sábado, junho 15, 2013

Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Dona Dilma por mares nunca dantes navegados

Rolf Kuntz* - O Estado de S.Paulo
A presidente Dilma Rousseff converteu o Velho do Restelo, uma das grandes figuras camonianas, um homem de "saber só de experiências feito", em um petista enrustido. Na descrição dilmiana, "esse velho ficava sentado na praia azarando" e repetindo, diante de toda experiência nova, uma frase agourenta: "Não vai dar certo". Era uma figura do contra, como os opositores da Constituição de 1988, do Proer (depois apontado ao mundo como exemplo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva), do Plano Real, do pagamento da dívida pública e, naturalmente, da Lei de Responsabilidade Fiscal. Não se sabe se a presidente leu Os Lusíadas ou se apenas ouviu a história, resumida toscamente, quando passou pela praia do Restelo, em sua recente viagem a Portugal. Se leu, entendeu mal, reduzindo o enredo e uma grande figura às dimensões de uma visão chinfrim, injusta em relação ao poeta e àquela personagem.

Camões descreve o velho com respeito e atribui-lhe um discurso bem articulado e com argumentos ponderáveis. A multidão está na praia para assistir ao início de mais uma expedição a um mundo quase desconhecido. A cena ganha movimento e vida com o destaque de algumas personagens, a mãe chorosa, a esposa desconsolada ("nosso amor, nosso vão contentamento,/ quereis que com as velas leve o vento?") e, finalmente, a figura de aparência veneranda, "postos em nós os olhos, meneando/ três vezes a cabeça, descontente,/ a voz pausada um pouco alevantando". Não era um tolo nem um letrado, mas um homem "cum saber só de experiências feito".

A peroração do velho ocupa as dez estrofes finais - 80 versos, portanto - do quarto canto do poema. Em nenhum momento ele dá como certo um fim trágico para os navegantes, embora aponte os perigos e lamente "o desprezo da vida". É outro o assunto da maior parte, a mais importante, de sua fala. Ele pergunta, em resumo, se vale a pena o esforço para conquistar mares e terras distantes e cheios de perigos em vez de proteger Portugal dos inimigos vizinhos e de explorar, mesmo com a guerra, as oportunidades mais próximas. "Não tens junto comtigo o Ismaelita/ com quem sempre terás guerras sobejas?" Depois, referindo-se ao infiel: "Não tem cidades mil, terra infinita,/ se terras e riquezas mais desejas?" É um raciocínio estratégico. Não seria mais vantajoso proteger o reino da ameaça próxima e, se fosse o caso de ampliar os domínios portugueses, tentar a conquista das "cidades mil" e da "terra infinita" dos seguidores do Alcorão? Essa alternativa atenderia também a quem desejasse a glória da guerra e da vitória contra um adversário de respeito: "Não he elle por armas esforçado, se queres por victórias ser louvado?".

Em sua versão do episódio, a presidente Dilma Rousseff menciona a fala do velho sobre a motivação da vã glória. Mas passa longe, mais uma vez, do significado da peroração. As primeiras palavras têm um tom moralista. "Ó glória de mandar! Ó vã cobiça desta vaidade a que chamamos fama! (...) Que mortes, que perigos, que tormentas/ que crueldades neles exp'rimentas!" Mas o discurso logo incorpora outras preocupações: "Dura inquietação da alma e da vida,/ fonte de desemparos e adultérios,/ sagaz consumidora conhecida/ de fazendas, de reinos e de impérios! (...) Chamam-te fama e glória soberana,/ nomes com que se o povo néscio engana".

Em linguagem menos poética: fama e glória têm custos e esses custos podem ser - e são com frequência - muito elevados. Os versos mencionam "fazendas" (patrimônio), "reinos e impérios". Adiante, a argumentação é ampliada, com a referência ao perigo dos ismaelitas e às possibilidades de conquistas em áreas mais próximas. Ao discutir a aventura em mares e reinos longínquos, o velho confronta a iniciativa mais ambiciosa e arriscada com uma política alternativa, mais prudente em sua opinião. Não se trata de mero pessimismo ou de mania de ser do contra. Sem forçar a interpretação, pode-se descrever o discurso do velho como um exercício no campo das decisões estratégicas e da alocação de recursos. Com um saber derivado só da experiência, ele demonstra, no entanto, uma capacidade respeitável de refletir sobre os interesses do reino e sobre a necessidade de cálculo e de prudência. De nenhum modo Camões despreza esse tipo de sabedoria. No primeiro verso do canto quinto, a figura da praia ainda é lembrada como um "velho honrado".

Não há resposta direta ao discurso de advertência. A resposta indireta é o poema todo, como celebração da audácia e da glória dos navegadores, sintetizada na proeza de Vasco da Gama, e da grandeza de Portugal. Talvez os defensores da grande aventura marítima tivessem razão naquele momento. No longo prazo, no entanto, a história parece ter realçado a sabedoria do velho.

No mínimo, teria sido prudente conciliar a ousadia dos descobrimentos e da conquista dos mares com a modernização e o fortalecimento econômico do próprio reino. A Inglaterra, núcleo da revolução industrial no século 18, continuou sendo a grande potência europeia depois de perder as 13 colônias americanas.

Portugal perdeu o brilho muito antes da independência de suas últimas colônias na África. De certa forma, a história econômica portuguesa recomeçou com o ingresso na União Europeia e com o empuxo dos investimentos financiados pelo bloco.

No Brasil, a prudência do Velho do Restelo teria recomendado a combinação, há muito tempo, de rigor fiscal, metas de inflação mais baixas, modernização institucional e maior atenção à produtividade. Até a crise, o governo petista preferiu ver o País subir com a maré da prosperidade global. Depois, limitou-se a remendos e continuou dedicado a objetivos eleitorais. Mas política séria daria trabalho. Como escreveu outro poeta, o italiano Cesare Pavese, "lavorare stanca". 

*Jornalista

Original aqui

Twitter

Manchetes do dia

Sábado, 15 / 06 / 2013

O Globo
"Tensão urbana: Após semana de batalha, Haddad pede negociação"

Manifestantes, porém, não desmarcam novo protesto em SP; Alckmin defende PM

Chamado ao Movimento Passe Livre ocorre depois de confronto no quarto dia de protesto, que teve 232 pessoas detidas e deixou mais de uma centena de feridos. Fotógrafo atingido por bala de borracha, em ação policial, pode ficar cego. Uma semana de protestos, marcados por confrontos violentos entre PM e manifestantes em São Paulo, levou o prefeito Fernando Haddad (PT) a chamar uma reunião, na próxima terça-feira, com lideranças do movimento que foi às ruas contra o reajuste das tarifas do transporte coletivo. O prefeito, no entanto, não dá sinais de que reduzirá o preço da passagem. O MPL aceitou o convite. Ontem, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) defendeu a dura ação policial no protesto da última quinta-feira. Ontem, em Niterói, novo protesto contra aumento das tarifas de ônibus terminou em conflito com a polícia.


O Estado de São Paulo
"Alckmin ataca "vandalismo" e Haddad marca reunião"

Governador faz discurso duro contra manifestantes; prefeito convida MPL para discutir tarifa de transporte

Um dia após o protesto mais tenso contra o aumento da tarifa do transporte público em SP de R$ 3 para R$ 3,20, com forte reação da PM, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) manteve discurso duro. Ele classificou as manifestações do Movimento Passe Livre (MPL) de ações “políticas” e de “vandalismo”. O prefeito Fernando Haddad (PT) convidou lideranças do MPL para reunião do Conselho da Cidade, na terça-feira - para a véspera está marcado outro ato, no Largo da Batata. A mudança de postura da Prefeitura, que chegou a afirmar que a violência impedia o diálogo com o MPL, ocorreu depois de Haddad condenar a ação da polícia. Após a repressão da manifestação de quinta, o movimento recebeu apoio pelas redes sociais. O ato de segunda-feira tinha ontem confirmação virtual de 106 mil pessoas. O comandante-geral da PM, coronel Benedito Roberto Meira, disse que manterá a Tropa de Choque como “reserva estratégica” para atuar no protesto.


