sábado, fevereiro 23, 2013

Paul Klee


Colunistas

A revolução dos ricos e corruptos: o país mercadoria

Na coluna desta semana, Márcia Denser questiona se a “revolução dos ricos e corruptos” não vai acabar nunca. “Num mundo estagnado, a pressão para entregar tudo aos detentores dos mercados globais, em voraz processo de reordenação, é cada vez maior”

Márcia Denser
O editorial de Saul Leblon para a Carta Maior de 6 de fevereiro passado é tão exemplarmente verdadeiro e contundente, que está valendo resumir seus melhores trechos. Diz ele que, quando eleito presidente do Chile, em janeiro de 2010, o direitista Sebástian Piñera reavivou a esperança conservadora latino-americana: “Sua vitória reluziu como a revanche diante de um colar de governos progressistas que asfixiavam o horizonte da direita regional”.

Enfim, um porta-voz moderno do dinheiro grosso (e sujo) e de quem fala idem: os ricos.

Antes mesmo de Thatcher, o Chile foi militarmente capturado para ser a cozinha experimental do neoliberalismo (vide Naomi Klein, A doutrina do choque). Talvez fosse mais apropriada a metáfora ‘açougue’, pois ali se sangrou, retalhou, picou e moeu uma nação até reduzi-la a uma massa disforme e vegetativa. Dessa matéria-prima nasceu a primeira receita mundial bem sucedida do cardápio que decretaria o fim do capitalismo regulado, a partir dos anos 70. Tal mix indigesto foi enfiado goela abaixo de uma das nações mais democráticas do continente latino-americano.

E foi estrangulada sua tentativa de construir o socialismo pela via eleitoral. Caciques da direita regional e global aderiram em massa ao modelito. Contudo, Piñera não serviu diretamente à ditadura mais sanguinária da AL. Justamente por isso sua vitória em 2010 acendeu o entusiasmo conservador: era a ponte “digerível” entre dois mundos. “É provável que se fortaleça na América do Sul uma ‘frente antichavista’, integrada por Álvaro Uribe (Colômbia), Alan García (Peru) e o próprio Piñera”, previu lugubremente um editorial da FSP de outubro de 2010.

O dote de mandatário-revelação servia ademais para espicaçar a viabilidade política da recém-eleita Dilma Rousseff. Transcorridos três anos, Piñera rasteja a caminho de uma derrota sucessória antevista como inevitável, em novembro próximo.

O ‘poste de Lula’, como dizia Serra, ostenta mais de 70% de aprovação. O que se passa? O jornalismo que apostou na ressurgência neoliberal mostra-se estupefato. O Chile fez tudo como deve ser, toda a lição de casa. É a economia mais aberta da América Latina. O Estado é mínimo: a dívida do setor público é de apenas 11,5% do PIB (36% no Brasil). A previdência foi privatizada. A proteção trabalhista é pífia.

A linha da desigualdade lembra o eletrocardiograma dum morto: oscilou de 0,55 para 0,52 entre 1990 e 2009 (a do Brasil melhorou de 0,61 para 0,54). Segundo a Cepal (dados do jornal Valor Econômico), entre 1990 e 2009, o investimento público na área social oscilou mediocremente no país: de 15,2% para 15,6% do PIB.

Até o México, coitado, deu um passo maior no mesmo período: passou de 5,5% para 11,3% do PIB. No satélite direitista dos EUA, a Colômbia, o salto foi de 6,1% para 11,5%. Já no Brasil, a ‘ gastança’ avançou de 17,6% para 27,1% do PIB; na Argentina, de 18,6% para 27,8%.

O jornalismo conservador atribui à falta de ‘traquejo’ político de Piñera, o paradoxo entre uma economia ‘saudável’ e a rejeição política esmagadora. Só que o moderno gerente do Chile esqueceu de transformar o angu econômico numa Nação.

Afinal, quem quer o apoio dos órfãos? O Chile é uma equação de números enxutos. Uma população de 17 milhões de pessoas, menor que a da cidade de São Paulo; um PIB em torno de US$ 250 bi (o paulistano fica em torno de US$ 220 bi). No entanto, é um país simplificado por uma ditadura que decidiu exterminar fisicamente o estorvo ideológico e social representado pela classe trabalhadora organizada.

Uma parte foi sangrada nas baionetas de Pinochet, a outra demolida estruturalmente pelos sacerdotes do laissez-faire. Os Chicago’s boys ergueram no Chile o altar-mor de sua religião nos anos 70. Fizeram dele um país mercado que, como tal, não precisa de projeto nacional. Um fluxo de mercadorias não requer formulação intelectual própria, logo, não precisa de universidade pública autônoma. Um aglomerado de consumo não requer cidadania.

Em seu movimento popular, os estudantes chilenos rechaçaram em massa esse entendimento do que seja um ‘Chile moderno’. E levaram para as ruas o inconformismo de décadas. Condensaram um grito de 50 anos numa bandeira ao mesmo tempo simples e atroz: ‘ensino público, gratuito e de qualidade’.

Nada pior do que um povo reduzido a uma fila de supermercado.

Mas o fracasso de Piñera não deve ser desfrutado com precipitações simplistas, até porque o jogo não acabou. O que diferencia Dilma do gerente chileno é o fato de representar um esforço político deliberado de construir uma sociedade ao mesmo tempo próspera e justa no Brasil. Esse vínculo foi extirpado do conceito de economia ‘saudável’ no Chile. E não só ele.

A qualidade do desenvolvimento perseguido pelo Brasil ancora-se numa usina de irradiação de riqueza repudiada estruturalmente no Chile desde Pinochet: a industrialização. A singularidade brasileira não é uma conquista dada de graça. É um projeto de país diariamente ameaçado pelos interesses que contraria – que não são poucos, nem unicamente locais.

Num mundo estagnado, a pressão para entregar tudo aos detentores dos mercados globais, em voraz processo de reordenação, é cada vez maior. Não por acaso Aécio Neves cercou-se de profissionais do ramo, rumo a 2014. Resistir passou a exigir definições mais coerentes e mais profundas. E linhas de passagem mais curtas e ousadas.

Um trecho do artigo Luiz Gonzaga Belluzzo no jornal Valor Econômico de 5 de fevereiro expressa a tensão estrutural que permeia as escolhas e combinações em jogo. Segundo Belluzzo: “As vantagens da China e de seus parceiros asiáticos não estão asseguradas. Não há repouso no capitalismo. Depois da crise de 2008 e de suas consequências, os países que perderam posição na disputa competitiva da manufatura – sobretudo os Estados Unidos – acenam com uma nova rodada de inovações, aquelas que seriam classificadas de ‘poupadoras de mão de obra’ pelos sábios que ainda utilizam funções de produção”.

