quarta-feira, dezembro 31, 2014

Dominique

Opinião

Diante da seca, faraós aumentam impostos

Em um reino distante, uma geração de faraós competia para construir obras maiores e mais visíveis, que pudessem preservar para sempre a memória de seus governos. Na capital, o Vizir Novo ansiava por dinheiro para construir o Grande Arco na entrada da cidade.

Para superar o impacto de tal monumento e tornar ainda mais evidente a sua própria imagem, o Governador Provincial projetava túneis e estradas circulares onde coubessem num mesmo dia todos os viajantes do reino, um parado atrás do outro, para admirar o "estado da arte" da engenharia faraônica.

Maior de todas, a rainha planejava derrubar florestas e em seu lugar instalar lagos imensos. De quebra, construiria no fim do mundo conhecido grandes acampamentos para empacotar trabalhadores do reino, longe do conforto das praças e palácios dos centros urbanos. "Minhas obras são minha vida", repetia.

Um misto de pavor e cólera possuiu os três quando o Tesoureiro real (na falta de nome melhor o chamei de José) avisou que uma grande seca abateria o reino por alguns anos e espalharia pobreza e falta de alimentos. Que era preciso parar de gastar, economizar para atravessar com vida aquele período.

"É inadmissível que eu não possa construir meu Arco", disse o Vizir; "Eu exijo meus túneis" falou o Provincial; "Tenho que acelerar o crescimento", alegou a Faraona.

Primeiro, José fez ouvidos moucos. Depois, quando ameaçaram abatê-lo em público como tinha ocorrido ao ministro Mantega do distante Brasil, José se apressou a tomar providências: "Isso não dá, eu jamais suportaria tal humilhação pública". Assim, apresentou logo a solução para atravessar o período de crise: "Vamos aumentar impostos. No primeiro momento, os ricos do reino vão ser pegos de surpresa e o tesouro ficará cheio. No segundo momento, eles atravessarão o deserto e levarão seu dinheiro para outros reinos. Mas a essa altura, restarão os pobres e deles tiraremos o sangue e o couro. Cada vez que um trabalhador for para sua casa sua vida, no fim do mundo, uma passagem na biga lotada custará como três bigas e meia. Vamos aumentar também o preço das velas: à noite, ao acender o fogo, se lembrarão de nós".

"Mas e se todos ficarem ainda mais pobres e não lhes sobrar dinheiro para comer?" perguntou a rainha. "Então distribuiremos bolsas mensais com comida e daremos descontos nas bigas. Os que tiverem sobrado agradecerão a imensa bondade do governo e o seu reino não terá fim."

Por algum tempo tiveram sucesso. O Vizir construiu pontes sobre os rios para que no futuro todos pudessem contemplar o seu Arco; o Provincial fez estradas tão grandes que atraiam todos os reinóis que se empacotavam em admiração. A Rainha extinguiu as florestas e fez do deserto um oceano.

Os problemas começaram quando o mar se tornou deserto; os ricos do reino foram para Mianmar e só a pobreza sobreviveu no Egito. Descoberta milênios depois, coberta de areia, a obra do Vizir passou a ser chamada "O Arco do Passado". O Provincial fracassou ao tentar conquistar o trono; hoje suas estradas unem dunas desertas. E Faraona se transformou em uma estátua de sal ao olhar para trás e ver que sob seu governo, o reino foi coberto por montanhas de areia. 

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 31 / 12 / 2014

O Globo
"Dilma dá reajuste menor para tabela do IR e mínimo"

Restrição a benefícios sociais começa em 60 dias

Piso salarial é arredondado para baixo e será de R$ 788 a partir de janeiro; já Imposto de Renda terá correção de 4,5%

Era um cenário de aperto nas contas do governo, a presidente Dilma Rousseff arredondou para baixo o valor do salário mínimo, fixado em R$ 788 a partir de amanhã, com reajuste de 8,84%. A Comissão Mista de Orçamento do Senado apro vara R$ 790. A decisão representa economia anual de R$ 600 milhões. Dilma também vai vetar o reajuste de 6,5% na tabela do IR e editar medida provisória com correção de 4,5%. As restrições ao acesso a benefícios como seguro-desemprego, pensões e abono salarial começam em março. Mas o Ministério do Trabalho enviou nota ao Planalto alertando que a mudança no PIS seria inconstitucional.

Folha de S.Paulo
"Sob Dilma, dólar lidera ranking de aplicações"

Nos quatro anos de gestão da petista, fundo cambial teve avanço de 59,1%

No primeiro mandato da presidente Dilma, os fundos cambiais, que seguem o dólar, foram as aplicações de maior rentabilidade. De 2011 a 2014, esses fundos, indicados como proteção contra o avanço do dólar, tiveram ganho líquido de 59,1%, resultado, entre outros pontos, da valorização da moeda com o crescimento da economia americana. Populares no passado e de custo elevado, os fundos cambiais aplicam basicamente em contratos de dólar na Bolsa e em dívida corrigida pela moeda dos EUA. Por outro lado, fundos de ações subiram apenas 10,7% nesses quatro anos de Dilma, abaixo da inflação oficial prevista, de 27,1%. “Com Dilma, aumentou a aversão ao Brasil devido ao maior intervencionismo na economia, baixo crescimento e risco de mudança nas regras do jogo”, disse Rafael Paschoarelli, professor de finanças da USP. 

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terça-feira, dezembro 30, 2014

Dominique

Opinião

A festa dos desalentos

Janio de Freitas
O ensaio, na tarde dominical, foi mais autêntico: não tinha povo. Para a posse, o PT providencia a ida de centenas de ônibus, há quem fale em 800 deles, que levem a Brasília forasteiros em milhares suficientes para o que deve ser uma posse presidencial petista. Mas, a poucas horas dessa posse, o PT ainda luta pelo reconhecimento ao seu direito de uma presença menos inadequada ao novo "governo petista".

O PT se esvazia. Os "governos petistas" esvaziam o PT. Os "governos petistas" servem ao PMDB, proporcionam-lhe a nutrição que trouxe de volta o seu predomínio político, perdido quando o governo do PSDB entregou-se ao PFL, o hoje comatoso DEM.

A militância petista míngua, no corpo e no espírito. Com suas bandeiras relegadas e até contestadas pelos "governos petistas", nas eleições a militância exibiu a que está reduzida: no seu território, São Paulo, não foi capaz de mobilizar-se, de ser parte efetiva da disputa. Não para enfrentar as dificuldades paulistas dos candidatos do seu partido à Presidência e ao governo estadual, mas para não ser, como foi, com seu alheamento, a causa fundamental dessas dificuldades.

Os chamados movimentos sociais sentiram os efeitos do desalento petista. Com a recusa a ser petistas nos "governos petistas", mesmo em atitudes tão simples como prestigiar o PT no Congresso, Lula e Dilma fizeram o mesmo por modos e em graus diferentes: Lula conteve os movimentos sociais, Dilma desconheceu-os.

