sábado, fevereiro 08, 2014

Dominique


Opinião

A oposição parece acordar

O Estado de S.Paulo
Antes tarde do que nunca, a oposição dá sinais de que começa a despertar da profunda letargia em que esteve mergulhada nos últimos anos, desde que o PT assumiu o poder. Exímio manipulador das massas com a sedução de seu populismo despudorado, durante os oito anos de mandato presidencial Lula conquistou índices estratosféricos de aprovação popular e, vendendo a falácia de uma "herança maldita", deu um nó na oposição. Esta não teve competência, nem disposição, para impedir a reeleição de 2006, apesar da eclosão, em 2005, do escândalo do mensalão. Daí para a frente o lulopetismo se firmou no poder. Deu-se ao requinte de impor um poste para sua sucessão. A patranha de que sua candidata era uma gerente competente, somada a seu prestígio, foi bastante para eleger Dilma, mas não para esconder, depois, o fracasso administrativo que é este governo.

O Brasil de hoje não é o mesmo de três anos atrás. Dilma Rousseff não tem nem de longe o carisma de seu antecessor - embora desfrute de grande popularidade - e enfrenta enormes dificuldades para administrar o insaciável apetite do PT pelo poder e a ganância por vantagens de uma base aliada tão ampla quanto infiel. O que existe hoje é um desgoverno escandalosamente alicerçado sobre o fisiologismo, a preocupação eleitoreira com as aparências e, de quebra, um anacrônico dogmatismo ideológico. Aí estão, para comprová-lo, os indicadores econômicos persistentemente insatisfatórios; a incapacidade de cumprir orçamentos e prazos até nos projetos prioritários do PAC; a ameaça de um vexame internacional que tem deixado a Fifa de cabelos em pé com as obras para a Copa do Mundo; e, sobretudo, a crescente insatisfação difusa dos brasileiros com "tudo isso que está aí" transbordando para as ruas desde junho do ano passado.

Isso tudo até a oposição já está conseguindo enxergar.

O teor das declarações feitas nas últimas semanas pelos principais pré-candidatos a enfrentar Dilma Rousseff nas urnas de outubro parece indicar que as lideranças oposicionistas finalmente estão dispostas a deixar seu berço esplêndido e assumir postura mais contundente diante do desgoverno que aí está, deixando de se comportar "quase como se pedissem desculpas ao País por se opor a Lula e ao PT", como observou Dora Kramer em sua coluna (5/2).

Aécio Neves, pré-candidato do PSDB: "Sob o pretexto das festas de fim de ano, a presidente volta à TV para fazer autoelogio e campanha eleitoral (...). Apenas como exemplo, na ilha da fantasia a que a presidente nos levou mais uma vez, a qualidade do ensino tem melhorado e a criação de creches é comemorada. Enquanto isso, no Brasil real, os resultados dos testes internacionais demonstram o contrário". E ainda, já em janeiro: "Em relação aos leilões do Galeão e do Aeroporto Tancredo Neves, em Confins (MG), a grande constatação é de que, quando o PT acompanha a agenda proposta pelo PSDB, o PT acerta. O lamentável é que essas concessões venham com dez anos de atraso".

Ainda em novembro, preenchendo uma lacuna que chamara a atenção já no pleito presidencial de 2002, o senador mineiro havia deixado claro que Lula também está na mira da oposição tucana: "O presidente Lula tem que parar de brigar com a história. Se não houvesse o governo do Fernando Henrique, com a estabilidade econômica, com a modernização da economia, não teria havido sequer o governo do presidente Lula".

Por sua vez, Eduardo Campos, governador de Pernambuco, ex-ministro de Lula, pré-candidato do PSB, também foi incisivo ao apresentar o seu programa de governo: "O País saiu dos trilhos (...) esse pacto social novo que está no seio da sociedade brasileira não tolera mais esse velho pacto político que mofou e que não vai dar nada de novo e de bom ao povo brasileiro. Não há nesse país, em nenhum recanto onde possamos andar, ninguém que ache que mais quatro anos do que está aí vai fazer bem ao povo brasileiro". E ainda: "Não há política social que faça efeito sem desenvolvimento. É o que estamos vendo agora: crescimento do analfabetismo, emprego perdendo qualidade, País perdendo competitividade. Vamos legar o quê para as futuras gerações?".

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 08 / 02 / 2014

Estado de Minas
"Inflação assombra o interior"

Cidades mineiras de vida mais tranquila e teoricamente mais barata sofrem com alta de preços maior do que a da capital.

Dos quatro municípios que têm índices próprios medidos por institutos de pesquisa das universidades locais, três tiveram em 2013 aumento do custo de vida bem maior do que o de BH (veja arte) e do que a inflação do país (5,91%). A exceção foi Uberlândia, no Triângulo. Em Lavras, no Sul de Minas, e Viçosa, na Zona da Mata, tipicamente universitárias, a alta dos aluguéis e serviços pessoais e a falta de concorrência no varejo foram alguns dos itens que mais pressionaram os indicadores. Outro vilão foi a deficiência de logística, que onera o transporte de alimentos e outras mercadorias. Isso afeta também Montes Claros, no Norte de Minas, distante 420 quilômetros da Ceasa Minas, em Contagem, para onde muitos produtos agrícolas da própria região viajam para ser vendidos e voltar ao comércio local.

Estado de São Paulo

"Sob pressão, João Paulo Cunha renuncia a mandato"

Preso na Papuda, deputado poderia enfrentar processo de cassação; em carta, ele afirma que toma a decisão ‘com a consciência do dever cumprido’

O deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP), preso desde terça-feira por sua condenação no processo do mensalão, renunciou ao mandato na noite desta sexta-feira, 7. Em uma carta curta encaminhada à Câmara, o parlamentar diz que deixa a função "com a consciência do dever cumprido". "É com a consciência do dever cumprido e baseado nos preceitos da Constituição Federal e no Regimento Interno da Câmara dos Deputados que eu renuncio ao meu mandato de deputado federal", diz João Paulo. A carta tem ainda uma citação do escritor e jornalista cubano Leonardo Padura: "...pois a dor e a miséria figuram entre aquelas poucas coisas que, quando repartidas, tornam-se sempre maiores".

