sábado, dezembro 07, 2013

Aeroclube


Nasce a criatura!

Sidney Borges
Depois de muitas idas e vindas, reuniões e mais reuniões e trabalho a dar com pau, o bem venceu as hordas malévolas da burocracia. 

O Aeroclube de Ubatuba está estabelecido como entidade.

Ainda faltam aviões, alunos, instrutores e voos. Temos certeza de que esses detalhes logo serão supridos.

Acima temos o logotipo do aeroclube, criação do designer Paulo Orlando Lafer de Jesus (Polé).

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Dominique


Opinião

Conselhos manipulados

O Estado de S.Paulo
Ouvir os moradores dos bairros, por meio de representantes por eles eleitos, a respeito de suas necessidades e aspirações, para ajudar tanto no planejamento como na fiscalização das ações da Prefeitura, é sem dúvida uma boa iniciativa. Principalmente numa cidade das dimensões gigantescas de São Paulo, essa forma de descentralização - os conselhos de bairros, com um total de 1.125 integrantes, atuarão nas 32 Subprefeituras - pode, em princípio, ajudar a melhorar a qualidade da administração municipal.

O grande problema é como colocar em prática essa boa ideia, de forma a garantir que a população dos vários bairros esteja de fato representada, sem distorções provocadas pela capacidade de influência tanto dos partidos que controlam a máquina administrativa municipal como dos vereadores, sempre prontos a manipular as organizações de bairros em benefício de seus interesses eleitorais. E tudo indica que é exatamente isso que pode acontecer com os conselhos a serem eleitos no próximo domingo.

Poderá votar qualquer pessoa maior de 16 anos, com a simples apresentação de um documento com foto, em vez do título de eleitor, o que possibilita a participação dos imigrantes, estimados em 500 mil. A lista de candidatos tem 2.855 nomes. O prefeito Fernando Haddad - que já apresenta os conselhos como uma das grandes realizações de seu governo - diz esperar que entre os eleitos surjam novas lideranças regionais, aptas a alcançar no futuro os cargos de subprefeito.

A velha e tão decantada intenção do PT de aprimorar a democracia com o aumento da participação popular está muito longe de ser tão nobre e desinteressada quanto pode parecer, a julgar pelo exemplo dos conselhos. Daí as reações negativas à iniciativa de Haddad, que já começam a aparecer. A primeira partiu, como era de esperar, da oposição. O líder do PSDB na Câmara, vereador Floriano Pesaro, manifestou o temor de que os conselhos acabem por se transformar numa "espécie de subcâmara governista", caso seja eleito um grande número de candidatos indicados pelo PT. "Se isso acontecer", diz ele, "o que vamos ver é um monte de companheiros dizendo 'amém' para o governo."

Seus temores são bem fundados, porque, como mostra reportagem do Estado, a maioria dos locais de votação fica em áreas da periferia, nas quais é muito forte a influência do PT. Como se isso não bastasse, foi permitido que moradores de um bairro votem em candidatos de outro. Assim, um morador da Lapa, se quiser, pode votar em candidato de um bairro muito distante do seu - Parelheiros, por exemplo, situado no extremo sul da cidade.

A explicação da Prefeitura é de que segue recomendação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), feita com base no fato de que 35% dos eleitores não votam no distrito onde moram. Ora, se o objetivo é estabelecer uma estreita ligação entre os eleitos e os problemas do bairro onde moram, o argumento não procede. Ou melhor, a constatação do TRE, que não tem relação direta com esse caso, está sendo usada espertamente com objetivos partidários.

Segundo o secretário municipal de Relações Governamentais, João Antônio (PT), encarregado de organizar a eleição - por que ele e não um grupo de representantes dos vários partidos, governistas e oposicionistas ? -, "o conselho deve ser o retrato da sociedade local. Se ela é ligada a um determinado partido, vai levar isso ao conselho". Com a escolha dos locais e as regras estabelecidas para a votação, a lógica do secretário se torna mais traiçoeira do que verdadeira, porque ela tende a criar condições que favorecem o PT.

A participação ativa na eleição dos vereadores de todos os partidos, que indicaram candidatos e ajudam na divulgação de seus nomes, é outro poderoso elemento que colabora para comprometer a representatividade dos conselhos. Se isso ocorrer, qual a sua utilidade, já que a sua composição será, numa boa medida, mero simulacro da Câmara? E, numa outra medida, uma caricatura do PT? A isso pode se reduzir a boa ideia de aumentar a participação dos moradores dos bairros na solução dos seus problemas.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 07 / 12 / 2013

O Globo
"Copa do mundo: Carioca vai gastar até R$ 5.658 só para seguir a seleção"

Passagens custam, em média, 190% a mais para datas durante o torneio

Levantamento foi feito nos sites das quatro companhias aéreas com saídas a partir do Aeroporto Santos Dumont. O torcedor carioca que quiser seguir a seleção brasileira na Copa de 2014 terá que desembolsar, pelo menos, R$ 5.658,28 em passagens de avião para cidades que vão sediar os jogos. Levantamento do GLOBO feito em sites das companhias TAM, Gol, Azul e Avianca considera as menores tarifas para voos de ida e volta nos dias dos jogos, sempre partindo do Aeroporto Santos Dumont. Se fizesse as mesmas viagens em maio, custo seria de R$ 1.952,65.

O Estado de S. Paulo
"Um caminha difícil para o hexa"

No sorteio das chaves da Copa de 2014, ontem, o Brasil escapou do “grupo da morte”, que tem Itália, Inglaterra e Uruguai, três campeões mundiais

A seleção brasileira estreará contra a Croácia, em 12 de junho, no Itaquerão. Depois jogará com México e Camarões na primeira fase. Se confirmar o favoritismo e avançar como líder do Grupo A, pode enfrentar Espanha ou Holanda já no mata-mata. Ao abrir o evento, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, mostrou desaprovação a possíveis manifestações na Copa e pediu união dos brasileiros. Apresentando a cerimônia ao lado do marido, Fernanda Lima foi um dos destaques da festa.

