sábado, março 02, 2013

Luz

Sidney Borges - Acrílico sobre tela/2004

Colunistas

Minha avó Teresa

Colunista descreve o relacionamento dos avós paternos, e conclui que o amor é um acordo secreto firmado apenas por “aqueles que, a despeito de tudo, permanecem fiéis a si próprios”

Márcia Denser
Há algumas colunas atrás falei do meu avô paterno Victor (que aliás não se chamava Victor) e, em nome da simetria literária, é preciso que agora eu fale também de sua mulher e minha avó paterna, Teresa (que, aliás, também não se chamava Teresa), uma vez que ambos, a meu ver, constituíam um vínculo (a palavra “arranjo” o definiria melhor) perfeito para as uniões daquela época – início do século XX. Este retrato está publicado em meu romance Caim – sagrados laços frouxos (Rio, Record, 2006).

Teresa

De modo que meu avô Victor raramente se dava conta do que ocorria lá fora, fora do seu âmbito, fora daquele bolsão fora do tempo e do espaço, isto é, no resto da casa, lá onde longinquamente ribombava o trovão, precipitava-se a roda dos nascimentos e mortes, e a vida se encapelava em remoinhos cujo vórtice era Teresa, o expoente matriarcal de toda a região sudeste de São Paulo que, ao longo de três gerações, dominou a família.

Seu corpo não abrigava apenas uma alma, antes uma força da natureza inquebrantável que jurara enterrar todos os filhos e certamente o faria se não tivesse consumido a tal força que abandonou seu corpo devastado por legiões de bens e males superpostos: fosse por Teresa, essa jamais entregaria os pontos, ah, não senhor, e eu não queria estar no lugar do Senhor Deus quando Este a chamou de volta, o Velho Estúpido, que iria ajustar contas.

Teresa reinava absoluta e ruidosamente para além daquela porta e, mediante tão completa soberania, a inexpugnável privacidade de Victor, representada por aquela maldita porta fechada, era uma afronta. Embora calasse, internamente fervia, só ela sabia quanto custava dominar-se, o mesmo que tentar conter uma erupção vulcânica com a tampa duma panela. No entanto, e em virtude da contenção que lhe era imposta, seria capaz de trucidar qualquer ente ou entidade animada e inanimada que tentasse violar a cidadela de paz do pobre Victor, tinha que protegê-lo, mesmo sabendo ser inútil, pobre sujeito indefeso, ainda mais pateta do que os filhos.

Teresa adejava por entre nuvens de farinha, fornadas de pão e canecas de vinho tinto. Praguejando em dialeto bávaro, ela se erguia maciça, sólida, inexpugnável, coluna dórica em meio ao furacão, com seus vestidos cinzentos e o pau de macarrão, eternamente vigiando o fogo, enxovais, adultérios, as comadres por sobre o muro, num torvelinho de penas, biscoitos e mazelas, ao alcance dos passarinhos.

Teresa não só vivia ruidosamente como o fazia em grande estilo, gerando recursos para que a vida não lhe negasse uma só migalha. A oficina com trinta e duas bordadeiras rendia dez vezes mais que o magro salário oficial do marido. Atendia encomendas das famílias ricas, que fossem as tradicionais também, vá lá, seu arrogante sangue austríaco exaltava-se porque nele corria a arte secular do “bruzdôn”, o bordado, uma das tantas coisas que constituíam não apenas sua herança, mas seu patrimônio sonante; possuía uma habilidade diabólica para engendrar os motivos de flores, pássaros, nuvens, entrelaçando-os como constelações, sem jamais repeti-los a não ser nas sutis variações que caracterizam um estilo, a assinatura em relevo sobre a cambraia, o linho, o cetim, os fios de seda, lã, prata, ouro, uma vez que o dinheiro queimava em suas mãos.

Inventava saraus e passeios a pretexto de tudo e nada, suas festas eram apoteóticas. As filhas, Liris e Laís, e mais quatro empregadas, extenuavam-se quinze dias antes nos doces e salgados. Na antevéspera, Teresa presidia os assados, contratava os músicos, pois se os filhos, ao menos os mais velhos, já estavam em idade de casar, então que se divertissem antes em casa, ao invés de sabe-se lá onde. O argumento era irrefutável, sem contar que Victor a certa altura poderia desaparecer, recolhendo-se indefinidamente na biblioteca.

Velha, odeio festas/ Sim, meu velho, mando uma bandeja às onze?/Como quiser, minha cara – e ambos piscavam. Sim. Era um arranjo admirável que, naturalmente, não confessavam sequer a si próprios. O fato é que o casamento, a inefável instituição com sua aura de respeitabilidade permitiu a Teresa e a Victor fazerem precisamente o que queriam.

Assim, uma aliança mais poderosa os unia: a cada um competia resguardar não a honra ou o amor ou a respeitabilidade, mas a individualidade do outro. Embora se comportassem como inimigos declarados, no fundo amavam-se incondicionalmente e sem ilusões, como se o amor tivesse um nome secreto, conhecido unicamente por eles, isto é, por aqueles que, a despeito de tudo, permanecem fiéis a si próprios.

Publicado originalmente no "congressoemfoco"

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Opinião

A imoralidade persiste

O Estado de S.Paulo
Novidade propriamente dita não é, mas há que registrar que os parlamentares tornaram a passar a perna no povo. A rasteira consiste em fazer crer que, atendendo aos justos reclamos da sociedade, cortaram na carne para erradicar o obsceno pagamento dos dois salários anuais extras - o 14.º e o 15.º - que em tempos idos outros políticos se autoconcederam e legaram às gerações futuras de deputados e senadores. A história verdadeira é outra.

Ainda em 1938, os congressistas instituíram uma ajuda de custo quadrienal para cobrir os gastos de mudança dos mandatários para a capital federal (o Rio de Janeiro à época) e dela para os seus Estados de origem, se o eleitor dispensasse os seus serviços ao término da legislatura. A paga seria perfeitamente aceitável se se limitasse aos parlamentares de primeira viagem que viessem a ter o infortúnio de refazer as malas ao cabo de quatro anos. Mas, já então, se tratava de uma esbórnia: o benefício se estendia, nas duas pontas, aos políticos que se reelegessem, não importando quantas vezes.

