sábado, julho 27, 2013

Ninja

Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

São Paulo privatiza aeroportos

O Estado de S.Paulo
Com a infraestrutura aeroportuária de São Paulo próxima do colapso, o governo paulista decidiu privatizar ao menos 11 aeroportos - 5 dedicados à aviação executiva e 6 à comercial. Além disso, a iniciativa privada foi autorizada a construir, administrar e explorar comercialmente o primeiro grande aeroporto particular exclusivo para jatos executivos. Trata-se, enfim, do reconhecimento de que não deve ser atribuição exclusiva do Estado bancar os investimentos necessários para expandir os aeroportos e para gerenciá-los adequadamente, ainda mais diante do enorme crescimento da demanda verificado nos últimos anos.

O primeiro lote de concessões, com prazo de 30 anos, engloba os aeroportos de Campinas (Amarais), Jundiaí, Bragança Paulista, Itanhaém e Ubatuba, todos destinados à aviação executiva. Além disso, o governo estuda adotar Parceria Público-Privada (PPP) para os aeroportos comerciais de Ribeirão Preto, Bauru/Arealva, São José do Rio Preto, Marília, Araçatuba e Presidente Prudente, os mais movimentados da rede estadual.

No geral, os 27 aeroportos administrados pelo Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp) registraram um aumento de 134% no movimento entre o primeiro semestre de 2009 e o mesmo período de 2012. O total de passageiros saltou de 710 mil para 1,6 milhão. Com isso, o orçamento anual do Daesp para conservação estrutural e melhoria de segurança dos aeroportos cresceu de R$ 20 milhões em 2010 para R$ 141,9 milhões neste ano - incluindo-se nesse valor o investimento previsto para os projetos de aumento da capacidade dos aeroportos.

A aviação no interior de São Paulo teve um grande impulso nos últimos anos. Em 2006, Bauru ganhou um aeroporto. Araraquara terá o seu ainda este ano, com capacidade para 500 mil passageiros. Franca e Votuporanga estão ampliando seus terminais para receber voos comerciais. Apesar desse movimento e do interesse crescente das companhias aéreas, o Daesp vinha registrando prejuízo com a operação nos aeroportos regionais. Houve perda de R$ 17 milhões em 2010 e de R$ 6 milhões em 2011. No ano passado, porém, registrou-se superávit de R$ 3 milhões e, segundo o Daesp, a receita se estabilizou.

No entanto, a necessidade de investimentos cada vez maiores é evidente. O Daesp previa, por exemplo, que o aeroporto de Ribeirão Preto, cuja capacidade foi ampliada de 300 mil para 2 milhões de passageiros anuais, atingiria 1 milhão de passageiros em 2015 - mas essa marca foi superada já em 2011.

No quadro específico da aviação geral, que engloba jatos e helicópteros privados, o problema é particularmente grave. São Paulo tem 28% da frota nacional, que, por sua vez, é a segunda maior do mundo. Essas aeronaves têm enfrentado cada vez mais dificuldades para usar os grandes e saturados aeroportos da Grande São Paulo, porque a Infraero, responsável pela administração desses terminais, lhes limitou os espaços para pousos e decolagens para favorecer a aviação comercial.

Com isso, a iniciativa privada vinha pressionando para obter permissão para construir e explorar aeroportos particulares em São Paulo. O entrave estava no artigo 30 do Código Brasileiro de Aeronáutica, que veda a exploração comercial de terminais privados - ou seja, um empresário podia até construir um aeroporto, mas não podia cobrar tarifa de quem o utilizasse. Isso mudou com o acertado Decreto 7.871, de 2012, que instituiu a chamada "autorização" para a exploração comercial, desde que as empresas privadas se responsabilizem por todos os custos, inclusive os de segurança, e que se submetam à fiscalização e ao regime tarifário da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

O primeiro aeroporto privado em São Paulo sob esse novo regime foi autorizado pelo governo federal e será erguido próximo ao Trecho Sul do Rodoanel Mário Covas. Outros terminais do gênero já estão sendo planejados, num movimento que chega em muito boa hora, ante a necessidade urgente de superar décadas de má gestão estatal dos aeroportos.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 27 / 07 / 2013

O Globo
"Jornada Mundial da Juventude - Só o Papa salva"
 

Uso de discursos populares, proximidade com fiéis e simpatia do Pontífice argentino conquistam brasileiros. Numa Jornada com problemas, à qual o próprio prefeito Eduardo Paes deu nota zero, Francisco é a grande estrela

A escolha de Jorge Mario Bergoglio para Papa da Igreja Católica deixou muito brasileiro ressabiado. Quatro meses depois, em visita ao Rio para a Jornada Mundial da Juventude, evento que sofre com desorganização gigante — caos no transporte público e mudanças de locais de cerimônias em cima da hora, fatos que fizeram o prefeito Eduardo Paes dar nota zero à organização da festa —, o Papa Francisco virou uma unanimidade por sua empatia e comunicação com o público, algo que não se via desde João Paulo II. Circulou pela cidade num carro popular de vidros abertos em dia de mau tempo, sorrindo e beijando criancinhas. Quebrou protocolos e disse que gostaria de entrar em casas de Varginha para tomar cafezinho, mas não cachaça. E lembrou do hábito dos brasileiros de colocar mais água no feijão para partilhar comida, deixando fiéis histéricos. Após a Via Sacra, ontem, trezentos manifestantes protestaram na Avenida Atlântica, assustando peregrinos, mas foram isolados pela Força Nacional.


O Estado de São Paulo
"Papa fala em incoerências na Igreja e articula reforma"
 

Mudanças na Cúria serão iniciadas na volta a Roma; parte do tempo no Rio é dedicada a reuniões com cardeais

O papa reconheceu pela primeira vez em público “incoerências” na Igreja e, durante a Jornada Mundial da Juventude, articula uma reforma da Cúria a ser iniciada assim que retomar a Roma. Em pronunciamento durante a via-crúcis, ontem, na Praia de Copacabana, Francisco fez um mea-culpa, diante da Igreja que ele assumiu. Fontes do Vaticano admitiram que o pontífice tem dedicado boa parte de seu tempo ao estudo de mudanças. No Rio, o papa aproveitou folga na agenda, durante a terça-feira, quando estava oficialmente de “descanso”, para discutir projetos com grupos religiosos e cardeais latino-americanos. A meta é criar estrutura que permita esvaziar brigas pelo poder e implementar uma gestão moderna.


Twitter

sexta-feira, julho 26, 2013

Inverno


Coluna do Celsinho

Francisco e George

Celso de Almeida Jr.

