sábado, março 08, 2014

Dominique


Opinião

A lei sem o fiscal pode pouco

O Estado de S.Paulo
O aumento do número de mortos em acidentes de trânsito nas rodovias paulistas durante o carnaval é um alerta para as autoridades estaduais, que em má hora reduziram o número de blitze destinadas a fiscalizar a observância da Lei Seca. Embora evidentemente nem todos os acidentes possam ser atribuídos ao consumo de bebidas alcoólicas por motoristas, não parece haver dúvidas, como afirmam especialistas na questão, que ele tem um papel preponderante e, portanto, qualquer afrouxamento na fiscalização logo se reflete no número de vítimas.

Com 37 mortos, este foi o mais violento carnaval desde 2010, quando o número chegou a 41. Em relação ao ano passado, quando os mortos foram 27, o aumento foi de 37%, como mostra reportagem do Estado. Outros dados confirmam a piora da situação. O total de acidentes pulou de 864 em 2013 para 965 este ano (aumento de 11,7%). O número de pessoas feridas em colisões, quedas e atropelamentos chegou a 550, em comparação com 445 em 2013 (crescimento de 23,6%).

Alega a Polícia Militar Rodoviária que as principais causas da piora desses índices foram os atropelamentos de pedestres e os acidentes envolvendo motociclistas, responsáveis pela maioria das mortes (67,5%). Os pedestres, por conduta imprudente de muitos deles na travessia de rodovias, em especial, porque nem sempre utilizam os locais adequados para isso, como as passarelas. E os motociclistas, porque boa parte não respeita as regras gerais de circulação e de condutas seguras nas ultrapassagens.

Basta ser um observador minimamente atento para constatar, tanto nas estradas como nas ruas, que nesses dois grupos muitos não primam mesmo pela cautela e o respeito às regras do trânsito. O comportamento dessas pessoas oscila entre a leviandade pura e simples e a perigosa ideia de que têm apenas direitos, ficando os deveres para os motoristas. Mas daí a encampar alegação da Polícia Rodoviária vai muita distância.

Ela não informa, por exemplo - provavelmente por falta de dados a respeito -, quantos dos pedestres e motociclistas acidentados se comportaram de forma inadequada e se havia motoristas embriagados envolvidos nesses casos. Sem isso, não se pode - como ela faz - partir para conclusões categóricas sobre o papel de ambos no aumento do número de mortos.

Relação muito mais consistente pode ser estabelecida entre a violência maior do trânsito nas estradas estaduais nesse carnaval e o afrouxamento da fiscalização do cumprimento da Lei Seca. De acordo com dados fornecidos pela Polícia Rodoviária ao Estado, houve sensível redução do número de ações da Operação Direção Segura, destinada a flagrar motoristas dirigindo alcoolizados. Essas ações, que chegaram a 4.798 em 2012, em todo o Estado, caíram no ano passado para 1.434, uma diminuição de 70%. A ligação entre as duas coisas salta aos olhos.

Um especialista na matéria - Dirceu Rodrigues Alves Jr., diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego -, toca em dois pontos fundamentais, lembrando verdades elementares, que as autoridades preferem não encarar. Primeiro, "não há dúvida de que a falta de fiscalização está ligada ao aumento do número de acidentes". 

Não custa repetir mais uma vez: o que nos falta não são leis - a Lei Seca está aí -, mas a determinação de aplicá-las, punindo os infratores. Sem isso, elas viram letra morta.

O segundo ponto refere-se ao esforço para educar o motorista, porque só punir não basta. Se bastasse, o número de acidentes na capital paulista - onde as multas de trânsito crescem vertiginosamente, ano a ano - não continuaria tão elevado. As campanhas de esclarecimento feitas pelos governos, em seus vários níveis, são esporádicas, por isso não produzem efeito. Além disso, como diz Dirceu Rodrigues Alves Jr., a educação de trânsito deve começar desde a infância, nas escolas.

Essa não é uma tarefa fácil. É demorada e exige determinação. Mas é um esforço que tem de ser feito a qualquer custo, porque o País não pode mais conviver com a tragédia do trânsito, que deixa todos os anos 43 mil mortos e 180 mil feridos hospitalizados.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 08 / 03 / 2014

Correio Braziliense
"Agnelo eleva tom sobre regalias a mensaleiros: Papuda "em absoluta normalidade""

"Mesmo ele (juiz Bruno Ribeiro) não tendo prerrogativa de se dirigir a mim, eu vou responder porque o presídio está em absoluta normalidade e tem comando", disse o governador

“Vamos cobrar responsabilidade de quem fizer provocações políticas”, afirmou o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, em referência à cobrança da Vara de Execuções Penais (VEP) por esclarecimentos sobre supostas regalias a presos do mensalão na Papuda. Diferente do documento preliminar ao qual o Correio teve acesso, em que a Subsecretaria do Sistema Penitenciário (Sesipe) acusa a VEP e o Ministério Público (MP) de ingerência e diz ter condições de abrigar até traficantes perigosos, Agnelo, apesar de subir o tom em entrevista, optou por responder à Justiça de forma menos agressiva - embora com alfinetadas -, em ofício encaminhado nesta sexta-feira (7/3) a VEP. Interpelado por jornalistas, o governador disse que “o sistema prisional é uma situação delicada e você não pode nunca deixar de politizar isso. Mesmo ele (juiz Bruno Ribeiro) não tendo prerrogativa de se dirigir a mim, eu vou responder porque o presídio está em absoluta normalidade e tem comando”. Além disso, o governador falou que tem fiscalizado toda a situação e garantido a segurança do sistema prisional do DF. “Querer fazer provocação política para tentar mudar esse curso, aí vamos cobrar responsabilidade de quem fizer provocações políticas”, concluiu.

