sábado, março 23, 2013

Joan Miró i Ferrà


Colunistas

O ano em que sonhamos perigosamente – volume 2

Da Primavera Árabe ao Occupy Wall Street, uma série de eventos libertários marcou 2011. Márcia Denser retoma análise do ensaio do esloveno Slavoj Zizek para compreender o que está por trás e à frente dessas transformações

Márcia Denser
Retomando a discussão sobre o último ensaio do filósofo esloveno Slavoj Zizek (O ano em que sonhamos perigosamente. S.Paulo, Boitempo, 2012) cujo resumo da ópera ele define sutilmente, observando que a língua persa tem uma excelente expressão war nam nihadan, que quer dizer “matar uma pessoa, enterrar o corpo e plantar flores sobre a cova para escondê-lo”.

O fato é que, em 2011, testemunhou-se uma série de eventos libertários de massa – desses que modificam a História, abrindo a porta do Futuro – da Primavera Árabe ao Occupy Wall Street. De certo modo, 2011 foi o ano em que se sonhou perigosamente em duas direções: houve sonhos de emancipação que mobilizaram as massas em Nova York, na Praça Tahir, em Londres e Atenas, e houve sonhos destrutivos e obscuros, que serviram aos populistas de direita em todo o mundo.

Mas primeira providência da ideologia hegemônica foi NEUTRALIZAR a verdadeira dimensão desses eventos: isto é, a reação predominante da mídia não foi precisamente tipo um war nam nihadan? Porque a mídia estava MATANDO o potencial emancipatório radical desses eventos ou encobrindo-os hipocritamente como “ameaças à democracia” e, então, plantando flores sobre o cadáver previamente enterrado.

Por isso é tão importante esclarecer as coisas, situar tais eventos dentro da totalidade do capitalismo global, o que significa mostrar como eles estão relacionados com o antagonismo central do capitalismo de hoje.

A propósito, eis algumas reflexões, desta vez do capítulo “Inverno, primavera, verão e outono árabes”. Zizek comenta que, reagindo à famosa caracterização do marxismo como “o islamismo do século XX”, Jean-Pierre Taguieff escreveu que o Islã está se revelando “o marxismo do século XXI”, prolongando, após o declínio do socialismo real, seu violento anticapitalismo.

No entanto, as recentes vicissitudes do fundamentalismo muçulmano não confirmariam o antigo insight de Walter Benjamin de que “toda ascensão do fascismo é o testemunho de uma revolução fracassada”?

Isso nos leva à verdadeira e fatídica lição das revoltas da Tunísia e do Egito: se as forças liberais moderadas continuarem ignorando a esquerda radical, elas criarão uma onda fundamentalista intransponível. Ora, ironicamente, para que o legado liberal sobreviva, os próprios liberais precisam da fraternal ajuda da esquerda radical!

Embora (quase) todos apoiem com entusiasmo essas explosões democráticas, há uma luta subterrânea, oculta, por sua apropriação. Elas são celebradas pela grande mídia ocidental como se fossem iguais às “revoluções de veludo pró-democracia” do Leste Europeu: um desejo de democracia liberal ocidental, uma ânsia de igualar-se ao Ocidente. Mas surgem mil inquietações quando se vê que emergir uma outra dimensão em tais protestos, como, por exemplo, a demanda por “justiça social”.

Testemunhamos nas últimas décadas toda uma série de explosões populares emancipatórias que foram reapropriadas pela ordem capitalista global, seja em sua forma liberal (da África do Sul às Filipinas), seja fundamentalista (Irã).

É importante ter em mente que nenhum dos países árabes onde ocorreram tais eventos é formalmente democrático: todos eram autoritários em maior ou menor proporção, de forma que a demanda por justiça econômica e social integra-se espontaneamente aos clamores por democracia.

Como se a pobreza fosse o resultado da ganância e da corrupção de quem está no poder e bastasse livrar-se deles. Mas o fato é que, se temos democracia, a pobreza continua! Então, o que fazer?

Eis a pergunta que não quer calar, donde a necessidade de continuar a viver, pensar e a sonhar perigosamente.

Publicado originalmente no "congressoemfoco"

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Opinião

'Rubicão' da imprensa britânica

O Estado de S.Paulo
Um acordo entre os principais partidos da Grã-Bretanha abriu caminho para a instituição de um código de conduta que imporá pesadas sanções a jornais que cometerem abusos. As maiores associações de imprensa do país reagiram com preocupação. Elas concordam que o atual sistema de autorregulamentação requer melhorias e defendem que a irresponsabilidade jornalística deve ser castigada com rigor, mas não aceitam que essa punição seja imposta por uma entidade vinculada, ainda que apenas parcialmente, ao Estado. Para o jornal The Telegraph, "os parlamentares cruzaram o Rubicão da regulamentação da imprensa", isto é, avalizaram o restabelecimento da normatização estatal dos jornais após 318 anos de total autonomia.

Essa regulamentação é resultado do escândalo causado pelo jornal News of the World, do magnata Rupert Murdoch. Em julho de 2011, a publicação foi fechada, depois de 138 anos de existência, diante da revelação de que seus jornalistas e sua direção estavam envolvidos na violação do sigilo telefônico de artistas, políticos e integrantes da família real, entre outras pessoas. O número de vítimas da sanha desse jornalismo de esgoto chegou às centenas, inclusive uma menina de 13 anos, Milly Dowler, que havia sido sequestrada e assassinada. O jornal grampeou o celular de Milly e chegou a apagar mensagens do aparelho, dando a impressão, para a família e para a polícia, de que ela ainda estava viva, prolongando o drama para vender mais alguns milhões de exemplares do News of the World.

Fechado o jornal por decisão de Murdoch, foi instaurado um inquérito, a pedido do governo, cujas conclusões deveriam servir para encontrar mecanismos mais eficientes para conter o sensacionalismo dos tabloides. O relatório final recomendou o estabelecimento de um organismo independente dos jornais para fiscalizá-los, uma vez que, na opinião de representantes de vítimas da imprensa irresponsável, o atual sistema é totalmente falho.

Movidos pelo clamor popular, que não costuma ser bom conselheiro, os principais partidos acertaram então a criação de uma entidade que, uma vez oficializada, terá poder de aplicar multas de até 1 milhão de libras, cerca de R$ 3 milhões, e de mandar publicar retratações com destaque. Os jornais não serão obrigados a aderir ao sistema, mas os que ficarem de fora sofrerão penas ainda mais severas.

