sábado, julho 20, 2013

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Opinião

A chanchada do Mercosul

O Estado de S.Paulo
Caudatários de uma ideologia em que a farsa substitui a história, os dirigentes de Brasil, Argentina, Venezuela e Uruguai acreditaram que fosse possível, na base do caradurismo, adulterar a narrativa dos acontecimentos para legitimar a entrada dos venezuelanos no Mercosul. Tal como na Rússia stalinista, em que personagens inconvenientes para a história oficial eram apagados das fotos, o Paraguai, que se opunha ao ingresso da Venezuela, foi "apagado" do bloco sul-americano, como se suas objeções nunca tivessem existido. Agora que o objetivo foi plenamente atingido - a Venezuela não apenas é membro do grupo, como o preside -, o Paraguai foi convidado a reaparecer na foto do Mercosul, para completar o roteiro burlesco costurado pela vanguarda bolivariana. Mas os paraguaios, teimosos, se recusam a participar dessa chanchada.

O Paraguai, sócio-fundador do Mercosul, foi suspenso do bloco em 29 de junho de 2012, como punição por ter afastado o presidente Fernando Lugo do cargo, num julgamento político que, embora relâmpago, não contrariou nenhum item da Constituição do país. Uma missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) enviada ao Paraguai logo após o episódio constatou a normalidade democrática. Em seguida, o Conselho da OEA avaliou o assunto e a maioria dos embaixadores corroborou o relatório da missão, descartando, portanto, que tenha havido um "golpe".

Mas nada disso serenou o discurso inflamado da presidente Dilma Rousseff e de sua colega argentina, Cristina Kirchner. Ambas acusaram o Congresso paraguaio de ter promovido uma "ruptura da ordem democrática". Ao insistir nesse ponto, sem dúvida falacioso, Dilma e Cristina estavam construindo o argumento para afastar o Paraguai do Mercosul e, assim, permitir a entrada da Venezuela.

Trocando em miúdos, Brasil e Argentina, em nome da defesa da democracia, patrocinaram um atentado contra as instituições do Mercosul para favorecer um regime cujo autoritarismo é a principal marca. O tratado do bloco exige o voto unânime de seus fundadores para aceitar novos sócios. Como o Congresso paraguaio dava todas as indicações de que não aprovaria o ingresso da Venezuela chavista, Dilma e Cristina aproveitaram a oportunidade da crise política paraguaia para, num passe de mágica, eliminar o voto do país. Enquanto os paraguaios estavam suspensos, Brasil, Argentina e Uruguai abriram as portas do Mercosul para os venezuelanos, numa decisão cuja legalidade é obviamente contestável.

A situação esdrúxula criada pelos compromissos ideológicos de Dilma e Cristina com o bolivarianismo tende a paralisar um Mercosul já claudicante. A suspensão do Paraguai termina no próximo dia 15 de agosto, data da posse do presidente eleito Horacio Cartes, conforme ficou acertado em recente cúpula dos integrantes da união aduaneira. Mas o Senado do Paraguai já decidiu oficialmente que não reconhece o ingresso da Venezuela. Desse modo, o Mercosul - cujas decisões muitas vezes dependem de unanimidade - fará reuniões em que o presidente paraguaio não está autorizado, por seu Congresso, a nem sequer admitir a presença do colega venezuelano.

Não bastasse isso, enquanto o Paraguai cumpria a suspensão, a Venezuela assumiu a presidência do Mercosul - justamente na vez dos paraguaios. Os demais sócios argumentaram que, por estar de castigo, o Paraguai não poderia ocupar o posto. Atropelado, restou ao país exercer seu direito de espernear. "As últimas decisões do Mercosul não se ajustam ao direito internacional", declarou o chanceler paraguaio, José Félix Fernández, recorrendo a uma obviedade para dizer que seu país não aceitará, nas atuais circunstâncias, retornar ao bloco. Cartes, o presidente eleito, também já avisou que será difícil retomar a normalidade do Mercosul enquanto a Venezuela estiver nele. Pode ser que tudo afinal se ajeite, já que o poder do Paraguai é muito limitado, mas o fato é que a atual crise escancarou de vez a mediocridade do Mercosul.

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U.V.

Manchetes do dia

Sábado, 20 / 07 / 2013

O Globo
"Jornada mundial da juventude: Papa na rua muda trânsito e segurança na segunda"
 

Pontífice vai circular em carro aberto pelo Centro após chegar ao Rio

Ruas ao redor da Catedral Metropolitana serão fechadas ao tráfego a partir de 15h, mas não será feriado. A prefeitura divulgou esquema especial de trânsito e segurança para acomodar a mudança de agenda do Papa Francisco, que decidiu circular pelas ruas do Centro do Rio antes de ser recebido no Palácio Guanabara, na segunda-feira. Apesar da possibilidade de protestos, o arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, afirmou que a ideia é aproximar o Papa da população logo em sua chegada. Após desembarcar na Base Aérea do Galeão, às 16h, o Papa seguirá em carro fechado, até a Catedral Metropolitana, no Centro, escoltado por 400 homens e dois helicópteros da PM. Boa parte das ruas do Centro ao redor da Catedral será interditada a partir das 15h, mas a prefeitura não decretou feriado municipal. Em Guaratiba, as obras para a missa campal seguem aceleradas.


O Estado de São Paulo
"Cabral culpa grupos internacionais por atos e recusa ajuda"

Após saques, governador diz a Dilma que forças de segurança do RJ são suficientes.

Dois dias após depredações no Leblon e em Ipanema, a poucos metros do prédio onde mora, o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), rejeitou oferta da presidente Dilma Rousseff de ajuda federal. Cabral disse que a recepção ao papa Francisco, no final da tarde de segunda-feira, está confirmada para o Palácio Guanabara, apesar de o local já ter sido alvo de ataques. Segundo o governador, as forças de segurança locais são suficientes. Decreto editado ontem por ele instituiu uma comissão de investigação de atos de vandalismo formada por Ministério Público, polícias Civil e Militar e Secretaria de Segurança. Sem dar detalhes, nem apontar nomes, Cabral também acusou supostos grupos estrangeiros de “estimular vandalismo e quebra-quebra” no Rio. 


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sexta-feira, julho 19, 2013

Amigos...


Colunistas

The Economist e o ressentimento nacional

Mesmo com edição refinada e sobretudo anglo-saxã, a revista reflete um pensamento neoliberal contra as políticas de estímulo à produção e ao consumo. E, por isso, dirige suas críticas a Guido Mantega

Márcia Denser
Que o setor televisivo das empresas de entretenimento e desinformação da Globo assuma como suas as provocações da The Economist é um fato repetido que não merece nenhum comentário novo. O que merece uma menção é o reiterado uso, por parte de seus jornalistas, do adjetivo “prestigiosa”, é o que afirma o correspondente Dario Pignotti em artigo recente para a Carta Maior e eu mesma aqui no Congresso em Foco numa de minhas últimas colunas (É a imprensa, estúpido!) e reiteradas vezes de forma colateral em muitas outras.

