sábado, agosto 17, 2013

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Opinião

Um governo preso numa teia de erros

Rolf Kuntz*
Trem-bala, conta de luz, câmbio, Copa, inflação, pré-sal, gasolina, orçamento - por onde começar? Com pouco mais de um ano de mandato pela frente, a presidente Dilma Rousseff só realizará alguma coisa se romper uma teia de trapalhadas construída por ela mesma, com a colaboração de um dos Ministérios mais incompetentes da História e com material em parte próprio e em parte deixado por seu antecessor. Algumas decisões serão especialmente complicadas. Se continuar reprimindo os preços dos combustíveis, com ajustes insuficientes, agravará a situação da Petrobrás, já complicada por erros acumulados em vários anos - incluída a obrigação de controlar pelo menos 30% dos poços de petróleo do pré-sal.

Se atualizar os preços da gasolina e do diesel, as pressões inflacionárias ficarão mais soltas. Isso será melhor que represar os índices, mas será preciso apertar e talvez ampliar a política anti-inflacionária. Outras decisões serão tecnicamente mais fáceis, como o abandono do projeto do trem-bala. Mas falta saber se o governo estará politicamente disposto a admitir o recuo e reconhecer a acumulação de custos inúteis. Mesmo sem sair do papel, o projeto custará pelo menos R$ 1 bilhão até o próximo ano, somadas os valores acumulados a partir de 2005 e o do projeto executivo, segundo informou O Globo.

O trem-bala é só um exemplo de objetivos mal concebidos, mal planejados e perseguidos com invulgar incompetência, A Copa do Mundo, com projetos em atraso e custos multiplicados, talvez seja o caso mais visível de um compromisso assumido de forma irresponsável e sem avaliação de prioridades.

Parte da herança recebida pela presidente Dilma Rousseff, esse compromisso, além de impor despesas crescentes e graves constrangimentos ao governo, limita seu espaço de ação. A menos de um ano do começo dos jogos, um recuo parece impensável. Para garantir a conclusão pelo menos das obras mais importantes o governo terá de intervir com dinheiro. Quando o prazo ficar muito apertado, será inútil jogar a responsabilidade sobre os parceiros privados. Será preciso gastar e ampliar o buraco nas contas públicas.

Essas contas já vão muito mal e tendem a piorar nos próximos 12 meses também por causa das eleições. Mas o governo, até agora, tem exibido muito mais preocupação com a aparência do que com a situação efetiva de suas finanças. O quadro tem piorado com o uso crescente de maquiagem para enfeitar o quadro fiscal e os números da inflação.

Essa maquiagem, a mais cara e menos eficiente do mundo, tem borrado os limites das políticas fiscal, de crédito e de combate à inflação. Um dos grandes retrocessos dos últimos anos tem sido a crescente promiscuidade entre o Tesouro e os bancos federais, principalmente com o BNDES. Recursos fiscais também têm sido usados na maquiagem de preços. Para disfarçar os custos, em vez de combatê-los de forma efetiva, o governo criou uma embrulhada com as empresas de energia elétrica.

As tarifas foram contidas e isso se refletiu por algum tempo nos índices de inflação, mas a conta para o governo está saindo bem maior do que as autoridades haviam calculado. O custo para o Tesouro, segundo informou o Estado, pode chegar a R$ 17 bilhões, o dobro do valor estimado pelas autoridades no começo do ano. O novo cálculo, mais completo, é atribuído ao consultor Mário Veiga, um especialista em energia. Só esse acréscimo anularia 85% do corte de R$ 10 bilhões prometido na última revisão do Orçamento - se esse corte fosse para valer.

A isso ainda seria preciso somar, entre outros itens, os R$ 6 bilhões anunciados pelo governo para emendas orçamentárias, principalmente, é claro, de parlamentares aliados. Mas os desembolsos com as emendas ficarão maiores e mais difíceis de comprimir, nos próximos anos, se o projeto de orçamento impositivo, já aprovado na Câmara, passar pela etapa final, Os vereadores federais, também conhecidos como congressistas, poderão mais facilmente realizar sua política paroquial, mais uma forma de pulverizar e desperdiçar recursos do Tesouro Nacional.

Sem apoio firme no Congresso, sem competência gerencial, sem ministros capazes de planejar e de executar políticas e sem coragem de reconhecer e de enfrentar os desafios mais sérios, o governo da presidente Dilma Rousseff criou e deixou acumular-se a maior parte de seus problemas, Por mais de dois anos insistiu na prioridade à expansão do consumo, sem cuidar da eficiência econômica e da capacidade produtiva. Foi incapaz de reconhecer o esgotamento da política de ampliação do mercado interno - um objetivo importante, mas insuficiente quando tratado de forma isolada.

Inflação, descompasso entre importações e exportações e erosão das contas externas foram as consequências mais visíveis desse erro. Em vez de atacar a inflação, o governo manteve a gastança, tentou maquiar os preços e ainda promoveu de forma voluntarista uma prolongada redução dos juros.

Uma política mais prudente, mais corajosa e mais voltada para o longo prazo teria tornado a economia nacional mais eficiente e menos dependente do câmbio para a competição global. Ao mesmo tempo, uma inflação mais baixa, como em outras economias emergentes, tornaria mais fácil absorver os efeitos da depreciação do real.

Como toda a política foi errada, também nesse caso a escolha é muito custosa: o País fica mais competitivo com o dólar bem mais caro, mas o combate à inflação, nesse caso, tem de ser mais duro.

Não há decisão fácil e confortável num ambiente de erros acumulados por muito tempo. Com a aproximação das eleições, quantos erros o governo estará disposto a atacar seriamente, em vez de apenas continuar disfarçando?  

