sábado, março 30, 2013

Colunistas

Desmundo

O tempo em que “civilização brasileira”, futuro e vida eram coisas que faziam sentido. Em meio ao “desmanche” atual, o oxigênio vem do talento de Mirisola, André Sant’Anna & cia.

Márcia Denser
Conversando há alguns dias com meu grande amigo Ítalo Moriconi (poeta, crítico), mencionamos que grande tema dariam as gerações pós-90 como Gerações Deserdadas – deserdadas de “nós”, os de 80,70 e 60 (e quem mais estiver vivo). Contudo, o que seria uma proposta prévia de mea-culpa desbordou em – ao sabor do tempo e da reflexão – equívoco.

Não, meu querido Ítalo, nós não deserdamos ninguém. Todos fomos espoliados, eis a questão.

Pois o mercantilismo feroz dos nossos dias, ao nos espoliar dos ideais, dos sonhos, dos projetos e, naturalmente, das esperanças futuras – em suma, de tudo aquilo o que seria IMPALPÁVEL –, nos roubou precisamente a REALIDADE MATERIAL, deixando em seu lugar apenas escombros, uma sucata de vida e cultura implodida em fragmentos desconexos.

E naturalmente a crueldade. A paradoxal ilimitação da violência de guerras da parte de sociedades pós-militares. Com a onipotência (e a inconsciência dum cosmo ou mundo organizado que tal sociedade já não tem), a violência virou uma segunda natureza e o ato de matar, roubar, violar e espoliar, uma rotina. Sobretudo simbólica, imaterial e,  esta sim, sua PRIMEIRA NATUREZA.

Donde a plena realização distópica.

Por isso, quando leio os textos de Mirisola (um dos últimos publicados aqui, com personagens cujos nomes se resumem a uma única sílaba, a Ki, o Ku, ou uma perífrase debochada, como a Japa do contábil, todos desvivendo, posto que vivem apenas em função das postadas no feicebuque), do André Sant’Anna (sobretudo aquele conto “A lei”), o romance Pornopopéia do Reinaldo de Morais, TUDO do Bortolotto, sinto, sei, compreendo perfeitamente que eles estão fazendo seu serviço de continuidade literária direitinho, às mil maravilhas, ao qual nada tenho a acrescentar senão meu próprio assombro, minha náusea, meu desespero.

Alain Badiou considera que vivemos num espaço social experimentado pouco a pouco como “sem mundo” (e nesse espaço, a única forma que o protesto pode assumir é a violência desprovida de sentido). Isto é, desmundo (tomando emprestado o título do romance de Ana Miranda, mas tenho a impressão que essa expressão é um achado verbal ainda mais antigo: alguém aí lembraria de quem?).

Por que eu nasci, cresci e vivi numa época onde a “civilização brasileira” ainda existia, bem como o futuro era possível e a vida fazia sentido. Algo intransmissível às gerações posteriores – daí o equívoco quanto ao suposto deserdamento das futuras gerações – a quem coube, isto sim, e nas palavras também do crítico Roberto Schwarz, testemunhar não um mundo, um cosmos, mas o caos, o declínio, a queda, o desmanche em todo seu esplendor.

E sua total falta de sentido. Nesta sexta-feira da paixão.

Publicado originalmente no "congressoemfoco"

Twitter
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

A reforma política

O Estado de S.Paulo
O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves (PMDB-RN), reuniu os líderes das bancadas na Casa para avisar que porá em votação na primeira semana de abril a proposta de reforma política elaborada nos últimos dois anos pelo relator Henrique Fontana (PT-RS). A última tentativa de fazer uma reforma política ampla chegou ao plenário da Câmara em 2007 pelas mãos de Ronaldo Caiado (DEM-GO), mas, por falta de consenso entre as bancadas nem chegou a ser votada.

Agora Alves não vê necessidade de consenso em torno do tema, que quer resolver no voto. A grande questão, desde sempre, é se o País precisa mesmo dessa reforma política, pela qual os nobres deputados tanto anseiam. O ex-presidente Marco Maia (PT-RS) disse em 2011 que a reforma preparada pelo colega de bancada era "prioritária", cogitou pô-la em discussão de forma "fatiada", mas a ideia não prosperou. Alves a usou como bandeira de sua eleição para o alto posto que ocupa.

Interessante é observar as coincidências dos projetos de Caiado, de direita, e Fontana, de esquerda, sobre os dois temas por ambos considerados prioritários: o financiamento público de campanha e o fim das coligações nas eleições proporcionais.

"Temos de retirar a força que o poder econômico tem hoje para decidir os rumos de uma eleição. A democracia brasileira é cada vez menos uma democracia de opiniões, de programas e projetos, e é cada vez mais uma democracia da força do dinheiro decidindo eleições. E isso tem de mudar", argumentou o relator. A julgar pela argumentação, seu partido, o PT, deve ser hoje a expressão política da burguesia endinheirada do Brasil, de vez que venceu três eleições presidenciais seguidas. O cidadão, de cujo bolso, na forma de impostos, sairia o tal financiamento público, que já banca o horário dito "gratuito" no rádio e na televisão nas campanhas eleitorais e o fundo partidário, teria de arcar sozinho com o custo crescente das campanhas políticas sem nenhuma garantia de que isso acabaria com a corrupção, ao contrário do que pregam os adeptos desta mudança. Quem disse que dinheiro público não é furtado aqui? E Fontana não explicou qual a relação entre financiamento privado e a endêmica falta de programas e ideias dos partidos.

Outro ponto comum entre o ex-relator do DEM e o atual do PT é a coincidência das eleições. A exemplo de Caiado, Fontana não aprova a realização de eleições de dois em dois anos, mas não encontra argumentos mais fortes por justificar a realização de todos os pleitos de quatro em quatro anos do que a economia dos gastos em processos eleitorais. Será que os gastos no Tribunal Regional Eleitoral em cada disputa são excessivos a ponto de justificarem a dificuldade de se votar de uma vez só em vereador, prefeito, deputado estadual, governador, deputado federal, senador e presidente? Para evitar essa questão bisonha, o relator discute a possibilidade de realização do pleito presidencial com dois meses de diferença das eleições gerais para governador, senador, deputado federal, deputado estadual, prefeito e vereador. Ou seja, sua fórmula ressuscita o lema do Chacrinha: "Não vim aqui para explicar, mas para confundir".

O fim das coligações em eleições proporcionais é também um cavalo de batalha do PT e do relator, que argumentou que, pela fórmula atual, é possível votar num candidato de um partido ambientalista e ajudar a eleger algum inimigo da ecologia. Tem razão.