Um amigo sugeriu o tema da semana.

Pediu uma reflexão sobre o seguinte fato:

Nos instantes em que, no Reino Unido, o casal William e Kate anunciava o nome do recém nascido bebê real, George, policiais brasileiros encontravam numa caixa de sapatos, em Salvador, um bebê abandonado, batizado Francisco.

Poxa!

Quantos pensamentos sobre os extremos dessa notícia...

Um estudioso de estatística, possivelmente, analisaria as probabilidades destas duas crianças terem uma vida feliz.

Entretanto, sobre quais referenciais basearia o seu estudo?

Uma vida feliz é crescer cercado de mimos, formalidades e pompa?

Ou, jogando futebol em ruas de terra, buscando um caranguejo no mangue e subindo na goiabeira?

Uma vida feliz é a que garante os melhores mestres, o domínio de alguns idiomas, uma sólida formação física e intelectual?

Ou, crescer encarando professores pouco preparados, sofridos; arranhar a língua pátria e ler, durante toda a infância e juventude, uma dúzia de livrinhos engraçados?

Muitos aspectos precisariam ser considerados: a relação com os pais, a atenção, o carinho e o afeto que receberão dos primeiros anos até a fase adulta.

Há, também, os talentos natos.

E, claro, o imponderável, que pode gerar as maiores surpresas.

Como se vê, arriscar qualquer palpite sobre o amanhã destes seres humanos não é relevante.

O que vale, nesta hora, é brindar o nascimento destas duas crianças.

E, torcer para que, no futuro, contribuam para garantir um melhor caminho a todos os filhos, de todos os povos.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

Twitter

Ninja

Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

O lixo, seus dramas, caminhos possíveis

WASHINGTON NOVAES *
Deveria ser de leitura obrigatória para administradores públicos e legisladores em todos os níveis - começando por governo federal, Congresso, governos estaduais, deputados, prefeitos, vereadores -, mas também para empresários e consumidores, o texto Gestão de resíduos sólidos para uma sociedade mais próspera, escrito pelo professor Ricardo Abramovay, do Departamento de Economia, e das pesquisadoras Juliana S. Speranza e Cécile Petitgand, do Núcleo de Economia Socioambiental, todos da Universidade de São Paulo (USP). Dificilmente se encontrará texto mais abrangente sobre a questão dos resíduos e as políticas adequadas que devem norteá-la, mais rico em informações, capaz de levar a mudanças indispensáveis.

É um tema decisivo para o Brasil, que no ano passado produziu 63 milhões de toneladas de resíduos domiciliares, mas não está reduzindo essa geração, nem em termos absolutos nem por pessoa. Segundo o texto, 40% do lixo, pelo menos, vai para lixões ou aterros "controlados". E muito pouco se tem avançado. O problema não se restringe às áreas de saúde pública e de ocupação de espaços urbanos. Por isso os avanços dependerão também de uma "reformulação" até mesmo do setor privado e de seus "padrões de oferta de bens e serviços" - o que já faz parte dos objetivos estratégicos dos países do Primeiro Mundo, que responsabilizam os produtores de bens, o setor de embalagens e os geradores de inovações tecnológicas por soluções que levem a melhor aproveitamento de materiais (em computadores e celulares, por exemplo, ou na área de produtos químicos, na qual já existem 248 mil produtos em circulação; um aparelho de televisão pode ter até mais de 4 mil componentes).

Mas só 10% dos municípios brasileiros apresentaram - no prazo, que já esgotou, estabelecido pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) - seus planos de gestão para a área, eles que devem ser os principais executores. Em geral, enfrentam forte resistência dos produtores de bens, de políticos que a eles se aliam (em troca de "financiamentos para campanhas") e da maioria da própria população, que entende não ser sua a obrigação, porque já paga impostos em que estariam embutidos serviços da área. E isso dificulta a legislação e a aplicação do princípio poluidor/pagador, de onde deveriam vir os recursos. Na Europa, nos EUA, no Japão essa responsabilização do produtor de bens e dos geradores de resíduos tem sido a chave dos avanços.

O texto agora divulgado pelos professores da USP vê muitas ambiguidades no conteúdo da PNRS, começando exatamente pela falta de definição clara das responsabilidades e pelo financiamento e organização da logística reversa, que levaria de volta aos produtores as embalagens dos bens consumidos. Também deixa às prefeituras os custos de coleta e destinação do lixo - o que é muito problemático, principalmente com a predominância de resíduos orgânicos. Só há aterros adequados em 27% dos municípios. A criação de mais aterros e os custos envolvidos incluem-se entre os obstáculos, até por causa da distância, que encarece os custos de transporte do lixo coletado. E a necessidade de formar consórcios entre as municipalidades implica muitas dificuldades políticas, em especial com a resistência dos que temem perder poder ou deixar de influir nas concessões.

Já fizemos alguns avanços importantes em alguns setores - com destaque para pneus descartados, embalagens de agrotóxicos, recebimento obrigatório de pilhas e baterias, óleos lubrificantes -, mas falta muito. Também há avanços na recuperação de embalagens de alumínio (dado o alto custo da energia na produção desse material), do papel e do plástico, do aço. Ainda faltam caminhos para levar quem gera mais lixo a pagar mais.

Problemas não existem só aqui. Resíduos são uma questão difícil em todo o mundo, já que é produzido 1,3 bilhão de toneladas anuais - a produção per capita dobrou nas últimas décadas e chega a 1,2 quilo diário. E a previsão é de que chegue a 2,2 bilhões de toneladas em 2020, embora a tonelagem incinerada ou depositada em aterros na Europa, por exemplo, tenha caído, graças à reciclagem, que passou de 23% para 35% na primeira década deste século. Na Alemanha a produção de resíduos caiu 15% com a introdução de sistema baseado no princípio poluidor/pagador: cada gerador de resíduos em residências, por exemplo, tem de separá-los obrigatoriamente e paga uma taxa proporcional ao volume do recipiente em que são coletados; o lixo orgânico é recolhido pelo poder público e enviado para aterros ou usinas de incineração; o "lixo seco" (embalagens, etc.) vai para outro recipiente e é recolhido em todo o país por uma entidade mantida pelos produtores dos bens consumidos, que pagam proporcionalmente ao volume, tiragem, etc. Os resultados foram altamente positivos em tempo curto.