A regulamentação não se dará na forma de lei comum, mas de uma Carta Real, por meio da qual a rainha autoriza a abertura de novas instituições. Para alterar esse estatuto, é necessário o apoio de dois terços do Parlamento. Segundo os defensores do novo regime, tal cláusula dificultará a adoção de emendas que, no futuro, possam tornar ainda mais rígida a regulamentação da imprensa.

Essas garantias não bastaram para tranquilizar as empresas de comunicação, para as quais o novo código, se aprovado, dará às autoridades instrumentos para prejudicar jornais que julguem inconvenientes.

A Newspaper Society, que representa 1.100 jornais, disse que as multas milionárias serão um "fardo pesado demais" para muitos veículos e que "uma imprensa não pode ser livre se tiver de prestar contas a um órgão regulador reconhecido pelo Estado". A Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) seguiu a mesma linha: "Uma entidade reguladora estabelecida pelo governo, não importa quão independente seja, ameaça a liberdade de expressão". Para a OSCE, o caso do News of the World deveria ser tratado como uma questão criminal, e não como desculpa para constranger toda a imprensa.

No século 18, os libelistas que expuseram os podres da corte francesa às vésperas da revolução e que, por essa razão, foram perseguidos em seu país, encontraram total liberdade de atuação justamente na Inglaterra - onde, desde 1695, não havia nenhum empecilho ao trabalho da imprensa. Não fosse isso, talvez a realeza francesa tivesse preservado a cabeça. No resto do mundo, os políticos e as autoridades que têm algo a esconder nunca gostaram da imprensa livre e sempre procuram meios para combatê-la. Esse "costume", infelizmente, parece ter chegado à Grã-Bretanha.

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Manchetes do dia

bado, 23 / 03 / 2013

O Globo
"Polícia responsabiliza 28 por incêndio da Kiss"

Donos da boate, músicos e dois bombeiros foram indiciados por homicídios doloso

Delegado também acusa prefeito de Santa Maria de contribuir para morte de 241 pessoas. Comandante dos Bombeiros na cidade foi exonerado do cargo. Em 13 mil páginas produzidas em 55 dias de investigação, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul apontou elementos para responsabilizar 28 pessoas pela tragédia da boate Kiss, na madrugada de 27 de janeiro. Nove delas foram indiciadas por homicídios doloso, por terem assumido o risco de matar. O prefeito Cezar Schirmer é acusado de homicídio culposo e de improbidade administrativa. Bombeiros que liberaram o funcionamento da boate também foram citados. O inquérito será analisado pelo Ministério Público, que decidirá quem será denunciado à Justiça. Schirmer sustentou que houve manipulação política da investigação pelo governo do estado.


O Estado de São Paulo
"Dilma venceria eleições já no 1º turno, mostra Ibope"

Ela tem de 53% das intenções de voto; Marina vai de 8% a 13%, Aécio, de 7% a 9%, e Campos, de 2% a 3%

Se a eleição fosse hoje, a presidente Dilma Rousseff venceria no primeiro turno, independentemente do adversário. Ela vai de 53% a 60% das intenções de voto. E seu eleitorado espontâneo é três vezes maior do que o de seus oponentes juntos (53%). É o que mostra pesquisa nacional Ibope, feita em parceria com o Estado. A presidente ganhou nove pontos desde novembro, após aparecer na TV anunciando cortes na conta de luz e desoneração da cesta básica, o que faz dela a candidata a reeleição mais precocemente bem sucedida na história. No cenário com quatro candidatos, Dilma (PT) tem 58% das intenções de voto, ante 12% de Marina Silva (sem partido), 9% de Aécio Neves (PSDB) e 3% do governador Eduardo Campos (PSB). Na simulação sem Campos, ela alcança o melhor desempenho, com 60% das intenções, Marina vai a 13% e Aécio, a 9%. Foram ouvidas 2.002 pessoas, com margem de erro de dois pontos porcentuais.


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sexta-feira, março 22, 2013

Portinari - Marias


Coluna do Celsinho

Descendência

Celso de Almeida Jr.
A filha pediu fotos dos avós.

Cumprindo uma atividade escolar, montará uma árvore genealógica.

Lembrei de uma história da família.

Em 7 de setembro de 1887, do convés do Malange, vapor da Mala Real Inglesa, algumas meninas ouviam a queima de fogos e o som de fanfarras no Rio de Janeiro.

Graciosamente inocentes, pensavam que tratava-se de recepção especial.

Em verdade, eram as festas pelo 65º aniversário da Independência e a cidade mal dava conta dos que chegavam da Europa.

No desembarque, o pai das garotinhas apresentou o passaporte.

Uma folha grande, onde se lia que Lourenço Marques de Almeida, esposa e filhas estavam autorizados a seguir para o Brasil.

Vinham da cidade do Porto, Portugal.

No Rio de Janeiro, começando a vida no Novo Mundo, Lourenço montou uma livraria, na rua do Ouvidor.

Deixou para os descendentes um "Livro Particular", diário que até hoje é guardado com carinho especial.

Algumas passagens, citadas a seguir, sempre recordamos, com certa comoção:    

"Abençoados os pensamentos que sempre tive de ser bom e útil. Pelo esforço de meu trabalho, tenho conseguido sustentar minha família...Quando um dia, havendo eu deixado de existir, os meus filhos folhearem este livro, devem sentir-se animados da mesma satisfação que agora me anima ao pensar e cuidar assim deles. E minha mulher, essa querida e boa esposa que Deus me deu para complemento da minha felicidade, abençoada por mim como o é sempre, abençoará também a extrema felicidade que vai na alma."

Suas últimas palavras registradas:

"Eu não aspiro a ser muito rico. A minha ambição limita-se a desejar obter, por meio do trabalho, conforto, tranquilidade e segurança para minha família."

Nem dois anos após a chegada ao Brasil, Lourenço adoeceu, vindo a falecer em março de 1889.

Georgina, sua esposa querida, ficou viúva, com 6 meninas em um país estranho.

Alheia aos negócios, teve que se desfazer da livraria.

A vida seguiu...

Hoje, seus descendentes espalham-se Brasil afora.