Twitter

Barbeiros em desfile

Washington, 1921

sexta-feira, junho 14, 2013

Coluna do Celsinho


Um semestre

Celso de Almeida Jr.

Amigos provocantes insistem para que eu opine sobre os quase seis meses do governo Maurício Moromizato.

Tudo bem!

Comentarei a questão.

Antes, peço um intervalo comercial; pode ser?

Ótimo. Vamos lá...

Plim-plim!

Desde 2008 faço parte da equipe do prof. Marcelo Pimentel.

Ele é proprietário da MP - Marketing Político e Governamental, com sede em Taubaté, e dá consultoria a candidatos e governantes no Brasil e em outros países.

Esta, acabou sendo a minha segunda atividade profissional, já que também integro o time do Colégio Dominique, que há 35 anos funciona em Ubatuba.

Pois é...política e educação...combinação interessante e intensa, que permite uma abrangente visão do comportamento humano.

Apesar destes últimos cinco anos atuando profissionalmente juntos, minha amizade com o Marcelo já dura três décadas.

Na política estudantil simpatizávamos com correntes opostas.

Ele, mais a esquerda, chegou a estudar em Cuba.

Eu...bem...tendia mais ao que se chamava direita.

Anote aí: um pouquinho só, tá?

Não me entusiasmava com o discurso dos vermelhinhos, cujo ideal não me seduzia, já que considerava o modelo distante do meu conceito de liberdade individual.

Sobre isso, tivemos uma passagem engraçada.

Em 1984 eu morava em São José dos Campos, onde estudava num cursinho pré-vestibular.

Um belo dia, a dona da pensão me chamou para uma conversa.

Estava muito séria.

Mostrou-me uma correspondência que o carteiro acabara de lhe entregar.

Um envelope timbrado, remetido pelo Partido Comunista do Brasil, endereçado à pensão, aos meus cuidados.

Estávamos no final do regime militar e a dona Ilmênia, bastante idosa, não via com bons olhos a foice e o martelo.

Enquanto eu ouvia o sermão, intimamente imaginava as gargalhadas do Marcelo Pimentel, autor da gozação.

Hoje, quando observo a forma como lideranças de diversas origens ideológicas se aliam, creio que não posso ser rotulado de simpatizante da extrema direita só porque rejeitava o comunismo e já votei no Paulo Maluf.

Sobre este, num comício que realizou em Ubatuba, em frente à Câmara, também na década de 80, lá estava eu batendo palmas, na turma do gargarejo.

Enquanto isso, quem espreitava na esquina, de sunga, óculos escuros e uma faixa sob o braço, aguardando a companheirada?

Ele mesmo; meu esquerdinha preferido!

Vendo-se solitário, mas fiel à causa, já ia entrar em ação quando foi abordado por um policial que o encaminhou à delegacia para esclarecimentos.

O motivo?

A faixa dizia: "Cuidado com a carteira, moçada! Maluf no pedaço."

A ocorrência ganhou os jornais da região que consideraram Pimentel o primeiro preso político da nova república.

Tempos inesquecíveis...

Hoje, maduros, experimentados, conhecedores das engrenagens que movimentam a política, focamos nossa energia em sistematizar para os clientes uma postura que se converta em ações focadas no que chamamos de Cultura do Rigor.

Alicerçada em quatro colunas - ética, harmonia, gestão de alto desempenho e disciplina orçamentária - obedece rigorosamente a Lei de Responsabilidade Fiscal e os dispositivos pétreos da Constituição Federal.

Dando o melhor exemplo, Marcelo Pimentel mergulhou nos estudos acadêmicos e hoje é doutorando em Portugal, onde conta com um escritório em parceria com uma tradicional empresa de pesquisas de opinião e censo de Lisboa.

Generoso, compartilha conosco o seu conhecimento e permite-nos atuar no Brasil e no exterior, expandindo nossa rede de relacionamentos e visão de mundo.

Pronto!

Fim do comercial.

Plim-plim!

Volto ao quase primeiro semestre de Moromizato.

Para avaliá-lo, lembro que sou um cidadão comum: barbeiro, fila da lotérica, bancos, café na padaria, giros com o carro, encontros casuais no calçadão e outras fontes geram a base de dados para captar a percepção dos ubatubenses.

Não é, portanto, uma análise científica, mas merece atenção.

Ouço basicamente dois comentários:

1) Ainda é cedo para os resultados, pois os problemas herdados são enormes.

2) Já deveria ter mostrado a que veio.

O segundo tem se destacado de maio para cá, o que já indica uma insatisfação se instalando.

Como conheço alguns auxiliares diretos do prefeito, posso afirmar, até onde sei, que há competência e boa fé em boa parte dos que integram o núcleo do poder.

Então, por que a insatisfação aumenta?

Talvez, um bom consultor possa orientar o prefeito, contribuindo para a correção do rumo.

Indico um, excelente...


Raios!


Colunistas

Standard & Poor’s: agência de risco sem credibilidade

Márcia Denser
O jornalista Saul Leblon, no editorial da Carta Maior da semana passada, novamente acerta na mosca ao desancar a (má) avaliação feita do Brasil pela Standard & Poor’s, aliás festejadíssima pelo eterno Febeapá – Festival de besteiras que assola o país – e a mídia entreguista idem.

Diz Saul que, finalmente, a Standard & Poor’s, agência de risco internacional, atende aos clamores da mídia brasileira (o chamado PIG – Partido da Imprensa Golpista) e endossa o veredicto para o Brasil como país em “espiral descendente”. Eis o critério: avalia-se com indiferença o vigor do mercado doméstico, desdenha-se as obras de infraestrutura e logística social em marcha na economia, só conta o “saldo negativo” de mais um governo “gastador e intervencionista”.

Inflação em baixa? Investimento em alta? Bobagens. Nada mereceu o destaque atribuído ao carimbo negativo com o qual a Standard & Poor’s revisou a “perspectiva da nota de longo prazo” atribuída ao país. É o velho truque da profecia autorrealizável, que os tambores locais endossam e engrossam. Aliás, o chute da Standard & Poor’s ecoa como uma espécie de 11º mandamento da ortodoxia reinante e as trombetas apocalípticas do PIG ressoam funereamente em coro, com fumaças de sentença inapelável.

Ignora-se a folha corrida da fonte, tanto quanto sua credibilidade. A ortodoxia e a causa comum tudo justificam. Ou seja: curvar o Brasil atual (agora com Dilma) no altar dos mercados internacionais; interditar a formação do discernimento da sociedade sobre os problemas reais vividos pela transição do desenvolvimento brasileiro.

Paul Krugman, em artigo recente com o sugestivo título “Credibilidade, cara-de-pau e dívida”, diz: “Para compreender todo o furor envolvendo a decisão da Standard & Poor’s, a agência de classificação de crédito, de rebaixar a nota dos títulos da dívida americana, é preciso ter em mente duas ideias aparentemente (mas não de fato) contraditórias. A primeira é que os Estados Unidos não são mais o país estável e confiável de antes. A segunda é que a própria S&P goza de credibilidade ainda menor: é o último lugar de onde alguém deveria esperar avaliações sobre as perspectivas do país.”

Comecemos com a falta de credibilidade da S&P.

Se há uma expressão, que descreve a decisão da agência de classificação de crédito de rebaixar a nota dos EUA, esta é a cara de pau – definida pelo engraçadíssimo exemplo do jovem que mata os pais e depois implora por clemência alegando ser órfão.

Afinal, o imenso déficit orçamentário dos EUA é em grande parte resultado de um declínio econômico que se seguiu à crise financeira de 2008. E a S&P, juntamente com as demais agências de classificação de crédito, desempenhou papel importantíssimo na precipitação dessa crise, concedendo notas AAA a ativos lastreados em hipotecas que desde então se transformaram em lixo tóxico.

