sábado, outubro 19, 2013

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Opinião

A greve de Libra pega a maré

O Estado de S.Paulo
A greve dos petroleiros contra o leilão do Campo de Libra, na Bacia de Santos - a primeira licitação de área do pré-sal - não é um raio em céu azul no Brasil de hoje. Nem a sua anunciada manifestação diante do hotel carioca onde o evento se realizará segunda-feira é um caso especial na sequência de atentados ao direito alheio, em protestos contra tudo e nada ou em nome de demandas que vão do razoável ao delirante, sem esquecer daquelas concebidas às pressas para aproveitar a onda.

Precavido, o governo do Rio pediu socorro ao Exército para prevenir novas violências dos vândalos que têm feito o diabo nas cidades brasileiras e não gostariam de perder uma ocasião como essa. Com a PM fluminense confessadamente exausta depois de 90 dias enfrentando a bandidagem dos black blocs, a presidente Dilma Rousseff invocou a Garantia de Lei e Ordem (GLO) que autoriza a força militar a policiar de forma "esporádica e temporária" locais sujeitos a distúrbios.

Por enquanto, os dirigentes da Federação Única dos Petroleiros (FUP) se mostram mais aptos a prejudicar a mesma Petrobrás que gostariam que monopolizasse o pré-sal do que em justificar a oposição às regras da exploração dessa frente pioneira no setor. Na quinta-feira, a FUP conseguiu parar o trabalho em 15 plataformas na Bacia de Campos (que responde por 80% da produção nacional). Em 24 outras, a Petrobrás foi obrigada a mobilizar equipes de contingência para manter as operações. Refinarias e centros de distribuição em 16 Estados também foram afetados.

O diretor da FUP, Francisco José de Oliveira, alega que os R$ 15 bilhões a serem recebidos pela União do consórcio vencedor de Libra, a título de "bônus da assinatura", não passam de uma "gorjeta". Trata-se de uma enganação. Ele finge ignorar que isso é apenas o começo do negócio. No sistema de partilha adotado, a propriedade do óleo extraído é da União, que devolverá ao grupo vitorioso uma porcentagem do produto. Arrematará o campo quem oferecer a maior parcela de óleo à União - nunca inferior a 41,65% da produção. E todos os consórcios terão a Petrobrás como sócia. Aliás, a União é que vai arcar com os 30% que a estatal terá de investir na operação.

O conto da "privatização" de Libra só é verdade para aqueles cuja inclinação para o ativismo é inversamente proporcional ao grau de informação sobre o que os leva às ruas e a atacar instalações públicas. É, notoriamente, o caso dos estudantes que tomaram a sede da Reitoria da USP e costumam terceirizar o quebra-quebra no câmpus a marginais das favelas próximas. Mesmo os mais comedidos entre eles apenas conseguem balbuciar generalidades sobre o que precisaria mudar no regimento da instituição, além do voto risonho e franco para a escolha do reitor.

O quadro é desanimador. Na semana passada, um juiz negou o pedido de reintegração de posse da Reitoria (cujas portas haviam sido arrebentadas a machadadas), culpando o titular da instituição por sua recusa a "iniciar um debate democrático" e considerando de "pequena monta" os danos causados ao edifício. Acusou ainda a USP de fazer "uma opção clara pelo uso da força" por ter recorrido à Justiça. Dias atrás, um desembargador deu 60 dias para os alunos desocuparem a Reitoria, pois ela "pode funcionar provisoriamente em outro local".

A leniência com a ilegalidade parece estar criando uma versão nativa da "novilíngua" do escritor George Orwell (1903-1950). Pessoas cuja formação permite que delas se cobre um mínimo de respeito à lógica, se o decoro intelectual for de todo impossível, falam com a maior naturalidade em "invasão pacífica". A contradição em termos é usada para inocentar os que exercem perversamente o direito à cidadania e às liberdades civis, "entrando sem bater", como diria o Barão de Itararé, em repartições de governo.

Na mesma linha, porém ainda pior, há quem classifique de "simbólica" a violência dos black blocs, como se ela transcorresse no rarefeito mundo das ideias, não destruísse patrimônio material nem ferisse eventualmente pessoas de carne e osso que tenham tido a desfortuna de estar no lugar errado na hora errada. Já a provocada violência do Estado nunca será simbólica - e sempre será "excessiva".

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 19 / 10 / 2013

O Globo
"Lula condena máscara e depredação em protestos"
 

Ex-presidente afirma que comandou passeatas sem esconder o rosto

Para petista, só pela política é possível resolver problemas, e o restante se assemelha ao nazismo. Diante da violência de vândalos que interrompem protestos pacíficos, o ex-presidente Lula condenou a depredação de patrimônio e o uso de máscaras. Em evento no Rio, afirmou: "Nunca coloquei uma máscara, porque nunca tive vergonha do que fiz." Defendeu a política e disse que, fora disso, é fascismo, nazismo ou ditadura. Em SP, voltou ao tema: "Fiz as maiores passeatas e nunca quebramos nada. Temos que respeitar o patrimônio dos outros.”


O Estado de S. Paulo
"Ações tentam barrar leilão do pré-sal na Justiça"
 

AGU contabilizava ontem à noite 19 pedidos de liminar para impedir evento de 2ª-feira; sete foram indeferidos

A dois dias do leilão do campo de Libra, o primeiro a ser negociado no pré-sal, um grande volume de ações contrárias à licitação chegou aos tribunais brasileiros. De acordo com a Advocacia-Geral da União (AGU), até a noite de ontem havia 19 ações em todo o País com pedido de liminar para a suspensão do leilão. Dessas, sete já haviam sido julgadas e indeferidas pelos juízes. Os funcionários da Petrobrás também intensificaram protestos contra a realização do leilão, marcado para segunda-feira em um hotel do Rio. O Exército fará proteção do local. De acordo com a Federação Única dos Petroleiros (FUP), ligada à CUT, aumentou a adesão à greve iniciada na quinta-feira, com paralisação de 90% a 100% dos trabalhadores em algumas unidades operacionais.


