são legítimas; são unha e carne do sistema democrático. Mas a liberdade coletiva de expressão não pode ser exercida ao bel-prazer de quem quer que pretenda se exprimir a céu aberto.

A competição pelo uso da rua e as tensões que disso decorrem são inerente ao mundo urbano. Tornam imprescindível, pois, a intervenção do poder público para regulamentar, no tempo e no espaço, o exercício do direito de manifestação para que não tolha além da conta os afazeres e o deslocamento dos demais. A omissão das autoridades em face da tomada da Paulista é inaceitável: nenhum dos sucessivos grupos que transtornaram a mais importante via paulistana, em cujas proximidades, aliás, funcionam numerosos hospitais, precisou pedir autorização para se escarrapachar, literalmente, na avenida. Foi uma violência consentida.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 17 / 05 / 2014

Correio Braziliense
"Bebeu, dirigiu, matou e vai se livrar da cadeia"

Rafael Yanovich Sadite terá de pagar fiança fixada em R$ 30 mil para deixar a prisão. Infrator contumaz no trânsito, ele havia tomado bebida alcoólica—conforme flagrou o teste do bafômetro—antes de provocar o acidente em que morreram mãe e filha no Park Way. 

Folha de São Paulo
"Para Lula, cobrar metrô em estádio é ‘babaquice’"

Ex-presidente afirma que brasileiros não têm ‘problema em andar a pé’

Em palestra a blogueiros, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou de “babaquice” a preocupação de dar mobilidade de Primeiro Mundo para torcedores na Copa, como “chegar de metrô dentro do estádio”. Lula disse que o brasileiro “nunca teve problema em andar a pé”. “Mas o que a gente está preocupado é que tem que ter metrô, tem que ir até dentro do estádio? Que babaquice é essa?”, disse. Somente 3 das 12 cidades-sedes têm estações de trem servindo os estádios. Duas obras foram adiadas. O presidente da Fifa, Joseph Blatter, disse que os brasileiros estão um “pouco descontentes” porque muitas promessas de melhoria de vida ligadas à Copa não foram cumpridas.“Para melhorar, é preciso a vontade do povo de trabalhar.” Segundo ele, o apoio crescerá quando o torneio começar. Para o governo, o saldo das manifestações de quinta-feira (15) foi positivo pela baixa adesão, mas a violência preocupa.  

Twitter

sexta-feira, maio 16, 2014

Tango


Coluna do Celsinho

Puro

Celso de Almeida Jr.

Gosto de romances históricos.

Andrew Miller, escritor inglês, brindou-nos com um magnífico.

Publicado pela Bertrand Brasil, com tradução de Regina Lyra, Puro é um primor.

Na Paris pré-Revolução, em 1785, um jovem engenheiro vive um momento extraordinário.

Suas ações apontam para o futuro, para a razão, vivenciando o impacto das mudanças e as dificuldades para aceitá-las.

O texto preciso, claro, quase poético, dá um brilho especial às atitudes mais simples, conduzindo à profunda reflexão sobre a nossa existência.

Puro, vencedor do Costa Book Award, é daqueles livros que se lê com velocidade.

Delicada emoção em 375 páginas.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

Twitter

Dominique


Opinião

Dando e recebendo

O Estado de S.Paulo
Continuará intensa no último ano do atual mandato da presidente Dilma Rousseff a esdrúxula relação entre o Tesouro e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que, por meio de operações contábeis e financeiras, ajuda o governo a melhorar os resultados fiscais, à custa do crescimento da dívida pública - e das despesas financeiras presentes e futuras. O que o governo dá com uma mão, sem afetar o resultado fiscal, pois o aumento da dívida não é computado como despesa, recebe com a outra, lançando os resultados como receitas, que entram no cálculo do superávit primário.

A necessidade de estimular os investimentos é a justificativa do governo para realizar essas operações, mas os dados recentes mostram que, nesse aspecto, elas têm sido pouco eficazes. Sua manutenção e a mobilização de mais e mais recursos públicos para alimentá-las, apesar de seus resultados pífios, indicam que essas operações - legais, destaque-se - foram montadas também, se não exclusivamente, para ajudar o governo a encobrir a piora de suas contas.

Com a Medida Provisória (MP) n.º 633, baixada no fim do ano passado, o governo aumentou de R$ 322 bilhões para R$ 372 bilhões o limite de recursos que o Tesouro pode repassar ao BNDES e que permitem à instituição conceder financiamentos subsidiados. Há dias, o Ministério da Fazenda solicitou ao relator da MP na comissão mista do Congresso que a examina, deputado Fernando Francischini (SDD-PR), o acréscimo ao texto original de autorização para mais um aporte de R$ 30 bilhões. Assim, o total autorizado passará para R$ 402 bilhões, ou R$ 80 bilhões a mais do que o teto atual, que foi definido por lei em 2009. O texto, já aprovado pela comissão mista, deve ser votado pelo plenário da Câmara nos próximos dias.