Estado de Minas

"Dilma escala Temer para colocar fim à crise entre governo e peemedebistas"

Cacique do partidos será incumbido da missão de controlar os rebeldes comandados pelo líder do partido na Câmara, Eduardo Cunha

A presidente Dilma Rousseff convidou o vice-presidente Michel Temer para uma reunião no Palácio da Alvorada amanhã à tarde para dizer que o partido é fundamental para o governo e essencial na campanha pela reeleição em outubro. Apesar da declaração de amor, ela deixará claro que não aceita que o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), continue dando as cartas no debate, criticando o PT e o governo como tem feito nos últimos dias, pelas redes sociais. Para testar a sinceridade da presidente, o PMDB quer que a reunião seja aberta aos presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), do Senado, Renan Calheiros (AL) e o presidente em exercício do partido, senador Valdir Raupp (RO). O desejo da presidente, por enquanto, é que seja uma conversa a sós. Dilma sempre delegou a Temer a missão de controlar o PMDB. Não será diferente desta vez.

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sexta-feira, março 07, 2014


Utilidade Pública

EDITAL DE CONVOCAÇÃO DE ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA DO AEROCLUBE DE UBATUBA

O Presidente do Aeroclube de Ubatuba, nos termos do Título IV, Capítulo I, Artigo 18 do Estatuto Social, vem pelo presente Edital convocar os associados para a Assembleia Geral Ordinária de 2014, com a seguinte Ordem do Dia:

1 - Aprovar valor de mensalidades dos associados.

2 – Prestação de contas e aprovação orçamentária.

3 – Alteração de endereço.

4 - Inclusão de novos associados.

A Assembleia Geral Ordinária ocorrerá no dia 31 de março de 2014, às 19h, em primeira convocação, com a presença de mais da metade dos associados ou, às 20h, em segunda convocação, com qualquer número de participantes, na Sala Gastão Madeira, Colégio Dominique, à rua das Orquídeas, 210, Jardim Carolina, Ubatuba-SP.

Ubatuba, 7 de março de 2014

Tiago Tabarro Rizzi
MAer 487.177
Presidente do Aeroclube de Ubatuba

Aurora Boreal espiralada


Coluna do Celsinho

Conceição

Celso de Almeida Jr.

Nas noites quentes, janela aberta, ouvi a barulheira.

Rua Conceição.

Caminho natural da avenida Iperoig rumo ao trevo com a estátua do pescador.

De lá, para as rodovias.

É da Conceição que parte a ambulância do SAMU, salvadora.

As viaturas da PM, valentes, conhecem bem este asfalto.

Mas...

Os carros equipados com som estridente, também.

Nas madrugadas deste carnaval, diversos deles marcaram presença.

Resignado, encarei o funk temperado com letras indecentes.

A saraivada de palavrões, jorrada por vozes juvenis, também me alcançou.

Garrafas contra as calçadas despertaram - todas as noites - meu sono atordoado.

Olhos no teto, mergulhado na cama, imaginava o sucesso que faria um bafômetro estrategicamente posicionado no cruzamento com a Rio Grande do Sul.

O declínio cultural é universal.

Mas senti-lo tão próximo deprime.

Merecemos nova concepção...

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique


Opinião

A 'mediação' de Lula

O Estado de S.Paulo
É de autoria do deputado peemedebista gaúcho Osmar Terra a síntese perfeita do que o PMDB entende ser a sua serventia última para o projeto do segundo mandato da presidente petista Dilma Rousseff. "Somos só 6 minutos de propaganda eleitoral para eles", escreveu no Twitter. "Nada mais!" No entanto, vista a questão pelo ângulo da política como a capacidade de agregar interesses e construir maiorias, tem mais, sim.

As ambições hegemônicas do PT, agigantadas sob Dilma, e os métodos rombudos a que a sigla recorre desde sempre para satisfazê-las impedem que ceda ao aliado à beira de um ataque de nervos pelo menos um pouco do que ele quer pelos minutos de que dispõe. Os petistas, que tanto reverenciam o saber do povo, ignoram uma velha receita popular adequada às circunstâncias: "Não é com vinagre que se pegam moscas, mas com açúcar". No caso, com o doce sabor da ocupação de mais um Ministério aqui, outro acolá, e o rearranjo nas coligações eleitorais nos Estados.

Ao demonstrar inflexibilidade, a presidente e a direção do PT decerto partem da premissa de que o PMDB do vice Michel Temer pode falar o quanto queira em largar a base aliada no Congresso e a empreitada da reeleição, mas não tem para onde ir. Com o segundo mandato praticamente assegurado, quem sabe até no primeiro turno - hão de raciocinar olimpicamente -, e a visceral inaptidão peemedebista para fazer oposição seja lá a que governo, a sua sina seria exorcizar com queixas inconsequentes as mágoas da condição de sócio menor a que se sente relegado. Ao fim e ao cabo, pode ser isso mesmo. Mas pode também ser um autoengano, fruto da incurável soberba petista.

Nada, nada, o PMDB criou na Câmara um "blocão" de oito bancadas, uma delas, a do Solidariedade, pescada na oposição. Os seus 250 deputados representam perto da metade dos 513 membros da Casa. O blocão se propõe a assustar o Planalto com a perspectiva de levar à votação propostas perdulárias que sabotariam o programa de contenção de gastos anunciado pela Fazenda, a menos que o governo sacie os apetites do condutor do "cordão dos chantagistas", como se qualificou neste espaço (em 26/2) a nova frente dita independente.

O cordão ainda não apareceu na avenida, mas a situação está ficando "insustentável", no dizer do presidente em exercício do partido, Waldir Raupp, para quem a crise está chegando ao Senado que ele integra. E Raupp é dos que se opõem a uma ruptura com o PT. Foi nesse clima de Quarta-Feira de Cinzas que desembarcou nesse dia em Brasília o ex-presidente Lula para se reunir no Alvorada com a sucessora e o alto comando de sua campanha. No PMDB, onde deixou saudade, ele é visto como o mediador por excelência do confronto com Dilma, a quem vive recomendando ter mais jogo de cintura.