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sexta-feira, fevereiro 07, 2014

Olhos azuis...


Coluna do Celsinho

Campo aberto

Celso de Almeida Jr.

Neste ano escolheremos Presidente, Governador, Senador, Deputado Federal e Deputado Estadual.

É, portanto, ocasião para aprovar ou reprovar, nos níveis em questão, a conduta de nossos governantes e legisladores.

Mantendo a tradição, a atenção nacional para o assunto só ganhará força após a Copa do Mundo.

Paciência...

Ainda somos um povo mais mobilizado por novelas e belos dribles do que por questões políticas e estratégicas.

É evidente que os movimentos de rua, a exemplo do que ocorreu em 2013, voltarão a ocorrer.

A diferença é que, possivelmente, veremos mais grupos instrumentalizados por interesses próprios do que uma movimentação espontânea, de caráter pacífico, como aparentou ser o desejo da maioria dos manifestantes do ano passado.

Os repetidos episódios de violência desarticularam a mobilização cívica e evidenciaram que "tem caroço nesse angu."

Num cenário destes, prever quais agremiações políticas sairão vitoriosas é difícil exercício de futurologia.

As muitas variáveis que englobam o tema, entretanto, sinalizam que o quadro é oportuno para novas lideranças, inclusive as mais conservadoras.

À conferir.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique


Opinião

Modelo elétrico danoso

O Estado de S.Paulo
Relatórios do governo sobre o setor elétrico, assim como suas tentativas de justificar apagões como o de terça-feira passada, podem transmitir ao público a falsa sensação de que o sistema nacional de energia elétrica vai bem e continua a se expandir. No caso da rede de transmissão, por exemplo, a expansão tem sido contínua, com aumento de quase 28% entre 2007 e 2013, embora a maioria dos projetos esteja atrasada. O que os frequentes apagões demonstram, porém, é que a expansão da rede, embora necessária, não é suficiente para dar segurança ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

O programa de expansão da capacidade do setor elétrico adotado pelo governo do PT, baseado na construção de grandes unidades geradoras em locais cada vez mais distantes dos principais centros de consumo, tornou essencial o papel da rede de transmissão na preservação da capacidade operacional de todo o sistema. E a rede tem crescido. Apesar de levantamentos da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) apontarem que 227 de 448 obras de construção, ampliação e requalificação de linhas e subestações estão atrasadas, números do Ministério de Minas e Energia indicam que a malha vem se expandindo com rapidez. De 2007 a 2013, a rede passou de 91,3 mil quilômetros para 116,8 mil quilômetros, e a previsão é de que, até 2016, entrem em operação mais 26,7 mil quilômetros de linhas.

No entanto, para que a rede de transmissão desempenhe com eficácia e confiabilidade seu papel, não basta apenas expandi-la. É preciso investir também na manutenção e na segurança do sistema já existente, para reduzir os riscos de acidentes que provoquem a interrupção do abastecimento. Mas a imposição, pelo governo, de um novo modelo para o setor vem inibindo os investimentos em manutenção e modernização da rede. O resultado é a perda de eficiência e o aumento do risco de pane do sistema.

O modelo de renovação das concessões nas áreas de geração e transmissão de energia elétrica imposto às empresas do setor pelo governo em 2012, por meio da Medida Provisória 579, paralisou os investimentos das antigas concessionárias. Segundo as empresas, a proposta de renovação das concessões implicava na prática a transferência de todos os seus ativos para a União, e elas passariam a ser remuneradas pela operação e manutenção da rede, não mais pelos ativos, o que desestimulou novos investimentos.

As empresas que não renovaram as concessões, de sua parte, ficaram sem garantias de que os novos investimentos serão contabilizados pela Aneel. Se o investimento não resultar em aumento da capacidade do sistema, a Aneel não o reconhecerá como tal, razão pela qual a empresa ficará sem a remuneração correspondente. Obviamente, nenhum empreendedor investirá se não tiver a expectativa de que seu investimento será remunerado. Assim, obras já previstas atrasaram, outras foram suspensas.

Mesmo no caso de investimentos em expansão da malha, há informações de projetos que ficaram no papel. "Todo mundo está fazendo o básico, não há qualquer estímulo para aprimorar a infraestrutura", disse ao jornal Valor (6/2) o diretor executivo da Associação Brasileira das Grandes Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (Abrate), Cesar de Barros.

Além das falhas do novo modelo imposto ao setor pelo governo Dilma - que, para evitar o aumento das tarifas em ano eleitoral, terá de transferir até R$ 18 bilhões do Tesouro para empresas geradoras, distribuidoras e transmissoras de energia elétrica -, a execução do programa de ampliação do sistema tem enfrentado problemas variados. Entre eles estão as dificuldades para o cumprimento do cronograma das obras por diferentes motivos e a falta de sincronia entre as obras de geração e as de transmissão.

Na prática, por causa dos atrasos, a transmissão está sempre atrás da geração. Cada nova unidade geradora que entra em operação sem a necessária ampliação da malha de transmissão, ou seu reforço para absorver volumes maiores de energia, implica mais carga sobre a rede, o que aumenta a possibilidade de ocorrência de falha.

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 07 / 02 / 2014

Estado de Minas
"Inflação assombra o interior"

Cidades mineiras de vida mais tranquila e teoricamente mais barata sofrem com alta de preços maior do que a da capital.

Dos quatro municípios que têm índices próprios medidos por institutos de pesquisa das universidades locais, três tiveram em 2013 aumento do custo de vida bem maior do que o de BH (veja arte) e do que a inflação do país (5,91%). A exceção foi Uberlândia, no Triângulo. Em Lavras, no Sul de Minas, e Viçosa, na Zona da Mata, tipicamente universitárias, a alta dos aluguéis e serviços pessoais e a falta de concorrência no varejo foram alguns dos itens que mais pressionaram os indicadores. Outro vilão foi a deficiência de logística, que onera o transporte de alimentos e outras mercadorias. Isso afeta também Montes Claros, no Norte de Minas, distante 420 quilômetros da Ceasa Minas, em Contagem, para onde muitos produtos agrícolas da própria região viajam para ser vendidos e voltar ao comércio local.