Desde o início da crise mundial, o governo vem transferindo anualmente para o BNDES recursos que somam algumas dezenas de bilhões de reais. No fim do ano passado, as transferências já somavam R$ 319 bilhões, muito próximo do teto até então autorizado (somando-se transferências feitas antes do início da crise, os recursos repassados pelo Tesouro ao BNDES alcançavam R$ 398 bilhões no fim do ano passado).

Trata-se de uma operação financeiramente desvantajosa para o Tesouro, ou seja, para o País. Para fazer os repasses, o Tesouro precisa captar recursos no mercado, emitindo títulos de dívida, que lhe custam a taxa Selic (atualmente de 11% ao ano). Mas cobra do BNDES o equivalente à Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), de 5% ao ano, mais um acréscimo, que em 2013 esteve na média de 0,13% ao ano.

Financeiramente, essa diferença entre o que paga e o que recebe impõe perdas elevadas para o Tesouro. No ano passado, a perda foi estimada em R$ 23 bilhões. De outra parte, o BNDES, ao manter os títulos do Tesouro em carteira ainda que temporariamente, ganha com a diferença de taxas. Isso resulta em lucros elevados para a instituição e, consequentemente, o pagamento de dividendos para seu controlador, justamente o Tesouro. E, ao receber os dividendos, o Tesouro os lança como receitas, o que o ajuda a alcançar o superávit.

Ávido por recursos que ajudem a melhorar os resultados fiscais - prejudicados pela gastança do governo, mais intensa em ano eleitoral -, o Tesouro vem antecipando o recebimento de dividendos, principalmente do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, além do BNDES.

Usa de todas as possibilidades legais para isso. Só no primeiro trimestre deste ano, apropriou-se de R$ 3,898 bilhões do BNDES, que, para isso, teve de reduzir suas reservas estatutárias, que são constituídas para "assegurar a formação de patrimônio líquido compatível com a expectativa de crescimento de ativos" e "garantir margem operacional compatível com o crescimento das operações". Foi dinheiro essencial para o Tesouro apresentar, em março, um superávit primário de R$ 3,17 bilhões. Ou seja, sem o dinheiro do BNDES, o resultado poderia ter sido um déficit primário - o que não deixaria mais nenhuma dúvida sobre a deterioração das finanças do governo.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 16 / 05 / 2014

Correio Braziliense
"Um país em transe"

Professores, sem-teto e Comitê Popular da Copa tumultuaram São Paulo

Passeatas de trabalhadores e manifestações contra a Copa acabaram em atos violentos em São Paulo, no Rio e em Belo Horizonte. Também houve protestos em Brasília. No Recife, a tensão foi maior com a PM em greve, una onda de saques aterrorizou a população.

Folha de São Paulo
"Protesto contra Copa tem confronto e vandalismo"

Após manhã de atos pacíficos, mascarados fazem barricadas e depredam loja em SP

Ato contra gastos da Copa em São Paulo voltou a ter vandalismo e confronto entre manifestantes e PMs. A 28 dias do Mundial, mascarados, adeptos da tática “black bloc”, fizeram barricadas, atearam fogo em lixo e depredaram loja de carros. Também houve protestos em outras cidades-sedes, mas sem registro de confrontos. A capital paulista também teve uma série de manifestações pacíficas. A maior foi a dos professores municipais, que reuniu cerca de 8.000 pessoas. Ao menos 15 mil foram às ruas em São Paulo. Pela manhã, sem-teto fecharam as principais vias da cidade. Em frente ao Itaquerão, integrantes da Gaviões da Fiel, disfarçados, intervieram para defender o estádio — que abrigará a abertura da Copa. O governo desistiu de submeter ao Congresso a nova lei que iria punir com mais rigor ativistas que praticassem vandalismo nas manifestações. Segundo o Planalto, a medida é demonstração de confiança para que atos sejam sem violência. 

Twitter

quinta-feira, maio 15, 2014

Dominique


Opinião

'Copa das Copas'? Ou das lorotas?

Eugênio Bucci* - O Estado de S.Paulo
Antes mesmo de o escrete canarinho pisar os abastados gramados inacabados, a máquina publicitária do governo federal já entrou em campo. Tomou conta de todos os intervalos comerciais da TV. Com força. Com garra. Com vontade. Com força total. E também com uma dose considerável do que poderíamos chamar de doideira oficialista: em pleno país do futebol, onde supostamente a maioria dos nativos se delicia vendo jogadores dando chutes na bola enquanto um juiz corre atrás deles com um apito na boca, a propaganda do governo quer convencer o povo de que Copa do Mundo vale a pena, é legal, é boa à beça. Coisa estranha, convenhamos. Antes, o governo queria porque queria fazer a Copa no Brasil pois isso traria a felicidade geral da Nação, sabidamente aficionada desse esporte exótico. Agora, precisa gastar dinheiro público para encorajar a Nação a ficar feliz, feliz no geral e no particular, porque a Copa vai ser uma apoteose. Vai ser, como diz o locutor chapa-branca, "a Copa das Copas". "Entende?", diria o Pelé.