“O economista chefe da General Eletric, Marco Annunziata e Kenneth Rogoff preconizam a iminência de um intenso movimento de automação baseado na utilização de redes de “máquinas inteligentes. Nanotecnologia, neurociência, biotecnologia, novas formas de energia e novos materiais formam o bloco de inovações com enorme potencial de revolucionar outra vez as bases técnicas do capitalismo.”

“Todos os métodos que nascem dessa base técnica não podem senão confirmar sua razão interna: são métodos de produção destinados a aumentar a produtividade social do trabalho em escala crescente. Sua aplicação continuada torna o trabalho imediato cada vez mais redundante. A autonomização da estrutura técnica significa que a aplicação da ciência torna-se o critério dominante no desenvolvimento da produção.”

“O jogo da grande empresa é jogado no tabuleiro em que a mobilidade do capital impõe conjuntamente a liberalização do comércio, o controle da difusão do progresso técnico (leis de patentes etc..) e o enfraquecimento da capacidade de negociação dos trabalhadores. Assim, as “novas” formas de concorrência escondem, sob o diáfano véu da liberdade, o aumento brutal da centralização do capital, a concentração do poder sobre os mercados, a enorme capacidade de ocupar e abandonar territórios e de alterar as condições de vida das populações”. (Luiz Gonzaga Belluzzo; Valor, 05-02).

Pois é, o recado de Belluzzo é claro: preparem-se, vem aí mais chumbo grosso. E Leblon alerta: o hiper-neoliberal Aécio também – constituindo um horizonte político e econômico, nacional e global, dos mais sombrios.

E a pergunta que não quer calar: será que a “revolução dos ricos e corruptos” não acaba nunca?

Publicado originalmente no "congressoemfoco"

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Opinião

A violência no trânsito

O Estado de S.Paulo
O Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran) notificou 711.636 motoristas no ano passado por ultrapassarem os 20 pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) ou por cometerem infração gravíssima. O total de motoristas punidos com a perda do direito de dirigir é 14% maior do que o registrado no ano anterior. Segundo dados do Detran, das nove infrações cometidas com maior frequência nas ruas e estradas paulistas, quatro são de natureza gravíssima: dirigir automóvel ou moto sem licenciamento, sem CNH ou com ela vencida há mais de 30 dias e pilotar motocicletas sem capacete ou roupas adequadas.

Conforme os últimos dados do Ministério da Saúde, é de aproximadamente 42 mil o número de pessoas que perdem a vida em acidentes de trânsito anualmente em todo o País. Em São Paulo, são computadas cerca de 7,5 mil mortes a cada ano. Em 2010, dos R$ 200 milhões usados pelo SUS para bancar as internações decorrentes dos acidentes, R$ 58,6 milhões foram para atender as vítimas do trânsito paulista.

Que a fiscalização rigorosa é importante para reduzir os acidentes nas ruas e estradas, ninguém tem dúvida. O que se discute é a falta de outras ações igualmente importantes. Educação, conscientização dos riscos de conduzir com imprudência ou alcoolizado e engenharia de tráfego podem apresentar resultados tão bons quanto a fiscalização.

Em São Paulo, a cidade que tem a maior frota de veículos do País, a aplicação de multas aumentou 149% no período de 2006 a 2012, enquanto o número de veículos registrados cresceu 36%. A Prefeitura, por sua vez, arrecadou no ano passado R$ 799 milhões com multas, 7% a mais do que em 2011, ano em que a frota cresceu 2%.

Nos últimos seis anos, a Prefeitura instalou 600 radares eletrônicos nas ruas da cidade, que emitiram 9,9 milhões de multas em 2012 (contra 3,9 milhões em 2006). Mas o impacto disso na redução do número de mortes no trânsito foi pequeno. Ele diminuiu apenas 2,9%. Em 2006, 1.407 pessoas perderam a vida nas ruas; em 2011, foram 1.365.

Já está mais do que claro que é preciso dar tanta atenção àquelas ações quanto ao aumento da fiscalização e punição dos motoristas infratores. Segurança no trânsito é responsabilidade do governo, das montadoras de veículos, dos motoristas, mas também dos centros de formação e da rede escolar.

A informação sobre o problema da violência no trânsito deve ser transmitida da forma mais clara e constante possível. O Ministério da Saúde, por meio do projeto Vida no Trânsito, já qualificou sistemas de informação em cidades como Curitiba, Palmas, Teresina, Campo Grande e Belo Horizonte. O objetivo é melhorar os bancos de dados sobre acidentes, feridos e vítimas, para permitir a identificação dos fatores de risco, como excesso de velocidade e a associação entre álcool e direção. O programa será levado em breve a Campinas e Guarulhos. Em setembro, o Ministério da Saúde autorizou o repasse de mais de R$ 12,8 milhões para os Estados aplicarem no Vida no Trânsito. Desse montante, R$ 1 milhão veio para São Paulo.

Chegou o momento de os gestores do setor de trânsito reavaliarem a forma de atuar da fiscalização. Como já vem sendo feito, é indispensável punir, entre outros, os que abusam da velocidade e tirar de circulação quem, por uma razão ou outra, não renovou a carteira de habilitação. Mas é preciso ir além e prestar mais atenção, por exemplo, a motoristas irresponsáveis que, fora do alcance dos radares, continuam promovendo verdadeiros rachas pelas ruas e ameaçando os demais com manobras proibidas.

Mas só maior rigor e maior abrangência da fiscalização não bastam. Tão importante quanto isso é educar motoristas e pedestres. E também formar agentes de trânsito capazes de orientar os motoristas - porque sua função não é apenas multar, longe disso -, principalmente em momentos críticos como os dos congestionamentos provocados por alagamentos, como ocorre com frequência na capital paulista.

Original aqui

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Manchetes do dia

Sábado, 23 / 02 / 2013

O Globo
"Após greve ilegal, governo adia privatização de portos" 

Sindicatos pressionam e paralisação afeta exportação de grãos no país

Ministro promete a sindicalistas não licitar terminais até meados de março. Apesar de o Tribunal Superior (TST)ter decretado a ilegalidade da greve dos portuários, movimento parou 30 mil trabalhadores nos principais terminais do país, ontem por seis horas, deixando navios atracados e prejudicando o embarque de grãos ao exterior. Diante da pressão dos sindicatos, o ministro da Secretria dos Portos, Leônidas Cristino, abriu negociação e garantiu que não vai tentar acelerar o trâmite da Medida Provisória (MP) 595 – que moderniza o setor - no Congresso. O governo também prometeu interromper as licitações até 15 de março.

