sábado, janeiro 12, 2013

Stonehenge

Foto: Francesco Alamia

Colunistas

Em 2013, crescimento global será dos BRICs

“Juntos, os quatro países BRIC, countries Brasil, Rússia, Índia e China, acrescentaram à economia do planeta cerca de US$2,2 trilhões em 2012. Equivale a criar uma Itália por ano”

Márcia Denser
Um artigo do coletivo Vila Vudu vale à pena ser repassado, no mínimo, por sua hilaridade. Pra começar, dando um alô à dona Miriam Leitão: Será que a senhora só sabe entrevistar economistas tucanos reacionários golpistas de “consultorias merrecas quebráveis”? Será o benedito? Será que a senhora não sabe entrevistar economistas golpistas grandes demais pra quebrar?

Não que os inquebráveis sejam mais lúcidos ou progressistas que os quebráveis – mas, ao menos, os inquebráveis não são udenistas golpistas obcecados, ou seja, os inquebráveis têm uma visão mais objetiva dos mercados, precisamente por serem inquebráveis. A exemplo da sóbria e hiper-realista entrevista de Jim O’Neill, diretor de investimentos do Goldman Sachs , nada menos, imaginem só!

Pergunta: Como ficará a paisagem da economia em 2013?
Economista reacionário, mas GRANDE DEMAIS PRA QUEBRAR: Agora que já se definiram as posições na liderança política de EUA e China, pode-se finalmente delinear o quadro da economia para 2013, já conhecendo quem estará no comando das duas maiores economias do mundo.

Pergunta: E o que as forças econômicas farão a eles?
Economista reacionário, mas GRANDE DEMAIS PRA QUEBRAR: Para começar, os EUA continuarão a enfrentar repetidas dificuldades com o ‘despenhadeiro fiscal’, até que os mercados financeiros pressionem os políticos e obtenham cortes significativos nos gastos e redução radical no déficit. Mas, apesar disso e associado a crescimentos frustrantes, 2013 será um ano mais forte para a economia global do que muitos esperam. Vejam: em 2011, a China acrescentou ao mundo US$1,3 trilhão de Produto Interno Bruto (PIB). Equivale a criar outra Grécia a cada 12,5 semanas; quase uma Espanha por ano. Juntos, os quatro países BRIC, countries Brasil, Rússia, Índia e China, acrescentaram à economia do planeta cerca de US$2,2 trilhões em 2012. Equivale a criar uma Itália por ano. Apesar dos problemas, a Itália ainda é a oitava maior economia do mundo e assim continuará nos próximos anos, até que Rússia e Índia a superem como se prevê.

As oito economias de mercado em crescimento – os BRIC plus Coreia do Sul, Indonésia, México e Turquia – criaram cerca de US$3 trilhões em 2011, mais do que o Reino Unido em um ano. Essas economias somadas têm já tamanho bem próximo da economia dos EUA, alcançando US$15-16 trilhões, cerca de 25% do PIB global. A menos que essas taxas de crescimento caiam muito, a contribuição desses países para a riqueza global crescerá dramaticamente, e o crescimento global ultrapassará as previsões sinistras que analistas ocidentais assustadiços parecem prestigiar. Se as economias desse ‘grupo C-8’ crescerem em média 10% em dólares norte-americanos, acrescentarão US$1,5 trilhão ao PIB global para o ano que vem.

O crescimento chinês diminuiu em 2011-2012 por decisão dos economistas do Partido Comunista da China. Para a década iniciada em 2011, nós, da Diretoria de Investimentos do Banco Goldman Sachs, estimamos que a China, responsável por metade da riqueza produzida pelo grupo C-8 (prováveis US$8,3 trilhões ao final de 2012), crescerá a taxas anuais de 7-8% em termos reais, com inflação em torno de 3%.
A China crescerá em torno de 7-8%, em parte porque os dirigentes do Partido Comunista Chinês decidiram que é o crescimento desejável. No final de 2009, já com um ano de política chinesa de estímulos, como resposta à crise global de crédito, o Partido Comunista Chinês decidiu que já não lhe serviria crescer 10% ao ano (crescimento real). Por quê? Porque a desigualdade de renda crescia dramaticamente, o dano ambiental idem perigosamente, e a inflação estava comendo (enquanto os mais pobres passavam fome) o crescimento real.

O crescimento-alvo da China, definido em 7%, embora exposto a grandes desafios, visa manter o crescimento do consumo privado em torno de 8% (também implica reconhecer que as exportações e o investimento não crescerão tão fortemente quanto antes); e admite-se aumento na participação do consumo na formação do PIB.
Mais foco em inovação e criatividade será acompanhado de forte aumento real nos salários, mais direitos e garantias para migrantes urbanos e aumento nas pensões, aposentadorias e na assistência à saúde. Se a China crescer 7-8% outra vez em 2013, terá um crescimento mais equilibrado.

Além da China, os demais BRIC – Brasil, Rússia e Índia – todos têm desafios que os governantes terão de enfrentar para promover um crescimento mais forte. Mas por todo o lado observam-se desenvolvimentos interessantes, inclusive na Indonésia, nas Filipinas, em Bangladesh, na Nigéria e no México; membros do que chamo de “os Próximos 11” [orig. “Next 11”], Coréia do Sul e Turquia, continuam a crescer razoavelmente bem, embora não com o momentum dos outros; são dois outros grandes membros desse grupo.

Os países BRICs e os “Próximos 11” têm, somados, mais de quatro bilhões de habitantes, mais de 2/3 da população do planeta. Continuando a crescer, a contribuição dessas economias empurrará o crescimento global para muito além do que globalmente se alcançaria sem eles.

Quanto à UE, o mais provável é que, pelo menos antes das eleições na Alemanha, no outono de 2013, todas as decisões chaves sejam descartadas ou adiadas. Mas a economia global pode ficar mais fraca em 2013, se o pior continuar a acontecer na Europa e nos EUA, especialmente se o novo Congresso não conseguir trabalhar com o presidente reeleito Obama a fim de encontrar algum arranjo para o orçamento no sentido de melhorar a credibilidade de médio prazo da posição fiscal dos EUA. É um equilíbrio difícil de alcançar. Ainda quanto à Europa, muitos investidores ainda assumem que chegará um momento em que se poderá concluir definitivamente que a União Monetária Europeia será salva ou extinta de vez. E isto significa que a Europa muito provavelmente enfrentará mais um ano difícil.

Mas o crescimento dos BRICs continuará a gerar, em termos de riqueza, uma Itália por ano. A menos que o ambiente europeu se deteriore muito rapidamente, a Europa não será assunto importante para a economia global em 2013.

Ou seja, o hiper-realismo dos Economistas reacionários, mas Grandes Demais Para Quebrar prevalece como um sismógrafo incontestável: em 2013 quem crescerá globalmente serão os emergentes países do BRIC: Brasil, Rússia, Índia e China. Uma lição inquestionável para dona Miriam Leitão & quejandos.

Publicado originalmente no "congressoemfoco"

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Ubatuba em foco


Maurício na região Sul de Ubatuba

Assessoria M.M.
O prefeito de Ubatuba, Mauricio (PT), esteve nesta terça-feira na região Sul da cidade, com o objetivo verificar pessoalmente os problemas existentes. Acompanhado pelo secretário de Arquitetura e Urbanismo, Rinaldo Santos, e pelo administrador Regional Sul, Damião José da Silva, o prefeito analisou de perto os estragos causados pela chuva do último dia 3, que atingiram a Rua Antonio Cruz de Amorim, que dá acesso ao bairro do Araribá, onde parte do asfalto cedeu.

