sábado, dezembro 14, 2013

Dominique


Opinião

A pauta da recuperação global

O Estado de S.Paulo
A economia mundial deve continuar em recuperação no próximo ano, com os Estados Unidos, a maior potência, crescendo perto de 3% e funcionando outra vez como um dos principais motores do crescimento. A economia número dois, a China, continuará avançando bem mais velozmente que a média mundial, com taxa próxima de 7,5%. Mas a retomada americana e a reação japonesa tornarão mais eficiente a difusão da prosperidade, segundo as projeções das mais importantes entidades multilaterais, incluídos o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Mas, apesar da melhora do quadro, "a recuperação global tem sido desigual e mais contida do que se esperava", disse na quinta-feira a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, ao apresentar o programa de trabalho da instituição para 2014.

Será necessário, segundo ela, implementar políticas mais ambiciosas para passar da estabilização ao "crescimento forte, sustentável, equilibrado e inclusivo". O programa inclui estratégias e recomendações para t0dos os grandes grupos - economias avançadas, emergentes e pobres, países árabes em transição e Estados frágeis e pequenos. O Fundo poderá contribuir com financiamentos, como tem feito com associados europeus e de outras regiões, e também com orientação, assistência técnica e recursos em condições especialmente favorecidas, como tem sido a ajuda aos mais pobres.

Para os avançados a recomendação continua sendo a de combinações políticas mais favoráveis a uma recuperação segura. Isso inclui um ajuste fiscal mais propício ao crescimento, com mais folga no início e maior aperto na fase final. Inclui também muito cuidado no abandono gradual das políticas monetárias frouxas, dominantes nos últimos anos - recomendação válida para autoridades americanas e europeias, mas especialmente para as primeiras, neste momento.

Os Estados Unidos já começam a se mover na direção sugerida pelo FMI. Depois de um longo impasse, a Câmara de Representantes aprovou uma proposta de orçamento com mais espaço para estímulos federais à reativação econômica. A fórmula aprovada atende apenas em parte à pretensão do Executivo, mas é muito menos restritiva do que vinham defendendo as alas mais conservadoras do Partido Republicano. O próximo passo, a votação no Senado, deve ser facilitado pela maioria democrata.

Mesmo com o aperto orçamentário resultante do impasse entre governo e oposição, a economia americana vinha avançando bem mais velozmente que a europeia. O desemprego tem diminuído nos Estados Unidos e chegou a 7% em novembro. Na zona do euro, caiu ligeiramente de 12,2% para 12,1% em outubro, mas a desocupação dos jovens continua superior a 24%. Apesar do cenário ainda muito ruim no mercado de trabalho, a maior parte da Europa ocidental começa a vencer a recessão e, pelas projeções disponíveis, deve continuar nesse rumo em 2014. Há enormes desafios à frente, incluída a reforma do sistema financeiro, mas os dados são animadores.

Para os emergentes, a recomendação, por enquanto, é de levar adiante os esforços de consolidação fiscal e de reformas para elevar o potencial de crescimento e garantir uma expansão segura nos próximos anos. Os governos devem adotar políticas para tornar as economias menos vulneráveis a mudanças no mercado financeiro - um risco associado, a curto prazo, ao esperado aperto da política monetária americana. Menos crédito disponível e juros consequentemente mais altos compõem o cenário esperado.

A reativação global prevista para 2014 e 2015, embora modesta, abrirá boas oportunidades para países governados com bom senso. Para o Brasil, as perspectivas, por enquanto, são preocupantes. Com inflação superior à média dos emergentes, baixo ritmo de crescimento, contas externas em deterioração e política fiscal sem credibilidade, o País deveria adotar sem demora o receituário de reformas e de reforço dos fundamentos econômicos. Falta o governo reconhecer de fato os problemas e começar a agir.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 14 / 12 / 2013

O Globo
"Operação fim de ano: Ação contra caos aéreo sofre com falta de pessoal"

Terminais precisam de reforço de equipes extras da PF e da Receita

Restrições de gastos com viagens e diárias, no entanto, impedem deslocamento de agentes que são fundamentais para agilizar atendimento a passageiros. A operação de fim de ano nos principais aeroportos do país está ameaçada por falta de agentes da Polícia Federal e da Receita Federal. Restrições no orçamento impedem pagamento de diárias e deslocamentos de agente que deveriam reforçar os plantões nos terminais. Hoje, há 48 funcionários da PF no Galeão, mas há necessidade de mais 48, além de mais seis da Receita. Em Guarulhos, a PF tem 62 homens e precisa de outros 24.

O Estado de S. Paulo
"Preso no mensalão, Henry é o 3º a renunciar"

Deputado segue Genoino e Valdemar da Costa Neto; João Paulo Cunha ainda mantém seu mandato.

Condenado no mensalão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Pedro Henry (PP-MT) renunciou ontem ao mandato de deputado federal e se entregou à Polícia Federal em Brasília. O mandado de prisão foi expedido de manhã pelo Supremo Tribunal Federal. Henry é o 17º condenado a ser preso. Terá de cumprir 7 anos e 2 meses de prisão e pagar multa de R$ 962 mil. Enquanto seguia para a PF, a carta de renúncia foi entregue à Câmara. Com isso, evitou a abertura de processo de cassação. Henry alegou ter optado por entregar o cargo para não expor ainda mais a instituição, desgastada pela repercussão do julgamento do mensalão. É o terceiro parlamentar condenado no caso a renunciar e seguiu os passos de Valdemar da Costa Neto (PR-SP) e José Genoino (PT-SP). Apressão agora recai sobre João Paulo Cunha (PT-SP), o único condenado a permanecer na Câmara. Cunha aguarda julgamento de recurso.

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sexta-feira, dezembro 13, 2013

Instantâneos de família

Tio Albano, espião da PIDE, e seu Gogomobil em Berlim Oriental.  

Coluna do Celsinho

Cookie

Celso de Almeida Jr.

Cheguei de viagem.

Esposa, filha e sogro tinham saído.

Entrei em casa e começou a festa.

Pulou, lambeu, pegou no pé.

Eu e a Cookie, somente.

Por um instante, imaginei como seria se eu fosse um velhinho solitário.

Que companhia generosa seria aquela cachorrinha.

Sempre alegre, receptiva, carinhosa.

Cessaria o silêncio.

Faria a companhia necessária, indispensável.

Curiosamente, por um instante, senti o peso da solidão.

Aguentaria?

Abre a porta.

Esposa e filha queridas.

Sogro admirável.

O velho e bom calor humano.

Casa animada.

Pisquei pra Cookie.

Ela me entendeu...

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique


Opinião

Mandela e a alegria que vem de dentro

WASHINGTON NOVAES - O Estado de S.Paulo
Recordo episódio já narrado aqui: durante a Cúpula Mundial do Desenvolvimento Sustentável 2002, o autor destas linhas estava em Joanesburgo, na África do Sul, impressionado com o que via nas ruas: bastava juntarem-se três ou quatro negros da cidade para imediatamente começarem a cantar e dançar, com largos sorrisos na boca. Perguntado sobre como era possível ser assim - já que a pobreza, o desemprego, um "apartheid" de fato (embora abolido por lei) continuavam muito fortes -, o jovem David, motorista de táxi, engravatado, empertigado, não vacilou: "Isso é porque com o sofrimento nós aprendemos que a nossa alegria tem de vir de dentro, não pode depender de nada fora de nós". Inesquecível.