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sexta-feira, dezembro 06, 2013

Calma aí, bixu!


Coluna do Celsinho

Mandela

Celso de Almeida Jr.

Ontem, 5 de dezembro, o mundo perdeu Nelson Mandela.

Aguentasse mais 20 dias, seria Natal.

Creio que para a humanidade o simbolismo seria perfeito.

Partida e nascimento.

Concorda?

Só para reforçar meu raciocínio, eis algumas frases do grande estadista:

"Um homem que tira a liberdade do outro é um prisioneiro do ódio, ele está trancado atrás da barreira do preconceito e da intolerância. O oprimido e o opressor, igualmente, têm sua humanidade roubada."

"Depois de ter escalado uma grande montanha, apenas descobrimos que existem muitas outras a serem escaladas."

"Se você quer a paz com o seu inimigo, você precisa trabalhar com ele. Então, ele se tornará um parceiro."

"Uma boa cabeça e um bom coração são sempre uma combinação formidável."

Como se vê, palavras que apostam no amor, cheias de luz.

Confirmadas pelos exemplos de sua vida extraordinária.

Assim como a outra grande personalidade que marcou dezembro.

Os dois mil anos que os separam não interferiram na força das mensagens.

Coincidentes.

Corajosas.

Eternas.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique


Opinião

Exemplos admiráveis, impasses insuportáveis

WASHINGTON NOVAES - O Estado de S.Paulo
O impacto da notícia sobre o desabamento, nesta semana, de mais um edifício em construção na Grande São Paulo leva a memória para vários outros desabamentos na região (inclusive no Itaquerão), assim como no Rio de Janeiro. E ao pensamento de que certamente se deve rever a legislação sobre construções, exigências de fiscalização periódica, etc. Da mesma forma, faz pensar na anunciada - e admirável - disposição da artista Tomie Ohtake, que, do alto dos seus 100 anos, se manifestou imediatamente pronta a refazer sua obra de 720 metros quadrados atingida no incêndio no Memorial da América Latina.

São pessoas assim que convidam a não desistir de mudanças, ainda que o quadro geral seja mais do que preocupante. Gente também como Fernanda Montenegro, que, ao receber o Prêmio Emmy de melhor atriz, aos 84 anos, se diz imediatamente disposta a partir em busca de outras realizações. A mesma Fernanda que em 1985, em entrevista ao autor destas linhas para um balanço do ano na área cultural no País, perguntada se não havia razões para descrença, ou qual teria sido o maior acontecimento no ano, não hesitou: "O maior acontecimento cultural do ano foi o enterro de Tancredo Neves - 1 milhão de pessoas na rua, sem nenhum comando ou controle de fora, correndo atrás do caixão do seu líder. Isso não é admirável, não é a cultura de um povo?".

É de uma fortaleza como essa que se carece na hora em que se noticia a eleição neste próximo domingo, na cidade de São Paulo, de um Conselho Participativo Municipal, para escolher 1.155 pessoas que, nas 32 subprefeituras, analisarão "áreas como planejamento e fiscalização, ações e gastos com publicidade, moradia, saúde pública e outras". Na verdade, tudo. E pergunta-se: conseguirá esse conselho fazer algo semelhante ao que propunham professores da Universidade de São Paulo que, em projeto enviado à Câmara Municipal há poucos anos, previam a divisão do Município em subprefeituras, com orçamentos autônomos, e a eleição de conselhos de cidadãos com poderes para determinar o orçamento, onde aplicá-lo, como fiscalizar a execução? A Câmara aprovou as subprefeituras e esqueceu os conselhos...

Se for possível a transformação, que se fará? Diz o diretor da ONU-Habitat, Elkin Velásquez (Ecodesenvolvimento, novembro 2013), que "chega de construir novos viadutos, pontes, rodovias". E aponta também para a ferida social: "A cidade não é igualitária". Por isso "a transição para cidades sustentáveis" custará R$ 40 trilhões até 2030. Hoje, na cidade de São Paulo, só 2,5% da população vive em áreas totalmente dotadas de iluminação pública, pavimentação de ruas, calçadas, meios-fios, bueiros para escoamento de águas pluviais, rampas e acessos para deficientes físicos, redes de fios e cabos; só 3 mil dos 40 mil quilômetros de fios estão no subsolo em 17 mil quilômetros de ruas; em contrapartida, mais de 30 afluentes de rios, sepultados sob o asfalto, continuam a levar lixo e sedimentos para os cursos principais, sem que nada se faça. O déficit habitacional no País é para quase 9% da população, perto de 20 milhões de pessoas, 5,4 milhões de moradias precárias (Ipea, 26/11). Só na Grande São Paulo são mais de 2 milhões.

Não é mais o caso de falar em congestionamentos de até mais de 300 quilômetros num único dia em São Paulo, perdas de três horas diárias pelos moradores para ir ao trabalho e voltar (prejuízo de R$ 20 diários por pessoa com 12,5% de seu tempo). Que se pode esperar, se a frota no País cresce à razão de 12 mil veículos por dia e dobrará até o fim da década - enquanto se concedem isenções de impostos e incentivos à indústria do setor (R$ 32 bilhões desde 2007, que seriam suficientes para implantar 150 quilômetros de metrô ou mais de 1.500 quilômetros de corredores de ônibus)? Mas é preciso dizer que no ano passado aconteceram no País acidentes de trânsito com 21,5 mortos por 100 mil habitantes (na Alemanha, 4; na Suécia, 2,5), total de 80 mil em 30 anos; e 159 mil internações em hospitais.

Quando se chega ao capítulo da poluição do ar - como se escreveu neste espaço há poucas semanas -, retorna-se à fala do professor Paulo Saldiva, conceituado especialista na área de saúde pública e sua relação com a qualidade do ambiente. Ele ressalta que, se conseguíssemos reduzir em 10% a poluição no Estado de São Paulo, reduziríamos em 114 mil o número de mortos, fora internações, milhões de dias de trabalho perdidos, etc. No mundo, segundo a ONU, 2 milhões de pessoas morrem a cada ano por causa de poluição atmosférica (há uma década eram 800 mil).