Resta saber - e não é pouco - o que significa isso na prática. Uma das principais demandas peemedebistas, por exemplo, é receber o suculento Ministério da Integração Regional, que ficou vago com a saída do pernambucano Fernando Bezerra Coelho, do PSB, quando o partido rompeu com o governo. O PMDB quer que a Pasta seja entregue ao senador paraibano Vital do Rêgo. Dilma insiste em oferecer a cadeira ao cearense Eunício Oliveira - só para tirá-lo da corrida pelo governo estadual, como querem os irmãos Cid e Ciro Gomes, que deixaram o PSB para ficar com o governo.

É, de fato, o que parece: um cabo de guerra fisiológico pelo poder, à revelia das populações que mais dependem do governo federal. Não é diferente quando os peemedebistas reclamam de ter apenas 5 Ministérios, ante os 17 do PT. Tampouco é diferente quando o PMDB o acusa de escanteá-lo nas disputas estaduais. Desde a virada do ano, caíram de 16 para 5 as possíveis coligações entre as duas legendas. A principal meta petista, além de tomar do PMDB o governo do Rio de Janeiro, com a candidatura do senador Lindbergh Farias, é ampliar a distância entre a sua majoritária bancada na Câmara e a do aliado nominal.

Tais são os limites impostos pela correlação de forças em Brasília à "mediação" que os peemedebistas esperam de Lula: ele pode aconselhar ou até pressionar Dilma, mas o seu compromisso de raiz é com ela.

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 07 / 03 / 2014

Correio Braziliense
"BC indica que juros ainda vão aumentar, mas o ciclo está perto do fim"

Ata da última reunião do Copom mostra que a inflação, acima da meta, ainda preocupa a autoridade monetária

Depois de enterrar a promessa da presidente Dilma Rousseff de entregar no fim do mandato o menor juro real da história, o Banco Central indicou que o ciclo de alta da taxa básica ainda não acabou, embora possa estar próximo do fim. Especialistas que analisaram a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem, esperam pelo menos mais um aperto de 0,25 ponto percentual na Selic. Com isso, a taxa, que foi aumentada para 10,75% ao ano na semana passada, deve subir para 11% em abril, valor superior ao recebido por Dilma ao suceder Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto.

Estado de Minas

"Após dormirem em chão de aeroporto e no frio, passageiros que vieram de Miami chegam a BH"

Avião voltou para aeroporto por causa de cheiro de queimado. A empresa não ofereceu hotel e muitos viajantes dormiram em um auditório do terminal

Depois de quase 24 horas sem alimentação adequada e de terem que dormir no chão de um aeroporto, passando frio, os passageiros do voo 991 da American Airlines que partiu de Miami, nos EUA, finalmente chegaram ao destino, no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na Grande BH. O desembarque no Brasil, previsto inicialmente para às 9h40, só aconteceu por volta das 22h30. O atraso aconteceu por causa de problema mecânico que fez a aeronave retornar ao aeroporto da cidade americana logo após a decolagem. Os viajantes reclamaram da falta de assistência por parte da empresa.

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quinta-feira, março 06, 2014

Dominique


Opinião

Um suspiro de alívio

O Estado de S.Paulo
A intervenção militar russa na Crimeia, no último fim de semana, parece ter ido além do que o novo governo ucraniano e seus aliados ocidentais esperavam do líder russo Vladimir Putin - o grande perdedor do movimento que culminou com a queda de seu aliado de Kiev, o presidente Viktor Yanukovich. Temia-se que a tomada dos pontos estratégicos da península por cerca de 10 mil homens, que se fizeram passar por grupos armados da majoritária etnia russa local, fosse a primeira de outras operações do gênero no sul e no leste da Ucrânia, cujas populações, em graus variados, têm as mesmas características.

A Ucrânia pôs o Exército em alerta máximo e os Estados Unidos suspenderam a cooperação militar com a Rússia e ameaçaram boicotar a próxima reunião do G-8, marcada para junho em Sochi. Em Kiev, onde depositou um adjutório de US$ 1 bilhão nos esvaziados cofres nacionais, o secretário de Estado John Kerry acusou Moscou de buscar pretextos para "uma invasão maior". Dias depois da derrubada de Yanukovich, Putin ordenara manobras, já encerradas, envolvendo 150 mil soldados às portas da Ucrânia. 

Logo em seguida, o Senado cumpriu a formalidade de autorizá-lo a recorrer à força contra o vizinho.

O que enfureceu os russos, sem distinção, foi o primeiro ato do Parlamento ucraniano após a designação do seu titular Oleksandr Turchinov como presidente interino: a eliminação do russo como segundo idioma oficial do país. Para Putin - há 14 anos se esmerando em ser visto como o restaurador da grandeza perdida pela Mãe-Rússia com "a maior catástrofe geopolítica do século 20", o fim da União Soviética -, a decisão do Legislativo ucraniano terminava de demonstrar que a onda nacionalista que embasou o levante contra Yanukovich, por ele ter se recusado a aproximar o país da União Europeia, estava embebida em ódio à Rússia. Em parte é verdade.

De todo modo, a intervenção na Crimeia gerou outras consequências além da aparente disposição de Washington de "isolar" Moscou, como disse Obama, mediante sanções diplomáticas e econômicas. Na segunda-feira, a Bolsa moscovita sofreu um tombo de 11%, encolhendo em US$ 60 bilhões o valor de mercado das empresas do país. O rublo caiu 3%, obrigando o banco central russo a elevar a taxa de juros a 7%, dos até então 5,5%, e a injetar 20 bilhões de rublos na economia. Essa eloquente resposta do mercado teria levado Putin a convocar já para o dia seguinte uma entrevista à imprensa - um evento que, habitualmente, o Kremlin reveste de pompa e circunstância.