No pensamento, a lembrança do pioneiro, com a certeza de que nos deixou a melhor herança.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

Conluios e amizades

O Estado de S.Paulo
Durante o julgamento, pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que determinou a aposentadoria compulsória de um juiz piauiense acusado de beneficiar advogados, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, recolocou na agenda do Judiciário um problema antigo: o risco de as relações de amizade entre magistrados e advogados resultarem em favorecimento de uma das partes e em tráfico de influência.

"O conluio entre juízes e advogados é o que há de mais pernicioso nos tribunais. Sabemos que há decisões condescendentes, absolutamente fora das regras", afirmou o ministro, depois de defender uma "limpeza" na instituição. Além de afetar o equilíbrio de forças no jogo judicial, a excessiva intimidade entre juízes e advogados é a origem de muitos casos de corrupção na Justiça, disse o presidente do STF e do CNJ. Semanas antes de assumir o cargo, no final de 2012, ele tocou no mesmo tema, criticando os filhos, cônjuges e sobrinhos de ministros dos tribunais superiores que advogam nas mesmas cortes de seus pais, maridos e tios. "Eles são contratados não pela qualidade de seu trabalho, mas pelas ligações de parentesco. Isso divide os advogados em duas classes: os que têm acesso privilegiado, podendo beneficiar os clientes, e os comuns, que não têm laços de sangue para favorecê-los", disse Barbosa na época.

Na última sessão do CNJ, o único conselheiro que discordou do presidente do STF e votou pela absolvição do juiz piauiense foi o desembargador federal Fernando Tourinho Neto. "Fui juiz no interior da Bahia, tomava uísque na casa de um, bebia cerveja na casa de outro e isso nunca me influenciou", afirmou ele, horas antes do vazamento acidental de e-mails que revelaram um pedido pessoal seu a outro membro do CNJ. Pelos e-mails vazados, Tourinho teria solicitado ao conselheiro Jorge Hélio - indicado pela advocacia - que apresentasse, com rapidez, parecer relativo a um pedido de sua filha, que é juíza federal e quer participar de um concurso de remoção. Ela pretende deixar a vara onde atua, no Pará, e transferir-se para Salvador. "Está chegando um requerimento de minha filha, e é urgente. Concedendo ou negando, despacha logo", pediu.

As associações de juízes reagiram às críticas do presidente do STF com evidente irritação. Elas afirmaram que, ao fazer críticas genéricas à magistratura, o ministro Joaquim Barbosa estaria ameaçando o Estado de Direito - o que é um exagero. Elas também fizeram críticas pessoais a Joaquim Barbosa. "Juiz não faz voto de isolamento social. Os juízes se formam em faculdades e ali fazem amizade para a vida toda", protestou o presidente da Associação dos Juízes Federais, Nino Toldo, depois de lembrar que a namorada de Barbosa é advogada em Brasília. "Como fica isso", indagou.

Relações promíscuas entre magistrados e advogados não são um problema novo no Judiciário. Já havia sido abordado, por exemplo, pela então corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon - hoje vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça e diretora da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados. No período em que integrou o CNJ, ela se destacou por condenar o tráfico de influência nos tribunais. Foi ela a primeira ocupante de um tribunal superior a denunciar o "filhotismo" na Justiça. Em várias entrevistas, Eliana Calmon afirmou que o problema não está na atuação de parentes de ministros nos processos judiciais, mas nas relações informais que ocorrem fora dos autos, quando se valem da amizade com um juiz, desembargador ou ministro para fazer lobby em favor de clientes.

É evidente que um familiar de um magistrado não pode ter o direito de advogar limitado pela simples suspeita de que será beneficiado. O problema levantado pela ministra Eliana Calmon, e agora retomado pelo ministro Joaquim Barbosa, é delicado e uma solução objetiva não é fácil de ser encontrada. O que o CNJ pode fazer, além de alertar a magistratura, é continuar aplicando sanções severas quando as denúncias de abusos forem confirmadas - como ocorreu no caso do juiz piauiense.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 22 / 03 / 2013

O Globo
"Nó na infraestrutura: Apagão logístico faz China cancelar compra de soja"

Gigante de comércio exterior desiste de importar quase 5% do total vendido pelo Brasil

Produto poderia se tornar o principal item da pauta de exportações brasileiras este ano, ultrapassando o minério de ferro, mas as filas nos portos e problemas em armazenagem e embarques deixam a meta mais distante. O complexo da soja — grão, óleo e farelo — poderia se tornar, este ano, o principal item da pauta de exportações brasileira, com US$ 32,5 bilhões, ultrapassando o minério de ferro. No entanto, um verdadeiro apagão de logística, com filas quilométricas de caminhões em direção aos portos de Santos e Paranaguá para escoar a mercadoria, dificuldades de embarque e aumento do preço de frete ameaçam a ampliação do comércio exterior brasileiro. Com todas essas dificuldades, a Sunrise, principal trading chinesa, cancelou a compra de dois milhões de toneladas de soja — quase 5% da exportação total brasileira do produto, que deve atingir quase 38 milhões de toneladas este ano, quando o país colherá uma safra recorde de grãos. O presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo, afirma que a fila de caminhões em direção aos portos ocorre porque faltam armazéns e silos.

O Estado de São Paulo
"Dilma segura reajuste de ônibus e plano de saúde"

‘Pacote de bondades’ inclui corte de imposto do óleo diesel e abatimento de PIS/Cofins das operadoras

Menos de 15 dias depois de zerar os impostos de parte dos produtos da cesta básica, o governo já prepara novo “pacote de bondades” para conter a inflação, desta vez com foco na redução de custos das empresas de transporte coletivo e nos planos de saúde. Uma das medidas deve ser a desoneração do PIS e da Cofins que incidem sobre o óleo diesel , o que atenuaria o reajuste nas passagens de ônibus, previsto para julho em São Paulo e no Rio. Também estão em estudo a revisão da elevação do Imposto de Importação sobre borracha sintética e a redução de tributos para pneus importados. O aumento das passagens deveria ter ocorrido em janeiro, mas o ministro da Fazenda, Guido Mantega, pediu aos prefeitos que postergassem a medida para o segundo semestre, quando a equipe econômica acredita que a inflação começará a cair. Para os planos de saúde, também está em estudo o corte do PIS e da Cofins das empresas.


