sábado, maio 25, 2013

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Opinião

Uma indicação aplaudida

O Estado de S.Paulo
Faz bem para as instituições que a presidente Dilma Rousseff tenha escolhido para o Supremo Tribunal Federal (STF) um nome respeitado pela comunidade jurídica brasileira em peso, a começar dos seus futuros colegas. Diferentemente das reservas com que foram recebidas algumas indicações da presidente e do seu antecessor Luiz Inácio Lula da Silva, em relação ao advogado Luís Roberto Barroso, de 55 anos, especialista em Direito Constitucional, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e procurador do Estado, chega-se a dizer que de há muito ele merecia integrar a Alta Corte - para a qual esteve cotado, por sinal, já em 2002, no segundo mandato do presidente Fernando Henrique. O ministro Gilmar Mendes, que prevaleceu à época, elogiou Dilma pela "bela indicação". O ex-ministro Carlos Ayres Britto, que se aposentou em novembro passado e cuja vaga Barroso ocupará, depois da ratificação de praxe pelo Senado, o considera "um jurista completo e um humanista".

Esse último termo alude a atuações que o notabilizaram nos anos recentes e explicam o júbilo das organizações de defesa dos direitos humanos diante de sua escolha. Defendeu perante o Supremo Tribunal três bandeiras caras aos progressistas: a liberação das pesquisas para fins terapêuticos com células-tronco embrionárias, o reconhecimento da união estável entre pessoas do mesmo sexo e a permissão para o aborto de fetos com má-formação cerebral (anencefalia). Foi vitorioso em todas as ações. Por fim, uma bancada influente advogou por ele no Planalto - do governador fluminense, Sérgio Cabral, ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, além do secretário executivo da Casa Civil, Beto Vasconcelos, e do ex-deputado federal e também advogado Sigmaringa Seixas, amigo próximo de Lula, a quem deve ter persuadido a se juntar à causa. O fato é que, na quarta-feira, quando Dilma se decidiu, ela e seu patrono tomaram o café da manhã juntos no Palácio da Alvorada.

É de perguntar, portanto, por que a presidente tardou meio ano para se fixar em Barroso e, mais ainda, por que tinha se inclinado, antes dele, pelo tributarista Heleno Torres, da USP (cuja indicação só não se consumou porque vazara como fato consumado para a imprensa, num episódio a que ele não estaria alheio). De toda maneira, há algo errado com o sistema que permite ao chefe do governo levar o tempo que queira para substituir um membro do STF cujo afastamento era previsível. Entre a aposentadoria de Ayres Britto e a escolha de Barroso transcorreram seis meses e uma semana; entre a aposentadoria do ministro Eros Grau, em agosto de 2010, e a escolha de Luiz Fux foram sete meses. Não é aceitável que o Supremo permaneça desfalcado por períodos tão extensos. Nos Estados Unidos, onde é mais difícil que aqui prever quando haverá uma vacância, mesmo assim o processo é célere. Os presidentes americanos sabem que a instituição é importante demais para ficar incompleta além do estritamente necessário.

Barroso será um dos primeiros ministros do STF a se manifestar sobre embargos declaratórios apresentados pelos condenados no processo do mensalão sem ter participado do respectivo julgamento. Chama a atenção, por isso, o artigo que publicou com o colega Eduardo Mendonça no site Consultor Jurídico, em 3 de janeiro. O texto assinala que jamais houve um julgamento "sob clamor público tão intenso" e "mobilização tão implacável" da imprensa. Isso teria criado "um ambiente mais propício à catarse do que à compreensão objetiva dos fatos". Os autores sustentam ainda que "a superação de linhas jurisprudenciais anteriores, a dureza das penas e o tom por vezes panfletário de alguns votos surpreenderam boa parte da comunidade jurídica". No seu entender, "o STF aproveitou a oportunidade para condenar toda uma forma de se fazer política". Por isso, "é compreensível que os condenados se sintam, não sem alguma amargura, como os apanhados da vez, condenados a assumirem sozinhos a conta acumulada de todo um sistema". Veremos como, uma vez togado, Luís Roberto Barroso traduzirá essas palavras em votos.

Original aqui

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Manchetes do dia

Sábado, 25 / 05 / 2013

O Globo
"Empresa do Rio espalhou boato sobre Bolsa Família"

Descoberta reforça a tese de que a ação tenha sido organizada

Em menos de uma semana de investigação, a Polícia Federal descobriu indícios de que uma central de telemarketing com sede no Rio de Janeiro foi usada para difundir o boato de que o Bolsa Família, o principal programa social do governo federal, iria acabar. Mensagem de voz distribuída pela central anuncia o fim do programa, conforme dados do inquérito aberto no início da semana a partir de uma determinação do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.


O Estado de São Paulo
"PF investiga mensagens de celulares com boatos"

O efeito "manada" foi aumentado pela replicação por rádios da falsa notícia

Investigação da Polícia Federal aberta para apurar os boatos que desencadearam uma corrida de beneficiários do Bolsa Família às agências da Caixa Econômica Federal aponta a existência de mensagens transmitidas para celulares e ligações diretas como a origem provável da falsa notícia de que o programa seria extinto. Desde segunda-feira, agentes da Divisão de Crimes Cibernéticos, da Polícia Federal, estão num esforço para localizar pessoas que receberam os telefonemas. A partir dos depoimentos e de rastreamento das ligações recebidas por elas, os agentes tentam encontrar semelhanças entre as mensagens e, assim, chegar à autoria do boato.


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sexta-feira, maio 24, 2013

Giotto

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Coluna do Celsinho

Sobrevivência

Celso de Almeida Jr.

Cedinho, caminhando por cidade vizinha, observava as construções, os carros, o movimento.

Gente por toda parte, despertando para mais um dia, garantindo a sobrevivência.

Em pensamento, viajei para outros lugares.

Imaginei outras calçadas, outros idiomas.

Visualizei outros povos, outros tipos, outras cores.

Muito movimento, também.

Mesmos sonhos?

Mesmas esperanças?

Mesmas angústias?

Impossível descobrir.

O certo é que todos são passageiros e a caminhada não será eterna.

Seguramente, um dia, seremos todos iguais.