Mesmo com os avanços os países da OCDE, que têm população equivalente à da África toda, produzem cem vezes mais lixo que esse continente, observa o estudo. Ou 50% de todo o lixo do mundo. E ainda exportam uma parte de seus resíduos - principalmente eletrônicos - para países africanos, numa espécie de "colonialismo da imundície", como tem sido chamado em relatórios internacionais já registrados neste espaço em artigos anteriores. Os EUA também exportam 50% de seus resíduos eletrônicos.

Embora o estudo não seja pessimista, precisaremos de muito esforço para chegar a transformações indispensáveis no poder público em todos os níveis, ainda mais que a própria população também resiste a qualquer inovação que dela exija contribuição financeira em impostos ou taxas. Da mesma forma, parte do setor produtivo não quer incorporar custos, alegando que sofrerá perda de rentabilidade (que só ocorreria se a regra não fosse geral). Mas não há alternativas - a não ser a sujeira, a degradação de áreas urbanas, o desperdício.

* WASHINGTON, NOVAES É JORNALISTA. E-MAIL: WLRNOVAES@UOL.COM.BR.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 26 / 07 / 2013

O Globo
"Jornada Mundial da Juventude - Lamaçal impede vigília e missa, na maior falha de organização"
 

Prefeitura não revela total gasto na preparação do Campus Fidei, que receberia 2 milhões de fiéis

Em nova missa da Jornada Mundial da Juventude, ontem, em Copacabana, sistema de transporte voltou a apresentar problemas. Público enfrentou número de ônibus insuficiente, filas nas estações do metrô e taxistas cobrando corridas no tiro. A prefeitura e a organização da Jornada Mundial da Juventude anunciaram ontem a transferência das celebrações que aconteceriam em Guaratiba, na Zona Oeste, para a Praia de Copacabana. Por causa da chuva dos últimos dias, o aterro sobre o mangue do Campus Fidei, que vinha sendo preparado desde o ano passado para receber dois milhões de pessoas, não resistiu e virou um imenso lamaçal. Foi a terceira e pior falha da visita do Papa Francisco ao Rio, até agora: na chegada à cidade, ele acabou engarrafado no Centro, e a abertura do evento foi marcada pelo caos nos transportes. Para o vice-presidente do comitê organizador, dom Paulo Cesar Costa, manter os eventos em Guaratiba seria irresponsável. Ninguém esclarece quanto foi gasto no Campus Fidei, onde eram finalizados um palco de 75 metros de largura, 15 postos médicos, 4.400 banheiros e 52 torres de som. Poucos ônibus, filas no metrô e cobranças abusivas nos táxis marcaram a missa de ontem em Copacabana.


O Estado de São Paulo
"Maior evento do papa muda por falha no planejamento"

Campus Fidei, em Guaratiba, virou lamaçal por causa das chuvas, vigília e missa são transferidos para Copacabana.

Ontem à noite, pontífice apelou aos fiéis para que se voltem à espiritualidade. O lamaçal em que se transformou o Campus Fidei - área onde seriam realizadas a vigília e a missa de encerramento da Jornada Mundial da Juventude, em Guaratiba - levou os organizadores e a prefeitura do Rio a transferir os eventos para Copacabana. A mudança, provocada pela chuva, obriga a prefeitura do Rio a reorganizar as estruturas de transporte, segurança e atendimento médico. Duas etapas da programação mudaram: a peregrinação foi cancelada e a vigília prevista para a noite inteira entre sábado e domingo será interrompida à noite, após a oração com o papa Francisco, e retomada pela manhã, para missa de encerramento. Esse foi o terceiro contratempo enfrentado pela organização. Houve erro de trajeto, que deixou o pontífice em congestionamento, e uma pane no metrô tumultuou o transporte.Ontem à noite, na Praia de Copacabana, o papa apelou aos fiéis para que se voltem à espiritualidade. Segundo os organizadores, havia 1 milhão de pessoas.


Twitter

quinta-feira, julho 25, 2013

Ninja

Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

A medida do desgaste

O Estado de S.Paulo
A crise de liderança e popularidade em que está imersa a presidente Dilma Rousseff é de conhecimento, no mínimo, das parcelas mais bem informadas da sociedade. Faltava apenas ter uma noção da gravidade da enrascada. Já não falta. Ninguém menos do que o seu patrono Luiz Inácio Lula de Silva se incumbiu de deixar escancarada - a seu modo, bem entendido - a medida do desgaste de sua protegida, o que hoje parece ameaçar a própria continuidade do projeto petista de poder. E ele o fez de caso pensado.

Convidado a dar uma palestra no Festival da Mulher Afro, Latino-Americana e Caribenha, em Brasília, e embora prometesse que não falaria de política, soltou o verbo durante mais de uma hora sobre a conjuntura nacional depois dos protestos de junho. Eles refluíram neste mês de férias, mas podem ganhar corpo novamente depois que o papa se for e o descontentamento voltar à tona - sem que a presidente tenha se recuperado da dor de cabeça que as manifestações lhe causaram e que ela agravou com as ineptas tentativas de provar que assimilou o que diziam.

Nesse cenário, reapareceu o velho palanqueiro que em tudo alega enxergar uma conspiração das elites. Foi a última linha de defesa em que se entrincheirou quando achou que o mensalão poderia apeá-lo do Planalto. Deu certo, à época, porque as oposições vacilaram. E deu certo nas eleições de 2006 porque a massa dos brasileiros, tendo subido na vida, entendeu que, corrupção por corrupção, antes aquela de que se acusa quem a beneficiou. Agora, recorre ao mesmo estratagema para defender Dilma - com veemência e agressividade claramente proporcionais ao definhamento de seu prestígio.

Ele não precisaria advertir que lutará com "unhas afiadas" em defesa de sua criatura política se a sua popularidade não tivesse despencado 27 pontos em três semanas e se as intenções de voto em seu nome na sucessão de 2014 não tivessem minguado de 51% para 30%, desmanchando os prognósticos de vitória no primeiro turno (o que, aliás, nem Fernando Henrique nem Lula conseguiram). Ele tampouco precisaria dizer que o preconceito contra ela é maior do que teria enfrentado, além da "falta de respeito" de que seria vítima.

Nem, ainda, reprisaria o já sabido: que não precisa "ser governo para fazer as coisas neste país". Afinal, como afirmou, usando o plural majestático e pouco se importando com uma dose de desrespeito pela sucessora, implícita nas suas palavras, "Dilma não é mais do que uma extensão da gente lá". E a gente, que não pode sair de lá - só faltou dizer -, vai continuar "ajudando a presidente" diante da suposta ofensiva dos conservadores e dos políticos aliados.