Bastava olhar ao redor para ver que ele tinha razão. A Joanesburgo "branca" era tão apartada que só havia ônibus, por exemplo, de Soweto, o enclave "negro" de mais de 1 milhão de pessoas, para as áreas dos colonizadores europeus e seus descendentes da madrugada até as 7 horas da manhã; à tarde, na direção contrária, das 17 às 19 horas - era o transporte indispensável para levar "negros" que trabalhavam para brancos.

Perguntado como era possível um convívio assim, David não hesitou: "Nós aprendemos com Mandela - perdoar, sim; esquecer, nunca". Por isso mesmo, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse a respeito do recém-falecido Prêmio Nobel da Paz que "ninguém fez mais em nosso tempo para avançar valores e aspirações. Ir para a prisão por nossas convicções e estar preparado para sofrer por aquilo em que acreditamos é algo que vale a pena. É uma realização para o homem cumprir o seu dever na Terra, independentemente das consequências".

Agora, os quase 52 milhões de sul-africanos não têm mais Nelson Mandela, o Madiba, com seu sorriso permanente, apesar dos 27 anos de prisão. Nem a África toda. No mesmo dia de sua morte, o Conselho de Segurança da ONU aprovou, após conflitos sangrentos entre muçulmanos e cristãos, a intervenção militar na vizinha República Centro-Africana, outra herdeira da pesada herança de colonizadores europeus. Mas essa herança continua levando a conflitos e guerras no antigo Congo, na Etiópia, no Sudão, no Mali, em Ruanda, na Nigéria, na Guiné Equatorial, no Zimbábue e em outras partes. Com frequência, na disputa de etnias nativas por recursos naturais - água e terra, principalmente - em áreas das quais foram desalojadas. É "o horror", como descreveu Joseph Conrad em O Coração das Trevas.

Na própria África do Sul, as disparidades são alarmantes, com os 10% mais ricos da população detendo 58% da renda, enquanto os 10% mais pobres têm menos de 1%. As taxas de desemprego andam próximas de 25%, mas entre jovens e negros está acima de 50%.

Não é só a questão no campo da política. A ONU alerta (Estado, 5/2) para uma "epidemia" de estupros em campos de refugiados no Congo. Diz a Universidade de Londres que 300 milhões de pessoas não têm acesso a água de boa qualidade (embora em partes da África haja cem vezes mais água subterrânea que superficial). Há uma "epidemia" de HIV na Suazilândia, em Botswana, no Lesoto e na própria África do Sul, que afeta mais de 20% das mulheres e pessoas entre 15 e 49 anos. Ao todo são 11% da população africana. A malária mata uma criança por minuto no continente, segundo a Rádio ONU.

E a África ainda se vê às voltas com a questão do clima, pois é a região mais afetada no mundo. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) no documento Africa's Adaptation Gap Report, o continente precisa de US$ 7 bilhões a US$ 15 bilhões anuais para implantar programas de adaptação às mudanças climáticas, principalmente as questões de secas, desertificação, inundações em cidades, perdas na agricultura. Se a temperatura planetária se elevar em 3 graus Celsius - como se prevê -, os recursos necessários aumentarão em 10% ao ano; se passar de 3 graus, tornará inviável o plantio de milho, sorgo e outros cereais; se o aumento for superior a 4 graus, haverá redução de 20% a 30% nas chuvas ao norte e no sul - e 96% da agricultura depende totalmente de chuvas. Já se contam, diz o Pnuma, 240 milhões de subnutridos no continente, mais que toda a população brasileira. Não é casual a frequência dos naufrágios de embarcações que a cada dia transportam centenas de pessoas em busca de refúgio ilegal na Europa, principalmente. Ou a de pessoas que morrem de fome tentando atravessar o deserto, para fugir.

Pena que Mandela, já muito doente nos seus 95 anos, não estivesse em condições de ver as homenagens que lhe foram prestadas mais uma vez em 18 de julho, Dia Internacional de Nelson Mandela, segundo a ONU. Porque a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) reconhece que "temos nos inspirado durante todos estes anos nos repetidos chamamentos de Mandela para combater a fome e os muitos males sociais e econômicos que ou levaram à fome ou se deveram à falta de acesso aos alimentos num mundo de relativa abundância". De fato, não se trata de escassez absoluta. Diz a revista The Economist que a economia africana em seu conjunto cresce cerca de 6% ao ano. Mas isso não resolve as questões de quem passa fome.

Não se podem cruzar os braços, ainda assim. Nos dias seguintes à morte de Mandela, os sul-africanos saíram às ruas de novo para homenageá-lo - cantando e dançando. E nesta semana em que se realiza no Brasil o Fórum Mundial de Direitos Humanos precisamos colocar a questão no centro das nossas atenções - seja o que acontece em qualquer lugar no mundo, seja no panorama interno. E também não podemos seguir entre nós com o processo de desmoralização institucional, em todos os setores públicos. Mandela está aí, em espírito, para nos lembrar que é possível ir em frente - e mudar tudo. Sem perder a alegria.

JORNALISTA

E-MAIL: WLRNOVAES@UOL.COM.BR

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 13 / 12 / 2013

O Globo
"Enchente anunciada: Estado já tem seis mil desalojados pelas chuvas"

Paes diz que inundação da Binário é inadmissível e multa concessionária

Baixada Fluminense, uma das regiões mais castigadas pelo temporal, agora terá gabinete de crise para prevenção contra cheias. Cabral culpa 'décadas de abandono' por inundações na região. As chuvas já deixaram três mortos e seis mil pessoas desalojadas no Estado do Rio. Após reunião com dez prefeitos de municípios da Baixada Fluminense, o governador Sérgio Cabral anunciou a criação de um gabinete de crise para cuidar das enchentes na região. O prefeito Eduardo Paes vai multar a concessionária Porto Novo pelo alagamento na Via Binário, considerado “falha inadmissível".

O Estado de S. Paulo
"Inquérito do cartel chega ao STF e cita 3 secretários de SP"

Rosa Weber será a relatora; Alckmin vê motivação político-eleitoral em acusações.

O inquérito que investiga o cartel de trens em São Paulo e no Distrito Federal foi recebido ontem pelo STF. Três secretários do governo Geraldo Alckmin são citados. A ministra Rosa Weber será relatora. O caso está em Brasília porque os auxiliares do governo paulista são deputados federais licenciados, com foro especial. São citados o chefe da Casa Civil, Edson Aparecido (PSDB), o secretário de Energia, José Aníbal, e o de Desenvolvimento, Rodrigo Garcia (DEM). O nome do deputado Arnaldo Jardim (PPS) também aparece. Em novembro, o Estado revelou que, em relatório entregue ao Cade, o ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer afirmou ter documentos que provariam a existência de “forte esquema de corrupção” nos governos Covas, Alckmin e Serra. Ontem, Alckmin disse ver objetivo "político-eleitoral” em parte das acusações.