Descansaremos em paz.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

O tsunami continua

O Estado de S.Paulo
Os principais centros de estímulo à economia do mundo rico são hoje os bancos centrais, empenhados em fabricar dinheiro para facilitar o crédito e manter a estabilidade do sistema financeiro. Cinco anos depois do início de uma crise global ainda longe do fim, os mercados continuam muito mais sensíveis às palavras ou gestos de Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve (Fed), e de Mario Draghi, do Banco Central Europeu (BCE), do que aos discursos da maioria dos ministros de Finanças dos países desenvolvidos. Com inflação muito baixa, desemprego alto e aperto fiscal na maior parte do mundo industrializado, decifrar comentários e intenções de umas poucas estrelas conhecidas como autoridades monetárias pode ser a diferença entre enormes ganhos e perdas.

O Fed, banco central americano, continuará a trabalhar pela reativação da economia ainda por um bom tempo, disse Bernanke, na quarta-feira, em depoimento no Congresso. Os juros básicos serão mantidos entre zero e 0,25% ao ano enquanto as projeções apontarem uma inflação abaixo de 2,5% (a meta de longo prazo é de 2%) e o desemprego estiver acima de 6,5%. Esse compromisso havia sido anunciado logo depois da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), encerrada no dia 1.º do mês.

Não se esperava novidade quanto a esse ponto, mas o presidente do Fed poderia dizer algo mais preciso sobre as compras - até agora no valor de até US$ 85 bilhões mensais - de papéis do Tesouro e de títulos vinculados às carteiras hipotecárias de instituições públicas.

Segundo o Fomc anunciara, essas operações poderiam ser aumentadas, nos próximos meses, de acordo com a evolução da economia. A mudança mais provável, segundo o pessoal do mercado, seria a redução. Isso interromperia a enxurrada de dólares e a moeda americana tenderia a subir. Bernanke reafirmou a informação do comitê, mas, ainda assim, o dólar valorizou-se em relação às principais moedas, na quarta-feira, porque os investidores deram mais peso à possibilidade de mudança gradual da política.

O governo brasileiro poderia aplaudir essa decisão. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, tem acusado os bancos centrais dos países desenvolvidos de inundar o mundo com dinheiro, provocando a valorização do real e de outras moedas. A presidente Dilma Rousseff usou mais de uma vez a expressão "tsunami monetário", atribuindo a esse fenômeno o desajuste do real e a perda de competitividade da indústria brasileira. O único problema para o governo do Brasil seria perder um precioso conjunto de bodes expiatórios. O País continuaria ineficiente e com baixo poder de competição, porque seus problemas vão muito além do câmbio, mas o discurso oficial perderia um atraente argumento.

De fato, é muito difícil de prever quando o Fed reduzirá as compras de títulos para irrigar o mercado mensalmente com dezenas de bilhões de dólares. É cedo para pensar nisso, disse Bernanke, apesar de alguns sinais positivos. O crescimento econômico no primeiro trimestre foi estimado em 2,5%, em termos anuais, e o desemprego caiu para 7,5% em abril, nível muito inferior ao da maior parte da Europa. A criação de empregos nos últimos seis meses superou, em média, 200 mil postos. Nos seis meses anteriores a média mensal havia sido inferior a 140 mil. Mas 8 milhões de pessoas, acrescentou Bernanke, ainda trabalham em tempo parcial e gostariam de contratos de tempo integral. O mercado de empregos continua fraco e a desocupação continua bem acima dos padrões históricos.

Novos estímulos fiscais estarão fora de consideração enquanto governo e oposição continuarem incapazes de um acordo político sobre o assunto. O ideal, segundo Bernanke, seria um entendimento para elevação dos estímulos a curto prazo e um esforço maior para redução do déficit e do endividamento público em prazo mais longo. Por enquanto, resta a política monetária como instrumento de estímulo à economia. Não importam a choradeira dos outros nem o falatório sobre tsunamis monetários.

Oriinal aqui

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 24 / 05 / 2013

O Globo
"Nos campos do pré-sal - Brasil fará maior leilão de petróleo do mundo"

ANP decide licitar área com até 12 bilhões de barris na Bacia de Santos

Rio pode ser beneficiado com royalties, mas questão ainda está em análise no STF. Para consultor, anúncio tem conotação política. A Agência Nacional do Petróleo vai antecipar em quase um mês, para outubro, a primeira licitação de áreas do pré-sal. A decisão foi tomada após confirmação de reservas de 8 bilhões a 12 bilhões de barris de óleo e gás na área de Libra, na Bacia de Santos. É a maior reserva no mundo que vai a leilão e deve atrair investidores estrangeiros. Boa parte dessa riqueza deve ser revertida em royalties para o Rio, mas a questão aguarda decisão do STF. "A motivação é tão política que o leilão será em Brasília”, na presença de Dilma, alerta o consultor Adriano Pires.


O Estado de São Paulo
"Dilma indica advogado progressista para o STF"

Luís Roberto Barroso pode mudar rumo do processo do mensalão petista e do mineiro

O advogado especialista em Direito Constitucional Luís Roberto Barroso, de 55 anos, foi indicado ontem pela presidente Dilma Rousseff para o STF. Ele deve ocupar a vaga de Ayres Britto, aposentado em 2012. O novo ministro, que teria sido escolhido depois de passar pelo crivo do ex-presidente Lula, vai julgar os recursos dos condenados no processo do mensalão e pode mudar os rumos da ação. Os votos dele e de Teori Zavascki podem acarretar redução das penas ou novo julgamento para 11 dos 25 condenados. Também será responsável por relatar a ação penal do mensalão mineiro. Como advogado, Barroso é considerado “progressista”. Defendeu no Supremo pesquisas com células-tronco embrionárias, a união estável entre pessoas do mesmo sexo e a interrupção da gravidez em caso de anencefalia. Foi também defensor do ex-ativista Cesare Battisti. O advogado será sabatinado no Senado.


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quinta-feira, maio 23, 2013

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Opinião

Arremedo de austeridade

O Estado de S.Paulo
Com o bloqueio de R$ 28 bilhões dos gastos previstos no Orçamento, o governo terá um pouco mais de segurança financeira, mas continuará muito longe do resultado prometido inicialmente - um superávit primário de R$ 155,9 bilhões para o pagamento de juros.

