sábado, fevereiro 16, 2013

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Opinião

Não em meu nome

Fernando Gabeira
Mais de 1 milhão de pessoas assinaram um manifesto contra Renan Calheiros na presidência do Congresso Nacional. Movimentos como esse têm grande valor simbólico. Equivalem às manifestações modernas em que se protesta contra algo vergonhoso ou sanguinário com cartazes que dizem: "Não em meu nome". São bons para mostrar que o País não é homogêneo e que alguns governantes tomam atitudes francamente rejeitadas por milhares de seus conterrâneos.

Em termos internacionais, isso é a notícia. Calheiros passaria em branco se fosse apenas Calheiros com seu rebanho, notas frias, bela amante e um lobista de empreiteira para pagar suas contas. Mas é um presidente do Congresso rejeitado por milhões. Uso o plural porque o manifesto tem pouco mais de uma semana de vida e muitos que rejeitam a presença dele ainda desconhecem sua existência ou ainda hesitam em manifestar sua rejeição.

O manifesto vai encontrar um poderoso muro de cinismo, com materiais impenetráveis, entre eles a crença da esquerda de que os meios justificam os fins. Essa camada é difícil de atravessar porque se mescla com uma vitimização geral. Na Venezuela, Hugo Chávez tenta convencer as pessoas de que o capitalismo e o imperialismo são uma boa razão histórica para que um ato nobre não coincida com sua legalidade.

Os textos de Lenin autorizam essa interpretação. Não creio que o PMDB precise de alguma teoria, mas Calheiros mencionou os objetivos nacionais, aos quais a ética deve ser subordinada. Estrangularemos e saquearemos, pois, em nome dos objetivos nacionais, que não foram explicitados porque servem melhor assim, numa forma altamente abstrata.

Sarney disse, em seu discurso, que a paixão pela política e pelo bem comum é maior que a paixão pela vida. Em outras palavras, ele seria capaz de morrer pelo bem comum. Imagens fora do lugar. Sarney poderia ter dito isso durante a ditadura militar, quando essa frase altissonante poderia ser posta à prova.

Sarney sabe muito bem que hoje, se quiser discutir questões de vida ou morte, deve falar com os médicos no Instituto do Coração ou outros especialistas que cuidam de sua saúde. Passou o tempo do heroísmo, porque, como dizia Brecht, o País já não necessita de heróis.

Outro componente do cinismo é supor que a maioria eleitoral dá direitos ilimitados aos ungidos pelo voto popular. Daí em diante é seguir em frente com a frase de Disraeli nos lábios: "Nunca se queixe, nunca se explique, nunca se desculpe".

Há um amálgama de Maquiavel, Disraeli, Max Weber mal digerido, pois o sociólogo alemão considerava uma ética totalitária a pura expressão os meios justificam os fins. No fundo mesmo, a substância mais gelatinosa e agregadora da camada de cinismo é o desprezo até pela racionalização. Os fins são a riqueza pessoal, alguns imóveis em Miami, uma fazenda de gado.

Como dizia o poeta, os amigos não avisaram que havia uma revolução. E ela transformou tão radicalmente as relações que frases como a de Disraeli, preferidas como néctar da sabedoria política, se tornam cômicas e ingênuas.

Aos jovens de hoje basta dar alguns toques no computador para saberem, em minutos, tudo o que existe publicado sobre os políticos. Com uma câmera de US$ 400 é possível filmá-los com uma definição quatro vezes maior que o HD de seus televisores. O Congresso, em tempos como o nosso, está na vitrine, como aquelas mulheres do Distrito da Luz Vermelha, em Amsterdã.

Não estou comparando os políticos às prostitutas. Seria injusto para com certos políticos e prostitutas. Digo apenas que ambos estão expostos, elas física, eles virtualmente. Com a bunda de fora, muitos ainda não se deram conta de que estão na vitrine. Não pensam no futuro, na rejeição popular, nos problemas que trazem para suas próprias famílias. Alguns deles, em breve, não poderão frequentar lugares públicos nas metrópoles brasileiras. Terão de viver uma realidade separada. Seus jatinhos decolam e aterrissam discretamente, seus percursos urbanos serão feitos de helicóptero. Tornaram-se pássaros e vão flutuar na atmosfera por algum tempo, até que uma tempestade os jogue no chão enlameado.

Imagino o que pensam: nada disso nos derrota nas eleições, temos maioria . Prosseguiremos assim porque, com raros incidentes, sobrevivemos bem ao longo da década.

O que pode acontecer quando um Congresso se degrada ostensivamente em plena era da informação? A escolha de Calheiros e Alves para a direção das Casas do Congresso abre nova etapa, atenuada pelas festas do carnaval.

Já passamos por fases difíceis. Ouço algumas vozes de desespero. Mas a experiência mostrou que, nesses momentos, o importante é não desesperar, não jogar fora o Brasil com a água do banho. Pelo menos 1 milhão de pessoas pensam como nós sobre a escolha de Renan Calheiros. E elas dizem claramente com a assinatura do manifesto: não em meu nome. Há um Brasil que resiste e nele há espaço e gente suficiente para não nos sentirmos sós e pacientemente encontrarmos uma saída para o impasse.

Alguns novos países, o nosso inclusive, talvez nem tivessem 1 milhão de pessoas quando iniciaram sua trajetória para a independência. Nem havia internet.

Os brasileiros fora do País, que são quase 2 milhões, também podem ser acionados e, de lá, contribuir na campanha contra Renan. Com tantas conexões e a inteligência coletiva em cena, impossível não encontrar os meios de abalar um jovem coronel incrustado no topo de uma instituição nacional. É um problema novo que vai roubar tempo e energia, mas não a esperança. Vamos a ele, sem desânimo e, se possível, com algum humor.

Depois de eleito, Renan aparece numa foto, em Brasília, com uma espada apontada para seu pescoço. É apenas um efeito visual, desses que acontecem em solenidades militares. Do jeito que olhava a espada, imagino que comece a perceber a trapalhada em que se meteu. Precisamos ajudá-lo a compreender.

No tempo em que eu estava lá, fui o mais explícito possível: se entrega, Corisco.

