sábado, novembro 30, 2013

Dominique


Opinião

Nós vamos transformar a educação pública do País

JAIR RIBEIRO - O Estado de S.Paulo
Pode até ter virado um repisado clichê, mas não custa repetir: o nosso maior desafio como nação é melhorar a qualidade da educação básica. Apesar dos avanços das últimas décadas, ainda estamos longe de vencer essa guerra.

Mais de 25% das crianças cursando o 4.º ano não sabem ler e escrever de forma adequada à sua série. Ainda temos Estados com cerca de 80% de alunos que não conseguem sequer produzir um pequeno parágrafo! (Prova ABC - 2013)

Mais de 50% dos jovens de 14 a 18 anos estão fora do ensino médio. A evasão está aumentando e apenas 10% dos que se formam no ensino médio dominam o conteúdo esperado para as suas séries

E a estatística recente que mais me chocou: cerca de 25% dos jovens brasileiros de 18 a 24 anos não completaram o ensino médio, não estudam e não trabalham (estudo da Fundação Seade, agosto 2013). Ou seja, estamos jogando pelo ralo o tal bônus demográfico brasileiro, um verdadeiro absurdo!

Com uma realidade dessas, como estranhar os fracos índices de produtividade do trabalhador brasileiro? Como reclamar e olhar com ares de surpresa para a existência do chamado apagão de mão de obra? Como não perceber aí a causa fundamental dos altíssimos índices de criminalidade (mais de 5 mil homicídios por ano, seis a cada hora!) e da enorme e devastadora desigualdade de renda presente em nosso país?

Particularmente, entendo que o desafio da melhoria da nossa educação pública não deve ser apenas delegado aos governos. Por sua relevância, é algo que requer o envolvimento de toda a sociedade civil.

Talvez o leitor que me acompanha até aqui pergunte: o que eu, empresário, executivo ou profissional liberal e leitor desse jornal, posso fazer? Arrisco a sugerir um caminho.

Primeiro, passe a acompanhar mais de perto e a se familiarizar com o assunto por meio de sites como o do Movimento Todos pela Educação e outras fontes sérias. Na sequência, profissionais como você, com vocação, preparo e experiência em execução e gestão de projetos e empresas, podem se envolver diretamente. De preferência procurando apoiar programas já existentes e testados.

Há cerca de dez anos cofundei a Parceiros da Educação, uma organização que promove parcerias entre empresas, empresários ou executivos e as escolas públicas do Estado de São Paulo (hoje também estamos no Rio de Janeiro). Já são mais de 60 escolas no programa, impactando a vida de dezenas de milhares de crianças. Nosso objetivo se subdivide em dois. O primeiro é elevar o aproveitamento dos alunos das nossas escolas. O segundo, em função da nossa experiência de uma década, impactar e influenciar positivamente as políticas públicas dos Estados e municípios em que atuamos.

Como resultado dessa inserção na política pública, apoiamos, com outras 15 das mais representativas organizações ligadas à educação, um programa bastante ambicioso da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo que tem um objetivo tão claro quanto inspirador: transformar significativamente o nosso sistema de ensino estadual, colocando-o entre os 25 melhores do mundo em 20 anos, além de transformar a carreira do professor numa das dez mais desejadas e respeitadas do Estado (Educação - Compromisso de São Paulo, http://www.educacao.sp.gov.br/portal/projetos/compromisso-sp).

Um dos pilares transformacionais desse programa consiste na ampla difusão das escolas de período integral. Nesse modelo os alunos entram às 7 horas da manhã e saem às 4 da tarde. Os professores, selecionados na rede pública, têm dedicação exclusiva a apenas uma escola e para tanto recebem um aumento salarial de 75%. No ensino médio há disciplinas eletivas propostas por professores e alunos, clubes juvenis, e cada aluno desenvolve o seu Projeto de Vida, em que o jovem escreve seu sonho e traça um plano de como concretizá-lo. Todas as escolas contam com estruturas bem mais completas e adequadas, com laboratórios de ciências e salas de informática.

Hoje são 70 unidades nesse modelo. Em 2014 teremos 182 escolas em regime integral em todo o Estado. O plano é que até 2018 tenhamos mil - 25% da rede - dentro do novo padrão. Trata-se de uma iniciativa revolucionária, que efetivamente nos pode levar a alcançar a ambiciosa meta que o Estado se propôs a perseguir.

Iniciei uma parceria com uma escola em tempo integral da zona oeste de São Paulo, a Alexandre Von Humboldt, em janeiro de 2012. Já no primeiro ano de parceria conseguimos aumentar o índice de aproveitamento da escola (Idesp) em 76% - ante 7% da média da rede e 34% das demais escolas do programa de ensino integral. Um salto fantástico em apenas um ano, resultado de uma articulação entre o Estado, a escola e a parceria com a sociedade civil!

Vale ressaltar que a base era baixa. Não obstante, este ano esperamos um novo salto, ainda que não tão grande como o do primeiro ano, mas ainda bastante expressivo.

Por fim, e talvez mais importante do que todas essas estatísticas, compartilho com os leitores o fato de que a sensação de satisfação ao ver o desenvolvimento da escola e o impacto nos alunos e nos professores é algo maior e muito especial, que proporciona um sentimento de realização indescritivelmente gratificante.

Pois bem, queremos expandir a Parceiros da Educação para apoiar o projeto de crescimento das novas escolas de período integral, participando ativamente da construção de algo verdadeiramente transformador. Temos mais de 170 unidades à procura de parceiros em dezenas de municípios do nosso Estado. Junte-se ao nosso grupo! Garanto que será das coisas mais gratificantes que você fará na sua vida. Um processo tão incrível que começa por reeducar a nós mesmos.

EMPRESÁRIO, É MEMBRO DO CONSELHO ESTADUAL DA EDUCAÇÃO. E-MAILS: JAIR.RIBEIRO@INDUSVAL.COM.BR E LUCIA.FAVERO@

PARCEIROSDAEDUCACAO.ORG.BR

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 30 / 11 / 2013

O Globo
"Refém da inflação: Gasolina sobe, mas não alivia caixa da Petrobras"

Impacto nas bombas deve ser de R$ 0,05 o litro

Empresa, que precisa importar combustíveis, ainda acumula perdas em relação aos preços no mercado internacional. Após 11 meses, o governo voltou a autorizar reajuste de 4% nos preços da gasolina e de 8% no diesel, nas refinarias. O aumento vale a partir de hoje e o impacto médio nas bombas deve ser de 1,8%, ou R$ 0,05 por litro de gasolina no Rio. O reajuste, no entanto, não zera as perdas da Petrobras, que importa combustíveis para atender à demanda e enfrenta a alta do preço do barril no exterior e do dólar. Segundo especialistas, o impacto do aumento no índice de inflação será pequeno este ano.