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sexta-feira, outubro 18, 2013

Tudo bem, bicho?


Coluna do Celsinho

Chave do cofre

Celso de Almeida Jr.

Com o fim da greve dos bancários, fico pensando o que os espera.

Os bancos, bons de propaganda, ótimos de faturamento, ao que tudo indica, continuarão enxugando o quadro de funcionários.

Estes, sobrecarregados, merecem maiores salários e melhor estrutura de trabalho.

Os banqueiros, por sua vez, preocupam-se mais com os investimentos em automação, apesar das filas não cederem.

O grande público, sem retaguarda, fica refém de um sistema ganancioso e com poderes ilimitados.

Nesta queda de braços, entre banqueiros e bancários, vi poucas autoridades tomarem partido; manifestarem-se sobre o precário atendimento das agências em geral.

Poucos tem coragem de magoar os donos da chave.

Muitos sonham com os seus mimos...

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

O Enem de 2013

O Estado de S.Paulo
Marcado para os dias 26 e 27 deste mês e com cerca de 7,1 milhões de inscritos, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) mais uma vez será realizado em meio a uma polêmica sobre as implicações políticas de suas perguntas e os critérios de correção - principalmente o da prova de redação. Nas últimas edições, algumas questões foram formuladas com nítido viés ideológico, avaliando não o conhecimento dos alunos, mas sua opinião com relação a temas como direitos humanos e identidade sexual, por exemplo. No caso da redação, a falta de domínio das normas cultas do idioma não foi levada em conta na definição das notas.

Redações com erros grosseiros de ortografia - como "enchergar", "rasoavel" e "trousse"- e de acentuação, pontuação e concordância obtiveram a nota máxima na prova de 2012. Na época, vários pedagogos afirmaram que a concessão de nota máxima a quem não tem mérito leva os estudantes a se acomodarem e estimula a banalização da língua portuguesa, impedindo a formação de profissionais capazes de se comunicar corretamente. Refutando a crítica, o Ministério da Educação afirmou que a tolerância com erros de português decorreu da "consideração de ser o participante do Enem, por definição, um egresso do ensino médio, ainda em processo de letramento na transição para o nível superior".

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, prometeu mais rigor no Enem de 2013, afirmando que os corretores da prova tolerarão apenas "desvios pontuais" para a concessão de nota máxima. A divulgação do Guia do participante - a redação no Enem de 2013, contudo, mostra que a promessa dificilmente será cumprida. Com relação ao guia do ano passado, por exemplo, as menções a erros "mais graves", "graves" e "leves" foram suprimidas. Algumas redações a título de ilustração também contêm problemas de acentuação, erros de concordância e uso inadequado de palavras.

Para as autoridades educacionais, por ser mais conciso do que o do ano anterior, o guia de 2013 é "mais objetivo e rigoroso". Elas também afirmaram que os dois guias não poderiam ser comparados, pois foram formulados com base em editais distintos.

"Quando não sou muito conciso, dou margem a interpretações como as que vocês da imprensa questionaram, e, em alguns pontos, devidamente. Os corretores vão se basear no edital e na objetividade do texto. Se acharem excepcionalidade e não repetição (no erro), muito bem. O guia tem de ser aprimorado ao longo do tempo", diz Luís Cláudio Costa, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pela aplicação do Enem.

Para os pedagogos, o problema não está no aprimoramento do guia, mas na continuidade da leniência do Inep com a falta de domínio da norma-padrão da língua escrita.

"O Inep está dizendo explicitamente aos candidatos que um erro será perdoado. Quando digo que o Inep reforça a impressão de que o objetivo é subir as notas, estou me baseando nos números do Enem e comparando-os com o desempenho desses mesmos alunos em outros exames. Basta examinar os textos dos participantes do Enade para ver que o caos redacional impera", diz Claudio Henriques, titular de Língua Portuguesa do Instituto de Letras da UERJ, depois de enumerar erros cometidos, como "egnorancia" e "bule" (bullying).

"Não pode haver maior ou menor rigor linguístico. A norma existe e deve ser obedecida. Erro de concordância é gravíssimo. Como posso ter um sujeito no plural e o verbo no singular? Se os candidatos não forem capazes de se fazer entender na língua materna, como terão condições de adquirir outros conhecimentos? Nivelaremos sempre por baixo?", pergunta o professor Jerônimo de Moraes Neto, da UFRJ.

Infelizmente, essa tem sido a sina do Enem. Em vez de valorizar apenas o conhecimento e o mérito, a avaliação faz concessões a "variantes linguísticas" e outros modismos pedagógicos, comprometendo sua credibilidade.

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 18 / 10 / 2013

O Globo
"Mesmo com acordo nos EUA, dólar cai no mundo"
 

Impasse no Congresso pode custar US$ 206 bilhões em perda de crescimento econômico

A decisão do Congresso americano de aprovar, na última hora, um plano para que o governo Obama voltasse a funcionar e o teto da dívida fosse elevado fez os mercados respirarem aliviados. Apesar disso, a moeda americana desabou no mundo. No Brasil, fechou em queda de 0,73%, a R$ 2,159. Frente ao euro, caiu 1,03%, na maior baixa em um mês. Especialistas estimam em US$ 206 bi a perda no crescimento econômico americano este ano e no próximo por causa da queda de braço do governo Obama com o Congresso.