Fernando Gabeira é jornalista.

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Manchetes do dia

Sábado, 16 / 02 / 2013

O Globo
"Mundo vê meteoro cair e ferir 1.200 na Rússia" 

Milhões acompanham, pela primeira vez, imagens da explosão de força atômica

Não previsto, fenômeno causa pânico após onda de choque. Um meteoro de 15 metros de diâmetro e 10 toneladas explodiu ontem sobre cidades dos Montes Urais, na Rússia. Ele não foi previsto pelas agências espaciais e surgiu no mesmo dia em que outro asteroide passaria de raspão pela Terra, suscitando boatos apocalípticos. A explosão, no céu, causou onda de choque que afetou 3 mil prédios. A destruição só não foi maior porque a região é pouco povoada. Entre os 1.200 feridos, há 200 crianças.


O Estado de São Paulo
"Controle da inflação será feito pelo juro, diz Mantega" 

Ele descartou uso do câmbio para conter preços; mercado aposta agora em alta da Selic no 1º semestre

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem em Moscou, onde está para reunião do G-20, que a taxa de juros, e não o câmbio, é o mecanismo de controle da inflação, relata a enviada especial Cláudia Trevisan. Ele não informou se a alta da inflação, que em janeiro atingiu 0,86%, o maior patamar para o mês em uma década, levará ao aumento da Selic, atualmente em 7,25% ao ano. Investidores, porém, interpretaram a fala do ministro como sinal de que o Banco Central vai elevar os juros e aumentaram as apostas no mercado futuro - alta de 0,25 ponto porcentual ainda no primeiro semestre. À tarde, os investidores testaram a disposição do BC em relação ao dólar. A cotação da moeda americana chegou a cair para R$ 1,952. Mas o BC interveio e a moeda fechou em alta de 0,41%, a R$ 1,967.

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sexta-feira, fevereiro 15, 2013

Raffaello Sanzio

Retrato del Papa León X con dos cardenales (1518-1519)

Coluna do Celsinho

Céu e terra

Celso de Almeida Jr.

João deixou para o Bento.
José passou pro Calheiros.
Bento renunciou, aposentou.
Calheiros renunciou, mas voltou.
Bento declinou.
Calheiros ressuscitou.
Bento impactou.
Calheiros gargalhou.
O Conclave decidirá o pós Bento.
O Congresso é o mesmo pós Zé.
Bento deixa o poder.
Calheiros quer crescer.
Bento fala com Deus.
Calheiros fala com os seus.
Bento sentiu a pressão.
Calheiros levou de roldão.
Bento e a solidão.
Calheiros e a confusão.
Bento encerra a carreira.
Calheiros faz cara matreira.
Mundo de fé. 
Mundo de feras.

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Opinião

Unidos contra a modernização

O Estado de S.Paulo
Só não causa mais estranheza a insólita e ativa aliança entre dirigentes sindicais e parte do empresariado contra a política de modernização dos portos, anunciada em dezembro pelo governo e resumida na Medida Provisória (MP) 595, porque seus objetivos são claros: eles não querem mudar nada, pois a modernização acabará com privilégios e garantias especiais. Interessados apenas em si próprios, eles são contra a entrada de novos participantes privados nas operações portuárias e, assim, tentam impedir ou retardar os investimentos necessários para a expansão, a melhoria e o aumento da eficiência dos serviços.

O gargalo representado pelo inadequado serviço dos portos impõe perdas ao País, pois encarece as exportações, mas pode ter efeitos ainda mais nocivos quando utilizado como instrumento de pressão e de ameaça por dirigentes nas suas negociações com as autoridades, como ocorreu com frequência no passado. Esse instrumento está sendo novamente acionado pelo deputado federal Paulinho da Força (PDT-SP), que carrega no nome sua fonte de poder político e sindical - há quase 20 anos é presidente da Força Sindical, a segunda maior central sindical do País -, numa campanha contra a MP 595 na qual tem a companhia de dirigentes empresariais.

"Querem destruir os portos públicos, mas nós estaremos lutando contra", prometeu Paulinho, depois de reunião com o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), da qual participaram também outros parlamentares e dirigentes sindicais. "O pau vai comer", garantiu. Segundo ele, se o governo não concordar com modificações de pontos da MP que ele e sua Força Sindical consideram essenciais, "nós vamos paralisar os portos do País e o Brasil ficará parado". Não exportará nem importará nada, assegurou.

E por que a Força Sindical - a maior central sindical do País, Central Única dos Trabalhadores (CUT), anunciará sua posição dentro de alguns dias - é tão violentamente contra a MP 595? Porque não aceita justamente o que ela tem de mais modernizante no que se refere às relações trabalhistas nos portos.

A Lei dos Portos, de 1993, estabeleceu novas formas de contratação de mão de obra portuária, setor antes inteiramente dominado pelos sindicatos, ao criar o Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo). Formado por representantes dos trabalhadores e das empresas, o Ogmo é o organismo responsável pela intermediação da contratação de trabalhadores avulsos. Sua criação foi precedida de grandes disputas entre governo, sindicatos e empresas, mas, por ter preservado o poder sindical nesse campo, a despeito da presença de representantes dos empregadores, acabou sendo aceito por todos.

A MP permite que as novas empresas que, por meio de licitação, passarem a operar terminais de carga nos portos públicos possam contratar livremente os trabalhadores, sem a intermediação do Ogmo. Como ainda mantém poder no Ogmo, a Força quer evitar seu esvaziamento, estendendo suas funções às novas empresas.

Empresários que já têm operações nos portos, de sua parte, tentam mudar a MP pois, além de permitir a construção e operação de terminais por empresas que não demonstrem ter carga própria suficiente para tornar o empreendimento viável, ela determina que sejam licitados os terminais arrendados até 1993 (quando entrou em vigor a Lei dos Portos) e cujos contratos estão vencidos. Os operadores desses terminais queriam a prorrogação dos contratos por até 50 anos em alguns casos. Por conveniência, aliaram-se à Força.

