sábado, agosto 03, 2013

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Opinião

Uma lei que eleva o País

O Estado de S.Paulo
No combate à corrupção, o Brasil acaba de entrar para o rol das nações sérias. A presidente Dilma Rousseff sancionou lei sem precedentes, que pune empresas envolvidas em fraudes com o dinheiro público. De iniciativa do Planalto, por sugestão da Controladoria-Geral da União (CGU), chefiada pelo ministro Jorge Hage, o projeto tramitou lentamente na Câmara dos Deputados até ser aprovado no Senado pouco antes do recesso.

Transformada em lei, a proposta tira dos homens de negócio e executivos corruptores o conforto de saber que, tenham feito o que fizessem e mesmo se condenados por seus ilícitos, como fraudar licitações ou subornar agentes públicos, o patrimônio das suas empresas permaneceria intacto. Afinal, a legislação não previa, nessa esfera, nenhuma punição para pessoas jurídicas. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, por exemplo, de há muito que elas também pagam pelas lambanças dos seus dirigentes.

É, de resto, o padrão adotado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o chamado "clube dos ricos", que reúne mais de 30 nações comprometidas com a democracia representativa e a economia de mercado. "Se não fosse essa lei", comenta o titular da CGU, "o Brasil levaria bomba" no exame a que será submetido pelo organismo no fim deste ano ou no início do próximo.

A lei brasileira tardou, mas não peca pela leniência. Estipula que "as pessoas jurídicas serão responsabilizadas objetivamente no âmbito administrativo e civil pelos atos lesivos (…) praticados em seu interesse ou benefício, exclusivo ou não". O princípio jurídico da responsabilidade objetiva dispensa a comprovação de que empresários e prepostos tiveram a intenção de cometer as fraudes pelas quais as respectivas firmas viriam a ser processadas.

Eis por que a presidente vetou - entre outras "flexibilizações" introduzidas no texto original pela bancada do PMDB na Câmara - o parágrafo segundo o qual só seriam punidas as empresas depois de caracterizada a culpa ou o dolo dos autores dos delitos apurados. Não há de ser coincidência que uma das provisões da vexaminosa "minirreforma eleitoral" pronta para ser votada na Câmara, comentada neste espaço ontem, exija prova do envolvimento pessoal do candidato com violações das regras eleitorais para favorecê-lo.

Dilma vetou também o benevolente parágrafo acrescido pelos peemedebistas que limitaria a multa imposta à empresa inidônea ao valor total do bem ou serviço contratado com a área pública. A pena ficará entre 0,1% e 20% do faturamento bruto da companhia no ano anterior ao da instauração do processo. Se não for possível definir esse montante, a multa poderá alcançar R$ 60 milhões. Também essa emenda revela a mentalidade que produziu o acintoso pacote eleitoral. Nele, a multa por doações a partidos e candidatos além do teto estabelecido equivalerá, no máximo, ao valor desembolsado, em vez de até 10 vezes isso, como atualmente.

Outra bondade vetada pretendia condicionar as sanções às empresas ao papel dos servidores públicos envolvidos: elas seriam tanto menores quanto maior fosse a contribuição dos corrompidos para a fraude. A lei define como práticas passíveis de penas civis e administrativas a oferta de vantagem indevida a funcionário público ou a pessoas de suas relações, formação de cartéis para burlar licitações e criação de empresas de fachada para simular concorrência. As empresas acusadas que cooperarem com as investigações terão benefícios equiparáveis à delação premiada na esfera criminal - seus bens não serão bloqueados, as suas atividades não serão suspensas e pagarão apenas 1/3 das multas aplicadas às cúmplices.

Atualmente, o pior que pode acontecer a uma empresa corruptora é a sanção administrativa de ser declarada inidônea, ficando assim impedida de participar de licitações. Pela nova lei, ela poderá ser privada de receber incentivos fiscais, doações ou empréstimos de órgãos públicos por até cinco anos. Isso, se não for interditada ou ter a sua razão social dissolvida compulsoriamente. E todas entrarão para o time dos "fichas-sujas" - o Cadastro Nacional de Empresas Punidas.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 03 / 08 / 2013

O Globo
"Depois do julgamento: BC fecha banco do mensalão"
 

Falta de confiança dos clientes após escândalo fez patrimônio do Rural despencar

Bens de controladores estão indisponíveis; Kátia Rabello, dona, foi condenada a 16 anos. Ao decretar ontem a liquidação do Banco Rural, envolvido no esquema de pagamento de propina a políticos aliados do governo Lula, o Banco Central informou que a instituição mineira cometeu "graves violações" às normas do sistema financeiro e estava com a situação econômico-financeira comprometida. Por causa da crise de confiança após o mensalão, o patrimônio do Rural diminuiu para um quarto do total. O BC exigiu que o banco retirasse do balanço R$ 200 milhões de créditos tributários que não existiam. Os bens de 18 controladores e ex-administradores — três deles condenados pelo mensalão — estão indisponíveis.


O Estado de S. Paulo
"Superfaturamento de cartel de trens chegou a R$ 577 milhões"
 

Em contratos de R$ 1,9 bilhão, valores gastos pelos governos de SP e do DF poderiam ter sido 30% menores

Documentos a que o Estado teve acesso mostram que o cartel denunciado pela multinacional alemã Siemens é acusado de fraudes em pelo menos cinco licitações no País. Em contratos que chegam a R$ 1,925 bilhão (em valores atualizados), os valores gastos pelos governos de São Paulo e do Distrito Federal poderiam ter sido até 30% menores, caso o acerto entre as empresas não tivesse praticamente eliminado a livre concorrência entre os gigantes do setor metroferroviário. O prejuízo dos governos chegaria a R$ 577,5 milhões. O Estado procurou as empresas, mas somente 9 das 20 se manifestaram. Em nota, a Siemens informou que desde 2007 faz esforços para aprimorar sua administração e coopera integralmente com as investigações. Ao todo, 44 executivos - de presidentes a gerentes - de empresas de 11 países foram acusados de participação nas tentativas mantidas para impedir que a disputa dos contratos levasse à prática de preços menores do que os oferecidos pelas empresas.


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sexta-feira, agosto 02, 2013

Polvo, polvo, polvo, polvo

Sempre quer ter algo novo...
Ilustração de Ellen Weinstein

Coluna do Celsinho

Disciplina

Celso de Almeida Jr.

Em ambiente universitário, ouvi o desabafo de uma professora.

Compartilhava com os amigos o drama familiar que está enfrentando.

Sua irmã sofrera um acidente vascular cerebral, o derrame, que paralisou os movimentos, bloqueou a fala, entre outros graves desdobramentos.

Com isso, a família precisou se reorganizar e sua sobrinha adolescente, filha da vítima, passou a morar com ela.

