sábado, abril 27, 2013

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Opinião

A vez dos bombeiros

O Estado de S.Paulo
O primeiro passo para resolver um problema é reconhecer que ele existe. O problema da hora, no País, é a súbita mutação das tensões entre o Legislativo e a mais alta instância do Judiciário, o Supremo Tribunal Federal (STF), em confronto aberto. Essas tensões, diga-se desde logo, são próprias do relacionamento entre os Poderes de Estado em configurações institucionais como a da democracia brasileira. Mas o que se passou em Brasília entre quarta e quinta-feira foi além do que a República pode aceitar como parte da ordem lógica das coisas. Compreende-se que, movidos pela melhor das intenções, alguns ministros do STF tenham tentado negar o óbvio: a irrupção de uma crise estridente sem paralelo entre nós ao menos no último quarto de século - nem quando, em 1994, a Suprema Corte absolveu um presidente destituído por corrupção, dois anos antes, pelo Congresso Nacional.

O ministro Dias Toffoli, por exemplo, numa ida à Câmara dos Deputados para participar de um grupo de trabalho, disse que "quem quiser ver crise quer criar, porque crise não há". O que há, segundo as suas palavras emolientes, são "os Poderes funcionando, a normalidade democrática e a democracia efervescente". Ele há de saber que os Poderes não estão imunes a praticar atos disfuncionais e que a efervescência democrática corre o risco de transbordar dos padrões da normalidade. Foi o que ocorreu, para dizer o mínimo, quando a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, numa sessão de que participaram apenas 21 dos seus 68 membros, acolheu, em votação simbólica, um retaliatório projeto de emenda constitucional, de autoria petista, destinado a subordinar as decisões mais importantes do STF à aprovação do Congresso.

E foi o que ocorreu também quando, horas depois, o ministro Gilmar Mendes concedeu a liminar requerida pelo líder do PSB no Senado, Rodrigo Rollemberg, para sustar a tramitação, a toque de caixa, do projeto que priva as novas legendas do tempo de TV e da parcela do Fundo Partidário proporcionais ao número de parlamentares que a elas adiram - o que a atual legislação, referendada pelo Supremo, admite. O ministro invocou, para a sua decisão, a "extrema velocidade" do andamento da proposta e a "aparente tentativa casuística" que lhe deu origem. Uma coisa e outra são verdadeiras. No limite, o que se busca com a proposta, a pretexto de inibir a proliferação de siglas, é abrir caminho para a reeleição da presidente Dilma Rousseff em primeiro turno. Daí a recusa dos governistas a aceitar que as novas regras só entrem em vigor em 2015.

Assim como a pretendida tutela sobre o STF atenta contra a cláusula pétrea da Carta de 1988 que afirma a separação dos Poderes e dá ao Supremo a palavra final sobre a constitucionalidade das leis, o freio à tramitação do projeto sobre os partidos representa uma ingerência na atividade legislativa, ainda mais quando conduzida de acordo com as normas regimentais do Congresso. "No meu tempo de Supremo, nunca vi nada igual", comentou o jurista Carlos Velloso, que foi ministro por 16 anos. Já diante da enormidade cometida pela CCJ, o mesmo Gilmar Mendes acusou o órgão de "rasgar a Constituição". Se a iniciativa vingar, será melhor "que se feche o Supremo", radicalizou. Com igual contundência, ao criticar a liminar do ministro, o presidente do Senado, Renan Calheiros, a equiparou a uma "invasão" e cobrou da Corte que reveja os seus "excessos" ao julgar o recurso que ficou de apresentar.

Agora que falaram o que achavam que precisava ser dito, amplificando ameaçadoramente o conflito, as partes têm um serviço a prestar à ordem institucional que lhes cabe defender: abandonar o papel de carbonários e assumir o de bombeiros. O presidente da Câmara, Henrique Alves, já o fez. Anunciou que não se apressará a instalar a comissão especial que, depois da CCJ, deve apreciar o projeto castrador da autonomia do STF. Em bom português, engavetou a matéria. É de esperar que o plenário do Supremo também se manifeste sem demora sobre a paralisação da proposta relativa aos novos partidos - e autorize a sua retomada. Sempre haverá tempo, caso se torne lei, para decidir se é constitucional.

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Manchetes do dia

Sábado, 27 / 04 / 2013

O Globo
"Construtor confirma propina no Minha Casa Minha Vida"

Pequenos empresários pagaram de 10% a 32% do valor do imóvel

Pedágio inviabilizou em alguns casos a construção de moradias populares. Uma empresa relata ter repassado mais de R$ 500 mil à RCA, firma de ex-servidores do Ministério das Cidades investigada por fraudes no programa. Pequenos construtores contratados para fazer moradias populares em municípios com menos de 50 mil habitantes relataram ao GLOBO que, para participar do Minha Casa Minha Vida, precisavam pagar propinas que variavam de 10% a 32% do valor do imóvel. Segundo a denúncia, os pagamentos eram negociados por Daniel Nolasco, ex-diretor de Produção Habitacional do Ministério das Cidades e filiado ao PCdoB. Ele é sócio da RCA, investigada por montar um esquema de fachada para fraudar o programa federal. A empresa afirma que não exigia pagamento e que apenas "em casos pontuais" as construtoras precisaram contratar assistência técnica para realizar as obras.


O Estado de São Paulo
"É o Executivo que invade o Congresso, diz Gilmar Mendes"

Ministro do STF nega que tenha cometido excesso ao suspender projeto que inibe criação de partidos.

O ministro do STF Gilmar Mendes rechaçou ontem as críticas do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), de que tenha cometido “excessos” ao suspender a tramitação de projeto de lei que inibe a criação de partidos. Para o ministro, o Executivo é que ameaça a autonomia do Legislativo com, segundo ele, o abuso de medidas provisórias, não o Judiciário. “Não é o Tribunal que está usurpando a competência do Congresso. Eventual usurpação é do Executivo”, disse. Mendes afirmou ainda ser “absolutamente normal” sua liminar. O projeto, já aprovado na Câmara, é de interesse do Planalto, pois dificultaria a candidatura de possíveis rivais da presidente Dilma Rousseff em 2014. Para o ministro, a reação do Congresso pode ter várias origens, até mesmo no processo do mensalão, que condenou parlamentares do PT. “Tem a ver com várias decisões recentes do Supremo, é um equívoco.”


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sexta-feira, abril 26, 2013

Homenagem ao grande arquiteto ubatubense

Dom Abelha!

