sábado, novembro 23, 2013

Dominique


Opinião

O ensino de ciências

O Estado de S.Paulo
A qualidade do ensino de Ciências no ensino básico começará a ser avaliada este ano pela Prova Brasil e pela Avaliação Nacional da Educação Básica (Aneb). Até 2012, esses dois exames continham somente questões de Matemática e Leitura. Como a iniciativa é de caráter experimental, os resultados não comporão o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), como ocorre com as notas de Leitura e Matemática.

Participam da Prova Brasil e da Aneb cerca de 4,9 milhões de estudantes das escolas públicas e particulares de ensino básico. Mas somente 84,7 mil alunos matriculados no 9.º ano do ensino fundamental e no 3.º ano do ensino médio se submeterão às provas de Ciências, com 52 questões sobre temas como Terra e Universo, Vida e Ambiente, Constituição, Propriedades e Transformação de Materiais e Conservação e Transformação de Energia.

A iniciativa é importante, na medida em que o ensino de Ciências na educação básica estimula o raciocínio lógico, desperta o espírito criativo, desenvolve o interesse pela pesquisa e encoraja os alunos a se posicionarem ante a conhecimentos, processos e inovações que transformam a economia e a sociedade. Apesar da importância do desenvolvimento científico e da inovação tecnológica na vida social, na expansão das empresas e na competitividade dos países, o papel das ciências no ensino fundamental e médio brasileiro sempre foi relegado a segundo plano, por causa do déficit de professores de Química, Física, Matemática e Biologia - estimado em 200 mil pelo Ministério da Educação.

Esse é um dos motivos pelos quais o Brasil está atrás do Uruguai, Chile, Colômbia, Costa Rica e México nos rankings de avaliação educacional da América Latina. Por terem um ensino básico com mais qualidade e darem prioridade às disciplinas de ciências no ensino básico, esses países têm conseguido atrair as novas gerações para as carreiras científicas. Nos indicadores da área de ciências do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), coordenado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil está no 53.º lugar, num total de 65 países avaliados.

A inclusão de Ciências na Prova Brasil e na Aneb foi bem recebida nas escolas públicas e privadas. "O ensino de Ciências tem sido pouco valorizado. Nos primeiros anos do ensino fundamental há uma atenção exacerbada com saúde e higiene, mas ciência não é só isso. Há conceitos de química, de física e de biologia que ajudam na vida prática dos alunos. Muitas vezes se ensina o conteúdo dessas disciplinas, mas não como realizar uma investigação científica", diz Lúcia Helena Sasseron, professora de Metodologia do Ensino de Ciências da Faculdade de Pedagogia da USP. "É preciso mudar a mentalidade de que outras disciplinas, fora Português e Matemática, não são úteis. Como é possível mandar um aluno para o exterior, como é o caso do programa Ciências sem Fronteiras, se ele não teve, na escola, uma base sólida no campo das ciências?", pergunta Sonia Castellar, professora de Metodologia do Ensino de Geografia da USP.

A inclusão de ciências na Prova Brasil e na Aneb é o primeiro passo para valorizar as disciplinas da área no ensino básico. A avaliação não é um remédio, apenas evidencia problemas, lembra Nélio Bizzo, professor de Metodologia de Ensino de Ciências Biológicas da USP. Além da necessidade de suprir o elevado déficit de docentes especializados, mediante a expansão dos cursos de licenciatura, será preciso investir maciçamente em laboratórios. Segundo dados de 2012 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), das 192.676 escolas brasileiras, somente 10,6% têm laboratórios. O porcentual é baixo - e, mais grave, muitas das que têm não utilizam os laboratórios com frequência. As autoridades educacionais afirmam que, quando os royalties do petróleo começarem a ser pagos, a União estimulará as redes estaduais e municipais de ensino a construir mais laboratórios de Ciências. O problema é que esse dinheiro não tem data para chegar.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 23 / 11 / 2013

O Globo
"Privatização de aeroportos - Consórcio aposta no Rio e paga R$ 19 bi por Galeão"

Para especialistas, terminal terá condições de concorrer com Guarulhos

Odebrecht e operador Changi pagam ágio de 294%. Confins fica com CCR. Os aeroportos de Galeão e Confins (Belo Horizonte) foram finalmente privatizados após dois anos de mudanças de regras. A Odebrecht e o operador Changi, de Cingapura, venceram o leilão oferecendo R$ 19 bilhões pelo Galeão, com ágio de 294%. Paulo Cesena, presidente da Odebrecht Transportes, disse que a empresa aposta no crescimento da economia do Rio. Confins foi arrematado por R$ 1,820 bilhão, com ágio de 66%, pela CCR e pelos administradores dos aeroportos de Zurique e Munique.

O Estado de S. Paulo
"Cardozo levou à PF denúncia de petista contra tucanos"

Após Cade negar envio de relatório, ministro diz que encaminhou documento apresentado por secretário de Haddad

O ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, afirmou ter enviado à Polícia Federal o relatório sobre o cartel de trens que cita suposta corrupção envolvendo políticos tucanos. O documento do ex-executivo da Siemens Everton Rheinheimer relata esquema em São Paulo e no Distrito Federal. A confirmação do ministro ocorreu após o Cade negar ter enviado o relatório à PF. Segundo Cardozo, a denúncia foi entregue pelo secretário de Serviços da gestão Fernando Haddad, Simão Pedro (PT). Deputado licenciado, ele é autor de duas representações ao Ministério Público Estadual sobre o cartel. Em nota, Rheinheimer disse ontem que o documento é anônimo. Cardozo afirmou ter enviado o relatório à PF “no estrito cumprimento do dever legal”.

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sexta-feira, novembro 22, 2013

Sorria, a vida é curta...


Coluna do Celsinho

Bovarismo

Celso de Almeida Jr.