Saber que a irmã deverá enfrentar uma longa e difícil jornada para tentar reaprender a falar, mexer os membros e recuperar a memória, causa, evidentemente, uma angústia profunda.

Um dos ouvintes, médico, lembrou da importância da professora fazer exames preventivos, tendo em vista que não é o primeiro caso na família.

Ela respondeu que já iniciou uma dieta rigorosa, abandonou os cigarros e ficará mais atenta a regularidade dos exames médicos.

Pensei o quanto é difícil para a maior parte da população assumir esta postura, criando o hábito de visitar postos de saúde na busca de orientação para a prevenção de diversas moléstias.

Muitas limitações, somadas ao desleixo ou ignorância, contribuem para isso.

Uma melhor alimentação, um basta ao fumo e ao álcool, exercícios físicos regulares, são práticas elementares que minimizam o risco de grandes sofrimentos.

Temos disciplina para isso?

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

A seca, a desertificação e as palavras do papa

WASHINGTON NOVAES *
Parece surreal. No dia 27 último, a seção de Esportes deste jornal informava que a nadadora brasileira Poliana Okimoto - que ganhara no Mundial de Barcelona medalha de ouro na maratona aquática de dez quilômetros, além de medalha de prata nos cinco quilômetros e de bronze por equipes - substituiu em sua dieta vários alimentos (glúten, açúcar, feijão, abacate, fermento e chocolate) por tapioca, que lhe dá "energia redobrada". Dois dias antes o IBGE informara que a produção brasileira de mandioca (de onde vem a tapioca) este ano, 21,4 milhões de toneladas, está 8,4% menor que a do ano passado, quando já havia sido 24,5% menor que a de 2011. Nas lonjuras, o falecido pesquisador Paulo de Tarso Alvim deve estar balançando a cabeça, ele que afirmava, ironicamente, que "se mandioca fosse norte-americana o mundo estaria comendo tapioca flakes e mandioca puffs". Mas esse alimento, o mais adequado para solos brasileiros - não precisa de fertilizantes nem de agrotóxicos - vem perdendo progressivamente espaço para as culturas de grãos exportáveis, além de ter sido muito atingido no Nordeste por problemas climáticos.

E não é só na área da mandioca que estamos penando, no terreno dos alimentos, no Nordeste e fora dele. Estamos com a menor safra de feijão em mais de uma década; importamos (feijão!) mais de 3% do consumo interno; o consumo por pessoa baixou de 18,5 para 16 quilos anuais - e aí também pesam a substituição dos alimentos por culturas de exportação e a perda de espaços pela agricultura familiar, já que 10% das propriedades têm 85% do valor bruto da produção agrícola (Ipea, 7/6) e quase dez vezes mais participação que as pequenas nos R$ 122 bilhões do crédito, segundo os órgãos federais (23/7). Mas as pequenas é que respondem por 70% dos alimentos no consumo interno.

São muitas as aflições nessa área dos alimentos. O Ministério do Meio Ambiente (MMA), por exemplo, e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) estão concebendo (MMA, 26/7) um projeto-piloto de uso da terra no Semiárido, que em 2014 começará a ser executado em Sergipe, para ser replicado em outras áreas. O foco estará nos problemas de erosão e esgotamento de nutrientes no solo, que têm forte influência no avanço da desertificação e na produção de alimentos. Segundo o Instituto Nacional do Semiárido, do Ministério da Ciência e Tecnologia, só em 55,2 mil quilômetros quadrados problemáticos vivem 750 mil pessoas, apenas no Sertão do São Francisco (BA) e na região dos Cariris Velhos (PB). No Estado da Paraíba, nada menos de 54% do território sofre com o problema, agravado pela menor infiltração de água em solos compactados por métodos inadequados de cultivo.

Em Gilbués, no Piauí, outra área crítica, a desertificação é acentuada pela infiltração natural a grandes profundidades da água de chuva (pois ali chove 700 milímetros anuais, em média), favorecida pela estrutura geológica. O Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) trabalha em projetos nessa e em outras regiões. Além de Gilbués, mais três áreas são consideradas críticas: Irauçuba (CE), Seridó (RN e PB) e Cabrobó (PE). Ao todo, estão ali quase 400 mil pessoas. O Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites da Universidade Federal de Alagoas informa (O Globo, 9/7) que 230 mil quilômetros quadrados de terras foram atingidas "de forma grave" ou "muito grave".

Mas continuamos aferrados a velhas e falsas tentativas de solução - como a transposição de águas do Rio São Francisco - para esse tipo de problema e o de seca, como a que aflige hoje o Nordeste. E que, dizem os meteorologistas, se pode estender até 2015. Segundo o Comitê da Bacia desse rio, "falta planejamento ao governo federal sobre a expansão desordenada da agricultura".

O próprio secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lembrou no Dia Mundial da Desertificação (Rádio ONU, 18/6) que "os custos políticos, sociais e econômicos dos problemas gerados pela seca são evidentes, do Usbequistão ao Brasil, da região do Sahel, na África, à Austrália (...). O mundo não pode deixar o futuro secar". E enfatizou ainda que 14% da população global sofre, por essa causa, de insegurança alimentar. Mas não apenas nessas regiões. No ano passado os Estados Unidos tiveram a pior seca em 50 anos; o Chifre da África também, afetando 13 milhões de pessoas. E por aí se entra no terreno das mudanças climáticas, que aceleram a degradação de terras e a desertificação, assim como os conflitos pelo uso da água.

Por aqui continuamos a fazer de conta que o problema da seca, que atingiu mais de 1.400 municípios do Semiárido, está superado, quando ainda prospera em boa parte deles o negócio de vender água levada por caminhões em tonéis, a R$ 5 por 250 litros. Enquanto isso, sobe o orçamento do projeto de transposição do São Francisco, essa "obra absurda", segundo João Suassuna, da Fundação Joaquim Nabuco; "um escândalo", nas palavras do professor João Abner, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. O primeiro complementa dizendo que a obra "beneficia o grande capital rural e industrial". O segundo acrescenta que "todas as grandes empreiteiras se beneficiam".

E continua longe do ideal o projeto de instalação de cisternas de placa em comunidades isoladas, que tem como objetivo 1,3 milhão de poços. Há poucos dias a Petrobrás anunciou um programa para 20 mil, em 210 municípios. Com os recursos da transposição já poderia haver cisternas construídas em todos os lugares necessitados.

Questões como essa precisam sempre trazer à mente palavras recentes como as do papa Francisco: nada se deve sobrepor aos problemas sociais; a prioridade absoluta é deles. Inclusive no Brasil, onde, pelos critérios da ONU, ainda temos dezenas de milhões de pessoas (boa parte delas no Semiárido) vivendo com renda abaixo da "linha da pobreza", cerca de R$ 100 mensais. Mesmo as que recebem Bolsa Família.