Coluna do Celsinho

Missa inaugural

Celso de Almeida Jr.

Foi o frei Henrique de Coimbra que, em 1500, celebrou a primeira Missa no Brasil.

Era, como hoje, um 26 de abril, mas domingo.

Numa pintura de 1860, Victor Meirelles retratou o feito, criando um ícone.

Em seu quadro, no entorno da cruz, portugueses e índios assistem ao culto.

Quais pensamentos nutriam aqueles nativos durante a celebração?

Poderiam imaginar a revolução que aquela cultura causaria em suas vidas?

Algum instinto misterioso teria invadido os mais atentos, sinalizando o drama que viveriam a partir de então?

Concorrência desleal.

Não deu pé para o Pajé...

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

Queima do lixo a galope, apesar da lógica e da lei

Washington Novaes
Vai e volta sem chegar a consenso a discussão sobre o destino do lixo, dos resíduos sólidos e orgânicos, tantos são os interesses envolvidos. Neste momento, o centro do debate está em torno da decisão ou intenção de alguns municípios paulistas, principalmente da Região Metropolitana de São Paulo - Mogi das Cruzes, Barueri, São Bernardo do Campo -, de partir para projetos de incineração de resíduos.

Barueri, por exemplo, que hoje leva seu lixo para 30 quilômetros de distância, vai aplicar R$ 160 milhões na instalação de uma usina que incinerará, a uma temperatura de 800 graus, 90% dos resíduos, a um custo de R$ 44,6 milhões anuais (Folha de S.Paulo, 6/4). Mogi das Cruzes e outros cinco municípios terão um projeto conjunto para incinerar 500 toneladas diárias. O Conselho do Instituto Pólis, por exemplo, já condenou o projeto, não só por causa dos riscos da incineração (emissão de dioxinas e furanos, cancerígenos, dependendo da temperatura), como pelos prejuízos para as cooperativas de catadores de materiais recicláveis.

O tema foi um dos discutidos em recente reunião promovida pelo Instituto Ethos, na qual empresas eram convidadas a assinar uma carta de compromisso sobre "gestão sustentável de resíduos sólidos". Nesta, a intenção é seguir as prioridades da Política Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada pelo Congresso Nacional - não gerar resíduos, reduzi-los, reutilizá-los, reciclá-los, dar prioridade na política a cooperativas de catadores. Infelizmente, o Senado, na última hora, suprimiu o dispositivo que colocava a incineração como alternativa a ser considerada apenas se as outras não fossem viáveis. E mandou o texto para a sanção presidencial - o que ocorreu ainda na gestão Lula.

É um problema brasileiro grave, pois estão sendo geradas mais de 230 mil toneladas diárias de lixo domiciliar e comercial (fora entulhos e outros tipos de resíduos), mais de 1,2 quilo por pessoa/dia, das quais 62 milhões de toneladas anuais de resíduos sólidos; 89% desse volume é coletado e mais de 40% vai para 3.369 lixões, segundo o IBGE. Agora, o Movimento Nacional dos Catadores protesta "veementemente" contra a intenção de Porto Alegre, onde a prefeitura avalia dez projetos para uma central de tratamento de resíduos, que terá como uma das possibilidades a incineração de 1,8 mil toneladas diárias, hoje levadas diariamente em 20 caminhões para um aterro a 120 quilômetros de distância. A cidade paranaense de Maringá também ameaçou tomar esse caminho, mas a oposição foi mais forte.

Apesar da oposição, a tendência à incineração cresce, pois as principais cidades brasileiras - São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Brasília, Porto Alegre, Curitiba - estão com seus aterros esgotados. E a coleta e o transporte de resíduos custa às prefeituras entre R$ 30 e R$ 120 por tonelada - o quer significa alguns bilhões de reais por ano. Pode ser até mais, se chegarmos à situação de Nova York (EUA), que passou a levar seu lixo em caminhões para mais de 500 quilômetros de distância, ou de Toronto (Canadá), com um comboio ferroviário levando todos os dias mais de 3 mil toneladas para mais de mil quilômetros de distância.

A reciclagem no Brasil, em usinas, é quase ridícula: menos de 2% do lixo. E nossa situação só não é mais grave graças ao trabalho heroico de 1 milhão de catadores que levam os resíduos sólidos para empresas que os reciclam - mais de 90% das latas de alumínio, mais de 40% do papel, do papelão e do vidro, em torno de 50% do PET. Mas a situação pode piorar se for aprovado (a decisão está pendente na Justiça) que bebidas alcoólicas e refrigerantes poderão ser envasados em PET.

A legislação aprovada pelo Congresso estabelece que os lixões terão de ser desativados até o fim do ano que vem. E que todos os municípios deverão promover a coleta seletiva e a reciclagem. Só que o prazo para a apresentação de projetos que poderão receber recursos públicos já se esgotou e menos de 10% deles os fizeram. Também a logística reversa - com o retorno de resíduos às empresas geradoras - é teoricamente obrigatória (só os sacos plásticos, no mundo, são 1 milhão por segundo, 500 bilhões por ano). Uma boa alternativa foi aberta pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), ao permitir consórcios intermunicipais em aterros para até 20 toneladas diárias - o que abrange 80% dos municípios com até 30 mil habitantes.

Quando se retorna à proposta de incineração, não se pode esquecer estudo da Unesp de Sorocaba que mostrou o desperdício de recursos que esse caminho (e outros) envolve, ao analisar o conteúdo das 135 toneladas diárias de resíduos levadas ao aterro da cidade de Indaiatuba: 91% deles eram reaproveitáveis ou poderiam ser compostados (transformados em fertilizantes) e/ou reciclados. E ainda economizando espaços no aterro.

Mas a pressão em favor da incineração é muito forte. Praticamente todas as grandes empreiteiras têm hoje empresas nessa área (e na coleta do lixo em todo o País), com influência muito forte nas políticas públicas, pois são as maiores contribuintes para campanhas eleitorais. Recife já adotou esse caminho, Brasília vai para o mesmo rumo, o Rio poderá segui-lo. E é um caminho praticamente irreversível, como mostram vários países europeus: apesar da oposição que enfrentam, será preciso produzir lixo até a eternidade para movimentar as usinas (que geram energia), a preços altíssimos.

É mais um desses temas em que grande parte da sociedade se mostra indignada com a falta de soluções. Mas até aqui se mostrou também contrária à solução que se tem mostrado mais eficaz em muitos lugares no mundo: criar uma taxa para todos os geradores de lixo, proporcional ao volume que produzam, com a receita financiando as boas soluções. A Alemanha, por exemplo, em alguns anos reduziu em até 15% seu lixo domiciliar e comercial.
 