A posição do governo tem sido coerente. "Podemos melhorar alguns pontos (da medida provisória) e aceitar novos artigos, aperfeiçoar a redação", disse o ministro-chefe da Secretaria de Portos, Leônidas Cristino. "Mas há pontos importantes que não podemos mudar", acrescentou. E a livre contratação de mão de obra, a licitação dos terminais com contratos vencidos e a entrada de novos operadores mesmo sem demonstração de carga própria suficiente estão entre eles.

Com a instalação, prevista para o dia 20, da comissão mista que discutirá a MP 595, o debate chegará ao Congresso.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 15 / 02 / 2013

O Globo
"Papa prega ‘verdadeira renovação’ da Igreja" 

Bento XVI diz que ficará escondido do resto do mundo, mas perto de religiosos

Ao defender mudanças na Igreja, pontífice afirma que trabalho do Concilio Vaticano II, há meio século, está inacabado e há muito o que fazer. Mensagem gera especulações sobre coexistência com o sucessor. Em audiência com religiosos de Roma, o Papa anunciou que, após renunciar, no dia 28, vai ficar "escondido para o mundo", mas continuará presente na Igreja: "Mesmo se me retiro agora, estou sempre perto de todos vocês nas rezas e vocês estarão perto de mim, mesmo se permaneço escondido para o mundo", disse, levantando especulações sobre como será a coexistência com o futuro Papa. Bento XVI pregou uma renovação verdadeira da Igreja e disse que o trabalho do Concilio Vaticano II não terminou.


O Estado de São Paulo
"Bento XVI pede 'verdadeira renovação' da Igreja" 

No último encontro com o clero em Roma, papa disse que vai se ‘esconder do mundo’ após dia 28

O papa Bento XVI usou seu último encontro com o clero da Diocese de Roma para pedir uma “verdadeira renovação” da Igreja, informam os enviados especiais Jamil Chade e Filipe Domingues. O pontífice procurou retomar a proposta de mudança do Concilio Vaticano II, que sinalizou a adoção de modelos mais modernos para a instituição. Bento XVI afirmou que, 50 anos depois do Concilio, “ainda há muito a fazer”. “Precisamos trabalhar para a realização de um Concilio real e para a verdadeira renovação da Igreja”, declarou. Para especialistas, a fala do papa foi um alerta ao conclave, e também ao próximo pontífice, para um dos principais desafios da instituição conter a perda de fiéis. O pontífice garantiu ontem que, ao renunciar no dia 28, vai se “esconder do mundo”. Entre vaticanistas e entre cardeais, porém, cresce o temor de que a presença de dois papas no Vaticano crie uma situação difícil, seja durante o conclave ou na gestão da Igreja. “Mesmo me retirando, vou estar sempre perto de vocês na oração e vocês estarão perto de mim”, declarou Bento XVI.

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quinta-feira, fevereiro 14, 2013

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Opinião

Mercado de veículos, um ponto fora da curva

O Estado de S.Paulo
O setor automobilístico é um ponto fora da curva na indústria brasileira, cujos resultados recentes foram ruins. É isso o que oferecem os dados de produção e vendas de veículos do início do ano, em alta em relação ao mesmo mês de 2012 e no acumulado anual.

Os licenciamentos de automóveis, inclusive importados e elétricos, comerciais leves, caminhões e ônibus (268 mil unidades, das quais 243 mil nacionais), aumentaram 16% em relação a janeiro de 2012, segundo a associação das montadoras (Anfavea).

A produção de 279 mil unidades cresceu 8%, em relação a dezembro, e 32%, comparada à de janeiro de 2012 - o que se deve, em parte, à fabricação de veículos pesados, como caminhões, recuperando-se da baixa do início de 2012.

Números tão positivos devem-se à retomada do crédito, mais restrito em 2011 e 2012, em razão do aumento da inadimplência. O crédito move a atividade, pois, entre carros novos e usados, são financiados anualmente cerca de 7 milhões ao ano. Mas os dados de janeiro também se devem às boas condições oferecidas aos consumidores pelas revendedoras, que conseguiram dar uma sobrevida aos descontos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), válidos até dezembro. Só a partir de agora serão conhecidos os efeitos dos aumentos dos preços de tabela sugeridos.

O crescimento do setor automobilístico tem aspectos positivos, como a demanda de mão de obra qualificada e o emprego de 151 mil funcionários. Foram contratados, em janeiro, mais 1,4 mil e o pessoal empregado já supera em quase 6 mil o de janeiro de 2012. Uma prática usual, o regime de férias coletivas vem sendo pouco usado, por causa do ritmo forte da atividade.

Dada a ociosidade da indústria automobilística no mundo, não é estranho que as exportações tenham caído de US$ 16,2 bilhões, em 2011, para US$ 14,6 bilhões, no ano passado, com tendência de baixa.

O otimismo do setor, no entanto, parece um pouco exagerado. Nos últimos 12 meses, até janeiro, 3,85 milhões de veículos foram licenciados no País e a meta é vender quase 4 milhões de unidades neste ano.

A indústria automobilística é, de fato, uma das "favoritas" do governo. Mas não há por que acreditar que a política de incentivos oficiais para o setor seja a melhor possível. Melhor mesmo seria estimular toda a indústria. O segmento automobilístico recebe tratamento à parte, que melhor se pode explicar graças aos vínculos com os sindicatos de trabalhadores que atuam nas montadoras e que são parte da base política do governo.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 14 / 02 / 2013

O Globo
"Carnaval 2013" 

Vila de Martinho é a campeã

Com a força do samba-enredo de Martinho da Vila e Arlindo Cruz influenciando outros quesitos, como evolução e harmonia, a Vila Isabel conquistou o título de campeã do carnaval de 2013, o terceiro de sua história. A vitoriosa carnavalesca Rosa Magalhães, que não ganhava um desfile desde 2001, saiu da disputa levando de volta para a avenida um carnaval apoiado menos em espetáculo e mais num enredo bem amarrado — ainda que com patrocínio — desenvolvido em fantasias e alegorias inspiradas. A Beija-Flor, segunda colocada, seguiu a mesma tendência.


