sábado, março 29, 2014

Dominique


Opinião

A ameaça da escassez da água

O Estado de S.Paulo
A seca atual apenas deu cores ainda mais vivas e dramáticas ao problema do abastecimento de água das grandes cidades, cuja solução depende de obras que se arrastam e, se não forem aceleradas, podem levar à escassez crônica. Uma advertência nesse sentido, a respeito da situação das dez maiores regiões metropolitanas do País, foi feita já em 2011 pela Agência Nacional de Águas (ANA), que propôs aos governos federal e estaduais um esforço maior para evitar que prognósticos pessimistas se concretizassem.

Levantamento feito pelo jornal O Globo mostra que os conselhos da Agência não foram seguidos, pelo menos não na medida necessária, pois apenas 5 das 16 obras de maior importância a serem executadas naquelas regiões foram concluídas. Entre essas está o chamado Eixão das Águas, no Ceará - um canal de 255 quilômetros, ao custo de R$ 1,5 bilhão, para levar água do Açude Castanhão, no interior, até Fortaleza. Ele deve garantir o abastecimento da região metropolitana até 2030. É de lamentar apenas que sua construção tenha demorado 12 anos. Se esse padrão for observado nas demais obras, a crise será inevitável.

Outras obras já entregues são a reforma e adaptação da Estação de Tratamento do Guandu, no Rio de Janeiro, que abastece 70% da cidade com água captada no Rio Paraíba do Sul, e em São Paulo a do reforço do Sistema Alto Tietê, que responde pelo abastecimento de 4 milhões de habitantes da região metropolitana.

As demais ou ainda estão em andamento ou nem ao menos começaram. Nos dois casos existem obras em regiões as mais diferentes do País - Porto Alegre, Distrito Federal, Recife, Salvador, Fortaleza, Curitiba, São Paulo e Campinas. Os números mostram um quadro desanimador, pois a conclusão dos especialistas da ANA é a de que, a menos que sejam concluídos os projetos de maior relevância até 2015, aproximadamente 30% da população brasileira - nas regiões afetadas vivem 62,5 milhões de habitantes - se verão às voltas com a escassez de água a partir de 2025.

Durante muito tempo, um dos principais entraves à execução, pelo menos na medida necessária, de obras destinadas ao abastecimento de água e de saneamento básico - coleta e tratamento de esgotos - era o seu pouco apelo eleitoral, já que são caras, mas nem um pouco vistosas. Embora o mesmo ainda não se possa dizer do saneamento, no qual as carências do País continuam enormes e as obras caminhem a passos muito lentos, a situação mudou bastante no caso da água.

Recursos cada vez mais importantes vêm sendo destinados à solução do problema, tanto pelos governos estaduais como pelo federal. Por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a União financia 12 daquelas 16 obras de maior vulto nas principais regiões metropolitanas. Embora não esteja sobrando dinheiro - até porque a necessidade de buscar água cada vez mais longe das grandes cidades exige vultosos investimentos -, especialistas afirmam que o atraso das obras está ligado também, quando não principalmente, à demora na obtenção de licenças ambientais e na conclusão do processo licitatório, assim como na dificuldade técnica de tocar projetos de grande porte.

Em Porto Alegre, para citar só um exemplo, o Departamento de Água e Esgotos da Prefeitura aguarda há três anos a licença ambiental necessária para tocar o projeto de captação de água no delta do Rio Jacuí, ao custo de R$ 86 milhões. Em outros casos, como no do Rio de Janeiro, a dificuldade não está na falta de recursos nem na oferta de água, mas na poluição das águas que chegam por meio do sistema Guandu.

Questões como essas precisam, portanto, merecer maior atenção dentro do planejamento das obras do setor. Além disso, só uma ação conjunta da União e dos Estados, com medidas mais ousadas, será capaz de acelerar as obras já programadas e evitar o perigo da escassez na próxima década, para o qual a ANA chama a atenção. A grande lição da seca atual, que vem assustando muitas grandes cidades, é que nesse setor ser previdente é um elemento-chave, pois não há como improvisar soluções.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 29 / 03 / 2014

Correio Braziliense
"Perícia de piloto evita tragédia em Brasília"

Fokker 100 da Avianca com 44 passageiros e cinco tripulantes vinha de Petrolina (PE) quando sofreu pane hidráulica. O comandante relatou o problema à torre de controle, pediu ajuda e fez pouso de emergência às 17h42 no Aeroporto JK. Ninguém ficou ferido.

O voo 6393 partiu da cidade pernambucana às 15h02. Às 17h07, o piloto informou sobre o problema. Disse que teria de sobrevoar a capital do país para gastar combustível — como forma de reduzir o risco de explosão no caso de forte impacto com o solo — e pediu que bombeiros e ambulâncias ficassem de prontidão no terminal. Em seguida, ele procurou tranquilizar as pessoas a bordo, avisando que teria de usar procedimento especial na descida. Trinta e cinco minutos depois, com o trem de pouso dianteiro sem funcionar, o Fokker 100 aterrissaria em Brasília. Primeiro, apoiado nas rodas traseiras e, em ato contínuo, deslizando o nariz sobre espumas colocadas na pista. Passado o susto, passageiros o aplaudiram e, sem tumulto, deixaram a aeronave por escorregadeiras infláveis.

Estado de Minas
"Governo prepara tática para diluir CPI da Petrobras"

Ofensiva no Congresso pretende incluir outros cinco assuntos na investigação. Oposição critica a estratégia do Planalto e a classifica de confissão de culpa

O governo conta com pelo menos 40 assinaturas no Senado e o apoio maciço da base na Câmara para ampliar o escopo da CPI da Petrobras a ponto de inviabilizar qualquer trabalho da comissão. A estratégia, discutida na quarta-feira à noite pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), com o chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, é incluir no escopo da CPI cinco pontos de investigação: Porto de Suape (PE); Refinaria Abreu e Lima (PE); Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig); caso Alstom, que envolve o metrô de São Paulo; e a gestão do PSB de Eduardo Campos à frente do Ministério de Ciência e Tecnologia nos oito anos de governo Lula. A ideia é apresentar o requerimento para uma CPI ampliada já na terça-feira, quando Renan deve ler a proposta de investigação da Petrobras, com 29 assinaturas, protocolada pela oposição na quinta-feira. Com isso, os governistas acreditam que vão pressionar a oposição a “sair da toca”. “Tem muita gente valente nestas duas últimas semanas. Veremos o tamanho dessa valentia agora”, afirmou um senador da base aliada. Antes mesmo da posse como ministro da articulação política, prevista para segunda-feira, o deputado Ricardo Berzoini (PT-SP) tem articulado intensamente para que a Câmara também apoie a proposta. “Vamos conversar com a bancada. Mas eu acho ruim você abrir demais a investigação sem ter um foco. Isso desmoraliza o Congresso”, protestou o líder do PR na Casa, deputado Bernardo Santana (MG).