Mas as avaliações incompetentes não pararam por aí. Num episódio agora famoso, a S&P concedeu ao Lehman Brothers, cujo colapso deu início a um pânico global, uma nota A até o mês da sua quebra. E qual foi a reação da agência depois que esta empresa foi à falência? Ora, a S&P publicou um relatório negando qualquer erro.

E são estas as pessoas que agora dão sua eminente opinião sobre a credibilidade dos Estados Unidos? (De forma que vocês imaginem o resto, Brasil incluído)

E a coisa não para por aí. Antes de rebaixar a nota da dívida americana, a S&P enviou ao Tesouro dos EUA um rascunho do seu comunicado à imprensa. Os funcionários americanos logo repararam num erro de US$ 2 trilhões nos cálculos, algo que qualquer especialista em orçamento teria calculado corretamente. Depois de certo debate, a S&P reconheceu o erro e rebaixou a nota mesmo assim. Num ponto mais amplo, as agências de classificação de crédito nunca deram a ninguém motivo para levar a sério suas opiniões sobre a solvência nacional. É verdade que, em geral, os países que declararam moratória tiveram suas notas rebaixadas antes da consumação desse fato.

Mas, nesses casos, as agências de classificação apenas seguiram os mercados, que já tinham se voltado contra tais devedores problemáticos. E, nos raros casos em que as agências rebaixaram a nota de países que ainda tinham a confiança dos investidores – como os EUA hoje -, elas se mostraram equivocadas. O caso do Japão, que teve a nota de sua dívida rebaixada pela S&P em 2002, só por si foi lapidar: nove anos mais tarde, o Japão ainda consegue obter empréstimos com facilidade e a juros baixos. Na verdade, atualmente, os juros sobre as obrigações japonesas com prazo de dez anos, são de apenas 1%.

Assim, não há motivo para levar a sério o rebaixamento da nota da dívida americana, tanto quanto a má avaliação brasileira. Afinal, estamos falando das últimas pessoas de quem deveríamos aceitar conselhos. Leia-se aqui também os jornalões do PIG, principalmente os jornalões do PIG.

Publicado originalmente no "congressoemfoco"

Twitter
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

O mago está de volta

JOÃO MELLÃO NETO *
Quando, no início do governo Dilma, delineou-se o "modelo econômico" que ela pretendia seguir, confesso que fiquei perplexo. A ideia mestra era tão simplesmente pisar no acelerador que tudo, a partir daí, se arranjaria como que por milagre. Não haveria inflação, pois se cuidaria para que as taxas de juros permanecessem baixas. Nada de temer desemprego, porque a demanda por mercadorias faria com que a mão de obra fosse um fator de produção sempre escasso e, portanto, em crescente valorização. Nada de pensar em recessão, porque o Tesouro Nacional, sempre que houvesse necessidade, poderia ser socorrido pelos abundantes recursos do BNDES, que nunca se esgotam porque se abastecem das contas compulsórias que todos nós recolhemos a título de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Basta acrescentar mais alguns retoques e pronto! O Brasil descobriu a fonte dos recursos externos. Os empresários não ousam aumentar os seus preços por temerem a concorrência dos produtos importados. E estes estão baratos justamente porque o dólar, para nós, está barato. Foi com essa fórmula mágica que o Brasil sobreviveu à crise de 2008. E é graças a ela que vamos vivendo até agora, 2013.

Eu tenho profundas desconfianças com relação a fórmulas mágicas. Em se tratando de economia, então, o meu ceticismo redobra. Ainda me recordo de um professor da faculdade que não se cansava de nos alertar: "Se uma corda tem uma ponta, pode procurar porque tem outra". Ou, numa linguagem mais regional: "Cobras e economistas nunca andam sozinhos: acautele-se!". Pois bem, desde que o atual governo demonstrou ao povo quais eram as suas diretrizes, ao menos na área econômica, eu comecei a sentir verdadeiros calafrios. Essa fórmula não fecha! Comentava com os meus botões: "É a mesma coisa que tentar sair do chão puxando os cadarços de nossos próprios sapatos".

Mas vai dizer tais coisas às pessoas. Você, no mínimo, será tachado de derrotista, ou, pior, de agente do neoliberalismo. E isso, aos olhos dos petistas, equivale a um crime de lesa-Pátria.

Temos de reconhecer: esse plano, apesar de inconsistente, é extremamente engenhoso. Como o nosso atual ministro da Fazenda, apesar de competente, não é particularmente brilhante, qual seria a fonte de inspiração das ideias que defende? Sabe-se pela imprensa que seus mais próximos amigos são o quase eterno Delfim Netto e o jovem e ambicioso banqueiro André Esteves.

Esteves, ao que se sabe, adora ganhar dinheiro, é um reconhecido estrategista, mas parece que mover os tentáculos da economia não é lá a sua praia. A não ser que isso lhe seja útil para ganhar cada vez mais dinheiro, algo que ele tem demonstrado saber fazer como ninguém. Resta-nos, então, o maquiavélico Delfim Netto, cujo perfil se adequa perfeitamente ao papel de eminência parda.

Para quem sabe pouco sobre ele, basta lembrar que durante os governos militares ele dirigiu, com plenos poderes, a economia do País em três mandatos presidenciais. Ele foi o czar das finanças durante os governos de Costa e Silva, Médici e Figueiredo. Dono de um senso de humor desconcertante, ele sempre se valeu desse dom para demolir seus eventuais adversários. Neste aspecto, apesar de seus mais de 80 anos, ele permanece invicto. Certo ou errado, ele sempre vence as discussões em que se envolve. Foi assim quando ele era apenas um professor da USP, continua assim agora, quando ele tem um longo currículo a apresentar. Não são poucos os que atribuem o sucesso de suas gestões a sua habilidade em montar equipes e mantê-las fiéis a ele. Durante o período militar, para o bem ou para o mal, todos os governantes tinham consciência de que contratar Delfim implicava levar com ele a sua "butique de talentos". Ele tinha sempre o homem certo para o cargo certo.

Quando os governos militares se extinguiram, ele cuidou de se manter em cena elegendo-se numerosas vezes para o Parlamento. Mas o Congresso não era a sua vocação natural e há quem diga que nas eleições de 1994 ele perdeu o seu mandato por pura inapetência. Agora, ao que parece, está de volta, revigorado. Tratou de aproximar-se de Lula, quando este era presidente, e com isso concentra mais poderes do que nunca.

Indica as pessoas que quer; desenha a economia como deseja; não precisa prestar contas a ninguém; não depende da opinião pública para nada. E, o que talvez seja o mais importante, conta com a presteza de um ministro da Fazenda que, no seu íntimo, tem consciência de que, sem o aconselhamento de seu mestre, muito provavelmente não teria ascendido na carreira como ascendeu.

Agora, se tudo isso vai dar certo, são outros 500. Deu certo até aqui, o que não serve de garantia quanto ao daqui para a frente.

A política de juros baixos pode ter servido ao consumo das pessoas, porém não há indicação de que possa ser mantida no futuro. Se os juros ou o câmbio dispararem, teremos a volta da famigerada inflação. O que, aliás, já vem acontecendo. A pergunta que não se cala todos repetem de cor: Bastariam os dons de prestidigitador de Delfim para afastar as ameaças que se assomam no nosso horizonte? Ou teremos em breve um choque de realidade que haverá de nos ferir a todos?

Eu bem me recordo do que ocorreu em 1981, quando era ele que comandava a economia. A correção monetária foi congelada em 50%, enquanto a inflação já superava os 100%. Como o rendimento da poupança, em razão dessa medida, mal alcançava metade da taxa de inflação, todo mundo tratou de investir os seus recursos em algum ativo que preservasse o seu poder aquisitivo.