O Estado de São Paulo
"Bento XVI critica ‘hipocrisia religiosa’ e Igreja ‘desfigurada’" 

Na última missa aberta ao fiéis, papa atacou os que estão ‘instrumentalizando Deus’. Apontou a ‘divisão do clero’, sinalizando motivos de sua renúncia

Durante a celebração, ele caminhou sem ajuda e falou em vários idiomas. Cansado e também isolado, o papa Bento XVI de fato renunciou ao pontificado por conta de sua fragilidade. Fontes próximas ao Vaticano, porém, dizem que entre os motivos da exaustão está uma disputa interna de poder, informa o enviado especial Jamil Chade e o repórter Filipe Domingues. Fontes nas embaixadas estrangeiras junto à Santa Sé dizem que o papa renunciou de livre vontade, mas consciente de que já não mandava sozinho. O papa foi eleito com a promessa de que conduziria uma limpeza na Igreja no caso da pedofilia. Mas suas decisões de punir cardeais foram ignoradas. Bento XVI também deu indicações de que poderia rever algumas de suas bases, como a questão do uso do preservativo. Alguns cardeais não gostaram. Ontem, o Vaticano confirmou que o papa colocou marca-passo há alguns anos. O sumo pontífice celebrará hoje sua última missa na Basílica de São Pedro. Estão sendo planejados vários eventos de despedida e ele se despede definitivamente no dia 28.

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quarta-feira, fevereiro 13, 2013

Arcimboldo


Política

Vem aí um conclave inesquecível

Elio Gaspari, O Globo
Tudo o que se pode esperar da escolha do sucessor de Bento XVI é o fim de um Vaticano eurocêntrico. Desde que Karol Wojtyla tornou-se João Paulo II, a Europa é o centro das atenções da Cúria. O Papa polonês cumpriu uma fenomenal missão histórica ajudando a desmontar décadas de tolerância com as ditaduras comunistas.

Seu sucessor teve um pontificado medíocre enrolado pela tolerância com escândalos sexuais e financeiros de sacerdotes. Um deles passou de raspão pelo Brasil, num trambique do namorado da atriz Anne Hathaway, sócio do sobrinho do atual decano do Colégio de Cardeais, o poderoso ex-secretário de Estado Angelo Sodano. A moça micou em US$ 135 mil e o rapaz foi preso nos Estados Unidos.

As dificuldades do Vaticano com suas finanças são antigas. Foi Pio IX quem avisou: “Posso ser infalível, mas estou falido.” Já os desempenhos sexuais de alguns sacerdotes, mesmo sendo coisa antiga, tornaram-se uma encrenca recente, com a qual João Paulo II e Bento XVI nunca conseguiram lidar direito, envenenando a missão pastoral de dioceses europeias e americanas.

O eurocentrismo da Cúria Romana refletiu-se no Brasil. Durante o pontificado de Paulo VI, Pindorama passou de dois para oito cardeais. Hoje tem cinco. Bento XVI deixou sem o barrete cardinalício as arquidioceses do Rio e de Brasília. Porto Alegre teve cardeal e está sem. Recife, a primeira sé cardinalícia brasileira, está na segunda divisão desde os anos 60, quando a ditadura hostilizava D. Helder Câmara e não queria vê-lo cardeal.


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Opinião

A renúncia do papa

O Estado de S.Paulo
Na homilia para a Sexta-Feira Santa de 2005, o cardeal Joseph Ratzinger, que um mês depois sucederia ao papa João Paulo II como Bento XVI, lamentou: "Muitas vezes, Senhor, a tua Igreja parece-nos um barco pronto para afundar". Ratzinger referia-se ao que lhe parecia ser o abandono progressivo da rígida doutrina da qual ele foi um dos principais zeladores. Passados oito anos de papado, Bento XVI anunciou sua renúncia, alegando não ter mais a saúde necessária para o desafio de "governar a barca de Pedro e anunciar o Evangelho". O gesto, grave e histórico, denota grande coragem moral, pois, embora a renúncia esteja plenamente prevista no direito canônico, não é corriqueiro que um papa, cujos predicados são geralmente vinculados à santidade, revele seus limites humanos. Mas foi também o ponto final de uma trajetória conturbada, que esteve longe de promover a conciliação de uma Igreja profundamente dividida e abalada por escândalos.

Teólogo de grande capacidade, provavelmente o intelectual mais preparado para ocupar o Trono de Pedro, Bento XVI é autor de encíclicas refinadas, como a Spe Salvi (salvos na esperança), que desvincula a mensagem de Cristo da política e que cita Kant, Platão, Dostoievski e Marx para discutir os limites da modernidade e da construção de um mundo sem Deus. Mas nos tempos atuais, em que o valor da mensagem parece depender primeiramente de seu impacto midiático global, não bastam palavras. Bento XVI reconheceu essa dificuldade em sua mensagem de renúncia, ao enfatizar que o mundo de hoje está "sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé". João Paulo II, o papa atlético que beijava o chão dos países que visitava, era o pontífice ideal dessa conjuntura e ajudou a eletrizar uma Igreja que, no entanto, já experimentava cisões importantes e crises graves.

Bento XVI, por sua vez, padeceu de sua falta de carisma e de uma imagem fortemente vinculada à intransigência doutrinária. Essa imagem foi alimentada pela ala progressista da Igreja, interessada em salientar, como contraponto, o legado do Concílio Vaticano II, que permitiu reformas modernizantes. Para os conservadores, Bento XVI, ao retomar princípios que o Concílio havia flexibilizado, tornou-se uma espécie de herói contra a suposta desfiguração dos pilares eclesiásticos por interesses políticos e ideológicos. De fato, da biografia do papa destaca-se seu papel como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, nomeado por João Paulo II em 1981. Como chefe do órgão que sucedeu ao Santo Ofício, o cardeal Ratzinger era responsável pela defesa das tradições católicas contra tentativas reformistas por parte de sacerdotes e teólogos dissidentes. Como papa, manteve-se imune aos apelos por mudanças - no caso mais recente, em junho do ano passado, o Vaticano censurou um grupo de freiras americanas por promover "temas incompatíveis com a fé católica", isto é, a união homossexual, os anticoncepcionais e o divórcio.