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sexta-feira, março 28, 2014

Pausa para reflexão


Coluna do Celsinho

Antidrogas

Celso de Almeida Jr.

Queria escrever sobre o tema.

Mas, preferi encaminhar o leitor ao link abaixo:

http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2014/03/27/site-americano-traz-imagens-do-antes-e-depois-de-usuarios-de-drogas-presos.htm#fotoNav=14

Lá, estão as imagens do antes e depois de usuários de drogas que foram presos.

Trata-se de uma impactante campanha da organização norte-americana Rehabs.com

As fotos sintetizam o drama.

Insisto.

Vá lá.

Veja todos os rostos.

Antes e depois.

Mostre aos seus filhos, sua família, seus amigos.

Essa luta é de todos.

Exige o esforço coletivo.

Permanente.

Intenso.

Corajoso.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique


Opinião

Passa, passa, Pasadena

Fernando Gabeira* - O Estado de S.Paulo
Água era o meu foco. Revisitava o Rio Piracicaba castigado pela seca. No passado fui a algumas reuniões do Comitê de Bacia. Já havia na época uma preocupação com o futuro do rio, tão solicitado: abastece uma região em crescimento e mais 8,8 milhões de pessoas em São Paulo.

Lembrei, à beira do Piracicaba, alguns autores no fim do século passado afirmando que a água seria o petróleo do século 21, com potencial de provocar conflitos e até guerras. Mas ao falar no petróleo como algo do passado constatei que está na ordem do dia. Enterraram uma fortuna em Pasadena, no Texas. Outra Pasadena, na Califórnia, é a cidade cenário da sitecom The Big Bang Theory.

Pois é, nossa Pasadena começou com um singular ponto que se expande de forma vertiginosa. Foi uma espécie de Big Bang na consciência dos que ainda duvidavam que a Petrobrás estivesse indo para o buraco nas mãos dos aliados PT e PMDB. Diante dos fatos, vão-se enrolar de novo na Bandeira Nacional, sobretudo num momento de Copa do Mundo, fulgurante de verde e amarelo.

Os críticos da Petrobrás não são bons brasileiros. Bons são os que se apossaram dela e a fizeram perder R$ 200 bilhões nestes anos e despencar no ranking das grandes empresas do mundo.

O líder do governo, senador Eduardo Braga (PMDB-AM), disse que a perda desse dinheiro faz parte do jogo capitalista de perde e ganha. Se fosse numa empresa privada, dificilmente seus diretores resistiriam no cargo. Em Pasadena enterrou-se dinheiro público. O que deveria ser mais grave em termos políticos.

Pasadena é uma boa versão com sotaque latino para Waterloo. Dilma Rousseff afirma que assinou a compra da refinaria no Texas sem conhecer as cláusulas. Depois disso conheceu. Ela lançou uma nota para explicar o momento em que não sabia. E se esqueceu de explicar todos os anos de silêncio e inação.

Os diretores que teriam omitido as cláusulas que enterram mais de US$ 1 bilhão em Pasadena continuaram no cargo. Até a coisa explodir mesmo. Tenho a impressão de que tentaram sentar-se em cima da refinaria de Pasadena. Sentaram-se numa baioneta, porque não se esconde um negócio desastroso de mais de US$ 1 bilhão.

Os fatos começam a se desdobrar agora que os olhares se voltam para esse refúgio dos nacionalistas, defensores da Pátria enriquecidos.

Uma empresa holandesa cobrou US$ 17 milhões da Petrobrás por serviços que não constavam do contrato. A primeira parcela da compra em Pasadena foi declarada como US$ 360 milhões, mas no documento americano ela foi registrada como uma compra de US$ 420 milhões. Refinarias compradas no Japão têm as mesmas cláusulas do contrato desastroso de Pasadena.

Um amigo de Brasília me disse ao telefone: "Se esse Paulo Roberto Costa, diretor da Petrobrás, abrir a boca, a República vai estremecer". Conversa de Brasília. Quantas vezes não se falou o mesmo de Marco Valério?! O que pode trazer revelações são os computadores, pen drives e documentos encontrados na casa dele. A Polícia Federal não acreditava que ele iria falar, tanto que o prendeu com o argumento de que estava destruindo provas.

Passa, passa, Pasadena, quero ver passar. A Petrobrás da nossa juventude, dos gritos de "o petróleo é nosso", se tornou o reduto preferido dos dois grandes partidos que nos governam. O petróleo é deles, do PT e do PMDB. Levaram o slogan ao pé da letra e suas pegadas na maior empresa do País demonstram que devoram até aquilo que dizem amar.

De certa forma, isso já era evidente para mim nas discussões dos contratos do pré-sal. Eles impuseram uma cláusula que obriga a Petrobrás a participar de todos os projetos de exploração. Não deram a chance à empresa de recusar o que não lhe interessava.

Tudo isso é para fortalecer a Petrobrás, isto é, fortalecer-se com ela, com uma base de grandes negócios, influência eleitoral e, de vez em quando, uma presepada nacionalista, tapas imundos de óleo nas costas uns dos outros, garrafas de champanhe quebradas em cascos de navios.

Lá, no Texas, os magnatas do petróleo usavam aqueles chapéus de cowboy. Lá, em Pasadena. Aqui, os nossos magnatas em verde e amarelo estão com poucas opções no momento. Ou reconhecem o tremendo fracasso que é a passagem dos "muy amigos" da Petrobrás pela direção da empresa ou se enrolam na Bandeira e acusam todos de estarem querendo vender a Petrobrás. Diante das eleições e da Copa do Mundo, devem optar por uma alternativa mais carnavalesca.

