sábado, dezembro 28, 2013

Dominique


Opinião

Parar a cidade?

O Estado de S.Paulo
Os proprietários de automóveis tiveram, em 2013, um custo mensal para estacionar em regiões de boom imobiliário (Brooklin, Vila Olímpia e Itaim), em média, 11,41% maior do que o de 2012. Em São Paulo, conforme estudo do Instituto de Pesquisa e Planejamento Econômico (Ipea), os deslocamentos entre casa e trabalho são pelo menos 31% mais longos do que em outras metrópoles brasileiras. Com trajetos longos, ilógicos e demorados, os serviços de ônibus estão muito aquém do que grande parte da população precisa. A malha de metrô é insuficiente e, assim, o carro continua sendo o único transporte viável para milhares de pessoas.

São motoristas que, diariamente, enfrentam congestionamentos e não têm onde estacionar quando chegam aos seus destinos. Levantamento da consultoria Colliers compara a mensalidade de R$ 298, paga em 2012 pelos motoristas por vagas de estacionamento nos corredores centrais da cidade de São Paulo, e as cobradas em 2013, que saltaram para R$ 332. A primeira hora passou de R$ 13 para R$ 15. São aumentos substanciais que, em algumas regiões, como Vila Olímpia, chegam a seis vezes a inflação oficial, de 6,27%, no período de julho de 2012 a julho de 2013.

Cada vaga oficial de estacionamento existente no Município é disputada por 14 carros registrados na cidade. A frota ultrapassou os 7,4 milhões de veículos e as vagas não chegam a 600 mil, sendo 36 mil em áreas de Zona Azul e o restante em estacionamentos privados. Desde que assumiu o cargo, em janeiro, o prefeito Fernando Haddad tem demonstrado claramente a intenção de dificultar a vida dos motoristas com planos de reduzir vagas em estacionamentos públicos e, não bastasse, em estacionamentos privados, num intervencionismo que pouco considera o bem-estar da população, suas dificuldades e seus direitos.

Nas redondezas dos corredores comerciais mais nobres da cidade, como as Avenidas Faria Lima, Juscelino Kubitschek e Luís Carlos Berrini, é comum motoristas enfrentarem a ação dos flanelinhas que se apropriam de vagas da Zona Azul e vendem os cartões de estacionamento com ágio de até 300%. Muito deles recebem remuneração de empresas da região para bloquearem vagas nas ruas que são usadas por funcionários.

A Prefeitura de São Paulo abandonou os planos de construção de garagens subterrâneas discutidos há décadas, omite-se diante da necessidade de fiscalizar a Zona Azul, de regulamentar a atividade dos estacionamentos da cidade, na maior parte clandestinos, e instalou faixas exclusivas de ônibus nos corredores comerciais, impedindo que a clientela das lojas estacione nas vias. A medida provocou protestos dos comerciantes que, no último dia 9, conseguiram fazer o prefeito recuar de decisão anterior, permitindo que as faixas em alguns pontos fossem liberadas ao estacionamento fora dos horários de pico.

Tais medidas restritivas prejudicam não só os comerciantes e seus clientes, mas uma infinidade de outras pessoas que prestam serviços em residências e empresas. Dados do Sindicato das Empresas de Garagens e Estacionamentos do Estado de São Paulo (Sindepark) mostram a existência de 6 mil estacionamentos na cidade, que somam 573 mil vagas. Há quatro anos, havia 1 milhão de vagas na região metropolitana. O impacto dessa redução na economia precisa ser calculado. Além do maior custo das mensalidades dos estacionamentos, quanto mais os carros rodam até encontrar uma vaga disponível?

É verdade que em países desenvolvidos vagas de estacionamento são raras e um conforto quase inexistente nos dias de hoje, tanto nas ruas quanto nas garagens dos prédios residenciais. A diferença é a infraestrutura de transporte público existente naqueles países e a disponível em São Paulo. Enquanto a administração pública não puder oferecer condições para que as pessoas possam usar um transporte público de qualidade, capaz de atender integralmente à demanda, medidas como as que o prefeito Haddad está tomando são injustificáveis. A menos que ele queira parar a cidade.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 28 / 12 / 2013

Estado de Minas
"Tragédia e caos"

Chuva causa mortes no interior e transtorno ao trânsito na capital

Pelo menos duas pessoas morreram e uma está desaparecida em Virgolândia, no Vale do Rio Doce, atingida por uma tromba-d’água. Em Buritizeiro, no Norte, um motoqueiro morreu em acidente provocado por uma árvore derrubada na tempestade. E em São João do Manteninha um homem se afogou, arrastado pelas águas, ao atravessar um rio,mas ainda não está computado pela Defesa Civil como vítima da chuva. Com isso, o número de mortos em Minas em decorrência dos temporais chegou a 21, mas pode subir para 23. A presidente Dilma, juntamente com o governador Anastasia, sobrevoou o Leste de Minas e prometeu liberar aos municípios atingidos cartões com gastos ilimitados para emergências das enchentes. Em BH, cratera aberta por danos na rede pluvial subterrânea interditou o Elevado Castelo Branco nos dois sentidos e pode pôr em risco o funcionamento do metrô, que fica abaixo.