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Máquinas do passado

Ford Prefect 1954 - Sem airbag - Sem ABS - Com acendedor de cigarros

quinta-feira, dezembro 12, 2013

Artes brasilienses

Brasil: futebol e chuva...

Sidney Borges
A Portuguesa vai cair. O Fluminense fica. O Fluminense era o meu time de botões preferido, com o beque Pinheiro que não deixava passar nada. Ficar ou cair não tem nada a ver com o que o time faz em campo. Trata-se do velho e conhecido tapetão. 

No tempo do Raul Klein essas coisas não aconteciam. Na bela "Ilha da Madeira", no Canindé, quando o valente gaúcho desembestava rumo ao arco adversário a torcida batia os pés nas arquibancadas e incentivava: bai raul, bai raul. Raul nem sempre ia, mas o barulho era tão alto que não se ouvia a locomotiva da Cantareira apitando. 

Em 1960 a Portuguesa ficou com o vice campeonato, perdendo para o Santos. Quando Raul Klein cansava entrava o Babá, baixinho que corria muito com as perninhas curtas em frequência frenética. Nos finais de ano chovia a cântaros em São Paulo, inundando parte do Canindé. Ainda chove além da conta em São Paulo, meu amigo Esquerdinha, comunista de carteirinha, que se recusa a passar pela rua Direita, diz que é conspiração da CIA. 

Estão bombardeando as nuvens com nitrato de prata para fazer chover e impedir o progresso do socialismo brasileiro. Conspiração da CIA, com apoio da zelite e da editora Abril. Esquerdinha é um tanto paranoico, mas ultimamente melhorou, já não lança projéteis contra aviões da American Airlines. Trocou o estilingue por um celular chinês quebrado. 

Em Ubatuba chove. Sempre chove. Tem épocas em que chove muito. Em outras chove menos. As chuvas que chegam com a pontualidade dos trens britânicos inundam alguns bairros. Os mesmos, desde o século passado e que certamente no ano que vem vão inundar outra vez. That's life...

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Galáxia


Para pensar...

Uma boa ideia custa ou vale?

Ricardo Pimentel
Depende! Depende do potencial do cliente, da praça, do mercado em que está inserido, etecétera e tal. Agora, tratando-se de Ubatuba depende se o criador é local ou não. Aí prevalece a máxima de que “santo de casa não faz milagre” e assim qualquer ideia por mais genial que seja não terá seu reconhecimento devido e honorários compatíveis. Mas, de qualquer forma, vamos devagar porque o andor é de barro.

Agora, com ou sem reconhecimento ideias precisam ser respeitadas pela ética de mercado. Pois, elas brotam em mentes capazes de traduzir sentimentos, novos conceitos, posicionar e diferenciar produtos e serviços. Boas ideias surgem da capacidade de se encontrar o óbvio. Surgem da mente de publicitários atentos às tendências, oportunidades e necessidades de mercado. Surgem de profissionais treinados para oferecer uma comunicação de qualidade aos setores produtivos.
Por isso, precisamos criar dispositivos legais à proteção das ideias, principalmente para o mercado publicitário que vive das ideias. Caso contrário não terá mais condição de ganhar o pão nosso de todo dia. Por aqui é mais ou menos assim. Prevalece a ideia de que uma boa ideia é simplesmente uma ideia. Não há valor agregado.  Afinal, pensam muitos, a ideia é boa mas não vale o que se imagina. Alias, muitas vezes não vale nada, ou quase nada. Por fim, simplesmente utilizada e nem muito obrigado se dá! 

Afirmo por experiência própria. Por estar há mais de 30 anos em Ubatuba. Por ter passado por inúmeros dissabores no campo das ideias. Da utilização indevida, sem consulta prévia, sem negociação, pela falta de respeito ao profissional, ao ser humano que sobrevive das ideias. No final, a ideia “camelada” (expressão usada no meio publicitário quando uma ideia é totalmente distorcida) não produz os resultados esperados na comunicação do cliente. A partir daí considera-se a ideia ruim e o criador falhou.

O fato é que uma boa ideia proporciona uma campanha de verdade, onde a criação faz a diferença e o cliente tem orgulho. Uma boa ideia é aquela que valoriza tudo e todos que estão envolvidos. Com uma boa ideia se produz uma campanha vendedora, forte e convincente. Uma boa ideia respeita a inteligência do consumidor. Com uma boa ideia se tem uma campanha onde os concorrentes sentem inveja e gostariam de ter feito. Uma boa ideia não custa. Vale!

Uma boa ideia Vale porque atende as necessidades de comunicação do cliente. Uma boa ideia Vale porque é feita com profissionalismo e consegue ser genial. Uma boa ideia Vale pela originalidade. Por isso não custa, Vale! 

Ideias! Todos tem. Agora no negócio da comunicação é preciso ter boas ideias, sintéticas, cirúrgicas, capazes de transmitir emoção. É preciso em uma frase, em uma única palavra, num ícone, em apenas 30 segundos vender uma viagem antecipada para a Lua para daqui há 30 anos. Esse é o grande desafio. Esse é o nosso negócio. Exigimos respeito!

Ricardo Pimentel é Jornalista e Publicitário

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Dominique


Opinião

E=ki (ou o minuto de 12 segundos)

EUGÊNIO BUCCI - O Estado de S.Paulo

"O espetáculo é o capital

em tal grau de acumulação

que se torna imagem"

Guy Debord

Domingo de manhã. Na Marginal do Tietê o táxi avança rumo ao aeroporto de Cumbica. O trânsito flui bem, como gostam de dizer os repórteres de rádio. O motorista (do táxi, bem entendido) não encontra dificuldades. Nos dias inúteis os automóveis andam mais soltos. Liberada pela inexistência de engarrafamentos, a mente se aquieta e se ocupa de assuntos amenos: o cachorro da infância, a filha que mora em Berlim, os vinhos Tanat, o filho de riso tão bonito, o laço do sapato que se desfez e assim ficará, desfeito, até o aeroporto.

Então, o celular toca. Um susto. A essa hora? É Adauto Novaes, chamando do Rio de Janeiro. Está bravo. "Amigo, você viu o desrespeito que foi aquele minuto de silêncio da Fifa para homenagear o Mandela? Não durou nem 15 segundos! Que vexame, amigo! Essa gente não suporta o silêncio. Por que eles não suportam o silêncio? É preciso explicar isso."

Adauto Novaes é filósofo por natureza, por formação e pelo apego que tem ao silêncio (embora, nesse domingo inútil, estivesse atipicamente falante). Adauto sabe muito. Às vezes, porém, por distração ou otimismo, parece não saber que nem todos os brasileiros gostam de futebol, de estádios e de sorteios. É como se ele se esquecesse de que alguns brasileiros, a despeito da nacionalidade que os define, prefeririam fugir do Brasil durante a Copa. Um exílio, pelo amor de Deus.