Mas os fatos ainda não são de todo conhecidos. Deverá haver uma intensa guerra de bastidores para que não o sejam, especialmente os documentos nas mãos da Polícia Federal.

Pasadena. Certos nomes me intrigam. O mensalão não seria o que foi se não houvesse esse nome tão popular inventado por Roberto Jefferson, que no passado apresentava programas populares de TV. Pasadena soa como algo esperto, dessas saidinhas em que você vai e volta em cinco minutos, leve e faceiro. Mas pode ser que Pasadena não passe e fique ressoando por muito tempo, como o mensalão. E se tornar uma saidinha para comprar cigarros, dessas sem volta, para nunca mais.

Criada uma comissão no Congresso Nacional, envolvidos Ministério Público e Polícia Federal, podem sair informações que, somadas às de fontes independentes, deem ao País a clara visão do que é a Petrobrás no período petista. Não tenho esperança de que depois disso todos se convençam de que a Petrobrás foi devastada. Mas será divertido vê-los brigando com os fatos, com as mãos empapadas de óleo.

Diante do Rio Piracicaba meu foco é a água. Na semana passada, vi como na Venezuela o uso político do petróleo deformou o país. No Brasil o alvo da voracidade aliada é a Petrobrás.

E se a água é o petróleo do século 21, daqui a pouco vão descobri-la, quando vierem lavar as mãos nas margens dos nossos rios.

*Fernando Gabeira é jornalista. 

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 28 / 03 / 2014

Correio Braziliense
"Avança plano que ameaça o tombamento de Brasília"

PPCub, polêmico plano que, em vez de preservar, põe em risco áreas tombadas da cidade 

Uma pequena conquista, por exemplo, foi a aplicação do gabarito das 900 Norte para a 901. Agora, no lugar de construções de até 45 metros, os prédios da quadra poderão ter no máximo 12,5m. Mesmo assim, o perigo persiste. O projeto aprovado ontem pelo Conselho de Planejamento Urbano e Territorial (Conplan), após 10 horas de discussões, libera as garagens subterrâneas no canteiro central da Esplanada dos Ministérios e abre brechas para outras intervenções que podem afetar a preservação de Brasília. O texto segue agora para discussão na Câmara Legislativa.

Estado de Minas
"Emprego garantido, mas sem estabilidade"

Governo de MG contratará temporariamente como designados os servidores efetivados sem concurso por lei estadual em 2007, que o Supremo invalidou

Foi a solução encontrada para não demitir milhares de funcionários, quase todos da Secretaria de Educação. Na prática, eles voltarão à mesma condição de antes da aprovação da lei considerada inconstitucional, exceto os aposentados ou aptos a se aposentar e aqueles já aprovados em concurso, que foram preservados pela decisão do STF. Os demais serão contratados, enquanto o governo estadual prepara concurso para o preenchimento das vagas que ocupam. Assim, para permanecer, eles terão de ser aprovados na seleção. A presidente da Associação dos Professores Públicos de Minas Gerais (APPMG), Joana Darc Gontijo, aprovou a solução. “Os mais velhos foram todos salvos. Os mais novos têm mais condição de fazer concurso”, disse.

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quinta-feira, março 27, 2014

Dominique


Opinião

A caixa-preta da Petrobrás

O Estado de S.Paulo
A Petrobrás, outrora tida como um modelo de administração e eficiência, tornou-se a casa da mãe joana. O caso da Refinaria de Pasadena, no Texas, revela a cada dia que a direção da estatal não exerceu o devido comando sobre executivos que atuaram em um negócio tão temerário, de bilhões de dólares. Tal situação apenas reforça a certeza de que a administração da Petrobrás, sob o governo petista, é uma imensa caixa-preta, cujos segredos não só os acionistas são os últimos a saber.

Pois o último a indignar-se com esse estado de coisas não foi um daqueles a quem a companheirada governista costuma chamar de "neoliberais" que, ao criticarem a gestão desastrosa da Petrobrás, estariam interessados apenas em privatizá-la. Foi a própria presidente da Petrobrás, Graça Foster, que veio a público manifestar seu espanto diante da descoberta, na última segunda-feira, de que havia uma instância executiva dentro da empresa, cuja existência ela desconhecia, que estava acima do próprio Conselho de Administração - a máxima autoridade na gestão da empresa - e que encaminhou a compra da refinaria americana em 2006.

Segundo disse Graça a O Globo, trata-se de um certo "comitê de proprietários de Pasadena", no qual o representante da Petrobrás era o então diretor de Refino e Abastecimento, Paulo Roberto Costa. Como se sabe, Costa está preso sob acusação de lavagem de dinheiro, numa operação da Polícia Federal que, até aqui, nada tem formalmente a ver com o caso da refinaria. Graça mandou abrir sindicância.

As evidências de malfeitos são muitas. Costa ajudou a redigir o contrato que lesou a Petrobrás na aquisição de Pasadena, obrigando-a a desembolsar US$ 1,2 bilhão para adquirir uma refinaria de valor oito vezes inferior e que se provou uma sucata. É dele também a coautoria do resumo executivo no qual a presidente Dilma Rousseff, então presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, disse ter se baseado para avalizar o negócio. Passados oito anos, Dilma diz que foi induzida a erro porque o tal resumo era "técnica e juridicamente falho".

No meio do caminho, em março de 2008, na mesma reunião em que tomou conhecimento das cláusulas lesivas à Petrobrás, o Conselho, ainda presidido por Dilma, ressaltou em ata os "relevantes serviços prestados" e a "competência técnica" de Nestor Cerveró, diretor internacional da estatal, o principal autor do parecer técnico agora criticado pela presidente.

São essas contradições que evidenciam a urgência da instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, além da continuidade célere das investigações da Polícia Federal, do Tribunal de Contas da União e do Ministério Público sobre as suspeitas de evasão de divisas e de superfaturamento, para aclarar aquilo que as autoridades parecem querer esconder.

Na trajetória da Petrobrás sob a direção de apadrinhados governistas e do PT, não se trata de uma situação incomum. Por imposição ideológica, a estatal tem tomado decisões obscuras - em relação a investimentos, preços e outros fatores estratégicos - sem levar em conta os interesses dos acionistas nem muito menos as boas práticas de administração, tendo em vista somente o uso da estatal como instrumento de política econômica e partidária.