* Jornalista

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 17 / 08 / 2013

O Globo
"Efeito câmbio: Dólar dispara, vai a R$ 2,39 e ameaça controle da inflação"
 

Mantega diz que governo está preparado para agir e evitar oscilações fortes

Especialistas preveem repasse para preços se moeda ficar muito tempo nesse patamar. O Banco Central tentou, mas nem com uma injeção de mais de US$ 3 bilhões em dois dias conseguiu evitar que o dólar encostasse em R$ 2,40. Ontem, a moeda americana fechou a R$ 2,396, no maior patamar desde março de 2009, com alta de 2,44%. O ministro Guido Mantega (Fazenda) disse que "o governo brasileiro vai agir no sentido de impedir uma volatilidade excessiva (da moeda)” Especialistas alertam que a alta do dólar dificulta o controle da inflação porque pressiona vários preços, inclusive os de combustíveis. Com isso, bancos e consultorias admitem que podem rever as projeções para o custo de vida este ano.


O Estado de S. Paulo
"Apesar da ação do BC, dólar tem maior cotação em 4 anos"
 

Moeda americana chegou a R$ 2,39; para Mantega, câmbio ‘tem novo patamar’

O dólar teve ontem a maior alta diária ante o real desde o fim de 2011 e, apesar da intervenção do Banco Central, fechou cotado a R$ 2,39, nível mais alto em quatro anos. Preocupações relacionadas à economia e ao programa de estímulo dos EUA favoreceram a desvalorização. Dúvidas sobre a política de intervenção do BC também alimentaram a disparada. O dólar à vista subiu 2,09%, maior alta diária desde novembro de 2011. Também foi o maior nível de fechamento para a divisa desde março de 2009, quando ficou em R$ 2,41. Na semana, o avanço foi de 5,28%. O movimento foi determinante para a elevação dos juros futuros, que passaram a apostar na Selic a 10% no fim do ano. O ministro Guido Mantega (Fazenda) disse que o momento é de volatilidade, mas o câmbio “tem novo patamar”.
 

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sexta-feira, agosto 16, 2013

Reunião do Sindigato...


Coluna do Celsinho

Tolerância

Celso de Almeida Jr.

O filósofo iluminista francês Voltaire, pseudônimo de François Marie Arouet, foi um consagrado defensor das liberdades individuais.

Uma de suas obras, "Tratado sobre a Tolerância", escrita em 1763, representou um alerta contra a injustiça e continua merecendo uma profunda reflexão.

O livro nasceu baseado na dramática execução, sob tortura, do comerciante protestante Jean Calas, em Toulose, em 1762.

Calas foi injustamente acusado de assassinar o próprio filho, que queria se converter ao catolicismo.

E, acabou condenado por juízes, que se curvaram ao fanatismo popular.

Ao conhecer o caso, Voltaire escreveu sinalizando a importância do respeito aos credos e a liberdade religiosa.

Cada capítulo é um primor e nos provoca com fatos históricos, questionando se faz sentido dizer que a intolerância era praticada na Grécia antiga, em outras localidades, por diversos povos, em variadas épocas, por diferentes religiões.

Sobre isto, destaca testemunhos contra a intolerância religiosa, como este de São Justino:

"Nada é mais contrário a religião do que a violência".

Ou este, de Amelot de La Houssaie:

"Com relação a religião se passa o mesmo que com o amor: uma ordem não tem qualquer efeito; a força, ainda menos; não existem coisas mais independentes que o amor e a crença".

Voltaire, com seu estilo brilhante, ainda chama a atenção de juízes, explicitando os perigosos desdobramentos de decisões equivocadas.

Assim, o impacto de seu "Tratado sobre a Tolerância" contribuiu para inocentar postumamente Jean Calas, em 1765.

Mais uma vez, mostrou que a força do pensamento e a razão contribuem para a tolerância, a lucidez e a permanente busca da correção dos monumentais erros da humanidade.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

A mobilidade urbana não pode esperar mais

Washington Novaes * - O Estado de S.Paulo
Serão extremamente úteis para o País, qualquer que seja o desfecho, as conclusões do atual debate que se trava em toda parte sobre mobilidade urbana, a partir das recentes manifestações de rua, assim como da criação de faixas exclusivas para ônibus na cidade de São Paulo. A discussão adequada do problema, a adoção de políticas principalmente nas regiões metropolitanas, poderá talvez evitar ou reduzir custos imensos e hoje progressivos.

Um dos estudos recentes, do professor André Franco Montoro Filho, da USP, ex-secretário de Planejamento de São Paulo e ex-presidente do BNDES, afirma que o valor monetário de 12,5% da jornada de trabalho perdidos com uma hora nos congestionamentos de trânsito (além de uma hora, que seria "normal") chega a R$ 62,5 bilhões anuais. E cada trabalhador, assim como cada condutor de veículos particulares, pagaria por esse "pedágio invisível" R$ 20 por dia (Folha de S.Paulo, 4/8). Não surpreende, assim, que a questão da mobilidade tenha ocupado a segunda posição no total de reivindicações nas 35 audiências públicas para discussão do plano de metas da atual administração da cidade de São Paulo (Estado, 27/6) - uma exigência da Lei Orgânica do Município.

Em editorial (Uma aposta duvidosa, 9/8, A3), este jornal já apontou a insuficiência das novas estratégias se limitadas à criação de faixas exclusivas para ônibus - embora aumentem a velocidade destes. Principalmente porque não há reordenação de linhas, faltam coletivos em muitos lugares, sobram em outros. E a reordenação enfrenta a oposição das empresas concessionárias de ônibus, que têm alta rentabilidade nos formatos atuais. Pode-se acrescentar ainda que não há uma política nesse setor que englobe toda a área metropolitana. Tudo pode ter efeito apenas momentâneo - basta ver que as restrições que tiraram das ruas milhares de ônibus fretados e caminhões, assim como a implantação de novas pistas na Marginal do Tietê, "já perderam o efeito".

A necessidade de políticas mais abrangentes fica à mostra quando se veem números sobre grandes cidades brasileiras e sua influência no planejamento urbano - em geral, problemática. No Rio de Janeiro, o recente mapeamento das redes subterrâneas feito pela prefeitura carioca estimou haver 10.200 quilômetros de redes de esgotos no subsolo - "equivalentes à distância entre Brasil e Alemanha" - e 19 mil quilômetros de rede de cabos elétricos. Em São Paulo, a fiação elétrica chega perto de 40 mil quilômetros e só 3 mil são enterrados nos 17 mil quilômetros de ruas. Há mais de 30 afluentes sepultados sob o asfalto só nas imediações do Rio Tietê. As redes de drenagem também se estendem por milhares de quilômetros, embora ainda insuficientes, dadas as suas estreitas dimensões - e, entupidas, contribuem decisivamente para inundações.