A violência nas nossas cidades chega a níveis inacreditáveis - de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, no ano passado foram quase 25 homicídios por 100 mil habitantes. O espanto é imenso quando há poucos dias se noticiou (France Presse, 3/12) que, na Islândia, "a Polícia Nacional pela primeira vez na História do país foi obrigada a matar um homem, que começou a disparar sem motivo aparente da janela de seu apartamento na capital, Reykjavik".

Que sugerirá o Conselho Participativo Municipal a ser eleito em São Paulo? Fim da isenção de impostos para veículos? Apreensão de todos os veículos não inspecionados? Criação de taxa de reciclagem para qualquer veículo, obrigatória a partir de certo tempo (20 anos, na Suécia)? Implantação do pedágio urbano, como em Londres e outras grandes cidades? Criação da taxa de lixo proporcional à geração de resíduos em cada residência ou estabelecimento comercial, como na Alemanha?

Caminhos há - e já testados em muitos lugares. A vontade política dos partidos nos Legislativos, entretanto, é que fará a diferença. E a tentação é sugerir uma nova Constituinte no País, que repense tudo - no próprio Legislativo, no Judiciário e no Executivo. Se não for assim, não é difícil prever para onde nos levará maior agravamento dos atuais impasses.

JORNALISTA

E-MAIL: WLRNOVAES@UOL.COM.BR

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 06 / 12 / 2013

O Globo
"Corrupção - Mais quatro mensaleiros na cadeia"

Valdemar Costa Neto renuncia ao mandato pela segunda vez e fica inelegível até 2029

Também já estão presos os ex-deputados Pedro Corrêa e Bispo Rodrigues, além de Samarane, ex-diretor do Rural. Agora, são 15 condenados na prisão e Pizzolato foragido. O presidente do Supremo, ministro Joaquim Barbosa, determinou ontem a prisão de mais quatro condenados pelo mensalão. Dois deles se apresentaram horas depois no presídio da Papuda — o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP) e o ex-deputado Bispo Rodrigues (PR-RJ) — e dois em unidades da Polícia Federal em Brasília — Pedro Corrêa (PP-PE) e o ex-dirigente do Banco Rural Vinicius Samarane. Valdemar renunciou ao mandato pela segunda vez em oito anos. A primeira foi em 2005, quando estourou o escândalo do mensalão, mas ele conseguiu se reeleger no ano seguinte. Agora, perdeu os direitos políticos até 2029, devido à Lei da Ficha Limpa. Sobre a prisão do delator do mensalão, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), Barbosa ainda analisa laudo médico.

O Estado de S. Paulo
"Mais quatro são presos no mensalão; Costa Neto renuncia"

Deputado deixa Câmara pela 2ª vez após ter nome envolvido em escândalo; condenados foram para Papuda

O STF mandou prender mais quatro condenados no mensalão: o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), os ex-deputados Pedro Corrêa e Bispo Rodrigues e o ex-vice-presidente do Banco Rural Vinicius Samarane. Todos estão desde ontem sob custódia da PF. Valdemar Costa Neto renunciou ao mandato logo após ter prisão decretada. Em 2005, ele também renunciou para não ser cassado pelo mesmo escândalo. Com as decisões de ontem, já são 16 as ordens de prisão expedidas pelo presidente do STF, Joaquim Barbosa, no mensalão. Em novembro, foram presos 11 condenados, entre eles o ex-ministro José Dirceu e o ex-deputado José Genoino. Nos próximos dias, devem ser definidas as prisões do deputado federal Pedro Henry (PP-MT) e do ex-deputado Roberto Jefferson, delator do escândalo.

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quinta-feira, dezembro 05, 2013

Dominique


Opinião

As reações ao Pisa

O Estado de S.Paulo
Tão importante quanto os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), que mostraram como Xangai, Hong Kong, Cingapura e Coreia do Sul estão colhendo dividendos de seus investimentos na área da educação, por considerá-la decisiva para o desenvolvimento econômico da região, foram as reações dos demais países avaliados. Em alguns, como o Chile, que ficou em 51.º lugar em matemática e em 46.º em ciências, as autoridades educacionais pediram desculpas aos estudantes.

Em países como a Finlândia e a Alemanha, que ocuparam as primeiras posições nas edições anteriores do Pisa, a perda da liderança para os países asiáticos deflagrou acirradas polêmicas. Como o desempenho da economia finlandesa e da alemã é condicionado por sua capacidade de inovação tecnológica, as autoridades econômicas não esconderam o temor de que os resultados negativos do Pisa de 2012 afetem o desenvolvimento futuro dos dois países. O mesmo ocorreu nos Estados Unidos, cujos estudantes ficaram abaixo da média alcançada pelos países da OCDE. A maior economia do planeta não conseguiu ficar nem mesmo entre os 20 primeiros lugares no ranking de matemática e ciência. Pedagogos americanos lembraram que os estudantes dos países orientais se destacaram não só em matemática e ciências, mas, igualmente, em leitura. E também conseguiram exceder as informações aprendidas em sala de aula, usando o conhecimento com criatividade para lidar com problemas cotidianos.

Jornais americanos lembraram que essa habilidade era, até agora, associada ao modelo de ensino do Ocidente. Mostraram que os países asiáticos estabeleceram metas altas para sua rede escolar e indicaram os melhores professores para as salas de aula mais desafiadoras e os diretores mais competentes para as escolas mais problemáticas. Em editorial, o Wall Street Journal advertiu que os Estados Unidos estão correndo o risco de perder a liderança mundial no campo científico.

No Brasil, as reações foram diferentes. Preocupada com as dificuldades que os adolescentes terão para absorver tecnologia quando entrarem no mercado de trabalho, a Confederação Nacional da Indústria advertiu para o risco de perda de produtividade e competitividade do País por causa da má qualidade do ensino básico. Já o ministro da Educação, relevando o 58.º lugar ocupado pelo Brasil entre os 65 países, converteu o aumento da média dos estudantes brasileiros em matemática - de 356 pontos, no Pisa de 2003, para 391 pontos, em 2012 - em motivo de ufanismo. "Fomos o país em que os estudantes mais evoluíram, na década. Quando olhamos o filme, somos o primeiro da sala", disse Aloizio Mercadante.