Madame Bovary, de Gustave Flaubert, publicada em 1857, é leitura indicada às novas gerações.

A obra, que impactou a França do século XIX, revela, através da personagem central, Ema Bovary, os desdobramentos de uma vida atordoada pela constante busca da felicidade.

Felicidade...

Satisfação...

Madame Bovary encontrou no adultério um caminho para tentar alcançá-las.

Dívidas, também, permearam a sua busca.

Seu final trágico, em suicídio, toca o leitor sensível, que consegue compreendê-la.

Flaubert, talentoso, através de personagens marcantes, faz uma contundente crítica às convenções de seu tempo.

Visionário, atinge-nos, apesar dos mais de 150 anos que nos separam de sua obra prima.

Hoje, na busca da felicidade permanente, das sensações intensas, também não rompemos limites?

Na ânsia da conquista de bens de consumo; no desejo incessante de nos ajustarmos aos padrões de beleza; na realização de ambições diversas, o que temos colhido?

Felicidade permanente ou angústia constante?

Aprender a controlar desejos, compreender a distância entre as aspirações e as reais possibilidades, são passos importantes para uma vida serena.

Não deixar que os sonhos mais intensos nos conduzam ao abismo é lição de casa válida para jovens adultos.

Válida para todos.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Dominique


Opinião

Notas sobre o fim do mensalão

FERNANDO GABEIRA - O Estado de S.Paulo
Depois de um duro dia de trabalho, liguei a TV para assistir aos debates no Supremo. Sou amarrado em debates. Sinto falta deles no Brasil de hoje.

Como não se fazem mais, qualquer coisa me diverte. Dormi num sítio em Olhos D'Água e ouvi um velho rádio de pilha na escuridão do Cerrado. Às vezes os locutores diziam bobagens monumentais. Eu ria um pouco e me sentia mais próximo do sono. Engraçadas ou não, eram vozes humanas chegando pelos ares, fazendo-me companhia naquela solidão que antecede o primeiro cantar dos galos.

Era fascinante ver os juízes debatendo algo que me parecia lógico. Uma vez dada a sentença, as pessoas passariam a cumprir a sua pena, exceto as que estavam pendentes de um recurso infringente. Gostei muito do infringente, mas ouvi outras coisas mais interessantes, como reflexo intempestivo. Fui um pouco mais longe na pesquisa para constatar que tempestivo é comum na linguagem jurídica, é algo oportuno, que corre dentro de um ritmo adequado.

Discutiram horas e constataram que estavam de acordo, ou pelo menos reconheceram que estavam de acordo, embora ainda fosse preciso pôr no papel a sua concordância. Pensei comigo: como discutem esses ministros! Discutiram meses para chegar a uma sentença e agora discutem horas para definir se é para valer ou não. Devem estar cansados e creio que os deixarei em paz nos próximos meses, com a devida gratidão pelos verbos e adjetivos que acrescentaram ao meu conhecimento.

O processo foi tão arrastado que, ao se concretizar, deu a impressão de algo já visto, uma reprise. José Dirceu e Genoino apresentaram-se com o punho erguido. Já escrevi sobre esse gesto, pensei. Nada tenho a acrescentar. No passado foi o símbolo da resistência comunista, chegou a roubar a cena numa Olimpíada. "Por que, então, o punho erguido?", perguntou um homem na rua. Disse-lhe que, no meu entender, a cadeia é muito difícil de suportar. Entrar na cadeia pensando que cometeu algo pelo bem do povo sempre ajuda a absorver a monotonia e o desconforto da prisão. "Mas não são inocentes", observou o interlocutor. Como quase todos na cadeia, arrematei. Quem visita um presídio constata que a maioria se diz inocente.

"E as regalias?", questionou. O que são regalias senão obter algo que os outros não conseguem? A pena mais dura é a supressão da liberdade, ainda que em prisão domiciliar. Filmei as celas que lhes seriam destinadas na Papuda, cubículos frios, sem vestígios de nenhuma regalia.

A entrada na cadeia de dirigentes do PT, num sistema penitenciário como o do DF, administrado pelo próprio PT, será uma experiência singular. Estamos muito longe das condições de cadeia suecas. Mas longe também do nível civilizatório que nossas possibilidades autorizam.

Homens que conduziram o País em determinada época são obrigados agora a conhecer uma dimensão que ignoraram. Com a experiência podem oferecer ao próprio partido um modelo de reforma que desarme a bomba-relógio que construímos, com nosso silêncio, para as novas gerações. Mas no momento nada indica que seguirão esses passos. É hora de negação.

Será difícil para um partido no poder com dirigentes presos fingir que a prisão não existe, que não cai água da goteira, que esse amontoado de gente em nossas cadeias não configura superlotação. A realidade vai acabar se infiltrando por alguns poros, mas o PT seguirá montado numa tese fantasiosa que talvez nem consiga abalar, nas eleições, sua pretensão de poder prolongado.

Que abandonem a realidade é problema deles. O nosso é testemunhar o desfecho de uma aventura histórica, amparada no conceito de que os fins justificam os meios. Reconhecer isso é deixar a casca de uma esquerda autoritária e aceitar amplamente a democracia, sem se sentir dotado de uma causa superior a ela e, portanto, podendo atropelá-la.

Reflexo intempestivo, para mim, é o Sol saindo subitamente da nuvem, mergulhando o objeto numa luz contrária que enche de aberrações violeta e lilases as nossas lentes. Mesmo nesses casos o Sol contrário não consegue ofuscar o objeto. Um pequeno rebatedor de fundo branco devolve à cena a luz do próprio Sol.

Esse rebatedor é o processo do mensalão, que foi julgado abertamente na TV e passou a ser visto como a semente de um novo tempo, em que a justiça se faz mesmo para os poderosos e todo o aparato jurídico que conseguem mobilizar. Você pode ver isso como obra de uma elite reacionária. Sinceramente, a História não vai registrar o episódio assim. Para grande parte dos brasileiros, a roda moveu-se. Para muitos, no último fim de semana estivemos mais perto de uma República.