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quinta-feira, março 21, 2013

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Opinião

Herança maldita da Petrobrás

O Estado de S.Paulo
O plano de negócios da Petrobrás para o período 2013-2017, apresentado na terça-feira aos investidores e ao público em geral, reitera a tentativa da diretoria presidida por Maria das Graças Foster de corrigir erros de planejamento, na maioria de inspiração política, cometidos na gestão anterior e que ainda afetam duramente os resultados da empresa. É sua herança maldita.

Algumas características do plano anunciado em 2012, marcado por forte contenção de despesas de custeio e dos investimentos, permanecem no novo. Nos próximos cinco anos, a companhia pretende investir US$ 236,7 bilhões, praticamente o mesmo valor previsto para o período 2012-2016. A austeridade continua sendo a palavra mais frequente no discurso da presidente e dos diretores da empresa. Os investimentos continuarão concentrados na área de exploração e de produção, em particular o pré-sal.

Mas outras medidas aprovadas pelo Conselho de Administração da Petrobrás para os próximos cinco anos constituem o reconhecimento implícito das perdas causadas por decisões impostas à empresa pelo governo Lula e procuram, na medida do possível, reduzir novas perdas no futuro. Isso é notável na revisão da programação da empresa para a área de refino.

O caso mais notório de mau investimento nessa área é o da refinaria de Pasadena, no Texas. Como foi revelado no ano passado pelo "Broadcast", serviço em tempo real da Agência Estado, essa refinaria foi comprada em 2006 por uma trading belga por US$ 42,5 milhões. No ano seguinte, a Petrobrás, presidida por José Sérgio Gabrielli, comprou-a por US$ 1,18 bilhão. Como esses números sugerem, a refinaria não tinha condições de gerar receita suficiente para assegurar a rentabilidade do negócio em prazo razoável.

Por isso, ela foi incluída na lista dos ativos no exterior que a Petrobrás venderia para obter recursos de que ela necessita para executar seu programa de investimentos. Mas o valor da refinaria no mercado era obviamente muito menor do que o esperado pela empresa brasileira.

Depois de o Tribunal de Contas da União ter iniciado investigação sobre essa compra, a Petrobrás retirou a refinaria da lista dos ativos à venda, lançou uma baixa contábil de R$ 464 milhões referente à refinaria de Pasadena em seu balanço do quarto trimestre e, como reconhece Graça Foster, será necessário investir dinheiro nela, para torná-la rentável. Se isso der certo, a Petrobrás reduzirá suas perdas com esse negócio nebuloso.

Outras refinarias, decididas de acordo com o interesse político do ex-presidente Lula, continuam a render problemas para a Petrobrás. A cada nova revisão de sua situação, a Refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, fica mais cara. No novo plano, seu custo foi estimado em US$ 17,35 bilhões, US$ 250 milhões mais do que no plano anterior. Fruto de um acordo de Lula com o ex-presidente venezuelano Hugo Chávez, cujo governo deveria responder por 40% do projeto, essa refinaria teve seu custo inicial estimado em US$ 2,5 bilhões. Ou seja, já está custando cerca de 600% mais do que o previsto, sem que a parte venezuelana tenha injetado um único centavo na obra.

As duas refinarias do Nordeste, a Premium 1, no Maranhão, e a Premium 2, no Ceará - também decididas no governo anterior, por interesse político de Lula -, estiveram nos planos de negócios anteriores da Petrobrás. Desta vez, porém, não há mais nenhuma garantia de que elas serão construídas. A empresa esclareceu que seu destino será decidido até julho deste ano.

O motivo do congelamento, ainda que temporário, desses projetos é muito simples: não há certeza de que essas refinarias são rentáveis. "O desafio agora é viabilizar essas refinarias para que elas sejam competitivas em nível internacional", justificou a presidente da estatal. Em outras palavras, é preciso demonstrar que elas são viáveis técnica e economicamente, o que, pelo visto, não era certo quando o governo Lula decidiu construí-las.

Com esses problemas, a capacidade de refino da Petrobrás crescerá mais devagar, obrigando-a a continuar importando derivados. A correção dos preços internos dos combustíveis deve reduzir as perdas da empresa e melhorar seus resultados.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 21 / 03 / 2013

O Globo
"Irresponsabilidade. De novo: Prédio para vítimas de tragédia ameaça cair" 

Terreno cedeu com chuvas e provocou rachaduras em dois de 11 edifícios. Cada prédio custou R$ 2 milhões.

Depois de mais de dois anos vivendo em situação precária no 3º Batalhão de Infantaria (BI), em São Gonçalo, as 89 famílias sobreviventes da tragédia do Morro do Bumba, em Niterói, que matou 47 pessoas, vão ter que esperar mais tempo por nova casa. Dois dos 11 prédios que estão sendo erguidos pela construtora Imperial Serviços Limitada no bairro do Fonseca para abrigar definitivamente as vítimas da catástrofe apresentaram rachaduras que comprometem suas estruturas. Segundo a construtora, o terreno onde os prédios estavam sendo construídos cedeu com as chuvas. Um deles terá que ser inteiramente demolido e reerguido. O outro passará por reforma estrutural. Cada um custou R$ 2 milhões da verba total de R$ 27 milhões liberados pela Caixa, que ainda analisa quem pagará pela reconstrução. Com isso, a promessa de entrega destes apartamentos, marcada para julho deste ano, foi adiada indefinidamente pela construtora. Em 2009, a Imperial foi investigada pela polícia por fraudes em licitação.


O Estado de São Paulo
"E-mails indicam conluio entre conselheiros do CNJ" 

Tourinho Neto, que discutiu com Joaquim Barbosa, teria pedido a outro colega pressa em processo de filha

A crítica do presidente do STF, Joaquim Barbosa, de “conluio” entre juizes e advogados, ocorre dias depois de troca de e-mails levantar suspeita de favorecimento à filha do conselheiro Tourinho Neto, com quem Barbosa discutiu anteontem, revela Felipe Recondo. A filha de Tourinho Neto, a juíza Lilian Tourinho, queria decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que lhe garantisse o direito de participar de um concurso de remoção, pedido que já havia sido rejeitado. Tourinho teria solicitado ao relator, o conselheiro Jorge Hélio, que “decidisse o caso logo”. Ele então atendeu ao pedido da juíza. Por e-mail, um assessor explica a Tourinho Neto que Jorge Hélio havia informado sua decisão, ainda não publicada oficialmente. Tourinho Neto então teria repassado “por acidente” o texto para a lista de juizes federais do País. Dois dias depois, o relator voltou atrás e derrubou a decisão. Ambos negam irregularidades.