Estes entraram na história por ter o presidente peemedebista da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, cujo nome preferiu não citar, proposto que Dilma cortasse 14 dos 39 atuais Ministérios. Quando Lula assumiu, eram 26. Quando passou a faixa, 37. Conhecendo as prioridades das suas anfitriãs, aconselhou que ficassem "espertas", porque "eles vão tentar mexer no Ministério da Igualdade Racial, nos (sic) Direitos Humanos".

Lula decerto associa a crescente animosidade do PMDB em relação a Dilma à erosão dos seus índices de aprovação e do seu franco favoritismo na disputa pela Presidência. (As mais recentes pesquisas apontam, em um hipotético segundo turno, um empate técnico entre a candidata a um segundo mandato e a ex-ministra Marina Silva, cuja popularidade deu um salto sem precedentes na esteira das jornadas de junho.) E, de fato, a cúpula peemedebista deu início a uma sondagem informal junto às bancadas federais do partido e aos seus diretórios nos Estados sobre o rumo a tomar em 2014. É improvável que a maioria vote pelo fim da aliança, mas a mera consulta é um inequívoco agravo ao Planalto.

Tantas Dilma apronta que o próprio PT só não se distancia dela porque o seu nume tutelar desautoriza o "volta, Lula". Mas, se ele precisa dizer que o partido está "150%" com ela, é porque a situação está longe de ser confortável para a petista também junto aos companheiros. Dilma disse certa vez que em época de eleição "podemos fazer o diabo". Lula sempre o fez e torna a fazê-lo com a desenvoltura que a afilhada até que tenta copiar, mas não sabe como.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 25 / 07 / 2013

O Globo
"Jornada mundial da juventude: Papa critica liberalização das drogas no continente"
 

E diz que retornará ao Brasil em 2017 para comemoração em Aparecida

Em discurso durante a inauguração de uma ala para o tratamento de dependentes químicos no Hospital São Francisco de Assis, na Tijuca, o Pontífice chamou os traficantes de 'mercadores da morte'. O Papa Francisco fez ontem um duro discurso contra a liberalização das drogas na América Latina, um debate que ganha cada vez mais espaço no continente diante do fracasso das políticas de repressão. "Não é deixando livre o uso das drogas, como se discute em várias partes da América Latina, que se conseguirá reduzir a difusão e a influência da dependência química" disse o Papa, que chamou os traficantes de "mercadores da morte". O discurso foi feito na inauguração de uma ala para dependentes no Hospital São Francisco de Assis. Mais cedo, em visita à cidade de Aparecida, o Papa pediu esperança e alegria aos jovens e anunciou o retorno ao país em 2017, quando serão comemorados os 300 anos de descoberta da imagem de Nossa Senhora da Aparecida.

Via Sacra terá esquema especial.

Para organizar a Via Sacra prevista para hoje em Copacabana e evitar o caos que tomou conta do bairro na missa de anteontem, a prefeitura adotou esquema especial como no réveillon: ruas serão fechadas e o metrô funcionará 24 horas.


O Estado de São Paulo
"Papa ataca projetos que liberam uso de drogas na América Latina"

Pontífice diz que traficantes são ‘mercadores da morte’, em Aparecida, ele criticou a idolatria de ‘poder, dinheiro, sucesso e prazer’

Em visita ao Hospital São Francisco, no Rio, o papa atacou os projetos de liberação das drogas na América Latina e definiu os traficantes como “mercadores da morte”. “Não é deixando livre o uso de drogas, como se discute em várias partes da América Latina, que se conseguirá reduzir a difusão e a influência da dependência química”, declarou. Países como o Uruguai já descriminalizaram o consumo de maconha. Outros avaliam propostas similares. Para Francisco, a solução não vem de liberar o uso, mas de estratégia para “enfrentar os problemas que estão na raiz do uso das drogas, promovendo uma maior justiça, educando os jovens para os valores que constroem a vida comum, acompanhando quem está em dificuldade e dando esperança ao futuro”. Apesar dos gestos novos, Francisco deu indicações de que não está disposto a mudar posições tradicionais da Igreja. Em Aparecida, onde celebrou missa, ele criticou a idolatria de “poder, dinheiro, sucesso e o prazer”, recomendando aos fiéis “conservar a esperança, deixar-se surpreender por Deus e viver na alegria”.


Twitter

quarta-feira, julho 24, 2013

Pitacos do Zé


E por falar em civilidade... (XXXIX)

José Ronaldo dos Santos
Ficou bem feita a pavimentação do morrinho na BR-101, defronte ao DNIT (em Ubatuba). Todos agradecem, inclusive alguns motociclistas que se aproveitam dessa variante. Nota-se, junto à guia, um espaço reservado, tal como a praça vizinha com padrão de luz. Será obra de qual secretaria municipal?

Twitter


Ninja

Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

O papa e o palanque de Dilma

O Estado de S.Paulo
Fiel à ideia, por ela mesma proclamada, de que em campanha eleitoral é permitido fazer "o diabo", a presidente Dilma Rousseff transformou seu encontro protocolar com o papa Francisco num ato de palanque. Esse comportamento condiz perfeitamente com um governo fundado em artimanhas marqueteiras e disposto a fazer de tudo para recuperar a popularidade perdida.

Em lugar de dirigir algumas palavras de boas-vindas ao papa e desejar-lhe sucesso na Jornada Mundial da Juventude, Dilma fez um discurso mais longo que o do próprio pontífice, o que já foi, em si, um despropósito. Em seu pronunciamento, a presidente Dilma Rousseff empenhou-se não em recepcionar o papa, mas em explorar a figura do pontífice para fazer o elogio dos governos lulopetistas e reafirmar sua missão quase mística de salvar os miseráveis de todo o mundo.

"O Brasil muito se orgulha de ter alcançado extraordinários resultados nos últimos dez anos na redução da pobreza, na superação da miséria e na garantia da segurança alimentar à nossa população", discursou Dilma, reafirmando o evangelho petista segundo o qual só houve avanços sociais "nos últimos dez anos" e que, antes disso, só havia trevas.

Investida da condição de missionária, Dilma destacou também que seu governo "tem buscado apoiar a disseminação das experiências brasileiras em outros países", como o Bolsa Família, o programa assistencialista que deveria ser apenas temporário, mas que vai se perpetuando graças à incapacidade do governo de criar condições para que seus beneficiários possam dele abrir mão.