A decisão do Supremo confirmou a ideia que tinha do episódio. Restava apenas acompanhar, pelos inúmeros debates, o processo por meio do qual a democracia brasileira iria metabolizar o grande pepino de julgar a direção de um partido no poder, capaz, portanto, de indicar os próprios ministros do Supremo. Foi uma tempestade tempestiva, para usar o meu novo vocabulário. Mais rápida, traria perigosa inundações; mais lenta, encenaria uma constrangedora comédia.

A tendência, no momento em que escrevo, é o debate sobre o direito dos presos do mensalão dentro do sistema penitenciário. Se levar a uma compreensão ampla da precariedade do próprio sistema, será um efeito colateral positivo. O efeito mais decisivo, porém, ainda levará muito tempo: a passagem definitiva da esquerda, que dirige o País, para a aceitação plena dos caminhos democráticos, incompatíveis com o princípio de que os fins justificam os meios.

Tudo indica, por enquanto, que ela continuará dirigindo o País. Mas para onde? A esfera da política desprendeu-se da sociedade e o vazio se aprofunda. Negando ou aceitando a realidade do mensalão, deve prosseguir no poder. O problema é sacudir uma herança do século passado, século de punhos cerrados, em que nos sentíamos parteiros do futuro, capazes, pois, de ignorar as regras do jogo.

JORNALISTA

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 22 / 11 / 2013

O Globo
"Mensalão - Genoino é autorizado a se tratar em casa ou hospital"

Na Câmara, PT manobra para apressar aposentadoria e adiar cassação

Deputado preso é levado da Papuda para Instituto de Cardiologia de Brasília e será submetido a nova perícia médica; Lula diz que sentença deve ser cumprida, mas reclama: 'Parece que a lei só vale para o PT'. O presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, autorizou o ex-presidente do PT e deputado licenciado José Genoino, condenado no mensalão, a ser tratado provisoriamente em casa ou no hospital, até receber nova perícia médica sobre a situação do petista. Genoino, que tem doença cardíaca, ontem passou mal na Papuda, onde cumpre pena em regime semiaberto, e foi levado a um hospital de Brasília. Na Câmara, o PT manobrou e conseguiu adiar decisão da Mesa sobre a cassação do deputado preso. Oito senadores visitaram os petistas condenados na Papuda. O ex-presidente Lula disse que a sentença deve ser cumprida, mas reclamou: "Parece que a lei só vale para o PT”. E o ministro Gilberto Carvalho disse que seu coração sangra pelos companheiros presos.

O Estado de S. Paulo
"Genoino poderá se tratar em casa; Câmara adia cassação"

Presidente do STF autoriza petista a ficar fora da prisão; deputados tentam acelerar processo de aposentadoria

Mensalão - O presidente do STF, Joaquim Barbosa, autorizou o deputado federal licenciado José Genoino (PT) a ficar fora da prisão até que seja realizada perícia médica para verificar suas condições de saúde. Preso no fim de semana para cumprir pena por envolvimento com o mensalão, Genoino passou mal ontem e foi transferido para o Instituto de Cardiologia, em Brasília. A decisão permite que Genoino fique em tratamento domiciliar ou hospitalar até que uma junta médica chegue a uma conclusão sobre seu estado de saúde. Uma manobra comandada por parlamentares do PT acabou por adiar a abertura do processo de cassação de Genoino. A estratégia é segurar qualquer outra decisão e fazer com que Genoino receba o benefício da aposentadoria por invalidez. 

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quinta-feira, novembro 21, 2013

Dominique


Opinião

O que trama o PT?

O Estado de S.Paulo
O manifesto petista divulgado na terça-feira, que classifica de "ilegal" a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, de mandar recolher à prisão 12 dos condenados no processo do mensalão, afirma que "uma parcela significativa da sociedade" teme "pelo futuro do Estado Democrático de Direito no Brasil". Têm razão os signatários do documento.

O Estado de Direito está real e gravemente ameaçado no Brasil, mas pelos sectários, pelos oportunistas fisiológicos e pelos inocentes úteis do PT que, por razões diversas, se empenham numa campanha nacional de desmoralização do Poder Judiciário, ferindo fundo a estabilidade institucional e colocando em risco, em benefício da hegemonia política do partido, o futuro da democracia no País.

O tal manifesto não é um documento oficial do PT. Mero detalhe. As posições "oficiais" do partido, ditadas pelo pragmatismo eleitoral, são traduzidas pela linguagem melíflua das notas oficiais, hábeis em camuflar o verdadeiro pensamento da elite petista. Mas esse pensamento está explicitado no manifesto de terça-feira, que tenta em vão dissimular seu caráter eminentemente político-partidário com a adesão de "companheiros" intelectuais e juristas. Mas assinam a nota o presidente Rui Falcão e todos os demais integrantes do Diretório Nacional do partido. Está ali, portanto, o que pensa o PT.

Da mesma forma como ataca sistematicamente a imprensa, ao investir contra o Poder Judiciário, lançando mão do recurso de demonizar a figura do ministro Joaquim Barbosa, o PT deixa claro o modelo de "democracia" que almeja: aquele em que ninguém ousa contrariar suas convicções e seus interesses nos meios de comunicação, na aplicação da Justiça, na atividade econômico-financeira. Em todas as atividades, enfim, em que entendem que o Estado deve dar sempre a primeira e a última palavra, para promover e proteger os interesses "do povo".

Para visualizar esse modelo dos sonhos dos petistas radicais sem ir muito longe, basta olhar para a Venezuela e demais regimes "bolivarianos" da América Latina, sem falar no clássico exemplo da ilha dos Castros. Esses países, em que vigora o "socialismo do século 21", são comandados pelos verdadeiros amigos do peito e de fé de Lula, Dilma e companheirada.