Que planejamento se fará para a mobilidade, em que tudo isso interfere - e sabendo ainda que mais de 1 milhão de pessoas "entram e saem da capital diariamente"? E de onde virão os recursos? Estudo da ONU calcula que a "transição para cidades sustentáveis" no mundo não ficará abaixo de US$ 40 trilhões até 2030 (Rádio ONU, 7/5). Quanto será em São Paulo?

Seria, entretanto, muito proveitoso reconfigurar essas infraestruturas urbanas numa cidade como São Paulo, onde só a perda de água nas redes subterrâneas de distribuição, por furos e vazamentos, não está muito abaixo de 40% do total, que é a média brasileira - calcule-se o prejuízo financeiro e o custo para os cidadãos. E pouco se avança em obras abaixo do solo no País (São Paulo ainda vai à frente).

Os recursos para investimentos em mobilidade urbana mínguam, em lugar de crescerem. Obras que estavam previstas para até 2014, na Copa do Mundo, foram retiradas da lista das prioritárias (O Globo, 25/6). Em um ano reduziram-se em R$ 2,5 bilhões. E não se consegue "abrir a caixa-preta dos custos do transporte público, revisar contratos, promover de forma transparente o debate público sobre regras dos contratos de concessão" (blog da professora e urbanista Raquel Rolnik, relatora da ONU para o "direito à moradia adequada", 24/6).

E a questão não é só de mobilidade ou econômica, pode ser de saúde também. Estudo de cardiologistas do Hospital do Coração de São Paulo alerta (9/8) que "a tensão gerada por fatores do cotidiano como trânsito, violência e excesso de trabalho" - todos relacionados com a mobilidade - "causa aumento da pressão arterial e a liberação de hormônios que podem comprometer seriamente a saúde cardíaca (...), o estado de tensão e alerta contínuo pode levar à liberação de altos níveis de hormônios, que geram instabilidade no organismo e podem provocar espasmos na artéria coronária que irriga o coração, além de lesionar células cardíacas, conhecidas como miócitos, por causa do aumento dos radicais livres". O cortisol e a adrenalina podem aumentar os batimentos cardíacos e elevar a pressão arterial. Pessoas já predispostas "podem sofrer infartos e até vir a óbito".

A questão vai chegando a níveis tais que o prefeito de São Paulo já diz que "o usuário terá que repensar o uso do carro" (Folha de S.Paulo, 8/8). Para ele, "não é simples mudar uma cultura - se fosse, alguém já teria feito". Mas terá de fazer. E aceitar - como já foi discutido tantas vezes neste espaço - prioridades para o transporte público, sobre o transporte individual. E isso pode traduzir-se também em zonas de pedágio urbano, investimentos maciços e prioritários em metrô e trens urbanos, etc.

Teremos, todos, de mudar nossos hábitos e visões. E trabalhar com otimismo em novas direções urbanas, principalmente os administradores públicos. Como disse o filósofo G. K. Chesterton (Doze tipos, Editora Topbooks, 1993, coordenação de Ivan Junqueira), "o homem que goza de popularidade deve ser otimista a respeito de tudo, ainda que seja apenas otimista em relação ao pessimismo".

* Washington Novaes é jornalista. E-mail: wlrnovaes@uol.com.br

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 16 / 08 / 2013

O Globo
"Protestos em série - Duzentos param o Rio por sete horas"
 

Manifestantes fecham a Avenida Rio Branco e dão nó no trânsito

Quem tentou furar o bloqueio foi hostilizado. Ato contra CPI dos Ônibus provocou discussão sobre até onde o direito de manifestação pode interferir na rotina da cidade. Um protesto de cerca de 200 pessoas, segundo cálculo da PM, interditou por quase sete horas a Avenida Rio Branco, no Centro, e deu um nó no trânsito da região e de bairros das zonas Norte e Sul. Quem tentou furar o bloqueio, iniciado às 10h, foi hostilizado por manifestantes, que, entre outras reivindicações, cobram mudança na composição da CPI da Câmara de Vereadores que investigará o sistema de ônibus da cidade. Os transtornos causados pelos protestos em série nos últimos dias levantaram a discussão sobre até onde vai o direito às manifestações e o quanto elas cerceiam outra garantia constitucional: a de ir e vir. Para especialistas, o poder público tem de intervir e estabelecer o equilíbrio. À noite, protestos-relâmpago voltaram a fechar a Rio Branco.


O Estado de S. Paulo
"Em dia tenso, STF rejeita recursos de Jefferson"
 

Ministros trocaram acusações no 2º dia de julgamento do mensalão; Corte negou-se a incluir Lula no processo

O julgamento dos recursos do mensalão no STF, ontem, lembrou o clima tenso que marcou as sessões de 2012, com troca de acusações e discussão no plenário entre o presidente, Joaquim Barbosa, e o ministro Ricardo Lewandowski. No centro do novo embate está a possibilidade de nesta etapa serem reduzidas as penas impostas aos réus, entre elas as do ex-ministro José Dirceu, apontado como chefe da quadrilha. A sessão foi interrompida sem conclusão após o bate-boca. A discussão prosseguiu, aos berros, na sala de lanches e, segundo testemunhas, quase terminou em agressão. Antes da interrupção, o plenário do STF rejeitou por unanimidade o pedido de perdão judicial ao ex-deputado federal Roberto Jefferson (presidente licenciado do PTB), delator do esquema. Também foi rejeitado o pedido de Jefferson para que o ex-presidente Lula fosse incluído como réu na ação.


