sábado, abril 12, 2014

Dominique


Opinião

Mais um fracasso do governo

O Estado de S.Paulo
A inépcia administrativa está comprometendo o programa Ciência sem Fronteiras, que é a mais importante iniciativa do governo federal no campo da educação. Lançado em 2011, ele foi planejado para conceder 101 mil bolsas a estudantes brasileiros interessados em fazer iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado em universidades conceituadas de países desenvolvidos.

Até agora, já foram concedidas 61 mil bolsas. Contudo, por erros elementares no processo seletivo, muitos bolsistas foram para o exterior sem ter proficiência no idioma em que as atividades didáticas seriam realizadas e as provas seriam aplicadas. O problema é mais grave entre os alunos escolhidos para estudar na Europa, nos Estados Unidos, no Canadá e na Austrália. Por não falar inglês, um contingente expressivo não conseguiu acompanhar os cursos nos quais se matriculou. Também há bolsistas que, tendo demorado muito tempo para aprender inglês, não se prepararam suficientemente e não foram aprovados nos exames seletivos das universidades e centros de pesquisa que escolheram.

Para evitar que esse problema afete a imagem do governo num ano eleitoral, os responsáveis pelo Ciência sem Fronteiras já determinaram o retorno de pelo menos 110 bolsistas do Canadá e da Austrália. Apesar de terem chegado a esses países em setembro de 2013, até agora - sete meses depois - não conseguiram proficiência em inglês. Além de terem recebido passagens aéreas e seguro de saúde, cada um desses bolsistas recebeu cerca de US$ 12 mil para alojamento e alimentação.

Esse investimento não retornará ao País em forma de capacitação profissional e qualificação acadêmica com padrão de excelência, que são os principais objetivos do Ciência sem Fronteiras, cujas contas já estão desequilibradas. Por causa da sucessão de erros administrativos do governo, os gastos com esses estudantes - que voltam para o Brasil sem terem participado de qualquer curso acadêmico - serão contabilizados como prejuízo para os cofres públicos.

Originariamente, os 110 estudantes que receberam aviso para voltar para o Brasil tinham sido aprovados para estudar em universidades portuguesas. No entanto, como o programa Ciência sem Fronteiras foi concebido para propiciar um intercâmbio acadêmico e cultural com países mais desenvolvidos do que Portugal, o governo - mesmo consciente de que não falavam inglês - os remanejou para instituições de ensino no Canadá e na Austrália.

Embora os cálculos ainda não tenham sido concluídos, pois incluem taxas bancárias, variações cambiais e aumento do IOF, o prejuízo do governo será vultoso, uma vez que 3.445 estudantes matriculados em universidades portuguesas viajaram para o Canadá e a Austrália sem saber inglês. Encarregada de atuar como braço executivo do Ciência sem Fronteiras, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), vinculada ao Ministério da Educação (MEC), ainda não sabe quantos bolsistas terão de voltar. O órgão estabeleceu um prazo para que aprendessem inglês, antes de ingressar em alguma universidade canadense ou australiana.

Os estudantes que estão sendo obrigados a voltar alegam que a Capes não respeitou esse prazo. Acusam o órgão de ter alterado o calendário dos testes de proficiência. Afirmam que várias provas de certificação marcadas para o fim de março e início de abril foram antecipadas para fevereiro. Reclamam dos problemas pessoais que terão de enfrentar, pois não aproveitaram a experiência no exterior e ainda terão de fazer mais um ano de graduação no Brasil, para compensar o período em que ficaram fora. E, por fim, reivindicam financiamento adicional de pelo menos seis meses, para que possam fazer algum curso acadêmico. Em nota, a Capes afirmou que os prazos foram respeitados e que os bolsistas foram informados das datas dos testes em setembro do ano passado.

Esse é mais um fracasso de um governo que tem na incompetência administrativa a sua principal marca.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 12 / 04 / 2014

Correio Braziliense
"Blitz da PF na Petrobras sobe pressão por uma CPI"

Agentes apreendem documentos na sede da estatal, no Rio, para apurar contrato no valor de R$ 443 milhões.

Em nova etapa da Operação Lava-Jato, a Polícia Federal colocou ontem a maior estatal do país no centro das investigações. Agentes foram ao local de trabalho de Graça Foster para averiguar suspeitas de irregularidade em um contrato, entre o governo e a Ecoglobal, de quase meio bilhão de reais. Em Brasília, o Supremo deu 48 horas para o presidente do Senado, Renan Calheiros, justificar a abertura de uma CPI.

Folha de São Paulo
"PF faz busca na sede da Petrobras"

Alvo de investigação era um contrato de R$ 444 milhões assinado pela estatal em processo que não teve concorrência.

Num desdobramento da Operação Lava Jato, que investiga esquema chefiado por doleiros, a Polícia Federal ampliou investigações sobre lavagem de dinheiro com uma busca na sede da Petrobras, no Rio de Janeiro. O alvo era um contrato sem concorrência de R$ 444 milhões assinado pela estatal com a empresa Ecoglobal. Para a Justiça Federal do Paraná, há indícios da participação do doleiro Alberto Youssef e de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da estatal. Os dois estão presos. Desencadeada no dia 17 passado, a Operação Lava Jato investiga um esquema que inclui pagamentos de propinas, com ramificações no PT, no PMDB, no PP, na Petrobras e no Ministério da Saúde. Segundo a Polícia Federal, houve a movimentação de R$ 10 bilhões. Em nota, a Petrobras informou que a presidente da companhia, Graça Foster, determinou a entrega dos documentos à PF. Também houve buscas na sede da Ecoglobal, em Macaé (RJ). Em São Paulo, um gerente do Banco do Brasil foi detido. Outro suspeito não foi encontrado. Seis pessoas tiveram de depor.

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sexta-feira, abril 11, 2014

Pitacos do Zé


E por falar em civilidade...

José Ronaldo dos Santos
A imagem mostra algumas das mansões na Ponta das Toninhas (Ubatuba - SP). Dizem que autoridades federais sobrevoaram as áreas assim do nosso município, pois desconfiam de sonegação de impostos. Ou seja, talvez muitos dos trabalhadores, relativamente falando, pagam mais impostos do que esses nobres proprietários. Em tempo: são os ocupantes de lugares assim que se acham no direito de fechar o caminho da servidão (trilha dos antigos caiçaras) que liga  as duas extremidades (Enseada-Toninhas), impedindo a livre circulação dos trilheiros e deixando de oferecer outras alternativas turísticas.