Prestigiosa para quem, cara pálida?

The Economist, que este ano “celebra” seu 170º aniversário, não perdeu o pique e segue pressionando de forma muito, digamos, imperial, as potências emergentes, aqueles países que, na sua opinião, precisam receber lições sobre como superar a época da barbárie econômica (leia-se aqui: populismo, desenvolvimentismo, nacionalismo, intervencionismo, esquerdismo, distribucionismo) para chegar a um estado civilizatório superior: o do livre mercado absoluto!

Por sua fé neoliberal, The Economist lembra a própria Margaret Thatcher enlouquecida na “missão” de impor seu modelo e os interesses representados pelo Partido Conservador numa cruzada tão voraz que acabou por engolir o ideário econômico dos antigos reformistas do Partido Trabalhista Inglês, rebaixados na figura de Tony Blair ao triste papel de mensageiros do decálogo neoliberal.

Thatcher, provinciana e pouco erudita, aplicou na Inglaterra a política mais regressiva desde o pós-guerra por meio de “reformas” legislativas e duma repressão pinochetista contra os mineiros que tentaram inutilmente impor algum freio a sua agenda em defesa de um Estado mínimo. Contra eles ela lançou, não só o Plano de Ajuste Neoliberal, com a Guerra das Malvinas. E foi aplaudida pelo povinho britânico, segundo Naomi Klein, desviando, com sucesso, a atenção do fracasso interno no país para o “esforço” duma guerra externa sem nenhum sentido.

Voltando à The Economist: bem escrita, enxuta de adjetivos, editada com maestria refinada, mordaz e, sobretudo, anglo-saxã: é um produto de qualidade muito diferente do abertamente conservador Wall Street Journal. Mas essa precisão não impede que The Economist seja um órgão ideológico e um instrumento político com seu programa e seus objetivos, como qualquer meio de comunicação de porte global. Seu compromisso é impor sua agenda radical no debate econômico e aniquilar todo vestígio de “populismo estatista”.

Segundo Pignotti (e eu acho que ele exagera um pouco), “o último capricho da revista, que põe a prova sua capacidade de pressão, parece ser querer derrubar o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em quem detecta um vestígio do pensamento e da ação econômica que julga uma “herança do atraso”: o risco de regressar a uma era pré-thatcherista.”

O que a política econômica personalizada do ministro Mantega ameaçaria para publicações como The Economist, Financial Times, The Wall Street Journal e agências de risco como a Standard and Poors não são ideias, mas sim a disputa do capital transnacional para ficar com a maior parte dos excedentes da sétima economia mundial.

Quando as multinacionais da informação, que elevam a The Economist à condição de bíblia, demandam “confiabilidade” e “segurança jurídica”, na realidade estão usando um eufemismo para chantagear governos periféricos para que renunciem a toda soberania econômica e eliminem todo tipo de regulações. O modelo a ser imitado é o Chile e, mais recentemente, a Aliança para o Pacífico.

Dessa forma, inventa-se uma espécie de Pensamento Único Econômico, um consenso imposto a força, que não é filho da liberdade de expressão ou do pluralismo, mas sim da imposição e dos ataques aos interesses nacionais dos países do sul.

The Economist aposta numa política conservadora porque critica as políticas de estímulo à produção e ao consumo. Na contramão do grosso dos economistas, Mantega não fugiu da polêmica com a publicação britânica, identificando-a como um órgão alinhado com a direita européia. A revista, disse o ministro brasileiro, “deve ter a mesma opinião que o governo de seu país (Grã-Bretanha) e dos estados europeus em geral cujas políticas econômicas tiveram um resultado o qual não preciso mencionar”.

Como era de se esperar, as afirmações de Mantega não mereceram nenhuma repercussão nos veículos de imprensa dominantes em nível global, associados em sua maioria ao credo e aos interesses encarnados pela The Economist.

Donde se conclui: a eterna macaqueação – tão tipicamente brasileira há séculos – o ressentimento e a inferioridade generalizada de senzala prosseguem assombrando nossas “elites” e o povinho por elas monitorado.

O fato é que se, internamente, se acredita piamente que “o Brasil não pode dar certo”, quem acreditará em nós lá fora?

Publicado originalmente no "congressoemfoco"

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Esfriando a cabeça...


Coluna do Celsinho

Cuida bem

Celso de Almeida Jr.

Há uma toada de Armando Cavalcante e Klecius Caldas que eu gosto de ouvir, na voz de Luiz Gonzaga.

Chama-se Boiadeiro.

Começa o dia:

"Minha boiada pra invernada eu vou levar
São dez cabeças; é muito pouco, é quase nada
Mas não tem outras mais bonitas no lugar"


A tarde, vindo pela estrada:

"A fiarada tá todinha a me esperar
São dez filhinhos; é muito pouco, é quase nada
Mas não tem outros mais bonitos no lugar"


E, finalmente, a noite se aproxima:

"E quando chego na cancela da morada
Minha Rosinha vem correndo me abraçar
É pequenina, é miudinha, é quase nada
Mas não tem outra mais bonita no lugar"


Sábio boiadeiro.

Dá valor ao que tem.

Leva o seu gado e não descuida do seu bem.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

Para não ficarmos imobilizados nas ruas

WASHINGTON NOVAES *
Já não era sem tempo. A mobilização social, dezenas de grandes manifestações nas cidades com reivindicações em muitas áreas, afinal trouxe para as ruas um tema - a chamada "mobilidade urbana" - até então quase limitado às notícias de prejuízos financeiros ou de tempo perdido pelos usuários. Por isso mesmo, a discussão mais ampla ficava bastante confinada a editoriais de jornais ou artigos de especialistas.

Os números e outras informações sobre transporte urbano nesses dias foram impressionantes. A começar pelo cálculo (Mobilize, 12/7) de que as isenções de impostos para veículos de transporte individual e gasolina desde 2003 já somam R$ 32,5 bilhões, com os quais seria possível implantar 1.500 km de corredores de ônibus ou 150 km de metrô. Pode-se comparar essa cifra também com aplicações do Ministério das Cidades para financiar 95,6 km de metrô, trens, estações: R$ 15,4 bilhões. Só a redução da Cide no preço da gasolina significou R$ 22 bilhões; as reduções de IPI sobre veículos chegarão no fim deste ano a R$ 10,5 bilhões. Mas o ministro da Fazenda tem dito que esses subsídios são importantes porque a indústria automobilística significa 25% da produção industrial - ainda que, pode-se acrescentar, signifique prejuízos imensos para os usuários de transportes coletivos.

Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), já há três anos São Paulo perdia R$ 33 bilhões anuais com congestionamentos de trânsito - R$ 27 bilhões só com o que deixava de produzir no tempo perdido (Estado, 19/9/2010). O tempo médio que os paulistanos perdiam no transporte já chegava a quase três horas por dia, nesse mundo de 3,8 milhões de veículos. Hoje, conforme a FGV, são R$ 50 bilhões anuais, mais que o orçamento da Prefeitura paulistana, de R$ 42 bilhões. E não por acaso, em 12 anos as tarifas subiram (192%) mais que a inflação - dados do Ipea (Estado, 5/7). Para o cidadão o prejuízo anual é de R$ 7.662,33, de acordo com a Fundação Dom Cabral. Sem falar nos problemas e custos da poluição do ar, para as pessoas e o poder público.

Mas como se vai enfrentar tudo isso se a questão da mobilidade urbana não chega a inspirar macropolíticas que conjuguem não apenas todas as áreas e municípios das regiões metropolitanas e grandes cidades, como enfrentem os problemas centrais - como diz a estudiosa Raquel Rolnik (24/6)? Fazê-lo implicaria romper com o modelo rodoviarista, rever custos e contratos de concessão (trombando com a cartelização), abrir as contas públicas do setor de transportes. Como avançar sem questionar, por exemplo, o projeto do trem-bala Rio-São Paulo, que, só ele, já é orçado em R$ 33 bilhões (começou em R$ 10 bilhões, hoje se diz que poderia chegar a R$ 60 bilhões, e ainda com financiamento público de 90%). Seu orçamento já daria para triplicar o metrô em São Paulo e no Rio, diz a jornalista Miriam Leitão. E ainda se pode comparar com o que a União, segundo o site Contas Abertas, investiu no setor em 11 anos: apenas R$ 1,1 bilhão dos R$ 5,8 bilhões previstos em orçamentos. O sétimo balanço do PAC mostra que das 50 obras para a mobilidade urbana apenas duas foram concluídas, 63 projetos para cidades médias estão "em preparativos".

E os danos com acidentes? O Brasil já é o país em quinto lugar nos acidentes de trânsito, com 21,5 mortes por 100 mil habitantes (4 na Alemanha, 2,5 na Suécia). Já devemos estar acima de 40 mil mortes por ano (eram 37,6 mil em 2009), das quais 8,79 mil de pedestres. Não por acaso, quase 50% dos carros testados no País (15 de 26 modelos) eram inseguros, segundo o Programa de Avaliação de Carros Novos na América Latina (Estado, 10/6). A rede pública de saúde investiu em 2011 mais de R$ 200 milhões no tratamento de 157 mil vítimas do trânsito; em cada 10 leitos de UTIs, 4 são ocupados por elas.

Mas a frota de veículos só cresce. São mais de 300 mil automóveis e outros veículos novos por mês. Em dez anos, a frota cresceu 122%, enquanto a população aumentava 12% (O Globo, 30/1). A indústria do setor prevê que até o final da década dobrará o número de carros nas ruas - para circular onde?

Não haverá soluções? Em muitos lugares elas estão sendo buscadas, por vários caminhos. Buenos Aires, por exemplo, avançou muito com a expansão das vias exclusivas para ônibus, implantação do BRT (Bus Rapid Transit) em 200 km de corredores exclusivos, ampliação de vias para bicicletas (Instituto do Meio Ambiente, 12/7). Na Cidade do México, três linhas de trens foram instaladas com subsídios, assim como 25 corredores para BRT (que incluem mais 15 cidades). Os EUA multiplicaram seus trens de alta velocidade para cobrir 6.800 km - e a um número próximo pretendem os chineses chegar até 2015. Na Inglaterra, em Pointon, estão sendo retirados os semáforos das ruas e promovido o compartilhamento dos espaços entre veículos e pessoas, sem confinamentos - o mesmo conceito que a Coreia do Sul está adotando na cidade de Songdo. Viena tem 1.700 km de ciclovias, além do metrô, do bonde, dos VLTs (veículos leves sobre trilhos), dos ônibus elétricos.

Afirma a Associação Nacional de Empresas de Transporte Urbano (Eco21, junho de 2013) que há 113 projetos de BRT em 25 cidades brasileiras e que até 2016 eles estarão implantados em 1270 km de corredores exclusivos - o que significaria forte avanço, já que um ônibus transporta tantos passageiros quanto 120 automóveis.

Com passeatas nas ruas ou não (graças à redução de tarifas), o tema não pode ir de novo para segundo plano ou o esquecimento - ou, então, estaremos todos condenados à imobilidade e ao impensável.

P. S.: No artigo da semana passada neste espaço cometi um engano: onde se lê que com "cada metro cúbico" de radiação solar se pode gerar muito mais energia que em outros formatos, o correto é "em cada metro quadrado". Peço desculpas pelo descuido.

* WASHINGTON NOVAES É JORNALISTA. E-MAIL: WLRNOVAES@UOL.COM.BR.

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U.V.

Manchetes do dia

Sexta-feira, 19 / 07 / 2013

O Globo
"Os estilhaços do Leblon: Ministério Público e polícias se unem contra vandalismo"
 

Após madrugada de medo, Zona Sul reclama de depredações e da falta de ação da PM

Governador vai baixar decreto criando comissão para identificar os responsáveis pelas arruaças nas manifestações. O objetivo é obter provas consistentes de formação de quadrilha, crime grave e inafiançável. Mais de um mês depois do início da onda de protestos no Rio, que culminou num quebra-quebra no Leblon na noite de anteontem, uma comissão especial será criada para investigar a ação de vândalos que têm se infiltrado nas manifestações. O grupo, encarregado de um trabalho de inteligência, será formado por representantes do Ministério Público e das polícias Civil e Militar. O foco será identificar os suspeitos de incitar depredações do patrimônio e estabelecer a relação entre os grupos. Eles então serão indiciados por formação de quadrilha, crime mais grave e inafiançável, evitando o prende e solta. No Leblon, moradores e lojistas reclamaram tanto dos vândalos quanto da falta de ação da polícia.


O Estado de São Paulo
"Ibope: Lula supera Dilma em votos"

Intenção de voto na presidente caiu de 58% para 30% em quatro meses; ex-presidente seria o candidato do PT mais competitivo

Pesquisa nacional Ibope feita em parceria com o Estado mostra que Lula seria até 37% mais forte do que Dilma Rousseff como candidato do PT à Presidência. Lula teria 11 pontos a mais do que Dilma em um dos cenários pesquisados, com quatro candidatos, entre quinta-feira e domingo passados. Dilma tem 30% das intenções de voto estimuladas, contra 22% de Marina Silva (sem partido), 13% de Aécio Neves (PSDB) e 5% de Eduardo Campos (PSB). Lula teria 41% e os mesmos adversários, respectivamente, 18%, 12% e 3%. A vantagem petista em relação a Marina Silva seria de 8 pontos com Dilma como candidata, e de 23 pontos com Lula. Num segundo turno haveria empate técnico entre Dilma (35%) e Marina (34%). A margem de erro é de dois pontos.


