sábado, maio 10, 2014

Dominique


Opinião

Delícias do poder

O Estado de S. Paulo
O poder tem suas vantagens. Em 2013 o PT bateu novo recorde de arrecadação de doações de empresas privadas, chegando a quase R$ 80 milhões. É uma marca particularmente notável pelo fato de não ter sido um ano eleitoral, em que as doações se destinam, basicamente, ao custeio das atividades partidárias. Segundo revelou o jornal Valor, com base na prestação anual de contas apresentada pela legenda de Lula & Cia. ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2013 essas doações foram 57,3% maiores do que no primeiro ano do governo Dilma Rousseff (2011).

Os principais doadores do PT- geralmente os mesmos que dão dinheiro para todas as outras legendas partidárias - são empreiteiras de obras públicas e grandes empresas que dependem fortemente da boa vontade do poder público para o desenvolvimento de seus negócios. Isso evidencia, desde logo, a distorção representada pela indevida influência que a força do dinheiro empresarial passa a ter na política e, consequentemente, na administração pública, a partir do instante em que as corporações fazem "doações" aos partidos.

Justiça seja feita, essa distorção - que o STF está na iminência de erradicar - não é uma invenção do PT. Há mais de uma década no poder, a companheirada que não quer largar o osso só fez "aperfeiçoar" a distorção, enquanto jura devoção à exclusividade do financiamento público.

Mas não deixa de ser muito revelador de seu verdadeiro propósito - a permanência no poder a qualquer custo - os petistas se deixarem tranquilamente financiar pela elite que tão ferozmente combatem. Afinal, quem são os donos das maiores empresas do País? E bota elite nisso, porque 74,3% das doações de empresas recebidas pelo Diretório Nacional do PT no ano passado (R$ 59,27 milhões) saíram do bolso de um grupo de apenas 10 delas. À frente desse grupo está uma empreiteira que contribuiu com generosos R$ 12,3 milhões, despesa contabilizada que representa apenas 2% dos mais de R$ 590 milhões que faturou em contratos com o governo federal em 2013.

A lógica desse processo de financiamento partidário - que transforma governantes e aspirantes a essa condição em reféns do poder econômico - por si só demonstra que o modelo é incompatível com os fundamentos de uma sociedade democrática, na qual o voto de cada cidadão é o único instrumento legítimo para a eleição de mandatários. Empresas não votam. E seu objetivo é, primeiro, o lucro e, depois, a maximização do lucro - o que não é nenhum pecado ou demérito no capitalismo.

A receita total do diretório nacional do PT em 2013, ainda segundo a prestação de contas apresentada ao TSE, foi de R$ 170 milhões. Depois dos R$ 79,7 milhões em doações de empresas (57,3% do total), a segunda maior parcela é constituída pelos recursos públicos provenientes do Fundo Partidário: R$ 58 milhões (34%). E ainda R$ 32 milhões (18,8%) em contribuições de filiados que ocupam cargos na administração pública. As doações de pessoas físicas foram de apenas R$ 2,9 mil, equivalentes a menos de 0,05% da receita total.

A aparente má notícia é que, daqueles R$ 170 milhões, o saldo remanescente para o ano eleitoral de 2014 foi de modesto R$ 1,6 milhão. Isso deveria preocupar a cúpula do partido, que terá de enfrentar milionários compromissos financeiros na campanha eleitoral deste ano. Financiar candidaturas ao Planalto, ao Congresso, às governanças e assembleias estaduais, com os requintes tecnológicos determinados pelos marqueteiros, demanda recursos astronômicos. Mas a elite política não está preocupada com isso. A máquina arrecadadora petista - e a dos demais partidos também - tem um longo, ameno e proveitoso convívio com a elite que é dona do dinheiro.

Fique também tranquilo o cidadão-contribuinte. No final, será ele o verdadeiro financiador das campanhas políticas milionárias, pois as obras públicas que forem feitas e os serviços que forem prestados certamente virão generosamente majorados para proporcionar o reembolso daquilo que, para uns, é financiamento de uma atividade cívica, mas, para outros, é um investimento altamente lucrativo.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 10 / 05 / 2014

Correio Braziliense
"Cirurgia plástica"

Morte reabre debate sobre plástica a qualquer custo

A bancária Railma de Siqueira (C), 32 anos, submeteu-se a três procedimentos de cirurgia plástica numa clínica em taguatinga-sul. Ao visitá-la no pós-operatório, o marido, Cleydson Siqueira, estranhou. O médico, contou ele, disse que tudo correu bem. Mas ele a achou pálida, fraca, com dificuldade para falar e sem conseguir urinar. Quatro dias depois, Railma morreria de falência dos rins. “Realizar lipoaspiração, abdominoplastia e substituição de prótese mamária no mesmo dia só é permitido em hospital ou em três clínicas no Distrito Federal que têm estrutura hospitalar", diz o procurador de Justiça Criminal do DF, Diaulas Ribeiro. “Desde 2010, quando o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) foi assinado, não havia nenhuma morte por cirurgia plástica em Brasília." Na capital da República, pelo menos 20 famílias entraram com processos na Justiça, nos últimos 10 anos, após parentes morrerem em decorrência de operações estéticas.  

Folha de São Paulo
"Fifa prevê dificuldade para turista estrangeiro na Copa"

Secretário-geral da entidade alerta para desafios de locomoção e segurança

O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, afirmou ontem, 34 dias antes do início da Copa no Brasil, que os torcedores enfrentarão dificuldades durante o Mundial. “O maior desafio será para eles”, disse o cartola, em entrevista coletiva na Suíça. Valcke orientou o público estrangeiro a planejar a estadia e ficar atento à segurança. “Certifique-se de que você está organizado para ir ao Brasil”, disse o francês. “Não apareça pensando que é a Alemanha, onde é fácil se locomover”, acrescentou. “Você não pode chegar com uma mochila e começar a andar, não há trens, você não pode dirigir [de uma cidade-sede a outra]”, prosseguiu. Sobre o número recorde de sedes (12), Valcke disse que a Fifa foi convencida pelo então presidente Lula. Segundo ele, o petista disse que a Copa deveria ser “para todo o Brasil e não para algumas cidades”. A assessoria de Lula disse que “todo mundo sabe quem escolheu as cidades-sedes”. CBF e o Ministério do Esporte não comentaram.

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sexta-feira, maio 09, 2014

Pavoa, anda e avoa...


Coluna do Celsinho

Quente

Celso de Almeida Jr.

Nesta próxima segunda-feira, 12 de maio, começam as atividades da XVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, promovida pela CNM - Confederação Nacional de Municípios.