Mas a proposta de Fontana atinge o auge da confusão ao propor o chamado sistema "belga", pelo qual o eleitor pode votar apenas na legenda e, com isso, eleger os candidatos a vereador, deputado estadual e deputado federal colocados no topo da lista apresentada pelo partido. Ou em seu candidato, que terá preferência. Na contagem final, se um partido tiver 80% dos votos em candidatos e 20% só na legenda, apenas uma vaga será ocupada de acordo com a ordem determinada pela cúpula partidária. Chacrinha não poria defeito nessa fórmula.

Todas essas mudanças fortalecem, como propugna o relator, os partidos e os políticos. Mas não beneficiam o cidadão. Ou seja: fingem mudar alguma coisa para, no fim, nada mudar.

Original aqui

Twitter

Manchetes do dia

Sábado, 30 / 03 / 2013

O Globo
"Iphan preserva invasões no Jardim Botânico"

Estudo sobre tombamento da área diz que 316 famílias podem ficar onde estão

Na queda de braço com os defensores das ocupações e com o Ministério do Meio Ambiente, diretor do parque perde a batalha e o cargo. Os invasores do Jardim Botânico têm motivos para comemorar. Parecer do Iphan sobre a abrangência do tombamento do parque – peça fundamental no processo no Tribunal de Contas da União que vai definir o futuro das ocupações – defende que 316 famílias permaneçam no local. Essa conclusão vai contra a proposta da direção do Jardim Botânico, que durante 30 anos pede a transferência dos invasores para a ampliação de sua área de pesquisa e do espaço aberto à visitação. O presidente Liszt Vieira será exonerado.


O Estado de São Paulo
"Governo vai prorrogar redução de IPI para carros"

Mau resultado no primeiro trimestre faz Fazenda avaliar se mantém alíquota indefinidamente

O governo vai adiar o aumento da alíquota do IPI para automóveis, que deveria ser elevada na segunda-feira. O imposto pode até ser congelado no patamar atual por tempo indeterminado, informa Eduardo Cucolo. O cronograma em 2013 previa três reajustes. O primeiro, em janeiro, aconteceu. O segundo seria o de abril. O último está marcado para julho. O fraco desempenho das vendas no início do ano levou a decisão de não aumentar o tributo. A informação de que o imposto não subiria foi antecipada na quarta-feira pela coluna Direto da Fonte, de Sonia Racy.


Twitter

sexta-feira, março 29, 2013

José Zaragoza


Coluna do Celsinho

Virose

Celso de Almeida Jr.

Espirros.

Tosse.

Febre.

Dores por todo o corpo.

Um cansaço arrasador.

Para o médico, virose.

Aguarda-se o resultado dos exames.

Desconfiado, vou reagindo lentamente.

Ao teclar estas letrinhas, penso na natureza.

Misteriosa, sempre revela a nossa fragilidade.

A ciência, porém, já indicou muitos caminhos para evitar ou tratar doenças.

Segui-los é atitude sensata.

Integram uma solução coordenada que compete aos responsáveis pela saúde de um povo.

Governos federal, estadual e municipal.

Ao que parece, entretanto, também foram vítimas de vírus terrível.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com.
   
Twitter
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

A lógica perversa na perda de água

Washington Novaes
O Dia Mundial da Água, 22 de março, motivou a publicação de informações importantes sobre recursos hídricos, em diversos setores e formatos. E isso talvez permita aproximação relacionada diretamente com os interesses de cada cidadão.

Um dos ângulos mais tratados na comunicação foi o das perdas de água nas redes públicas de distribuição no País, avaliadas (Estado, 20/3) em 37,5% do faturamento das empresas operadoras dos serviços. Se houvesse uma redução de 10% nas perdas, seria possível um acréscimo de R$ 1,3 bilhão na receita dessas empresas, calculado sobre os dados de 2010, segundo o Instituto Trata Brasil. Dinheiro do cidadão hoje jogado fora, num momento em que quase 10% da população nacional não recebe água potável, quase 50% não dispõe de redes coletoras de esgotos (23 milhões de domicílios, conforme este jornal em 12/11/2012) e apenas 37,9 % dos esgotos coletados recebem alguma forma de tratamento (Valor, 12/11/2012).

E por que não se muda esse quadro, já que ele implica para os cidadãos dinheiro retirado de seus bolsos, no caso das perdas de água das redes públicas, e uma vez que os 37,5% da água que não chegam, por causa das perdas, às casas, aos escritórios, etc., terão de ser supridos com a construção de novos reservatórios, novas adutoras e novas estações de tratamento? Tudo pago pelos contribuintes, por meio dos impostos.

Um episódio real ajudará a entender. O autor destas linhas foi a uma pequena cidade, onde o prefeito lhe perguntou se o interlocutor não conseguiria ajuda para tornar viável, no governo federal, um empréstimo para implantar uma nova barragem/reservatório, nova adutora e nova estação de tratamento de água para a zona urbana. Quando lhe foi perguntado se sabia quanto se perdia de água (por furos e vazamentos) na rede de distribuição, já bem antiga, ele respondeu que o levantamento da empresa apontava uma perda de 60%. E por que não se fazia um plano de recuperação da rede, o que seria algumas vezes mais barato? A resposta foi imediata: porque nenhum órgão de governo ou banco oficial financiava esse tipo de projeto. Dois anos mais tarde, informou ele que conseguira um financiamento federal para as novas barragem, adutora e estação de tratamento, que estavam quase prontas.

Com esse caminho não se eliminaria o desperdício nas instalações antigas, pagas pelos cidadãos, e estes teriam ainda de arcar com as novas.

E por que é assim? Porque as empreiteiras de obras, que têm enorme influência nas políticas, ditam esse caminho - graças às contribuições que dão para as campanhas eleitorais dos administradores, de que são a maior fonte de recursos (e a outros caminhos). E a elas só interessam obras maiores e menos trabalhosas. Aos administradores interessa exibir suas obras, e não as que estão debaixo da terra. Só há pouco tempo se teve notícia de que um banco oficial estava financiando a recuperação de uma rede subterrânea em Pernambuco - caso único até ali. Mas continuará chegando às cidades desperdiçadoras a caríssima água transposta do Rio São Francisco.