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quarta-feira, março 20, 2013

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Opinião

A fisiologia da coalizão

O Estado de S.Paulo
A presidente Dilma Rousseff quis dar um lustre de alta política na eleitoreira troca de três ministros efetuada na última sexta-feira e impropriamente comparada a uma reforma ministerial em seus primeiros passos. Na manhã seguinte, ao dar posse aos novos titulares da Agricultura, Antonio Andrade; Trabalho, Manoel Dias; e Secretaria da Aviação Civil, Wellington Moreira Franco, tentou transformar em virtuoso instrumento de gestão do Estado o que não passa de uma contingência de que os partidos não têm como escapar nos países cujo sistema político-eleitoral praticamente impõe a formação de parcerias de governo. O modelo brasileiro, chamado "presidencialismo de coalizão", é um clássico do gênero.

Às vezes, mesmo em configurações construídas para dar à legenda vencedora nas urnas a maioria que lhe permita monopolizar o poder, vez por outra o arranjo não funciona. Desde 2010, por exemplo, o Reino Unido é governado por uma aliança entre os conservadores e os liberais-democratas, porque os primeiros, embora tendo suplantado os eternos rivais trabalhistas, não receberam votos suficientes para dominar sozinhos o Parlamento. Em defesa do argumento de que "a capacidade de estruturar coalizões é crucial para um país com essa diversidade", a presidente citou a Itália e os EUA como exemplos de "deterioração da governabilidade" em razão da falta de discernimento dos políticos em confronto.

No caso italiano, porém, como se viu há pouco, as coalizões, deterioradas pela venalidade dos seus membros e por negociatas de bastidores com as oposições de turno, é que foram repudiadas pelo eleitorado. Um em cada quatro eleitores transformou o Movimento Cinco Estrelas, do comediante Beppe Grillo, na legenda mais votada no país, impedindo a formação de um novo governo. Já no sistema bipartidário dos EUA, ao contrário do que Dilma parece pensar, não há lugar para governos de duas cores. O que havia, antes de os republicanos desfigurarem a política na sua guerra de extermínio contra os democratas, eram acordos pontuais entre "os dois lados do corredor" do Congresso, diante de matérias de primeira necessidade nacional.

A prioridade da presidente, como se sabe, é outra: preservar para a sucessão de 2014 a ampla aliança fisiológica que o seu patrono Luiz Inácio Lula da Silva costurou em seu favor, até mesmo ampliando a que o circundou - sabe-se a troco do que - nos seus oito anos de Planalto. A tal da "governabilidade" pode ser comparada à proverbial imagem da santa nas alcovas da noite. É invocada numa tosca tentativa de dar fumaças de decência às nuas ambições dos políticos e disfarçar a aquiescência mercenária da presidente em satisfazê-las. Nada além disso está por trás da remoção de um competente técnico apartidário da cada vez mais importante Secretaria de Aviação Civil, Wagner Bittencourt, para a entrega do seu lugar ao veterano político peemedebista Moreira Franco, até então encostado na Secretaria de Assuntos Estratégicos - cujos recursos, dizia ele, não dão para eleger nem um vereador.

Pior ainda, agora do ponto de vista moral, foi a devolução do Ministério do Trabalho ao núcleo dominante do PDT, liderado pelo mesmo Carlos Lupi que perdeu a pasta por denúncias de corrupção, na sétima faxina do primeiro ano da gestão da petista ex-pedetista. O ministro defenestrado, Brizola Neto, não caiu por ser ainda menos capaz ou íntegro que o antecessor, mas por ser seu desafeto. Restabelecida a boa vizinhança entre o Planalto e o partido, Dilma espera que Lupi pare de flertar com o PSB do governador pernambucano e candidato presidencial quase certo, Eduardo Campos. Na Agricultura, por fim, a saída do deputado Mendes Ribeiro, do PMDB gaúcho, era inevitável, dada a sua saúde precária.

Para a vaga foi outro correligionário mais bem posto no jogo da sucessão. Antonio Andrade dirige o partido em Minas Gerais, Estado do presidenciável tucano Aécio Neves, por sinal não de todo desprovido de simpatizantes no PMDB local. Com a nomeação de Andrade, a presidente chega à sintonia fina da fisiologia em nome da "governabilidade".

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 20 / 03 / 2013

O Globo
"Número de mortos em Petrópolis sobe para 27" 

De R$ 112,8 milhões orçados para reassentamento na cidade, só 1,9% foi gasto.

Entre as vítimas, doze são crianças. Sem teto chegam a 1.463 pessoas. O número de mortos na tragédia provocada pelo temporal em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, subiu para 27, desde a noite de domingo. Desse total, 12 são crianças. A chuva deixou outras 18 pessoas feridas e 1.463 desalojadas. Dados do Sistema de Acompanhamento Financeiro do Estado obtidos pelo GLOBO mostram que, no ano passado, de uma previsão orçamentária de R$ 112,8 milhões para o programa de reassentamento da população instalada em áreas de risco, só R$ 2,2 milhões foram gastos.


O Estado de São Paulo
"Petrobrás desiste de vender refinaria após investigação no TCU" 

Negócio provocaria prejuízo de US$ 1 bilhão, conforme revelou o ‘Broadcast’

A Petrobrás desistiu de vender a refinaria de Pasadena, nos EUA, alvo de investigação do Tribunal de Contas da União. A transação provocaria prejuízo de US$ 1 bilhão. O problema com o negócio foi revelado pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. No balanço do quarto trimestre, a companhia lançou baixa contábil de R$ 464 milhões referente a Pasadena, valor que já reconhece como perdido. A presidente da Petrobrás, Graça Foster, disse que será preciso investir na refinaria antes de vendê-la. Ela confirmou que estão à venda ativos na Argentina. A previsão é de que a Petrobrás vá desinvestir US$ 9,9 bilhões - o plano de negócios quinquenal previa US$ 14,8 bilhões. Até 2017, a empresa prevê produzir 750 mil barris/dia de óleo a mais, com US$ 75 milhões extras/dia. 