O Estado de S. Paulo
"Greve contra primeiro leilão do pré-sal paralisa refinarias"
 

Protesto contra licitação de Libra deixou sem produção 16 plataformas de Campos; Rio reforça segurança

A quatro dias do leilão do campo de Libra, primeira área de petróleo do pré-sal a ser licitada, greve convocada pela Frente Única dos Petroleiros (FUP), contrária à licitação, paralisou refinarias, plataformas e centros de distribuição da Petrobrás em 16 Estados. De acordo com Francisco José de Oliveira, presidente da FUP, filiada à CUT, a greve deve continuar pelo menos até segunda-feira. Na Bacia de Campos, responsável por 80% da produção nacional, 15 plataformas tiveram o trabalho interrompido, e em outras 24 foram acionadas equipes de contingência. Com cerca de 1,5 mil km², a área de Libra é a maior descoberta de petróleo do País, com reservas estimadas entre 8 bilhões e 12 bilhões de barris. O pico de produção poderá ser de 1,4 milhão de barris/dia.


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quinta-feira, outubro 17, 2013

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Opinião

Pink blocs e romeiros disputam o seu olhar

Eugênio Bucci* - O Estado de S.Paulo
Essa expressão ardilosa, "pink blocs", veio carimbada na primeira página do Estadão de segunda-feira, 14 de outubro: Pink blocs na Parada Gay do Rio. Foi esse o título de um pequeno texto-legenda aos pés de uma fotografia tão ousada quanto imensa, bem pouco usual num diário circunspecto como este aqui. Na foto, desfraldada na metade superior da capa do jornal (com o crédito do fotógrafo Marcos de Paula), dois homens se beijam na boca em pleno sol carioca, tendo ao fundo a bandeira do arco-íris, que simboliza os direitos dos homossexuais.

Calma: dizer que os dois manifestantes se beijam na boca no espaço mais nobre deste sóbrio e centenário matutino talvez seja exagero, posto que os lábios de um não tocam os lábios do outro. Eles têm o rosto coberto por uma camiseta providencial. À moda dos black blocs, estão mascarados, apenas com os olhos à mostra - a diferença é que, enquanto os black blocs preferem tecidos negros, aqueles se valem de panos cor-de-rosa -, de tal maneira que, embora seus rostos se colem na posição inconfundível de um beijo, as camisetas cuidam de impedir maiores intimidades bucais.

E então, o que queriam os beijoqueiros em rosa? Direitos iguais, quem sabe. Ou um pouco de romance, um instante de divertimento. Acima de tudo, porém, eles procuram atrair o seu olhar, caro leitor. Com todo o respeito, eles se movem atrás do seu olhar.

Agora mudemos de jornal, mas não de dia nem de cidade. Fiquemos na mesma metrópole, na mesma segunda-feira, 14 de outubro de 2013. Só que, agora, em lugar da capa do Estadão, voltemos os nossos olhos para a primeira página da Folha de S.Paulo. Também ali temos uma foto de aglomeração humana, mas não mais em Copacabana, não mais de gays estridentes, mas de romeiros, mais silentes, na cidade de Belém. São homens, jovens em sua maior parte, com o semblante carregado, em sinal de fé, de devoção, de respeito - e também de desconforto. Nas ruas e calçadas da capital do Pará, sob o sol equatorial e sob a sombra das mangueiras que despacham mangas mortíferas contra a cabeça dos passantes, erguem os braços para tocar a corda sagrada do Círio de Nazaré.

E, nesse caso, o que buscam os fiéis? A compaixão de Deus, quem sabe. O perdão por pecados indizíveis. A paga de uma promessa por uma graça alcançada. Acima disso, porém, tropeçando nas imperfeições acidentadas do logradouro público, a céu aberto, diante das câmeras de repórteres dos mais longínquos países, eles suplicam pelo olhar do próximo e do distante, querem um pouco do olhar de cada um de nós.

Não, não diga que a analogia é profana, ultrajante e descabida. Numa era como a nossa, em que a imagem impera como o critério definitivo, em que a uma fotografia se atribui o poder de separar o que é verdade do que é mentira, em que a palavra imagem vira sinônimo da palavra reputação (quando se diz que um político ou uma empresa desfrutam uma boa imagem, o que se quer dizer é que esse político ou essa empresa têm uma boa reputação), todos os atos convergem para as câmeras.

Não adianta você argumentar que o Círio de Nazaré vem de uma tradição muito anterior à TV Tupi. As religiões, também elas, com exceções raríssimas, terminaram por se render à linguagem visual, à tirania dos enquadramentos impactantes, comoventes e cafonas. Assim é que as procissões e as romarias, bem como os jogos de futebol, as reuniões do Supremo Tribunal Federal, as revelações científicas, a guerra e o ambientalismo adotam coreografias as mais mirabolantes, com cenografias teatrais, tiradas circenses, efeitos especiais estonteantes e cada vez mais hiperbólicos.

Sim, a analogia procede. Os gays mais militantes e os cristãos mais recolhidos, de todas as cores, de todos os credos, querem apenas ser olhados no espetáculo do mundo. Existir virou sinônimo de ser visível.

Dentro desse cenário (um cenário, de fato), se uma categoria profissional não consegue chamar a atenção dos holofotes, poderá estar fadada à insignificância irreversível. O mesmo vale para um time de vôlei feminino, um laboratório farmacêutico, um povo indígena de Roraima, os astronautas chineses, as comunidades quilombolas, os parlamentares de partidos pequenos, os de partidos grandes, os escritores brasileiros que vão a Frankfurt, os escritores brasileiros que não vão a Frankfurt, os cantores que são contra as biografias não autorizadas e os vendedores de cachorro-quente na novela e na vida real. É para ser olhados que adolescentes fuzilam seus colegas de classe na escola. É para ser olhado que um ator proclama que é bissexual. É para ser olhado que o pastor jura fazer milagres. Quanto mais olhar o sujeito retém, mais valor ele terá.

