sábado, fevereiro 15, 2014

Dominique


Opinião

Muito ruim a prévia do PIB

O Estado de S.Paulo
O mau desempenho da economia brasileira no ano passado, já denunciado pelos dados muito ruins da indústria e do emprego industrial e pelos últimos números do consumo, é confirmado por mais um indicador calculado por um órgão de governo. A produção encolheu 0,17% do segundo para o terceiro trimestre e 1,35% de novembro para dezembro, segundo o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia imperfeita, mas útil, do Produto Interno Bruto (PIB). De janeiro a dezembro houve crescimento de 2,57%, segundo a série livre de fatores sazonais, e de 2,52%, de acordo com as informações registradas sem depuração. Qualquer desses dois números aponta mais um ano de resultados medíocres, o terceiro consecutivo. O PIB cresceu apenas 2,7% em 2011 e 1% em 2012. O número oficial de 2013 deve ser anunciado no fim do mês pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pelas estimativas do mercado financeiro e de consultorias independentes, muito dificilmente será mais animador que o IBC-Br.

Não há discriminação de setores na tabela desse indicador, mas a fraqueza da economia, já se sabe, é explicável, principalmente, pelas más condições da indústria, especialmente do segmento de transformação, pelo baixo nível de investimento e por uma ampla coleção de ineficiências. O crescimento da indústria geral, 1,2% segundo já informou o IBGE, nem sequer bastou para o setor se recuperar da queda de 2,5% no ano anterior.

Pela estimativa do BC, a atividade econômica diminuiu em dois trimestres consecutivos: 0,21% do segundo para o terceiro e 0,17% do terceiro para o quarto. Reduções em dois trimestres seguidos configuram tecnicamente uma recessão. Mas é cedo para usar essa palavra, embora a segunda metade do ano tenha sido indiscutivelmente muito ruim. Mas só os dados do IBGE poderão confirmar ou desmentir um cenário tecnicamente recessivo. Parte da informação necessária já é conhecida. No período de julho a setembro o PIB foi 0,5% menor que nos três meses anteriores. Falta ainda conhecer a estimativa do PIB entre outubro e dezembro.

Para o planejamento empresarial faz pouca diferença, nesta altura, o reconhecimento de uma recessão na segunda metade do ano passado. Tampouco fará diferença o registro oficial de um modesto crescimento do PIB nos três meses finais. De toda forma, o período foi desastroso para a maior parte da indústria, inegavelmente, e quem sobreviveu deve cuidar de outros assuntos para alcançar maior expansão e maior segurança neste ano e nos próximos.

Essa tarefa será especialmente complicada, se o governo insistir nas políticas seguidas nos últimos três anos e der prioridade - como geralmente se espera - às conveniências eleitorais. Um maior dinamismo econômico seria muito conveniente para as pretensões políticas da presidente, mas o empresariado precisa de mais confiança para investir e assumir riscos maiores. Mas a equipe de governo tem mostrado, até agora, pouca disposição para mudar o repertório de políticas.

Completadas as duas primeiras semanas de fevereiro, o Executivo nem sequer anunciou sua meta fiscal para este ano. O compromisso em relação às contas públicas tem de ser ao mesmo tempo crível e realizável sem muita dificuldade, para atender às conveniências eleitorais da presidente. De toda forma, seria precipitado imaginar um ano de austeridade fiscal, com redução da gastança.

O BC, tudo indica, deve continuar sendo o responsável principal - talvez o único - pelo combate à inflação. A contenção dos preços dependerá, portanto, principalmente dos juros. O acesso ao crédito de longo prazo continuará difícil para a maior parte das empresas no País, e mais escasso no exterior.

O câmbio um pouco mais depreciado e pressões salariais mais brandas poderão dar algum oxigênio às indústrias, mas outros custos, como o da energia, poderão pesar nas contas. Se os investimentos em infraestrutura deslancharem, as perspectivas ficarão melhores, mas os bons efeitos só deverão surgir nos próximos anos. É difícil, hoje, apostar em resultados muito melhores que os de 2013.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 15 / 02 / 2014

Correio Braziliense
"Dados do BC mostram o Brasil em recessão"

Índice de atividade econômica calculado pelo Banco Central, o IBC-R divulgado ontem revela que o Brasil encolheu nos terceiro e quarto trimestres de 2013

O indicador é visto pelo mercado como uma prévia do Produto Interno Bruto (total das riquezas produzidas pelo país). Mas, para que a recessão técnica se caracterize, é preciso que o PIB, medido pelo IBGE, confirme o recuo na economia nos dois trimestres consecutivos. Surpreendidos com o forte tombo no crescimento, o Planalto e a Fazenda temem que o pessimismo com a economia alimente e vão fazer pressão para que o BC não eleve, este mês, a taxa básica de juros, que já está em 10,50% ao ano. Analistas já refazem as contas e projetam crescimento máximo de 1,5% para o PIB de 2014.

O Globo
"Com segunda queda seguida, ‘PIB do BC’ registra recessão técnica no quarto trimestre"

IBC-Br encolheu 0,17% no último trimestre de 2013; IBGE, que divulga o indicador oficial no fim do mês, não deve confirmar recuo, já que metodologias são diferentes

O Brasil cresceu 2,57% no ano passado nas contas do Banco Central (BC), mas em dezembro o Índice de Crescimento calculado pela autarquia (IBC-Br) encolheu 1,35%. Com isso, o indicador da autoridade monetária, conhecido como “PIB do BC”, ficou no vermelho pelo segundo trimestre seguido, o que caracteriza uma recessão técnica. Economistas dizem não acreditar que os dados oficiais do IBGE, que serão divulgados no dia 27, confirmem esse quadro de recessão, mas já começaram a revisar para baixo suas projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) para 2013 e 2014.

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sexta-feira, fevereiro 14, 2014

Caravaggio


Coluna do Celsinho

Biblioteca Hans Staden

Celso de Almeida Jr.

Em 1989, com uma doação de parte do acervo do professor e advogado Arnaldo Chieus, iniciávamos a organização da Biblioteca Hans Staden, no Colégio Dominique.

Juntava, também, todos os livros de minha prateleira, muitos ainda com carinhosas dedicatórias do vovô Aldo.

Hans Staden, o nome escolhido, foi homenagem ao viajante alemão autor de "Duas viagens ao Brasil", publicado originalmente em 1557, em Marburgo, Alemanha, sendo o primeiro livro em todo o mundo a retratar as nossas terras.