As turbulências de seu papado ganharam contornos constrangedores graças ao escândalo de pedofilia protagonizado por padres na Europa e nos Estados Unidos. Bento XVI procurou contornar a crise encontrando-se com vítimas dos abusos e determinando mudanças de conduta para impedir novos casos. Entretanto, o papa não se prontificou a disciplinar os bispos que, embora plenamente informados do que acontecia, nada fizeram para conter os padres pedófilos sob sua jurisdição. Uma dessas autoridades eclesiásticas, o cardeal Roger Mahony, de Los Angeles, estará entre os eleitores do novo papa.

O modo hesitante como o Vaticano lidou com o escândalo é certamente um dos pontos mais baixos da trajetória de Bento XVI, mas seu legado não pode ser tomado por isso. Na história deste pontificado, destaca-se muito mais a reafirmação de princípios morais inegociáveis. A própria renúncia de Bento XVI certamente é um ato de lucidez e, como tal, deverá ter a capacidade de influenciar na escolha de seu sucessor, sempre tendo em vista a defesa incondicional da doutrina contra a vaga dita progressista na Igreja. Eis o gesto derradeiro do grande teólogo e defensor da fé.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 13 / 02 / 2013

O Globo
"Só agora, Vaticano revela problema cardíaco do Papa" 

Bento XVI usa marcapasso há 10 anos e se submeteu a cirurgia em novembro

Cardeais brasileiros já se preparam para conclave. O Vaticano admitiu pela primeira vez que Bento XVI dependia de um marcapasso, colocado há dez anos, para liderar a Igreja Católica. Revelou ainda que há três meses ele fez uma cirurgia, em sigilo, para a troca de bateria. Mas desvinculou o problema cardíaco da renúncia. Cardeais brasileiros já se mobilizam para votar no conclave que elegerá o sucessor do Pontífice.


O Estado de São Paulo
"Disputa de poder foi um dos motivos da saída de Bento XVI" 

Além da saúde fragilizada, papa estava consciente de que não mandava sozinho na Santa Sé e via decisões contestadas; Vaticano confirmou que ele usa marca-passo

Cansado e também isolado, o papa Bento XVI de fato renunciou ao pontificado por conta de sua fragilidade. Fontes próximas ao Vaticano, porém, dizem que entre os motivos da exaustão está uma disputa interna de poder, informa o enviado especial Jamil Chade e o repórter Filipe Domingues. Fontes nas embaixadas estrangeiras junto à Santa Sé dizem que o papa renunciou de livre vontade, mas consciente de que já não mandava sozinho. O papa foi eleito com a promessa de que conduziria uma limpeza na Igreja no caso da pedofilia. Mas suas decisões de punir cardeais foram ignoradas. Bento XVI também deu indicações de que poderia rever algumas de suas bases, como a questão do uso do preservativo. Alguns cardeais não gostaram. Ontem, o Vaticano confirmou que o papa colocou marca-passo há alguns anos. O sumo pontífice celebrará hoje sua última missa na Basílica de São Pedro. Estão sendo planejados vários eventos de despedida e ele se despede definitivamente no dia 28.

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terça-feira, fevereiro 12, 2013

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Opinião

Boa safra, grandes problemas

O Estado de S.Paulo
Mais uma vez a previsão de uma boa safra, no Brasil, é recebida como prenúncio de sérios problemas de armazenagem, transporte e embarque nos portos. Com muito investimento em pesquisa, em novos processos e em modernização produtiva, o País converteu-se numa das principais potências mundiais produtoras de alimentos, posição consolidada nas últimas duas décadas. Mas foi incapaz de criar nesse período a infraestrutura necessária à estocagem e à movimentação eficiente e barata de suas colheitas. Neste ano o problema se repete. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima para a safra 2012-2013 um novo recorde na produção de cereais e oleaginosas - 185 milhões de toneladas, 11,3% maior que a obtida na temporada anterior. A área cultivada deve ser 4,1% maior que a da safra 2011-2012 e o aumento da safra resultará principalmente, como tem ocorrido há muitos anos, do aumento da produtividade. A estimativa do IBGE, quase sempre com pequena diferença em relação aos cálculos da Conab, também aponta um resultado recorde, de 183,3 milhões de toneladas.

Se as projeções se confirmarem, as condições de abastecimento interno continuarão favoráveis, com benefícios para o consumidor, e o País manterá uma posição destacada no mercado internacional de produtos agrícolas. Mas produtores, processadores e exportadores terão de enfrentar, como sempre, condições logísticas muito ruins. Pelas contas do governo, os armazéns públicos e privados têm capacidade para receber até 145 milhões de toneladas de grãos. Mas o problema é certamente maior que o indicado por esse número, porque faltam armazéns adequados para as duas maiores culturas - soja, com produção prevista de 83,4 milhões de toneladas, e milho, com colheita estimada em 35,1 milhões na primeira safra e 40,9 milhões na segunda. A insuficiência e a distribuição inadequada de armazéns já encarecem o produto, porque forçam o transporte em longas distâncias, entre a zona produtora e as instalações de estocagem.

O segundo grande problema é o das vias de transporte interno. Rodovias são muito mais importantes para o agronegócio no Brasil do que nos Estados Unidos e em vários outros países produtores, onde o uso de ferrovias e hidrovias é mais comum. Só isso bastaria para deixar os brasileiros em séria desvantagem. Mas, além disso, há os problemas de conservação e de qualidade das estradas no Brasil.

A esses problemas é preciso acrescentar a dificuldade de acesso aos portos. Pesquisa recente da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) chamou a atenção para o problema. Segundo 73,1% dos agentes de transporte marítimo entrevistados, o acesso terrestre deficiente é um obstáculo grave ou muito grave ao exercício de sua atividade. Os acessos rodoviários foram descritos como inadequados por 61,3%, por causa de fatores como a travessia de área urbana, congestionamento de veículos de carga e falta de segurança, entre outros. Os acessos ferroviários foram classificados como ruins por 29,3% dos profissionais ouvidos na pesquisa, por deficiência de infraestrutura para embarque e desembarque de carga, mau estado de conservação das áreas de entrada e ainda travessia de área urbana. Além disso, faltam silos nas zonas portuárias. Os próprios portos, como têm indicado outros levantamentos, ainda apresentam deficiências importantes em seu funcionamento.