Washington Novaes é jornalista. E-mail: wrlnovaes@uol.com.br.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 26 / 04 / 2013

O Globo
"Poderes em choque: Confronto entre STF e Congresso se agrava"

Presidentes de Câmara e Senado criticam Judiciário, que reclama de ataque do Legislativo

Preocupado com a crise, Palácio do Planalto age como bombeiro. Vice-presidente Michel Temer recomenda que Renan Calheiros e Henrique Eduardo Alves reabram diálogo com ministros do Supremo Tribunal Federal. O clima de guerra entre Legislativo e Judiciário se acirrou ontem, um dia após a CCJ da Câmara aprovar emenda que submete decisões do Supremo ao Congresso, e o ministro Gilmar Mendes, do STF, conceder liminar paralisando a tramitação do projeto que impõe barreiras à criação de novos partidos. Renan Calheiros, presidente do Senado, e Henrique Eduardo Alves, presidente da Câmara, deram declarações se queixando da intromissão do Judiciário no Congresso. Gilmar Mendes e outros ministros condenaram o ataque ao princípio da independência dos poderes.


O Estado de São Paulo
"Senado reage e classifica decisão do STF de ‘invasão’"

Presidente da Casa vai recorrer de liminar que congela votação e cobra ‘revisão dos excessos’ do Supremo

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), vai recorrer da liminar do STF que suspendeu a tramitação do projeto que inibe a criação de partidos. Mesmo negando uma crise entre os Poderes Legislativo e Judiciário, Calheiros classificou a decisão do ministro Gilmar Mendes de “invasão” e cobrou que o STF faça uma “revisão dos seus excessos”. Ao congelar o andamento do projeto que restringe o acesso das novas siglas ao tempo de TVe ao fundo partidário, Mendes alegou que a proposta foi aprovada na Câmara com “extrema velocidade”, o que poderia violar princípios democráticos. O projeto, de interesse do Planalto, dificulta a candidatura da ex-senadora Marina Silva e do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB),virtuais candidatos à Presidência em 2014 contra Dilma Rousseff. Para o ministro do STF Dias Toffoli, o País vive uma “democracia efervescente”. 


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quinta-feira, abril 25, 2013

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Opinião

Concentração do ensino privado

O Estado de S.Paulo
Três anos depois da aquisição do Grupo Anglo pela Abril Educação e do Sistema Educacional Brasileiro pela Pearson Education e dois anos depois da compra da Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban) pela Anhanguera Educacional, os dois maiores grupos empresariais do setor educacional no Brasil - o Kroton e a Anhanguera - anunciaram a fusão de suas operações.

A Kroton é controlada pelo fundo Advent e a Anhanguera, pelo fundo Pátria. Com quase 1 milhão de alunos e uma receita bruta de R$ 4,3 bilhões, a empresa resultante dessa transação, a mais vultosa do setor educacional, terá 15% de todos os alunos de ensino superior do País. Nos meios empresariais, o novo conglomerado já é considerado a maior instituição educacional do mundo, com um valor de mercado estimado em R$ 12 bilhões - valor que representa o dobro da segunda colocada, o grupo chinês New Oriental.

Para ser concretizada, a fusão da Anhanguera com a Kroton terá de ser aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Vinculado ao Ministério da Justiça, o órgão tem a missão de coibir a formação de cartéis e garantir a livre concorrência, cabendo-lhe julgar os processos de fusões, aquisições de controle acionário e atos de concentração econômica entre grandes empresas que possam comprometer o livre jogo de mercado.

Nos últimos seis anos, foram realizadas 180 fusões, aquisições e incorporações de empresas da área de educação. Desde então, o Cade se tornou mais rigoroso na análise dessas transações. No caso da fusão de redes de eletrodomésticos, o órgão analisa município por município para encontrar aqueles onde há sobreposição de lojas e estabelecer critérios para a venda à concorrência. Na área de educação, o Cade verifica como se dá a competição bairro por bairro entre as empresas que se fundem e avalia os aspectos acionários da fusão, para saber se há participações prévias de controladores ou dirigentes com outras empresas. "A metodologia do Cade para os casos no setor de educação identifica raios de deslocamento de alunos", diz o conselheiro Alessandro Octaviani, relator da aquisição da Anhembi Morumbi pela Laureate Education - um conglomerado que atua em vários países.

Essas transações consolidam no campo da educação as mesas transformações já ocorridas em outros setores da economia brasileira. Com a globalização da economia, vários grupos nacionais perderam escala e competitividade e foram vendidos a conglomerados estrangeiros. A concentração econômica é uma das consequências desse processo. Outra é a internacionalização de setores econômicos inteiros, como ocorreu nas áreas de eletrodomésticos, autopeças e lojas de departamento. No setor educacional, essas mudanças começaram em 2005, quando a Laureate Education comprou um expressivo lote de ações da Anhembi Morumbi. Há meses, o grupo comprou as ações restantes e se tornou o único controlador da instituição.

A expansão do ensino superior brasileiro começou nas décadas de 1970, com a transformação de instituições isoladas em universidades particulares e confessionais. Elas passaram de 20, em 1985, para 85, em 2000. Estimuladas pela expansão do ensino básico, essas universidades abriram novos campi e diversificaram suas atividades, criando cursos de educação continuada e investindo em produção de material pedagógico para todos os ciclos de ensino. Na última década, os fundos de private equity - que compra participações em empresas - ampliaram suas inversões no setor educacional e prepararam os grupos do setor para a abertura de capital. Atualmente, as universidades privadas controlam 75% do ensino superior do País - e vários grupos controladores, como é o caso da Anhanguera e da Kroton, negociam seus títulos em bolsas de valores.

A fusão da Anhanguera com a Kroton - que resultará na 30.ª maior empresa na Bovespa - é desdobramento do processo de concentração do setor educacional.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 25 / 04 / 2013

O Globo
"Câmara dá 1º passo para tentar tirar poder do STF"

CCJ aprova emenda apoiada por mensaleiros que transfere ao Congresso atribuições do Supremo

Autor do projeto, deputado do PT fez ataques a Barbosa e diz achar julgamento do mensalão conspiração contra petistas. Com a presença dos deputados petistas José Genoino e João Paulo Cunha, condenados no processo do mensalão, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara — composta também pelo deputado Paulo Maluf — aprovou emenda à Constituição que submete ao Congresso decisões do Supremo Tribunal Federal. O autor é o petista Nazareno Fonteles (PI), que, durante o julgamento do mensalão, foi à tribuna fazer duras críticas ao ministro Joaquim Barbosa. A oposição entrará com mandado de segurança contra a emenda. No STF, liminar do ministro Gilmar Mendes suspendeu a tramitação do projeto que impõe barreiras à criação de novos partidos.