Mas nem todo mundo no PT está preocupado com dogmatismo ideológico. Ao longo de 10 anos, boa parte da militância petista aprendeu a desfrutar das benesses do poder e hoje reage ferozmente a qualquer ameaça de ter que largar o osso. São os oportunistas que tomaram conta do aparelho estatal em todos os níveis e a ele dedicam todo seu despreparo e incompetência gerencial.

E existem ainda os inocentes úteis, em geral mal informados e despolitizados, que engrossam as fileiras de uma militância que comprou a ideia-força lulopetista de que o mundo está dividido entre o Bem e o Mal e quem está "do outro lado" é um "inimigo" a ser ferozmente dizimado. As redes sociais na internet são o ambiente em que melhor prospera esse maniqueísmo de esgoto.

O que pretende esse amplo e variado arco de dirigentes e militantes petistas que, a pretexto de se solidarizarem com os condenados do mensalão, se mostram cada vez mais ousados em suas investidas contra o Poder Judiciário? O País tem estabilidade institucional suficiente para impedir que, num golpe de mão ou num passe de mágica, a condenação dos mensaleiros seja anulada. Mas os radicais sabem que para alcançar seus objetivos precisam criar e explorar vulnerabilidades na estrutura institucional de nossa democracia. Os oportunistas sabem que precisam ficar bem com os donos do poder a que aderiram. E os inocentes úteis não sabem nada. Agem por impulso, movidos por apelos emocionais. Acreditam até no argumento falacioso de que é preciso ser tolerante com a corrupção e os corruptos porque sem eles é impossível governar.

A quem não entra nessa lista resta comemorar, enquanto pode, uma singela obviedade: feliz é o país em que a Justiça pode contrariar os interesses dos poderosos de turno.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 21 / 11 / 2013

O Globo
"Mensalão - Câmara começa a discutir cassação de Genoino"

Dilma manifesta ‘preocupação humanitária’ com saúde de petista preso

Presidente diz que tem convicções, mas que não comentará sentenças do STF enquanto estiver no cargo. A Mesa da Câmara começa a analisar hoje se abre processo de cassação do deputado licenciado José Genoino (PT-SP), condenado no mensalão e preso na Papuda. O STF condenou os mensaleiros à perda automática de mandato, mas mudou de ideia ao julgar outros parlamentares. A presidente Dilma disse ontem ter "preocupação humanitária" com a saúde de Genoino e que ficou presa com a mulher dele.

O Estado de S. Paulo
"Câmara quer levar cassação de Genoino ao plenário"

Decisão desafia STF, que havia determinado perda automática do mandato; deputado quer aposentadoria 

Mensalão – O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), desafiou o Supremo Tribunal Federal (STF) e convocou para hoje reunião da Mesa Diretora para levar ao plenário a decisão sobre a cassação do mandato do deputado José Genoino (PT-SP), preso desde sexta-feira por sua condenação no processo do mensalão. O STF havia decidido que a Câmara deveria apenas decretar a perda de mandato dos condenados, mas o comunicado oficial da Corte não trouxe a ordem expressa e o tema será debatido novamente pelo tribunal. Apesar da convocação de Alves, é preciso que a maioria da Mesa Diretora vote a favor da proposta para que o processo seja iniciado. Para deputados do PT, a medida poderia ser tomada apenas após o julgamento dos embargos infringentes. Genoino, que está em licença médica por ter se submetido a uma cirurgia cardíaca, requereu aposentadoria por invalidez em setembro. Se concedida, o processo será encerrado.

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quarta-feira, novembro 20, 2013

Dominique


Opinião

A oposição desconectada

O Estado de S.Paulo
Perto de 2/3 dos entrevistados na mais recente pesquisa eleitoral do Ibope querem que o próximo presidente mude "totalmente" ou "muita coisa" na maneira de governar o País. Mas, no menos favorável dos cenários para Dilma Rousseff, apenas 1/3 votaria em candidatos oposicionistas se a eleição fosse agora. Com a agravante de que, só por uma mudança a esta altura inconcebível do quadro sucessório, nenhum deles estará nas urnas eletrônicas em outubro do ano que vem. São os adversários da candidata de Lula em 2010, José Serra e Marina Silva, ele com 17% das intenções de voto, ela com 15%, indicando que devem a sua relativa popularidade ao recall - a lembrança da eleição passada.

Já o cenário mais provável é também o mais animador para Dilma. Ante o tucano Aécio Neves e o socialista Eduardo Campos, ela subiu dois pontos da sondagem anterior, em outubro, para a atual, em que aparece com 43%, acentuando o seu favoritismo e a possibilidade de se reeleger no primeiro turno. A aprovação ao seu governo também se sustenta. O senador mineiro continua onde estava, com 14%, e o governador pernambucano caiu de 10% para 7%. O tropeço nem serve de alento para Marina, que se filiou ao PSB quando não conseguiu registrar como partido a sua Rede Sustentabilidade e há de guardar em algum recanto da "aliança programática" com Eduardo Campos o sonho de vir a ser ela, afinal, a encarnação da nova política que anunciam.

Isso porque, na hipótese em que a ambientalista substitui o governador (e Serra toma o lugar de Aécio), o seu desempenho sofreu em um mês um tombo de 6 pontos - de 21% para 15%. A razão só pode ser uma: Marina deixou a ribalta do noticiário, onde foi parar ao aderir à sigla de Campos e onde parecia se firmar ao se tornar a crítica mais audível da gestão Dilma, a ponto de carimbá-la como "retrocesso". Superada, aparentemente, a fase de "sabor do mês" de Marina, o eleitorado de que a amostra seria representativa voltou ao ponto de partida: Dilma em viés de crescimento, Aécio estável.