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terça-feira, março 19, 2013

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Opinião

O alvo do governo Kirchner

O Estado de S.Paulo
A redução de 73% registrada em 2012 no saldo do Brasil no comércio com a Argentina - num período em que superávits dos principais parceiros comerciais dos argentinos aumentaram até 52% - não deixa dúvidas de que a política protecionista cada vez mais agressiva do governo da presidente Cristina Kirchner tem um alvo específico. Medidas administrativas que retardam ou impedem a entrada de produtos importados na Argentina têm sido contestadas por diversos países exportadores, mas toleradas pelo governo brasileiro. Como a escarnecer da atitude brasileira e das reiteradas promessas de amizade indestrutível da presidente Dilma Rousseff, feitas a sua colega argentina, o protecionismo de Buenos Aires prejudica direta e duramente o Brasil e preserva os demais países.

Os números da balança comercial entre os dois países não deixam dúvidas de que a condescendência com que o governo Dilma reage às restrições comerciais da Argentina estimula a ação dos funcionários do governo Kirchner notoriamente contrários à entrada de produtos brasileiros em seu país. Ruins para o Brasil já em meados do ano passado, os resultados do comércio bilateral ficaram ainda piores no acumulado de 2012.

Em julho do ano passado, as importações argentinas de produtos brasileiros tinham sido 67% menores do que as registradas em julho de 2011 e o superávit comercial acumulado pelo Brasil nos sete primeiros meses do ano tinha diminuído 52% em relação ao período janeiro-julho do ano anterior.

Em todo o ano passado, as exportações brasileiras para a Argentina somaram US$ 18 bilhões, 21% menos do que os US$ 22,7 bilhões exportados em 2011. As importações brasileiras de produtos argentinos, de sua parte, de US$ 16,8 bilhões, mantiveram-se praticamente no mesmo nível de 2011, de US$ 16,4 bilhões. Com isso, o saldo caiu de US$ 5,9 bilhões para US$ 1,6 bilhão, uma redução de 73% (algumas consultorias privadas, como a Abeceb.com, calculam a queda em 65%).

Atribui-se a queda das importações de produtos brasileiros à redução do ritmo da economia argentina no ano passado, quando deve ter crescido menos de 2%. Essa é uma explicação parcialmente verdadeira. Mas, no momento em que as exportações brasileiras caíam, as dos outros principais países fornecedores da Argentina cresciam, e em ritmo intenso. As da Holanda aumentaram 160%; as dos Estados Unidos, 9%; as do Japão, 7%; e as da Alemanha, 2%, como noticiou o jornal Valor (18/3). O superávit, que no caso do Brasil teve fortíssima contração, aumentou 52% para a Alemanha, 29% para os Estados Unidos e 14% para a China.

Brasil e Argentina são os principais integrantes do Mercosul, o bloco do Cone Sul que, teoricamente, é uma união aduaneira, na qual é livre a circulação de bens e serviços. Desde meados da década passada, no entanto, a Argentina vem restringindo a entrada de produtos estrangeiros, mesmo os originários de outros países do Mercosul.

No ano passado, o governo Kirchner instituiu um sistema de controle administrativo de importações que vem retendo mercadorias nos postos alfandegários até a emissão de uma autorização especial para a entrada no mercado argentino. Essa autorização está condicionada à apresentação prévia de uma declaração juramentada, cuja aceitação depende do juízo de setores do governo responsáveis pelas medidas protecionistas.

O objetivo dessas medidas é estimular a produção argentina, mas as ações do governo Kirchner no campo econômico vêm assustando os empresários, nacionais e estrangeiros, o que inibe os investimentos produtivos.

As presidentes dos dois países deveriam discutir, entre outras, a questão da deterioração do comércio bilateral por causa do crescente protecionismo argentino, numa reunião que estava marcada para o início de março. O encontro teve de ser adiado em razão da morte do presidente venezuelano Hugo Chávez. O tema, porém, não pode mais ser adiado, como deixam claro os dados recentes sobre o comércio bilateral. Se o governo Dilma não mudar sua atitude em relação à Argentina, o governo Kirchner se sentirá ainda mais livre para prejudicar o Brasil.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 19 / 03 / 2013

O Globo
"Rio tem a maior vitória até agora nos royalties" 

Liminar da ministra Cármen Lúcia, do STF, suspende lei que prejudica produtores

Distribuição de recursos entre os estados fica como é hoje e governadores comemoram resultado. O despacho, que cita urgência na ação, estanca perdas bilionárias de Rio, Espírito Santo e São Paulo. A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal STF), concedeu liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) impetrada pelo governo do Rio. Com isso, suspendeu a nova regra de distribuição dos royalties do petróleo aprovada pelo Congresso. No despacho, a ministra cita "urgência" e "riscos objetivamente demonstrados" na decisão do Congresso. Até julgamento do mérito, a divisão dos royalties permanece como está. Os governadores Sérgio Cabral (RJ), Renato Casagrande (ES) e Geraldo Alckmin (SP) comemoraram.


O Estado de São Paulo
"Chuva mata 16 em Petrópolis e Dilma fala em ‘ação drástica’" 

Presidente culpou ‘pessoas que não querem sair’ das áreas de risco; temporal também castigou litoral de SP

Ao menos 16 pessoas morreram, incluindo dois técnicos da Defesa Civil, e 560 ficaram desalojadas após temporal em Petrópolis, na região serrana do Rio. Entre a noite de domingo e a manhã de ontem, choveu na cidade 358 milímetros, mais do que o previsto para todo o mês. Os Rios Quitandinha e Piabanha transbordaram, destruindo casas e provocando alagamentos. Encostas desabaram. Em janeiro de 2011, na pior tragédia de causa natural do País, 71 pessoas morreram no município. Em Roma para a entronização do papa Francisco, a presidente Dilma Rousseff defendeu “ações drásticas” para a retirada de pessoas das áreas de risco. “Acho que devem ser tomadas medidas mais drásticas, para que as pessoas não fiquem onde não podem ficar”, afirmou. A chuva castigou também o litoral paulista. A Rodovia Rio-Santos foi liberada depois de 26h fechada. Mil pessoas estão desalojadas em São Sebastião.