Sobre ele, declarou Monteiro Lobato:

"Não há documento mais precioso relativo à terra brasileira em seus primórdios do que as memórias de Hans Staden (...) Obra de valor inestimável que deveria andar no conhecimento de todos brasileiros (...) uma obra que até nas escolas devia entrar, pois nenhuma daria melhor aos nossos meninos a sensação do Brasil menino."

Com esta referência, fomos estruturando nossa biblioteca, criando programas de incentivo à leitura, conseguindo doações, prateleiras, ampliando o espaço.

No final dos anos 90, quando o colégio transferiu suas instalações para o Jardim Carolina, convidamos a bibliotecária Celina Muniz de Souza para iniciar a classificação do acervo.

A contribuição deixada pela saudosa Dona Celina foi fundamental para garantir a definitiva organização da biblioteca.

Hoje, sob o comando do professor Júlio Madarasz, beiramos 8000 volumes, o maior acervo classificado entre as escolas particulares de Ubatuba.

Atualmente a Biblioteca Hans Staden é mantida pelo braço cultural do Colégio Dominique, o Instituto Salerno-Chieus, entidade que tem como Secretário Executivo o jornalista e ex-prefeito de Ubatuba Celso Teixeira Leite, um entusiasta e incentivador de atividades culturais.

E, sob o comando do instituto, para comemorar os 25 anos de fundação da biblioteca, foi elaborado um amplo calendário de atividades, buscando mobilizar a comunidade escolar.

Pois é, meus amigos...

Passados vinte e cinco anos, ao lembrar dos primeiros passos, fica a certeza de que estamos no bom caminho.

Conquistando mais livros.

Valorizando e estimulando a leitura, a cultura.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com 

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Dominique


Opinião

'O Ovo da Serpente'

Fernando Gabeira* - O Estado de S.Paulo
O Ovo da Serpente é o nome de um filme de Ingmar Bergman que mostra os conflitos e a desordem que antecederam a ascensão do nazismo. Vivemos um momento complicado de violência, deboche, em que quase todos os conflitos degeneram em agressões, incêndios: a democracia não anda bem em nosso país. Ainda assim, acho inadequada a expressão ovo da serpente. Não vejo na conjuntura internacional uma brecha para regimes autoritários com o nível de inserção econômica e política do Brasil. Mesmo porque a visão de Bergman do ovo da serpente pode não ser a única para descrever a situação brasileira. Há serpentes e serpentes.

Se fosse atribuir o ovo a algum réptil, diria que o processo de conflitos está gestando uma iguana - uma situação esdrúxula em que todos podem sair perdendo, mesmo quem sonha em se aproveitar dela.

As mediações políticas acabaram. A democracia brasileira é um veículo sem o jogo de molas, que avança aos solavancos ameaçado pelo perigo de empacar. Carece de um lubrificante essencial: o diálogo. Os idos de junho aprofundaram o abismo entre os partidos políticos e a sociedade. Apesar da retórica populista, os políticos mergulharam no seu mundo, perdidos nas transações fisiológicas.

Renan Calheiros chegou aos limites do seu corpo implantando cabelos em Pernambuco. Mas foi o mais perto da realidade exterior que conseguiu aproximar-se. Os petistas decidiram questionar o Supremo de braços erguidos e o clima de desafio só tende a enfraquecer o edifício institucional.

Um cinegrafista da Band foi atingido por um desses foguetes de fogo de artifício. Atingido covardemente. O artefato tem uma vara e funciona mais ou menos como um míssil terra-ar. Ao dispará-lo rente ao chão, transforma-se num míssil terra-terra. Santiago morreu.

Com instrumentos disponíveis no mercado é possível fazer uma guerra urbana. Mas quem fere um cameraman se arrisca a ser ferido pelas próprias câmeras, que revelam vários ângulos do atentado. Como diria Garrincha, não combinaram com os russos. A televisão russa apresentou imagens que mostram claramente como aconteceu o incidente. Inúmeras outras câmeras cobriram o episódio, oferecendo detalhes. As próprias câmeras do Exército, pois o episódio aconteceu perto do Comando, devem ter registrado dados importantes.

Nunca na história das manifestações, violentas ou não, houve tanta câmera em ação, se contarmos também com os celulares. É possível desvendar tudo. Nesse sentido, é um passo democrático. Mas quase nunca se pune depois do fato desvendado. Isso é um atraso.

Não foi acidental a presença de uma equipe russa no centro do Rio. Nosso objetivo não era atrair a imprensa estrangeira para a gloriosa Copa do Mundo? Uma vez aqui, não podem ignorar as manifestações nem, por exemplo, o apagão e as dificuldades energéticas que vivemos. Claro, podem acreditar no discurso de Lobão, para quem vivemos no melhor dos mundos. Mesmo eles, com o tempo, acabarão percebendo que Lobão é apenas o Lobão.

As circunstâncias levam-nos a uma exposição em função da Copa, num momento confuso que dificilmente será equacionado pelas eleições. Estas podem agravá-lo. Muitos de seus temas desembocam na luta ideológica do século passado. Com o caso da médica cubana que rompeu com o Mais Médicos.

O pensamento mais clássico de esquerda considera natural que alguém financiado retribua o investimento social feito nele. É possível aceitar o programa Mais Médicos, mesmo admitindo sua limitação. É possível aceitar a vinda de médicos estrangeiros, cubanos entre eles. É possível até admitir que Cuba não lucre só com a diplomacia médica, pois montou um esquema sanitário em lugares remotos do Haiti. Mas é difícil aceitar que a relação de trabalho não se faça na base do consentimento recíproco. O contrato com os cubanos, mesmo com a intenção de atender o interior do País, importa mais um grande problema.

É proibido proibir que se denunciem contratos de trabalho e que as pessoas viajem para onde queiram. Quando o governo, ao tentar solucionar um problema, cria um novo e complicado enredo, é sinal de que não funciona como timoneiro, apenas indica que perdemos o rumo.

No setor de energia, o discurso não é só o de Lobão descrevendo o melhor dos mundos. É também o discurso da natureza incontrolável, constatação que Lula atribuiu a Freud. Como caem os raios neste verão. Quando caem na cabeça das pessoas simples, elas são fulminadas. Quando se esgotam no estrondo e no clarão, servem de pretexto para explicar as lacunas da nossa política energética.

O consumo cresce, a produção de energia, detida por uma série de obstáculos, não evolui como o planejado. E o verão ainda não acabou. Em vez de reconhecer a realidade, o governo se perde na defensiva.