O que eles fizeram, depois, foi anualizar a imoralidade, multiplicando-a assim por quatro, sob a forma de dois salários extras a cada exercício. (Os senadores, cujo mandato é de oito anos, recebiam 16 pagamentos.) E o que os seus sucessores acabam de fazer - fingindo ir ao encontro das cobranças da opinião pública por um mínimo de decoro também na apropriação dos recursos do contribuinte - foi restabelecer a prática original. Preservados, vai sem dizer, os privilégios daqueles que não precisam voltar aos seus pagos por terem sido despejados de suas cadeiras, mas para "ouvir as bases" - ou melhor, cuidar da reeleição.

Para isso, aliás, os deputados recebem a afamada verba indenizatória de até R$ 34.258,50. A bolada se destina a ressarci-los das despesas com passagens aéreas, contas de telefone e correspondência e, cúmulo da exorbitância, com os seus escritórios políticos. Os seus funcionários, quando transferidos dos gabinetes no Legislativo, são pagos com dinheiro público. O político tem até R$ 78 mil mensais para remunerar, entre outros, os funcionários que pode contratar para o seu gabinete. Acrescentem-se R$ 3,8 mil mensais a título de auxílio-moradia - como se o Congresso não dispusesse de apartamentos funcionais para alojar a ampla maioria de deputados e senadores. E por aí vai.

Nessa macedônia de gastança e espertezas contábeis de todos os tamanhos, há o que evidentemente configura o equivalente ao proverbial assalto ao trem pagador. É inconcebível que parlamentares reeleitos recebam - a cada quatro anos, como era e voltará a ser, que diria anualmente - adjutórios para se instalar em Brasília ou dali regressar, quando instalados já estão e assim permanecem. É inaceitável a superlotação de seus gabinetes, bancada pelos impostos da população, de arregalar os olhos dos ocupantes dos principais Parlamentos do mundo democrático, o Congresso dos Estados Unidos e a Câmara dos Comuns da Grã-Bretanha.

As suas mordomias são café pequeno perto das que se outorgam os seus colegas brasileiros. Com a fundamental diferença de que aqueles correm o risco real de perder os mandatos quando desandam. Em outros países cujos legisladores se sentiriam em casa se exercessem o ofício em Brasília, a indignação da sociedade chega a transbordar. Foi o que se viu nas recentes eleições italianas. Um em cada quatro eleitores votou no Movimento Cinco Estrelas, criado praticamente às vésperas do pleito pelo comediante Beppe Grillo, com uma radical plataforma antipolítica. Por ele, além de outras mudanças, o Estado simplesmente deixaria de financiar a atividade partidária.

A demonização dos políticos e o desprezo pela instituição básica da democracia - o Parlamento - decerto constituem um perigoso equívoco. A denúncia dos abusos cometidos pelos mandatários eleitos para servir ao povo e não para se servir do seu dinheiro é um imperativo permanente, mas não substitui o debate sem ideias preconcebidas do quanto a população brasileira deve desembolsar para que a representem no corpo do Estado. Descartada a indecência das cifras atuais, não pode ser pouco a ponto de restringir a política aos abonados.

Original aqui

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Manchetes do dia

Sábado, 02 / 03 / 2013

O Globo
"PIB de 0,9% faz Brasil cair no ranking mundial" 

Consumo das famílias continuou crescendo, mas país não é mais a sexta economia

Em meados do ano passado, diante da previsão de um banco estrangeiro de que país cresceria só 1,5%, o ministro Guido Mantega reagiu e disse que era uma "piada". Mas o número do IBGE ficou muito abaixo disso. A economia brasileira cresceu modesto 0,9% em 2012, pior resultado desde 2009. Mais uma vez, o gasto das famílias e o setor de serviços impediram que o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) fosse ainda mais pífio. Houve recuo nos investimentos e a indústria encolheu. Nem as desonerações de impostos, que estimularam o consumo, foram capazes de fazer o país deslanchar. Com esse PIB, o Brasil perdeu o posto de sexta economia mundial, que voltou a ser ocupado pelo Reino Unido. A presidente Dilma Rousseff não comentou a taxa.

 
O Estado de São Paulo
"Brasil cresce 0,9% e há dúvida sobre ritmo da recuperação" 

Mantega classifica desempenho do PIB de ‘inevitável’ diante da crise mundial; Dilma não comentou números

O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,9% em 2012, pior resultado desde a crise econômica de 2009. Investimentos, com queda de 4%, indústria e agropecuária, com recuo de 0,8% e 2,3%, respectivamente, foram responsáveis pelo fraco desempenho. Com crescimento de 0,6%, o quarto trimestre de 2012 trouxe sinais positivos, mas há dúvidas sobre o ritmo da recuperação. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu que o crescimento foi “fraco”, mas “inevitável” diante da crise financeira mundial. “Estamos acelerando de forma gradual.” O governo não deve anunciar novos pacotes para incentivar a atividade econômica e trabalha com crescimento de 3% a 4% para este ano. A presidente Dilma Rousseff não comentou os números ontem.
 
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sexta-feira, março 01, 2013

E Pelé disse love, love, love...


Utilidade Pública

EDITAL DE CONVOCAÇÃO DE ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA DO 

AEROCLUBE DE VOO ACROBÁTICO DE UBATUBA

Como Administrador Judicial Provisório, conforme termo lavrado em 19/2/2013, assinado pelo MM. Juiz de Direito da 2ª Vara Judicial da Comarca de Ubatuba-SP, venho, pelo presente edital, convocar os associados e interessados para discutir, em Assembleia Geral Extraordinária do Aeroclube de Voo Acrobático de Ubatuba:

1 – Alteração estatutária, nova redação, consolidação e referendo de atos anteriores.

2 – Eleição e posse da Diretoria, do Conselho Fiscal e do Conselho Desportivo.

A Assembleia Geral Extraordinária ocorrerá no dia 25 de março de 2013, às 19h, em primeira convocação, com a presença de mais da metade dos associados ou, às 20h, em segunda convocação, com qualquer número de participantes, na Sala Gastão Madeira, Colégio Dominique, à rua das Orquídeas, 210, Jardim Carolina.