Podem ser 800 ônibus, até mais, é provável que lotados. Mas não será o PT viajando neles. É só aquela lembrança de militância petista, é uma representação da militância que não se moveu nas eleições, porque não foi reconhecida nem reconheceu os "governos petistas". É uma presença simbólica dos movimentos sociais, imagino que saudosos de si mesmos. São pessoas que esperariam ouvir falar, quando a eleita falou do novo governo, em ainda mais empregos, em distribuição da renda subindo, subindo, subindo muito mais, e o Minha Casa, Minha Vida se completando, e os empresários sendo chamados a gastar menos bilhões em casas no exterior e investir mais no seu país.

Não foi o que o PT ouviu. Por certo, grande parte dos petistas e dos componentes de movimentos sociais nem entendeu o que ouviu, nas escolhas ministeriais auspiciosas para a direita e conservadores em geral. Tudo sugere que a massa dos recém-empregados e dos beneficiados pelo assistencialismo entenderá pelo método prático. É o seu método histórico de aprendizado. Mas são muito diferentes o longo não receber e o perder ganhos. Ainda assim, às vezes dão no mesmo. Às vezes, não.

O que não foi dito quando esperado será dito nos discursos, é o que convém aos discursos dos vitoriosos. E Dilma Rousseff é vitoriosa. À qual acrescenta uma explicação, para os que não entendem como lida com sua vitória: "Saber vencer é não ter medo de mudar a si próprio, mesmo que isso lhe cause algum desconforto".

Essa, porém, é a sabedoria conveniente a quem perdeu, não a de quem venceu. O perdedor é que não deve temer a lição da derrota, e aprender com a reprovação o que deve mudar para vencer. A sabedoria do vencedor –e, nela, os valores éticos– consiste em ser coerente com o que disse e fez para obter o apoio que lhe deu a vitória.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 30 / 12 / 2014

O Globo
"Seguro-desemprego e pensão terão regras mais rígidas"

Contas públicas registram pior resultado em 17 anos; gasto sobe mais que receita

Em medida provisória que será enviada hoje ao Congresso, Dilma vai restringir acesso a benefícios trabalhistas, incluindo o abono salarial, e de previdência. Objetivo é economizar R$ 18 bilhões a partir de 2015

O governo envia hoje ao Congresso medida provisória que reduz direitos de trabalho e de previdência, com restrições no acesso ao seguro-desemprego, ao abono salarial e a pensões, que deixam de ser vitalícias para cônjuges jovens. A economia prevista é de R$ 18 bilhões em 2015. É o primeiro corte de gastos para o segundo mandato de Dilma, num cenário em que as despesas têm crescido mais que as receitas. O setor público teve déficit primário de R$ 19.6 bilhões no ano — e não conseguiu economizar para pagar juros da dívida. O resultado foi puxado pelo governo federal, que em novembro teve o pior rombo em 17 anos.

Folha de S.Paulo
"Governo endurece regras para obtenção de benefício"

Meta é poupar R$ 18 bi ao ano para reequilibrar as contas

A três dias da posse da presidente Dilma, o governo anunciou regras mais rígi das para concessão de benefícios trabalhistas e pievi-denciários. A mera é econo i niv.ar RS 18 bilhões ao ano e reequilibrar as contas públicas para recuperar a credibilidade da política fiscal. As medidas endurecem a concessão de abono salarial, seguro-desemprego, pensão por morte e auxílio-doença. Em geral, as mudanças elevam os prazos para obter o beneficio. No seguro-desemprego, o período de carência passa de seis para 18 meses na primeira solicitação. Além disso, Dilma deve vetai mudanças na tabela do Imposto de Renda. Segundo o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil), as medidas corrigirão distorções que existem nos programas. “Se não fizermos alterações, as futuras gerações pagarão um preço muito alto.” As mudanças só valem para novos benefícios e ainda terão de ser aprovadas pelo Congresso. Integrantes da oposição criticaram as medidas e acusaram Dilma de mentir na campanha eleitoral ao negar que tomaria medidas contrárias aos trabalhadores. 

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segunda-feira, dezembro 29, 2014

Dominique

Opinião

Crônica de quatro faces

Antonio Prata
A primeira gaveta, a dos talheres, é a mais organizada. Divisórias separam os garfos, as facas e as colheres grandes; os garfos, as facas e as colheres de sobremesa; por fim, num escaninho perpendicular, ficam as colherinhas de café. Essa arrumação militar me traz sentimentos contraditórios. Por um lado, vendo cada coisa em seu lugar, me tranquilizo: temos aqui um lar, um teto, um ninho seguro para criar os filhos, construído dia a dia –garfo a garfo– com o suor do nosso rosto. Sei que a última frase soou meio clichê. É que o lugar comum, como a própria expressão aponta, traz o conforto do reconhecimento –e eis aí a segunda parte dos sentimentos contraditórios sugeridos pela gaveta: essa tranquilidade desperta em mim a ânsia do rebanho. Trata-se, sem dúvida, de uma gaveta totalitária. Ali dentro não há qualquer possibilidade de dissenso: uma colherinha de café que resolva fazer companhia pras facas é imediatamente reconduzida ao seu compartimento. Stalin seria um bom patrono para a primeira gaveta. Kafka saberia retratar bem seus horrores. Ou Orwell? (No fundo da primeira gaveta, através de uma pequena "Teletela", o Grande Irmão assiste a tudo.)

A gaveta de baixo é diferente. Não há divisórias. Todos se misturam. Parece uma festa. Uma festa do jet set , claro, porque ali não há sombra de padronização, cada um é único, o melhor de sua área: a faca de churrasco flerta com a espátula de silicone, o saca-rolhas conta uma piada pro descascador de cenoura, a escumadeira cochicha algo para o funil. Se a primeira gaveta veste farda, a segunda é esporte fino. Lá no fundo não há "Teletela", mas um globo de espelhos.

A terceira gaveta também é uma festa, só que mais esculhambada. Ali moram os utensílios que a gente não usa. Uma geringonça de espremer batata, colheres de pau lascadas, uma faca de pão com o cabo derretido, ancestrais garfinhos de fondue. (Nunca fizemos fondue. Será que ainda temos a panela?). Pensando bem, talvez eu esteja sendo preconceituoso: por que "esculhambada"? Talvez, festa boa, mesmo, seja a da terceira gaveta. Não aquele clima de cercadinho VIP da segunda, mas de jam session num hotel decadente. Bem mais interessante bater um papo com a faca de cabo queimado e ouvir a história de sua cicatriz do que aguentar a espátula da Spyce, no andar de cima, contar vantagens sobre seu cabo de silicone. Britney Spears, Tom Cruise e Cristiano Ronaldo estariam na segunda gaveta. Itamar Assumpção, Jacques Tati e Sócrates, na terceira.