O fato é que, por essas e outras, há Estados onde a média de perda nas redes é superior a 50%. O Distrito Federal é exceção, sem nenhuma perda em sua rede, seguido pelo Paraná (1,35%) e pelo Rio Grande do Sul (3,37%). No Estado de São Paulo a perda apontada (Instituto Trata Brasil) é de 32,55%. Na capital, nos últimos anos as perdas, reduzidas, caíram para 25,6%, o que significou um ganho de R$ 275,8 milhões anuais. O objetivo é chegar a 2019 com perda entre 10% e 15%, mediante investimento de R$ 4,3 bilhões. O Japão perde apenas 3% da água que trata e a Rússia, 20% (Sabesp, 15/3).

Precisamos evoluir muito. De acordo com a Agência Nacional de Águas, mais de 3 mil municípios brasileiros precisam investir, até 2015, nada menos do que R$ 22 bilhões para atenderem às demandas novas e antigas por água. Inclusive para resolver problemas como o do atual despejo de 15 bilhões de litros diários de esgotos sem tratamento nos rios, lagos, mangues e no litoral - a principal causa da poluição. Enquanto isso, 7,2 milhões de pessoas nem sequer dispõem de instalações sanitárias em suas casas (O Globo, 19/3). Eliminar o déficit na área de saneamento exigiria investimento de R$ 157 bilhões até 2030.

Benedito Braga, o brasileiro que preside o Conselho Mundial da Água, diz que em uma década nosso panorama em matéria de água poderá repetir o que acontece hoje no setor de energia. Só 6% das nossas água estão em situação "ótima" e 19% em situação "regular ou péssima". Mas dos R$ 4,33 bilhões previstos de recursos orçamentários em 2012, R$ 3,15 bilhões foram emprestados e apenas R$ 442,6 milhões "liquidados" (Roberto Malvezzi, Rema Atlântico, 5/3). O Plano Nacional de Saneamento Básico precisaria de R$ 426 bilhões em 20 anos. Mas estamos longe desse caminho.

Também no mundo o panorama é inquietante. O volume de água para produção de energia dobrará em 25 anos, segundo a Agência Internacional de Energia. Metade das áreas úmidas no planeta foram perdidas ao longo do século 20, por causa da expansão urbana e do maior uso na agricultura e na indústria.

Mas poderia haver soluções mais amplas por aqui. No ano passado, R$ 2,2 bilhões foram pagos pelo uso de água por empresas geradoras de energia e repassados a 696 municípios, 223 Estados e ao governo federal. Por que esses recursos não são aplicados no setor de saneamento e na oferta de água? Também a criação de consórcios intermunicipais juntando municípios com menos de 20 mil habitantes poderia ser uma solução interessante, como se discutiu no recente Seminário Internacional de Engenharia em Saúde Pública (Agência Brasil, 20/3). O esgoto condominial, já discutido neste espaço, seria uma solução eficaz e barata para essa parte do saneamento.

O que não podemos é continuar sendo regidos, nessa área, pela lógica de empreiteiras e por interesses eleitoreiros.

Washington Novaes é jornalista. E-mail: wlrnovaes@uol.com.br.

Original aqui

Twitter

Manchetes do dia

Sexta-feira, 29 / 03 / 2013

O Globo
"Vergonha brasileira - ONU: 40% dos presos sem sentença"

Inspeção inédita mostra quantos em presídios aguardam julgamento

Organização visitou cinco capitais e constatou aprisionados em excesso e sem defesa. O Grupo das Nações Unidas sobre Detenções Arbitrárias concluiu que há excessiva privação da liberdade, baixíssima aplicação de medidas alternativas e grave deficiência de defensores públicos no Brasil. Foi a primeira visita ao país, em 22 anos de existência do grupo. Entre os 550 mil detentos, 217 mil - quase 40% - cumprem prisões preventivas. A ONU ainda diz que a internação compulsória de dependentes de crack fere leis e tratados internacionais. O relatório final será apresentado, em Genebra, em 2014.


O Estado de São Paulo
"Um dia após polêmica, BC admite que inflação ficará acima da meta"

Relatório afirma que IPCA será de 5,7% e PIB vai aumentar 3,1%

Pelo terceiro ano consecutivo, o Banco Central admitiu que não será possível cumprir a meta de inflação de 4,5%. A estimativa é de que o IPCA fique em 5,7% ao final de 2013, mesmo que os juros voltem a subir. A alta de preços anualizada deve chegar a 6,7% em junho. O Relatório Trimestral da Inflação foi divulgado ontem, um dia depois de a presidente Dilma Rousseff ter deixado o mercado tenso ao falar que não sacrificaria o crescimento para combater a inflação. O diretor do BC, Carlos Hamilton, disse que “juros são o pior remédio, à exclusão de todos os demais”. A instituição apresentou, pela primeira vez, a projeção para o crescimento do PIB em 2013, de 3,1%.


Twitter

quinta-feira, março 28, 2013

Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

O MEC deve desculpas aos estudantes

José Serra
Estamos assistindo a um espetáculo que mostra o improviso, a incúria técnica e o desrespeito com que o Ministério da Educação (MEC) decide a sorte de milhões de estudantes Brasil afora. Provas de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que valem 50% do exame, vieram a público, numa reportagem de O Globo: textos com erros ortográficos clamorosos, como enchergar, rasoavel e trousse, mereceram a nota máxima, de 1.000 pontos.

Um candidato entediado e brincalhão resolveu incluir um parágrafo ensinando como se prepara macarrão instantâneo. Atribuíram-lhe 560 pontos - 56% de eficiência. Outro redigiu quatro parágrafos. O segundo e o terceiro transcreviam o belo hino do meu querido e ora sofrido Palmeiras. Uma beleza em si, que estava, no entanto, fora do lugar. Só o primeiro e o último aludiam ao tema proposto, com conteúdos praticamente idênticos. Mesmo assim, ganhou 500 pontos - ou 50% da prova. Quantos horrores não se repetiram em milhões de provas?

O MEC ainda tentou justificar o desatino na atribuição das notas. Nas redes sociais, as milícias ou os mercenários petistas tentavam justificar os critérios e davam curso a teorias conspiratórias: os críticos estariam querendo pôr fim ao Enem. O exame, como evidencia a história, foi criado pelo ministro Paulo Renato Souza, no governo FHC, para avaliar a eficácia do ensino médio e, então, propor ações para elevar a sua qualidade, que sabemos, no mais das vezes, sofrível. Partiu do próprio Paulo Renato a diretriz para que faculdades e universidades passassem a incorporar, de forma descentralizada e autônoma, o desempenho dos estudantes no Enem entre seus critérios de seleção. Em 2002, 340 instituições já o faziam. Coube ao então ministro Fernando Haddad dar uma resposta simples e errada a um problemas difícil: a transformação do Enem no maior vestibular do mundo ocidental. Isso sob o pretexto de que iria acabar com... a angústia do vestibular!