Sentado a poucos passos de um grupo de repórteres, alguns dos quais em mangas de camisa, um digressivo, não raro contraditório, Putin falou por 66 minutos para justificar o que negou ter feito: assumir o controle da Crimeia. "A única coisa que fizemos, diante de constantes ameaças e do risco da aparição de nacionalistas armados, foi reforçar a defesa de nossas instalações militares", disse, numa alusão aos dispositivos de apoio à frota russa fundeada em Sebastopol, no Mar Negro. Ele descreveu a reviravolta política na Ucrânia como um "golpe inconstitucional" orquestrado pelo Ocidente, consumando "uma orgia de violência fascista, reacionária e antissemita".

Putin não descartou novas ações em território ucraniano, mas só "em último recurso" - e repetiu a expressão. Quase deu para ouvir o suspiro de alívio nos mercados, que voltaram a operar em alta, e nos países europeus, que dependem do gás russo para suprir 1/3 de sua demanda de energia. O comércio com a Rússia, movimentando cerca de US$ 460 bilhões por ano, completa a explicação para a relutância europeia em apoiar as sanções desejadas pelos EUA. A questão é o que Washington pode fazer - se é que pode - para Putin desocupar a Crimeia. O seu primeiro-ministro, Sergei Aksionov, falou em convocar um plebiscito sobre o destino da república. Somada à indireta de Putin de que aceitaria o governo ucraniano a resultar das eleições previstas para maio, a consulta popular pode ser a saída da crise.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 06 / 03 / 2014

Correio Braziliense
"Dilma e Lula tentam acalmar o PMDB e contornar crise com a base"

Petistas reúnem tropa de choque para discutir problemas que se arrastam desde antes do carnaval. O principal entrave é a crise com o partido aliado, cada vez mais distante do PT

Passada a folia do carnaval, a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltaram à realidade em reunião no Palácio da Alvorada com o staff da pré-campanha de reeleição. Uma reforma ministerial paralisada, uma crise com o PMDB mais forte do que nunca, impasses nos palanques eleitorais e as negociações para que integrantes do governo deixem a máquina para assumir funções na corrida eleitoral foram os principais pontos do encontro, que contou ainda com as presenças do chefe da Casa Civil, ministro Aloizio Mercadante; do presidente nacional do PT, Rui Falcão; do chefe de gabinete, Giles Azevedo, e de Franklin Martins, ex-ministro da Comunicação de Lula.

Estado de Minas

"Ministério Público Eleitoral fará cerco aos candidatos com fichas-sujas"

MP eleitoral de Minas vai pedir aos órgãos públicos a relação dos servidores condenados em comissões internas por irregularidades no serviço. Objetivo é barrar a candidatura deles
 
Na falta de uma regra exigindo a apresentação de certidões cíveis pelos candidatos nas eleições de 2014, o Ministério Público Eleitoral de Minas Gerais vai por conta própria correr atrás das informações para cercar os casos de concorrentes com ficha suja. O caminho será pedir oficialmente a todos os órgãos públicos e conselhos profissionais que enviem a relação com os nomes de todos funcionários demitidos ou processados por comissões de ética por prática de ilícitos no serviço. O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) tentou sensibilizar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que incluísse a exigência na resolução que trata dos registros de candidatura, mas ela foi publicada ontem – junto com outras duas que tratam de propaganda e contas de campanha – sem qualquer referência às certidões cíveis. 

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quarta-feira, março 05, 2014

Dominique


Opinião

Fracasso dos assentamentos

O Estado de S.Paulo
Símbolo da luta pela reforma agrária no início da década de 1980, a Fazenda Primavera, em Andradina, 630 quilômetros a noroeste de São Paulo, está se transformando em símbolo do fracasso do programa de assentamentos conduzido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Há cerca de 30 anos, a mobilização de trabalhadores rurais, sindicatos e membros da Igreja Católica levou o governo federal, então chefiado pelo general João Batista Figueiredo, a desapropriar a fazenda de 3.676 hectares e dividir a terra entre as 346 famílias que ali viviam. Hoje, muito poucas dessas famílias ali continuam. A grande maioria preferiu vender suas terras ou arrendá-las às três usinas de cana que operam na região, como mostrou reportagem do Estado (23/2).

Esse fato retrata uma das maiores dificuldades que o programa de assentamentos de trabalhadores rurais vem enfrentando: a fixação dessas pessoas nas terras que receberam. Sem apoio técnico adequado para seu trabalho, sem acesso a financiamentos, sem infraestrutura, sem dispor de mecanismos eficientes de comercialização da produção, quando há excedente comercializável, essas famílias não têm conseguido obter renda suficiente para lhes assegurar o bem-estar que as estimule a continuar seu trabalho. Havendo alternativa, elas a escolhem.

A disputa entre as usinas por áreas para a expansão do plantio da cana-de-açúcar resultou na rápida valorização das terras. Estima-se que, em dez anos, o preço do alqueire (24,2 mil m²) passou de R$ 8 mil para R$ 50 mil. Poucos assentados resistiram às propostas de venda ou arrendamento. Segundo algumas estimativas, 70% dos lotes não estão mais com os assentados originais.

O Incra tem enfrentado muitos problemas com a venda irregular de terras em assentamento para reforma agrária. O trabalhador rural assentado recebe uma concessão para usar e explorar a terra a ele destinada, isto é, não pode vendê-la. Somente depois de dez anos, e se tiver cumprido diversas exigências legais, alcançará o direito de vendê-la ou de realizar outras operações, como arrendamento, repasse ou aluguel.

O Incra tem retomado na Justiça muitas terras comercializadas irregularmente pelos antigos assentados. Em seguida, repassa-as para outras famílias. Mas nada pode fazer em casos como os dos antigos assentados da Fazenda Primavera.