De nada adiantou. A taxa de inflação se manteve no patamar de 100% e as pessoas, com isso, perderam a metade do que possuíam. O desastrado Plano Collor foi fichinha perto disso. Este último, ao menos, teve o escrúpulo de, após 18 meses, liberar o dinheiro retido.

* JOÃO MELLÃO NETO É JORNALISTA, FOI DEPUTADO, SECRETÁRIO E MINISTRO DE ESTADO.

Original aqui

Twitter

Manchetes do dia

Sexta-feira, 14 / 06 / 2013

O Globo
"Tensão urbana: Confronto se agrava em SP, com mais prisões e feridos"

Quarto ato contra reajuste de ônibus teve 137 detidos; manifestantes prometem novas ações

No Rio de Janeiro, protesto no centro começou pacífico, mas terminou com violência; estudantes picharam muros de prédios tombados, atearam fogo em latas de lixo e quebraram vidros de agências bancárias. Na quarta manifestação contra o aumento das tarifas de ônibus em São Paulo, a repressão cresceu e a violência mais uma vez tomou conta da cidade. A polícia tentou, sem sucesso, esvaziar a manifestação com prisões preventivas e o uso de sua tropa de choque. Foram 137 detidos, o maior número até agora. Ao menos nove jornalistas acabaram feridos ou presos. Em nota, a Anistia Internacional condenou o aumento da repressão. Governo e Prefeitura avisaram que não baixarão as tarifas, e o Ministério da Justiça ofereceu ajuda. No Rio, o protesto terminou com confronto com a PM.


O Estado de São Paulo
"Paulistano fica 'refém'; de bombas em novo confronto"

Pessoas que voltavam para casa na hora do rush ficaram entre policiais e manifestantes no 4º dia de protesto

Motoristas e pedestres ficaram no meio do fogo cruzado entre policiais e manifestantes no quarto dia de protestos do Movimento Passe Livre contra o aumento da tarifa de ônibus, ontem, em SP. As cerca de 10 mil pessoas se concentraram no centro da cidade. Para evitar que chegassem à Avenida Paulista, a polícia cercou o grupo na Rua da Consolação, onde começou o confronto. De um lado, a tropa de choque jogava bombas e disparava balas de borracha. Do outro, manifestantes respondiam com pedras e fogos de artifício. No meio, pessoas que tentavam voltar para casa. Bombas caíram perto do câmpus da PUC-SP no centro. A Consolação foi liberada às 20h, mas os protestos continuaram. Meia hora depois, barricadas foram erguidas na Rua Augusta. A manifestação foi o ápice de um dia complicado, que começou com a paralisação de parte da CPTM. Pelo menos 14 milhão de pessoas foram afetadas pela greve.


Twitter

quinta-feira, junho 13, 2013

Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

O combate de Jacob Gorender

EUGÊNIO BUCCI *
Morreu nesta terça-feira, aos 90 anos, o militante comunista, historiador e intelectual Jacob Gorender. A voz aguda, contida, quase delicada, não denunciava a fortaleza moral e o texto destemido que marcaram seu caráter. Gorender não se dobrou a nada - não se dobrou ao dinheiro, não se dobrou à pobreza, não se dobrou às chantagens psicológicas dos camaradas patrulheiros, não se dobrou à força bruta. É desses que deixam por biografia uma linha reta e austera. Seguiu seu próprio pensamento, seu próprio juízo, e nos legou uma obra essencial.

No final da década de 80, quando fui editor da revista Teoria & Debate (uma publicação trimestral ligada ao diretório paulista do Partido dos Trabalhadores), tive a honra de me aproximar desse grande homem. A primeira lembrança que guardo dele é o espírito crítico. Naquele tempo, quando a ortodoxia fanática ainda ditava - por inacreditável que possa parecer - a postura da militância de esquerda, com uma descabida reverência em relação a nomes de criminosos como Joseph Stalin, Gorender ensinava a autonomia intelectual e a razão livre, atributos que carregava pelo menos desde os anos 50 e que lhe cobraram um preço demasiadamente alto.

Em 1990, ele concedeu a Alípio Freire e a Paulo de Tarso Venceslau uma entrevista que publicamos com destaque na Teoria & Debate. Num trecho particularmente saboroso de seu depoimento, Gorender contou um caso que ilustra muito bem a idolatria da mentalidade que vicejava em certos ambientes comunistas. Na década de 50, fora enviado pelo Partido Comunista à União Soviética (PCUS) para integrar um programa de estudos marxistas. Estava em Moscou quando a cúpula bolchevique começou a revelar os chamados "crimes de Stalin", que dariam o tom dos debates no 20.º Congresso do PCUS, em 1956. Em reação àquelas denúncias, facções de stalinistas começaram a negar sistematicamente as barbaridades pelos próprios dirigentes soviéticos.

Passemos a palavra a Jacob Gorender: "Durante o curso (que fazia em Moscou), realizou-se o 20.º Congresso do PC da União Soviética. O (Diógenes de)Arruda foi ao congresso como representante brasileiro, e a ele se juntaram (Maurício)Grabois e Jover Telles, participantes do curso em Moscou. Para nossa surpresa, o jornal Pravda começou a publicar artigos e discursos de vários dirigentes com críticas a Stalin. Depois, veio o famoso informe confidencial de Kruchev. Não o lemos porque não nos foi distribuído. Só circulava dentro do âmbito do próprio PCUS. Mas nós ouvimos conferências de professores que nos transmitiram seu conteúdo. O informe fez a primeira revelação oficial de parte dos crimes de Stalin. Esse congresso vai abalar o PCB. Em maio de 1956, o informe foi publicado na íntegra pelo The New York Times e pelos grandes jornais do mundo inteiro. Aqui no Brasil ele foi, a princípio, declarado falso pelos comunistas. Porém, Arruda, ao regressar da viagem, confirmou a autenticidade do documento".

Na ocasião, os militantes do PCB liam aqui, neste jornal, as notícias que desmascaravam as engrenagens genocidas da burocracia stalinista e achavam que tudo não passava de uma campanha difamatória engendrada pelo imperialismo. Não era possível, diziam. Aquilo só poderia ser uma falsificação, só poderia ser propaganda anticomunista. Ficaram chocados quando os delegados brasileiros ao 20.º Congresso começaram a voltar e confirmaram: o material que a imprensa burguesa publicava era apenas a verdade. Foram tempos traumáticos para os marxistas, um mundo de utopias desmoronava. Gorender teve, ainda, uma decepção extra. Em sua volta de Moscou, fez escala na Hungria, onde viu a invasão dos tanques soviéticos oprimindo a nação, que tentava se sublevar. Tornou-se ainda mais avesso aos burocratas, mas não arredou pé do sonho de igualitarismo, pelo qual também pagou muito caro.

Em 1967 foi expulso do PCB. Criou o PCBR. Em 1970 foi preso e condenado a cumprir pena de dois anos. Como tantos outros, foi torturado. Durante o encarceramento, conseguiu manter uma atividade profissional regular, que permaneceu em segredo até muito recentemente. De dentro de sua cela na prisão, atuou como consultor e tradutor das coleções Os Pensadores e Os Economistas, então publicadas pela Abril Cultural, cujo diretor era Pedro Paulo Poppovic. Dona Idealina, esposa de Gorender, servia de intermediária. Ela saía do presídio, após visitar o marido, carregando uma dessas sacolas que as donas de casa usavam para ir à feira, cheia de laudas. Eram textos traduzidos do alemão ou do francês que, depois, em páginas de livro, abasteceriam a cabeça e a imaginação dos leitores. Naturalmente, aquele trabalho, embora remunerado, não teve crédito, posto que era feito na clandestinidade, mas uma das edições de O Capital da Abril Cultural, esta com o selo da coleção Os Economistas, teve a (longa) introdução assinada por Jacob Gorender.