 
O Estado de São Paulo
"Lula garante Temer como vice de Dilma, diz Alves" 

Aliança foi defendida em reunião com peemedebista; FHC diz que petista virou ‘presidente adjunto’

Após encontro de duas horas, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), afirmou que o ex- presidente Lula “foi muito afirmativo ao dizer que a vaga de vice na chapa de Dilma Rousseff em 2014 continuará com Michel Temer. De acordo com o presidente da Câmara, Lula recuou da ideia de ceder a cabeça de chapa na eleição de São Paulo para o partido, com Temer, na tentativa de liberar a vaga de vice de Dilma ao governador Eduardo Campos (PSB), e evitar sua candidatura à Presidência. Ontem, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que Lula virou uma espécie de “presidente adjunto”.

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sexta-feira, fevereiro 22, 2013

Alex Katz

Black dresses fashion

Coluna do Celsinho

Segredos da liderança

Celso de Almeida Jr.
O historiador Andrew Roberts é autor de Hitler & Churchill - Segredos da Liderança, livro publicado no Brasil pela JZE - Jorge Zahar Editor.

Baseada em ampla pesquisa dos bastidores das atuações dos dois líderes, a obra é considerada um estudo sobre a liderança, mostrando como esta pode estar separada dos conceitos de bem e mal.

Detalhe, com exemplos, o fenômeno pelo qual uma pessoa pode conduzir milhões de seres humanos, tanto à salvação quanto à desgraça.

Andrew mostra-nos como Hitler e Churchill se relacionavam com suas equipes, como tomavam decisões e como eles, durante a Segunda Guerra Mundial, se avaliavam um ao outro.

Ilustrado com mais de 40 fotos, o livro traz também muitas citações, como esta zombaria que Churchill fez pelo rádio em 10 de maio de 1942:

"Esqueceu-se do inverno russo. Há inverno na Rússia, sabiam? Por muitos meses a temperatura tende a ficar muito baixa. Há neve, geada, e tudo mais. Hitler esqueceu-se do inverno russo. Deve ter recebido uma educação muito desleixada. Todos nós ouvimos falar desta estação na escola; mas ele esqueceu isso. Nunca cometi um erro tão crasso como esse."

Na essência, a obra nos conduz para reavaliarmos o modo como encaramos aqueles que tomam decisões por nós.

E, reforça, que os segredos de comando podem ser aprendidos e controlados.

Leitura obrigatória para políticos e extremamente recomendável para eleitores.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Pitacos do Zé


E por falar em civilidade... (XXXIII)

José Ronaldo dos Santos
Após a roçada geral dos “homens de azul”, eis que novamente o esgoto do Jardim Ipiranga se revela indo para a sua rede natural, ou seja, o rio Ipiranguinha. Faço questão de lembrar que na área, há treze anos, existe a rede de esgoto. Só que está no outro lado do rio. Será que a empresa de saneamento (Sabesp) considera que os moradores do Jardim Ipiranga, Vale do Sol e Emaús não merecem esse sinal de civilidade, liberando-os para aproveitarem o rio que é tão perto? Faz-me lembrar das propagandas bonitas veiculadas na televisão: Onda Limpa, Praia Limpa etc. Quanta mentira! Detalhe: o citado rio deságua no Rio Grande de Ubatuba e chega na praia do Cruzeiro, piorando ainda mais a sua balneabilidade. Legal, né? O que será que a prefeitura pode fazer?

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Opinião

Não se governa de um palanque

O Estado de S.Paulo
Uma das críticas recorrentes e mais contundentes que até notórios simpatizantes como Frei Betto fazem ao Partido dos Trabalhadores é a de que, após chegar ao Palácio do Planalto, em 2003, o partido passou a priorizar seu ambicioso projeto de perpetuação no poder, a ele condicionando o projeto de governo. Na última quarta-feira, na festa promovida para comemorar "o decênio que mudou o Brasil", Luiz Inácio Lula da Silva - o que é natural - e Dilma Rousseff - o que é lamentável - demonstraram acima de qualquer dúvida que estão mais preocupados com as urnas do que com a solução dos crescentes problemas do País. A festa, minuciosamente planejada pelo marqueteiro oficial dos petistas, João Santana, serviu de palanque para o lançamento, por Lula, da candidatura de Dilma Rousseff à reeleição, daqui a um ano e oito meses. E a presidente da República cumpriu disciplinadamente o papel que o roteiro da festa lhe reservava. Com um discurso populista e sectário, inadequado para quem não deixa de ser chefe de governo e de Estado nem mesmo num evento partidário, Dilma Rousseff sinalizou que daqui para a frente, até outubro de 2014, será sempre mais candidata do que presidente.

Ao antecipar o calendário eleitoral e comunicar ao País que sua pupila vai disputar a reeleição, Lula demonstrou que, ao contrário do que seu tom triunfal sugere, sabe que a vitória em 2014 não são favas contadas, principalmente por conta das incertezas de uma conjuntura econômica que, se até recentemente era favorável, agora é uma grande incógnita no médio prazo. Por essa razão tentará o Partido dos Trabalhadores, o mais cedo possível, "tomar conta" da cena eleitoral e consolidar a imagem da presidente Dilma Rousseff com, mais uma vez, a irrecusável indicação do Grande Chefe. Em circunstâncias normais, esse seria um problema do Partido dos Trabalhadores, que os eleitores resolveriam nas urnas.

Ocorre que quem está genuinamente preocupado com o futuro do País não pode deixar de constatar que o partido hegemônico no âmbito federal opta claramente por se aproveitar das dificuldades nacionais - que se acumularam nos últimos dois anos -, em vez de superá-las em benefício de todos os brasileiros.

Pois é isso que ocorre quando os programas governamentais passam a ser subordinados aos interesses eleitorais, sempre imediatos. Não se governa de cima do palanque. Buscar soluções para questões fundamentais no âmbito da educação, saúde, infraestrutura, segurança, etc., implica frequentemente a prescrição e a aplicação de remédios amargos que só rendem dividendos políticos a longo prazo, provavelmente muito depois da próxima eleição. A presidente Dilma faria muito melhor, portanto, se, em vez de vestir vermelho e recitar num palanque as frases de efeito que lhe são ditadas por seu marqueteiro, se dedicasse a governar bem, que é o que dela se espera.

Mas na festança petista, realizada nas instalações de um hotel de São Paulo, os militantes em geral tinham mesmo muito o que comemorar, depois de 10 anos no poder, numa máquina estatal aparelhada como nunca antes na história deste país. Um aparelhamento, justiça seja feita, compartilhado com um enorme arco heterogêneo de alianças, devidamente representado no palanque por caciques partidários que iam desde os "faxinados" ex-ministros Carlos Lupi (PDT) e Alfredo Nascimento (PR) até o neodilmista Gilberto Kassab (PSD), saudado pela plateia com sonora vaia. Companhias, até para alguns petistas, um tanto indigestas. Mas, como explicou Lula, "ora, não é para casar!".