O Estado de São Paulo
"Aécio defende mandato de 5 anos e fim da reeleição"

Pré-candidato à Presidência, ele elabora proposta para ser apresentada no Senado; regra valeria já em 2014

O senador e pré-candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, elabora projeto para propor no Senado que acaba com a reeleição e amplia de quatro para cinco anos os mandatos de presidente, governadores e prefeitos. A regra, de acordo com ele, valeria já para as próximas eleições. O senador sabe que a proposta enfrentará resistência no Congresso, especialmente da bancada governista, mas acredita que lhe dará cacife para a campanha de 2014. O PSDB identificou uma insatisfação do eleitorado com o político disposto a se manter no cargo a qualquer custo. O projeto mostraria então uma imagem de “desapego” e também se insere na estratégia de “remoçar” o partido, sinalizando a presença da nova geração à qual o senador quer associar sua imagem. Aécio também prepara discurso contra as acusações de “privatista” que o PT usou contra os tucanos nas últimas campanhas. Ele dirá que quer “reestatizar” a Petrobras e criticará o suposto aparelhamento da empresa.


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quarta-feira, abril 24, 2013

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Opinião

Pelo futuro da Embrapa

O Estado de S.Paulo
Criada há 40 anos com a missão de gerar tecnologias para modernizar a agricultura brasileira, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) teve papel decisivo nas imensas transformações pelas quais passou o setor. As inovações tecnológicas produzidas por seus pesquisadores foram fundamentais para aumentar e diversificar as exportações, reduzir o preço dos alimentos e impulsionar o crescimento da indústria brasileira.

Os benefícios para os moradores das cidades foram enormes. Em 40 anos, a safra de grãos no Brasil quadruplicou e o preço da cesta básica caiu pela metade. A agricultura brasileira produz, por ano, o suficiente para alimentar mais de 1 bilhão de pessoas e gera excedentes que, exportados, ajudam a manter o saldo comercial do País, mesmo em anos de baixo crescimento, como 2012. O faturamento anual da indústria associada à agricultura ultrapassa R$ 500 bilhões.

A Embrapa é também reconhecida pela gestão eficiente de seus recursos humanos e financeiros. Seu balanço social, em 2011, mostrou lucro de R$ 17,8 bilhões. Ele foi apurado com base nos impactos de uma amostra de 114 tecnologias e 163 cultivares desenvolvidos pela empresa e transferidos para a sociedade. Cada real aplicado na Embrapa pela sociedade retorna multiplicado por 8,6.

Erros de gestão e direcionamento, no entanto, igualmente marcaram a história da Embrapa, bem como algumas indicações desastradas em sua diretoria e em gerências de suas unidades. Desmandos e equívocos, como os ocorridos em algumas de suas unidades de pesquisa, foram apontados pelo Estado. Mas os maiores problemas vieram de fora. Ao longo dos anos, decisões governamentais limitaram sua agilidade na contratação de pessoal e no uso de seus recursos e burocratizaram ao extremo a gestão da pesquisa.

Hoje, o orçamento da Embrapa é insuficiente e seus projetos sofrem falhas de continuidade. Como em qualquer instituição científica, seu processo de geração e adaptação de tecnologias implica investimentos volumosos em pesquisa aplicada e fundamental. Para ser competitiva, no longo prazo, a Embrapa necessita de recursos que lhe assegurem condições de enfrentar seus principais competidores internacionais. Os países desenvolvidos investem cerca de 3% do PIB agropecuário em pesquisa, ante 1,5% do Brasil.

A Embrapa precisa de um mecanismo para dinamizar sua relação com o setor produtivo e com o mercado de inovação tecnológica. A solução não está na abertura do capital, como propõem alguns políticos, mas, sim, e em parte, na abertura de uma subsidiária. Já foi aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado projeto de lei que cria a Embrapa Tecnologias S.A. (Embrapatec), subsidiária da Embrapa. Essa iniciativa deverá ser um passo novo e estratégico para o futuro da agricultura brasileira. A Embrapatec, uma sociedade por ações de capital fechado, poderá comercializar tecnologias, produtos e serviços gerados pela Embrapa, explorar suas marcas e aplicar recursos em investimentos e custeio da pesquisa agrícola. Terá a agilidade que o mercado exige e poderá obter os recursos de que a pesquisa precisa.

A Embrapa é também uma federação de redes. Suas unidades refletem os diversos elos da agricultura e pecuária em todos os sentidos: social, econômico e político. A empresa pretende ampliar sua atuação na África e na América Latina e ainda não tem uma atuação estruturada nas mídias sociais. Isso tanto no aspecto da interação e da articulação das suas próprias células quanto em sua relação com seu mercado atual e os que pretende conquistar.

Sem uma visão de futuro da agricultura e da sociedade, não há como definir os novos rumos da Embrapa. Suas ações de pesquisa, desenvolvimento e inovação devem estar voltadas para os grandes desafios nacionais, em sintonia com as demandas da agropecuária, e buscar maior atuação em redes acadêmicas, econômicas e sociais. Não basta admirar a Embrapa e elogiar suas realizações. É necessário dar-lhe os meios para prosseguir seu trabalho, com sucesso, por mais 40 anos.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 24 / 04 / 2013

O Globo
"Governo incentiva álcool para segurar inflação"

Pacote desonera produção nas usinas e eleva parcela do etanol na gasolina

De acordo com analistas, as medidas beneficiam diretamente a Petrobras, que poderá importar menos combustível. O alívio no caixa da estatal vai reduzir a pressão por novos reajustes. O governo lançou ontem um pacote de incentivos de R$ 8,4 bilhões aos setores de etanol e químico. No caso do álcool, o objetivo, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, é aumentar a produção e a oferta do combustível no país, além de incentivar o investimento nas usinas. Para especialistas, o governo tenta ajudar a Petrobras para segurar a já elevada inflação com as medidas anunciadas. Isso porque as ações incluem, além da desoneração do PIS/Cofins e da liberação de linhas de crédito com juros reduzidos, o aumento de 20% para 25% da mistura de álcool na gasolina a partir de 1º de maio. Assim, a Petrobras vai importar menos combustível, com os consequentes alívio no caixa e menor pressão para reajustes nos preços.