Em seguida, a presidente achou adequado convidar Francisco a integrar uma "ampla aliança global de combate à fome e à pobreza, uma aliança de solidariedade, uma aliança de cooperação e humanitarismo", naturalmente liderada pelo messianismo lulista.

A título de dar razão à voz dos jovens que saíram às ruas em protestos, Dilma tornou a dizer que as manifestações foram o efeito da melhoria de vida dos brasileiros, pois "inclusão social provoca cobrança de mais inclusão social, qualidade de vida desperta anseios por mais qualidade de vida". E então a presidente e candidata à reeleição fez escancaradas promessas de campanha: "Para nós, todos os avanços que conquistamos são só um começo. Nossa estratégia de desenvolvimento sempre vai exigir mais, tal como querem todos os brasileiros e todas as brasileiras. Exigem de nós aceleração e aprofundamento das mudanças que iniciamos há dez anos". Só faltou entregar um santinho a Francisco e pedir-lhe voto.

O contraste com o sereno discurso do papa acentuou ainda mais o deslocamento da fala eleitoreira de Dilma. Em seu rápido pronunciamento, Francisco não fez menção aos protestos nas ruas nem a questões políticas, preferindo dirigir-se aos jovens e deixando claro que sua visita tem caráter eminentemente religioso. Ele disse que a juventude é "a janela pela qual o futuro entra no mundo" e cobrou de sua geração que dê aos jovens condições para seu pleno desenvolvimento intelectual, material e moral.

"Não trago nem ouro nem prata", disse Francisco, repetindo fala de São Pedro, o primeiro papa, para enfatizar o despojamento de seu papado e a necessidade de retomar a essência dos valores espirituais. Segundo o Vaticano, essa mensagem norteará os discursos de Francisco sobre temas políticos, nos quais refutará "a opressão de interesses egoístas".

Em outras oportunidades, quando ainda era o cardeal Jorge Mario Bergoglio, o papa já criticou a substituição da política pela mera propaganda. "Endeusamos a estatística e o marketing", disse Bergoglio, no que poderia ser uma descrição dos governos lulopetistas. Para ele, "seria necessário distinguir entre a Política com P maiúsculo e a política com P minúsculo".

Como Francisco deve ter percebido logo em seu primeiro dia no Brasil, é longo o caminho para o resgate da política como atividade nobre, para, em suas palavras, acentuar valores "sem se imiscuir na pequenez da política partidária".

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 24 / 07 / 2013

O Globo
"Jornada mundial da juventude: Rio falha no teste de transporte"
 

Pane elétrica deixou o metrô parado por duas horas no dia da missa de abertura da Jornada

Secretário municipal de Transportes diz que o pior dia para o trânsito será hoje à tarde, já que o Vaticano não informa com antecedência o roteiro da visita do Papa Francisco a um hospital na Tijuca, depois que ele voltar de Aparecida. Um dia após erro da prefeitura deixar o Papa Francisco engarrafado na Avenida Presidente Vargas na chegada ao Rio, o que alarmou responsáveis pela segurança do Pontífice, ontem peregrinos e cariocas sofreram com uma pane no metrô, que ficou parado por mais de duas horas. Passageiros chegaram atrasados ou tiveram de se espremer em ônibus para chegar à missa de abertura da Jornada Mundial da Juventude, em Copacabana. Visitantes também se queixam dos ônibus, cujos pontos não informam rotas e horários de chegada de veículos. Na saída da missa, à noite, o trânsito voltou a ficar caótico. O secretário municipal de Transportes, Carlos Roberto Osório, disse que o dia não será melhor hoje, já que o Vaticano mantém em sigilo o roteiro da visita do Papa a um hospital na Tijuca.


O Estado de São Paulo
"Pane no metrô causa tumulto no Rio no 1º teste da Jornada"

Peregrinos desistiram da missa inaugural, que reuniu 400 mil em Copacabana

Ônibus ficaram lotados. Hospital que será inaugurado não ficou pronto. Guaratiba ainda recebia retoques ontem. No dia da abertura da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), o rompimento de cabo de energia deixou o Rio sem metrô. Muitos peregrinos desistiram de acompanhar a missa inaugural, que reuniu 400 mil pessoas em Copacabana, segundo a PM, e foi celebrada por d. Orani Tempesta. Os ônibus circularam superlotados. As chuvas ameaçam transformar o local escolhido para a missa final do papa, em Guaratiba, em um lamaçal. Ontem foram despejados no terreno cerca de 50 caminhões de brita. Outro problema refere-se ao complexo para internação de dependentes químicos no Hospital São Francisco de Assis, na zona norte, que deve ser inaugurado pelo papa mesmo sem ter ficado pronto.


Twitter

terça-feira, julho 23, 2013

Ninja

Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

A desfeita da convidada

O Estado de S.Paulo
O PT marcou para sábado passado, em Brasília, a primeira reunião do seu Diretório Nacional para avaliar os protestos que se propagaram pelo País em junho e os seus desdobramentos políticos. Notadamente, a abrupta queda da popularidade da presidente Dilma Rousseff nas pesquisas sobre o seu desempenho e chances de reeleição em 2014; as suas tentativas de responder às vozes da rua; o acirramento das tensões com o PMDB, o principal arrimo do governo no Congresso - além do recrudescimento do "volta, Lula".

O dia e o local para o encontro dos 85 membros do Diretório, a mais importante instância do partido depois da Executiva Nacional, foram escolhidos para permitir que Dilma dele participasse na condição de convidada de honra. O presidente da legenda, Rui Falcão, anunciou que ela aceitara o convite, e, como de praxe, a equipe de segurança do Planalto vistoriou o lugar do evento. Na véspera, porém, alegando estar com a agenda tomada por uma reunião com ministros sobre a iminente vinda do Papa, Dilma cancelou a sua visita aos companheiros, não obstante os apelos de última hora.

Ela não poderia estar alheia ao impacto que a sua negativa provocaria. É verdade que o seu antecessor também deixou de comparecer a um ou outro encontro da cúpula do PT - e nem por isso o forfait lhe criou problemas. Mas há duas diferenças gritantes entre ele e ela. A primeira é que Lula sempre foi maior do que o PT, ainda mais tendo índices siderais de popularidade. Dilma é menor do que Lula, graças a quem se elegeu, não traz o PT no seu DNA político nem é a santa padroeira do partido. A segunda diferença é o momento - que não se compara com a crise mais grave do lulopetismo, que foi a denúncia do mensalão.