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quinta-feira, julho 18, 2013

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Opinião

Evo, o travesso

O Estado de S.Paulo
A diplomacia companheira trata a Bolívia como aquele irmão menor que, por mais inconveniente que seja, deve sempre ser perdoado por suas traquinagens. Resultado: Evo Morales, o menino travesso, sente-se cada vez mais à vontade para afrontar o Brasil. Em sua última pirraça, o governo boliviano mandou seus agentes vistoriarem três aviões da Força Aérea Brasileira que estavam no aeroporto de La Paz - uma das aeronaves estava a serviço do ministro da Defesa, Celso Amorim, em viagem oficial.

Todos os casos ocorreram em 2011 - dois em outubro e um em novembro - e só agora vieram a público. Em nenhum desses episódios os agentes bolivianos pediram autorização a representantes do governo brasileiro. Simplesmente invadiram os aviões, em busca sabe-se lá de quê - os agentes eram da divisão antinarcóticos, mas há suspeitas de que as autoridades bolivianas estivessem à procura do senador Roger Pinto Molina, opositor que há mais de um ano está refugiado na Embaixada do Brasil em La Paz.

Tais atos de violência teriam tido uma resposta à altura se o país ofendido fosse governado por dirigentes cientes de suas atribuições primárias. Mas o Brasil sob o lulopetismo é um país prisioneiro da fantasia ideológica bolivariana, que manda fechar os olhos para o comportamento irresponsável, autoritário e errático de governantes como Evo Morales e o venezuelano Nicolás Maduro, para ficar somente nos personagens latino-americanos que mais amiúde frequentam o noticiário por seus atentados contra a democracia e as boas relações internacionais.

A diplomacia nacional limitou-se a advertir a Bolívia, em dezembro de 2011, de que poderia adotar o "princípio da reciprocidade" caso houvesse nova vistoria em aviões brasileiros. Foram necessárias nada menos que três violações de soberania - porque é disso que se trata - para que o Brasil governado por Dilma Rousseff afinal se abalasse a reagir.

Quando o fez, porém, usou o mesmo tom complacente adotado nas crises anteriores, nas quais Evo Morales, de peito estufado, bradou que suas decisões, mesmo as flagrantemente ilegais, só diziam respeito à Bolívia.

Os exemplos dessa assimetria se multiplicam. Em 2006, pouco tempo depois de ter assistido à ocupação militar boliviana de uma instalação da Petrobrás, e ainda ouvir Evo acusar a empresa de "atividades ilegais", sendo esta apenas uma entre tantas bravatas antibrasileiras na ocasião, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em vez de reagir com firmeza à humilhação pública, pediu orações à Bolívia, "um país muito pobre, que precisa de ajuda".

A genuflexão do Brasil não comoveu Evo. Ao contrário: estimulou-o a acreditar que teria sempre o respaldo do "irmão mais velho". No caso do senador Molina, o presidente Evo Morales negou permissão para que o opositor saia do país e ainda acusou o embaixador brasileiro, Marcel Biato, de trabalhar para a oposição boliviana.

Em vez de reagir, o governo brasileiro trocou de embaixador, segundo informa o jornal Valor. Além disso, o mesmo Evo que não pede permissão de ninguém para inspecionar aviões oficiais brasileiros foi objeto de ruidosa solidariedade do Mercosul por ter tido seu avião oficial retido na Europa, por suspeita de que estivesse transportando Edward Snowden, procurado nos Estados Unidos após vazar informações confidenciais.

A imagem altiva da diplomacia lulopetista - aquela que vive a dizer que seus diplomatas não se submetem a revistas nos aeroportos dos Estados Unidos - não condiz com a humilhação de ver cães farejadores bolivianos fuçando num avião oficial do governo brasileiro.

Agora que a imprensa revelou o caso, Amorim disse que foi um procedimento "lamentável", mas o entrevero estava sendo mantido em sigilo certamente para não expor em público mais um exemplo do mau comportamento do presidente boliviano, aquele que é um dos símbolos da chamada "revolução bolivariana".

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U.V.

Manchetes do dia

Quinta-feira, 18 / 07 / 2013

O Globo
"Depois das ruas: TCM recua e faz devassa em empresas de ônibus"
 

Tribunal suspeita de formação de cartel e manipulação de receitas e despesas

Decisão ocorre apenas 22 dias depois que o órgão arquivou a mesma investigação. Prefeitura terá que explicar por que fixa tarifas com base em dados não auditados e fornecidos pelas próprias empresas. O Tribunal de Contas do Município decidiu realizar uma devassa nas empresas de ônibus do Rio apenas 22 dias depois de arquivar uma investigação de cartel no setor. Os conselheiros suspeitam agora de irregularidades na concorrência feita pela prefeitura em 2010, já que as empresas agrupadas em consórcios são as mesmas que operavam antes individualmente. O TCM criou ainda uma força-tarefa para auditar receitas e despesas das empresas. O objetivo é saber como as tarifas são fixadas, pois as informações sobre custos são prestadas pelos próprios empresários. A presidente Dilma Rousseff disse que fará um amplo debate sobre transporte público no país e comparou ônibus a latas de sardinha.


O Estado de São Paulo
"Mantega diz que não há mais espaço para corte de imposto"

Em reunião do Conselho de Desenvolvimento, a presidente afirmou que a inflação ficará dentro da meta

Em busca do cumprimento do esforço fiscal, o ministro Guido Mantega (Fazenda) disse que não há mais espaço para cortes de impostos. Em entrevista a Adriana Fernandes, ele avisou que as desonerações “pararam”, após dois anos e meio como principal mote da política econômica do governo Dilma Rousseff. Segundo Mantega, “as desonerações que foram feitas são suficientes” e, pela primeira vez, reconheceu que “não há mais espaço fiscal”. A decisão de congelar desonerações ocorre no momento em que o Congresso amplia renúncias fiscais e o governo analisa cortes de despesas do Orçamento para cumprir a meta de economizar 2,3% do PIB. Em reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, a presidente Dilma Rousseff disse que o País vai fechar 2013 com inflação na meta e IPCA “próximo de zero” em julho.


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quarta-feira, julho 17, 2013

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Opinião

A crise maior é de confiança

O Estado de S.Paulo
O governo terá de cuidar com urgência de dois problemas, se quiser comandar uma reativação econômica puxada pelo investimento. Precisará restabelecer a confiança de empresários e consumidores, fortemente reduzida depois de mais um semestre de inflação alta, baixo crescimento e muita incompetência na maior parte da administração pública.

A onda nacional de mau humor, confirmada por uma série de sondagens, como a nova pesquisa CNT/MDA, está refletida na sensível piora de avaliação do governo e da presidente Dilma Rousseff. O outro grande problema é a baixa eficiência do próprio setor público, incapaz de cumprir a maior parte de suas promessas e, de modo especial, de destravar e pôr em movimento os programas e projetos indispensáveis a uma retomada firme do crescimento.