Em junho do ano que vem o Brasil inteiro vai virar um estádio continental, uma barulheira doida. Socorro! Adauto está furioso com os cartolas da Fifa - ele e a torcida brasileira. Querem uma Copa decente, digna, que respeite Nelson Mandela, que tenha a compostura de fazer valer um minuto de silêncio honesto. Alguns poucos, porém, a exemplo deste lacônico passageiro de táxi, não querem Copa nenhuma. Querem distância das arquibancadas. Preferem o silêncio ao grito de gol. Coisa mais deprimente um grito de gol. Para essa minoria incompreendida, o minuto de silêncio da Fifa não deveria durar 60 segundos, mas dois anos inteiros (a Copa do ano que vem aí incluída). Tudo, tudo em silêncio. Tudo calmo. Toda a Marginal vazia, o pensamento leve e, de resto, só esse movimento de partir, sem aflição, sem dor, sem gritaria.

Não obstante, a pergunta de Adauto Novaes é muito boa. Por que essa gente da Fifa não se concilia com o silêncio? Por que, para eles, a ausência de palavras parece ser um veneno mortal? Por que, na alegria artificial da televisão, não cabem o recolhimento, a pausa, o escuro? Por que a ausência de alarido desconstrói a lógica da TV?

Uns poderiam responder com a velha máxima: tempo é dinheiro. Seria um bom palpite, embora insuficiente (e já veremos por quê). De fato, na televisão e na Copa, tempo é dinheiro. Cada minuto vale uma fortuna. É o preço do olhar mundial que está em jogo. Quanto custa um minuto das atenções de todas as torcidas do planeta? Custa um bocado, o suficiente para que os cartolas não queiram desperdiçá-lo com um sujeito morto. Sim, tempo é dinheiro. O seu tempo também, estimado leitor. Portanto, vamos logo com isso.

Dizer que tempo é dinheiro não basta. Há algo mais, aqui, e esse algo mais é uma potência matemática: a imagem. Sem imagem - isto é, sem pirotecnias, sem coreografias mirabolantes, sem moças bonitas, sem fanfarronices presidenciais, sem efeitos especiais - o capital contemporâneo se encolheria até quase desaparecer. É assim que a equação E=ki (inventada por este articulista a partir de uma ou outra ideia de Guy Debord) nos ajuda a entender melhor a ojeriza da indústria do entretenimento - da qual faz parte o futebol - ao silêncio.

Adestradas pelo espetáculo, as multidões aprenderam a repelir o silêncio, pois funcionam como coadjuvantes solícitas e saltitantes da indústria do entretenimento. As torcidas dentro dos estádios são o equivalente universal daquelas a quem Silvio Santos chamava de "colegas de trabalho" nos seus programas de auditório. Como as "colegas de trabalho" do animador, as torcidas deveriam ganhar um sanduíche de mortadela da Fifa no intervalo das partidas.

Uma torcida emudecida e imóvel acabaria com a graça de um jogo de futebol. Torcedores briguentos estragam a festa, é verdade. Mas torcedores imóveis e calados produziriam danos maiores.

Sendo uma empresa (privada) que remunera os seus investidores a partir da extração de olhar, a Fifa gera valor na medida em que consiga capturar olhos acesos. Ora, o silêncio não gera olhos acesos. Ao contrário, convida as pálpebras a baixarem. Envolvida pela calmaria, a consciência tende a ordenar que os olhos se fechem, o que significa baixar as cortinas do olhar. Faz cessar momentaneamente o espetáculo. Nesse instante - perigosíssimo - a imagem artificial sai de cena e dá lugar ao fluxo do pensamento - ou à mera meditação. As engrenagens da indústria do entretenimento engasgam, reduzem a marcha. Um risco danado. Se os atores do espetáculo se permitem ficar assim em silêncio por 60 longuíssimos segundos, o público pode sentir um impulso de fechar os olhos - e público de olhos fechados é menos cativo do que público aprisionado pelo olhar.

Eis por que o burocrata da Fifa encurtou o minuto de silêncio. A exemplo dos donos das fábricas no início da Revolução Industrial, ele roubou no tempo. Os capitalistas de antigamente faziam isso para aumentar a jornada de trabalho. A Fifa faz isso para aumentar a jornada do olhar. O que dá no mesmo: assistir a um jogo da Copa é trabalhar para a Fifa. E, no apito final, a torcida ainda agradece, olhos esbugalhados, cheios de cerveja. Urros no ar. Foguetório. Passeatas a favor. Bandeiras nacionais. Cruzes.

Adauto despede-se. O táxi acelera. Sinais do aeroporto surgem no horizonte. É uma esperança.

JORNALISTA, É PROFESSOR DA ECA-USP E DA ESPM

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 12 / 12 / 2013

O Globo
"Enchente anunciada: Tempestade de caos e violência"

Despreparado, Rio fica refém das chuvas e pede ajuda para conter arrastões e saques

Temporal fecha principais vias de acesso à cidade, incluindo a recém-inaugurada Via Binário. Cariocas não conseguem chegar ao trabalho, e veículos parados são atacados. Duas pessoas morreram e cerca de quatro mil deixaram suas casas. As fortes chuvas que desde a noite de anteontem castigam o Rio inundaram rios, alagaram as principais vias de acesso à cidade, incluindo a nova Via Binário, e expuseram motoristas parados nos engarrafamentos à violência, mostrando o despreparo para enfrentar um problema que se repete todos os anos. O governador Sérgio Cabral conversou por telefone com a presidente Dilma e anunciou a vinda de policiais federais para ajudar no combate a saques e arrastões, que aterrorizaram motoristas sitiados por causa dos alagamentos na Avenida Brasil e na Dutra. Na Baixada, os prefeitos de Nova Iguaçu e Japeri decretaram estado de calamidade depois que cerca de quatro mil pessoas foram desalojadas pelo transbordamento de rios. Duas pessoas morreram.

O Estado de S. Paulo
"Justiça barra alta do IPTU; Prefeitura deve ir ao STF"

TJ acatou argumento de que o reajuste de 20% a 35% em SP foi aprovado de forma irregular e é abusivo

O Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu a lei que previa reajuste de até 35% no IPTU de 2014 na capital. A decisão é liminar e a Prefeitura deve apresentar recurso no STF. Se não conseguir reverter a decisão, só poderá ser cobrada dos contribuintes paulistanos, por decreto, a inflação do ano, em tomo de 6%. Faltam 17 dias para a emissão dos boletos. Ontem, 22 dos 25 desembargadores que compõem o Órgão Especial do TJ decidiram a favor dos argumentos de duas ações diretas de inconstitucionalidade movidas pela Fiesp e pelo PSDB. A alegação é que houve quebra do regimento da Câmara. O projeto foi aprovado às 23h39 de 29 de outubro, sem que estivesse inicialmente na pauta da sessão. Além disso, PSDB e Fiesp afirmam que o aumento de até 20% para residências e de até 35% para o comércio é abusivo. Em 5 de novembro, o reajuste havia sido barrado pela Justiça, mas a Prefeitura conseguiu reverter a decisão.

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quarta-feira, dezembro 11, 2013

Dominique


Opinião

O ranking das universidades

O Estado de S.Paulo
Não é apenas o ensino básico brasileiro que vem se saindo muito mal nas avaliações comparativas com os sistemas educacionais de outros países realizadas por organismos multilaterais. O mesmo ocorre com o ensino superior.