Em meio a tanta encenação, o olhar da gente é assaltado a toda hora. Um protesto aqui, uma missa acolá, uma briga mais adiante, um strip-tease na outra esquina imploram por olhar, mais ou menos como os torcedores que vão aos estádios - que hoje são estúdios de gravação de programas publicitários tendo uma partida de futebol como pano de fundo - com aqueles cartazes onde se lê: "Filma eu, Galvão". Se os governantes se expressam por meio das técnicas de propaganda, é também como propaganda que os governados querem gritar suas vontades, suas identidades e suas insatisfações. É fazendo cena que eles gritam, e gritam bem alto, em imagens ensurdecedoras. O trio elétrico baiano, o carnaval de Olinda, a Marcha para Jesus e as manifestações de junho são enunciados visuais perfeitamente equivalentes, ainda que pareçam ter motivações distintas.

O seu olhar vale mais do que você pensa. Na realidade performática que nos rodeia, em que cada imagem é um manifesto, o seu olhar é a sua opinião. E aí? O que você vai apoiar com os seus olhos? O Círio de Nazaré ou a Parada Gay? Ou os dois?

*Eugênio Bucci é jornalista e professor da ECA-USP e da ESPM.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 17 / 10 / 2013

O Globo
"Crime e castigo: Lei mais dura leva 70 vândalos para presídios"
 

Presos em protesto são enquadrados por crime organizado, que é inafiançável

Cerco aos black blocs teve o maior efetivo policial desde o início dos protestos. Setenta dos 190 presos nas manifestações violentas da noite de terça-feira no Centro foram indiciados na nova lei do crime organizado, que prevê pena de até oito anos de prisão. Os acusados foram levados para presídios em Bangu e São Gonçalo, já que o crime é inafiançável. Apesar da ação da PM, que mobilizou 1.500 homens no cerco aos black blocs, o maior efetivo já empregado desde o início dos protestos, os vândalos deixaram muita destruição. No fim dos protestos, tiros de arma de fogo foram disparados, mas a polícia ainda tenta identificar os autores.


O Estado de S. Paulo
"Aécio diz que tem "melhores condições’ de derrotar PT"
 

PSDB tenta retomar liderança da oposição e não quer dividir palanque com Campos e Marina nos Estados

Pré-candidato à Presidência da República e no comando do PSDB, o senador Aécio Neves (MG) reuniu ontem a bancada do partido na Câmara para construir um discurso que coloque os tucanos como real alternativa ao PT nas eleições de 2014. Pressionado pelo cenário eleitoral que desenha uma disputa pela vaga no segundo turno com a chapa de Eduardo Campos e Marina Silva, Aécio disse não concordar que governadores e candidatos tucanos façam campanha para os adversários em eventuais palanques duplos. Para ele, as circunstâncias regionais não devem contaminar o objetivo nacional de encerrar o ciclo do PT. Em um almoço com 44 dos 46 deputados federais tucanos, Aécio disse que o PSDB precisa explorar suas experiências no governo federal, nos Estados e nas prefeituras e apresentar propostas de um novo modelo de política econômica que gere mais crescimento.


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quarta-feira, outubro 16, 2013

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Opinião

O ataque ao PCC

O Estado de S.Paulo
Agora que a investigação do Ministério Público Estadual (MPE) escancarou o tamanho e o poder verdadeiros do Primeiro Comando da Capital (PCC) - ambos muito maiores do que deixavam entender as avaliações otimistas do governo -, é preciso iniciar o quanto antes um ataque sem trégua a essa organização criminosa, que representa um desafio intolerável à autoridade do Estado. Não se está com essa afirmação exagerando a gravidade da situação.

Prova disso é que, como se não bastasse a enorme lista de crimes cometidos por eles dentro e fora dos presídios, os bandidos ainda tiveram a audácia de planejar a morte do governador Geraldo Alckmin. É o que prova uma conversa telefônica entre líderes do PCC, em 11 de agosto de 2011: "Você sabe de tudo o que aconteceu, cara, na época em que 'nóis' decretou ele". Decretar é a gíria para executar. Quem chega a esse ponto, depois de criar "tribunais" e "leis" próprios, não conhece mais limites.

Depois de se reunir com a cúpula da segurança pública, na segunda-feira, Alckmin anunciou medidas importantes para combater o PCC, como identificação e punição de policiais que se corrompem em sua relação com essa organização e a utilização de equipamentos mais modernos e eficientes para bloquear celulares nos presídios e evitar que sejam usados pelos bandidos para planejar suas ações, como ocorre hoje. É de esperar que dessa vez o governo coloque todo o seu empenho em tornar realidade essas providências que, como se sabe, há muito tempo são indispensáveis para neutralizar o PCC.

As escutas telefônicas feitas durante a investigação do MPE mostraram que são frequentes os casos de achaques de policiais civis e militares contra bandidos bem situados na hierarquia do PCC, presos por qualquer pretexto e mantidos em delegacias até que a "negociação" se conclua. Outro exemplo de crime cometido por maus policiais é o de agentes do Deic flagrados em escuta oferecendo ao PCC arquivos de computador e pen drives apreendidos em operação que terminou com a morte de um bandido.

Como esses, há inúmeros outros casos. Por isso, o secretário de Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, disse esperar que o MPE "compartilhe conosco as provas (de que dispõe)para que possamos tomar providências". Independentemente disso, estão em curso várias investigações para apurar denúncias chegadas à Secretaria. Que o crime organizado tenta corromper policiais, aqui e em qualquer parte do mundo, é coisa sabida. Se dessa vez a polícia paulista vai fazer o que fazem as boas polícias dos países desenvolvidos para combater esse mal, só o tempo dirá.