Aí você pergunta: Mas o que é que está havendo? Será que existe no governo alguma desconfiança de que "não vai ter Copa"? Qual a lógica dessa faraônica operação de marketing? Por acaso o Palácio do Planalto, tão dado a pesquisas de opinião, andou descobrindo que o brasileiro agora começou a odiar futebol? São perguntas que merecem alguns minutos da nossa atenção. As autoridades federais parecem aflitas, o que é esquisito. De um lado, providenciam a força bruta para atuar como leão de chácara dos estádios. De outro, despejam em cima da sociedade este interminável e sufocante blá-blá-blá publicitário, pago pelos cofres públicos.

Quanto à força bruta, a Presidência da República mandou convocar milhares de soldados do Exército para vigiar bem de perto os cidadãos que pretendem protestar. Temem que as polícias, sozinhas, não deem conta da repressão. A própria presidente Dilma Rousseff já falou que não quer saber de manifestações atrapalhando o espetáculo. Em Jati, no Ceará, há dois dias, ela declarou que "quem quiser (se) manifestar não pode atrapalhar a Copa". Com a originalidade retórica que lhe tem sido peculiar, expressou a sua presidencial opinião: "Acho que a Copa tem todas as condições de ser um sucesso. Estamos garantindo a segurança. A conjunção de forças federais com as Polícias Militares dos Estados, a Força Nacional, tudo isso vai assegurar que ela seja feita pacificamente".

Do lado do blá-blá-blá publicitário, o estilo é um pouco menos tecnocrático, embora tente provar, por meio de cálculos devidamente tecnocráticos, que esta Copa - já famosa pela gastança de verba pública e pelo desperdício sem critérios em obras que não ficarão prontas a tempo - tem, digamos, um custo-benefício imbatível. No fim de tudo, você, brasileiro, pode apostar, vai sair no lucro. Entende?

A matemática da oratória ufanista é a seguinte (vamos transcrever aqui um trecho do discurso oficial): "Com o esforço e o talento do brasileiro, conquistamos o direito de sediar a Copa de 2014. É campeããão! Só com turismo e serviços, a realização da Copa movimenta R$ 142 bilhões na economia".

Sem contestar os R$ 142 bilhões, valeria pedir licença para indagar, com todo o respeito: Desde quando "sediar a Copa" é um direito? Se não é, digamos, um direito propriamente dito, por que insistir nessa linguagem meio reivindicatória, meio sindicaleira? Será por que esse palavreado aproxima a publicidade oficial da publicidade partidária do PT, que também está no ar por estes dias? É bem verdade que a propaganda do PT não tem nada que ver com futebol; descamba para um terrorismo simbólico um tanto baixo, afirmando que o brasileiro não vai querer "voltar atrás" porque isso significaria desemprego, tristeza e criancinhas sem sorvete (só faltou, ali, alguém contratar a Regina Duarte para arregalar os olhos e dizer "eu tenho medo"). Ao insistir na tese de que sediar a Copa é um "direito" conquistado, porém, o anúncio do governo ecoa a retórica dos publicitários eleitorais do PT, como se a alegria só estivesse ao alcance daqueles que não voltam atrás e aderem obedientes à euforia oficial, seja na Copa, seja nas eleições.

Por esse caminho sutilmente partidário, a investida da comunicação governamental se projeta como um chamamento cívico. E meio assim, de esquerda, entende? Chama o povo para cerrar fileiras com a presidente da República, estigmatizando, segregando e demonizando todos os que não estão de acordo com este circo padrão Fifa.

A coisa é muito simples: quem não veste a camisa quando a presidente manda não é bom brasileiro. E, se você quiser saber exatamente o que significa ser brasileiro, fique tranquilo. A publicidade chapa-branca explica direitinho, pedagógica e patrioticamente: "Quando te perguntarem o que é ser brasileiro, diga 'um povo feliz, muito batalhador. Gente forte e firme, que pega no batente, que não abre mão do que já conquistou. Que cria, que sonha. Que entra em campo e faz o seu papel. Que vence as fronteiras e tem talento pra ganhar o céu'. Eu quero cantar pro mundo inteiro o que é ser brasileiro. O maior espetáculo da Terra vai acontecer aqui, na nossa casa. E dentro e fora de campo vamos encantar o mundo com nosso talento e nossa garra. Isso é ser brasileiro. Porque essa é a nossa Copa. Essa é a Copa das Copas".

Entende?

O governo anda em alerta total com as críticas à Copa do Mundo. Quer construir um sólido consenso a favor (dos jogos e da reeleição, tudo de uma vez só). Vai ser por bem (supondo-se que o marketing governista seja o argumento "do bem", o argumento bonzinho) ou por mal (os garotos fardados de verde-oliva estariam no papel de bad cop). Às vezes, dependendo do clima político, até a alegria é autoritária.

*Eugênio Bucci é jornalista e professor da ECA-USP e da ESPM. 