Quando frequentava a redação de Teoria & Debate, ainda se dizia comunista, sem a menor hesitação, mas não pactuava com qualquer forma de opressão do pensamento. Seguiu seu destino, em sua linha reta. Seu livro Combate nas Trevas, de 1987, que reconstitui a saga das organizações de esquerda se esfacelando e se reagrupando em siglas intermináveis durante os anos de repressão mais sangrenta, inscreve-se como um marco inaugural na tentativa, ainda inconclusa, de desvelar uma história sombria: a história das torturas e dos assassinatos praticados por agentes públicos contra cidadãos desarmados, imobilizados e indefesos.

Gorender encarou trevas espessas: as do stalinismo, as da ditadura militar e as do fanatismo, do mais comezinho ao mais totalizante. Deixa uma herança de luz. Foi generoso e acolhedor com aqueles que eram menores, muito menores do que ele. Foi uma prova de que a humanidade pode ser melhor do que é. Venceu seu combate, embora ainda haja trevas a combater.

* EUGÊNIO BUCCI É JORNALISTA E PROFESSOR DA ECA-USP E DA ESPM.

Original aqui

Twitter

Manchetes do dia

Quinta-feira, 13 / 06 / 2013

O Globo
"Credibilidade em xeque: Governo zera imposto para tentar segurar dólar"

Moeda fecha a R$ 2,15, na maior cotação em quatro anos, e pressiona ainda mais a inflação.

Ministro Guido Mantega também garante cumprimento da meta de superávit fiscal de 2,3% do PIB para este ano. Após mais um dia de alta do dólar, que fechou a R$ 2,15, na maior cotação desde abril de 2009, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou ontem que o governo vai zerar a alíquota de 1% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) no mercado de derivativos. O objetivo é estimular a entrada de dólares no país, derrubando a cotação e tentando impedir que a inflação fuja do controle. O dólar alto encarece importados e onera as empresas que se endividaram no exterior. Mantega também se comprometeu com o superávit fiscal de 2,3% do PIB. O Ibovespa, da Bolsa de São Paulo, fechou em queda de 1,18%, aos 49.180 pontos, o menor patamar desde agosto de 2011.


O Estado de São Paulo
"Dilma diz que contas estão sob controle e ataca críticos"

Em mais um dia de nervosismo no mercado, dólar fecha em R$ 2,152 e governo anuncia medida para conter alta

A presidente Dilma Rousseff afirmou ontem não haver “a menor hipótese” de descontrole da inflação e chamou de “leviandade política grave” os ataques da oposição à política econômica do governo. Ela falou na cerimônia de lançamento de linha de crédito de R$ 5 mil para beneficiários do Minha Casa, Minha Vida para a compra de móveis e eletrodomésticos. O pacote de R$ 18,7 bilhões é mais uma tentativa do governo de estimular o consumo. Apesar da fala da presidente, o mercado teve um dia turbulento, com dólar em alta e bolsa em queda. A moeda americana fechou cotada no maior patamar desde 30 de abril de 2009, em R$ 2,152 - com máxima de R$ 2,157. À noite, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou que eliminará, a partir de hoje, uma trava que pode reduzir a cotação do dólar. O governo não vai mais cobrar 1% de IOF de derivativos cambiais.


Twitter

quarta-feira, junho 12, 2013

Pitacos do Zé


Esporte e Cidadania

José Ronaldo dos Santos
Quando eu era criança, além das remadas, braçadas e correria no lagamar, pouca coisa se falava na área de esportes em Ubatuba. Também nem televisão, revistas ou jornais tínhamos.

Hoje a coisa é diferente. A cidadania evoluiu, tem secretarias (de esporte, lazer e turismo...). Há equipamentos e estrutura para a maioria das categorias esportivas. Ah! Também tem um pessoal que recebe, via nossos impostos, para promover as cidades através do desempenho nas disputas. É legal ver, nas provas e torneios por aí afora, os atletas portando os nomes de suas cidades em seus uniformes!

No domingo que passou (09 de junho), novamente eu acompanhei a Associação Nunes de Karatê. Foi o XX Torneio da Amizade de Karatê-do, em Arujá (SP). E mais uma vez, por falta de transportes, esta associação que representava Ubatuba levou poucos atletas. A primeira questão é esta:

O que é preciso fazer pelos atletas com garra para competir e honrar o nome da nossa Ubatuba?

Ao todo foram dez atletas (desde a pequena Raffaella até a veterana Terezinha Maria), trazendo onze medalhas (cinco ouro, quatro prata e dois bronze). Mais importante que as conquistas foi a oportunidade de convivência e de crescimento de todos, inclusive dos familiares dos competidores.

Um dos objetivos deste texto é agradecer aos pais dos alunos da Associação e demais apoiadores: Rocha Sorvetes, Pelé (do Supermercado Paulista). Mercadinho e Padaria São Bento e Castellar Engenharia, cuja sede está em Curitiba – PR. Parabéns por acreditarem no potencial dos atletas, ajudando a abrilhantar um pouco mais a nossa cidade, fortalecendo a esperança de um mundo melhor!

Enfim, àqueles que apenas estão se acomodando na politicagem convém lembrar uma fala do sensei Antenor Nunes:

Cidade que não investe nos esportes, torna-se uma cidade sem futuro. E aqui apresento a segunda questão:

Quando os políticos da nossa cidade vão se debruçar nos desafios da modernidade, investindo na juventude para que vislumbremos novas perspectivas cidadãs?

Em tempo: a Associação Nunes tem sua sede na Rua Coronel Domiciano, nº 700, na Academia Dojo Kano.

Twitter
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Em busca da credibilidade perdida

O Estado de S.Paulo
O governo decidiu agir para limpar sua imagem, manchada pela inflação, pela estagnação econômica, pela mal disfarçada irresponsabilidade fiscal e pela piora das contas externas. Dois eventos devem ter convencido as autoridades a ser um pouco menos arrogantes, pelo menos por alguns dias, e a cuidar um pouco mais de sua credibilidade. Um deles foi a piora da avaliação da presidente Dilma Rousseff e de seu governo, percebida em Brasília antes da publicação, no domingo, da nova pesquisa do instituto Datafolha. O outro foi a revisão da perspectiva do País, de estável para negativa, anunciada na sexta-feira pela agência de avaliação de riscos Standard & Poor's (S&P).

Embora com variação menor, a pesquisa de imagem da Confederação Nacional dos Transportes, divulgada na terça-feira, indicou também uma avaliação mais severa da presidente e da administração federal. Nesse levantamento, como no outro, as opiniões dos entrevistados foram influenciadas pela inflação e pela menor expectativa de aumento de renda.

O custo político da persistente alta de preços já havia levado o governo a aceitar um aperto da política de juros, intensificado na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) com uma elevação da taxa básica de 7,4% para 8% ao ano. Com alguma demora, a presidente e seus auxiliares parecem ter notado, alguns dias depois, a conveniência de cuidar mais seriamente das contas públicas. Sem isso, como já haviam advertido os membros do Copom, o combate à inflação será mais difícil. Mas a ameaça da S&P de rebaixar a nota do País parece ter sido decisiva, segundo informações colhidas em Brasília.

A revisão da perspectiva de estável para negativa é apenas um primeiro sinal, mas suficiente para afetar o mercado. Qualquer novo fator de perturbação pode ser altamente prejudicial, neste momento. As condições de financiamento externo já refletem a expectativa de uma política monetária menos expansionista nos Estados Unidos e, portanto, de um enxugamento do sistema financeiro. Em um mês, o prêmio de risco do Brasil aumentou 25%. O crédito para vários outros emergentes também ficou mais caro.

Uma das consequências dessa mudança no panorama internacional é a valorização do dólar, especialmente acentuada no mercado cambial brasileiro. Essa nova tendência foi uma das razões da redução de 6% para zero do IOF incidente nas aplicações estrangeiras em papéis nacionais de renda fixa. A expectativa de uma abertura maior para o movimento de capitais começou a formar-se a partir daquele corte do imposto. Diante da perspectiva de menor oferta de moeda estrangeira e de uma piora das contas externas, tornou-se urgente a mudança de estratégia.