Isso explica não apenas o caso de Pasadena, mas os próprios resultados da Petrobrás. Em seu balanço de 2013, a estatal apresentou lucro de R$ 23,5 bilhões, fruto não de seu desempenho como petroleira, mas principalmente da venda de ativos e de manobras contábeis. Não fossem os truques, a sangria ficaria evidente - a empresa, que há cinco anos era a 12.ª maior do mundo em valor de mercado, hoje é apenas a 120.ª.

O controle estatal sobre a Petrobrás é absoluto. No entanto, a julgar pelos esgares de estupefação de Graça Foster e pela ira de Dilma, ambas dizendo-se surpreendidas por informações que desconheciam, apesar dos amplos poderes de que dispõem, parece haver uma administração paralela na Petrobrás, que não presta contas senão a seus padrinhos.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 27 / 03 / 2014

Correio Braziliense
"Mantega completa oito anos ininterruptos no Ministério da Fazenda"

Ele é o titular da pasta que ficou mais tempo na função

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, completa nesta quinta-feira (27/3) oito anos ininterruptos no cargo e se torna o titular da pasta que ficou mais tempo na função. Ele tomou posse no dia 27 de março de 2006, em substituição a Antonio Palocci que deixou o cargo após a denúncia de ser um dos interessados na quebra e divulgação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa. O processo foi arquivado pelo Supremo Tribunal Federal, que alegou não ter encontrado indícios suficientes de violação de dados do caseiro. A condição de titular da pasta que ficou mais tempo no cargo foi confirmada pelo Ministério da Fazenda. Mantega superou Pedro Malan em permanência no posto após a ditadura militar. Antes, na era Vargas, o gaúcho Arthur de Souza Costa é considerado o ministro que mais ficou no cargo, entre 24 de julho de 1934 e 29 de outubro de 1945.

Estado de Minas
"Satélite tailandês localiza 300 objetos em zona de busca do voo MH370"

Tempestades e fortes ventos obrigaram a suspensão das operações no sul do Oceano Índico nesta quinta-feira

"Um satélite tailandês descobriu quase 300 objetos, com tamanho que oscila entre dois e 15 metros, flutuando no sul do Oceano Índico, a 2.700 km de Perth", declarou à AFP Anond Snidvongs, diretor executivo da agência pública GISTDA. "Mas não podemos confirmar, não nos atrevemos a confirmar que são destroços do avião", completou. As imagens via satélite são de terça-feira, mas só foram analisadas na quarta-feira, segundo a agência. As informações foram transmitidas ao governo da Malásia.

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quarta-feira, março 26, 2014

Dominique


Opinião

Pra que discutir com madames?

José Nêumanne* - O Estado de S.Paulo
Os prejuízos causados à Petrobrás pela desastradíssima compra da refinaria da Astra Oil belga na cidade texana de Pasadena vão muito além do US$ 1 bilhão sacado do patrimônio público brasileiro e jogado literalmente no lixo de contas bancárias sejam de quais corruptos forem. E dos ainda impossíveis de calcular danos causados à imagem de uma empresa até antes da gestão petista considerada séria e eficiente e ao mito da "gerentona" com que o ex-presidente Lula mimoseou sua sucessora no trono presidencial. Mais difícil ainda de prever será a fuga de votos prometidos à presidente, que tenta se reeleger, pois, ao se abrir uma caixa de Pandora como essa, nem um congresso de profetas bíblicos seria capaz de traçar um cenário com seus efeitos sobre a decisão final do cidadão diante da urna.

A estatal petroleira nacional é um campo fértil para a mistificação política e ideológica desde a campanha nacionalista que a inventou no governo democrático de Vargas, há 60 anos, sob o lema falso e demagógico do "petróleo é nosso" até a cínica mentira disseminada pelos petistas em campanhas eleitorais de que os adversários tucanos a privatizariam assim que assumissem o governo federal. Nem mesmo a evidência de que a defesa intransigente feita por Lula, Dilma e seus asseclas do patrimônio nacional nela investido não combina com a hecatombe que desabou sobre a companhia nos 11 anos e três meses de sua interferência politiqueira na administração da empresa é garantia de que o cidadão pagante não se deixará enganar mais uma vez pelo marketing político de João Santana, o Patinhas.

A lambança não se encerrará com a nota de Dilma, em resposta ao Estado, na qual assumiu o próprio erro ao autorizar, como presidente do Conselho Administrativo da petroleira, o negócio absurdo. Muito menos com a retirada da direção dos negócios desta do bode expiatório da vez, o tal de Nestor Cerveró. A dimensão da quantia perdida - US$ 1 bilhão - não garante por si só que seu rastro será desvendado.

A história mostra que dinheiro furtado do erário pode ter a consistência volátil de gás liquefeito de petróleo. Talvez seja mais fácil achar em alguma ilha perdida da Oceania o jato da Malaysia Airlines intacto e com todos os tripulantes e passageiros vivos do que constatar que o óbvio, por mais ululante que seja (a bênção, Nelson Rodrigues), se fará ouvir num caso dessa relevância. Um arsenal de argumentos mal ajambrados tem sido usado como autênticos anátemas das artimanhas financeiras e da gestão pública para transformar uma bomba de hidrogênio num inofensivo traque junino. Apesar de aparentemente absurda, vai ser difícil escapar dessa perversa hipótese.

A presidente da Petrobrás, ungida pela amiga e chefe no posto depois de devidamente defenestrado o desafeto abençoado por Lula, já mostrou publicamente que não está disposta a ceder às exigências do decoro. Após Dilma ter confessado o inconfessável, a subordinada partiu para explicar o inexplicável e, com a convicção de um devoto dos cânones mais sagrados de fundamentalismos religiosos, tem feito piruetas acrobáticas de que não seria capaz nem o maior ás do Cirque du Soleil. Os fatos são que a empresa de que ela era diretora em 2006, à época do negócio ruinoso, e hoje preside, comprou por, no mínimo, US$ 360 milhões metade de uma refinaria vendida inteira oito meses antes aos belgas por US$ 42,5 milhões. Titãs do tráfico internacional de cocaína e outras drogas devem estar se contorcendo de inveja diante de tamanha valorização. Mas quem disse que a mulher piscou? Antes, o petróleo tinha certo valor, esperava-se que se valorizasse mais, mas veio a crise, que ninguém esperava, e o negócio micou, jurou dona Forster. O raciocínio de madame, aparentemente lógico, ruiu ante o fato de que a empresa perdeu em oito anos US$ 1 bilhão num negócio que vale menos de US$ 100 milhões.

