sábado, janeiro 11, 2014

Dominique


Opinião

O despreparo da governadora

É perda de tempo, a esta altura, discutir se o Maranhão é um caso extremo do conhecido pesadelo prisional do País ou se o terror que se abateu sobre São Luís na semana passada - quando, cumprindo ordens vindas do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, na periferia da capital, bandidos incendiaram um ônibus, matando uma menina de 6 anos - poderia ter atingido, ou poderá atingir a qualquer momento, outras cidades que concentram grandes contingentes do meio milhão de presos no Brasil, quase sempre em condições igualmente desumanas.

Basta registrar que o roteiro da tragédia maranhense foi o já visto: sangrentos conflitos entre gangues pelo controle de cadeias, com mortes a granel, mobilizam forças policiais para "pacificar", com a costumeira brutalidade, os cárceres convulsionados; em represália e para fazer cessar a intervenção, os chefes das facções em confronto mandam destruir patrimônio e atacar civis, indiscriminadamente; as autoridades aparentam de tomar medidas reparadoras, anunciando planos que não passam de variações dos que os precederam e decerto serão tão ineficazes como aqueles.

Ocioso também é discutir os prós e contras da intervenção federal em Pedrinhas, que a Procuradoria-Geral da República estaria inclinada a solicitar. Ela simplesmente não ocorrerá. De um lado, pelas conhecidas resistências do Judiciário à iniciativa - um pedido do gênero, para o presídio Urso Branco, em Rondônia, lembra o noticiário, aguarda decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) desde 2008. De outro lado, porque não há a menor hipótese de que a presidente Dilma Rousseff, responsável última pelo ato, intervirá em algum Estado, por que motivo for, neste ano eleitoral - e ainda por cima no feudo do oligarca José Sarney, com quem o antecessor de Dilma se amancebou politicamente para carrear ao Planalto o apoio do PMDB.

O que não se pode deixar de ressaltar, isso sim, é o despreparo absoluto da governadora maranhense, Roseana Sarney, para entender e lidar com a crise cujo combate é sua responsabilidade objetiva. Por sinal, ela só invocou essa condição no único momento em que se exaltou na entrevista que só na quinta-feira ela se dignou conceder, ao lado do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Ele havia sido despachado a São Luís para que não se dissesse que a chefe, a presidente da República, se omitia diante da tragédia e deixava a aliada à mercê de sua incompetência.

Quando uma repórter perguntou ao ministro se o silêncio de Dilma se devia à sua preocupação em não arranhar as relações do governo com o PMDB e a família Sarney, Roseana o livrou da enrascada para livrar o seu clã. "Isso não existe como família", se pôs a desmentir o óbvio, de cara fechada e indicadores erguidos. "Eu sou a governadora. Se tiverem de penalizar alguém, eu sou a responsável." Note-se, então, com que mentalidade ela responde pela situação. Declarou-se "chocada" com o "inexplicável" número de mortos - 62 - no interior do presídio desde 2013. No ano anterior foram 4. Até setembro passado, eram já 39 - o que, pasme-se, "estava dentro do limite que se esperava".

Trinta e nove homicídios em nove meses não seriam, pois, uma aberração. Os criminosos como que cumpriram a cota com que a governadora já contava. Até aí, em suma, tudo normal. Se a essa macabra contabilidade não se tivessem acrescentados desde então outros 23 corpos - vários decapitados -, a vida seguiria tranquila no Palácio dos Leões, a sede do governo, em meio a finas iguarias como aquelas descritas em dois recentes editais de licitação (um, cancelado) para abastecer as despensas e a adega palacianas - lagostas, caviar, champanhe, vinhos "de primeira qualidade" e scotch 12 anos.

É, o Maranhão vai bem - "um Estado que está se desenvolvendo, que está crescendo", comemorou Roseana na coletiva, antes de emendar: "E um dos problemas que está (sic) piorando a segurança é que nosso Estado está mais rico, mais populoso também". Em breve, de toda maneira, os crimes e castigos no Estado deixarão de ser de sua alçada. Em abril, ela renunciará para disputar uma vaga no Senado e garantir o lugar da família no Congresso. Foi uma decisão do pai.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 11 / 01 / 2014

Correio Braziliense
"Inflação resistente força nova alta de juros"

O governo esperava índice abaixo dos 5,84% de 2012

Longe do centro da meta, fixado em 4,5%, o custo de vida fechou 2013 em 5,91%, acelerado pela alta de 0,92% em dezembro. Mesmo garantindo que não há descontrole de preços, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, admitiu que o IPCA mostra "resistência ligeiramente acima daquela que se antecipava". Remédio amargo para a economia, a elevação de juros será reforçada pelo BC na próxima semana, com a Selic podendo atingir os 10,5% ao ano. Especialistas avaliam que, para conter a carestia, a taxa precisaria chegar a 12,5% até o fim de 2014. Uma difícil decisão para ser tomada em período eleitoral.  

O Estado de S. Paulo
"Inflação acelera e Planalto se rende a juros maiores em 2014"

IPCA fechou ano em 5,91%, acima do esperado, e abriu portas para alta da Selic

O IPCA, índice oficial de inflação, surpreendeu negativamente e foi de 5,91% em 2013. 0 número frustrou a promessa da equipe econômica de um porcentual abaixo dos 5,84% de 2012. Em dezembro, a inflação foi de 0,92%, a maior taxa mensal desde abril de 2003. Analistas destacam que o resultado foi ruim também porque o governo fez desonerações de impostos e controlou preços administrados, como energia elétrica. Os sinais dados pelo Palácio do Planalto são de que o Banco Central (BC) terá liberdade para adotar postura mais rígida no ano eleitoral de 2014, com elevação de juros. O presidente do BC, Alexandre Tombini, admitiu que a inflação mostrou “resistência ligeiramente acima daquela que se antecipava”.

Twitter

sexta-feira, janeiro 10, 2014

Aquecimento global...


Coluna do Celsinho

Manutenção criativa

Celso de Almeida Jr.

Pai - mecânico de automóveis - facilitou compreender a importância da manutenção.

Os leitores velhinhos, frequentadores da pauliceia, devem se lembrar dos ônibus da CMTC com o letreiro "Recuperado", moda inventada por Jânio Quadros.

É famosa, também, a praxe dos bombeiros de dedicar o tempo livre para manter a frota brilhando.

Cortar o mato, lixar a ferrugem, pintar a madeira, combater o cupim, limpar a caixa d'água, lubrificar a bicicleta...

Zelo e reforma sempre foram práticas saudáveis, necessárias.

As novas gerações, porém, criadas na cultura do descarte, resistem ao tema.

Entretanto, são facilmente sensibilizadas quando agregamos ao assunto o conceito de economia criativa.

Este termo, usado pela primeira vez em 2001 pelo consultor britânico John Howkins, enfatiza que criatividade e inovação são os ingredientes principais de uma economia contemporânea.

Para Howkins, há três princípios básicos quando se quer fazer negócios a partir de novas ideias:

1 - Todo mundo nasce com imaginação e criatividade; elas não são caracterísiticas especiais.

2 - Criatividade requer liberdade para pensar, se expressar, explorar, descobrir, questionar.

3 - Liberdade precisa ter acesso ao mercado.

Com estes pensamentos, ele montou a equação:

Criatividade = estudo + adaptação das ideias.

Simples e atraente, naturalmente a internet se transformou numa fonte fantástica para a expansão deste conceito.

Cidades criativas, comunidades criativas, empreendimentos criativos, são termos vivos nas redes sociais, muito estimulantes.