Se a presidente e sua equipe exibirem mais seriedade e competência do que mostraram até agora, poderão mais facilmente fixar um rumo para a economia nacional e influenciar de forma positiva as expectativas dos agentes particulares. Nada conseguirão, no entanto, com mais bravatas e tentativas de enfeitar um cenário muito feio.

Três sondagens divulgadas ontem evidenciaram de novo a crise de confiança no governo e nas perspectivas da economia. Em apenas um mês, de junho para julho, a avaliação positiva da administração federal caiu de 54,2% para 31,3%, segundo a pesquisa CNT/MDA. No mesmo período, a expectativa de melhora da situação do emprego diminuiu de 39,6% para 32% e a de piora quase dobrou, passando de 11,5% para 20,4%. A esperança de aumento da renda mensal encolheu de 35,8% para 29,6%.

Outra pesquisa importante, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostrou uma nova queda do Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei). Com a redução de 54,8 para 49,9 pontos, o indicador chegou em julho ao nível mais baixo desde abril de 2009, quando o País ainda experimentava os efeitos da recessão iniciada no fim do ano anterior. O Icei varia de zero a 100 e valores acima de 50 indicam empresários confiantes.

Houve piora tanto da avaliação das condições atuais da economia e da empresa, comparadas com as dos seis meses anteriores, quanto da expectativa para os seis meses seguintes.

O indicador de confiança diminuiu nos três grandes segmentos industriais, mais acentuadamente no setor de transformação do que na construção e na mineração.

O quadro é perfeitamente compatível com a piora dos indicadores de produção e de emprego divulgados nas últimas semanas por entidades oficiais, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e por associações privadas. Também ontem a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) apresentou os dados de emprego do mês passado.

O nível caiu 0,23% de maio para junho, descontados os fatores sazonais, e ficou 1,05% abaixo do registrado um ano antes. No primeiro semestre, o índice foi 2,31% superior ao de um ano antes, graças, em grande parte, à expectativa de reativação dos negócios. Mas antes de junho essa expectativa já começou a se esvair.

O resultado do semestre reflete o panorama da economia em 2013, com uma atividade industrial "aquém das expectativas", comentou o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Paulo Francini. Quanto à estimativa para os meses seguintes, acrescentou, é "nada alvissareira".

Até agora, a presidente e sua equipe se mostraram preocupadas principalmente com os efeitos eleitorais da piora de sua imagem. Todas as suas respostas, até agora, foram obviamente orientadas por uma visão de marketing de campanha. Nada foi feito para motivar a recuperação da confiança na evolução da economia e, de modo especial, na gestão econômica do governo a partir deste semestre.

Ao contrário: os anúncios mais notáveis, nesse campo, foram de mais truques para maquiar as contas públicas. Como reavivar a confiança dos cidadãos, se nem o governo pode acreditar no próprio discurso?

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U.V.

Manchetes do dia

Quarta-feira, 17 / 07 / 2013

O Globo
"Francisco em Copacabana - Rio terá dois ‘réveillons’ na semana que vem"
 

Segurança para jornada do Papa é reforçada

Protestos marcados nas redes sociais alertaram Abin. Contingente de militares aumentou 68%, passando para mais de 14 mil soldados. Para ver o Papa, Copacabana terá na próxima semana esquema especial, com interdições de ruas, semelhante ao adotado no réveillon. Nos dias 25 e 26, durante a Jornada Mundial da Juventude, a Acolhida e a Via Sacra vão levar ao bairro mais de 1,5 milhão de fiéis. Protestos marcados pelas redes sociais para os dias da visita do Pontífice aumentaram a preocupação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e levaram as Forças Armadas a multiplicar o número de militares na segurança. Em dois meses, o aumento no contingente foi de 68%, passando de 8.500 para 14.300 soldados.


O Estado de São Paulo
"Abin avança que protesto é ameaça na visita do papa"

‘Grupos de pressão’ aparecem como a maior preocupação da agência tanto no Rio como em Aparecida

A uma semana da Jornada Mundial da Juventude, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) vê as manifestações nas ruas como a maior “fonte de ameaça” à visita do papa Francisco, tanto em Aparecida como no Rio. Apesar do monitoramento, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general José Elito Siqueira, diz que os protestos não serão um “problema”. O alerta estava exposto em painel de informações na Abin, em Brasília, durante visita aberta a jornalistas. No Rio, aparecem como “fontes de ameaça” incidentes de trânsito, crime organizado, organizações terroristas, movimentos reivindicatórios, grupos de pressão e criminalidade comum. Mas o alerta vermelho é com os “grupos de pressão”. Durante a Jornada, o fluxo de turistas deve provocar recorde na movimentação dos aeroportos do Rio, com média de 70 mil passageiros por dia.


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terça-feira, julho 16, 2013

Ubatuba

Nota de pesar

A prefeitura de Ubatuba registra com profundo pesar o falecimento do sociólogo e professor Quincas Cruz Neto, aos 68 anos, ocorrido nesta segunda feira, 15 de julho, em São Paulo.

Solidarizamo-nos com sua família, amigos e colegas, rogamos a Deus que tenham o conforto merecido em seus corações, neste momento difícil, bem como forças para transformar toda a dor desta perda, em fé e esperança.

Mauricio Humberto Fornari Moromizato
Prefeito de Ubatuba



Quincas Cruz Neto

Gostava de ser conhecido como Professor Quincas

Também era autor de textos, historiador, educador e pesquisador

Amava ter a sua vida ligada com a educação, tem trabalhos na área acadêmica sobre seus temas favoritos como: literatura histórica brasileira, religioso-política, econômica-social, política e elaborava textos baseados em seus estudos em sociologia e antropologia.

Formação: Sociólogo e professor

Professor aposentado, morador de Ubatuba desde 1989, ministrou aulas de História, Geografia, Estudos Sociais e Sociologia nas Escolas Estaduais: Capitão Deolindo, Esteves da Silva, Idalina Graça, Maria Alice, e nos colégios Objetivo e Taba.

Até dezembro de 2.012 trabalhou na Fundação de Arte e Cultura de Ubatuba – Fundart, onde permaneceu por oito anos como responsável pelos Grupos Setoriais.

Nascido em: 06/maio/1945

Natural de Paramirim – Bahia

O falecimento ocorreu na cidade de São Paulo às 18h30 do dia 15 de julho, por infarto do miocárdio.