Dona Dilma fez pior. Em vez de navegar nos mares plácidos da platitude em que reina nos pronunciamentos públicos em rede de televisão e na volta à adolescência pelas mensagens de Twitter, madame chefe de madame sacou a desculpa de que só aprovou a compra danosa ao interesse público porque não sabia da cláusula que obrigava nossa estatal a adquirir a outra metade do sócio hostil caso se desentendessem na rotina administrativa do negócio belga. Culpa de quem? Do diretor internacional da empresa lesada à época, Nestor Cerveró, cujo passe, que pertencia ao PT e ao PMDB, só virou pó oito anos depois de a presidente do Conselho, já então presidindo a República, ter descoberto sua terrível omissão. As madames não se dignaram a explicar por que tardaram tanto a descobrir o erro do protegido dos sócios majoritários da aliança parlamentar governista. E só o fizeram depois de ele ter sido regiamente premiado com a direção de Finanças (isso mesmo!) da BR Distribuidora. A demissão do trapalhão, contudo, não impediu que o distinto público, que paga a conta toda, ficasse sabendo que ele também teve de gastar o triplo do total pago por uma refinaria em Okinawa para que ela tivesse mínimas condições de operação. Como se vê, não há mais negócio da China, nem esperteza belga, nem pilantragem japonesa. E, sim, safadeza (na mais sacrossanta das hipóteses) tupiniquim.

Mas pra que discutir com madames? São coisas do capitalismo, juram os hierarcas da esquerda reinante. E a fina-flor da burguesia, refestelando-se no banquete da demolição do patrimônio da estatal, fez-lhes coro. Jorge Gerdau, Claudio Haddad e Fábio Barbosa ajudam o governo a convencer o cidadão votante de que se engana quem pensa que são negócios assim que fizeram o valor da mais valiosa joia da coroa do estatismo nacional despencar do 12.º para o 120.º lugar no ranking do Financial Times, ao cair pela metade desde 2010. O diabo é que essa cantiga de sereia não vai ajudar a tirar a Petrobrás desse poço sem fundo.

*José Nêumanne é jornalista, poeta e escritor.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 26 / 03 / 2014

Correio Braziliense
"Satélite revela presença de 122 objetos em área de busca do voo MH370"

No entanto, não se sabe ainda com certeza se objetos seriam realmente da aeronave

Novas imagens de satélite revelam a presença de 122 objetos em uma das áreas de busca do sul do Oceano Índico, onde caiu o voo MH370, anunciaram nesta quarta-feira as autoridades da Malásia. As imagens, feitas por um satélite da Airbus Defence and Space, mostram os objetos flutuando em uma zona de 400 quilômetros quadrados, disse o ministro dos Transportes da Malásia, Hishammuddin Hussein. O ministro afirmou que as imagens foram feitas no domingo, recebidas na terça-feira e imediatamente transmitidas à Austrália, que coordena a busca. No momento não é possível saber se os objetos procedem do Boeing 777 que caiu no dia 8 de março com 239 pessoas a bordo, afirmou Hishammuddin. "Mas as novas imagens ajudarão a orientar as operações de busca", disse o ministro.

Estado de Minas
"TCU descobre que mulher de vereador de São João del-Rei recebia bolsa-família"

Irregularidade será investigada por uma comissão de decoro parlamentar, instaurada na Câmara na quinta-feira

A mulher de um vereador de São João del-Rei, no Campo das Vertentes, recebeu bolsa-família durante cinco anos, período em que seu marido já ocupava um cargo no Legislativo municipal. O benefício, que acumulado chegou a R$ 3,3 mil, foi pago a Gislane Luciane da Silva, mulher do vereador Gilberto Luiz dos Santos (PMDB), que está em seu segundo mandato na Casa. Os parlamentares da cidade histórica tiveram reajuste de 100% de seus vencimentos no fim de 2012, elevando o salário de R$ 2,5 mil para R$ 5,2 mil. Mesmo assim ela não deixou de sacar o recurso.

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terça-feira, março 25, 2014

Dominique


Opinião

A crise do ensino médio

O Estado de S.Paulo
Ao avaliar a situação da rede pública de ensino médio, o Tribunal de Contas da União (TCU) constatou um déficit de 32,7 mil professores, especialmente nas áreas de física, química, biologia e sociologia. O levantamento também revelou que há 41 mil docentes sem formação específica em nenhuma das disciplinas desse ciclo educacional. E mostrou que 61 mil professores se encontram fora das salas de aula - 40 mil exercendo atividades administrativas, 5 mil cedidos a órgãos públicos sem qualquer relação com a área educacional e 16 mil em outros tipos de afastamento.

Iniciada em março do ano passado, a avaliação do TCU abrangeu a oferta de matrículas, taxas de evasão, fontes de financiamento, utilização dos recursos orçamentários, infraestrutura das escolas, gestão administrativa, atualidade dos currículos, nível de formação dos professores e qualidade dos projetos pedagógicos do ensino médio. Ao todo, foram visitadas 580 escolas municipais e estaduais e as auditorias foram realizadas com a colaboração dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal. Apenas os Tribunais de Contas de Roraima e de São Paulo não participaram do levantamento.

O ensino médio é reconhecidamente o elo mais problemático da rede pública de educação básica, mas a auditoria do TCU revelou que ele se encontra em situação muito pior do que se imaginava. Além da falta de professores para matérias especializadas e do elevado número de docentes não qualificados, o levantamento constatou outro grave problema: para substituir os 61 mil professores que estão afastados e contornar também a Lei de Responsabilidade Fiscal, que impõe limites aos gastos com folha de pagamento dos Estados e municípios, as escolas passaram a contratar professores temporários.