A cereja do bolo servido na festa petista foi a participação de mensaleiros condenados pelos mais variados crimes: José Dirceu, José Genoino e João Paulo Cunha. Foi-lhes estritamente recomendada uma participação discreta, o que os manteve fora do palanque, mas não os privou de efusivas manifestações de apreço e consideração.

Enquanto isso, a oposição continua em obsequioso silêncio, quebrado pelo solitário discurso de críticas ao governo feito pelo senador Aécio Neves na tarde de quarta-feira. Foi pouco, muito pouco.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 22 / 02 / 2013

O Globo
"Papa mandou investigar rede de sexo e corrupção" 

Relatos de prostituição homossexual e desvio de dinheiro pesaram na renúncia

Um dossiê de 300 páginas, elaborado a pedido do Papa Bento XVI por três cardeais na esteira do escândalo VatiLeaks, acabou se transformando no argumento definitivo para a renúncia, segundo publicou o jornal italiano "La Repubblica". O relatório, entregue a ele dia 17 de dezembro, contém capítulos sobre corrupção, promiscuidade, mapeamento de uma rede de prostituição homossexual dentro do Vaticano e desvio de dinheiro. “Este documento será entregue ao próximo Papa, que deverá ser bastante forte, jovem e santo para poder enfrentar o trabalho que o espera teria reagido Bento XVI. O porta-voz do Vaticano não confirmou nem desmentiu o conteúdo.

 
O Estado de São Paulo
"Brasil se omitiu sobre direitos humanos em Cuba, diz Yoani" 

Em evento realizado no Grupo Estado, a dissidente cobrou posicionamento mais enérgico’ do governo

A blogueira cubana e colunista do Estado, Yoani Sánchez, afirmou ontem que o governo brasileiro “se omite” em relação à situação dos direitos individuais em seu país. E cobrou posicionamento “mais enérgico” do Brasil. “Acho que faltou dureza ao tratar a questão dos direitos humanos na ilha. Houve omissão no caso do Brasil”, disse. Ela falou durante evento com a presença de cerca de 200 pessoas no Grupo Estado. Yoani manteve suas críticas ao regime dos irmãos Castro, mas reconheceu que as reformas socioeconômicas promovidas desde o fim de 2010 pelo presidente Raúl “estão na direção correta”. A dissidente classificou os protestos que vem enfrentando desde que chegou ao País de “fanatismo”.

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quinta-feira, fevereiro 21, 2013

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Opinião

Liberdade à cubana 

 O Estado de S.Paulo 
Os militantes que na segunda-feira hostilizaram a dissidente cubana Yoani Sánchez nos aeroportos do Recife e de Salvador e na mesma noite impediram a exibição, em Feira de Santana, de um documentário produzido no Brasil de que ela é protagonista decerto nunca leram uma linha da líder revolucionária alemã Rosa Luxemburgo (1871-1919). Eles são exímios, de toda forma, em pôr de ponta-cabeça a máxima que a apartou dos maiores líderes revolucionários de seu tempo, como Lenin e Trotsky. Enquanto estes, fiéis a Marx, consideravam a ditadura do proletariado imprescindível à construção do que seria o edênico sistema comunista, já então, com admirável senso premonitório, ela cunhou a máxima graças à qual se poupou de entrar para a história pela via da ignomínia e da apologia da violência em escala até então sem precedentes. "A liberdade", escreveu, "é quase sempre, exclusivamente, a liberdade de quem discorda de nós." 

Os grupelhos autoritários que tentaram intimidar a filóloga e jornalista Yoani, de 37 anos - a única voz contra a ditadura castrista que se exprime pela internet, no seu blog Generación Y, criado em 2007 -, desfrutariam em Cuba da "liberdade" de concordar com a senil ordem política local. Só há pouco, numa tentativa de adiar o seu desmanche, o castrismo passou a permitir viagens ao exterior sem que os interessados tenham de obter o infame visto de saída da ilha. Graças a isso, Yoani pôde tirar o passaporte que lhe vinha sendo negado sistematicamente. Ela só esteve fora de Cuba de 2002 a 2004, quando morou na Europa. Sendo o que são os seus fanatizados detratores - filiados a organizações patéticas como a União da Juventude Socialista, ligada ao PC do B e admiradora do regime norte-coreano; do Partido Comunista Revolucionário, que almeja "dirigir a classe operária"; e do Partido Consulta Popular, pró-MST, que ministra um curso de "realidade brasileira" -, seria nulo o seu risco de punição no feudo dos irmãos Castro. 

Isso porque não há hipótese de que o contato com a realidade cubana viesse a abalar a sua petrificada mentalidade. Antes, seriam capazes de competir com os serviços de segurança do regime no zelo persecutório aos que ousam exercer "a liberdade de quem discorda". Esse lumpesinato político nem precisa ser mobilizado pela Embaixada de Cuba em Brasília para querer sabotar a passagem de Yoani pelo País. A blogueira e colunista do Estado, que só não foi agredida fisicamente na chegada porque estava sob proteção, não se surpreendeu. "Com insultos, estou acostumada", comentou. "Tenho a pele curtida contra xingamentos. Isso é o cotidiano na minha vida." (Depois de amanhã, ela participará de um evento aberto ao público, "Conversa com Yoani", na sede deste jornal. No mesmo dia será exibido o documentário barrado em Feira de Santana, Conexão Cuba-Honduras, do cineasta baiano Dado Galvão.) Pior são os petistas que não só comungam com o castrismo e a chamada Revolução Bolivariana de Hugo Chávez, mas comparam dissidentes a delinquentes, ou "bandidos". 

Foi o inesquecível termo empregado pelo então presidente Lula, numa visita a Havana em março de 2010, quando o jornalista cubano Guillermo Fariñas completava 15 dos seus 135 dias em greve de fome pela libertação dos presos políticos da ilha. No Brasil, os manifestantes que chamam Yoani de "traidora" e de "agente da CIA" fazem barulho. O PT faz mais: o bastante para se assegurar de que o governo brasileiro se abstenha de criticar, que dirá condenar, Cuba nos fóruns internacionais sobre violações de direitos humanos. Dirigentes do partido, como o mensaleiro José Dirceu, pagam de bom grado a sua infindável dívida com Fidel por tê-los acolhido - e treinado para o desvario da guerrilha - no tempo da ditadura militar. Já Yoani, no que dependeu dela, começou bem a sua visita. O seu comedimento e manifesto fair-play chamaram desde logo a atenção. Por exemplo, recusando-se a comparar Cuba ao Brasil, mencionou os estrangeiros que, tendo passado duas semanas em um hotel de Havana, "explicam para mim como é o meu país". Mas não deixou de lembrar a frase de um amigo: "Os brasileiros são como os cubanos, mas são livres". 