* WASHINGTON NOVAES É JORNALISTA. E-MAIL: WLRNOVAES@UOL.COM.BR.

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 02 / 08 / 2013

O Globo
"Balança no vermelho: Déficit comercial do país é o pior da história"
 

Importação de combustíveis deixa resultado negativo em US$ 5 bi no ano

Na indústria, produção surpreende e volta a crescer. Analistas já admitem que economia brasileira poderá ter expansão maior em 2013. Com a disparada das importações dos combustíveis, a balança comercial brasileira registrou, nos sete primeiros meses do ano, déficit de US$ 4,989 bilhões, o maior da história, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento. Como a série do governo começou em 1993, o resultado é o pior em 20 anos. As exportações do país caíram 1,5%, enquanto as importações cresceram 10%. Já a indústria nacional, após encolher em maio, voltou a avançar em junho. A expansão foi de 1,9%, acima das previsões. Analistas admitem que PIB do trimestre pode ficar melhor. 


O Estado de S. Paulo
"Mantega resiste a projeto que afrouxa gasto em transporte"
 

Dilma cobra esforço máximo do governo para buscar solução jurídica; ministro diz que LRF não mudará

A presidente Dilma Rousseff exigiu “esforço máximo e conjunto” de sua equipe na busca por uma solução jurídica para tirar os investimentos em mobilidade urbana do cálculo do endividamento de Estados e municípios, conforme revelou ontem o Estado. O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, foi convocado para apresentar sugestões. Mesmo com a determinação de se fazer a modificação legal, o ministro Guido Mantega (Fazenda) ficou incomodado porque a revelação do plano repercutiu mal no mercado, dando a impressão de relaxamento da política fiscal. Mantega disse que a Lei de Responsabilidade Fiscal não mudará: “Não há razão”, afirmou. “De modo geral, os Estados têm espaço fiscal para arcar com mais dívida.”


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quinta-feira, agosto 01, 2013

Ubatuba em foco


Parceria público privada

Sidney Borges
Posso afirmar com a certeza de quem sente no bolso, parte mais sensível do corpo humano, que as ruas do bairro Jardim Ressaca são de amargar, expressão em desuso que quer dizer que as ruas da Ressaca destroem qualquer tipo de suspensão. Acabei de gastar quase dois mil reais para consertar meu carro, reduzido à condição de carroça após alguns anos de trânsito neste enclave esburacado.
O cidadão da foto é o senhor Timiro, comerciante de material de construção e proprietário de um lote no bairro. Sentindo que a suspensão de seus carros, caminhões e tratores estava sendo afetada pelo piso irregular, resolveu ele mesmo tampar os buracos. Isso é mais ou menos a materialização do que chamam de parceria público privada. Com a dificuldade do poder público em cumprir suas obrigações, um membro da sociedade toma para si a tarefa. Deveria ser assim com estradas, aeroportos, portos, ferrovias e outros itens da infraestrutura do país, tão mal servido nesse quesito. Um dia a coisa muda, temo não estar aqui para ver. Vai demorar, ora se vai...

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Opinião

A hora da verdade para a saúde

O Estado de S.Paulo
O reajuste acima da inflação dos planos de saúde individuais e familiares - contratados a partir de janeiro de 1999, ou adaptados à Lei 9.656/98, que regulamentou os planos - chama a atenção para o futuro do setor de saúde privada, no qual eles ocupam posição importante. Se os aumentos seguirem essa progressão, esse tipo de plano tende a se tornar inacessível. Para este ano, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) autorizou um reajuste de 9,04%, que é o maior dos últimos oito anos. Ele ficou 2,55 pontos porcentuais acima do índice oficial da inflação, o IPCA, de 6,49%, no acumulado de 12 meses até abril.

O aumento, que foi imediatamente criticado por especialistas e entidades de defesa do consumidor, afeta 8,4 milhões de pessoas, que representam 17,6% do total de brasileiros que têm planos de saúde. Lembra a economista Ione Amorim, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), que o valor acumulado do IPCA de 2003 a 2013 é de 99,86% e o índice acumulado dos reajustes autorizados pela ANS no mesmo período é bem superior - de 139,24%.

Mas o alvo principal das críticas - que as autoridades da área de saúde deveriam levar em conta - é o método empregado pela ANS para definir o reajuste dos planos individuais. Ele considera a média dos porcentuais aplicados pelas operadoras aos planos coletivos com mais de 30 beneficiários, que sofreram aumentos entre 15% e 20%. Segundo o advogado Julius Conforti, não faz sentido a ANS calcular uma média sobre algo que ela não controla, já que os aumentos dos planos coletivos são negociados pelas operadoras diretamente com as empresas que os contratam, sem qualquer interferência da agência.

Neste ano, a ANS afirma ter levado em conta também outros fatores, sendo o principal deles a inclusão de 60 novos procedimentos médicos no rol de coberturas obrigatórias dos planos individuais. Argumento que também não convence. Outra especialista, a advogada Renata Vilhena, afirma que antes de tais procedimentos entrarem naquele rol deve haver tanto uma ampla discussão a respeito como uma análise do seu impacto nos custos.

Todos concordam que a situação dos usuários de planos individuais - e a dos planos coletivos não é muito diferente - é grave, porque eles enfrentam uma combinação de fortes aumentos com baixa qualidade do atendimento. Continua elevado o número de reclamações sobre negativas de atendimento, descredenciamento frequente de médicos e laboratórios, além de prazos longos para a marcação de consultas, exames e cirurgias. Neste último caso, bem que a ANS tentou ajudar, fixando prazos máximos para atendimento. Mas essa medida tem alcance limitado, porque a rede de médicos, laboratórios e hospitais é pequena para atender à demanda e este é um obstáculo que simples medidas administrativas não podem remover.

Em resumo, os usuários de planos de saúde pagam cada vez mais caro por um serviço cada vez pior. O caso dos planos individuais é ainda mais preocupante, porque, apesar de seus aumentos ficarem acima da inflação, as operadoras continuam descontentes com o controle que sobre eles exerce a ANS. Por isso, muitas operadoras não se interessam mais por eles nem os vendem mais.

Como ficarão milhares de pessoas que deles precisam? E o que dizer dos usuários, muito mais numerosos, dos planos coletivos, às voltas com um atendimento que, por sua demora, se aproxima cada vez mais do SUS?

Sucessivos governos acreditaram que, com os planos de saúde atendendo boa parte da população, poderiam deixar de investir na ampliação e na melhoria da rede de saúde pública, que hoje é o que todos sabem. Essa foi uma aposta desastrada, como mostra o quadro nada animador da saúde privada, cujos usuários em muitos casos já começam a procurar o SUS. Chegou a hora da verdade, e ela é amarga. Recuperar o tempo perdido, com investimentos maciços no SUS, numa fase pouco brilhante da economia, não será nada fácil.