O Estado de S. Paulo
"Governo autoriza e Petrobrás reajusta gasolina em 4%"

Porcentual vale a partir de hoje para refinarias e alta para consumidor deve ficar em cerca de 2,5%; diesel sobe 8%

Após semanas de expectativa e oscilação das ações da Petrobrás, o governo autorizou ontem reajuste de combustíveis. Desde a meia-noite, a gasolina está 4% mais cara nas refinarias e o diesel, 8%. Especialistas calculam que o aumento da gasolina, para o consumidor, será de 2% a 2,5%. A estatal informou ter aprovado uma política de reajuste para seus dois principais combustíveis, mas a metodologia não foi divulgada. Os porcentuais anunciados ontem ficaram abaixo dos pedidos pela empresa. Para analistas, prevaleceu a prioridade ao controle da inflação, como queria o ministro Guido Mantega (Fazenda), presidente do Conselho de Administração da Petrobrás. A estimativa é de que o impacto imediato na Uma solução parcial inflação ficará entre 0,08 e 0,10 ponto porcentual.

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sexta-feira, novembro 29, 2013

Expresso Ubatuba-Buenos Aires


Coluna do Celsinho

Sobrenome

Celso de Almeida Jr.

Seus pais optaram por acrescentar aos nomes o local de nascimento dos filhos.

Assim, para um dos meninos, registrou Mineiro da Campanha.

Eis o sobrenome.

Um dia, o jovem ouviu de algum conformado insensível que a pobreza não lhe permitiria estudar.

Não iria adiante.

Teimou.

Não aceitou.

Sua famosa resposta:

"Quem é pobre deve estudar e vencer!"

Megulhou nos estudos.

Na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro formou-se em 1891.

Voltado para os problemas de saúde pública, tornou-se o primeiro diretor do Instituto Butantan.

Idealista, contribuiu para a produção de soros e vacinas, promovendo o constante desenvolvimento de pesquisas.

Implantou, também, uma das primeiras escolas brasileiras que alfabetizava crianças de dia e adultos à noite.

Reconhecido no mundo inteiro é autor da frase:

"Não há maior recompensa do que a consciência de ter feito o bem."

Saiba mais dos seus frutos em:

www.butantan.gov.br

Ou ainda em:

www.vitalbrazil.rj.gov.br

Eis o nome e o sobrenome:

Vital Brazil Mineiro da Campanha.

História admirável.

Exemplo de trabalho e determinação.

De superação.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique


Opinião

A vida entre as duas abóbadas

WASHINGTON NOVAES - O Estado de S.Paulo
Segundo o noticiário, termina amanhã o prazo concedido por instituições ruralistas ao Ministério da Justiça para que o governo federal solucione os "conflitos fundiários" que envolvem terras ou reivindicações indígenas. Já em carta aberta à presidente da República, organizações indígenas pedem nada menos que intervenção federal em Mato Grosso do Sul para solucionar esses mesmos conflitos - uma "situação urgente e gravíssima" (Instituto Sócio-Ambiental, 22/11). Trata-se, diz a carta, de uma "tragédia anunciada", pois os fazendeiros partiriam para o confronto, em que haveria "derramamento de sangue", conforme anunciado por um dirigente da Associação de Criadores do Estado.

É inacreditável que se chegue aí e que o governo federal anuncie, como fórmula para evitar conflitos, a criação de um "programa com recursos do Orçamento da União" para a "aquisição de novas terras indígenas ou indenizar proprietários rurais pela expropriação de áreas demarcadas" (Valor, 23/11). E isso um quarto de século depois de promulgada a Constituição de 1988 - que definiu os direitos das etnias indígenas. Agora com o governo dizendo que vai "reformular" as regras para demarcação de terras indígenas, embora incorporando ao processo outras instituições. Não bastasse, há uma proposta de emenda constitucional em tramitação no Congresso que atribuiria ao próprio Legislativo o poder de demarcação.

Claude Lévi-Strauss, que se apaixonou pelo tema ao viver entre nossos índios, com certeza ficaria perplexo diante de um quadro como esse. Pois lembrava que os indígenas, que eram milhões e donos de todas as terras, não mataram as centenas de portugueses recém-chegados porque não quiseram; receberam-nos com todas as honras, porque sua visão de mundo os fazia crer que "o outro sempre chega"; por isso, o limite da liberdade de cada pessoa está no direito do outro. Custou-lhes a vida essa forma de ver o mundo. E continua custando.

Nos 30 anos em que o autor destas linhas escreve sobre os índios guaranis-caiovás em Mato Grosso do Sul (que se matam porque não lhes deixaram terra suficiente para viver de acordo com sua cultura), a cada ano são muitas dezenas de suicídios entre eles: 34 vezes mais que a média nacional, segundo a Survival International (18/10). Um suicídio a cada semana desde 2000, a imensa maioria de jovens de 15 a 29 anos, o mais jovem com apenas 9 anos de idade (Adital, 19/10). Já era assim há três décadas, quando um jovem de 18 anos se enforcou numa árvore no dia seguinte ao do seu casamento. E deixou escrito no chão, sob seus pés: "Eu não tenho lugar".

Em muitos lugares ainda é assim - embora no julgamento da demarcação de terras em Roraima, nos mais altos tribunais, o constitucionalista José Afonso da Silva, em parecer brilhante, tenha demonstrado, e para aí conduzido o julgamento, que os direitos dos indígenas a suas terras são reconhecidos desde as Ordenações Manuelinas do século 17, que nos regeram e foram seguidas pelas ordenações e constituições posteriores. Mas hoje, segundo o Censo de 2010, existem apenas 896 mil índios de 305 povos no nosso território. E 98,47% estão na Amazônia, onde, conforme relatórios internacionais, inclusive do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), seu modo de viver - mais que reservas ecológicas ou parques nacionais - é o mais adequado para a conservação da biodiversidade.

Pois com tudo isso, agora vamos ter grupos de trabalho para dizer a quem pertencem as terras; e recursos federais para pagar a quem nelas entrou, para que saia. E se tenta mudar a legislação, até derrubando cláusulas pétreas da Constituição, como enfatiza texto dos bispos Erwin Kräutler, presidente do Conselho Indigenista Missionário, e Enemésio Lazzaris, presidente da Comissão Pastoral da Terra. Eles também se referem a conflitos em Mato Grosso do Sul, onde terras dos índios cadiuéus, "demarcadas há 100 anos e homologadas há quase 40, continuam invadidas". Não por acaso, nesse Estado ocorreram, entre 2000 e 2012, nada menos que 317 assentamentos nessas terras, algumas delas com "títulos de propriedade do Estado". Será que ainda voltaremos aos anos 1980, quando a índia Tuíra encostou um facão no pescoço de um diretor da Eletronorte, indignada com discussão sobre o licenciamento de uma hidrelétrica? Será que ainda vamos ouvir o experiente Marcos Terena repetir: "Vocês, brancos, são uma cultura que não deu certo"?