No levantamento da Times Higher Education sobre a qualidade das universidades dos Brics e países emergentes, divulgado esta semana, quatro instituições brasileiras foram classificadas entre as cem melhores. Nenhuma delas, contudo, ficou no topo da lista. Há dois meses, a Times Higher Education havia divulgado um estudo mostrando que o Brasil não teve nenhuma universidade incluída na lista das 200 melhores do mundo, em 2013. A instituição brasileira melhor classificada, a USP, em 158.º lugar no ranking de 2011, despencou para a faixa entre o 226.º e o 250.º lugares, este ano.

Os estudos comparativos da Times Higher Education avaliam o desempenho dos estudantes, o nível de internacionalização de cada universidade e sua produção acadêmica nas áreas de engenharia, tecnologia, artes, humanidades, ciências da vida, saúde, física e ciências sociais. Também levam em conta a relevância das pesquisas acadêmicas, a regularidade da publicação de artigos nas revistas científicas mais conceituadas e o número de vezes que são citados. E medem, ainda, o nível de absorção, pelas empresas, das ideias e das tecnologias inovadoras desenvolvidas pelas universidades.

No ranking das instituições de ensino superior dos Brics e dos países emergentes, as universidades asiáticas alcançaram o mesmo destaque que suas escolas de ensino básico obtiveram na edição de 2012 do Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes (Pisa). Só a China classificou 23 universidades - 4 delas entre as 10 melhores. A Turquia classificou 3 universidades no topo da lista. A USP ficou na 11.ª posição, abaixo de instituições da China, da Turquia, de Taiwan, da Rússia e da África do Sul. A segunda universidade brasileira melhor classificada foi a Unicamp, em 24.º lugar. Em seguida vêm a UFRJ e a Unesp, em 60.º e 87.º lugares, respectivamente.

O péssimo desempenho das universidades brasileiras nas avaliações internacionais causa preocupação entre os especialistas em ensino superior. Professor da Unicamp, com doutorado na Universidade de Tel-Aviv e pós-doutorado em universidades francesas, o físico Leandro Russovski Tessler classificou como "trágicas" as colocações das universidades brasileiras no ranking da Times Higher Education. Os coordenadores da pesquisa disseram que nossas universidades tiveram um desempenho "decepcionante" e afirmaram que "o ensino superior do Brasil não condiz com o tamanho de sua economia".

Entre os principais problemas das universidades brasileiras, destacam-se a falta de recursos financeiros e humanos para pesquisa, falta de infraestrutura, falta de intercâmbio, baixo número de publicações em revistas internacionais e desconhecimento de idiomas estrangeiros. Em outras palavras, o problema está na forma como o governo vem gerindo o ensino superior, revelando-se incapaz de planejar e de estabelecer prioridades. Enquanto China, Coreia do Sul, Cingapura e Taiwan há muito tempo investem em qualificação de docentes e centros de excelência, intercâmbio cultural e internacionalização de suas universidades, o Brasil desperdiça recursos escassos com a criação de novas instituições sem, no entanto, assegurar boas condições de funcionamento para as instituições já existentes. Na última década, o País também aumentou gastos no setor sem estabelecer metas de produtividade e sem atribuir funções específicas para cada uma das universidades públicas.

Por coincidência, o estudo da Times Higher Education foi divulgado no mesmo dia em que, ao receber o título de doutor honoris causa de uma das universidades abertas em seu governo, Lula mostrou como geriu a área de educação. "Proibimos discutir educação como gasto", disse ele, sem dedicar nenhuma palavra ao problema da má qualidade de gestão e planejamento.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 11 / 12 / 2013

O Globo
"O funeral do conciliador: Sob inspiração de Mandela"

Obama aperta a mão de Raúl Castro, no 1ºcumprimento público desde 1959

Presidentes dos EUA e de Cuba se encontraram na cerimônia fúnebre do líder sul-africano. Numa cena não vista desde a Revolução Cubana, em 1959, o presidente dos EUA, Barack Obama, apertou a mão do líder da ilha caribenha, Raúl Castro. O gesto de aproximação ocorreu em Johannesburgo, na cerimônia fúnebre do líder sul-africano Nelson Mandela. Obama aproveitou e cumprimentou com beijos no rosto Dilma Rousseff, no primeiro encontro dos dois após a presidente cancelar a visita de Estado aos EUA, em setembro, em protesto contra a espionagem americana no Brasil.

O Estado de S. Paulo
"Justiça envia ao Supremo inquérito do cartel de trens"

Justificativa é de que a ‘eventual prática de infrações penais’ envolveria políticos com foro privilegiado

A Justiça Federal decidiu remeter para o STF o inquérito que investiga o cartel de trens no sistema metroferroviário de governos do PSDB em SP entre 1998 e 2008. A decisão, subscrita pelo juiz Marcelo Costenaro Cavali, acolhe representação da Polícia Federal. Em nota, a Justiça Federal afirma que o inquérito foi enviado ao Supremo “em razão de ter sido mencionada a eventual prática de infrações penais por autoridades detentoras de foro por prerrogativa de função perante aquela Corte”. O inquérito da PF cita deputados federais e outros políticos. A decisão traz a ressalva de que a remessa dos autos “não implica reconhecimento” pelo magistrado da existência de indícios concretos de práticas criminosas pelas “autoridades referidas”. As denúncias foram feitas pelo ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer.

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terça-feira, dezembro 10, 2013

Dominique


Opinião

Inépcia e descaso em jogo

O Estado de S.Paulo
Os cariocas Gabriel Ferreira e Diogo Cordeiro, ambos de 29 anos; e os paranaenses Estevão Viana, de 24, e William Batista, de 19, este com o crânio fraturado, sobreviveram por pouco de uma briga na Arena Joinville, domingo. Nenhum deles foi vítima inocente do conflito entre torcedores do Vasco da Gama, do Rio, e do Atlético Paranaense na última rodada da série A do Campeonato Brasileiro de Futebol. Afinal, eles atravessaram todo o espaço vazio que separava as torcidas de seus times para evitar conflitos e partiram em direção aos adversários como uma tribo de bárbaros atacando seus piores inimigos. O resultado foi mais um espetáculo de selvageria. Mas os quatro personagens não são os únicos responsáveis pela briga que os levou ao hospital.

O clube de Curitiba era o mandante do jogo. Não pôde, porém, realizá-lo em seu próprio estádio por causa de outra briga similar em rodada anterior na capital paranaense. Em obediência à punição decretada pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), recebeu os cariocas a mais de 100 quilômetros de sua sede. A diretoria do Atlético foi informada de que, conforme consenso entre o Ministério Público (MP) e a Polícia Militar (PM), sendo o jogo um evento particular, a segurança dos torcedores seria responsabilidade exclusiva do clube anfitrião. Este é que teria de contratar agentes de empresa privada para cuidar da torcida, limitando-se a PM a garantir a integridade física das estrelas do espetáculo: jogadores, árbitros e outros profissionais com acesso ao gramado. Foi providenciada extensa área sem torcedores para evitar choque entre rivais numa disputa nervosíssima, em que o mandante disputava vaga na Libertadores e o visitante tentaria evitar o rebaixamento para a série B.