O aperto dos juros e a mudança na área cambial contrariam a política seguida até há poucos dias, mas são realizáveis sem grandes complicações técnicas e políticas. O maior desafio está na gestão fiscal. Discutem-se no governo medidas para tornar as contas públicas mais transparentes e menos frágeis. Segundo algumas fontes, examina-se até a ideia de um programa de déficit zero. Um programa desse tipo, apresentado há alguns anos pelos ministros da Fazenda e do Planejamento, foi rejeitado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por influência da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e do presidente do BNDES, Guido Mantega.

Enquanto se discute um retorno pelo menos parcial à boa gestão das finanças, a marcha da irresponsabilidade continua. As medidas anunciadas para a capitalização do BNDES e da Valec e para uso antecipado de créditos a receber da Itaipu Binacional devem acrescentar R$ 45 bilhões à dívida bruta da União. Em breve, segundo se estima no mercado, essa dívida ultrapassará 60% do Produto Interno Bruto (PIB). A retórica oficial continua salientando a dívida líquida, bem mais baixa, mas os financiadores, incomodamente realistas, tendem a dar mais atenção ao valor bruto.

O governo só enganará a si mesmo se insistir nessa conversa, tão pouco séria quanto os balanços do PAC (ver editorial O inchaço do PAC, abaixo), inflados com os financiamentos imobiliários. Não se reconquista credibilidade, um dos ativos políticos mais preciosos, contando lorotas.

Original aqui

Twitter

Manchetes do dia

Quarta-feira, 12 / 06 / 2013

O Globo
"Credibilidade em xeque: Dólar em alta engole lucro das empresas"

Estudo mostra que dívida ficou R$ 5,7 bi maior

Disparada da moeda encarece dívida e pesa no caixa das companhias. A disparada do dólar bate forte no caixa das empresas, que estão mais endividadas. Estudo da Economatica com 195 companhias com ações em Bolsa indica que a alta da moeda já eleva em R$ 5,7 bilhões essas dívidas, engolindo um quarto do lucro líquido das empresas no trimestre. Ontem, o dólar foi a R$ 2,164, obrigando o Banco Central a vender US$ 2,2 bi em contratos no mercado futuro. A moeda fechou a R$ 2,136.


O Estado de São Paulo
"Bolsa cai a níveis de 2011 e dólar cede após intervenção"

Em dia de nervosismo no mercado, Bovespa fecha com queda de 3,01%; governo culpa cenário internacional

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou ontem no menor patamar desde agosto de 2011, com queda de 3,01%, em 49.769 pontos. Em dia agitado no mercado financeiro, o dólar registrou grande oscilação e chegou a R$ 2,1670. A moeda americana fechou o dia com queda de 0,51%, a R$ 2,1370, após duas intervenções do Banco Central (BC) e rumores sobre novas medidas para o câmbio, que acabaram não sendo anunciadas pelo governo. Analistas econômicos sustentam que o cenário interno, principalmente a expansão dos gastos públicos, é fator preponderante para a desestabilização dos indicadores. O Planalto, porém, atribui as oscilações essencialmente ao cenário econômico internacional. Segundo interlocutores da presidente Dilma Rousseff, a alta do dólar está vinculada à expectativa de redução dos estímulos monetários por parte do Banco Central americano. 


Twitter

terça-feira, junho 11, 2013

Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

A presidente perde pontos

O Estado de S.Paulo
Só as pesquisas dos próximos meses permitirão saber se a expressiva queda dos índices de aprovação ao governo Dilma Rousseff, recém-detectada pelo instituto Datafolha, representa "um ponto fora da curva", em razão de problemas que já estariam sendo atacados pela presidente, como querem fazer crer os seus porta-vozes, ou se é um sintoma de erosão do prestígio da sucessora de Lula, motivada pelo enraizamento de uma avaliação mais realista do seu preparo - apregoado sem cessar pelo patrono de sua candidatura na campanha de 2010 - para conduzir o País. (Ver editorial Governo perdido, abaixo.)

A primeira hipótese foi propagada de imediato pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, no papel de "primeiro-ministro" dilmista. Começou tentando tapar o sol com a peneira, ao chamar de "oscilação normal" a perda de 8 pontos porcentuais (de 65% para 57%) entre os que consideram ótimo ou bom o desempenho no governo. Oscilações normais, em primeiro lugar, são as que ocorrem de uma sondagem para outra dentro da margem de erro admitida. Além disso, salvo em duas ocasiões, quando a popularidade de Dilma emagreceu ora 1 ponto, ora 2, a série de nove levantamentos do Datafolha tem sido para ela um triunfo ininterrupto - de 47% favoráveis em março de 2011 aos já citados 65% de março último.

Tampouco se poderia considerar normal uma queda verificada em rigorosamente todas as divisões da população ouvida: por sexo, idade, renda, escolaridade e região de residência. Como era de prever, o apoio a Dilma diminuiu sobretudo entre os entrevistados da classe média tradicional. Chama a atenção, porém, a elevada parcela de mulheres de renda mais baixa que deixaram de apoiar a presidente. Na sua rotina, ultimamente, ir às compras é encontrar-se com a carestia. Para a maioria dos pesquisados, por sinal, a inflação ou vai piorar (51%) ou ficar como está (30%). Oito em dez brasileiros, portanto, não acham que ela esteja "completamente normalizada", como diz Mercadante. Não bastasse isso, a proporção dos otimistas com as perspectivas do emprego despencou em menos de três meses de 41% para 27%.

É bem verdade que Dilma ainda conserva um alentado capital de popularidade. Os índices de ótimo e bom de Fernando Henrique e de Lula, no mesmo período dos seus primeiros mandatos, eram notavelmente inferiores aos da presidente: entre 18 e 21 pontos a menos. De mais a mais, o encolhimento da aprovação do governo não inflou proporcionalmente a reprovação: os índices de ruim e péssimo subiram apenas de 7 para 9 pontos, dentro da margem de erro. Em cima do muro, 1/3 dos entrevistados acha apenas regular a administração Dilma (eram 27% em meados de março). Ela tem, pois, uma base objetiva para recuperar o prejuízo sem precedentes diante da opinião pública. Tem também, no entanto, um obstáculo de fabricação própria e duvidosa remoção.

Se os fatores que fizeram baixar a cotação do governo se mantiverem - a inflação corroendo os ganhos acumulados de renda; a decorrente retração da capacidade dos novos consumidores de sustentar os padrões adquiridos; e a reaparição espectral do desemprego -, Dilma não terá o arrimo em que os governantes populares por si sós se escoram nas horas incertas: o vínculo emocional de simpatia e confiança semeado na população, tornando críveis as promessas de que dias melhores estão a caminho. Para Lula, nada mais fácil. Afinal, era idolatrado. Dilma nem sequer é amada. A relação do povo com ela é racional: quando os preços, a renda, o crédito e o emprego vão bem, o seu governo recebe nota alta e ela é respeitada. Se vão mal, a decepção irrompe.

Em meio a isso, as pessoas começam a ligar os seus problemas ao desempenho da presidente. O que os brasileiros mais informados já descobriram - a inaptidão gerencial de Dilma e a mediocridade do governo - se dissemina entre os que param para pensar. Os dilmistas festejam a posição da chefe na frente eleitoral: com 51% das intenções de voto (7 pontos aquém da sondagem anterior), ela ainda lidera a disputa de 2014. Mas, a 16 meses do pleito, o único efeito prático dessa "oscilação" será a presidente se ocupar ainda mais da campanha antecipada para evitar que se avolume o coro de "volta Lula".

Original aqui

Twitter

Manchetes do dia

Terça-feira, 11 / 06 / 2013

O Globo
"Fim da privacidade: EUA caçam americano que revelou espionagem"

País se divide sobre ação de ex-técnico da CIA, e começa pressão para extraditá-lo.