Os problemas de capacidade e de operação dos portos são conhecidos e discutidos há muito tempo. O governo pelo menos se dispõe a adotar novas políticas de estímulo a investimentos em terminais. Os critérios oficiais têm sido criticados por diferentes grupos de interesses. Isso inclui tanto empresários quanto sindicalistas.

O governo ainda terá de enfrentar dificuldades políticas para conseguir os novos investimentos e precisa agir com urgência. Deficiências logísticas são problemas bem conhecidos e agravam-se ano a ano, encarecendo as mercadorias e tornando o País menos competitivo. Não adianta muito ganhar produtividade no interior da fazenda ou dentro dos muros da fábrica, se faltam condições para movimentar a produção.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 12 / 02 / 2013

O Globo
"O sagrado: Trono vazio no Vaticano" 

Primeiro Papa a renunciar em 600 anos, Bento XVI alega saúde frágil; sucessor será eleito até a Páscoa

Em pleno carnaval, anúncio do fim do pontificado, marcado por escândalos de pedofilia e vazamento de documentos secretos, surpreende o mundo. Dois brasileiros aparecem na ampla lista de candidatos. Jornada da Juventude, no Rio, em julho, está confirmada. Líder religioso dos 1,2 bilhão de católicos, o Papa Bento XVI surpreendeu o mundo ao anunciar que aos 85 anos não tem mais a força física e mental para exercer suas funções e que renunciará no dia 28 ao pontificado, após quase oito anos no cargo. Um novo conclave será convocado, e 118 cardeais deverão eleger um Papa até a Páscoa. Dois brasileiros, dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, e dom João Braz de Aviz, arcebispo emérito de Brasília, aparecem na ampla lista de candidatos para suceder Bento XVI, que nomeou mais da metade dos cardeais. Escândalos de pedofilia envolvendo padres e vazamento de documentos confidenciais da Vaticano ofuscaram o seu papado.


O Estado de São Paulo
"Fragilizado, Bento XVI surpreende e renuncia" 

No comunicado, papa fala que ‘força da mente e do corpo’ diminuiu e em ‘incapacidade de administrar’. Ele ficará até 28 de fevereiro, quando será convocado conclave. Último pontífice a deixar o cargo em vida foi há seis séculos

O papa Bento XVI surpreendeu o mundo ao anunciar ontem, em uma reunião com cardeais, sua renúncia ao pontificado, para o qual foi eleito em 19 de abril de 2005. Aos 85 anos, Joseph Ratzinger alegou idade avançada e falta de vigor físico e espiritual para cumprir sua missão. A decisão de fazer o comunicado em um consistório indica que o papa quis evitar algum tipo de comoção. Bento XVI disse que permanecerá no cargo até 28 de fevereiro, quando deverá ser convocado o conclave para a eleição do novo sumo pontífice. O processo deverá ser rápido, pois não será necessário observar o prazo de nove dias previsto para funerais. Imediatamente após a notícia da renúncia, começaram as especulações sobre quem será eleito para chefiar a Igreja. A escolha caberá a 117 cardeais de todo o mundo - o Brasil tem cinco eleitores. O papa não participará da eleição. O último pontífice que deixou o cargo em vida foi Gregório XII, em 1415.

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segunda-feira, fevereiro 11, 2013

Miró


Pitacos do Zé

Se tivesse mais educação!

José Ronaldo dos Santos
Passando pela sala,assisti uma reportagem do programa FANTÁSTICO a respeito dos carros equipados com potentes equipamentos de som.  Numa cidade, Aparecida de Goiânia, as autoridades tiveram que tomar outras atitudes em relação aos que demonstram tamanha estupidez humana, tirando a paz das pessoas nas ruas e em suas próprias casas, perturbando até bebês, doentes, idosos e demais seres vivos. No mesmo instante questionei se determinados miseráveis da vizinhança estariam assistindo e entendendo o assunto da televisão. Tomara que eles tenham capacidade para isso (que não é tanto!).
   
O assunto fez me lembrar do amigo Jorge G., num tempo em que a sua saudosa mãe estava muito doente. Na rua onde ele morava, nas cercanias da pobre escola Aurelina, no bairro da Estufa II,um desses carros resolveu fazer uma parada demorada perto do seu portão. Imagine só: um cidadão que não atrapalhava ninguém, que se dedicava o quanto podia à mãe, ter de aturar um “sem-noção”escroto, um miserável culturalmente falando e outros adjetivos nesta mesma direção.
   
O que fez ele?  Saiu com muita educação, como quem estava adorando aquela demonstração de inutilidade. Ao chegar perto foi logo detonando:
   
- Escuta aqui, seu idiota, seu fantoche de cidadão: você tem mãe? Tem casa? Por que você não pega o seu carro e enfia dentro da sua casa ou naquele seulugar bem escondido, onde as costas muda de nome? Não é porque você gosta de bosta que nós também devemos gostar. Pode comer a sua iguaria sozinho, de preferência bem longe daqui!Agora!
   
Nisso, outras pessoas decentes foram se mostrando nos portões, dando maior confiança ao Jorge que se mostrava como um siri na lata. Não restou outra alternativa ao ser que parecia não ser tão racional.Sumiu dali. Ainda bem! Pelo que pude ver, algumas pessoas já estavam procurando porretes e enxadas.
   
É isso! Precisamos de pessoas assim! Não é possível que os indivíduos, sendo maioria trabalhadores decentes, se encolham diante de tantos desaforos e de falta de respeito!Onde vamos parar se não tivermos paz nem mesmo em nossa própria casa?
   
Agora os tempos são outros! Não deveria ser preciso apelar tanto! Eu espero que as corporações, sobretudo a Guarda Municipal, neste governo que se inicia em Ubatuba, não se omitam naquilo que presenciam nem dos chamados que por ventura recebam a respeito de barulho orgulhosamente chamado de “som”.
   
Como dizia a dona Francisca, a sábia caiçara, natural da Praia da Santa Rita: “Nada disso acontecia se tivesse educação. Sabedoria é enfrentar a vida de cara limpa, sem precisar mostrar que tem isso e isso e isso para se sentir gente”.