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Tupi


Coluna do Celsinho

Azul e branco

Celso de Almeida Jr.

Com a polêmica criada após a prefeitura tentar tornar oficiais todas as cores da bandeira e do brasão de Ubatuba, lembrei do amarelo.

Isso mesmo.

Deve ser genético.

A mamãe, fã do amarelo, adotou a cor para a nossa escola.

Há 36 anos, para onde eu olho, lá está ele.

Acabei gostando...

Caso a Câmara tivesse aprovado a mudança, não seria apenas o vermelho que seria promovido.

O bom e velho amarelo, também.

Ele está presente na bonita bandeira ubatubense, brilhando, atrás da cruz.

Entretanto, ao impedir a mudança, creio que os vereadores fizeram bem.

O azul e branco já estão consolidados.

Eu ainda me lembro - garoto - o impacto que causava a Escola de Samba do Itaguá quando entrava na avenida.

Ela, azul e branco. 

Eu, na bateria do BAC, vermelho e branco.

Defendia a bandeira, vestia a camisa, mas admirava as cores da concorrente.

Afinal, são as cores da cidade, consolidadas em sua tradição, enraizadas em nossa cultura.

É isso...

O debate teve lá o seu lado bom.

Creio, porém, que encerrou o assunto.

Não vamos mexer no que está quieto, no que está bom.

No meu caso, também foi melhor.

Dependendo da tonalidade, o amarelo brilha muito.

Muito brilho pode confundir.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique


Opinião

O farmacêutico do ar

FERNANDO GABEIRA - O Estado de S.Paulo
As coisas andam esquisitas. Ou sempre estiveram, não sei. Dia agradável de trabalho na Serra da Canastra, revisitei a nascente do São Francisco e vi uma loba-guará se movendo com liberdade em seu território. De noite sonhei com o PT. Logo com o PT.

Sentei-me na cama para entender como os pesadelos do Planalto invadiam meus sonhos na montanha. Lembrei-me de que no início da noite vira a história de André Vargas e do doleiro Alberto Youssef na TV, os farmacêuticos do ar que vendiam remédios dos outros ao Ministério da Saúde. Pensei: esse Vargas é vice, no ano que vem seria presidente da Câmara dos Deputados. Como foi possível a escalada de um quadro tão medíocre? A resposta é a obediência, o atributo mais valorizado pelos dirigentes, antítese de inquietação e criatividade, sempre punidas com o isolamento.

Vargas fazia tudo o que o partido queria: pedia controle da imprensa e fazia até o que o partido aprova, mas não ousa fazer, como o gesto de erguer o punho na visita do ministro Joaquim Barbosa, do STF, ao Congresso. Em nossa era, esse deputado rechonchudo, que poderia passar por um burguês tropical, simboliza o resultado catastrófico da política autoritária de obediência, imposta de cima.

Num falso laboratório, com o nome fantasia de Labogen (gen é para dar um ar moderno), Vargas e Youssef tramavam ganhar dinheiro vendendo remédios ao ministério. O deputado, que ocupava o mais alto cargo do PT na Câmara, trabalhava para desviar dinheiro da saúde! É um tipo de corrupção que merece tratamento especial, pois suga recursos e equipamentos destinados a salvar as pessoas. A corrupção na saúde ajuda a matá-las.

A catástrofe dessa política autoritária se revela também na escolha de Dilma Rousseff para suceder a Lula. Sob o argumento de que os quadros políticos poderiam abrir uma luta fratricida, escolheu-se uma técnica com capacidade de entender claramente que Lula e o PT fariam sua eleição. A suposição de que o debate entre candidatos de um mesmo partido seria ameaçador para o governo é uma tese autoritária. Nos EUA, vários candidatos de um mesmo partido disputam as primárias. E daí?

Lula sabia que um quadro político nascido do choque de ideias seria um sucessor com potencial maior que Dilma para ganhar luz própria. E a visão autoritária de Lula - sair plantando postes nas eleições, em vez de aceitar que novas pessoas iluminassem o caminho - contribuiu para a ruína do próprio PT.

Tive um pesadelo com o PT porque jamais poderia imaginar que chegasse a isso. Os petistas, aliás, carnavalizaram uma tradição de esquerda. Figuras como André Vargas erguem os punhos com a maior facilidade, como se estivessem partindo para a Guerra Civil Espanhola na Disneylândia. E os erguem nos lugares e circunstâncias mais inadequados, como num momento institucional. Um vice-presidente não pode comportar-se na Mesa como um militante partidário. O correto é que tivesse sido destituído do cargo depois daquele punho erguido. Mas o PT e seus aliados não deixariam o processo correr. Ele são fortes, organizados, bloqueiam tudo. Será que essa força toda dará conta do que vem por aí?

Estamos em ano eleitoral e Dilma, nesse cai-cai. É compreensível que as esperanças se voltem para Lula como salvador de um projeto em ruínas. Mas como salvar o que ele mesmo arruinou? O esgotamento do projeto do PT é também o de Lula, em que pese sua força eleitoral. Ele terá de conduzir o barco num ano de tempestades.

Para começar, essa da Petrobrás, Pasadena e outras saidinhas. O vínculo entre Youssef, Vargas e a Petrobrás também está sendo investigado pela Polícia Federal. Mas a relação do doleiro com o governo não deveria passar em branco. Num dos documentos surgidos na imprensa, fala-se que Youssef estava numa delegação oficial brasileira discutindo negócios em Cuba. Por que um doleiro numa delegação oficial? Por que Cuba?

Muitas novidades estão aparecendo. Mas essa do André Vargas, homem influente no partido, um farmacêutico do ar que neste momento deve estar erguendo os punhos no espelho, ensaiando para ser preso, interrompeu meu sono em São Roque de Minas com uma clara mensagem: o PT é um pesadelo.

Tenho amigos que ainda votam no PT porque acham ser preciso impedir a vitória da direita. Não vejo assim o espectro eleitoral. Há candidatos do centro e da esquerda. Que importância tem a demarcação rígida de terrenos, se estamos diante de fatos morais inaceitáveis, como a corrupção na Saúde, o abalo profundo na Petrobrás, a devastação da nossa vida política?