Correio Braziliense

"Uma tragédia em quatro atos"

Rompimento de adutora na EPTG deixa um morto, quatro feridos e 120 mil sem água.

Especialistas apontam série de falhas — cansaço, inexperiência, falta de orientação e imprudência— como a possível causa do acidente que matou um operário e feriu quatro durante reparo em adutora na EPTG. Eles trabalhavam havia 27 horas seguidas. Ainda concluíam o serviço quando a Caesb religou o sistema e houve rompimento da estrutura. Um deles morreu afogado. Outro caiu de uma altura de l0m e quebrou o fêmur. E há um internado em estado grave. O acidente interrompeu o trânsito na via expressa no sentido Plano Piloto. Moradores do Guará I e II, do Setor Lucio Costa e da Superquadra Brasília ficaram sem água. A previsão é de que o abastecimento seja normalizado na manhã de hoje.

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quinta-feira, fevereiro 06, 2014

Pitacos do Zé

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E por falar em civilidade...(LI)

José Ronaldo dos Santos
De pouco vale publicar jornais para alardear eventos na linha de "pão e circo", mas deixar passar coisas tão urgentes. Um exemplo? A Santa Casa sem condições para um simples exame de Raio X. Foi afirmação do atendente há três dias: "Só estamos agendando para o final do mês de fevereiro. Mesmo assim eu não garanto para o senhor. A máquina quebrou". Outro exemplo? O tão falado espaço de esportes e lazer do bairro do Ipiranguinha está parado. Quer conferir? Está ali, ao lado da Escola Estadual Idalina A. Graça.

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Dominique


Opinião

Apagão na manobra eleitoral

O Estado de S.Paulo
O apagão de terça-feira, que afetou a vida de mais de 10 milhões de pessoas em 13 Estados de quase todas as regiões (a exceção foi a Nordeste), surpreendeu o governo Dilma exatamente no momento em que iniciava a preparação de nova ofensiva publicitária para mostrar à opinião pública que não há nem haverá problemas de abastecimento de energia elétrica. Tendo alcançado grande êxito eleitoral em sua estratégia de politizar a questão energética, atribuindo as falhas do sistema à gestão tucana, o governo do PT pretendia agir preventivamente, para, apesar de todas as indicações em contrário, tentar mostrar que não há risco de racionamento ou corte de eletricidade nem haverá nos próximos meses, sobretudo durante a Copa do Mundo. Quaisquer que sejam suas causas técnicas - que ainda estão sendo investigadas -, porém, o mais recente apagão, o décimo de grande extensão no governo Dilma, ao mostrar mais uma vez a fragilidade do sistema, reduz a margem para a exploração político-eleitoral do problema.

Todos os funcionários do governo tentaram minimizar o impacto e a extensão do apagão de terça-feira, referindo-se, por exemplo, ao fato de que esquemas emergenciais foram imediatamente acionados para cortar o fornecimento para regiões pré-selecionadas e, assim, evitar que todo o sistema interligado fosse afetado. Também lembraram que o fornecimento começou a ser restabelecido apenas 37 minutos depois de ter sido interrompido. A interrupção deveu-se à ocorrência de problemas nas linhas de transmissão entre as estações de Serra da Mesa (GO) e Colinas (TO), na interligação dos sistemas Sudeste e Norte.

O governo não admite que haja problemas no sistema nem que o aumento da demanda nas últimas semanas, provocado pelo excesso de calor, possa ter causado sobrecarga. O máximo que o governo admite é o que o secretário-geral do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, chamou de "estresse hídrico". Não é um estresse desprezível. Além do calor, que bate recordes históricos, a chuva tem sido escassa no Sudeste e no Centro-Oeste, onde estão algumas das principais usinas hidrelétricas do País. O nível dos reservatórios dessas regiões alcança apenas 41,5% de sua capacidade, menos do que os 45,5% registrados em fevereiro do ano passado, também de muito pouca chuva.

Quanto ao consumo, pode ter sido mais do que mera coincidência o fato - reconhecido no boletim diário divulgado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) - de a falha no sistema de transmissão registrada na terça-feira ter ocorrido às 14h03, um minuto depois de o Sistema Interligado Nacional (SIN) ter registrado o pico de consumo de energia, de 83,828 MW médios.

Mas o que o governo chama de "estresse hídrico" é apenas um elemento a mais - fora do controle das autoridades, reconheça-se - que se soma a uma cadeia de ações que não deixaram o sistema elétrico brasileiro mais eficaz, mas o tornaram bem mais caro para o Tesouro.

Obras mal planejadas, demora no licenciamento ambiental, problemas fundiários, entre outros obstáculos, atrasaram a construção de usinas hidrelétricas. Erros de planejamento impediram que usinas geradoras concluídas a tempo pudessem operar porque não havia linhas de transmissão de energia.

Eleita em 2010 por ter sido - como a descreveu seu antecessor e padrinho político Lula - a grande gerente do programa do PT para o setor de energia, a presidente Dilma tentou mostrar na prática que merecia o título. Impôs a todas as empresas do setor um modelo que, a título de reduzir as tarifas de energia elétrica para o consumidor final, causou perdas e desestimulou investimentos. Esse modelo resultou também em gastos adicionais para o Tesouro, de R$ 9 bilhões em 2013, a título de compensação para as empresas distribuidoras pelas perdas em que incorreram com a redução compulsória das tarifas.

O uso das usinas termoelétricas para compensar a redução da produção das hidrelétricas igualmente imporá custos adicionais que, em ano eleitoral, o governo evitará repassar para os consumidores. Será nova conta para o Tesouro.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 06 / 02 / 2014

Estado de Minas
"Evaporou"

Baixo nível das represas de hidrelétricas agrava risco de apagão

O volume do lago de Três Marias é o menor já medido na primeira semana de fevereiro: apenas 26,6%, quando a média nesta época é de 96,2%. A água está 13,8 metros abaixo do que deveria. Com isso, a produção de energia ficou 37% abaixo da capacidade da usina. A situação é semelhante nas barragens de outras hidrelétricas de Minas e das regiões Sudeste e Centro-Oeste. E próxima à ocorrida em 2001, quando houve racionamento. Em contrapartida, devido ao forte calor, o consumo de eletricidade bate recordes no país. A sobrecarga no sistema aumenta a possibilidade de blecautes, como o que deixou 6 milhões de pessoas de 13 estados e Distrito Federal sem luz na quarta-feira, embora o governo minimize o problema, considerando-o pontual. Se não vier chuva em boa quantidade nos próximos dois meses, antes da estação seca, as termelétricas terão de funcionar a plena carga, encarecendo a conta para os consumidores. Rodízio de água pode ser prorrogado em Juiz de Fora. Copada garante oferta na grande BH.