Com relação aos celulares, Alckmin disse que "já está aberto o pregão para bloqueadores (a serem instalados) em 23 presídios. Esperamos concluir o processo licitatório em novembro e em dezembro começar as instalações". Mesmo que esses equipamentos realmente produzam os resultados que deles são esperados, é preciso que essa medida seja seguida de ações enérgicas para combater a corrupção nos presídios. Agentes penitenciários venais poderão ser utilizados pelo PCC para estabelecer novas formas de comunicação, se os bloqueadores de fato funcionarem.

Uma suspeita nunca inteiramente dissipada é a de que houve tolerância com difusão de celulares nos presídios - em São Paulo e em outros Estados - para, por meio de escuta de suas conversas, saber as intenções e planos dos bandidos. Se a suspeita é procedente, a investigação do MPE leva à conclusão de que, além de ilegal, essa tática não funciona. Se o preço para mapear uma organização criminosa é tolerar que ela use um instrumento que só a fortalece, salta aos olhos que ele não vale a pena ser pago.

Acabar com os celulares nas prisões e isolar a sua cúpula no Regime Disciplinar Diferenciado - o que depende da Justiça - são medidas fundamentais para conter e desarticular o PCC. Por isso mesmo, ele vai reagir, mas o governo do Estado não pode se amedrontar. É o que promete Alckmin e se espera que cumpra.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 16 / 10 / 2013

O Globo
"Dia dos professores: STF suspende corte de ponto e tenta conciliação"
 

Protesto pacífico de profissionais da educação é de novo tomado por vândalos

Atos violentos dos black blocs no entorno da Cinelândia tiveram até carro da PM incendiado, e pelo menos 45 baderneiros foram detidos. Em SP, 56 foram levados para delegacias após quebra-quebra na região central. No Dia dos Professores, a categoria fez manifestação pacífica nas ruas do Centro do Rio, tomadas depois por vândalos, que voltaram a depredar prédios públicos e privados. Um carro da PM foi queimado e um ônibus da corporação, depredado. À noite, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu a decisão judicial que permitia o corte do ponto dos professores estaduais grevistas. Fux convocou o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes para audiência de conciliação com sindicalistas no próximo dia 22. A decisão do STF beneficia professores da rede estadual, que entraram com a ação, e não atinge os do município, em greve há 70 dias. Mas Fux tenta acordo para as duas categorias. No Rio, em reunião com sindicalistas, a PM comunicou que não queria confronto com os profissionais, mas não toleraria vandalismo. Professores tentaram expulsar black blocs, em vão. Em SP, o dia de confrontos entre vândalos e PMs teve 56 presos.


O Estado de S. Paulo
"Atos de professores acabam em violência no Rio e em SP"
 

Vândalos quebram lojas na capital paulista; black blocs cariocas tentam ato pacífico, mas grupo ‘racha’.

Manifestantes e PMs entraram em confronto mais uma vez no Rio e em São Paulo. Protestos organizados por estudantes e profissionais da educação, no Dia do Professor, terminaram em confusão e vandalismo. No Rio, houve destruição na Cinelândia. Em São Paulo, a Marginal do Pinheiros foi palco do conflito entre PMs e manifestantes. Uma loja de móveis foi invadida na Avenida Eusébio Matoso. Até as 21h, o saldo era de 56 detidos. O conflito no Rio começou na Avenida Rio Branco, depois que a manifestação dos professores - em greve desde 8 de agosto - já havia se dispersado. Um grupo de black blocs tentou fazer manifestação em paz mas, ao final, o grupo ‘rachou’ e houve pancadaria. Um ônibus da PM foi depredado e um restaurante e uma agência bancária foram incendiados com coquetéis molotov.


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terça-feira, outubro 15, 2013

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Opinião

Saúde sem educação

Charles Mady* - O Estado de S.Paulo
Muito tem sido dito, escrito e discutido sobre o problema da saúde em nosso país. Opiniões e ideias das mais variadas origens levaram o assunto a longas discussões, algumas procedentes e outras, nem tanto, muitas vezes beirando um amadorismo intelectual perigoso para a formação de opinião de nossa sociedade. É muito fácil colocar preconceitos na mente de um povo necessitado de certos tipos de providências. Portanto, discussões com as mais variadas fontes devem ser divulgadas pela imprensa, na tentativa de informar, e não querer formar opiniões.

Devemos partir do princípio de que não se conseguirá resolver problemas nesse campo em curto espaço de tempo. A situação tornou-se muito grave pelo descaso, ao longo de décadas, de nossas autoridades, que assumiram e assumem atitudes pontuais e eleitoreiras, que simplesmente servem para demonstrar ao público que algo estaria sendo feito no momento. Não há planos racionais a longo prazo, talvez porque beneficiariam gestões futuras outras que não as atuais, ou por real incompreensão do processo.

Em qualquer setor da sociedade, mas hoje, principalmente na saúde pública, as soluções deverão passar por um projeto educacional que envolva uma profunda reforma em nossos padrões políticos e universitários. Muito se fala de saúde, mas pouco de educação, como se esta não fosse a chave da solução de boa parte dos infortúnios que hoje nos atingem. Seguramente não teremos saúde de qualidade se não tivermos ensino de qualidade. As autoridades preocupam-se muito com a inclusão de alunos nas universidades, mas não demonstram a mesma preocupação em como esses alunos sairão das escolas médicas. Que estrutura de aprendizado esses jovens têm? Qual é o perfil dos alunos de que necessitamos e deveríamos formar?