O Estado de S. Paulo
"Com deságio recorde, fundos de pensão e OAS levam BR-040"

Em um dos leilões mais disputados de rodovia, Invepar ofereceu 'desconto' de 61% na tarifa de pedágio

A Invepar, empresa formada por fundos de pensão (Previ, Funcef e Petros) e pela construtora OAS, arrematou ontem a concessão da BR-040, entre Brasília e Juiz de Fora (MG), com deságio de 61% - recorde entre os trechos já licitados do Programa de Investimentos em Logística. A tarifa por praça de pedágio caiu de R$ 8,30 para R$ 3,22. O valor ficou abaixo da primeira proposta do governo, de R$ 3,34. A BR-040 estava prevista para ser leiloada em janeiro, mas o processo foi adiado a pedido dos investidores. Agora o governo recebeu oito propostas. Com isso, o leilão foi um dos mais disputados. Nos 30 anos de concessão, o grupo terá de investir R$ 7,92 bilhões em 936,8 quilômetros. Desse total, 714,5 quilômetros terão de ser duplicados nos primeiros cinco anos. Para a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, o governo fechou o ano “muito bem” nas concessões.

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sexta-feira, dezembro 27, 2013

Bardot...


Coluna do Celsinho

Companhia

Celso de Almeida Jr.

Última sexta-feira do ano.

Completo 272 textos para o Ubatuba Víbora.

Gosto do compromisso.

Escrever é bom.

Tem sido assim, às sextas, desde o final de 2008.

Penso, digito e mando ao e-mail do Sidney Borges, amigo editor.

Os temas são sortidos, "drops".

Curiosamente, há leitores, amém!

Criei um hábito adicional.

Após sair no Víbora, releio e associo ao texto uma imagem e uma música.

Expandindo a diversão, lanço a mistura num blog que criei.

Letras do Celso: www.letrasdocelso.blogspot.com

Quando tiver um tempinho, faça uma visita.

Acrescentei textos que publiquei em outras ocasiões, em outros veículos.

Totalizando, já passam de 350 artigos.

350 imagens.

350 músicas.

Bacana, né?

Ajuda ao leitor a compreender melhor o que me vai n'alma.

É um jeito de nos aproximar.

Pra que?

Sei lá...

Tem me divertido, distraído, feito bem.

Às vésperas de mais um ano, reitero o desejo de seguir em frente.

Com a expectativa de continuar merecendo a sua companhia.

Feliz 2014!

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Dominique


Opinião

Avanços na longa caminhada

O Estado de S.Paulo
Embora ainda conviva com graves problemas na área social, como a desigualdade na distribuição de serviços essenciais e de renda e o alto índice de informalidade no mercado de trabalho, o Brasil melhorou muito nos últimos dez anos. Houve avanços significativos, mas como observou a presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Wasmália Bivar, o País ainda tem um longo caminho a percorrer.

A nova edição do estudo Síntese de Indicadores Sociais elaborado pelo IBGE com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2012 mostra que, em todos os aspectos examinados, as estatísticas registram avanços nas condições de vida dos brasileiros. O trabalho examina os dados do Pnad de acordo com seis grandes temas: demografia, famílias e domicílios, educação, trabalho, padrão de vida e renda e saúde. Em alguns, a melhora foi rápida; em outros, lenta demais.

Talvez o indicador social que mais tenha melhorado nos últimos anos seja a taxa de mortalidade entre crianças de até cinco anos de idade. Essa taxa caiu de 53,7 óbitos por mil nascidos vivos em 1990 para 18,6 óbitos em 2010. Esse é um índice bastante próximo do que todos os países que se comprometeram a cumprir as Metas do Milênio precisam alcançar até 2015, de 17,9 óbitos por mil nascidos vivos. Melhora nas condições de saneamento básico, mais ações preventivas, melhor assistência médica às crianças e às mães, mais informação sobre cuidados de higiene e saúde estão entre os fatores que proporcionaram essa notável redução de praticamente 66% desse indicador em 20 anos.

O estudo do IBGE adverte, no entanto, que o envelhecimento da população, as más condições ambientais e sanitárias em diversas regiões, a necessidade de pesquisas de moléstias ainda relevantes, como a malária, e a busca de novas tecnologias e de tratamentos mais eficazes exigem "esforços adicionais" do poder público "para melhorar a qualidade dos serviços, tornar a saúde pública mais equânime, homogênea no território e capaz de enfrentar os crescentes desafios ligados à dinâmica demográfica".

Melhoras apreciáveis houve também em diversos indicadores da situação do ensino. Mais crianças entre zero e 3 anos frequentam escolas. Entre 2002 e 2012, a taxa de escolarização - isto é, o porcentual de pessoas dessa faixa etária que frequentam creche ou escola - praticamente dobrou, passando de 11,7% para 21,2%.