Os manifestantes de junho não execraram a pessoa da presidente, mas a sua própria posição institucional no criticado sistema de poder nacional a empurrou inevitavelmente para a fogueira. Ao comentar, a portas fechadas, a "inaceitável" decisão da presidente de se ausentar do evento de sábado, José Dirceu - o ministro de Lula cuja queda abriu caminho para a ascensão de Dilma - tocou no nervo exposto do problema. Ao contrário do que parece achar, argumentou, ela "faz parte da crise". Logo, precisa do PT mais do que nunca. De resto, vem do partido o único endosso ao agonizante esquema dilmista de reforma política por plebiscito para valer em 2014.

Do partido, sim. Não de Lula. Ele influiu na decisão do presidente da Câmara, o peemedebista Henrique Eduardo Alves, de convidar o pragmático petista Cândido Vaccarezza para coordenar a comissão de 14 deputados incumbida de apresentar, em 90 dias, um projeto de reforma que, se aprovado pelo Congresso, seria submetido a referendo para vigorar em 2016 ou 2018 - a posição do PMDB. Vaccarezza enfureceu a presidente e boa parte da companheirada ao declarar inviável, logo de saída, a fórmula plebiscito+2014. Não só por falta de tempo, mas principalmente por falta de apoio político. É o que Lula acha - levando a presidente a boicotar o Diretório. Se isso tem lógica, do ângulo dos seus interesses políticos, é outra história.

Dilma já demonstrou que não sabe nem faz a hora de se vingar. Diferentemente dos políticos sabidos, ela não consegue guardar a raiva no congelador. Talvez tenha caído em si diante da repercussão do agravo cometido, assoprando com uma carta de quatro páginas a mordida que infligiu aos membros do Diretório. Nela, entre referências à "aguerrida" representação parlamentar do PT e à "querida militância", citou duas vezes a sua parceria com Lula, tornou a defender a reforma política "balizada pela opinião das ruas" e, como quem desmente a mais difundida crítica ao seu modo de governar e fazer política, assegurou que "nós ouvimos". Muito pouco e muito tarde, dirão os céticos.

É prematuro prever se a desfeita de Dilma deixará sequelas no seu convívio com o PT ou se a conveniência recíproca se imporá. Mas parece fora de dúvida que o episódio dará novos argumentos aos partidários do "volta, Lula". E é dele que tudo o mais dependerá.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 23 / 07 / 2013

O Globo
"Jornada mundial da juventude: Papa arrasta multidão nas ruas e evita tom político no palácio"
 

Apesar do susto com engarrafamento da comitiva no caminho da catedral, desfile no papamóvel foi tranquilo

No Palácio Guanabara, Pontífice se limitou a falar de temas religiosos e da importância da fé católica, enquanto a presidente Dilma Rousseff vinculou a Jornada Mundial da Juventude aos desejos de mudança expressos pelos jovens nas ruas do país nas últimas semanas. Recebido com festa por uma multidão de fiéis apaixonados, o Papa Francisco frustrou, em seu primeiro discurso em terras brasileiras, a expectativa de quem aguardava palavras de preocupações sociais com menções ao momento turbulento por que passa o país. No Palácio Guanabara, em cerimônia oficial de boas-vindas com a presidente Dilma Rousseff, o Pontífice se limitou a falar de temas religiosos e dos objetivos evangelizadores da visita. A presidente, por sua vez, fez questão de vincular a Jornada Mundial da Juventude aos desejos de mudança expressos pelos jovens nas ruas do país nas últimas semanas. Curiosamente, ainda durante o voo para o Brasil, o Papa se queixou da crise econômica e alertou para o risco de se criar uma geração de jovens que nunca trabalhou. Ele fez um apelo para que os jovens e idosos não sejam "isolados do tecido social" o que seria uma injustiça. Logo após desembarcar, a comitiva ficou presa num engarrafamento, deixando a segurança estressada. Mais tarde, já no papamóvel, o passeio pelo Centro do Rio foi tranquilo e levou os fiéis ao delírio.

E na frente do Guanabara...

Um grupo de baderneiros infiltrados num protesto nas imediações do palácio entrou em confronto com a polícia e o Batalhão de Choque, que dispersaram a multidão com bombas de gás lacrimogênio, balas de borracha e um caminhão-pipa. Duas pessoas foram detidas, uma com um carregamento de coquetéis molotov.

Engarrafado no Centro

O esquema para o translado do Papa Francisco do Galeão até o Centro do Rio falhou, e o Pontífice ficou parado em três pontos do percurso, devido a uma fila de ônibus. A comitiva foi cercada por populares. O episódio gerou acusações entre a prefeitura, que alegou desconhecer o trajeto, e o governo federal, que desmentiu a prefeitura.


O Estado de São Paulo
"Papa diz que falta de trabalho pode criar ‘geração perdida’"

Em discurso no Palácio Guanabara, Francisco cobrou educação e estrutura para jovens; Dilma pediu apoio para iniciativas globais; Quebrando o protocolo, papa andou sem blindagem, ficou preso em congestionamento e beijou crianças

Em seu primeiro discurso no Brasil, diante da presidente Dilma Rousseff e de autoridades no Palácio Guanabara, no Rio, papa Francisco cobrou educação e meios materiais para que os jovens possam se desenvolver, e deixou claro que sua viagem terá forte caráter político. No avião que o trouxe ao Brasil, ele alertou para o risco de se criar uma geração perdida diante da incapacidade de os jovens encontrarem trabalho em todo o mundo. Dilma criticou em seu discurso os protestos que têm tomado o País e pediu a participação do pontífice para “transformar iniciativas pontuais em globais”. Ao chegar, Francisco embarcou em um carro sem blindagem. No trajeto até o centro, com os vidros abaixados, ficou preso em congestionamento e saudou fiéis. Também andou de papamóvel aberto e beijou crianças. Hoje, ele não tem agenda pública. Amanhã, vai a Aparecida (SP), onde anteontem uma bomba de fabricação caseira foi encontrada no banheiro do Santuário.


Twitter

segunda-feira, julho 22, 2013

Ninja

Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Facilidades do BNDES

O Estado de S.Paulo
Ao contrário dos investidores que aplicaram recursos próprios nas empresas do grupo do empresário Eike Batista e tiveram de arcar com perdas pesadas, em alguns casos de até 90%, a direção do BNDES não parece preocupada com a situação dessas empresas, mesmo tendo realizado com elas operações de R$ 10,7 bilhões, referentes a 15 contratos assinados entre 2009 e 2012. É baixíssimo o risco de o banco perder dinheiro com essas operações, realizadas de acordo com as expectativas do mercado e com base em projetos "meritórios e consistentes", garante o presidente da instituição, economista Luciano Coutinho.