À parte o fato ofuscante de que 11 meses ainda separam os brasileiros do dia em que irão exercer o mais importante dos seus direitos políticos - tempo de sobra, antes de tudo, para reduzir às devidas proporções o prognóstico de vitória de Dilma já na primeira rodada -, o que mais chama a atenção nos números do Ibope é o paradoxo que deles emerge: de cada 10 eleitores que querem que muito ou tudo mude no governo, 3 associam a preferência pela presidente ao seu desejo de mudança; ou, dito de outro modo, de cada 10 "votos" de Dilma, 4 lhe foram dados pelos mudancistas. E isso numa quadra do mandato da presidente em que sobressai a sua incapacidade de promover mudanças - a não ser para pior.

Não se diga que o povo é bobo. O povo simplesmente olha em volta e não vê na oposição quem assuma a sua demanda: dos insatisfeitos com o modo como o Brasil é conduzido, 44% não têm candidato. Ou, pior ainda, o povo não identifica a oposição como motor de mudanças. O que os oposicionistas dizem e fazem está desconectado da população. Anteontem, numa reunião em que os oito governadores do PSDB e o ex-presidente Fernando Henrique declararam a céu aberto apoio à candidatura Aécio, ele proclamou que o partido "está pronto no ano que vem (sic) para apresentar ao Brasil uma nova proposta". O eleitor que espere, enquanto a presidente toca a todo vapor a sua campanha.

Os tucanos deram ao evento um nome - "Federação Já, Poços de Caldas+30" - que não dispensa explicações. De um lado, trata-se de uma convocação, capaz de sensibilizar somente os conhecedores, pela desconcentração fiscal do País. De outro, não menos hermeticamente, alude ao encontro em que os então governadores Tancredo Neves e Franco Montoro, na mesma cidade, deram a largada à campanha das Diretas Já, em 1983.

Tamanha a distância entre o que aglutina os tucanos e o que interessa ao cidadão comum, que a sempre referida parcela não desprezível do eleitorado reage como se lesse na bandeira oposicionista a inscrição "Nada a declarar" - e, abaixo, em letras miúdas, "que você consiga entender".

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 20 / 11 / 2013

O Globo
"Nova ameaça - Mortes por dengue dobram no país"

Vítimas passaram de 292, em 2012, para 573 este ano. Situação do Rio é de alto risco

Mapa da doença revela que 63% dos casos estão no Sudeste. Levantamento do Ministério da Saúde revela que, este ano, o número de mortes em decorrência da dengue já é de 573, um crescimento de 96% em comparação ao total de 2012 (292 registros). Os casos graves da doença passaram de 3.957 para 6.566 (aumento de 65%). Metade dos municípios pesquisados no país apresenta risco ou grau de alerta para a dengue. A maioria dos casos da doença foi registrada no Sudeste. No Estado do Rio, foram notificados 217.885 casos suspeitos, com 57 mortes confirmadas. Em 11 municípios fluminenses, entre eles a capital, Niterói e São Gonçalo, o índice de infestação do Aedes aegypti é considerado de alto risco.

O Estado de S. Paulo
"Para acalmar mercado, Dilma faz pacto contra gastos"

Acordo com líderes no Congresso é uma tentativa de mostrar compromisso com a austeridade fiscal

A presidente Dilma Rousseff e líderes de partidos da base aliada no Congresso firmaram ontem um pacto para evitar a aprovação de novos cortes de impostos e gastos sem previsão orçamentária. O acordo é uma tentativa de passar ao mercado e a investidores estrangeiros uma mensagem de compromisso com a austeridade fiscal. Em reunião no Palácio do Planalto, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, argumentou que há risco inflacionário e possibilidade de redução da nota de crédito do Brasil por agências internacionais para convencer os parlamentares a assumir o compromisso. Apesar da situação confortável em pesquisas eleitorais para 2014, Dilma vem enfrentando críticas na área econômica e o governo tem sido visto pelo mercado como “gastador”.

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terça-feira, novembro 19, 2013

Dominique


Opinião

A política interfere na educação

O Estado de S.Paulo
Quatro meses depois de a Prefeitura de São Paulo ter alterado o regime de aprovação da rede municipal de educação, acabando com o regime de aprovação continuada, dividindo o ensino fundamental em três ciclos e autorizando reprovações nas séries finais dos dois primeiros ciclos e em todas as séries do último ciclo, o governo do Estado de São Paulo anunciou uma política semelhante. A partir de 2014, os alunos da rede pública estadual poderão ser reprovados em pelo menos três séries do ensino fundamental.

Até agora, a reprovação era prevista apenas na 5.ª e 9.ª séries na rede estadual. Nas demais séries, os alunos podiam ser aprovados automaticamente, mesmo recebendo notas baixas. Introduzido em 1997, na gestão Mário Covas, esse regime foi adotado sob a justificativa de que as reprovações em cada série desestimulavam os alunos, levando-os a abandonar a escola. Desde então, a aprovação continuada tem sido objeto de intensos debates no Conselho Nacional de Educação e sofrido contundentes críticas de pedagogos, que afirmam que o modelo forma estudantes incapazes de ler textos simples e fazer as quatro operações aritméticas.

Mudanças no regime de aprovação continuada vêm sendo reivindicadas há muito tempo - há alguns anos, por exemplo, o Ministério Público, um grupo de pedagogos e uma associação de pais de alunos da cidade de Várzea Paulista, próxima da capital, impetraram recurso judicial para suspender o modelo. A reformulação do regime de aprovação continuada finalmente começou a ser feita, mas, infelizmente, ela tem sido determinada mais por fatores políticos, por causa das disputas eleitorais entre o PSDB e o PT, do que por critérios pedagógicos ou didáticos.