Para crianças entre 4 e 5 anos, a taxa saltou de 56,7% para 78,2% entre 2002 e 2012, o que é uma boa indicação. Mas 22% das crianças na idade considerada não estão na escola. Recorde-se de que a meta do Plano Nacional de Educação é universalizar a educação nessa faixa etária até 2016, o que parece bastante difícil de ser alcançado.

O fato de praticamente 30% dos domicílios urbanos não terem acesso simultâneo aos serviços básicos de saneamento e iluminação (abastecimento de água, esgotamento sanitário, coleta de lixo e luz elétrica) mostra como, apesar dos planos anunciados nos últimos anos, a melhora das condições das habitações nas cidades continua lenta. Dos domicílios nessas condições, mais de 90% careciam de sistema de coleta de esgoto.

Na área de trabalho, o avanço da formalização foi notável em dez anos. Em 2002, 44,6% dos trabalhadores eram formalizados, isto é, tinham registro em carteira profissional de seu contrato de trabalho, eram funcionários públicos civis ou militares ou trabalhavam por conta própria ou eram empresários, e contribuíam para a Previdência. Em 2012, o índice passou a 56,9%. Mesmo reconhecendo a importância das transformações do mercado de trabalho, deve-se destacar que mais de 40% dos brasileiros ainda trabalham em condições precárias.

Do ponto de vista demográfico, o estudo mostra a persistência do fenômeno "nem-nem", isto é, jovens de 15 a 29 anos que não estudam nem trabalham, o que sugere dificuldades de acesso a escolas e ao mercado de trabalho. Eles somavam 9,6 milhões em 2012. E aumentou (de 20% para 24%) a proporção de pessoas de 25 a 34 anos que, por razões financeiras, escolares ou profissionais, preferem continuar morando com os pais.

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 27 / 12 / 2013

Brasil Econômico
"Abertura no México vai traçar novo mapa do petróleo"

México muda parâmetro do comércio petroleiro

O fim do monopólio estatal mexicano e abertura para petroleiras internacionais vai redefinir o fluxo de investimentos no mundo, com reflexos para o Brasil. O México tem uma das maiores reservas ainda não descobertas fora do Oriente Médio e é vizinho do maior mercado consumidor.

O Estado de S. Paulo
"Com crédito contido e juros altos, vendas de Natal decepcionam"

Segundo Serasa Experian, crescimento foi de 2,7%, o menor índice em 11 anos.

Estudos de âmbito nacional indicam que este Natal teve a menor taxa de crescimento de vendas dos últimos anos. Segundo a Serasa Experian, o aumento na semana do Natal foi de 2,7%, o menor em 11 anos. Pesquisa da Associação de Lojistas de Shoppings (Alshop) mostra que o faturamento dos shoppings empatou com o de 2012, considerando as mesmas lojas. Para economistas, esse desempenho fraco resultou da combinação de fatores desfavoráveis para o consumo como inflação alta, juros em elevação e endividamento excessivo. “O comércio já vinha dando sinais de desaceleração em razão da menor geração de emprego e do crédito mais contido”, disse Mareei Solimeo, da Associação Comercial de São Paulo. Nabil Sahyoun, presidente da Alshop, já prevê um freio no ritmo de inauguração de shoppings.

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quinta-feira, dezembro 26, 2013

Dominique


Opinião

Dos que tanto amam odiar a imprensa

EUGÊNIO BUCCI - O Estado de S.Paulo
Primeiro, eles acusavam a imprensa de ser um "partido de oposição" e pouca gente se incomodou. A acusação era tão absurda que não poderia colar. Numa sociedade democrática, relativamente estável e minimamente livre, os jornais vão bem quando são capazes de fiscalizar, vigiar e criticar o poder. O protocolo é esse. A normalidade é essa. Logo, o bom jornalismo pende mais para a oposição do que para a situação; a imprensa que se recusa a ser vista como situacionista nunca deveria ser atacada. Enfrentar e tentar desmontar a retórica do poder, irritando as autoridades, é um mérito jornalístico. Sendo assim, quando eles, que se julgavam aguerridos defensores do governo Lula, brandiam a tese de que a imprensa era um "partido de oposição", parecia simplesmente que os jornalistas estavam cumprindo o seu dever - e que os apoiadores do poder estavam simplesmente passando recibo. Não havia com o que se preocupar.

Depois, as autoridades subiram o tom. Falavam com agressividade, com rancor. A expressão "partido de oposição" virou um xingamento. Outra vez, quase ninguém de fora da base de apoio ao governo levou a sério. Afinal, os jornais, as revistas e as emissoras de rádio e televisão não se articulavam nos moldes de um partido: não seguiam um comando centralizado, não se submetiam a uma disciplina tipicamente partidária, não tinham renunciado à função de informar para abraçar o proselitismo panfletário. Portanto, acreditava-se, o xingamento podia ser renitente, mas continuava sendo absurdo.

Se os meios de comunicação tivessem passado a operar como partido unificado, com o intento de sabotar a administração pública, o que nós teríamos no Brasil seria um abalo semelhante ao que se viu na Venezuela em 2002. Ali, houve um conluio escandalosamente golpista dos meios de comunicação que, por meio de informações falsificadas, tentou derrubar o presidente Hugo Chávez, eleito democraticamente havia pouco tempo. Por fortuna, a quartelada mediática malogrou ridiculamente. Por escassez de virtú, Chávez passaria todo(s) o(s) seu(s) governo(s) se vingando das emissoras que atentaram contra ele.