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quinta-feira, agosto 15, 2013

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Opinião

Lixo reciclável

O Estado de S.Paulo
O governo federal anunciou investimentos de R$ 200 milhões na terceira etapa do Projeto Cataforte - Negócios Sustentáveis em Redes Solidárias para fortalecer a atividade dos catadores de materiais recicláveis e reutilizáveis. A concessão desse serviço será assegurada a 35 cooperativas que apresentarem os melhores planos de negócios. Entre as áreas às quais os recursos serão destinados estão assessoria técnica, contabilidade, gestão, técnica de produção, desenvolvimento de tecnologia social e capacitação de recursos humanos.

A ideia do governo é fazer com que as cooperativas atinjam um grau de profissionalismo e organização que lhes permita atuar com eficiência no mercado de reciclagem, participando de licitações para prestar serviços de coleta seletiva a prefeituras de todo o País.

Até agosto de 2014, todos os lixões do País deverão estar desativados, conforme determina a Lei 12.305, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Esses depósitos de lixo a céu aberto serão substituídos por aterros sanitários, ambientalmente adequados para o manejo de rejeitos. Portanto, organizar o setor, começando pela mão de obra, é tarefa urgente.

Isso explica o esforço para acelerar o Projeto Cataforte. Este é o maior investimento feito desde que o programa foi criado, em 2009. De lá para cá, um quinto do que será investido agora foi destinado para as duas primeiras fases do programa, nas quais foram executados planos para a atuação das cooperativas em rede e a melhoraria da logística. Apesar desses avanços, o investimento que agora se anuncia é ainda pouco para suprir as carências brasileiras nesse setor. O governo terá de agir com maior rapidez do que até agora e com a aplicação de recursos mais vultosos, se quiser cumprir as exigências da lei e recuperar o tempo perdido.

O Brasil produz diariamente 240 mil toneladas de lixo e 70% desse volume é destinado aos lixões. De acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ainda estão em funcionamento mais de 2,9 mil lixões no País, localizados em 2,8 mil municípios. Apenas 18% das cidades brasileiras contam com programas oficiais de coleta seletiva. Nos centros urbanos atuam cerca de 1 milhão de catadores, que são responsáveis por 90% do material processado na indústria de reciclagem.

Segundo o Ipea, existem 1.175 organizações coletivas que agrupam apenas de 40 mil a 60 mil catadores. A quase totalidade dessa categoria trabalha em condições precárias, submetida aos riscos de contaminação, incêndios e acidentes. E os catadores são comumente explorados no mercado em que vendem a preços muito baixos o material recolhido.

Ao anunciar os novos investimentos no Projeto Cataforte, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, afirmou que a intenção do governo é retirar essa mão de obra dos lixões para que ela possa desempenhar um novo papel na coleta seletiva dos municípios, contribuindo de maneira efetiva para a melhoria do meio ambiente. Do total de investimentos previstos na nova fase do projeto, R$ 170 milhões não serão reembolsáveis. O Cataforte dará ainda acesso a produtos bancários - como capital de giro, por meio do Banco do Brasil -, ao Programa Minha Casa, Minha Vida e ao Fundo de Financiamento Estudantil.

Até agora, os investimentos eram feitos a conta-gotas, sem uma política clara, objetivos definidos e planejamento coerente. Mas é preciso muito mais e o governo sozinho certamente não terá fôlego para atuar com a velocidade e a intensidade necessárias. Incluir o setor privado no esforço para cumprir as normas da Política Nacional dos Resíduos Sólidos é fundamental.

Acelerar a construção de aterros sanitários por meio de parcerias e, ao mesmo tempo, resolver as dificuldades encontradas por fabricantes e comerciantes na busca de acordos setoriais de cooperação são ações igualmente urgentes, num país em que, nos últimos dez anos, a população aumentou 9,65% e o volume de resíduos cresceu 21%.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 15 / 08 / 2013

O Globo
"A volta do mensalão: STF rejeita primeiros recursos"
 

Barroso diz que não se pode politizar a corrupção

Comissão do Senado aprova projeto que prevê perda automática de mandato de parlamentar condenado por improbidade administrativa. Ao retomar o julgamento do mensalão, o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou ontem os recursos apresentados por quatro dos 25 réus condenados. Novos pedidos para mudar as sentenças serão analisados hoje. Em sua primeira participação neste processo, o ministro Roberto Barroso disse que a corrupção não deve ser politizada: "Não existe corrupção do PT, do PSDB ou do PMDB. Existe corrupção." No Senado, comissão aprovou projeto de lei que pune parlamentares condenados com a perda imediata do mandato.


O Estado de S. Paulo
"Barroso diz que mensalão não foi maior escândalo da história"
 

Novo ministro do STF comparou caso a outros escândalos e afirmou que 'corrupção não deve ser politizada’

Em sua estreia no julgamento do mensalão, o ministro do STF Luís Roberto Barroso relativizou a dimensão do esquema, descolando-o de certa forma do PT, e disse que “é no mínimo questionável a afirmação de que se trata do maior escândalo político da história do País”. Ao embasar seu voto, comparou o mensalão e os valores envolvidos a outros casos de desvio de recursos públicos. Ele afirmou que os episódios recentes são consequência do modelo político-eleitoral. “Não existe corrupção do PT, do PSDB ou do PMDB. Existe corrupção. Não há corrupção melhor ou pior. Dos ‘nossos' ou dos ‘deles’. Não há corrupção do bem. A corrupção é um mal em si e não deve ser politizada”, afirmou em seu voto. O STF rejeitou ontem recursos de quatro réus, entre eles o do deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), mantendo as penas. A análise de recursos prossegue hoje.


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quarta-feira, agosto 14, 2013

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Opinião

Ameaça à Petrobrás e ao País

O Estado de S.Paulo
O governo insiste num jogo perigoso ao conter politicamente os preços dos combustíveis para frear o índice de inflação - apenas o índice, porque em algum momento será preciso soltar os preços reprimidos ou pagar muito caro por distorções geradas por essa política. O diretor financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, pediu na segunda-feira um ajuste de preços para financiar os enormes investimentos da empresa e frear sua crescente dependência de recursos de terceiros. O governo examina o assunto, disse no dia seguinte o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, com duas ressalvas: não é bom elevar os preços nem há garantia de autorização do aumento pelo governo. A estatal só pode cobrar mais se a mudança for decidida por seu Conselho de Administração, presidido pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Manter a tabela desatualizada é uma forma fácil, mas custosa, de atenuar as pressões de custos sobre a produção e sobre o bolso dos consumidores.