Mas não há motivo para euforia. O avanço brasileiro partiu de um patamar muito baixo. "Como comemorar os pontos ganhos no Pisa de 2012, se o aumento na pontuação se deu com maior força entre os piores alunos, cuja nota média em 2003 equivalia a zero e hoje, dez anos depois, esse mesmo grupo ainda não é capaz de ler uma única informação em um gráfico de barras?", indaga Paula Louzano, da Faculdade de Educação da USP. É que apenas 0,8% dos estudantes brasileiros teve notas compatíveis com os níveis 5 e 6 da escala do Pisa, que identificam as competências para resolver questões mais complexas.

Por conveniência política, o ministro deixou de lado o fato de que 70% dos participantes brasileiros do Pisa de 2012 não ultrapassaram o nível 1 da escala de habilidade em matemática, que identifica a capacidade de resolver questões simples. Esses alunos não sabem, por exemplo, usar informações de uma tabela ou gráfico para calcular uma média ou tendência.

A prosperidade dos indivíduos, o sucesso das empresas e a riqueza das nações dependem dos investimentos em educação. A reação de muitos países desenvolvidos à sua queda no ranking do Pisa de 2012 mostra que eles sabem disso e que tomarão providências urgentes para voltar a disputar a liderança com os países orientais nas próximas edições do Pisa. Já no Brasil, onde a educação tem sido entregue a políticos profissionais, reações ufanistas dificilmente conseguirão levar essa área estratégica a dar um salto de qualidade.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 05 / 12 / 2013

O Globo
"Retratos do Brasil: País tem só quatro universidades entre as cem melhores dos emergentes"

China domina o ranking, com 23 instituições

Das brasileiras, três são de São Paulo e uma do Rio; nenhuma delas aparece entre as dez primeiras colocadas no levantamento. Um dia após o resultado do Pisa (exame aplicado a jovens de 15 anos em 65 países) mostrar que o Brasil continua nas últimas colocações do ranking internacional de aprendizado, outro levantamento, elaborado pela consultoria britânica Times Higher Education, revelou que o país também deixa a desejar no ensino superior, mesmo quando comparado apenas com nações emergentes. No grupo de 100 melhores universidades, apenas quatro são brasileiras. Tal como no Pisa, a China se destaca, com 23 instituições no grupo.

O Estado de S. Paulo
"Juiz nega pedido e Dirceu ficará na fila por benefício"

Ex-ministro aguardará até dois meses decisão sobre se poderá ou não trabalhar em hotel, que está sob suspeita

A Vara de Execuções Penais de Brasília rejeitou o pedido da defesa de José Dirceu para que fosse realizada com prioridade a análise de sua contratação pelo Hotel Saint Peter, no primeiro revés à intenção do ex-ministro de trabalhar fora da prisão. A decisão reflete a resistência ao pedido feito por Dirceu, que provocou críticas no STF pelo valor do salário - R$ 20 mil - e pela situação da empresa proprietária do hotel, cujo ex-gestor seria um laranja. Sem essa prioridade, Dirceu pode levar até dois meses para ter seu pedido analisado. Ele passará por avaliação psicológica, o empregador será entrevistado e o localizado. Durante esse período, Dirceu ficará no presídio da Papuda, onde cumpre pena de 7 anos e 11 meses após condenação no processo do mensalão. O ex-deputado Roberto Jefferson, condenado a 7 anos, passou por perícia médica, cujo laudo será entregue hoje ao STF. 

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quarta-feira, dezembro 04, 2013

Dominique


Opinião

A educação brasileira

O Estado de S.Paulo
O Brasil está avançando na educação, mas os países desenvolvidos e muitos países em desenvolvimento estão avançando ainda mais. Esta é uma das conclusões do relatório de 2012 do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês), mantido pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Realizado a cada três anos, o estudo foi elaborado com base nos rankings de três provas - matemática, ciência e leitura - aplicadas a estudantes de 15 anos de 65 países ou regiões econômicas delimitadas (como é o caso da província chinesa de Xangai).

Ao todo, submeteram-se às provas do Pisa de 2012 510 mil estudantes, dos quais 19.877 eram alunos brasileiros de 837 escolas. A amostra representa os aproximadamente 28 milhões de alunos dessa faixa etária nos países avaliados. O objetivo da avaliação é aferir o quanto os alunos aprenderam em sala de aula e se conseguem aplicar o conhecimento adquirido na solução de problemas reais em seu dia a dia.

Com 391 pontos, os estudantes brasileiros ficaram em 58.º lugar na prova de matemática, numa posição próxima à dos estudantes da Albânia, Jordânia e Tunísia. Em 2003, a média foi de 356 pontos. O ranking dessa disciplina em 2012 foi liderado pelos estudantes de Xangai e Cingapura, que obtiveram 613 e 573 pontos, respectivamente. A média dos estudantes dos países da OCDE foi de 494 pontos. Entre os países da América Latina, o Brasil ficou abaixo do Chile, México, Uruguai e Costa Rica e acima do Peru e da Colômbia.

Na prova de leitura, os estudantes brasileiros obtiveram 410 pontos - menos do que na edição anterior do Pisa. E, na prova de ciências, permaneceram estagnados, com 405 pontos. Essas pontuações são consideradas baixas pelos pedagogos. Os estudantes na faixa dos 400 pontos têm graves problemas de proficiência. Não dominam a leitura e a escrita. Não aprenderam o mínimo previsto de matemática, tendo dificuldade de fazer cálculos. E têm conhecimentos rudimentares em ciência. Já as notas entre 550 e 600 pontos sinalizam que os estudantes têm formação refinada, dominando habilidades fundamentais para lidar com as tarefas da vida cotidiana.