Não vejo num ano eleitoral grandes mudanças na economia. Nem creio que Dilma, diante do princípio de caos, fará mais do que convocar reuniões que resultam, por sua vez, em comissões e grupos de trabalho.

O veículo democrático está condenado aos solavancos. Mas o filme de Bergman mostra algo importante. Acostumar-se com a violência cotidiana é perigoso, pois esses fatos tendem a desembocar em algo pior. Um adolescente no Flamengo, no Rio, preso por um cadeado foi mais um episódio revelador do nível de intolerância que vivemos. Justiça pelas próprias mãos, combates armados na rua, incêndios - tudo isso vai sucedendo sem nenhum nexo com uma visão de mudança do País. Os que sonham em apenas manter-se no poder se arriscam a perder, mesmo na vitória eleitoral. Que País vai emergir desses confrontos cotidianos em 2014? Será governável apenas distribuindo cargos aos aliados?

A resposta é sempre esta: está tudo bem, vocês é que são pessimistas, Com sorriso profissional nos lábios, um marketing glorioso, cotoveladas e rasteiras na rede, la nave và. Lobão dirá que há risco zero de apagão, punhos erguidos para interpretar o mensalão, para a violência uma nova comissão. Quanta rima, meu Deus, e nenhuma solução, como diria o poeta.

*Fernando Gabeira é jornalista.

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 14 / 02 / 2014

Correio Braziliense
"Chega de racismo"

Vinte minutos do segundo tempo, Tinga entra em campo e nas arquibancadas, torcedores começam a insultar o jogador brasileiro, imitando sons e gestos de macaco 

A atitude racista, na noite de quarta-feira, provocou uma onda de indignação mundo afora. Da presidente Dilma ao dirigente máximo da Fifa, passando por atletas famosos, todos repudiaram o preconceito. “Incrível como isso ainda existe no futebol”, protestou Ronaldinho Gaúcho, ídolo do Atlético-MG, maior rival do Cruzeiro. “#TamoJuntoTinga”, postou Neymar em rede social. O repúdio foi tão grande que pode até levar a Conmebol, organizadora da Libertadores, a uma punição inédita: a eliminação do time peruano do torneio. Sede da Copa de 2014, o Brasil estuda medidas para coibir atos como esse no Mundial. Mas, aqui, apesar de o racismo ser um crime inafiançável, reina a impunidade. Não há ninguém preso no país por ter cometido esse tipo de delito, superesportes.

Estado de Minas
"Eu sou cruzeiro. Eu sou galo. Eu sou coelho. Eu nem gosto de futebol: Todos somos Tinga"

Ofensas racistas a jogador celeste provocam onda mundial de repúdio. Fifa quer punição a time peruano.

Da cúpula do futebol, passando pela presidente Dilma, até jogadores de vários clubes, inclusive do rival Atlético, em menos de 24 horas formou-se uma corrente planetária em solidariedade a Tinga e em protesto contra as manifestações racistas dos peruanos dirigidas a ele no jogo Real Garcilaso x Cruzeiro, quarta-feira, pela Copa Libertadores. No Twitter, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, lembrou que o congresso da entidade aprovou resolução contra a discriminação no futebol, que deve ser levada a sério quando diz "basta”. A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) prometeu providências. O regulamento da Libertadores prevê punições severas ao clube cujos torcedores cometam agressões raciais, que vão da perda de mandos de campo, jogos com portões fechados, perda dos pontos até a eliminação do torneio.

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quinta-feira, fevereiro 13, 2014

Dominique


Opinião

O tiro do prefeito no pé

O Estado de S.Paulo
Agora não por atos, mas pelas palavras, o prefeito paulistano, Fernando Haddad, acaba de superar as já elevadas marcas alcançadas em 14 meses de mandato na modalidade tiro no pé. Frustrados os seus planos mirabolantes de transformar a cidade numa Xangai, como apregoa - ou porque a Justiça o impediu de onerar os paulistanos com um aumento abusivo do IPTU (de 20% a 35%) ou porque em boa hora a presidente Dilma Rousseff desistiu de apoiar o projeto que muda o indexador da dívida do Município com a União -, Haddad resolveu partir para cima da "elite econômica paulistana", culpando-a por seus dissabores.

Quando o seu mentor Luiz Inácio Lula da Silva desancava o "preconceito" das elites contra os pobres como ele - e como os que o ouviam nos palanques da reeleição e, depois, da candidatura Dilma -, a apelação podia ser o que se quisesse, menos irracional. Era um meio para um fim; como tal, funcionou. E seguramente ele tornará a se valer disso na campanha deste ano, para discriminar os adversários da presidente. Mas Haddad se saiu com uma diatribe que só serve para acrescentar mais críticas às tantas que o seu deplorável desempenho já fez por merecer.

Candidato, Haddad era um "poste" eleitoral. As suas luzes só se acenderam porque, além da força do patrocínio lulista nos redutos do PT, a sua imagem de bom moço lhe deu os votos da classe média que fizeram diferença no segundo turno. Prefeito, o tríplice diplomado pela USP (em direito, economia e filosofia) e ex-ministro da Educação revelou-se um neófito em política e um voluntarista na administração. Apesar dos protestos de junho contra o aumento das tarifas de transporte, ele só tirou os R$ 0,20 das passagens depois de ouvir uma advertência do seu colega do Rio, Eduardo Paes, que já desistira da majoração, e uma ordem de Lula.

Foi também o voluntarismo, o "fazer na marra", embebido dessa vez em caldo populista, que o incentivou a criar da noite para o dia as faixas exclusivas para ônibus, sem uma avaliação minimamente consistente dos seus efeitos para o trânsito de uma cidade por onde circulam cerca de 6 milhões de veículos, ou, por baixo, 1 para cada 2 habitantes. A mistura tóxica de insuficiente senso político e excessiva crença no poderio pessoal está decerto na origem da sua verrina contra as elites, por sinal numa entrevista ao site da BBC Brasil - que não há de ser propriamente o mais acessado pela maioria dos eleitores que lhe deu a vitória em 2012.

Os paulistanos "muito ricos", investiu, padecem de "miopia" e "pobreza espiritual". Essa elite é amesquinhada e muito conservadora, "a começar pelos meios de comunicação" - estes, evidentemente, porque ousaram discordar das políticas do professor-doutor. Para ele, a elite míope, acumpliciada com a mídia, sabota a cidade ao pressionar o Congresso para que não aprove a troca do indexador da dívida paulistana. Faltou-lhe, a essa altura do xingatório, a coragem de afrontar a verdadeira responsável pelo congelamento do projeto - a presidente da República. Ela se deu conta de que, se expurgasse R$ 24 bilhões do débito municipal de R$ 54 bilhões, não só transgrediria a Lei de Responsabilidade Fiscal, como ainda criaria um precedente que, ao ser imitado, levaria à ruína as contas nacionais.