Ubatuba, 1 de março de 2013

Celso de Almeida Jr.
RG 14.753.895-6

Administrador Judicial Provisório
Aeroclube de Voo Acrobático de Ubatuba

Energia desperdiçada


Coluna do Celsinho

Cuba Libre

Celso de Almeida Jr.
Yoani Sánchez, a blogueira cubana que contesta o regime dos irmãos Castro & Cia, esteve no programa Roda Viva, da TV Cultura, nesta última segunda-feira, 25/2/2013.
Numa das passagens, comentou que as manifestações de repúdio que sofreu, em sua visita ao Brasil, eram previsíveis.
Está preparada para isso.
O que a incomoda, entretanto, é perceber que muitos dos que a atacam não conhecem os seus textos, as suas ideias.
Seguem apenas um roteiro panfletário, com a clara intenção de a ofender moralmente.
Yoani reforçou que este método é um dos utilizados em Cuba.
Trata-se de estratégia para desviar do texto e focar na pessoa que o escreve, atacando-a ética e moralmente.
Conhecemos este roteiro, não é mesmo?
A firmeza e a convicção de Yoani contrastam com a sua aparente fragilidade física.
Corajosa, é cidadã articulada, inteligente, contundente.
Sua postura merece ser observada, estudada.
Um modelo para os políticos de oposição de todo o mundo.
Especialmente, para os do Brasil.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

Lula, aliás Lincoln

O Estado de S.Paulo
Lula deu agora para se comparar com Abraham Lincoln. A maior afinidade com o presidente responsável pela abolição da escravatura nos Estados Unidos, Lula a vê diretamente relacionada com a postura crítica da imprensa em relação a ambos: "Esses dias eu estava lendo o livro do Lincoln. E fiquei impressionado como a imprensa batia no Lincoln em 1860, igualzinho bate em mim". Com seu habitual descompromisso com a seriedade, Lula pretendeu ombrear-se com um dos maiores vultos da História e, ao mesmo tempo, mais uma vez desqualificar o trabalho da imprensa, a quem acusa do imperdoável crime de frequentemente contrariar suas opiniões e interesses. Foi um dos melhores momentos de seu show de meia hora durante as comemorações dos 30 anos da CUT, na última quarta-feira em São Paulo.

Essa nova bravata do Grande Chefe do Partido dos Trabalhadores (PT) não chega a ser novidade. É apenas mais uma a enriquecer a já alentada antologia das melhores pérolas de seu sofisticado pensamento político-filosófico. Novidade é a revelação de que Lula anda lendo livros. Confessou-o explicitamente, em tom de blague, dirigindo-se ao ministro Gilberto Carvalho, que fazia parte da mesa. "Estou lendo muito agora, viu Gilberto? Só do Ricardo Kotscho e do Frei Betto, li mais de 300", exagerou, em simpática referência a dois ex-colaboradores com quem já manteve relações mais estreitas.

Depois de falar mal da imprensa, Lula sugeriu que, diante da "falta de espaço" para as questões de interesse dos assalariados na mídia "conservadora", os sindicatos de trabalhadores se articulem para ampliar e tornar mais eficazes seus próprios meios de comunicação. Uma recomendação um tanto ociosa, pelo menos do que diz respeito à CUT, que dispõe de uma ampla rede de comunicação integrada por uma emissora de televisão, três de rádio, dois sites de notícias, dois jornais e uma revista mensal. Mas o verdadeiro problema não é exatamente a existência ou não de veículos de comunicação abertos às questões de interesse das organizações sindicais, mas o nível de credibilidade e, consequentemente, de audiência e leitura desses veículos.

Na verdade, o que o lulopetismo ambiciona para a consolidação de seu projeto de poder é dispor de mecanismos de controle da grande mídia, dos jornais, revistas e emissoras de rádio e televisão que atingem o grande público e por essa razão têm maior peso na formação de opinião. Por entenderem que a maior parte da grande mídia está comprometida com interesses das "elites" e, por essa razão, é "antidemocrática", o PT e seus aliados à esquerda defendem a criação de mecanismos que permitam a "democratização dos meios de comunicação". Trata-se de um argumento absolutamente falacioso, pela razão óbvia de que, se a grande mídia tivesse realmente o viés que lhe é atribuído pela companheirada, o petismo, que se diz discriminado e perseguido por ela, não venceria três eleições presidenciais consecutivas e não estaria comemorando 10 anos de hegemonia política no plano federal.

Ocorre que o pouco que existe de pensamento político em Lula e seus companheiros está hoje quase todo vinculado estritamente à garantia das vantagens materiais que o poder proporciona. O que vai além disso se deixou impregnar pelo autoritarismo que sustenta regimes como os do Irã, Coreia do Norte e China, no Oriente, e Cuba e as repúblicas "bolivarianas" da Venezuela, Equador, Bolívia e Nicarágua, no Ocidente. Ou seja, as autocracias às quais a diplomacia do governo petista se aliou.

Lula, a bem da verdade, não tem formação marxista - ou qualquer outra. Foi sempre um pragmático, avesso a dogmatismos. Forjado na luta sindical, seu pensamento se resume ao confronto de interesses entre empregados e patrões. O resultado desse pragmatismo é a indigência de valores que, como nunca antes na história deste país, predomina hoje na vida política nacional e tem seu melhor exemplo no nosso desmoralizado Parlamento.