Correio Braziliense

"O último crime do mensaleiro"

Preso na Itália com passaporte falso, Henrique Pizzolato tem dupla cidadania e dificilmente será extraditado para o Brasil.

Condenado a 12 anos e 7 meses, o ex-diretor de Marketing do BB não respeitou nem a família para evitar a cadeia. Na fuga, planejada desde 2007, conforme mostrou o Correio na edição de domingo, ele usou documento (acima) com o nome do irmão Celso, falecido em 1978. Mas o petista deixou pistas no Aeroporto de Ezeiza, em Buenos Aires, e foi localizado ontem pela Polícia Federal em Maranello, a 322km de Roma. A Procuradoria-Geral da República já deu início ao processo para que a Itália envie o criminoso de volta para o Brasil. Mas magistrados do STF e juristas acreditam que o pedido não será acatado. “É uma medida absolutamente inócua, porque se sabe por antecipação, com base na legislação italiana, qual será a resposta das autoridades daquele país", avalia o ministro Celso de Mello.

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quarta-feira, fevereiro 05, 2014

Dominique


Opinião

Um soco na cara de cada um de nós

Aloísio de Toledo César* - O Estado de S.Paulo
A primeira página do Estado de ontem trouxe uma fotografia bastante significativa, na qual o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, e o petista André Vargas (PR), vice-presidente da Câmara dos Deputados, aparecem sentados lado a lado, na sessão de reabertura do Congresso Nacional.

Naquele momento, quem teve motivos para tapar o nariz foi o ministro Joaquim Barbosa, que engoliu em seco e manteve a postura ante o gesto grosseiro, ofensivo, do petista André Vargas, próprio de quem tem a alma pequena. Realmente, sem o menor respeito pela figura que neste momento talvez seja a mais respeitada do País, Vargas propositadamente levantou o punho para o alto, assim como José Dirceu e José Genoino fizeram no momento em que eram levados para detrás das grades.

Foi tudo o que a sua inteligência permitiu no propósito obsceno de agredir o julgador do mensalão, sem que o autor dessa grosseria percebesse que o seu gesto representava muito mais um tapa na cara do País, e de cada um de nós, e não no ministro, que manteve a frieza e não lhe deu a resposta que muitos de nós gostaríamos de dar naquele momento.

O que quer dizer o gesto de levantar os punhos para o alto, e ameaçar, como fizeram os petistas presos e também muitos outros, nas reuniões do partido? Com certeza, não é para exibir minguados músculos, mas, sim, para demonstrar publicamente que sempre foram e continuam sendo a favor da corrupção e do uso de dinheiro público para ser utilizado em seu projeto político de perpetuação no poder, bem como para enriquecer a eles próprios.

Essa expressão "enriquecer a eles próprios" é bastante apropriada, especialmente em relação ao chefe do bando, José Dirceu, que saltou da condição de simples funcionário da Assembleia Legislativa paulista para a de morador de condomínio luxuoso em Vinhedo, além de usufruir avião sempre disponível e finíssimo escritório na Avenida República do Líbano, em São Paulo, onde fazia o trabalho de "assessoria".

Quando se fala em "bando" não se trata de exagero, mas tão somente daquilo que foi apurado, provado e julgado pelo Supremo Tribunal Federal, no mais significativo processo de a história de nossa mais alta Corte. Os principais integrantes da quadrilha foram condenados e estão na cadeia, algo que jamais havia acontecido no País quando se tratava de pessoas poderosas e com recursos para pagar os mais caros advogados.

Contra a prova dos autos de nada adiantaram os esforços dos advogados que atuaram no processo do mensalão. Nenhum deles teve êxito em sua defesa, não por falta de competência ou de empenho, mas porque, lamentavelmente para eles, as provas se mostraram robustas e convincentes. Apenas o advogado do petista João Paulo Cunha conseguiu retardar a expedição do auto de prisão de seu cliente, mas por pura sorte, uma vez que, na correria para entrar em férias e viajar para o exterior, o ministro Joaquim Barbosa deixou de assinar o mandado. E os substitutos Cármen Lúcia e Ricardo Lewandowski escorregaram dessa atribuição, quando o País esperava que fizessem o contrário e eles detinham poder para tanto - justamente na condição de substitutos do presidente da Corte Suprema.

Diante dos esforços do Partido dos Trabalhadores para atacar o ministro Joaquim Barbosa e procurar convencer os brasileiros de que se tratou de um julgamento político, e não ocorreu crime algum, é importante lembrar o projeto de perpetuação no poder que se percebeu na conduta dos petistas desde que um deles se sentou na cadeira de presidente da República, com a caneta na mão.

Em verdade, os petistas gostaram - e gostaram muito - de chegar ao poder, e por isso mesmo resolveram pôr em execução um plano de feição ora populista, ora socialista, para ali se manterem pelo resto de sua vida.

Para tanto tinham necessidade de obter a docilidade dos componentes do Congresso Nacional, sem o que não lograriam aprovar as leis que lhes interessavam. Mas como fazer isso sem dinheiro? Curioso, quando dizem que não houve assalto aos cofres públicos, mas tão somente um programa de "auxílio aos partidos", eles estão certos em parte.

Só que o programa com dinheiro público, que teria em vista fortalecer os partidos políticos, e dessa forma contribuir para uma democracia melhor, serviu antes de tudo para encher os bolsos de cada parlamentar que se aliava aos petistas e dos próprios petistas envolvidos na conduta criminosa.