Original aqui  

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 21 / 02 / 2013

O Globo
"Lula lança Dilma, e Aécio parte para o ataque" 

Mensaleiros são recebidos com festa no evento pelos dez anos do PT no Planalto

Cobrado a assumir comando da oposição para 2014, tucano atacou gestão de petistas e afirmou que Brasil parou; 'Podem juntar quem quiserem. Vamos dar como resposta a reeleição de Dilma,' rebateu ex-presidente. Com mais de um ano de antecedência, petistas e tucanos deram a largada para a campanha de 2014. Em São Paulo, a comemoração pelos dez anos do PT no poder se transformou no pré-lançamento da candidatura da presidente Dilma Rousseff à reeleição. Em Brasília, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) atacou a gestão do PT: “Hoje quem governa o país é a lógica da reeleição." Na festa dos petistas, o ex-presidente Lula reagiu: "Vamos dar como resposta a reeleição de Dilma.” Mensaleiros como José Dirceu e José Genoino foram recebidos com entusiasmo.

 
O Estado de São Paulo
"Em ato, PT ataca tucano e reforça Dilma candidata" 

O senador Aécio Neves e o ex-presidente FHC foram criticados por manifestações recentes contra o partido

Petistas usaram o evento de comemoração pelos 10 anos do partido no comando do País, realizado em São Paulo, para atacar a oposição e reforçar a candidatura da presidente Dilma Rousseff à reeleição. O senador Aécio Neves (PSDB) e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foram criticados pelos ataques que ambos fizeram ao partido. “A oposição não pode querer impedir que o PT celebre uma década de governo democrático e popular”, afirmou o governador do Sergipe, Marcelo Déda. Ele ainda colocou a presidente no centro da disputa de 2014. “A Dilma é a candidata do Lula e de todos nós do PT”, afirmou. O ato teve a presença de Dilma, do ex-presidente Lula e de petistas condenados no mensalão.

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quarta-feira, fevereiro 20, 2013

Pitacos do Zé


E por falar em civilidade... (XXXII)

José Ronaldo dos Santos
Neste dia (19/2) os “homens de azul” estão num grande mutirão na “Rua dos Buracos”, digo Rua Frei Tarcísio, no Jardim Ipiranga. Agora, mediante uma visita na semana passada ao cemitério na mesma área, não seria boa sugestão uma limpeza geral por lá?


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Opinião

Mau uso da força

O Estado de S.Paulo
Carentes de argumentos sensatos para combater a modernização dos portos - que precisam ser modernizados com urgência, pois se tornaram estreito gargalo para o crescimento do comércio exterior do País -, sindicalistas liderados pela Força Sindical decidiram lançar mão da força, como sugere o nome da central. Com a ocupação de um navio procedente de Xangai e carregado de equipamentos destinados a um terminal privado instalado no Porto de Santos, esses sindicalistas tentam paralisar as operações portuárias, para forçar o governo a alterar pontos da Medida Provisória (MP) 595, que estabelece novas condições para as operações dos terminais e para a contratação de trabalhadores.

Desse modo, parecem atender ao apelo do principal dirigente da central sindical, o deputado federal Paulinho da Força (PDT-SP), que há dias afirmou que "o pau vai comer" se o governo não concordar com o que ele e seus liderados querem. E o que Paulinho e esses sindicalistas querem é, simplesmente, retirar da MP 595 o que ela tem de mais modernizador no campo das relações de trabalho. A MP assegura também para as empresas que operam nos portos a liberdade de que gozam as demais empresas instaladas no País de, respeitando com rigor a legislação trabalhista, contratar diretamente os trabalhadores de que elas necessitam.

O motivo pelo qual Paulinho e sua Força Sindical se opõem de maneira tão violenta à observância, também nos portos, do regime de livre contratação é que, por meio de um organismo criado pela Lei dos Portos, de 1993, sindicalistas podem decidir qual trabalhador avulso será contratado. A legislação determina que a designação de trabalhadores para determinados serviços será feita pelo Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo), formado por representantes das empresas, dos trabalhadores e do governo.

Em Santos, estão cadastrados no Ogmo cerca de 6 mil trabalhadores avulsos. No Brasil, são cerca de 23 mil. A Força, que tem representação no Ogmo, pode decidir sobre o trabalho e sobre a renda desses trabalhadores. E, certamente, não quer perder essa forma de poder.

A MP, esclareça-se, não altera em nada o que já está sendo feito. O poder do Ogmo, e, consequentemente, da Força e de outras entidades sindicais, continuará do jeito que está. Ela apenas abre, para as novas empresas que vierem a operar terminais portuários, a possibilidade de contratar livremente, sem necessidade de recorrer a intermediários, como o Ogmo.

É claro que, com a modernização dos serviços e dos equipamentos portuários de acordo com as novas regras, o poder das entidades sindicais diminuirá. Mas não diminuirão as garantias legais nem as oportunidades para os trabalhadores.

O que se espera é que, com as novas regras, os investimentos nos portos brasileiros alcancem R$ 54 bilhões nos próximos quatro anos, basicamente de origem privada. Isso significará mais e melhores serviços para o comércio exterior e para a economia do País e mais oportunidades de emprego e renda para os portuários em geral.

As organizações sindicais conscientes haverão de encontrar, nesse novo ambiente, as formas adequadas para sua atuação, sem necessidade de recorrer à força, como fazem certos dirigentes sindicais, para preservar o que vem se mostrando cada vez mais custoso para o País e, consequentemente, para os próprios trabalhadores.

Até agora, mesmo aberto ao diálogo com os opositores, o governo vem mantendo firmeza na defesa dos pontos principais da MP - além da livre contratação pelas novas operadoras, a MP permite que empresas sem cargas próprias operem os novos terminais, o que amplia o universo de investidores interessados nesses serviços. Tem tido o apoio da maioria das organizações empresariais interessadas na expansão e melhoria dos serviços portuários, pois isso reduzirá os custos operacionais.