Cai, cai, balão, não vou te segurar. Estivemos juntos quando os petistas eram barbudos e tinham uma bolsa de couro a tiracolo. Mudou o estilo. Agora têm bochechas e um doleiro a tiracolo. Naquela época já pressentia que não ia dar certo. Mas não imaginava essa terra arrasada, um descaminho tão triste.

É um consolo estar nas nascentes do São Francisco, ver as águas descendo para a Cachoeira Casca Danta: o lindo movimento das águas rolando para sentir a mudança permanente. Sei que essa é uma ideia antiga, de muitos séculos. Mas para mim sempre foi verdadeira. É o que importa.

Uma das grandes ilusões da ditadura militar foi interromper a democracia supondo que adiante as pessoas votariam com maturidade. A virtude do processo democrático é precisamente estimular as pessoas a que aprendam por si próprias e evoluam.

As águas de 2014 apenas começaram a rolar. Tanto se falava na Copa do Mundo como o grande teste e surge a crise da Petrobrás. Poucos se deram conta de que, com os sete mortos nas obras dos estádios brasileiros, batemos um recorde de acidentes em todas as Copas. De certa forma, são vítimas da megalomania, do ufanismo, de todas essas bobagens de gente enrolada na Bandeira Nacional comprando refinarias no Texas, deixando uma fortuna nas mãos de um barão belga que nem acreditou direito naquela generosidade. Ergam os punhos cerrados para o barão e ele responderá com uma merecida banana. Gestualmente, é um bom fim de história.

JORNALISTA

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 11 / 04 / 2014

Estado de Minas
"Muita infração, pouco reboque"

Em meio a festival de desrespeito nas ruas, cai número de carros apreendidos

A BHTrans guinchou no ano passado 7.765 veículos em situação irregular, 11% a menos do que os 8.730 do ano anterior. Em média, são rebocados 21 por dia, por estacionamento em local indevido ou por descumprimento de regulamento (caso de coletivos, táxis e escolares). O volume de apreensões é muito baixo, considerando-se que, em apenas uma hora, num giro pela Região Centro-Sul, o Estado de Minas flagrou 56 veículos em infrações passíveis de punição. De 2012 para 2013, o número de caminhões de guincho subiu de 11 para 14. Oito deles, porém, são usados apenas para desobstruir vias.Os rebocamentos de infratores ficam para os outros sete.Ontem,eles levaram dois carros em estacionamento proibido no Barreiro. Mas um terceiro transgressor ficou para trás. Faltou reboque.

Folha de São Paulo
"Comitê intervém contra atrasos nos Jogos do Rio"

COI antecipa presença de dirigente no país para monitorar andamento de obras

Contra atrasos nas obras dos Jogos de 2016 no Rio, o Comitê Olímpico Internacional (COI) decidiu por uma intervenção no evento. Entre as medidas está antecipar a vinda ao Brasil do diretor-executivo Gilbert Felli para acompanhar os trabalhos da organização.Além disso, o COI coordenará uma comissão, para tomar decisões de “alto nível”, com representantes das três esferas de governo (federal, estadual e municipal) e do comitê organizador local. Também será contratado um gerente para controlar o andamento das obras. A menos de mil dias da Olimpíada, não foram divulgados ainda os responsáveis pelo financiamento de cada obra. Há construções de arenas e locais de provas que não foram iniciadas. O presidente do COI, Thomas Bach, disse ser preciso reduzir a “paralisia política”. O Comitê Organizador da Rio-2016 classificou as iniciativas como “oportunas”. O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), afirmou considerar o COI um “interventor permanente”.

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quinta-feira, abril 10, 2014

Dominique


Opinião

A resistente 'Voz do Brasil'

O Estado de S.Paulo
Em vez de ser extinto, por ser incompatível com um regime plenamente democrático, o programa A Voz do Brasil está prestes a ser consagrado no Congresso como "patrimônio cultural imaterial do Brasil" - e, com isso, passaria a ser intocável.

A iniciativa consta de um projeto de lei que avança no Senado. De autoria de Marinor Brito (PSOL-PA), o texto afirma que "A Voz do Brasil tem desempenhado historicamente importante papel na construção da unidade nacional".

Decerto foi pensando exatamente nessa característica que Getúlio Vargas mandou criar o programa, não por mera coincidência quase ao mesmo tempo em que ele impunha aos brasileiros a ditadura do Estado Novo. A ideia de que era possível atribuir ao Brasil uma única "voz" - não a cacofonia democrática dos múltiplos atores sociais e econômicos, mas apenas a monocórdia versão dos fatos emanada do centro do poder - dá bem o caráter desse programa.

A "unidade nacional" a que se refere a justificativa do projeto ora em tramitação é, portanto, a unidade em torno dos interesses oficiais, nada acrescentando aos necessários debates sobre os reais problemas brasileiros. O que se pretende, tal como queria Vargas, é impor uma visão do Estado e, se possível, salvar as aparências de um Congresso entregue a escândalos e ao oportunismo.

É risível, ademais, o esforço dos congressistas para proteger esse entulho do varguismo revestindo-o de "utilidade pública". Citando genéricos "levantamentos", o projeto diz que A Voz do Brasil "é hoje a única fonte de informação de 80 milhões de brasileiros, localizados, especialmente, nas periferias dos grandes centros, nas áreas rurais e nos municípios de pequeno e médio porte do Brasil".

Trata-se de um despautério, pois é evidente que as rádios brasileiras oferecem a esses moradores de lugares remotos do País um cardápio informativo muito mais amplo do que a simples retransmissão de A Voz do Brasil - sem falar do acesso crescente a meios de comunicação multimídia.

O problema todo é o que certos congressistas entendem por "fonte de informação". Para boa parte deles, os meios de comunicação não lhes dão o espaço que eles reivindicam para propagandear suas supostas qualidades, preferindo investigar e divulgar seus malfeitos. Logo, A Voz do Brasil seria a "única fonte de informação" para contra-arrestar as denúncias que jorram cotidianamente do noticiário independente.

Além disso, o programa serve para que inexpressivos políticos tenham seus segundos de exposição gratuita, em rede nacional. É o que diz a justificativa do projeto, ao argumentar que A Voz do Brasil leva "a todos os rincões do País as notícias dos feitos parlamentares, independentemente de cor partidária, nem sempre alvo da chamada imprensa tradicional".

Eis aí o busílis. A Voz do Brasil é danosa por ser uma imposição diária da transmissão de "notícias" chapa-branca, que não têm a menor importância, a não ser para um punhado de políticos.