O Estado de São Paulo
"Usinas terão incentivos, mas preço do etanol não cai"

Governo desonera e abre crédito subsidiado para o setor; indústria química tem redução de tributo

O governo federal zerou as alíquotas do PIS e da Cofins e abriu duas linhas de crédito subsidiado, operadas pelo BNDES, para o setor sucroalcooleiro, em mais um pacote de estímulo à economia, anunciado ontem. O benefício foi antecipado pelo Estado há duas semanas. A partir de maio, as usinas deixam de pagar R$ 0,12 de tributos por litro de etanol. A renúncia fiscal será de R$ 970 milhões até dezembro, e de R$ 1,45 bilhão por ano a partir de 2014. O desconto não deve chegar às bombas nem ter impacto na inflação. “O que queremos é que o setor aumente os investimentos”, afirma o ministro da Fazenda, Guido Mantega. A presidente Dilma Rousseff também disse que não há garantias de queda de preço. Ainda em maio, a proporção de álcool na gasolina será elevada dos atuais 20% para 25%. O governo anunciou também estímulos para a indústria química. A alíquota do PIS/Cofins cairá de 5,6% para 1%.


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terça-feira, abril 23, 2013

Georges Seurat

Colunistas

EUA: dez anos apagando o Iraque – volume 2

Concluindo sua análise sobre a invasão norte-americana, a partir do pensamento de Naomi Klein, Márcia Denser mostra como o Iraque foi vítima de um golpe ideológico ao avesso

Márcia Denser
Na seqüência do tema, segundo Naomi Klein[1], para os estrategistas da invasão do Iraque em 2003, a resposta à pergunta sobre “onde enfiar as agulhas” (onde bombardear) parece ter sido: em todos.

Em 1991, durante a Guerra do Golfo, cerca de 300 mísseis Tomahawk foram lançados em cinco semanas, mas em 2003 no Iraque foram despejados mais de 380 em um único dia! Entre 20 de março e 2 de maio – as semanas dos “principais combates” (parece piada), as forças armadas americanas lançaram mais de 30 mil bombas, 20 mil mísseis teleguiados – 67% do número total jamais alcançado.

Outro elemento do manual de Choque e Pavor é sua consciência acurada da guerra como um espetáculo do noticiário televisivo, colocado no ar para o mundo todo, pois “quando as filmagens desses ataques são transmitidas em tempo real pela CNN, o impacto positivo de apoio à coalizão (EUA) e o apoio negativo no apoio potencial às ameaças podem ser decisivos”, afirma o manual. Afinal, desde o começo, a invasão foi concebida como uma mensagem de Washington para o mundo, expressa na linguagem de bolas de fogo, explosões ensurdecedoras e cidades estilhaçadas.

A agregação que Donald Rumsfeld fez de seu know-how técnico e midiático do mundo empresarial colocou o marketing do medo no centro da doutrina militar dos EUA. O Iraque foi submetido a esse experimento de tortura em massa durante meses, tendo o processo se iniciado bem antes que as bombas começassem a cair.

Quando a guerra começou, os habitantes de Bagdá foram submetidos à privação dos sentidos numa escala maciça. Um por um, os canais sensoriais da cidade foram cortados: os ouvidos foram os primeiros, ao se cortarem as transmissões de rádio, tevê e telefone. A seguir, os olhos: as explosões não eram vistas, pois, num instante, a cidade de 5 milhões de pessoas foi jogada na mais completa escuridão.

Os bombardeiros feriram gravemente Bagdá, mas foi a pilhagem – feita sem controle pelas tropas de ocupação – que serviu para apagar o coração daquilo que foi o país.

Centenas de saques, como ao Museu Nacional do Iraque, roubaram nada menos do que os registros da primeira sociedade humana. A Biblioteca Nacional, com cópias de todos os livros e teses publicados no Iraque, virou uma ruína carbonizada. Exemplares do Corão, ilustrados e datados de mil anos, desapareceram do Ministério de Assuntos Religiosos que virou uma concha queimada e vazia.

Como uma espécie de lobotomia, a memória profunda de uma cultura inteira, que perdurou por milhares de anos, foi eliminada. Segundo o próprio Washington Post: “Se Bagdá é a mãe da cultura árabe, esta foi apagada”.

É difícil de acreditar, mas aquele era exatamente o plano de jogo de Washington para o Iraque: chocar e aterrorizar o país inteiro, arruinar deliberadamente sua infra-estrutura, não fazer nada diante da pilhagem de sua cultura e história, depois tornar tudo aquilo “correto”, por meio de um suprimento ilimitado de utilidades domésticas ordinárias e fast food tipo DVDs, Pringles, McDonald’s e Pizza Hut. O Iraque seria comprado com cultura pop!

No plano original dos EUA, o Iraque viria a se tornar uma fronteira, como a Rússia fora nos anos 90, mas, desta vez, seriam as empresas americanas – e não indústrias locais ou competidores europeus, russos e chineses – as primeiras da fila a ganhar dinheiro fácil e nada haveria de deter até mesmo as mudanças econômicas mais dolorosas porque, ao contrário das “reformas” aplicadas à antiga União Soviética ou África ou América Latina, a transformação não envolveria uma dança bem comportada entre funcionários do FMI e políticos locais grotescos, enquanto o Tesouro dos EUA se plantava na linha de frente dos tiros, no hall de entrada.

No Iraque, Washington eliminou os intermediários: o FMI e o Banco Mundial foram relegados a um papel pífio e os EUA estavam no front & no centro: Paul Bremer, a autoridade da CPA, era o governo: não havia nenhuma razão para negociar com o governo local!

De fato, todas as forças que dilaceram o Iraque de hoje – corrupção furiosa, sectarismo selvagem, fundamentalismo religioso e a tirania dos esquadrões de morte – estão sincronizados com a implantação do anti-Plano Marshall de Bush. Após a queda de Saddam Hussein, o Iraque precisava e merecia desesperadamente de restauração e reconciliação, um processo que só poderia ter sido feito pelos próprios iraquianos.

Em vez disso, no momento crucial, o país foi transformado num laboratório capitalista criminoso – um sistema que jogou indivíduos e comunidades uns contra os outros, eliminou centenas de milhares de empregos e formas de vida, substituindo-os pela impunidade dos ocupantes estrangeiros.