Outro local vistoriado foi o posto de saúde da Maranduba, onde o Prefeito determinou ações necessárias para retomada das obras de reforma da Unidade Básica de Saúde, paralisadas pela gestão anterior desde setembro do ano passado.

Mauricio participou ainda de uma reunião com o presidente da Associação dos Pescadores da Barra da Maranduba, Maurício Romão, para discutir um projeto de desassoreamento da barra do rio Maranduba, uma antiga reivindicação dos pescadores locais.
E aproveitando a presença na região, no início da noite Mauricio participou da tradicional missa realizada todo dia 8 na Capela Nossa Senhora das Graças, no bairro Sertão da Quina.

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Opinião

Regulamentação da mídia

O Estado de S.Paulo
Agarrando uma oportunidade, a condenação de alguns políticos que o lideram, o Partido dos Trabalhadores postula novamente o controle da imprensa. Existem graves distorções no jornalismo atual, devendo ele ser tratado com rigor pelos interessados - leitores, ouvintes, telespectadores - na forma e no conteúdo das notícias. Muitas críticas, no entanto, têm origem em personalidades e grupos que desejam impor programas para perpetuar seu poder.

De onde vem a tese de que é preciso regular a imprensa? Lembremos o jurista Carl Schmitt, lido por Francisco Campos, ministro de Vargas que no Estado Novo normatizou os jornais. O alemão afirma que, na busca de formar a mente pública, o audiovisual ameaça o Estado. O poder político deve ter o monopólio dessa técnica. "Nenhum Estado liberal deixa de reivindicar em seu proveito a censura intensiva e o controle sobre filmes e imagens, e sobre o rádio. Nenhum Estado deixa a um adversário os novos meios de dominação das massas e formação da opinião pública". O Estado, diz Schmitt, deve controlar os meios de comunicação: "Os novos meios técnicos pertencem exclusivamente ao Estado e servem para aumentar sua potência". O ente estatal "não deixa surgir em seu interior forças inimigas. Ele não permite que elas disponham de técnicas para sapar sua potência com slogans como 'Estado de direito', 'liberalismo' ou um outro nome" (Schmitt em 1932, cf. O. Beaud: Os Últimos Dias de Weimar). A raiz histórica da tese é venenosa.

Na Alemanha preconizada por Schmitt o nome para a regulamentação da mídia foi a Gleichschaltung (impor à imprensa, de modo uniforme, a ideologia do partido). Em 1933 existiam no país 4 mil diários e 7 mil revistas. O Reich estatizara a maioria das estações de rádio (1925). A Reichs Rundfunk Gesellschaft (Sociedade de Comunicação Radiofônica do Reich) foi posta em 1932 sob os comissários de Franz von Papen, o que facilitou a Gleichschaltung. Tal política foi denunciada em 1938 por Stephen H. Roberts (The House that Hitler Built), mas os olhos estavam cegos para o arbítrio. E vieram a regulamentação do rádio e do serviço postal, a centralização do controle no Ministério da Propaganda, a imposição da conformidade aos funcionários. Foram demitidos os indesejáveis (judeus especialmente). Todos deveriam aceitar os ditames do governo e do partido. Goebbels demitiu os antigos comissários do rádio. Em março de 1940 foram unificados os programas radiofônicos do Reich.

Poucas leis foram necessárias para regular a mídia. Ouvir rádios estrangeiras levaria à pena de morte, segundo o Decreto Sobre Medidas Extraordinárias (1.º/9/1939). Em 1937 existiam 8 milhões de receptores de rádio na Alemanha, ante 200 aparelhos domésticos de televisão dois anos depois. Nos Jogos Olímpicos de 1936, 162.228 pessoas foram às salas que exibiam programas televisionados. O partido e o governo usavam, sobretudo, o rádio e o filme. Ao se impor à mídia, Goebbels jogou a violência física sobre ombros alheios: "Não usamos nenhuma forma de coerção. Se necessária a deixamos para outros departamentos". Segundo ele, a propaganda ("jornalística"...) sem elos com a cultura é cansativa e ineficaz. Seria preciso uni-la ao entretenimento, batizado com sarcasmo, contra as Luzes do século 18, de Aufklärung. Você não pode sempre bater o tambor, dizia, "porque o povo gradualmente se acostuma ao som e não mais o registra (...) desejamos ser os condutores de uma orquestra polifônica de propaganda". Os instintos primitivos da massa despertam e são movidos por truques simples e claros.

A mídia regulamentada teve seu papel no extermínio dos judeus, embora o regime mantivesse o segredo como arma. Himmler, discursando em Poznan (4/10/1943), disse que o Holocausto era "um capítulo glorioso da SS que nunca chegou a ser escrito". A leitura dos jornais sob controle mostram algo diferente. A popularidade de Hitler, é certo, não se deveu à mídia ventríloqua, mas é falso dizer que jornais "independentes" (Frankfurter Zeitung, Berliner Tageblatt, etc.) se opuseram ao regime. Paul Scheffer, editorialista do Berliner Tageblatt, narra que sua posição era de marionete sob Goebbels. Os jornais deveriam "parecer" diversificados, mas agir na linha única, imposta pelo partido.

Muitos leitores cancelaram assinaturas dos jornais. Os periódicos estrangeiros eram lidos com sofreguidão. Nos textos censurados as pessoas aprenderam a ler entre as linhas para compensar a falta de informações. O encanto por Hitler seguia ao lado da impopularidade do seu partido. Segundo I. Kershaw (O Mito de Hitler: o culto do Führer e a opinião popular), os alemães atribuíam ao Führer os sucessos anteriores à guerra. A "corrupção, a imperícia administrativa e problemas de suprimento não se deviam a ele, mas ao partido". A mídia fantoche fazia do líder um inimputável. Os jornais regulamentados apresentavam-no como a pessoa que acabara com o desemprego, vencera a corrupção, levara a Alemanha ao poder europeu. Os fracassos eram atribuídos aos inimigos, como os judeus. (Informações preciosas encontram-se em Bruce A. Murray, Framing the Past: The Historiography of German Cinema and Television.)

Virada a página, no mundo soviético, idênticas loas ao Pai dos Povos, igual servilismo imposto à imprensa.

E hoje, no mundo e no Brasil? Em greve inédita contra a censura, um jornal do próprio governo chinês (Global Times), em texto dos editores afirma: "A realidade é que antigas políticas de regulação da imprensa não podem continuar como estão. A sociedade está progredindo e a administração deve evoluir" (BBC, 7/1/2013). Depois do nazismo, do Pravda (o jornal mais mentiroso da História), das ditaduras Vargas e de 1964, a sociedade evoluiu, salvo para os que comparam sua ideologia aos oráculos. Os deuses exigem espinhas e almas quebradas.