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 01 / 08 / 2013

O Globo
"Dinheiro pelo ralo: Sete em cada 10 cidades fazem mau uso de verba da Educação"
 

Fiscalização descobre licitações simuladas, contratos irregulares e superfaturamento

De acordo com relatório da Controladoria Geral da União, em 73,7% dos 180 municípios inspecionados em 2011 e 2012 houve problemas nos gastos do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). É grande a relação de irregularidades apontadas pela CGU na gestão dos recursos da Educação, por parte das prefeituras: direcionamento e simulação de processos licitatórios; gastos incompatíveis com o objetivo do Fundeb; elaboração de contratos irregulares; movimentação de dinheiro fora de conta específica; descumprimento da regra de destinar 60% dos recursos do Fundo à remuneração dos professores. Em nota, o MEC afirmou que qualquer irregularidade no uso de recursos do Fundeb deve ser apurada e punida com rigor.


O Estado de S. Paulo
"Dilma decide tirar transporte urbano do cálculo de dívidas"
 

Gastos de Estados e municípios em projetos não serão contabilizados pela Lei de Responsabilidade Fiscal

A presidente Dilma Rousseff decidiu retirar os projetos de mobilidade urbana do cálculo de endividamento de Estados e municípios, informam os repórteres Débora Bergamasco e Mauro Zanatta. A medida a ser tomada pelo governo visa a desafogar as contas, ajudar na recuperação do crescimento econômico e aplacar o clamor das ruas por melhoria nos serviços de transportes públicos. Se o projeto entrasse em vigor imediatamente, prefeitos e governadores teriam R$ 35,3 bilhões para gastar em projetos urbanos sem comprometer as contas com a Lei de Responsabilidade Fiscal.


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quarta-feira, julho 31, 2013

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Opinião

Um choque de otimismo

O Estado de S.Paulo
Em outros tempos, o município ribeirinho de Melgaço, no norte do Pará, com 25 mil habitantes, metade dos quais analfabetos, poderia ser apontado como exemplo extremo do atraso nacional em termos de saúde, educação e renda per capita. Símbolo às avessas do que aconteceu com o País ao longo de dois decênios, mais precisamente de 1991 a 2010, Melgaço aparece hoje no noticiário como a grande exceção que confirma a regra das mudanças havidas nesse período em matéria de longevidade, rendimento médio, acesso à escola - e até mesmo na área pantanosa das desigualdades regionais. O ermo está em último lugar na nova versão do Índice de Desenvolvimento Humano dos Municípios brasileiros (IDHM), construído com dados do Censo de 2010. Os anteriores basearam-se nas informações coletadas em 1991 e 2000, respectivamente.

Do primeiro estudo ao atual, o salto é de dar um choque de otimismo. Em 1991, numa escala ascendente de 0 a 1, o IDHM médio era de 0,493, ou "muito baixo", a pior das categorias em que se divide a tabela. Em 2000, na metade do segundo mandato do presidente Fernando Henrique, subiu para 0,612, no nível intermediário. Por fim, em 2010, no último ano da era Lula, alcançou 0,727, já na faixa alta. (O IDHM de Melgaço é de 0,418.) Do levantamento original ao que acaba de ser divulgado, o ganho, portanto, foi de 47,5%. Dito de outro modo, em menos de uma geração a parcela de municípios com IDHM muito baixo despencou de 86% para 0,6%.

Além disso, contrariando a tendência histórica de que as coisas melhoram menos onde mais precisariam melhorar, na década passada os ganhos proporcionais de qualidade de vida nos municípios do Norte e Nordeste mais do que dobraram em relação aos do Sul e Sudeste - enquanto, ainda por cima, aumentava a diferença entre o topo e a base do IDHM. Apesar do impacto das políticas de redistribuição de renda semeadas nos governos Fernando Henrique e elevadas exponencialmente por Lula, nos anos dourados do crescimento econômico do País, o que mais contou para alçar a patamares sem precedentes o desenvolvimento humano nos 5.565 municípios brasileiros foram os avanços em longevidade, medida pela expectativa de vida das pessoas ao nascer. O índice, nesse caso, é de 0,816, considerado "muito alto", ante 0,739, no quesito renda per capita, e 0,637, apenas "médio", em educação.

Os brasileiros vivem mais graças à virtuosa combinação de dois fatores: queda expressiva das taxas de mortalidade infantil e de fecundidade (número de filhos por mulheres em idade fértil). Políticas públicas e decisões pessoais mais bem informadas explicam por que, em mais da metade dos municípios, o índice decrescente de óbitos por mil nascidos vivos já alcançou a meta da ONU para 2015 e o crescimento demográfico se tornou negativo. A expectativa média de vida no País, da ordem de 73 anos, seria ainda maior não fosse a violência que dizima a população mais moça. A mortandade entre adolescentes e jovens adultos atinge 134 por 100 mil habitantes, ou 2,5 vezes o cômputo geral - e a diferença só tende a aumentar.

O que puxa para baixo o IDHM, mais do que qualquer outra variável singular, são os números da educação, classificados como "muito baixos" em quase 30% das cidades brasileiras. Paradoxalmente, foi o setor em que o País mais progrediu, em comparação com os demais. O índice cresceu de 0,279 para 0,637 - ou 128%. Compreende os porcentuais da população frequentando ou tendo completado o ensino fundamental e médio. Entre 1991 e 2010, a proporção de jovens (15 a 17 anos) com o antigo primário completo praticamente triplicou, chegando a 57% do total. Mas, na faixa de 18 a 20 anos, beira 60% o contingente que não concluiu o colégio. É o gargalo do sistema.

As estatísticas da educação seriam melhores sem o estoque do passado: em média, os brasileiros com 25 anos ou mais têm somente 7,2 anos de estudo, ao passo que, hoje em dia, se espera que a criança recém-matriculada no fundamental só deixe de estudar 13,8 anos depois. A questão de fundo é o que ela terá aprendido ao longo desse tempo. Pelos padrões de hoje, muito pouco. A má qualidade da educação é o grande freio ao desenvolvimento humano do País.