Neste ano, o Centro Internacional de Convenções de Brasília será o palco deste importante encontro de líderes municipais.

Dentre ampla programação, o comando da CNM dará enfoque à crise nos municípios e a conjuntura eleitoral.

Um painel com a presença dos principais cotados à disputa para a Presidência da República ocorrerá pela manhã de quarta-feira, 14 de maio, permitindo aos prefeitos, vereadores e demais lideranças presentes avaliar as propostas dos prinicipais candidatos e de seus partidos para a causa municipalista.

Contundentes temas estarão na pauta, com destaque para as variações negativas do Fundo de Participação dos Municípios, que comprometem as gestões municipais, transformando os prefeitos em pedintes do Governo Federal.

Tudo indica, portanto, que de 12 a 15 de maio de 2014 teremos temperaturas elevadas na Capital da República.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique


Opinião

A volta do retorno
  
Fernando Gabeira* - O Estado de S.Paulo
"Cuidado com a volta do retorno."

Quem me dizia sempre isso era Marinho Celestino, um cabeleireiro capixaba que estudou cinema em Paris e morreu no Brasil. Não sei se queria expressar com isso a circularidade do tempo ou se usava a expressão apenas para advertir os perigos de uma recaída. O movimento "Volta, Lula" sempre me lembra a expressão de Marinho Celestino: a volta do retorno, uma espécie de bumerangue.

Durante um tempo, ele se comportou apenas como um ex-presidente. Achei que merecia o habeas língua que sempre conferimos àqueles que já cumpriram sua tarefa. Clarice Lispector, num belo conto chamado Feliz Aniversário, conta a história de uma festa para a mulher que fazia 89 anos e de quem todos queriam arrancar uma palavra. A velha permaneceu calada, apesar de muitas provocações, até que, no final da festa, resolveu falar só isto: "Não sou surda!".

Para mim, Lula ainda é um jovem. Desenvolvi uma tolerância a suas frases e, em certos momentos, até me diverti com elas. Era só um ex-presidente, com direito a parar de fazer sentido.

Agora, que querem lançá-lo de novo à Presidência, é preciso ter cuidado com a volta do retorno. Não me preocupa tanto que tenha dito que o julgamento do mensalão foi 80% político e 20% técnico. Lula aprendeu, ao longo destes anos, a usar os números para tornar a mentira convincente. Se o apertarmos num debate, ele vai conceder: "Está bem, então 79% político, 21% técnico". Ele sabe que números quebrados convencem ainda mais que os redondos. O que me preocupou mais nessa entrevista aos portugueses foi ele ter encarnado o espírito de salvador, um arquétipo da nossa cultura luso-brasileira, um Dom Sebastião.

Ele disse que, apesar do que noticiavam os jornais, TV e oposição, o povo sempre olharia nos seus olhos e acreditaria na sua verdade. Isso implica uma visão pobre da democracia e, sobretudo, do povo. Como se as pessoas fossem completamente blindadas diante do debate nacional, como se não fossem curiosas, não formassem opinião por meio da troca de ideias, como se não estivessem constantemente reavaliando suas crenças com novos dados.

Nessa frase de Lula, o povo só se acende com o seu olhar hipnótico e é nele que procura a verdade, não nos fatos e nas evidências que se desdobram.

Cuidado com a volta do retorno. A realidade mostra que as pessoas avançaram, que valorizam melhorias materiais, mas pedem também mais do que isso. Seria interessante para o PT e para o próprio Lula darem uma volta pelas ruas do Brasil e tentar a fórmula olho no olho. No mínimo, vão se desapontar.

Lula não conseguiu, com olhar magnético, convencer o povo brasileiro de que a Copa foi uma decisão acertada num país com tantas dificuldades. Tanto ele quanto Gilberto Carvalho ficam perplexos diante das críticas. Como é possível não celebrar a Copa no Brasil?

Neste caso, a fantasia de uma identificação mítica com o povo vai para o espaço. Como restaurá-la? Com olho no olho?

O olhar número cinco falhou. A única saída é partir para outros truques, como, por exemplo, fazer com que os copos se movam sozinhos nas mesas, como naquelas sessões espíritas no princípio do século 20.

Na entrevista em Portugal, Lula procurou explicar também por que o povo olhava no seu olho e o apoiava. Mencionou, mais uma vez, a história da mãe que o aconselhou a andar sempre de cabeça erguida. Um conselho de mãe e o olho no olho são os talismãs que o protegem de todas as acusações, que lhe dão força, inclusive, para proteger em seu governo grandes e pequenos bandidos da política nacional. Não e à toa que alguns ratos começam a abandonar o navio da candidatura Dilma. Eles anseiam também por migalhas desse poder de Lula, querem se esconder embaixo do manto protetor.

E Dilma, ou o fantasma dela, apareceu na televisão. Gostei da maquilagem, do tom da pele, embora para muitos ela estivesse um pouco pálida. Os profissionais trabalharam bem no rosto, no penteado e mesmo nas ideias do texto. Você querem mudança? Nós somos a mudança.

Está chegando um tempo em que o abuso das palavras perde sua elasticidade. Um tempo em que a onipotência de um suposto magnetismo tem de descer ao mundo dos debates, do choque de ideias, da avaliação permanente dos rumos do País. É o ocaso da magia. Da cartola, saem apenas os velhos e combalidos coelhos: aumento da cesta básica, modesta redução no Imposto de Renda.

O naufrágio se define com a perda do horizonte. Mesmo o famoso mercado parece esperar a derrota de Dilma. Quando cai nas pesquisas, a Bolsa sobe. Mas nem sempre o mercado tem razão diante da política. Senão, substituiríamos o debate parlamentar pelo grito dos corretores na Bolsa. Realizar uma política social generosa, muitas vezes, bate de frente com o mercado. Só é possível levá-la adiante, de fato, num quadro econômico de crescimento sustentável. E parece existir no mercado a compreensão de que a atual política econômica está fracassando, de que Dilma foi má administradora em campos vitais, como a energia, e incompetente para deter a degradação da Petrobrás.

Não sei como Dilma e Lula vão se apresentar na campanha. Ele vai precisar de uma lente de contatos para mudar a cor dos olhos, em caso de necessidade. Dilma não poderá repetir apenas o que escrevem os marqueteiros. Ela apenas registrou que os ratos abandonavam o barco, mas não se perguntou em nenhum momento por que o barco começa a afundar.