Numa medida de economia desproporcional aos lucros obtidos pelos clubes em bilheteria de jogos, publicidade e, sobretudo, direitos de transmissão, apenas seis - três de um lado e três de outro - agentes de segurança foram encarregados de evitar que uma torcida agredisse a outra. Bastaram 17 minutos de bola rolando para que ocorresse a briga, com chutes na cabeça de rivais e o emprego de barras de ferro arrancadas do estádio. O jogo foi interrompido e os policiais tiveram de intervir para evitar mortes e transportar os feridos da batalha em helicópteros para o hospital.

O MP divulgou nota oficial garantindo que nada tinha a ver com a decisão da polícia de restringir seu trabalho ao gramado. E o comandante do 8.º Batalhão da PM de Joinville, coronel Adilson Moreira, filosofou: "Estava tudo dentro da normalidade, mas isso (a briga) já ocorreu em diversos estádios. Se houvesse policiamento, ocorreria da mesma forma". E transferiu toda a culpa para o clube, que poderia ter pago à PM catarinense, que cobra regularmente para dar segurança ao público em eventos privados.

Da mesma forma como ocorre com os vândalos feridos, não há inocentes em tragédias como a de domingo. O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, emitiu nota oficial informando que o governo federal vai procurar o Conselho Nacional do Ministério Público para "discutir um entendimento comum" sobre a atuação da PM em estádios.

Na verdade, o MP nada tem o que fazer na prevenção da violência nos estádios, assunto restrito à autoridade policial. E o Estatuto do Torcedor já determina que torcedor violento seja obrigado a comparecer a uma delegacia duas horas antes de um jogo de seu time lá ficando até duas horas depois. Dependendo da gravidade do delito praticado, o vândalo pode até ser preso. A lei já existe há mais de dez anos e em 2009 o ex-presidente Lula da Silva e o antecessor de Rebelo no Ministério do Esporte, Orlando Silva, anunciaram uma ação mais dura contra torcedores briguentos, cambistas e outras pragas nacionais, além de cadastro de torcidas, venda de ingressos em casas lotéricas e monitoramento por câmeras. As mudanças do Estatuto foram feitas principalmente para coibir brigas em estádios. Se a polícia não abre inquérito, o MP não denuncia e a Justiça não condena tais delinquentes, só pode ser por inépcia e descaso.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 10 / 12 / 2013

O Globo
"Desatando o nó: Governo autoriza cinco novos portos privados no país"

Outros dez estão em análise pela agência que regula o setor

Dois terminais são em Niterói e São João da Barra, no Estado do Rio. Investimentos de R$ 2,4 bilhões só foram possíveis com a aprovação de nova lei em junho. Com base na nova Lei dos Portos, aprovada no Congresso em junho deste ano, o governo federal autorizou ontem a instalação de cinco novos portos privados no país, sendo dois no Estado do Rio —Niterói e São João da Barra. Os demais são em Santos e Guarujá (São Paulo) e Porto Belo (Santa Catarina). O investimento total será de R$ 2,4 bilhões.

O Estado de S. Paulo
"Lista de propina do ISS tem shopping e grandes empresas"

Arquivo de fiscal acusado de integrar quadrilha traz 410 empreendimentos; MP vai investigar construtoras

Gigantes do setor da construção civil - como Cyrela, Tenda (subsidiária da Gafisa) e PDG - estão na lista de construtoras acusadas de pagar propina para os fiscais da máfia do ISS. Pelo menos mais 35 grandes empresas estão na relação, que faz parte de um arquivo do fiscal Luis Alexandre Cardoso de Magalhães, um dos servidores presos quando o esquema, que envolve 410 empreendimentos, foi descoberto. Magalhães fez acordo de delação premiada. À lista, somam-se ainda a Fundação Cesp, entidade de previdência privada de funcionários da Companhia Elétrica de São Paulo, o Hospital Igesp, na Bela Vista, e o Shopping Iguatemi, que, segundo as investigações, teria pago propina em obras na Avenida Brigadeiro Faria Lima. Seis das 16 empresas do setor que têm ações negociadas na Bovespa estão na listagem. O Ministério Público informou que investigará as empresas.

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segunda-feira, dezembro 09, 2013

Pitacos do Zé


Navalha e Pindoba

José Ronaldo dos Santos
Conforme já escreveu alguém, “as pessoas deixam de sonhar com a superação das dificuldades, passando a sobreviver com elas”. Eu acrescento algo mais grave: sobreviver com as dificuldades é torná-las piores ou propiciar que outras germinem. Tem dificuldades e dificuldades. Veja um impasse exemplar:

No morro perto da minha casa foi construído uma “casa”, depois outra e mais outras. Com fossas improvisadas, o excedente cai num córrego que segue para o rio e que deságua no mar. O mar e as praias, tal como uma comunidade perfeita, repartem tudo. Assim,  as  dificuldades - que não eram poucas! - ganham outras dimensões, avolumam-se, causam doenças, destroem vidas na natureza, geram transtornos sociais, afugenta turistas etc.

No litoral, sobretudo em Ubatuba, eu acompanho as transformações e as devastações, sobretudo a partir do advento do turismo, da ocupação desordenada e da migração intensa. Se por um lado fomos colocados na modernidade ditada pelo capitalismo, por outro pagamos um preço alto por isso. Dizia o velho Arcelino, da Praia do Perequê-mirim: “Lucro e destruição são os dois lados de uma mesma moeda”. Assim, eu sinto que passa da hora de agirmos para voltar a equilibrar o nosso espaço. Só assim vamos diminuindo a nossa dívida para com as futuras gerações.

Por esses dias, percorrendo um dos nossos caminhos de servidão, entre as praias do Puruba e da Justa, também conhecido como Trilha do Telégrafo, novamente voltei a pensar numa alternativa para preservar e democratizar a riqueza ambiental e cultural desse espaço caiçara em Ubatuba. Afinal, todo esse percurso poderia ser tombado como uma das nossas reservas nativas. Para homenagear os saudosos patriarcas do local, eu até teria a sugestão de nome: Reserva Caiçara “Tio Durval e tia Belinha”. Quantos roçados foi a garantia de suas vidas nesse lugar?! Hoje, uma característica marcante na maior parte desse caminho é a presença de capim navalha e de coco pindoba.

Uma reserva caiçara, na minha concepção, garantiria um turismo cultural. Eu, no caso em questão, explicaria a importância desse Caminho de Servidão na ligação das comunidades das diversas praias, quando nem se sonhava com rodovias, justificando a função dos balseiros nos rios mais largos (Maranduba, Escuro, Indaiá, Puruba, Ubatumirim e Fazenda). Através da mata secundária, trabalharia o contexto dos roçados de subsistência, mostraria os produtos de coleta que tanto nos sustentaram (pindoba, palmito, indaiá, araticum...), explicaria as plantas que nos acudiam nas doenças e dores diversas. Ao encontrar os resquícios da linha telegráfica (postes de ferro), salientaria o papel que esse meio de comunicação teve em épocas de isolamento. Contaria, a partir das ruínas do posto telegráfico da Praia da Justa, a epopeia da fuga do presídio da Ilha Anchieta, quando o telegrafista foi feito refém e teve de acompanhar o grupo de criminosos até os limites de Cunha e Parati. Enfim, muitas outras coisas são possíveis de servirem de ferramentas para moldar uma cultura preservacionista e solidária. Porém, é preciso proteger tais espaços para cortar pela raiz as futuras dificuldades. Eu desejo que mais gente, além dos meus filhos, saibam e sintam esse espaço caiçara.