Quincas deixa sua viúva sra. Maridete, três filhas e três netos.
(Fundart)


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Opinião

As digitais da gestão Dilma

O Estado de S.Paulo
Entre as muitas distinções duvidosas que hão de marcar o primeiro - talvez o único - mandato da presidente Dilma Rousseff, está o ato da administração federal que levou o pânico a milhões de brasileiros, como não se via desde o catastrófico anúncio do confisco da poupança, há 23 anos, sob o governo Collor. No fatídico 16 de março de 1990, o grosso da população foi induzido a acreditar que, a partir de então, teria de viver com Cr$ 50 mensais até a liberação dos recursos sequestrados, prevista para daí a 18 meses. No dia 18 de maio último, uma parcela dos cerca de 50 milhões de inscritos no Bolsa Família (ou 13,5 milhões de famílias) foi induzida a acreditar que o programa estava para ser extinto - o que provocou uma corrida aos postos de pagamento do benefício em 13 Estados, com filas enormes, tumultos e depredações.

No caso da poupança, tratava-se, não obstante a trapalhada da comunicação, de um fato real. No caso do Bolsa Família, tratou-se de uma inverdade que se alastrou com a rapidez e o alcance característicos das comunicações em redes sociais, a partir de uma mensagem disparada por uma internauta de Cajazeiras, na Paraíba, conforme apurou a Polícia Federal (PF). O falso rumor sobre o fim próximo do Bolsa Família não surgiu do nada. Confirmando o que se veio a saber graças à imprensa - e que a cúpula da Caixa Econômica Federal, mentindo, ocultou enquanto pôde -, a PF apontou como origem da boataria as mudanças feitas pela instituição nas datas escalonadas dos pagamentos mensais do benefício e as alterações em cadastros de inscritos pelas prefeituras dos respectivos municípios. Foram os únicos mencionados no "conjunto de fatores desassociados" que alarmaram os bolsistas.

Os federais deixaram claro que a investigação completada em 54 dias tinha por objetivo verificar se houve crime por trás da corrida aos caixas eletrônicos naquele final de semana de maio; não se técnicos da Caixa, por incompetência ou indiferença ao destino dos seus clientes compulsórios, fizeram uma barbeiragem (digamos assim) ao antecipar pagamentos programados para o fim do mês - sem avisar os seus superiores, ao que tudo indica, e, muito menos, a população interessada. Se antes não houve crime, depois foi um festival de leviandade e exploração política. A ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, foi a primeira a dizer o que não sabia nem devia. Pavlovianamente, culpou a "central de notícias da oposição" pela produção e distribuição do rumor que tirou do sério muitos milhares de famílias dependentes do programa.

Repreendida a mando da presidente, Rosário recuou. Mas, no dia seguinte, o seu colega da Justiça, o petista José Eduardo Cardozo, recorreu à sua coleção de advérbios para insinuar que houve, sim, uma conspirata. "Evidentemente", entoou, "houve uma ação de muita sintonia em muitos pontos do território nacional, o que pode ensejar a avaliação de que alguém quis fazer isso deliberadamente, planejadamente, articuladamente." Dilma guardou-se de chegar a tanto, mas afirmou que "o autor" do boato é alguém "absurdamente desumano" e "criminoso também". O seu preceptor Luiz Inácio Lula da Silva preferiu um tom mais filosófico. "O Brasil tem milhões de pessoas boas, decentes, e tem gente assim. Gente que veio ao mundo para fazer o mal." Enquanto isso, corria a maldade deliberada, planejada e articulada, como diria o ministro Cardozo, de que uma empresa de telemarketing do Rio de Janeiro teria sido contratada - decerto pelos inimigos do governo - para injetar em quantas linhas telefônicas pudesse a mensagem apocalíptica sobre o Bolsa Família.

Nada mais natural que, divulgado o relatório da PF, nenhum dos personagens referidos tenha tido a decência elementar de vir a público reconhecer o seu "erro", para repetir o eufemismo a que Lula recorreu quando os companheiros foram flagrados pagando o mensalão, o Bolsa Família dos aliados corruptos. Tampouco a direção da Caixa quis se manifestar sobre essa combinação perfeita de irresponsabilidade administrativa, má-fé política e, afinal, impunidade - as inconfundíveis digitais deste governo.

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U.V.

Manchetes do dia

Terça-feira, 16 / 07 / 2013

O Globo
"Polícia atrás das grades: Xerife antidrogas de SP é preso por acobertar tráfico"
 

Grupo de policiais sequestrava parentes de traficantes quando não recebia propina

Esquema arrecadava no mínimo R$ 300 mil por ano em troca de proteção a criminosos. Uma operação da polícia paulista, em conjunto com o Ministério Público, resultou na prisão de sete agentes do Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc). Entre eles está o supervisor da Unidade de Inteligência do órgão, Clemente Castilhone Júnior. Segundo as investigações, o grupo arrecadava até R$ 300 mil por ano de propinas, além de mesadas, e chegou a sequestrar parentes de traficantes que não pagavam os valores cobrados em troca de informações privilegiadas e proteção aos criminosos. O delegado-geral de Polícia Civil, Maurício Blazeck, anunciou uma reestruturação no Denarc.


O Estado de São Paulo
"Após fim do vale-moradia, deputados têm verba extra"

Assembleia de SP elevou repasse a funcionários sem registro em documento; custo é de R$ 4,3 milhões

Três semanas depois de o Tribunal de Justiça determinar o fim do pagamento de auxílio-moradia aos 94 deputados estaduais, no valor de R$ 2.250, a Assembleia de SP aumentou de R$ 5,7 mil para R$ 9,5 mil o valor do bônus que cada parlamentar distribui entre seus servidores. O gasto da Casa com a medida pode aumentar o teto de gastos dos gabinetes com a Gratificação Especial de Desempenho (GED) de R$ 6,4 milhões para R$ 10,7 milhões por ano. O dispêndio com o extinto auxílio-moradia era de R$ 2,5 milhões. Relatos colhidos pelo Estado, porém, dão conta de que alguns deputados exigem que os funcionários repassem a eles os valores pagos. A direção da Assembleia informou que compete apenas às lideranças partidárias e aos departamentos a distribuição do bônus. O Major Olímpio (PDT), no entanto, afirmou que a praxe é que os próprios deputados fixem as GEDs de seus gabinetes. Depois a Casa não se pronunciou.


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segunda-feira, julho 15, 2013

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Opinião

Espírito de corpo

O Estado de S.Paulo
Insensíveis à voz das ruas, que reivindicam mudanças nos usos e costumes da vida política e da administração pública, algumas corporações do funcionalismo público continuam empenhadas em obter privilégios eticamente insustentáveis. É o caso da magistratura. No mesmo dia em que o País experimentava mais uma manifestação de protestos, associações de juízes se mobilizavam para tentar impedir a aprovação, pelo Senado, do projeto de lei que revoga o direito à aposentadoria de juízes afastados compulsoriamente e estabelece regras mais severas para punir magistrados corruptos. "Não queremos manter juiz que comete crime na carreira, mas há colegas que cometem falhas, têm 40 anos de trabalho e não podem perder uma aposentadoria para a qual contribuíram a vida inteira", diz o desembargador Nelson Calandra, presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros.