Esses assentados passaram muitos anos enfrentando dificuldades para assegurar sua sobrevivência com o fruto de seu trabalho na terra, antes de se firmarem como produtores rurais e alcançarem a condição de emancipados, isto é, com o direito de negociar as áreas que receberam do Incra.

Muitos dos que venderam ou arrendaram suas terras reclamam da falta de assistência do Incra, da falta de apoio para o financiamento da produção, da insuficiência da cobertura de seguro, das dificuldades para o pagamento dos empréstimos bancários, entre outros problemas.

São problemas comuns a outros assentamentos, onde as dificuldades podem ser ainda mais agudas do que as relatadas pelos antigos assentados da Fazenda Primavera e podem, quando chegar a época da emancipação dos assentados, resultar na venda das terras em prazo menor do que o observado no caso paulista.

Cada vez mais carente de base de apoio para suas ações de natureza nitidamente política, o Movimento dos Sem-Terra (MST) vê nessa nova realidade um risco para sua sobrevivência. Quanto mais antigos assentados deixarem a terra em troca de melhor alternativa de obtenção de renda, menor será sua massa de manobra. Para tentar evitar seu enfraquecimento, que a melhora das condições de vida dos trabalhadores rurais tornará inevitável, o MST quer obrigar os assentados a continuar na situação em que estão, como meros concessionários de terras públicas, impedindo-os de alcançar a condição de emancipados, como propôs à presidente Dilma Rousseff. A proposta violenta o direito de, decorrido determinado período e cumpridas determinas condições, o assentado escolher outra forma de vida.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 05 / 03 / 2014

Correio Braziliense
"Forças russas assumem controle de duas bases de lançamento na Crimeia"

Na primeira, a instalação, de onde os mísseis já haviam sido retirados, foi invadida por 20 soldados russos. Na outra, as forças russas bloqueiam o edifício que abriga os mísseis

As forças russas assumiram o controle parcial de duas bases de lançamento de mísseis na Crimeia, informaram fontes oficiais ucranianas nesta república autônoma de língua russa. Na primeira, situada em Evpatoria (oeste), o posto de comando e o centro de controle da base permanecem sob domínio ucraniano, informou um porta-voz do ministério da Defesa na Crimeia. A instalação, de onde os mísseis já haviam sido retirados, foi invadida na terça-feira (4/3) por 20 soldados russos, auxiliados por centenas de manifestantes pró-Moscou, afirmou a fonte ucraniana. Na outra, situada no cabo de Fiolent (sul), próxima ao porto de Sebastopol que abriga a frota do Mar Negro, as forças russas bloqueiam o edifício que abriga os mísseis, informou um oficial ucraniano, Volodymir Bova. "Há mísseis, mas estão desarmados", completou.

Estado de Minas

"Chávez terá dez dias de homenagens um ano após morte"

Um dia antes do início das atividades em memória do presidente, a movimentação em Caracas se dividiu entre marchas da oposição a Maduro e desfiles de carnaval 

O governo venezuelano preparou extensa programação em homenagem ao presidente Hugo Chávez, que morreu há um ano. Durante dez dias serão promovidas atividades em diferentes regiões do país. Na capital, haverá desfile civico-militar de manhã, e à tarde, uma cerimônia no Quartel da Montanha (onde está o túmulo de Chávez). À noite, o destaque será o lançamento do filme Mi Amigo Hugo, do diretor Oliver Stone, na TV Multiestatal Telesur. Também estão programadas atividades em Barinas, estado natal de Hugo Chávez, governado pelo irmão dele, Adán Chávez. Os estados de Bolívar, Aragua, Yarucuy e Portuguesa também terão atividades. Segundo o governo venezuelano, o desfile cívico-militar em Los Proceres, a oeste de Caracas, será o grande marco da celebração. "Teremos eventos nacionais e internacionais. E o nosso povo continuará a demonstrar que Chávez vive e a pátria continua, hoje mais que nunca, com a revolução, vencendo dificuldades e crescendo", disse o presidente Nicolás Maduro.

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terça-feira, março 04, 2014

Dominique


Opinião

Vandalismo com dinheiro público

O Estado de S.Paulo
Sempre que podem, os ditos "sem-terra" reclamam publicamente da presidente Dilma Rousseff porque ela, corretamente, desapropriou menos terras para a reforma agrária do que Fernando Henrique Cardoso. Mas eles se queixam de barriga cheia: o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), faça o que fizer, destrua o que destruir, será sempre beneficiado pelo governo petista com generosas verbas públicas - que garantem sua sobrevida como "movimento social", mesmo que não haja mais a menor justificativa para sua existência, a não ser como caso de polícia.

Segundo revelou o Estado, uma entidade ligada ao MST recebeu dinheiro da Petrobrás, da Caixa Econômica Federal, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para realizar um congresso de sem-terra - e foi nesse evento, em Brasília, no último dia 12/2, que o MST reafirmou sua verdadeira natureza: criminosa e hostil às instituições democráticas.

Milhares de militantes atacaram policiais que tentavam impedi-los de invadir o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal. O saldo de feridos deu a exata medida do ânimo violento dos manifestantes: 30 policiais (8 em estado grave) e apenas 2 sem-terra.

Os militantes lá estavam para cobrar de Dilma que acelerasse a reforma agrária, mas o protesto incluiu críticas ao julgamento do mensalão, ao uso de agrotóxicos e à espionagem americana. No balaio do grupo que diz defender desde a estatização completa do sistema produtivo nacional até a "democratização da comunicação" cabe tudo. Foi essa impostura que recebeu farto financiamento do governo para uma manifestação que, como era previsível, degenerou em quebra-quebra.