Costuma-se invocar como argumento contra o programa o fato de que ele impede a veiculação de informações relevantes, como prestação de serviços, durante o duro horário de rush noturno nas grandes cidades, a partir das 19 horas. Essa é uma constatação incontornável, mas o fundamental aqui é perceber que A Voz do Brasil é em si uma aberração em uma democracia.

Agora, com o projeto que o transforma em "patrimônio cultural", tenta-se eliminar qualquer possibilidade de que o bom senso prevaleça e o programa seja extinto. Ao contrário: o texto estabelece como horário fixo de transmissão a faixa entre 19 e 20 horas, abortando negociações para que o programa seja transmitido ao menos em um horário que não prive o ouvinte de informações realmente úteis.

Enquanto isso, na Câmara, tramita um projeto de lei que não só mantém a transmissão compulsória de A Voz do Brasil pelo rádio, como estende essa obrigação às emissoras de TV. O ditador Getúlio Vargas e os generais do regime militar assinariam embaixo.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 10 / 04 / 2014

Estado de Minas
"Inflação dispara e pão vai subir"

Índice oficial, de 0,92%, é o maior para março em 11 anos e sofrerá mais pressão

O avanço registrado no mês passado fez a inflação acumulada em 12 meses chegar a 6,15%, aproximando-se do teto da meta estipulado pelo governo, de 6,5%. O grupo alimentação é um dos maiores responsáveis pela alta do custo de vida. E pesará ainda mais com o aumento de preço do pão, entre 7% e 10%, nas próximas semanas, segundo estimativa da Associação Brasileira da Indústria da Panificação e Confeitaria. Além do reajuste da energia, que esquenta os fornos, as padarias serão obrigadas a repassar ao consumidor a elevação do custo do seu principal insumo, a farinha de trigo, que ficará de 5% a 10% mais cara ainda este mês. Os moinhos de trigo explicam que, com o fim dos estoques na Argentina, principal fornecedor do Brasil, a despesa com a importação de matéria-prima dos Estados Unidos e do Canadá é bem maior.

Folha de São Paulo
"Alimento dispara e inflação chega a 6,15% em 12 meses"

Produtos e serviços do orçamento das famílias já estouram o teto da meta.

Com a disparada dos preços dos alimentos, a inflação do mês passado superou as previsões, elevando o risco de estouro do teto da meta fixado pelo governo para este ano eleitoral. O IPCA, índice oficial e referência para as metas, ficou em 0,92%, a maior taxa para março desde 2003. O limite máximo para a meta já foi superado com folga em produtos e serviços que respondem pela maior parte do orçamento das famílias. A meta da inflação para este ano é de 4,5%, com margem de dois pontos para cima ou para baixo. Em 12 meses até março, a inflação já acumula alta de 6,15%. No mesmo período, as despesas pessoais já acumulam aumento de 9%, a educação, de 8,7%, e a alimentação, de 7,1%. Apenas vestuário, transportes e comunicações mantêm o índice dentro dos limites. A expectativa de economistas é que os alimentos continuem sob pressão neste mês. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a inflação atingiu o “máximo”. O governo classificou o resultado como “muito ruim” e “preocupante”, já que a margem de manobra está reduzida.

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quarta-feira, abril 09, 2014

Pitacos do Zé



E por falar em civilidade... (LIV)

José Ronaldo dos Santos
Perigo na ciclovia, em dois pontos bem visíveis na margem da Rodovia Oswaldo cruz, logo depois da Capela do Bairro da Marafunda (Ubatuba). Os outros pontos perigosos, basta pedalar de acordo com as normas de civilidade, para percebê-los. Por ali passam milhares de pessoas por dia. No  entanto, quem fiscaliza e exige melhores condições para se viver?

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Dominique


Opinião

De dia vai faltar água, de noite vai faltar luz

José Nêumanne* - O Estado de S.Paulo
Este autor ainda não era o que os anglófonos chamam de teenager (maior de 13 anos) quando uma marchinha de sucesso tornava relativa a definição de "Cidade Maravilhosa" para a então capital da República, apregoando: "Rio de Janeiro, cidade que me seduz, de dia falta água, de noite falta luz". Muita água já moveu as turbinas do parque hidrelétrico nacional nos últimos 50 e poucos anos. E agora, de posse de uma autorização de "idoso" para estacionar em vagas especiais e furar filas em agências de bancos e portões de embarque, espero o dia em que a lâmpada não acenderá e da torneira o "precioso líquido" não jorrará. Mais dia, menos dia, é o que acontecerá.

Já imaginou os holofotes das monumentais arenas padrão Fifa de custo proibitivo desligadas por um apagão monumental por falta de água nos reservatórios, assim denominados por, em teoria, armazenarem "reservas" do mais farto combustível energético disponível no Brasil, a água? Já pensou uma final da Copa do Mundo sem água nos banheiros do Maracanã? Não é nada improvável. Este sertanejo, xará do santo padroeiro da igreja matriz de Jesus, Maria, José, em Uiraúna, no sertão do Rio do Peixe, onde foi crismado e batizado, aprendeu com o avô que chuva que não chega até 19 de março, dia em que se celebra a memória do chefe da Sagrada Família, só virá no ano que vem.

Bem que a presidente Dilma Rousseff tentou. Não evitar o inevitável, mas, sim, pedir ajuda ao patrono das chuvas tardias. Bem que seu adversário tucano, Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, tem demonstrado inabalável fé no chaveiro do céu, ao esperar indefinidamente por seu socorro ou pelos préstimos de Tupã, deus primitivo das tempestades entre nossos índios. Mas o verão de soleira seca e atmosfera árida acabou, o outono velho de guerra entrou em cena e nem São José nem São Pedro abdicaram da imparcialidade de sua condição de protetores de todos e não têm mostrado grande disposição para fazer boca de urna para eles: é proibida até para habitantes do céu.

Além do mais, vamos convir que, se são santos, eles também precisam ser justos. E injustos seriam se premiassem a incúria dos gestores públicos brasileiros, sejam federais ou estaduais, em relação às necessárias providências para que não faltem água e luz à população que cresce e paga impostos pesadíssimos, mas não os vê transformados em obras planejadas para resolver os problemas de escassez de oferta, que deveriam ser previsíveis, e nunca simplesmente ignorados. O Sistema Cantareira, engenhosa conjugação de represas que, a uma razoável distância da Grande São Paulo, tem abastecido a maior parte de sua população, não serviu de modelo para nada depois.