Sem se render às ameaças da Força, a Secretaria dos Portos anunciou que o processo de licitação de 159 terminais começará por Santos, o maior porto do País, e por Belém, por sua importância para o abastecimento de combustível da Região Norte.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 20 / 02 / 2013

O Globo
"Rio abre internação por crack só com 40 vagas" 

Já na primeira operação, 29 dependentes foram levados para hospitais públicos

Secretário diz que não haverá "atacadão" para retirar viciados das ruas. A prefeitura do Rio iniciou ontem a internação involuntária de adultos viciados em crack. A partir da orientação de uma equipe médica, 29 pessoas que consumiam a droga na cracolândia da Favela Parque União, às margens da Avenida Brasil, foram levadas para cinco hospitais públicos, onde receberão tratamento para desintoxicação por até 15 dias. O número de leitos destinados aos dependentes de crack se resume a 40. Responsável pela ação de recolhimento que interditou a via expressa por quase uma hora, o secretário municipal de Governo, Rodrigo Bethlem, disse que a internação involuntária é prevista em lei, e que a prefeitura não fará um "atacadão" pata retirar os viciados das ruas.

O Estado de São Paulo
"Dilma anuncia fim da pobreza extrema e PT dá início à campanha" 

Presidente do partido minimiza adversários e vê reeleição ‘sem pedras no caminho’

A presidente Dilma Rousseff deu a largada na campanha à reeleição com o anúncio, ontem, de que 22 milhões de pessoas deixaram a situação de extrema pobreza desde que seu governo lançou o programa Brasil Sem Miséria. Essa foi uma de suas principais promessas e deve embalar a campanha presidencial. Realizada um dia antes de evento do PT, a cerimônia teve a presença de 13 ministros e dez governadores. Em seu discurso, Dilma citou pelo menos quatro vezes o ex-presidente Lula e seu legado. Na tentativa de rebater críticas de que ela estaria fazendo propaganda enganosa, fez uma ressalva. “Não estamos dizendo que não haja mais brasileiros extremamente pobres. O que estamos garantindo é que o mais difícil já foi feito", afirmou. O presidente do PT, Rui Falcão, disse que Dilma "tem tudo para reeleita". Ele minimizou futuros adversários. "Não há pedras no caminho", enfatizou.

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terça-feira, fevereiro 19, 2013

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Opinião

Menos mortes no trânsito

O Estado de S.Paulo
Os feriados prolongados, especialmente o carnaval e as festas de fim de ano, costumam terminar com tristes recordes de mortos e feridos em acidentes graves nas estradas e nas cidades. A causa principal é sobejamente conhecida: a embriaguez de motoristas, que se sentem encorajados a excessos de velocidade, ultrapassagens com risco, trânsito por faixas de acostamento e outras irregularidades, muitas vezes ceifando vidas ou causando ferimentos sérios não só nos próprios infratores, mas também em motoristas cautelosos, respeitadores das leis do trânsito, e em pedestres. Essa situação está começando a mudar. Balanço realizado pelo governo do Estado de São Paulo, entre as 18 horas de sexta-feira e as 12 horas da Quarta-feira de Cinzas, revelou uma queda de 13% no número de mortes e de 57% no de acidentes não fatais em todo o Estado de São Paulo, no primeiro carnaval com aplicação da chamada Lei Seca, depois que ela sofreu alterações que a tornaram mais rigorosa.

Tanto nas rodovias como nas cidades, a Polícia Militar (PM) também procurou flagrar usuários de maconha e de outras drogas, contando para isso com aparelhamento adequado. Têm sido bons os resultados do novo modelo de fiscalização, como afirmou o governador Geraldo Alckmin. Mesmo assim, o número de acidentes fatais ainda é alto. Isso mostra como é importante dar continuidade ao trabalho corretivo-educativo para que a lei realmente "pegue" e leve a uma mudança de hábitos de uma parte dos condutores de veículos acostumados com a impunidade.

A intensa fiscalização vem ganhando apoio da população. Não são poucas as pessoas que, por medo de acidentes ou das severas punições previstas pela lei, têm evitado beber quando vão dirigir. Ou então, quando saem para se divertir, preferem utilizar meios de transporte coletivo ou táxis. Já é comum jovens se reunirem para a contratação de táxis para ir às baladas. Mas a quantidade de infratores ainda assusta: somadas as operações nas rodovias e dentro das cidades, o número de pessoas multadas este ano foi de 1.419, um aumento de 22% em relação a 2012 (1.164).

A PM tem procurado submeter motoristas a testes de bafômetro ao menor indício de que o veículo está sendo dirigido de forma anormal. Este ano, 11.396 foram submetidos a eles em todo o Estado, um aumento de 36% em relação ao ano passado (8.445), Se o teste indicar mais de 0,33 ml de álcool no ar expelido pelos pulmões, isso configura crime de trânsito, sujeito à apreensão da carteira de habilitação, multa de R$ 1.915,40 e pena de prisão de seis meses a três anos. A multa e o recolhimento da carteira também são aplicados nos casos em que o bafômetro indica uma dosagem menor, mas superior de 0,05 ml por litro de ar.

Mas o bafômetro, que não é obrigatório, deixou de ser o único meio para constatar que o motorista dirige embriagado, o que torna mais difícil fugir da fiscalização. Além da observação de policiais, vídeos e testemunhos também valem como provas e, neste carnaval, em todo o Estado, foram efetuadas 435 prisões de motoristas que dirigiam alcoolizados, número 240% superior ao do mesmo período do ano passado. Ao todo, foram recolhidas 561 carteiras de habilitação. Durante as blitze, foram feitas também 170 detenções por tráfico de drogas.

É verdade que a Justiça tem sido lenta para punir quem desrespeita as leis do trânsito. Mas o rigor das autoridades policiais, a imposição de uma pesada pena pecuniária, o recolhimento da carteira de habilitação e os incômodos a que estão sujeitos os motoristas detidos tendem a infundir temor àqueles que persistem em beber antes de pegar o volante.

Em casos de prisão pela Polícia Militar, os motoristas estão sujeitos a terem seus carros guinchados para pátios do Detran e de outros órgãos públicos, que também colaboram com a campanha, arcando com todos os ônus decorrentes e incômodos para sua vida pessoal e profissional. Isso, pouco a pouco, terá um decisivo efeito inibidor.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 19 / 02 / 2013

O Globo
"Governo desafia sindicatos e avança na reforma de portos" 

Ainda no primeiro semestre, áreas nos terminais de Belém e Santos serão licitadas

Previsão é que o setor receba 54 bilhões em investimentos para garantir mais exportações. Mesmo diante de ameaças de greve e da ocupação de um navio chinês em Santos (SP) por sindicalistas ligados à Força Sindical, o governo federal deixou claro que insistirá na aprovação da medida provisória (MP) 595 — que altera as regras para os portos e amplia a participação da iniciativa privada. Além disso, promete licitar áreas nos terminais de Belém e Santos neste primeiro semestre, num passo decisivo para modernizar o setor e aumentar o comércio exterior, a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, reuniu-se com representantes de empresas que defendem a liberação dos portos. 