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Manchetes do dia

Sábado, 12 / 01 / 2013

O Globo
"Túnel de meio bilhão já terá reforço estrutural" 

Fissura na rocha mantém Grota Funda, inaugurado há 7 meses, interditado

Após 35 horas alegando problemas elétricos, prefeitura admite que obra do corredor Transoeste precisará de intervenção com malha de aço e concreto. É o segundo problema estrutural na obra, concluída em 2012. Inaugurado há 7 meses, ao custo de R$ 500 milhões (quase a metade de todo o BRT Transoeste), o Túnel da Grota Funda continuará interditado no sentido Recreio-Guaratiba no fim de semana, para obras de reforço estrutural. Após 35 horas alegando problemas elétricos para justificar a interdição, iniciada às 7h de quinta-feira, a prefeitura admitiu que foi encontrada uma fissura na rocha, que precisa ser contida com malha aço e concreto. A prefeitura atribuiu a fissura a problemas geológicos, e não a erro de execução da Odebrecht. O prefeito Eduardo Paes garantiu que “não há preocupação quanto à estabilidade geral do túnel" Especialista da Coppe/UFRJ, o professor Maurício Ehrlich disse que será necessário verificar ao longo do tempo estalos e trincas no revestimento para saber se outros pontos também exigirão reforço. Segundo ele, a formação de argilomineral, que pode ser a causa do problema, deveria ter sido prevista antes da obra.


O Estado de São Paulo
"Câmara gasta R$ 280 milhões para reformar apartamentos" 

Custo da obra, 3 anos atrasada, é de R$ 650 mil por imóvel; só em banheiras será desembolsado R$ 1,5 milhão

A reforma dos 432 apartamentos funcionais destinados a deputados federais vai custar R$ 280 milhões aos cofres públicos, ou R$ 650 mil por imóvel, revela Débora Bergamasco. A Câmara deve gastar R$ 1,5 milhão só em banheira de hidromassagem. Seis prédios, com 24 apartamentos de 200 metros quadrados cada, foram entregues desde 2007, mas problemas com construtoras atrasaram as obras em mais de três anos. Os imóveis reformados têm sistema de segurança, sala para três ambientes, armários e banheiras com controle digital. Responsável pela área, o deputado Júlio Delgado defende as obras. "Sei que essa história da hidromassagem vai pegar mal, mas já estava prevista. Tornamos os funcionais mais atrativos e menos de 200 deputados recebem hoje auxílio-moradia." A estimativa é que cada imóvel valha R$ 2,35 milhões com a reforma. Cerca de 90 parlamentares estão na lista de espera. 

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sexta-feira, janeiro 11, 2013

Coluna do Celsinho


Fernanda Liberal

Celso de Almeida Jr.

Ontem, em seu velório, reencontrei muita gente.
Intensos momentos comoventes.
Teve graça, também.
Ela, certamente, perdoou uma irresistível piadinha de sogra selecionada para descontrair.
Quantas pessoas especiais...
A Lourdes e a Cristina tiveram uma singela ideia.
Emolduraram uma foto sua, sorridente, radiante, que por ali ficou, contrastando com seu repouso definitivo.
Lemar Gonçalves, o mais doce homem que conheço, fez a silenciosa despedida da companheira amada; cumplicidade de mais de cinco décadas.
Filhos, amigos, netos - presentes ou em pensamento - deram uma generosa demonstração de amor, respeito e consideração por aquela cidadã generosa.
Assim, neste ambiente sereno e de paz, tivemos o último encontro com a “Dona Fernanda” como eu gostava de chamá-la.
Socióloga, educadora, escritora, motivadora, guerreira, gentilíssima, deixa como legado uma magnífica história de amor por todos que tiveram a oportunidade de conhecê-la.
Impossível me despedir.
Seu belo exemplo frutificou.
Tenho a felicidade de senti-lo, diariamente, no convívio com sua filha e neta, minha família amada.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

Inflação, estagnação e teimosia

O Estado de S.Paulo
O Brasil completou mais um ano com inflação bem acima da meta e crescimento econômico pífio - desempenho muito pior que o da maior parte dos emergentes e até inferior ao de alguns países desenvolvidos ainda em crise. O principal padrão de referência da política oficial, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 5,84% e poderia ter subido mais, sem a redução temporária do IPI sobre carros.

O indicador mais restrito, o INPC, referente aos gastos de famílias com ganho mensal de até cinco salários mínimos, aumentou 6,2%. Ruim para todos os trabalhadores, a evolução dos preços foi particularmente cruel, portanto, para os grupos de baixa renda. Mas o discurso-padrão do governo exclui o reconhecimento dos fracassos. O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, festejou o resultado melhor (de fato, menos ruim) que o de 2011, quando o IPCA se elevou 6,5%, e garantiu para 2013 uma nova redução.

Não deixou, no entanto, de tentar uma explicação mal-ajambrada para os 5,84%. No segundo semestre, segundo ele, houve choques de preços agrícolas, "entre outros fatores". Mas a perspectiva de um mercado agrícola mais acomodado havia sido, desde agosto de 2011, um de seus principais argumentos para justificar o corte dos juros. Mais do que nunca está claro: o corte de juros foi mais uma ação determinada pelo voluntarismo da presidente Dilma Rousseff.

Quanto aos preços dos alimentos, realmente impulsionaram a inflação, mas o fator mais importante foi o descompasso entre a demanda de consumo e a capacidade de oferta da economia. Houve aceleração de aumentos em seis dos nove grandes componentes do IPCA, em dezembro, e a variação do conjunto, no mês, foi a maior desde o fim de 2004.

Chegou a 70,7% a parcela de itens com aumento de preços, de acordo com o indicador de difusão calculado pelo banco Besi Brasil. Isso confirmou a tendência observada em todo o ano, de generalização dos aumentos pelo contágio. O crédito abundante, o aumento da massa de rendimentos, o gasto público e os incentivos mal dirigidos explicam esse fenômeno. Nenhuma faísca - no caso, a alta dos preços agrícolas - provoca um grande incêndio sem farto material combustível e sem oxigênio.

O fato mais grave é a combinação desastrosa de inflação alta e crescimento baixo. Desde 2005 a meta de inflação é de 4,5%, bem mais alta que a da maior parte dos países desenvolvidos e em desenvolvimento. A partir de 2006 a margem de tolerância diminuiu de 2,5 pontos porcentuais para 2, mas continuou muito ampla. Outros países cresceram muito mais com alta de preços muito menor.

No ano passado, até novembro, os preços ao consumidor subiram em média 1,9% nos 34 países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), formada majoritariamente por economias desenvolvidas e algumas em desenvolvimento. No México, o IPC aumentou 4,2% nesse período, mas no terceiro trimestre seu Produto Interno Bruto (PIB) foi 3,3% maior que um ano antes - mais que o triplo do resultado brasileiro.

O contraste entre o Brasil e outros latino-americanos é notável. No Chile, a inflação até novembro ficou em 2,1%, com provável expansão econômica de 5,2% em todo o ano. Na Colômbia, o número final da inflação foi 2,44%, mas o PIB deve ter aumentado cerca de 4%. No Peru, o produto deve ter aumentado uns 6%, talvez pouco mais, mas os preços ao consumidor, até novembro, haviam subido 2,7%. No Equador, a alta de preços está estimada em 4,2%. Os números da produção não estão atualizados, mas o desempenho foi certamente muito melhor que o do Brasil. No segundo trimestre, o PIB foi 5,2% maior que o de um ano antes.

Na China, a inflação até novembro ficou em 2%, mas o produto, no terceiro trimestre, foi 7,4% maior que o de um ano antes. Índia e Rússia tiveram taxas inflacionárias mais altas que a brasileira, mas com expansão econômica bem maior.