Em média, 30% do corpo docente do ensino médio nas redes estaduais e municipais é constituído por professores temporários. Em alguns Estados, como Espírito Santo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o índice supera os 60%. "É um porcentual expressivo para um tipo de contratação que deveria ser excepcional", afirma o relator da auditoria do TCU, ministro Valmir Campello. Segundo ele, como ainda é preciso aperfeiçoar os métodos utilizados no levantamento, o déficit de professores e o número de contratos temporários podem ser maiores que os registrados. O ministro lembra ainda que, por falta de rigor nas informações contábeis da área educacional, o TCU encontrou muitas discrepâncias entre os dados enviados pelos Estados e municípios ao Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação (Siope) e as estatísticas de outros órgãos federais.

Na avaliação qualitativa, o maior problema do ensino médio continua sendo o anacronismo do currículo de suas três séries - fator responsável pelas altas taxas de evasão desse ciclo educacional. As disciplinas oferecidas não preparam os alunos nem para os exames vestibulares nem para o mercado de trabalho. Vivendo num mundo cada vez mais competitivo e exigente, os estudantes tendem a perder a motivação de estudar matérias cujo conteúdo é basicamente definido pelo que costuma ser exigido pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). De cada cem estudantes que ingressaram no ensino médio, em 2008, 35 repetiram a primeira série ou largaram a escola. E, entre os que ficaram, poucos aprendem o esperado em matérias fundamentais, como português e matemática. A maioria dos alunos não consegue fazer uma redação com um mínimo de rigor lógico, identificar a ideia central de um texto ou fazer contas mais complexas, que exigem conhecimentos de álgebra.

Em 2011, o Ministério da Educação incentivou as escolas públicas a elaborar currículos mais flexíveis, para atender às demandas do mercado de trabalho, sugerindo, inclusive, o agrupamento das 13 disciplinas do ensino médio em quatro áreas - trabalho, tecnologia, ciência e cultura. Mas, como mostrou a auditoria do TCU, essas medidas não foram suficientes para estimular os jovens a permanecer na escola e a formá-los apropriadamente.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 25 / 03 / 2014

Correio Braziliense
"Brasil responde de forma robusta queda de nota, aponta Banco Central"

Segundo o BC, "essa resposta combina austeridade na condução da política macroeconômica, flexibilidade cambial e utilização dos colchões de proteção acumulados ao longo do tempo"

O Brasil tem respondido de forma clássica e robusta aos desafios do cenário internacional, avaliou o Banco Central (BC), em reposta à redução da nota da economia brasileira pela agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P). “Independentemente da avaliação da agência de rating Standard & Poors, que reclassificou o risco do País, o Brasil tem respondido e continuará respondendo de forma clássica e robusta aos desafios que se colocam no novo quadro internacional”, diz o BC, em nota. O BC acrescenta que “essa resposta combina austeridade na condução da política macroeconômica, flexibilidade cambial e utilização dos colchões de proteção acumulados ao longo do tempo (reservas de liquidez) para suavizar os movimentos nos preços dos ativos”. Com isso, continua o BC, o Brasil encontra-se bem posicionado nesta nova fase de normalização das condições financeiras globais e tem plena capacidade de atravessá-la com segurança.

Estado de Minas
"Receita Federal bate recorde para o mês e arrecada R$ 83 bilhões em fevereiro"

Houve alta de 3,44% em relação ao mesmo período do ano passado e queda de 33,23% em relação a janeiro

A arrecadação de impostos e contribuições federais somou R$ 83,137 bilhões em fevereiro, recorde para o mês. Os dados, divulgados pela Receita Federal nesta terça-feira, 25, mostram que houve uma alta real (com correção da inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de 3,44% ante fevereiro do ano passado. Em relação a janeiro desse ano, a arrecadação apresentou uma queda real de 33,23%. O resultado da arrecadação federal no mês passado ficou dentro do intervalo das expectativas dos especialistas consultados pelo AE Projeções, que variava de R$ 80 bilhões a R$ 88,500 bilhões, mas abaixo da mediana, de R$ 85 bilhões.

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segunda-feira, março 24, 2014

Dominique


Opinião

A buzina do Fed

O Estado de S.Paulo
O aviso foi dado, há tempo para agir e quem tiver juízo tratará de se preparar, mas para isso o governo brasileiro precisará mudar seus hábitos e cuidar mais seriamente da política econômica. O banco central mais importante do mundo, o Federal Reserve (Fed), dos Estados Unidos, poderá elevar os juros antes do previsto, talvez já no primeiro semestre do próximo ano. O acesso ao financiamento internacional ficou mais difícil desde o ano passado e deve tornar-se ainda mais complicado com a mudança anunciada na política americana. A novidade foi apresentada pela nova chefe da instituição, a economista Janet Yellen, em entrevista depois da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), órgão formulador da política monetária. Antes dessa entrevista, a previsão mais comum era de uma elevação da taxa no segundo semestre de 2015, provavelmente perto do fim do ano.

Essa foi a única surpresa depois da reunião regular do comitê. Como se previa, foi decidida uma nova redução do estímulo monetário à recuperação da economia americana. A partir de abril as compras de títulos para injetar dinheiro no mercado passarão de US$ 65 bilhões para US$ 55 bilhões. Será mantido, portanto, o corte de US$ 10 bilhões, adotado a partir da primeira redução, em janeiro. Com esse padrão, as compras estarão encerradas em outubro. Ainda haverá muito dinheiro no mercado e os juros básicos permanecerão muito baixos, na faixa de zero a 0,25% ao ano, mas a corrente de recursos adicionais terá sido cortada.

O passo seguinte, a elevação de juros, dependeria, segundo critérios anunciados em 2012, da redução do desemprego e do aumento da inflação. Os sinais seriam um desemprego de 6,5% e uma inflação prevista de 2,5% num prazo de dois anos. Não haveria gatilho, mas a conjunção dos dois sinais seria muito importante. Segundo a presidente Janet Yellen, o comitê deverá analisar também outros indicadores, incluídos a evolução dos salários e o crescimento sustentável da produção. Feito o balanço das condições atuais e das perspectivas, a alta de juros, indicou a presidente do Fed, poderá começar uns seis meses depois de encerradas as compras de títulos do Tesouro e de papéis lastreados em hipotecas.