Com tais considerações, reflito com o leitor:

O fascínio pelas novas tecnologias deixou em segundo plano a prática das atividades manuais.

Consequentemente, o quesito manutenção perdeu espaço para o "trocar pelo novo".

Assim, agregar arte à manutenção, estimulando a criatividade, pode despertar o interesse de jovens e adultos.

Facilita, também, a mobilização voltada para ações coletivas que estendam a vida útil de bens públicos e privados, tornando-os mais atraentes.

Preserva, impulsiona a arte e pode gerar negócios.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

Twitter

Dominique


Opinião

Que se fará com o lixo nuclear?

Washington Novaes* - O Estado de S.Paulo
Estranho que possa parecer, está de volta a discussão, nos meios científicos e na comunicação, no mundo todo, do tema energia nuclear, que parecia ultrapassado quando, após o acidente na usina de Fukushima, no Japão, a Alemanha decidiu fechar, até meados da próxima década, todas as suas usinas - e foi acompanhada por vários países. Até a França, que depende da nuclear em 70% de seu consumo total de energia, decidiu rediscutir a questão. Além da possibilidade de acidentes graves, entra em jogo a falta de destinação para o lixo nuclear em toda parte, inclusive no Brasil.

Agora, entretanto, a Inglaterra já estuda implantar em Hinkley Point, Somerset, ao custo de mais e R$ 50 bilhões, um novo reator (já tem dois ali, um próximo do fechamento). A decisão deve-se (New Scientist, 26/10/2013) à necessidade de novas fontes de eletricidade. E a usina poderá prover até 7% do atual consumo no Reino Unido, embora o custo, de R$ 3.500 por MW/hora, seja o dobro do atual. Mas não é só na Inglaterra a retomada: a China está construindo 29 reatores e em 2030 terá um terço do mercado mundial na área.

No Brasil o tema continua polêmico. O professor Heitor Scalambrini Costa, da Universidade Federal de Pernambuco, observa (remabrasil, 4/1) que esse caminho envolve "mais riscos do que a prudência aconselha". Principalmente com a projetada implantação, até 2030, de quatro novas usinas nucleares, duas das quais no Nordeste e pelo menos uma às margens do Rio São Francisco. A população de Itacuruba (PE), por intermédio de 50 instituições, já se manifestou contra o projeto e o Ministério Púbico em Arapiraca (AL) exige em inquérito esclarecimentos dos empreendedores. No Rio de Janeiro, a Justiça Federal exige (O Globo, 4/12/2013) da Comissão Nacional de Energia Nuclear e da Eletrobrás que incluam em seus orçamentos recursos para a construção de um depósito para o lixo nuclear das usinas Angra 1 e 2 (onde ele fica em piscinas internas). Na Bahia, o Sindicato dos Mineradores de Brumado e Microrregião denuncia a ocorrência de vários acidentes na mineração e estocagem de urânio. Ricardo Baitelo (O Globo, 25/11/2013) lembra que o custo de Angra 3 já está 39% acima do projeto inicial e chegou a R$ 13,9 bilhões. Sem solução para o lixo.

Será a questão dos resíduos algo que só se resolva com um projeto multinacional? - pergunta a revista New Scientist (2/11/2013). Já há países que pensam nessa direção. E até identificam a Argentina, a África do Sul, a China Oriental e a Austrália (este último país principalmente) como os locais mais indicados. Mas o estudo "vazou" para a comunicação e foi vetado pelo governo australiano. A Associação Internacional para Estocagem no Subsolo insiste, entretanto, em que essa é a melhor opção, ao custo de US$ 4,7 bilhões, que permitiria acondicionar o lixo em cápsulas de cobre e asseguraria proteção ao longo de muitos séculos. O depósito que os Estados Unidos começaram a instalar em Yucca Mountain, por exemplo, e que foi abandonado pelo presidente Barack Obama, já custara mais que o dobro disso.

O desastre da usina de Fukushima continua a perseguir a memória mundial - mas o governo japonês já recua e anuncia a retomada da produção de energia nuclear, com o argumento da precariedade de outras fontes neste momento. Talvez para contornar ao menos parte da resistência a operadora da usina anuncia que providenciará a remoção dos resíduos radiativos na instalação e que, encerrados em dispositivos de dióxido de urânio, ficarão em tonéis e, mais tarde, no fundo do oceano. Paralelamente, planeja construir na região de Fukushima uma "cidade de energia renovável", com painéis solares, simultaneamente ao plantio em larga escala de arroz, para incentivar parte da população deslocada pelo acidente (80 mil pessoas) a retomar suas atividades. Já estão funcionando dez painéis solares, com um total de 30 KW. Mas poderão ser acrescidas instalações de energia eólica (1 GW). As primeiras colheitas, porém, serão destinadas à fabricação de lubrificantes e óleos combustíveis.

Nos Estados Unidos, com o projeto de Yucca Mountain posto de lado e ainda sem outras soluções para o lixo radiativo, o Departamento de Energia vai financiar com US$ 226 milhões um depósito ao lado de pequenos reatores submersos. Na Rússia, o governo está construindo em São Petersburgo um reator nuclear flutuante, que funcionará em 2016.

Em meio a tudo isso, prosseguem as notícias de que a contaminação de Fukushima continua a chegar à costa oeste dos Estados Unidos, levada pelas águas do Pacífico. Cientistas do Alasca manifestam preocupação. Mesmo nos Estados Unidos, a Agência de Energia promete (The New York Times, 29/11/13) remover em 25 anos a carga radiativa depositada em Savannah River Site. Ela passará a ficar em tanques subterrâneos. Em Brunswick, na Alemanha, o problema é com centenas de toneladas de lixo radiativo depositadas nas décadas de 1960 e 70 numa antiga mina de sal, que agora gera a cada semana centenas de litros de salmoura contaminada.

Pode-se falar também em 65 mil toneladas de resíduos de usinas nucleares norte-americanas (mais 2 mil toneladas por ano) levadas para depósitos temporários. No mundo, são 350 mil toneladas - mais 12 mil por ano - de lixo radiativo sem solução definitiva. China, Índia e Rússia têm os maiores problemas. A Finlândia pretende construir um depósito no fundo de rochas - caminho que a Suécia também pretende seguir.

Esse é o panorama. Mas por aqui continuamos impávidos, como se a questão não nos afetasse. Como se não tivéssemos de resolver nosso problema já existente, nem o que nos aguarda com os projetos em andamento e planejados - as críticas caem em ouvidos surdos. No mínimo, a comunidade científica precisa estar mais presente à discussão. E dar à sociedade argumentos de que ela necessita.

*Washington Novaes é jornalista. E-mail: wlrnovaes@uol.com.br 

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 10 / 01 / 2014

Estado de Minas
"Acidentes diminuem, mas... A morte acelera nas BRs"

Processos para duplicação de rodovias como a 381 e a 040 se arrastam e as mortes aumentam

O número de óbitos causados por acidentes nas estradas federais de Minas em 2013 aumentou 5% em relação aos 1.196 registrados no ano anterior. A estatística alarmante está na contramão da queda de 2% no total de acidentes e de 2,8% no de feridos. Além das más condições das vias, a violência dos desastres é, segundo especialistas, consequência da imprudência e da falta de “sensação de perigo” dos motoristas, confiantes de que itens como airbags e freios ABS garantiriam a segurança mesmo em excesso de velocidade. Para esses estudiosos, o fundamental é mudar a mentalidade dos condutores.  