No debate, os dois, cada um com seu estilo, vão ter de explicar o que fizeram do Brasil, que se vê agora sugado pela corrupção, gastando fortunas com as obras de uma Copa trazida pela visão megalomaníaca de Lula. Na África do Sul, ele até convidou atletas estrangeiros para se mudarem para o Brasil porque haveria tanta competição esportiva que nossas equipes não seriam capazes de disputar todas.

Nada como esperar a campanha presidencial de 2014. Por enquanto, o discurso do governo é 80% mentira e 20% malandragem.

*Fernando Gabeira é jornalista.

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 09 / 05 / 2014

Correio Braziliense
"A Copa do barulho já começou"

Manifestantes saíram às ruas em pelo menos oito cidades no país

Em São Paulo, onde Dilma visitou o estádio em que o Brasil estreia contra a Croácia daqui a 34 dias, cinco protestos criticando os gastos da Copa e cobrando moradias populares interditaram vias importantes da capital. O escritório da OAS e o de outras duas construtoras foram invadidos por sem-teto. No Rio, rodoviários infernizaram a cidade: 467 ônibus acabaram depredados. Em Brasília, servidores ameaçam parar a Esplanada.  

Folha de São Paulo
"Aécio ganha 4 pontos, e chance de 2º turno é maior"

Avaliação da gestão Dilma para de cair; 75% dos petistas querem Lula candidato, diz Datafolha

A chance de a presidente Dilma Rousseff vencer no primeiro turno diminuiu. Uma das principais razões foi o crescimento das intenções de voto do senador Aécio Neves (PSDB-MG). Segundo pesquisa Datafolha, a petista teria hoje, no cenário mais provável, 37% das intenções de voto contra 38% dos outros candidatos. Apesar de ter variado dentro da margem de erro, Dilma tem recuado gradualmente nos últimos levantamentos, enquanto os adversários estão em ascensão. Com a maior variação, Aécio aparece com 20%, quatro pontos acima da pesquisa de abril. Com 11%, Eduardo Campos (PSB) também apresenta curva ascendente, ante os 10% de abril. 0 aval à gestão Dilma é de 35% —há um mês era 36%. Para 75% dos petistas, Lula deveria ser o candidato do partido. Pela primeira vez, desde 2012, caiu a expectativa de alta da inflação, de 65% para 58%. 

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quinta-feira, maio 08, 2014

Dominique


Opinião

Ineficiência aprendiz e loquaz: 6ª antilei petista

José Serra* - O Estado de S.Paulo
Já se disse que a política requer duas habilidades. A primeira: é preciso prever o que vai acontecer amanhã, na semana que vem e no ano seguinte. A segunda: é preciso explicar depois por que as previsões não se cumpriram. Nisso, todos os países e partidos são iguais, mas o Brasil da era petista tem sido mais igual que os outros. Há um abismo angustiante entre o que o atual governo prevê e a capacidade de explicar por que as coisas não acontecem.

Entre as previsões megalômanas e os resultados pífios, há o reino das antileis petistas, cultivadas cuidadosamente pela presidente Dilma e sua equipe. A primeira delas, uma espécie de cláusula pétrea do petismo, prescreve a necessidade de utilizar o máximo de palavras para expressar um mínimo de pensamento. Querem um exemplo magnífico? Vejam o que a então candidata disse sobre e elevada carga tributária no Brasil num debate da campanha presidencial de 2010 (transcrevo como foi dito): "O Brasil sai também de um nível muito elevado de carga tributária, e, agora, eu acho que ele entra numa fase de com a reforma tributária de decréscimo. Houve muitas pessoas contrárias à reforma tributária nos últimos anos. Agora, seguramente, o crescimento do PIB e a redução dos juros permitirá um Brasil mais desenvolvido". Diga-se, a propósito, que essa "reforma tributária de decréscimo", seja lá o que for isso, conviveu com a elevação da carga de tributos durante o governo Dilma ao nível mais alto da história.

A segunda antilei viola o princípio de que a menor distância entre dois pontos é uma linha reta; para eles, é uma curva torta. Este passou a ser o critério dominante das ações de governo: sempre pelo caminho mais longo, incerto e penoso. A terceira antilei supõe que o sol e os planetas giram em torno da Terra, ou seja, a presidente e seu partido coordenam e comandam o universo da política, da economia e das instituições, de modo que as conspirações da mídia e da oposição para enfraquecê-los podem provocar algum Big Bang que vá explodir o País, ou algum buraco negro que o devore. Outra antilei, a quarta, prescreve a transformação contínua de facilidades em dificuldades. Nada que seja fácil de fazer deve ser feito. Por exemplo, cria-se um programa chamado "Ciência sem Fronteiras" para enviar bolsistas ao exterior, mas se deixa de lado o requisito prévio de que os estudantes devam dominar o idioma do país que os recebe. Eles chegam ao Canadá, não falam inglês e têm de ser repatriados ou de fazer curso de línguas em Toronto, com o dinheiro dos contribuintes brasileiros. Geram-se atritos e desperdícios, além de desmoralizar a ideia de proporcionar aos nossos jovens novos conhecimentos que os beneficiem e ao nosso país.

Há uma quinta antilei - essa, reconheço, do agrado especial de Dilma (se ela não existisse, a mandatária certamente a editaria como medida provisória): cada ministro deve saber menos do que a presidente sobre a sua área de responsabilidade. As ideias e a forma de execução dos projetos ficam por conta da chefe do Executivo, que exibe, entre seus principais atributos, precisamente a falta de conhecimento dos assuntos de governo e a baixa capacidade de gestão.

Finalmente, ao menos por ora, há uma sexta antilei, que é muito forte: chega-se ao governo não para administrar, mas para aprender, como se fosse um curso supletivo ou de graduação. Isso vale para toda a nação petista, nos três níveis da Federação - União, Estados e municípios. O exemplo mais recente e vistoso, sem dúvida, ocorre na cidade de São Paulo, cuja administração se dedica ao papo-cabeça e aos experimentos macrolaboratoriais, em que as cobaias são os paulistanos sofredores. É o caso, por exemplo, da devolução dos hotéis da Cracolândia aos traficantes de droga a fim de que recebam seus clientes e dos subsídios dados aos dependentes químicos para que paguem preços mais altos pelo crack.

Na esfera federal, é antológica uma confissão da ministra do Planejamento, Miriam Belchior, feita numa boa, em 2011, sobre a dificuldade que estava encontrando na elaboração do Plano Plurianual (2012-2015): "Não é possível monitorar e muito menos ser efetivo com 360 programas. No PAC, todo mundo está reaprendendo a fazer obras de infraestrutura - nós, do setor público, e também o setor privado". Isso depois de oito anos de governo do PT e já sob a presidência de Dilma, anteriormente consagrada como genitora do PAC pelo então presidente Lula!