A expectativa de qualquer redução dos estímulos bastaria para tornar financiadores e investidores mais severos na avaliação de empresas e países em busca de dinheiro. As condições do mercado já se tornaram mais apertadas nos últimos nove ou dez meses, desde o primeiro anúncio da provável diminuição - ainda sem data para começar - dos estímulos monetários. Os fluxos de capitais mudaram de rumo, o Brasil foi afetado e o Banco Central (BC) teve de agir para atenuar a alta do dólar e prevenir os efeitos inflacionários da depreciação cambial.

Meses depois do primeiro anúncio, um relatório do Fed incluiu o Brasil entre os países mais vulneráveis a mudanças no mercado financeiro e especialmente a alterações nos negócios de câmbio. Autoridades brasileiras contestaram o estudo, economistas nacionais e estrangeiros entraram na discussão e nomes ilustres, como Paul Krugman, ganhador do Prêmio Nobel de Economia, puseram em dúvida a avaliação do Fed.

É inútil discutir se o Brasil é um dos mais vulneráveis ao impacto de mudanças no mercado. Pode até ser menos vulnerável do que muitos outros, mas é bom levar em conta a opinião de financiadores e investidores. A imagem da política econômica brasileira está longe de justificar qualquer ufanismo.

É tolice cuidar do assunto como se o País estivesse envolvido em um concurso de beleza. Mesmo fora da lista dos quatro ou cinco mais vulneráveis, o Brasil poderá ser seriamente afetado por uma piora do humor de investidores e financiadores. Isso provavelmente ocorrerá se a inflação permanecer elevada, o governo insistir em maquiar suas contas, em vez de cortar a gastança, as exportações continuarem fracas e o crescimento, afinal, se mantiver muito abaixo da média dos emergentes bem administrados. É difícil de entender como um país pode ter todos esses problemas sem ser vulnerável. A presidente, formada em economia, talvez possa explicar.

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 24 / 03 / 2014

Correio Braziliense
"Com inflação, sonhos das famílias da nova classe média viram dívidas"

Elas se veem obrigadas a reduzirem o consumo, fecharem empreendimentos e se sacrificarem para pagar compromissos assumidos nos anos de fartura

Da compra do carro em até 72 vezes sem entrada, sobraram apenas os carnês atrasados. Em muitos lares, os bancos já arrancaram os veículos da garagem. Investimentos de microempresários, animados com a onda de um Brasil que estava dando certo, viraram pó. Ou dívidas. Sonhos de reformar a casa ou viajar para o exterior pela primeira vez tiveram de ser adiados. Endividadas e desorientadas pela inflação, as famílias mais pobres e, sobretudo, as da nova classe média levaram um balde de água fria no último ano. É hora, dizem os especialistas, de colocar o pé no chão e ajustar de vez as finanças. O cenário de crédito farto, juros baixos e consumidores afoitos se desmanchou. Desde o fim de 2010, a expectativa de crescimento da economia perdeu força. A boa onda que levou os brasileiros a comprarem como nunca não se sustentou. “As famílias estão menos empolgadas. Houve uma mudança drástica de perspectiva”, comenta Renato Meirelles, diretor do Instituto Data Popular, responsável por uma pesquisa divulgada na última semana que mostrou como os brasileiros estão pesquisando e se sacrificando mais para pagar as contas.

Estado de Minas
"Brasil mantém o quarto lugar nas vendas mundiais de carros em 2014"

Entre as montadoras, a Volkswagen ultrapassou a Toyota com 526.299 unidades vendidas

O mercado brasileiro de automóveis começou o ano de 2014 mantendo o quarto lugar do ranking mundial na comercialização de veículos. Os dados de janeiro foram divulgados pela Jato Dynamics do Brasil. A China permanece no topo das vendas do mundo com mais de 2 milhões de veículos, um aumento de 7,6% se comparado com o mesmo período de 2013. A segunda posição é dos EUA, mesmo com uma queda significativa de 2,2% nas vendas em relação a 2012. Já o Japão mantém a terceira colocação com um crescimento de 29,1% no mês. Em quarto lugar, o Brasil permanece na quarta posição com alta de 1,0%, nas vendas do mês em relação a 2013 e logo em seguida vem a Índia com uma queda de 9,6%. Na sexta e sétima posição, a Alemanha e Grã Bretanha registraram alta de 7,1% e 8,1%, respectivamente. A França apresentou uma queda de 1,1% na oitava colocação e a Rússia iniciou o ano em nono lugar com queda de 5,8% e a Itália fecha o ranking com 3,3% de aumento nas vendas.

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domingo, março 23, 2014

Dominique


Opinião

O vestibular dos governantes

GAUDÊNCIO TORQUATO - O Estado de S.Paulo
Que tal um vestibular para candidatos à Presidência da República e aos governos dos 27 Estados da Federação? Combinemos, para começo de conversa, as três regrinhas principais do concurso.

Primeira: os eleitores darão as notas aos candidatos. Segunda: os aprovados serão os que obtiverem a melhor média nos quesitos conhecimento das realidades do território que terão de administrar; projetos de governo que contemplem as demandas de áreas, comunidades, classes sociais e categorias profissionais; comprovação de viabilidade das ações propostas e capacidade de realizar os programas nestes tempos de escassez de recursos econômicos. Terceira: os candidatos darão conhecimento público de seus planos em tempo adequado para que os julgadores (os eleitores) possam compreender propostas, assimilar ideias, estabelecer comparações, refletir sobre as diferenças e semelhanças e, a partir desse quadro, atribuir o veredicto, conferindo aos melhores a nota mais alta.

Não deveriam ser esses os critérios para selecionar os governantes da res publica? A resposta seria afirmativa se o processo de escolha obedecesse a critérios racionais, lógicos, pelos quais os perfis mais preparados e as melhores propostas deveriam ganhar a preferência do eleitorado. Infelizmente, parcela importante de nossa população votante fundamenta as suas escolhas em impulsos emotivos, que se desenvolvem ao sabor das circunstâncias, ora por empatia gerada por um candidato, ora em retribuição a benefícios recebidos, e não raro pela proximidade entre o eleitor e o político, construída ao longo do tempo e firmada sobre uma base de conhecimento e intimidade. A emoção também joga votos na direção oposta, sendo esse o caso de comunidades revoltadas contra serviços públicos ou, ainda, quando elas identificam autoridades e candidatos na responsabilidade (mesmo indireta) por eventos dramáticos, como casos policiais e fenômenos naturais de impacto destruidor.