É de perguntar ao prefeito o que ele imaginava que as suas caneladas pudessem produzir para resgatar o seu governo que fechou o ano aprovado nas pesquisas por apenas 18% dos munícipes. Será que eles mudarão de ideia ao ouvir de Haddad que são outros - as elites, a imprensa, o Congresso - os culpados por seus problemas? Extremando a comparação, a última vez que um mandatário quis virar a mesa acusando "forças terríveis" de impedi-lo de governar foi em 1961, quando o presidente Jânio Quadros tentou o fracassado golpe da renúncia.

E como ele quer que as elites reajam, depois de prometer, com arrogância, "educá-las a olhar a cidade com outros olhos"? Ainda é tempo de Haddad fazer isso em relação à Prefeitura. O Orçamento do Município para este ano, de R$ 50,6 bilhões, é o maior da história. Sabendo gastar, em vez de falar em conspirações e "crise financeira", não é pouco o que isso permite realizar.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 13 / 02 / 2014

Correio Braziliense
"MSTzaço na praça"

Enquanto o Congresso discutia o projeto de lei que enquadra protesto contra a Copa como ato terrorista, sem-terra alinhados com o Planalto quase linchavam PMs. Medo de invasão fez o STF suspender trabalho

O PT foi orientado pelo governo a propor mudanças na lei antiterror para evitar que movimentos sociais, como o MST — que ontem entrou em confronto com militares —, possam ser enquadrados pela polêmica legislação. Mas brasileiros sem vínculos com esse tipo de organização correrão o risco de serem condenados como terrorista se saírem às ruas para protestar. Na Praça dos Três Poderes, ontem, só não ocorreu uma tragédia porque um grupo de ativistas fez uma barreira humana e impediu que manifestantes partissem para cima de policiais encurralados no meio da multidão (estimada em 15 mil pessoas). Segundo a PM, 30 policiais e pelo menos três manifestantes ficaram feridos. Hoje, os sem-terra terão um encontro com a presidente Dilma.

Estado de Minas
"Quem quer criar desordem?"

Autor de disparo de rojão que matou cinegrafista diz que grupos incitam violência em protestos

Quando lançou, em 1988, a música Desordem, a banda Titãs não poderia imaginar que os questionamentos do refrão continuariam tão atuais – e contundentes. O Brasil vive tempos de confusão e ebulição. As perguntas da canção fazem parte das indagações que o país tenta responder, depois da prisão de Caio Silva de Souza, de 23 anos, que assumiu à TV ter soltado o rojão que matou o cinegrafista Santiago Andrade, no Rio. Caio disse que jovens estão sendo aliciados para os protestos. E seu advogado afirmou com todas as letras que ele e outros recebem até R$ 150 para tumultuar as manifestações. Resta à polícia investigar se há organizações que insuflam a violência nas ruas e com que interesse.

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quarta-feira, fevereiro 12, 2014

Dominique


Opinião

Que tal tirar a máscara de quem quer ficar impune?

José Nêumanne* - O Estado de S.Paulo
Não havia brasileiro razoavelmente informado que já não soubesse que os black blocs sempre fizeram o possível e mais do que o razoável para que os policiais encarregados de reprimir seu vandalismo nas ruas das cidades brasileiras produzissem um mártir. Em 25 de janeiro, Fabrício Proteus Fonseca Mendonça Chaves, de 22 anos, foi baleado num protesto em São Paulo contra os gastos da Copa do Mundo. Poderia ter sido este, mas, socorrido pelos PMs e levado para a Santa Casa de Misericórdia, felizmente ele sobreviveu. Infelizmente, contudo, o cinegrafista da Band Santiago Andrade, de 49 anos, não teve idêntica sorte e morreu em consequência de ferimentos na cabeça, vítima da explosão de um rojão disparado no centro do Rio num protesto violento contra o reajuste da tarifa de transportes públicos. Eis o mártir!

Mas o cinegrafista, que trabalhava na cobertura da manifestação quando foi atingido, não foi vitimado pela violência policial, contra a qual dez entre dez políticos, militantes de direitos humanos, governantes politicamente corretos, acadêmicos bem-pensantes e repórteres apressados esbravejam. O buscapé disparado da calçada a poucos metros de onde a vítima estava foi criminosamente preparado por vândalos cujas feições estavam escondidas por máscaras e panos com os quais encobriam o rosto. O disparo podia não ter como objetivo especificamente aquele profissional. É até possível acreditar que seu alvo seria a tropa policial que procurava conter o quebra-quebra. Mas um repórter, fotógrafo ou cameraman presente na cena para transmitir informações ao público ou um inocente transeunte do anônimo exército das vítimas das balas perdidas na violência metropolitana brasileira fatalmente seria atingido. Pois a vareta que direciona o rojão para explodi-lo nas alturas foi quebrada e quem já soltou fogos de artifício sabe que nessas condições o buscapé não sobe, faz um trajeto aleatório e atinge o que estiver à frente. Assim, feriu a cabeça do jornalista a trabalho.

Naquela quinta-feira ninguém imaginou ser possível inculpar os black blocs pelo crime hediondo. Os telejornais da Rede Globo na noite do crime e na manhã seguinte reproduziram reportagem de Bernardo Menezes, da Globo News, atribuindo aos policiais o disparo do explosivo. Quem pôs o equívoco no ar não atinou para o fato de que a fogueira ateada na cabeça do colega jamais poderia ter sido produzida por bombas de efeito moral ou granadas de gás lacrimogêneo. Faltou um átimo de sensatez para evitar a divulgação do engano. O hábito de denunciar a violência policial levou o erro ao ar. Errar é humano, está certo, mas o jornalismo responsável requer mais diligência.

Depois que a polícia demonstrou o óbvio, William Bonner, o editor-chefe do Jornal Nacional, gaguejou um pedido de desculpas envergonhado e aproveitou para elogiar a humildade de voltar atrás ao reconhecer o erro. O reconhecimento do engano é uma virtude, mas é preciso que a autocrítica tenha relevo similar ao dado à falsidade divulgada.