No Brasil, não tivemos nada parecido. Nossa imprensa, convenhamos, é preponderantemente de direita e, muitas vezes, apresenta falhas de caráter, algumas inomináveis, mas nunca se perfilou com a organicidade de um partido político. Por todos os motivos, a acusação continuava sem pé nem cabeça.

Mas o fato é que começou a colar e o cenário começou a ficar esquisito. Agora, as inspirações até então submersas daquela campanha anti-imprensa afloram com mais nitidez. Era um recurso para dar tônus à disposição dos cabos eleitorais (de muitos níveis), para inflar o ânimo dos militantes de baixo e para inflar o ego dos militantes de cima. Agora, chegamos ao ponto de dizerem que os repórteres deram de ombros para a cocaína encontrada no helicóptero da família do senador Zezé Perrella (PDT-MG) porque ele, embora esteja filiado a um partido da base governista, teria lá suas inclinações consideradas pouco fiéis. Difícil saber. As mesmas vozes acusam os mesmos repórteres de terem exagerado na cobertura do julgamento do mensalão. Na falta de uma oposição de verdade que pudesse servir de vilã cruel, na falta de um satanás mais ameaçador para odiar (a "herança maldita" de FHC não funciona mais como antagonista imaginária), querem fazer valer essa ficção ufanista de que o País vai às mil maravilhas, só o que atrapalha a felicidade geral é esse maldito partidarismo da imprensa. A tese pode ser doidona, mas está funcionando. Alguns quase festejam: "Viva! Achamos um inimigo para combater! Vamos derrotar os editores de política deste país!".

Deu-se, então, um fenômeno estranhíssimo: as forças instaladas no governo, como que enfadadas do ofício de governar, começaram a fazer oposição à imprensa. Dilma Rousseff jamais embarcou na cantilena, o que deve ser reconhecido e elogiado, mas está cercada de profetas que veem em cada redator, em cada fotojornalista, uma ameaça ao equilíbrio institucional.

A oratória petista depende de ter um antagonista imaginário. Sem isso, parece que não para mais de pé. Sim, temos aí um traço de discurso autoritário. Em todo regime autoritário ou totalitário, a figura mais essencial é a do inimigo. Para os nazistas, esse inimigo estruturante foram os judeus. Para o chavismo, foi o imperialismo, encarnado por Bush, que teria cheiro de enxofre. E mesmo Bush só conseguiu salvar seu mandato do fiasco porque lhe caiu no colo o inimigo chamado terrorismo. É claro que não se pode dizer que o PT atualmente se reduza a um discurso tropegamente autoritário, mas as feições autoritárias e fanatizantes desse discurso vão ganhando densidade a cada dia. Não obstante, está assentado em bases fictícias, completamente fictícias.

Vale frisar este ponto: sem um inimigo para chamar de seu, esse tipo de ossatura ideológica se liquefaz. O que seria dos punhos cerrados dando soquinhos no ar sem o auxílio luxuoso do inimigo imaginário? O que seria dos sonhos de martírio em nome da causa? O que seria das fantasias heroicas e do projeto ambicioso de virar estátua de bronze em praça pública?

Foi aí que a imprensa entrou no credo. Na falta de outra instituição disposta a não se dobrar ao poder, disposta a desconstruir os cenários grandiloquentes armados pelas autoridades, eles encontraram na imprensa a sua razão de viver e de guerrear. Só assim, só com seu inimigo imaginário bem definido, esse discurso encontra seu ponto de equilíbrio: ficar no poder e ao mesmo tempo acreditar - e fazer acreditar - que está na oposição, que combate um mal maior. Seus adeptos, que imaginam odiar a imprensa sem se dar conta de que a temem, agarram-se à luta com sofreguidão. Estão em ponto de bala para o ano eleitoral de 2014.

Mesmo assim, feliz ano-novo.

JORNALISTA, PROFESSOR DA USP E DA ESPM

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 26 / 12 / 2013

Correio Braziliense
"O cartão estourou? Saiba como equilibrar as contas"

O perigo ronda as dívidas no cartão

O gasto dos brasileiros com essa modalidade de pagamento bateu recorde histórico em novembro: R$ 135,2 bilhões. Se a dívida for muito grande, alertam especialistas, é preferível até mesmo vender um bem e quitá-la do que pagar apenas parte da fatura, pois os juros cobrados são os mais altos do mundo, podem chegar a 600% ao ano.

O Estado de S. Paulo
"Produtividade tem de subir 3% para País crescer 4%"

Segundo estudo, qualquer avanço no PIB acima de 1,2% ao ano dependerá dos ganhos de produtividade.