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Dominique


Opinião

Pensando em 2022

O Estado de S.Paulo
Lula prevê que o PT ainda estará no poder em 2022, na comemoração do segundo centenário da Independência. Como se sabe, o ex-presidente que imagina ter transformado o Brasil num país maravilhoso é extremamente confiante em seu poder de encantar as massas, habilidade da qual já deu provas suficientes. Mesmo assim, considerando que as perspectivas de curto e médio prazos na área da economia não são entusiasmantes e colocam em risco a possibilidade de sustentar por muito tempo o sentimento de prosperidade que bem ou mal ainda perdura e resulta na ampla aprovação popular ao governo petista, fica no ar a pergunta: afinal, o que Lula tem em mente quando está "pensando no Brasil de 2022", como declarou na semana passada, na presença de Dilma Rousseff, ao receber seu 26.º título de doutor honoris causa, na Universidade Federal do ABC?

Populista competente e estritamente pragmático, como na verdade sempre foi, desde os tempos de sua militância sindical, Lula sabe muito bem que é preciso dizer o que o povo quer ouvir. Bolsa Família e promoção de 40 milhões de brasileiros à classe média já não são mais novidade. Ao contrário, são conquistas a esta altura com toda razão consideradas direito adquirido. O brasileiro quer mais. Mas quer, sobretudo, garantir o que já conquistou. E ninguém, nem o mais otimista manipulador de índices econômicos ou formulador de contabilidade criativa põe a mão no fogo pelo que se pode esperar mais à frente.

Nas voltas que o mundo dá, a surpreendente e ruidosa mudança de comportamento de Lula e do PT a respeito do mensalão pode fornecer uma pista sobre o que ele tem na cabeça quando pensa no futuro.

Apesar de arreganhos esporádicos e isolados durante todo o longo processo de julgamento do mensalão e o ano inteiro que precedeu à decretação das primeiras prisões e o encarceramento de José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares (os demais para eles não interessam), Lula e seu partido (incluindo, principalmente, a equipe do governo Dilma), mantiveram uma atitude rigorosamente discreta a respeito do processo. Era um comportamento que parecia se justificar pela suposição de que, às vésperas do próximo pleito presidencial, era mais prudente fingir que nada estava acontecendo, varrer o lixo para debaixo do tapete, de modo a não contaminar a campanha pela reeleição de Dilma. Afinal, o povo tem memória curta e quanto mais cedo parar de falar de mensalão, melhor.

Mas, a partir de 15 de novembro, quando a trinca de líderes petistas foi colocada atrás das grades, tudo mudou. Talvez contrariando o que Lula e o comando partidário deles esperavam, Dirceu e Genoino, declarando-se "presos políticos", promoveram uma ruidosa espetacularização política do episódio, em que não faltaram a exibição de punhos revolucionariamente cerrados, além da exploração das condições de saúde de Genoino. Foi o que bastou para botar fogo na militância, que explodiu nas redes sociais em manifestações de indignados protestos contra a "injustiça" cometida por uma Suprema Corte em que 8 de seus 11 integrantes foram nomeados pelos governos petistas.

Até então, o assunto mensalão estava oficialmente interditado no PT. Agora, virou tema do 5.º Congresso do partido que se reunirá a partir do dia 12 em Brasília. Com a participação de Lula, haverá um "ato de desagravo" aos "companheiros injustiçados". Será o partido no poder declarando guerra a um dos Poderes do Estado.

A guerra, contudo, terá um objetivo mais amplo e difuso, um inimigo mais "poderoso", normalmente referido como "eles" ou a "elite", onde se enquadram a "mídia de direita" os "detentores do poder econômico" (exceto, é claro, os empresários amigos escolhidos pelo governo para se tornarem "campeões") e todos aqueles que não são petistas.

Esses são o inimigo. E essa gente má pode muito mais do que condenar injustamente companheiros amigos do povo. Pode sabotar a economia, acabar com o Bolsa Família e fazer muitas outras malvadezas. Contra essa gente má é que Lula está pensando em 2022. É mais do mesmo, claro. Mas, até agora, funcionou.

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 09 / 12 / 2013

O Globo
"Vigilância - Clinton critica espionagem à Petrobras"

Para ex-presidente, EUA não deveriam ‘levantar informação econômica sob pretexto de segurança’

No Rio para evento de sua fundação, ele defendeu que o Conselho de Segurança da ONU seja ampliado para incluir Brasil e Índia. Em entrevista exclusiva ao GLOBO, o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton criticou a espionagem à Petrobras e defendeu uma política clara de uso de inteligência. "Devemos explicar às pessoas o que é a capacidade de rastreamento de informações. Elas precisam ao menos entender, mesmo que não concordem. O problema é a falta de transparência." No Rio para o primeiro evento de sua fundação, a Clinton Global Initiative (CGI) na América Latina, o ex-presidente elogiou os progressos do Brasil no combate à pobreza e afirmou que o país, com a Índia, deveria participar do Conselho de Segurança da ONU.

O Estado de S. Paulo
"Órgão regulador quer limite a aposentadoria de executivos do BB"

Previc define teto de R$ 30 mil, mas banco só aceita R$ 45 mil; valor provoca divisão

A Previc, órgão subordinado ao Ministério da Previdência e regulador dos fundos de pensão no País, determinou que as aposentadorias pagas a executivos do Banco do Brasil não ultrapassem R$ 30 mil mensais. Para a Previc, se o BB quiser pagar mais não deve dividir a conta com os demais 118 mil funcionários, aposentados e pensionistas do plano de benefício. O imbróglio começou porque o banco, seguindo recomendação da CVM e do BC, passou a pagar executivos por meio de honorários, o que elevou os vencimentos em 30% em média. O BB aceita adotar teto para as aposentadorias, mas tendo como referência o salário de um diretor da instituição, de R$ 45 mil. O caso provocou uma divisão no governo, já que os Ministérios da Fazenda e do Planejamento apoiam o BB.

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domingo, dezembro 08, 2013

Dominique


Opinião

Mentira e democracia

Roberto Romano - O Estado de S.Paulo
John Mearsheimer, especialista em questões bélicas e diplomáticas, publicou em 2011 o livro Por Que os Líderes Mentem - Toda a Verdade sobre as Mentiras na Política Internacional. Ele comenta as práticas do governo americano após os ataques ao World Trade Center. Para Mearsheimer, a Casa Branca mentiu ao alegar a existência das armas de destruição em massa no Iraque, ao dizer que Saddam Hussein colaborava com Osama bin Laden, ao proclamar que o ditador iraquiano estava implicado nos ataques às torres gêmeas, ao anunciar negociação pacífica quando a invasão do Iraque estava pronta. Mearsheimer não é jacobino ("liberal"), sua posição tem forma conservadora. Após apresentar o que nomeia mentiras de George W. Bush, ele as justifica. Dada a anarquia imperante na vida internacional (conhecida desde Tucídides, Maquiavel, Hobbes e Hegel), todos os Estados estão sozinhos se precisam defender a hegemonia. Sem aliado seguro não há quem obrigue uma potência a seguir a ordem kantiana de jamais mentir.