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 31 / 07 / 2013

O Globo
"Enchente estatal: Adutora rompe, mata criança, destrói casas e inunda bairro"
 

Jato d´água de 20 metros de altura deixa rastro de destruição em três quarteirões de Campo Grande

Moradores contam que tubulação da Cedae apresentava rachaduras e sofreu reparos recentemente. Empresa nega, mas hipótese é investigada pela polícia, que suspeita também de terraplenagem. O rompimento de uma adutora da Cedae matou uma menina de 3 anos e deixou um rastro de destruição, ontem, em Campo Grande, na Zona Oeste. O jato d'água, que atingiu 20 metros de altura, inundou três quarteirões, destruiu 17 casas, invadiu outras 200, arrastou carros e deixou 16 feridos. Bombeiros usaram botes para resgatar as vítimas, levadas para hotéis da região. Moradores dizem que a tubulação apresentava rachaduras e que, recentemente, funcionários da Cedae fizeram reparos na adutora. A companhia desmente. A polícia, porém, suspeita que o acidente seja resultado de um conserto malfeito ou de terraplenagem. Ao visitar o local, ao lado do prefeito Eduardo Paes, o governador Sérgio Cabral foi hostilizado por um grupo de moradores.


O Estado de S. Paulo
"Dilma libera R$ 6 bi em emendas até o fim do ano"
 

Presidente reúne dez ministros no Alvorada e decide que recursos para aliados vão sair em três parcelas

Pressionada por aliados e antevendo nova rebelião no Congresso a partir da próxima semana, quando deputados e senadores voltam das férias, a presidente Dilma Rousseff determinou a liberação de recursos para três lotes de emendas parlamentares, num total de R$ 6 bilhões. Dilma pediu aos dez ministros com quem se reuniu ontem no Palácio da Alvorada uma lista dos principais projetos contidos nas emendas paradas em cada pasta. Embora o governo tenha anunciado corte adicional de R$ 10 bilhões no Orçamento para cumprir a meta fiscal e recuperar a confiança do mercado na política econômica, Dilma decidiu manter a reserva para o pagamento de emendas. A presidente foi aconselhada a agir para neutralizar a proposta do orçamento impositivo, que tornaria obrigatória a execução das emendas parlamentares, movimento liderado pelo PMDB. Os R$ 6 bilhões devem ser liberados em três parcelas, em agosto, setembro e novembro.


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terça-feira, julho 30, 2013

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Opinião

Plano da conta de luz queimou

O Estado de S.Paulo
O governo está enrolado financeiramente em mais uma operação mal planejada, mal executada e concebida para objetivos errados - subsidiar a conta de luz para maquiar os custos e a inflação. Como falta dinheiro em fundos setoriais para pagar as indenizações devidas a empresas de eletricidade, o Tesouro tem de entrar em cena para pagar R$ 6,7 bilhões em quatro anos, segundo estimativa divulgada ontem pelo Estado. Com apenas uma iniciativa, anunciada em setembro do ano passado pela presidente Dilma Rousseff, o Executivo federal cometeu três erros: distorceu custos, disfarçou a inflação, empurrando para a frente um problema de enorme importância econômica, e sobrecarregou mais uma vez as finanças do setor público.

O governo decidiu no ano passado antecipar a renovação das concessões às companhias do setor elétrico. Uma das condições seria a redução média de 20% do valor das tarifas. A Cemig, a Cesp e a Copel, no entanto, recusaram a proposta. Por isso, o governo teve de assumir encargos maiores para garantir o benefício prometido a todos os consumidores. A situação ainda se complicou quando a seca, no fim de 2012, tornou necessário o uso da energia mais cara produzida por usinas térmicas. Seria preciso neutralizar também esse aumento de custo, para cumprir a promessa de reduzir a conta de eletricidade.

A maior parte do dinheiro para cobrir o subsídio deveria sair da Reserva Global de Reversão, criada para indenizar concessionárias no caso de suspensão do contrato. Com o novo plano, o dinheiro seria usado principalmente para financiar a nova e confusa iniciativa do governo. Havia R$ 15,2 bilhões disponíveis em janeiro. Em maio o saldo estava reduzido a R$ 6,4 bilhões. O valor atualizado, segundo estimativa extraoficial, é de R$ 2,4 bilhões.

Entre janeiro e maio, a Conta de Desenvolvimento Energético, destinada a financiar, entre outros, o programa Luz para Todos, foi reduzida de R$ 2,5 bilhões para R$ 223,3 milhões. Como essa conta era alimentada pelos consumidores, via conta de luz, a redução das tarifas praticamente extinguiu essa fonte. Em maio, R$ 2,5 bilhões saíram da Reserva Global de Reversão para esse fundo, em operação mantida em sigilo e recém-descoberta pelo Estado. Todos esses detalhes foram mostrados na reportagem.

Dos R$ 20 bilhões devidos às empresas participantes do plano de renovação antecipada, o governo pagou R$ 7,69 bilhões em janeiro e provavelmente - faltam informações atualizadas - mais R$ 3 bilhões até junho. O dinheiro disponível nos fundos setoriais é obviamente insuficiente para a liquidação do restante, com desembolso médio estimado em R$ 500 milhões por mês. A esse valor é preciso acrescentar uma remuneração de capital de 5,59% ao ano.

A aventura anunciada em setembro pela presidente Dilma Rousseff converteu-se em problema orçamentário, com graves implicações para os resultados fiscais. Isso explica a decisão do governo de antecipar o recebimento de recursos da Itaipu Binacional. Seria mais um truque para maquiar o resultado das contas públicas. Diante das críticas, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, já anunciou o abandono dessa ideia.

O balanço é inequívoco. Mais uma vez o governo se meteu em dificuldades ao cuidar de maneira errada de dois problemas importantes. Um deles é o alto custo da eletricidade para todos os consumidores. Esse é um componente importante do custo Brasil e um encargo muito pesado para a maioria dos consumidores. Além disso, o subsídio à conta de luz disfarçaria, a curto prazo, a inflação acelerada.

Em vez de atacar as causas dos problemas - o alto custo da energia, uma questão estrutural, e a aceleração dos preços ao consumidor, um desafio imediato -, o governo preferiu disfarçar a realidade. Como sempre, agravou os problemas ao tentar contorná-los. Nada se resolverá sem a execução eficiente de projetos para a produção de energia, sem a revisão dos componentes de custos (a começar pelos tributos) e, a curto prazo, sem um ataque mais firme às causas da inflação.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 30 / 07 / 2013

O Globo
"A revolução de Francisco - Papa moderniza discurso sobre gays, mulheres e divorciados"
 

Pontífice considerou a viagem um sucesso e disse que brasileiros têm um grande coração

"Se uma pessoa é gay, procura Deus e tem boa vontade, quem sou eu, por caridade, para julgá-la?"
"A mulher na Igreja é mais importante que os bispos e os padres. Acredito que falta uma especificação teológica"
"Os divorciados podem fazer a comunhão. Não na segunda união. Este problema deve ser estudado"

No voo de volta do Rio, onde participou da Jornada Mundial da Juventude, para Roma, o Papa Francisco fez declarações que surpreenderam vaticanistas, ao defender os homossexuais, ao pregar um papel mais ativo das mulheres na Igreja e ao prometer que a complexa questão dos divorciados será analisada pela cúpula da instituição. O Pontífice defendeu os homossexuais, dizendo que "eles não devem ser discriminados e devem ser integrados à sociedade" E perguntou: "Se uma pessoa é gay, procura Deus e tem boa vontade, quem sou eu, por caridade, para julgá-la?" Sobre as mulheres, pregou que tenham um papel mais ativo na Igreja, mesmo descartando a possibilidade de que celebrem missas: "A mulher na igreja é mais importante que os bispos e os padres.” O fato de muitos divorciados, num segundo casamento, terem negada a comunhão foi chamado de problema pelo Papa. Ativistas gays elogiaram o discurso, considerado capaz de reduzir o preconceito. Teólogos afirmaram que o discurso do Papa já começa a aproximar a Igreja do mundo moderno, mas questionam se isso será seguido pela instituição.