Estudo de pesquisadores do Ibre/FGV aponta que somente com uma alta média de 3% ao ano na produtividade do trabalho será possível a economia crescer 4% anualmente, no período de 2012 a 2022. Qualquer avanço no PIB acima de 1,2% a 1,4% ao ano dependerá dos ganhos de produtividade, informa Vinicius Neder. De acordo com o trabaTwitterlho, boa parte do baixo crescimento da produtividade está relacionada ao peso dos serviços na economia. De 2000 a 2012, a produtividade nos serviços cresceu apenas 0,3% ao ano, abaixo da média de todos os setores. Por trás desse índice estão o baixo nível de investimentos, a má qualificação do trabalhador e a precariedade na gestão de empresas. Pesquisa de 2010 coloca Brasil, índia e China no fim de um ranking de 17 países sobre práticas de gestão.

quarta-feira, dezembro 25, 2013

Dominique


Opinião

O teste da América Latina

O Estado de S.Paulo
Sinônimo de crise e de instabilidade econômica na segunda metade do século 20, a América Latina foi uma das maiores e melhores surpresas da economia global no começo do terceiro milênio. O teste mais severo ocorreu a partir de 2008, quando o estouro da bolha financeira levou o mundo à Grande Recessão, o maior desastre internacional desde os anos 30 do século passado. Nenhum país escapou das ondas de impacto espalhadas pelo globo há cinco anos. Mas na maior parte dos países emergentes - e latino-americanos - os danos foram limitados e a recuperação logo começou. Também o Brasil entrou em recessão, embora o governo previsse uma simples marola, mas a reação foi registrada já em 2009 e em 2010 a economia cresceu 7,5%. Muitos países da região continuaram em crescimento nos anos seguintes. Sob esse aspecto, a evolução brasileira foi menos brilhante, mas o desempenho econômico do País durante a pior fase da crise foi tão admirável quanto o da maior parte da região.

A mudança latino-americana foi ressaltada em uma comparação pelo professor José de Gregório, ex-presidente do Banco Central do Chile e ex-pesquisador do Fundo Monetário Internacional (FMI). Se há dez anos alguém perguntasse sobre a consequência para a América Latina de uma crise global muito forte, a resposta seria unânime: "Um desastre". Em um ensaio recém-divulgado e escrito para uma conferência organizada pelo FMI ele procura explicar esse episódio notável de resiliência. De modo geral, as mesmas explicações, segundo o economista José de Gregório, valem para a experiência recente da América Latina e para o caso dos demais emergentes.

Ele atribuiu a resistência à crise e a capacidade de reação dos latino-americanos a cinco fatores principais.

Em primeiro lugar, boas condições macroeconômicas no início da crise permitiram aos governos adotar fortes estímulos fiscais (como aumento de gastos e redução de impostos) e monetários. Em crises anteriores, até os anos 1980 e 1990, os governos da região eram forçados a apertar o orçamento, a elevar os juros e a cortar o crédito, por causa do mau estado das contas públicas e da inflação geralmente elevada.

O segundo fator foi o regime de câmbio flexível. A flexibilidade foi limitada, porque em alguns países os bancos centrais intervieram nos mercados para limitar a depreciação das moedas nacionais e seu efeito inflacionário. Mas, de modo geral, a flutuação das taxas facilitou a absorção do choque.

Boa sorte no comércio exterior foi o terceiro componente do quadro. Muitos latino-americanos são exportadores de commodities e os preços foram muito favoráveis a partir de 2006. Depois de um recuo na pior fase da crise, as cotações voltaram a níveis elevados.

Sistemas financeiros fortes, bem regulados e relativamente simples foram o quarto fator. A maior parte do ensaio é dedicada a esse assunto. O autor poderia ter lembrado, se tivesse espaço e disposição polêmica, o conselho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos governos do mundo rico: deveriam adotar a regulação brasileira, mais severa depois do Proer, o plano de socorro aos bancos no começo dos anos 90. Naquela época, o PT combateu o plano.

O grande volume de reservas internacionais, o quinto elemento, deu aos governos segurança para enfrentar a especulação e desestimular os ataques às moedas nacionais.

Se tivesse ainda um pouco mais de disposição para a polêmica, o autor do ensaio poderia ter lembrado o mais cruel dos detalhes: os países mais preparados para suportar o impacto da crise, a partir de 2008, foram aqueles fortalecidos em seus fundamentos econômicos pela aplicação de medidas pregadas tradicionalmente pelo FMI. A resistência à crise resultou da adoção, a partir dos anos 1980 e 1990, de medidas monetárias, fiscais e cambiais em geral combatidas pelos grupos autodenominados progressistas.

O abandono dessas políticas - efetivo, embora negado pela retórica oficial - é a explicação evidente para o mau desempenho da economia brasileira nos últimos anos. Em outros países da região, a prudência tem garantido resultados melhores.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 25 / 12 / 2013

Correio Braziliense
"Votos por um Brasil melhor: O presente de Natal que eleitores do DF querem dos políticos"

O Correio Braziliense percorreu o centro da cidade pedindo a cidadãos que depositassem numa urna votos de Natal para os políticos em 2014

O resultado coincide com as cobranças expressadas pelos brasileiros nas manifestações de junho. “Tenham vergonha na cara”, cobrou o estoquista Arthur Evans, 26 anos. “Espero que parem de roubar”, indignou-se o ajudante-geral Gonçalo Vieira do Nascimento, 68. São aspirações que vão perseguir os candidatos no ano que vem, analisa o cientista político João Paulo Peixoto, da UnB. “A insatisfação é latente e muito grande”, observou. Resta saber se essa indignação popular se refletirá de forma decisiva nas eleições de 2014.