Quando José Dirceu, José Genoino, André Vargas e tantos outros levantam os punhos para o alto, sugerindo coragem e determinação, na verdade pretendem demonstrar que a luta deles continua. Mas que luta é essa? Uma luta para acabar com a corrupção no País e para que sempre prevaleçam o dinheiro e a justiça?

Não, o que eles sugerem com esse gesto é que, se puderem, vão continuar a fazer aquilo em que se tornaram especialistas. Em verdade, eles parecem haver gostado de avançar no dinheiro público e distribuí-lo a seu gosto entre os aliados e eles próprios.

Portanto, com o mesmo gesto de punho cerrado pretendem demonstrar que a luta pelo socialismo continua e assim conseguirão, talvez, enganar algumas pessoas. Mas nunca enganarão quem lê jornais e está informado de uma realidade incontestável: a rigor, só restam no mundo dois países verdadeiramente comunistas - um é a Coreia do Norte, aquele horror de ditadura, e o outro é Cuba, infelizmente, encravada social e economicamente pela teimosia do mais longevo ditador dos nossos tempos, Fidel Castro.

O namoro da presidente Dilma Rousseff, no momento, é com a ilha cubana. Seria muito bom que ela voltasse os olhos para o oriente e convidasses os comunistas de seu partido para uma vista à Coreia do Norte, e não somente a Cuba, onde faz pesados investimentos.

*Aloísio de Toledo César é desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo. E-mail: aloisio.parana@gmail.com

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 05 / 02 / 2014

Estado de Minas
"Verba indenizatória - Eles não querem parar de gastar, mas agora aceitam licitar"

A decisão do presidente da Câmara de BH, Léo Burguês (PTdoB), de anunciar projeto de extinção da verba indenizatória sem colocá-lo em discussão gerou revolta entre os vereadores e ontem alguns usaram a tribuna para criticá-lo 

Mesmo assim, a maioria concorda com o ponto central da proposta, que é licitar as despesas de R$ 15 mil mensais, para as quais hoje basta apresentar simples notas fiscais. O Estado de Minas ouviu 37 dos 41 parlamentares e 21 disseram ser a favor da licitação, número suficiente para a aprovação do texto. Oito defendem que apenas parte dos itens, que incluem aluguel de carro, gasolina, alimentação e outros gastos para manutenção do mandato, sejam licitados.E os oito restantes ainda não têm opinião, não quiseram responder ou são indiferentes à questão.

Correio Braziliense

"Fantasma do apagão assombra o governo"

A décima queda do sistema elétrico nacional na administração de Dilma Rousseff atingiu 11 estados de quatro regiões do país e afetou 6 milhões de pessoas 

Sem identificar ainda a causa do apagão, o governo assegurou que a falha não está vinculada ao maior consumo de energia em razão do calor. As explicações não conseguiram evitar, no entanto, o constrangimento para o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Na segunda-feira, ele disse que havia “risco zero" de desabastecimento. Além de alertar para os níveis preocupantes nos reservatórios de hidrelétricas, especialistas ressaltam a necessidade de investimento para afastar o risco de apagões ou de racionamento em ano de Copa do Mundo.

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terça-feira, fevereiro 04, 2014

Dominique


Opinião

MST, 30 anos

Xico Graziano* - O Estado de S.Paulo
Há três décadas era fundado o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Naquela época, com inflação galopante, pouco importava produzir. A terra configurava excepcional reserva de valor. Por outro lado, cresciam as cidades, inchadas pelo êxodo rural, provocando crise no abastecimento popular. Tempos difíceis.

Originado na luta dos colonos gaúchos que acamparam na Encruzilhada Natalino, entre os municípios de Ronda Alta e Sarandi, o MST surgiu nos braços católicos da Teologia da Libertação. Favorecia suas ações o clima político do País. Em 1982 haviam sido, afinal, realizadas as primeiras eleições livres após o golpe militar e a oposição elegera a maioria dos governadores. No Rio Grande do Sul, Leonel Brizola brilhava com sua retórica.

Com a redemocratização em marcha, grupos alinhados à esquerda botavam suas asas para fora. No Leste, capengava o comunismo soviético; aqui, ao contrário, se animavam as ideias socialistas. Chegara a hora do ajuste de contas com o passado colonial. No campo, isso significava derrotar o latifúndio por meio da reforma agrária distributivista. "Terra para quem nela trabalha" - o slogan alimentava o sonho da justiça social.

Com José Sarney na Presidência da Nova República, o governo surpreendentemente anunciou seu ousado Plano Nacional de Reforma Agrária. Prometia assentar nos lotes, em quatro anos, 1,4 milhão de trabalhadores sem terra. A meta era, objetivamente, impossível de ser cumprida, mas todos nela acreditaram. Formulada nos anos 1960, a teoria do desenvolvimentismo nacional exigia quebrar a concentração da propriedade rural para fazer o País progredir. Reforma agrária, na lei ou na marra.

Nesse contexto vingava o MST, rivalizando com a tradicional Contag, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, entidade criada pelo sindicalismo de Getúlio Vargas. Manipulada historicamente pelo governo, a Contag tornara-se útil ao jogo do poder político. Pelega, como se dizia. A sociedade, querendo mudança, torcia pelo MST, que passou então a simbolizar a nova utopia agrária.

Durante seus 30 anos de existência o MST passou por três fases. Na primeira, logo se expandiu pelo País. Dirigida por jovens lideranças, a organização deixou o sul e rumou, inicialmente, para o Pontal do Paranapanema (SP), Pará, Mato Grosso e Pernambuco. Arregimentou e treinou quadros, articulou invasões, enraizando-se estrategicamente pelo território nacional. Aonde chegavam, contrastavam aqueles jovens loiros, de olhos claros, sotaque sulino, com as pessoas pobres e analfabetas, amorenadas pelo sol escaldante, mãos calejadas, estas parecendo ouvir profetas da redenção humana. Ninguém como o MST soube misturar a luta ideológica com o apelo messiânico.