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Opinião

Nos passos do pai

O Estado de S.Paulo
Bem que o povo ensina: quem sai aos seus não degenera. O deputado federal Renan Filho, 33 anos, o mais votado dos candidatos alagoanos em 2010, depois de ter sido, como o avô e um de seus sete tios, prefeito de Murici, reduto do clã Calheiros, teve com quem aprender, e soube aprender depressa, que o nosso é apenas nosso, e que o dos outros é nosso também - a regra de ouro do patrimonialismo. Mal o seu pai se elegeu pela segunda vez presidente do Senado, sob denúncia do Ministério Público Federal por peculato, falsidade ideológica e utilização de documentos falsos, Filho ingressou no noticiário político pela via escusa e geralmente desimpedida da apropriação de bens públicos. No caso, as chamadas verbas indenizatórias com que o Congresso banca os gastos de seus membros com itens vinculados ao exercício de seus mandatos, como passagens aéreas, comunicações e aluguel de escritórios políticos - o que já de si é uma exorbitância.

Ontem, enquanto ainda ecoavam os gritos de "ladrão", "safado" e "sem-vergonha" que na véspera acompanharam Renan pai na subida da rampa do Congresso, este jornal revelou que o seu primogênito usou pelo menos R$ 190 mil daqueles recursos para pagar honorários de advogados de ambos, em causas privadas nas esferas cível e trabalhista. Não é de hoje: a lambança vem do início de 2011. Desde maio desse ano, R$ 10 mil pingam mensalmente nas contas do escritório Omena Barreto Advogados Associados, com sede em Maceió. A fonte pagadora, indiretamente, é a Câmara dos Deputados - o contribuinte, portanto. E há o clássico "pequeno detalhe". Conforme os registros da Receita Federal, o escritório foi fundado no mesmo mês em que começou a receber a mesada, apurou o repórter Fábio Fabrini.

Um de seus sócios, Rousseau Omena Domingos, tem procuração de Renan Filho para representá-lo no processo em que o deputado cobra indenização por danos morais e materiais do consórcio do qual adquiriu um veículo que não consegue vender porque a firma não levantou as restrições ao negócio - um caso pessoal e trivial. Rousseau, o advogado, não tem procuração para defender o político em nenhuma ação judicial que eventualmente envolva a sua atividade parlamentar. O deputado nega ter usado a verba indenizatória para custear os honorários do patrono. Alega que a utilizou, mas para remunerar o escritório por "serviços de consultoria e assessoria parlamentar na elaboração de projetos e relatórios", publicados no site da Câmara.

As respectivas notas fiscais foram apresentadas. (Em 2007, Renan pai apresentou notas fiscais de supostas vendas de gado a fim de provar que tinha recursos próprios para arcar com o pagamento de pensão à ex-namorada com quem tem uma filha, não necessitando dos préstimos do lobista de uma empreiteira para aquele fim. As notas são frias, sustenta o procurador-geral da República, Roberto Gurgel.) Também no início de 2011, outro advogado de Maceió, José Marcelo Araújo, recebeu do gabinete de Renan Filho R$ 20 mil. No ano anterior, ele defendera no Tribunal Regional do Trabalho do Estado uma empresa de agropecuária da qual o seu pai é sócio. Na ação, uma trabalhadora rural alegou que prestara serviços à fazenda dos Calheiros com vínculo empregatício. A firma ganhou a causa.

Filho se recusa a dar explicações sobre a atuação do advogado no caso. "Ele trabalhou para outra pessoa", desconversa, aludindo ao pai. "Imagine se, quando você contrata (um advogado), tem de checar se prestou serviços para alguém", como se isso tivesse alguma relação com a procedência do dinheiro destinado aos seus honorários. Com a sua pouca idade, o deputado segue a senda do senador em quem se inspira na prática da embromação. No seu site, se lê que ele "já manifestava sua vontade de melhorar a vida das pessoas" quando se elegeu duas vezes presidente do centro acadêmico da faculdade de economia da UnB, onde se formou. Como prefeito de Murici, também eleito duas vezes, preocupou-se "com o bom uso dos recursos públicos". Parece o pai, ao reassumir a presidência do Senado, dizendo que "a ética é meio, não é fim" e "obrigação de todos nós".

Original aqui

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 11 / 02 / 2013

O Globo
"Império é candidato a subir" 

Escola de Madureira ganha Estandarte de Ouro, que pela Ia vez é divulgado logo após desfile da Série A

Segundo o júri do GLOBO, harmonia, força da bateria e empolgação dos integrantes encantaram o Sambódromo após dois dias de desfiles bastante irregulares. Inocentes de Belford Roxo estreia no Grupo Especial abusando dos efeitos especiais. O Império Serrano foi escolhido pelo júri do Estandarte de Ouro, do GLOBO, como a melhor escola no carnaval de 2013 na Série A. Com o enredo "Caxambu - O Milagre das Águas na Fonte do Samba" a força da bateria e do canto dos componentes empolgaram o Sambódromo. A harmonia fez o samba crescer na avenida, segundo o júri. A Inocentes de Belford Roxo abriu a primeira noite do Grupo Especial com homenagem à Coreia do Sul. A escola esbanjou efeitos especiais e encantou.


O Estado de São Paulo
"Partidos deram R$61 milhões a aliados" 

Registrados no TSE, repasses serviram para ajudar candidatos de outras legendas; especialistas divergem na avaliação dos objetivos das doações

Partidos injetaram pelo menos R$ 60,9 milhões em campanhas de outras siglas nas eleições municipais de 2012. A verba foi repassada por diretórios e comitês partidários para ajudar candidatos aliados, informa Bruno Boghossian. Na maior parte dos casos, legendas que tinham candidatos a prefeito fizeram pagamento para as campanhas a vereador das siglas que os apoiavam. O Estado analisou 1.625 repasses acima de R$100 mil e identificou 211 transferências. Os repasses são legais, com registro no TSE. O PT foi o que transferiu mais dinheiro a aliados – R$ 18,5 milhões. Em SP, o partido repassou R$ 6 milhões às campanhas de vereadores do PP, PC do B e PSB para obter apoio para Fernando Haddad. Especialistas divergem sobre os pagamentos: alguns avaliam que são financiamento coletivo de um projeto político, mas outros dizem que as transferências contêm indícios de barganha por apoio eleitoral.