A injeção de dinheiro público no MST e em outras entidades de sem-terra que se envolvem em banditismo e ameaças ao Estado de Direito não é novidade. Em 2006, cerca de 500 desses militantes invadiram a Câmara dos Deputados, sob o comando de um petista histórico, Bruno Maranhão, dono de uma entidade que recebera R$ 2,2 milhões para "capacitação" de assentados. Segundo o Tribunal de Contas da União, esse dinheiro simplesmente sumiu.

Três anos mais tarde, o MST invadiu, depredou e saqueou a Fazenda Santo Henrique, da empresa Cutrale, em Borebi (SP). Naquela ocasião, os repasses de verbas públicas para o grupo e seus associados haviam chegado a R$ 115 milhões em cinco anos. Só no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o aumento fora de 315% em relação ao governo anterior. E o MST ainda tentou engordar o caixa vendendo produtos que seus militantes roubaram da Cutrale.

É esse histórico de leniência e de cumplicidade que explica por que a estatal de petróleo e dois dos principais bancos federais de fomento continuaram a bancar esses desordeiros sem nenhum constrangimento. No presente caso, a Petrobrás deu R$ 650 mil, a Caixa pagou R$ 200 mil e o BNDES contribuiu com outros R$ 350 mil para um convescote intitulado "Mostra Nacional de Cultura Camponesa", organizado por uma certa Associação Brasil Popular (Abrapo), ligada ao MST, e que foi o principal evento do congresso de sem-terra. Já o Incra bancou, com R$ 448 mil, a estrutura da Feira Nacional de Reforma Agrária. Em nenhum caso houve licitação.

Tanto a Caixa como o BNDES argumentaram que o patrocínio tinha como objetivo ampliar sua visibilidade no setor agrícola. A Caixa, por exemplo, informou que o evento "valoriza a população campesina brasileira e oferece oportunidade de intercambiar conhecimentos e culturas do País". Já a Petrobrás considera que o congresso "alinha-se ao programa Petrobrás Socioambiental na linha dedicada à produção inclusiva e sustentável". A estatal está tão animada com os sem-terra que vai financiar a produção de CDs do MST com "canções infantis no meio rural".

Nenhuma das empresas comentou sobre os possíveis danos à sua imagem por causa dos tumultos do dia 12. Mas o governo não parece muito preocupado. No dia seguinte aos atos de selvageria, como se sabe, os vândalos foram recebidos pela presidente Dilma em pessoa.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 04 / 03 / 2014

Correio Braziliense
"Estudo diz que ressaca não impede desejo por mais álcool"

O mal-estar sentido após o consumo exagerado de bebidas etílicas tem pouca influência sobre a decisão de tomar novas doses

Muita dor de cabeça e uma sede insaciável. Quem costuma beber conhece bem os sintomas da ressaca. Durante o incômodo, são comuns as promessas de que o álcool se tornará coisa do passado ou, pelo menos, será mantido longe durante um bom tempo. Contudo, uma pesquisa realizada nos Estados Unidos e publicada hoje na revista especializada Alcoholism: Clinical & Experimental Research mostra que o mal-estar não costuma impedir nem adiar novas doses no dia seguinte.

Estado de Minas

"Dieta com excesso de carboidratos pode aumentar risco de demência"

Especialista americano defende que as gorduras voltem a ser priorizadas nas refeições

Os motivos para reduzir os carboidratos no prato ficam cada dia mais fortes. Batatas, pães, arroz e massas, principalmente os processados, são conhecidos por subir os ponteiros da balança e causar alterações muitas vezes graves nos exames de glicemia. O que não se esperava era a relação da comilança de carboidratos com o aumento do risco de doenças neurológicas bastante temidas, como o Alzheimer, a demência e outros tipos de distúrbios que trazem consigo a queda na cognição. Uma entrevista publicada na revista científica Alternative and Complementary Therapies acende uma discussão que divide opiniões entre os médicos. O professor David Perlmutter, do Instituto de Medicina Funcional em Washington, é categórico ao dizer que os carboidratos e a glicose são prejudiciais para a saúde do cérebro.

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Beatles


segunda-feira, março 03, 2014

Conexões

Família cósmica 

Sidney Borges
Otto von Bismarck, o chanceler de ferro, unificador da Alemanha, morreu em Schönhäusen, na Prússia, no dia 2 de agosto de 1898. Eu nasci em São Paulo, Brasil, no dia 2 de agosto de 1948.

Temos algumas semelhanças além do fato de pertencermos à mesma espécie.

Nossas mães tinham pele clara e olhos azuis, somos ambos altos, isto é, eu sou, ele foi. Tem também a corpulência, embora Otto - tenho licença para chamá-lo assim - fosse maior e mais pesado.

O café da manhã é, provavelmente, a causa da diferença. Gosto de iogurte, leite desnatado, biscoito de água e sal, ricota fresca e café.

Otto preferia algo menos frugal. Ganso assado, eisbein, bolo de carne de veado, chucrute, batatas cozidas, assadas e fritas, torta de amora, apfelstrudel com creme chá, leite e café.

Depois fumava um charuto, descansava e ia ao gabinete despachar. No trabalho, de tempos em tempos, saboreava bombons vienenses.

Gosto de Bismarck, temos 6 números comuns em datas marcantes grafadas na forma: xx/xx/xxxx. Ou seja, 6 em 8.

Deve ser alguma forma de parentesco astral.

Bismarck morreu octogenário, gordão e bigodudo, ele que sempre foi gordão e bigodudo.

Um brinde à Otto von Bismarck. Prosit!

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Dominique


Opinião

Ilusão na aviação regional

O Estado de S.Paulo
Exaspera a incapacidade do governo de entregar o que promete. Depois de bravatear a intenção de construir 800 aeroportos regionais, no final de 2012, a presidente Dilma Rousseff se fez de desentendida e disse que, na verdade, a meta eram 270 terminais - um objetivo já bastante ousado. Passado mais de um ano, é claro que nada saiu do papel - mas agora já se sabe que o custo dessa aventura, cuja previsão inicial era de R$ 7,3 bilhões, deverá ser maior.