Mas Lula é líder popular consagrado, glória que lhe subiu à cabeça e lhe permite acreditar no que quiser, inclusive que se parece com Abraham Lincoln.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 01 / 03 / 2013

O Globo
"No adeus, Bento XVI promete obediência total" 

Papa diz que será ‘um simples peregrino’ e encerra pontificado de 2.873 dias

Pontífice se retira do Vaticano de helicóptero e segue para a residência de Castel Gandolfo, deixando em aberto o futuro da Igreja Católica. Ao se despedir de cardeais, entre eles o seu sucessor, pediu unidade. O último dos seus 2.873 dias de pontificado foi carregado de emoção, de simbolismo e também de incertezas sobre os rumos da Igreja Católica. Aos cardeais, o Papa Bento XVI pediu que permaneçam unidos como uma orquestra. "Entre vocês está o futuro Papa, a quem eu prometo reverência incondicional e obediência.” Na despedida, já na sacada de Castelgandolfo, residência de verão onde ficará três meses, dirigiu-se a uma pequena multidão: "Não sou mais pontífice, sou um simples peregrino que inicia a última etapa de sua jornada” disse, antes de renunciar, pontualmente, às 20h. Bento XVI encerra o papado deixando um rastro de escândalos de pedofilia e violações de segredos.

 
O Estado de São Paulo
"Mensaleiros devem ser presos até julho, prevê Barbosa" 

Presidente do STF espera encerrar julgamento de todos os recursos contra a condenação antes das férias

O presidente do STF, Joaquim Barbosa, afirmou ontem que a prisão dos 25 condenados no processo do mensalão deve ocorrer até julho. “A minha expectativa é de que tudo se encerre antes das férias”, disse, em entrevista a jornalistas estrangeiros. “Os votos de alguns ministros ainda não foram liberados. Assim que todos apresentarem seus votos, vou determinar a publicação, e aí começa a correr o prazo de recursos dos réus”, afirmou. Barbosa criticou o que chamou de “problema sistêmico” na Justiça. “Nosso sistema penal é muito frouxo. É totalmente pró-réu, pró-criminalidade. Essas sentenças que o Supremo proferiu (no mensalão), de 10,12 anos, no final se converterão em 2 anos, porque há vários mecanismos para reduzir a pena.” Barbosa chamou ainda o sistema penal de “faz de conta”.
 
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quinta-feira, fevereiro 28, 2013

Ubatuba em foco

Cerca de três mil quilos de alimentos foram distribuídos às famílias atingidas pelo acúmulo de água.

Nota da Prefeitura

PMU
A Prefeitura Municipal da Estância Balneária de Ubatuba, por meio da  Secretaria Municipal de Cidadania e Desenvolvimento Social, vem prestando assistência à população ubatubense vítima das fortes chuvas que caíram na noite de 22 de fevereiro. Cerca de 150 famílias tiveram seus pertences danificados pela água.

Em ação conjunta da Defesa Civil, da Secretaria Municipal de Cidadania e Desenvolvimento Social, da Secretaria de Saúde e da Secretaria da Educação, foram distribuídos três mil quilos de alimentos, produtos de limpeza, mais de duas mil peças de roupas, centenas de pares de calçados, cinco mil litros de água potável e mais de 150 colchões. Na Escola Mário Covas, foram servidas mais de mil e quinhentas refeições (café da manhã, almoço e lanche) e a equipe da Secretaria de Saúde efetivou 240 vacinações no local.

As chuvas fortes seguem atingindo diversos bairros da cidade, como ocorrido na tarde desta quarta-feira (27). De acordo com a Defesa Civil, nestes primeiros dois meses de 2013 a cidade registrou mais de 750 mm de chuva. O índice equivale ao triplo da média prevista para Janeiro e Fevereiro, tornando Ubatuaba um dos municípios mais chuvosos do Estado neste início de ano. A Secretaria Municipal de Cidadania e Desenvolvimento Social segue aberta para doações e ressalta que, no momento, a maior necessidade é por colchões. Mais informações sobre os produtos e locais de doações no telefone 3834 3500.

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Opinião

A caça aos investidores

O Estado de S.Paulo
Com um programa de investimentos de US$ 235 bilhões em infraestrutura, o governo brasileiro decidiu buscar no exterior empresários interessados em participar de grandes projetos nas áreas de transporte e energia. A ideia de investir num país com o tamanho e o potencial do Brasil pode ser muito sedutora, mas é preciso muito mais que um belo cardápio de oportunidades para atrair interessados e criar parcerias. Não se aplicam somas enormes em rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, sistemas de geração e transmissão de eletricidade e esquemas de exploração de petróleo e gás sem muita confiança no país hospedeiro e sem perspectivas bem definidas de retorno. Essas condições deveriam ser evidentes para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e seus companheiros na primeira rodada de exposições para possíveis investidores, em Nova York. De toda forma, teriam ficado claras pelas perguntas apresentadas durante os contatos. Participaram dos encontros, na terça e na quarta-feira, cerca de 350 representantes de bancos, fundos e empresas operadoras de serviços de utilidade pública. Novas exposições e conversas estão previstas para esta sexta-feira, em Londres.

O ministro da Fazenda apresentou o Brasil como um país de "segurança e rentabilidade". Precisou tocar nesses pontos por dois motivos. Houve perguntas sobre possíveis quebras de contratos na recente renovação de concessões no setor elétrico. Além disso, o governo tem tratado com inabilidade a questão do retorno sobre o investimento em infraestrutura. Tentando eliminar desconfianças, o ministro mencionou, vagamente, uma taxa real em torno de 10% ao ano.

Pode-se discutir se esse número é razoável ou mesmo se tem sentido fixar um número. De toda forma, palavras e atos de autoridades têm justificado uma dúvida: o governo está interessado, afinal, em garantir serviços de padrão internacional com um custo razoável ou em limitar o lucro das operadoras? Bons serviços a preços compatíveis com os de outros países são essenciais para a produção brasileira, em todos os setores, se tornar mais competitiva. Tem sentido cobrar a transferência de uma parte dos ganhos de produtividade aos consumidores. Mas a mera restrição ao ganho dos investidores em infraestrutura é só uma tolice ideológica. E tolices desse tipo têm sido frequentes e notórias.

O ministro teve de enfrentar várias questões a respeito da qualidade do governo, de suas prioridades e das perspectivas de estabilidade da economia brasileira. Perguntas detalhadas sobre os programas setoriais seriam, naturalmente, dirigidas a outros membros da missão, especialistas nas áreas de transportes, eletricidade e petróleo e gás. Mas a conversa do ministro Mantega com os investidores poderia ter sido mais simples, com certeza, se houvesse menos dúvidas sobre a gestão macroeconômica e sobre a própria concepção oficial do desenvolvimento.