E a quarta e última gaveta? Pois é, taí uma questão que eu nunca consegui responder. A quarta gaveta é um limbo, um "achados e perdidos" onde se misturam o manual de instruções da geladeira, uma caixa de palitos Gina, três jogos americanos (diferentes), um toco de vela, araminhos de fechar pão e uns hashis de japonês delivery ainda com telefones de sete dígitos. É como se, saindo da organização platônica da primeira gaveta, fôssemos descendo rumo à desordem, até chegar à indeterminação total, onde tudo perde o sentido. Perdoem terminar assim essa crônica natalina, sem vislumbre de manjedoura ou cheiro de panetone: mas essas gavetas, mas esse conhaque, botam a gente comovido como o diabo.

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 29 / 12 / 2014

O Globo
"Metade das cidades não terá verba de saneamento"

Para receber transferência da União, decreto exige criação de conselho Associação Brasileira dos Municípios estima que ao menos 50% das prefeituras não se adequaram à nova legislação

A Associação Brasileira dos Municípios (ABM) estima que ao menos metade das cidades brasileiras começará 2015 sem poder mais ter acesso a transferências da União para investir em saneamento básico. O motivo é que a maioria das prefeituras não criou conselhos municipais para acompanhar a execução de projetos, exigência de um decreto federal que passará a valer a partir de 1º de janeiro. “A estimativa é que somente de 20% a 30% dos municípios tenham conselho municipal que cuide de saneamento”, diz José Carlos Rassier, secretário-geral da ABM. O Ministério das Cidades diz que não adiará o prazo, mas garante que convênios já assinados e transferências constitucionais não serão afetados.

Folha de S.Paulo
"Juízes de SP são cobrados por processos acumulados"

Dos 357 desembargadores do Estado, 35 são responsáveis por 31% dos casos em atraso

Um grupo de desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo com processos atrasados acumulados nos gabinetes passou a ser alvo de cobranças da cúpula do tribunal e do Conselho Nacional de Justiça, informa Frederico Vasconcelos. O presidente do TJ, José Renato Nalini, disse que alguns juízes não conseguem atingir os índices de produtividade do tribunal. A corregedora nacional de Justiça, Nancy Andrighi, pediu a Nalini empenho para acelerar o julgamento de casos antigos. Se o tribunal não resolver a questão, a corregedoria poderá abrir processo disciplinar. Levantamento da Folha mostra que 35 dos 357 desembargadores do Estado acumularam estoque de processos não julgados acima da média do tribunal. Esse grupo é responsável por 31% dos casos em atraso. Os desembargadores afirmam que herdaram muitas ações de outros juízes e que se empenham nos julgamentos. Alguns defendem a avaliação mensal da produção, sem o estoque antigo.

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domingo, dezembro 28, 2014

Dominique

Opinião

Sobre um feliz ano novo

Gabeira
Outro dia, encontrei um amigo na rua e perguntei: “Tudo bem?” “Tudo”, respondeu. “Comigo, tudo, mas o país, você sabe …” Aquilo não me pareceu estranho. Era como me sentia. Tudo bem no âmbito pessoal, um certo desencanto com o Brasil. Vejo agora que isso acontece em escala maior. Pesquisas indicam que estamos otimistas com nossas vidas e bastante céticos quanto à política nacional.

Quando é que essas linhas vão convergir? É uma das perguntas que faço. Até que ponto as peripécias políticas vão envenenar nosso cotidiano? Ou até que ponto nosso otimismo pessoal acabará transbordando no universo político?

No meu caso, o sucessivo aumento do dólar dificulta os sonhos de acompanhar uma indústria que se move com uma velocidade vertiginosa.

As câmeras servem para reproduzir a realidade. Quanto mais modernas, mais capazes de transmitir uma decapitação no deserto, o massacre de crianças pelo Talibã, o pouso de um robô num cometa. Elas registram tudo com uma frieza algorítmica.

Em outras palavras, o progresso técnico apenas revela também o lado tenebroso da Humanidade. O filme americano “Blade Runner” foi uma boa antevisão disso tudo. Progresso e barbárie andaram juntos em 2014.

Não há razão para desespero. No Brasil, a operação Lava-Jato lançou luz sobre o escândalo do Petrolão. O próprio juiz Sérgio Moro chamou a atenção para a existência das mesmas práticas em outros setores, além do petróleo.

Um dos ex-diretores da Petrobras, Paulo Roberto Costa, foi mais longe e disse que a corrupção estava presente em todas as dimensões da atividade pública.

Não demorou muito, o jovem prefeito de Itaguaí, Luciano Mota (PSDB), confirmou essa tese: usava uma Ferrari amarela para se deslocar na cidade, tinha televisões com telas gigantescas, esbanjava dinheiro. Possivelmente, royalties do petróleo.

O juiz Sérgio Moro colocou a possibilidade de combater esse processo e reduzi-lo, radicalmente. Mas juízes e procuradores não resolvem sozinhos. Será preciso um esforço nacional.

Depois de uma Copa do Mundo e de eleições presidenciais, o país parece estar um pouco inseguro sobre sua identidade. Ainda ecoam os gritos de gol da Alemanha, naquele célebre 7 a 1.

Eo processo político foi pós-moderno. A palavra-chave era desconstrução. E a teoria vitoriosa, a de que não existe verdade, apenas versões.

Os eleitores de Dilma cobram coerência. Gente da oposição, também. Mas o curso da campanha avisava com muita nitidez: não há coerência, apenas táticas para vencer.

Gostaria de analisar outros discursos, outras retóricas. Mas Dilma é a presidente do Brasil. Ela declarou solenemente: alguns diretores da Petrobras foram colhidos pelo combate à corrupção.

Interessante como ela transforma o processo num fenômeno quase natural. Choveu, e algumas casas foram derrubadas. Passou um bonde contra a corrupção e acabou levando alguns diretores da empresa.

Sabemos que não é bem assim. Havia um esquema político manipulando os diretores da Petrobras. Quando uma gerente quis denunciar o processo de superfaturamento, Paulo Roberto Costa, mostrando o retrato de Lula e a sala de José Sergio Gabrielli: “Você quer derrubar tudo?”

Com dados abundantes, a Operação Lava-Jato demonstra uma corrupção sistêmica. No discurso de Dilma, tentados pela fortuna, alguns dirigentes da Petrobras foram colhidos pelo combate à corrupção. Um fato isolado, o Brasil não vive uma crise ética, conforme ela mesma declarou a jornais latinos.

No momento em que o mundo dá suas voltas, isso só faz atrasar nosso passo. Parece que fomos condenados a cantarolar indefinidamente: “Mentira, foi tanta mentira que você contou”.

Se assumissem sua responsabilidade, poderíamos discutir coisas mais sérias. Como sair dessa enrascada, por exemplo?

A queda de 77% nos títulos de empresas brasileiras no exterior mostra como a economia nacional foi atingida pelo escândalo da Petrobras.