Não devemos esquecer também o que ocorre no ensino público básico, no qual a evasão de docentes por más condições de trabalho e salários baixos levou o setor a uma situação quase trágica. Transportem essas mesmas dificuldades para as universidades públicas, que são infinitamente mais complexas. Muitas faculdades foram criadas sem a visão de que elas deveriam ser algo mais que prédios imponentes, inaugurados com grande alarde, com belos jardins, equipamentos caríssimos de última geração, em searas de determinados interesses políticos. Esquecem-se do fundamental, que é a formação de um corpo docente em condições de construir um curso que capacite seus alunos a trabalhar nas condições que nossa sociedade necessita e merece. Devemos entender que a qualidade dos recursos humanos é fator fundamental, muito mais importante que belos prédios e equipamentos de última geração.

Visitando algumas delas, observamos que muitos professores frequentam as escolas esporadicamente, morando em outras cidades ou Estados, não tendo, portanto, as mínimas condições de se envolver com as necessidades básicas do corpo discente. São professores "turistas", que dão seu recado pontual e se retiram. E todos os envolvidos com educação sabem que a presença, os diálogos e discussões são fundamentais para que o ensino sedimente na mente desses jovens. Para piorar o quadro, muitos professores ilustres emprestam seu nome para "enriquecer" os quadros docentes dessas escolas, aparecendo apenas em ocasiões especiais e formaturas. Platão, em sua Academia, e Aristóteles, em seu Liceu, entenderam, há milênios, o papel fundamental da interação, a longo prazo, de alunos e professores na educação. Esta não é a simples transmissão de informações, mas sua sedimentação via diálogos com seus tutores e preceptores. Portanto, a presença dos professores é fundamental e o corpo docente deve, em sua base, ser fixo. Métodos como a telemedicina, com educação à distancia, são importantes, mas devem ser encarados como suplementares.

Para quem trabalha em universidades públicas é doloroso observar a evasão de profissionais em busca de melhores empregos, ou o desinteresse dos que permanecem em atividades acadêmicas pela baixa remuneração e falta de planos de carreira. A proporção de mestres e doutores devidamente pós-graduados é baixa. Basta ver as estatísticas. Para piorar, como se isso fosse ainda possível, boa parte das escolas médicas não tem hospitais que ofereçam residência médica aos recém-formados, fundamental para que possam exercer a profissão com dignidade. Passam a procurar essa formação em grandes centros, que dispõem de número limitado de vagas. Tornam-se estagiários de serviços e hospitais cuja finalidade é o lucro, e não o ensino. A enorme mercantilização da medicina piora ainda mais o quadro, tendo transformado o paciente em meio, e não um fim em si mesmo. Contrariamente à lição de Kant, em sociedades movidas apenas por interesses financeiros os seres humanos têm preço, e não dignidade.

Numa reforma universitária devidamente conduzida e sustentada, poderíamos dispor de centros de ensino vocacionados para as regiões onde se encontram, com corpos docentes estimulados a lá permanecer, formando profissionais aptos a resolver a maioria dos problemas que afetam as populações que vivem ao seu redor. Seriam médicos com formação geral ampla, para merecerem ser chamados de médicos de família. Havendo necessidade de tratamentos mais especializados, centros maiores deveriam estar disponíveis em todas as capitais.

Até quando ficaremos à mercê de ideias como importação de profissionais, residência no SUS e tantas outras pontuais, que não resolvem nossos problemas agudos nem abrem perspectivas de soluções para os crônicos? Para isso nossos dirigentes devem encarar com maturidade e vontade política os caminhos para atenuar o sofrimento de quem depende da saúde pública e de todos os que a ela servem.

Soluções cosméticas não nos levarão a lugar algum.

*Charles Mady é professor associado da Faculdade de Medicina da USP e membro do conselho diretor do Incor.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 15 / 10 / 2013

O Globo
"Ex-ministra fala em retrocesso e presidente diz que cumpre metas"
 

Em resposta à petista, que cobrou dos adversários conhecimento sobre o país, Aécio diz que ela não sabe dos problemas de Minas

A presidente Dilma Rousseff e a ex-senadora Marina Silva subiram o tom das críticas ontem Em Minas, Dilma aconselhou adversários a estudar para conhecer os problemas do Brasil. Em Recife, terra do aliado Eduardo Campos, Marina reagiu: “Deu conselho de professora." Marina poupou FH e Lula, voltou a criticar a economia e disse que a marca do governo Dilma é o retrocesso. A presidente rebateu defendendo a política econômica de seu governo.


O Estado de S. Paulo
"Barbosa não descarta ser candidato após aposentadoria"
 

Presidente do STF avalia se afastar antes da idade-limite e diz que terá tempo para ‘refletir’ sobre o tema.

O presidente do STF, Joaquim Barbosa, disse que pensa em se aposentar antes do limite legal de 70 anos e não descartou a possibilidade de entrar para a política e disputar a Presidência da República. O ministro, de 59 anos, negou a intenção de ser candidato em 2014, mas afirmou que, depois de deixar o tribunal, terá tempo para “refletir” sobre o futuro. Em palestra no congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Barbosa listou o que lhe desagrada na política brasileira: “O voto obrigatório, a impossibilidade de candidaturas avulsas, o excesso assombroso do número de partidos, a mercantilização partidária, o coronelismo e o mandonismo na estrutura interna de certos partidos: eis um catálogo dos problemas do sistema político brasileiro”, discursou. Embora negue intenção de se candidatar em 2014, ele pode se filiar a um partido até abril.


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segunda-feira, outubro 14, 2013

Ninja

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Opinião

Telefonia cara e deficiente

O Estado de S.Paulo
O número de linhas telefônicas portáteis multiplicou-se assustadoramente nos últimos 15 anos, mas o usuário está pagando por isso um preço cada vez mais alto, e que já se tornou o maior do mundo - em troca de serviços cada vez menos satisfatórios. A União Internacional de Telecomunicações constatou que a tarifa de celular no Brasil é a maior num grupo de 157 países.