Outra preciosa declaração, em setembro do ano passado, da então ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, mostrou que, no 11.º ano de governo, o PT ainda não sabia o que fazer com as concessões de estradas: chegou a dizer que a concessão da BR-101, na Bahia, iria ficar por último "a fim de termos uma avaliação melhor". E continuou: "Se chegarmos à conclusão de que é impossível fazer concessão, vamos migrar para obra pública". Como escrevi na ocasião, "quantos anos já transcorreram e quantos ainda teremos pela frente até essa terapia infraestrutural de grupo chegar ao fim?".

Nesse emaranhado de antileis, vigilantemente aplicadas, pode-se vislumbrar a chama que tem derretido o prestígio de Dilma junto da população. Até porque as pessoas vão se dando conta, cada vez mais, da antilei n.º 1, que maximiza o palavrório e minimiza o pensamento, dificultando a explicação, já não diria convincente, mas, ao menos inteligível, da frustração das previsões originais e das que são refeitas a cada mês.

A mais reluzente das explicações carece de qualquer lógica: atribui-se à dobradinha entre imprensa e oposição a culpa pelas lambanças na Petrobrás, pela perda de mais da metade do patrimônio da empresa e pelo endividamento que bate o recorde mundial. Tudo isso faria parte de uma diabólica estratégia daquela dobradinha para privatizar a gigante do petróleo. De acordo com esse delírio, quanto mais desmoralizada ela estivesse, mais fácil seria sua privatização! Tenho a certeza de que tal disparate, em lugar de convencer, ofende as pessoas e aquece a chama do derretimento político não só da presidente, mas de um estilo de governo.

*José Serra é ex-governador e ex-prefeito de São Paulo. 

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 08 / 05 / 2014

Correio Braziliense
"Para vingar 1950"

O primeiro mundial no Brasil acabou num fiasco

Resgatar de um purgatório de 64 anos a geração do goleiro Barbosa & Cia é o grande desafio de Felipão e dos 23 jogadores que convocou ontem. “Confio no grupo e vou até o inferno com eles”, disse o treinador. Em vez disso, que chegue ao paraíso do hexa. A peleja começa em 12 de junho, contra a Croácia.  

Folha de São Paulo
"PSDB de Aécio tem cheiro de derrota, afirma Marina"

O PSDB de Aécio Neves entrou na disputa com “cheiro da derrota” no segundo turno 

A ex-senadora Marina Silva disse a Bernardo Mello Franco que seu colega de chapa, Eduardo Campos (PSB), é o único capaz de impedir a reeleição de Dilma. A declaração ajuda a sepultar a trégua entre os pré-candidatos oposicionistas. Marina reclamou das comparações que buscam semelhanças entre eles. Para ela. “Campos protagoniza uma agenda progressistas de respeito aos direitos sociais”. A ex-senadora, que foi ministra no governo Lula, também criticou Dilma: “A presidente encerra o governo sem uma marca, como a estabilização economia de Fernando Henrique e a inclusão social de Lula. A marca de Dilma é o retrocesso”. Para a vice de Campos, a estratégia de comunicação de Dilma usa propaganda excessiva para “compensar as dificuldades que estão sendo vividas”. Em jantar com jornalistas, Dilma disse não ver motivo para mudar a política econômica e criticou rivais.

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quarta-feira, maio 07, 2014

Dominique


Opinião

Quem ficou rico com os prejuízos da Petrobrás?

José Nêumanne* - O Estado de S.Paulo
A 36 dias da abertura da Copa do Mundo, o futebol vai se tornando o assunto predominante no Brasil, embora as pesquisas de opinião pública sobre a disputa da Presidência continuem em voga. Então, talvez não seja de mau alvitre recorrer a lúcidos ensinamentos do futebol para aplicar na campanha eleitoral. Este é o caso da máxima dos treinadores que mais ganham campeonatos seguindo uma lição simples: "Em time que está ganhando não se mexe". Mas, com a importância cada vez maior dada ao marketing político nas democracias ocidentais, convém não esquecer o lema que está por trás de toda publicidade, seja comercial, seja religiosa, seja política, atribuído a Joseph Goebbels, o mago da propaganda do nazismo: "Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade".

Candidata obstinada à própria reeleição, a presidente Dilma Rousseff pode até não ter pensado nas duas sentenças, mas, na certa, as aplicou quando repetiu o mantra com que seu antecessor, padrinho e agora pedra no sapato Luiz Inácio Lula da Silva derrotou Geraldo Alckmin, em 2006, e ela própria adotou para manter José Serra à distância, em 2010. Há oito anos, aparentemente debilitado pela denúncia do mensalão, o ex-presidente foi ajudado por uma campanha subliminar insinuando que os tucanos privatizariam a Petrobrás. O efeito deletério da patranha em seu desempenho fez o oponente vestir uma jaqueta com logomarcas de estatais, entre elas a Petrobrás. Em vão: teve menos votos no segundo do que no primeiro turno e deu-se a reeleição. Há quatro anos, a falácia levou Serra às cordas e o poste de Lula venceu.

A decisão do eleitor diante da urna depende de muitas motivações e as vitórias petistas não podem ser atribuídas apenas à mentira que, de tão repetida, passou a ser dada como verdadeira. Mas, por via das dúvidas, em Minas, berço dela mesma e de seu maior empecilho à permanência no poder, Aécio Neves, a presidente assumiu como sua a profecia de que a oposição privatizará a Petrobrás ou trocará seu nome.

O problema dela e do Partido dos Trabalhadores (PT) é que o contexto mudou significativamente nesta eleição. Nas duas disputas anteriores, o salário-família para os mais pobres e a bonança econômica para os abonados amplificavam bastante a fé popular na pregação governista. E a Petrobrás propagava ótimas notícias e, consequentemente, excelentes razões para o eleitor não permitir alterações profundas na gestão da maior empresa do Brasil. A fantasia dos Emirados Árabes do Brasil tinha prefixo, hífen e nome: pré-sal - o sonho de mil e uma noites, que Sheherazade não tinha tido a ideia de contar ao rei persa Shariar, de um país disposto a gastar petrodólares em educação e saúde para o povo.