No Brasil, tudo indica mais um ano com aumentos de preços além da meta, alimentados pelo crédito fácil e pela gastança pública, e sem nenhum benefício para o crescimento econômico.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 11 / 01 / 2013

O Globo
"Suspensa venda de 225 planos de saúde" 

ANS proíbe 28 operadoras de aceitar novos clientes. Maioria é reincidente

Empresas do setor contestam avaliação do governo que levou à punição e estudam recorrer à Justiça. Por descumprir prazos para marcar consultas, exames e cirurgias, a Agência Nacional de Saúde (ANS) suspendeu durante três meses, a partir de segunda-feira, 225 planos de saúde, de 28 operadoras — sendo 19 reincidentes. Esses convênios, que têm 1,9 milhão de pessoas e representam 4% dos usuários do país, não poderão aceitar novos clientes. Entre as empresas que voltaram a desrespeitar os prazos, 16 podem sofrer intervenção do governo se, em 15 dias, não apresentarem plano de recuperação. Operadoras contestam a avaliação e estudam ir à Justiça.


O Estado de São Paulo
"Inflação fica em 5,84% e deve iniciar ano sob pressão" 

IPCA acelera, fecha 2012 acima dos 4,5% previstos; altas indicam que preços continuarão subindo

O índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como referência para a inflação oficial no País, fechou 2012 com avanço de 5,84%, acima da meta estipulada pelo governo, de 4,5%, embora ainda dentro do “limite de tolerância”, de até 6,5%. Este é o terceiro ano consecutivo de altas. O índice foi divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O movimento de alta, iniciado em agosto, culminou com uma inflação de 0,79% em dezembro, a maior desde março de 2011. Isso indica que os preços não devem dar trégua no início de 2013, de acordo com analistas. O item de maior impacto foi o empregado doméstico, com aumento de 12,73%. Segundo especialistas, o indicador só ficou abaixo da meta do governo porque o IBGE mudou a metodologia. 

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quinta-feira, janeiro 10, 2013

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Opinião

O conselho de Olívio a Genoino

O Estado de S.Paulo
O ex-governador do Rio Grande do Sul, ex-prefeito de Porto Alegre, ex-ministro das Cidades e ex-presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), do qual é fundador e um dos quadros mais conhecidos e respeitados, Olívio Dutra discordou da decisão de seu companheiro José Genoino de ocupar a vaga de deputado federal a que tinha direito desde que o titular, Carlinhos Almeida, a deixou. E não se limitou a expressar sua opinião contrária à posse de Genoino na Câmara dos Deputados, após ter sido condenado a 6 anos e 11 meses de prisão no julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em contatos privados ou em reuniões partidárias, mas publicamente, pelo rádio. Olívio manifestou sua discordância no programa Esfera Pública, apresentado pelo jornalista Juremir Machado da Silva, na Rádio Guaíba de Porto Alegre. E chegou a dialogar com o correligionário sobre o assunto. "Eu acho que tu deverias pensar na tua biografia, na trajetória que tens dentro do partido", disse Dutra a Genoino, que telefonou para a emissora.

Genoino garantiu, na conversa transmitida pela Guaíba, que não cometeu crime algum enquanto presidiu o partido. "Fui condenado à noite e no dia seguinte eu saí do governo porque era cargo comissionado. É diferente de uma eleição. Os eleitores me delegaram o cargo de suplente. Esses eleitores não têm encontrado nenhuma restrição ao fato de eu assumir", afirmou Genoino, que tomou posse na semana passada porque um dos deputados da bancada federal do PT, Carlinhos Almeida, a deixou para assumir a prefeitura de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo.

Mas Olívio não recuou da posição assumida antes de o alvo de sua crítica haver entrado na conversa. "É uma opinião pessoal, mas tenho convicção de que assumir nessas condições não foi a melhor escolha para a tua trajetória e para o sentimento partidário", rebateu. O diálogo entre os dois próceres petistas, ambos com biografias políticas importantes, não apenas no PT, mas também no movimento sindical (Olívio foi presidente do Sindicato dos Bancários) e na luta armada da esquerda contra a ditadura militar (Genoino pegou em armas para derrubar o regime como militante do Partido Comunista do Brasil na guerrilha rural do Araguaia), esclarece o antagonismo criado em torno do tema. E revela que esse antagonismo também existe no interior do partido em que ambos militam e do qual foram presidentes.

De um lado, com o apoio da cúpula do PT e do presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, petista e gaúcho como Olívio, o ex-guerrilheiro se agarra com unhas e dentes à legalidade e à legitimidade de sua atitude. De outro, democratas de várias tendências ideológicas, entre os quais o interlocutor dele no programa da Guaíba, percebem a contradição de um político que sempre procurou pautar seu comportamento pela ética e pelo compromisso com a democracia, mas desafia esses valores que estão acima de vaidades, idiossincrasias e até convicções pessoais. Desde que depuseram as armas e aceitaram as regras de um Estado Democrático de Direito, ex-guerrilheiros, como Genoino, seu colega no banco dos réus José Dirceu e a presidente Dilma Rousseff, devem seguir a lei acima de seus personalismos e partidarismos.

Na volta à Câmara, irritado com o assédio dos repórteres que trabalhavam para manter a sociedade informada, o petista os comparou a torturadores da ditadura. A comparação disparatada expressa o engano em que os petistas condenados no mensalão - Genoino entre eles - incorrem ao imaginar que uma biografia heroica anistiaria automaticamente seu dono de delitos que cometeram. Ao sugerir que Genoino repare o erro da posse renunciando ao mandato, seu companheiro de esquerda e de partido Olívio Dutra lhe recomenda um gesto que o redimirá desse equívoco. Nunca vai ser lavada de sua biografia a mancha da condenação por crimes contra a administração pública, corrupção ativa e formação de quadrilha, pelos quais foi condenado. Mas o sacrifício do mandato em nome da democracia será um passo no rumo correto de recuperar a boa reputação, cumprida a pena.

Original aqui

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 10 / 01 / 2013

O Globo
"Tribunal apoia manobra e mantém chavismo no poder" 

Corte decide que presidente continua no cargo sem posse e por tempo indeterminado

Vice Nicolás Maduro poderá permanecer à frente do governo após decisão de juízes ligados a Chávez; oposição, que queria decretação de ausência temporária, denuncia inconstitucionalidade da medida. O Tribunal Supremo de Justiça, composto por magistrados alinhados ao governo venezuelano, considerou que a posse de Hugo Chávez, prevista para hoje pela Constituição, é um “formalismo que deve ser cumprido, mas não é obrigatório para a continuidade do governo”. Para os magistrados, não é necessário decretar a ausência temporária do presidente – o que daria início a um prazo máximo de 180 dias de adiamento – porque a Assembleia Nacional autorizou que ele viajasse a Cuba para se tratar do câncer.


O Estado de São Paulo
"Governo garante energia com uso de usinas térmicas" 

Após reunião, ministro descarta racionamento; medida adotada dever limitar a redução da conta de luz

As usinas térmicas devem ser usadas pelo menos até abril para garantir o abastecimento no País, o que pode diminuir o impacto da redução de 20,2%, em média, na conta de luz prometida pelo governo. Por determinação da presidente Dilma Rousseff, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, reiterou ontem que a diminuição da conta está garantida. Na prática, porém, o impacto no bolso do consumidor pode ser reduzido ao longo do ano. Pelos cálculos do presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, se essas usinas de energia mais cara permanecessem ligadas até dezembro, poderia haver aumento de até 3% na conta. Técnicos da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já estudam formas de ratear, caso seja necessário, essa despesa extra, mas não há detalhes. Lobão ainda garantiu que o risco de apagão está afastado. Se for preciso, as térmicas podem aumentar o volume de energia produzida. O ministro falou após a primeira reunião do ano do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE).