Levantamentos feitos pelo governo, conforme revelou o Estado, indicam que os gastos foram subestimados. Segundo os técnicos, os projetos não levavam em conta a necessidade de grandes obras em aeroportos chamados "médio-grandes" - casos de Ribeirão Preto e Bauru (SP), Governador Valadares e Patos de Minas (MG), Rondonópolis (MT), Dourados (MS), Caxias do Sul (RS) e Maringá (PR).

Os problemas nos projetos já eram conhecidos. Nesse tempo todo, a Secretaria de Aviação Civil (SAC), sem ter estabelecido prioridades, atrasou o levantamento das necessidades de investimentos nos aeroportos, o que demandaria análises de impacto ambiental e projetos de engenharia a um custo de cerca de R$ 292 milhões.

A justificativa da SAC é de que a maior parte do tempo foi usada para aprovar no Congresso a medida provisória que criou o plano. Depois, foi preciso abrir licitação para contratar empresas de engenharia que farão os projetos - dos 270 aeroportos, só 16 contratos foram feitos. Mesmo se todos os contratos estivessem fechados, não há garantia de que eles seriam concluídos no prazo alardeado pela propaganda oficial.

O problema principal são os vícios de origem. Fruto do voluntarismo típico deste governo, o projeto para a aviação regional já nasceu eivado de defeitos. Nele, por exemplo, aparecem aeroportos para cidades pequenas, com menos de 100 mil habitantes, distantes apenas 50 km de outras que também terão recursos para construir ou ampliar seus aeroportos. Trata-se de um óbvio desperdício de dinheiro. Além disso, estão previstos aeroportos em cidades pequenas próximas de metrópoles que já dispõem de grandes terminais, o que pode gerar ociosidade - e, portanto, prejuízo para as prefeituras, às quais caberá administrar os aeroportos, se não houver interessados privados.

O açodamento para transformar em realidade a promessa de Dilma foi tão grande que a SAC mal consultou as partes interessadas para elaborar o projeto. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) não foi ouvida e as companhias aéreas só puderam opinar uma semana antes do anúncio do plano.

Para o governo, no entanto, planejamento é mero detalhe. O plano de aviação, segundo a SAC, visa a equipar cidades médias e pequenas de tal forma que grandes empresas sejam incentivadas a transferir suas plantas industriais para essas localidades. É óbvio que muitos outros fatores pesam em decisões desse porte, e é claro que várias cidades poderão ficar com moderníssimos aeroportos às moscas, se e quando eles forem construídos, mas isso não parece inibir as grandiosas fantasias do governo.

Que o Brasil necessita de um robusto investimento em aviação regional, não resta dúvida. Multiplicam-se casos de aeroportos do interior já saturados, pois servem como escape para o gargalo dos grandes terminais das capitais. Além disso, a demanda por voos regionais, como substitutos de rotas rodoviárias, também é crescente. Essa urgência, porém, não justifica medidas irrefletidas.

Mesmo com todos os problemas, Dilma mandou acelerar os projetos para ter o que mostrar já no primeiro semestre, coincidindo com o calendário eleitoral, que é a única coisa pela qual a presidente se interessa. Se tudo correr como o governo espera, o primeiro lote de obras, com 20 aeroportos, deverá ter seu edital publicado até o fim de março. Depois, até junho, esperam-se mais 80 licitações. Restarão 170 aeroportos, cujas licitações terão de esperar até o fim deste ano, ou o início de 2015. Considerando-se o histórico de procrastinação do governo e os problemas enfrentados pelo projeto, é uma expectativa otimista.

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 03 / 03 / 2014

Correio Braziliense
"Obesos mórbidos têm dificuldade de atendimento na rede pública"

Quando o peso corporal fica exagerado, além de uma ameaça extrema ao funcionamento do organismo, traz complicações sociais aos pacientes

A epidemia da obesidade, que atinge 51% da população brasileira, tem ganhado contornos ainda mais preocupantes. Sofrendo de obesidade mórbida, nível mais alto da doença, estão 800 mil brasileiros, muitos reclusos em casa devido a enfermidades que vieram com o excesso de peso. Nos últimos 20 anos, o número de pessoas nessa condição tem crescido consideravelmente no país, passando de 0,6% para 4% da população. Esse grau é frequentemente identificado pelo grande acúmulo de gordura no corpo e, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), é diagnosticado especificamente pelo cálculo do índice de massa corporal (IMC), resultante do peso em quilogramas dividido pela altura, em metros, ao quadrado. Quando esse valor fica entre 40 e 49,9, é diagnosticada a obesidade grau III. “Pelo estigma que a palavra obesidade mórbida traz, é melhor denominar a doença como grau 3 ou obesidade severa, o que já traz, por si só, a gravidade da enfermidade”, defende Paulo Augusto Carvalho Miranda, endocrinologista membro da comissão científica da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem).

Estado de Minas

"Estudo inédito revela que o brasileiro vota de forma conservadora"

Pesquisadoras mostram que o eleitor brasileiro prefere votar em homens com mais de 50 anos, alta escolaridade e da carreira política. Em Minas Gerais, o envelhecimento dos eleitos é maior

Estudo inédito sobre o perfil dos deputados estaduais e distritais eleitos entre 1998 e 2010 revela um eleitor conservador, que privilegia o voto em representantes homens, com alta escolaridade, da carreira política. Além disso, até pelo crescimento das taxas de reeleição, a cada novo pleito é registrado aumento da idade média com predominância, em 2010, de deputados eleitos de 50 a 59 anos. A conclusão é de Simone Cristina Dufloth, da Fundação João Pinheiro, coordenadora do projeto “Análise do perfil dos representantes eleitos nas assembleias legislativas: estudo aplicado às unidades da federação”, e das pesquisadoras Cláudia Júlia Guimarães Horta e Carla Cristina Aguilar de Souza.