Sete anos após a revelação do sonho, o petróleo extraído da camada do pré-sal no fundo do Atlântico brasileiro continua sendo uma miragem. E, 60 anos depois do delírio de "o petróleo é nosso", a pérola mais preciosa do colar da rainha das estatais, com sua fortuna enterrada em subsolo brasileiro, chafurda na lama de chiqueiros ocupados por figurões do PT e seus aliados, suspeitos de terem dilapidado um patrimônio bilionário em "nebulosas transações". E pior: a pérola jogada aos porcos se desvalorizou vertiginosamente. No palanque em que tenta recuperar o prestígio perdido nas pesquisas de intenção de votos, a "gerentona" de Lula se apega ao truísmo de que a empresa vale hoje mais do que valia no tempo de Fernando Henrique. Este desocupou o trono há mais de 11 anos e continua sendo o parâmetro universal do PT.

Essa comparação sem lógica feita pela candidata não elimina, porém, duas constatações assustadoras de fiasco: em seu mandato, a empresa teve o patrimônio reduzido à metade e desabou do 12.º para o 120.º lugar no ranking do Financial Times. Ou seja: a contabilidade da petroleira foi ao fundo do mar, até o pré-sal, mas não extraiu petróleo para vir à tona.

A princípio, pensava-se que a gigante estatal seria vítima apenas da ingerência política que sangrou seus cofres mantendo o preço de derivados abaixo do custo para evitar a má influência da inflação na medição da preferência eleitoral pela chefe do governo em outubro que vem. Essa má gestão causou, segundo O Globo, um rombo de R$ 13 bilhões em outra estatal, a Eletrobrás, para permitir que a candidata à reeleição baixasse demagogicamente o preço da tarifa de luz.

Mas este não foi o único "malfeito", para usar o termo favorito da beneficiária número um do aparelhamento das empresas públicas pelo PT. A Polícia Federal (PF), que, pelo visto, não foi totalmente submetida ao aparelhamento amplo, geral e irrestrito dos companheiros, constatou na Operação Lava Jato que houve bandalheira. Ao que se saiba até hoje, a desventura em Pasadena, Texas, custou ao cidadão brasileiro, proprietário da Petrobrás, um prejuízo de US$ 2 bilhões. Dez vezes este "troco de pinga" sumiram na obra faraônica da Refinaria Abreu e Lima, bancada pelo público para agradar ao tirânico compadre venezuelano Hugo Chávez.

Governo e oposição acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF) para resolver o impasse que adia a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o tema: esta exige uma comissão mista e aquele não abre mão de circunscrevê-la ao Senado para controlá-la. A presidente da petroleira, Graça Foster, oscila entre o "mau negócio", pondo o mico nas costas do antecessor, José Sérgio Gabrielli, e o "bom negócio à época", quando lembrada que a empresa é gerida por petistas e aliados há 12 anos. Investigar será o único jeito de saber quem embolsou o lucro, além do barão belga Frère, da Astra Oil. As compras de altíssimo risco das refinarias de Pasadena e Okinawa, os custos estratosféricos da de Abreu e Lima e as suspeitas associações na operação de três termoelétricas são a parte exposta do iceberg. Quem ficou podre de rico com o rombo dos prejuízos que a Petrobrás teve - eis a questão submersa.

*José Nêumanne é jornalista, poeta e escritor.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 07 / 05 / 2014

Correio Braziliense
"Juiz que condenou 10 do caso Pandora é afastado"

Justiça suspeita de prejulgamento

O magistrado Álvaro Ciarlini, da 2a Vara de Fa2enda Pública do DF, foi afastado do julgamento do ex-deputado Leonardo Prudente, réu em ação de improbidade administrativa. A decisão foi tomada pela lª turma do STJ, por três votos a dois, sob o argumento de que ele teria feito prejulgamentos em relação a condenados no processo.

Folha de São Paulo
"Câmara libera publicação de biografia não autorizada"

Texto ainda precisa passar no Senado antes de ir ã sanção da presidente Dilma

Após três anos de tramitação, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei que permite a publicação de biografias não autorizadas. Hoje, biografados e herdeiros podem vetar obras. O texto será analisado pelo Senado antes de seguir para a sanção presidencial. Escritores e editores comemoraram a aprovação na Câmara. Emenda do deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) ao texto do petista Newton Lima (SP) estabelece que tenham prioridade na Justiça os julgamentos de processos em que biografados se sintam ofendidos. Desde 2005, Caiado processa o escritor Fernando Morais por informações do livro “A Toca dos Leões”. O autor perdeu em primeira instância, mas cabe recurso. O tema voltou a debate no fim de 2013 quando o grupo Procure Saber se manifestou contra o projeto de lei. Posteriormente, artistas como Roberto Carlos, Caetano Veloso e Djavan voltaram atrás e negaram ser contra a proibição das biografias. A porta-voz do Procure Saber, Paula Lavigne, não atendeu às ligações da reportagem. O tema também aguarda parecer do STF.

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terça-feira, maio 06, 2014

Dominique


Opinião

A segunda unção de Dilma

O Estado de S.Paulo
O primeiro-companheiro Luiz Inácio Lula da Silva e a cúpula do PT cumpriram à risca no último fim de semana a inadiável tarefa de relançar a candidatura da presidente Dilma Rousseff à reeleição. Inadiável porque, desde fevereiro de 2013, quando o seu padrinho achou necessário antecipar em mais de um ano a sagração da pré-candidata, precisamente para extinguir os focos de "Volta, Lula" que já crepitavam dentro e fora do partido, a tendência a recusar uma segunda chance à titular do Planalto só se encorpou.

Para resumir o efeito acumulado do desgaste do seu patrimônio eleitoral e a progressiva perda de confiança na sua capacidade de cumprir um segundo mandato com menos teimosia, incompetência, ideias fora do lugar e desdém pela opinião alheia, basta dizer que Dilma jamais conseguiu se recuperar politicamente do baque nas pesquisas de avaliação do seu governo à época das manifestações de junho passado. Os protestos puseram em evidência o padrão inaceitável dos serviços públicos a que precisa recorrer a grande maioria da população, toda ela, aliás, altamente taxada.

Ainda que o Executivo federal não tenha o monopólio da culpa pelas agruras dos brasileiros - cuja qualidade de vida, já se disse, só melhorou da porta de casa para dentro -, é natural que a mais alta autoridade do País seja cobrada também pela parte que não lhe toca diretamente no descalabro. Além disso, até as malpassadas respostas de Dilma às demandas da rua - incluindo a jogada populista de fazer a reforma política por plebiscito - foram ofuscadas pela reaparição do inimigo número um do povo: a alta dos preços. O novo surto inflacionário é a mais importante causa singular da erosão do favoritismo de Dilma nas sondagens.