Sem que houvesse infraestrutura adequada e saber acumulado para tanto - até hoje o MEC não dispõe de um banco de questões digno desse nome -, o governo petista decidiu que o Enem funcionaria como prova de seleção para o ingresso dos estudantes nas universidades federais. Os desastres sucederam-se: quebras de sigilo, problemas de impressão, ideologização do exame, arbitrariedade na correção das redações... Tudo isso concorreu, na verdade, para aumentar a angústia dos estudantes, aquela com que pretendiam acabar. O Enem transformou-se, assim, numa grande máquina discricionária, de deboche, que aprova ou reprova alunos segundo a vontade de uma burocracia que não é técnica, não é lógica nem é transparente.

No ano passado assistimos a uma revolta dos estudantes com as notas atribuídas às redações - que decidem, mais do que qualquer prova, a sorte dos candidatos. Já era patente que algo de muito errado ocorria nessa área. E neste ano somos confrontados com o descalabro. Ao menos uma parte dos corretores nada corrigiu. É plausível que nem tenha lido os textos na íntegra. Pior: um dos maiores vestibulares da Terra não dispõe da tecnologia necessária para avaliar a qualidade da correção.

Ora, um exame dessa natureza e com tais características exige uma sofisticada tecnologia de aferição da qualidade do próprio processo. Afinal de contas, trata-se da vida de milhões de estudantes. É razoável - com z e acento agudo - supor que o Enem se transformou numa máquina de selecionar pessoas segundo critérios arbitrários. O exame que deveria servir às reformas no ensino médio se transformou num mau diagnóstico e num vestibular incompetente.

É uma tolice e uma mentira afirmar que os críticos querem pôr fim ao Enem. Até porque, reitere-se, ele não foi criado pelos governos petistas. Como não foi o Bolsa-Família, que eles também herdaram. Mas o PT tem a vocação e o talento para se adonar de propostas e programas que não são originalmente seus e depois anunciar que estão sob ameaça. Tenta transformar a crítica à sua inépcia gerencial em sabotagem.

Para corrigir erros e desvios é preciso admitir a existência do problema, ter uma vontade de acertar maior do que a arrogância, ser dotado de uma honestidade intelectual maior do que a propensão ao embuste e ter uma disposição para trabalhar maior do que a preguiça. Chamados a dar uma explicação para as barbaridades que vieram à tona, os técnicos responsáveis pelo Enem, sob o comando do ministro Aloizio Mercadante, criaram teorias mirabolantes. Chegou-se mesmo a dizer que os textos estavam absolvidos, pois Miojo e Palmeiras não desrespeitam os direitos humanos...

Um dos fundamentos dos direitos humanos é a igualdade das pessoas perante a lei e o respeito ao mérito de cada uma. Se começa a ficar claro que a prova que vale 50% do exame que decidirá o ingresso ou não de um estudante na universidade sofre a mais escancarada arbitrariedade, se o instrumento que vai hierarquizar a fila dos candidatos a uma vaga depende menos do desempenho de cada um do que dos bons ou dos maus bofes do corretor, se os estudantes têm fraudadas suas expectativas e violada sua esperança de uma avaliação justa, então, pode-se afirmar que estão sendo agredidos os direitos fundamentais dos postulantes - que direitos humanos são, a menos que o ministro da área consiga provar irrevogavelmente o contrário.

Em vez de oferecer explicações esfarrapadas, o MEC precisa pedir desculpas a milhões de estudantes brasileiros. Uma das críticas que o petismo faz às universidades públicas paulistas é a de não aderirem ao Enem em seus respectivos vestibulares. Tenho outra proposta: que o MEC, que transformou o Enem num megavestibular, aprenda um pouco com o vestibular dessas universidades, por exemplo. Seria mais prudente e construtivo.

P. S. - Outras quatro análises que fiz sobre educação e Enem estão no site www.joseserra.com.br.

José Serra é ex-governador e ex-prefeito de São Paulo.

Original aqui

Twitter

Manchetes do dia

Quinta-feira, 28 / 03 / 2013

O Globo
"Rio só terá grande estádio com Maracanã"

Pela primeira vez, final do Campeonato Carioca será realizada fora da cidade

Estudo para apontar soluções pode levar até dois meses. Volta Redonda receberá clássicos e jogos decisivos. O torcedor carioca ficará sem frequentar um grande estádio até a reabertura do Maracanã, em 2 de junho, no amistoso entre Brasil e Inglaterra, às vésperas da Copa das Confederações. Até lá, os clássicos e as partidas decisivas do Estadual, incluindo a final, que pela primeira vez na história será disputada fora do Rio, serão jogados no Estádio Raúlino de Oliveira, em Volta Redonda. O Engenhão ficará fechado, no mínimo, entre um e dois meses, tempo estimado pelos engenheiros somente para encontrar soluções para os danos na cobertura. Segundo relatório entregue à prefeitura, o problema foi causado pelo deslocamento maior que o previsto dos arcos.


O Estado de São Paulo
"Dilma vê manipulação em crítica à fala sobre inflação"

Governo tenta neutralizar comentário da presidente sobre combater preços com baixo crescimento

A declaração da presidente Dilma Rousseff, na reunião dos Brics, em Durban, de que reduzir o crescimento econômico para conter a inflação é “uma política superada” provocou nervosismo no mercado financeiro, levando a uma pressão de baixa dos juros futuros. O governo passou o dia tentando neutralizar as expectativas negativas geradas pelo comentário. O presidente do BC, Alexandre Tombini, buscou o Broadcast, serviço de informação em tempo real da Agência Estado, e disse que a interpretação de que o governo pretendia ser tolerante com a inflação estava equivocada. Ele ressaltou que fazia o esclarecimento a pedido de Dilma. Mais tarde, a presidente chamou os jornalistas para se queixar de que houve “manipulação” de suas declarações, versão que também constava do blog do Palácio do Planalto.


Twitter

quarta-feira, março 27, 2013

Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Agito alheio ao eleitor

O Estado de S.Paulo
Quanto mais cedo começa uma campanha eleitoral, menor a parcela do eleitorado que lhe dedica atenção. A imprensa, por dever de ofício, dedica aos movimentos dos protagonistas desse interminável teatro um espaço desproporcional à sua efetiva importância para a sociedade brasileira. A leitura do noticiário só pode infundir no cidadão comum um sentimento de desgosto com o alheamento dos políticos em relação a seus interesses e necessidades. Poucas coisas, de fato, afastam tanto a população dos participantes da maratona ao poder quanto a sua preferência pela interlocução entre si mesmos - qualquer que seja a natureza do que se digam e a forma como o façam. Especialmente nessa fase de acertos preliminares da competição antecipada, o eleitor, de quem dependem em última análise as ambições dos possíveis candidatos, é um ser praticamente invisível. Claro que falam dele o tempo todo. Mas não lhe dirigem a palavra em momento algum.