O atual estado de desastre no Iraque não pode ser reduzido à incompetência e ao nepotismo da Casa Branca de Bush, nem ao sectarismo e tribalismo do Iraque. É um desastre tipicamente capitalista, um pesadelo de ganância sem limites desencadeado pelo rastro da guerra.

O fracasso do Iraque foi criado pela aplicação fria e calculista da ideologia da Escola de Chicago em estado mais puro. O que se seguiu foi o resultado dos vínculos entre a “guerra civil” e o projeto corporatista que estava no cerne da invasão.

Um processo que joga a ideologia de volta na cara do agressor, feito bumerangue. Em resumo: um golpe ideológico ao avesso.

[1] In A Doutrina do Choque – a ascensão do capitalismo de desastre. Rio, Nova Fronteira, 2008.

Publicado originalmente no "congresso em foco"

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Opinião

A volta dos colorados

O Estado de S.Paulo
Mesmo para os notórios padrões locais de política e negócios, o novo presidente do Paraguai, Horacio Cartes, eleito domingo para tomar posse em agosto, é uma figura, digamos, especial. Aos 56 anos, nunca antes tinha votado. Apenas em 2009 filiou-se à Associação Nacional Republicana, mais conhecida como Partido Colorado. Pelo estatuto da principal legenda oligárquica do país (a outra é a do Partido Liberal Radical Autêntico), ele só poderia se candidatar ao governo passados 10 anos de sua inscrição. A cláusula foi oportunamente removida em 2011.

Multimilionário, dono do Libertad, que na década passada ganhou sete vezes o campeonato paraguaio de futebol, Cartes é proprietário de um conglomerado de 26 empresas, em geral concentradas na área de fronteira com o Brasil. Entre elas se destaca a cigarreira Tabesa, que fatura, segundo ele, cerca de US$ 60 milhões por ano. A congênere brasileira Souza Cruz a acusa de contrabandear para o País o equivalente a 8% do mercado nacional de cigarros. Em 2010, um documento oficial norte-americano, vazado pelo WikiLeaks, vinculou o empresário a uma rede de lavagem de dinheiro e narcotráfico. Outros crimes lhe são atribuídos.

A fortuna explica a sua fulminante ascensão na hierarquia colorada. Embora quase 1/3 dos 3,3 milhões de eleitores paraguaios tenha a carteirinha da legenda - sem a qual não se era ninguém no país durante os 35 anos da ditadura do general Stroessner (1954-1989), o partidão foi apeado do poder, depois de seis décadas ininterruptas, nas eleições de 2008. As urnas levaram ao Palácio de Los López, a sede do Executivo, o ex-"bispo emérito" Fernando Lugo, à frente da coligação oposicionista Aliança Patriótica para a Mudança. (Desde o seu impeachment, em junho do ano passado, o governo passou às mãos de seu vice, Federico Franco, do Partido Liberal.)

A derrota para Lugo desarvorou os colorados e abriu espaço para o ingresso e a hegemonia de Cartes na agremiação. Favorito no pleito de anteontem, ele derrotou o liberal Efraín Alegre por aproximadamente 10 pontos porcentuais de diferença. A compra de votos nesse país, onde metade da população vive na pobreza, é tida, sabida e praticada a céu aberto. O enviado especial do Estado ao Paraguai, Roberto Simon, ouviu de uma eleitora de Chacarita, um bairro pobre no centro de Assunção, a cândida constatação de que "nos aproveitamos dos políticos uma vez para eles se aproveitarem de nós o ano inteiro". Não admira que a advertência da Igreja, segundo a qual vender votos é "pecado", de nada sirva.

Além disso, todos os funcionários do órgão responsável pelo processo eleitoral - dos mesários à cúpula do Tribunal Superior de Justiça Eleitoral - são indicados pelas oligarquias partidárias. No domingo, seis horas antes do término da votação, o vice-presidente do tribunal, Juan Manuel Morales, já dizia que Alegre terá de reconhecer que "um dos candidatos" (sic) dispunha de ampla maioria. Os colorados também foram os mais votados na disputa pelas 80 cadeiras da Câmara e as 45 do Senado, a Casa mais importante do Legislativo paraguaio. O país, por sinal, tem um sistema sui generis: é um presidencialismo com um Parlamento que pode fazer o que quiser com o Orçamento e vetar decisões do presidente por maioria simples.

Há 10 meses, como se recorda, o Congresso destituiu Lugo em um abrir e fechar de olhos, depois de lhe dar duas horas para se defender da acusação de "má gestão", em seguida a um confronto entre policiais e sem-terra em Curuguaty, no leste paraguaio, que deixou 17 mortos. Numa decisão calculada para permitir o ingresso da Venezuela de Hugo Chávez no Mercosul, a que o Paraguai se opunha ferrenhamente, o país foi suspenso do bloco. Deverá ser reintegrado em agosto, depois da posse de Cartes, se não já na próxima cúpula do organismo, em junho.

Diferentemente do presidente Federico Franco, que ameaçou suspender a venda ao País de energia da parte paraguaia de Itaipu, caso Brasília se recusasse a pagar mais pelo produto, o vitorioso nem tocou no assunto durante a campanha. Uma coisa parece certa: no governo Cartes, o contrabando do que se queira para o Brasil deve seguir firme e forte.

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Opinião

Terça-feira, 23 / 04 / 2013

O Globo
"Desserviço público: Postos de saúde do Rio ‘enforcam’ no feriadão"

População não é atendida apesar de epidemia de dengue e campanha de vacinação

Sem plantão devido ao ponto facultativo da prefeitura, Unidades de Pronto Atendimento e hospitais enfrentam filas gigantes e demora no atendimento de doentes por toda a cidade. Em plena campanha nacional de vacinação contra a gripe, que começou no dia 15 e termina na próxima sexta-feira, e diante de uma epidemia de dengue que já fez 12 mortos no Estado do Rio, as clínicas da família e os centros municipais de saúde permaneceram fechados ontem. Devido ao feriado de São Jorge, comemorado hoje, o prefeito Eduardo Paes decretou ponto facultativo no serviço público. Sem plantão, as unidades de saúde não abriram, sobrecarregando hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), onde as filas se agigantaram e provocaram revolta nos doentes.