Na segunda fase o MST radicalizou sua tática, construindo uma "fábrica de sem-terra" a partir da massa de desempregados urbanos. Até veículos com alto-falantes se utilizavam na periferia vendendo o passaporte da felicidade no campo. Bastava pagar uma taxa de inscrição, montar uma barraca de lona preta na beira da estrada e pronto: o excluído transformava-se num sem-terra. A moda pegou. Dezenas de movimentos "revolucionários", com nomes assemelhados, surgiram alhures, destinados a invadir fazendas. Jagunços gostaram da ideia, montaram seus esquemas criminosos e o banditismo rural se expandiu. Junto, cresceu a violência.

Nesse mesmo período, todavia, avançava a modernização capitalista da agropecuária. Progressivamente, quem, na verdade, estava derrotando o latifúndio era a tecnologia, a produtividade puxada rentabilidade do mercado. Mais adiante, após a estabilização da economia e a globalização, o Brasil começou a consolidar um modelo de produção rural altamente competitivo, tropicalizado, hoje admirado mundialmente. Os recordes na safra de grãos expressam facilmente tal revolução produtiva no campo. Mas na pecuária também se verificou um salto extraordinário: o Censo do IBGE mostrava, em 1980, uma relação de 0,68 cabeça de gado por hectare de pastagem; em 2006, a relação subiu para 1,1. A produção de leite por vaca/ano passou de 934 litros para 1.618 no mesmo período. Incrível.

É a modernização da agropecuária que explica, em parte, a terceira fase do MST: a decadência. Falta atualmente mão de obra em todos os setores da roça, uma escassez que eleva a remuneração do trabalho. Um tratorista, por exemplo, aufere ganhos que, em Mato Grosso, chegam a cinco salários mínimos. O que é preferível: padecer num lote distante da tecnologia e longe do mercado, ou conseguir um bom emprego, carteira assinada? Aguentar doutrinação velhaca, pagar comissão ao MST, ou crescer na vida emancipado?

Dentre as várias razões que explicam a derrocada do MST, uma delas recai sobre o sucesso da causa: o Brasil realizou, em 20 anos, a maior reforma agrária do mundo, distribuindo terras para 1,1 milhão de famílias. Dessas, 55% se encontram sob o domínio político da organização, que precisa, agora, cuidar da cria, mostrar resultado. Qualidade, não apenas quantidade. Um programa de reforma agrária, afinal, não pode virar rosca sem fim.

Perguntam-me sempre se foi importante o MST. Em termos, sim. Cumpriu papel histórico. Ao combater a terra ociosa, empurrou a burguesia agrária rumo ao progresso capitalista. Mas quando decidiu fazer justiça com as próprias mãos, tornando-se violento, manipulador dos miseráveis, passou a agredir a modernidade. Pior, ao participar do jogo da corrupção escondido entre os convênios do governo, maculou sua aura. Desviando dinheiro público, prostituiu-se.

Aos 30 anos, o MST perdeu o bonde da História. Sofre sua crise de identidade.

*Xico Graziano é agrônomo e foi secretário de Agricultura e secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. E-mail: xicograziano@terra.com.br.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 04 / 02 / 2014

Estado de Minas
"Vereadores adiam fim de verba indenizatória"

Falta de acordo na Câmara de BH atrasa projeto que acaba com a gastança extra

A proposta de extinção do subsídio – que dá a cada gabinete o direito de gastar R$ 15 mil por mês com aluguel de carro, gasolina, alimentação, telefone e outras despesas de manutenção do mandato mediante a simples apresentação de notas fiscais – seria apresentada pelo presidente da Casa, Léo Burguês (PTdoB). Ele chegou a convocar uma entrevista para anunciar a medida. Mas só informou aos colegas minutos antes. Houve bate-boca com vereadores que discordam do fim da regalia e outros que reclamaram de a questão não ter sido discutida. Burguês, então, recuou e disse que o projeto será protocolado ainda este mês, depois de debatido em comissão. A proposta que ele apresentaria previa a licitação de todas as despesas.Denúncias de uso irregular e enriquecimento ilícito com a verba já levaram à abertura de vários processos na Justiça. 

Correio Braziliense

"Por Pedrinho, por Leo, pela paz, pela vida"

O repúdio dos brasilienses à escalada do crime reacendeu a necessidade de se adotarem medidas para o Distrito Federal superar o desafio da violência 

A questão não se resume à operação tartaruga, movimento considerado ilegal pela Justiça. Especialistas e integrantes de conselhos comunitários defendem mais ações de segurança, o fim da impunidade e investimentos para reduzir a desigualdade social. Vítima de uma troca de tiros na Estrutural, o menino Pedro Henrique Pereira, de 5 anos, morreu na madrugada de ontem. Ele e Leonardo Monteiro, assassinado na quarta-feira em Águas Claras, estão entre os mais de 70 brasilienses que perderam a vida este ano em razão da insegurança pública.

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segunda-feira, fevereiro 03, 2014

Dominique


Opinião

Comunicação mais agressiva

O Estado de S.Paulo
A troca de Helena Chagas por Thomas Traumann na Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) foi uma importante vitória da caciquia do PT na luta para ampliar sua influência em uma área do governo considerada estratégica e que, até agora, estava mais ou menos blindada pela presidente Dilma Rousseff. Pode-se esperar que daqui em diante, neste ano eleitoral, a Secom deixe definitivamente de ser um órgão de Estado - cuja função, conforme seus estatutos, é a "disseminação de informações de interesse público, como direitos e serviços, e também projetos e políticas de governo" - e adote um perfil mais agressivo na defesa dos interesses específicos do lulopetismo.

A Secom foi um dos poucos órgãos do governo para os quais Dilma, ao assumir a Presidência, pôde nomear ela mesma o titular, contornando as vontades de Lula, seu criador. A escolha recaiu sobre a jornalista Helena Chagas, cujo perfil permitia supor que a Secom seria "desideologizada", isto é, perderia o caráter de aparelho partidário imposto pelo seu antecessor, o jornalista Franklin Martins.

No cargo, Franklin passou o segundo mandato de Lula fortalecendo o sistema de comunicação do governo e empenhando-se em levar adiante um projeto de regulamentação da mídia que incluísse uma óbvia tentativa de controlar conteúdos jornalísticos. Dilma sempre teve o cuidado de evitar esse assunto e chegou a dizer que "o único controle de conteúdo admissível é o controle remoto da TV".