Nesse quadro, como no proverbial círculo vicioso, o "Volta, Lula" com força renovada debilitou ainda mais a já combalida liderança de Dilma, a ponto de um político do PR governista se fazer fotografar pendurando o retrato do ex-presidente no seu gabinete. (Os deputados da legenda se queixam de não terem visto ainda este ano a cor do dinheiro para as emendas parlamentares de que dependem para se reeleger.) Dilma, fiel ao seu costume de atirar primeiro, mesmo que no próprio pé, e pensar depois, respondeu que "vai tocar em frente", com ou sem a base aliada. A essa altura, de todo modo, a operação corta-fogo já tinha sido acertada a quatro mãos com Lula.

Dilma fez a sua parte na véspera do Dia do Trabalho com um pronunciamento de palanque. Em 12 minutos na rede nacional, anunciou bondades, atacou a oposição e deixou claro até para um recém-chegado de Marte que não arredaria pé da candidatura.

Dois dias depois, foi Lula quem tomou posição sob os holofotes. Para a elite partidária presente ao 14.º Encontro Nacional do PT, instada já na abertura do show a dar o sinal vermelho - no sentido petista - à recandidatura Dilma, "a lenda", como ela chamou o seu mentor, cobrou da afilhada outras sortidas de borduna em punho, exortou-a a divulgar melhor as suas presumíveis realizações, desancou a imprensa e disse as palavras que, por dever de ofício, ela destacaria no dia seguinte.

"É preciso parar de imaginar que existe outro candidato (em lugar de Dilma)", como se ele mesmo não tivesse imaginado essa possibilidade quando o governo deu os primeiros sinais de fazer água. "Quando a gente brinca com isso, os adversários aproveitam." Ele sabe muito bem que gente saudosa do seu companheirismo no poder e da naturalidade com que beneficiava quem lhe conviesse só fala daquilo a sério. Mesmo em setores do eleitorado de Aécio Neves e de Eduardo Campos não haverão de ser irrisórios os nostálgicos da era Lula. Terminada a festa petista no Anhembi, em São Paulo, Lula deixou - inadvertidamente ou não - uma sombra no ambiente.

"Se algum dia eu tiver que ser candidato a alguma coisa", avisou assim que ungiu a sua candidatura, "a primeira pessoa a saber será a companheira Dilma." Segundo uma leitura desprevenida, a frase, indicando um futuro distante, seria apenas uma demonstração de lealdade. Mas haverá quem ache aí a esperança de que o futuro venha ainda este ano.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 06 / 05 / 2014

Correio Braziliense
"Um país à flor da pele"

Sequência de crimes bárbaros cometidos em Brasília, Recife e Guarujá (SP) estarrece o Brasil

O enterro "do professor Guilherme, assassinado com tiro na cabeça ao reagir a assalto, provocou revolta em Brasília e se transformou em ato público pela redução da maioridade penal. O autor do disparo seria um garoto de 11 anos, que está foragido. Em São Paulo, moradora do Guarujá linchada, após ser confundida com seqüestradora de crianças para uso em rituais satânicos, não resistiu ao espancamento e morreu. Ela é a 20ª vítima, só neste ano, da onda de “justiçamentos” que se espalha pelo país. No Recife, suspeito de jogar, do alto da arquibancada, vaso sanitário que matou torcedor na saída do estádio do Arruda foi preso, admitiu o crime e apontou mais dois envolvidos. O caso, que teve forte repercussão internacional, ocorre a pouco mais de um mês da Copa e atinge em cheio a imagem do Brasil no exterior.

Folha de São Paulo
"Diretor da Petrobras omitiu riscos sobre aquisição no Japão"

Compra de refinaria em Okinawa repetiu procedimento da controversa aquisição de empresa de Pasadena (EUA)

A aquisição da refinaria Nansei, no Japão, pela Petrobras, em 2008, foi aprovada pelo conselho de administração da empresa sem que ele fosse informado dos riscos do negócio identificados pelas áreas técnicas da estatal. O caso é similar ao que ocorrera antes em outra aquisição controversa da Petrobras, a da refinaria de Pasadena, nos EUA, em 2006. O resumo executivo que pedia aval à compra, de US$ 311 milhões, não informou que Nansei só se tornaria rentável se fosse adaptada para refinar o petróleo brasileiro, mais pesado, e se dobrasse sua capacidade de produção para 100 mil barris por dia. Restrições ambientais impediram essa ampliação, e a refinaria até hoje produz só 45 mil barris por dia. O documento que embasou o negócio no Japão foi elaborado por Nestor Cerveró, então diretor da área internacional da Petrobras. Ele também preparou o resumo que sustentou a compra de Pasadena, considerado “falho” pela presidente Dilma. A Petrobras afirmou que a aquisição da refinaria “estava alinhada ao planejamento da época”.

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segunda-feira, maio 05, 2014

Uêba!


Pitacos do Zé

E por falar em civilidade... (LVI)

José Ronaldo dos Santos
Fico contente ao perceber que alguém da Administração Pública dá atenção aos fatos que vamos postando nesta coluna. Prova disso é que, na calçada da ciclovia (uma das publicações anteriores), as placas danificadas foram refeitas. Também no terreno da escola estadual do bairro (Ipiranguinha - Ubatuba) as obras, mesmo lentamente, vão em frente.

Agora,  aconteceram duas das festas aguardadas a cada ano: Festa da Cultura Japonesa, na avenida Iperoig, e, Festa do Trabalhador, no citado bairro. Parece que tudo foi muito bem. Como todo ano, visando o maior brilhantismo, este local recebeu um tratamento especial (pinta-se, tapa buracos etc) por parte da prefeitura. Só falta aquele mutirão que acontece a cada ano. São muitas as ruas esperando outras ações. Não vamos deixar os contribuintes esperando ocasião de festas para notarem as melhorias.

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Dominique


Opinião

Pesquisas e eleição

Denis Lerrer Rosenfield* - O Estado de S.Paulo
Estranho, para um país que se aproxima da Copa, é o interesse crescente por pesquisas eleitorais. Parece que há uma tendência de menos pão e circo e mais política, no sentido amplo de preocupação para com o bem-estar nacional nos próximos anos. A multiplicação dessas pesquisas, porém, tem dado lugar a julgamentos precipitados. Nessa perspectiva, os números têm sido frequentemente triturados. Não podemos nos esquecer de que pesquisas se aproximam de diagnósticos que, bem examinados, podem indicar tendências que estejam se delineando. Vejamos um esboço deste quadro.