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segunda-feira, março 18, 2013

Pitacos do Zé


E por falar em civilidade... (XXXIV)

José Ronaldo dos Santos
Tenho várias fotografias de carros abandonados por nossos logradouros, no município de Ubatuba. Nestas, a carcaça de um caminhão antigo, há muito tempo está na mata ciliar do rio Ipiranguinha, no Jardim Ipiranga; o ônibus está no Jardim Carolina, num cruzamento com a estrada que vai para o Monte Valério. O cúmulo: houve uma obra de saneamento no local, mas o monstrengo, mesmo notoriamente atrapalhando, ficou “imexível”.

Questão: O que é as autoridades podem fazer para a remoção de tais entulhos? A prefeitura, Ciretran etc. não tem um setor capaz de resolver um problema dessa estupenda envergadura?

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James Rosenquist


Aeroclube de Ubatuba

COMUNICADO

No link http://www.ninja-brasil.blogspot.com.br/p/estatutosocial-aeroclubede-ubatuba.html encontra-se a redação do Estatuto Social do Aeroclube de Ubatuba para apreciação dos interessados. Pedimos que as sugestões de alteração e/ou complemento sejam encaminhadas para o endereço eletrônico ninja.aero@gmail.com até 23 de março de 2013.

Atenciosamente

Lemar Gonçalves

Núcleo Infantojuvenil de Aviação – NINJA

www.ninja-brasil.blogspot.com
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Opinião

Ameaças à livre opinião

O Estado de S.Paulo
A liberdade de imprensa "continua sendo minada por governos autoritários e intolerantes que aumentam e reinventam as formas de perseguição ao jornalismo", relata o documento final da Reunião de Meio de Ano da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP). Realizado em Puebla, no México, com representantes de empresas jornalísticas sediadas em 21 países americanos, entre os quais o Brasil, o encontro foi concluído com a denúncia de "uma violência que parece não ter limites", praticada contra jornalistas do continente. Representando o presidente mexicano na cerimônia de encerramento, o secretário de Educação mexicano, Emílio Chuayffet, comentou o fato com uma sentença reveladora das consequências nefastas desta constatação na vida institucional das nações: "Agredir um jornalista é agredir toda a sociedade".

O relatório semestral da SIP relaciona oito países americanos nos quais os profissionais dos meios de comunicação estão expostos a grandes riscos: Argentina, Equador, Venezuela, Bolívia, Cuba, Honduras, Nicarágua e Panamá. O documento destaca o uso, por presidentes autoritários, de uma arma contra quaisquer veículos de opinião que os contrariem: o boicote oficial que pressiona empresas privadas a retirarem anúncios dos meios independentes. Isso ocorreu no Peru no passado. E agora se repete na Argentina de Cristina Kirchner, onde grandes anunciantes suspendem campanhas publicitárias temendo represálias tributárias. Por isso, adverte o documento, "o jornalismo crítico corre o risco de não sobreviver".

A advertência da entidade foi divulgada na data em que se anunciou para depois das eleições presidenciais de 14 de abril na Venezuela a venda da emissora Globovisión, a única crítica implacável do governo de Hugo Chávez. O comprador será Juan Domingo Cordero, sócio da seguradora La Vitalícia e tido como próximo do presidente chavista da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello. Embora não haja ligação explícita entre ele e o chavismo, a futura venda do canal foi comemorada efusivamente por Andrés Izarra, ex-ministro de Comunicações e atual integrante da cúpula da campanha do candidato oficial à sucessão de Chávez, Nicolás Maduro. Izarra festejou: "a TV será roja-rojita" (vermelha-vermelhinha), a cor bolivariana.

A família Zuloaga, acionista majoritária da empresa controladora do canal, divulgou carta em que afirma que, se for mantido o atual comando, o veículo "é inviável jurídica e financeiramente". Os atuais donos se queixam de ameaças de fechamento e do assédio legal do governo da Venezuela, que lhes impõe dificuldades burocráticas e multas permanentes. Não tem sido permitido também ao grupo receber dólares preferenciais estatais para comprar equipamentos, como fazem os concorrentes. Na carta, Guillermo Zuloaga relatou que o grupo fez de tudo para ajudar a eleger um opositor nas eleições presidenciais do ano passado, mas a vitória de Chávez pôs a concessionária numa situação definida como "muito precária como canal e como empresa". Como a concessão do canal expira em dois anos, a família proprietária tomou a decisão de vendê-lo diante da perspectiva concreta de não haver a renovação. Zuloaga está foragido da Venezuela desde 2010, acusado de "usura genérica" por suposta especulação na venda de carros. Os 20% de ações pertencentes a Nelson Mezerhane estão congelados, em litígio, desde que o governo liquidou um banco de propriedade desse empresário.

Brasil e México não fazem parte da relação dos oito países com maior risco para a opinião livre em meios de comunicação. Mas os representantes brasileiros se queixaram da censura judicial, da impunidade e da lentidão da Justiça, além de terem mencionado a morte de dois jornalistas.

E o Zócalo, jornal do Estado de Coahuila, na fronteira mexicana com os Estados Unidos, informou, na ocasião da divulgação do documento da SIP, que deixará de publicar reportagens sobre cartéis de drogas locais, por faltar segurança para "o exercício pleno do jornalismo". Em editorial de primeira página, o Conselho Editorial do veículo atribuiu a decisão "à responsabilidade de zelar pela integridade e pela segurança" de seus funcionários.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 18 / 03 / 2013

O Globo
"Sem royalties, Rio bate no teto do endividamento" 

União cortará repasses se estado descumprir Lei de Responsabilidade Fiscal

Tributos federais e empréstimos ficarão comprometidos; STF analisará validade de contratos antigos. A perda estimada de R$ 4,1 bilhões na receita anual do Rio com a nova lei que redistribui os royalties fará com que o indicador de endividamento do estado retroceda a níveis de 2001 e fique no limite do permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal, revela a FGV. A punição em caso de estouro da meta é o corte dos auxílios da União, com impedimento de tomar empréstimos e retenção das transferências de impostos. Na quarta-feira, o STF deve decidir sobre medida cautelar enviada pelos estados produtores solicitando que nada mude até o julgamento das ações.