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 15 / 05 / 2014

Correio Braziliense
"Campanha do medo assusta até petistas"

A cúpula do governo Dilma Rousseff se dividiu diante da propaganda eleitoral do PT 

Nela, o partido lança mão de estratégia que o PSDB empregou contra Lula em 2002 e que se revelou equivocada. Agora, após sucessivas quedas de Dilma nas pesquisas, o marqueteiro João Santana recorre ao episódio “Regina Duarte”, usando atores para disseminar na população menos esclarecida o medo de supostas perdas em caso de vitória da oposição. Uma parte dos ministros, com forte influência nas decisões da presidente, expressou insatisfação. Outro grupo defendeu Santana. “Depois de 12 anos no poder, é isso que o PT tem a oferecer ao país? O medo? A desesperança?”, reagiu o tucano Aécio Neves, Eduardo Campos (PSB) também criticou a peça publicitária.

Folha de São Paulo
"Mantega nega uso de tarifas para controlar inflação"

Ministro rebate fala de Mercadante; rivais de Dilma na eleição presidencial criticam modelo econômico do governo

O ministro Guido Mantega (Fazenda) rebateu afirmações do chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, de que o governo administra tarifas para frear a inflação. Sem se referir à entrevista de Mercadante à Folha desta quarta (14), Mantega citou a alta da energia elétrica e reajustes recentes de combustível. “Gasolina tem tido aumentos todo ano no Brasil. Não é verdade que tarifas são represadas”, disse o ministro, em audiência na Câmara. Rivais da presidente Dilma Rousseff na eleição de outubro aproveitaram as declarações de Mercadante para criticar o modelo econômico da gestão da petista. O pré-candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB) afirmou que o governo age com “discurso demagógico” sobre a inflação. Eduardo Campos (PSB) disse que não foi feito “o dever de casa na política monetária e fiscal”. Aécio e Campos não disseram se fariam reajustes nas tarifas controladas.

Twitter

quarta-feira, maio 14, 2014

Dominique


Opinião

Começando a fazer o diabo

O Estado de S.Paulo
Costumam dar em nada os protestos e as ações da oposição junto à Justiça Eleitoral contra as manifestações públicas da presidente Dilma Rousseff que mal disfarçam sua condição de peças de campanha pelo segundo mandato. A mais recente e explícita delas foi a da véspera do Primeiro de Maio, quando a candidata declarada anunciou em rede nacional um aumento de 10% nos valores do Bolsa Família e correção de 4,5% da Tabela do Imposto de Renda. Além disso, prometeu manter a política de valorização do salário mínimo, só faltando acrescentar "se for reeleita".

Mas, apesar da transgressão impune das regras que demarcam o campo da propaganda a cada ciclo eleitoral e da resignação de muitos diante dessas recorrentes violações, não pode passar como "mais do mesmo" o que ocorreu na segunda-feira no município baiano de São Francisco do Conde, a 60 quilômetros de Salvador, em um evento do governo Dilma - a inauguração oficial do câmpus da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), uma instituição federal, em funcionamento desde fevereiro do ano passado.

Tanto que o Planalto estava representado pelos ministros da Educação, Henrique Paim, e da Igualdade Racial, Luiza Barros. Ao seu lado, como convidado com direito a discurso, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Até aqui, tudo bem. Ninguém lhe fará a injustiça de ignorar o seu empenho pela melhoria da qualidade de vida da população negra e a valorização dos vínculos históricos e culturais entre o Brasil e a África. Com a loquacidade que lhe é peculiar, ele poderia açambarcar a festividade inteira e mais o resto do dia falando disso.

Mas Lula preferia assegurar para a sua causa o apoio dos cerca de mil presentes - em meio aos quais se destacavam embandeirados militantes petistas e funcionários paramentados de vermelho. Mais ainda, queria as atenções do número incomparavelmente maior de cidadãos aos quais a mídia eletrônica e os jornais levariam as suas palavras. Daí, com um descaramento que desafia até mesmo os seus afamados padrões, ser toda outra a causa a que dedicaria o seu verbo - a reeleição de Dilma. Certa vez ela disse, como deve ter aprendido com o mentor, que "podemos fazer o diabo quando é hora de eleição". E nisso ele tornou a provar que ninguém o supera.

Quem o ouvisse, sem saber das circunstâncias de sua fala, poderia achar que já começara a temporada de sagração dos candidatos às eleições de outubro e que ele discursava na convenção do PT que homologaria o nome da presidente em busca de mais quatro anos de poder - formalizando dessa vez o que Lula mandou o partido fazer, primeiro em fevereiro de 2013, depois na semana atrasada, para calar os companheiros que sonhavam com a sua volta. O desavisado ouvinte também podia imaginar que a campanha já tinha começado e Lula estava no seu lugar preferido, entregue ao que mais o gratifica: um palanque e um comício.