As pesquisas divulgadas durante o mês de abril consolidam, na comparação com as anteriores, a queda da popularidade do governo. Datafolha aponta 36% de ótimo/bom; Ibope, 34%; e Vox Populi, 32%. São, pois, porcentuais preocupantes e que seguramente levam a disputa para o segundo turno. Há configurada uma crise de popularidade, com implicações diretas para a reeleição. Com o atual porcentual, pode-se dizer que sua reeleição corre perigo. A margem de segurança começaria com 40%, embora esse número não assegure por si mesmo a reeleição.

Note-se que há uma tendência geral de queda, abarcando, mesmo, o eleitorado tradicional petista. Por exemplo, no grupo de eleitores com rendimentos familiares mensais de mais de 1 a 2 salários mínimos, que representa 32% dos entrevistados pelo Ibope, o cenário é negativo para os interesses do governo. O ótimo/bom está em queda e o ruim/péssimo, em tendência ascendente. Em fevereiro, a presidente tinha 46% de ótimo/bom, cai para 40% em março e continua caindo, em abril, para 38%.

Há uma questão que merece ser bem destacada e que faz com que "o jogo ainda não esteja jogado". Trata-se do grau de desconhecimento dos candidatos Aécio e Eduardo. São duas figuras públicas particularmente desconhecidas do grosso do eleitorado, ao contrário de Dilma, que é conhecida por praticamente todos os eleitores. A petista está em posição privilegiada e a vantagem que tem sobre os demais candidatos é tributária, em alguma medida, desse seu alto grau de conhecimento, por um lado, e de desconhecimento de seus adversários, por outro.

Segundo a pesquisa Datafolha, no caso de Aécio, 35% dos eleitores dizem conhecê-lo "só de ouvir falar" e outros 25% simplesmente não o conhecem. Na soma, há 60% de desconhecimento. Para Eduardo o quadro é ainda mais prejudicial, porque 33% só o conhecem "de ouvir falar" e 42% jamais ouviram falar de sua figura pública. Há, aqui, 75% de desconhecimento. No caso de os dois serem desconhecidos do grande público - e particularmente dos eleitores mais pobres e de menor escolarização -, isso significa uma barreira importante para o crescimento em termos de intenção de voto.

Ainda segundo a mesma pesquisa, 65% dos brasileiros acreditam que a inflação irá aumentar, 45% que o desemprego vai aumentar e 28% confiam em que o poder de compra de seu salário será incrementado nos próximos meses. Inflação, poder de compra e pleno-emprego são partes constitutivas do que poderíamos chamar de "tripé social", que assenta a popularidade do governo. Com a deterioração de sua percepção positiva, inevitavelmente a candidatura de Dilma será prejudicada. São indicadores de percepção social que podem vir a ter a maior importância eleitoral, pois afetam diretamente a atual política governamental.

Vale, ainda, destacar que atualmente os candidatos de partidos menores somam 6% de intenção de voto. Ora, é um porcentual nada desprezível, confirmado por vários institutos.

Chama particularmente a atenção a participação, pouco assinalada, do Pastor Everaldo, do PSC, que ostenta nada desprezíveis intenções de voto de 2% ou 3%. Para um candidato pouco conhecido, de um pequeno partido, a sua intenção de voto é digna de nota. Ele atinge um eleitorado conservador, defensor da família, de menor renda e predominantemente evangélico. No entanto, sua candidatura pode perfeitamente alcançar outros estratos religiosos e sociais, uma vez que os valores que defende têm abrangência muito maior. Um candidato como esse pode ser um fator decisivo para um segundo turno.

As pesquisas de abril mostram um amplo contingente de intenções de votos brancos/nulos e não sabe/não respondeu, configurando um grupo significativo de indecisos que pode decidir as eleições. A soma dos dois grupos na pesquisa Datafolha monta a 29%; no Ibope, a 37%; e na CNT/MDA, a 29,4%. Particular atenção deve ser data a esses grupos, pois eles podem ser a mostração, por assim dizer, de um descontentamento com os políticos em geral, independentemente das preferências partidárias. As Jornadas de Junho apresentaram tais grupos em ação, exigindo melhores condições de mobilidade urbana e expondo um descontentamento generalizado com os serviços públicos. O governo não soube atendê-los nem compreendê-los, enquanto os candidatos oposicionistas estão, também, à margem deles.

Neste contexto, a realização da Copa exibe um problema de monta. A população brasileira já deu mostras de insatisfação com a sua realização. Por que privilegiar estádios, e não melhores condições de saúde, educação e transporte público? Se, ademais, a organização não for bem planejada, com obras inconclusas ou inexistentes, com promessas não cumpridas, a situação tende a se agravar. Há um imponderável, aqui, que foge do controle eleitoral. A Copa, com seus protestos previstos e a imprevisibilidade de seus desdobramentos, pode ser, neste momento, fator de desestabilização da candidatura à reeleição de Dilma. Soma-se ainda outro fator completamente imprevisível, de natureza completamente não política. Se o Brasil vencer a Copa, as chances da presidente aumentam. Se o Brasil perder, a oportunidade maior caberá às oposições. Preparo/despreparo de organização da Copa e vitória/derrota da seleção nacional são fatores imponderáveis e de repercussão eleitoral.

O futuro é incerto. A indefinição constitui o cenário atual.

*Denis Lerrer Rosenfield é professor de Filosofia na UFRGS. E-mail: denisrosenfield@terra.com.br 

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 05 / 05 / 2014

Correio Braziliense
"Três mil militares do Exército vão atuar na segurança da Copa no DF"

Segundo o comandante da Polícia do Exército, tenente-coronel João Felipe Dias Alves, a preparação do efetivo foi feita durante o ano passado, com objetivo de treinar todos os homens para garantir a segurança de quem vai assistir aos jogos

O Exército apresentou hoje (4) em Brasília o efetivo que vai atuar na segurança durante os jogos da Copa do Mundo que serão realizados na capital federal. A corporação empregará 3 mil militares na Força Planalto (Forplan), treinados para enfrentar ações contra terrorismo e ataques químicos. A apresentação foi feita durante cerimônia de troca da Bandeira Nacional, na Praça dos Três Poderes. Para compor o efetivo, serão chamados soldados de Goiás, do Tocantins e da região do Triângulo Mineiro.