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quarta-feira, janeiro 09, 2013

Ubatuba em foco

Funcionários realizam operação tapa buracos no bairro do Tenório, na grande região Central de Ubatuba

Prefeitura de Ubatuba monta operação especial para tapar buracos na cidade

Assessoria M.M.
Começou nesta segunda-feira a primeira operação tapa buracos da nova administração de Ubatuba. De acordo com a Secretaria de Obras, os serviços começaram pelo Centro comercial do município, onde foram recuperadas as principais vias da região. Nesta quarta-feira, foi a vez do bairro do Tenório receber a operação.

Segundo o secretário de Obras da cidade, Mauro Bezerra, os trabalhos estão sendo realizados em uma operação especial, em função do abandono viário da cidade nos últimos meses. “De forma geral, a situação em que encontramos as vias de Ubatuba é muito crítica. Em muitos locais, principalmente no grande Centro da cidade, o ideal seria refazer totalmente o asfalto das ruas, no entanto, estamos em plena temporada de verão e precisamos garantir o mínimo de condições para que moradores e turistas circulem pelo município”, disse o secretário de Obras, ressaltando que a nova prefeitura já tem um plano de asfaltamento para Ubatuba, que deverá começar a ser colocado em prática a partir do próximo semestre.

 “Para esse momento precisávamos de uma ação especial de curto prazo, como a operação tapa buracos. Somente nas vias do Tenório foram necessários mais de três caminhões de massa asfáltica. Não se trata apenas da grande quantidade dos buracos, mas também do tamanho deles.

Tinha buraco quase do tamanho de um carro. Mesmo com essa triste realidade, estamos contando com a dedicação dos funcionários e, se o tempo ajudar, esperamos que até o final de semana, a operação tenha conseguido melhorar a situação no Centro, Itaguá, Tenório e Perequê Açu”, completou Mauro Bezerra, acrescentando que, a pedido do prefeito Maurício, a operação também vai priorizar as vias que servem como rotas dos ônibus coletivos, com o objetivo de melhorar a locomoção dos trabalhadores ubatubenses.

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Opinião

Uma normalidade exótica

O Estado de S.Paulo
A economia brasileira seria muito mais dinâmica e os serviços públicos, muito mais eficientes, se o governo federal aplicasse à administração o mesmo esforço empenhado em maquiar suas contas, em disfarçar suas mazelas e em demolir os pilares da responsabilidade fiscal.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e seus principais auxiliares apressaram-se a responder às críticas e a defender a contabilidade criativa usada para simular o cumprimento da meta fiscal de 2012. "É uma operação absolutamente normal, previsível, usual", disse o secretário do Tesouro, Arno Augustin, numa entrevista ao Estado. "Tudo que foi feito é legítimo e está dentro das normas legais", garantiu o ministro Mantega ao jornal Valor. A solução encontrada pelo governo incluiu o uso de recursos do Fundo Soberano, operações com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o recebimento antecipado de dividendos de estatais, além do desconto do valor investido no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Tudo isso pode ser legal, assim como a declaração de guerra, em certas condições. Mas esse arranjo contábil dificilmente seria descrito como "absolutamente normal, previsível e usual" num país com padrões menos exóticos de administração pública. É uma indisfarçável maquiagem, e a palavra normalidade, nesse caso, só serve para descrever, de modo nada elogioso, usos e costumes do atual governo federal.

Não há como negar: toda aquela complicada operação teria sido desnecessária, mesmo para um governo inclinado à simulação, se a meta fiscal tivesse de fato sido alcançada. Não foi, e isso se explica por uma combinação de fatores. Foram concedidos cerca de R$ 45 bilhões de incentivos fiscais, o baixo crescimento reduziu a arrecadação, os gastos federais continuaram em crescimento e a contribuição de Estados e municípios foi inferior à necessária.

Mas todos esses problemas haviam sido notados bem antes do fim do ano. Se o governo quisesse, teria tempo para tratar o assunto com clareza e propor uma revisão da meta. O governo preferiu, no entanto, insistir no "cumprimento" da meta, porque isso, segundo Augustin, seria o melhor: tornaria "mais claros os fundamentos do Brasil". É uma explicação no mínimo incomum. Se houve alguma clareza, nesse caso, foi apenas a da própria simulação. Quanto ao arranjo contábil, foi uma enfática negação de qualquer compromisso com a transparência.

A mesma negação ocorre quando o governo deixa acumular, ano após ano, um enorme volume de restos a pagar, criando uma espécie de orçamento paralelo. O total deixado para 2013 pode ser de uns R$ 200 bilhões, de acordo com a organização Contas Abertas, especializada em finanças públicas. Segundo o ministro, o valor pode ser menor, mas ele se absteve de apresentar outro número. O crescimento do valor deixado de um ano para outro é normal, disse ele, porque os investimentos aumentam. Em outro país, o argumento poderia ser razoável. No Brasil a história é diferente.

Não se pode realisticamente vincular o empenho de verba num exercício com o início efetivo de um investimento. O valor desembolsado para investimento fica sempre muito abaixo do autorizado e, mesmo assim, a maior parte dos gastos é realizada com restos a pagar.

A acumulação ocorre porque falta competência para a elaboração e a execução de projetos e porque o governo tenta, em cada fim de exercício, preservar recursos para gastar em algum momento. O valor empenhado cresce, mas a competência gerencial se mantém abaixo de medíocre.

Mas falta pelo menos um importante fator para uma avaliação mais ampla do desempenho fiscal de 2012. O governo concedeu cerca de R$ 45 bilhões de incentivos fiscais e, apesar disso, a economia deve ter crescido em torno de 1%. A conclusão é fácil: os benefícios foram dirigidos principalmente ao consumo e ajudaram alguns setores a elevar suas vendas. A ação fracassou, no entanto, como tentativa de reativar a economia. O governo insistiu numa estratégia errada e os R$ 45 bilhões foram mal usados. Nenhuma maquiagem disfarça esse fiasco.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 09 / 01 / 2013

O Globo
"Mais da metade das obras está atrasada" 

Distribuidoras de energia prevêem que redução na conta de luz deve ser menor

Governo nega risco de racionamento, mas técnicos discutem em reunião hoje medidas para enfrentar o problema no país. Com o temor de apagão, ações da Eletrobrás têm queda de mais de 9% na Bolsa. Em meio ao temor de empresas e especialistas de que o país seja obrigado a racionar energia, relatório do comitê do governo de monitoramento do setor elétrico mostra que mais da metade das obras está atrasada. A situação é pior na área de transmissão, com menos de um quarto das obras em dia. Nesses empreendimentos, o atraso médio chega a 15 meses. O governo nega risco de racionamento similar ao de 2001, mas, com os atrasos das obras e a escassez de chuvas, terá de adotar medidas para eliminar o risco, que serão discutidas em reunião hoje. Segundo a associação brasileira dos distribuidores de energia, mantido o atual ritmo de uso das térmicas até março, as tarifas de energia não terão o desconto de 20% prometido pela presidente Dilma. Ontem, as ações da Eletrobras caíram 9,3%.