O Estado de São Paulo
"Concessão de portos começa por Santos e Belém e gera protesto" 

Leilão abrange 159 terminais; homens invadiram navio contra novas regras

O governo anunciou ontem que vai começar pelos portos de Santos e de Belém o processo de licitação de 159 terminais sob as novas regras fixadas para o setor. Desses, 42 são novas áreas e o restante, contratos que estão vencidos ou por vencer até 2017. A Medida Provisória dos Portos, que abre a exploração dos terminais para a iniciativa privada, causou manifestação de trabalhadores do porto de Santos. Pouco antes do anúncio da medida, homens invadiram um navio vindo de Xangai em protesto contra planos do governo de mudar as relações trabalhistas nos portos. Sindicalistas ameaçam com greve. Os terminais de Santos e de Belém devem exigir investimentos de Rg 3,2 bilhões. O governo espera iniciar os leilões no primeiro semestre, mas as áreas a serem licitadas ainda passam por estudos de viabilidade econômica.

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segunda-feira, fevereiro 18, 2013

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Opinião

Dúvidas sobre o plano ferroviário

O Estado de S.Paulo
Prestes a colocar em consulta pública, já com atraso, a minuta do primeiro edital de concessão de ferrovias de acordo com o programa de investimentos para o setor anunciado em agosto do ano passado, o governo ainda revê os trechos a serem concedidos e até agora não conseguiu desfazer dúvidas dos investidores privados sobre a viabilidade do modelo que anunciou. Esse modelo, no qual qualquer interessado poderá transportar cargas pelas linhas férreas, terá de conviver com o vigente no País, no qual as atuais concessionárias têm controle pleno da utilização das linhas em operação. Será um modelo híbrido, nunca testado em nenhum país.

O programa do governo prevê investimentos de R$ 91 bilhões (dos quais R$ 56 bilhões nos cinco primeiros anos) em modernização e ampliação de 10 mil quilômetros de ferrovias, divididos em 12 lotes. Os objetivos principais do programa são recuperar a ferrovia como alternativa logística, aumentar a concorrência no setor e reduzir as tarifas. A construção, modernização, manutenção e operação da infraestrutura ferroviária serão feitas por meio de Parcerias Público-Privadas (PPPs).

A estatal Valec comprará toda a capacidade de transporte desses trechos e a venderá em oferta pública, garantindo ao comprador o direito de passagem dos trens em todas as malhas, para aumentar a concorrência e reduzir as tarifas. Poderão participar da compra usuários com cargas próprias, operadores ferroviários independentes e as atuais concessionárias de transporte ferroviário.

Os seis primeiros lotes deveriam ter seus estudos concluídos em janeiro, para que fossem leiloados em abril. Esse cronograma não vale mais. Recentemente, o governo redesenhou a malha, com a inclusão de trechos em construção pela Valec, e que atendem importantes regiões produtoras de grãos, e da ligação de Açailândia (MA) ao Porto de Vila do Conde (PA), segundo o jornal Valor (13/2). Com isso, o programa terá mais 1.535 km. O primeiro edital a ser submetido a consulta pública em breve, e que servirá de modelo para os demais, refere-se ao trecho de 530 km de Açailândia, na Ferrovia Norte-Sul, a Vila do Conde. O objetivo é que todos os contratos estejam assinados até o fim do ano.

Até lá, porém, dúvidas terão de ser dirimidas, para que realmente haja interessados em investir nas ferrovias de acordo com as regras anunciadas. Boa parte dessas dúvidas foi apontada por três técnicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), numa nota técnica da qual o Estado (13/2) apresentou um resumo. Um dos problemas, como afirmou Fabiano M. Pompermayer, um dos autores do estudo, é que empresas que dominam o setor e têm grande disponibilidade financeira podem comprar mais capacidade do que necessitam apenas para impedir a entrada de concorrentes.

A decisão do governo de fazer a Valec comprar toda a capacidade das linhas, de sua parte, pode implicar custos para o Tesouro, quando a demanda de alguns trechos não for suficiente para cobrir os custos.

Também pode reduzir o interesse dos investidores o fato de haver concorrência de outras modalidades de transportes em trechos paralelos à costa, como São Paulo-Rio Grande, Rio de Janeiro-Vitória, Salvador-Recife, entre outros. São conexões atendidas pela navegação de cabotagem e, na maior parte, dispõem ou disporão também de rodovias duplicadas.

Além disso, a ampliação da malha lançará mais carga sobre as linhas existentes, algumas das quais operam perto do limite de saturação. E o programa não prevê a ampliação da capacidade das linhas em operação.

Do ponto de vista institucional, não está resolvida de maneira clara a questão do compartilhamento da infraestrutura, isto é, a garantia de que os operadores independentes e os detentores de cargas próprias poderão utilizar a malha controlada pelas atuais concessionárias. A legislação permite o compartilhamento sempre que houver capacidade ociosa, mas, até agora, a demonstração da existência ou não de ociosidade depende de informações fornecidas exclusivamente pelas concessionárias. A questão é vital no acesso aos portos, por exemplo.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 18 / 02 / 2013

O Globo
"Indústria do país perde US$ 14 bi em exportações" 

Com menos investimentos, fatia do setor nas vendas externas cai de 71% para 61%

Desde o início da crise de 2008, Brasil reduziu parcela destinada a países como EUA, México e Argentina. China, Peru e Colômbia ocuparam espaço. A apatia da indústria pode fazer com que o Brasil perca a chance de avançar no mercado mundial, no momento em que os emergentes devem tomar a liderança nas vendas externas. Da crise de 2008 até 2011, a falta de competitividade custou US$ 14 bilhões ao país, equivalente à fatia que a indústria perdeu nos principais destinos das suas exportações. Até o ano passado, a participação do setor tinha recuado de 71% para 61% do total vendido. Isso é, em boa parte, resultado de uma taxa de investimento baixa, de 18,9% do PIB, a menor entre as nações dos Brics. 


O Estado de São Paulo
"TRE paga R$ 5,3 milhões em bônus a 41 servidores" 

Tribunal Eleitoral de São Paulo se antecipou ao STF que, a pedido da AGU, vai julgar se benefício é legal

O Tribunal Regional Eleitoral de SP pagou R$ 5,34 milhões a título de vantagem pessoal a 41 funcionários administrativos em dezembro de 2012, informam os repórteres Fausto Macedo e Fernando Gallo. Os dez primeiros da lista embolsaram quantias superiores a R$ 200 mil. A corte decidiu pagá-los mesmo sem que o Supremo Tribunal Federal tenha chegado a entendimento sobre a legalidade do pagamento, contestado pela Advocacia-Geral da União. O TRE alega que a verba liberada no fim do ano teve respaldo em acórdão da própria corte. O tribunal informou que a vantagem foi paga a servidores que exerceram funções comissionadas entre 1998 e 2001. Pelo exercício do cargo de confiança, teriam direito a gratificação.