Dúvidas sobre a política educacional, por exemplo, envolvem um ponto de enorme importância para quem se disponha a investir no Brasil. O ministro mencionou, como resposta, o tamanho da verba destinada ao Ministério da Educação. Mas quem formula esse tipo de pergunta deve ter, muito provavelmente, alguma informação sobre a qualidade do ensino e sobre as dificuldades de recrutamento de mão de obra treinada ou treinável.

Também houve perguntas sobre inflação. O ministro da Fazenda procurou tranquilizar o auditório, atribuindo a aceleração dos aumentos de preços, em meses recentes, às condições do mercado internacional de commodities. Essa resposta pode ter convencido os menos informados, mas a própria tolerância do governo a taxas de inflação bem acima de 4,5% tende a reacender todas dúvidas sobre o assunto.

Perguntas sobre esse e outros aspectos da gestão pública indicam muito mais que a preocupação com detalhes da vida econômica. Grandes investimentos envolvem parcerias de prazo muito longo, especialmente quando se trata de explorar serviços de infraestrutura. Atrair capitais, em casos como esses, envolve um delicado teste de imagem do governo e do País. A presidente Dilma Rousseff e seus ministros deveriam pensar mais seriamente sobre isso.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 28 / 02 / 2013

O Globo
"STF libera Congresso para decidir já sobre royalties" 

Rio perde nova batalha e veto de Dilma pode entrar em votação semana que vem

No mesmo dia, a Câmara, pressionada pela opinião pública, aprovou a redução do 149 e do 152 salários de parlamentares; deputados e senadores só terão salário extra ao início e ao final de cada mandato. O Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou ontem, por 6 votos a 4, a liminar do ministro Luiz Fux que obrigava o Congresso Nacional a votar em ordem cronológica os mais de três mil vetos presidenciais que aguardam apreciação há mais de dez anos. A decisão permite que o Congresso vote a qualquer hora o veto de Dilma ao projeto que muda as regras de distribuição dos royalties do petróleo e prejudica Rio de Janeiro e Espírito Santo, estados produtores. Parlamentares dos demais estados querem apreciar e derrubar o veto já na próxima semana. Também ontem, a Câmara, de olho na opinião pública, reduziu o pagamento do 14º e do 15º salários dos parlamentares. Agora, o parlamentar só terá um salário extra no início do mandato e um no final.

 
O Estado de São Paulo
"A Igreja atravessou ‘águas turbulentas' diz papa ao sair" 

Em sua despedida, Bento XVI afirmou que houve momentos em que o Senhor parecia estar dormindo’. Admitiu a gravidade de sua decisão, tomada com serenidade’. E afirmou que deixa a vida pública, mas não abandona a cruz’

Bento XVI se despediu ontem deixando como legado a coragem de expor ao mundo os desafios da Igreja. Seu discurso, para uma Praça São Pedro lotada, resumiu seu pontificado, deixando claro que a instituição atravessou “águas turbulentas”, informa o enviado especial Jamil Chade. “Houve dias de sol e uma brisa leve. Mas também outros em que as águas estavam agitadas, o vento soprava contra e o Senhor parecia estar dormindo”, disse, em referência às crises envolvendo o Vaticano. “Mas eu sabia que Ele estava dentro da barca.” Para muitos no Vaticano, a mensagem é simples: não é o poder nem o papa que estão no centro da Igreja, mas a fé. “A barca da Igreja não é minha, não é nossa. Mas Dele e Ele não deixará que afunde”, completou. Bento XVI admitiu que sabia das consequências de seu ato, mas que a decisão foi tomada “com serenidade”. Ele reafirmou que não voltará à vida pública e mandou um recado ao sucessor: “Aquele que assume o Ministério de Pedro não tem mais privacidade”.
 
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quarta-feira, fevereiro 27, 2013

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Opinião

Maus tempos no BNDES

O Estado de S.Paulo
O resultado nada brilhante do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 2012, com redução do lucro e desembolsos menores que os de 2009 e 2010, em termos reais, tem pouca relação com a crise internacional. Reflete essencialmente os equívocos da política econômica e os critérios impostos à instituição, incluído o apoio preferencial a grandes grupos e a "campeões nacionais". O lucro líquido, de R$ 8,2 bilhões, foi 9,5% menor que o do exercício anterior, em termos nominais, mas os números teriam sido piores sem uma ajuda especial de última hora. A queda teria sido maior, se o banco tivesse registrado a desvalorização de ações transferidas pela União, mantidas em caixa, classificadas como disponíveis e consideradas investimentos de longo prazo. Esse registro foi dispensado por decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) tomada em 27 de dezembro. Sem isso, teriam sido retirados mais R$ 2,38 bilhões do lucro líquido. Com isso, a redução de um ano para outro teria sido de 35,9%. Pode-se discutir se foi mais um caso de maquiagem, mas esse é provavelmente o ponto menos importante.

As perdas mais visíveis ocorreram nas operações do BNDESPar, a subsidiária responsável pelas participações em empresas. O lucro caiu de R$ 4,31 bilhões em 2011 para R$ 298 milhões no ano passado - uma redução de 93,1%. O valor da carteira de ações diminuiu de R$ 89,7 bilhões para R$ 78,2 bilhões. As principais fontes de dividendos - Vale, Eletrobrás e Petrobrás - reduziram seus pagamentos. Foi necessário registrar perdas importantes, algumas conhecidas há algum tempo. Provisões para perdas praticamente certas chegaram a R$ 3,32 bilhões.

Esse valor incluiu R$ 865 milhões aplicados na LBR-Lácteos, um grande grupo constituído com apoio do banco (participação de 30,28%) e atualmente em recuperação judicial. Houve outras apostas erradas, com perdas consideráveis, na formação de megaempreendimentos.