O Estado de São Paulo
"MPF decide investigar Lula" 

Procurador-geral remeterá caso à 1ª instância; ponto-chave será denúncia de Valério que envolve o ex-presidente no mensalão

O Ministério Público Federal (MPF) vai investigar o ex-presidente Lula com base nas novas acusações de Marcos Valério, reveladas pelo Estado em dezembro, que envolvem o petista no esquema do mensalão. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, decidiu remeter o caso à primeira instância, uma vez que Lula não tem mais foro privilegiado, informam Felipe Recondo e Alana Rizzo. A decisão foi tomada no fim de dezembro, após o encerramento do julgamento do mensalão no STF. O ex-presidente pode ser chamado para prestar depoimento. Marcos Valério também poderá ser convocado para dar mais detalhes da acusação feita em depoimento ao MP, em setembro do ano passado. No documento, de 13 páginas, Valério afirmou ter passado dinheiro para Lula arcar com “gastos pessoais” em 2003. 0 empresário disse que os recursos foram depositados na conta da empresa Caso, do ex-assessor Freud Godoy, espécie de “faz-tudo” de Lula.

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terça-feira, janeiro 08, 2013

Ubatuba em foco

Homens da Regional Norte atuaram prontamente na recuperação da estrada do Ubatumirim

Maurício destaca trabalho conjunto no 1º atendimento às ocorrências causadas pela chuva

Assessoria M.M.

O prefeito de Ubatuba, Maurício (PT), agradeceu nesta segunda-feira o empenho e a dedicação de todos os funcionários que participaram do atendimento às ocorrências causadas pela chuva na cidade. Pela primeira vez nos últimos oito anos os servidores da Secretaria de Arquitetura e Urbanismo (SAU) sairam às ruas para vistoriar e monitorar os estragos causados pelo mau tempo. Além da SAU, o atendimento às ocorrências também contou com o apoio da própria Defesa Civil, da Secretaria de Obras e da Coordenadoria de Trânsito do município.

“Foi gratificante ver que os funcionários, aqueles que estão chegando e os efetivos, estão empenhados e com muita vontade de trabalhar por Ubatuba. A Defesa Civil sempre atenta nos plantões e a Secretaria de Obras pronta para auxiliar nos reparos emergenciais atuaram de Norte a Sul da cidade. Além disso, o secretario de Arquitetura e Urbanismo me informou que na administração passada, arquitetos, engenheiros e topógrafos não atuavam em casos como deslizamentos e alagamentos. Nesse nosso primeiro desafio, os funcionários da pasta saíram para as ruas em busca de diagnosticar e solucionar os problemas causados pela chuva”, ressaltou o prefeito, que visitou a SAU nesta segunda-feira para agradecer a disposição dos servidores.

“Só com esse apoio, união e dedicação conseguiremos superar os problemas deste início de mandato, afinal,  pegamos uma prefeitura com muitos problemas e muitas carências estruturais. No caso das chuvas o empenho de todos foi fundamental para que as mazelas fossem minimizadas, prejudicando o menos possível à população”, completou Maurício, ressaltando também o trabalho da equipe da Defesa Civil, que permaneceu de plantão e em estado de atenção nos últimos dias.


No Sertão da Quina, rápida sinalização da via impediu que o deslizamento da pista ocasionasse outros problemas

Ainda segundo a Defesa Civil, nos últimos quatro dias, choveu em Ubatuba quase o volume esperado para todo o mês de janeiro. O excesso de água causou alguns transtornos em pontos isolados da cidade, como alagamento nas Toninhas, queda de árvores na Itamambuca e deslizamento de terra no Sertão da Quina. Apesar da variedade das ocorrências, não houve registros envolvendo feridos ou desabrigados.

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Opinião

O declínio da Petrobrás

O Estado de S.Paulo
A Petrobrás deve ter registrado, em 2012 - os dados finais ainda não foram coligidos -, a terceira queda de produção de petróleo em 59 anos de operação. Também no ano passado, no segundo trimestre, a empresa registrou prejuízo de R$ 1,35 bilhão, o primeiro resultado negativo em 13 anos. Financeira e tecnicamente incapaz de realizar todos os investimentos que programou, sobretudo por pressão política do governo Lula, a empresa negligenciou aplicações em áreas essenciais para a geração de recursos necessários à sustentação desses programas, especialmente a de produção. O declínio é a consequência natural do modelo de gestão imposto pelo governo lulo-petista à empresa.

A primeira queda de produção da Petrobrás ocorreu em 1990, no primeiro ano do governo Collor, que desorganizou a economia brasileira; a segunda, em 2004, no governo Lula, foi provocada por problemas de manutenção e atraso na entrega de equipamentos. A do ano passado é a síntese de um conjunto de problemas que a empresa acumulou desde a chegada do PT ao poder, em 2003. Desses problemas se destacam o loteamento de cargos entre aliados políticos, o estabelecimento de metas irreais de produção, o encarecimento brutal das obras de refinarias, o atraso nos serviços de manutenção das plataformas e na entrega de equipamentos para a exploração do pré-sal e, nos poços já em exploração, notável queda de eficiência operacional.

As consequências são graves. Como mostrou o jornal Valor (7/1), com base em dados da Agência Nacional do Petróleo, a produção diária média de óleo e condensado em agosto de 2012 foi de 2,006 milhões de barris, inferior à média de agosto de 2011, de 2,052 milhões de barris. Descontada a produção dos novos poços que entraram em operação no período, de 500 mil barris diários, constata-se que a produção dos poços antigos diminuiu 26,6%, ou mais de um quarto, entre um ano e outro, bem acima da média histórica de redução, de 7% a 10% ao ano.

Estima-se que, só com a queda da produção de petróleo da Bacia de Campos, a Petrobrás tenha perdido cerca de R$ 7 bilhões no ano passado. A rápida queda da produção dos campos em exploração levou a empresa a anunciar, em meados do ano passado, um programa de aumento de eficiência dessas unidades, que foi incluído em seu Plano de Negócios 2012-2016.

Trata-se de uma tentativa de correção dos efeitos nocivos da decisão, tomada na gestão anterior da empresa, chefiada por José Sérgio Gabrielli, de - como queria o governo Lula, por interesse político-eleitoral - concentrar investimentos na área do pré-sal, o que reduziu as disponibilidades para aplicações em manutenção e recuperação de equipamentos dos poços já em exploração e para o aumento da capacidade de refino da empresa.

Por causa da queda da produção, que talvez não seja revertida em 2013, e da estagnação por muitos anos de sua capacidade de processar o petróleo, a Petrobrás passou a importar diesel e gasolina em volumes crescentes, às vezes superiores à capacidade da empresa de distribuir adequadamente os derivados, o que provocou a escassez temporária em algumas regiões do País. Pior ainda, do ponto de vista financeiro, essa prática tem sido altamente danosa à empresa, por causa da contenção dos preços dos combustíveis no mercado interno, que aumenta a defasagem em relação aos preços internacionais. A Petrobrás compra a preços do mercado internacional, mas vende mais barato do que paga, o que só pode resultar em perdas.