E mais: é necessário também transmitir a convicção de que equívocos similares serão evitados. Não só pela emissora que engoliu uma "barriga" mastodôntica e cuspiu um mosquito. Mas também por todos os envolvidos na organização das manifestações populares, seja contra o que for; na manutenção da ordem pública nas ruas durante os protestos; na defesa jurídica dos manifestantes; e na cobertura e transmissão dos fatos para conhecimento da sociedade. Todos somos responsáveis. E todos devemos ter noção das evidências de que o cinegrafista foi vitimado pela leviandade geral vigente.

O mesmo Jornal Nacional reproduziu uma enxurrada de manifestações de súbita condenação aos vândalos. Entidades que representam advogados, juízes, donos de meios de comunicação, jornalistas e poderosos da República deixaram de execrar somente a polícia.

"Não é admissível que protestos democráticos sejam desvirtuados por quem não tem respeito pela vida humana", registrou Dilma Rousseff no Twitter - uma platitude de dar dó. É lamentável que do alto do cargo mais importante da República ela se tenha comportado como se fosse apenas a candidata à própria reeleição. Reduzir tal crime a um slogan de campanha, utilizando o velório da vítima como extensão de seu palanque, é absurdo em si. Fazê-lo numa rede social, como numa fofoca de adolescentes, é espantoso. Assim como revolta a justificativa dada pelos vândalos em outra rede social, o Facebook, buscando inculpar a polícia por quatro mortes não noticiadas nem comentadas pelos meios de comunicação, tentando estabelecer uma relação de nexo inexistente e adotando uma contabilidade sinistra e sem sentido. Idêntico afã oportunista levou o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a procurar limpar a própria imagem com o sangue da vítima ao propor enquadrar os vândalos por crime de terrorismo.

Quando os políticos que vendem a alma por um punhado de votos descobrirão que os anarquistas que encerram as passeatas ditas pacíficas nas ruas são criminosos comuns que agridem e depredam, devendo ser punidos como tal? E que a eles se acumplicia quem defende o uso de máscaras, porque estas dificultam a identificação deles pela polícia? Os repórteres sempre benevolentes com os mascarados nunca perceberão que lidam com inimigos da verdade? Afinal, isso se comprovou no atentado ao cinegrafista e na agressão a outro que captava imagens em manifestação em defesa do tatuador por cujas mãos passou o rojão e que terminou mentindo descaradamente à polícia ao pedir delação premiada. E advogados menos empenhados em defendê-los do que em aparecer não prestam serviço à lei, mas trabalham pela impunidade de meros quadrilheiros.

Esta não é hora de caçar bruxas. Mas, sim, de tirar a máscara de quem esconde o rosto para delinquir e ficar impune.

*José Nêumanne é jornalista, poeta e escritor.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 12 / 02 / 2014

Correio Braziliense
"Projeto enquadra protesto de rua como ato terrorista"

Se virar lei, alertam especialistas, qualquer participante de manifestação contra a Copa, por exemplo, pode ser condenado a até 30 anos de cadeia. Governistas têm pressa em aprovar a proposta, mas negam que a intenção seja blindar o Mundial


A estupidez de black blocs, que culminou na morte do cinegrafista Santiago Andrade, serviu de pretexto para a pressa do Congresso e do Planalto em aprovar o projeto. Mas o texto de autoria do senador Romero Jucá (PMDB-RR) é vago ao definir terrorismo. Tão vago que até integrantes de uma passeata pacífica que parasse o trânsito poderiam ser processados pelo crime. “Uma briga de torcidas em estádio de futebol poderia ser considerada terrorismo”, observa a advogada criminal Fernanda Tórtima. Mesmo aliado de Jucá, o também senador Humberto Costa (PT-PE) teme a criação de um monstrengo. “O Brasil não precisa de outro AI-5”, diz o petista. Baixado pela ditadura militar em dezembro de 1968, o Ato Institucional n° 5 fechou o Congresso, cassou garantias constitucionais e fortaleceu a linha dura do regime de exceção no país.

Estado de Minas
"BRT começa sábado com três linhas?"

Primeiros itinerários novos ligarão a Estação São Gabriel à região central

BHTrans e empresas não confirmam, mas o Estado de Minas teve acesso a mapas oficiais dos trajetos que vão inaugurar o sistema de transporte rápido por ônibus de BH, chamado Move. São três linhas troncais do corredor da Avenida Cristiano Machado: 82 (São Gabriel-Hospitais), 83 (São Gabriel-Centro, direta) e 84 (São Gabriel-Lagoinha, via Avenida Antônio Carlos). Motoristas em treinamento relataram apreensão com o estreitamento da pista em alguns locais e o risco da travessia irregular de pedestres. Reginaldo Gomes da Silva espera melhor sinalização nas plataformas. A entrega de 13 ônibus do Move está atrasada. Até agora, só sete chegaram. Mesmo assim, o cronograma está mantido.

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terça-feira, fevereiro 11, 2014

Dominique


Opinião

Bandidos é o que eles são

O Estado de S.Paulo
Os poucos que ainda se iludiam com os black blocs - por ingenuidade ou recusa teimosa de abrir os olhos para a realidade, sabe-se lá por que - agora não têm mais desculpa. O artefato explosivo que atingiu na cabeça e matou o cinegrafista Santiago Andrade, da TV Bandeirantes, lançado por dois integrantes desse grupo, durante manifestação no Rio de Janeiro contra o aumento da tarifa de ônibus, na última quinta-feira, é a trágica demonstração de que os black blocs não passam de perigosos delinquentes que se disfarçam de adeptos de um vago e confuso anarquismo.

As cenas gravadas por amadores - e a mais reveladora delas por uma rede de televisão russa - documentaram com precisão o ataque covarde de que foi vítima Santiago Andrade, que estava ali fazendo o seu trabalho. Além de correrem o mundo, mostrando a verdadeira face dos vândalos que se apropriaram das manifestações de protesto, elas permitiram à polícia carioca obter dados importantes sobre os dois criminosos.

Um deles, o tatuador Fábio Raposo, de 22 anos - que já tem duas passagens pela polícia -, se entregou na madrugada de sábado. Ele sabia que, por ser mais facilmente identificável que seu cúmplice pelas posições em que foi filmado durante o ato criminoso, logo seria localizado e preso. Sua versão de que apenas entregou o artefato explosivo - sem saber exatamente do que se tratava - a outra pessoa, filmada apenas de costas, que não conhecia e foi quem o acionou, foi considerada "no mínimo fantasiosa" pelo delegado da 17.ª DP, Maurício Luciano, encarregado da investigação do caso. Opinião compartilhada por peritos que analisaram as gravações.