Qualquer leigo em armazenamento de água, incluindo o que redige estas mal traçadas linhas, está, no mínimo, calvo de saber que a mais populosa região metropolitana do Brasil é carente de bacias fluviais nas proximidades de seus limites para atender à crescente demanda do insumo. Governadores tucanos sucederam-se no principal gabinete do Palácio dos Bandeirantes por anos a fio (Mário Covas, Geraldo Alckmin, José Serra e Alberto Goldman), com intervalo ocupado por aliado (Cláudio Lembo), sem que nenhum deles tivesse a luminosa ideia de gastar parte da dinheirama ao seu dispor para providenciar barragens similares que pudessem afastar para as calendas os riscos do "de dia falta água" dos velhos tempos. Só eles poderiam ter tomado a providência. Se não o fizeram, que diabos São Pedro tem que ver com isso?

O caso da eletricidade em nada é diferente. Desde as gestões do também tucano Fernando Henrique nosso sistema hidrelétrico tem dado sinais de esgotamento. Apagões em sequência na gestão dele ajudaram a eleger os petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Oito anos depois da saída do PSDB do poder federal, a "gerentona" maldisse a gestão energética tucana.

Lula não enfrentou problemas de monta no setor, mas apagões têm ocorrido com frequência e em sequência sob a égide da sucessora que ele tirou do bolso do colete e elegeu. Com uma agravante: Dilma Rousseff foi ministra de Minas e Energia e, na condição de chefe da Casa Civil, mandou e desmandou na geração e distribuição de energia em território nacional. Apelar para São José, como ela fez dia destes, é de uma desfaçatez de fazer corar frade de pedra. Como hoje qualquer brasileiro medianamente informado está ciente de que as duas gestões petistas produziram descalabro vexaminoso na contabilidade das gigantescas estatais da eletricidade (Eletrobrás) e do petróleo (Petrobrás), não é segredo para ninguém que cabe à "mãe da luz" enorme responsabilidade pela falta de previdente planejamento que levou o setor ao risco de completar a praga da marchinha: noites de treva espreitam o calendário. Com as consequências desastrosas que produzirão: de eletrodomésticos desligados à impossibilidade de resguardar a segurança de transeuntes em vias públicas sem iluminação.

No entanto, a eleição vem aí e tanto Alckmin, carola convicto, quanto Dilma, agnóstica oportunamente convertida, preferem contar com a visita inesperada das monções tropicais em estações de estiagem a compensar com o mínimo de coragem o máximo de imprevidência que, a exemplo de seus antecessores, cometeram. Afinal, racionamento, impopular, é voto perdido na certa. E, por enquanto, as pesquisas dão como certa a reeleição de ambos. O jeito é manter a fé nos deuses e santos dos temporais e pé firme nos índices prometidos pelos institutos. O cidadão que vota, neste raciocínio, é mero detalhe, naturalmente. Até porque ninguém pode contar com Tupã, São Pedro ou São José. Deus e santos jamais poderiam acumpliciar-se com quem abusou de dilapidar o patrimônio do povaréu em tenebrosas transações. E, não sendo estas devidamente investigadas, terminam é premiados com a impunidade garantida.

*José Nêumanne é jornalista, poeta e escritor.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 09 / 04 / 2014

Correio Braziliense
"Empresa-chave do novo mensalão foi além da Petrobras"

A Jaraguá Equipamentos Industriais faturou alto em contratos com a Petrobras e também em negócio de R$ 41,3 milhões com o governo, referente à reconstrução da base de lançamento de foguetes de Alcântara, no Maranhão

A empresa é suspeita de ser uma das financiadoras do esquema operado pelo doleiro Alberto Youssef para distribuição de dinheiro a políticos e partidos da base aliada de Dilma, como PT, PP e PMDB. Há suspeita de que os recursos viriam de contratos superfaturados ou aditivos e eram lavados na forma de doações legais, um mensalão mais sofisticado que o operado por Marcos Valério. Flagrado em suposta sociedade com Youssef e sob forte pressão do Planalto e do PT, que temem o desgaste nas eleições e tentam abafar o escândalo, o deputado e petista André Vargas deve renunciar hoje ao mandato.

Folha de São Paulo
"Lula cobra ação de Dilma para melhorar economia"

Ex-presidente afirma que sucessora terá de dar explicações na campanha.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a presidente Dilma Rousseff, sua colega de partido, terá de explicar na campanha à reeleição o que fará para reanimar a economia brasileira. “Poderíamos estar melhor, e a Dilma vai ter de dizer como é que a gente vai melhorar”, disse o petista. Em entrevista a blogueiros em São Paulo, Lula negou a intenção de se candidatar agora à Presidência. Em meio à possibilidade de uma CPI da Petrobras, o petista disse que o governo federal precisa de ações “ofensivas” para rebater as denúncias e defender “com unhas e dentes” a estatal. O ex-presidente afirmou que o deputado André Vargas (PT-PR), vice-presidente da Câmara licenciado, “precisa explicar à sociedade” sua relação com o doleiro preso Alberto Youssef para que o PT “não pague o pato”. “Torço para que não haja nada além da viagem, o que já é um erro”, disse. Em conversa com Dilma na sexta-feira, Lula disse que vai trabalhar pela reeleição, mas que espera mudanças na condução do governo. Ambos combinaram de intensificar os encontros para, assim, afinar a ação na administração federal.

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terça-feira, abril 08, 2014

Dominique


Opinião

Os negócios de Vargas

O Estado de S.Paulo
O vice-presidente da Câmara dos Deputados, André Vargas (PT-PR), é um pândego. Mas gosta de negócios. Na abertura do ano legislativo, em 3 de março, sentado à mesa diretora dos trabalhos, por causa do cargo que ocupa, ao lado do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, ele posou para fotografias erguendo o punho direito fechado. O gesto, usado na Olimpíada do México, em 1968, por atletas negros para protestar contra a discriminação racial, foi repetido pelos petistas condenados no processo do Mensalão pelo STF como forma de protesto contra a decisão do Poder Judiciário. Apesar da quebra de decoro evidenciada pelo desrespeito ao chefe de um Poder da República, a atitude, interpretada como galhofa, não foi punida nem com uma advertência.