O preço por minuto em horário de pico para chamadas entre celulares da mesma operadora chega a US$ 0,71 no Brasil, o que equivale a 70 vezes a tarifa paga pelo usuário da Índia, ou 35 vezes o que se paga em Bangladesh, Egito, Ucrânia, Nepal e Hong Kong. Para chamadas entre operadoras diferentes, a tarifa no Brasil alcança US$ 0,74 por minuto. No Brasil, as operadoras internacionais chegam a cobrar cinco vezes mais do que cobram nos seus países de origem.

Embora ruim para elas, porém, a informação de que seus serviços são excessivamente caros não é tão desastrosa quanto foi a suspensão temporária da comercialização de serviços de transmissão de voz e de dados imposta no ano passado a três das quatro maiores operadoras de telefonia móvel do País por causa de sua má qualidade. A aplicação, pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), de multas elevadas a diversas operadoras ao longo de 2013 - também por serviços inadequados oferecidos aos consumidores - mostra que, a despeito das altas tarifas, os problemas persistem.

Reconheça-se que estão corretas as operadoras quando afirmam - diretamente ou por meio do Sinditelebrasil - que o setor de telecomunicações é um dos que mais investem em infraestrutura, que ele promoveu uma revolução tecnológica e que, pelo menos em termos numéricos, universalizou os serviços no País. O número de telefones celulares e fixos em operação já é bem maior do que o de habitantes.

Mas o avanço do número de telefones não foi acompanhado da melhoria dos serviços. É crescente a insatisfação dos usuários de celular com relação à qualidade dos serviços oferecidos pelas operadoras, como têm mostrado pesquisas promovidas pela Anatel e a frequência com que o órgão regulador do setor vem aplicando sanções às empresas por não prestarem serviços adequados.

Dificuldades para completar ligações, quedas repetidas de sinal e grandes áreas sem cobertura estão entre as queixas mais frequentes dos usuários. A má qualidade dos serviços de atendimento aos clientes igualmente tem sido motivo de reclamações.

As empresas, de sua parte, reclamam das restrições administrativas e ambientais que enfrentam para expandir sua rede de antenas, indispensável para ampliar a cobertura e melhorar a qualidade dos sinais.

Criada, como outros órgãos reguladores, para assegurar ao usuário serviços de qualidade e às concessionárias a preservação das condições financeiras e operacionais, a Anatel tem recebido críticas dos dois lados. Se, nos primeiros anos de sua existência, o objetivo era ampliar a oferta de serviços, hoje deve ser a melhoria desses serviços e a constante atualização tecnológica do setor.

Embora a agência tenha agido com rigor em diversos casos, entre os quais a suspensão das vendas das três operadoras no ano passado, seu serviço de fiscalização continua sendo considerado falho.

Uma das causas de suas deficiências é a limitação financeira a que ela, como outras agências reguladoras, tem sido submetida nos últimos anos, o que restringe sua capacidade de atuação. Outra é de natureza política, sintetizada no fato de que boa parte de seus dirigentes tem sido nomeada não necessariamente por critérios técnicos, mas por seus vínculos com interessados - políticos ou empresas - no setor. Isso levou o Tribunal de Contas da União (TCU) a propor a ampliação de quatro meses para um ano do prazo no qual ex-dirigentes de órgãos reguladores não poderão exercer funções remuneradas para empresas do setor. De acordo com o TCU, quanto menor esse prazo, maior "a possibilidade de captura desses profissionais pelo setor regulado".

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 14 / 10 / 2013

O Globo
"Tragédia sobre duas rodas: Acidentes de motos com crianças no Rio disparam"
 

Número de colisões e quedas subiu 59% para 121 casos em um ano

ONG propõe mudança no Código Nacional de Trânsito para elevar de 7 para 11 anos idade mínima para quem vai na garupa. De janeiro a setembro deste ano, o número de acidentes de motos no Rio com menores envolvidos aumentou 59%, se comparado com o mesmo período de 2012, passando de 76 para 121, revelam estatísticas do Corpo de Bombeiros. O uso de motocicletas no transporte dos filhos tem sido uma opção cada vez mais comum entre pais que querem evitar atrasos provocados pelos congestionamentos. Na tentativa de frear a evolução do total de crianças vítimas de acidentes de moto, a Associação dos Motociclistas do Estado do Rio de Janeiro está propondo mudança no Código de Trânsito para que a idade mínima de quem vai na garupa passe de 7 para 11 anos. 


O Estado de S. Paulo
"EUA não têm acordo sobre dívida a 4 dias do prazo final"
 

Insatisfação da opinião pública pode forçar republicanos e democratas a encerrarem impasse

Ainda sem acordo entre governo e oposição sobre da elevação do teto de endividamento, os Estados Unidos iniciam a semana às portas de um calote. O Tesouro estima que alcançará teto do atual limite de endividamento na quinta-feira. No sábado, duas tentativas de superar o impasse foram derrotadas no Senado. Projeto dos democratas que ampliava o limite de endividamento até o fim de 2014 não obteve os votos necessários. E a iniciativa republicana de autorizar gastos por seis meses nem chegou ao plenário. Contudo, a insatisfação da opinião pública pode forçar os partidos a buscarem uma solução, informa a correspondente Cláudia Trevisan. Pesquisas mostram que a aprovação do Congresso está no mais baixo patamar da história, em 10%. E 53% dos americanos culpam os republicanos pela paralisação do governo, 22 pontos porcentuais acima dos que responsabilizam o presidente Obama.