Os números do Pisa de 2012 mostram que, apesar de o acesso à escola ter melhorado em todos os níveis, nas últimas décadas, a qualidade do ensino evoluiu pouco. Professores do ensino fundamental, por exemplo, não conseguem transmitir informações mínimas para justificar a diplomação de seus alunos. O tempo das aulas também é insuficiente, apesar de a Lei de Diretrizes e Bases da Educação recomendar jornada de tempo integral. Desestimulados, desvalorizados e com salários aviltados, muitos docentes da rede pública acomodaram-se no corporativismo sindical.

Incapazes de suprir a escassez de professores de matemática, física, química e biologia e de valorizar o magistério público, na última década as autoridades educacionais agitaram bandeiras mais vistosas do que eficazes. De modo contraditório, deixaram o ensino médio à própria sorte e alargaram as portas de acesso ao ensino superior. Em vez de cuidar da formação básica, perderam tempo com políticas de cotas raciais e desperdiçaram recursos escassos instalando universidades onde não havia demanda. Criaram um ambicioso programa de bolsas de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado no exterior sem, antes, oferecer cursos eficientes de língua estrangeira. E, em nome de uma fantasiosa "democracia escolar", acenaram com a obrigatoriedade de eleições diretas e gestões colegiadas, inclusive na rede privada.

O Pisa também avalia aspectos como a satisfação dos alunos com a escola e como eles se sentem no ambiente escolar. Um dos indicadores é o que analisa o quanto o aluno se sente incluído na escola. No Pisa de 2003, 8% dos estudantes brasileiros disseram que se sentiam sozinhos. No Pisa de 2012, o índice chegou a 19%. Isso mostra, além de uma sensação de abandono, a consciência que parte significativa de nossos adolescentes tem da inépcia dos responsáveis pela política educacional do País.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 04 / 12 / 2013

O Globo
"Retratos do Brasil: Mensalão: Genoino renuncia a mandato para fugir de cassação"

Câmara vai analisar se petista condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha no julgamento do mensalão terá direito a aposentadoria por invalidez

Para escapar do processo de cassação, o deputado José Genoino (PT-SP), condenado e preso por envolvimento no mensalão, renunciou ao mandato. A carta de renúncia foi apresentada pelo deputado André Vargas (PT-SP) quando a Mesa Diretora da Câmara já tinha dado quatro votos favoráveis ao início do processo — são sete, no total. Apesar da renúncia, o ex-presidente petista, que exerceu o mandato por 26 anos, ainda pleiteia aposentadoria por invalidez. Como Genoino, os deputados Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT), condenados pelo mensalão, devem renunciar assim que o STF expedir contra eles as ordens de prisão.

O Estado de S. Paulo
"PIB cai 0,5% e tem pior trimestre em 4 anos"

Mercado revisa previsões para o ano; investimento caiu 2,2% e foi um dos responsáveis pela queda

Depois de surpreender positivamente no primeiro semestre, a economia brasileira encolheu 0,5% entre julho e setembro ante o trimestre anterior, segundo o IBGE. Foi o primeiro saldo negativo e o pior resultado desde o início de 2009, quando o PIB sofria os efeitos da crise mundial. O investimento caiu 2,2% e foi um dos responsáveis pela perda de ritmo da economia. Também a agropecuária e o setor externo contribuíram para o fraco desempenho. O mercado financeiro já previa resultado negativo, mas a queda superou a média das estimativas, que era de 0,2%. O cálculo agora é de alta de 2,15% a 2,5% do PIB para 2013 e entre 1,1% e 2,6% em 2014. O ministro Guido Mantega (Fazenda) disse que é “perfeitamente possível” chegar a 2,5% de crescimento no ano. 

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terça-feira, dezembro 03, 2013

Pitacos do Zé


E por falar em civilidade... (XLVI)

José Ronaldo dos Santos
Acho ótimo que aconteçam tais provas em nosso município (Ubatuba). Quero acreditar que cada competidor desses eventos se torna um aliado na defesa de um patrimônio para todos. Só que os organizadores não podem esquecer suas placas por nossos Caminhos de Servidão.

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Dominique


Opinião

A cidade dá o troco

O Estado de S.Paulo
Político e frasista, Ulysses Guimarães (1916-1992) gostava de ensinar que os cidadãos não moram no País, não moram nos Estados: moram nos municípios. É a realidade imediata do entorno que define o seu cotidiano e lhes proporciona uma visão mais clara dos governantes de suas cidades. O modo como as pessoas avaliam nas pesquisas o desempenho de presidentes e governadores está em princípio mais sujeito à influência de fatores que não dizem respeito diretamente à percepção dos entrevistados sobre os méritos e deméritos de suas gestões. Não que o resultado dessas sondagens deva ser recebido com reservas: o agregado dos números, apesar dos vieses possivelmente embutidos nas respostas do público, tende a dar uma descrição fidedigna dos humores da população em relação às figuras em exame. Mas, no caso dos prefeitos, o julgamento popular traduz com mais fidedignidade os seus erros e acertos. Dito de outro modo, a opinião do munícipe é o retrato mais realista que se pode desejar da conduta da administração local.

Daí ser apropriada a condenação do prefeito petista Fernando Haddad, expressa na mais recente rodada das pesquisas do gênero realizadas pelo instituto Datafolha, divulgada na segunda-feira. (Se, em outras circunstâncias, os paulistanos tivessem lhe dado uma nota consagradora, ele também teria feito por merecê-la.) O fato é que aos 11 meses de mandato, o ex-ministro da Educação e segundo poste a ser erguido com sucesso pelo ex-presidente Lula, depois, naturalmente, da sucessora Dilma Rousseff, apenas 2 em cada 11 moradores da capital - e isso em números arredondados para cima - têm uma visão positiva de suas decisões, em especial daquelas que impactam o cotidiano da imensa coletividade de 10,8 milhões de habitantes. Imediatamente antes dos protestos em junho, desencadeados pelo aumento das tarifas de ônibus na cidade no mês anterior, 1/3 da população achava a gestão Haddad ótima ou boa. Imediatamente depois, esse contingente se reduziu a 18% - e assim continua. De nada adiantou ele cancelar, a contragosto, o aumento autorizado.