No relatório bimestral de receitas e despesas divulgado ontem pelos Ministérios do Planejamento e da Fazenda, a meta foi mantida em R$ 108,1 bilhões para o governo federal e em R$ 47,8 bilhões para os demais níveis da administração pública, totalizando 3,2% do Produto Interno Bruto (PIB). Mas foi mantida, também, a possibilidade de abatimento de até R$ 65 bilhões, valor correspondente à soma de investimentos prioritários e desonerações tributárias.

Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, será desnecessário abater aquele total. Melhor esperar para conferir. A gestão das contas públicas nos últimos anos justifica o ceticismo diante de promessas desse tipo. No fim de 2012, só uma indisfarçável maquiagem das contas permitiu um resultado fiscal parecido com aquele fixado oficialmente.

Em 2011 os ministros da Fazenda e do Planejamento decidiram pôr de lado R$ 50 bilhões. Em 2012, o contingenciamento - é este o nome oficial - subiu para R$ 55 bilhões. A suspensão do desembolso pode ser apenas provisória, se nos meses seguintes a receita for compatível com as despesas definidas na lei orçamentária. Por enquanto, uma arrecadação muito melhor nos próximos meses parece pouco provável. Na revisão bimestral houve um corte de R$ 67,8 bilhões na projeção de receitas - de R$ 1,25 trilhão na lei orçamentária para R$ 1,18 trilhão.

O crescimento previsto do PIB passou de 4,5% para 3,5% e a inflação estimada subiu de 4,9% para 5,2%. A expansão econômica de 4,5% embutida na lei orçamentária desde o ano passado foi considerada um exagero. Mas distorções desse tipo são usadas no Congresso para inflar a previsão de receita e abrir espaço para emendas de senadores e deputados.

O ministro Guido Mantega repetiu, na apresentação dos novos números, o discurso habitual sobre a seriedade da política fiscal e a prioridade atribuída pelo governo aos investimentos. Como de costume, o público tem excelentes motivos para receber com desconfiança esse tipo de conversa. As contas fiscais do Brasil podem ser melhores que as dos países desenvolvidos mais afetados pela crise, mas são menos saudáveis que as de várias economias em desenvolvimento mais prósperas e com melhores fundamentos. Além disso, a dívida bruta do setor público brasileiro supera a da maioria desses países.

Depois, o governo tem desmentido, ano após ano, seu propalado compromisso com a responsabilidade fiscal. O Ministério da Fazenda tem recorrido cada vez mais abertamente à contabilidade criativa para arrumar suas contas. A última novidade, recém-anunciada, é a decisão de antecipar o uso de créditos contra a Itaipu Binacional. No limite, o governo poderá hipotecar receitas previstas para o período até 2023.

Da mesma forma, a prioridade ao investimento como principal motor da expansão econômica é mais que discutível. De fato, só a aplicação de recursos em máquinas, equipamentos, instalações e obras de infraestrutura, somada a um esforço de inovação, pode garantir um crescimento duradouro. Mas a prática do governo tem passado longe desse preceito.

Em 2012 o total investido na formação bruta de capital físico foi 4% menor que o contabilizado no ano anterior. Ficou pouco acima de 18% do PIB. Se o País investir neste ano 6% mais que no ano passado, como estima o ministro, a proporção ainda ficará abaixo de 20%, muito perto dos níveis mais altos alcançados nos últimos anos.

O mínimo necessário a um crescimento mais firme, como admite o próprio governo, seria algo próximo de 24%. Não há como negar: a economia brasileira tem sido movida principalmente pelo consumo e esse fato já é notório para os analistas e investidores internacionais. Nada permite, por enquanto, acreditar em mudança de rumo a curto prazo.

Original aqui

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 23 / 05 / 2013

O Globo
"Direitos não muito iguais - Relator retira multa por demissão de domésticas"

Projeto deixa de fora os 40% sobre o saldo do FGTS em dispensa sem justa causa

Demais trabalhadores teriam benefício. INSS seria reduzido para empregador, que pagaria seguro. O projeto de regulamentação dos novos direitos das domésticas propõe que não haja multa de 40% sobre o FGTS em caso de demissão sem justa causa. O benefício era defendido pela presidente Dilma, mas não consta do texto do relator, o senador Romero Jucá (PMDB-RR). Em compensação, além dos 8% de FGTS que o empregador deve recolher, Jucá cria uma contribuição adicional ao Fundo de 3%, que poderão ser sacados se a doméstica pedir demissão. Se for dispensada, ela leva o FGTS, sem a multa. Jucá também propõe reduzir o recolhimento patronal para o INSS de 12% para 8% e cria seguro contra acidentes de trabalho.


O Estado de São Paulo
"Dilma pressiona e tarifa de ônibus em SP fica em R$ 3,20"

Prefeitura optou por valor mais baixo após promessa de isenção fiscal para empresas de transporte público

A tarifa de ônibus, trens e metrô subirá dos atuais R$ 3 para R$ 3,20 em São Paulo em 2 de junho. O valor foi definido depois que a presidente Dilma Rousseff pressionou o prefeito Fernando Haddad para que a cobrança fosse a menor possível, em um cenário entre R$ 3,20 e R$ 3,30. Em contrapartida, o governo federal garantiu isenções fiscais na venda de passagens das empresas de transporte coletivo. A expectativa é de que o Planalto edite, nos próximos dias, medida provisória para isentar o setor da cobrança de PIS e Cofins. Ainda assim, a Prefeitura terá de fazer repasse recorde de verbas para custear a operação. Com isso, o subsídio às companhias de ônibus deve chegar a R$ 1,25 bilhão neste ano, o dobro do previsto no orçamento. Em 2012, o valor foi de R$ 960 milhões.


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quarta-feira, maio 22, 2013

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Opinião

Gastando por conta do futuro

O Estado de S.Paulo
O governo federal acaba de inventar mais um truque para manter a gastança e continuar fechando suas contas, no fim do ano, como se houvesse cumprido a meta fiscal ou, pelo menos, manejado com alguma prudência as finanças públicas. Para isso, a presidente Dilma Rousseff decidiu antecipar, em nova manobra contábil, o recebimento de recursos devidos à União pela Itaipu Binacional - cerca de R$ 15 bilhões até 1.º de maio.

O prazo previsto para a liquidação dos compromissos de Itaipu terminará em 2023. Com isso, cria-se mais uma hipoteca sobre a arrecadação dos próximos dois mandatos presidenciais e do começo do terceiro. Eis aí mais um instrutivo exemplo de irresponsabilidade fiscal.