Algum tempo depois, contudo, a Nação foi informada de que Vargas tinha quebrado o decoro em atitudes que atentam contra a honestidade exigida de um representante do povo. Há uma semana, a Folha de S.Paulo revelou que ele viajou de Londrina (PR) para João Pessoa (PB) em jato particular fretado pelo doleiro Alberto Youssef, protagonista de escândalo investigado pela Polícia Federal (PF) na Operação Lava Jato. No caso, este é acusado de ter "lavado" R$ 10 bilhões em negócios ilícitos com a Petrobrás, sob a égide do ex-diretor de abastecimento Paulo Roberto Costa - como ele, preso.

Pilhado, o pândego não piscou: explicou que é amigo de Youssef há 20 anos, mas não sabia de onde este tirava seu sustento nem que tinha contas a acertar com a Justiça. Alegou que arcou com parte do custo da viagem com a família, calculado em R$ 100 mil, pagando o combustível consumido no voo, o equivalente a R$ 20 mil. E justificou-se reclamando dos altos custos de viagens em aviões de carreira.

No dia seguinte, véspera de 1.º de abril, popularmente celebrado como o "dia da mentira", subiu à tribuna para se dizer arrependido. "Em relação ao avião, reconheço: fui imprudente. Foi um equívoco. Deveria ter exigido um contrato. Deveria ter quitado. Peço desculpas por ter exposto a família", disse. Reconheceu haver pedido o favor ao pagante e mudou a versão sobre o reembolso do voo dizendo que tentou pagar pelo serviço. Mas descobriu que o avião havia sido fretado e não teria como arcar com as despesas com combustível.

Antes que a semana acabasse, contudo, os cidadãos que remuneram o parlamentar foram informados de que o favor do doleiro eram lanas caprinas na relação entre este e Vargas. Em documentos do inquérito da PF vazados para a imprensa está reproduzida a degravação de uma troca de mensagens por celular, em setembro de 2013, em que é relatada a atuação de Vargas para favorecer o laboratório Labogen, de propriedade do doleiro, no fornecimento de medicamentos ao Ministério da Saúde. A maracutaia consistia em forçar a associação da empresa de fachada de Youssef com a EMS, indústria farmacêutica especializada na produção de remédios genéricos.

"Cara, estou trabalhando, fica tranquilo, acredite em mim. Você vai ver quanto isso vai valer tua independência financeira e nossa também, é claro", escreveu Youssef. O deboche virou apelo dramático no dia seguinte, 20 de setembro, quando o doleiro escreveu: "Estou enforcado. Preciso de ajuda para captar...Tô no limite". O petista respondeu, curto, direto e sem dúvidas: "Vou atuar".

Tenta-se, agora, uma saída honrosa para o pândego imprudente que não honrou seu mandato popular: licenciar-se da vice-presidência da mesa que dirige os trabalhos na Câmara. Pelo visto, o deboche do deputado contagiou seus pares. Pois, embora o negócio entre a empresa fantasma do doleiro e o Ministério da Saúde, à época comandado por Alexandre Padilha, candidato do PT ao governo de São Paulo, não tenha sido realizado, as evidências da "atuação" de um representante do povo num negócio escuso não podem ser punidas com um afastamento pro forma até o caso ser esquecido. O mínimo que se espera num escândalo acintoso como este é a cassação do mandato de André Vargas, seguida, é claro, de um processo penal na Justiça.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 08 / 04 / 2014

Correio Braziliense
"Escândalo leva o governo a rifar petista na Câmara"

Sob pressão do PT para que renuncie, André Vargas pede licença de 60 dias do mandato e da vice-presidência da Câmara dos Deputados 

Desde que vieram à tona as relações com o doleiro Alberto Youssef, preso pela PF na Operação Lava-Jato, a situação do petista só piora. E-mails evidenciam favorecimento de Youssef por Vargas em contrato com o Ministério da Saúde. E até uma possível sociedade entre os dois. "Você vai ver quanto isso vai valer... Tua independência financeira e nossa (...) kkkkk”, festeja o doleiro em conversa com Vargas. Como o parlamentar tem foro privilegiado, a Justiça Federal do Paraná enviou parte do caso ao STF, que é quem tem poder para autorizar uma possível investigação.

Folha de São Paulo
"Deputado ligado a doleiro se licencia"

Petista André Vargas deixa cargo na Câmara após virem à tona relações com acusado de chefiar esquema de lavar R$ 10 bi

O vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT), pediu licença do cargo de deputado após a revelação de sua ligação com o doleiro Alberto Youssef, alvo de operação da Polícia Federal. Vargas vai ficar 60 dias afastado e não será remunerado nesse período. Depois de se licenciar, o petista afirmou em carta que a decisão dese afastar é uma forma de preservar a Câmara. A Justiça Federal no Paraná enviou ao Supremo Tribunal Federal a parte da investigação da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, com diálogos e mensagens de Vargas para Youssef. O doleiro é apontado como um dos chefes de um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 10 bilhões. A PF suspeita que ele e Vargas sejam sócios em um laboratório. Na semana passada, a Folha revelou que o petista tinha pedido a Youssef um jatinho emprestado para passar as férias no Nordeste. Em outras mensagens, prometia ajudar o doleiro. Os partidos de oposição ingressaram com dois pedidos de investigação —no Conselho de Ética e na Corregedoria da Câmara. Vargas se disse vítima de “massacre midiático”. 

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segunda-feira, abril 07, 2014

Dominique


Opinião

Assim já é demais

O Estado de S.Paulo
Uma medida aprovada pela Câmara dos Deputados altera tão profundamente o mecanismo de multas aplicadas por infrações cometidas por planos de saúde que pode tornar inócua a fiscalização dessas empresas. Como o comportamento dos planos não é propriamente um primor - tanto que o governo vem tentando enquadrá-los em normas mais rígidas para melhorar o seu desempenho -, é fácil de imaginar os prejuízos que essa medida, se transformada em lei, pode acarretar para os mais de 40 milhões de pessoas atendidas por eles.

Atualmente, as empresas operadoras dos planos são multadas por cada infração cometida, como é normal, variando as multas de R$ 5 mil a R$ 1 milhão, conforme a gravidade do caso. Um exemplo é a punição por negativa de realização de procedimento médico devido, como exame ou cirurgia, que chega a R$ 80 mil. Por 2 infrações o pagamento é de R$ 160 mil; por 3, R$ 240 mil; e assim por diante.