O Estado de S. Paulo
"Planalto se blinda e lança plano contra crise em prisão"

Ministro da Justiça vai ao Maranhão, dá apoio a Roseana Sarney e tenta esvaziar pedido de intervenção no Estado

Preocupada com os efeitos da crise de segurança no Maranhão, a presidente Dilma Rousseff pôs em prática uma estratégia para blindar o Planalto, esvaziar o possível pedido judicial de intervenção federal no Estado e manter o apoio da família Sarney à sua campanha pela reeleição, informam Vera Rosa e Felipe Recondo. Dilma enviou a São Luís o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que se reuniu com a governadora Roseana Sarney para garantir o aval do Planalto a tudo o que a aliada precisar. Ele anunciou um pacote anti-crise, que tem como ponto principal a criação de comitê gestor unindo Executivo estadual e federal, Legislativo e Judiciário. O pedido de intervenção no Maranhão, após a morte de 62 detentos no presídio de Pedrinhas, está pronto. Agora, o procurador-geral Rodrigo Janot avalia qual o melhor momento para enviá-lo ao STF. Roseana renunciará em abril para concorrer ao Senado e tentar garantir a permanência da família no poder.

Twitter

quinta-feira, janeiro 09, 2014

Dominique


Opinião

A hora e a vez da imprensa apartidária

Eugênio Bucci* - O Estado de S.Paulo
Com a aproximação das eleições, ganha estridência o embate polarizado entre os cabos eleitorais de uns e outros. Nada mais natural, nada mais previsível - e nada mais medíocre. Quando rótulos ideológicos se convertem em xingamentos, a escalada de ofensas não apenas não esclarece coisa nenhuma, como agrava a confusão geral, além de incentivar a idolatria dos salvadores da Pátria e o irracionalismo ensandecido. É num ambiente assim, pautado por fanatismos - às vezes forjados, outras vezes sinceros -, que autoridades condenadas por crimes de corrupção podem ser endeusadas como se fossem figuras heroicas (o que se vê nas franjas da candidatura de Dilma Rousseff) e que notórios coletores de propinas são rifados como se nunca tivessem feito parte da agremiação (postura mais ou menos endêmica nas hostes tucanas).

A guerra eleitoral tem disso, sempre teve disso, mas, convenhamos, onde a polarização desembestada dá as cartas, fenece a utopia iluminista segundo a qual o livre debate de ideias seria capaz de gerar a luz, a razão e a verdade. Entregues aos cabos eleitorais e às propagandas partidárias, as eleições não passariam jamais de uma luta de morte entre mentiras descomunais, dotadas de efeitos especiais, ainda que eventualmente motivadas por boas intenções. Se as eleições são melhores do que isso - e elas têm sido -, o mérito é, ao menos em parte, da imprensa.

Por não ter parte com a lógica interna dos partidos, a imprensa deveria ser capaz de convidar o eleitor a pôr os pés no chão e avaliar a procedência de cada um dos argumentos, a viabilidade de cada proposta, a sustentabilidade de cada estratégia, ajudando a sociedade a separar as pirotecnias verbais das ações realmente possíveis para um mandato no Poder Executivo. Onde as candidaturas procuram beneficiar-se das paixões, do encantamento e da devoção - emoções naturais, repita-se, nas disputas democráticas - a imprensa cumpriria o seu papel se procurasse iluminar o que há de factível nos sonhos bons e nas bravatas perversas. Enquanto os candidatos tendem a inflar em si mesmos e nos seus seguidores a capacidade de mudar o mundo, ou, pelo menos, o País, os jornalistas deveriam ocupar-se de alertar o público para as inviabilidades e para os méritos das conclamações eleitoreiras. Se o candidato - tomemos o exemplo de Barack Obama - pode legitimamente embarcar no slogan "Yes, we can", a imprensa deveria levantar a mão, na hora, e perguntar: mas com que dinheiro? Com que legislação? Com que servidores públicos?

Numa eleição como a que se aproxima, podemos experimentar diretamente o valor de uma redação verdadeiramente apartidária. O serviço público que ela pode prestar é, numa palavra, inestimável. A pergunta, então, passa a ser a seguinte: a imprensa brasileira está à altura desse dever institucional? Ela é apartidária? Ou melhor, existem núcleos de fato independentes dentro da vasta instituição da imprensa no Brasil? E esses núcleos conseguem imprimir, inspirar e liderar os padrões de qualidade do debate público, exigindo dos postulantes a cargos eletivos um ordenamento de propostas factível e verificável?

As respostas para isso estão em aberto. Os principais órgãos informativos do Brasil terão de provar, agora, em 2014, que são dignos da função que a democracia lhes reserva. E não será fácil provar. Se você quiser alguns indicadores para saber se a prova está sendo feita (ou não), aí vão eles:

A cobertura do julgamento do mensalão tucano terá de ser tão detalhista e obstinada como foi a do mensalão do PT.

A separação entre as páginas de opinião e as páginas de reportagens factuais terá de ser administrada com um zelo paranoico.

A origem de recursos de cada projeto de cada programa de governo deverá ser verificada no nível do centavo, uma vez por semana (no mínimo).

O espaço (objetivo) e a ênfase (que envolve elementos valorativos) dados a cada candidato majoritário deverão obedecer a critérios de proporcionalidade claros, públicos e verificáveis.

A propósito: qual o plano de cobertura eleitoral de cada veículo jornalístico? Você conhece? Quais as perguntas centrais para cada um? Como você, eleitor, poderá comparar as declarações entre os vários candidatos sobre os mesmos tópicos? Como você poderá verificar de que forma os interesses dos principais doadores se refletem nas propostas de cada candidatura?

O ano de 2014 se abre como um desafio do tamanho do mundo para a imprensa brasileira. Os veículos que se renderem ao comodismo de atuar como panfletos apontados contra os inimigos dos amigos verão a sua credibilidade minguar ainda mais. Os que insistirem em recusar o pluralismo e em contrabandear opinião (e preconceitos) sob o disfarce de informação objetiva perderão terreno e perderão lugar - e isso não no futuro longínquo, mas no ano que vem. Os que acreditam que ainda podem adotar dois pesos e duas medidas sem que ninguém perceba ficarão falando sozinhos. Hoje as pessoas do público sabem tanto quanto o jornalista. Estão vendo tudo. Os reizinhos da imprensa estão nus, ridiculamente nus. A cada dia mais, o que separa o jornalista profissional do cidadão genérico não é mais a quantidade de informação que o primeiro guarda sem que o segundo saiba. O que distingue o jornalista, atualmente, é a capacidade - e o dever - de lançar perguntas a partir de um ponto de vista independente, que não se deixa inibir pela agenda posta pelos partidos. O público vai rechaçar, cada vez mais, os renitentes que procuram, por meio de subterfúgios e campanhas difamatórias, direcionar indevidamente a formação da opinião pública, para entregar vantagens impróprias aos amigos.

O desafio está posto. Está aí, na cara de todos nós. Haverá quem finja que ele não existe. Esperemos que alguns, pelo menos alguns, tenham a lucidez de enfrentá-lo com boa-fé e desprendimento.

*Eugênio Bucci é jornalista e professor da ECA-USP e da ESPM.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 09 / 01 / 2014

Estado de Minas
"Assassinatos na Serra do Cipó: O medo assombra o paraíso"

Morte brutal de casal de advogados quebra magia do refúgio

Trilhas, cachoeiras, piscinas naturais e mirantes em reserva da biosfera reconhecida pela Unesco. E a apenas 90 quilômetros de BH. Sinônimo de paz e lazer, a Serra do Cipó atrai até 30 mil turistas nos fins de semana. Mas o assassinato de Alexandre Werneck, de 46 anos, e da namorada, Lívia Viggiano, de 39, levou o horror ao paraíso. Moradores e visitantes estão assustados. Pousadas amargam cancelamento de reservas e fazem reunião de emergência para tratar de segurança. O aumento da população e da violência em cidades e distritos vizinhos contrasta com a ínfima presença de policiais. Essa combinação perigosa é vista como a maior ameaça e o problema a ser combatido.