Com a produção em queda e a capacidade de refino estagnada, diante de um mercado em constante crescimento, e ainda acumulando prejuízos por causa da política de preços de combustíveis do governo, a Petrobrás reviu metas, congelou diversos programas de investimentos, vem tentando vender ativos no exterior e tem sua imagem cada vez mais corroída no mercado. Na atual gestão, chefiada por Graça Foster, parece ter abandonado a prática de vender ilusões. No ano passado, o primeiro à frente da diretoria da empresa, Graça Foster diz ter feito a "arrumação da casa". 2013 deverá ser o ano de "acomodação". Se for, pelo menos a Petrobrás não ficará pior.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 08 / 01 / 2013

O Globo
"Grandes indústrias já planejam racionar energia" 

Medo derruba ações de empresas do setor elétrico; preço dispara no mercado livre

Em apenas um ano, valor cobrado pelo megawatt-hora aumentou mais de 4.000%, atingindo R$ 554,82. Após a presidente Dilma ter afirmado que era "ridículo” dizer que o país corria o risco de racionamento, os níveis mais baixos dos reservatórios das hidrelétricas fizeram as indústrias já planejarem a redução do consumo, admitindo um “racionamento branco”. Em nota, a Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia disse que as empresas que compram no mercado livre poderiam reduzir seu consumo. Em um ano, o preço do megawatt-hora subiu mais de 4.000%. Com temor de racionamento, as ações das elétricas caíram quase 5%.


O Estado de São Paulo
"Governo já vê risco de racionamento de energia" 

Uso de térmicas para suprir demanda ameaça a redução das contas de luz prometida por Dilma

Com o nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas de quase todas as regiões do País abaixo ou muito próximo do limite de segurança para geração de energia, como o Estado mostrou no dia 3, a hipótese de racionamento, antes considerada “ridícula” pela presidente Dilma Rousseff, entrou no radar do governo. Mais do que chance de apagão, porém, o risco maior é haver aumento nas tarifas, o que comprometeria o corte de 20%, em média, nas contas de luz prometido pela presidente. Isso porque o uso das térmicas, mais caras, pode se prolongar por tempo maior que o normal. O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), órgão do governo responsável por acompanhar e avaliar a segurança do suprimento de energia, se reúne amanhã para discutir a situação. O nervosismo se reflete no mercado. As ações da Eletrobrás lideraram as perdas, caindo 4,72%, mas outras empresas do setor também tiveram quedas.

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segunda-feira, janeiro 07, 2013

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Opinião

Mais um ano de inflação

O Estado de S.Paulo
O governo promete mais crescimento e menos inflação em 2013, mas sua prioridade será, com certeza, o cumprimento da primeira promessa. O estilo de jogo, tudo indica, será o mesmo dos últimos dois anos, com mais estímulos ao consumo e algum esforço para impulsionar o investimento. A presidente Dilma Rousseff e sua equipe tratarão a alta de preços como assunto secundário, como até agora, e cuidarão apenas de manter o resultado final abaixo de 6,5%, limite de tolerância fixado na política de metas. Se esse roteiro for cumprido, o quarto ano de mandato será iniciado com um potencial de crescimento ainda medíocre e um quadro de preços muito pior que o das economias mais produtivas - emergentes ou industrializadas.

O Banco Central (BC) mantém as projeções mais otimistas: inflação de 4,8% em 2013 e 4,9% em 2014, segundo o último relatório trimestral de inflação. No fim de dezembro, a estimativa do mercado financeiro para este ano chegou a 5,5%, de acordo com a pesquisa Focus, realizada semanalmente pelo BC. Essas previsões se referem ao Índice Geral de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como referência para a política monetária.

A inflação deverá ser contida, segundo as autoridades, pela conjunção de alguns fatores externos e internos. A economia global continuará em marcha lenta e os preços internacionais dos produtos agrícolas e de outras matérias-primas deverão acomodar-se ou, em alguns casos, recuar. Internamente, o crescimento econômico será maior que em 2012, mas o aumento dos salários e do crédito será moderado e, além disso, o governo alcançará a meta fiscal sem ajuste, isto é, sem recorrer ao desconto do valor investido no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O aumento de 9% para o salário mínimo, a partir de 1.º de janeiro, põe parcialmente em xeque uma das hipóteses do BC. A elevação real certamente supera, com folga, qualquer ganho de produtividade imaginável, mesmo com muito esforço, para o ano passado. Moderação no crédito é algo para ser conferido, nos próximos meses, mas nada permite supor, até agora, um padrão diferente do observado nos últimos anos. Quanto à política fiscal, provavelmente continuará expansionista, confirmando uma avaliação do próprio BC.

No fim do ano o governo confirmou a intenção de manter a política de estímulo fiscal ao consumo. Está prevista uma redução gradual do incentivo, mas o governo cedeu a pressões dos setores mais favorecidos, nos dois últimos anos, e poderá ceder de novo em 2013 e esticar os benefícios. Quanto aos investimentos, são muito menos certos, embora o Tesouro já esteja comprometido com mais créditos subsidiados para o BNDES.

Os indicadores de preços continuaram subindo vigorosamente no último bimestre e nada aponta para um arrefecimento significativo em 2013. As cotações das matérias-primas voltaram a subir, depois de um breve arrefecimento, como apontaram tanto a Fundação Getúlio Vargas (FGV) como o IBGE. Em dezembro, em 14 das 23 atividades da indústria de transformação cobertas pela pesquisa oficial houve alta de preços ao produtor. O IPC-S, o índice de preços ao consumidor atualizado semanalmente pela FGV em sete capitais, subiu 0,66% na última quadrissemana de dezembro e 5,74% no ano. Para 2013, a projeção é de um aumento de 5,4%.

Economistas de várias instituições de pesquisa têm procurado avaliar os efeitos positivos e negativos de alguns eventos esperados - reajustes de preços de combustíveis, aumentos de tarifas de ônibus e redução das contas de eletricidade. Essas contas podem ser muito interessantes, mas o fator decisivo é de outra ordem: qualquer aumento de preço pode gerar um amplo efeito de contágio simplesmente porque as condições da demanda são favoráveis. Essas condições dependem do nível de emprego, da massa de salários e dos gastos públicos. Isso explica a ampla difusão da alta de preços nos últimos dois anos e a persistência da inflação elevada. No fundo da cena está a política de tolerância. Esse quadro, tudo indica, deve manter-se em 2013.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 07 / 01 / 2013

O Globo
"Estado tem 36 mil pessoas em áreas de alto risco" 

Estudo revela que há pontos com perigo de deslizamento em 67 dos 92 municípios

Situação é mais critica nas cidades de Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo, Angra dos Reis e Niterói. Ocupação de encostas onde já houve desmoronamento é um dos principais problemas identificados. O Estado do Rio tem áreas com alto risco de deslizamento de encostas em 67 dos seus 92 municípios e pelo menos 36 mil pessoas vivendo sob perigo iminente. É o que mostra um levantamento do Serviço Geológico do Estado, ligado à Secretaria estadual do Ambiente. Segundo o estudo, para que ocorram tragédias, não é preciso nem mesmo que as chuvas sejam mais intensas que a média histórica. Um dos problemas é que há um grande número de construções em encostas onde já ocorreram desmoronamentos. A situação é mais crítica em Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo, Angra dos Reis e Niterói, cada uma com mais de 200 pontos de risco. Em Xerém, Duque de Caxias, onde uma enxurrada na quinta-feira deixou mais de mil pessoas desalojadas e desabrigadas, moradores sofrem com a poeira levantada pela lama seca e, com medo de doenças, estão saindo às ruas com máscaras.