São Paulo está lhe dando o troco por outra barbeiragem pela qual não só não dá o braço a torcer, como ainda promete agravar. O desastre continuado é a crise do já terrível trânsito na cidade devido à combinação de populismo e de interesses privados que o levou a criar com uma simples demão de tinta faixas exclusivas para ônibus na pista da direita das vias escolhidas. O prefeito, já agraciado pelos paulistanos com o apelido "Fernando Maldade", faz jus, cumulativamente, ao de "Fernando Travando", tais os congestionamentos bem acima de 100 quilômetros que tem provocado, já pela manhã e em locais muito menos sujeitos a tais suplícios nos períodos fora de pico. Apoiado, se não instigado, por seu secretário de Transportes, o empresário petista Jilmar Tatto, de afamada família, Haddad empurrou para o último círculo do inferno da mobilidade urbana a legião dos que recorrem ao automóvel particular, para o seu ir e vir, e os taxistas proibidos de apanhar ou deixar passageiros salvo em áreas separadas por extensos intervalos nas faixas que beneficiam, antes de tudo, as concessionárias do serviço de ônibus.

Pistas especiais para coletivos e táxis ocupados no lado esquerdo dos grandes corredores da cidade são imprescindíveis e deveriam se multiplicar. Mas elas requerem recursos, obras, tempo - e planejamento. À falta disso, a oportunista improvisação de Haddad antes piora do que melhora a qualidade de vida de milhões de paulistanos, que a seus olhos ou são irrelevantes ou devem mesmo ser punidos por não trocar o carro pelos ônibus em circulação na metrópole. Sem falar numa ironia que não tem graça nenhuma para as suas vítimas. Substancial parcela dos carros que têm feito expandir a alta velocidade, aí sim, o número de veículos licenciados em São Paulo pertence à chamada "nova classe média", cuja capacidade aquisitiva deu um salto de alguns anos para cá, livrando os seus integrantes da servidão de perder todo dia horas no tráfego, a bordo de ônibus lotados e desconfortáveis. Devem estar maldizendo o seu voto em Haddad.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 03 / 12 / 2013

O Globo
"Aumento dos combustíveis: Ação da Petrobras sofre maior queda desde 2008"

Reajuste da gasolina abaixo do previsto derrubou valor da empresa em R$ 24 bi

Analistas criticam decisão do Planalto de usar a estatal para tentar controlar a inflação. Para o governo, empresa foi alvo de ataque especulativo. O reajuste da gasolina e do diesel abaixo do esperado e as dúvidas quanto à política de preços a ser adotada pela Petrobras fizeram com que as ações ON da empresa caíssem 10,37% na Bolsa de Valores de São Paulo. Foi a maior baixa em cinco anos, e, com isso, a empresa perdeu, num só dia, R$ 24 bilhões de valor de mercado. Analistas temem que a Petrobras tenha sua nota de crédito rebaixada por ser usada pelo governo para controlar a inflação. "Subsidiar a gasolina não tem sentido", disse o ex-presidente do BC Carlos Langoni.

O Estado de S. Paulo
"Sem política para reajustes, ação da Petrobrás despenca"

Investidores consideraram insuficiente alta de combustíveis e criticam ingerência do governo; papel caiu 10%

O mercado financeiro expôs sua decepção com a política de preços de combustíveis da Petrobrás impondo duro golpe à empresa na Bolsa. As ações ordinárias caíram 10,37% ontem, a maior baixa em cinco anos. As ações preferenciais despencaram quase 10%. A petroleira perdeu, em um dia, R$ 24 bilhões em valor de mercado. A queda fez o Ibovespa recuar 2,36%. O principal problema apontado é a não divulgação da metodologia para reajuste de preços da gasolina e do diesel, o que daria previsibilidade às ações da companhia. Houve frustração também com o reajuste anunciado na sexta-feira, de 4% para a gasolina e 8% para o diesel. Há quase três anos a Petrobrás perde até US$ 1 bilhão por mês ao importar combustíveis para suprir a demanda interna sem poder repassar a diferença ao Consumidor.

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segunda-feira, dezembro 02, 2013

Pitacos do Zé


E por falar em civilidade...(XLV)

José Ronaldo dos Santos
Foi uma boa oportunidade a Caldeirada Cultural em Ubatuba, onde as oficinas da Fundart se fizeram presentes no encerramento do semestre. Porém, será que era mesmo necessária a presença dos moradores de rua sobre o canteiro elevado, como se fossem espectadores de arquibancada?

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Dominique


Opinião

O futuro da Avenida Paulista

O Estado de S.Paulo
Era inevitável que o problema das manifestações que paralisam essa via com uma frequência cada vez maior ocupasse posição de destaque nas discussões promovidas pelo "Fórum Pensar Avenida Paulista 2021", promovido pela Associação Paulista Viva, com o apoio do Estado. Ela não é mais apenas a avenida símbolo de São Paulo. Tornou-se também o símbolo da sem-cerimônia com que grupos, os mais diversos, se arrogam o direito de ocupar ruas e avenidas da cidade, a qualquer dia e hora, para manifestações que pisoteiam os direitos de ir e vir do restante da população, sob as barbas de autoridades amedrontadas.

Dados da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado de São Paulo (ABIH-SP), apresentados durante o fórum por seu presidente, Bruno Omori, indicam que as grandes manifestações de junho, das quais a Paulista foi um dos pontos principais, foram responsáveis por prejuízo de R$ 12 milhões apenas ao setor hoteleiro. Em junho, segundo ele, sete de cada dez eventos corporativos agendados para os hotéis localizados na avenida e adjacências foram cancelados. Em alguns casos, o cancelamento chegou a 100%.