Indiciado como coautor do crime de tentativa de homicídio qualificado com uso de explosivo - acusação que passa a ser de homicídio, depois da morte do cinegrafista, segunda-feira - e por crime de explosão, Raposo se deu conta de que não valia a pena tentar salvar a pele de seu cúmplice e decidiu colaborar com a polícia, pondo fim às versões destinadas a confundir as investigações. Seu advogado prometeu fornecer ao delegado Maurício Luciano a identidade de quem acendeu o pavio do artefato.

Com isso deve se fechar o círculo desse caso, típico do comportamento dos black blocs, cuja violência não tem como alvo apenas o patrimônio público e privado. Eles tratam com total indiferença e desprezo também a vida humana, como fica claro nas cenas em que utilizaram friamente aquele artefato, sabendo quais poderiam ser as suas consequências para quem fosse por ele atingido.

Desde que esse grupo - a essa altura, melhor seria dizer esse bando - se infiltrou nas manifestações iniciadas em junho passado e na prática passou a comandá-las, não faltaram advertências da polícia e das autoridades da área de segurança de vários Estados de que ele tinha de ser tratado de forma diferente, como criminoso que é. As cenas impressionantes, veiculadas pela televisão, dos atos de vandalismo sistematicamente praticados pelos black blocs durante as manifestações, que passaram por isso a não merecer esse nome - com depredação de prédios públicos, sinalização de trânsito, agências bancárias e revendedoras de carros -, sem falar no bloqueio de importantes vias, com reflexo no trânsito já caótico das grandes cidades, deveriam bastar para confirmar o alerta das autoridades.

A verdade é que, por receio de parecerem "repressivas" - mas não é elementar que o crime seja reprimido? - e se prejudicarem politicamente, nem elas se preocuparam seriamente em dar consequência prática à sua constatação, ou seja, tratar os black blocs e seus assemelhados como criminosos que agem em bando, como quadrilha. De político esses grupos nada têm. Não sabem sequer o que é o anarquismo que reivindicam. É pois como bandidos que devem ser tratados. Dar-lhes ares românticos de revoltados é pura irresponsabilidade, que só pode redundar em novos crimes.

A solidariedade que alguns black blocs foram prestar a Fábio Raposo, em frente à 17.ª DP, no Rio, apesar do grave crime por ele cometido, mostra que a arrogância desse bando não tem limites e que é preciso agir com urgência e rigor para colocá-lo na linha.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 11 / 02 / 2014

Correio Braziliense
"Black blood"

A selvageria que expulsou das ruas manifestantes pacíficos atingiu o ápice ontem com o anúncio da morte cerebral de Salvador Andrade 

Cinco dias atrás, o cinegrafista de 49 anos filmava passeata contra aumento em passagens de ônibus, no Rio, quando rojão disparado por um mascarado o acertou em cheio na cabeça. Um Jovem que carregava o artefato está preso. Outro, que acionou o explosivo, já foi identificado pela polícia. Suposta ligação do deputado estadual Marcelo Freixo (PSol) com black blocs provocou discussão ontem entre o parlamentar e advogado que se desculpou por haver divulgado a informação sem comprovar a veracidade. Em texto em rede social, a jornalista Vanessa Andrade, filha de Santiago, emocionou internautas ao falar do pai (leia abaixo). O caso põe em xeque a capacidade dos governos federal e estaduais de garantir a segurança da população em manifestações. E justamente em ano de Copa do Mundo e de eleições.

“Meu nome é Vanessa Andrade, tenho 29 anos e acabo de perder meu pai.

Quando decidi ser jornalista, aos 16, ele quase caiu duro. Disse que era profissão ingrata, salário baixo e muita ralação. Mas eu expliquei: vou usar seu sobrenome. Ele riu e disse: então pode!

Quando fiz minha primeira tatuagem, aos 15, achei que ele ia surtar. Mas ele olhou e disse: caramba, filha. Quero fazer também. E me deu de presente meu nome no antebraço.

Quando casei, ele ficou tão bêbado, que na hora de eu me despedir pra seguir em lua de mel, ele vomitava e me abraçava ao mesmo tempo.

Me ensinou muitos valores. A gente que vem de família humilde precisa provar duas vezes a que veio. Me deixou a vida toda em escola pública porque preferiu trabalhar mais para me pagar a faculdade. Ali o sonho dele se realizava. E o meu começava.

Esta noite eu passei no hospital me despedindo. Só eu e ele. Deitada em seu ombro, tivemos tempo de conversar sobre muitos assuntos, pedi perdão pelas minhas falhas e prometi seguir de cabeça erguida e cuidar da minha mãe e meus avós. Ele estava quentinho e sereno. Éramos só nós dois, pai e filha, na despedida mais linda que eu poderia ter. E ele também se despediu.

Sei que ele está bem. Claro que está. E eu sou a continuação da vida dele. Um dia meus futuros filhos saberão quem foi Santiago Andrade, o avô deles. Mas eu, somente eu, saberei o orgulho de ter o nome dele na minha identidade.

Obrigada, meu Deus. Porque tive a chance de amar e ser amada. Tive todas as alegrias e tristezas de pai e filha. Eu tive um pai. E ele teve uma filha.

Obrigada a todos. Ele também agradece.

Eu sou Vanessa Andrade, tenho 29 anos e os anjinhos do céu acabam de ganhar um pai.”

Estado de Minas

"Santiago morreu. E agora, Brasil?"

Atingido na cabeça por um rojão, o cinegrafista Santiago Andrade não resistiu 

Foi a primeira morte em confronto direto entre black blocs e a polícia nos protestos de rua que começaram em junho do ano passado – outras ocorreram por razões indiretas, como quedas de viaduto ou atropelamentos. A polícia já tem o nome do lançador do foguete, que não havia se entregado. Outro envolvido na agressão foi preso. A presidente Dilma condenou a violência nas manifestações e mandou a Polícia Federal entrar nas investigações. Com a morte de Santiago, perde a democracia, perde o país, perdemos todos nós. Gritar contra opressão e injustiça é direito sagrado. Mas sem nunca perder o respeito à vida humana e à sociedade.

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segunda-feira, fevereiro 10, 2014

Dominique


Opinião

Os frutos da privatização

O Estado de S.Paulo
Políticas públicas balizadas pelo interesse dos cidadãos, e não por renitente apego a ideias ultrapassadas, explicam o imenso contraste entre a qualidade alcançada pelas estradas de São Paulo e o estado precário em que permanece a maioria das rodovias de outras regiões do País, sobretudo as de responsabilidade federal. Enquanto o governo federal, depois da chegada do PT ao poder, retardou o quanto pôde a entrada de capital privado no setor de infraestrutura, há muito tempo o governo paulista tomou a decisão de transferir para empresas ou grupos particulares a gestão de importantes rodovias estaduais. As diferenças resultantes dessas políticas são notórias para os usuários.