Seja como for, a cada dia mais se fala da nossa "crise civilizatória", da inadequação dos nossos modos de viver às possibilidades do planeta. Ouviremos os "índios"? Ailton Krenak, que se tornou conhecido quando, no plenário do Congresso Nacional, pintou o rosto de preto para protestar contra ameaças no projeto da Constituinte de 1988, hoje diz (Ecológico, setembro de 2013) que "estamos caminhando para um desastre comum, porque não conseguimos mais nos reconhecer uns aos outros". Lembra ele: "Só somos índios para os outros. Para nenhum de nossas famílias nós somos os índios (...). Nós nos reconhecemos como seres humanos e talvez a crise de civilização que vivemos seja um grande liquidificador para que todas essas alcunhas generalistas - os amarelos, os índios, os brancos, os pretos - se dissolvam neste caldeirão, para que aprendamos, de novo, a ser a velha e ótima humanidade".

Se não for assim, Ailton Krenak nos recontará o mito indígena que diz ter o mundo sido criado sob a forma de uma esfera dividida ao meio em duas abóbadas, uma assentada sobre o chão e voltada para o alto, a outra em cima, voltada para baixo; e, entre elas, segurando a superior, nasceram os indígenas. "Se eles desaparecerem, a abóbada de cima cairá sobre a de baixo e tudo esmagará", ensina Krenak.

Linguagem mitológica, claro. Mas não custa lembrar a insustentabilidade dos nossos modos de viver.

JORNALISTA

E-MAIL: WLRNOVAES@UOL.COM.BR

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 29 / 11 / 2013

O Globo
"Dança dos partidos: Procurador cobra mandatos de 13 deputados infiéis"

Ação no TSE atinge parlamentares que trocaram de legenda

Congresso promulga emenda que acaba com voto secreto para cassar integrantes do Legislativo; votação aberta já poderá ser usada em processos contra mensaleiros. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, entrou com ação no Tribunal Superior Eleitoral cobrando a perda de mandato de 13 deputados federais, sendo três do Rio, por infidelidade partidária. Eles estão entre os 67 parlamentares que trocaram de partido em setembro e outubro deste ano, mas, diferentemente da maioria, não foram para novas siglas e sim para legendas já existentes.

O Estado de S. Paulo
"ANP vende só 30% de blocos em leilão dominado pela Petrobrás"

Foram arrematadas apenas 72 das 240 áreas de gás e petróleo; estatal ficou com 49, sozinha ou em consórcio

Somente 72 dos 240 blocos de gás e petróleo colocados em leilão ontem pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) foram arrematados. Desses, 49 ficaram com a Petrobrás, sozinha ou em consórcio. A licitação rendeu R$ 165 milhões em bônus de assinatura, ágio de 755,95% em relação ao preço mínimo. Apesar de só 30% dos blocos terem encontrado comprador, a ANP considerou o leilão um sucesso. “Foi um resultado muito superior ao de diversas rodadas que já fizemos”, disse a diretora-geral da ANP, Magda Chambriard. Ela minimizou o fato de mais da metade dos blocos ter ficado com a Petrobrás e lembrou que a estatal foi a protagonista dos 12 leilões já realizados pela agência. Para analistas, por serem áreas em terra e por ter sido organizada em um curto período, essa rodada acabou não tendo o mesmo apelo das outras duas licitações realizadas no ano.

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quinta-feira, novembro 28, 2013

Besouromecânico


Pitacos do Zé

E por falar em civilidade... (XLIV)

José Ronaldo dos Santos
Neste dia (27/11), conforme o divulgado, aconteceu a vinda do pessoal de Taubaté para a coleta de sangue. Às 09:30 horas eles chegaram na Santa Casa de Ubatuba. Eu cheguei meia hora antes; peguei a senha nº 60, a última. Um monte de gente já estava lá; muitos chegaram depois. Por fim, distribuíram mais 10 senhas extras. De onde veio tanta gente? Será que as pessoas estão acordando para o gesto humanitário de doar sangue? Uma distinta senhora ao meu lado deu a resposta: “São alunos do curso de Direito do Módulo. Vieram em grupo porque um professor prometeu dar um ponto na média para quem doasse sangue”. No momento acorreu-me muitos pensamentos, inclusive o velho ditado de que “esmola demais até o santo desconfia”. Vários nessa situação, ao saber que não poderiam doar ali, depois de conversar com alguém da equipe taubateana, se organizaram em conduções deles mesmos e se dirigiram ao Hemonúcleo Taubaté. A mesma senhora, em conversa com uma colega comentou: “Não devem ser ótimos alunos para estarem desesperados por apenas um ponto”.

A questão que eu reapresento às autoridades (governamental, filantrópica, eclesial etc.) é a mesma desde quando foi fechado o nosso banco de sangue há quase 15 anos:

Por que não reativar esse tão importante serviço? A omissão em resolver algo tão essencial faz parecer mentiras as campanhas chamando doadores através da mídia. (Em tempo: é nas dependências da Santa Casa que a equipe da cidade vizinha monta todo o esquema de trabalho. O que falta então?)

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Dominique


Opinião

O desempenho das escolas

O Estado de S.Paulo
Ao divulgar os resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2012, o governo destacou o desempenho das escolas públicas federais, cujos alunos obtiveram média de 584,23 pontos, enquanto os estudantes das escolas privadas obtiveram uma média inferior, com 577,39 pontos. As médias levam em conta as notas de redação e de cada uma das quatro competências do exame - linguagem e códigos, matemática, ciências humanas e ciências da natureza. Na prova de redação, os estudantes das escolas federais obtiveram média de 613,07 pontos, enquanto os alunos das escolas particulares registraram uma média de 533,48 pontos.

A forma como os resultados do Enem de 2012 foram divulgados pelo governo passou a ideia de que toda a rede pública de ensino médio teria superado a rede privada, em matéria de qualidade e desempenho escolar. Essa ideia, contudo, é enganosa. As escolas federais apresentaram um bom desempenho, é verdade. No entanto, elas atendem menos de 3% do total de 683 mil estudantes da amostra analisada pelas autoridades educacionais. E, mesmo assim, as escolas federais cujos alunos tiveram bom desempenho no Enem são ligadas a instituições militares e a universidades e unidades de ponta do ensino técnico mantidas pela União. Nos colégios militares, nas escolas de aplicação e no ensino técnico federal, o processo de ingresso de estudantes é tão disputado quanto o das melhores faculdades do País.