Como acionista e como financiador, o BNDES tem-se notabilizado pela seleção de maus negócios ou, simplesmente, pela escolha de prioridades com escasso ou nenhum significado estratégico para o desenvolvimento econômico e social do País. Algumas de suas operações mais estranhas ocorreram no ramo de frigoríficos, mas a lista de iniciativas discutíveis é ampla. Dentre as mais notáveis, será difícil de esquecer a quase participação do BNDES na associação, afinal frustrada, do Grupo Pão de Açúcar com o ramo brasileiro do Carrefour. Antes do recuo do banco, a imprensa apontou o equívoco e os perigos do envolvimento naquela operação.

A política de formação de campeões nacionais é apenas uma das distorções do BNDES. Algumas dessas operações têm resultado em perdas financeiras, mas também esse é só um dos pontos negativos. O BNDES claramente perdeu o rumo e se afastou de suas tradicionais funções estratégicas. O apoio preferencial a grandes grupos - alguns estatais, como a Petrobrás - é parte dessa grande distorção. As empresas maiores absorveram em 2012 dois terços dos recursos liberados pelo banco.

O total dos desembolsos, de R$ 156 bilhões, foi maior que o do ano anterior, mas inferior, em termos reais, aos volumes liberados em 2009 e 2010, segundo relatório divulgado recentemente pela presidência do BNDES. As medidas oficiais de estímulo ao investimento têm sido insuficientes, portanto, para entusiasmar o empresariado. Há alguma demanda de recursos, mas em volume insuficiente para as mudanças necessárias no sistema produtivo.

Em conjunto, as ações da política econômica têm sido muito mais favoráveis à elevação do consumo do que ao crescimento da produção e do potencial produtivo. Parte do fiasco da política oficial é explicável, sem dúvida, pelo desastrado intervencionismo do governo. A desvalorização dos papéis da Petrobrás e da Eletrobrás e o enfraquecimento financeiro das duas empresas são consequências dessa orientação. Também esses erros se refletem nos resultados do BNDESPar e do BNDES, afetados pela desvalorização dos papéis e pela menor lucratividade das duas grandes estatais.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 27 / 02 / 2013

O Globo
"Salário de domésticas é o que mais sobe no país" 

Aumento chegou a 6% em janeiro, enquanto oferta de empregos no setor encolheu

Só nas 6 principais regiões metropolitanas do país, 88 mil domésticas desapareceram do mercado no mês passado. Desde 2003, renda da categoria aumentou 53% acima da inflação, o dobro da média dos trabalhadores. Os serviços de domésticas estão cada vez mais caros para as famílias. O salário delas registrou em janeiro o maior aumento no país, de 6%, segundo o IBGE, superando os trabalhadores da indústria (1,5%) e do comércio (4%). Na construção, houve queda de 0,9%. A remuneração maior das domésticas veio acompanhada de queda de 5,9% nos empregos do setor. Só no mês passado, 88 mil empregadas desapareceram do mercado em São Paulo, Rio, Salvador, Recife, Porto Alegre e Belo Horizonte. Para especialistas, com o mercado aquecido, muitas profissionais migraram para atividades como prestação de serviços e comércio.

 
O Estado de São Paulo
"Tesouro deve injetar até R$ 8 bilhões no BNDES" 

Ação teria sido definida após queda de 9,55% no lucro do banco; não foi decidido como recurso será liberado

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve receber capitalização de R$ 5 bilhões a R$ 8 bilhões do Tesouro Nacional no segundo semestre, informam Irany Tereza e Vinicius Neder. Em negociação desde o ano passado, a injeção de recursos ganhou consenso no governo com a queda de 9,55% no lucro do banco (R$ 8,183 bilhões), anunciada anteontem. Os repasses do Tesouro serão empréstimos e servirão para criar uma alternativa ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), principal fonte de recursos da instituição. Uma parte da capitalização seria incorporada ao patrimônio líquido, que fechou 2012 em R$ 52,2 bilhões. A discussão é como isso será feito. As opções vão desde transferência de ações de estatais até redução no repasse dos dividendos. 
 
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terça-feira, fevereiro 26, 2013

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Opinião

Crise de produtividade

O Estado de S.Paulo
A economia brasileira está em crise e nenhuma bravata do governo mudará esse fato. Depois de dois anos de estagnação, o País continua incapaz de acompanhar o passo dos outros emergentes. Mesmo um resultado um pouco melhor em 2013 será insuficiente para o Brasil ganhar posições, de forma relevante, na corrida internacional. As autoridades tentam atribuir as dificuldades do País às condições externas, mas só convencem quem se dispõe a ser enganado. O fiasco brasileiro, por enquanto visível principalmente no baixo desempenho da indústria, reflete uma crise de eficiência produzida com ingredientes nacionais, a começar pelos graves equívocos da política econômica. O principal efeito da crise global foi evidenciar os pontos fracos do País em seu sistema produtivo.

Até agora, a indústria tem sido o setor mais afetado pela crise de eficiência. No ano passado, a produção física do setor encolheu 2,7%, enquanto a folha de pagamento médio aumentou 5,8%, o número de horas pagas caiu 1,9% e a produtividade recuou 0,8%. O custo da mão de obra, resultante da combinação desses fatores, cresceu 6,6% em 2012, segundo cálculos do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Foi a maior taxa em 11 anos, embora o pessoal ocupado tenha diminuído 1,4%.

O desempenho variou entre os 19 segmentos industriais considerados na pesquisa. Alguns conseguiram ganhos de produtividade, mas o custo do trabalho aumentou em 18 deles, reduzindo um poder de competição já em queda há alguns anos e sem perspectiva de recuperação a curto prazo. O desemprego no setor ainda é limitado, no entanto, porque o custo das demissões é alto e a reposição do pessoal será complicada, no quadro de escassez de mão de obra minimamente treinada ou passível de treinamento.

Com a queda de 2,7% no ano passado, depois de um crescimento de apenas 0,4% em 2011, a produção da indústria praticamente voltou ao nível de 2008, primeiro ano da crise internacional. Em 2010 a indústria havia aumentado 10,5%, mas havia diminuído 7,5% no ano anterior. A estagnação, portanto, já dura alguns anos. A paralisação das grandes economias e o baixo ritmo de expansão do comércio global tornaram mais dura a competição e deslocaram a indústria brasileira. A valorização do real sem dúvida agravou a situação, mas esse foi só um fator a mais.