O Estado de S. Paulo
"IPI de carro sobe e arrecadação pode crescer R$ 950 milhões"

Fazenda crê que pacto com a indústria evitará aumento de preço além do repasse, que setor estima em 2,2%.

O governo anunciou ontem aumento para a recomposição de alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de automóveis. A taxação varia de acordo com a cilindrada e o tipo de veículo. Com isso, o governo de Dilma Rousseff começa a retirar as medidas adotadas para amenizar o impacto da crise internacional sobre a economia doméstica. A elevação do IPI deve trazer um reforço na arrecadação de R$ 950 milhões no primeiro semestre. Junto com a alta do IPI para móveis, a estimativa de receita adicional vai a R$ 1,1 bilhão. O Ministério da Fazenda acredita que não haverá impacto sobre a inflação nem demissões em razão de pacto fechado com a indústria. As montadoras, porém, já estimam repasse de até 2,2% para os preços. A partir de janeiro, a alíquota para carros com motor 1.0 passará de 2% para 3% e, em julho, para 7%, a mesma que vigorava no início de 2012.

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terça-feira, dezembro 24, 2013

Paz na Terra aos homens-placa...


Dominique


Opinião

O difícil combate à pobreza

RUBENS BARBOSA - O Estado de S.Paulo
A crise nos Estados Unidos e na Europa tem gerado consequências sociais impensáveis há algum tempo. Pela dimensão que está alcançando, o aumento da concentração de renda e da pobreza é uma preocupação crescente. Nos Estados Unidos, desde o início da crise econômica, em 2008, mais de 10 milhões - representando 15,1% da população - empobreceram, acentuando a desigualdade de renda no país.

A Índia e a China, com cerca de 1 bilhão de cidadãos vivendo abaixo do nível de pobreza, enfrentam um problema de difícil solução.

Na América Latina, a situação não é diferente. Segundo recente estudo da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), a redução do crescimento da economia tem reflexos claros na taxa de pobreza, apesar de os indicadores de geração de emprego serem positivos. O porcentual de pobres, que era de 29,6% em 2011, recuou apenas 1,4% em 2012, passando a 28,2% da população. A Cepal adverte que a pobreza tende a perdurar mesmo que se mantenham programas de transferência de renda, porque os governos da região não estão suficientemente empenhados em enfrentar deficiências graves, como saneamento básico, falta de água potável e educação de baixa qualidade, fatores que impedem a melhoria de vida dos cidadãos.

Isso deveria ser um alerta ao Brasil, que, embora esteja desenvolvendo inúmeros programas visando à diminuição da desigualdade de renda, não parece poder contar com altas taxas de crescimento nos próximos anos.

O espírito natalino é apropriado para lembrarmos de nossos irmãos ainda tão necessitados.

No Brasil, segundo dados oficiais, o retrato socioeconômico, que considera escolaridade, acesso a bens, composição familiar e região, indica que ainda há mais de 16 milhões de brasileiros vivendo abaixo do nível de pobreza. A eliminação ou a sensível redução desse problema, no entanto, parece menos difícil do que nos dois países-membros do Brics acima citados.

Durante a campanha presidencial de 2010, um dos principais pontos programáticos da candidata Dilma Rousseff foi a eliminação da pobreza absoluta. Isso significa que até 2014 não deveria haver ninguém vivendo com menos do que R$ 70 por mês. Trata-se de uma ideia-força de difícil realização, dada a magnitude da questão, e um desdobramento natural do programa de inclusão social iniciado no governo FHC e ampliado no governo Lula.

Ninguém contestará que R$ 70 por mês é ainda valor muito baixo para considerarmos que a pobreza está superada, até porque esse valor é insuficiente para a compra de alimentos da dieta mínima recomendada pelo próprio governo federal. Sem falar na erosão desse valor pela inflação de alimentos recente.

No primeiro ano de governo Dilma, foi lançado o programa Brasil sem Miséria, que tem no programa Bolsa Família ampliado um dos seus principais instrumentos. Recentemente, após um reajuste do Bolsa Família, o governo anunciou que teria havido redução de 40% da pobreza extrema.

Como um reforço importante, o atual governo passou a contar com o apoio do Banco Mundial para a ampliação da cooperação no combate à pobreza e à execução do programa Brasil sem Miséria. O banco aprovou uma Estratégia de Parceria com o governo brasileiro, de US$ 8 bilhões (aproximadamente R$ 16 bilhões), que seguramente será a principal atividade da instituição no Brasil durante os anos 2012-2015. A estratégia estará em sintonia com o programa de erradicação da pobreza extrema, nos aspectos que visam a melhorar as oportunidades sociais e econômicas para 16 milhões de pessoas mais vulneráveis no País.

