sábado, março 16, 2013

Alasca

Cães de trenó

Colunistas

Para não dizer que não falei de Chávez

Com a morte do presidente venezuelano e o afastamento de Lula da Presidência no Brasil, o futuro da América Latina tornou-se incerto e extremamente sombrio, diz Márcia Denser

Márcia Denser
Da importância fundamental – estratégica e geopolítica – representada por Hugo Chávez na América Latina, respaldada pela massa da população de seu país e pelo petróleo venezuelano (o terceiro produtor mundial), infelizmente cortada com sua morte. Por mais que se especule, Chávez não deixa sucessores, apenas um vazio imenso e um futuro mais que nebuloso e sombrio, seja para a Venezuela seja para o continente.

Muito se escreveu a respeito quando de sua morte em 6 de março último, mas uma matéria de Greg Grandin, professor de História na New York University, publicada em The Nation nos dá algumas informações importantes e preciosas sobre o homem, o estadista. Um homem que, por si mesmo, constituiu um acontecimento geopolítico.

Amando-o ou odiando-o, impossível ignorá-lo.

Para Grandin, Chávez foi um homem-forte. Enchia as ruas, caçava a imprensa-empresa, legislou por decreto, dando pouca atenção ao sistema institucional de checks or balances. Mas o maior problema da Venezuela durante seus governos não foi que Chávez tenha sido demasiado autoritário, mas sim, pouco. O problema não era controle demais, mas controle de menos.

O chavismo chegou ao poder pelas urnas, depois do colapso quase total do establishment existente na Venezuela. Usufruiu de hegemonia retórica e eleitoral, mas não administrativa. Assim, teve de fazer concessões significativas aos blocos de poder existentes entre os militares, burocracia civil e educacional e, até, à elite política derrotada nas urnas – os quais, aliás, não manifestaram qualquer disposição para abrir mão de seus privilégios e prazeres ilícitos.

Passaram-se quase cinco anos, antes que o governo de Chávez conseguisse controle sobre a renda do petróleo, e só o conseguiu depois de longa luta, que por pouco não arruinou o país. Quando conseguiu acesso ao dinheiro, optou por não atacar aqueles bolsões de corrupção e poder; simplesmente, criou instituições paralelas, entre as quais as missiones – missões sociais de assistência à saúde, educação e outros serviços referentes ao bem-estar social. O que foi simultaneamente acerto e erro, segundo Grandin, bênção e maldição, origem da força e da fraqueza do chavismo.

Antes de Chávez, a disputa pelo poder de governo e recursos travava-se dentro dos limites estreitos de dois partidos políticos da elite. Depois da eleição de Chávez, o jockeying político acontecia dentro do chavismo. Em vez de constituir uma ditadura de um partido só, com uma burocracia de estado intervencionista controlando a vida das pessoas, o chavismo manteve-se bastante aberto e caótico.

Mas era significativamente mais inclusivo que o velho duopólio – com pelo menos cinco correntes: 1) uma nova classe bolivariana; 2) os velhos partidos esquerdistas; 3) as elites econômicas; 4) os interesses militares; 5) e os movimentos sociais.O dinheiro do petróleo deu a Chávez o luxo de poder atuar como ‘corretor’ entre essas tendências em disputa, permitindo que cada uma delas perseguisse os próprios interesses (às vezes, sem dúvida, seus próprios interesses ilícitos), evitando confrontos.

Citando textualmente o autor: “O ponto alto da agenda internacional de Chávez foi o relacionamento com Luiz Inácio Lula da Silva do Brasil, presidente latino-americano que a política exterior e os formadores de opinião nos EUA tentaram apresentar como ‘o contrário de Chávez’: onde Chávez era agressivo, Lula era moderado; onde Chávez era desafiador, Lula era pragmático. Nem o próprio Lula jamais engoliu tal nonsense, e saiu firmemente em defesa de Chávez, apoiando sua eleição.”

“Por bons oito anos, ambos trabalharam numa espécie de rotina de O Gordo e o Magro: Chávez fazia o destrambelhado; Lula, o homem sério. Mas um dependia do outro e ambos estavam extremamente conscientes dessa dependência. Chávez várias vezes destacou a importância da eleição de Lula no final de 2002, poucos meses depois da fracassada tentativa de golpe para depô-lo, eleição que lhe deu seu primeiro real aliado, de peso, numa região ainda dominada pelos neoliberais. Na via inversa, um Chávez desafiador tornou o reformismo de Lula mais confiável. Documentos revelados por Wikileaks mostram a extrema habilidade dos diplomatas de Lula, que gentil mas muito firmemente, rejeitaram todas as pressões do governo Bush para isolar a Venezuela.”

Esse jogo na corda bamba entre ambos apareceu claramente na Cúpula das Américas, reunida em 2005 na Argentina, onde os EUA contavam consumar definitivamente um projeto de desequilíbrio econômico, com vantagem para os EUA, consubstanciado num acordo hemisférico de Livre Comércio. Na sala de reuniões, Lula falava a Bush da hipocrisia de dar subsídios e tarifas protecionistas à agricultura privada; na rua, ao mesmo tempo, Chávez comandava uma manifestação de 40 mil pessoas, prometendo “enterrar” o acordo de livre comércio.

O tratado foi derrotado e, nos anos seguintes, Venezuela e Brasil, com outras nações latino-americanas, promoveram notável transformação nas relações hemisféricas, aproximando-se, mais do que nunca, do “equilíbrio universal” de Bolívar. Mas, com o afastamento de ambos da cena geopolítica, o futuro da América Latina tornou-se incerto, quando não, extremamente sombrio.

Para muitos, serão tempos de retrocesso.

Publica oriinalmente no "congressoemfoco"

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Opinião

A jogada de Kassab

O Estado de S.Paulo
A presidente Dilma Rousseff não esperava por essa. Enquanto outros presidentes de legendas aliadas do governo a procuram sofregamente na esperança de ganhar espaço numa reforma ministerial, o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, presidente nacional do Partido Social Democrático (PSD), recusou as pastas que ela ofereceu. Ele avisou que sua bancada não vai aderir oficialmente à base governista antes da eleição presidencial de 2014. Dilma lhe teria acenado, conforme interlocutores que tomaram conhecimento da recente conversa entre os dois no Palácio da Alvorada, com a Secretaria de Assuntos Estratégicos, ocupada pelo ex-governador fluminense Moreira Franco, do PMDB, e a Secretaria de Micro e Pequena Empresa, que seria criada e destinada ao vice-governador paulista, Guilherme Afif Domingos.