Folha de São Paulo
"Ideais do PSB preocupam campanha de Campos"

Coordenador sugere alterar manifesto do partido, alvo de ataques na internet

Trechos do manifesto que define os princípios do PSB preocupam a coordenação da pré-campanha do presidenciável Eduardo Campos, informam Italo Nogueira e Daniel Marenco. O documento, de 1947, defende a “socialização dos meios de produção” e limites à propriedade privada. Esses trechos são alvos de ataques contra o partido na internet, o que levou o coordenador de comunicação da pré-campanha, Alon Feuerwerker, a enviar e-mail a Campos ontem sobre o tema. Na mensagem, flagrada pela Folha durante evento do pessebista no Rio, Feuerwerker questiona se é possível alterar o manifesto na convenção da sigla, em junho, evento em que a candidatura de Campos à Presidência será oficializada. “Tem como mexer nisso na convenção de junho?”, diz o e-mail do coordenador. Feuerwerker confirmou o envio da mensagem e diz que Campos não a respondeu. Procurada, a assessoria do pré-candidato não respondeu às ligações.

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domingo, maio 04, 2014

Dominique


Opinião

Pasadena desmente Dilma

O Estado de S.Paulo
Em dado momento da sua fala de ostensivo tom eleitoral em rede de rádio e de TV, na véspera do Dia do Trabalho, a presidente Dilma Rousseff apregoou o seu empenho no combate à corrupção. "O que pode envergonhar um país não é apurar, investigar e mostrar." (…) "É varrer tudo para baixo do tapete." Até aí tudo bem: ela precisa mesmo polir a lembrança da "faxina ética" do começo de seu mandato. O curioso é que se alongou no assunto apenas para chamar à cena a Petrobrás, que "jamais vai se confundir com atos de corrupção ou ação indevida de qualquer pessoa".

A estatal foi empurrada para o noticiário pela confissão da própria Dilma, em março último, de que, na presidência do Conselho de Administração da empresa, aprovou em 2006 a sua associação a um grupo belga na Refinaria de Pasadena com base em nada mais do que um breve parecer. Dois anos depois, viria a descobrir que o texto era "técnica e juridicamente falho". Como se tornou amplamente sabido, a petroleira acabou enterrando na destilaria US$ 1,24 bilhão, com prejuízo contabilizado de US$ 530 milhões. Em 2012, o Estado havia trazido à tona as linhas gerais da transação.

O Ministério Público Federal, a Polícia Federal e o Tribunal de Contas da União abriram investigações sobre o caso - os primeiros focalizando eventual superfaturamento e evasão de divisas, o último voltado para possível negligência e gestão temerária na condução do negócio. Ou seja, "atos de corrupção ou ação indevida", como afirmou Dilma no seu pronunciamento. Mas Pasadena desmente as suas palavras. A presidente não só não tomou nenhuma iniciativa em sua alçada para deslindar o imbróglio e "lutar para que todos os culpados sejam punidos com rigor", como alardeou na TV sobre corrupção em geral, mas luta ainda, isso sim, contra a CPI da Petrobrás.

Só que ela está perdendo a batalha. A Justiça degolou a manobra governista de diluir o inquérito sobre Pasadena e a gastança nas obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, proposto pela oposição, misturando-os a escândalos tucanos em São Paulo. Fracassou também a tentativa petista de impedir que os deputados participem da investigação surgida no Senado, onde o Planalto tem folgada maioria para mantê-la sob controle. Sob forte pressão do presidente da Câmara, Henrique Alves - e ameaças de retaliação -, o presidente do Senado, Renan Calheiros, que vinha jogando em parceria com Dilma, concordou com a ideia de acrescentar uma CPI mista à original.

A presidente alega que o intento da oposição é armar um circo para desestabilizá-la e usar contra ela, na campanha eleitoral, os eventuais percalços da Petrobrás. Ainda que fosse verdade, ela não pode se desvencilhar pessoalmente do bilionário fiasco de Pasadena. Primeiro, porque, se tudo o que estava a seu alcance a respeito do contrato que dependia do aval do Conselho da empresa era um resumo de página e meia, ela deveria ter exigido mais informações antes de se comprometer com um investimento daquela envergadura. Em segundo lugar, como apontou a representação do Ministério Público no Tribunal de Contas, Dilma tornou a errar em detrimento da Petrobrás.

De fato, em 2008, ela vetou a compra da metade da refinaria ainda em posse dos belgas, como exigiam com base numa das cláusulas que o resumo omitira e que só então Dilma veio a conhecer. Ao desacatar o "direito líquido e certo" da associada, dizem os procuradores, ela arrastou a estatal a um litígio que terminou com a Justiça americana dando razão à recorrente, o que obrigou a petroleira a gastar em despesas legais US$ 173 milhões, que de outro modo teriam ficado nos seus cofres. Por fim, pesa contra a presidente o affair Nestor Cerveró, o autor do parecer cujas falhas ela viria a invocar. O diretor internacional foi então transferido para a BR Distribuidora. Demitido, só há pouco, seis anos depois.

Em audiência na Câmara dos Deputados, na última quarta-feira, a presidente da Petrobrás, Graça Foster, responsabilizou o Conselho - Dilma Rousseff, em última análise - pela permanência de Cerveró no grupo. Bem que o antecessor de Graça, José Sérgio Gabrielli, disse que a presidente "não pode fugir da responsabilidade dela". É disso que se trata.

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 04 / 05 / 2014

Correio Braziliense
"Copa põe a eleição na marca do pênalti"

Os resultados dentro de campo influenciam no comportamento do eleitor? 

Especialistas e políticos se dividem, mas boa parte acredita — ou apenas torce — que sim. Se o Brasil ganhar o hexacampeonato, o clima de euforia tomará conta das ruas, beneficiando os atuais ocupantes do poder federal. Se perder, várias queixas represadas virão à tona, o que pode resultar em protestos semelhantes aos de junho do ano passado e, paralelamente, dar uma forcinha à oposição. 

Folha de São Paulo
"No país, 76% se medicam sem consultar especialistas"
Pesquisa mostra que quase um terço dos que se automedicam elevam a dose


A automedicação é adotada por 76,4% dos brasileiros. É o que mostra pesquisa inédita do instituto de pós-graduação para farmacêuticos. Das 12 capitais pesquisadas, Salvador lidera, com 96,2%, seguida por Recife, com 96%. Em São Paulo, a taxa é de 83%. Quase um terço dos que se automedicam aumentam a dose do remédio por conta própria, sem consultar médicos ou farmacêuticos. Os medicamentos são as principais causas de intoxicação. Segundo o Sistema Nacional de Informações Tóxico - Farmacológicas, os remédios respondem por quase 30% dos registros. Dados de 2011, os mais recentes, indicam 44 mortes. “O problema maior é cultural. O medicamento é banalizado”, afirma Pedro Menegasso, presidente do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo.

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