Além disso, o balanço do Enem de 2012 divulgado pelo Ministério da Educação foi elaborado com base numa amostra de aproximadamente 11,2 mil escolas públicas e privadas. O MEC deixou de fora do levantamento mais de 14 mil escolas de ensino médio que tiveram participação de menos de 50% de seus alunos.

As escolas federais não são, assim, representativas da situação em que se encontra o ensino médio. Nesse ciclo, 31,51% dos estudantes cursam a rede particular. E 65,5% são atendidos pela rede pública municipal e, principalmente, pela rede pública estadual. Como nos anos anteriores, segundo os números divulgados pelo MEC, as escolas de ensino médio sob responsabilidade dos Estados registraram em 2012 um desempenho bem inferior do que as escolas municipais, particulares e federais nas quatro áreas do conhecimento avaliadas. Em matemática, por exemplo, as escolas estaduais tiveram média de 491,18 pontos. Já as escolas particulares registraram uma média de 615,07. As escolas municipais atingiram 546,73 pontos. E as federais, 625,24 pontos.

Ao divulgar as estatísticas do Enem de 2012, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, também fez outros malabarismos numéricos, para tentar extrair conclusões positivas do levantamento. Segundo ele, a nota média dos 215.530 alunos da rede pública com melhor desempenho corresponde ao total de estudantes de escolas particulares que participaram do exame, na amostra analisada pelo MEC. Segundo Mercadante, isso mostraria que o topo da rede pública de ensino médio teve, no Enem de 2012, um desempenho equivalente ao conjunto de estudantes da rede particular. Pelo raciocínio do ministro, essa elite das escolas públicas é competitiva nos exames vestibulares das mais prestigiadas universidades do País. "Os melhores estudantes das escolas públicas competem com o setor privado", afirmou.

O que o ministro deixa de lado, contudo, é que o nível médio dos alunos da rede pública - excluídos os matriculados em colégios militares, escolas de aplicação e algumas unidades do ensino técnico federal - continua muito baixo. Em matemática, por exemplo, a média dos alunos das escolas estaduais subiu de 490 para 491,18 pontos, entre 2011 e 2012 - um aumento inexpressivo de 1,18 ponto. Em ciências da natureza, a evolução foi de 443 para 457,94 pontos.

A pontuação baixa mostra que esses alunos somente conseguirão ingressar no ensino superior por meio das cotas reservadas a egressos da rede pública. E também revela que eles não têm a formação e o preparo necessários para acompanhar os cursos.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 28 / 11 / 2013

O Globo
"Caso Siemens: PT e PSDB fazem guerra de versões sobre dossiê"

Para tucanos, houve falsificação; ministro afirma que documentos são diferentes

PSDB pede que Comissão de Ética Pública da Presidência investigue comportamento de Cardozo, cuja saída foi cobrada também pelo PPS; deputado petista diz que processará quem o acusou de adulterar papéis. A menos de um ano da eleição presidencial, PT e PSDB acirraram a troca de acusações sobre documentos utilizados na investigação do caso Siemens — que apura formação de cartel e pagamento de propina em contratos do Metrô durante governos tucanos em SP. Há pelo menos três documentos circulando, um em inglês e dois em português. O PSDB diz que petistas acrescentaram dados a uma tradução, incluindo o partido e nomes de políticos, e pediu que a Comissão de Ética Pública investigue. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que encaminhou os papéis à PF, disse que não há falsificação e que os documentos são diferentes.

O Estado de S. Paulo
"Câmara adia decisão sobre aposentadoria de Genoino"

Junta médica pede 90 dias para analisar invalidez de deputado e frustra plano de evitar cassação

A tentativa do PT de aposentar imediatamente o deputado licenciado José Genoino (PT-SP) para evitar um processo de cassação fracassou ontem. Um laudo dos médicos da Câmara pediu mais 90 dias para concluir se o deputado tem invalidez permanente. Como plano B, o partido quer agora paralisar qualquer decisão da Mesa Diretora sobre a perda do mandato enquanto o deputado estiver de licença médica. Para tanto, precisa que pelo menos quatro dos sete integrantes da Mesa votem pela não abertura do processo de cassação na reunião de terça-feira. A junta médica concluiu que Genoino não sofre de cardiopatia grave, mesma conclusão dos médicos da Universidade de Brasília que o examinaram a pedido do STF. A junta ressaltou ainda que o processo de aposentadoria por invalidez pode ir além do fim do mandato de Genoino, em fevereiro de 2015.

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quarta-feira, novembro 27, 2013

Dominique


Opinião

Mantega e a solidez imaginária

O Estado de S.Paulo
Fundamentos sólidos são uma das condições para um crescimento econômico sustentável nos próximos anos, disse à imprensa o ministro da Fazenda, Guido Mantega, num aparente arroubo de realismo. Essa foi uma de suas poucas afirmações incontestáveis na entrevista concedida em Brasília na terça-feira, depois de uma reunião na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Bons fundamentos incluem finanças públicas em ordem, inflação sob controle e segurança nas contas externas. O ministro parece acreditar na existência dessas condições. Nisso coincide com sua chefe, a presidente Dilma Rousseff, mas essa crença conflita com os dados e a maior parte dos analistas independentes sabe disso. O aparente realismo durou pouco. Segundo Mantega, o Brasil está bem na foto - ele se referia ao cenário global - e cresce mais que outros países. Essa foto só deve ser visível em sua mesa. O crescimento brasileiro é de fato maior que o de vários países avançados, mais envolvidos na crise global, mas tem sido e continua sendo bem menor que o de muitas economias emergentes e em desenvolvimento, incluídas aquelas mais dinâmicas e mais arrumadinhas da América do Sul.

A situação fiscal, disse o ministro, deve continuar na "trajetória de solidez", mesmo com resultados, "em alguns momentos", inferiores às metas oficiais. Faltou mostrar, no entanto, essa "trajetória de solidez". Na melhor hipótese mencionada na entrevista, o superávit primário do setor público, destinado ao pagamento de juros, deverá chegar a uns R$ 99 bilhões e ficar muito longe da meta de R$ 111 bilhões. Mas isso dependerá do desempenho fiscal de Estados e municípios, porque o governo central só se compromete com R$ 73 bilhões, objetivo definido como seu no planejamento das contas públicas.