Mas Kassab, que não aceita os rótulos de esquerda ou de direita e se mantém firme, pelo menos até o ano que vem, na decisão de ficar fora do governo, mas sem fazer parte da oposição, deixou uma porta aberta para o pretendente à pasta a ser criada: esclareceu que, se algum correligionário vier a ocupar algum Ministério, esta será uma decisão pessoal da presidente que convida e do pessedista que porventura aceite o convite, sem nenhum comprometimento do partido.

"Deixei claro que a gente não quer participar do governo, é uma decisão do partido. Participar do governo significaria ser da base, mas muita gente no partido não votou na Dilma. Eu, por exemplo, não votei nela. Mas não há problema de proximidade. Imagina se não está próximo um partido que, espontaneamente, por entender que ela é uma boa presidente, caminha para apoiar sua reeleição. O partido não vai participar do governo, mas ela está livre para convidar quem quiser", explicou o ex-prefeito, em entrevista ao Estado. Kassab negou que tenha discutido cargos no encontro com a presidente. Mas assessores palacianos informaram que o presidente nacional do PSD cogitou a possibilidade de Dilma chamar algum pessedista para entrar no Ministério "em caráter pessoal".

A recusa a ocupar gabinetes disputados na Esplanada dos Ministérios pode ser explicada pela diferença entre as dimensões das bancadas pessedistas no Senado e na Câmara e a oferta feita pela chefe do governo. Com 52 deputados e 2 senadores, o partido de Kassab só é menor no Legislativo do que as duas maiores legendas da base aliada, o PT e o PMDB. É patente a diferença entre essa força parlamentar, capaz de decidir questões importantes de interesse do governo no Congresso, e a perspectiva de ocupar duas secretarias de orçamento ínfimo e diminuta relevância política.

Kassab deixou claro em seu encontro com Dilma que não está ansioso para ocupar agora cargos irrelevantes no governo. Mas prefere negociar a ocupação num eventual segundo mandato, em caso de reeleição da presidente. Isso ficou explícito em outro trecho da entrevista dele: "Quem faz campanha junto governa junto. Não se trata de cargo. Eleição é isso: para você ocupar espaços precisa de uma delegação do povo para governar".

A espera até a disputa eleitoral de 2014 certamente dará tempo ao ex-prefeito para avaliar melhor as possibilidades de vitória nas urnas da aliança comandada pelo PT no pleito federal e, concomitantemente, as perspectivas de manutenção do governador tucano Geraldo Alckmin em seu cargo no maior Estado da Federação. A 19 meses das eleições federal e estaduais, o ex-prefeito não parece disposto a assumir agora um compromisso de aliança política que possa tornar inviável uma perspectiva concreta de vir a se candidatar pelo PSD ao governo paulista. A conjuntura política atual, que levou Dilma a lhe oferecer migalhas em troca de um apoio parlamentar que poderá ser decisivo, o libera para barganhar no ano que vem o apoio de seu partido, que é forte em várias unidades federativas, especialmente na que tem mais eleitores, São Paulo, por uma aliança com os petistas com seu nome encabeçando a chapa estadual. Afinal, os tucanos já não têm mais a força de antes, como demonstrou a derrota de Serra na capital, e não há entre os governistas um nome de consenso.

Original aqui

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Manchetes do dia

Sábado, 16 / 03 / 2013

O Globo
"Dilma devolve ministério a grupo afastado em ‘faxina’" 

Braço-direito de Lupi assume Trabalho; Aviação Civil é de Moreira Franco

Presidente escolhe para Agricultura peemedebista que garantiu palanque para o PT em Minas em 2012. Preocupada em garantir palanques para sua campanha à reeleição, a presidente Dilma Rousseff fez ontem uma minirreforma ministerial e reabilitou o grupo do pedetista Carlos Lupi, sétimo ministro a cair em 2011, na chamada "faxina ética". Próximo a Lupi, Manoel Dias foi escolhido ministro do Trabalho, no lugar de Brizola Neto. Dilma deve indicar para os Transportes alguém que agrade ao PR, outro alvo da faxina de 2011. A pasta da Agricultura será comandada pelo deputado Antônio Andrade (PMDB), que em 2012 garantiu o apoio de seu partido ao PT em Minas. Ele substitui o colega Mendes Ribeiro. Moreira Franco, também do PMDB, será o novo secretário de Aviação Civil. As posses ocorrerão hoje.


O Estado de São Paulo
"Vaticano nega ligação do papa com ditadura argentina" 

Porta-voz diz que denúncias contra Francisco foram promovidas por grupos anticlericais de esquerda

O porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, saiu ontem em defesa de Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco, acusado de colaborar com a ditadura militar na Argentina nos anos 1970 e 1980, informam os enviados especiais Andrei Netto, José Maria Mayrink e Jamil Chade. Em clara ofensiva para livrar o nome do religioso das denúncias, Lombardi classificou-as de “caluniosas e difamatórias”, promovidas por grupos “anticlericais de esquerda”. Uma das acusações que pesam sobre Bergoglio diz respeito a suposta omissão em caso envolvendo o seqüestro de dois jesuítas, em 1976. Um deles, padre Franz Jalics, não confirma as denúncias contra o novo papa. Alheio às polêmicas, Francisco pediu, em audiência, que os cardeais procurem novas formas de evangelização, em especial dos jovens. O primeiro cardeal indicado pelo papa, logo após o fim do conclave, é o ex-núncio apostólico no Brasil d. Lorenzo Baldisseri, conforme revelou ontem o portal estadão.


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sexta-feira, março 15, 2013

Stina Persson


Coluna do Celsinho

Fatura

Celso de Almeida Jr.

Nestes últimos dias, assumi uma missão dificílima.

Cobrar um serviço prestado, cujo cliente, não se manifesta.

Em verdade, não tenho perfil para tal empreitada.

Em nossa escola mesmo, há muito tempo, transferi esta responsabilidade para uma empresa especializada.

Fico constrangido em cumprir este papel.

Coloco-me na posição do devedor.

Imagino os apuros que deva estar passando.

Já estive do outro lado.

Sei que seu silêncio, de certa forma, é um grito de agonia.

Nestas horas é que vejo o quanto é espinhosa a profissão de cobrador.

Tem que ser chato.