O Tesouro já havia recorrido à antecipação de dividendos de estatais para tapar buracos. Esse foi um dos artifícios empregados em 2012 para maquiar a execução do orçamento.

Na prática, o Tesouro terá de se endividar, por meio da emissão de papéis, para conseguir neste ano aquele dinheiro. O endividamento, autorizado pela Medida Provisória (MP) n.º 615, de 17 de maio, será "em favor da Conta de Desenvolvimento Energético". Os valores recebidos depois, quando a Itaipu liquidar efetivamente seus compromissos, "serão destinados exclusivamente ao pagamento da dívida pública federal".

Para autorizar essa manobra, a nova MP alterou a Lei n.º 12.783, de 11 de janeiro deste ano, relativa às concessões de serviços de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica e à redução das tarifas de eletricidade.

Com a antecipação do dinheiro devido até 2023 pela Itaipu Binacional, o governo terá recursos adicionais para enfrentar os custos da redução das contas de energia.

Incluída na receita, essa verba será contada no cálculo do superávit primário, isto é, da economia feita anualmente para o pagamento de juros devidos pelo Tesouro. Facilitará, portanto, o cumprimento da meta fiscal, ampliando o espaço para a manutenção das despesas federais. Será mais fácil cumprir a meta sem comprimir os gastos ou sem aumentar a receita efetiva, em parte prejudicada pela concessão de estímulos tributários.

Apesar da emissão de títulos, a dívida líquida poderá ficar inalterada, porque os papéis terão como contrapartida os créditos a receber da Itaipu. Mas a dívida bruta aumentará e o custo de sua rolagem poderá subir, se as condições do mercado financeiro se alterarem.

Isso dependerá tanto da política oficial de juros como do humor dos financiadores. Embora os ministros e outros funcionários insistam em falar quase exclusivamente sobre a dívida líquida, o mercado leva em conta, em suas avaliações, também a dívida bruta. É assim em todo o mundo e nenhum operador do sistema financeiro tem um bom motivo para agir de forma diferente em relação ao governo brasileiro.

A MP autoriza a emissão de papéis até o limite do valor devido pela Itaipu Binacional em 1.º de maio. O objetivo imediato é cobrir os gastos previstos para a Conta de Desenvolvimento Energético, criada para várias finalidades, como a universalização do serviço de energia elétrica, a indenização a empresas no caso da reversão das concessões, a redução dos preços para os consumidores e a competitividade da energia produzida com base no carvão e em outras fontes. O governo recorreu a essa conta para evitar o repasse aos consumidores dos custos adicionais da energia térmica produzida durante a seca.

O secretário do Tesouro, Arno Augustin, já havia anunciado a adoção de uma política "contracíclica" - economia nos anos bons para despesas maiores nas fases ruins. Na prática, só a segunda parte da cartilha, a dos gastos maiores, vem sendo seguida há muitos anos. O compromisso com o regime de metas fiscais tem sido mantido principalmente de maneira formal, com o uso cada vez mais amplo de maquiagem contábil. Ao recorrer à antecipação dos recursos devidos pela Itaipu Binacional, o governo dá mais um salto no caminho da irresponsabilidade, ampliando o gasto por conta de créditos futuros.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 22 / 05 / 2013

O Globo
"Novos direitos - Dilma sugere flexibilizar jornada de domésticas"

Presidente desiste de projeto de lei ou MP e deixa decisão para o Congresso

Governo propõe negociação entre patrões e empregados. Poderão ser adotados regime de oito horas diárias (44 semanais) com até 4 horas extras, escala de 12 horas de serviço com folga de 36 horas e banco de horas. O governo sugeriu ontem ao Congresso flexibilizar a jornada de trabalho dos trabalhadores domésticos, que poderá ser negociada entre patrões e empregadas. No ano que antecede as eleições, a presidente Dilma não quis se comprometer e enviar ao Congresso proposta de regulamentação de novas regras por meio de projeto de lei ou medida provisória. Dilma apresentou três modelos. As partes poderão adotar o regime de oito horas diárias (44 semanais), com até quatro horas extras por dia; escala de 12 horas de serviço por 36 horas de folga, como ocorre com profissionais de saúde; e banco de horas para compensar excessos em até um ano.


O Estado de São Paulo
"Morre Ruy Mesquita"

O jornalista Ruy Mesquita, diretor de O Estado de S. Paulo, morreu ontem às 20h40. Estava internado desde o dia 25 de abril para tratamento de um câncer de base de língua. Seguindo a tradição da família, Ruy Mesquita foi um defensor da liberdade, da democracia e da livre-iniciativa, princípios que sempre nortearam a linha editorial do Estado. Ao longo de seus 88 anos, teve participação ativa em momentos importantes da história do Brasil e da América Latina. Presenciou o início da revolução em Cuba, nos anos 50, e foi homenageado pelos irmãos Castro. Depois tornou-se crítico contumaz do regime. Reuniu-se com militares antes do golpe de 1964, que apoiou, em nome da defesa da democracia, mas, assim como seu pai e seu irmão, também passou a criticar a ditadura. Os três lideraram uma emblemática resistência à censura prévia, substituindo as reportagens cortadas por poemas e receitas. Responsável pela opinião do Estado desde a morte de seu irmão Julio de Mesquita Neto, em 1996, se reunia diariamente com os editorialistas. Deixa a mulher, Laura, os filhos Ruy, Fernão, Rodrigo e João, 12 netos e um bisneto.


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terça-feira, maio 21, 2013

Monarca


Colunistas

Muito dinheiro na mão de poucos

“Como é possível que a sociedade atual seja mais rica e que, paradoxalmente, seus filhos vivam bem pior que seus pais?”

 
Márcia Denser
Um artigo recente do jornalista Vicenço Navarro para o diário Público na Espanha traz à pauta a nova-velha-sempiterna história das consequências antidemocráticas da concentração de riqueza: afinal, como é possível que a sociedade atual seja mais rica e que, paradoxalmente, seus filhos vivam bem pior que seus pais? A resposta é que o crescimento econômico se distribui desigualmente, concentrando-se nos estratos superiores da sociedade.