A referência a "alguns momentos" também revela notável autocomplacência. A política de receitas e despesas tem sido expansionista há vários anos e em 2012 o balanço final foi uma exibição escandalosa de contabilidade criativa. Mesmo o fraco resultado previsto para 2013 depende de abatimentos de gastos e de receitas extraordinárias, como indicou a quinta revisão bimestral da execução orçamentária.

As desonerações tributárias, comentou o ministro, foram benéficas para a indústria, mas será preciso tomar medidas para recompor a arrecadação. Mas o efeito real das desonerações foi muito menor do que as autoridades admitem. Alguns segmentos da indústria aumentaram as vendas e seus lucros, mas o conjunto do setor industrial continuou estagnado, incapaz de competir internacionalmente e com baixo nível de investimento, como têm comprovado relatórios tanto oficiais quanto das entidades privadas.

A inflação, segundo o ministro, jamais deixou de estar sob controle e a taxa acumulada neste ano deverá ser parecida com a do ano passado. De fato, as projeções apontam para algo próximo de 5,8% em 2013 e para um resultado muito próximo - talvez um pouco maior - em 2014. Nem o Banco Central, embora muitas vezes alinhado com o discurso da presidente, prevê a convergência para a meta, de 4,5%, antes de meados de 2015.

O ministro ainda condiciona seu otimismo a um cenário sem choque de oferta, como se a alta de preços, nos últimos tempos, fosse atribuível principalmente a esse fator. Se essa explicação fosse verdadeira, a inflação teria sido muito mais alta, principalmente no ano passado, em outros países emergentes ou em desenvolvimento. Por que os preços, no Brasil, seriam tão mais sensíveis à alta das cotações internacionais? Além do mais, muitos desses preços caíram ou se acomodaram, mas o resultado final da inflação, como admitiu Mantega, deve repetir o de 2012, mesmo com os truques adotados pelo governo.

Só a Conta de Desenvolvimento Energético deve consumir cerca de R$ 15 bilhões - um custo fiscal considerável. Esse gasto foi destinado principalmente a conter a alta das tarifas para maquiar o índice de inflação. O controle de preços de combustíveis, outro dos truques, impôs perdas importantes à Petrobrás, mas o governo ainda hesita em permitir o reajuste de preços. E ainda se fala em trajetória de estabilidade?

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 27 / 11 / 2013

O Globo
"Caso Siemens: Tucanos denunciam que documentos foram forjados"

Versão em português inclui acusações ao PSDB que não estão no original

Ministro da Justiça diz que o documento que ele enviou à PF era maior que o exibido pelo PSDB. Dirigentes do PSDB acusaram o PT de ter adulterado um documento usado na investigação sobre existência de suposto cartel e pagamento de propina no Metrô de São Paulo durante os governos tucanos de Mario Covas, José Serra e Geraldo Alckmin. Segundo o PSDB, o documento original, em inglês, não tem qualquer citação ao PSDB, que só aparece na versão traduzida para o português. Secretário do governo Alckmin, Edson Aparecido acusou o deputado petista Simão Pedro, que repassou os papéis ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, de incluir "criminosamente” as citações aos tucanos Cardozo, cuja demissão foi pedida pelo PSDB, disse que o documento que repassou à PF é maior que o exibido pelos tucanos.

O Estado de S. Paulo
"PSDB pede demissão de ministro da Justiça"

Tucanos dizem que PT reedita ‘aloprados’ ao usar denúncia do cartel de trem para atingir o partido

O PSDB do senador Aécio Neves pediu ontem a demissão do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e acusou o PT de comandar uma operação “aloprada” envolvendo denúncias do cartel de trens para atingir políticos tucanos e tentar, com isso, abafar as prisões do mensalão. Cardozo negou motivações políticas nas investigações sobre o escândalo que recai sobre os adversários e afirmou que o País não vive mais a “época do engavetador”. A polêmica se instalou após o Estado revelar, na semana passada, o conteúdo de um relatório no qual o ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer afirma ter provas de que políticos do PSDB e do DEM receberam propina de multinacionais suspeitas de participar do cartel do metrô em São Paulo entre 1998 e 2008. O PSDB acusa o ministro de ter dado credibilidade a um relatório sem assinatura, encaminhando a papelada à PF com o objetivo de atingir o partido e “igualar” o PSDB ao PT. Segundo o chefe da Casa Civil do governo paulista, Edson Aparecido, o documento original está em inglês e o deputado licenciado Simão Pedro, que o entregou a Cardozo, teria feito uma “tradução petista” do texto.

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terça-feira, novembro 26, 2013

Pitacos do Zé


Cidadania? Ainda temos!

José Ronaldo dos Santos
Na metade da Rua Amapá, no Bairro Silop (Ubatuba- Centro), tem uma praça (alguém me disse que o nome é Graciliano Roque). É uma área verde importante, mesmo estando ao desleixo. Próximo ao local vive, há vários anos, uma amiga. Toda vez que a visito, eu saio com questões angustiantes. O motivo: além de ver o descaso pela importante área, com matos e lixos espalhados, ouço uma gritaria da quadra. “É a molecada jogando ou curtindo a pelada. É sempre assim”. Sempre me pergunto sobre quem está, de fato, se aproveitando desse lugar. Pelas conversas que ouço nas cercanias, a diversão da rapaziada se tornou um tormento para muitos do entorno. Também ali não tem nenhum aparelho diferenciado que poderia atender aos demais adultos e crianças. 

Creio que falta orientação aos jovens frequentadores para entender um outro conceito de diversão, de mais respeito, mais apropriado para aquele lugar. Eles podem ser agentes de outras alternativas, ali mesmo, para que um maior número de famílias desfrutem do bem público. Poderia ser como um coração verde acolhendo tanto os moradores quanto os visitantes. 

Numa dessas manhãs, ao passar por ali, avistei o Brás roçando e rastelando toda tranqueira que por ali vai se ajuntando. Era ele e um filho pequeno. Soube, depois, que muitas daquelas plantas estão ali graças a ele. Belo exemplo!

O Brás faz isso gratuitamente. Ouso dizer que nenhum daqueles que se divertem naquele espaço têm tal iniciativa. Pode ser até que classifiquem o exemplo de cidadão como trouxa. Isso, no entanto, é cidadania! Parabéns! 

Não merece o título de cidadão ubatubense esse filho de Natividade da Serra?