Quanto a isso, não tenho dificuldade...

Tem que marcar presença.

Aí eu já começo a falhar.

Não tenho paciência para ficar na espreita, no portão da casa do infeliz.

Ou, mais desagradável ainda, ficar rondando o seu trabalho.

Assim, vou pagando os meus pecados.

Mando e-mails, telefono, lembro da pendência.

No caso em questão, não creio tratar-se de falta de dinheiro.

Certamente, Freud explicaria.

Não quero, entretanto, entrar nesta seara.

Teria que gerar mais uma fatura pela análise do perfil psicológico.

Assim, continuarei insisitindo, a minha maneira.

Quem sabe, inspirado nesta ocasião, em que o mundo ganhou um novo Papa, eu ouça brevemente:

Habemus pecunia!

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

As Malvinas falam

O Estado de S.Paulo
Referendo realizado nos dias 10 e 11 de março nas Malvinas retrata de modo inapelável de que lado estão os moradores das ilhas na querela entre Argentina e Grã-Bretanha. Dos 1.518 eleitores, 1.481 foram às urnas para dizer se queriam permanecer sob domínio britânico. Nada menos que 99,8% responderam "sim", uma maioria tão grande que nem a presidente Cristina Kirchner, com sua pitoresca noção de democracia, seria capaz de contestar.

Assim, seguindo a tradição de respeitar a autodeterminação dos povos, inscrita no direito internacional após a 2.ª Guerra Mundial, a Argentina talvez devesse desistir de sua obsessão pelas ilhotas. Mas não é isso o que irá acontecer, porque as "Malvinas argentinas" têm sido, desde a última ditadura militar, o fogo que aquece o nacionalismo cuja utilidade é desviar a atenção dos reais problemas do país. E na Argentina de Cristina problemas não faltam.

Os argentinos sustentam desde 1833 que as Malvinas lhes pertencem. Mas os britânicos, que puseram os pés nas ilhas pela primeira vez em 1690 e as chamam de Falklands, não só discordam, como mostraram firme disposição para defender sua soberania sobre o arquipélago. Em 1982, quando os generais argentinos empreenderam sua última loucura, a "aventura militar" para tomar as Malvinas dos britânicos, a então primeira-ministra Margareth Thatcher despachou suas tropas e recuperou as ilhas. Uma das baixas do conflito foi o regime militar argentino, que expirou.

A controvérsia voltou a ficar acirrada em 2009, depois que os britânicos começaram a procurar petróleo na região. Buenos Aires acusou Londres de "militarizar" as Malvinas, que ficam a 500 km da costa argentina, e fechou o trânsito entre a Argentina e as ilhas.

O argumento da Argentina, desde sempre, é que a questão da soberania das Malvinas é sobre o território, e não sobre a população - como se fosse possível dissociar uma coisa da outra. Sucessivos governos argentinos, sempre com apoio da oposição, sustentam que a população das Malvinas foi "implantada" pelos britânicos em 1833 e que os atuais moradores não são propriamente um "povo", mas uma representação do poder colonial - portanto, sem direito à autodeterminação. Mas os kelpers "implantados" já deitaram raízes há muito tempo, e seria um grande exercício de abstração imaginar que os 2.563 moradores atuais aceitariam fazer as malas e deixar o território que há quase dois séculos faz parte de sua história ou, então, submeter-se ao governo argentino. Ademais, é bom lembrar que a renda per capita anual dos kelpers é de US$ 32 mil, três vezes maior que a dos argentinos, o que explica o entusiasmo com que os eleitores escolheram a soberania britânica.

A Argentina se recusa a negociar com os moradores e exige que o diálogo se dê somente com Londres. De fato, como os kelpers agora formalizaram sua lealdade à Coroa britânica, não há mais necessidade de incluí-los nas conversas. O problema é que o primeiro-ministro David Cameron reafirmou que a questão está encerrada. Para ele, o resultado do referendo foi "o mais eloquente possível" e a Argentina deve respeitar a vontade dos kelpers. Além disso, as resoluções da ONU sobre o tema, embora considerem que se trata de um caso de descolonização, como qualificam os argentinos, demandam que os interesses da população das Malvinas sejam levados em conta nas negociações. E eles se fizeram ouvir.

O governo argentino considera a realização do referendo um ato de má-fé, uma encenação para justificar o desafio britânico à comunidade internacional. Mas quem desrespeitou as resoluções sobre as Malvinas de modo brutal foi a Argentina, que deixou a diplomacia de lado, invadiu o arquipélago e provocou uma guerra, motivo mais que suficiente para que os britânicos endurecessem sua posição.

Cristina garante que o conflito com a Grã-Bretanha será resolvido no campo diplomático. É bom que assim seja. Mas desqualificar a opinião dos moradores das Malvinas não é certamente um sinal de disposição legítima para o diálogo.

Original aqui

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 15 / 03 / 2013

O Globo
"Cesta básica sobe, ao contrário do prometido" 

Preços de alimentos e artigos de higiene pessoal aumentaram 0,55% na semana

Levantamento do Procon-SP e Dieese aponta que custo para o trabalhador ficou maior, apesar da redução de impostos. Apesar da desoneração de impostos anunciada pela presidente Dilma no último dia 8, o custo da cesta básica subiu 0,55% na última semana. O valor médio de uma cesta com 31 produtos passou de R$ 384,58 para R$ 386,71, segundo pesquisa do Procon-SP e Dieese. Ainda segundo a pesquisa na Região Metropolitana de São Paulo, 16 produtos tiveram alta, contra 14 em queda. Entre produtos que tiveram corte de impostos, mas subiram de preço, estão a batata, a farinha de mandioca, o açúcar e biscoito maisena. O governo pretendia redução de até 12% nos produtos da cesta, mas empresários do setor já alertavam que baixa deveria ser de apenas 6%.