O Estado de S. Paulo
"Papa acolhe gays, diz que não pode julgá-los e ataca lobby na Igreja"
 

Francisco afirmou não condenar um homossexual de boa vontade que procura Deus; no voo para Roma, o pontífice tratou de temas polêmicos, como divórcio

Em entrevista de quase 1h30 no voo para Roma, o papa Francisco disse que os gays não devem ser discriminados, mas sim integrados à sociedade, e que o Vaticano se prepara para acolher divorciados, facilitando a anulação de casamentos. “Se uma pessoa é gay, procura Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la”, declarou. Francisco, porém, afirmou que não haverá nova posição da Santa Sé sobre ordenação de mulheres, aborto ou casamento gay. O papa criticou lobbies na Igreja: “O problema não é ter essa tendência (homossexual). O problema é fazer lobby, o lobby dos avaros, dos políticos, dos maçons, tantos lobbies. Esse é o pior problema”. Para o presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de SP, Fernando Quaresma, a “declaração representa um grande avanço”. Descontraído, Francisco afirmou ainda ser uma pessoa “normal”, que “peca”.


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segunda-feira, julho 29, 2013

Arte

Julian Sutherland-Beatson

Pitacos do Zé

Só por hoje (I)

José Ronaldo dos Santos
Ao redor de nós temos de tudo um pouco: abusados, pacíficos, folgados, furiosos, ladrões, honestos, gentis, safados etc. Assim são os seres humanos!

O que parece comum nos últimos tempos é a vontade de se aproveitar das ocasiões, de levar o máximo de vantagem em tudo. Também a vontade de vingança é perceptível a todo instante: “Tomara que morra logo”; “Se Deus quiser você pagará por isso”... A vingança parece ser uma necessidade.

Tudo isso - que demonstra a vontade de ser mais que o outro, de buscar a desforra etc. -, deixa-nos com um sentimento de vazio e sujeira.

Será mesmo? Afinal, conforme disse o professor Oswaldo Paulino, “a nossa geração calçou as botas de sete léguas e conquistou as maravilhas da chamada era tecnológica”. Assim, em nome desse conforto material, tudo parece valer: uso e abuso de medicamentos, de cosméticos, de pesticidas, de hormônios, de descartáveis etc.

O que se pergunta é:

O que está faltando para que superemos as nossas insatisfações e angústias?

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Opinião

Internet e democracia direta

O Estado de S.Paulo
As manifestações populares de junho tiveram o dom de despertar, por um lado, uma insuspeitada aplicação de parlamentares, governantes e partidos políticos e, por outro, a livre imaginação dos cidadãos em geral, todos voltados para a busca de novos meios e modos para o aperfeiçoamento da representação popular e dos mecanismos de captação da vontade das ruas. Descontados os inevitáveis exageros e impropriedades, é muito bom que assim seja. A democracia é um processo que exige participação ativa e permanente de todos, governantes e governados. Principalmente quando a cidadania descobre que esse processo está muito longe de atender às exigências mínimas do bem comum.

Chama a atenção em particular uma proposta de emenda à Constituição (PEC), oriunda do Senado, onde foi relatada, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), pelo senador Lindbergh Farias (PT-RJ). Essa PEC, aprovada por aclamação na CCJ, reduz pela metade (de 1% para 0,5% do eleitorado nacional) a exigência de assinaturas para a apresentação de projetos de lei de iniciativa popular e abre a possibilidade de que essas assinaturas sejam colhidas também pela internet.

A conveniência ou não de reduzir pela metade o número de assinaturas exigidas para a apresentação de projetos de lei de iniciativa popular é uma questão que ainda divide opiniões de políticos e especialistas. Os que são a favor argumentam - em muitos casos, com indisfarçável inspiração demagógica e populista - que a redução de cerca de 1,5 milhão de assinaturas para aproximadamente 700 mil é um importante estímulo para a multiplicação das desejáveis iniciativas dessa natureza. Em sentido oposto, há quem acredite que essa redução poderá facilitar, isso sim, a manipulação de grupos de interesses específicos - religiosos, por exemplo -, já que induzir 700 mil cidadãos a subscrever um projeto de lei é tarefa obviamente muito mais exequível do que ter que arregimentar o dobro desse número.

Por outro lado, pode ser proveitosa a ideia de permitir que a subscrição de projetos de iniciativa popular seja feita também pela internet. Tratar-se-ia de colocar um notável desenvolvimento tecnológico a serviço do processo democrático. A internet já tem cumprido esse papel ao potencializar a comunicação entre os cidadãos e, consequentemente, a discussão de temas e pleitos de interesse comum, conforme ficou evidente nas manifestações de junho. Seria, portanto, desejável que essa conquista tecnológica, que amplia enormemente o eco popular, fosse colocada também a serviço dos procedimentos eleitorais e legislativos.

Deve-se tomar cuidado, contudo, com o açodamento com que muita gente já vislumbra no uso da internet um atalho para a implantação da chamada democracia direta. É certamente ainda muito cedo para saber com precisão em que medida, e exatamente de que forma, a internet contribuirá para o exercício da democracia. Se informação é poder - e um paradigma importante que a internet está quebrando é o do controle da informação pela mídia tradicional -, não há dúvida de que ela poderá ser cada vez mais um instrumento essencial para o aperfeiçoamento da convivência democrática.

Mas é preciso ir devagar com o andor. Até porque no caso do Brasil, como no da esmagadora maioria dos países, apesar da crescente expansão de seu uso, a internet é ainda ferramenta ao alcance apenas da população que desfruta de renda suficiente para pagar por ela. É uma mídia ainda privativa de segmentos privilegiados da população. Isso não impede, é claro, que a internet seja usada para vocalizar os anseios e necessidades das camadas da população economicamente menos favorecidas ou mesmo marginalizadas da atividade econômica. Basta que o façam os cidadãos que a ela têm acesso e que também têm consciência das mazelas sociais que o mundo ainda não conseguiu resolver.