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domingo, março 02, 2014

Dominique


Opinião

Separando o joio do trigo

O Estado de S.Paulo
Há sinais animadores de que as manifestações vão entrar numa nova fase, com a diminuição do apoio da população, cansada dos atos de violência cometidos por uma minoria aguerrida que delas se aproveita, assim como a mudança de atitude das autoridades, que parecem finalmente decididas a endurecer o jogo com relação aos vândalos. Alimenta esse otimismo também a nova tática empregada com êxito pela polícia paulista para isolar e conter os que se dedicam sistematicamente ao quebra-quebra.

Pesquisa feita pelo Datafolha mostra que desde junho do ano passado, quando as manifestações - que começaram como protesto pelo aumento das tarifas de transporte coletivo e depois exprimiram insatisfação contra a qualidade dos serviços públicos em geral e o comportamento dos políticos - levaram milhões de pessoas às ruas em todo o País, o sentimento da população em relação a elas esfriou. De 81%, o apoio caiu para 77% em agosto e, neste mês de fevereiro de 2014, chegou a 52%. A rejeição aos protestos, que era de apenas 15%, atingiu agora 42%. Quando se trata da possível realização de manifestações durante a Copa do Mundo, a simpatia por elas é ainda menor - 32%. E os que são contra chegam a 63%.

A população está se dando conta de que sua vontade de fazer sentir aos governantes o anseio por mudanças, tanto no plano administrativo como no do comportamento, foi deturpada por grupos violentos, em especial o Black Bloc. O espetáculo de famílias inteiras saindo às ruas para protestos pacíficos foi substituído pelo do vandalismo dos que danificam o patrimônio público e privado, invadindo prédios públicos, destruindo sinalização de trânsito, depredando bancos e estabelecimentos comerciais. Os números da pesquisa mostram a recusa de um número cada vez maior de manifestantes de se deixar manipular por uma minoria cujo comportamento violento e irresponsável culminou no assassínio do cinegrafista Santiago Andrade.

A situação pode mudar tanto por causa dessa reação como porque o governo federal - assustado pela possibilidade de grave perturbação da ordem pública durante a Copa do Mundo, com prejuízo para a sua imagem e a do País no exterior - dá mostras de que finalmente percebeu que também a ele convém estabelecer uma nítida separação entre os manifestantes pacíficos e os vândalos que enveredaram pelo caminho da ação criminosa pura e simples. Se um esforço sério já tivesse sido feito para estabelecer essa distinção, que qualquer análise serena sugeria desde o início, todos teriam saído ganhando, a começar pelos que devem ter garantido o seu direito de se exprimir pacificamente. Só perderiam os baderneiros.

Essa mudança deve ser facilitada pela legislação a ser proposta pelo governo ao Congresso - supondo-se que ele cumpra a promessa de estabelecer punição severa para o vandalismo - e pela nova tática empregada pela Polícia Militar (PM) paulista durante a manifestação "Não vai ter Copa" realizada no centro da capital. Um "pelotão ninja", especializado em artes marciais e sem emprego de armas de fogo ou de balas de borracha, fez o que o mais elementar bom senso e os procedimentos das melhores polícias do mundo sugerem para esses casos: isolou o grupo de black blocs e deteve mais de 230 pessoas cujo comportamento sugeria que poderiam praticar atos violentos.

Tanto bastou para que o protesto da maioria pudesse se feito sem incidentes. A operação foi um sucesso, segundo a PM, porque permitiu diminuir os danos ao patrimônio - embora duas agências bancárias tenham sido destruídas -, o número de civis e policiais feridos e os confrontos com manifestantes. Para isso colaborou também a convocação pela polícia para prestar esclarecimentos, pouco antes do protesto, de dezenas de pessoas cujo comportamento levantou suspeitas em outras manifestações.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, admitiu que o governo federal pode sugerir aos Estados a adoção da tática da PM paulista. Com isso, a possibilidade de separar o joio do trigo se torna mais real, para benefício da sociedade.

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 02 / 03 / 2014

Correio Braziliense
"Decisão russa de invadir Crimeia preocupa comunidade internacional"

Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, telefona para o colega russo Vladimir Putin e o acusa de violar a lei internacional ante a ameaça de invasão militar à Crimeia. Parlamento da Rússia aprovou o envio de tropas para a península

A decisão da Câmara Alta do parlamento da Rússia de aprovar, por unanimidade, o pedido do Kremlin de usar forças militares em solo ucraniano, sob o pretexto de proteger cidadãos russos, causou preocupação da comunidade internacional e elevou o risco de uma “Guerra Fria” entre Moscou e Washington. No início da noite de ontem, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, conversou durante 90 minutos com o colega russo, Vladimir Putin, e o acusou de violar a lei internacional. O americano pediu a ele que retire as tropas para bases na Crimeia e advertiu sobre o risco de Moscou se expor a um maior “isolamento político e econômico”.

Estado de Minas

"Políticos aproveitam carnaval para promoção pessoal com dinheiro público"

Políticos usam o feriado para promoção pessoal e desviar recursos do erário. Em cinco anos, 198 investigações foram abertas

Vitrine para quem disputará as eleições, o carnaval traz todos os anos um desfile de irregularidades. Tem o bloco das licitações fraudulentas na contratação de shows, o do desvio de verba pública para promoção de festas e até o da campanha antecipada de potenciais candidatos. Nos últimos cinco anos, a folia com o dinheiro do contribuinte motivou o Ministério Público Federal a abrir pelo menos 198 investigações contra prefeituras, governos estaduais e/ou agentes políticos, de acordo com levantamento do Estado de Minas. No ano passado, 12 procedimentos investigatórios foram instaurados.

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