O Estado de São Paulo
"Na 1ª homilia, papa pede conduta ‘irrepreensível’" 

De improviso, Francisco disse que Igreja precisa ater-se à sua missão e não virar uma ‘ONG piedosa’

Em sua primeira homilia como papa, Francisco pediu ontem que a Igreja não se afaste de sua missão, que é proclamar a mensagem de Cristo, e pediu que seus representantes vivam “de forma irrepreensível”. O papa falou de improviso, durante 5 minutos, para cardeais e funcionários do Vaticano, informam os enviados especiais José Maria Mayrink, Jamil Chade e Andrei Netto. Citando o escritor francês Leon Bloy, que escreveu que “quem não reza para Deus reza para o diabo”, ele advertiu que, “quando não se confessa Jesus Cristo, se confessa o mundanismo do diabo”. Francisco deu sinais de que imprimirá estilo despojado na Santa Sé. Em jantar oferecido aos cardeais, ironizou a própria escolha: “Que Deus os perdoe”. Ele dispensou limusine usada pelos pontífices, andou de ônibus e pagou sua hospedagem. O papa mexerá na direção dos órgãos da Cúria, provavelmente antes de terça-feira. A primeira nomeação deve ser o secretário de Estado, cargo de Tarcísio Bertone, que também preside o Banco do Vaticano.


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quinta-feira, março 14, 2013

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Opinião

O balaio da enganação

O Estado de S.Paulo
A comida chegará mais barata ao consumidor, porque a desoneração da cesta básica será repassada ao preço final, prometeram ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, empresários do varejo e da indústria de alimentos. Chamados a Brasília para uma conversa no Ministério, dificilmente poderiam ter dado outra resposta. O desconto será integral, anunciaram as três maiores redes de supermercados, com apenas uma ressalva: a revisão completa dos preços poderá levar alguns dias. Não há por que duvidar dessas promessas, dirão os mais otimistas. Afinal, as empresas só descontarão o valor dos tributos eliminados por decisão do governo e nada perderão. Na prática, a história poderá ser diferente, e ninguém, nem mesmo o governo, será capaz de dizer, dentro de algumas semanas, se os benefícios serão transferidos total ou parcialmente ao comprador final. Os próprios clientes poderão tentar algum controle, durante algum tempo, mas a mobilização logo terminará - exceto se a presidente Dilma Rousseff, empenhada na campanha eleitoral, quiser transformar a iniciativa numa espécie de controle de preços.

Se as maiores redes levarem a sério a iniciativa e quiserem explorá-la como oportunidade de marketing, outras empresas do varejo poderão ser estimuladas a entrar no jogo. Em países com tributação mais civilizada e socialmente mais justa, os impostos cobrados sobre alimentos são muito menores, ou nulos, e isso é apenas um fato da vida rotineira, como o transporte público eficiente e barato.

Isso leva a outro ponto de grande importância. Países onde se paga pouco ou nenhum imposto sobre alimentos também são sujeitos à inflação. Em certas condições - com demanda muito alta, com bolhas de ativos, com choques de oferta - os preços tenderão a subir. Nessas ocasiões, a autoridade monetária poderá elevar os juros ou adotar outras formas de controle do crédito, para esfriar os mercados e conter a alta de preços. O Executivo também poderá ajudar, cortando seus gastos. Ocasionalmente, estímulos à importação poderão contribuir para a acomodação dos mercados. Mas convém, de toda forma, evitar medidas paliativas, porque servem para administrar os índices de preços, a curtíssimo prazo, sem atingir de fato as causas da inflação.

No Brasil, o governo tem abusado desse tipo de medidas. O País funcionaria muito melhor com impostos menores e mais funcionais, mas cortar tributos para conter a inflação serve apenas para disfarçar o problema por algum tempo. É preciso fazer uma distinção. Redução de impostos pode baixar alguns preços e reprimir os indicadores de inflação. Mas esse corte ocorre apenas uma vez. Passado o efeito inicial, o conjunto dos preços voltará a subir, se as condições propícias à inflação forem mantidas. Essas condições incluem, por exemplo, a expansão do crédito, a evolução da massa de rendimentos e a disposição de gasto dos consumidores. Por enquanto, esses fatores são todos favoráveis à elevação dos preços.

No entanto, o governo anunciou a redução dos tributos sobre a comida e outros itens da cesta básica de consumo como parte da política anti-inflacionária. A queda de preços desses produtos, disse o ministro da Fazenda, "vai ajudar o governo na luta contra a inflação". Não há, no entanto, nenhuma "luta contra a inflação". O Banco Central nada fez, até agora, para conter a expansão do crédito. Seus dirigentes apenas indicaram a disposição de aumentar os juros, se o julgarem necessário, mas, por enquanto, ficaram nisso.

O governo decidiu usar a desoneração da cesta básica para um propósito errado. A medida é, em princípio, boa - e já era, quando foi defendida pela oposição e vetada pela presidente Dilma Rousseff. Foi ressuscitada como bandeira eleitoral, programada para anúncio no Dia do Trabalho. O lançamento foi antecipado, no entanto, porque a inflação acumulada em 12 meses poderia ultrapassar em março o limite da margem de tolerância, de 6,5%. O governo ganha tempo, na esperança de evitar a alta de juros. Enquanto isso, consultores especulam sobre o efeito desse truque na inflação deste ano. Pura perda de tempo. Na falta de medidas mais sérias, os índices voltarão a subir mais adiante.

Original aqui

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 14 / 03 / 2013

O Globo
"O Papa das Américas" 

O primeiro Francisco; O primeiro Jesuíta; O primeiro não europeu desde o ano 741; O primeiro latino-americano:

Fora da lista de favoritos, argentino Jorge Mario Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires envolvido em polêmicas sobre Direitos Humanos, é escolhido Pontífice logo no segundo dia do conclave. O argentino Jorge Mario Bergoglio, de 76 anos, eleito ontem o 266º Papa da Igreja Católica num conclave de apenas cinco votações, traz consigo uma série de aspectos inéditos na liderança de 1,2 bilhão de católicos: trata-se do primeiro Papa jesuíta, o primeiro latino-americano da História e o primeiro não europeu em 1.200 anos. E também será o primeiro Papa com o nome de Francisco, uma homenagem a Francisco de Assis. A eleição de Bergoglio, que terminou em segundo lugar no conclave que elegeu Bento XVI, em 2005, surpreendeu os vaticanistas, pois não constava em listas de papáveis, devido à idade avançada. Sua escolha reforça para a Igreja a importância da América Latina, que abriga 42% dos católicos no planeta, e a percepção de que o futuro do catolicismo está no Hemisfério Sul. "Parece que meus amigos cardeais foram quase até o fim do mundo para buscar um Papa, mas aqui estamos" saudou, em italiano, a multidão de fiéis que o aguardava na Praça de São Pedro. O Papa Francisco é tido como conservador,bem-humorado e brincalhão. Fez oposição veemente à legalização do casamento gay na Argentina. E é crítico do governo Kirchner. Mas pesam sobre ele denúncias de omissão no desaparecimento de dois jesuítas durante a ditadura argentina.