Na prática, com a mudança pretendida, a operadora que cometer de 2 a 50 infrações da mesma natureza receberá punição equivalente a apenas 2 delas. De 51 a 100 infrações, ela será multada como se tivesse cometido só 4. No primeiro caso, no exemplo apontado acima, a punição seria hoje de R$ 4 milhões (50 vezes R$ 80 mil) e, com a alteração feita pela Câmara, R$ 160 mil (R$ 80 mil vezes 2).

O autor dessa proeza é ninguém menos do que o líder do PMDB, deputado Eduardo Cunha (RJ), um dos parlamentares mais poderosos da Câmara, que inseriu a mudança na Medida Provisória (MP) 627, que trata de assunto que nada, rigorosamente nada, tem a ver com a saúde - a tributação de empresas no exterior. Infelizmente, esse procedimento de "pegar carona" em MP, bem conhecido e corriqueiro no Congresso, leva a tais absurdos.

A justificativa de Cunha para a mudança revela quais são os interesses que ele defende. Diz ele que o modelo atual de multas é exagerado, e explica: "Às vezes são aplicadas 200 multas no mesmo evento. É um negócio absurdo. Não pode ter 200 eventos iguais e 200 multas máximas. Não se pode fazer da multa um fator que quebre a empresa". Ora, absurdo é uma empresa cometer 200 infrações e levar 200 multas. Para não quebrar, ela que trate de não errar tanto, de respeitar a lei e de ter um mínimo de consideração com seus clientes.

Essa é a regra do jogo que o deputado Cunha quer inverter com uma sem-cerimônia desconcertante. Tão convicto, digamos assim, está ele da justeza de sua causa que fez questão de lembrar que, de acordo com sua proposta original, a mudança deveria ser permanente, o que não aconteceu porque o governo insistiu em que vigorasse só até dezembro deste ano. Evitou-se o pior, mas, como entre nós o provisório tende a se tornar permanente, isso não é lá grande coisa.

Se o governo não se esforçou o suficiente, ou então - e não é a primeira vez que isso acontece - não conseguiu dobrar, pelo menos não totalmente, o líder na Câmara do seu mais importante partido aliado, seria conveniente que se preparasse para ganhar a batalha no Senado. Ou em último caso apelar para o veto, porque essa mudança, além de ser vergonhosa, contraria frontalmente as medidas que têm sido tomadas para tornar mais rígida a fiscalização dos planos de saúde.

Uma das mais importantes foi a resolução baixada em 2011 pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), fixando para os planos prazos máximos para a marcação de consultas, cirurgias e exames. Embora seu alcance seja limitado pela capacidade da rede de atendimento disponível, que fica aquém das necessidades, essa providência tem sua utilidade. É com base nela e em queixas relativas a outros itens, como a negativa de cobertura, que a ANS tem intensificado a punição aos planos faltosos.

A despudorada medida patrocinada por Cunha e aprovada pela Câmara, se virar lei, tirará do governo o principal instrumento para melhorar a qualidade da saúde privada, pela qual - fugindo da precariedade da rede pública - milhões de brasileiros pagam caro.

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 07 / 04 / 2014

Correio Braziliense
"Fuja das armadilhas dos planos de saúde"

Se uma operadora oferecer a você um convênio coletivo, de poucos participantes e preço imbatível, desconfie 

Esse modelo de contrato foge às regras estabelecidas pela Agência Nacional de Saúde (ANS), permitindo que as empresas reajustem livremente as taxas. E tem mais, a administradora pode simplesmente desfazer o negócio quando ele deixar de ser lucrativo, sem qualquer reparação ao consumidor. Por fim é bom lembrar: quanto menor o número de beneficiários, maior o risco.

Folha de São Paulo
"Petrobras contrata R$ 90 bi sem licitação em três anos"

Empresa usa decreto, contestado pelo TCU, que lhe permite comprar sem concorrência

A Petrobras assinou, de 2011 a 2013, R$ 90 bilhões em contratos sem licitação, escolhendo fornecedores. O valor é igual a 28% do gasto pela estatal no período com empresas que não lhe pertencem nem são concessionárias de serviços públicos. Levantamento da Folha em extratos de contratos da companhia aponta que em 71% dos casos a forma de controle é mais branda, como carta-convite. Concorrências e tomadas de preços, praxe na gestão pública, são menos de 1% do total. Para isso, a Petrobras usa decreto de 1998 que lhe permite negociar de forma mais simplificada que a prevista em lei, podendo abrir mão de licitações em compras de cifras elevadas. O Tribunal de Contas da União tenta impedir a prática desde 2010. A estatal afirma que a “contratação direta, por si só, não gera redução da competitividade” e que o modelo simplificado “é fundamental para o desenvolvimento das atividades operacionais com economicidade e rentabilidade”.

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domingo, abril 06, 2014

Dominique


Opinião

O petês e o tucanês

GAUDÊNCIO TORQUATO - O Estado de S.Paulo
A campanha era a de 1985, aquela em que Jânio Quadros ganhou de Fernando Henrique, depois de este se ter sentado na cadeira de prefeito de São Paulo antes de terminada a apuração dos votos. Para um dos raros comícios na periferia - Jânio, ao lado da esposa, Eloá, preferia verberar contra bandidos e sonegadores em despojado programa eleitoral de TV - levou o ex-ministro da Fazenda Delfim Netto, que assim concluiu sua peroração palanqueira: "A grande causa do processo inflacionário é o déficit orçamentário". Após a fala, Jânio puxou Delfim de lado e cochichou: "Olhe para a cara daquele sujeito ali. O que você acha que ele entendeu de seu discurso? Ele não sabe o que é processo, não sabe o que é inflacionário, não sabe o que déficit e não tem a menor ideia do que seja orçamentário. Da próxima vez, diga assim: a causa da carestia é a roubalheira do governo".

O guru da economia, a quem todos hoje recorrem para explicar os sobressaltos que deixam interrogações no ar, passou a reservar seu economês para plateias mais acessíveis ao vocabulário de questões complexas.