O Estado de São Paulo
"‘Orçamento paralelo’ do governo federal chega a R$ 200 bilhões" 

Conta de restos a pagar indica ‘bagunça orçamentária’, segundo especialistas

Despesas do governo roladas de um ano para o outro, chamadas de restos a pagar, devem chegar a R$ 200 bilhões em 2013, segundo estimativa do portal Contas Abertas. Essas sobras cresceram tanto que são tratadas pelos especialistas como um orçamento paralelo do governo federal. Desde 2002, o valor desta conta foi multiplicado por dez. Para o economista Raul Velloso, especialista em contas públicas, o aumento é uma combinação de “dificuldades financeiras para acomodar gastos, inoperância dos ministérios e bagunça orçamentária”.

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domingo, janeiro 06, 2013

História

Há 50 anos país decidia não ter mais primeiros-ministros

Brasil viveu um ano e quatro meses de parlamentarismo na década de 60


 A partir da esquerda, Tancredo Neves, Leonel Brizola e Jango O Globo / Arquivo

RIO - A renúncia do presidente Jânio Quadros, eleito com o discurso de que livraria o país da corrupção, desencadeou uma crise política no país. Em 25 de agosto de 1961, ele deixou o cargo. A partir daí, os desdobramentos em Brasília seguiram para um novo rumo: o parlamentarismo. Apenas no Império o Brasil havia adotado sistema de representação semelhante.

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Opinião

Um exemplo contra o racismo

O Estado de S.Paulo
O ganês Kevin-Prince Boateng, embora tenha algumas qualidades como jogador, acaba de deixar sua marca no mundo do futebol por um motivo muito mais nobre. O meia do Milan abandonou uma partida amistosa contra um pequeno time italiano, o Pro Patria, depois de ter sido seguidamente insultado por torcedores locais. Eles imitavam um macaco toda vez que Boateng e outros jogadores negros do Milan, como o ganês Sulley Muntari, pegavam na bola. À atitude de Boateng seguiu-se outra, de maior importância: o resto do time imediatamente se solidarizou com ele e também deixou o campo, sob os aplausos de atônitos torcedores que estavam ali apenas para ver futebol, e não para serem cúmplices de manifestações de ódio.

O caso que envolveu Boateng não foi nem de longe o mais grave dessa persistente onda de racismo nos estádios da Europa, em especial no Leste Europeu, na Itália e na França. A integração do continente e a globalização foram responsáveis nas últimas décadas pela formação de equipes de futebol cada vez mais multiculturais e multiétnicas, o que pode explicar a violenta reação dos grupos ultranacionalistas que tomam as arquibancadas e entoam gritos de guerra contra minorias em geral. Recentemente, a maior torcida do Zenit, time de São Petersburgo no qual atua o atacante brasileiro Hulk, que é considerado negro pelos russos, lançou um manifesto exigindo que o clube não contratasse mais negros e homossexuais. "Não somos racistas, mas para nós a ausência de futebolistas negros no grupo do Zenit é uma importante tradição que reforça a identidade do clube", explicaram os tais torcedores.

Um exemplo positivo de ação contra o racismo é a campanha Kick it Out (chute para fora), que envolve todas as federações na Inglaterra desde 1993. A entidade que lidera esse esforço denuncia a discriminação e ajuda a combatê-la com ações educativas. O resultado é que as manifestações racistas praticamente deixaram de existir nos estádios ingleses, porque se tornaram simplesmente inaceitáveis. Ou seja: os torcedores que apenas gostam de futebol foram privilegiados em relação aos hooligans que se alimentam de ódio. Não há a ilusão de que esse tipo de projeto acabe com o racismo em si, mas é um avanço significativo que deveria servir de exemplo para o resto do continente.

No entanto, a Uefa, entidade responsável pela organização do futebol europeu, ainda hesita quando se trata de dar um passo além de suas burocráticas campanhas para combater o racismo. Seu presidente, o francês Michel Platini, chegou a dizer, em junho do ano passado, que o jogador que decidisse abandonar o campo depois de sofrer ofensa racista seria punido com medidas disciplinares. Questionado sobre que tipo de punição caberia aos torcedores racistas, Platini foi claro: "Não é um problema do futebol. É um problema da sociedade. Nós apenas regulamos os problemas do futebol".

A atitude de Boateng, no entanto, trouxe a questão para o centro do futebol. O Milan, em nota oficial, deu total apoio a seu atleta: "Basta. Aqueles que têm o coração da mesma cor do coração de Boateng e Sulley Muntari não podiam aguentar mais e decidiram que estava na hora de dar uma lição nesses idiotas". O ex-jogador francês Lilian Thuram, também negro, lembrou que foi a primeira vez que um clube grande tomou a frente e se manifestou claramente em casos assim. "A indiferença prevalece na maioria dos casos", disse Thuram, que festejou a "enorme ajuda na luta contra o racismo".

O gesto de Boateng e do time do Milan, portanto, deverá ter repercussão muito maior do que os insípidos slogans contra o racismo nos estádios. Os dirigentes do futebol gostam de dizer que esse esporte é capaz de unir os povos, mas muito pouco fazem para efetivamente marginalizar os racistas e os xenófobos. Ao abandonarem o campo, o atleta negro do Milan e seus companheiros brancos deixaram claro que não se sentiam obrigados por nenhum tipo de contrato a suportar a hostilidade de criminosos que infestam os estádios europeus. Que outros sigam seu exemplo.

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Manchetes do dia

Domingo, 06 / 01 / 2013

O Globo
"Maquiagem de R$ 200 bi garantiu meta do governo" 

Sem artifício usado com bancos públicos, despesas iriam a R$ 1 trilhão em 2012

Especialistas criticam a ‘contabilidade criativa’ usada nas contas públicas para atingir o superávit fiscal de 3,1% do PIB. Injeção de recursos no BNDES criou subsídio de R$ 15 bilhões. A maquiagem na contabilidade do governo chegou a R$ 200 bilhões no ano passado. Segundo especialista do Ipea, se a reforço no caixa dos bancos públicos fosse feito de forma convencional, as despesas do governo chegariam a R$ 1 trilhão e não só aos R$ 800 bilhões estimados para 2012, informam Vivian Oswald e Gabriela Valente. Já os aportes no BNDES representam subsídio de R$ 15 bilhões, valor equivalente ao orçamento do Bolsa Família. Analistas criticam a decisão do governo de propor mudanças na Lei de Responsabilidade Fiscal e temem uma fuga de investidores.


O Estado de São Paulo
"Chavistas tentam estender mandato na Venezuela" 

Partidários de Hugo Chávez pressionam para controlar Legislativo e adiar posse do presidente

Os líderes do movimento chavista fizeram ontem uma demonstração de força para mostrar unidade política,enfraquecer a oposição e garantir a manutenção do poder. Sem informações sobre o estado de saúde de Hugo Chávez, que está em Cuba fazendo tratamento de câncer, centenas de militantes do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) se reuniram na frente da Assembléia Nacional, horas antes da eleição que definiria a nova junta diretiva do Legislativo. O objetivo é garantir o domínio da junta, sem abrir espaço para a oposição, e estender o mandato do presidente. Segundo a Constituição, Chávez teria de se apresentar na quinta-feira para tomar posse. Mas os chavistas dizem que o não comparecimento não configura "ausência permanente". Se não puder ser juramentado na Assembléia, poderá fazê-lo ante o Supremo Tribunal de Justiça, quando sua saúde permitir, disse o vice-presidente Nicolás Maduro.

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