O governo tem abusado desse recurso, com perdas importantes para a Petrobrás e, durante vários anos, para as empresas produtoras de etanol, porque as proporções entre os preços dos combustíveis foram desfiguradas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pressionou com insistência o governo dos Estados Unidos para abrir o mercado americano ao etanol estrangeiro. Quando isso ocorreu, os produtores brasileiros estavam despreparados para vender, porque os investimentos no setor haviam encolhido.

Sob nova direção, a Petrobrás conseguiu algum aumento de preço durante o governo da presidente Dilma Rousseff, mas sem eliminar os desajustes acumulados num longo período. Os desajustes aumentaram, recentemente, com a alta do dólar e o encarecimento dos combustíveis importados.

O próprio aumento da importação foi uma consequência dos desarranjos causados à empresa pela intervenção política em sua administração. A demanda tem crescido, há alguns anos, bem mais velozmente que a produção interna, prejudicada por erros de planejamento, mau uso do dinheiro e contenção política de preços.

A defasagem entre preços internos e externos da gasolina está entre 22% e 23,5%, segundo especialistas. A diferença, no caso do diesel, chega a 24%. Esse desajuste afeta a geração de caixa e torna a empresa mais dependente de financiamentos.

A dependência já superou ou está quase superando os limites adotados pela empresa, segundo vários indicadores calculados pelos analistas. A companhia poderá ser rebaixada pelas agências de classificação de risco se a sua saúde financeira continuar em deterioração, segundo se especula no mercado financeiro. Hoje a estatal detém grau de investimento.

Apesar de suas dificuldades, a Petrobrás tem sido responsável por cerca de 90% dos investimentos realizados pelas estatais. Mesmo sem as possibilidades abertas pela descoberta do pré-sal, sua importância estratégica seria enorme. O governo parece desprezar esse dado, ao insistir numa política danosa para as finanças da empresa.

Câmbio e preços dos combustíveis agravam de fato as pressões inflacionárias, mas só reprimir os preços dos combustíveis de nenhum modo resolverá o problema. A inflação, ainda elevada, resulta de combinação muito mais ampla de fatores, mas a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda têm preferido agir como se vivessem noutro mundo.

Fariam bem se levassem a sério as observações feitas na segunda-feira pelo diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton de Araújo. Segundo ele, a inflação baixa de julho (0,03%) resultou de fatores excepcionais e de nenhum modo indica uma tendência.

A evolução dos dados mensais de 2013 deve ter a forma de um V, com quedas até julho e altas a partir daí. O acumulado no ano poderá ficar abaixo dos 5,84% de 2012, mas ainda será elevado. A tendência expansionista das contas públicas continua sendo um dos fatores da alta de preços. Não se combaterá a inflação com mais perdas para a Petrobrás. Isso apenas agravará os problemas do País.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 14 / 08 / 2013

O Globo
"Fora dos trilhos: Trem-bala custará R$ 1 bi mesmo se não sair do papel"
 

Governo se divide sobre manter o projeto, cujos custos não param de subir

Presidente de estatal diz que apenas o projeto executivo do Trem de Alta Velocidade (TAV), que conterá detalhes da parte de engenharia, como o número de túneis, pontes e estações, está orçado em R$ 900 milhões. A insistência do governo em manter o polêmico projeto do trem-bala entre Rio, São Paulo e Campinas vai custar pelo menos R$ 1 bilhão aos cofres públicos até o ano que vem, mesmo que o Planalto desista de fato da obra, como admitiu anteontem o ministro César Borges. O cálculo considera o que já foi gasto com os estudos de viabilidade econômica e contratação de consultoria, além do valor do projeto executivo — que, segundo o presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo, tem custo de R$ 900 milhões. O leilão já foi adiado três vezes, agora por um ano. Ontem, a ministra Gleisi Hoffmann disse que “o governo não desistiu" mas apenas adiou a licitação.


O Estado de S. Paulo
"EUA dizem que espionagem ajudou a proteger brasileiros"
 

Em visita ao Brasil, secretário de Estado defende coleta de informações’ e afirma que País terá explicações

Mesmo cobrado pela presidente Dilma Rousseff e pelo chanceler Antonio Patriota, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, defendeu em Brasília o que chamou de “coleta de informações” promovida pela Casa Branca. Kerry, que ontem encerrou visita à América do Sul, afirmou que a medida ajudou a proteger cidadãos, incluindo brasileiros. Ele garantiu que o Brasil receberá as respostas que quiser sobre a interceptação de dados. “Estamos convencidos de que a nossa coleta de informação ajudou a proteger nossa nação de uma série de ameaças e também protegeu brasileiros”, disse, ao responder a jornalistas sobre o programa americano de espionagem. Em audiência no Palácio do Planalto, Dilma Rousseff cobrou esclarecimentos sobre o episódio e lembrou a necessidade de a Casa Branca dar garantias de que os dados dos brasileiros serão protegidos de violações.


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terça-feira, agosto 13, 2013

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Opinião

O duro revés de Cristina

O Estado de S.Paulo
As prévias eleitorais na Argentina - as chamadas Primárias Abertas Simultâneas e Obrigatórias (Paso) - foram criadas em 2009 (e adotadas pela primeira vez em 2011) para democratizar a formação das listas partidárias para o Congresso. Como diz o seu nome, todos os argentinos aptos a votar devem ir às urnas nos anos de eleições parlamentares a fim de escolher entre as diversas relações de candidatos que lhes forem submetidos pelas legendas ou coligações. Em outubro próximo, metade da Câmara dos Deputados (127 cadeiras) e um terço do Senado (24 lugares) serão renovados. Ocorre que praticamente todas as agremiações burlam o esquema, apresentando apenas uma lista fechada.