O Estado de São Paulo
"Condenados do mensalão podem ter novo julgamento’"

STF deve rever condenações com 4 votos contrários em 12 casos, entre eles os de Dirceu, Genoino e Valério

O ex-ministro José Dirceu e outros 11 condenados do mensalão podem ter novo julgamento no STF e se livrar de cumprir pena em regime fechado. Cinco ministros do Supremo ouvidos pelo Estado afirmam que há maioria para que sejam aceitos os embargos infringentes, recurso possível quando há quatro votos contrários à condenação. O prazo para apresentá-los é de 15 dias a partir de hoje, data seguinte à publicação do acórdão. Se os recursos forem aceitos, esses casos serão apreciados pela nova composição da Corte - Ayres Britto e Cezar Peluso, que votaram pela condenação, deixaram o STF. No novo julgamento, pode ser revista a condenação de Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares por formação de quadrilha e de João Paulo Cunha por lavagem de dinheiro. Marcos Valério e seus ex-sócios podem ter penas reduzidas. Valério prestará novo depoimento à Polícia Federal.


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segunda-feira, abril 22, 2013

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Opinião

Autossuficiência mais distante

O Estado de S.Paulo
Sete anos depois de o ex-presidente Lula ter anunciado com estardalhaço a autossuficiência do Brasil em petróleo, o País precisa importar combustível para suprir a demanda interna. Por causa da gestão que o governo do PT impôs à Petrobrás, a autossuficiência durou pouco e sua reconquista demorará. Como admite a empresa, ela só será novamente alcançada em 2020, em termos plenos (incluindo derivados).

Como outros grandes atos do governo petista, a autossuficiência anunciada por Lula - com as mãos sujas de óleo, imitando o gesto com que, décadas antes, Getúlio Vargas comemorara a descoberta do primeiro poço da Petrobrás - no dia 21 de abril de 2006, na inauguração da Plataforma P-50, a 120 quilômetros do litoral fluminense, foi tema de intensa campanha publicitária. "Quando a Petrobrás foi criada, muitos não acreditavam que fosse viável", disse, em comunicado, o então presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli. "O fato é que, 53 anos depois, ela conquistou a autossuficiência para o Brasil."

Mas a administração que afirmou ter "conquistado" essa condição foi responsável também por "desconquistá-la", pois não conseguiu fazer a produção crescer em ritmo igual ou superior ao do aumento da demanda interna por combustíveis derivados de petróleo. Em 2012, a produção média da Petrobrás foi de 1,98 milhão de barris/dia, mas o consumo total alcançou 2,06 milhões de barris/dia de derivados, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo. O consumo continua a subir, mas a Petrobrás continua a produzir menos. Em janeiro, a produção atingiu 1,96 milhão de barris/dia, menos do que a média de 2012, e, em fevereiro, caiu para 1,92 milhão de barris/dia.

A falta de manutenção adequada dos poços fez a produção cair mais depressa. A necessidade de reparos de maior porte, porque a manutenção não foi feita adequadamente, tem implicado a paralisação das operações por períodos mais longos, o que também contribui para fazer cair a produção global da empresa.

Do lado do refino, o que se constata é que, por terem sido definidos de acordo com critérios políticos e não técnicos, alguns projetos não saíram do papel e outros andam muito devagar, e a um custo muito maior do que o orçado inicialmente.

A construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, é uma espécie de síntese da política da Petrobrás na área de refino durante a gestão Lula. Para agradar ao então presidente bolivariano da Venezuela, Hugo Chávez, seu aliado político, o ex-presidente brasileiro colocou a estatal venezuelana PDVSA como sócia (com 40% de participação) da Refinaria Abreu e Lima. A sócia não investiu nenhum tostão na obra, que está muito atrasada e cujo custo, inicialmente orçado em US$ 2,3 bilhões, não ficará em menos de US$ 18 bilhões.

A estagnação da capacidade de refino, por causa do atraso na construção de refinarias, força a Petrobrás a importar derivados em quantidades crescentes, para atender à demanda interna. Com a produção do petróleo em queda e sem aumentar a capacidade de refino, a empresa quadruplicou seu déficit comercial no primeiro trimestre do ano, em relação aos três primeiros meses de 2012. De janeiro a março, a Petrobrás aumentou suas importações em 40,2%, mas suas exportações diminuíram 50,3%. O resultado foi um déficit comercial acumulado de US$ 7,4 bilhões.

A produção, reconhece a presidente da empresa, Graça Foster, só voltará a aumentar a partir de 2014. É possível que, no próximo ano, a produção de petróleo seja igual ou ligeiramente superior, em volume, ao consumo interno de derivados. No entanto, como a capacidade de refino não será aumentada, o País continuará importando derivados.

A autossuficiência de fato, incluindo petróleo bruto e derivados, só será alcançada em 2020, quando, de acordo com seu planejamento estratégico, a Petrobrás estará produzindo 4,2 milhões de barris de petróleo por dia, terá capacidade de refino de 3,6 milhões de barris/dia e o consumo interno será de 3,4 milhões de barris/dia.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 22 / 04 / 2013

O Globo
"Julgamento do massacre – Carandiru: Condenados podem ficar impunes"

Especialistas temem que excesso de recursos deixe penas sem eficácia

Dos 26 policiais julgados, 23 receberam sentenças de 156 anos de prisão. Os 23 PMs condenados pela morte de 13 dos 111 detentos do Massacre do Carandiru poderão levar anos para serem presos, o que, para alguns analistas, reforça a sensação de impunidade. A decisão foi “dura, mas sem eficácia”, resumiu o diretor-adjunto da ONG Conectas, Marcus Fuchs. “Só para chegar ao Supremo, esse caso levará dez anos”, diz ele. Professor de Direito da FGV, Thiago Bottino explicou que, se o recurso apresentado pela defesa anular o julgamento, a demora para a realização de um novo júri pode levar até à prescrição dos crimes. O criminalista Augusto Botelho diz que casos em que réus estão em liberdade não são prioritários para instâncias superiores.


O Estado de São Paulo
"BNDES abandona política de apoio a ‘campeãs nacionais’"

Luciano Coutinho, presidente do banco, diz que estratégia teve ‘mérito’ e ‘chegou até onde poderia ir’

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) abandonou a política de criação de empresas “campeãs nacionais”, diz o presidente, Luciano Coutinho, em entrevista a Raquel Landim, Ricardo Leopoldo e Irany Tereza. A avaliação é de que a política, iniciada no governo Lula com empréstimos em condições generosas e compras de participação dessas empresas, chegou “até onde podia ir”, porque o número de setores para projetar companhias líderes é “limitado”. Coutinho estima que a taxa de investimento chegará a 20% do Produto Interno Bruto em 2014, o que significaria uma “retomada”, ainda que distante dos 25% considerados ideais. E prevê que o PIB pode crescer “tranquilamente” 4,5% no que vem.