O Estado de São Paulo
"Brasil resiste a exigências dos EUA e fim de vistos atrasa" 

Governo não quer enviar dados de segurança; País deve decidir se entra em programa de pré-aprovação

Apesar da vontade política do presidente Barack Obama, a inclusão do Brasil no programa de isenção de vistos dos EUA esbarra na recusa do País em cumprir exigências do governo norte-americano, informa a repórter Alana Rizzo. De sete imposições, só há acordo quanto à reciprocidade e às revisões periódicas de procedimentos. O Brasil não tem posição formada a respeito da obrigatoriedade da troca de informações sobre perdas e furtos de passaporte e de dados sobre “passageiros que possam constituir ameaça criminal ou terrorista” e repatriações imediatas. Além disso, o programa de passaporte biométrico está em fase inicial. O governo deve decidir nos próximos dias se aceita ou não entrar no programa de pré-aprovação, o Global Entry.


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domingo, março 17, 2013

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Opinião

Embalsamamento tardio

O Estado de S.Paulo
A inexorável degenerescência orgânica e a crônica incompetência de áulicos de pouca prática podem prejudicar a candidatura do chavista Nicolás Maduro nas eleições presidenciais da Venezuela, em 14 de abril, de uma forma que nem o mais otimista oposicionista preveria. O candidato oficial, que substitui o extinto no governo desde a última viagem deste para Havana, reconheceu publicamente que um dos símbolos de sua campanha - o cadáver do comandante - pode sair de cena, porque o processo de seu embalsamamento não foi providenciado em tempo hábil.

A Constituição tinha sido o primeiro obstáculo à intenção do governo bolivariano da Venezuela de expor os despojos do ex-chefe no Panteão Nacional, construído por Chávez para abrigar os restos mortais de Simón Bolívar, o venerado patrício que sempre teve a memória exaltada a ponto de dar nome à moeda local. No regime chavista, o Libertador tornou-se padroeiro do esquisito socialismo pregado por Chávez. Talvez porque, antes de completar 60 anos, não contasse com a própria morte tão cedo, ele introduziu na Constituição que impôs ao país a proibição de homenagear alguém no monumento antes que se completassem 25 anos de sua morte. O pranteado desaparecimento do líder, contudo, forçou seu indicado à sucessão a propor ao Congresso que votasse uma alteração nesse dispositivo para permitir a honrosa exceção.

A autorização para expor o cadáver embalsamado de Chávez no monumento a Bolívar foi dada pelo submisso Parlamento local, com o aval rápido do Judiciário. Luísa Estella Morales, presidente do Supremo Tribunal de Justiça, cujos membros foram em sua grande maioria nomeados pelo ex-presidente e, enquanto viveu, lhe devotaram canina fidelidade, atestou que a emenda não altera o sentido da norma, mas apenas muda um termo "para facilitar sua aplicação". Segundo Morales, "a letra da Constituição é que se esperariam 25 anos para examinar os méritos da pessoa para que ela fosse admitida no Panteão Nacional, mas o presidente, em seus 58 anos, conseguiu demonstrar méritos suficientes".

A transposição do obstáculo constitucional, contudo, não evitou o descuido dos seguidores do supremo chefe bolivariano quanto ao atendimento das implacáveis leis da biologia. Maduro foi obrigado a informar a seus devotos eleitores sobre o risco real de o cadáver se decompor devido ao tardio início do processo de embalsamamento. Foram chamados cientistas russos e alemães para darem início aos preparativos, mas estes informaram às autoridades que o procedimento teria de ter começado antes. "Eles nos dizem que está muito difícil, porque o processo de embalsamamento deveria ter começado imediatamente após a morte, e que agora não se pode mais. Estamos no meio de um processo, um processo delicado. É meu dever avisar a vocês", informou Maduro.

Tudo indica, portanto, que os venezuelanos não poderão preservar o corpo de Chávez como pretendiam, imitando a política de culto à personalidade do líder, adotada antes por ditaduras comunistas. Enquanto a União Soviética existiu, filas de militantes e turistas se formaram no monumento construído por Stalin para a exposição do cadáver de Lenin, líder da revolução bolchevique de 1917, na Praça Vermelha, em Moscou. Ho Chi Minh, o herói da guerra que unificou o Vietnã sob um regime comunista, e o chinês Mao Tsé-tung também se tornaram objetos de curiosidade depois da morte.

O eventual malogro do embalsamamento de Chávez não altera a previsão dos especialistas sobre o favoritismo de Nicolás Maduro na disputa contra o oposicionista Henrique Capriles. No entanto, a inesperada revelação põe em xeque a versão oficial de que o comandante teria morrido em 5 de março. Ou ele teria morrido em Havana, antes de ser transportado para a Academia Militar, em cujo hospital teria passado os últimos dias, ou seus herdeiros no poder se mostraram incapazes de tomar as providências necessárias para evitar a decomposição do cadáver. O que se pode esperar deles, então, na gestão da grave crise econômica?

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Manchetes do dia

Domingo, 17 / 03 / 2013

O Globo
"Novo Papa muda jogo do poder na América do Sul" 

Ao priorizar pobres, Francisco avança sobre reduto de populistas e evangélicos

Como arcebispo de Buenos Aires, Pontífice foi crítico de políticas clientelistas dos governos Kirchner. Analistas avaliam que o Papa sul-americano terá considerável impacto político na região ao se voltar à população mais pobre, que vem migrando para igrejas neopentecostais, revelam Mariana Timóteo da Costa e Janaina Lagè. Na Argentina, Francisco sempre criticou os Kirchner e seu fracasso no combate à miséria. Não à toa, sua ascensão inquieta também líderes populistas que se fiam em políticas assistencialistas, informa José Casado. "Essa Igreja que cumpre o papel dos jesuítas pode fortalecer a consciência crítica da população" diz Marlos Lima, do Centro Latino-Americano de Políticas Públicas da FGV. 


O Estado de São Paulo
"Papa diz que natureza da Igreja é espiritual, não política" 

A jornalistas, Francisco pregou a ‘Igreja pobre para os pobres’ e revelou que d. Cláudio inspirou escolha do nome.

O papa Francisco afirmou ontem, em pronunciamento a jornalistas, que a Igreja “não tem natureza política, e sim essencialmente espiritual” e pregou “Igreja pobre e pura os pobres”, informam os enviados especiais Andrei Netto e José Maria Mayrink. O papa disse que a inspiração para o nome Francisco partiu do arcebispo emérito de SP, d. Cláudio Hummes. “Ele me abraçou e disse; ‘Não se esqueça dos pobres’. Pensei em Francisco de Assis". Ontem o Vaticano informou que a cúpula da Cúria será mantida por enquanto.


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