Estamos felizes, crianças crescendo, os amigos, a vida familiar em paz, um trabalho. Mas até que ponto uma parte dos brasileiros estaria mais feliz ainda se pudesse contar com um sistema que ela ajuda a sustentar?

Com a aspereza de uma crise econômica e eclosão de um grande escândalo, não sei como vai se desdobrar nossa equação de felicidade.

Da minha parte, sobretudo neste momento do ano, desejo toda a felicidade do Butão, aquele pequeno país asiático que tem a felicidade, e não o PIB, como alvo de crescimento.

Em termos de crescimento econômico, não espero tanto do Brasil em 2015. A brecha para se aumentar a felicidade é desvendar, punir e reformar um sistema de corrupção que os brasileiros já não aceitam.

Um ano novo não rompe simplesmente. Ele precisa ser construído. Desatar o nó da corrupção sistêmica é dificílimo. Ainda bem que estamos felizes. Por que não tentar?

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 28 / 12 / 2014

O Globo
"Estados pagam pensão a 104 ex-governadores"

Benefício existe em 21 unidades da Federação e custa R$ 47 milhões ao ano 

Um levantamento do GLOBO nas 27 unidades da Federação mostra que 104 ex-governadores e 53 viúvas recebem aposentadoria vitalícia. Esses benefícios custam R$ 47 milhões ao ano e são pagos em 21 estados, informam Simone Iglesias e Chico de Gois. Em 11 deles, a regra está ativa e valerá para quem está deixando o cargo. A lei mais recente foi aprovada no mês passado pela Bahia, beneficiando o atual governador, Jaques Wagner (PT). Quem também passará a receber a aposentadoria é a ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney (PMDB). Há também casos como o da ex-companheira de Leonel Brizola, que recebe do Estado do Rio e do Rio Grande do Sul, e de Pedro Pedrossian, que governou o Mato Grosso antes da divisão, mas depois administrou também o Mato Grosso do Sul, acumulando, com isso, duas pensões.

Folha de S.Paulo
"Alta de tarifas ameaça projeção para inflação"

Energia, transportes e combustíveis podem ter peso maior em índice oficial 

A alta da conta de luz em 2015 — que só em janeiro subirá 8,3% — põe em xeque as projeções oficiais para uma inflação abaixo do teto anual de 6,5% fixado em lei. O BC prevê IPCA de até 6,1% em 2015. Bancos consultados estimam 6,5% ou mais. Enquanto as previsões oficiais situam a elevação de tarifas residenciais em 17% no próximo ano. Analistas do mercado esperam 20%, A fatura de energia elétrica responde por 2,9% do orçamento familiar considerado na apuração do IPCA. Os especialistas trabalham com a possibilidade de uma alta mais expressiva porque há dúvidas sobre os repasses da usina de Itaipu e de encargos setoriais. Há também o impacto de outros "fortes aumentos" de preços de serviços públicos. As tarifas de transportes e os preços dos combustíveis devem subir. Essas altas, porém, podem ser compensadas pelo ritmo lento da economia. O consumo deve ser contido por um aumento menor do salário-mínimo e juros mais altos.

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sábado, dezembro 27, 2014

Dominique

Opinião

Paz e presentes na terra

Contardo Calligaris
Sempre tem alguém para se queixar de que o espírito do Natal teria sido roubado pelo comércio. Os presentes e a gastança teriam nos distraído de algo bem mais importante, e o significado "profundo" da festa se perderia na orgia de compras.

É bom lembrar, aliás, que essas compras são para os outros (especialmente as crianças), mas também (uma parte significativa) são presentes que a gente se dá.

Natal nos torna generosos com os outros e indulgentes com nós mesmos. De repente, eu também sou uma criança com direito absoluto ao sorriso; portanto, autorizo-me a comprar aquela coisa que quero tanto, que realmente não cabe no meu orçamento e a qual, no fundo, sei que não usarei nunca.

Na mesma veia da indulgência temporária, no Natal me autorizo a engordar. Não é preciso (e é difícil) achar alguma graça gastronômica na comida tradicional do Natal, mas, de antemão, estou disposto a ganhar dois quilos, pelo prazer de interromper aquele regime ao qual me submeto há meses.

Enfim, não pretendo que o Natal se confunda com decoração de shopping, presentes e tempo de engorda. E, sem dúvida, mais de uma vez, no passado, critiquei o consumismo natalino. Mas, desta vez, fiquei a fim de discutir com os que criticam os presentes e a ceia de Natal.

Tudo bem, concordo: Natal é uma festa de sentimentos e afetos (solidariedade, amor ao próximo etc.). Uma espécie de candor talvez fosse a disposição mais desejada quando eu era criança –isso, e a sinceridade na hora de escrever a cartinha ao menino Jesus.

Agora, às vezes suspeito que a história dos sentimentos seja uma desculpa para evitar passar algumas tardes cansativas procurando (ou inventando) presentes.

A grande dificuldade não está em gastar com os presentes; a dificuldade está em ter que se perguntar qual seria o presente certo para cada amigo e parente. O que ela gostaria mesmo de receber? Como surpreender o outro por termos adivinhado o que ele queria?

Prova disso, estou muito a fim de fazer um presente quando tenho uma ideia clara do que poderia ser.

Neste ano, por exemplo, pensei num porta-pílulas de bolso para um amigo que usa medicação diária, num suporte para teclar confortavelmente para uma amiga que só usa computador na cama e, ironicamente, num binóculo para teatro destinado a um amigo que sempre escolhe assentos de onde eu mal consigo enxergar onde está o palco.

Mas voltemos à pergunta anterior: será que o presente desvirtua o afeto? Por que oferecer presentes e não sentimentos?

Como disse, sou sensível a esse argumento, mas também pergunto: será que essa história de afeto não é uma desculpa para sermos avaros, do dinheiro para comprar presentes e, sobretudo, do tempo necessário para escolher e procurar o presente certo?

Na polêmica contra os presentes, alguns lembram que a origem do hábito seriam os reis magos, que homenagearam o menino Jesus no dia 6 de janeiro.

Eu acho que a ideia do presente está no Natal cristão mesmo. Afinal, Deus teria nos oferecido o filho dele, sacrificando-o para nossa salvação. Quer presente maior?

Não se alarme, não virei crente. Continuo achando a história bizarra, mesmo no Natal. 1) Nunca entendi a gravidade do pecado original, que teria tornado necessária a vinda do Messias; 2) nunca entendi por que, para redimir a gente, era preciso que o filho de Deus passasse por tamanho sofrimento. A única explicação que encontro é que foi de propósito, para que a gente se sentisse culpado para sempre.

Justamente, para não me sentir culpado, no Natal, dou e me ofereço presentes. Para mim, comprei: "On Symbols and Society", de Kenneth Burke, que queria ler há tempos, um telescópio (para usar em Nova York, que é uma cidade em que uma infinidade de janelas sem cortinas parecem palcos permanentes do cotidiano). Também me ofereci "Humans of New York", de Brandon Stanton (retratos de nova-iorquinos comuns), pela mesma razão pela qual me ofereci o telescópio.