Com o olhar sempre voltado para a próxima campanha eleitoral, PSDB e PT copiam, uns dos outros, as mesmas iniciativas em matéria de política educacional. Na década de 2000, por exemplo, quando o governo do presidente Lula multiplicou o número de universidades federais, o governador Geraldo Alckmin determinou a expansão da USP e instalou a Escola de Artes, Ciências e Humanidades numa área próxima a Guarulhos, um dos redutos eleitorais do PT na região metropolitana. Quando a USP aumentou o número de cursos interdisciplinares, para acompanhar as mudanças de um mercado de trabalho cada vez mais complexo, o governo federal criou instituições de ensino superior voltadas às novas profissões surgidas com o desenvolvimento da tecnologia.

O mesmo ocorreu com o ensino técnico. À medida que o governo paulista - sob gestão tucana - investiu na expansão do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, ampliando o número de unidades e de cursos das Fatecs, o governo federal - sob gestão petista - reorganizou há cinco anos a antiga Escola Técnica Federal de São Paulo. Convertida em autarquia, ela conta com 28 mil alunos matriculados em 28 campi.

A ênfase de tucanos e petistas na área da educação poderia beneficiar um setor estratégico para o futuro do País, caso as políticas e os programas fossem formulados articuladamente. Infelizmente, não é esse o caso. O regime de progressão continuada, por exemplo, foi implementado de forma desastrada, sem maior envolvimento dos professores e pais de alunos. Estudantes com bom aproveitamento são colocados em salas superlotadas ao lado de alunos que não conseguem acompanhar as aulas, por falta de conhecimentos básicos. Já a União abriu instituições de ensino onde não havia demanda. Matriculou alunos antes de construir instalações adequadas. Forçou universidades e cursos técnicos a criar cursos noturnos sem maior rigor pedagógico. E contratou mais professores sem que houvesse candidatos qualificados nos concursos públicos.

Não é por acaso que, apesar de o acesso à escola ter se ampliado nos últimos anos, a qualidade da rede pública de ensino continua insatisfatória, como mostram as avaliações do Ideb, Pisa, Enem e outros sistemas de avaliação.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 19 / 11 / 2013

O Globo
"Genoino e Delúbio dividem cela com mais dois"

Juiz ordenou transferência para unidade de regime semiaberto na Papuda

Presos ficam proibidos de sair para trabalhos externos até que pedidos nesse sentido sejam analisados pela Vara de Execuções Penais; Marcos Valério e mais três estão em celas individuais em carceragem para regime fechado. Os condenados do mensalão já presos por determinação do Supremo Tribunal Federal foram transferidos ontem da carceragem da Polícia Federal na Papuda para outras unidades dentro do mesmo complexo penitenciário, em Brasília. O ex-ministro José Dirceu, o deputado José Genoíno e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares passaram a dividir com Jacinto Lamas (ex-tesoureiro do PL) e Romeu Queiroz (ex-deputado pelo PTB) a mesma cela numa área destinada a presos do regime semiaberto. O juiz da Vara de Execuções Penais proibiu que eles saiam para trabalhos externos até que pedidos nesse sentido sejam analisados. Outros quatro detentos — Marcos Valério, Crístiano Paz, Ramon Ilollerbach e José Roberto Salgado — foram levados a celas individuais na Papuda para cumprir a pena em regime fechado.

O Estado de S. Paulo
"Dirceu, Genoino e Delúbio vão para ala de regime semiaberto"

Transferência dos condenados no mensalão para centro de reeducação da Papuda ocorre após pressões políticas de líderes do PT e do ex-presidente Lula

O ex-ministro José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-tesoureiro Delúbio Soares foram transferidos ontem para o regime semiaberto dentro do Complexo da Papuda por decisão do juiz Ademar Silva de Vasconcelos, da Vara de Execuções Penais do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. A medida foi anunciada ao fim de um dia marcado por pressões políticas de dirigentes do partido para que os petistas deixassem o regime fechado. Eles foram transferidos, com Jacinto Lamas e Romeu Queiroz, para o Centro de Internamento e Reeducação, sem benefícios externos. Os empresários Marcos Valério, Cristiano de Mello Paz, José Roberto Salgado e Ramon Hollerbach continuarão em regime fechado. Os advogados de Delúbio, Dirceu e Genoino devem entrar com pedido para que eles sejam transferidos para o Centro de Progressão Penitenciária. Em reunião com senadores, a presidente Dilma Rousseff manifestou “grande preocupação” com a saúde de Genoino.

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segunda-feira, novembro 18, 2013

Dominique


Opinião

Rumo à tempestade perfeita

O Estado de S.Paulo
Para evitar uma tempestade perfeita, a presidente Dilma Rousseff terá de apertar no próximo ano a gestão das contas públicas, disse o professor e ex-ministro Antonio Delfim Netto em entrevista ao Broadcast, serviço online da Agência Estado. Inventada para designar uma catástrofe natural causada pela rara conjunção de várias condições meteorológicas adversas, essa expressão tem sido usada, principalmente em inglês, para indicar desastres econômicos resultantes da confluência de uma porção de eventos negativos. Uma tempestade perfeita para o Brasil, em 2014, poderia nascer da combinação de um aperto na política monetária americana, uma deterioração das contas externas, uma depreciação cambial exagerada e uma forte desconfiança em relação à política fiscal.

Essa desconfiança já está presente, reflete-se no prêmio de seguro cobrado nas transações com títulos públicos brasileiros e pode aumentar nos próximos meses, por causa das pressões, típicas de períodos eleitorais, por maiores gastos do governo. A presidente Dilma Rousseff, segundo o economista, tem noção do risco, é pragmática e tem como evitar a piora das contas públicas.