Esse tipo de prejuízo, facilmente mensurável e referente a um período particularmente difícil, é apenas um exemplo do que a ocupação selvagem e a qualquer pretexto da Paulista causa a cerca de 1,5 milhão de paulistanos que por ela passam todos os dias. Há outros, referentes aos aspectos os mais variados da vida e das atividades dessas pessoas, que somados são muito mais importantes que o da hotelaria. É tempo perdido no trânsito, são negócios que deixam de ser feitos, compromissos cancelados, pacientes que não conseguem chegar aos hospitais da região - uma dezena, entre os quais o Hospital das Clínicas, que atende pessoas de todo o País - e daí por diante.

O problema das manifestações na Paulista, que vem de longe, agravou-se nos últimos meses. Hoje, qualquer meia dúzia de gatos-pingados - e não vai nisso nenhum exagero, como sabe qualquer paulistano minimamente informado - pode parar a Paulista a qualquer momento e pelo tempo que quiser. Fazem isso alegando o direito de manifestar suas opiniões e apresentar suas reivindicações, que ninguém contesta. Só que esse e os demais direitos não são absolutos, têm de se harmonizar com os outros. É o velho princípio, mais do que conhecido e universalmente aceito, segundo o qual o direito de cada um termina onde começa o direito do outro, e o mais elementar é o de ir e vir.

A solução proposta por outro participante do fórum, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP, Martim de Almeida Prado, é regulamentar a maneira de fazer os protestos, com base em discussões com a sociedade, por meio de audiências públicas. "O governo deveria regulamentar, em lei, como as manifestações poderiam ocorrer. É certo que a Paulista não pode receber todos os atos da cidade. Direito é limite e direito de expressão não pode ir contra o direito da coletividade", diz ele.

A rigor, isso não é necessário, porque o poder público já dispõe de condições para impor disciplina às manifestações que, tal como ocorre nos países desenvolvidos da Europa e nos Estados Unidos, devem obedecer a regras estritas: comunicação antecipada às autoridades e determinação de local e hora. Alguém coloca em dúvida, por isso, o respeito à ordem democrática nesses países? Uma lei específica sobre isso, para tornar as coisas ainda mais claras, pode até ajudar, mas o fator decisivo será sempre a firme determinação das autoridades de fazê-la respeitar e coibir os abusos. De que adiantará ter um contingente específico da Polícia Militar para cuidar das manifestações, como anunciou durante o fórum o seu comandante, coronel Benedito Roberto Meira, se ele, como acontece hoje, não agir com firmeza para garantir a manutenção da ordem?

Acabar com as manifestações selvagens, que atropelam os direitos da esmagadora maioria da população da cidade, é condição essencial para planejar o futuro da Paulista até 2021. Ou se faz isso ou a Paulista, mais do que símbolo da cidade, será símbolo da anarquia.

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 02 / 12 / 2013

O Globo
"Luta contra a AIDS - Governo dará medicamento a todos com HIV"

SUS vai oferecer remédio antes que o sintoma da doença se manifeste e ampliará prevenção

Brasil será a primeira nação do Hemisfério Sul a adotar a medida. País tem cerca de 700 mil que podem estar infectados. Tratamento será estendido a pessoas sem a síndrome que pertençam a grupos de risco. No Dia Mundial de Combate à Aids, o Ministério da Saúde anunciou ontem nova política para enfrentar a doença. O Sistema Único de Saúde (SUS) vai estender a distribuição de antirretrovirais a todos os portadores do vírus HIV. Até então, era preciso que o indivíduo apresentasse os sintomas evidentes da doença para receber o medicamento. O ministério anunciou ainda que adotará estudo com homossexuais, usuários de drogas e transexuais que poderá resultar em uma vacina. Como profilaxia, também dará tratamento a pessoas não infectadas, mas que pertençam a grupos de risco. Especialistas comemoram as medidas, mas alertam para a possível sobrecarga de atendimento no SUS.

O Estado de S. Paulo
"Varejo volta a oferecer crédito ao consumidor"

Aumento da inadimplência e redução do spread inibem bancos e levam lojistas a assumir o risco

A alta da inadimplência e a redução dos spreads bancários mudaram a relação de crédito no comércio. Os bancos diminuíram sua participação no financiamento ao varejo e as redes de lojas voltaram a financiar as vendas por meio de cartões próprios, carnês e boletos. Os bancos não se pronunciam oficialmente sobre o assunto, mas de acordo com o mercado, só o ItaúUnibanco acabou com 300 parcerias para financiamento de vendas. Pressionados pela necessidade de vender, varejistas voltaram a assumir o risco de tomar dinheiro emprestado para repassar a seus clientes, mesmo com um custo maior. Dados do Banco Central mostram que, no terceiro trimestre desde ano, houve acréscimo de 16,62% na concessões de crédito para lojistas bancarem o consumo. “A volta das redes varejistas ao financiamento está sendo por meio do cartão próprio das lojas”, diz José Renato Borges, da ADM Cartões.

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domingo, dezembro 01, 2013

Dominique


Opinião

Sinais alarmantes

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO - O Estado de S.Paulo
Finalmente se fez justiça no caso do mensalão. Escrevo sem júbilo: é triste ver na cadeia gente que em outras épocas lutou com desprendimento. Eles estão presos ao lado de outros que se dedicaram a encher os bolsos ou a pagar suas campanhas à custa do dinheiro público. Mais melancólico ainda é ver pessoas que outrora se jogavam por ideais - mesmo que controversos - erguerem os punhos como se vivessem uma situação revolucionária, no mesmo instante em que juram fidelidade à Constituição. Onde está a revolução? Gesticulam como se fossem Lenines que receberam dinheiro sujo, mas o usaram para construir a "nova sociedade". Nada disso: apenas ajudaram a cimentar um bloco de forças que vive da mercantilização da política e do uso do Estado para se perpetuar no poder. De pouco serve a encenação farsesca, a não ser para confortar quem a faz e enganar seus seguidores mais crédulos.