Uma das características da situação dos dois lados do Atlântico Norte foi o enorme crescimento das desigualdades com uma grande concentração dos rendimentos e da propriedade, unida à grande deterioração das instituições democráticas. As instituições políticas dos países estão muito influenciadas por poderes financeiros e setores ricos que induzem as intervenções públicas a favorecerem os interesses desses setores à custa da maioria da população.

Isto cria uma perda de legitimidade e de apoio popular às instituições chamadas representativas, junto com a diluição da confiança que a cidadania tinha no poder do Estado (dirigido pelas autoridades políticas) para garantir um progresso do desenvolvimento econômico do país, de tal maneira que as gerações novas vivessem melhor que as anteriores. Esta esperança desapareceu. Na realidade, grandes setores da população, que nalguns países chegam à maioria, são conscientes de que “os filhos não viverão melhor do que os seus pais”.

Este sentimento transpareceu nas declarações do candidato, mais tarde presidente francês, François Hollande, feitas durante a campanha eleitoral: “Até há pouco – disse Hollande – todos tínhamos a convicção de que os nossos filhos teriam melhores vidas que nós. Já não é assim. Esta convicção, que respondia a uma realidade, está desaparecendo”.

Esta situação é paradoxal, pois a riqueza dos países (incluindo a França) continua a crescer, na medida em que cresce a sua economia, realidade que só se interrompeu recentemente com a Grande Recessão. Mas esta convicção (e realidade que a sustenta) já existia antes da recessão, ainda que se tenha acentuado mais com a crise atual.

O crescimento econômico se distribui muito desigualmente, concentrando-se nos rendimentos superiores, graças às políticas iniciadas pelo presidente Reagan nos EUA e pela Sra. Thatcher na Grã-Bretanha, na década de 1980 do passado século. Por exemplo, nos EUA, em 1979, o 1% da população com maiores rendimentos (os super ricos) ganhava 9% de todo o rendimento do país. Em 2007, esta percentagem aumentou para 24% – a mais elevada registrada desde 1920, data do começo da Grande Depressão americana.

Mas de onde se origina tal concentração dos rendimentos e da riqueza? A resposta reside na má distribuição da riqueza criada pelo mundo do trabalho. Os dados mostram isso claramente: a produtividade do trabalhador durante o período 1973-2008 praticamente duplicou. Isto é, um trabalhador produzia por hora quase mais duas vezes em 2008 do que em 1973. O seu salário, no entanto, cresceu só 10% durante o mesmo período. Mas os diretores das grandes empresas viram crescer os seus rendimentos absurdamente (e pra manter este status quo).

Enquanto o CEO (Chief Executive Officer) de uma grande empresa recebia, em 1973, 22 vezes mais que o trabalhador médio da empresa, em 2008 esta relação subiu para 231 vezes (segundo Lawrence Mishel, The State of Working America. A report of the Economic Policy Institute. 2012, table 4.33).

Uma situação ainda mais acentuada ocorre quanto à distribuição dos elementos da propriedade que geram renda (tais como terras, ações, bônus, etc.). Entre 1983 e 2010, 5% da população com maior propriedade cresceram 83%, enquanto 80% da população viram decrescer sua propriedade em 3,2%. Em consequência, o 1% da população mais rica, que possuía 20% de toda a riqueza em 1971, passou a ter 35% em 2007. Os 10% dos super-ricos em 2007 tinham 73% de toda a riqueza, enquanto os 40% das famílias (as classes populares) tinham só 4,2% de toda a propriedade. O fato é que a concentração de poder econômico e financeiro enfraquece enormemente a democracia até o ponto de eliminá-la em muitos países.

Esta enorme concentração dos rendimentos e da riqueza dificulta e impede o desenvolvimento democrático, pois os setores ricos e super-ricos exercem uma enorme influência e o controle dos aparelhos de Estado. Mais, estes grupos e setores desenvolvem as suas próprias redes e associações (nas quais são incorporados dirigentes políticos de todas as sensibilidades políticas), promovendo as suas ideologias, apresentando-os como os únicos aceitáveis ou respeitáveis, e as suas políticas (que favorecem os seus interesses) como as únicas possíveis.

As alianças dessas elites desempenham um papel chave nas realidades políticas. O casamento entre os super-ricos e ricos, por um lado, e os políticos conservadores e liberais (e de uma maneira crescente, algumas personagens da social-democracia), pelo outro, é uma constante nos sistemas políticos, fonte de contínua corrupção. Há múltiplos exemplos disso.

A influência da família que governa um sistema quase feudal, o Qatar, nas instituições políticas europeias não é menor. O presidente Nicolas Sarkozy deu amplas vantagens fiscais aos interesses dessa família, que lhe subvencionou as campanhas eleitorais e, mais tarde, suas atividades pós-presidenciais. Tony Blair é um dos assessores mais bem pagos do J.P. Morgan (e é frequentemente convidado por fundações e grupos de reflexão para dar lições sobre o futuro da social-democracia).

Esta cumplicidade entre os grupos financeiros e econômicos e a classe política dominante é a característica destes tempos. A imunidade da banca, com os seus conhecidos paraísos fiscais, baseia-se precisamente nesta cumplicidade. Entre os setores público e privado, onde havia uma porta, colocou-se um arco. E dos mais triunfais.

Este sistema está numa crise profunda há décadas. O casamento do poder financeiro-econômico com o poder político é o eixo do descrédito das instituições chamadas democráticas que provoca enormes desigualdades.

Então a pergunta que não quer calar é: até quando será possível manter um sistema insustentável?

Publicado originalmante no "congressoemfoco"

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Opinião

Os estragos da inflação

O Estado de S.Paulo
A inflação impõe danos cada vez mais sensíveis à economia nacional, afetando o poder de consumo das famílias e pressionando os custos empresariais. Segundo o governo, a alta de preços está sob controle e tende a perder impulso com a melhora da oferta de alimentos. Apesar desse discurso, analistas privados dão como certo mais um aumento de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para os dias 28 e 29. Mesmo na área oficial há quem reforce essa expectativa. O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, prometeu na semana passada uma política firme contra as pressões inflacionárias, chegando muito perto de anunciar uma nova elevação da taxa básica. A maior dúvida, neste momento, é sobre o aperto necessário para conter os estragos e evitar uma deterioração mais ampla do quadro econômico.