Além disso, Franklin promoveu a pulverização de verbas de publicidade do governo - outra atribuição crucial da Secom -, premiando veículos simpáticos ao governo. Com a entrada de Helena Chagas, o critério de investimento publicitário voltou a ser técnico: recebem mais verbas os veículos de maior audiência, pois o objetivo da comunicação oficial é atingir o maior número possível de pessoas.

Esse comportamento contrariou a militância petista, que construiu uma rede de blogs dedicados a fazer a defesa incondicional do governo e esperava ser muito bem remunerada por esse serviço. As verbas até foram liberadas, mas não no volume exigido pelos militantes, que não compreendem por que o governo prefere anunciar em veículos independentes, que lhe são críticos, e dá menos dinheiro aos que lhe servem como apaixonados advogados.

A pressão petista contra esse estado de coisas foi violenta. Em recente reunião do partido que tratou do assunto, segundo relato de O Globo, um dos presentes chegou a qualificar a comunicação do governo de "porcaria", criticou o corte de recursos destinados aos blogs governistas e cobrou uma melhor estratégia de comunicação do governo nas redes sociais.

A queda de Helena Chagas deve ser lida nesse contexto, assim como sua substituição por Thomas Traumann. Ex-porta-voz de Dilma, ele é tido como um profissional mais agressivo que sua antecessora e afinado com Franklin Martins, que deve ser um dos principais chefes da campanha de Dilma. A intenção, portanto, é facilitar a sinergia entre a comunicação do governo, do PT e da campanha da presidente à reeleição, com óbvio prejuízo para a informação institucional - apartidária por definição.

Um dos campos preferenciais da nova estratégia de comunicação é o das redes sociais, das quais Traumann já cuidava no governo. É nelas que os militantes governistas empreendem sua guerra suja, com a disseminação de informações falsas ou distorcidas para louvar conquistas inexistentes do lulopetismo e para destruir a reputação de opositores.

Assim, que não se tome pelo valor de face um vídeo recém-divulgado em que Lula pede que haja comedimento nas redes sociais. O que Lula quer não é reduzir as agressões contra os adversários do PT, pois são justamente elas que mobilizam a militância - como bem sabe o ex-presidente, useiro em proferir diatribes quando está no palanque -, mas sim profissionalizá-las. Ao dizer que a internet precisa ser explorada com parcimônia e respeito, Lula espera, na verdade, que a militância seja menos voluntarista e se atenha a uma estratégia de comunicação muito bem definida, urdida por quem realmente entende do assunto.

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 03 / 02 / 2014

O Globo
"Economistas reduzem projeção para inflação, mas elevam a do câmbio"

Boletim Focus mostra perspectiva de IPCA a 6% e dólar a R$ 2,47 no ano

Economistas de instituições financeiras reduziram ligeiramente a expectativa para a inflação, mostrou a pesquisa Focus do Banco Central divulgada nesta segunda-feira. Os economistas reduziram a projeção para a inflação em 2014 a 6%, ante 6,02% na pesquisa anterior.
As expectativas em relação ao câmbio, porém, pioraram. Os especialistas consultados pelo Banco Central passaram a considerar que o dólar deve terminar o ano cotado a R$ 2,47, contra R$ 2,45 na semana passada.

O Estado de S. Paulo
"Só 4% passam por qualificação para ter seguro-desemprego"

Governo não consegue disponibilizar curso exigido para que benefício seja pago a trabalhador e 96% acabam dispensados

O governo tentou, mas na prática não conseguiu apertar as regras para pagamento do seguro-desemprego. A medida, que tem como objetivo reduzir os gastos com esse benefício, não vingou. De cada 100 pessoas que pediram o auxílio nos dois últimos meses do ano passado, 96 foram liberadas da exigência de se matricular em um curso de qualificação profissional. A quantidade de pessoas que, de fato, fizeram o curso pode ser ainda menor que os quase 31 mil demitidos, já que esse levantamento não mostra se os beneficiários chegaram a efetivar a matrícula em uma das instituições que oferecem cursos de qualificação profissional por meio do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).

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domingo, fevereiro 02, 2014

Dominique


Opinião

Mudar, com pé no chão e visão de futuro

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO - O Estado de S.Paulo
As pesquisas eleitorais estão a indicar que os eleitores começam a mostrar cansaço. Fadiga de material. Há 12 anos o lulopetismo impõe um estilo de governar e de se comunicar que, se teve êxito como propaganda, demonstra agora fragilidade. Toda a comunicação política foi centralizada, criou-se uma rede eficaz de difusão de versões e difamações oficiais pelo País afora, os assessores de comunicação e blogueiros distribuem comunicados e conteúdos a granel (pagos pelos cofres públicos e empresas estatais) e se difundiu o "Brasil maravilha", que teria começado em 2002. Ocorre que a realidade existe e às vezes se produz o que os psicólogos chamam de "incongruências cognitivas". Enquanto os efeitos das políticas de distribuição de renda (criadas pelos tucanos) eram novidade e a situação fiscal permitia aumentos salariais sem acarretar consequências negativas na economia, tudo bem. O cântico de louvor da propaganda encontrava eco na percepção da população.

Desde as manifestações de junho passado, que pegaram governo, oposição e sociedade de surpresa, deu para ver que nem tudo ia bem. A insatisfação estava nas ruas, a despeito das melhorias inegáveis do consumo popular e de alguns avanços na área social. É que a própria dinâmica da mobilidade social e da melhoria de vida e, principalmente, o aumento da informação geram novas disposições anímicas. As pessoas têm novas aspirações e veem criticamente o que antes não percebiam. Começam a desejar melhor qualidade, mais acesso aos bens e serviços e menos desigualdade.

O estopim imediato da reação popular foram os gastos da Copa, o custo do transporte, a ineficiência, a carestia e a eventual corrupção nas obras públicas. Ao lado disso, a péssima qualidade do transporte urbano, da saúde, da educação, da segurança, tudo de cambulhada. Nada é novo, nem a reação provocada por esse mal-estar se orientou, de início, contra um governo específico ou um partido. Significou o rechaço de tudo o que é autoridade. Na medida em que o governo federal reagiu propondo "pactos", que não deslancharam, e vestiu a carapuça, a tonalidade política mudou um pouco. Mas o rescaldo dos protestos - e não esqueçamos que eles têm causas - foi antes a criação de um vago sentimento mudancista do que um movimento político com consciência sobre o que se quer mudar.