Para mais um amigo, comprei "O Estranho Caso do Cachorro Morto" (Record), de Mark Haddon, que é um livro que adoro e que se tornou uma peça de teatro em Londres e agora em Nova York (onde estou agora também para ver a dita peça).

Bom, vou a Amy's Bread, na Nona Avenida, para o melhor pão de Nova York.

Feliz Natal a todos, com ou sem presentes. Mas melhor com.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 27 / 12 / 2014

O Globo
"Escândalos derrubam ações da Petrobras em 6,19%"

Papel da empresa volta a valer menos de R$ 10

Risco de rebaixamento da petrolífera e novo processo nos EUA assustam investidores

No primeiro pregão da Bolsa de Valores após os feriados do Natal, as ações da Petrobras tiveram forte queda, devido ao anúncio, feito pela agência Moody’s, de que poderá rebaixar a empresa. Os papéis ON caíram 6,19%, para R$ 9,85, reagindo também ao novo processo contra a empresa na Justiça americana, iniciado no dia 24, pela prefeitura de Providence, em Rhode Island. A cidade, que comprou mais de US$ 1 milhão em títulos da Petrobras, perdeu 60% dos investimentos. Analistas acreditam que a crise na Petrobras vai dificultar a captação de recursos por outras empresas brasileiras no mercado.

Folha de S.Paulo
"Conta de luz ficará 8,3% mais cara em janeiro"

Reajuste ocorre devido ao aumento do custo de produção da energia

A conta de luz começará o próximo ano com o valor 8, 3% mais alto, informou a Aneel, agência reguladora do setor. A partir do dia 1º, os clientes das distribuidoras de energia elétrica vão pagar mais R$ 3 a cada 100 kilowatts-hora consumidos. O consumo médio de uma casa com quatro pessoas é de 170 KWh/mês. Nesse caso, a fatura da conta de energia, em média de R$ 60, subirá para cerca de R$ 65. A alta vale para todo o país em janeiro, exceto Amazonas, Amapá e Roraima, Estados abastecidos por sistemas elétricos isolados. O aumento se deve ao início do método de bandeiras tarifárias, que usa cores para indicar a evolução do custo de produção da energia. Vermelho mostra um patamar elevado. Amarelo, alta moderada. Verde, normal. A entrada em vigor do sistema, testado ao longo deste ano sem a aplicação de cobranças, se dará com o vermelho, daí a cobrança extra de R$ 3 a cada 100 kilowatts-hora consumidos. Se o sistema apontar amarelo, será R$ 1, 50 adicional. Com o verde, não há cobrança extra em relação às tarifas usuais.

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sexta-feira, dezembro 26, 2014

Aos amigos do Blog


Coluna do Celsinho

Guia Turístico

Celso de Almeida Jr.

Na última segunda-feira, pré-Natal, o amigo Ricardo Pimentel lançou oficialmente o Guia Turístico Ubatuba.

O evento na Associação Comercial serviu, também, para a auditoria que confirmou a tiragem de 20 mil exemplares.

Em 140 páginas, o guia turísitico tem o formato de bolso, é apresentado em português-inglês e relaciona 108 praias ubatubenses.

Um criterioso inventário com belas fotografias, breve histórico de locais a visitar, num acabamento gráfico excelente.

O potencial cultural, histórico, antropológico de Ubatuba - sinalizado no guia - confirma, de forma organizada, o muito que o município tem a oferecer.

A publicação leva o selo da Ideias - Estúdio Sustentável de Comunicação, pilotada pelo Ricardo, que formou uma equipe dinâmica e dedicada.

Testemunhei o esforço para viabilizar este produto editorial.

Buscando apoio no comércio local, desafios de toda ordem foram superados pelo estúdio para tornar real este belo projeto.

Valeu o empenho.

Ficou lindo!

Uma boa sugestão para presentear amigos queridos.

Ganha Ubatuba, com uma publicação de alta qualidade.

Ganham os turístas, que passam a ter um referencial seguro e prático.

Ganhamos nós, moradores desta bela cidade, que aprendemos, através do exemplo do empreendedor Ricardo Pimentel, que é possível fazer mais pelo desenvolvimento deste território magnífico.

Uma realização que entusiasma e renova nossa fé em Ubatuba, nas vésperas de um novo ano.

Feliz 2015!

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique

Opinião

Os vilões do filme

João Pereira Coutinho
Li em tempos que Kim Jong-un, o famoso ditador da Coreia do Norte, tinha um gosto pantagruélico por "westerns" norte-americanos. Aliás, não apenas por "westerns": John Ford ocupava um lugar especial no panteão do demente.

O amor de Kim era tão intenso pelo cinema clássico americano que, nas horas vagas, quando não estava a matar a família para proteger o seu poder, essa última relíquia stalinista era o crítico de cinema oficial no jornal oficial de Pyongyang.

Quando soube da paixão de Kim Jong-un por Ford (sim, também é o meu diretor favorito), confesso que senti uma certa simpatia. Ah, se o homem não fosse um psicopata, com o corte de cabelo mais ridículo do mundo e uma estranha obsessão com brinquedos nucleares, talvez isso fosse o início de uma bela amizade.

Mas o gosto de Kim por John Ford talvez ajude a explicar a grande polêmica do momento.

Segundo se sabe, os estúdios da Sony foram alvo de ciberataques. Tudo porque a empresa, prolongando o seu gosto por comédias débeis, produzidas por débeis e consumidas por débeis, tencionava lançar o filme "A Entrevista". No referido filme, Kim Jong-un era assassinado no final.

Os terroristas cibernéticos ameaçaram retaliar com dureza se o filme fosse para as salas. A Sony, em gesto de grande coragem, decidiu jogar o filme no lixo.

Barack Obama está "consternado". E acusa a Coreia do Norte de exercer censura sobre Hollywood. A Coreia do Norte responde: propõe um inquérito conjunto ao incidente e pede que as acusações de Obama sejam retiradas, caso contrário haverá "sérias consequências". Não é de excluir que Kim Jong-un mude radicalmente de penteado.

Não pretendo perturbar as relações tensas entre Washington e Pyongyang. Mas pergunto, com humildade cristã, se Kim e os seus pigmeus não terão feito um favor à sétima arte.

Pelas críticas que li ao filme, "A Entrevista" prometia ser atroz. E qualquer cinéfilo respeitável não pode deixar de pensar o que teria sido do cinema americano se, nos últimos anos, Kim Jong-un tivesse exercido preventivamente a sua função de crítico sobre filmes como "American Pie", "Todo Mundo em Pânico" ou "Sex and the City". O cinema americano teria saído a ganhar.

Sem falar do óbvio: Kim talvez considere um desrespeito que a sua Coreia do Norte seja tratada em tom de comédia. Tem inteira razão. Um regime comunista que aprisiona, tortura e mata o seu povo como nos melhores tempos da União Soviética ou da Alemanha nazista não é assunto para rir.