O estilo Jânio marcou a história da expressão e do comportamento dos atores políticos. Ele foi o ícone da irreverência. Ponderável parcela da admiração que angariou em todas as faixas da população se deve ao "modo janista de ser", do qual se extraía um conjunto de valores, entre os quais o da autoridade. Jânio forjou uma linguagem política, composta pela imagem histriônica e adornada com trejeitos, olhares esbugalhados, roupas mal ajambradas, compassos e pausas que imprimiam força à fonética esganiçada de construções exóticas. Semântica e estética juntavam-se em apelativa performance que, aos olhos e ouvidos dos espectadores, chamava a atenção. Pois bem, puxando a linguagem janista para a atualidade, podemos concluir que petistas e tucanos também desenvolveram seu jeito de ser no campo da verbalização, o que explica a maior ou menor penetração e/ou rejeição de uns e outros na esfera dos conjuntos sociais.

O dicionário do PT tem um autor, Luiz Inácio Lula da Silva, responsável pelo que se pode designar como petês, o dialeto que ecoa bem no ouvido das massas. Já o PSDB criou uma enciclopédia, pontuada pelos dons sociológicos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e recitada por uma plêiade de especialistas, entre os quais economistas de alto coturno. Nela grupos esclarecidos da população têm acesso às mais interrogativas questões da conjuntura.

Por que vale a pena discorrer sobre as linguagens dos principais contendores do pleito deste ano? Pelo que representam no fatiamento eleitoral. Os modos tucano e petista de ser abrem a pista por onde decolarão os candidatos Aécio Neves e Dilma Rousseff. Cada qual usará o arcabouço de uma expressão elaborada ao longo de décadas e, hoje, responsável por projetar a imagem pública de seus partidos e integrantes. De pronto, convém observar: o principal desafio do PSDB é fazer chegar sua palavra aos habitantes da base da pirâmide social; em contraponto, o desafio do PT é convencer estratos médios sobre a propriedade de um falatório que, a par do tom popularesco, contém laivos (mesmo que atenuados) de luta de classes, pobres contra ricos.

Dentro de sua gramática, Lula embute o ideário petista. Diferente de Jânio (que foi professor de Português), Lula não capricha na sintaxe, preferindo mergulhar num oceano de analogias, comparações, causos, historinhas, platitudes e metáforas que, em sua voz rouca, soam como a "voz do povo". O que explica o fato de o "jeitão Lula de ser" não parecer demagógico? A legitimidade. Luiz Inácio saiu dos fundões para alçar ao patamar mais alto da política. Retirante nordestino, transformou-se em símbolo maior da dinâmica social no País. Suas tiradas podem ser toscas para certos ouvidos, mas as galeras das arquibancadas as aplaudem: "Já tomei tanta chibatada nesta vida que minhas costas estão mais grossas que casco de tartaruga. Não sejam apressados: uma jabuticabeira leva tempo pra dar jabuticaba, uma mulher demora nove meses para dar à luz. No Brasil, alguns comiam a massa e o chantili do bolo, mas, para a grande população, ficava aquele chumbinho de enfeite que colocam em cima do bolo". O verbo pouco refinado frequentou até reuniões como a do G-20: "Você não faz negociação com o pé na parede, na base do dá ou desce, existe uma negociação". Lula sabe que a lâmina de suas estocadas causa impacto.

Essa é a arma petista que o arsenal tucanês deverá enfrentar. Aécio Neves ou Eduardo Campos (que ainda não compôs um dicionário próprio) terão de fazer chegar ao povão matérias complexas como a crise na Petrobrás e conceitos como recuperação da capacidade de investimento, déficit fiscal, alavancagem da infraestrutura técnica, etc. Campos, por exemplo, sabe que se disser aos compatriotas que o Nordeste sofre de "desconforto hídrico temporário" (seca braba) acabará o discurso sob apupos. Neves carecerá mais que de boas aulas de experts tucanos para desvendar engrenagens como "redução compulsória do consumo de energia elétrica" (corte de energia), "retracionismo na empregabilidade" (desemprego) ou "compensação pecuniária às distribuidoras pelo déficit que enfrentam devido ao racionamento" (aumento de tarifas de energia).

E a presidente Dilma? Ora, ela se agasalha no abecedário lulista. Perfil técnico, não fica bem para ela desfiar o petês do guru. Basta a lábia dele para adoçar o coração das bordas sociais. O comando petista intuiu que os ditos usados e abusados por Lula condizem com ethos das massas, estabelecendo fronteiras com a "verbosidade" dos integrantes dos andares superiores. A guerra política do PT, portanto, se valerá da expressão das ruas para laçar a simpatia popular.

Como se pode constatar, veremos contundente disputa entre dois estilos, dois modos de descrever a realidade. Numa esquina a turba grita: "A porca torce o rabo". Na outra se ouve um grupo que prefere assim dizer: "A esposa do suíno contorce o tendão caudal".

JORNALISTA, PROFESSOR TITULAR DA USP, É CONSULTOR POLÍTICO E DE COMUNICAÇÃO TWITTER@GAUDTORQUATO

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 06 / 04 / 2014

Correio Braziliense
"Casa própria já é realidade para jovens de Brasília"

Casa própria, sonho de todos os brasileiros vira realidade na capital do país

Um em cada quatro compradores de imóveis na capital tem menos de 30 anos. A proporção é bem superior à de outros grandes centros. Estabilidade e bons salários oferecidos pelo funcionalismo estariam na base do fenômeno.


Folha de São Paulo
"Pessimismo sobre economia cresce, e Dilma perde 6 pontos"

Petista cai de 44% a 38% no cenário eleitoral mais provável, diz Datafolha; popularidade também recua.

Em meio a um crescente pessimismo com a economia e a um forte desejo de mudança, as intenções de voto na presidente Dilma caíram seis pontos desde o fim de fevereiro, de 44% a 38%, na principal hipótese da corrida ao Planalto. Apesar disso, os prováveis rivais da petista Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) não cresceram, mostra pesquisa Datafolha feita em 2 e 3 de abril. Eles têm, respectivamente, 16% e 10%. Os demais pré-candidatos somam 6%. Única eventual candidata que forçaria o segundo turno, Marina Silva (PSB) foi de 23% a 27% num cenário em que substitui Campos, ficando 12 pontos atrás de Dilma. O aval à presidente também caiu, e o índice de ótimo ou bom passou de 41% a 36%. A economia preocupa mais: 65% preveem alta da inflação, e 45%, desemprego maior. Segundo a pesquisa, 72% querem que o próximo eleito aja de forma distinta da de Dilma. Para 32%, o ex-presidente Lula é o mais apto para mudar.

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