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domingo, fevereiro 17, 2013

Miró


Colunistas

Bento XVI: já vai tarde

“A renúncia do papa evidencia a exaustão de uma burocracia incapaz de administrar democraticamente suas divergências e afunilada pela disputa entre facções direitistas”

Márcia Denser
Inspirada em várias fontes, eis algumas reflexões (e revelações para quem não sabe) sobre a renúncia de Bento XVI: um mix de dinheiro, poder e sabotagens, corrupção, espionagem, escândalos sexuais – a presença ostensiva desses ingredientes de filme de terror no noticiário constituía o dia-a-dia do Vaticano.

Tal frequência e a intensidade anunciavam algo nem sempre inteligível ao mundo exterior: o acirramento da disputa sucessória de Bento XVI nos bastidores da Santa Sé. Desta vez, mais do que nunca, a fumaça que anunciará o “habemus papam” refletirá o desfecho de uma fritura política de vida ou morte entre grupos radicais de direita na alta burocracia católica.

Mais que de saúde, razões de Estado teriam levado Bento XVI a anunciar a renúncia de seu papado.

A verdade é que a direita formada pelos grupos da Opus Dei foi o murro de arrimo deste Bento – no Brasil, sobretudo gente do PSDB como o jurista Ives Gandra, o jornalista Carlos Alberto di Franco, este, aliás, mentor do governador Geraldo Alckmin na organização. O falecido bispo de Guarulhos, D. Luiz Bergonzini, que serviu como cabeça-de-turco de Serra na campanha de 2010, acusando Dilma de “aborteira” em panfletos com assinatura falsa da CNBB, era igualmente vinculado à extrema direita católica. O ex-chefe da Casa Civil do governo de São Paulo Sidney Beraldo, agora no TCE, apontado então como um tucano com fortes vínculos junto a D. Bergonzini; ambos conterrâneos de São João da Boa Vista, onde Beraldo foi prefeito e Bergonzini nasceu e atuou.

A revista Época, pertencente às Organizações Globo, documentou na reportagem “O governador e a Obra” a iniciação do tucano Geraldo Alckmin na Opus Dei. Aliás, a revista IstoÉ também fez um ilustrativo mapeamento dos vínculos entre tucanos e os responsáveis pelo panfleto anti-aborto da extrema direita religiosa, em 2010.

Na União Européia, os “Legionários” e a “Comunhão e Libertação” (este último ligado ao berlusconismo) já haviam precipitado o fim do seu papado nos bastidores do Vaticano. Sua desistência oficializa a entrega de um comando de que já não dispunha. Devorado pelos grupos dos quais inicialmente tentou ser o porta-voz e controlar, Bento XVI jogou a toalha.

O gesto evidencia a exaustão histórica de uma burocracia planetária, incapaz de administrar democraticamente suas divergências, cada vez mais afunilada pela disputa de poder entre as várias facções direitistas, cuja real distinção resume-se ao calibre e volume das armas disponíveis na guerra de posições: ironicamente, Ratzinger foi a expressão brilhante e implacável dessa engrenagem comprometida.

Quadro ecumênico da teologia, inicialmente um simpatizante das elaborações reformistas de pensadores como Hans Küng (vide seu perfil feito por José Luís Fiori na Carta Maior), Joseph Ratzinger escolheu o apoio da direita para galgar os degraus do poder interno no Vaticano.

Em meados dos anos 70/80, ele consolidaria essa comunhão emprestando seu vigor intelectual para se transformar em uma espécie de Joseph McCarthy do fundamentalismo católico. Foi assim que exerceu o comando da temível Congregação para a Doutrina da Fé. À frente desse arremedo da Santa Inquisição, Ratzinger foi diretamente responsável pelo desmonte da Teologia da Libertação.

O teólogo brasileiro Leonardo Boff, um dos intelectuais mais prestigiados desse grupo, dentro e fora da igreja, foi um dos seus alvos: advertido, punido e desautorizado, seus textos foram interditados e proscritos. Por ordem direta do futuro papa. Antes de assumir o cargo supremo da hierarquia, Ratzinger “entregou o serviço” cobrado pelo conservadorismo.

Tornou-se mais uma peça da alavanca movida por gigantescas massas de forças que decretariam a supremacia dos livres mercados nos anos 80; a derrota do Estado do Bem Estar Social; o fim do comunismo e a ascensão dos governos neoliberais em todo o planeta. Não bastava conquistar Estados, capturar bancos centrais, agências reguladoras e mercados financeiros, era necessário colonizar corações e mentes para a nova era.

E dá-lhe pedofilia por debaixo dos paramentos sacrossantos!

Sob a inspiração de Ratzinger, seu antecessor, João Paulo II, liquidou a rede de dioceses progressistas no Brasil, por exemplo. As pastorais católicas de forte presença no movimento de massas foram emasculadas em sua agenda “profana”. A capilaridade das comunidades eclesiais de base da igreja ficou restrita ao catecismo convencional e, naturalmente, à Nova Carismática e o nunca por demais esquecido Padre Marcelo Rossi (cruzes!).

Ratzinger recebeu o Anel do Pescador em 2005, no apogeu do ciclo histórico que ajudou a implantar. Durou pouco. Três anos depois, em setembro de 2008, as finanças do conservadorismo sofreriam um abalo do qual não mais se recuperaram.

Resta desde então a imensa máquina de desumanidade que o Vaticano ajudou a lubrificar neste ciclo – como já havia feito em outros, é só invocar a História, a começar do que resta na memória popular de Papas como Rodrigo Borgia, ou Alexandre VI, com reputação de cruel e devasso, que nomeou o próprio filho Cesare Borgia, além de muitos outros parentes, como cardeais; de Júlio III, a nomeação como cardeal-sobrinho do amante de 17 anos, Innocenzo, sem esquecer Pio XII, contemporâneo do nazismo e aliado de Hitler, graças a quem subiu ao poder, ficando indelevelmente marcado por essa aliança e total “cegueira” e silêncio ultrajantes quanto ao Holocausto.

Fome, exclusão social, desolação juvenil não são mais ecos de um mundo distante. Formam a realidade cotidiana no quintal do Vaticano, em uma UE destroçada para a qual a Igreja Católica não tem mais nada a dizer há séculos. Sua tentativa de dar uma dimensão terrena ao credo conservador perdeu qualquer sentido perante a crise social devastadora.

Será lembrado (ou esquecido) como o Papa dos ricos e pedófilos.

Vade retro, Satanás!

Ou melhor: já vai tarde.

Publicado originalmente no "congressoemfoco"

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