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domingo, abril 21, 2013

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Opinião

Dilmês castiço

O Estado de S.Paulo
Já se tornou proverbial a dificuldade que a presidente Dilma Rousseff tem de concatenar ideias, vírgulas e concordâncias quando discursa de improviso. No entanto, diante da paralisia do Brasil e da desastrada condução da política econômica, o que antes causaria somente riso e seria perdoável agora começa a preocupar. O despreparo da presidente da República, que se manifesta com frases estabanadas e raciocínio tortuoso, indica tempos muito difíceis pela frente, pois é principalmente dela que se esperam a inteligência e a habilidade para enfrentar o atual momento do País.

No mais recente atentado à lógica, à história e à língua pátria, ocorrido no último dia 16/4, Dilma comentava o que seu governo pretende fazer em relação à inflação e, lá pelas tantas, disparou: "E eu quero adentrar pela questão da inflação e dizer a vocês que a inflação foi uma conquista desses dez últimos anos do governo do presidente Lula e do meu governo". Na ânsia de, mais uma vez, assumir para si e para seu chefe, o ex-presidente Luiz Inácio da Silva, os méritos por algo que não lhes diz respeito, Dilma, primeiro, cometeu ato falho e, depois, colocou na conta das "conquistas" do PT o controle da inflação, como se o PT não tivesse boicotado o Plano Real, este sim, responsável por acabar com a chaga da inflação no Brasil. Em 1994, quando disputava a Presidência contra Fernando Henrique Cardoso, Lula chegou a dizer que o Plano Real era um "estelionato eleitoral".

Deixando de lado a evidente má-fé da frase, deve-se atribuir a ato falho a afirmação de que a inflação é "uma conquista", pois é evidente que ela queria dizer que a conquista é o controle da inflação. Mas é justamente aí que está o problema todo: se a presidente não consegue se expressar com um mínimo de clareza em relação a um assunto tão importante, se ela é capaz de cometer deslizes tão primários, se ela quer dizer algo expressando seu exato oposto, como esperar que tenha capacidade para conduzir o governo de modo a debelar a escalada dos preços e a fazer o País voltar a crescer? Se o distinto público não consegue entender o que Dilma fala, como acreditar que seus muitos ministros consigam?

A impulsividade destrambelhada de Dilma já causou estragos reais. Em março, durante encontro dos Brics em Durban (África do Sul), a presidente disse aos jornalistas que não usaria juros para combater a inflação, sinalizando uma opção preferencial pelo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Em sua linguagem peculiar, a fala foi a seguinte: "Eu não concordo com políticas de combate à inflação que olhem a questão da redução do crescimento econômico. (...) Então, eu acredito o seguinte: esse receituário que quer matar o doente, ao invés de curar a doença, ele é complicado. Eu vou acabar com o crescimento no país? Isso está datado, isso eu acho que é uma política superada". Imediatamente, a declaração causou nervosismo nos mercados em relação aos juros futuros, o que obrigou Dilma a tentar negar que havia dito o que disse. E ela, claro, acusou os jornalistas de terem cometido uma "manipulação inadmissível" de suas declarações, que apontavam evidente tolerância com a inflação alta - para não falar da invasão da área exclusiva do Banco Central.

O fato é que o governo parece perdido sobre como atacar a alta dos preços e manter a estabilidade a duras penas conquistada, principalmente com um Banco Central submisso à presidente. Por razões puramente eleitorais, Dilma não deverá fazer o que dela se espera, isto é, adotar medidas amargas para conter a escalada inflacionária. Lançada candidata à reeleição por Lula, ela já está em campanha.

Num desses discursos de palanque, em Belo Horizonte, Dilma disse, em dilmês castiço, que a inflação já está sob controle, embora todos saibam que não está. "A inflação, quando olho para a frente, ela está em queda, apesar do índice anualizado do ano (sic) ainda estar acima do que nós queremos alcançar, do que nós queremos de ideal", afirmou. E completou: "Os alimentos também começaram a registrar, mesmo com todas as tentativas de transformar os alimentos no tomate (sic), os alimentos começaram uma tendência a reduzir de preço". Ganha um tomate quem conseguir entender essa frase.


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Manchetes do dia

Domingo, 21 / 04 / 2013

O Globo
"Caos logístico faz Brasil perder R$ 6,6 bi na soja"

Rodovias, armazéns e portos também causam prejuízo de R$ 1,4 bi no milho

Gastos com pneus e manutenção chegam a 15% do frete, contra 3% da média mundial. Com estradas federais esburacadas, falta de armazéns e burocracia nos portos, o Brasil sofre prejuízo de R$ 6,6 bilhões por ano nas exportações de soja, segundo especialistas. A infraestrutura precária faz com que 15% do frete da soja sejam gastos com pneus e manutenção, muito acima da média mundial de 3%, informam Henrique Gomes Batista e Danielle Nogueira. Durante três dias, repórteres do GLOBO percorreram 2.450km, de Mato Grosso a Paranaguá (PR), e constataram o caos logístico. O mesmo ocorre com a safra de milho, que terá perdas de R$ 1,4 bilhão, totalizando R$ 8 bilhões em prejuízos paira o país.


O Estado de São Paulo
"Ataque amplia pressão para tratar acusado como terrorista"

Congressistas e militares querem que suspeito de atentado em Boston seja submetido a uma corte militar

Preso e hospitalizado na noite de sexta-feira, acusado de participar do atentado em Boston, Dzhokhar Tsarnaev, americano de origem chechena, deverá perder seu direito de manter-se calado e de ter advogado no interrogatório, informa a enviada especial Denise Chrispim Marin. Sob a pressão de veteranos senadores, o governo de Barack Obama resistia até ontem a declará-lo como “combatente inimigo”, tratamento usado especialmente para os acusados de terrorismo depois dos ataques de 11 de setembro de 2001 e banido em 2009. Se essa opção prevalecer, ele será submetido a corte militar, como acontece com os detidos em Guantánamo. Dzhokhar Tsarnaev rendeu-se ao final de 22 horas de perseguição policial. Seu irmão Tamerlan, de 26 anos, havia morrido em confronto com a polícia na noite anterior. A tragédia em Boston também reacendeu os debates sobre a reforma na lei da imigração no país.


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