Do lado do consumo, principal motor da economia nos últimos dois anos, os efeitos da inflação já são bastante claros. Foram detectados, por exemplo, na pesquisa mensal de intenção de consumo das famílias paulistanas conduzida pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo. De março para abril o indicador caiu 0,4% e chegou a 129,1 pontos. Desde 2010 esse foi o pior resultado para o mês. No quadrimestre, a média ficou em 132,7 pontos, o nível mais baixo em três anos. Há receio tanto das famílias quanto do sistema financeiro. Diante da expectativa de preços em alta e de juros maiores, os financiadores têm reduzido os prazos e elevado o custo dos empréstimos.

Na última pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), de amplitude nacional, o índice de expectativa dos consumidores ficou estável em abril, em 113,9 pontos, depois de uma sequência de seis quedas. O número foi o mais baixo desde março de 2010. A confiança do consumidor, segundo análise da FGV, reflete "a preocupação das famílias com a situação econômica geral, a inflação e a situação financeira doméstica, tendo o mercado de trabalho como um ponto de sustentação". A maior parte das negociações proporcionou, no ano passado, aumentos salariais acima da inflação acumulada. Mas a aceleração da alta de preços vem erodindo mais sensivelmente a renda familiar desde os últimos meses de 2012.

O emprego de fato permanece elevado, embora a criação de empregos tenha arrefecido na indústria. O setor industrial evitou demissões nos últimos anos, apesar do baixo nível de atividade. Demitir sai caro e, além disso, a oferta de mão de obra com as qualificações necessárias é escassa. Muitos dirigentes de empresas preferiram evitar as dificuldades de encontrar pessoal para recompor os quadros, no caso de uma reativação da economia. Essa foi uma das causas da elevação dos custos no último ano.

Desde o segundo semestre de 2011 as empresas não financeiras têm perdido rentabilidade. Custos em alta e atividade em marcha lenta - com recuo da produção industrial em 2012 - têm afetado severamente os balanços. O jornal Valor divulgou na segunda-feira os resultados de um levantamento das contas de 238 empresas. A receita conjunta no primeiro trimestre, R$ 234,2 bilhões, foi 11% maior que a de igual período do ano passado. Mas os custos ficaram 12,6% acima do valor encontrado no período de janeiro a março do ano passado.

A relação entre custos e faturamento subiu de 70,7% nos primeiros três meses de 2011 para 70,9% um ano depois e 71,9% em 2013. O número de companhias com prejuízo no primeiro trimestre (68) foi 20% maior que o de um ano antes. Uma das novidades, neste ano, foi a redução da lucratividade das empresas de bens de consumo, protegidas até há pouco pela disposição de compra das famílias.

Uma política de crescimento baseada no estímulo ao consumido dificilmente seria sustentável por muitos anos, no Brasil. Com a inflação acelerada afetando tanto os consumidores quanto as indústrias, essa impossibilidade fica ainda mais clara. Se um novo erro político facilitar o repasse dos custos aos preços finais, o resultado será um desastre. Ainda há tempo para evitar esse erro.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 21 / 05 / 2013

O Globo
"Infância interrompida: Participação de menores no crime triplica no Rio"

Casos chegam a 709 jovens apenas no primeiro trimestre deste ano

Segundo delegacia, crescimento vem de mudanças na estrutura do tráfico após as pacificações de favelas. Menores, que costumavam trabalhar como olheiros e aviões, desceram os morros para vender drogas no asfalto. Nos primeiros três meses do ano, 709 crianças e adolescentes foram detidos por envolvimento em crimes na cidade do Rio de Janeiro, um número que é mais que o dobro dos 342 jovens apreendidos no mesmo período do ano passado e mais que três vezes o de apreensões feitas nos três primeiros meses de 2011. De lá para cá, a alta na participação de menores em crimes foi de 237,6% na capital (134,1% no estado). Segundo a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, a alta está ligada às mudanças na estrutura do tráfico após as pacificações. Os jovens, que antes trabalhavam nos morros em cargos secundários na hierarquia do tráfico, como olheiros, fogueteiros e aviões, desceram para vender a droga no asfalto, sendo mais facilmente detectados e detidos pelos policiais. Apesar da sensação de insegurança nas ruas do Leblon, o número de assaltos a transeuntes no bairro caiu no primeiro trimestre deste ano, diferentemente do que foi publicado ontem no GLOBO. De janeiro a março, foram 120 casos, uma redução de 31% em relação ao mesmo período do ano passado. Há, porém, sub notificação.


O Estado de São Paulo
"Dilma chama boato sobre Bolsa Família de ‘criminoso’"

Planalto não quer que assunto seja politizado e enquadra ministra que culpou oposição pelos rumores

Dois dias após boatos sobre o fim do Bolsa Família causarem tumultos em ao menos dez Estados, a presidente Dilma Rousseff disse ontem que o autor dos rumores é “desumano” e “criminoso”. “Não acreditem nos pessimistas e não acreditem nos boatos. Não abriremos mão do Bolsa Família” , afirmou, durante agenda em Pernambuco. Dilma determinou que a Polícia Federal investigue o caso. Mais cedo, a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, causou polêmica ao postar mensagem em uma rede social em que responsabilizava a oposição pelos rumores. O Palácio do Planalto enquadrou a ministra e determinou que o assunto não seja politizado, embora reservadamente petistas comparem o caso a um “terrorismo” da pré-campanha de 2014. PSDB e DEM criticaram Maria do Rosário. Ontem, muitos beneficiários ainda procuravam as agências da Caixa para tentar sacar o dinheiro.


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segunda-feira, maio 20, 2013

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Opinião

Gás de xisto, uma nova revolução energética?

José Goldemberg
A Revolução Industrial teve início no fim do século 18 e foi baseada no uso do carvão. A Inglaterra, com suas amplas reservas desse mineral, liderou a revolução. Com o correr do tempo, contudo, o petróleo começou a substituir o carvão por causa de suas características mais atraentes, como ser líquido e mais fácil de transportar. Finalmente, em meados do século 20, o gás natural, que é mais limpo, começou a dominar o cenário energético.

O que vemos aqui é a confirmação do malicioso comentário atribuído ao secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de que "a Idade da Pedra não acabou por falta de pedras", mas pela descoberta de que metais eram melhores para fazer machados (ou lanças) do que pedras.