Quanto ao pragmatismo, é justo acrescentar, tem sido demonstrado principalmente quando se trata da imagem popular e de interesses eleitorais, como tem sido demonstrado pelas políticas de controle de preços de combustíveis, de redução das contas de luz e de corte das tarifas de transporte público. Essas iniciativas frearam a alta dos índices de preços por algum tempo, mas nunca eliminaram os focos de pressões inflacionárias e, além disso, envolveram pesados custos fiscais. Sem esses e muitos outros detalhes negativos, seria muito mais fácil concordar com a imagem de uma governante pragmática na condução da política econômica e, de modo especial, na gestão orçamentária.

As preocupações em relação às contas públicas e à economia brasileira são neste momento exageradas, segundo o professor Delfim Netto. Mas o governo, acrescenta o ex-ministro, tem de agir com firmeza e de modo claro para induzir o mercado a uma avaliação menos pessimista do quadro nacional. A ação deve incluir, segundo ele, um compromisso bem definido com um superávit primário - o dinheiro separado para o serviço da dívida pública - equivalente a 2% do Produto Interno Bruto (PIB). Neste ano, de acordo com o ex-ministro, esse superávit mal chegará a 1,5% do PIB. Esse resultado, segundo ele, será suficiente para controlar o endividamento, se o PIB crescer em torno de 2% em 2014 e o juro real pago pelo governo ficar em 4% ao ano.

O cenário esboçado pelo ex-ministro parece realista, com um crescimento muito moderado, inflação próxima de 6% e taxa básica de juros na altura de 10% ou pouco acima. Mas até essas avaliações podem revelar-se otimistas, se os principais indicadores da economia continuarem evoluindo como nos últimos meses.

Os números da inflação voltaram a crescer rapidamente nos últimos meses, depois de esgotados os truques. A piora das contas públicas acelerou-se e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, já desistiu de compensar o fraco resultado de Estados, municípios e estatais. Esse critério deve ser mantido em 2014. Além disso, nada garante a repetição de receitas extraordinárias, como os R$ 15 bilhões do bônus no leilão do Campo de Libra. A presidente poderá ser forçada a um ajuste doloroso para reconquistar a confiança.

Enfim, nada prenuncia um crescimento muito maior que o deste ano. O recém-divulgado Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) mostrou um terceiro trimestre mais fraco que o segundo. Sem confiança, os empresários continuarão investindo pouco. O investimento público só aumentará de forma significativa se as novas licitações na área de infraestrutura derem mais certo que as anteriores. Isso dependerá mais do governo que dos candidatos. Enquanto isso, as contas externas afundam.

Começar a reação pelo compromisso fiscal, como sugeriu o ex-ministro, parece boa ideia. Difícil é apostar na regeneração de um governo populista em ano de eleição.

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 18 / 11 / 2013

O Globo
"Barbosa deve ordenar prisão de mais sete réus"

Desses, Roberto Jefferson é o único que já não pode mais apresentar recursos

Genoino passa mal pela terceira vez desde que foi preso e faz apelo pelo Twitter. Advogados criticam transferência para Brasília e descumprimento do regime semiaberto, e dizem que vão recorrer. O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, pode decidir, a partir de hoje, executar as sentenças de outros dez mensaleiros condenados. Desses, sete podem ter prisão decretada nos próximos dias. Entre eles estão o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), que não pode mais apresentar recursos, e os deputados Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT). Há ainda três condenados que cumprirão penas alternativas.

O Estado de S. Paulo
"Dirceu fala em ‘ilegalidade’ e cobra regime semiaberto"

Ex-ministro, preso na Papuda, diz que está sendo mantido em sistema diferente do determinado em sua pena

O ex-ministro José Dirceu afirmou que está sendo submetido a uma ilegalidade por ficar preso em cela no complexo da Papuda, em Brasília. “Mesmo diante de uma decisão injusta, me submeti ao cumprimento da lei, mas não estão cumprindo a lei para mim”, disse Dirceu, segundo seu advogado Rodrigo Dell’Acqua.

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domingo, novembro 17, 2013

Dominique


Opinião

Fascismo!

ROBERTO ROMANO - O Estado de S.Paulo
A linguagem política e ideológica vive de lugares-comuns, cuja significação é indefinida. Em agrupamentos nos quais imperam os slogans, o discurso é sempre equívoco. Nos debates jornalísticos e acadêmicos dos últimos dias, um signo retorna com força. Refiro-me ao apelativo "fascismo". Antes, faço uma pequena digressão.

Os slogans importam porque integram as técnicas de poder. Como enuncia uma psicanalista, "toda prática linguística repetitiva veicula uma potência de hipnose que leva o indivíduo rumo a comportamentos sociais ou mentais estereotipados" (Shoshana Felman). A cultura política conhece a fina observação de Thomas Hobbes: na maioria das pessoas "o costume tem um poder tão grande que, se a mente sugere uma palavra inicial, o resto das palavras segue-se pelo hábito, e elas não são mais seguidas pela mente. É o que ocorre entre os mendigos quando rezam seu paternoster. Eles unem tais termos com os que aprenderam de suas babás, companhias ou professores e não têm imagens ou concepções na mente para responder às palavras que enunciam. Como aprenderam, ensinam a posteridade" (The Elements of Law).

A ética expõe formas de pensamento e de ação que se tornaram automáticas. Uma vez prescrito e interiorizado, certo modo de ser é repetido sem maiores reflexões. Caso a pedagogia se fundamente em valores positivos, a vida pública se beneficia. Se ocorre o contrário e o ensino segue parâmetros corruptos, os indivíduos e associações que os assumem arruínam a sociabilidade. Gritar um lugar-comum entra no rol dos automatismos éticos desprovidos "de imagens ou concepções".

Com o domínio do slogan, um religioso grita "fascismo" sempre que prerrogativas ou privilégios de sua grei são postos em dúvida. Se um conservador enfrenta críticas sobre as tradições a que se apega, logo ergue o grito de "fascismo" contra os oponentes. Quando as esquerdas não conseguem controlar setores opostos aos seus alvos, a palavra que vem aos lábios dos militantes é... fascismo. E assim por diante.