Pela legislação em vigor, o juiz que se envolver com corrupção é afastado compulsoriamente da carreira, mas tem o direito a receber aposentadoria com vencimentos proporcionais. Pelo projeto que tramita no Senado, o juiz é afastado sem qualquer remuneração. As associações de juízes alegam que o fim da aposentadoria compulsória vitalícia é uma tentativa do Legislativo de enfraquecer a categoria.

Por falta de quórum, o projeto acabou não sendo votado pelo Senado e será colocado na pauta das próximas semanas. Por coincidência, no mesmo dia em que a magistratura se mobilizou para tentar derrubar o projeto, o Tribunal Regional Federal (TRF) da 1.ª Região puniu quatro ex-presidentes da associação de juízes da Corte (Ajufe). Um recebeu pena de advertência. Dois receberam pena de censura. E um foi punido com a aposentadoria compulsória. Eles foram acusados pelo Ministério Público Federal de usar fraudulentamente o nome de 157 juízes para desviar mais de R$ 20 milhões da Fundação Habitacional do Exército (FHE) no período em que presidiram a Ajufe. A FHE é uma associação de poupança criada por militares e oferece empréstimos e financiamentos a servidores do Executivo e do Judiciário.

Entre 2000 e 2009, a Ajufe assinou 700 contratos de empréstimo com a FHE em nome de magistrados que não tinham conhecimento das operações. Entre os beneficiários há até associados fantasmas. Para dificultar o rastreamento do dinheiro recebido, os cheques emitidos pela Ajufe eram descontados na boca do caixa ou depositados em contas de construtoras, concessionárias e laranjas. Em 2010, a FHE descobriu a fraude e recorreu à Justiça para cobrar a dívida. Para pagá-la, em 2011 os dirigentes da entidade cometeram outro ato ilícito, vendendo um imóvel sem autorização da assembleia de juízes.

"Em 32 anos de magistratura nunca vi uma coisa tão séria", disse, na época, a então corregedora do CNJ, ministra Eliana Calmon. O procurador responsável pela denúncia, Juliano Villa-Verde, afirmou que a fraude da Ajufe atingiu "o sistema financeiro nacional ao promover captação de recursos da poupança popular sem o devido controle oficial". Temendo que o TRF da 1.ª Região tomasse medidas contemporizadoras, 20 magistrados enviaram um ofício à Corregedoria da Corte exigindo investigação "séria e célere".

Um dos ex-presidentes da Ajufe punidos com pena de censura, a juíza Solange Salgado, disse ao jornal Folha de S.Paulo que assinou contratos em confiança, reconheceu que houve liberação de dinheiro com contratos em branco, mas afirmou que foi enganada. "Na presidência da entidade, não tinha como saber os valores que foram liberados sem contrato", alegou. "Nunca disse que não tinha responsabilidade. Assumo e estou pagando. Mas o único culpado sou eu?", questiona o juiz Moacir Ferreira Ramos - o ex-presidente da Ajufe punido com aposentadoria compulsória.

Casos como esses mostram que, se realmente quiser votar uma agenda positiva como resposta à voz das ruas, o Senado tem de ignorar o lobby da magistratura e aprovar o projeto que permite que juízes corruptos percam o emprego e a pensão.

Original aqui

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 15 / 07 / 2013

O Globo
"Negócios coletivos - Empresas de ônibus lucram até com vans"

Motoristas legalizados acusam Fetranspor de falta de transparência

Transporte alternativo paga taxa de 8% sobre sua receita a empresas criadas pela entidade para processar a bilhetagem eletrônica. A teia dos negócios controlados pelos empresários de ônibus do Rio, que vão desde agência de publicidade ao futuro VLT do Centro, envolve até um antigo inimigo: as vans. O transporte alternativo legalizado tem de adotar equipamentos de bilhetagem eletrônica, que são fornecidos — e a receita é processada — por duas empresas criadas pela Fetranspor, associação controlada pelo maiores empresários do setor no estado, como Jacob Barata, conhecido como o "Rei dos ônibus". Os motoristas de vans, no entanto, dizem que o sistema não é transparente e que não estão satisfeitos, porque pagam uma taxa de 8% sobre as receitas, bem mais que os R$ 0,0215 repassados pelos ônibus em cada operação. A Fetranspor alega que todas as informações estão disponíveis aos motoristas.


O Estado de São Paulo
"Gasto do governo sobe e chega a R$ 1 trilhão"

Mesmo com investimento estagnado, despesas crescem 6,6% acima da inflação no lº semestre

As despesas do governo cresceram 6,6% acima da inflação no primeiro semestre em comparação ao mesmo período do ano passado. Com esta alta, os desembolsos romperam a barreira de R$ 1 trilhão pela primeira vez. A evolução das despesas mostra que o governo terá dificuldade em concretizar o corte de R$ 10 bilhões a R$ 15 bilhões, cujo anúncio é prometido para esta semana. A ordem é preservar investimentos e programas sociais e cortar gastos de custeio da máquina pública. Na prática, os investimentos estão estagnados e as demais despesas estão subindo. Os gastos com subsídios ao programa habitacional Minha Casa, Minha Vida cresceram 25,3%. As despesas crescem também puxadas pelo aumento do salário mínimo, que influencia os gastos com aposentadorias, pensões e benefícios assistenciais a idosos e deficientes físicos de baixa renda. Não há como impedir o crescimento deste conjunto de despesas. Por isso, diz o economista-chefe da corretora Tullett Prebon, Fernando Montero, os gastos federais vão crescer este ano, apesar do anúncio de corte de despesas que será feito pelo governo. (R$15 bi é o valor máximo do corte planejado pelo governo).


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domingo, julho 14, 2013

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Opinião

A canoa de Lula nas águas de Heráclito

GAUDÊNCIO TORQUATO* - O Estado de S.Paulo
Qual a possibilidade de Luiz Inácio Lula da Silva voltar a ser o candidato do PT à Presidência da República, desta vez no pleito sucessório do próximo ano? Tem sido essa a mais recorrente pergunta nos corredores da política, instigada pela acentuada queda da popularidade da presidente Dilma Rousseff na esteira da avalanche de manifestações que vêm sacudindo o País. A resposta está condicionada a outra questão: é possível a mandatária recuperar a avaliação das classes sociais que tinha no início deste ano, a mais positiva entre os chefes de Executivo da contemporaneidade? A resposta não é tão simples, pois agrega um conjunto de fatores, alguns imponderáveis, a começar pelo desempenho da economia nos próximos meses.