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domingo, outubro 13, 2013

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Opinião

Classe média sem fôlego

O Estado de S.Paulo
Pesquisas recentes atestam a dificuldade cada vez maior que os brasileiros estão enfrentando para pagar suas contas em dia. Fortemente estimulada nos últimos anos a consumir, graças a uma expansão inédita do crédito, a festejada classe média agora está atolada em dívidas - e isso deve minar a estratégia do governo para o crescimento da economia.

A situação claudicante do Brasil e de seus consumidores foi tema de reportagem de primeira página no Wall Street Journal e do principal editorial do New York Times, ambos no dia 9/10. Nos dois casos, destacou-se a fragilidade das bases que sustentaram a expansão da economia até aqui e se enfatizou a necessidade urgente de profundas reformas e de investimentos em infraestrutura, em produtividade e em educação, em vez de continuar insistindo no estímulo ao crédito.

O Wall Street Journal, em texto intitulado A conta chega para a classe média do Brasil, cita pesquisa da Fitch Ratings segundo a qual o endividamento dos consumidores brasileiros destaca-se negativamente entre as economias em desenvolvimento. O porcentual de empréstimos com atraso superior a 90 dias no País chegou a 5%, o dobro do índice verificado na Índia e maior do que em todos os demais emergentes, como Rússia e África do Sul. "A farra dos gastos acabou", diz o jornal, que qualifica a situação brasileira como um alerta a outros mercados emergentes que também lastrearam seu desempenho no crescimento da classe média.

O endividamento das famílias brasileiras já superou 45% de sua renda acumulada em um ano, o maior porcentual verificado pelo Banco Central desde 2005. O nível de endividamento mais que dobrou no período - era de 18,39% em janeiro de 2005 e cresce constantemente desde então.

O peso das dívidas no orçamento familiar mensal chega a cerca de 20%, um porcentual considerado muito alto para os padrões internacionais. Nos Estados Unidos, por exemplo, esse comprometimento é de 10%. Além disso, o custo das dívidas no Brasil praticamente não tem paralelo no mundo, pois os juros cobrados em linhas de crédito pessoal podem chegar a inacreditáveis 90% ao ano, em média.

Outras duas pesquisas, publicadas pelo Estado (9/10), apontam problemas semelhantes, que põem em dúvida o fôlego da classe média. Um levantamento feito pela Kantar Worldpanel, que faz sondagens sobre consumo, indica que mais da metade dos domicílios no País (51%) gastou mais do que ganhou em 2012. É o segundo ano seguido em que isso ocorre.

O fenômeno se explica em parte pela resistência da endividada classe média em abrir mão do padrão de consumo adquirido graças ao crescimento da renda e à expansão do crédito. Um estudo da Nielsen mostra que, no primeiro semestre deste ano, a quantidade de uma cesta de 131 categorias de produtos consumidos caiu 2,6% em relação ao mesmo período de 2012, enquanto o valor dela subiu 1,9%, descontada a inflação do período. Isso significa que o consumidor prefere reduzir as quantidades, na esperança de economizar, em vez de deixar de comprar os produtos que até pouco tempo atrás eram considerados supérfluos.

Incitados a ir às compras, graças à oferta abundante de crédito, que dobrou em cinco anos, os brasileiros endividaram-se com mercadorias que se desvalorizam, como eletrodomésticos e automóveis. As vendas de carros, símbolo mais reluzente dessa explosão de consumo estimulada pelo governo, mais que triplicaram entre 2004 e 2010.

O problema, como lembra o Journal, é que essa situação é insustentável se não houver produção que atenda à demanda. Como resultado da falta de investimentos em infraestrutura e em aumento da produtividade da indústria, somada aos gastos do governo e à corrida dos consumidores às prateleiras, o Brasil cresce pouco e a inflação resiste na casa dos 6%.

Tudo isso põe em dúvida a eficácia das políticas de incentivo ao consumo, que o governo não só pretende manter, como ampliar, principalmente para beneficiar os mais pobres - justamente os que mais sentem os efeitos deletérios da inflação.

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 13 / 10 / 2013

O Globo
"PSDB melhorou serviços e PT reduziu desigualdade"
 

Série histórica da Pnad mostra pontos fortes de governos tucano e petista

Foram comparados cerca de 130 indicadores. Apesar dos avanços, especialistas alertam para o desafio de buscar qualidade. No momento em que a campanha de 2014 invade 2013, a análise dos dados dos últimos 20 anos permite comparar ganhos e perdas do Brasil. O governo Fernando Henrique (PSDB), assim como o de Itamar Franco, se destacou em expansão de serviços como iluminação e telefonia, redução do analfabetismo e acesso à educação. As gestões petistas do ex-presidente Lula e da presidente Dilma reduziram mais a desigualdade, aumentaram a renda e geraram mais empregos. É o que relata Paulo Celso Pereira a partir da análise da série histórica da Pnad, do IBGE.


O Estado de S. Paulo
"Secretário vai pedir escutas do PCC para punir policiais"
 

Fernando Grella quer ter acesso a dados que mostram cotidiano de achaques

O secretário de Segurança de São Paulo, Fernando Grella Vieira, quer ter acesso aos dados das investigações do Ministério Público Estadual (MPE) a respeito das atividades do PCC, para punir policiais corruptos. As informações levantadas durante três anos e meio, e reveladas pelo Estado na edição de sexta-feira, resultaram na denúncia de 175 envolvidos e mostraram o modo de agir da facção criminosa, que fatura R$ 120 milhões por ano. Em uma das gravações feitas pelo MPE, agentes do Departamento de Investigações Criminais (Deic) oferecem a um representante da chamada “ Sintonia dos Gravatas”, o “departamento jurídico” do PCC, arquivos de computador e pen drivers apreendidos numa operação policial, em 2011.


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