Obama se cala e entrega investigação sobre vazamento ao Departamento de Justiça; Edward Snowden refugiou-se em Hong Kong no último dia 20, mas seu paradeiro é desconhecido desde ontem. O FBI e a CIA buscam o americano Edward Snowden, de 29 anos, ex-técnico da agência de inteligência que vazou dois programas secretos de monitoramento de dados telefônicos e da internet pelo governo Obama. Ele se refugiou em Hong Kong, mas ontem seu paradeiro era desconhecido. A atuação do informante já divide os americanos, que o rotulam como herói ou traidor. O governo entregou o caso ao Departamento de Justiça, mas as pressões por sua extradição já começaram. 


O Estado de São Paulo
"Barbosa quer triplicar teto de gasto do CNJ com servidor"

Ministro negocia para que tribunais superiores cedam limites de despesa; manobra contraria o TCU

O presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Joaquim Barbosa, negocia com presidentes de quatro tribunais superiores a alteração, por meio de resolução, dos limites de gastos com pessoal impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Barbosa quer aumentar em R$ 74 milhões o teto do órgão para contratação de servidores, o que praticamente triplicaria o valor atual, de R$ 41 milhões. Para isso, pediu aos presidentes dos tribunais superiores de Justiça, Militar, do Trabalho e Eleitoral que cedam parte dos limites de despesas para o CNJ. Sem a medida, o órgão não poderá convocar 177 candidatos aprovados em concurso. A manobra desafia o TCU, que considera obrigatório o aval do Legislativo. O CNJ confirma a negociação, mas nega que vá extrapolar limites.


Twitter

segunda-feira, junho 10, 2013

Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

'Derrepentemente', mais engenheiros
 

MIGUEL JORGE - O Estado de S.Paulo
O Brasil parece ter acordado para o sério problema da escassez de mão de obra em Medicina e Engenharia. Levantamento do governo mostra que faltam 50 mil médicos em todo o País e deveriam se formar ao menos 70 mil novos engenheiros por ano para acompanhar o número de projetos nas mais diversas frentes de trabalho. Passando ao largo da carência de médicos e da polêmica em torno da proposta de importar profissionais de outros países, uma boa notícia ganhou espaço nos jornais.

Pela primeira vez, o número de calouros em Engenharia superou o de Direito. Em 2006, segundo o Ministério da Educação (MEC), 95 mil estudantes ingressaram na área (5% do total de calouros das faculdades). Em 2011 já eram 227 mil (10% do total) e a quantidade de calouros em Direito caiu 4%. Esse crescimento na procura por Engenharia reflete a demanda aquecida por profissionais da área, necessários para superarmos os graves gargalos na infraestrutura, que atravancam nosso crescimento e desenvolvimento.

Os números mostram que os estudantes estão atentos ao mercado e às oportunidades geradas pelo crescimento, que estimula projetos na construção civil, siderurgia, metalurgia, automação, telecomunicações, petroquímica, etc. Mas é preciso cautela na avaliação desse avanço. O próprio ministro da Educação, Aloizio Mercadante, foi realista: os ingressantes em Engenharia são insuficientes para resolver a carência da área.

O déficit é expressivo: foram 45 mil graduados, em 2011, para uma necessidade de 70 mil a 95 mil engenheiros todos os anos, até 2020. A Coreia do Sul, com 49 milhões de habitantes (aqui somos cerca de 190 milhões), forma 80 mil engenheiros ao ano. Não há solução milagrosa: para garantir o crescimento e obter o mínimo de competitividade no cenário internacional, é fundamental reverter nosso cenário de 2,48 engenheiros para cada 100 mil habitantes. No Japão são 17, e na China e nos EUA são 13,8 e 9,5, respectivamente.

Mas o mais preocupante é constatar que menos da metade dos estudantes de Engenharia consegue se formar, em razão de um velho problema de nossa educação: o despreparo e a falta de domínio dos conteúdos exigidos para um desempenho adequado na educação superior. Os estudantes chegam às universidades sem conhecimentos essenciais para a qualificação profissional. Recentemente, o presidente do Instituto de Engenharia, Aluízio de Barros Fagundes, reconheceu que as escolas de Engenharia gastam o primeiro ano para ensinar fundamentos de Matemática, Física e Química.

Não por acaso, dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) de 2009, da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), apontam que é muito baixo o porcentual de nossos estudantes com habilidades mínimas em Matemática. O exame, que avalia o desempenho em leitura, Matemática e Ciências, foi feito por cerca de 470 mil estudantes de 15 anos em todo o mundo.

Os resultados mostram, de forma contundente, o enorme déficit de habilidade em matemática entre nossos estudantes: coube-nos um triste 57.º lugar. O teste avalia os alunos em seis categorias, com níveis progressivos de dificuldade, e a grande maioria de nossos jovens (88%) situou-se até o nível 2. Só 3,8% conseguiram nível 4 para cima (no 6, o mais alto, nosso resultado foi de 0,1%), e este, sem dúvida, é um dos requisitos capazes de garantir sucesso a alunos das áreas de exatas e tecnológicas.

Os países da OCDE, que reúne as economias mais avançadas, tiveram desempenho bem superior: enquanto somamos 386 pontos, a média dos países foi de 495. Na Coreia do Sul, 51,8% dos alunos estão acima do nível 4 na avaliação de Matemática do Pisa. No Canadá são 43,3% e na China, 71,2%. Isto é: proporcionalmente, esses países têm pelo menos dez vezes mais alunos aptos para as áreas de exatas e tecnológicas que o Brasil.

Mais grave é que nossas autoridades parecem ainda não se dar conta da urgência e da gravidade de nossos problemas na educação. É evidente a necessidade de investimento eficiente, consistente e focado nos anos iniciais de aprendizagem, pois o problema começa nesta etapa. Precisamos melhorar a base, os anos iniciais do ensino fundamental, pois a insuficiente aprendizagem ao longo da educação básica impede que se adquiram as habilidades esperadas, em cada série, em disciplinas básicas como Português e Matemática.

Voltando aos dados do início, é importante repetir que a quantidade de calouros em Direito caiu 4% - uma boa notícia, pois já temos uma reserva de profissionais mais que suficiente para atender à demanda na área. Com uma agravante: há problemas recorrentes de qualificação, como demonstram os resultados do 9.º Exame da OAB, divulgados em março. A reprovação foi de 89,7%: dos 114.763 candidatos, só 11.820 foram aprovados, ou só 1 em cada 10 inscritos conquistou o direito de advogar.

Os números da área são superlativos. Temos 754.685 advogados (1 profissional para 256 habitantes), segundo a OAB, a mesma proporção dos EUA (1 para 253). Ainda segundo a OAB, 100 mil pessoas se formam em Direito anualmente. Levantamento do Inep mostra que, entre 1999 e 2011, a quantidade de matriculados foi de 328,7 mil para 722,8 mil, crescimento de 120%.

Nos últimos 20 anos, o número de faculdades de Direito passou de cerca de 200 para 1.260, ante 1,1 mil em todo o mundo (!). Além disso, mais de cem instituições esperam por autorização do MEC para entrar no mercado - e tudo indica que esperarão por muito tempo, pois o próprio Ministério diz que não autorizará novos cursos de Direito. A medida, correta, chega tarde.

Entre os profissionais de Direito, o excesso de oferta, somado à falta de qualificação, resulta, no mínimo, em ataques brutais à língua portuguesa, como o que surpreendeu um amigo dia destes, em correspondência de seu advogado: o profissional garantiu que "derrepentemente" o juiz poderia encerrar a causa.