O Estado de São Paulo
"Francisco, o papa argentino" 

Primeiro pontífice do continente americano, Jorge Mario Bergoglio, 76 anos, é também o 1º jesuíta a ocupar trono de Pedro • Escolha surpreendeu fiéis e analistas • Seu nome rompeu impasse entre grupos pró e contra a Cúria

Habemus papam

Jorge Mario Bergoglio, de 76 anos, foi eleito ontem o 266º papa na quinta votação, no segundo dia de conclave. Arcebispo de Buenos Aires, o primeiro pontífice do continente americano é também o primeiro jesuíta e o primeiro Francisco, nome que adotou, a ocupar o trono de Pedro, informam os enviados especiais Jamil Chade, José Maria Mayrink e Andrei Netto. A fumaça branca saiu da chaminé da Capela Sistina, sinalizando a decisão dos 115 cardeais, às 19h10 (15h10 em Brasília). Uma hora depois, o argentino apareceu no balcão da Basílica de São Pedro, para uma Praça São Pedro lotada. Em seu pronunciamento, pediu aos católicos, que somam 1,2 bilhão, que empreendam “um caminho de fraternidade e de amor”. Uma surpresa para o mundo, seu nome rompeu o impasse entre os dois grupos, pró e contra Cúria, que haviam se formado nos últimos dias, derrotando o italiano Angelo Scola e o brasileiro Odilo Scherer. Para analistas, os cardeais escolheram o “papa possível”, que deverá conduzir a Igreja para uma transição que se acreditava finalizada com a renúncia de Bento XVI.
 
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quarta-feira, março 13, 2013

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Opinião

O balaio da enganação 

O Estado de S.Paulo
A comida chegará mais barata ao consumidor, porque a desoneração da cesta básica será repassada ao preço final, prometeram ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, empresários do varejo e da indústria de alimentos. Chamados a Brasília para uma conversa no Ministério, dificilmente poderiam ter dado outra resposta. O desconto será integral, anunciaram as três maiores redes de supermercados, com apenas uma ressalva: a revisão completa dos preços poderá levar alguns dias. Não há por que duvidar dessas promessas, dirão os mais otimistas. Afinal, as empresas só descontarão o valor dos tributos eliminados por decisão do governo e nada perderão. Na prática, a história poderá ser diferente, e ninguém, nem mesmo o governo, será capaz de dizer, dentro de algumas semanas, se os benefícios serão transferidos total ou parcialmente ao comprador final. Os próprios clientes poderão tentar algum controle, durante algum tempo, mas a mobilização logo terminará - exceto se a presidente Dilma Rousseff, empenhada na campanha eleitoral, quiser transformar a iniciativa numa espécie de controle de preços.

Se as maiores redes levarem a sério a iniciativa e quiserem explorá-la como oportunidade de marketing, outras empresas do varejo poderão ser estimuladas a entrar no jogo. Em países com tributação mais civilizada e socialmente mais justa, os impostos cobrados sobre alimentos são muito menores, ou nulos, e isso é apenas um fato da vida rotineira, como o transporte público eficiente e barato.

Isso leva a outro ponto de grande importância. Países onde se paga pouco ou nenhum imposto sobre alimentos também são sujeitos à inflação. Em certas condições - com demanda muito alta, com bolhas de ativos, com choques de oferta - os preços tenderão a subir. Nessas ocasiões, a autoridade monetária poderá elevar os juros ou adotar outras formas de controle do crédito, para esfriar os mercados e conter a alta de preços. O Executivo também poderá ajudar, cortando seus gastos. Ocasionalmente, estímulos à importação poderão contribuir para a acomodação dos mercados. Mas convém, de toda forma, evitar medidas paliativas, porque servem para administrar os índices de preços, a curtíssimo prazo, sem atingir de fato as causas da inflação.

No Brasil, o governo tem abusado desse tipo de medidas. O País funcionaria muito melhor com impostos menores e mais funcionais, mas cortar tributos para conter a inflação serve apenas para disfarçar o problema por algum tempo. É preciso fazer uma distinção. Redução de impostos pode baixar alguns preços e reprimir os indicadores de inflação. Mas esse corte ocorre apenas uma vez. Passado o efeito inicial, o conjunto dos preços voltará a subir, se as condições propícias à inflação forem mantidas. Essas condições incluem, por exemplo, a expansão do crédito, a evolução da massa de rendimentos e a disposição de gasto dos consumidores. Por enquanto, esses fatores são todos favoráveis à elevação dos preços.

No entanto, o governo anunciou a redução dos tributos sobre a comida e outros itens da cesta básica de consumo como parte da política anti-inflacionária. A queda de preços desses produtos, disse o ministro da Fazenda, "vai ajudar o governo na luta contra a inflação". Não há, no entanto, nenhuma "luta contra a inflação". O Banco Central nada fez, até agora, para conter a expansão do crédito. Seus dirigentes apenas indicaram a disposição de aumentar os juros, se o julgarem necessário, mas, por enquanto, ficaram nisso.

O governo decidiu usar a desoneração da cesta básica para um propósito errado. A medida é, em princípio, boa - e já era, quando foi defendida pela oposição e vetada pela presidente Dilma Rousseff. Foi ressuscitada como bandeira eleitoral, programada para anúncio no Dia do Trabalho. O lançamento foi antecipado, no entanto, porque a inflação acumulada em 12 meses poderia ultrapassar em março o limite da margem de tolerância, de 6,5%. O governo ganha tempo, na esperança de evitar a alta de juros. Enquanto isso, consultores especulam sobre o efeito desse truque na inflação deste ano. Pura perda de tempo. Na falta de medidas mais sérias, os índices voltarão a subir mais adiante.

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Quarta-feira, 13 / 03 / 2013

O Globo
"Governadores acenam com acordo por royalties" 

Estados não produtores temem derrota no Supremo e reabrem negociações

Ministros do STF vão dar prioridade a julgamento da questão. Para Campos, ‘é melhor garantir 80%'. Para evitar derrota no STF, 16 governadores de estados não produtores de petróleo reabriram a discussão sobre a divisão dos royalties. O grupo, liderado por Eduardo Campos (PE), discutiu acordo que anteciparia R$ 4,5 bilhões de receitas futuras de royalties aos estados não produtores. Os royalties de campos licitados ficariam com os produtores e os do pré-sal seriam rateados entre todos os Estados.