Tomem-se os episódios mais recentes do atual agito, ambos na segunda-feira: a ida da presidente Dilma Rousseff a Pernambuco e a vinda do senador Aécio Neves a São Paulo. No primeiro caso, o pretexto foi a inauguração de uma adutora em Serra Talhada. No segundo, um evento do diretório estadual do PSDB. A presidente, em plena campanha pela reeleição, tem viajado com calculada frequência ao Nordeste, onde a sua popularidade bate recordes, mas ainda não tinha posto os pés no Estado do governador Eduardo Campos, do PSB da base aliada dilmista, desde que ele começou a ensaiar voos presidenciais cada vez mais desenvoltos e a criticar o governo Dilma diante de públicos os mais diversos - além de trocar afagos com tucanos vistosos, a começar do ex-governador José Serra.

O ex-governador mineiro, por sua vez, embora lançado ao Planalto por ninguém menos que o ex-presidente Fernando Henrique, percorria no PSDB paulista uma jornada morro acima, dada a resistência da ala liderada por Serra a seu nome. Não se trata apenas da relutância de Serra a jogar a toalha depois de perder duas vezes a disputa pela Presidência - para Lula em 2002 e para Dilma em 2010 -, sem falar na derrota que outro petista, Fernando Haddad, lhe infligiu no ano passado, na eleição para prefeito de São Paulo. A mala sangre entre Serra e Aécio é pessoal, sobretudo da parte do primeiro. Ele parece acreditar que o então governador, no mínimo, nada fez para impedir que um jornalista mineiro difundisse acusações de malfeitos contra amigos e até a sua filha, à época da privatização das teles.

Em Serra Talhada, lado a lado com Campos, Dilma discursou 50 minutos, durante os quais citou Lula 11 vezes e alvejou o anfitrião com setas de fino calibre. No trecho mais destacado de sua fala, teorizou que "nenhuma força política sozinha é capaz de dirigir um país com esta complexidade. Precisamos de parceiros comprometidos com esse caminho". Assinalou que a administração Campos se beneficiou de aportes federais de cerca de R$ 60 bilhões. Pouco antes, ele havia dito que muitas parcerias com o Estado "vêm de antes do seu mandato" e não esqueceu, como é lei, de mencionar os "fundamentos macroeconômicos" legados pelo período Fernando Henrique. Para que não lhe imputem a pecha de divisionista, ressaltou que da parte dos seus correligionários "não tem faltado apoio político ao governo". E daí? Daí nada: ambos demarcaram os seus territórios, Dilma não irá se indispor com o PSB e o seu presidente só decidirá o que fazer no ano eleitoral de 2014.

Em São Paulo, porém, algo mudou: Aécio conseguiu o endosso do governador Geraldo Alckmin à pretensão de ascender ao comando nacional do PSDB, sucedendo ao pernambucano Sérgio Guerra. "Percorra este Brasil continente", exortou Alckmin, tratando-o como presidenciável. Até bem pouco tempo atrás o governador dizia que o senador não deveria acumular a candidatura com a presidência do partido. Aécio também deve essa a Fernando Henrique. Na conspícua ausência de Serra, os tucanos se esfalfaram em ostentar unidade, mas o eleitor só foi admitido à festa dos políticos graças ao ex-presidente. "O PSDB", aconselhou, "precisa de um banho de povo."

Original aqui

Twitter

Manchetes do dia

Quarta-feira, 27 / 03 / 2013

O Globo
"Imagina na Copa: Falha fecha Engenhão e Rio fica sem estádio"

Problema de estrutura priva cidade do maior legado do Pan.

Cidade-sede da final da Copa de 2014 e dos Jogos de 2016, o Rio, desde ontem, é uma cidade sem grande estádio capaz de abrigar competições desses dois eventos. O prefeito Eduardo Paes interditou o Engenhão por tempo indeterminado devido a problemas na estrutura do teto. A decisão foi tomada após analisar três laudos divergentes. Paes disse que considerou "o pior cenário para tomar a melhor decisão" Já sem o Maracanã, os clubes foram pegos de surpresa e ainda não sabem onde jogarão os clássicos. A PM vetou São Januário para grandes partidas. Com a interdição do Engenhão, o Rio, que já havia perdido o Velódromo e outros equipamentos olímpicos, fica sem seu principal legado do Pan de 2007.


O Estado de São Paulo
"PSC ignora pressões e Feliciano fica em comissão"

Bancada pede ajuda de petistas para superar crise e destaca apoio a Dilma 'apesar de posição sobre aborto’

A bancada evangélica da Câmara saiu ontem em defesa do pastor Marcos Feliciano, e o seu partido, o PSC, decidiu mantê-lo na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Casa. Ele tem sido alvo de protestos após dar declarações tidas como racistas e homofóbicas, e sua saída foi pedida pelo presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Após ser informado da decisão do partido, Alves convocou os líderes para debater o tema e recebeu alerta da bancada evangélica de que o uso de alguma medida de força poderia criar problema ainda maior. O PSC ainda cobrou ajuda do PT para superar a crise. “Mesmo diante das declarações de que ela (Dilma) não sabia se acreditava em Deus e que não era contra o aborto, o PSC apoiou a presidente, sem discriminá-la por pensar diferente de nós”, diz texto do partido. Por ter sido eleito para o cargo, Feliciano só sai se renunciar.


Twitter

terça-feira, março 26, 2013

Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Apagão logístico, crônica de uma morte anunciada

Marcos Sawayajank
Volto hoje à carga a respeito do caos na logística de produtos agrícolas que vamos viver este ano. A gravidade da situação está perfeitamente ilustrada na fila de 25 quilômetros de caminhões na Rodovia Cônego Domênico Rangoni, esperando 70 horas para descarregar no Porto de Santos e infernizando também a vida dos que vão para o Guarujá ou para o Litoral Norte.