A empresa brasileira já operava com desvantagens consideráveis, bem conhecidas e muito mais importantes. Mas o problema do câmbio - superestimado também por muitos empresários - deu ao governo um pretexto para descuidar das questões mais graves e esconder sua inépcia atrás da retórica inútil sobre a guerra cambial. Essa retórica se mantém, porque a instabilidade cambial continua e provavelmente continuará enquanto os bancos centrais do mundo rico sustentarem políticas monetárias frouxas. Nenhum deles mudará de rumo por causa dos protestos brasileiros.

Se cuidasse menos dessa questão e mais de outros desafios, muito mais importantes e passíveis de solução internamente, o governo daria uma boa contribuição para o desencalhe da economia nacional.

A presidente Dilma Rousseff e sua equipe conhecem pelo menos de nome esses problemas. Por isso decidiram no ano passado, com muito atraso, lançar um programa de investimento em logística. Têm tropeçado, no entanto, em detalhes tanto de formulação quanto de execução, por preconceitos ideológicos e por incompetência gerencial.

A direção, pelo menos, é correta. Mas repetem erros bem conhecidos. São incapazes de ir além de programas limitados e mal costurados de desoneração fiscal. Insistem nos estímulos ao consumo, quando os entraves estão do lado da produção. Falam em expansão do crédito, mas são incapazes de ir além das práticas de favorecimento a grupos e setores selecionados para lucrar e crescer. Ao mesmo tempo, o governo se atola em trapalhadas, intervindo na formação de preços, administrando índices em vez de combater as pressões inflacionárias e revelando uma assustadora tolerância à inflação. Diante dos resultados, como resistir à tentação de atribuir os males à tal guerra do câmbio?

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Manchetes do dia

Terça-feira, 26 / 02 / 2013

O Globo
"Falhas em série cortam água de 9 milhões no Rio" 

Light e Cedae brigam, e fornecimento, interrompido na sexta, deve se normalizar amanhã

Segundo a Secretaria municipal de Educação, algumas escolas não funcionarão hoje ou dispensarão os alunos antes do previsto devido à impossibilidade de obter carro-pipa, como ocorreu ontem. Numa época de temperaturas altas — ontem a máxima chegou aos 38,5 graus na Zona Portuária, com sensação térmica de 42 graus — nove milhões de moradores do Rio e da Baixada abastecidos pelo sistema do Guandu ficaram sem fornecimento de água desde a noite de sexta- feira. A interrupção, provocada por cortes de luz, encerrou o expediente da Assembleia Legislativa do Rio mais cedo, fechou escolas municipais, elevou ao dobro o preço dos caminhões-pipa no Recreio, mas ainda não teve as causas divulgadas. O presidente da Cedae, Wagner Victer, disse que, embora 90% da distribuição já estivessem normalizados na tarde de ontem, os problemas deveriam continuar por mais 48 horas. A Light reconheceu que houve uma interrupção de 19 minutos na linha principal do sistema Guandu.

 
O Estado de São Paulo
"Papa afasta cardeal suspeito de assédio e adianta conclave" 

Acusado por seminaristas, Keith O’Brien não participará da eleição do pontífice, que será antecipada

Às vésperas de deixar o cargo, Bento XVI afastou ontem o cardeal britânico Keith O’Brien da eleição que fará seu sucessor. Ele é acusado por quatro seminaristas de assédio sexual nos anos 1980. O caso foi divulgado no fim de semana pela imprensa britânica. O Vaticano afirma que o motivo da saída é a idade do cardeal, que completa 75 anos, limite para participar do conclave, em março. O’Brien, porém, deixou claro que a decisão não foi sua. Também ontem, o papa assinou decreto autorizando os cardeais a antecipar o início do conclave. A medida reforça a intenção de acabar com o período de incerteza após a saída de Bento XVI, na quinta. Os cardeais se reunirão já na sexta e então decidirão quando começa a eleição, provavelmente dia 8 ou 10. Originalmente, deveria começar no dia 15.0 pontífice teria decidido que o dossiê sobre corrupção e abusos dentro da Igreja será repassado somente ao sucessor.
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segunda-feira, fevereiro 25, 2013

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Opinião

As usinas estão parando

O Estado de S.Paulo
Soam como zombaria as palavras pronunciadas há seis anos pelo então presidente Lula, quando - ao comentar o memorando de cooperação para a produção de álcool combustível que ele e o presidente americano George W. Bush acabavam de assinar - afirmou que se abria, então, "um novo momento para a humanidade". O ex-presidente dizia que Brasil e Estados Unidos, os dois países líderes na produção de biocombustíveis, estimulariam a produção global de etanol, dando assim "uma contribuição inestimável para a geração de renda, para a inclusão social e para a redução da pobreza em muitos países". A política energética dos governos chefiados pelo PT, primeiro o de Lula e agora o de Dilma Rousseff, agravou os problemas enfrentados pelos produtores de etanol no País e levou a uma crise que, mesmo se enfrentada adequadamente, demorará para ser debelada.

Nos próximos dois ou três anos, 60 das 330 usinas de açúcar e de etanol da região Centro-Sul, que respondem por 90% da cana-de-açúcar processada no País, encerrarão suas operações ou serão vendidas, como mostrou reportagem do Estado. A previsão é da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). Por dificuldades financeiras, pelo menos dez usinas não processarão a safra 2013/2014.

Desde 2008, quando começou a crise mundial, não se anunciou nenhuma decisão de instalação de novas usinas. Quatro unidades devem entrar em operação até 2014, mas seus projetos estavam decididos antes do início da crise. Em compensação, 36 usinas entraram com pedido de recuperação judicial e 40 foram desativadas. Só em 2012, o setor fechou 18 mil postos de trabalho.

A dívida das empresas do setor, no final da safra 2013/2014, deverá chegar a R$ 56 bilhões, R$ 4 bilhões mais do que o total apurado no final da safra anterior e pouco abaixo do faturamento projetado para as usinas do Centro-Sul, de R$ 60 bilhões.