O Estado de São Paulo
"Governo dá prioridade a pacto federativo" 

Medida visa a conter agenda da oposição; PSDB apresentou dossiê em que critica gestão da Petrobrás

A ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, pediu a aliados a votação quatro propostas que, segundo o governo, podem tornar o pacto federativo mais equilibrado: a emenda que muda a cobrança do ICMS no comércio eletrônico; o projeto que unifica as alíquotas do ICMS; a medida provisória que cria os fundos para compensar as mudanças com a alteração do ICMS e o projeto sobre o endividamento dos Estados. A ideia é esvaziar o discurso dos potenciais candidatos à Presidência Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB). A questão também será discutida hoje, entre governadores e os presidentes da Câmara e do Senado. Ontem, o PSDB anunciou o que chama de “guerra para salvar o País”. Apresentou uma espécie de dossiê da Petrobrás na gestão do PT, com motivos que teriam levado a empresa ao declínio, e promete fazer o mesmo para outras áreas.

terça-feira, março 12, 2013

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Opinião

Nacionalização da violência

O Estado de S.Paulo
O Mapa da Violência 2013, que acaba de ser divulgado, contém dados altamente preocupantes sobre a situação da segurança pública no País, como já era esperado por todos os que acompanham o noticiário sobre criminalidade, embora registre também alguns avanços que mostram que nem tudo está perdido. Um dos pontos mais graves do problema, apontado pelo estudo coordenado pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz para o Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (Cebela) e a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), é a generalização da violência, que não se concentra só em alguns grandes centros urbanos, como Rio de Janeiro e São Paulo.

A média nacional de homicídios, de 20 por 100 mil habitantes, já atingiu o dobro da taxa (10) acima da qual, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a criminalidade se equipara a uma epidemia. A situação chegou a um ponto em que o número de homicídios no Brasil (147.373), entre 2004 e 2007, ficou próximo do de mortos (169.574) em 12 dos maiores conflitos armados do mundo no mesmo período. E como consequência, entre outras coisas, dos deslocamentos de população provocados pela desconcentração industrial ocorrida nos últimos anos, esse quadro assustador está presente hoje em todas as regiões, das mais ricas às mais pobres.

Na maior parte dos Estados do Nordeste, cresceu muito, entre 2000 e 2010, o número de mortos por armas de fogo, especialmente no Maranhão (aumento de 344,6%). Em Alagoas, Bahia, Ceará e Paraíba, o aumento foi superior a 200%. Nessa região, a única exceção foi Pernambuco, com uma redução considerável, de 27,8%. No extremo oposto ficou Alagoas, que em 2010 chegou a registrar a taxa assustadora de 55,3 homicídios por 100 mil habitantes.

Mas a criminalidade tem crescido também no Paraná, em Santa Catarina e no entorno de Brasília, por exemplo, afirma Waiselfisz, com base nos dados por ele levantados, e por isso "o mais correto seria dizer que está havendo uma nacionalização dos homicídios". A onda de violência que sacudiu Santa Catarina nos últimos meses e causou surpresa a muitos por ser esse um Estado rico, bem organizado e tido até então como relativamente tranquilo reforça a conclusão do estudo de que o crescimento da criminalidade não conhece mais fronteiras.

Entre os principais fatores responsáveis por essa situação, segundo o estudo, está a facilidade de acesso a armas de fogo. Estima-se que existem 15,2 milhões em mãos da população, dos quais apenas 6,8 milhões são registradas. Outra é a "cultura da violência", que leva um grande número de pessoas a cometer homicídio por motivos fúteis - brigas, ciúmes, conflitos entre vizinhos, desavenças, discussões, violências domésticas, desentendimento no trânsito -, com constatou pesquisa feita pelo Conselho Nacional do Ministério Público com base em inquéritos policiais referentes a homicídios cometidos em 2011 e 2012. A conjugação desses dois fatores produz os piores resultados possíveis.

Um terceiro fator importante é o elevado índice de impunidade existente no Brasil, que acaba por estimular a criminalidade. O estudo estima, com base em várias pesquisas - entre elas a realizada em 2011 pela Associação Brasileira de Criminalística -, que o índice de elucidação de homicídios é pífio, variando entre 5% e 8%. Índice que é de 65% nos Estados Unidos, 80% na França e 90% no Reino Unido.

O dado animador da pesquisa, se se pode dizer assim, é a redução do índice de mortes por armas de fogo, entre 2000 e 2010, em São Paulo (63,8%) e Rio de Janeiro (37,6%), os dois Estados cujas capitais se tornaram símbolos da violência no País. À qual se acrescenta a redução em Pernambuco (27,8%). A situação nos Estados continua grave, mas o avanço conseguido é inegável.

A "nacionalização dos homicídios" mostra que é indispensável maior presença do governo federal nessa área, para dar maior apoio material e ajudar a coordenar a ação dos Estados - aos quais cabe cuidar da segurança pública. Principalmente no que refere aos serviços de informação.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 12 / 03 / 2013

O Globo
"Conclave começa com brasileiro entre favoritos" 

Dom Odilo Scherer aparece na maioria das listas para ser o novo Papa

O mundo espera, a partir de hoje, o sinal de fumaça branca na Capela Sistina, onde 115 cardeais se reúnem para eleger o Pontífice que comandará a Igreja Católica, em crise, com escândalos de pedofilia e corrupção. Com os afrescos de Michelangelo como pano de fundo, 115 cardeais se trancam hoje na Capela Sistina para eleger o Papa que guiará 1,2 bilhão de católicos no mundo e herdará uma Igreja mergulhada em escândalos de pedofilia e corrupção. Pela primeira vez, um cardeal brasileiro, Dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, aparece como um dos favoritos na maioria das listas de "papáveis" junto com o italiano Angelo Scola, arcebispo de Milão. Especialistas citam também o americano Sean O'Malley e o canadense Marc Oullet. Mas não excluem uma surpresa e comparam este conclave com o que elegeu o polonês Karol Wojtyla, em 1978. O Vaticano estima que não haverá fumaça branca hoje.