Não dá para dizer que esse caos seja uma surpresa conjuntural imprevisível. Nos últimos 12 anos a safra brasileira de grãos dobrou de tamanho, enquanto a logística praticamente nada mudou. O que estamos assistindo é à "crônica de uma morte anunciada", após duas décadas de descaso, legislação anacrônica, instalações precárias, burocracia infernal, reserva de mercado e corporativismo endêmico. Enquanto no Brasil o principal modal é o caminhão rodando milhares de quilômetros em estradas esburacadas (55% da distribuição de grãos), nos EUA, nosso maior concorrente, hidrovias construídas há mais de 80 anos nos Rios Mississippi, Missouri e outros respondem por 60% do transporte de grãos.

Hoje nosso maior gargalo está nos portos. A logística portuária começou mal este ano, com 27 dias parados por causa de chuvas - o carregamento dos navios é feito a céu aberto e qualquer indício de chuva interrompe a operação. Além disso, em decorrência da quebra da safra americana, o Brasil tornou-se o maior exportador mundial de milho - com 25 milhões de toneladas exportadas, ante 8,5 milhões na safra passada. Esse imenso volume de milho está atrasando os embarques de soja, que, por sua vez, vão afetar os embarques de açúcar a partir de abril e de milho safrinha a partir de julho. Na semana passada a fila para carregar soja nos portos brasileiros superou 200 navios, 80 mais do que no mesmo período do ano passado.

De março a julho vamos ter de escoar 7,2 milhões de toneladas por mês de soja e milho pelos portos, valor 25% superior ao do mesmo período do ano passado. Não é difícil prever que esses quatro meses serão um caos, principalmente se chover demais, já que estaremos operando muito próximos da capacidade máxima dos portos. Outra agravante é a nova lei dos caminhoneiros - que determina paradas obrigatórias dos caminhões a cada quatro horas, com jornada máxima diária de 11 horas -, além do problema da falta de caminhoneiros, estimado em 50 mil a 100 mil profissionais. Outro grave problema é a deficiência de armazéns, uma vez que só conseguimos estocar 65% dos grãos produzidos no País. Ao contrário do que ocorre nos nossos principais competidores, no Brasil o caminhão tornou-se um "armazém sobre rodas", porque não tem onde colocar o produto e na safra a única solução é a carreta na fila de espera para o porto.

Portanto, no curto prazo a única variável de ajuste possível serão novos aumentos de fretes, destruindo a rentabilidade de produtores e traders. Dez anos atrás, o custo de frete no Brasil era duas vezes superior ao da Argentina e dos EUA. Este ano, numa visão otimista, será, no mínimo, quatro vezes superior (mais de US$ 100/t, ante cerca de US$ 25/t nos nossos concorrentes), chegando a ser cinco, sete vezes maior para as regiões mais distantes do Cerrado.

Não é de espantar, portanto, que um grande importador chinês tenha cancelado o carregamento de 33 navios de soja, trocando o suprimento brasileiro pelo da Argentina. Os chineses são extremamente oportunistas nessa hora e, obviamente, utilizam esse recurso para renegociar os seus contratos em melhores termos. Mas a culpa não é deles, é nossa!

A única solução para o caos logístico encontra-se no médio e longo prazos e se chama investimento maciço. Precisaríamos investir pelo menos R$ 40 bilhões no sistema portuário, montante quase três vezes maior que a soma prevista nos programas PAC-1 e PAC-2. Um dos caminhos mais importantes para isso seria a aprovação da Medida Provisória 595, a "Lei dos Portos", ora em tramitação no Congresso Nacional. No entanto, diversos itens do projeto ainda mostram fortes controvérsias entre os vários grupos de interesse envolvidos.

São eles: 1) A distinção entre os terminais dentro da área do "porto organizado" e os terminais de uso privado (TUPs) fora dela, incluindo a redefinição dos limites geográficos de cada porto, chamados de "poligonal", um tema extremamente polêmico; 2) a redefinição das licitações para concessões ou arrendamentos, agora com base no critério de modicidade tarifária (maior movimentação com a menor tarifa); 3) o tratamento a ser dado aos terminais de uso privativo hoje existentes dentro de portos organizados, principalmente o dilema do encerramento versus prorrogação dos contratos de arrendamento atuais; 4) o fim da distinção entre movimentação de "carga própria" e "carga de terceiros" como elemento essencial para a exploração das instalações portuárias autorizadas; 5) a nova organização institucional dos portos e a redefinição do poder concedente nas concessões; 6) o compartilhamento de infraestruturas; e 7) o tratamento diferenciado para trabalhadores portuários.

O fato é que, no campo, fizemos muito bem a nossa lição de casa. A produtividade total dos fatores (terra, trabalho e capital) da agricultura brasileira é a que mais vem crescendo no mundo: 3,6% ao ano desde 2000. Mas a logística está destruindo tudo o que foi conquistado dentro das fazendas, não apenas no exemplo dos grãos, mas também do açúcar, das carnes e de outras commodities, hoje igualmente "engargaladas".

Infelizmente, temos de nos conformar com o fato de que o "apagão" da logística chegou. Neste momento, além de rezar muito para que ele não seja total, deveríamos concentrar-nos na aprovação urgente dos marcos regulatórios e dos investimentos necessários para escapar dessa calamidade. E isso ainda vai demorar alguns anos

Marcos Sawayajank é especialista em Agronegócio e Bioenergia. Foi presidente da Única e do Ícone. E-mail: marcos@jank.com.br

Original aqui

Twitter

Manchetes do dia

Terça-feira, 26 / 03 / 2013

O Globo
"Emergentes criam fundo de US$ 100 bi contra crise"

Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul terão reserva para socorro

Após acordo fechado com UE e FMI que prevê confisco de correntistas para salvar bancos, Chipre prorroga feriado bancário até 5ª feira. Em meio à nova turbulência na Europa diante do risco de Chipre abandonar o euro, os países do Brics, formado pelos emergentes Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, decidiram criar um fundo de reservas de US$ 100 bilhões, destinado a socorrer o grupo em caso de crises. Em paralelo, o Brasil fecha hoje, na abertura da cúpula do Brics, em Durban, acordo com a China para a criação de linha de crédito de US$ 30 bilhões voltada a fomentar o comércio entre os dois países. O ministro Mantega disse que os emergentes têm de buscar soluções sozinhos: "Os países avançados não estão crescendo, estão crescendo pouco. Temos de aproveitar melhor os nossos mercados."