Hoje, no mundo, o carvão representa 26% do consumo de energia; o petróleo, 32%; e o gás natural, 20%. O petróleo é ainda dominante, mas a produção mundial está se concentrando no Oriente Médio porque nos Estados Unidos (o maior consumidor mundial) e na maioria dos demais países ela está caindo.

Os Estados Unidos importam do Oriente Médio metade do petróleo que consomem (cerca de 10 milhões de barris por dia), a um custo de mais de US$ 300 bilhões por ano, e não são poucos os que acreditam que as guerras naquela região do mundo (principalmente no Iraque) têm que ver com a necessidade de obter garantias de fornecimento por governos mais amistosos.

Daí a importância que discussões sobre "independência energética" tem nos Estados Unidos e que é prometida por todos os governos desde os tempos de John Kennedy e Richard Nixon, por volta de 1960. Essa independência nunca foi alcançada e, ao contrário, o que aumentou foi a dependência das importações de petróleo do Oriente Médio.

Eis que desenvolvimentos tecnológicos nos últimos dez anos estão mudando drasticamente esse cenário, com a exploração do gás de xisto. A possibilidade técnica de usar esse gás é conhecida há muito tempo, mas o custo de exploração só a tornou viável nos últimos anos. A partir do ano 2000 houve uma "explosão" no aumento da produção: em 2000 o gás de xisto representava 1% do gás natural produzido nos Estados Unidos, em 2010 eram 20% e existem previsões de que em 2035 serão quase 50%.

Com isso os Estados Unidos, que até recentemente importavam gás, estão começando a exportar. Além disso, os preços do gás caíram drasticamente nesse país, que está importando menos petróleo, uma vez que aquele combustível vem substituindo derivados do petróleo tanto na indústria quanto no transporte.

Havendo mais petróleo disponível no mundo, os seus preços tenderão a cair, tornando inviáveis projetos para sua produção, muito caros. Até a exploração do pré-sal no Brasil poderia ser afetada por essa queda de preços.

Estamos, pois, diante do que poderá ser uma nova revolução energética e da ascensão de uma "era do gás", como foi a do carvão no século 19.

Quão realista, todavia, é essa possibilidade?

Xisto é uma camada de mineral situada a três ou quatro quilômetros abaixo da superfície do solo, na qual gás se encontra aprisionado. É preciso "fraturar" o xisto para libertar o gás, o que é feito com jatos de água a alta pressão, a qual se adicionam certas substâncias químicas. É nessa área que muitos progressos tecnológicos ocorreram entre os anos de 1980 e 2000. Existem camadas de xisto no subsolo em muitos países do mundo, o Brasil incluído.

Há, porém, problemas para a sua utilização, que são de diversos tipos:

Viabilidade econômica, que depende do tamanho da reserva de gás;

duração da produção de gás, uma vez que os depósitos de xisto são finitos;

problemas regulatórios na autorização para perfurar poços;

e problemas ambientais.

Nos Estados Unidos houve uma combinação favorável de fatores que permitiu o rápido sucesso da exploração. Em primeiro lugar, naquele país o subsolo é propriedade do dono da terra e a decisão de perfurar é dele; no Brasil, por exemplo, o subsolo é da União e a exploração exige autorização do governo federal. Em segundo lugar, as exigências ambientais eram poucas no início da exploração e existiam grandes depósitos de xisto.

É essa combinação que explica por que num curto período de dez anos foram abertos cerca de 20 mil poços de gás de xisto nos Estados Unidos. Mas é pouco provável que todas essas condições favoráveis se repitam tanto na Europa como em outras partes do mundo. Problemas ambientais já levaram até os Estados de Nova York, da Pensilvânia e do Texas a introduzir regulamentações mais exigentes. Na França a exploração de gás de xisto foi proibida.

Os problemas ambientais originam-se no fato de que grande quantidade de água tem de ser usada, misturada com areia e um "coquetel" de substâncias químicas (cuja composição tem sido mantida confidencial pelas empresas) para "fraturar" o xisto. Cerca de 50% a 70% da água injetada é recuperada e trazida de volta para a superfície, onde é colocada em lagoas que podem poluir o lençol freático. Além disso, o gás liberado do xisto não é metano puro, vem acompanhado de nitrogênio (que não queima) e de várias impurezas, como sulfato de hidrogênio (que é tóxico e corrosivo), tolueno e outros solventes.

Outro problema que lança dúvidas sobre a realidade de uma revolução na área de gás, causada pelo uso de gás de xisto, é que a produção de cada poço não deve ultrapassar 15 ou 20 anos. Se esse for realmente o caso, não estamos de fato diante de uma "revolução", mas talvez de uma "bem organizada campanha de relações públicas", como declarou recentemente Alexei Miller, presidente da Gazprom, a empresa russa que é a maior produtora mundial de gás.

JOSÉ GOLDEMBERG É PROFESSOR EMÉRITO DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 20 / 05 / 2013

O Globo
"Enxurrada de dólares - Empresas brasileiras captam mais no exterior"

Grupo de 13 companhias já levantou 63% do total do ano passado

EUA e Europa são os maiores compradores de títulos, e recursos obtidos somam US$ 18,9 bi. Dívida torna empresas mais vulneráveis. Com o objetivo de ampliar investimentos ou baratear as suas dívidas, 13 empresas brasileiras já buscaram este ano recursos no mercado externo com emissão de bônus e captaram US$ 18,9 bilhões, o equivalente a 63% de todas as operações ano passado. Num momento em que a economia dá sinais de recuperação, uma operação da Petrobras neste mês, de US$ 11 bilhões, abriu espaço para novas ações. Fundos de pensão e de investimento americanos e europeus são os principais compradores dos papéis. O endividamento das empresas nacionais chegou a R$ 192 bilhões no primeiro trimestre. Especialistas avaliam que as companhias ficarão mais sensíveis às flutuações do câmbio.