"Nunca vi", arengou, recorrendo ao seu advérbio de estimação, "baterem tanto na presidente Dilma como estão batendo agora." Fundindo a disputa de 2010 com a deste ano, disparou que "batem na Dilma porque acham que não é possível este país eleger esta mulher e ainda mais reeleger esta mulher, para desgraça deles". Foi de caso pensado: o eleitorado feminino, à parte quaisquer outros fatores, tende a ser menos dilmista; daí a esperteza de apresentar os projetos políticos de sua afilhada como símbolo da ascensão da mulher no Brasil. Mas ele não perdeu tempo para assumir a paternidade de suas aspirações.

"A Dilma, além de ser uma mulher inteligente e competente", derramou-se, "é uma de nós." Caso alguém não tenha entendido o que isso significa, traduziu: "Ela está lá porque nós quisemos e vai ficar lá porque nós queremos". O plural majestático não foi uma figura de retórica. Além de reiterar a sua ascendência sobre a candidata, foi um aviso a aliados e adversários de que virá com tudo para reelegê-la. Fazer campanha em ato oficial será café-pequeno, como mostram suas declarações ao jornal A Tarde: "Tenho às vezes impressão de que tem gente querendo fazer caixa 2 fazendo denúncia contra a Petrobrás".

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 14 / 05 / 2014

Correio Braziliense
"Copa, manifestações e tropas nas ruas do país"

0 Rio voltou a viver um dia caótico, com greve de rodoviários, ônibus depredados e tropas nas ruas 

À tarde, a Justiça determinou que 70% dos ônibus voltem a circular hoje. Na capital fluminense, vigilantes e engenheiros também iniciaram campanha salarial. Já em São Paulo, professores pararam o trânsito com marcha no centro da cidade. A menos de 30 dias da Copa, o país parece em ebulição: há manifestações marcadas para amanhã em Brasília e em mais 16 capitais. Na UnB, o torneio contagiou até a disputa pelo Diretório Central dos Estudantes, com chapas a favor e contra o Mundial.

Folha de São Paulo
"Governo segura tarifas para frear inflação, diz ministro"

Para Mercadante (Casa Civil), prática é estratégica e para defender os cidadãos

Embora renegue a expressão “controle de preços”, o ministro Aloizio Mercadante admitiu, a Valdo Cruz e Natuza Nery, que o governo Dilma administra preços de combustíveis e energia para evitar impactos nos índices gerais de inflação. Na primeira entrevista exclusiva desde que assumiu a Casa Civil, em fevereiro, Mercadante afirmou que a administração de preços se faz por interesses estratégicos, para defender os cidadãos, e permite que o efeito dos reajustes se dilua no tempo. O ministro criticou a oposição, que, segundo ele, propõe, a pretexto de reduzir a inflação, voltar com desemprego, arrocho salarial e recessão. Sobre a crise da água em São Paulo, atacou a gestão do PSDB: “Faltou investimento prudencial”. Numa estratégia similar à do PSDB nas campanhas de 1998 e 2002, anúncio do PT na TV associou rivais a “fantasmas do passado”, que levariam “tudo o que conseguimos”. 0 filme afirma ainda que o Brasil “não quer voltar atrás”.

Twitter

terça-feira, maio 13, 2014

Dominique


Opinião

O agronegócio salvador

O Estado de S.Paulo
Com superávit de US$ 24,14 bilhões de janeiro a abril, o agronegócio continua sendo o principal suporte do comércio exterior brasileiro, abalado por exportações totais em queda e um desempenho muito ruim da maior parte da indústria. Aquele saldo positivo foi obtido apesar do cenário externo ainda adverso e da redução de preços de vários produtos importantes, como soja e grãos, carnes, açúcar e álcool. As exportações do setor renderam US$ 29,85 bilhões nos primeiros quatro meses, 1,2% menos que um ano antes. Mesmo assim, essas vendas compensaram boa parte do desastre observado em outros componentes da balança comercial. As vendas de manufaturados, no valor de US$ 24,659 bilhões, foram 7,6% menores que as de janeiro a abril do ano passado. As de semimanufaturados, de US$ 8,769 bilhões, ficaram 9,5% abaixo das contabilizadas no mesmo quadrimestre de 2013. O saldo geral do comércio de bens foi um buraco de US$ 5,57 bilhões. Teria sido muito pior sem a receita de produtos agropecuários com ou sem processamento.

A Ásia, excluído o Oriente Médio, continuou sendo o principal destino das exportações do agronegócio brasileiro. A região proporcionou 43,3% da receita obtida pelo setor. A China permaneceu como a compradora número um. Absorveu produtos no valor de US$ 8,1 bilhões, 27,1% do total faturado pelo Brasil. O gasto chinês foi 33,1% maior que o de igual período de um ano antes. Embora com menor crescimento, explicável em boa parte por ajustes internos, a economia chinesa permanece como o destino mais importante das exportações agrícolas brasileiras e como a principal parceira comercial do Brasil. No primeiro quadrimestre, a China comprou produtos brasileiros no valor de US$ 14,07 bilhões, 20,3% do total.