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Dominique


Opinião

Espaço para a gastança

O Estado de S.Paulo
Gastar continua sendo a palavra de ordem no governo federal, apesar das promessas de austeridade e do pacto de responsabilidade fiscal acertado com dirigentes e líderes de partidos da base aliada. Três dias depois da reunião da presidente Dilma Rousseff com os aliados, o Ministério do Planejamento anunciou mais uma reestimativa de receitas e despesas federais. A quinta revisão bimestral do Orçamento indicou uma arrecadação adicional de US$ 16,3 bilhões neste ano, descontadas as transferências constitucionais, destinadas principalmente a Estados e municípios. A ideia de economizar esse dinheiro extra nem deve ter sido considerada. O gasto do exercício foi também recalculado e ampliado, com acréscimo igual ao da receita. A revisão bimestral permitiu ao governo acomodar um excesso de despesa de R$ 14,1 bilhões e ainda aplicar mais R$ 2,2 bilhões em itens de sua escolha.

A revisão das condições do Orçamento a cada dois meses é uma exigência da Lei de Responsabilidade Fiscal. Vale como prestação de contas e como oportunidade para um ajuste fino das contas públicas. Mas pode servir também para legitimar, pelo menos na aparência, a gastança federal.

Foi uma impressionante coincidência a revelação, no mesmo relatório, de uma arrecadação imprevista de R$ 16,3 bilhões e de uma despesa excedente, e também ignorada em revisões anteriores, de R$ 14,1 bilhões. Sem aquela arrecadação a mais, o governo teria de podar pelo menos uma parte da despesa reestimada ou de reconhecer, claramente, o descumprimento da meta fiscal em vigor para 2013. Não se considera, é claro, a feia hipótese de uma falsificação dos dados.

A revisão apontou uma receita adicional de R$ 17,96 bilhões. Descontadas as transferências, sobraram R$ 16,3 bilhões. Com esse dinheiro o governo poderia reforçar o superávit primário, isto é, para pagar juros devidos pelo Tesouro e controlar a expansão da dívida pública. Como segunda hipótese, poderia gastar toda essa verba. Poderia também destinar uma parte aos juros e outra ao gasto. Prevaleceu a segunda possibilidade.

Faltaria saber se o governo poderia usar todo esse dinheiro para despesa sem descumprir a meta de superávit primário. Resposta: poderia, porque a administração central só se responsabiliza, agora, pelo cumprimento de sua parte no resultado geral das contas públicas. Está dispensado, com base em projeto recém-aprovado no Congresso, de compensar qualquer deficiência no resultado fiscal de Estados e municípios.

Sua obrigação, portanto, está limitada à geração de um superávit primário de R$ 73 bilhões, embora a meta geral do setor público seja um excedente primário de R$ 111 bilhões, equivalente a 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) estimado. Este alvo já é bem mais baixo que aquele fixado inicialmente na regra orçamentária, de 3,1% do PIB.

Nesta altura, qualquer saldo apresentado pelos governos estaduais e municipais será considerado um ganho para a política fiscal, porque o assunto saiu da pauta do governo central. Esse regime deve ser mantido em 2014.

Mas também é importante saber de onde vem a receita adicional recém-estimada. Virá quase exclusivamente de parcelas do refinanciamento de dívidas fiscais (Refis), calculadas em R$ 16,4 bilhões. A Cide, cobrada sobre combustíveis, proporcionará R$ 101,2 bilhões. Outros R$ 547,6 bilhões virão de fontes diversas. Como a maior parte das receitas tributárias foi reestimada para baixo, o saldo, descontadas as transferências, corresponderá aos R$ 16,3 bilhões.

Quase todo o dinheiro adicional deverá resultar, portanto, de uma nova renegociação com devedores do Fisco. Dando certo, essa renegociação produzirá uma receita dessa magnitude neste ano, sem garantia de repetição. Será prudente gastá-la? Será um ganho excepcional em todos os sentidos, além de ser suficiente, de forma quase milagrosa, para acomodar a despesa reestimada e ainda permitir o superávit primário de R$ 73 bilhões.

Quem se espantará, se os agentes do mercado e o pessoal das agências de classificação de risco manifestarem algum ceticismo em relação à seriedade fiscal do governo brasileiro?

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 26 / 11 / 2013

O Globo
"Privatização de aeroportos: Melhoria no Galeão só será sentida 6 meses após Copa"

Consórcio vencedor diz que prioridades serão banheiros, elevadores e escadas

Área comercial deve triplicar até 2018. Objetivo é chegar a 60 milhões de passageiros em 15 ou 20 anos, antes do prazo previsto no edital. Para ganhadores, decisão em um só lance foi ‘estratégia Anderson Silva'. Os passageiros que usam o Galeão só deverão começar a sentir os efeitos da privatização no fim de 2014, seis meses após a Copa, com melhoria da infraestrutura básica, de banheiros, escadas rolantes e esteiras de bagagem, dizem o presidente da Odebrecht TransPort, Paulo Cesena, e o futuro presidente do concessionário, Luiz Rocha. Eles só assinarão o contrato em março de 2014 e ficarão ainda os primeiros seis meses atuando com a Infraero à frente. O consórcio tem também o grupo Changi, de Cingapura, presente em 40 aeroportos no mundo. Cesena e Rocha disseram que a área comercial deve triplicar para 30 mil metros quadrados nos próximos cinco anos e que o Galeão pode chegar à marca anual de 60 milhões de passageiros em 15 a 20 anos, bem antes do fim da concessão, em 2038.

O Estado de S. Paulo
"Após ajustes, licitação da BR-163 atrai sete grupos"

Com mudanças feitas no edital, interesse pela rodovia cresceu e previsão é de disputa acirrada no leilão

Após uma série de ajustes para tentar evitar novo fracasso, o governo comemorou ontem o recebimento de sete propostas para a concessão do trecho da BR-163 em Mato Grosso, o que aponta para uma forte disputa pelo lote no leilão de amanhã. O empreendimento a ser oferecido foi escolhido depois do fracasso na tentativa de entregar à iniciativa privada um trecho de outra rodovia, a BR-262 em Minas Gerais e Espírito Santo, em setembro, quando não houve interessados. Além de buscar um trecho atraente, o governo fez diversos ajustes para elevar o interesse das empresas. A principal alteração foi o corte na estimativa de crescimento do PIB embutido no cálculo das concessões, de 3,5% para 2,5%. No caso da BR-163, o teto para o valor do pedágio a cada 100 km aumentou de R$ 4,17 para R$5,50.

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segunda-feira, novembro 25, 2013

Dominique


Opinião

O Brasil na banguela

CARLOS ALBERTO DI FRANCO - O Estado de S.Paulo
Armação da imprensa. Distorção da mídia. Patrulhamento de jornalista. Quantas vezes, caro leitor, você registrou essa reação nas páginas dos jornais? Inúmeras, estou certo. Elas estão contidas, frequentemente, em declarações de homens públicos apanhados com a boca na botija, no constrangimento de políticos obsessivamente preocupados com a própria imagem e no destempero de lideranças que pescam nas águas turvas do radicalismo. Todos, independentemente de seu colorido ideológico, procuram um bode expiatório para justificar seus deslizes e malfeitos. A culpa é da imprensa! É preciso partir para o controle social da mídia, eufemismo esgrimido pelos que, no fundo, defendem a censura às empresas de conteúdo independentes.