O processo emocional alastra-se por todos os grupamentos, sendo mais forte nas margens, por conta de aflições do cotidiano e de passivos que as administrações deixam nos arredores de comunidades carentes. Mas a ascensão de grupamentos da base ao meio da pirâmide tem contribuído para o alargamento das fronteiras do voto racional. Esse também é um fato. A mobilidade social, a interação de grupos até então distantes, o acesso ao consumo e ao lazer, a exposição midiática das demandas comunitárias vão formando correntes que passam a cobrar resultados dos governantes. Nessa teia se expande o voto racional.

O fato é que o pleito deste ano, tendo como pano de fundo intensa mobilização social, sugere a aplicação de uma prova para os governantes, até como modelagem para resgatar os escopos a cargo do Estado. Como é sabido, a política tem deixado de ser missão para ser profissão e, por consequência, os projetos de poder - pessoal, grupal, partidário - tomam o lugar dos projetos de governo. O eleitorado acaba votando no indivíduo, na imagem que dele pinça, e não em ideário.

A competitividade eleitoral - e, mais que isso, a polarização entre petistas e tucanos - arrefeceu, nos últimos tempos, a construção de um projeto nacional, contemplando definição de rumos, metas, estratégias e linhas de desenvolvimento. Tucanos ainda hoje mostram as retas do Plano Real, não avançando um passo na estrada do amanhã; petistas continuam a reverberar os feitos do programa de distribuição de renda (Bolsa Família e afins), com o qual inaugurou o ciclo "nunca antes na História deste país". Mas onde estão as pistas mais largas para a decolagem da Nação? Será que vale a pena perder tempo de campanha com o PT anunciando feitos (já conhecidos), o PSDB denunciando malfeitos (já conhecidos) e o PSB brandindo refrãos em torno do que "deve ser feito"? Haverá interesse em ouvir a verborragia eleitoreira, todos gastando a voz com a lengalenga das promessas? E as metas para o amanhã nas frentes da infraestrutura técnica (transportes, energia, telecomunicações, saneamento básico, etc.)?

Eis o imbróglio da falta d'água. Não adianta culpar São Pedro por não abrir as torneiras celestes para jogar água nos reservatórios do Sudeste. Afinal, que obras se impõem para administrar catástrofes, algumas previsíveis? Ou os candidatos ignoram a esteira de destruição puxada pelas enxurradas de janeiro na Serra Fluminense, as enchentes no Sul, no Norte e no Centro-Oeste, a velha crônica sobre a seca no Nordeste? A transposição do Rio São Francisco, o atraso na Transnordestina, as obras inacabadas em todos os espaços, continuará isso a alimentar a querela entre sujos e mal lavados?

Qual o papel do Estado para atenuar as intermitentes crises econômicas? Se a economia é a locomotiva, qual a receita para mantê-la correndo sem deixar para trás os carros dos trens políticos e sociais? Que parafusos precisam ser renovados?

E o Estado de bem-estar? Há condições de expandir os benefícios além da capacidade de arrecadação? Quais as saídas para programas assistencialistas, que nos moldes atuais sinalizam um buraco sem fim? Há diques para suportar o tufão da Previdência, com débito este ano de R$ 50 bilhões? O que os candidatos pensam sobre justiça tributária, endividamento do setor público, capacidade de investimento do Estado, políticas fiscal, monetária e cambial?

Nas unidades federativas, o que os atores enxergam nos cenários? Vão enfocar demandas e prioridades? Que cinturões precisarão ser apertados ou afrouxados para conter e administrar o peso do corpo estatal?

Como se pode constatar, o vestibular faz-se necessário, principalmente no ciclo de transparência que escancara as malhas administrativas. Dois conselhinhos no pé do caderno de anotações: candidatos, formem equipes competentes para preparar respostas às questões e falem a verdade, claramente. Sem firulas.

JORNALISTA, PROFESSOR TITULAR DA USP, É CONSULTOR POLÍTICO E DE COMUNICAÇÃO TWITTER@GAUDTORQUATO

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 23 / 03 / 2014

Correio Braziliense
"Aécio e Campos criticam o governo sobre a compra da Pasadena pela Petrobras"

Candidato tucano defende a investigação no Congresso e Eduardo Campos teme os efeitos de uma apuração sobre a Petrobras

Embora com posições distintas em relação à instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras, os pré-candidatos do PSDB e do PSB à presidência, Aécio Neves (MG) e Eduardo Campos (PE), criticaram ontem o governo por conta do episódio. Em Salvador, Campos lembrou que, em três anos, a estatal vale três vezes menos do que valia em 2010. “Às vezes, fico seriamente desconfiado se isso não faz parte de um plano para desvalorizar e vender a Petrobras.” Já Aécio criticou, em Campos do Jordão (SP), o aparelhamento do PT, que está, segundo ele, dilapidando patrimônios públicos, como a Petrobras e a Eletrobras. “Queremos reestatizar a Petrobras, tirá-las das mãos de um partido político que vem dilapidando este patrimônio do povo brasileiro”, frisou.

Estado de Minas
"País volta a sofrer com risco de falta de luz mais de uma década após o racionamento"

Verão seco e disparada do consumo expõem fragilidade do sistema elétrico brasileiro

De 2001 para 2014, muita coisa e pouca coisa mudou no setor elétrico brasileiro. Há 13 anos foi decretado o racionamento de energia que vigorou por quase três meses no país. O motivo: pouca chuva, represas vazias, falta de investimentos e planejamento na geração de energia. Até o fim de 2013, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), uma potência de 51,6 mil megawatts (MW) foi adicionada ao sistema, mas, apesar disso, a regularidade do fornecimento do insumo voltou ao fio da navalha. O motivo: a única maneira de armazenar energia é encher os lagos das usinas de água. Como os novos empreendimentos hidrelétricos instalados no país são a fio d’água (não possuem reservatórios) e a situação hidrológica em 2014 é pior do que a de 2001, continuamos nas mãos de São Pedro. 

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