Em consequência, o Paso acaba tendo duas outras funções: como instrumento de ratificação das candidaturas definidas no âmbito das siglas e, principalmente, como a mais ampla pesquisa nacional de intenção de voto. Domingo, para se ter ideia, cerca de 20 milhões de eleitores, ou 70% do total, foram manifestar as suas preferências nas urnas (onde as cédulas ainda são de papel). E o resultado decerto causou calafrios na Casa Rosada da presidente Cristina Kirchner, em contraste com as temperaturas relativamente amenas desses dias de inverno portenho. Embora divididas, como de há muito, as oposições infligiram ao kirchnerismo uma derrota histórica, não obstante as caras e bocas de falso otimismo da presidente no final da jornada.

As listas da coligação oficial Frente Pela Vitória (FPV), encabeçadas pelos mais vistosos aliados de Cristina, foram batidas nos principais dos 24 colégios de eleitores, da Província de Buenos Aires à de Santa Cruz, na Patagônia - berço político do falecido presidente Néstor Kirchner, que a governou durante 11 anos - passando pela capital federal propriamente dita, e ainda Santa Fé, Mendoza e Córdoba. Segundo as apurações preliminares, que configuravam desde o início uma tendência firme, 4 em cada 5 argentinos rejeitaram o oficialismo. Em 2011, para comparar, Cristina se reelegeu com 54% dos votos. Na Província de Buenos Aires, o tradicional feudo kirchnerista onde vivem perto de 38% dos eleitores do país, o líder da lista da FPV, Martín Insaurralde foi superado pelo adversário da Frente Renovadora, Sergio Massa, por algo como 6 pontos de diferença.

O resultado foi duplamente significativo. Primeiro, porque Cristina trabalhou escancaradamente por Insaurralde, a ponto de levá-lo a tiracolo ao Rio de Janeiro, quando da visita do papa Francisco, apenas para que pudesse ser fotografado junto do mais popular dos argentinos. E, segundo, porque Massa desponta desde já como presidenciável em 2015, capaz de reunir as facções peronistas que se apartaram do governo e mesmo setores insatisfeitos do kirchnerismo. É o caso do próprio Massa, que chefiava nada menos do que o gabinete de ministros de Cristina, antes de romper com ela, estrepitosamente, há poucos meses.

Já na cidade de Buenos Aires, com 9% do eleitorado nacional, o senador kirchnerista Daniel Filmus perdeu para Gabriela Michetti, da Proposta Republicana de centro-direita, do velho rival, o prefeito Maurício Macri. E na Província de Córdoba, a FPV mal chegou a 15% dos votos - o pior desempenho da história do kirchnerismo e da sigla que se vangloriava de ser a mais forte da Argentina. Em outubro, o governo até poderá manter a maioria de que desfruta na Câmara. Mas, a julgar pelo duro revés que acaba de sofrer - e se as oposições não se entredevorarem -, Cristina ficará longe de ter, em cada casa do Congresso, os 2/3 dos assentos de que necessitará para aprovar a reforma constitucional chavista de seus sonhos: a reeleição ilimitada.

Se muitos argentinos parecem fartos do desgoverno da presidente - com a economia em crise, a inflação em alta e as incessantes evidências de corrupção acobertada -, uma parcela talvez ainda maior da população se cansou do estilo da viúva em luto permanente. O seu pendor pelo confronto, herdado do marido, a capacidade de fazer inimigos e a sua conhecida soberba exasperam os aliados. É de duvidar que tire as lições devidas do fiasco de domingo.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 13 / 08 / 2013

O Globo
"Infraestrutura na contramão: Leilão do trem-bala é adiado de novo e pode não ocorrer"
 

Empresas envolvidas em denúncia de cartel estavam interessadas, mas só Alstom formalizou

Projeto do Trem de Alta Velocidade (TAV), avaliado em R$ 38 bilhões, é alvo de críticas e agora pode ser enterrado de vez. Licitação seria em 19 de setembro, e União já tinha aceitado assumir riscos para viabilizar investimento. Diante da falta de concorrência, o governo federal foi levado a adiar, pela terceira vez, o leilão do trem-bala entre Rio-São Paulo e Campinas. O projeto é alvo de críticas pelo elevado custo de R$ 38 bilhões e por suscitar dúvidas quanto à sua real necessidade. O prazo foi adiado por, no mínimo, um ano, mas o ministro César Borges admitiu que projeto pode não ir adiante. Entre os potenciais candidatos estavam a francesa Alstom e a alemã Siemens, ambas envolvidas em denúncia de cartel em metrôs estaduais, além da espanhola Renfe. Mas só a Alstom formalizou o interesse.


O Estado de S. Paulo
"Trem-bala é adiado por falta de interesse de empresas"
 

Apenas um consórcio participaria da licitação, o que fez o governo suspender leilão por tempo indeterminado

O Trem de Alta Velocidade (TAV), maior projeto de infraestrutura do governo da presidente Dilma Rousseff, foi adiado novamente, e por tempo indeterminado. Sem atrair o interesse de investidores internacionais, o leilão que iria definir a tecnologia e a operadora do trem-bala corria risco de não ter disputa. Apenas um consórcio, liderado pela francesa Alstom, havia se comprometido a participar da licitação. Dilma tomou a decisão no domingo. “Depois de muitas conversas e entendimentos com os prováveis participantes, sentimos que o certame caminhava para apenas um participante”, admitiu o ministro dos Transportes, César Borges. O leilão do trem que vai ligar as cidades de Campinas, São Paulo e Rio estava marcado para 19 de setembro. A entrega de propostas iria ocorrer na próxima sexta-feira. Venceria quem oferecesse o maior valor de outorga à União.


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segunda-feira, agosto 12, 2013

Arte

Cais das Artes - Paulo Mendes da Rocha + METRO

Ricardo Canton

Nos últimos 10 anos surgiram, na esteira da inovação e dos avanços científicos, oportunidades em áreas que demandam conhecimento tecnológico na produção de imagens computadorizadas. Hoje apresentamos um artista jovem, Ricardo Canton, paulistano, arquiteto formado pelo Mackenzie em 2004. Ricardo produz imagens de arquitetura. Veja alguns de seus trabalhos realizados para renomados profissionais.