O Estado de São Paulo
"Bancos são "lenientes’ com crime de lavagem, diz Barbosa" 

Presidente do STF defendeu punição para instituições; Febraban não quis comentar a declaração

O presidente do STF, Joaquim Barbosa, acusou bancos de serem lenientes com operações suspeitas de lavagem de dinheiro. E defendeu que a ocultação de valores seja “veementemente” reprimida. “Enquanto instituições financeiras não visualizarem a possibilidade de serem punidas por servirem de meio para a ocultação da origem ilícita de valores, persistirá o estímulo à busca do lucro, visto como combustível ao controle leniente que bancos fazem sobre abertura de contas e sobre transferência de valores”, afirmou. Ele falou em seminário sobre o assunto promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). E ainda questionou a atuação dos tribunais. Dados do CNJ mostram que o número de denúncias caiu no ano passado. Foram julgados 61 processos por lavagem de dinheiro em 2012, ante 183 no ano anterior, e 29 pessoas foram condenadas, em comparação com 175 em 2011. A Febraban não comentou.
 
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segunda-feira, março 11, 2013

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Opinião

A violência das torcidas

O Estado de S.Paulo
Na quarta-feira, 20 de fevereiro, o boliviano Kevin Douglas Beltrán Espada, de 14 anos, torcedor do San José, foi ao estádio em Oruro para ver jogar os campeões mundiais do Corinthians Paulista. Em meio ao jogo, um sinalizador naval, disparado do outro lado da arquibancada, o matou instantaneamente. A Conmebol, encarregada de organizar o torneio disputado na ocasião, a Taça Libertadores da América, que havia prometido mais rigor na punição à violência, rotineira nas versões realizadas desde 1960, anunciou medidas contra o clube da torcida que disparou o rojão. Suas partidas seguintes em casa passariam a ser jogadas com os portões fechados e não seriam vendidos ingressos a corintianos para jogos fora de casa. O primeiro deles, contra o Millionarios da Colômbia, no Pacaembu, foi jogado num estádio vazio. A pena, porém, foi modificada.

Como foi anunciado na quinta-feira, o time paulista poderá receber os adversários com casa cheia de pagantes, mas sua torcida não será admitida nos países a serem visitados ao longo da competição, a começar do jogo marcado para Bogotá. Seus dirigentes reclamaram da manutenção da punição, mas a verdade é que a entidade responsável pelo torneio exibiu a leniência de sempre. Não seguiu o exemplo de sua congênere europeia, a Uefa, que afastou todos os times britânicos de seus campeonatos por cinco anos - e o Liverpool por seis - depois dos incidentes provocados pelos violentos hooligans na final da Liga dos Campeões em Bruxelas, Bélgica, em 1985, contra a Juventus de Turim, na Itália. Essa punição terminou resultando em benefício do futebol britânico, de vez que hoje os estádios do Reino Unido são dispensados de alambrado e fosso, após também ter sido adotada outra providência: torcedores que participem de conflitos em estádios e seus arredores têm de ir a delegacias e prestar serviços sociais enquanto seus times jogam.

Os brasileiros têm por hábito atribuir aos vizinhos sul-americanos o monopólio da violência em campo e na arquibancada. A verdade, contudo, é que é no Brasil que se produz o maior número de vítimas fatais dentro e nas proximidades de praças esportivas em que são disputadas partidas entre clubes de grandes torcidas. Em 20 de agosto de 1995, uma batalha campal entre as torcidas Mancha Verde, do Palmeiras, e Independente, do São Paulo, no Estádio do Pacaembu, na final da 2.ª Supercopa São Paulo de Futebol Júnior, terminou com a morte de um torcedor, Márcio Gasparin da Silva, de 16 anos, e 104 feridos. Nada aconteceu com os vândalos que participaram do conflito 18 anos atrás. Desde então, muitas tentativas têm sido feitas para evitar a repetição de tragédias como a do Pacaembu e a de Oruro. Gigantescos aparatos policiais são montados para evitar que as torcidas se misturem e até as acompanham em seu trajeto até o local dos jogos.

Numa atitude a ser imitada, a Justiça fluminense decretou a prisão preventiva por homicídio qualificado e formação de quadrilha de 11 torcedores do Flamengo que participaram do massacre do vascaíno Diego Leal, 30 anos, morto a tiros e facadas em briga de torcidas antes do "Clássico dos Milhões" pelo Campeonato Brasileiro em agosto de 2012. Mas esta decisão é incomum, pois, apesar da tecnologia empregada em coberturas de jogos, a polícia e a Justiça têm dificuldades para identificar e incriminar os delinquentes que participam desses crimes bárbaros.

Depois da derrota para o Tigre na Argentina, na quarta-feira passada, torcedores do Palmeiras agrediram o goleiro Fernando Prass e o armador Valdívia no Aeroparque. O novo presidente do clube, Paulo Nobre, anunciou o fim das regalias das torcidas organizadas. É absurdo que tais grupos de bandidos travestidos de apaixonados por futebol tenham regalias - tais como ingressos gratuitos, direito de comercializar produtos com a marca dos times pelos quais dizem torcer e indevida participação na política e na administração dos clubes. É preciso que todos os clubes se unam e deixem de proteger esses bandidos, antes que a violência deles acabe com o negócio do futebol e a paixão dos torcedores.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 11 / 03 / 2013

O Globo
"Gastos em Transportes caem 4,3 bi em um ano" 

Resultado foi o pior entre os ministérios no ano passado

Investimentos da pasta recuaram de 0,33% para 0,21% do PIB. Analistas veem gargalo ao crescimento e falta de gestão no governo. No ano em que o Brasil cresceu só 0,9%, o Ministério dos Transportes, pasta que é o carro-chefe das obras de infraestrutura, reduziu seus investimentos em R$ 4,3 bilhões. Foram R$ 9,2 bilhões aplicados em 2012, o equivalente a 0,21% do PIB; contra R$ 13,5 bilhões em 2011, ou 0,33% do PIB. Analistas afirmam que a falta de investimentos públicos e privados é o maior gargalo ao crescimento econômico do país. Economistas também criticam as mudanças de marcos regulatórios e veem falta de capacidade de gestão no governo. Enquanto isso, nas estradas federais, houve 8.480 mortes em 2011, segundo o último balanço anual do Dnit.