Pesquisas da Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostram como é desconfortável, caro e arriscado trafegar pelas rodovias do País, pois mais de 60% delas têm problemas de sinalização, pavimentação e traçado. A malha rodoviária do Estado de São Paulo é a exceção. Em São Paulo estão todas as dez melhores estradas do País. E, não por acaso, todas elas são operadas e conservadas, no regime de concessão, por empresas privadas, que, por imposição contratual, as mantêm em boas condições de utilização. Das dez melhores, só uma é de responsabilidade federal (a Rodovia Presidente Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro), mas ela foi privatizada em 1995, ainda no governo FHC.

Estudo que acaba de ser divulgado pela Fundação Seade, vinculada ao governo paulista, mostra que, de 1998 a 2012, dos US$ 235,9 bilhões investidos em infraestrutura no Estado de São Paulo, US$ 141,3 bilhões (60% do total) foram aplicados por empresas particulares. Especificamente na área de transportes, essas empresas investiram US$ 71,6 bilhões no período, o dobro do montante aplicado pelo governo ou por empresas estatais (US$ 35,6 bilhões). O dinheiro público destinou-se basicamente ao transporte metropolitano sobre trilhos, enquanto o investimento privado se concentrou nas rodovias.

Recorde-se de que, em 1998, o governo paulista concedeu a empresas particulares as principais vias de acesso à capital (os sistemas Anhanguera/Bandeirantes, Anchieta/Imigrantes, Castelo Branco/Raposo Tavares, além de diversas ligações viárias no interior). O programa estadual teve novo impulso entre 2007 e 2010, com a concessão das Rodovias Ayrton Senna, Carvalho Pinto, Dom Pedro I, Raposo Tavares e Marechal Rondon, além dos trechos Oeste, Sul e Leste do Rodoanel. Os resultados práticos estão na qualidade dessas rodovias.

Nesse período, o governo federal concedeu as rodovias Régis Bittencourt e Fernão Dias, de acordo com critérios bem diferentes dos adotados nas concessões estaduais (as federais foram baseadas no critério da menor tarifa de pedágio) e, por isso, os resultados em termos de melhoria do sistema demoraram mais para surgir.

A forte presença do capital privado, diz o estudo, foi essencial para impulsionar os investimentos em infraestrutura no Estado de São Paulo e evitar gargalos, embora em algumas áreas sob responsabilidade federal, como a de portos e aeroportos, o risco ainda persista.

No setor de energia, que recebeu investimentos de US$ 67,4 bilhões entre 1998 e 2012, os aportes dividiram-se entre empresas privadas e públicas. Os investimentos estatais somaram US$ 34,3 bilhões, dos quais a Petrobrás respondeu por dois terços. As empresas privadas investiram basicamente em serviços de eletricidade (US$ 26,2 bilhões), seguindo-se as aplicações em gás e na produção de etanol e biodiesel.

No setor de comunicações, privatizado em nível nacional na gestão FHC, os investimentos totais de US$ 35,2 bilhões compilados pela Fundação Seade foram todos de origem particular, e concentrados no ano de 1998, quando as estatais vinculadas ao Sistema Telebrás passaram para o controle privado.

Também vultosos foram os investimentos em saneamento básico (US$ 26,2 bilhões), mas, nessa área, a presença do capital privado ainda é tímida, em razão do atraso na definição do marco legal (de 2007) e das dificuldades das prefeituras para estabelecer parcerias com o capital privado.

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 10 / 02 / 2014

Correio Braziliense
"Projeto abre brechas para supersalários"

Aprovado em comissão composta por deputados e senadores 

O texto estabelece 25 situações em que o contracheque de servidores poderá ultrapassar o salário máximo do funcionalismo, fixado hoje em R$ 29.462,25. A justificativa é de que se trata da regulamentação do artigo 37 da Constituição Federal, que exclui da aplicação do teto as parcelas de caráter indenizatório, como diárias de viagem, verba para mudança e auxílio-moradia. Mas os parlamentares foram além e ampliaram a lista dos benefícios.

Estado de Minas

"Gritos por justiça"

Famílias de jovens mortos em BH cobram punição de agressores

Matheus era um jovem bem-humorado. Apaixonado pelo Cruzeiro, namorava uma colega do curso de engenharia de produção, levava o irmão mais novo à escola todos os dias, pretendia fazer intercâmbio e aprender alemão. Leandro, também brincalhão, teve de abandonar a escola para trabalhar e ajudar a família, inclusive bancar remédios para o pai doente. Conseguiu dois empregos, acordava de madrugada para entregar pães e agora abriria o próprio negócio. Mas a vida e os sonhos dos dois jovens se perderam tragicamente no fim de semana. Matheus foi executado com três tiros por dois assaltantes que levaram o carro dele quando saía da casa de um amigo na noite de sexta-feira. Leandro estava na segunda entrega do dia, às 5h de sábado, e foi atropelado por um ix35 Hyundai dirigido por Germano Stein, que admitiu à PM ter bebido. Os dois foram sepultados ontem em meio à dor e à indignação das famílias, que cobram a punição dos responsáveis.

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domingo, fevereiro 09, 2014

Dominique


Opinião

Ser de esquerda - tema e variações

JOSÉ ARTHUR GIANNOTTI
Preocupa a falta de modos de políticos e magistrados no exercício de suas funções representando formalmente Poderes da República. Mas se torna um perigo político maior contestar sistematicamente decisões formalizadas de uma instituição pública. Não é o que mostram as afirmações, cada vez mais insistentes, pondo em dúvida a validade das condenações dos réus do mensalão? Em que bases se sustenta a censura de que o processo foi eminentemente político e os coitados dos réus estão sendo enviados injustamente para a prisão?

Suponhamos que o relator da Ação Penal 470 seja um antipetista roxo. Suas acusações foram sistematicamente arguidas pelo ministro revisor, depois discutidas e votadas pelo STF como um todo, inclusive por ministros que podem ser considerados petistas roxos. Espera-se ainda um novo julgamento dos réus cujos embargos infringentes foram aceitos. Mesmo que sejam absolvidos, como parece provável levando em conta a nova composição do tribunal, isso em nada afeta as penas já definidas.