George Orwell, atacado por todas as facções políticas de sua época, tem um instrutivo escrito sobre o tema. Ele inicia com o mais óbvio: "A leitura atenta da imprensa mostra que, praticamente, nenhuma categoria de indivíduos deixou de ser qualificada de fascista". O mais relevante, no meu entender, encontra-se na seguinte tese do autor: "Mesmo os que lançam a palavra 'fascista' para todos os ventos lhe atribuem, no mínimo, um significado emocional. Por 'fascismo' eles entendem, grosso modo, algo cruel, sem escrúpulos, arrogante, obscurantista, antiliberal e contrário à classe operária".

Termina Orwell indicando ser impossível encontrar uma definição do fato que seja aceita por todos. "É impossível definir o fascismo de modo satisfatório sem admitir certas coisas que nem os próprios fascistas, nem os conservadores, nem os socialistas de todas as cores estão dispostos a admitir. Tudo o que podemos fazer, agora, é usar a palavra com certa circunspecção, e não, como se faz geralmente, rebaixá-la ao nível da injúria" (What is Fascism?, 1944).

Pouco antes, os intelectuais da França alertaram os europeus contra o terror fascista. E fizeram um diagnóstico preciso do fenômeno. O fascismo, disseram, "suprime todas as liberdades; retira dos indivíduos toda possibilidade legal de exprimir livremente sua opinião. As liberdades de reunião, de associação são anuladas. Não mais existe liberdade de ensino nem de imprensa. Tais liberdades não são respeitadas por nenhuma ditadura. Mas a fascista se caracteriza por uma técnica aperfeiçoada de opressão, completa, metódica e implacável. Nos primeiros tempos da ditadura os golpes, os assassinatos, o terror são os principais meios de controle. Mas os meios legais rapidamente se desenvolvem, sempre sancionados, aliás, por uma repressão ignóbil" (O que é o Fascismo?, Manifesto de intelectuais em 1935. O documento original pode ser lido em Gallica.bnf.fr/).

Orwell e os intelectuais franceses, embora empenhados na luta contra o terror fascista, refletiram sobre ele sem cair na repetição automática do nome, à guisa de exorcismo ou injúria. As coisas "que nem os próprios fascistas" e seus adversários admitiriam vieram com o Holocausto, a morte industrializada sob comando de burocratas movidos por slogans. O fascismo, até no seu nome de batismo, é ameaça demasiado terrível e não deve ser admitido na luta política democrática. A banalização do uso atenua a sua essência, dissimula seu advento.

No Brasil, em vésperas de eleição decisiva para todos nós (em todos os matizes ideológicos), ensaiemos a forma e o conteúdo democráticos. Não existem, numa sociedade civilizada, inimigos políticos a serem perseguidos ou injuriados, mas seres que refletem e divergem quanto aos fins e aos meios na edificação do bem comum.

Ao falar do fascismo no prefácio do amaríssimo Animal Farm, o mesmo Orwell proclama: "Se a liberdade tem algum sentido, ela significa o direito de dizer ao povo o que ele não quer ouvir". Assim opera o pensamento político. O uso da propaganda para exterminar inimigos é a via reta para os fascismos. Os povos dominados por aqueles movimentos e partidos só ouviram os seus mestres. As sociedades desfeitas pelas injúrias foram tragadas pelas palavras imprudentes ou por slogans gastos nas batalhas pelo poder.

O fascismo não admite distinções entre esquerda e direita, pois exige obediência absoluta às palavras de ordem do partido único. Quem perde a liberdade de enunciar "o que o povo não quer ouvir" é visto como besta-fera a ser perseguida. Fantasmas invocados costumam atender às preces dos aprendizes de feiticeiro, trazendo pesadelos coletivos.

Circunspeção diante da palavra e da coisa!

*PROFESSOR DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS (UNICAMP), É AUTOR DE 'O CALDEIRÃO DE MEDEIA' (PERSPECTIVA)

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 17 / 11 / 2013

O Globo
"Ano eleitoral começará à sombra dos escândalos"

Julgamentos de casos de corrupção envolvendo partidos estão previstos para 2014

Julgamentos previstos para o primeiro semestre do ano que vem, ainda devem provocar desgaste em PT e PSDB. A cúpula petista avalia que a antecipação das prisões no mensalão amenizará o impacto do caso na reeleição de Dilma.

O Estado de S. Paulo
"Pizzolato foge para a Itália; condenados vão para presídio"

Ex-diretor do Banco do Brasil diz que fez valer seu ‘legítimo direito de liberdade’ - Delúbio, ex-tesoureiro do PT, foi o 11° a se entregar - Dirceu, Genoino, Valério e demais presos foram levados para a Papuda, em Brasília

O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado a 12 anos e 7 meses de prisão no mensalão, fugiu para a Itália, segundo informou seu advogado. Ele tem dupla cidadania e teria fugido pelo Paraguai há 45 dias. Em carta, Pizzolato disse que decidiu “fazer valer o legítimo direito de liberdade” e quer novo julgamento, na Itália. Anteontem, o presidente do STF, Joaquim Barbosa, expediu 12 mandados de prisão. Pizzolato foi o único a não se entregar e é considerado foragido. Seu nome foi incluído na lista da Interpol. O Brasil não tem tratado de extradição com a Itália. Pela manhã, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, condenado a 8 anos e 11 meses de prisão, entregou-se à PF. Ele disse que foi submetido a um “julgamento de exceção”. Os condenados chegaram a Brasília e foram encaminhados para a penitenciária da Papuda, apesar dos protestos de advogados. Kátia Rabello e Simone Vasconcelos estão no Presídio Feminino do Distrito Federal. Os presos ficarão à disposição da Vara de Execuções Penais do DF até que a Justiça determine o local definitivo do cumprimento de pena.

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