Os donos do poder e da publicidade perceberam a situação e se aprestam a se apresentar com máscaras novas. Só que talvez a população queira eleger gente com maior capacidade organizacional e técnica, que conheça os nós que apertam o País e saiba como desatá-los. Essa será a batalha eleitoral do ano em curso. O petismo, solidário com os condenados do mensalão a ponto de coletar "vaquinhas" para pagar as dívidas deles, porá em marcha seus magos para dizer aos eleitores que são capazes da renovação.

E a oposição? Terá de desmascarar com firmeza, simplicidade e clareza truque por truque do adversário e, principalmente, deverá mostrar um caminho novo e convencer os eleitores de que só ela sabe trilhá-lo. Os erros da máquina pública, seu custo escorchante, a incompetência política e administrativa estão dando show no dia a dia. As falhas aparecem nas pequenas coisas, como na confusão armada a partir de uma simples parada da comitiva presidencial em Lisboa, e nas mais graves, como o inexplicável sigilo dos gastos do Tesouro para financiar obras em "países amigos". Isso abriu espaço, por exemplo, para o futuro candidato do PSDB dizer, com singeleza: "Uai, pena que a principal obra da presidente Dilma tenha sido feita em Cuba, e não no Nordeste, tão carente de infraestrutura". Sei que há razões estratégicas a motivar tais decisões. Mas na linguagem das eleições o povo quer saber "quanto do meu foi para o outro". E disso se trata: em quem o eleitor vai confiar mais para que suas expectativas, seus valores e interesses sejam atendidos.

Daí que a oposição deve concentrar-se no que aborrece o povo no cotidiano, sem desconhecer os erros macroeconômicos, que não são poucos.

Quanto à insegurança causada pela violência e pelo banditismo, é preciso reprimi-los e está na hora de o PSDB apresentar um plano bem embasado de construção de penitenciárias modernas, inclusive algumas sob a forma de parcerias público-privadas, como foi feito em Minas Gerais. É o momento para refazer a Lei de Execuções Penais e incentivar os mutirões que tirem das prisões quem já cumpriu pena, como também pôr fim, como está fazendo São Paulo, às cadeias em delegacias e, ainda, incentivar os juízes à adoção de penas alternativas.

Não será possível, sem negar eventuais benefícios de mais médicos, mostrar que a desatenção às pessoas, as filas nos hospitais, a demora na assistência aos enfermos, nada mudou? E que isso se deve à incompetência e à penetração de militantes partidários na máquina pública?

Por que não mostrar que o festejado programa Minha Casa, Minha Vida tem um desempenho ruim quando se trata de moradias para a camada de trabalhadores também pobres, mas cuja renda ultrapassa a dos menos aquinhoados, teoricamente atendidos pelo programa? Sobra uma enorme parcela da população trabalhadora sem acesso à casa própria, tendo de pagar aluguéis escorchantes.

Isso para não falar de um estilo de governo mais simples, mais honesto, que diga a verdade, mostre os problemas e não se fie no estilo "Brasil maravilha". De um governo mais poupador de impostos, reduzindo-os para todos e não apenas para beneficiar as empresas "campeãs" ou "estratégicas". As oposições precisam ser mais específicas e mostrar como reduzirão os absurdos 39 ministérios, como eliminarão o inchaço de funcionários e fortalecerão critérios profissionais para as nomeações. Também chegou a hora de uma reforma política e eleitoral. Não dá para governar com 30 partidos, dos quais boa parte não passa de legenda de aluguel.

Em suma, está na hora de mudar e quem tem a boca torta pelo cachimbo da conivência com a corrupção, o desperdício e a incompetência administrativa, por mais que faça mímica, não é capaz dessa proeza. O passado recente teve suas virtudes, mas se esgotou. Construamos um futuro de menos arrogância, com realismo e competência, que nos leve a dias melhores.

SOCIÓLOGO, FOI PRESIDENTE DA REPÚBLICA

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 02 / 02 / 2014

O Globo
"Número de ônibus queimados em São Paulo sobe para 35"

Coletivo foi incendiado na madrugada deste domingo na Zona Sul; ninguém ficou ferido

Mais um ônibus foi incendiado em São Paulo, fazendo o número de coletivos queimados na cidade em 2014 subir para 35. Segundo a Polícia Militar, um veículo da Viação Mobil Brasil estava estacionado no ponto final na Avenida Senador Vitorino Freire, nas proximidades do número 100, no bairro de Cidade Ademar, na Zona Sul de São Paulo. De acordo com a PM, por volta da meia-noite deste domingo, quatro homens armados em duas motos ordenaram que o motorista e o cobrador do ônibus descessem do coletivo e atearam fogo nele. O Corpo de Bombeiros foi acionado e apagou o fogo, mas o ônibus ficou completamente destruído. Segundo a Polícia Militar, ninguém ficou ferido. O caso será registrado no 98º Distrito Policial (Jardim Miriam).

O Estado de S. Paulo
"Brasil vai gastar quatro vezes mais com segurança na Copa do que a África do Sul"

Edição anterior do Mundial custou cerca de R$ 400 milhões aos cofres do país africano

O Brasil vai gastar quatro vezes mais com segurança na Copa do que a África do Sul destinou ao Mundial há quatro anos. Dados oficiais apontam que os sul-africanos investiram cerca de R$ 400 milhões para garantir a segurança do evento. Na época, a Fifa já havia alertado que esse quesito seria fundamental para delegações e torcedores, em um país conhecido por sua alta taxa de criminalidade. Mas não era apenas a questão da violência urbana que preocupava a Fifa. Desde os ataques de 11 de setembro de 2001, a entidade passou a avaliar que a Copa também poderia ser usada como um palco para ataques terroristas. De fato, meses depois dos atentados à torres gêmeas, em Nova Iorque, e ao Pentágono, em Washington, a empresa que garantia o seguro da Copa de 2002 no Japão anunciou que estava rompendo o contrato.

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