O Estado de S. Paulo
"Bate-boca de PT e PSB abre guerra virtual pelo Planalto"

Eduardo Campos foi chamado de ‘tolo’ na internet; líder do PSB e até o PSDB respondem com ataque ao PT.

Texto publicado na terça-feira na página oficial do PT no Facebook - no qual o governador Eduardo Campos (PE) é chamado de “tolo” por não apoiar a reeleição de Dilma Rousseff - causou forte reação do PSB e abriu a guerra virtual da campanha presidencial. O PSDB do senador Aécio Neves entrou na discussão e disse em nota que Campos, ao romper com Dilma, enfrenta a "face covarde do ativismo petista". Líder do PSB na Câmara, o deputado Beto Albuquerque (RS) afirmou que o PT age como uma “seita fundamentalista” ao atacar o antigo aliado. A nota foi compartilhada na página oficial de Campos no Facebook. O governador afirmou em entrevista que “enquanto os cães ladram, nossa caravana passa". O ataque a Campos faz parte da estratégia da cúpula petista de adotar um tom duro contra os adversários na internet. O material, porém, não passou pelo crivo do Planalto.

Twitter

quarta-feira, janeiro 08, 2014

Ciência

Adeus solidão

Sidney Borges
Você certamente sabe que existem cerca de 100 milhões de bactérias no intestino de um humano adulto. 

Pensando nisso o hacker albanês Enverpoxa Dobê desenvolveu um aplicativo para smartphones e tablets que vai permitir a comunicação entre humanos e bactérias. 

Dessa forma será erradicado do planeta o problema da solidão. 

Qualquer cidadão que se sinta solitário poderá entrar em contato com suas próprias bactérias, que o conhecem intimamente, e conversar horas a fio, cantar em dueto, formar um coral ou mesmo jogar xadrez. 

Fique atento, em breve nas boas casas do ramo!

Twitter

Bizorros...


Ubatuba em foco

Novo Aeroporto Regional     

“O formato e o destino de cada cidade sempre foram definidos pela sua capacidade em termos de transporte. Nos dias de hoje, isso diz respeito especificamente ao transporte aéreo.” 
  
Claudio Louzada
Ubatuba possui as melhores condições topográficas para o novo aeroporto da região, mas parece que a comunidade paulista permanece adormecida, permitindo que o futuro seja mais promissor na cidade vizinha.

A primeira noção que Ubatuba deveria ter em mente é a potencialidade da cidade de gerar tráfego e lucro, tanto para a empresa aérea bem como para os vários segmentos produtivos  do próprio município e  municípios vizinhos. O aeroporto atua nos negócios da cidade tão veloz como a internet, potencializa todas as cadeias produtivas e cria uma mobilidade jamais experimentada na sociedade local. O aeroporto exerce grande influencia no desenvolvimento da cidade, da mesma forma como as rodovias e automóveis exerceram no século 20. Hoje, o aeroporto oferece velocidade, agilidade e conectividade, na verdade, leva a cidade a outro patamar ou status, de apenas cidade para cidade da era da instantaneidade, conectada globalmente! A importância do aeroporto será tanta nos próximos anos que será necessário organizar a cidade praticamente em função do aeroporto e de sua indústria derivada.

Os aeroportos regionais são potentes motores locais de desenvolvimento econômico, atraindo empreendimentos ligados a empresas aéreas e a logística, e ao complexo industrial sensível ao tempo de fabricação, comércio e suprimento, telecomunicações e logística, hotelaria, turismo, entretenimento, e comercio global.

A indústria aérea é uma atividade comercial como tantas outras, mas sujeita a muitas variáveis e protocolos de operação e segurança, na verdade seu grau de complexidade só é superado pela indústria de energia nuclear. Outras características do setor são o intenso uso de capital, sujeito a ciclos, totalmente dependente dos preços do combustível e da cotação do dólar.

Constatado a potencialidade do município e vizinhos, o aeroporto começa a tomar forma física para receber as aeronaves do tamanho concebido pelo tráfego potencial. A flexibilidade do projeto deve sempre que possível projetar o tráfego e as necessidades aéreas para os próximos 10 anos em dois cenários, um positivo e outro mais conservador.

As autoridades responsáveis pela construção e financiamento (Banco do Brasil) do novo aeroporto precisam estar cientes que a indústria aérea regional brasileira passa por um processo rápido de mudança e adequação. Por motivos econômicos, de produção e principalmente por crescimento do tráfego de passageiros nas cidades pequenas e médias, as empresas regionais estão substituindo suas aeronaves de 46 lugares por modelos maiores e de maior eficiência operacional.  O turboélice de 70 lugares de capacidade mostrou-se ideal para o tráfego gerado por muitas cidades brasileiras. As aeronaves de 46 lugares estão sendo rapidamente substituídas pelo modelo maior que apresenta vantagens e novidades tecnológicas favoráveis as empresas e aos passageiros ao incorporarem poltronas mais ergométricas, maior cabine, redutores de ruído eletrônicos e maior velocidade, consequentemente menor tempo de voo.

A aeronave maior necessita de pista de pouso e decolagem maior, pista mais larga e maior resistência do piso asfáltico. Por sua vez, o empresário de aviação ao estabelecer uma nova linha aérea visa o maior aproveitamento da capacidade da aeronave. A empresa aérea analisa a demanda da nova cidade e faz seus cálculos de aproveitamento médio, mas também os de aproveitamento máximo. Nessas condições a aeronave decolaria com 70 passageiros + a bagagem + a carga e encomendas + combustível da etapa + combustível para a alternativa + combustível para outros 45 minutos de voo. A pista do aeroporto deve atender essa exigência. A empresa também analisa essa mesma condição de decolagem com o peso máximo  estando a pista molhada, chovendo, nevando ou com temperaturas extremamente altas – tudo depende onde está situada a sua cidade. Mais uma vez a pista de pouso e decolagem deve atender esses requisitos mais extremos.

 Existe ainda um adicional de precaução a essa operação, visando sempre aumentar a segurança e integridade da aeronave e passageiros. Nenhum empresário gosta de enviar ou criar uma nova linha aérea para aeroporto com condições marginais de segurança, nem de submeter a tripulação em uma situação onde a margem de precisão seja severa ou extrema. Todos gostam de fortes emoções, mas só no cinema ou no conforto do ‘home theater’ em casa, ninguém gosta dessa situação na indústria do transporte aéreo. Pouso nos mínimos iguala-se a freios no máximo, desgastes adicionais dos pneus e significa maiores custos. Decolagem com potencia máxima significa maiores custos, porque as aeronaves decolam sempre que possível com potencia reduzida para minimizar os desgastes do motor e produzir menor ruído para a vizinhança. Ao decolar com potencia máxima o valor do leasing do motor é maior. Pista maior significa freios sem sobrecarga e decolagem com potencia reduzida. Menor custo com maior segurança.

O empresário de aviação também trabalha com estimativas de crescimento do tráfego e faz o seu planejamento de frota, tanto nos números de aviões que irão compor a frota, como da possibilidade de substituir parte ou totalmente a frota por modelo maior visando atender a demanda crescente. É comum as empresas aéreas trabalharem com aviões de capacidade diferenciada. Hoje, no Brasil, as empresas regionais estão focando as aeronaves com 70 lugares e  118 lugares. As de 70 lugares são modernos turboélices, as de 118 são novíssimos jatos, ambas dedicadas a atender as cidades pequenas e médias. Os fabricantes de aeronaves já projetam a demanda e aeronaves regionais para os próximos 20 anos, acreditam que os turboélices de 70 lugares irão crescer para acomodar 90 passageiros, e os jatos regionais de 118 lugares terão uma versão para 132 passageiros.