O Estado de São Paulo
"Ao lado de Campos, Dilma cobra ‘aliado comprometido’"

Ela disse que é preciso ‘coalização ampla’ para dirigir o País; governador destacou ‘tratamento republicano’

Em viagem a Pernambuco, ontem, a presidente Dilma Rousseff mandou recados ao governador Eduardo Campos (PSB), aliado histórico que ensaia possível candidatura à Presidência em 2014. Em discurso de inauguração da primeira etapa da adutora de Pajeú, em Serra Talhada, ela cobrou comprometimento dos parceiros e afirmou que é impossível governar sem coalizão ampla. “Nenhuma força política sozinha é capaz de fazer esse caminho (dirigir o País). Precisamos de parceiros e que eles sejam comprometidos com esse caminho.” A presidente disse que os Estados dependem de verba da União. Em clima de campanha, anunciou a liberação de R$ 3,1 bilhões para Pernambuco, citou Lula 11 vezes e desceu do palanque para falar com o público. Campos usou parte do discurso para afirmar que o governo federal deve manter tratamento “republicano” aos adversários, e destacou avanços de governos anteriores a Lula e Dilma.


Twitter

segunda-feira, março 25, 2013

Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Turista no Brasil sofre

O Estado de S.Paulo
O turismo responde por 9% do Produto Interno Bruto mundial, algo em torno de US$ 6 trilhões, e gera 245 milhões de empregos diretos e indiretos. Diante desses números, a competitividade nesse setor não deveria ser tratada como algo desimportante, ainda mais num país como o Brasil, com seu enorme potencial turístico. No entanto, assim como em outras áreas da administração federal submetidas a interesses partidários e fisiológicos, o turismo apresenta resultados decepcionantes. O último relatório do Fórum Econômico Mundial sobre a competitividade turística mostra que o Brasil subiu apenas uma posição e ainda se encontra em um distante 51.º lugar, entre 142 países. É apenas o sétimo colocado nas Américas, atrás até mesmo do Panamá.

Além dos problemas do Ministério do Turismo, é precária a estrutura voltada para o turista. A pesquisa mostra que os principais entraves para tornar o Brasil mais atraente para os viajantes - estrangeiros ou locais - são o precário sistema de transportes e os preços altos.

"A rede de transportes permanece subdesenvolvida", nota o relatório, colocando o Brasil numa vergonhosa 129.ª posição nesse quesito. A qualidade das estradas, dos portos e aeroportos e das ferrovias "requer melhorias para acompanhar o desenvolvimento econômico do País". Os autores do estudo acreditam que a realização da Copa do Mundo, em 2014, e da Olimpíada, em 2016, oferece uma "oportunidade para superar essas deficiências de infraestrutura", mas essa conclusão, a julgar pelos resultados pífios dos investimentos na área, parece ter sido apenas uma cortesia dos pesquisadores.

Em relação aos custos para os turistas, o relatório do Fórum destaca os preços altos das passagens aéreas e das taxas aeroportuárias, "assim como a alta dos preços em geral". Nesse quesito, o Brasil aparece em 126.º lugar - entre os subitens destacam-se os altos impostos em geral (140.º lugar) e os preços das acomodações (72.º) e dos combustíveis (77.º). O País também está entre os últimos (119.º lugar) no que diz respeito à excessiva burocracia para o setor de viagens e turismo, tanto para os viajantes como para as empresas do setor.

Há ainda a questão da crônica falta de segurança, que faz a má fama do País e tradicionalmente afugenta muitos turistas. Nesse item, o Brasil aparece em 73.º lugar, e o relatório destaca o alto custo desse problema também para o ambiente de negócios.

O relatório afirma que o Brasil não prioriza o turismo - está em 102.º lugar nesse quesito. É apenas o 83.º em gastos do governo para incentivar as viagens e o 102.º em marketing para apresentar-se aos turistas como um destino em potencial. A falta de atenção ao setor se traduz na sistemática falta de informações para os estrangeiros logo que eles chegam aos grandes centros brasileiros e se deparam com orientações apenas em português, quando elas existem. Além disso, o Ministério do Turismo é tratado como uma das pastas que podem ser usadas nas barganhas que o governo faz para angariar apoio político. Em 2011, o então ministro, Pedro Novais, cuja única qualidade para ocupar o cargo era ser filiado ao PMDB, teve de se demitir depois de uma série de escândalos. Uma devassa resultou na prisão de 36 pessoas, entre as quais 8 integrantes do ministério. Não espanta, portanto, que os resultados sejam tão ruins num dos poucos setores da economia global que apresentam crescimento a despeito da crise.

Apesar de todos os problemas, o Brasil ainda é um lugar de grande interesse para os estrangeiros, graças às suas características naturais e culturais - e o Fórum Econômico Mundial reconhece o esforço brasileiro para preservar esse tesouro. Segundo o estudo da entidade, o País é o 1.º do mundo em recursos naturais, o 6.º em locais reconhecidos como patrimônio mundial da natureza e o 16.º em locais reconhecidos como patrimônio cultural.

Portanto, o Brasil continua "bonito por natureza", mas depende muito mais dos desejos dos estrangeiros de virem conhecer nossas maravilhas do que das condições que o País lhes oferece para atraí-los.

Original aqui

Twitter

Manchetes do dia

Segunda-feira, 25 / 03 / 2013

O Globo
"Deputados incluem armas em pacote de desonerações"

Dilma deve vetar adendo feito por parlamentares financiados pelo setor

Ministérios da Justiça e da Fazenda recomendaram à presidente não reduzir encargos sociais de empresas da área. A presidente Dilma Rousseff deve vetar a inclusão da indústria de armas e munição na lista de beneficiados pela Medida Provisória (MP) 582 com a redução dos encargos sociais. O adendo foi feito pelos deputados federais Sandro Mabel (PMDB-GO) e Guilherme Campos (PSD-SP), que tiveram campanhas financiadas por empresas da área. Originalmente, o texto da MP enviado ao Congresso previa o benefício para apenas 15 setores, mas os deputados incluíram outros 33 na redação encaminhada para sanção de Dilma. O objetivo é desonerar a folha de pagamento e reduzir custos. O Ministério da Justiça alertou a presidente que o estímulo à fabricação de armas e munição prejudicaria a política de desarmamento.


O Estado de São Paulo
"Mesmo com safra recorde, inflação de alimentos resiste"

Alta dos produtos agrícolas chega a 34%, ante 6,43% da prévia do IPCA; preços já cedem no atacado

Mesmo com o país colhendo uma safra recorde de 185 milhões de toneladas de grãos, os preços dos alimentos para o consumidor final aumentaram mais de 30% nos últimos 12 meses, muito acima da inflação em geral, que ficou em 6,43% até março, segundo o IPCA-15, prévia do índice que é referência para as metas de inflação. A conclusão é de estudo dos economistas da USP, Heron do Carmo e Jackson Rosalino. “Os alimentos têm subido acima do padrão sazonal”, observa Elson Teles, do Itaú Unibanco. Os preços já caem no atacado, segundo Fabio Silveira, da RC Consultores. “Já era hora de essa queda ter aparecido no IPCA”, afirma Fábio Romão, da LCA. Os economistas acreditam que com a supersafra e as desonerações do setor, os preços devem começar a ceder.