O Estado de São Paulo
"Virada Cultural mais violenta tem arrastões e duas mortes"

Pelo menos 5 foram baleados e 2, esfaqueados; PM e Haddad dizem que houve mais pessoas dispostas a roubar

Duas pessoas morreram, pelo menos cinco foram baleadas e outras duas, esfaqueadas, entre sábado e ontem, na edição mais violenta da Virada Cultural, evento que ocorre desde 2005 na cidade de São Paulo. Também houve arrastões, roubos, brigas, consumo de drogas e fechamento de estações de Metrô. Foram presos 28 adultos e 9 adolescentes, detidos. Foram registrados 1.800 atendimentos por excesso de álcool. A única morte no evento havia ocorrido no ano passado, quando uma pessoa foi assassinada a tiros. O prefeito Fernando Haddad (PT) e o coronel Reinaldo Simões Rossi, comandante da área centro da Polícia Militar, disseram que ainda precisam refletir sobre as causas. Mas ambos afirmaram que o motivo pode ter sido o aumento do número de pessoas dispostas a roubar.


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domingo, maio 19, 2013

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Opinião

Enfim, a reforma dos portos

O Estado de S.Paulo
O governo está coberto de motivos para comemorar a aprovação da MP dos Portos, não apenas porque a presidente Dilma Rousseff se envolveu pessoalmente na questão, mas, sobretudo, porque conseguiu vencer, na última hora, uma dura batalha no Congresso mesmo tendo cometido erros políticos graves e demonstrado enorme incapacidade de articular sua base parlamentar. Como o governo, o País tem motivos para celebrar a aprovação do novo marco regulatório para os portos, pois espera que, com ele, haja mais competição entre os operadores, maior eficiência e menor custo das operações portuárias, eliminando, assim, um dos piores gargalos da economia. Mas o episódio deixou evidentes muitas falhas políticas do governo, que, se não corrigidas, dificultarão ou até impedirão a aprovação de outras reformas de que o País necessita.

A escolha da medida provisória para acelerar o processo de votação de uma mudança tão complexa e potencialmente geradora de conflitos, como a introduzida pela MP dos Portos, transformou-se numa armadilha para o governo. Tendo seu emprego limitado a questões de relevância e urgência - o que nunca esteve claro no caso da reforma do sistema portuário -, as medidas provisórias perdem validade se não forem transformadas em lei no prazo de 60 dias, prorrogável uma vez pelo mesmo período. Assim, era muito curto o tempo de que o Congresso dispunha para examinar o tema, ouvir as partes interessadas, analisar os conflitos entre elas e votar a proposta.

Melhor teria sido o envio de um projeto de lei com pedido de tramitação em regime de urgência. Esse regime dispensa algumas exigências regimentais, permite a tramitação da proposta simultaneamente pelas comissões e não submete o Congresso a pressões tão fortes como faz a MP.

Mesmo tendo sido escolhida a medida provisória, porém, é possível que, se o governo contasse com uma articulação eficaz no Congresso, muitos dos pontos que geraram tensões e se transformaram em instrumentos para retardar o processo ou para forçar barganhas teriam sido superados sem que fosse necessário ceder tanto.

Mas, com lideranças frágeis, o governo não conseguiu assegurar a votação tranquila da MP, mesmo dispondo de ampla maioria nas duas Casas do Congresso. Com a validade da MP prestes a se esgotar, o governo teve de abrir mão de pontos que considerava imutáveis. Mesmo assim, esteve muito perto de sofrer uma derrota histórica.

O que se viu nas discussões da MP dos Portos na comissão mista que a examinou e, especialmente, no plenário da Câmara foi uma aberta rebelião de parte do que se considera a base de apoio do governo, conduzida pelo líder do PMDB, deputado Eduardo Cunha (RJ), que retardou ainda mais a votação.

À medida que se aproximava o fim do prazo de validade da MP, maiores as pressões do governo sobre o Congresso e, especialmente, maiores as concessões que o Palácio do Planalto teve de fazer, aceitando parcialmente emendas dos parlamentares ou oferecendo compensações pelo compromisso de aprovação do texto.

Ressalve-se que, nesse clima de trocas explícitas, o governo conseguiu preservar pelo menos dois pontos importantes da proposta original. Um deles é a regra que permite que os novos terminais movimentem cargas próprias e de terceiros, o que aumenta o interesse dos empresários nessas operações. Outro é o que reduz o poder dos órgãos gestores de mão de obra (Ogmos), controlados por sindicatos, na contratação de serviços pelos portos privados.

O texto aprovado pelo Congresso contém, no entanto, aberrações que precisam ser eliminadas. Uma delas é a emenda que abre caminho para a renovação obrigatória de contratos de terminais privados em portos públicos, pelo mesmo prazo dos contratos originais, desde que os arrendatários se comprometam a fazer investimentos.

A presidente Dilma Rousseff terá de arcar com o ônus político do veto a pontos acrescentados ou mudados pelos parlamentares que desfiguram a proposta original.

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Manchetes do dia

Domingo, 19 / 05 / 2013

O Globo
"Recorde de Ministérios custa R$ 58 bi ao país"

Para manter 39 pastas, governo gasta mais que o dobro da verba destinada ao Bolsa Família

No total o orçamento para custeio de toda a engrenagem federal chega a RS 377,6 bilhões, mais do que o PIB do Peru. O governo Dilma Rousseff tem tantos ministros que não há sequer espaço para todos na Esplanada dos Ministério. Parte da estrutura teve de ser espalhada por outros prédios de Brasília, cidade fundada há apenas 53 anos e planejada para receber todo o governo. O Orçamento Geral da União de 2013 prevê R$ 58,4 bilhões só para manter a estrutura e os funcionários dos atuais 39 ministérios. O funcionalismo federal já reúne quase 1 milhão de servidores ativos e inativos, e eles custaram ao país, em 2012, R$ 156,8 bilhões.


O Estado de São Paulo
"Aécio é eleito presidente do PSDB e líderes pregam união"

Em clima de campanha contra o PT, tucano usa a economia para atacar Dilma e afirma que o Brasil parou

Com ataques ao governo de Dilma Rousseff e ao PT, o senador Aécio Neves assumiu ontem, em convenção em Brasília, a presidência nacional do PSDB. A união retórica e o calor dos discursos, porém, não encobriram sinais de tensões internas com a consolidação do mineiro como pré-candidato ao Planalto em 2014. Ao lado de Fernando Henrique Cardoso, Geraldo Alckmin e José Serra, Aécio fez um discurso de candidato e atacou o governo em pontos como infraestrutura, inflação e “crescimento pífio”. Durante o evento, os tucanos falaram em esgotamento do projeto atual do PT, defenderam ética na política e pregaram união do partido em torno de Aécio.


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