PISTAS MOLHADAS, COM 1500m ou MENOR, NÃO ATENDEM o NÍVEL DE SEGURANÇA  DESEJAVEL PELOS EMPRESÁRIOS DE AVIAÇÃO !!!

Basicamente, a PISTA MÍNIMA a ser construída para atender com segurança a cidade deve ser de 1.700 metros, largura mínima de 30 metros (1.700mx30m) e suportar uma aeronave com 29.000 quilos de peso para a operação de um Turboélice, e MÍNINO de 2.200m com 45m de largura (2.200mx45m) e resistência do piso até 60.000 quilos para o JATO de 118 lugares. O ideal é sempre construir a pista mínima de 1.700 com 45m de largura prevendo uma futura expansão.

O aeroporto do Santos Dumont com pista de 1.400m não deve ser utilizado como referência, pois basicamente recebe aeronaves diferenciadas  para essa operação. Tripulantes com treinamento especial, aeronave com peso muito reduzido a bordo e voos de curtíssima distância, 350km em média, atendendo cidades vizinhas como São Paulo, Vitória, Belo Horizonte e Campinas .A pista curta também sofre restrições operacionais quando molhada (chuva) e com variações do vento. Praticamente é um aeroporto com vários limites, motivo que se construiu o Galeão com duas pistas, uma de 4.000m e outra de 3.000m. A grande vantagem do Santos Dumont, operacionalmente falando, é a sua altitude ao nível do mar. Quanto maior a altitude de um aeroporto maior as dificuldades operacionais, o que é sempre compensado com a construção de uma pista maior.

Infelizmente as cidades com pistas entre 1.200 metros e 1.500 metros, e resistência asfáltica (Pavement Classification Number PCN) abaixo de 29mil quilos (PCN16), em geral, NÃO estão mais adequadas para receber a nova geração de turboélices de 70 lugares ou jatos de 118 lugares. Elas estarão reféns ou só terão capacidade de receber aeronaves como o LET410 e o Embraer Bandeirante de 19 lugares e o Caravan de 09 lugares.

Pistas de 1.700m de comprimento mínimo e resistência adequada do piso podem também receber qualquer aeronave executiva, jato ou turboélice, e todo modelo de ambulância aérea e aeronaves de resgate em caso de catástrofe ou calamidade pública.

 Atualmente as aeronaves de 09 até 30 lugares mostraram-se caríssimas de operar, uma vez que, seus custos são rateados por apenas 09, 19 ou 30 passageiros. Nos últimos quatro anos, 9 empresas operadoras desses modelos retiraram-se do mercado brasileiro, encerando suas atividades.

Um exemplo de erro fatal, pista curta e cidade com grande potencial vêm das cidades gêmeas Canela e Gramado no Rio Grande do Sul. A pista de pouso tem 1.260 metros, está a 2.723 pés de elevação (830m) acima do mar e apesar do grande potencial nunca recebeu nenhuma proposta de ter a sua linha aérea, simplesmente porque as aeronaves maiores não conseguem pousar e decolar em 1.260 metros, somente as de 19 ou 09 lugares de custo operacional alto.

 O bom exemplo vem da cidade de Chapecó, Santa Catarina. A cidade de Chapecó possui uma pista de 2.100m por 45m de largura, resistência do piso para aeronaves até 79.200kg e tem seus passageiros/cliente disputado não por duas (02) empresas, mas por quatro (04)!! Segundo a ACIC, Associação Comercial Industrial de Chapecó, o aeroporto é responsável direto pela geração de R$ 60 milhões de reais/mês em negócios na cidade. Fonte: ACIC,Agosto 2012.

Outro bom exemplo em 2012 é a novíssima pista de 2.100m por 45m de largura e resistência do piso asfáltico para até 59.500kg da cidade de Cacoal em Rondônia, que já recebe duas empresas aéreas de linha regular com seus turboélices de 70 lugares.

O empresário do setor também está sempre atento as condições meteorológicas da nova rota. Não é interessante, nem financeiramente rentável, ter a aeronave retida por fatores meteorológicos. Existe um planejamento diário sobre aquela aeronave. Ela precisa voar e assegurar um faturamento mínimo diário. Por isso faz parte do planejamento do novo aeroporto a confecção de uma carta de aproximação e pouso, e outra de decolagem, baseadas nas informações do GPS, sistema global de posicionamento dos Estados Unidos (USA). É a chamada operação por instrumento.

As informações do GPS são livres para serem usadas e principalmente sem  taxas  e sem a manutenção caríssima dos antigos equipamentos afixados no solo do aeroporto. Simplesmente Livre! O GPS assegura a normalidade de operações de pouso e decolagem com sol ou chuva, durante o dia ou a noite. Com a entrada da constelação Europeia de GPS, o Galileu, o sistema triplicará sua eficiência operacional, igualando sua precisão ao ILS, Instrument Landing System, dos aeroportos internacionais. Aproximações de pouso serão efetuadas com teto de 60m, e futuramente apenas 30m acima da pista. Mesmo as cidades localizadas em vales ou em regiões montanhosas podem ter o seu aeroporto operando por instrumento. O sistema GPS já foi amplamente testado em aproximações, pouso e decolagem nas piores condições meteorológicas e topográficas do planeta como os aeroportos do Alaska. O sistema GPS nos aeroportos Não é o futuro, já é a realidade nos aeroportos do Brasil e do mundo!

Duas empresas brasileiras encomendaram 80 aeronaves turboélices de 70 lugares para atender a crescente demanda já verificada nas cidades pequenas e médias. O valor da transação aproxima-se a U$ 1,76 bilhões de dólares. Nenhum empresário investiria tamanha quantia se não tivesse plena certeza da potencialidade de dezenas de cidades médias. O fato é altamente significativo porque as empresas estão tentando literalmente CRIAR as novas rotas e expondo essa  potencialidade a todos os municípios. Basta candidatar-se e ter a infraestrutura.

Não podemos esquecer da estação de passageiros e do estacionamento de veículos. Estes devem ser dimensionados para receber no mínimo duas aeronaves de 70 lugares simultaneamente + as pessoas que levam os que embarcam e desembarcam.

Uma estação meteorológica e de rádio básica compõem o pacote.

Estando o plano básico concluído, a cidade deve levar ao conhecimento da empresa aérea suas qualificações e potencialidades. A prefeitura possui todos os números e as qualidades para uma ótima apresentação. Uma boa forma de divulgar a cidade é em primeiro lugar convidar o diretor comercial  e sua equipe a conhecer em loco o aeroporto e suas aspirações de linha. A prefeitura deve até sugerir o destino da linha ou linhas. É comum um grande investimento aeroportuário ficar restrito a mídia local ou no máximo ao estado. A promoção da cidade é tão importante quanto a boa infraestrutura aeroportuária do local e deve ser dirigida com ênfase as empresas de aviação. Todas. As empresas querem novos destinos, novos clientes, novas rotas, de preferência não apenas uma ligação diária mas várias vezes ao dia. Aviões conectam cidades, pessoas conectam negócios!