Basta de tanto engodo. A condenação pelos crimes do mensalão deu-se em plena vigência do Estado de Direito, num momento em que o Executivo é exercido pelo Partido dos Trabalhadores (PT), cujo governo indicou a maioria dos ministros do Supremo. Não houve desrespeito às garantias legais dos réus e ao devido processo legal. Então, por que a encenação? O significado é claro: eleições à vista. É preciso mentir, autoenganar-se e repetir o mantra. Não por acaso, a direção do PT amplifica a encenação e Lula diz que a melhor resposta à condenação dos mensaleiros é reeleger Dilma Rousseff... Tem sido sempre assim, desde a apropriação das políticas de proteção social até a ideia esdrúxula de que a estabilização da economia se deveu ao governo do PT. Esqueceram as palavras iradas que disseram contra o que hoje gabam e as múltiplas ações que moveram no Supremo para derrubar as medidas saneadoras. O que conta é a manutenção do poder.

Em toada semelhante, o mago do ilusionismo fez coro. Aliás, neste caso, quem sabe, um lapso verbal expressou sinceridade. "Estamos juntos", disse Lula. Assumiu meio de raspão sua fatia de responsabilidade, ao menos em relação a companheiros a quem deve muito. E ao País, o que dizer?

Reitero, escrevo tudo isso com melancolia, não só porque não me apraz ver gente na cadeia, embora reconheça a legalidade e a necessidade da decisão, mas principalmente porque tanto as ações que levaram a tão infeliz desfecho como a cortina de mentiras que alimenta a aura de heroicidade fazem parte de amplo processo de alienação que envolve a sociedade brasileira. São muitos os responsáveis por ela, não só os petistas. Poucos têm tido a compreensão do alcance destruidor dos procedimentos que permitem reproduzir o bloco de poder hegemônico; são menos numerosos ainda os que têm tido a coragem de gritar contra essas práticas. É enorme o arco de alianças políticas no Congresso cujos membros se beneficiam por pertencerem à "base aliada" de apoio ao governo. Calam-se diante do mensalão e das demais transgressões, como se o "hegemonismo petista" que os mantém fosse compatível com a democracia. Que dizer, então, da parte da elite empresarial que se ceva dos empréstimos públicos e emudece diante dos malfeitos do petismo e de seus acólitos? Ou da outrora combativa liderança sindical, hoje acomodada nas benesses do poder?

Nada há de novo no que escrevo. Muitos sabem que o rei está nu e poucos bradam. Daí a descrença sobre a elite política reinante na opinião pública mais esclarecida. Quando alguém dá o nome aos bois, como, no caso, o ministro Joaquim Barbosa, que estruturou o processo e desnudou a corrupção, teme-se que, ao deixar a presidência do STF, a onda moralizante dê marcha à ré. É evidente, pois, a descrença nas instituições. A tal ponto que se crê mais nas pessoas, sem perceber que por esse caminho voltaremos aos salvadores da Pátria. São sinais alarmantes.

Os seguidores do lulopetismo, por serem crédulos, talvez sejam menos responsáveis pela situação a que chegamos do que os cínicos, os medrosos, os oportunistas, as elites interesseiras que fingem não ver o que está à vista de todos. Que dizer, então, das práticas políticas? Não dá mais! Estamos a ver as manobras preparatórias para mais uma campanha eleitoral sob o signo do embuste. A candidata oficial, pela posição que ocupa, tem cada ato multiplicado pelos meios de comunicação. Como o exercício do poder se confundiu, na prática, com a campanha eleitoral, entramos já em período de disputa. Disputa desigual, na qual só um lado fala e as oposições, mesmo que berrem, não encontram eco. E sejamos francos: estamos berrando pouco.

É preciso dizer com coragem, simplicidade e de modo direto, como fizeram alguns ministros do Supremo, que a democracia não se compagina com a corrupção nem com as distorções que levam ao favorecimento dos amigos. Não estamos diante de um quadro eleitoral normal. A hegemonia de um partido que não consegue deslindar-se de crenças salvacionistas e autoritárias, o acovardamento de outros e a impotência das oposições estão permitindo a montagem de um sistema de poder que, se duradouro, acarretará riscos de regressão irreversível. Escudado nos cofres públicos, o governo do PT abusa do crédito fácil que agrada não só aos consumidores, mas, em volume muito maior, aos audaciosos que montam suas estratégias empresariais nas facilidades dadas aos amigos do rei. A infiltração dos órgãos de Estado pela militância ávida e por oportunistas que querem beneficiar-se do Estado distorce as práticas republicanas.

Tudo isso é arquissabido. Falta dar um basta aos desmandos, processo que, numa democracia, só tem um caminho: as urnas. É preciso desfazer na consciência popular, com sinceridade e clareza, o manto de ilusões com que o lulopetismo vendeu seu peixe. Com a palavra as oposições e quem mais tenha consciência dos perigos que corremos.

* SOCIÓLOGO, FOI PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Original aqui

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 01 / 12 / 2013

O Globo
"Brasil sobre rodas - Frota de veículos mais que dobra em 10 anos"

De motos a ônibus, já são mais de 80 milhões; internações por acidentes crescem 55%

Expansão foi em ritmo muito maior que a da população, que aumentou apenas 11% no período. A frota de veículos do Brasil já soma mais de 80 milhões desde setembro, de acordo com registros do Departamento Nacional de Trânsito. Em dez anos, enquanto a população cresceu 11%, a variação no total de carros, motos, ônibus e caminhões foi de 123%, informa Juliana Castro. Como consequência, além do trânsito cada vez mais congestionado, aumentaram em 55% as internações causadas por acidentes com veículos.

O Estado de S. Paulo
"Receitas sobem, mas metade dos Estados investe menos"

Recursos extras cobrem despesas de custeio, em especial salários de servidores, que subiram 43% acima da inflação

A 11 meses das eleições, metade dos Estados está investindo menos do que há quatro anos, apesar de todos, à exceção do Amapá, terem elevado a arrecadação acima da inflação, informam Daniel Bramatti e Diego Rabatone. Das despesas de custeio (manutenção da máquina pública), o item que mais aumentou foi pagamento de pessoal - em quatro anos, subiu 43% em termos reais. São Paulo, detentor do maior orçamento entre os Estados, investe 3% mais do que há quatro anos, mas sua receita corrente líquida cresceu 14%. O Rio é o Estado que mais ampliou investimentos: 154%.

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