Museu do Chocolate - Metro Arquitetos

Orquidário - Parque Villa Lobos - Décio Tozzi 


Sede do Campo de Golfe - RIO - 2016 - AR-arquitetos



 Nova Galeria Leme - Paulo Mendes da Rocha + METRO


Sebrae Belo Horizonte - SpadoniAA


Instituto Moreira Salles - SPBR


Instituto Moreira Salles - SPBR
 
Se você quiser saber mais sobre computação gráfica voltada à arquitetura e conhecer outros trabalhos de Ricardo Canton, acesse:
https://www.facebook.com/arca3d

Ninja

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Opinião

Longa vida para o brasileiro

O Estado de S.Paulo
O IBGE informou que a expectativa de vida do brasileiro subiu 11 anos nas últimas três décadas. Visto isoladamente, esse dado reluz como uma boa notícia, e certamente haverá marqueteiros oficiais que tratarão de explorá-lo como tal. Mas estatísticas nunca são divorciadas do contexto em que são produzidas - e, neste caso específico, aquilo que parece ser uma grande conquista do Brasil, isto é, o aumento da longevidade de seus cidadãos, aponta para um cenário de agravamento da crise do depauperado sistema previdenciário.

De acordo com o IBGE, a expectativa de vida do brasileiro passou de 63 anos, 7 meses e 24 dias, em 1980, para 74 anos e 29 dias, em 2011. Nos últimos 11 anos, essa expectativa teve um incremento médio anual de 3 meses e 29 dias. A mortalidade caiu em todas as faixas etárias, particularmente a infantil, reduzida de 66,1 mortes por grupo de mil nascidos para 16,7 por mil nascidos - 75% em média. Há casos notáveis, como nos Estados do Ceará, de Pernambuco e da Paraíba, onde esses óbitos diminuíram em mais de 80%.

Os números parecem auspiciosos, mas é bom observar que, na última década, a expectativa de vida no Brasil teve um ritmo de crescimento semelhante ao observado no resto do mundo, o que manteve o País ainda muito distante das nações que lideram o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU. Segundo a medição de longevidade que compõe o IDH, o Brasil saiu do 116.º lugar e ocupa agora o 91.º, nível equivalente ao de países pobres da Europa, como a Bulgária. Em termos de mortalidade infantil, o Brasil subiu do 118.º lugar para um constrangedor 97.º.

Mesmo assim, o fato é que os brasileiros estão vivendo mais e melhor, em razão de uma série de fatores. Houve, por exemplo, expansão das redes de água tratada e de esgoto e aumento do grau de escolaridade das mulheres - o que deu às mães melhores condições de cuidar dos filhos e influiu na queda da fecundidade, o que, por sua vez, contribuiu para reduzir a mortalidade materna e de recém-nascidos. Além disso, as campanhas anuais de vacinação das crianças, a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), os programas de transferência de renda e o avanço das tecnologias médicas também tiveram papel importante na evolução.

Com o envelhecimento da população, porém, haverá cada vez mais aposentados, os quais, graças à legislação vigente, receberão benefícios previdenciários por mais tempo que os atuais beneficiários. A conta não fecha, mesmo com a arrecadação batendo recordes em virtude do aumento do número de contribuintes, consequência da crescente formalização do mercado de trabalho. No fim de 2012, o déficit da Previdência Social chegou a R$ 42,3 bilhões, 9% acima do verificado um ano antes. Somente em junho passado, o rombo atingiu R$ 3,2 bilhões, uma alta de 7,8% em relação ao mesmo mês de 2012.

Especialistas defendem que, diante do envelhecimento acelerado da população, o Estado adote políticas ainda mais restritivas, além do fator previdenciário, para adiar o colapso total do sistema. Há estimativas da própria Previdência segundo as quais o déficit crescerá nada menos que 20 vezes até 2050 e atingirá quase 6% do PIB. A previsão para este ano é de que o Tesouro tenha de desembolsar R$ 41,8 bilhões para que o sistema não quebre.

Além da questão previdenciária, a mudança do perfil etário do brasileiro desafia a União, os Estados e os municípios por demandar aumento de gastos em atendimento médico e em políticas voltadas para os idosos, um grupo que geralmente é esquecido pelo poder público. Estudos mostram que a maior parte dos recursos destinados a essa faixa etária é alocada nas aposentadorias, restando muito pouco para investir em saúde específica para os idosos.

Considerando-se o fato de que mais de 70% da população com mais de 65 anos de idade no Brasil tem alguma doença crônica, o que hoje dá algo em torno de 10 milhões de pessoas - e em 2025 serão cerca de 27 milhões -, esse não é um problema menor.

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 12 / 08 / 2013

O Globo
"Saúde pública - Cariocas esperam até 4 meses por consulta"
 

Doentes madrugam em postos do Rio para conseguir marcar horário

Subsecretário diz que a demora chegava antes a nove meses e que a prefeitura trabalha para reduzir mais o tempo de atendimento. Conseguir uma consulta num posto médico no Rio não é tarefa fácil. Daniel Soranz, subsecretário municipal de Saúde, admite que a espera pode demorar quatro meses, mas ressalta que o tempo chegava a nove meses: “Ainda não é razoável, mas estamos avançando." A aposentada Marlene Silva, por exemplo, já esteve quatro vezes no Centro Municipal Renato Rocco, no Jacaré, e ainda não foi atendida por um médico. Além de ficar horas na fila, ela teve que conviver com galinhas na área de triagem.


O Estado de S. Paulo
"Dilma gasta mais do que Lula em propaganda"
 

A presidente desembolsou R$ 1,78 bi, em média, por ano, valor 23% maior que no governo de seu antecessor

Os gastos com propaganda do governo federal, incluindo estatais, é nos dois primeiros anos da gestão de Dilma Rousseff 23% maior, na média, do que nos oito anos de mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. A presidente também vem gastando mais - cerca de 15% na média, na comparação com o segundo mandato de Lula. Com Dilma, o gasto médio por ano foi de R$ 1,78 bilhão e, com Lula, R$ 1,44 bilhão. Em dez anos de governo petista foram desembolsados, somando todos os órgãos da administração, cerca de R$ 16 bilhões, em valores corrigidos pela inflação, segundo levantamento feito pelo Estado. O valor é quase igual aos R$ 15,8 bilhões previstos para o programa Mais Médicos até 2014. Os dados foram solicitados, via Lei de Acesso à Informação, a cada um dos órgãos que a Secretaria de Comunicação Social informou ter assinado algum contrato publicitário desde 2003. O valor total pode ser maior, porque o Banco do Brasil não forneceu os dados de 2003 a 2009. 