Por certo, todo tribunal pode errar. No caso, porém, diversos processos foram enfeixados numa ação, até de pessoas sem ligações partidárias. Não acredito numa objetividade absoluta, mas esse julgamento tem a probabilidade de ser muito mais objetivo do que se os julgamentos resultassem de tribunais de primeira instância e, depois, retomados pela segunda instância. No mínimo dez juízes discutiram ampla e publicamente seus casos. Se foram condenados, é porque pelo menos a maioria do tribunal concordou que infringiram o Código Penal. Que aleguem inocência, em geral todos os réus o fazem, e a temporária privação da liberdade também tem a virtude de levá-los a meditar sobre as vantagens das formalidades da lei.

Afirmar que o julgamento foi eminentemente político não é, pois, ato de protesto, mas, antes de tudo, revela uma triste incompreensão do papel do Direito numa sociedade contemporânea e democrática. E nisso retomam uma velha tradição ligada à esquerda e ao marxismo.

A despeito de sua luta contra o anarquismo, o próprio Marx sempre apostou no fim do Estado. A ditadura do proletariado, como período de transição proposta depois da Comuna de Paris (1871), pensava a ditadura no sentido romano: uma delegação de poderes para resolver determinadas situações de emergência, no caso, concessão para destruir a sociedade de classes. Mas a democracia haveria de ser muito superior àquela vigente na sociedade burguesa. Como, nunca foi explicitado.

Depois da Revolução de Outubro de 1917, quando rapidamente se instalou um Estado forte e totalitário, os teóricos do marxismo se engalfinharam a respeito dessa questão. E não foi à toa que Rosa Luxemburgo criticou Lenin por instaurar o regime dos sovietes e Karl Kautsky passou para a história oficial como um renegado.

Não têm mais sorte aqueles que hoje em dia acreditam ser possível corrigir as falhas de um Estado forte graças ao recurso ao plebiscito. Essa fórmula, "Estado forte mais plebiscito", foi proposta por Carl Schmitt antes mesmo de esse extraordinário jurisconsulto aderir ao nazismo. Ele defendia um Estado total forte, plebiscitário, contra o Estado total fraco, que nascia da crise da representação democrática. Não era o que acontecia aos seus olhos com o esfacelamento da República de Weimar? Entrevia na democracia liberal as contradições que a impediam de tomar as decisões necessárias para sair do impasse político e econômico, que terminaram propiciando a tomada de poder pelos nazistas. O Estado realmente forte haveria de politizar todos os domínios econômicos, culturais, religiosos e assim por diante, sem, contudo, conferir qualquer substância à política.

Neste momento de crise econômica e política internacional, a fórmula do Estado forte plebiscitário carrega consigo uma bomba contra a democracia representativa. Todo mundo sabe que num Estado forte o plebiscito tende a ser uma farsa. Imagine-se o que seria no Brasil, cuja organização representativa nos dias de hoje se esfarela como na República de Weimar. Por todos os lados surgem protestos pelos canais menos esperados. O atual sistema político não consegue responder a eles. E assim se cria aquela situação em que se espera por um salvador da Pátria: Jânio, Collor...

O antídoto não é melhorar nossas formas de representação? Como criar instituições representativas capazes de articular as novas demandas sociais, incluídas as que filtram pela internet? Pouco adianta termos eleições regulares quando, a cada eleição, mingua a qualidade da representação. No entanto, já nestas eleições, apesar das falhas de legislação, é possível melhorar sua qualidade.

Não vale simplesmente afirmar que a atual Presidência é de esquerda e, por isso, cabe apoiá-la seja lá como for. "Ser de esquerda" hoje em dia diz muita coisa. Se 20 milhões de pessoas entraram para o consumo, cabe perguntar desde logo se isso foi associado ao fortalecimento da produção nacional, impedindo assim que essa situação se reverta. Por si só consumo não cria oferta.

Por princípio, ser de esquerda implica agir politicamente tendo em vista modificar um sistema econômico e político que cria riquezas aumentando injustiças sociais. Mas cabe aos seus intelectuais estarem sempre atentos às novas formas de um sistema que se reinventa a cada crise. O intelectual de esquerda conservador, aquele que repete fórmulas criadas há mais de cem anos, é uma caricatura.

Ser contra o Estado forte e totalitário implica pensar novas formas de representação. Ser contra o capitalismo demanda uma análise cuidadosa de como se forma agora o excedente econômico, levando em conta a clivagem dos mercados transpassados pela luta por novas tecnologias. Depois das experiências do "socialismo real", a mera supressão dos mercados me parece um ideal fora do horizonte. Como é possível, então, conciliar mercados e representação popular? Urge erradicar o defeito do formalismo e do discurso matraca. Enquanto isso, convém não cuspir nas instituições democráticas que já temos, por mais defeituosas que sejam.

JOSÉ ARTHUR GIANNOTTI É PROFESSOR DE FILOSOFIA DA USP APOSENTADO

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 09 / 02 / 2014

Correio Braziliense
"País tem Vale do Silício a apenas 130 km do DF"

Cristalina tem bilhões de toneladas de silício

Conhecido pela abundância de cristais, o município de Cristalina tem silício com o mais elevado índice de pureza do mundo, 99,99%. Matéria-prima essencial para a fabricação de componentes tecnológicos, a reserva goiana é ignorada pelo Brasil e segue subaproveitada. A exemplo da Califórnia, nos EUA, o local poderia abrigar um importante parque industrial de alta tecnologia. “Esse vale é o Oriente Médio do século 21”, profetiza o empresário Eduardo Fernandes (foto), que tem a patente de pedra exclusiva descoberta na cidade.

Estado de Minas

"Muito além do cafezinho"

Grãos especiais cultivados em Minas rendem bebidas sofisticadas e grandes negócios

Um novo nicho impulsiona o campo, a indústria, o comércio, os serviços e até o turismo nas lavouras. Série de reportagens do EM revela como os cafés especiais garantiram a 55 municípios mineiros o primeiro certificado no país de produtores de mercadoria de excelente qualidade, a exemplo dos melhores vinhos franceses. Enquanto o crescimento do consumo do produto tradicional fica em 2,5% ao ano, o do especial chega a 15%. O segredo do sucesso começa no cultivo sustentável com adubo orgânico e na seleção natural das melhores sementes, que propiciam a fragrância, o sabor e a acidez da bebida e dispensam açúcar e adoçante. E vai além com drinques e milks à base de café. Uma fazenda de Carmo de Minas venceu concurso organizado pela Brazil Specialty Coffe Association. A saca, que valia R$ 500, deve ser negociada por R$5 mil em março.

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