A permanência da China como enorme consumidora de matérias-primas, apesar de seu menor crescimento econômico, é uma excelente notícia para o Brasil. Nos últimos anos, a perspectiva de ajuste na economia chinesa motivou alguma preocupação quanto a seus efeitos para a economia brasileira. Pelo menos até agora, as más previsões foram desmentidas. O apetite chinês por produtos agrícolas e outras matérias-primas é hoje especialmente importante para o Brasil, por causa do mau desempenho comercial dos produtores de manufaturados e de boa parte dos fabricantes de semimanufaturados.

Mas há dois aspectos negativos nesse quadro. O primeiro é a continuação da enorme dependência do Brasil em relação à economia da China e de alguns outros mercados da Ásia. Essa dependência é especialmente ruim porque o comércio com esses parceiros é semicolonial, com o Brasil exportando quase exclusivamente produtos primários e importando manufaturados. Em 2013, só 3,39% dos US$ 46,03 bilhões vendidos à China corresponderam a manufaturados. Incluídos os semimanufaturados, as vendas totais da indústria chegaram a US$ 7,02 bilhões, 15,25% do total. No mesmo ano, a indústria brasileira vendeu US$ 17,77 bilhões aos Estados Unidos, incluídos US$ 13,06 bilhões de manufaturados.

O segundo aspecto negativo é a excessiva dependência do agronegócio. É muito bom dispor de uma agropecuária eficiente e complementada por uma agroindústria de alta qualidade, formando um conjunto com alta produtividade e grande poder de competição. Mas é igualmente indispensável, para uma economia como a brasileira, dispor de uma indústria de transformação capaz de concorrer com produtores estrangeiros tanto fora do País quanto no mercado interno.

Há muitos argumentos a favor deste ponto de vista. Preços industriais são geralmente menos instáveis e o setor manufatureiro ainda é a principal fonte de empregos de alta qualidade, além de ter sido por muito tempo - e poderia voltar a ser - um grande núcleo de inovação e de absorção de tecnologia.

Não se trata de negligenciar o apoio ao desenvolvimento do agronegócio, o setor mais competitivo do Brasil, mas de reequilibrar os padrões de eficiência dos dois grandes segmentos produtores de bens. Os formuladores e condutores da política econômica têm fracassado na execução dessa tarefa.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 13 / 05 / 2014

Correio Braziliense
"No meio do caminho havia um bêbado..."

Familiares e amigos choram no enterro da jornalista Alessandra Oliveira, 33 anos, e da filha dela, Júlia, de 1 ano e meio

Flagrado pelo teste do bafômetro, Rafael Yanovich Sadite, 33, o motorista que provocou o acidente no qual elas morreram, é um infrator contumaz. Só nos últimos 12 meses, ele acumula 19 multas por embriaguez ao volante, excesso de velocidade, disputa de racha e desacato. Estudo da OMS mostra que o consumo de álcool no Brasil supera a média mundial.

Folha de São Paulo
"A 30 dias da Copa, país cumpre só 41% das metas previstas"

Governos culpam mudanças de projetos, demora em repasses de recursos e até chuvas

A 30 dias do início da Copa do Mundo, o país concluiu menos da metade daquilo que se comprometeu a fazer para o megaevento. De 167 intervenções anunciadas, apenas 68 estão prontas, o equivalente a 41%. Outras 88 (53%) ainda estão incompletas ou ficarão para depois do Mundial, e 11 obras foram abandonadas e não sairão do papel. A Folha checou o andamento de todas as ações que constam da chamada “matriz de responsabilidades”, documento no qual o Brasil lista o que pretende fazer para o evento. A primeira versão é de 2010. A área de mobilidade urbana, uma das motivações dos protestos, é o setor que mais apresenta atrasos. Dos 12 estádios, 3 precisam de ajustes. Os governos das sedes da Copa dizem que mudanças de projeto, demora em repasses de recursos federais e até chuvas causaram os atrasos. O Ministério do Esporte afirma que os projetos que não forem concluídos até a Copa serão entregues depois à população.

Twitter

segunda-feira, maio 12, 2014

Dominique


Opinião

O que falta não é dinheiro

O Estado de S.Paulo
Se demandas sociais não são atendidas, como as manifestações de rua comprovam; se obras atrasam porque os recursos não são liberados e aplicados de acordo com o cronograma; e se, ainda assim, o governo enfrenta dificuldades cada vez maiores para cumprir a já limitada meta fiscal, e sempre à custa de artimanhas contábeis, não é por falta de dinheiro. Dinheiro há, suficiente para o governo cumprir adequadamente seu papel, prestando os serviços reclamados pela população, concluindo as obras necessárias para sustentar a atividade econômica e estimular o crescimento e mantendo as finanças públicas em ordem. Há até mais do que o suficiente para isso. O problema do governo federal não é falta de recursos; o que lhe falta é outra coisa.

Quanto à disponibilidade de dinheiro para cumprir seu papel, estudo feito pelo próprio governo, por meio da Secretaria do Tesouro Nacional e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostra que não há problemas. De acordo com o estudo - cujos dados foram divulgados pelo jornal Valor (8/5) -, como porcentagem do PIB brasileiro, a arrecadação federal nos três primeiros anos do mandato da presidente Dilma Rousseff foi sempre maior do que a de 2010, último ano do governo Lula.