Finalmente, o argumento favorito dos paladinos da liberdade de expressão, plasmado com seriedade pelo insuspeito "The Guardian": o Ocidente não pode vergar-se aos caprichos de um tirano da mesma forma que não se vergou quando Salman Rushdie foi condenado à morte pelo aiatolá Khomeini depois da publicação de "Os Versos Satânicos".

Lamento, mas essa indignação já vem tarde: em 1989, o Ocidente não foi unânime na defesa de Rushdie. Que me lembre, e só de memória, escritores como Roald Dahl ou John Le Carré (imediatamente expulsos da minha biblioteca para sempre) até "compreenderam" a "fatwa" do aiatolá. Deu no que deu.

Exatamente como a Sony "compreendeu" a "fatwa" dos terroristas, cancelando o filme e concedendo uma vitória para eles.

Se pensarmos bem, não é Kim Jong-un quem censura ou ameaça. Ele não é, metaforicamente falando, o vilão deste filme.

Os verdadeiros vilões somos nós, ocidentais, que nos censuramos e silenciamos voluntariamente.

De igual forma, não é Kim Jong-un quem desrespeita a liberdade de expressão. Somos nós, ocidentais, que fazemos dela uma paródia, suspendendo princípios que deveriam ser sagrados em democracias pluralistas.

Uma cultura saudável, perante a ameaça de terroristas cibernéticos ou do inconfundível Kim Jong-un, avançaria com o filme na mesma –de preferência, com uma grande festa de lançamento– e aconselharia o ditador da Coreia do Norte a mudar de barbeiro. Ou de psiquiatra.

Pateticamente, Hollywood ajoelha-se perante um tirano e depois Barack Obama promete "investigar" o sucedido.

Eis uma tragédia que nem John Ford seria capaz de retratar. 

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 26 / 12 / 2014

O Globo
"Empreiteiras serão julgadas com lei mais rigorosa"

Parte da propina foi paga já com legislação anticorrupção em vigor

Engevix fez depósito a doleiro um mês após texto entrar em vigência; dissolução compulsória da empresa é uma das sanções previstas

Notas fiscais apreendidas pela Polícia Federal na Operação Lava-Jato comprovam que a empreiteira Engevix pagou propinas ao esquema de corrupção na Petrobras em fevereiro de 2014, um mês depois de a rigorosa Lei Anticorrupção entrar em vigor. Com isso, segundo a força-tarefa do Ministério Público, poderá ser julgada com base na nova lei, que prevê a dissolução compulsória ou a suspensão das atividades das empresas envolvidas, a perda de bens e o pagamento de multas milionárias, entre outras sanções. Os procuradores devem enquadrar outras construtoras na lei, além de processar seus executivos criminalmente.

Folha de S.Paulo
"SP nunca registrou tanto roubo como neste ano"

Mesmo sem dezembro, 2014 tem o maior número desse tipo de crime em 13 anos

Apesar de ainda faltar um mês para o fechamento anual das estatísticas de violência, 2014 já é o ano que teve mais roubos no Estado de São Paulo nos últimos 13 anos. De janeiro a novembro, foram 286. 523 crimes desse tipo, o maior desde 2001, início da atual metodologia. Os dados da Secretaria da Segurança mostram que o mês passado foi o novembro mais violento da série histórica, com 23. 507 roubos. Foi também o 18º aumento consecutivo desse tipo de crime, tanto no Estado como na capital. Procurado, o governo não quis comentar. A gestão do governador Alckmin (PSDB) costuma dizer que parte do resultado se deve à possibilidade de registrar pela internet os casos de roubo. Os números ruins explicam a queda do secretário Fernando Grella, que dará lugar, em janeiro, ao advogado Alexandre de Moraes. Na cidade de São Paulo, os homicídios dolosos (com intenção) caíram 14% no mês passado em relação ao mesmo período de 2013. A queda no número de vítimas foi maior, de 19%. No entanto, em todo o Estado, houve aumento de 2% nos casos de homicídio. 

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quinta-feira, dezembro 25, 2014

Dominique

Opinião

Cada macaco no seu galho

Elio Gaspari
A doutora Dilma podia ter a melhor das intenções quando anunciou que pediria ajuda ao Ministério Público na escolha de seus ministros. Ou a pior. Na hipótese benigna, não queria correr o risco de nomear um larápio. Na maligna, queria transferir para o Ministério Público uma responsabilidade que é inteiramente sua. Nomearia o sujeito, ele apareceria numa petrorroubalheira e ela tiraria o corpo fora, pois a Procuradoria nada tivera contra o magano. O ex-ministro Joaquim Barbosa disse muito bem: "Que degradação institucional! Nossa presidente vai consultar um órgão de persecução criminal antes de nomear um membro de seu governo!!! Du jamais vu'." Barbosa vocalizou em francês a expressão de Nosso Guia: "Nunca na história deste país...".

Os "nunca na História..." são muitos, mas nem um oposicionista delirante seria capaz de supor que um comissário do segundo escalão entesourasse US$ 100 milhões. Em benefício da doutora, reconheça-se que ela conhece mal o funcionamento das instituições. Só isso explica a insistência com que propõe pactos e plebiscitos. Se falasse sério, no caso dos petrocomissários, consultaria a Agência Brasileira de Inteligência, mas esse ectoplasma palaciano do falecido Serviço Nacional de Informações ainda não mostrou a que veio. Se a Abin não colocou sobre sua mesa uma análise das petrorroubalheiras, é melhor fechá-la. Afinal, em 2013 custava R$ 500 milhões. Se a agência acendeu algum tipo de luz amarela e não conseguiu atenção, o problema é da doutora.

Durante a campanha eleitoral, o comissariado repetia um bordão, segundo o qual não se poderia prejulgar pessoas acusadas de envolvimento nas petrorroubalheiras. O próprio ministro da Fazenda despediu-se do "amigo Paulinho" agradecendo os "relevantes serviços" prestados à Petrobras. O líder do governo no Senado considerou "satisfatório" seu primeiro depoimento à CPI, anterior à decisão de colaborar com a Viúva. Era uma coleção de lorotas. Há no Planalto quem saiba bastante sobre a Petrobras. Sabem até mais que os procuradores. O que eles não sabem, e aí está o problema dos comissários, é o caminho das pedras para sair da enrascada.

Pela blindagem do Ministério Público, pelo silêncio do ministro Teori Zavascki e pelo naufrágio das primeiras patranhas dos maganos, esse caminho das pedras pode não existir. De alguma maneira, o comissariado precisa se recompor com a verdade. A doutora já se disse "estarrecida" com os malfeitos e considerou "absurdas" as quantias desviadas. É pouco. Precisa despir o manto da surpresa. Esse vem sendo o erro do PT desde que estourou o mensalão.