* JORNALISTA,  FOI MINISTRO DO DESENVOLVIMENTO,  INDÚSTRIA, COMÉRCIO EXTERIOR NO GOVERNO LULA (2007-2010)

Original aqui

Twitter

Manchetes do dia

Segunda-feira, 10 / 06 / 2013

O Globo
"Em marcha lenta - Governo só investiu 17% do autorizado"

Ritmo está abaixo do de 2012, e obras de infraestrutura empacam

Analistas apontam paralisia numa conjuntura de PIB fraco e preços em alta. Em um cenário de PIB fraco, inflação alta e credibilidade do país em xeque com a perspectiva negativa da agência S&P, o governo não tem sido capaz de impor um ritmo maior aos investimentos, na contramão do discurso oficial. Até abril, a parcela destinada a investimentos ficou em 17% do total de R$ 130 bilhões autorizados no Orçamento, segundo o Tesouro. A fatia, menor que os 22,5% de igual período de 2012, não é suficiente para que obras de infraestrutura decolem. Analistas confirmam a paralisia e não veem recuperação este ano.


O Estado de São Paulo
"Delegacias prendem só 3 a cada 100 crimes graves"

Dados do governo de SP mostram que DPs registraram 55,3 mil delitos violentos, mas fizeram 1,7 mil prisões

Os 93 distritos policiais de São Paulo registraram 55,3 mil crimes violentos - homicídio, estupro, roubo e roubo de veículos - neste ano até abril, mas efetuaram apenas 1,7 mil prisões com mandado judicial, uma média de 3 a cada 100 ocorrências graves. O cálculo inédito foi feito pela Secretaria da Segurança Pública e obtido com exclusividade pelo Estado. Nesse índice não entram as prisões em flagrante, feitas pela PM, nem as realizadas pelas delegacias especializadas. O mapeamento mostra que 55 distritos, incluindo alguns em bairros nobres, como o do Morumbi e o dos Jardins, têm taxa de prisão ainda inferior à média da cidade - e três não prenderam ninguém por delito grave com mandado judicial. Por outro lado, 38 delegacias prendem acima da média. A líder é a do Bom Retiro, com 13 prisões a cada 100 crimes violentos. Segundo a Secretaria da Segurança, foi autorizada a contratação de 2,8 mil policiais e a criação de 1,8 cargos na Polícia Científica.


Twitter

domingo, junho 09, 2013

Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Cada vez maior a farra fiscal

O Estado de S.Paulo
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, respondeu com mais uma de suas bravatas à agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P), um dia depois de rebaixada a perspectiva do Brasil de estável para negativa. Segundo ele, a agência terá de mudar sua avaliação para um viés de alta, se isso depender da perspectiva econômica do País. A economia brasileira, argumentou, teve um "desempenho razoável" no primeiro trimestre e há sinais de crescimento maior no segundo.

É um arrazoado estranho. Depois de dois anos de estagnação, seria necessária uma expansão muito superior a 0,6% num trimestre para caracterizar uma evolução "razoável". Se o Produto Interno Bruto (PIB) crescer 3% neste ano, a expansão no triênio terá ficado em pífios 2,2% ao ano.

Além disso, o ministro Mantega descartou muito facilmente outros pontos. Ao adotar o viés de baixa, os avaliadores levaram em conta o risco de uma piora das contas públicas, já comprometidas pela combinação de excesso de gastos com desonerações mal planejadas. Somaram a isso a preocupação com o rápido aumento das operações dos bancos públicos e com o seu risco de crédito. Além disso, a justificativa da agência menciona também o baixo nível de investimentos e a fraqueza das exportações.

O anúncio da S&P coincidiu com a divulgação de duas más notícias sobre as contas públicas. Autorizado pela Medida Provisória (MP) 618, o Tesouro Nacional deverá repassar mais R$ 15 bilhões ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e uma quantia igual à Valec.

Esse dinheiro será levantado com mais endividamento, por meio da colocação de títulos federais no mercado. A transferência será feita por meio de um empréstimo sem prazo de vencimento. O governo poderá disfarçar outros efeitos, contabilmente, mas o impacto sobre a dívida bruta do Tesouro será evidente, e esse é o ponto mais relevante para os credores e demais agentes do mercado.

Além disso, o BNDES terá um desconto da dívida acumulada com o Tesouro desde 1997. A maior parte dessa dívida corresponde a transferências ligadas ao Programa de Sustentação de Investimentos, instituído em 2009 como instrumento de ação contra a crise. O governo deveria ter encerrado esse programa em poucos meses, mas decidiu renová-lo mais de uma vez. Entre 2009 e 2012 o Tesouro transferiu para o banco R$ 280 bilhões. A MP ainda autorizou o BNDES a descasar ativos e passivos de operações em dólares.

A outra má notícia reforça as expectativas de um mau resultado fiscal neste ano. O governo só conseguirá fechar suas contas - mesmo abatendo R$ 45 bilhões de investimentos e desonerações da meta fiscal - com a inclusão do bônus de assinatura das licitações do pré-sal na receita do Tesouro. A receita de concessões, inicialmente estimada em R$ 3,3 bilhões, foi revista em maio para R$ 15,6 bilhões, mas poderá ser maior, segundo fontes do Executivo.

O governo deverá usar, portanto, além dos truques já conhecidos, a contabilização de uma receita meramente eventual, sem perspectiva de repetição nos próximos anos. Mas a maior parte da gastança financiada pelo Tesouro deverá ser permanente.

A bagunça fiscal permanece, é indisfarçável e é inútil o governo rejeitar as avaliações de agências de classificação de risco ou de quaisquer outras entidades. Agências como a S&P têm o poder especial de prejudicar governos e países com suas opiniões negativas, certas ou erradas, mas esse é o menor problema. Muito mais grave, com ou sem classificação negativa, é o dano causado pelo manejo irresponsável das finanças públicas.

O Banco Central voltou a acentuar, na quinta-feira passada, a importância da política fiscal para o combate à inflação e para a preservação da confiança. Sem isso, ninguém poderá contar com estabilidade de preços nem com os investimentos indispensáveis ao País. A inflação em 12 meses continua no limite da margem de tolerância (6,5%), e os investimentos ainda estão longe do nível mínimo desejável. Nenhum desses indicadores vai melhorar com a farra fiscal.

Original aqui

Twitter

Manchetes do dia

Domingo, 09 / 06 / 2013

O Globo
"Família S/A: Políticos empregam parentes até em partidos"

Nas 30 legendas legalizadas, familiares ocupam pelo menos 150 cargos de direção

De salário a consultoria, tudo é pago com dinheiro publico repassado pelo fundo partidário.,Se fosse possível resumir em uma denominação as siglas partidárias brasileiras, um bom nome seria Partido da Família S/A. Nos 30 registrados no Tribunal Superior Eleitoral, há pelo menos 150 parentes de políticos em cargos de direção, revela Chico de Gois. São cônjuges, irmãos, tios e primos muitas vezes remunerados para fazer negociações políticas e financeiras. Os ganhos incluem de salário a consultorias que o dirigente dá ao partido que comanda — tudo legalmente pago com o dinheiro público do fundo partidário. No PTC, cinco dos 14 membros da Executiva tem o sobrenome Tourinho.


O Estado de São Paulo
"‘Alckmin politiza a questão da segurança’, diz Cardozo"

Ministro da Justiça afirma que governador quer se isentar do problema; ele nega ser candidato em 2014.

Após um período de desgaste sofrido com protestos de índios e com uma investigação ainda sem resultado sobre os boatos do fim do Bolsa Família, o ministro dá Justiça, José Eduardo Cardozo, entra em nova polêmica. Ele afirmou a Vera Rosa que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) politiza a segurança pública ao culpar a falta de policiamento nas fronteiras pela escalada da violência no Estado. “Querer atribuir a subida da violência a algo que está melhorando é se isentar do problema.” Apesar do discurso de candidato, ele nega que vá enfrentar Alckmin em 2014. Sobre a questão indígena, Cardozo afirmou que quer criar um “fórum de negociação” para Mato Grosso do Sul.


Twitter
 
Free counter and web stats