Sou otimista. Acho que o Brasil é maior que seus problemas. Mas não sou cego. O Brasil está na banguela. Corrupção crescente, educação detonada e gestão pública incompetente, não obstante as lantejoulas do marketing político, começam a apresentar sua inescapável fatura. E a sociedade está acordando. As ruas, em junho deste ano, deram os primeiros recados. A violência black bloc, um desvio condenável e inaceitável dos protestos, precisa ser lida num contexto mais profundo. Há um cansaço do Estado ineficiente, corrupto e cínico. E a coisa não se resolve com discursos na TV, mas com mudanças efetivas.

Corrupção endêmica e percepção social da impunidade compõem o ambiente propício para a instalação de um quadro de desencanto cívico. Alguns, equivocadamente, vislumbram uma relação de causa e efeito entre corrupção e democracia. Outros, perigosamente desmemoriados, têm saudade de um passado autoritário de triste memória. Ambos, reféns do desalento, sinalizam um risco que não deve ser subestimado: a utopia autoritária.

O Brasil tem instituições razoavelmente sólidas, embora parcela significativa da sociedade já comece a questionar a validade de um dos pilares da democracia: o Congresso Nacional. O descrédito generalizado, sobretudo dos parlamentares, captado em inúmeras pesquisas de opinião, é preocupante.

O fisiologismo político é responsável por alianças que são monumentos erguidos à incoerência e ao cinismo. Quando vemos Lula, Dilma, Sarney, Collor e Maluf, só para citar exemplos mais vistosos, no mesmo barco, paira no ar a pergunta óbvia: o que une firmemente aqueles que estiveram em campos tão opostos? Interesse. Só interesse. Os fisiologistas têm carta-branca para gozar as benesses do poder. Os ideológicos, lenientes e tolerantes com o apetite dos fisiológicos, recebem deles o passaporte parlamentar para avançar no seu projeto autoritário.

A arquitetura democrática de fachada recebe a certidão do "habite-se" na força cega dos currais eleitorais. Para um projeto autoritário o que menos interessa é gente educada, gente que pense. Educação de qualidade, nem falemos. O sistema educacional brasileiro é um desastre. Multiplicam-se universidades, mas não se formam cidadãos: homens e mulheres livres, bem formados, capazes de desenvolver seu próprio pensamento, conscientes de seus direitos e de seus deveres. Há, sim, um apagão do espírito crítico. Desaba o Brasil no declive de uma unanimidade que, como dizia Nelson Rodrigues, é sempre perigosamente burra. Nós, jornalistas, precisamos trazer os candidatos para o terreno das verdadeiras discussões. É preciso saber o que farão, não com chavões ou com o brilho do marketing político, mas com propostas concretas em três campos: educação, infraestrutura e ética.

A competitividade global reclama crescentemente gente bem formada. Quando comparamos a revolução educacional sul-coreana com a desqualificação da nossa educação, dá vontade de chorar. Como lembrou recente editorial do jornal O Estado de S. Paulo, se "ainda faltasse alguma prova da crise educacional brasileira, o novo relatório da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre a escassez de pessoal para a construção seria mais que suficiente". A assustadora falta de mão de obra com formação mínima é um gritante atestado do descalabro da educação brasileira.

Governos, independentemente de seu colorido partidário, sempre exibem números chamativos. E daí? Educação não é prédio. Muito menos galpão. É muito mais. É projeto pedagógico. É exigência. É liberdade. É humanismo. É aposta na formação do cidadão integral. O Brasil pode morrer na praia. Só a educação de qualidade será capaz de preparar o Brasil para o grande salto. Deixarmos de ser um país fundamentalmente exportador de commodities para entrar, efetivamente, no campo da produção de bens industrializados.

Para isso, no entanto, é preciso menos discurso sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e mais investimento real em infraestrutura. É preciso fazer reportagem. Ir ver o que existe e o que não existe. O que foi feito e o que é só publicidade. Ver e contar. É o nosso papel. É a nossa missão. Nós, jornalistas, sucumbimos com frequência ao declaratório. Registramos, com destaque, a euforia presidencial com o futuro do pré-sal. Mas como andam os projetos reais que separam a propaganda da realidade? É por aí que devemos ir.

Tudo isso, no entanto, reclama o corolário da ética. Rouba-se muito. Muito dinheiro público desaparece no ralo da impunidade. Queixa-se a sociedade da impunidade radical. Seis anos após aceitar a denúncia do mensalão, o Supremo Tribunal Federal determinou a prisão dos principais condenados no esquema de corrupção do governo Lula. Trata-se de uma decisão histórica e de um claro divisor de águas.

Educação, infraestrutura e ética podem mudar o destino do Brasil.

DOUTOR EM COMUNICAÇÃO PELA UNIVERSIDADE DE NAVARRA, É DIRETOR DO DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO DO INSTITUTO INTERNACIONAL DE CIÊNCIAS SOCIAIS

E-MAIL: DIFRANCO@IICS.ORG.BR

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 25 / 11 / 2013

O Globo
"Diplomacia atômica - Acordo freia programa do Irã mas gera desconfianças"

Pacto é visto com ceticismo no Congresso dos EUA e como erro histórico por Israel

Obama e Rouhani celebram entendimento que retarda ambição nuclear do país em troca de alívio nas sanções. Seis potências assinaram um acordo histórico com o Irã, que visa a dar um freio no programa nuclear do país persa em troca do alívio moderado de sanções internacionais. O pacto, previsto para durar seis meses, abre caminho a um entendimento definitivo entre EUA e Irã, que têm relações congeladas desde 1979, e foi celebrado como vitória pelos presidentes Barack Obama e Hassan Rouhani. Mas o acordo foi recebido com amplo ceticismo pelo premier israelense, Benjamin Netanyahu, que o classificou como "erro histórico" e por congressistas americanos de ambos os partidos.