Observe-se que, por ser público, o banco não pode balizar suas decisões pelos critérios típicos das instituições privadas. Seu objetivo não é o lucro imediato, mas o crescimento sustentado da economia brasileira. Para cumprir seu papel, o banco concede financiamentos a juros inferiores aos do mercado e com prazos de vencimento bem mais longos, em operações subsidiadas pelo Tesouro Nacional. Essa forma de atuação implica, naturalmente, custos para os contribuintes. Há alguns meses, o Tribunal de Contas da União (TCU) calculou em pelo menos R$ 72,3 bilhões o custo, entre 2011 e 2015, dos subsídios embutidos nos empréstimos do Tesouro Nacional para o banco.

Esse é o preço a ser pago pela sociedade se todas as operações realizadas pela instituição forem quitadas nos prazos e de acordo com as condições em que foram contratadas. Se os projetos financiados pelo banco produzirem os resultados esperados, haverá ganhos para o País, que reduzirão o custo dos subsídios. Mas inadimplências ou outras formas de perdas por certo tornarão o custo ainda maior para o País - os empréstimos não serão quitados nas condições contratadas e os resultados futuros para a economia brasileira poderão ser nulos.

No caso das operações com as empresas citadas, além das condições favorecidas em que os contratos foram assinados, o banco concedeu benefícios adicionais, como mostrou o Estado (15/7). Quatro dias antes do vencimento do prazo, o banco concordou em adiar de setembro de 2012 para março de 2013 o pagamento de R$ 242,7 milhões pela UTE Parnaíba (da qual é sócia a MPX, do grupo de Eike Batista). O pagamento de cinco parcelas do contrato de R$ 240 milhões com a UTE Porto de Itaqui Geração de Energia (da qual a MPX é sócia), que deveria ter sido feito em junho de 2012, foi postergado por 13 meses.

O maior contrato isolado do banco com uma empresa do grupo de Eike Batista, de R$ 1,4 bilhão, destinado à implantação de uma termoelétrica no complexo industrial de Pecém, no Ceará, tem juros de 2,77% ao ano mais a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), a taxa de referência nas operações do BNDES, atualmente em 5% ao ano. É uma taxa menor do que a Selic, de 8,5% desde a semana passada. Em outra operação, contratada com a empresa LLX Sudeste em 2009, os juros foram fixados em 4,5% ao ano. Na época, a Selic era de 8,75%.

Além de fortemente subsidiadas, essas operações agora estão sob risco, em razão da difícil situação por que passam as empresas do grupo de Eike. No entanto, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o presidente do banco, Luciano Coutinho, disse que o risco de perdas para o BNDES e para os bancos privados que concederam empréstimos a essas empresas é "baixíssimo", porque elas "têm ativos altamente atraentes". Recentemente, a OGX, empresa de petróleo e gás do grupo, informou que as projeções anteriormente por ela anunciadas sobre o potencial de alguns poços na Bacia de Campos não se confirmaram. Neste caso, os ativos perderam toda a atratividade.

Entre outras operações de risco, o banco aplicou R$ 700 milhões para a formação da empresa LBR, para transformá-la numa gigante mundial na área de laticínios. Mas, com resultados decepcionantes, a empresa suspendeu cerca de um terço de suas marcas e fechou 11 das 31 fábricas. Também no setor de carnes o BNDES realizou operações que se mostraram arriscadas demais.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Segunda-feira, 22 / 07 / 2013

O Globo
"Jornada Mundial da Juventude - Ruas do Centro fecham às 15h para receber Papa"
 

‘Peço a vocês para me acompanharem espiritualmente em oração’, diz Pontífice

Dezenove vias serão interditadas hoje à tarde na cidade, e prefeito pede que cariocas evitem usar o carro. O Papa Francisco desembarca hoje, às 16h, no Galeão, para visita de uma semana ao Rio, onde participa da Jornada Mundial da Juventude. O pedido do Pontífice para percorrer ruas do Centro em papamóvel, o que não estava no roteiro, levou a prefeitura a montar um esquema especial. A partir das 15h, 18 vias do Centro serão fechadas, entre elas a Avenida Rio Branco e parte da Presidente Vargas. Na Zona Sul, serão interditados, a partir das 14h, o Túnel Santa Bárbara e a Rua Pinheiro Machado. O prefeito Eduardo Paes pediu que cariocas evitem usar o carro. Ontem, ao rezar o Angelus, no Vaticano, o Papa pediu que orem por ele em sua viagem ao Rio.


O Estado de São Paulo
"Papa diz que dirigentes devem servir aos pobres"

Em Roma, na véspera do embarque ao Brasil, Francisco dá o tom de sua primeira viagem de evangelização

Na véspera da chegada ao Brasil, o papa Francisco deu ontem o tom de sua mensagem ao País ao dizer que, para que sejam bons cristãos, dirigentes, cidadãos e mesmo religiosos têm a obrigação de se aproximar e “servir aos pobres” tanto na oração como em ações concretas. Falando a milhares de pessoas sob o sol do meio-dia em Roma, durante o Ângelus, Francisco ainda pediu aos fiéis na Praça São Pedro que “orem” por ele, informa o enviado especial Jamil Chade. “Peço que me acompanhem espiritualmente com a oração em minha primeira viagem apostólica que começa amanhã”, disse, arrancando aplausos dos brasileiros. Francisco deixa Roma às 8h35 de hoje e desembarca às 16 horas no Galeão, no Rio.


Twitter

domingo, julho 21, 2013

Pitacos do Zé


Balaios e Turismo

José Ronaldo dos Santos
Os meus avós sabiam fazer balaios, samburás, peneiras e tipitis. Aprender tudo isso, além de ser natural, ocupação rotineira, era uma necessidade para acondicionamento e transporte. “Pegue um ovo ali no samburá, menino”. “A mandioca lavada deve ficar no balaio grande”. “Agora, leve o tipiti para a prensa”.

A matéria-prima “estava na porta". O mato era farto de cipó e taquara.

Eu sei fazer alguma dessas coisas por achar bonito e para perpetuar um conhecimento que é parte da cultura caiçara. Ao avistar alguém com um cesto, sei reconhecer o bom acabamento. Melhor ainda é poder sentar perto de quem trabalha com isso e já entabular uma prosa!