Em dois dos três anos da gestão Dilma, a fatia do PIB absorvida pelo governo federal como tributo foi mais de 1,5 ponto porcentual maior do que a de 2010 (22,53% do PIB em 2010, 24,08% em 2011, 23,89% em 2012 e 24,04% em 2013). Vê-se que, em 2011 e no ano passado, o governo federal abocanhou praticamente um quarto de tudo o que o País produziu. Incluindo Estados e municípios, a carga tributária em 2013 foi estimada em 35,83% do PIB.

O documento em que esses números são apresentados é uma nota de responsabilidade do Tesouro acrescentada como "informações adicionais" à prestação de contas. O presidente da República tem a obrigação legal de apresentar anualmente sua prestação de contas, que inclui, entre outras demonstrações contábeis e financeiras oficiais, o Balanço Geral da União.

Cauteloso, o texto redigido pela Secretaria do Tesouro deixa claro que esses números são estimativas, pois, como esclarece, o cálculo oficial da carga tributária é feito pela Secretaria da Receita Federal, que costuma divulgar os resultados no segundo semestre de cada ano. Curiosamente, as estimativas do Tesouro para a carga tributária têm sido menores do que a carga oficial calculada pela Receita. Para 2012, por exemplo, a estimativa do Tesouro foi de 35,58% do PIB, enquanto o resultado da Receita foi de 35,85%. É possível que também em 2013 o total de impostos efetivamente pagos pelos contribuintes tenha sido maior do que o estimado pelo Tesouro e pelo Ipea.

O aumento da arrecadação federal em 2013, na comparação com 2012, em ritmo maior do que o do crescimento da economia - e que resultou no aumento da carga tributária -, foi justificado pela Receita como decorrente de medidas extraordinárias, especialmente a ampliação das possibilidades de parcelamento de débitos tributários vencidos, permitida pela reformulação do Refis. Só nos últimos três meses de 2013, a receita adicional propiciada pela adesão de grandes contribuintes ao Refis alcançou R$ 21,6 bilhões.

Além disso, em 2013, para o cálculo do superávit primário - necessário para o pagamento da dívida pública -, o governo cortou determinados itens das despesas, antecipou a apropriação de resultados de estatais e incorporou receitas extraordinárias, que não se repetirão no futuro, como o bônus de R$ 15 bilhões pago pelo consórcio vencedor do leilão do campo gigante de Libra, na área do pré-sal. No entanto, nem dispondo de receitas adicionais como essas, e em grandes volumes, nem atrasando a liberação de recursos para obras e serviços públicos, como tem feito, o governo consegue gerir suas finanças de maneira que os contribuintes possam confiar na preservação do equilíbrio fiscal.

Neste ano, mesmo dispondo de mais dinheiro, conforme dados da Receita, o governo continua com dificuldades para cumprir a meta fiscal, sinal de que as manobras continuam ativas.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 12 / 05 / 2014

Correio Braziliense
"A um mês da Copa, 5 estádios inacabados"

Obras precisam ser aceleradas, ou será um vexame

Faltam 31 dias para o Brasil, escolhido em 2007, sediar o Mundial de futebol. Mas nem a arena da abertura do torneio, o Itaquerão, em São Paulo, está pronta. Também ainda estão em obras as de Curitiba, Manaus, Cuiabá e Natal. E as intervenções de mobilidade urbana seguem atrasadas na maioria das capitais.

Folha de São Paulo
"Governo promete multas para evitar caos aéreo na Copa"

Agência Nacional de Aviação Civil ameaça até suspender licença de pilotos para conter atrasos durante o Mundial

O governo recorrerá a multas e outras punições para evitar atrasos de pousos e decolagens na Copa. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) promete punir empresas aéreas, donos de jatinhos e até pilotos de pequenas aeronaves que descumprirem regras e horários durante o Mundial. Em entrevista a Natuza Nery, o presidente da Anac, Marcelo Guaranys, afirmou que a partir de agora aeronaves menores terão de agendar qualquer pouso e decolagem, o que até então não era obrigatório. As medidas para evitar o caos aéreo na Copa vão continuar valendo depois do torneio. O desrespeito à programação pode levar a multa de até R$ 90 mil às empresas aéreas, e licenças de pilotos poderão ser suspensas. Questionado sobre se essas ações seriam um “pacote de maldades”, o presidente da Anac disse que “maldade é atrapalhar” o planejamento da Copa. 

Twitter

domingo, maio 11, 2014

Dominique


Opinião

Populismo e violência

O Estado de S.Paulo
As duas principais cidades do País, São Paulo e Rio de Janeiro, foram sacudidas na quinta-feira por manifestações públicas que em muitos pontos descambaram para a violência. Na capital paulista, cinco movimentos - três deles simultâneos - levaram às ruas militantes sem-teto que invadiram e picharam as sedes das três maiores empreiteiras responsáveis pelas obras da Copa do Mundo. No Rio, motoristas e cobradores em greve depredaram 467 ônibus - isso mesmo, quase meio milhar. O grave não são esses lamentáveis episódios em si. Gravíssimo é o fato de que eles estão se tornando banais, corriqueiros, cada vez mais descontrolados, revelando a cada dia com maior nitidez um cenário de convulsão social que ninguém sabe onde e como vai terminar.