O Estado de S. Paulo
"Pacto com Irã dá a Obama maior triunfo diplomático"

Acordo assinado em Genebra freia avanço do programa nuclear de Teerã; Israel critica acerto

O presidente americano, Barack Obama, obteve ontem a mais expressiva vitória diplomática de seu governo ao alcançar um acordo para frear o avanço do programa nuclear iraniano. O pacto foi assinado em Genebra pelo secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e por diplomatas de Irã, China, Rússia, Grã-Bretanha, Alemanha e França. Teerã aceitou interromper por seis meses seu programa de enriquecimento de urânio em níveis acima do necessário para a produção de energia em troca da suspensão parcial de sanções que estrangulam sua economia. Como consequência, a cotação da moeda do Irã, o rial, subiu mais de 3% em relação ao dólar, ampliando as esperanças de Teerã de recuperar-se financeiramente. Israel qualifica o acordo de “erro histórico” que toma o mundo “um lugar mais perigoso”. 

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domingo, novembro 24, 2013

Dominique


Opinião

O custo de enterrar a fiação

O Estado de S.Paulo
Desde que foi aprovada, há oito anos, pela Câmara Municipal a Lei 14.023, que obriga concessionárias, empresas estatais e operadoras de serviço a enterrar todo o cabeamento instalado no Município - redes elétrica, telefônica, de TV e assemelhados -, São Paulo ensaia a execução de planos destinados a tornar isso realidade. A regulamentação da lei, que data de 2006, estabelece a necessidade de, a cada ano, transferir 250 quilômetros de cabo dos postes para o subsolo. Apesar disso, a capital tem hoje somente 7% de mais de 30 mil quilômetros de fios e cabos enterrados.

O problema é que a lei determina o que fazer, mas não estabelece quem vai pagar a conta dessa obra que, pelos cálculos da AES Eletropaulo, chegaria a R$ 100 bilhões - o equivalente a duas vezes o seu patrimônio. A empresa não quer assumir esse custo - pelo menos não sozinha -, porque a seu ver estão em jogo principalmente questões de urbanismo. Mas, para a Prefeitura, quem usa espaço público para explorar uma atividade comercial lucrativa não pode fugir a essa responsabilidade.

Há exageros de todos os lados. A estimativa da Eletropaulo, de R$ 5,8 milhões por quilômetro de fiação transferida para o subsolo, é considerada alta demais, uma vez que em outros países, como os Estados Unidos, o custo foi a metade disso. Ela calcula que somente para enterrar a fiação do centro expandido seriam gastos R$ 15 bilhões e as obras durariam no mínimo dez anos.

Pressionada pelos planos divulgados no início do ano pelo prefeito Fernando Haddad, que anunciou sua intenção de fazer valer a lei, a Eletropaulo divulgou as conclusões de um estudo feito pela consultoria McKinsey a respeito. Um dos modelos sugeridos nesse trabalho prevê que 80% dos custos sejam financiados por meio de isenção fiscal sobre serviços relacionados ao enterramento (ISS) e aos equipamentos (ICMS). Esse total incluiria também contribuições a serem feitas pelo governo federal e pelas demais empresas que utilizam a rede aérea. Os 20% restantes seriam repassados à tarifa paga pelos consumidores, o que representaria aumento de 5% a 10%.

O reajuste seria gradual, conforme o andamento das obras, por um prazo de 30 anos, correspondendo ao período de amortização dos investimentos. Conta de luz de R$ 100,00, por exemplo, aumentaria progressivamente até atingir R$ 110,00, valor que seria mantido, com os reajustes normais, por pelo menos três décadas.

O investimento é alto, mas os ganhos por ele proporcionados são incontestáveis, considerando as questões de urbanismo, segurança e qualidade do serviço prestado. Dados da Eletropaulo mostram que os desligamentos na rede aérea são de quatro a cinco vezes mais frequentes do que na subterrânea. A cada ano, os paulistanos permanecem no escuro pelo menos dez horas. Esse total seria reduzido para duas horas.

Em seguida ao anúncio feito em janeiro, de que pretende livrar São Paulo do emaranhado de fios que polui a paisagem urbana, o prefeito Fernando Haddad criou a Câmara Técnica de Gestão de Redes, que trabalha no planejamento dessa operação em conjunto com as empresas concessionárias de energia, telecomunicações, telefonia e dados. Uma das ideias em discussão, considerando que a maior parte dos custos decorre da perfuração do subsolo, é entregar o projeto para empreiteiras no modelo de parceria público-privada. Elas construiriam as galerias para abrigar os cabos e as alugariam para as companhias que precisam dessas estruturas. O custo seria dividido, reduzindo o impacto na tarifa para o consumidor e nos cofres públicos.

A melhoria trazida pelo enterramento das redes vai muito além da redução do desconforto causado pelos desligamentos frequentes. São Paulo é uma cidade de serviços e um apagão de uma hora nos eixos comerciais, onde empresas atuam conectadas a todo o mundo, traz prejuízo incalculável à economia do País. No trânsito, nas escolas e no comércio, o impacto é igualmente muito grande. Todos ganharão, portanto, com o fim das redes aéreas de fiação.

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 24 / 11 / 2013

O Globo
"Fim da impunidade: BB cobrará na Justiça verba desviada por mensaleiros"

STF concluiu que R$ 73,8 milhões do banco abasteceram o esquema

Advocacia-Geral da União também estuda como reaver dinheiro que saiu irregularmente da Câmara para as contas de Marcos Valério. O Banco do Brasil pediu ao Supremo Tribunal Federal para ter acesso a todo o processo do mensalão. O objetivo é preparar uma ação para tentar recuperar os R$ 73,8 milhões desviados pelos mensaleiros da cota do BB no fundo Visanet, informa Gabriela Valente. O principal alvo será o ex-diretor Henrique Pizzolato, que autorizou o "impasse da verba para empresas de Marcos Valério. A Advocacia-Geral da União também estuda como cobrar os R$ 536 mil desviados da Câmara pelo deputado João Paulo Cunha (PT-SP).

O Estado de S. Paulo
"MPs de Dilma oneram contas públicas em R$ 96,3 bilhões"

Efeito das propostas do governo contrasta com o discurso de austeridade reforçado pela presidente nos últimos dias.

Levantamento feito pelo Estado mostra que as propostas que a presidente Dilma Rousseff enviou em 2013 ao Congresso na forma de medidas provisórias provocam impacto nas contas públicas de R? 96,3 bilhões ao longo dos próximos anos, informa Lu Aiko Otta. O cálculo leva em conta aumentos de despesa em relação ao previsto no ano e propostas que envolvem renúncia de arrecadação. O efeito das propostas sobre as contas públicas contrasta com o discurso de austeridade reforçado pela presidente nos últimos dias, num esforço para recuperara credibilidade no mercado Há propostas de Dilma que continuarão gerando efeitos nos próximos anos. É o caso, por exemplo, do aporte de Rã 15 bilhões que o Tesouro Nacional foi autorizado afazer na estatal Valec.

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