Noutro dia, num debate na Corte Suprema dos Estados Unidos, o juiz Antonin Scalia foi confrontado por uma colega por ter votado numa posição contrária à que tomara noutro caso. Meter-se com a rapidez de raciocínio de Scalia é arriscado. Ele defendeu-se citando o grande juiz Robert Jackson: "Não vejo por que eu deva ficar conscientemente errado hoje porque, inconscientemente, estive errado ontem". Retirando-se o "inconscientemente" da frase de Jackson, a lição pode ser um presente de Natal para o comissariado. 

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 25 / 12 / 2014

O Globo
"Varejo tem pior ano desde 2004"

Setor prevê alta de só 2%, a menor dos últimos 10 anos

Consumidor endividado reduz compras e opta por presentes baratos. Shoppings ficam vazios

Na véspera de Natal, os shoppings e as lojas populares da Saara tiveram movimento fraco ontem. A Confederação Nacional do Comércio estima uma alta de 2% nas vendas, no pior resultado em 10 anos. Os shoppings calculam que venderam 3% a mais, após ter registrado avanço de 5% em 2013. Endividado e com o orçamento apertado pela inflação, o consumidor optou por presentes mais baratos e lembrancinhas. Em São Paulo, o valor médio de compras caiu de R$ 55 para R$ 42. Grandes redes de eletrodomésticos já preparam saldões para os próximos dias.

Folha de S.Paulo
"Prefeitura vai 'deslizar' metas, afirma Haddad "

Petista culpa redução de receitas pelo não cumprimento de parte de promessas

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), disse à Folha que terá de "deslizar para a frente" algumas das 123 metas de seu mandato, que termina em 2016. Entre elas está a entrega de parte dos 150km de corredores exclusivos para ônibus. Haddad atribui o adiamento à redução de receitas. A prefeitura não pôde usar R$ 2,5 bilhões que viriam dos reajustes do IPTU, que a Justiça bloqueou, e da tarifa do transporte, congelada desde as manifestações de junho de 2013.

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terça-feira, dezembro 23, 2014

Dominique

Opinião

O garoto de Ipanema

Ferreira Gullar
Infelizmente, não convivi tanto com Tom Jobim quanto convivi com Vinicius de Moraes. Mas, sempre que nos encontrávamos –não por acaso em algum bar, na companhia de amigos– reinava entre nós um bom astral.

De minha parte, porque curtia tudo o que ele compunha e pela simpatia natural que sua personalidade irradiava. Ele era, sem dúvida alguma, gente boa, frequentemente sorridente e sempre afetuoso.

O convívio não foi maior por várias razões e uma delas é que frequentávamos bares diferentes: o dele, de Vinícius e sua turma, entre outras figuras da noite carioca, era o Plataforma, enquanto o meu e de minha patota era o La Fiorentina, ali no Leme; e, depois, o Luna Bar, em Ipanema.

E não por acaso: enquanto o nosso grupo era gente de teatro e do teatro político, o de Tom era de compositores e músicos, ou seja, a geração bossa nova, que acabara de nascer. Fora isso, e talvez principalmente, eles bebiam uísque, nós bebíamos chope.

Pode parecer que não, mas a verdade é que o bebedor profissional de uísque não bebe em qualquer lugar. Necessita de silêncio, penumbra e maior privacidade. Quase digo que eles são a elite, ao contrário da turma do chope, menos profissional e mais perto do povão.

Mas isso é brincadeira, já que nem Tom nem Vinicius, cariocas de origem, nada tinham ou pretendiam ter de elite. Talvez a razão seja mesmo a sua ligação com a música –uma música que, embora popular, era sofisticada, que é o caso da bossa nova.

Digo isso porque nem Vinicius nem Tom alimentavam pretensões elitistas. Basta lembrar que Vinicius, diplomata de carreira, terminou a vida em mangas de camisa, cantando em shows de samba.

É certo que tinha sido cassado pela ditadura, mas nem por isso tinha que virar boêmio. Tom Jobim também fez shows, mas, pela natureza de sua música e por sua personalidade especial, havia nele uma sofisticação que independia de seus propósitos.

Diga-se também que Tom era um compositor no mais puro sentido desse termo, de um talento excepcional, apoiado no conhecimento profundo da arte musical, a qual pôs a serviço da música popular. Daí a mistura de erudito e popular, de simplicidade e sofisticação, que faz o encanto de suas composições, chamem-se elas "Garota de Ipanema", "Samba do Avião" ou "Águas de Março".

O nosso grupo –o Grupo Opinião– também era chegado à música, particularmente à música das escolas de samba, com seus cantores e compositores dos subúrbios cariocas.

Isso se deve a Thereza Aragão, carioca da Tijuca, que se formou frequentando os ensaios das escolas e os desfiles carnavalescos.

Por isso mesmo, ao nos instalarmos no teatro Opinião (a que demos o nome), ela criou "A Fina Flor do Samba", encontro de sambistas às noites de segunda-feira, onde se revelaram nomes como o de Zé Keti e Martinho da Vila, entre tantos outros, além de cantores e passistas.

Foi assim que o samba das escolas ganhou a zona sul do Rio e a gente dessa área passou a ir aos ensaios e até mesmo a desfilar no Salgueiro, na Mangueira, na Portela...

Tom nunca se apresentou no Teatro Opinião; Vinícius, sim, num espetáculo que revelou, para o público carioca e para o país, a nova geração musical da Bahia: Gracinha (que se chamaria mais tarde Gal Costa), Caetano Veloso e Gilberto Gil. Maria Bethânia já havia sido revelada no show Opinião, em que substituiu Nara Leão, cantando com Zé Keti e João do Vale.

Todas essas coisas me vieram à lembrança ao saber que Tom Jobim estava de volta a Ipanema.

Ele, nascido na Tijuca, criara-se ali nas areias daquela praia, que se tornaria a mais famosa do planeta, graças à música que compôs com Vinicius de Moraes. Mas, a certa altura, trocou o marulho das ondas pelo soar das copas e o cantar dos passarinhos do Jardim Botânico. Agora, esculpido em bronze, mais jovem, com o violão no ombro, está de volta, como um garoto de Ipanema.

E de repente lembro-me de ele, no centro da cidade –o lugar menos apropriado para encontrá-lo–, na avenida Graça Aranha, de paletó desabotoado e uma pasta na mão, acenando para mim efusivamente e sorrindo. Disse algo que não deu para ouvir, mas também acenei para ele, com o mesmo entusiasmo. Foi a última vez que o vi. Era março de 1994.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 23 / 12 / 2014

O Globo
"Dilma pedirá aprovação do MP para novos ministros"

Presidente sai em defesa de Graça Foster e diz que vai mantê-la no cargo

Para ela, não há ‘nenhum indício de irregularidade na conduta da atual diretoria da Petrobras’. Na mesma entrevista, afirmou ainda que tomará ‘medidas drásticas’ na economia, mas não disse quais

Na tentativa de evitar desgastes em caso de escolha de ministros acusados de corrupção, a presidente Dilma Rousseff afirmou ontem que consultará o Ministério Público antes de nomear alguém para seu ministério: “Vou perguntar o seguinte: há alguma coisa contra fulano que me impeça de nomeá-lo? Só isso que vou perguntar . Não quero saber o que ele não pode me dizer .” Na conversa com jornalistas, Dilma saiu em defesa da presidente da Petrobras, Graça Foster , e disse que a manteria no cargo por não ver “nenhum indício de irregularidade” na conduta da atual diretoria . “A quem interessa tirar a Graça Foster? O que que tem por trás disso?” , perguntou. Ela também afirmou que tomará “medidas drásticas” na economia, mas não disse quais. Apenas reafirmou que os programas sociais não serão afetados pelos ajustes.