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domingo, fevereiro 10, 2013

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Opinião

Torcedores sofrem nas arenas

O Estado de S.Paulo
O conceito de arena, praça de esportes com equipamentos modernos e tecnologia de ponta para propiciar conforto e segurança para torcidas e jogadores de futebol, passou a ser utilizado para demarcar suas diferenças dos velhos estádios. No Brasil, contudo, até agora a experiência com o novo tipo de construção ainda não proporcionou nada que fosse capaz de facilitar a vida de quem atua ou, principalmente, de quem pagou ingressos mais caros para se livrar dos aborrecimentos e do desconforto nas edificações ditas modernas.

Construído há meio século pelo Estado de Minas para abrigar as torcidas fanáticas e adversárias inconciliáveis dos dois principais clubes de Belo Horizonte, o Cruzeiro e o Atlético Mineiro, o Mineirão foi posto abaixo para que sobre seus escombros se construísse a moderníssima Minas Arena. O antigo colosso para 100 mil torcedores dos últimos 50 anos recebeu nova cobertura, arquibancadas, vestiários, estacionamentos e esplanada e passou a receber a definição de multiuso, agora com 64.500 lugares. Em 21 de dezembro, tornou-se o segundo cenário pronto para a Copa, depois do Castelão, de Fortaleza, com a presidente Dilma Rousseff presente à festa.

A 144 dias do primeiro jogo da Copa das Confederações marcado para Belo Horizonte, lá foi disputado o clássico entre Cruzeiro e Atlético no domingo 3 de fevereiro. Para este foram vendidos 58.968 ingressos. As filas para comprá-los começaram a se formar na manhã de 29 de janeiro, dois dias antes da abertura das bilheterias. Foi então que o torcedor começou a viver o caos, inicialmente com o atraso de quase três horas para o início aprazado das vendas. Na internet, os sites sofreram uma pane e frustraram milhares de pessoas. O sistema demorou a ser normalizado. Posteriormente, houve problema na impressão dos bilhetes, feita no ato da compra. Ao fim do primeiro dia de comercialização, o presidente da Minas Arena, Ricardo Barra, já teve de pedir desculpas ao torcedor pelos transtornos operacionais. Na sexta-feira 2 de fevereiro, mais dor de cabeça: dessa vez na troca dos vouchers por ingressos, procedimento necessário para quem tinha comprado as entradas pela internet no dia anterior.

Nada disso, contudo, serviu de alerta para a empresa concessionária da administração do estádio, construído e reconstruído com dinheiro público: os meios de comunicação informaram sobre a notória falta de pessoal qualificado para atender à demanda do público ao local antes do jogo. A entrada foi tumultuada e praticamente paralisou o trânsito na capital mineira. No interior da arena multiuso os problemas se acumularam: faltaram água e alimentos nos bares, os sanitários não deram conta da demanda e o prazer do torcedor terminou se tornando tortura.

O secretário extraordinário para a Copa do Mundo em Belo Horizonte, Tiago Lacerda, considerou "normais" os problemas com estacionamento e de acesso, mas definiu como "graves" os ocorridos nos bares. O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, constatou o óbvio: "É inadmissível que falhas de operação exponham o torcedor aos transtornos verificados". O governador tucano, Antonio Anastasia, anunciou uma fiscalização muito "firme e enfática", mas isso deveria ter sido feito antes, não depois.

O que ocorreu quatro dias antes na Arena Grêmio, clube que se orgulha de ter o mais moderno complexo esportivo de multiuso do País, no jogo com a LDU, do Equador, poderia ter chamado a atenção dos mineiros. Acostumada a descer correndo os degraus da arquibancada do Olímpico em "avalanche", parte dos 41.461 torcedores que foram ver o jogo se atirou sobre uma grade do estádio derrubando-a na comemoração de um gol. Muitos torcedores caíram no fosso que separa a torcida do gramado e oito ficaram levemente feridos. O acidente aconteceu quatro dias depois do incêndio da boate Kiss, em Santa Maria.

Como se viu nos casos dessas arenas multiuso prontas para a Copa, os torcedores pagaram com incômodos e ferimentos pela imperícia dos construtores e pela ineficácia das autoridades.

Original aqui

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Manchetes do dia

Domingo, 10 / 02 / 2013

O Globo
"Carnaval 2013 - Milionários do samba" 

Luxo e riqueza fazem de Vila, Beija-Flor, Salgueiro e Tijuca as eternas favoritas

Das 12 escolas do Grupo Especial, oito vêm com enredos criados em busca de patrocínio. Algumas estão no vermelho. Além de R$ 5,6 milhões que cada uma recebeu em subvenções e pela venda dos ingressos e direitos de imagem, as 12 escolas do Grupo Especial que começam a se apresentar hoje no Sambódromo passaram o ano correndo atrás de mais dinheiro. Algumas vêm com desfiles de R$ 10 milhões, enquanto outras usaram as receitas para pagar dívidas. Esse contraste, já evidenciado nos barracões, será exposto na Sapucaí, onde Beija-flor, Salgueiro, Unidos da Tijuca e Vila Isabel chegam, como nos últimos anos, favoritas ao título.


O Estado de São Paulo
"Doze Estados aumentam gastos com propaganda" 

Em ano pré-eleitoral, a verba para publicidade dos governos é em média 37% maior que a de 2012

Vinte e três estados, além do Distrito Federal vão gastar R$ 1,4 bilhão em publicidade neste ano. Metade prevê aumento da verba destinada à propaganda institucional, totalizando cerca de R$ 750 milhões. Em média, o gasto desses Estados deve crescer 37,35%, mostram Bruno Boghossian e Julia Duailibi. Sete têm governadores que são potenciais candidatos à reeleição em 2014, incluindo São Paulo. Com R$ 138 milhões de recursos previstos, o governo do Distrito Federal chega a gastar R$ 54 por habitante, o maior valor per capita do País.

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