Lembre-se, os 5 elementos básicos que constituem o Sistema de Transporte Aéreo são:

A situação socioeconômica da cidade
O aeroporto
A aeronave
A integração urbana
A regulamentação e legislação

O impasse aeroportuário brasileiro deve ser quebrado. Não há pista de pouso porque não há linha regular. Não há linha regular porque não há pista de pouso.  O Governo Federal através do PROFAA, Programa Federal de Financiamento de Aeroportos, e do FNAC, Fundo Nacional de Aviação Civil,  está oferecendo uma oportunidade única de financiamento (Banco do Brasil) para que as cidades médias e pequenas de todo o país desenvolvam seus aeroportos de forma consistente, dinâmica e capaz de receber as novas aeronaves turboélices de 70 lugares ou jatos de 118 lugares.

A internet oferece boas fotos dos novos turboélices de 70 lugares. A procura pode ser com Dash8-Q400 da fabricante Bombardier ou ATR72-600 da fabricante ATR  –  Avions de Transport Regional.

Twitter

Dominique


Opinião

Verdades não convencionais

Paulo Roberto de Almeida* - O Estado de S.Paulo
Costumo iniciar o ano elaborando "previsões imprevidentes", feitas a contrario sensu dos astrólogos e videntes tradicionais: elas são destinadas a não se realizarem. De vez em quando, governos ineptos me fazem "acertar", e perder minhas apostas. Em 2012, apostando que o novo presidente francês seria teimoso a ponto de implementar uma tresloucada promessa eleitoral, previ que a gloriosa seleção tricolor se exilaria na Bélgica caso ele decidisse concretizar a intenção de taxar em 75% ganhos anuais de mais de 1 milhão. Passou 2013 e imaginei que ele havia abandonado tão insensato projeto. E não é que ele segue adiante? Agora só falta a seleção - ou alguns de seus expoentes - trocar de camisa e de país. A da Bélgica, para não ficar atrás, e para não incitar seus políticos a imitar os vizinhos, se exilaria no Luxemburgo. Vamos ver...

O exercício que proponho agora é diferente: não se trata mais de acertar errando (pois sempre existe o perigo de dirigentes descerem aos extremos; vide a Venezuela), mas de afirmar algumas verdades que considero comprovadas na prática, embora alguns sempre possam exigir as provas empíricas do que pretendo afirmar. Algumas dessas verdades são tão evidentes que eu nem arriscaria nenhuma das minhas previsões imprevidentes na sua comprovação. Vejamos algumas delas.

Programas para eliminar a pobreza terminam, de fato, consolidando-a. Almas generosas, espíritos socialistas, vocações distributivistas estão sempre querendo corrigir as desigualdades sociais por meio de algum programa de transferência de renda em grande escala. Não existem, na história econômica mundial, exemplos de eliminação da pobreza via transferências governamentais. Existem, sim, trajetórias bem-sucedidas de redução da pobreza e para menores níveis de desigualdade via qualificação da mão de obra mediante educação de qualidade. Empregos e renda por meio dos mercados ainda são a melhor forma inventada pela civilização para a criação da prosperidade, o que não quer dizer supressão da riqueza de alguns, como pretendem adeptos do imposto sobre as grandes fortunas. O Brasil deve ser o único país no mundo que mantém um quarto da sua população oficialmente na assistência pública. Isso é normal?

A Justiça do Trabalho não é justiça e não resolve conflitos trabalhistas, ela os atiça; deveria ser simplesmente extirpada. Toda a Justiça do Trabalho é uma gigantesca contradição nos termos: ela alimenta conflitos, cria enxames imensos de advogados trabalhistas que incitam justamente ao conflito, com imensas perdas para os empresários, os empregadores, e para o País como um todo. As relações trabalhistas deveriam estar baseadas no contratualismo direto e nos mecanismos arbitrais de solução de conflitos, com algumas poucas varas trabalhistas para os casos mais complexos. A sociedade economizaria provavelmente vários pontos porcentuais do PIB eliminando esse gigantesco aparato alimentador de conflitos que é a Justiça do Trabalho.

Os sindicatos converteram-se em aparatos mafiosos para extrair dinheiro dos trabalhadores. Na verdade, eles são mais do que isso: são máquinas de provocar desemprego e atraso tecnológico. No terreno simplesmente institucional, parece claro, hoje em dia, que os sindicatos se converteram em mecanismos de extração de recursos de todos os trabalhadores via imposto sindical, aliás, com a colaboração ativa do governo dos trabalhadores, que ainda distribuiu parte do maná a centrais de fachada, que não precisam prestar contas do que recebem. Abrir um sindicato é um meio abusado de ganhar dinheiro, quase tão fácil quanto abrir as igrejas da "teologia da prosperidade", que também vivem do dinheiro dos ingênuos e dos incautos.

Salário mínimo nacional e compulsório é um alimentador da inflação, do desemprego e do déficit público. As pessoas estão convencidas de que ele "protege" os trabalhadores, quando, na verdade, destrói a empregabilidade de milhões de pessoas, inferniza a vida dos empresários, compromete o equilíbrio das contas públicas e cria um indutor inflacionário automático. Países que construíram sua prosperidade o fizeram sem esse constrangimento microeconômico e essa camisa de força macroeconômica. Todos os ativos estariam empregados se não fosse pelo salário mínimo; ele é antipobre.

A esquerda é de elite e defensora de privilégios, para si.Bem pensantes que são, pretendem ser contra as elites, quando a integram desde sempre. Não me refiro aos militantes de base, que não detêm poder decisório, mas aos apparatchiks do partido do pensamento único - aliás, agora todos no governo -, aos gramscianos da academia, aos formuladores das políticas que julgam redistributivas, quando, na verdade, estão dirigidas a consolidar o poder da nova classe, a Nomenklatura que pretende manter o monopólio sobre as verdades orwellianas destes tempos. Eles ganharam, temporariamente, a batalha das ideias, mas apenas por causa da ignorância da maioria da população, não de sua educação política. Todavia as mentiras se desvanecerão aos poucos.

Todo governo é inepto, salvo prova em contrário. Mecanismos de coalizão reduzem tudo ao mínimo denominador, isto é, à partilha dos despojos do Estado, nacos da riqueza social apropriados por dirigentes políticos assistidos por mandarins extratores. Resultados: ineficiência estatal, fragmentação do orçamento e ausência de prioridades. Partidos, como entidades de direito privado, não podem viver de recursos estatais; um sistema de financiamento aberto e transparente pela sociedade talvez começasse a corrigir a inépcia de governos produzida por essa deformação da democracia que é a partidocracia.

Bem, a despeito de tudo, desejo um bom ano a todos.

*Paulo Roberto de Almeida é diplomata e professor (http://diplomatizzando.blogspot.com). 

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 08 / 01 / 2014

Estado de Minas
"Tirar carteira de motorista empacou"

Falta de simuladores de direção, agora exigidos, trava o processo de habilitação.

O treinamento de pelo menos cinco horas nos equipamentos, depois das aulas teóricas e antes do aprendizado final nas ruas, passou a ser obrigatório no dia 1° deste mês. Mas as estimativas são de que apenas 1% das 1.798 autoescolas mineiras, 271 delas em BH, já tenha os aparelhos. A imensa maioria dos estabelecimentos só estão encomendando os simuladores agora e os quatro únicos fabricantes no país pedem prazo de pelo menos 90 dias para a entrega. Por causa disso, o chefe da Divisão de Habilitação do Detran-MG, Anderson França Menezes, prevê que o número de habilitações expedidas no estado caia a 10% das cerca de 180 mil mensais a partir de março. Para amenizar o problema, foi firmado um acordo verbal dos Detrans com o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) para que os candidatos possam fazer aulas de rua antes do simulador, o que contraria a resolução que obrigou o uso das máquinas.