Folha de S.Paulo
"Dilma diz que manterá diretoria da Petrobras"

Presidente define como ‘absurdo’ desvio em estatal, mas prestigia Graça Foster

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta segunda (22) que não pretende alterar a diretoria da Petrobras, apesar de considerar um “absurdo” o montante de dinheiro desviado por funcionários da estatal. Ela disse, porém, que fará trocas no Conselho de Administração. A petista defendeu a presidente da Petrobras e insinuou haver interesse por trás das acusações da ex-gerente Venina Velosa, que disse ter avisado sobre irregularidades antes do início da Operação Lava Jato. “A quem interessa tirar Graça Foster? Sei da lisura dela.” No Rio, a chefe da Petrobras disse que se encontrou pessoalmente com Venina “poucas vezes”, mas negou que tenha sido omissa na apuração de supostos desvios apontados por ela. “Tenho feito mudanças sucessivas na companhia na busca de melhores controles.” Dilma declarou ainda que consultará o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, antes de empossar ministros para saber se os indicados por partidos estão na mira da PF. 

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segunda-feira, dezembro 22, 2014

Pitacos do Zé


Ah! Eles são muitos, minha senhora!

José Ronaldo dos Santos
Ela vivia assim, pisada mais intensamente apenas em época de coleta, de caça e de pesca, quando as tainhas apareciam vindas do sul frio. Mas não se importava com isso.

A Minha Senhora, pouco tempo depois do “achamento” por aquele que descendia de criadores de cabras, foi descoberta e disputada e até serviu de base aos antigos habitantes confederados. E ficou triste pela Traição de Iperoig.

Nas terras da Minha Senhora, as matas caíram para ceder espaços aos canaviais, aos cafezais e outras culturas. Vieram as fazendas e os sobrados dos mais ricos. As moradias dos pobres de outros tempos deixaram marcas apenas pelas frutíferas plantadas pelos terreiros.

Mais recentemente, novos colonizadores chegaram cobiçosos pelas paisagens da Minha Senhora. Os pobres trabalhadores também são novos colonizadores. Desses, uma mínima parcela não são depredadores. Prova disso é a sujeira que arruína as vestes e os enfeites da Minha Senhora. “Até no rio do Félix está acontecendo descargas”. Os outros seres agregados também estão se esvaindo, morrendo indefesos.

Hoje, na ânsia de levar vantagem em tudo, o descaso e a corrupção grassam em todos os níveis. “É a grande miséria cultural!”. E o pior: cada aproveitador – pequeno ou grande! -  se apresenta com falsa humildade, tal como no romance quixotesco, dizendo: “Eu, Senhora, sou o gigante Caraculambro, senhor da ilha Malindrânia”.

Ah! Ia me esquecendo: eles são muitos, Minha Senhora!

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Dominique

Opinião

Uma nova auditoria para distrair o povo

Leão Serva
Na semana passada a Prefeitura de São Paulo anunciou o resultado de uma auditoria que demorou quase um ano e meio para avaliar a gestão do sistema de transportes coletivos da cidade de São Paulo. Imediatamente a secretaria de Transportes anunciou que vai contratar uma nova auditoria, desta vez para estabelecer "origem e destino" dos usuários dos ônibus da cidade.

A medida só servirá para distrair a opinião pública e adiar o início da concorrência que vai iniciar a reorganização do sistema de transportes coletivos do município. Uma boa quantidade de dinheiro público será gasta desnecessariamente, uma empresa de auditoria receberá para fazer um trabalho irrelevante e o prazo de junho de 2015 para as conclusões do trabalho não será cumprido, como não foi o tempo estimado para a Ernst Young terminar o seu.

Ao final, talvez daqui a um ano, diante do cenário político e econômico, a Prefeitura poderá escolher entre adiar novamente a licitação, diante da iminência do ano eleitoral, ou, moralmente pior, poderá tentar repetir o feitiço de 2004, quando lançou o bilhete único seis meses antes da eleição, com imenso impacto positivo para a imagem da prefeita Marta Suplicy e graves defeitos estruturais atribuídos à pressa da implantação.

A mágica de 2004 custou caro aos cofres públicos. O melhor exemplo da improvisação foi o fato de que o contrato assinado entre as empresas ganhadoras e a Prefeitura tinha um adendo (chamado algo como "anexo para a fase de transição") com termos e medidas que não estavam previstos no edital da concorrência e ocupavam mais páginas do que o contrato licitado em si...

As inúmeras fraudes (como a famosa "janelinha") criadas imediatamente por usuários e malandros eram fruto da pressa com que o sistema foi implantado, sem uma análise atenta das fragilidades. O coração do sistema de totalização das passagens, preparado pela multinacional Microsoft, não estava pronto na inauguração do Bilhete Único. É por isso que o sistema concebido para ser totalmente hitec conviveu por muito tempo com um controle manual de saídas, completamente afeito a fraudes, como se viu agora.

Quando anunciou a nova licitação do sistema logo depois de tomar posse, o Prefeito Haddad e o secretario Jilmar Tatto puseram a mão em um vespeiro do qual devem ter se arrependido em seguida. Por isso o anúncio agora, ao final do segundo ano da administração, de uma nova auditoria para levantar dados que já estão nos computadores da SPTrans.

Embora seja popularmente chamada de Pesquisa Origem e Destino "do Metrô", o levantamento feito de dez em dez anos pela secretaria estadual de Transportes é público e envolve diversas órgãos, desde logo do município de São Paulo. Além disso, depois de plenamente implantado o bilhete único permite saber exatamente a origem e o destino de todos os usuários do sistema de ônibus de São Paulo, não como uma pesquisa por amostragem, mas como um resultado objetivo. Se o prefeito quiser, pode saber exatamente que roteiro faz diariamente o senhor José da Silva e qualquer um dos mais de 4 milhões dos usuários do bilhete único.

Por isso, declaro para os devidos fins que vou constituir uma empresa de auditoria, chamada DataLion, que fará a auditoria anunciada esta semana pelo valor de R$ 30,00 (custo do motoboy para pegar o contrato e devolver assinado) e no prazo de duas semanas, aproveitando o período de Natal. Como dizia nesta Folha o falecido colunista Tarso de Castro, "cheques para a Redação"!

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