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domingo, agosto 11, 2013

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Opinião

O maltratado Museu Paulista

O Estado de S.Paulo
O estado lastimável em que se encontra o Museu Paulista - ou Museu do Ipiranga, como é mais conhecido - é mais uma demonstração do pouco-caso com que o poder público trata algumas das mais importantes instituições culturais do País. A situação em que se encontra esse edifício se deteriorou tão rapidamente nos últimos meses que obrigou a direção do museu a fechá-lo às pressas, no sábado passado, para evitar que visitantes e funcionários fossem vítimas de acidentes. A reforma das instalações, já prevista, vai ser antecipada.

Os dizeres de um grande cartaz colocado numa tela de proteção à frente da sua entrada principal resumem as consequências de anos de abandono: "Não ultrapasse a faixa - risco de queda de revestimentos". O perigo era tão grande que não foi possível nem mesmo esperar a segunda-feira para o fechamento. Comunicado da diretoria, divulgado domingo, explicou que essa decisão repentina se deveu ao fato de vistoria técnica ter mostrado a necessidade de iniciar com urgência reforma destinada a garantir não só "a incolumidade dos visitantes e servidores", como também "a proteção física do acervo".

Em outras palavras, tudo estava sob ameaça, das pessoas aos bens mais preciosos do museu - livros, documentos, obras de arte e outros objetos de valor histórico. Além da biblioteca com mais de 100 mil volumes e do Centro de Documentação Histórica, com cerca de 40 mil manuscritos, há milhares de outras peças, como mobiliário, roupas e lembranças da família imperial. Sem falar na obra de arte mais conhecida - o quadro "Independência ou Morte", de Pedro Américo (de 1888). Esse acervo atrai visitantes - principalmente escolares - cujo número chega a 3 mil aos domingos.

A data para o início da reforma - já decidida no ano passado e que exigirá investimento de no mínimo R$ 21 milhões - só será marcada depois que terminar uma ampla vistoria destinada a fornecer um quadro preciso da situação, o que deve acontecer na metade do segundo semestre. Mas as rachaduras, a queda frequente de reboco e as condições precárias do forro de vários cômodos - o de um dos salões cedeu dez centímetros, o que levou a sua interdição meses atrás - já bastam para mostrar o quanto avançou o processo de deterioração.

Além de resolver esses problemas e outros a serem indicados pela vistoria, a reforma prevê a construção de um anexo para acomodar reserva técnica e laboratório, rampas e banheiros, a troca da fiação elétrica e a recuperação da fachada. Como reconheceu no ano passado a diretora do Museu, Sheila Walbe Ornstein, os R$ 21 milhões de recursos públicos não serão suficientes para custear essas obras e, por isso, a instituição espera contar com ajuda da iniciativa privada.

Esse tipo de ajuda é comum em muitos países, mas é de prever que as empresas privadas dificilmente abrirão a bolsa - e com razão -, se não sentirem que o poder público, neste e em outros casos, está disposto a mudar sua maneira de tratar as grandes instituições culturais. Diz Sheila Ornstein ser "comum que museus instalados em prédios históricos fechem parcial ou totalmente para restauro e modernizações". É verdade. Mas essa verdade não se aplica inteiramente ao Museu Paulista, porque o descaso com que ele passou a ser tratado pela Universidade de São Paulo (USP), desde que foi a ela incorporado em 1963, é tal que foge à norma.

Já está mais do que na hora de o poder público - neste caso representado pela USP - mudar a sua forma de tratar as instituições e bens culturais, seguindo o exemplo dos países desenvolvidos, que não hesitam em gastar o que é preciso para preservá-los. Trata-se de um compromisso ao mesmo tempo com a sua identidade cultural e com a civilização.

É dentro dessa perspectiva que se deve encarar a recuperação tanto do Museu Paulista como da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro - uma das dez mais importantes do mundo, pelo tamanho e valor de seu acervo -, também em situação difícil, vítima da má vontade de sucessivos governos.

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 11 / 08 / 2013

O Globo
"Farra ilegal: Senadores usam verba oficial até para abastecer jatinhos"
 

Despesas são feitas fora do estado de origem, contrariando ato da Casa

Dinheiro é usado também para hospedagem em hotéis de luxo nos finais de semana. Contrariando um ato de junho de 2011, senadores têm usado a verba indenizatória para abastecer de combustível seus jatinhos particulares em viagens fora de seus estados de origem, revela Chico de Gois. É o caso de Fernando Collor de Mello (PTB-AL), Acir Gurgacz (PDT-RO) e Jayme Campos (DEM-MT). O levantamento feito pelo GLOBO em prestações de contas identificou também notas fiscais de hotéis de luxo durante fins de semana: Ciro Nogueira (PP-PI), por exemplo, se hospedou no Copacabana Palace. Os parlamentares negam irregularidade e dizem que as viagens foram feitas em atividades do mandato.


O Estado de S. Paulo
"Brasil espionou vizinhos na ditadura, revela arquivo"
 

Documentos inéditos mostram que o Itamaraty participou de rede para monitorar dados militares

O governo brasileiro criou, durante a Ditadura, uma rede oficial de recolhimento de dados sigilosos na tentativa de monitorar os segredos militares e estratégicos dos países da América Latina, deixando apenas EUA e Canadá de fora, informa Marcelo de Morais. Arquivos inéditos do Estado Maior das Forças Armadas, nos quais o Estado teve acesso, mostram a criação do Plano de Informações Estratégicas. Os papéis, que acabam de ser desclassificados pelo Arquivo Nacional, apontam que a missão de espionagem caberia não apenas a adidos militares brasileiros no exterior, mas também aos diplomatas.


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