Mas aí a questão extrapola para o âmbito da educação, sem a qual é impossível desenvolver consciência cívica e solidariedade social. Também nisso a internet pode, é claro, ser extremamente útil. Mas ela é apenas meio, não fim - e jamais uma panaceia para as questões superiores da política.

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U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 29 / 07 / 2013

O Globo
"Jornada Mundial da Juventude - No adeus ao Rio, Papa defende reforma profunda na Igreja"
 

Pontífice prega diálogo com o mundo atual e pede que missionários ocupem as periferias

Na missa de despedida em Copacabana para cerca de três milhões de pessoas, o maior público já reunido num evento no Rio, Francisco diz que os jovens precisam sair em busca de discípulos. Antes de embarcar para Roma, admite já sentir saudades. Em discurso para bispos da América Latina, o Papa Francisco defendeu ontem uma grande reforma na Igreja capaz de ampliar o diálogo com as novas gerações e, assim, renovar uma base de fiéis que encolhe em todo o continente. O Pontífice convocou os religiosos a amar a pobreza e a austeridade, e disse que a Igreja deve sair do centro e caminhar para as periferias. Condenou a postura reativa dos padres e pediu que eles abandonem a "psicologia de príncipes" saindo das sacristias para a rua. O Papa pediu uma Igreja menos ideológica, que evite "desde o liberalismo de mercado até a categorização marxista" Na manhã de ontem, durante a Missa de Envio, que reuniu em Copacabana três milhões de pessoas — um evento que concentrou o maior público em toda a História da cidade —, o Papa Francisco convocou os jovens a espalhar as palavras do Evangelho pelo mundo. Cracóvia, na Polônia, é a cidade que receberá a próxima Jornada Mundial da Juventude, em 2016. Ao se despedir do Brasil, agradeceu a hospitalidade dos cariocas, disse já começar a sentir saudades e afirmou: "Rezem por mim e até breve".


O Estado de S. Paulo
"Tesouro bancará R$ 6,7 bi do desconto da conta de luz"
 

Parte dos recursos de fundo criado pelo governo para reembolsar empresas do setor cobriu outras despesas

O governo não tem mais recursos em fundos setoriais para indenizações que terá de pagar às empresas do setor elétrico que aderiram ao pacote de renovação antecipada das concessões, informam os repórteres Anne Warth e João Villaverde. A medida bancou o desconto médio de 20% na conta de luz para os consumidores, anunciado pela presidente Dilma Rousseff em cadeia de rádio e TV. O Tesouro Nacional terá de desembolsar pelo menos RS 6,7 bilhões em quatro anos para reembolsar as companhias. Parte do dinheiro do fundo criado para indenizar as concessionárias cobriu outra despesa. Em maio, R$ 2,5 bilhões foram para a Conta de Desenvolvimento Energético, que financia gasto com usinas térmicas, programas para a população de baixa renda, Luz para Todos e alguns subsídios. A operação, apurada pelo Estado, vem sendo mantida sob sigilo pelo governo.


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domingo, julho 28, 2013

Tio Sam, que tudo vê...

Está de olho em você!

Colunistas

Por Amanda

Em conto sobre a irmã recentemente falecida, colunista reflete sobre o papel do escritor, “aquele sujeito que só ganha o direito de se foder e ser aplaudido por isso”

Márcia Denser
Eis a parte inicial do meu conto (conto? Novela? Também ainda não sei) sobre minha irmã morta, lembrando que fazer ficção a partir da própria dor (enquanto ainda está doendo) é o mesmo que subornar o diabo pra nos guiar numa excursão pelo inferno. Até porque, afinal de contas, escritor é aquele sujeito que só ganha o direto de se foder e ser aplaudido por isso.


Por Amanda

Adriano,

Hoje é sábado e eu perambulo pela casa gritando o nome dela, clamando a ausência de Amanda, chorando desesperadamente e então compreendo: o tempo, a memória seletiva – sempre tendendo a fixar o bom e descartar o ruim para curar a dor – está fazendo com que vá se apagando a lembrança do horror vivido lado a lado à doença e à loucura, que não deveriam ser percebidas e sentidas separadamente, mas não foi assim, dado o alívio obtido com sua morte, morte do corpo daquela cuja alma já havia morrido muito antes, corpo que era absolutamente inútil e impossível continuar vivo.

Quer dizer, que ela o mantivesse e que nós a ajudássemos a mantê-lo vivo, contudo, essa terceira personalidade que se instaura, a despeito de nós e dela mesma, composta por nós, ela e os próximos mais aproximados, subterrânea e sofregamente, conspirava no sentido contrário, isto é, do declínio e da morte, dum maldito arremate para aquela cujo corpo, se curado, daria sustentação unicamente à sua loucura – algo infinitamente mais doloroso do que a própria morte – a loucura, esta sim, sem espaço nem tempo junto aos vivos, aos sãos, àqueles portadores de cédulas de identidade e contas bancárias.

Como se isso fosse vida. Falando metafisicamente, claro. Que ninguém vai brincar aqui com o Banco Itaú, a Vivo ou a Net e todas essas coisas que realmente fazem parte da vida que vale a pena ser vivida, mas que porra.

Evidentemente – a coisa só agora fica clara –, é por isso que ando com medo de escrever, que não escrevo há muito tempo, apenas alimentando a fuga e a hipocrisia, estes demônios gêmeos.

Então, subitamente me dando conta do que estou tentando dizer, compreendo a absoluta necessidade de deslocar o destinatário desta, de Adriano, filho dela e meu sobrinho – meu único parente de sangue ainda vivo – até porque este seria o leitor, aquele que é afetado emocional e diretamente pela literatura, mas agora ainda não, neste momento não (ou nunca), ele não, muito menos como leitor sobretudo privilegiado, posto que antes de tudo o filho de sua mãe não teria estrutura, nem física tampouco emocional, pra suportar tudo isso que a mim mesma é insuportável, então decidi te tornar, Juliano, pai de Adriano, meu destinatário e leitor privilegiado, até porque eu falei em “demônios gêmeos” e então subitamente compreendi que a cumplicidade mais íntima é tua, bem como a objetividade para examinar como que de longe, como que do lado de fora, esta dor sendo agora minuciosamente inventariada.

E eu tenho vontade de me matar só de escrever isto –  fazer duma vida e duma morte um inventário minucioso – como a liquidação dos bens dela, dos livros e teses e roupas e toalhas de banho e porta-retratos e DVDs, todos e cada um dos objetos – brincos quebrados,  comprimidos, dragõezinhos de cerâmica, a fotografia do Cerro de Buenos Aires – tudo aquilo que constituiu o espólio duma menina morta.