A nova estratégia de engajamento com o Brasil se enquadra na política de favorecer as necessidades de países de renda média. A estratégia traça um programa de até US$ 5,8 bilhões em novos financiamentos do banco aos governos federal e estaduais e de US$ 2 bilhões em empréstimos para o setor privado ao longo dos dois primeiros anos fiscais da estratégia (2012 e 2013). A Estratégia de Parceria 2012-2015 foi preparada em consulta com o governo brasileiro e incluiu sugestões dos governos estaduais, setor privado e organizações da sociedade civil, inclusive por meio da internet. O programa dá prioridade ao Nordeste - onde vivem 59% da população mais carente - e busca promover investimentos redutores de desigualdade em outras regiões, com o objetivo de ajudar o crescimento do País. Esse apoio ao Brasil se concentra em quatro objetivos a serem alcançados até 2015: melhorar a qualidade e a cobertura dos serviços para a população de baixa renda; promover o desenvolvimento econômico e social regional; melhorar a gestão dos recursos naturais; e aumentar a eficiência dos investimentos públicos e privados. Espera-se que a cooperação com o Banco Mundial nesse importante programa produza resultados efetivos para o Nordeste.

O combate à pobreza não se reduz a uma única atividade de transferência de renda, como o Bolsa Família, mas a um conjunto de ações governamentais em múltiplas áreas, como educação, saúde e saneamento. É isso que a sociedade espera do governo.

Jeffrey Sachs, em seu livro O Fim da Pobreza - como acabar com a miséria mundial nos próximos 20 anos, afirma que para isso "serão necessárias ações coordenadas dos países ricos e pobres, a começar por um pacto global. Os países pobres devem levar a sério o fim da pobreza e os ricos precisarão superar chavões relacionados à ajuda aos pobres e cumprir as repetidas promessas de dar mais auxílio".

A ONU propôs a criação de taxa internacional para levantar US$ 400 bilhões por ano para combate à pobreza. Medidas como essa, parte desse pacto global, estão cada vez mais difíceis, sobretudo agora, pelos problemas enfrentados pelos países desenvolvidos com a crise econômica global.

É PRESIDENTE DO CONSELHO DE COMÉRCIO EXTERIOR DA FIESP

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 24 / 12 / 2013

Correio Braziliense
"Um Natal feito de trabalho, sonhos e plugado na rede"

Se o menino que nasceu em 25 de dezembro veio nos redimir de nossos pecados, os cristãos de todo o mundo se empenham, desde então, em responder ao acontecimento que fundou o cristianismo

Há os que estarão ajudando a salvar vidas, como a técnica em enfermagem Neire Ferreira da Silva, plantonista em uma unidade de saúde. Há os que vão sonhar com o presente de R$ 200 milhões que a Mega da Virada promete aos apostadores. Muitos outros estarão conectados virtualmente com seus queridos, como os amigos brasilienses de Carol, que estuda na Inglaterra. Muito mudou desde então, mas Belém, a terra natal de Jesus Cristo, continua sob ocupação israelense.

O Estado de S. Paulo
"BR-040 atrai 8 grupos; governo já analisa novas concessões"

Transportes avalia trechos menores para serem licitados em 2014; rodovias no PR e RS estão em estudo.

O último leilão de rodovias do ano, o trecho da BR-040 entre Brasília e Juiz de Fora (MG), de 936 km, atraiu oito interessados, número acima do registrado nos três leilões anteriores. Animado com o sucesso das licitações, o governo já procura novos trechos para oferecer à iniciativa privada em 2014. Estão em análise rodovias no Paraná, no Rio Grande do Sul e no Nordeste. Serão concessões menores, de 200 a 300 quilômetros, mas em áreas de tráfego intenso, com potencial de atrair o empresariado. “Queremos ter a parceria do setor privado, porque o investimento público pelo PAC é interessante, mas demorado”, disse o ministro dos Transportes, César Borges.

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domingo, dezembro 22, 2013

Dominique


Opinião

Onde o Brasil ganha da OCDE

O Estado de S.Paulo
Pelo menos no peso de impostos e contribuições - a carga tributária - o Brasil continua em posição destacada no cenário global. A saúde continua ruim, a educação é um desastre, como confirmam quase todas as comparações internacionais, e a infraestrutura é deficiente na maior parte do País, mas a tributação continua robusta. O desacerto entre a carga e os serviços públicos, no Brasil, fica mais evidente quando se observam os padrões de países socialmente mais avançados e mais bem administrados. No ano passado, a carga tributária cresceu em média 0,5 ponto porcentual, na maior parte dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), e atingiu 34,6% do PIB, segundo estimativa preliminar. Não alcançou, no entanto, a tributação brasileira - 35,5% do PIB em meados de 2012, segundo trabalho publicado há dois meses pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). No segundo semestre de 2012, de acordo com o mesmo estudo, a carga recuou ligeiramente, para 35,2%, mas ainda foi recorde para o período.