É um quadro totalmente diferente daquele anunciado pelo governo, segundo o qual o Brasil se tornaria referência e líder mundial na produção de etanol de cana. Para provar isso, o Brasil precisou convencer os grandes países consumidores - os da Europa e os Estados Unidos, sobretudo - de que o etanol de cana-de-açúcar brasileiro era um combustível avançado e de alta produtividade. O acordo entre os governos brasileiro e americano foi um passo importante na consolidação da imagem do etanol brasileiro. O americano é produzido a partir do milho, e o uso intensivo desse cereal na produção de álcool impulsiona sua cotação internacional.

A crise mundial afetou a capacidade financeira das usinas brasileiras. Investimentos em novas unidades e ampliação das existentes foram suspensos, não foram plantadas as novas áreas necessárias, a produtividade caiu e o Brasil perdeu a condição de produtor de menor custo. A produção de cana e de álcool, que cresceu cerca de 10% ao ano entre 2004 e 2008, diminuiu no ano passado, enquanto a de veículos aumentou 3%.

O congelamento do preço do combustível no mercado interno, imposto pelo governo para conter a inflação, resultou em perdas severas para a Petrobrás e tornou o etanol ainda menos competitivo. As usinas adaptadas para isso passaram a produzir mais açúcar, cujo preço internacional é mais compensador do que o do etanol. A política do governo tornou mais grave uma crise que já era difícil para o setor, por causa de problemas financeiros e também da ocorrência de uma seca severa entre 2010 e 2011.

Ironicamente, essa crise se tornou mais grave justamente no momento em que, como o Brasil sempre reivindicou, as usinas brasileiras poderiam estar livremente abastecendo o mercado americano, pois, por problemas fiscais, o governo de Washington eliminou o subsídio ao etanol de milho e a sobretaxa sobre o etanol importado.

A correção do preço do combustível e o aumento de 20% para 25% do porcentual do etanol na gasolina tendem a melhorar a situação das usinas. Mas são medidas de curto prazo. O setor carece de segurança para investir, o que depende, entre outros fatores, de definição clara do governo sobre o papel do etanol na matriz energética, por exemplo.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 25 / 02 / 2013

O Globo
"Governo dará incentivos a portos públicos" 

Ministro faz nova concessão a portuários

Secretaria acena com benefícios aos terminais estatais para vencer a resistência dos sindicatos à Medida Provisória, que busca abrir o setor à iniciativa privada. Depois de assegurar que não aceleraria as licitações de terminais antes de 15 de março, para garantir as negociações com os portuários, o governo já assume que poderá oferecer mais incentivos aos portos públicos para aliviar a forte pressão dos sindicatos de portuários à aprovação da Medida Provisória (MP) 595, que reformula o setor. Mais incentivos fiscais ou investimentos diretos nesses portos podem implicar num esforço maior do governo federal, inclusive orçamentário, com o objetivo de deslanchar o projeto. Para assegurar a competitividade dos atuais portos, o governo já previu um novo Plano Nacional de Dragagem de R$ 3,8 bilhões, além de R$ 2,6 bilhões em acessos terrestres. Na opinião do ministro Leônidas Cristino, da Secretaria dos Portos, não houve recuo, mas um acordo que mantém a essência do projeto.

 
O Estado de São Paulo
"G-20 avalia barrar entrada de corruptos nos países-membros" 

Documentos obtidos pelo ‘Estado’ apontam falta de consenso no Planalto sobre o tema

O Grupo dos 20 (G-20) estuda a possibilidade de barrar a circulação de corruptos e corruptores nos seus países-membros a partir da negativa de vistos e de refúgio. A proposta, encabeçada pelos Estados Unidos, é vista com reticências pelo Brasil. De acordo com documentos aos quais o Estado teve acesso, há falta de consenso dentro do governo sobre o tema, apesar da pressão internacional. Membros da Controladoria-Geral da União (CGU), do Ministério das Relações Exteriores, da Advocacia-Geral da União (AGU) e do Ministério da Justiça nem conseguem definir quem seria afetado.

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domingo, fevereiro 24, 2013

Arte a granel

Auto retrato
Alex Katz

Sidney Borges
Alex Katz nasceu no Brooklyn em 1927. Na revolução soviética seu pai perdeu uma fábrica que possuía na Rússia. Entre os anos de 1946 e 1949 Alex estudou na Cooper Union, em Nova York, e entre 1949 e 1950, na Escola Skowhegan de Pintura e Escultura em Skowhegan, Maine.

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Desde que descobriu sua paixão pela arte, Katz retratou o lazer Americano no século XX. Dentre suas coleções mais populares estão as piscinas públicas, festas, praias, dentre outros lugares focados no entretenimento.

Praia

Em 1957 ele conheceu Ada Del Moro, que estudou biologia na Universidade de Nova York. O encontro aconteceu em uma abertura da galeria. Em 1960 Katz teve seu filho (único), Vincent Katz.

Red coat

Katz destruiu milhares de quadros durante seus primeiros dez anos como pintor. Segundo palavras dele era a busca de um estilo próprio que o inquietava e fazia com que ele nunca ficasse satisfeito com os resultados. Para uma primeira observação suas obras parecem simples, mas de acordo com Katz são apenas reflexo de sua personalidade.

Black Hat

Ao longo de sua carreira Alex Katz recebeu inúmeros prêmios e influenciou centenas de artistas. Ele é considerado um dos precursores da Pop Art.

Saiba mais. Clique aqui e aqui

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Aprender é preciso...


Programando o cérebro

Sidney Borges
A foto é de 1944. O jovem está dando repasses finais no motor antes de colocar o modelo radio controlado em voo. Quanta informação obtemos com o aeromodelismo! Para construir o avião, mesmo que a partir de um kit detalhado, é preciso exercitar as artes da habilidade manual e da paciência. Enquanto as nervuras das asas são coladas nas longarinas as formas são manuseadas, observadas, questionadas. O mistério do voo vai aos poucos sendo desvendado. Para que o motor funcione é preciso misturar as substâncias que compõem o combustível, também é preciso ligar a bateria na vela. O jovem aeromodelista aprende o porquê. O aeromodelismo é uma das melhores formas de se estudar ciência, além de ser um passatempo apaixonante.

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