Twitter

domingo, março 24, 2013

Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Erros e meias-verdades

O Estado de S.Paulo
Entre as obrigações que, no seu entender, o cargo que ocupa lhe impõe, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, citou a de "tentar viabilizar" projeções otimistas. Postas assim as coisas, como fez o ministro durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, parecem justificadas todas as suas previsões, mesmo as mais disparatadas, como a feita no início do ano passado, quando previu que, apesar do quadro de grandes dificuldades da economia mundial, a economia brasileira cresceria 4%. O resultado apurado pelo IBGE, como se sabe, foi uma expansão de apenas 0,9%.

Cioso do que diz ser sua obrigação, Mantega continua a fazer projeções otimistas. Agora, depois de reconhecer que o desempenho da economia mundial em 2012 foi bem pior do que tem sido nos últimos anos, o ministro diz que haverá melhoras em 2013. Na sua análise, a União Europeia, já combalida, não deverá ter grande desempenho, mas "o risco de uma ruptura financeira está afastado em 2013". Parece que a situação de Chipre, que tanto preocupa as autoridades econômicas e financeiras no resto do mundo, não chega a incomodá-lo.

No plano interno, a seu ver, as medidas de estímulo ao crescimento começam a produzir efeitos e, por isso, a economia já mostra um crescimento maior. "Estamos numa trajetória gradual de aceleração da economia, enfrentando as dificuldades que continuam na economia internacional", afirmou. E foi um pouco além, ao dizer que acredita que a economia pode crescer 4%, mais do que os 3%, em média, que os economistas privados estão prevendo. Tomara que acerte desta vez.

Mas o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) apontou razões para duvidar. "Pelos números do PIB dos últimos dois anos, percebemos que a bola de cristal de V. Exa. continua quebrada", disse o senador ao ministro. "Não sabemos se é pior a incompetência ou a mentira deliberada, e estamos preocupados com as consequências."

Em resposta, o ministro reconheceu que "minha bola de cristal pode ter tido alguns defeitos, mas costuma funcionar". Às vezes, reconheça-se, até acerta.

A despeito dos prejuízos que erros grosseiros de projeção, deliberados ou não, causam à imagem das autoridades, eles são menos graves para a credibilidade da política econômica do que meias-verdades que essas autoridades transformam em argumentos para defender suas ações. Em pelo menos dois momentos o ministro da Fazenda utilizou esse recurso durante a audiência na CAE do Senado.

Um dos momentos foi quando tratou da política fiscal, cuja execução se tornou mais difícil por causa da estagnação da arrecadação tributária em decorrência do mau desempenho da economia. Para atingir o superávit primário sem cortar despesas de custeio nem reduzir o ritmo em que vem concedendo benefícios tributários a setores escolhidos, sob a justificativa de estimular a atividade econômica, o governo vem lançando mão de recursos contábeis. Entre eles estão a apropriação antecipada de dividendos de estatais e a exclusão de investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do cálculo do superávit primário.

O senador paranaense disse que esse procedimento equivale a "truque", "manobra contábil" e "kit maquiagem". Em resposta, o ministro afirmou que tudo está de acordo com a lei orçamentária e com a Lei de Responsabilidade Fiscal. De fato, está. Mas esse tipo de artifício torna obscura a política fiscal, o que corrói sua credibilidade.

Outro momento em que usou a meia-verdade foi quando tratou da inflação, para garantir que não há risco de ela ficar acima da margem de tolerância da política de meta inflacionária. Também neste caso ele está certo. Mas é preciso observar que a meta, mantida há vários anos, é alta, se comparada à inflação média dos países ricos, e sua margem de tolerância é ampla demais, o que dá grande folga ao governo. Mesmo assim, o governo vem agindo de maneira atabalhoada, tentando conter preços e tarifas por meio de acordo políticos ou de seguidas reduções de tributos, o que torna sua política econômica ainda mais questionável. Em cortes de despesas, nem pensar.

Original aqui

Twitter

Manchetes do dia

Domingo, 24 / 03 / 2013

O Globo
"Pacificação no Rio: Com UPPs, PM deixou de disparar 100.430 tiros"

Só em Copacabana, o número despencou de 2012 para zero

Dados abrangem também Botafogo, Tijuca e Alemão. Com menos tiroteios nas ruas, casos de bala perdida caíram 81%. Desde o início da política de pacificação das favelas, a Polícia Militar deixou de disparar 100.430 tiros nas ruas de quatro regiões beneficiadas com UPPs, revela Vera Araújo. Só na Grande Tijuca, 44.326 munições foram economizadas nos últimos três anos. Em Copacabana, a queda foi de 100%; em 2008, foram efetuados 2012 disparos pela PM, enquanto que no ano passado a tropa do bairro não deu um tiro sequer. A redução dos tiroteios teve um efeito benéfico também nas estatísticas de balas perdidas na capital: 35 em 2012 contra 181 em 2008, uma redução de 81%.


O Estado de São Paulo
"Aécio tem potencial de voto igual ao de Serra, diz Ibope"

Instituto analisa apenas eleitores que conhecem os candidatos; tucano mineiro tem mais espaço para crescer

O senador Aécio Neves (PSDB-MG)teria um potencial de voto equivalente ao do ex-governador José Serra (PSDB-SP), quando se leva em consideração apenas os eleitores que conhecem os presidenciáveis, segundo pesquisa feita pelo Ibope a pedido do Estado. O mineiro teria 41% dos eleitores que poderiam votar nele e o paulista 42%. A pergunta permitia múltiplas respostas. Quando se recalcula os eleitores excluindo quem não conhece os candidatos, todos os presidenciáveis ficam na mesma base de comparação, informa José Roberto de Toledo. Sob este critério, a presidente Dilma Rousseff (PT) lidera com 79% e Marina Silva (sem partido), fica em segundo com 50%. Aécio disse ter ficado muito satisfeito com o resultado e que a liderança de Dilma reflete "100% de exposição". O líder do PT na Câmara, José Guimarães, acha que a grande aceitação de Dilma mostra que "o País está no rumo certo".


Twitter
 
Free counter and web stats