O Estado de S. Paulo
"Prisão de João Paulo atrasa; pressão por renúncia aumenta"

Joaquim Barbosa sai de férias sem expedir mandado; Câmara vai analisar cassação.

O presidente do STF, Joaquim Barbosa, saiu de férias ontem sem expedir o mandado de prisão do deputado e ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP). A decisão é agora da ministra de plantão na Corte, Cármen Lúcia. Com o risco iminente de prisão de João Paulo, a base do governo no Congresso e até membros do PT aumentam a pressão para que ele renuncie ao mandato, indicando que a cassação deverá mesmo ocorrer. O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), decidiu convocar para 4 de fevereiro uma reunião da Mesa Diretora da Casa com o objetivo de analisar o caso do petista. O líder do PDT, André Figueiredo (CE), disse que, uma vez que haja a sentença, a cassação é “inevitável”. Próximo a João Paulo, Cândido Vaccarezza (PT-SP) saiu em defesa do colega: “Existe uma visão generalizada de que Joaquim Barbosa passou dos limites”, disse.

Twitter

terça-feira, janeiro 07, 2014

Dominique


Opinião

O 'perigo vermelho'

Arnaldo Jabor - O Estado de S. Paulo
Retiraram o corpo de João Goulart da sepultura para examiná-lo. Coisa deprimente, os legistas examinando ossos de 40 anos atrás para saber se foi envenenado. Mas havia também algo de um ritual de ressurreição encenada. Jango voltava para a turma que está no poder e que se considera vítima de 1964 até hoje. Só pensam no passado que os ‘legitima’ com nostalgia masoquista de torturas, heranças malditas, ossadas do Araguaia, em vez de fazerem reformas no Estado paralítico e patrimonialista.

Querem continuar a ‘luta perdida’ daqueles tempos ilusórios. Eu estava lá e vi o absurdo que foi aquela tentativa de ‘revolução’ sem a mais escassa condição objetiva. Acuaram o trêmulo Jango, pois até para subversão precisavam do governo. Agora, nossos governantes continuam com as mesmas ideias de 50 anos atrás. Ou mais longe. Desde a vitória bolchevique de 1921, os termos, as ilusões são as mesmas. Aplica-se a eles a frase de Talleyrand sobre a volta dos Bourbons ao poder: "Não aprenderam nada e não esqueceram nada".

É espantosa a repetição dos erros já cometidos, sob a falácia do grande ‘teólogo’ da História, Hegel, de que as derrotas não passam de ‘contradições negativas’ que levam a novas teses. Esse pensamento justificou e justifica fracassos e massacres por um ideal racional. No PT e aliados como o PC do B há um clima de janguismo ou mesmo de ‘brizolismo’, preferência clara da Dilma.

Brizola sempre foi uma das mais virulentas e tacanhas vozes contrárias ao processo de desestatização.

Mas, além dessas mímicas brasileiras do bolchevismo, os erros que querem repetir os comunistas já praticavam na época do leninismo e stalinismo: a mesma postura, o mesmo jargão de palavras, de atitudes, de crimes justificados por mentiras ideológicas e estratégias burras. Parafraseando Marx, "um espectro ronda o Brasil: a mediocridade ideológica".

É um perigo grave que pode criar situações irreversíveis a médio prazo, levando o País a uma recessão barra-pesada em 14/15. É necessário alertar a população pensante para esse ‘perigo vermelho’ anacrônico e fácil para cooptar jovens sem cultura política. Pode jogar o Brasil numa inextrincável catástrofe econômica sem volta.

Um belo exemplo disso foi a recusa do Partido Comunista Alemão a apoiar os social-democratas nas eleições contra os nazistas, pois desde1924 Stalin já dizia que os "social-democratas eram irmãos gêmeos do fascismo".

Para eles, o ‘PSDB’ da Alemanha era mais perigoso que o nazismo. Hitler ganhou e o resto sabemos.

Esta semana li o livro clássico de William Waack Camaradas, sobre o que veio antes e depois da intentona comunista de 1935 (livro atualíssimo que devia ser reeditado), e nele fica claro que há a persistência ideológica, linguística, dogmática e paranoica no pensamento bolchevista aqui no Brasil. A visão de mundo que se entrevê na terminologia deles continua igual no linguajar e nas ações sabotadoras dos aloprados ao mensalão - o fanatismo de uma certeza. Para chegar a esse fim ideal, tudo é permitido, como disse Trotski: "A única virtude moral que temos de ter é a luta pelo comunismo". Em 4 de junho de 1918, declarou publicamente: "Devemos dar um fim, de uma vez por todas, à fábula acerca do caráter sagrado da vida humana". Deu no massacre de Kronstadt em 21.

No Brasil, a palavra "esquerda" continua o ópio dos intelectuais. Pressupõe uma "substância" que ninguém mais sabe qual é, mas que "fortalece", enobrece qualquer discurso. O termo é esquivo, encobre erros pavorosos e até justifica massacres. Temos de usar "progressistas e conservadores".

Temos de parar de pensar do Geral para o Particular, de Universais para Singularidades. As grandes soluções impossíveis amarram as possíveis. Temos de encerrar reflexões dedutivas e apostar no indutivo. O discurso épico tem de ser substituído por um discurso realista, possível e até pessimista. O pensamento da velha "esquerda" tem de dar lugar a uma reflexão mais testada, mais sociológica, mais cotidiana. Weber em vez de Marx, Sergio Buarque de Holanda em vez de Caio Prado, Tocqueville em vez de Gramsci.

Não tem cabimento ler Marx durante 40 anos e aplicá-lo como um emplastro salvador sobre nossa realidade patrimonialista e oligárquica.

De cara, temos de assumir o fracasso do socialismo real. Quem tem peito? Como abrir mão deste dogma de fé religiosa? A palavra "socialismo" nos amarra a um "fim" obrigatório, como se tivéssemos que pegar um ônibus até o final da linha, ignorando atalhos e caminhos novos.

A verdade tem de ser enfrentada: infelizmente ou não, inexiste no mundo atual alternativa ao capitalismo. Isso é o óbvio. Digo e repito: uma "nova esquerda" tem de acabar com a fé e a esperança - trabalhar no mundo do não sentido, procurar caminhos, sem saber para onde vai.

No Brasil, temos de esquecer categorias ideológicas clássicas e alistar Freud na análise das militâncias. Levar em conta a falibilidade do humano, a mediocridade que se escondia debaixo dos bigodudos "defensores do povo", que tomaram os 100 mil cargos no Estado.

Além de "aventureirismo", "vacilações pequeno-burguesas", "obreirismo", "sectarismo", "democracia burguesa", "fins justificando meios", "luta de classes imutável" e outros caracteres leninistas temos de utilizar conceitos como narcisismo, voluntarismo, onipotência, paranoia, burrice, nas análises mentais dos "militantes imaginários".

Baudrillard profetizou há 20 anos: "O comunismo hoje desintegrado se tornou viral, capaz de contaminar o mundo inteiro, não através da ideologia nem do seu modelo de funcionamento, mas através do seu modelo de desfuncionamento e da desestruturação brutal" (vide o novo eixo do mal da A. Latina).

Sem programa e incompetentes, os neobolcheviques só sabem avacalhar as instituições democráticas, com alguns picaretas sábios deitando "teoria" (Zizek e outros). Somos vítimas de um desequilíbrio psíquico. Muito mais que "de esquerda" ou "ex-heróis guerrilheiros", há muito psicopata e paranoico simplório. Esta crise não é só política - é psiquiátrica. 