A ser pífio o desempenho econômico, com efeitos na inflação, particularmente na área de alimentos, a presidente se defrontará com dois grandes riscos: a perda de controle sobre o processo político-administrativo, com a governabilidade caindo abaixo do ponto crítico; e a perda de capacidade de reverter o processo de desacumulação de força. Sob essas duas situações-limite, é razoável crer na hipótese de que o PT, para preservar seu projeto de poder, convença seu comandante em chefe a voltar à liça. A recíproca é verdadeira. Se a economia correr bem nos trilhos, o controle do poder político será resgatado e a boa imagem, reconquistada.

O vetor de peso de um governante, é bom lembrar, equivale ao de um balanço. A princípio, ele sobe, depois desce, mantendo-se em nível baixo por bastante tempo, até juntar forças para recuperar a posição anterior. O perigo é quando o mandatário atinge o ponto de quebra, aproximando-se do extremo do arco da estabilidade: nesse caso não haverá condições para segurar a queda e acampar o governo em terreno seguro.

Um exemplo clássico de recuperação, segundo o cientista social chileno Carlos Matus, foi o do último governo do presidente Paz Estenssoro, da Bolívia, que empreendeu forte programa de ajuste macroeconômico, sob a condução do ministro do Planejamento Sánchez de Losada. A inflação de 30.000% ao ano destruíra as forças do presidente e de seu partido. A eficácia do programa reduziu a alta dos preços a 30% ao ano, o que deu a Losada, em 1993, a maior votação das eleições presidenciais daquele país. Foi uma típica demonstração da teoria do balanço. Não há comparação, claro, com a atual situação brasileira. Nossa inflação não chega nem a dois dígitos. O exemplo serve para ilustrar a imagem da gangorra, como a que vemos por aqui. Com os preços de alimentos subindo a uma taxa anual entre 14% e 19%, conforme escreveu o economista José Roberto Mendonça de Barros no Estado (A economia está parando, 7/7, B4), é possível prever forte pressão sobre os orçamentos familiares e, se isso ocorrer, expansão da insatisfação social. Nesse caso o cenário de queda se manteria.

João Santana, o responsável pelo marketing do governo federal, estipula em quatro meses o tempo para a presidente recuperar o patamar de prestígio. É possível? A resposta vai depender do axioma "quem é dono da flauta dá o tom". A dona é a maestrina da orquestra e é chamada de economia. A lábia do marqueteiro aponta, portanto, para as cartas econômicas que serão embaralhadas para o jogo de 2014.

É evidente que, a par de eventuais trunfos a serem obtidos na mesa da economia, há mais dois cinturões do governo para ajustar, sob pena de irreversível débâcle da imagem presidencial: o político e o de serviços públicos. Se fechar a torneira para as demandas políticas, a presidente ficará sob ameaça de mais derrotas no Parlamento. Caso tampe os ouvidos para o forte clamor das massas nas ruas, arrisca-se a cair no despenhadeiro da rejeição social. Hoje se mostra atenta à onda popular, abrindo um conjunto de iniciativas, como a proposição da reforma política e a implantação de programas, alguns polêmicos, como a importação de médicos e a extensão dos cursos de medicina de seis para oito anos.

Caso não consiga ajustar os cinturões da governança aos corpos econômico, político e de serviços sociais, a candidata à reeleição poderá ser induzida a ceder o lugar ao antecessor, plano B com que trabalha parcela da máquina petista. Daí a inevitável pergunta: a volta de Lula seria a solução para o PT prolongar seu projeto de poder?

O horizonte é nebuloso. Mas algumas hipóteses são razoáveis. A primeira delas é a de que voltar é uma forma de retroceder. O percurso liderado pela primeira mulher presidente seria interrompido para propiciar o reingresso em cena do nome maior do PT. O que não evitaria a sensação de insucesso da estratégia petista.

Outra observação: nem o Brasil nem Luiz Inácio são os mesmos de ontem, o que nos remete à máxima de Heráclito de Éfeso: "Um homem não passa duas vezes no mesmo rio". As águas sempre se renovam. O Sol é novo a cada dia. As duas vezes que Lula atravessou as águas nacionais formaram e fecharam um ciclo, caracterizado pelo aprofundamento das coalizões partidárias (que resultaram no mensalão), por um compadrio patrimonialista entre sindicalismo e Estado, pelo acesso das massas à mesa do consumo e por um estilo populista de governar, que multiplicou contatos com as massas. Atualmente Luiz Inácio se agasalha no conforto de palestras internacionais, sob o manto do carisma e do perfil com maior cacife eleitoral. E tem de cuidar bem da saúde, mesmo exibindo passaporte de seus médicos para voltar a frequentar palanques.

Navegar no Brasil de hoje é, para os políticos, um exercício de reaprendizagem. A pororoca que se espraia pelo País exige um mergulho profundo nas águas que inundam ruas, becos e vielas. Lula é um navegante. Mas o rio está mudando o curso. Pegar uma canoa em direção ao amanhã, apenas com um "baú recheado de coisas de ontem"... pode dar com os burros n'água.  

* JORNALISTA,  PROFESSOR TITULAR DA USP,  É CONSULTOR POLÍTICO DE COMUNICAÇÃO. TWITTER: @GAUDTORQUATO

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U.V.

Manchetes do dia

Domingo, 14 / 07 / 2013

O Globo
"Invasão Americana - Brasil quer saber se EUA espionaram Forças Armadas"

Ministério da Defesa investiga quais dados militares podem ter sido obtidos pela NSA

Acesso a comunicações diplomáticas também é investigado. Com programa espacial paralisado, país continua dependendo de tecnologia americana para monitorar seu próprio território com o uso de satélites. A revelação de que milhões de conversas por telefone e e-mail no Brasil foram alvo de monitoramento da NSA levou as Forças Armadas brasileiras a analisar se dados de interesse militar podem ter sido atingidos. O acesso a comunicações diplomáticas também está sendo investigado, relata José Casado. Na última década, o Brasil deixou de fazer investimentos que permitiriam desenvolver satélites próprios, mantendo a dependência dos EUA para captar imagens do território nacional, informa Roberto Maltchik.


O Estado de São Paulo
"Prefeituras inflam quadros com servidores sem concurso"

Em quatro anos, foram criados nos 5.566 municípios do País 64 mil cargos comissionados, uma alta de 14%

Entre 2008 e 2012, os 5.566 prefeitos do País criaram 64 mil cargos comissionados – aqueles para os quais não é necessário concurso publico e costumam ser loteados por indicação política -, informam Daniel Bramatti e José Roberto de Toledo. No total, os prefeitos elevaram essas vagas em 14%. Com a abertura desses novos postos, o total de servidores municipais em cargos de livre nomeação chegou a 508 mil, segundo dados comp0ilados com base em informações do IBGE. Enquanto as prefeituras abriram as 64 mil vagas, o governo federal, no mesmo período, passava a abrigar 493 servidores não concursados a mais em seus quadros (aumento de 9%). O número de não concursados é 85 vezes maior na esfera municipal do que na federal (508 mil ante 5.930). Goiás concentra sete das dez prefeituras com maior porcentual de não concursados.


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