O Estado de São Paulo
"Às vésperas do conclave, cardeais falam de reconciliação" 

Missas a menos de 48h do início das votações dão 'clima de campanha’ às igrejas de Roma

O domingo em Roma foi de igrejas cheias para assistir às missas rezadas pelos cardeais a menos de 48h do início do conclave que escolherá o sucessor de Bento XVI. As mais concorridas foram as do brasileiro Odilo Scherer e do italiano Angelo Scola, informam José Maria Mayrink e Jamil Chade. Ambos, em suas homilias, falaram sobre a reconciliação da Igreja com o pecador arrependido. D. Odilo, antes da missa, pediu aos fiéis que rezassem pelo “momento importante e difícil” pelo qual passa a Igreja. Scola falou em “momento de aflição”. D. Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida, disse que as congregações-gerais realizadas semana passada ajudaram a definir o perfil do novo papa e a escolha deve ser rápida.
 
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domingo, março 10, 2013

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Opinião

A safra do congestionamento

O Estado de S.Paulo
Safra recorde no Brasil é sinal de congestionamento nas estradas, de acesso complicado aos portos e de navios em fila para atracação. Os complementos são custos elevados e muita dor de cabeça para quem deve cuidar de embarque e desembarque de mercadorias nos terminais marítimos. A história se repete mais uma vez. O País colhe um volume sem precedentes de grãos e oleaginosas, estimado em 183,6 milhões de toneladas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A estimativa é pouco menor que a divulgada em fevereiro, 185 milhões, mas, ainda assim, a colheita há pouco iniciada deve ser a maior obtida até agora. Seria bem mais fácil festejar a boa notícia - mais um sucesso da agricultura brasileira - sem o caos já visível no sistema logístico.

Caminhões de soja e milho estão sendo enviados aos portos, principalmente de Santos e de Paranaguá, mais cedo que em outros anos. O congestionamento no acesso aos terminais santistas começou na última terça-feira. Naquele dia, um dos terminais graneleiros recebeu 350 caminhões, 100 a mais que o número máximo permitido. Mas o caos é muito mais amplo e se espalha pelas estradas de outros Estados. Carretas de Mato Grosso têm demorado três dias a mais que em outros anos para descarregar nos portos. As viagens têm sido prejudicadas pelo mau estado das estradas e a lenta movimentação portuária agrava os atrasos. Tudo isso prejudica o retorno dos caminhões, retarda os novos carregamentos e eleva o preço dos fretes. Segundo o presidente do Sindicato Rural de Sapezal (MT), Cláudio José Scariote, a opção ferroviária é pouco atraente, apesar dos problemas do transporte rodoviário, por causa da demora e do alto custo das operações de transbordo.

O caos logístico tem ocorrido em todos os anos de grandes colheitas e era esperado mais uma vez desde o segundo semestre de 2012, quando um grande volume de milho da segunda safra foi encaminhado aos armazéns. Especialistas falaram sobre o assunto naquela ocasião e apontaram os riscos de problemas consideráveis nos primeiros meses deste ano. As previsões estão sendo confirmadas, apesar de algumas novas medidas. No Porto de Paranaguá foi estabelecido um sistema de programação online para a entrega de carga, mas, mesmo assim, caminhoneiros continuam formando filas.

O sistema brasileiro de transportes é ruim tanto pela sua composição quanto pelas condições de conservação e de uso das várias modalidades. A predominância do modo rodoviário é um dos defeitos mais visíveis, num país com a extensão do Brasil e com enormes volumes de carga para transporte a longa distância.

Com base em custos do ano passado, a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) comparou as condições de escoamento da produção americana e da brasileira. No Brasil, o produtor brasileiro pode gastar 59% mais que o americano para um percurso de 2 mil quilômetros, principalmente por causa da matriz de transporte. Dois terços dos produtos brasileiros são escoados pelo sistema rodoviário, enquanto essa proporção nos Estados Unidos é pouco inferior a 30%.

Além disso, a malha brasileira de rodovias é insuficiente e ruim. Segundo levantamento da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) realizada em 95.707 quilômetros de estradas, no ano passado, o pavimento era deficiente em 46% da extensão, havia problemas na sinalização em 66,3% e a pista era única em 88,1% dos percursos. As condições predominantes, portanto, eram muito más tanto para o transporte de passageiros quanto para o de cargas.

No ano passado o governo mostrou preocupação com o problema, afinal, e anunciou um plano de logística. Na prática, a iniciativa, até hoje, foi pouco além do anúncio, exceto pela criação de uma estatal para cuidar do assunto. Pelo menos a demonstração de interesse é positiva. Durante anos, a impropriamente chamada política de transportes havia sido marcada por muita bandalheira e pouca realização, num Ministério sujeito ao loteamento político. Enquanto se espera a conversão das promessas em ações, a safra continua encalhando nas estradas e portos.

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Manchetes do dia

Domingo, 10 / 03 / 2013

O Globo
"Sem royalties, municípios do Rio cortam 
R$ 1,8 bi" 

Cidades produtoras suspendem desde obras de saneamento até de escolas e hospitais

Depois de o governo estadual cancelar pagamentos, oito prefeitos também adiam projetos e temem o caos na infraestrutura, além de desemprego. Com a aprovação pelo Congresso da redistribuição dos royalties de petróleo, municípios do Rio já cortaram RS 1,8 bilhão em obras programadas. Levantamento em oito cidades que mais recebem ou recursos mostra que foram suspensos projetos como saneamento em Macaé e contenção de encostas em Angra dos Reis, além de casas populares em Campos e escolas e hospitais em Cabo Frio, relatam Ramona Ordoñez e Bruno Rosa. “O petróleo está no mar, mas as pessoas estão em terra. Será uma tragédia”, disse Sabino, prefeito de Rio das Ostras.


O Estado de São Paulo
"Dilma reduz repasses para Estado de Eduardo Campos" 

Transferências federais voluntárias caem ao nível de 2006, quando adversário político governava Pernambuco

Enquanto o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), se movimenta em uma “campanha não assumida” à Presidência, o governo federal derruba repasses para financiar o Estado. Dados do Tesouro Nacional mostram que, em 2012, o valor enviado voluntariamente pelo governo foi de R$ 219 milhões, o menor desde 2006, último ano da gestão Jarbas Vasconcelos (PMDB), opositor do PT, informam Julia Duailibi e Bruno Boghossian. A participação de Pernambuco no total de transferências voluntárias cresceu durante o mandato de Campos e sob a gestão Lula. Passou de 5%, em 2007, para 14,6%, ou R$ 994 milhões, em 2010, quando disputou a reeleição com o apoio do PT. O assédio do governador a partidos pró-Dilma preocupa o Planalto, que prepara “contra-ataque” no Nordeste, onde ele tem visibilidade.
 
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