Porque ao fazer literatura vou ter que pegar pesado e nem eu quero ler isso, eu, o maldito leitor privilegiado por excelência. É como meter-se no inferno sem mapa ou guia que indique a saída. Mas que porra.

Publicdo originalmente no "congressoemfoco"

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Opinião

As respostas reprovadas

O Estado de S.Paulo
Se a presidente Dilma Rousseff tivesse pela opinião dos brasileiros o "respeito decente" que o americano Thomas Jefferson pregava, em relação ao mundo, há quase 240 anos, convocaria uma rede nacional de emissoras para admitir que errou ao se vangloriar de ter ouvido - e entendido - a voz das ruas. Foi o que disse para justificar a confecção, da noite para o dia, dos cinco "pactos em favor do Brasil" com os quais quis fazer crer que atendia às demandas nacionais por serviços públicos "padrão Fifa", combate efetivo à corrupção e mudança radical de atitude dos poderosos de turno diante da sociedade que os sustenta. Aliás, o carro-chefe de tais respostas, o plebiscito para a convocação de uma Constituinte que faria a reforma política em lugar do Congresso, não durou mais de um dia, por sua patente ilegalidade. Foi substituído pela proposta de uma consulta popular sobre o que mudaria nas regras políticas, para vigorar já no ano eleitoral de 2014. A "sugestão" foi abatida pelos aliados do governo na Câmara.

Dilma apresentou os cinco pactos numa reunião em 24 de junho. Em 1.º de julho, anunciou-os no seu programa semanal de rádio. Oito dias depois, o Ibope começou mais uma de suas pesquisas sobre a avaliação da presidente, entre outros itens, para a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Os resultados se revelaram arrasadores para as pretensões de Dilma de ter tomado, a tempo e hora, as iniciativas que as manifestações cobravam. Os números são cristalinos sobre o fiasco: 46% dos entrevistados disseram rejeitar as medidas da presidente, ante 27% dos que as endossaram. Quase 1/3 dos consultados (31%) as desaprovou totalmente e só 14% as aprovaram sem restrições. Faz sentido. Primeiro, porque a reforma política simplesmente não consta das prioridades populares - saúde (citada por 71%), segurança (40%) e educação (37%). Segundo, porque as iniciativas - alheias, por sinal, à questão da segurança - não sensibilizaram a maioria.

Tem-se assim que o pleno apoio aos gestos de Dilma para mostrar serviço não chega nem à metade dos 31% que avaliam o seu governo como "ótimo" ou "bom". Esse, a propósito, é o patamar registrado pelas duas outras sondagens do gênero, sob o impacto das jornadas de junho. Antes, Dilma ainda voava numa zona de conforto, com a popularidade no nível de 55%, apesar da turbulência provocada pela inflação que a derrubou do pico de 64%, alcançado em abril último. O levantamento confirma que, hoje, a aprovação à petista não vai além do piso histórico do partido. Mesmo Lula, para se eleger e reeleger, sempre em segundo turno, dependeu do eleitorado de outras legendas. Embora seja cedo para prever como estará o prestígio da presidente quando se aproximar a campanha sucessória, pode-se dar como certo que só por milagre ela se reelegerá na primeira rodada - o que era tido como certo, ou altamente provável, poucos meses atrás. Isso, se o "volta, Lula" não se impuser, queira ele ou não.

O que remete à segunda mais importante revelação da pesquisa, depois do fracasso de público das propostas presidenciais. Pela primeira vez, a parcela dos que consideram a gestão Dilma pior que a do seu patrono passou a predominar de forma acachapante. São 46%, ante 25% em junho e 18% em março. Apenas 10% preferem o governo Dilma. Eram, respectivamente, 16% e 20%. O contingente dos que acham que ambos se equivalem caiu, também pela primeira vez, para menos da metade: são 46%. E dizer que, na quarta-feira, véspera da divulgação da sondagem, Dilma decidiu, numa conversa reservada de três horas com Lula, que não cortará Ministérios nem tão cedo trocará ministros. Fazê-lo, argumentou, seria ceder a pressões. Decerto ignora que o velho Ulysses Guimarães, um político de quatro costados, se gabava de só decidir sob pressão. A teimosia da presidente lembra a fábula do escorpião que pica o sapo que o transportava pelo rio. Mesmo sabendo que irá se afogar, não pode contrariar a própria natureza.

Resta a Dilma o duvidoso consolo de não estar mal na foto sozinha. Tem a companhia de quase todos os governadores dos 11 Estados pesquisados, a começar do aliado Sérgio Cabral, aprovado por meros 12% dos cariocas.

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 28 / 07 / 2013

O Globo
"Paes quer centralizar decisões para evitar falhas na Copa e nos Jogos"
 

Prefeitura e governo do estado defendem também um comando único para a segurança

Obras inacabadas, falhas de planejamento, caos nos transportes e protestos violentos, que marcaram a Copa das Confederações e a visita do Papa Franciscso, colocaram em xeque a capacidade do Rio em organizar os próximos megaeventos. O prefeito Eduardo Paes quer centralizar as decisões sobre a organização das partidas da Copa do Mundo no Rio, em 2014, e dos Jogos Olímpicos de 2016. Assim, ele espera evitar a repetição das falhas estruturais que aconteceram durante a Copa das Confederações e a Jornada Mundial da Juventude e acabaram pondo em xeque a capacidade da cidade de preparar megaeventos. "Quem sabe o que é importante para o Rio é a prefeitura. A gente tem que intervir mais nos comitês organizadores, prestar mais atenção se estão tomando as decisões certas", diz Paes. O governo do estado já concordou em repassar para a prefeitura a coordenação das obras do Complexo Esportivo de Deodoro, cujo cronograma está atrasado em quase um ano. Paes vai propor à presidente Dilma Rousseff que a segurança tenha um comando único, ideia que conta com o apoio do governador Sérgio Cabral. E vai sugerir que concessionárias, como a Metrô Rio e a SuperVia, adotem medidas extras de prevenção - os chamados sistemas redundantes - que evitem a suspensão de serviços em caso de defeitos. Cabral admitiu que houve falhas durante a Jornada, em especial a pane no metrô.


Correio Braziliense
"Papa diz que futuro exige a reabilitação da política"
 

“Entre a indiferença egoísta e o protesto violento, há uma opção sempre possível: o diálogo” Papa Francisco

Em seu discurso mais contundente, pontífice cobra ética dos governantes, ações de combate à pobreza e uma visão humanista da economia. O líder da Igreja Católica também defende o Estado laico, para que as religiões possam conviver pacificamente. A descontração ficou para a homenagem do índio pataxó Ubiraí, que presenteou o papa com um cocar, prontamente usado por Francisco. 


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