Nas Serras Gaúchas, bem no centro das principais cidades (Nova Petrópolis, Gramado e Canela), tive o prazer de ver como é valorizado o homem que permanece ligado ao mundo rural. Os Centros de Culturas, bem diferentes de barracas fuleiras, de puxadinhos, são bem montados e permanentes, têm fornos e fogão à lenha, decorações adequadas, amplos espaços para produção e exposição etc. Atraem turistas e valorizam as pessoas. De repente, já estou de prosa com o “seo” Oliveira, reparando o trançado e admirando a ligeireza das rudes mãos. Ao seu lado está sua esposa apresentando um delicioso vinho caseiro. Esses colonos trouxeram lembranças dos meus avós, de tantos caiçaras que se espalhavam pelos terreiros, entre taquaras e cipós. São os nossos laços com a cultura caipira, a nossa cultura irmã.

Será que, na nossa cidade e em tantos lugares deste Brasil, isso não pode servir de exemplo?

E, como já disse alguém:

"Viva a globalização! Viva todas as culturas! Mas vamos defender a nossa cultura que é muito importante!"

Twitter

Ninja

Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Mazelas da saúde pública

O Estado de S.Paulo
Há um dado que serve muito bem para demonstrar por que o Sistema Único de Saúde (SUS), cuja situação se torna cada dia mais precária, não tem condições para atender os milhões de brasileiros que a ele recorrem, e que passam horas ou mesmo dias em filas diante de hospitais ou centros de saúde. Segundo levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM), com base em dados do Ministério da Saúde, 42 mil leitos de internação do SUS foram desativados entre outubro de 2005 e junho de 2012.

Em números absolutos, os Estados mais populosos foram os mais afetados. Em São Paulo houve uma redução de 10.278 leitos e em Minas Gerais, de 5.177. E não é verdade, como se alega, que isso tenha sido compensado pela criação de novos leitos no Pará (723), Rondônia (622) ou Amazonas (360). O quadro só não é mais grave por causa do papel decisivo desempenhado pelas Santas Casas e hospitais filantrópicos.

A questão central é o subfinanciamento do SUS. Como as verbas alocadas à saúde são insuficientes, os serviços prestados por hospitais e postos médicos públicos são aqueles minimamente recomendados. O fornecimento de remédios gratuitos é limitado. O paciente deve, portanto, arcar com gastos adicionais, inclusive para exames clínicos mais abrangentes, se tiver meios para tanto. Os pacientes atendidos pelo SUS em hospitais privados têm tratamento algo melhor, mas o reembolso das despesas fica muito aquém dos custos, além de ser feito com atraso.

Os planos do governo nada mencionam sobre a falta de infraestrutura física, ou seja, de hospitais, casas de saúde ou, pelo menos, unidades capazes de funcionar também como prontos-socorros. Nada também sobre as condições de trabalho e remuneração dos profissionais da rede pública. Reportagem do Estado (14/7) mostrou que a reivindicação de muitos municípios, em diversas regiões do País, não é de mais médicos, mas de uma estrutura para atendimento local, de forma a evitar o deslocamento para os grandes centros em emergências. Em muitos casos, as prefeituras não dispõem nem de ambulâncias e o transporte de pacientes tem de ser feito por ônibus.

Em cidades menores, não existe nem o atendimento básico. O que diz a prefeita Daniela Brito, do município paulista de Monteiro Lobato (5 mil habitantes), mostra o descompasso entre os planos do governo e os anseios da população: "Não queremos hospitais nem médico estrangeiro. O que nós precisamos é de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e recursos para pagar melhor".

Quanto ao aumento proposto de 11 mil novas vagas nos cursos de Medicina, nada se falou sobre a qualificação dos futuros médicos. O anúncio dos planos do governo praticamente coincidiu com a divulgação de um documento de coordenadores de faculdades de Medicina, criadas nos últimos dez anos, em universidades federais, e que não dispõem de hospitais-escola. As residências são feitas em hospitais da região, às vezes localizados em cidades próximas à faculdade, sem preceptores capacitados.

No texto, encaminhado ao Ministério da Educação, os coordenadores afirmam que cursos médicos podem ser cancelados em 2014 ou simplesmente fechados por falta de condições adequadas de funcionamento, se o governo não tomar medidas urgentes para aperfeiçoar a formação dos profissionais. "Nas condições atuais", diz o documento, "só é possível a gestão dos cursos de medicina sem hospital por meio de práticas de gestão negligentes e irregulares, se não legalmente questionáveis". O documento considera inviável colocar em prática a proposta de aumento da oferta de vagas para graduação médica no País por aquelas faculdades, criadas nos últimos dez anos como forma de interiorização do ensino médico.

Os planos do governo, porém, não contemplam a construção de hospitais-escola nas novas faculdades federais localizadas em cidades do Centro-Sul, Nordeste e Norte. Implantar escolas de Medicina por decreto, sem lhes dar a infraestrutura indispensável, não pode dar certo.

Original aqui

Twitter

U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 21 / 07 / 2013

O Globo
"Jornada Mundial da Juventude: Entre bênçãos e protestos"
 

Papa chega amanhã com mega esquema de segurança, no segundo teste de grandes eventos no Rio

Após manifestações, PF dobra o número de policiais que farão a proteção pessoal do Pontífice e infiltra agentes em encontros públicos. Eleito em março, o Papa Francisco inicia amanhã sua primeira viagem internacional pelo Rio, onde se encontrará com jovens de todo o mundo em meio a um mega esquema de segurança por causa da onda de protestos. A PF dobrou o número de homens na proteção pessoal do Pontífice, e a visita mobilizará mais de 28 mil agentes de segurança. Conhecido pela simplicidade, Francisco deve marcar sua jornada pela proximidade com o povo.


O Estado de São Paulo
"Tombini diz que falta de confiança abala economia"

Para presidente do BC, é preciso retomar ‘processo de recuperação gradual’ e pede clareza sobre ajuste fiscal

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, diz que é necessário retomar a confiança das pessoas na economia. Em entrevista a David Friedlander e Ricardo Grinbaum, afirmou que o processo de retomada do crescimento foi prejudicado. “É necessária uma reversão dessa confiança para a economia continuar no processo de recuperação gradual”, diz o presidente do BC, para quem o combate à inflação faz parte desse esforço. Para ele, só assim serão retomados os investimentos. Mesmo afirmando que a decisão de cumprir a promessa de fazer um ajuste nas contas públicas não passa pelo Banco Central, Tombini entende que o governo não pode deixar dúvidas sobre suas intenções e assumir um compromisso. “O importante é que o governo defina. E, quando definir, forneça um detalhamento à sociedade sobre como isso será alcançado.” 


Twitter
 
Free counter and web stats