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 07 / 01 / 2014

Correio Braziliense
"Supremo manda prender ex-presidente da Câmara"

Condenado a nove anos de prisão por envolvimento no escândalo do mensalão, o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) deve se entregar hoje à Polícia Federal em Brasília 

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, rejeitou os últimos recursos apresentados pelo parlamentar e ordenou o início da execução penal. A Justiça também determinou as multas a serem pagas por cinco réus. A maior quantia coube ao empresário Marcos Valério, no valor de R$ 3,06 milhões, referentes aos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa e outros. O ex-deputado José Genoino, que cumpre prisão domiciliar temporária na capital federal, terá de pagar R$ 468 mil aos cofres públicos.

O Estado de S. Paulo
"STF rejeita recursos e João Paulo se apresenta hoje"

Deputado cumprirá pena em regime semiaberto; Genoino tem 10 dias para pagar multa de R$ 468 mil

O presidente do STF, Joaquim Barbosa, rejeitou recursos do deputado João Paulo Cunha (PT-SP) no processo do mensalão e autorizou o cumprimento do acórdão que determina sua prisão. O petista informou que deve se apresentar à PF às i2h de hoje, em Brasília. Cunha foi condenado a 9 anos e 4 meses de prisão em regime fechado por lavagem de dinheiro, corrupção passiva e peculato. A decisão de Barbosa, porém, refere-se aos recursos apresentados sobre crimes de corrupção passiva e peculato. Juntos, eles somam seis anos e quatro meses de prisão e dão direito ao regime semiaberto. Apesar da decisão de ontem, Cunha deverá ter novo julgamento, ainda sem data, pelo crime de lavagem de dinheiro, que soma três anos. A Vara de Execuções Penais do DF determinou que o ex-presi-dente do PT José Genoino seja intimado a pagar em 10 dias a multa de R$ 468 mil imposta pelo STF.

Twitter

segunda-feira, janeiro 06, 2014

Dominique


Opinião

Municípios sem saneamento

O Estado de S.Paulo
Não foi por falta de tempo que cerca de 70% dos 5.570 municípios deixaram de elaborar seus planos de saneamento básico e de resíduos sólidos urbanos e, por isso, a partir de 1.º de janeiro de 2014, terão bloqueados os recursos que o governo federal poderia destinar a eles em programas nessa área. Desde janeiro de 2007 as prefeituras sabem que precisam elaborar um plano de melhoria dos serviços e da infraestrutura de abastecimento de água, coleta de esgotos e tratamento do material recolhido, limpeza urbana, manejo de resíduos sólidos, drenagem e destinação de águas pluviais urbanas.

Eventuais enchentes não serão culpa apenas das chuvas intensas, da mesma forma que a alta incidência de determinadas moléstias na população infantil não decorrerá do descuido das famílias. Serão, sobretudo, o resultado da desídia com que muitos gestores municipais lidam com essa questão essencial para a qualidade de vida e, em muitos casos, para a segurança dos munícipes.

A legislação nacional de saneamento básico estabeleceu, inicialmente, o ano de 2010 como prazo-limite para todos os municípios apresentarem seus planos integrados de saneamento básico. Como muito poucos deles conseguiriam cumprir o prazo, foi fixado o último dia de 2013 para que o fizessem. O número de prefeituras que cumpriram o prazo é muito pequeno e, como admitem dirigentes de associações municipais, novo adiamento de nada adiantará.

Observe-se que só no início de dezembro de 2013 o próprio governo federal conseguiu aprovar formalmente o Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), previsto na legislação de 2007. Mas isso não serve de desculpa para o atraso das prefeituras na elaboração de seus planos específicos, pois os parâmetros essenciais do Plansab, bem como as responsabilidades dos municípios, são conhecidos há muito tempo.

O Plansab prevê investimentos de R$ 508 bilhões entre 2014 e 2033, com recursos públicos (federais, estaduais e municipais), de prestadores públicos e privados de serviços de saneamento, de outras empresas privadas e de organismos internacionais. Entre outras metas, o plano prevê, até 2033, o atendimento de 99% da população brasileira com água potável (100% na área urbana) e de 92% com esgotamento sanitário (93% na área urbana). A coleta de lixo na área urbana será estendida a toda a população e não haverá mais lixões ou vazadouros a céu aberto no País.

Pesquisas do Instituto Trata Brasil, que defende a disseminação dos serviços de saneamento básico no País, mostram que crianças de 0 a 5 anos são as grandes vítimas da falta de rede pública de abastecimento de água e de coleta de esgotos. Dados do Sistema Único de Saúde, de sua parte, mostram que os maiores gastos com internações em razão de diarreia ocorrem, proporcionalmente, nos municípios com sistemas precários de saneamento básico.

Dados como esses, no entanto, não têm sido suficientes para convencer boa parte dos prefeitos a dedicar mais atenção ao problema. Alguns fatores, como a falta de recursos e, sobretudo, de pessoal especializado - engenheiros sanitaristas, médicos, economistas, entre outros -, limitam sua atuação para a elaboração do plano municipal de saneamento básico. Mas eles não impedem que os administradores municipais façam o que precisa ser feito para melhorar a saúde e as condições de vida da população.

O governo federal, por exemplo, tem mecanismos de financiamento desses planos, um para municípios com mais de 50 mil habitantes, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e outro para os municípios menores, por meio da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Além disso, cursos de preparação de técnicos municipais foram oferecidos em diversos Estados. A associação de municípios próximos e de características semelhantes pode reduzir os custos e viabilizar financeiramente a elaboração dos planos, sem desrespeitar as características de cada um.

Antes de tudo, porém, é preciso que os administradores municipais entendam a importância do saneamento básico - o que parece não ter ocorrido ainda na escala necessária.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 06 / 01 / 2014

Correio Braziliense
"Postos comunitários da PM estão abandonados"

O projeto tinha como objetivo aproximar a Polícia Militar da população e coibir a ação de bandidos

Mas os postos de segurança, a cada dia mais sucateados e abandonados pela própria PM, já não intimidam os criminosos. Só nos últimos dias, pelo menos quatro dessas unidades foram alvo de depredações no Guará II, Riacho Fundo II e em Santa Maria. “Com o efetivo que a PM tem hoje, não dá para colocar mais policiais na rua”, lamenta um militar que preferiu não ter o no me divulgado. Em Planaltina, bandidos deram três tiros em um rapaz, depois o amarraram num carro e o arrastaram pela rua. Nessa mesma cidade do DF, outras cinco pessoas foram feridas à bala no fim de semana.

O Estado de S. Paulo
"Veto de Dilma abre brecha para afrouxar controle de custos"

Presidente retira da LDO referência para preços de obras na construção e rodovias; TCU vê fiscalização enfraquecida

Ao sancionar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) no final do ano, a presidente Dilma Rousseff vetou artigos que abrem brecha para afrouxar o controle sobre custos de obras públicas. Dilma já havia excluído do texto enviado ao Congresso os pontos que definiam tabelas oficiais da Caixa e do Dnit como referência de preços para projetos de construção e de rodovias, mas os parlamentares votaram a LDO com os artigos. Estes critérios foram transferidos para um decreto presidencial, editado em abril, e podem ser alterados pelo governo sem serem apreciados pelo Congresso, informam Fábio Fabrini e Ricardo Delia Coletta. É a primeira vez em 14 anos que os parâmetros de precificação não constam da LDO. Para o presidente do TCU, Augusto Nardes, a decisão enfraquece os mecanismos de fiscalização e surpreende, “porque a presidente tem tido um discurso muito favorável ao controle em relação a fraudes e desvios”. O Congresso ainda pode derrubar o veto.

Twitter
 
Free counter and web stats