O levantamento da OCDE cobriu 30 dos 34 países-membros - aqueles com dados disponíveis. A carga aumentou em 21, diminuiu em 9 e continuou pouco inferior ao pico mais recente, 35%, atingido em 2007. O peso da tributação diminuiu no começo da crise e voltou a crescer, lentamente, a partir de 2010. O aumento é explicável, segundo os economistas da organização, a dois fatores combinados. Em fases de recuperação, o imposto sobre os ganhos cresce mais velozmente que a renda. Além disso, aumentos discricionários de tributos ocorreram em alguns países, como parte das políticas de ajuste fiscal.

Só dois países latino-americanos, o Chile e o México, são sócios da OCDE. A tributação mexicana de antes da crise (17,7%) foi superada já em 2010, quando a carga atingiu 18,9%. Entre 2o11 e 2012 o nível ficou praticamente estável, com variação de 19,7% para 19,6%. No Chile, uma das economias mais dinâmicas e com melhores fundamentos da América Latina, a carga tributária do ano passado, de 20,8% do PIB, continuou inferior à de 2007, quando chegou a 22,8%.

Recém-eleita para um segundo mandato, a futura presidente do Chile, Michelle Bachelet, incluiu em seu plano um aumento da tributação, para financiar um ambicioso programa de reforma educacional. A notícia pode ter entusiasmado alguns defensores da voracidade fiscal de Brasília. Se a política econômica chilena é invocada tantas vezes como bom exemplo, quem desprezará esta oportunidade?

Mas é bom ir devagar. Antes de usar o exemplo de Bachelet para justificar qualquer nova elevação da carga brasileira, convém observar a enorme diferença entre os pesos dos impostos no Brasil e no Chile. A cautela é igualmente recomendável antes de tomar como referência a tributação dos escandinavos e de alguns outros países europeus com cargas entre 44% e 48% do PIB (casos de Itália, França, Suécia, Noruega e Dinamarca).

Em todos esses países a qualidade dos serviços públicos é infinitamente superior à do Brasil; os gastos do Tesouro, muito mais eficientes; a inflação, muito menor; e a nota de crédito soberano, muito melhor. Além do mais, boa parte das economias mais desenvolvidas, mais inovadoras e mais competitivas opera com tributação parecida com a do Brasil ou mais leve. Exemplos importantes são Alemanha (37,6%), Reino Unido (35,2%), Japão (28,6% em 2011), Coreia (26,8%), Suíça (28,2%), Canadá (30,7%) e os Estados Unidos (24,3%).

Os emergentes, de modo geral, funcionam com carga tributária menor que a brasileira. Chile e México são apenas dois exemplos dos mais conhecidos. Impostos mais leves e usados com mais eficiência podem ser importantes fatores de competitividade, assim como máquinas administrativas mais comprometidas com metas de desenvolvimento econômico e social. Além do mais, o peso da tributação é apenas um dos quesitos relevantes para a avaliação de um sistema. A funcionalidade faz diferença. Também falta essa qualidade à tributação brasileira, onerosa para o investimento, para a criação de empregos e para a exportação.

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 23 / 12 / 2013

Correio Braziliense
"Manchete: Brasil tem pior serviço público entre 30 países"

Cidadãos dizem ser um inferno precisar do Estado com carga tributária das mais altas do mundo

Reinaldo Freire, 39 anos, teve um terço da perna direita amputada. Quase três horas depois de sair de casa, ele chegou à agência do INSS da Asa Sul. Dias antes, já havia peregrinado pelo posto de Luziânia, onde mora, e do Gama, para onde mandaram que fosse. Em nenhum desses três lugares, souberam resolver o problema dele: uma simples inscrição no programa de reabilitação profissional. O drama de Reinaldo ilustra bem a via-crúcis dos brasileiros quando, de alguma forma, precisam recorrer a serviços públicos. O Estado que trata tão mal seus cidadãos quando é requisitado se revela voraz e eficientíssimo na hora de cobrar impostos. Pesquisa mostra que, apesar de figurar entre os 30 países que mais arrecadam tributos, o Brasil é o que, em troca, oferece os piores serviços à população.

O Estado de S. Paulo
"Dirceu abriu empresa no Panamá no mesmo endereço de hotel"

Sede da Truston, dona do Saint Peter, abrigou filial de consultoria no paraíso fiscal

O ex-ministro José Dirceu abriu em 2008, no Panamá, empresa abrigada no endereço da Truston International, companhia em nome de um “laranja” e dona do Hotel Saint Peter, que ofereceu a ele emprego com salário de R$ 20 mil. A JD Assessoria e Consultoria registrou filial no escritório da Morgan & Morgan, que coloca à disposição testas de ferro para firmas estrangeiras no paraíso fiscal, informam os repórteres Andreza Matais e Fábio Fabrini. A Truston, dona do hotel, foi aberta no Panamá três meses após essa operação, também declarando o endereço da Morgan & Morgan e tendo um laranja como seu presidente. Em abril de 2009, o ex-ministro decidiu “tornar sem efeito” a abertura da filial no Panamá. A assessoria de Dirceu alegou que a empresa não prosperou porque não teria prospectado negócios no país.

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