Afirma o autor que a mentira "é ação positiva, articulada para enganar a plateia alvo". A definição copia a de Santo Agostinho: mentir é "dizer o contrário do que se pensa, com a intenção de enganar" (De Mendacio). A mentira, comenta uma analista, "é boa se ajuda a superar situações sociais ou políticas"(Diana Margarit). Da "nobre mentira" platônica (A República, 414b-c) aos nossos dias, o tema integra a razão de Estado. Frederico II, diz Hegel na Filosofia do Direito, perguntou em 1778 se "é permitido enganar um povo". Mas Hegel tem uma resposta maquiavélica: a plebe "engana a si mesma". O governante, se for eminente, conhece o verdadeiro e o falso, tem o direito de usá-los para garantir o Estado contra os ignaros.

Tempos atrás surgiu nos Estados Unidos o romance, escrito por um anônimo, intitulado Primary Colors (que resultou no filme Segredos do Poder). A trama é narrada pelo integrante de uma campanha presidencial. O candidato, tudo indica, seria Bill Clinton. O autor diz em prefácio que sua obra é pura fantasia. Mas os detalhes do enredo são confirmados pelas notícias. Após algum tempo surgiu o nome do autor, trata-se de Joe Klein, experiente jornalista político, profundo conhecedor dos bastidores partidários.

A campanha presidencial narrada segue receita antiga para ganhar eleições: mover os semeadores de boatos contra os adversários (os spin doctors), usar truques e fraudes virulentas. O mais importante reside na ambígua ética do candidato (Jack Stanton), que se imagina um mocinho, mas usa os meios dos bandidos para vencer. Na batalha pelas urnas, os "perversos" inimigos fabricam um elo extraconjugal do político. Detalhe: o fato é verdadeiro, mas para convencer os eleitores seria preciso "aprimorar a prova". Daí, eles unem trechos de várias conversas gravadas, as quais, por si mesmas, nada diziam sobre as alcovas do político. Para refutar o truque os marqueteiros de Stanton colam falas de uma entrevista televisionada e a passam ao público. Mostram, assim, que houve fraude na montagem, mas eludem o trato entre candidato e amante. Relações homoafetivas do adversário são expostas sem clemência. Vale tudo no belicismo eleitoral.

Quando um membro da sua campanha quer deixá-lo, "Clinton/Stanton" arrazoa: "Dois terços do que fazemos é repreensível. Sorrimos, escutamos - podem crescer calos em nossas orelhas de tanto ouvir. Fazemos nossos patéticos pequenos favores. Falamos para eles o que desejam ouvir e quando lhes falamos algo que não querem ouvir, usualmente é porque calculamos exatamente o que desejam escutar. Temos uma eternidade de sorrisos falsos. É o preço pago por nós para liderar. Você não acha que Abraham Lincoln foi uma prostituta antes de ser presidente? Você entende, como eu, que há muita gente no jogo que nunca pensa nas pessoas mas só quer vencer?".

Comenta um filósofo: "Primary Colors analisa as rotas onde a democracia e seus ideais são erodidos e forçados por uma elite política e pela cultura midiática, em campanhas imersas na sujeira e na contra-sujeira, na corrupção e na tentação de dizer ao eleitorado o que ele deseja ouvir" (Jon Hesk, em Deception and Democracy in Classical Athens).

Voltemos ao maquiavélico Hegel (a massa engana a si mesma). É suspeito o prazer suscitado quando as carnes podres de um ou outro partido são expostas em boatos dos spin doctors e marqueteiros. O escândalo dura pouco tempo, sendo trocado pelo seguinte, e assim por diante. A vítima real das denúncias encontra-se na instituição política, corroída e impotente. Sem a fé pública, ela não mais oferece a segurança basilar da existência cidadã. Eleições, em casos assim, marcam a morte da vida democrática, não seu vigor.

Vivemos a guerra eleitoral de 2014. No mundo e no Brasil domina a propaganda mendaz (cf. Dennis W. Johnson, No Place for Amateurs: How Political Consultants Are Reshaping American Democracy). Se, como diz Mearsheimer, mentiras podem ser aceitas em plano internacional, na vida interna dos povos elas dissolvem a sociedade. Quando os líderes mentem para as plateias, difamam adversários e batem contritos no peito, o regime democrático fenece. Spin doctors, na imprensa e na internet, espalham calúnias e medos. Eles vampirizam os sonhos da plebe. Tudo está programado para destruir os inimigos, no governo e nos recantos oposicionistas, e para rebaixar a cidadania. Lucram os oligarcas que pescam em águas turvas, mas quem lhes serve de instrumento vai para a cadeia.

Quando lembramos a tese de George Orwell, pervertida com sarcasmo em Primary Colors - "Se a liberdade tem algum sentido, ela significa o direito de dizer ao povo o que ele não quer ouvir" -, temos a consciência de que já ultrapassamos os limites da escravidão, apelido que damos a uma suposta e melancólica democracia.

*Professor da Universidade Estadual de Campinas, é autor de 'O Caldeirão de Medeia' (perspectiva)

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 08 / 12 / 2013

O Globo
"UPPs têm a menor taxa de homicídios do Brasil"

Índice de 8,7 casos por cem mil habitantes é inferior aos de capitais e estados

Dona Marta, que recebeu a primeira unidade em 2008, não tem assassinatos há cinco anos. O programa das UPPs completa cinco anos este mês com levantamento que aponta uma queda drástica dos números de assassinatos. Estatísticas oficiais mostram que em 29 comunidades que têm 18 UPPs, a taxa de homicídios foi de 8,7 por cem mil habitantes em 2012, a menor de todo o país se considerados as capitais e os estados, revelam Carla Rocha, Selma Schmidt e Sérgio Ramalho. O número é inferior aos do Brasil (24,3) da cidade do Rio (18) e de Washington, a capital americana (19) e já não á considerado endêmico pela ONU. No Dona Marta, primeira UPP do Rio, não ocorrem homicídios há cinco anos.

O Estado de S. Paulo
"Acordo inédito na OMC tenta frear iniciativas regionais"

Brasil trabalhou nos bastidores por consenso para evitar que organização fosse abandonada pelos europeus e EUA

Organização Mundial do Comércio (OMC) fechou ontem, em Bali, o primeiro acordo em quase 20 anos e, com isso, evitou que Europa e Estados Unidos se lançassem apenas em negociações regionais sem a participação dos países emergentes, relata o correspondente Jamil Chade. O entendimento abre caminho para a injeção de US$ 1 trilhão na economia mundial ao desbloquear processos aduaneiros. Segundo economistas, também deve criar 21 milhões de postos de trabalho. Mas, acima de tudo, salva a credibilidade da OMC. O Itamaraty saiu de Bali com o que considera uma vitória porque temia perder participação no mercado internacional. Apesar de ser só a “ponta do iceberg”, o tom ontem era de comemoração pelo significado político do tratado. “Pela primeira vez na história, chegamos a um acordo”, comemorou o diretor da entidade, o brasileiro Roberto Azevêdo.

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