Manifestações populares pacíficas, movimentos reivindicatórios ordeiros, atos públicos de protesto realizados sem violência são importantes para o aperfeiçoamento e fortalecimento das instituições democráticas.

Mas, quando se olha para o que está acontecendo em todo o País, o que se vê é muito diferente disso. Há fatores perturbadores que precisam ser levados em conta na avaliação dessas manifestações e da posição que o poder público tem assumido diante delas.

Um desses fatores é, obviamente, o sistemático desrespeito à lei e o desprezo pela segurança pública. Ninguém tem o direito, por mais justa que seja a causa que defende, de violar direitos alheios e muito menos de colocar em risco a integridade física de pessoas e do patrimônio público e privado, promovendo depredações e invadindo propriedades. São atos que a lei proíbe e pune e que o bom senso repele por serem contrários à boa convivência democrática.

Por outro lado, a intensidade com que avultam essas manifestações, abrangendo um amplo universo de agendas específicas - lamentavelmente pontuadas por atos de violência -, sugere que a sociedade brasileira está insatisfeita, inconformada, revoltada.

Mas este não é o país maravilhoso que em dez anos promoveu o milagre do resgate social dos desvalidos e se projetou triunfante na cena antes só frequentada pelas grandes potências mundiais? Não é o país em que o povo pode contar com as promessas de que tudo vai ficar melhor ainda, pois há infinitas bondades a serem sacadas da cornucópia dos poderosos?

É claro que o governo - que para onde olhe só enxerga urnas eleitorais - tem tudo a ver com o sentimento difuso de insatisfação que permeia a sociedade. Pois predomina o sentimento, nem sempre expresso com clareza, de que as conquistas das últimas décadas, obtidas com grandes sacrifícios - desde o controle da inflação e a valorização da moeda até uma melhor distribuição de renda -, correm sério risco diante da incompetência administrativa de um governo unicamente preocupado em se manter no poder.

A tudo isso se somam os temores gerados pela cúmplice despreocupação do governo com o gangsterismo que floresce em certos movimentos ditos sociais - aqueles que lideram a violência e o esbulho.

Afinal, que outra interpretação dar ao fato de a presidente Dilma Rousseff abrir espaço em sua agenda para dar atenção a manifestantes que, ao lado do local do encontro, estão cometendo o crime de invadir uma propriedade privada? Atitudes de mero oportunismo eleitoral como essa são, no mínimo, antipedagógicas do ponto de vista do exercício da cidadania. Afinal, se a chefe do governo é tolerante com invasores de Itaquera, por que não o será também com outros crimes?

Aos invasores que saíram do encontro com a presidente embalados pela promessa de que tudo será feito para incluí-los no Minha Casa, Minha Vida, cabe a piedosa advertência de que, se tudo der certo, correrão o risco de se tornarem eles próprios vítimas do crime que hoje praticam, pois até mesmo no programa habitacional do governo as invasões são cada vez mais frequentes e toleradas.

O fato é que as incertezas que hoje assombram o País têm também sua origem nas omissões e desmandos de um governo populista que há mais de dez anos entrega muito menos do que promete. E promove, com os hábitos perniciosos cultivados por setores do PT, a lassidão moral que ameaça as instituições.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 11 / 05 / 2014

Correio Braziliense
"Especialistas destacam que poucas obras estarão prontas até a Copa do Mundo"

No Brasil, a maioria das obras de mobilidade urbana não ficou pronta, os aeroportos estão repletos de operários correndo contra o tempo e há estádios que nem sequer foram inaugurados

A pouco mais de um mês do início da festa da qual descobriu que seria anfitrião há sete anos, o Brasil chega às vésperas da Copa do Mundo com a nítida sensação de que tudo o que preparou está aquém do que poderia ser feito. A maioria das obras de mobilidade urbana não ficou pronta, os aeroportos estão repletos de operários correndo contra o tempo e há estádios que nem sequer foram inaugurados. Além disso, o país vê o crescimento da onda de violência nas cidades sedes, o que gera temor nas autoridades brasileiras e estrangeiras.

Folha de São Paulo
"Maioria dos eleitores é contra voto obrigatório"

Datafolha mostra que 61% se opõem à regra, no mais alto percentual em 20 anos

Pesquisa Datafolha concluída na última quinta mostra que 61% dos eleitores são contra o voto obrigatório, previsto no artigo 14 da Constituição. O percentual é o mais alto ao menos, desde 1994, quando o instituto fez a pergunta pela primeira vez. O levantamento mostrou ainda outro recorde: se pudessem optar, 57% dos brasileiros não compareceriam às urnas em 5 de outubro. 

Twitter
 
Free counter and web stats