sábado, dezembro 15, 2012

Marmelândia...

Pitonisas brasilienses

Sidney Borges

Quando do lançamento do Plano Real que deu estabilidade à economia do Brasil e criou as bases do desenvolvimento e da atenuação, ainda que modesta, da brutal desigualdade que nos assola, o atual ministro da fazenda, Guido Mantega, grande expert, disse o seguinte:

“Os arquitetos do real não pouparam sua imaginação para lançar velhas ideias com aparência de novas. (…) Chegaram ao ponto de reinventar os réis ou reais, uma nova moeda fantasiada do dólar e garantida por um lastro que não exerce nenhum papel prático, uma vez que o real não é conversível, a não ser o de dar a impressão de que o real vale tanto quanto a moeda norte-americana”
“Todo esse barulho para quê? Para vestir com roupagens sofisticadas e muitos truques de ilusão, mais um ajuste tradicional, calcado no corte de gastos sociais, numa contração dos salários, num congelamento do câmbio e outros ativos e, sobretudo, num forte aperto monetário com taxas de juros estratosféricas”
“A parte mais imaginativa do plano (…) revelou-se a mais perversa, porque passou a ideia de que os salários estavam sendo perfeitamente indexados e resguardados da inflação. Quando, na verdade, foram colocados em desvantagem (…) em relação a preços, tarifas e vários outros custos e ainda perderam os reajustes automáticos que a lei salarial lhes garantia”
“Os salários serão pagos em real, (…) uma moeda desindexada e totalmente vulnerável a corrosão inflacionária. (…) A regra de conversão dos salários pela média e dos preços, tarifas e outros custos pelo pico, matou dois coelhos de uma só cajadada. Reduziu preventivamente a demanda dos assalariados, que poderia aumentar com a queda brusca da inflação e comprimiu os custos salariais, dando uma folga para os preços”
“Vendeu-se a ideia de que o plano não utilizou o congelamento, quando, na verdade, congelou o câmbio, tarifas, alugueis e contratos. Só não congelou mesmo os preços e deixou os salários no limbo de um semicongelamento, com o ônus de correr atrás do prejuízo que será causado pela inflação do real”
“O real é um jogo de aparências, que pode durar enquanto não ficar evidente que as contas do governo não vão fechar por causa dos juros altos, que o mercado sozinho não é capaz de conter os preços dos oligopólios sem uma coordenação das expectativas por parte do governo, que os salários não manterão o poder aquisitivo por muito tempo, que o real não vale tanto quanto o dólar”
“As remarcações preventivas dos preços, junto com os congelamentos, permitirão uma inflação moderada em julho e, talvez, uma ainda menor em agosto. (…) A questão é saber em quanto tempo o grosso da população irá perceber que uma inflação moderada por si só, acompanhada por um aperto monetário e recessão, não melhora sua situação, não cria empregos e, na ausência de uma lei salarial e correções automáticas, pode ser tão deletéria quanto uma inflação de 30% a 40% com indexação”.
O cara diz por aí que entende da coisa. Errou um pouco, mas quem não erra?

Resíduos, detritos & conexos...


Ubatuba em foco

O lixo no Litoral Norte

Arquiteto Renato Nunes
Não sei se por formação ou por deformação profissional adquiri alguns hábitos para analisar os acontecimentos da cidade. Meu curso de arquitetura e urbanismo ensinou-me, e nisso fiquei viciado, a formular o maior número possível de interpretações sobre a origem e características de determinado problema antes de tentar sua solução. Organizar os espaços a serem construídos, ou os espaços urbanos abertos onde a população vivencia e interage sua existência coletiva, é uma tarefa séria, de requisitos acadêmicos. Não é coisa para amadores e muito menos para qualquer formação profissional por mais bem intencionado que seja o sujeito. Ninguém pratica uma cirurgia no amigo se não for médico. E se o praticar será uma cirurgia sem retorno. Poderá, apesar da boa intenção em ajudar o amigo, pegar trinta anos de cadeia por assassinato. Portanto, é o medo da pena que impede o exercício da boa vontade nas mazelas físicas do amigo. É assim em todas as profissões regulamentadas. A regulamentação foi criada não para a defesa corporativa de um mercado de trabalho, mas para defesa da sociedade.

Menos em arquitetura e urbanismo. Apesar de também ser uma profissão regulamentada, todo mundo dá palpite. Vendem-se assinaturas que legalizam a aprovação dos verdadeiros monstros construídos nesta infeliz paisagem urbana por R$1,99 o metro quadrado.

Em matéria de amadorismo e despreparo para o planejamento urbano veja-se o caso do aterro sanitário de Ubatuba, fechado em certa ocasião por determinação da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e em seguida reaberto por determinação judicial requerida pelo município. Uma zorra conduzida por políticos e amadores há mais de vinte e cinco anos.
 

Em 1997 o governo Zizinho tomou posse já com o embargo do aterro decretado pela Promotoria do Meio Ambiente e, para evita-lo várias providencias foram determinadas. Tomaram-se algumas medidas que permitiram seu funcionamento por algum tempo, o caso se arrastou com vida curta e agora o alerta vermelho se repete. Haverá solução?

Naquele ano de 97 foi tentada uma saída política que consistia em criar dois grandes aterros sanitários que serviriam aos quatro municípios do Litoral Norte devido a grande dificuldade de se encontrar na região áreas adequadas para esse tipo de ocupação. Isto porque toda a faixa plana do nosso litoral é o escoadouro natural das águas que descem pela Serra do Mar, criando uma planície riquíssima em cursos d’água que vão parar no oceano carreando detritos e o chorume do lixo para as zonas urbanas e de interesse turístico. Localizar ali áreas que sirvam como depósito de lixo sem riscos para a saúde e com capacidade de funcionamento pelas próximas décadas não é fácil.

A essa dificuldade juntou-se na época a natural resistência dos prefeitos das cidades que seriam contempladas com o lixo das cidades vizinhas. Para não comprometer a carreira política de ninguém puseram uma pedra no assunto, voltando cada cidade a ter que resolver sozinha seu problema. Após isso, técnicos do Estado selecionaram algumas áreas em Ubatuba que poderiam servir como novos aterros sanitários para nosso município, descentralizando a coleta e consequentemente reduzindo os imensos custos com transporte.
Teoricamente perfeito, faltava apenas o dinheiro para as desapropriações. Passou-se o tempo, as áreas escolhidas foram cercadas pela expansão populacional e perderam sua condição ideal apresentada no início. Em um seminário posterior convocado para a discussão de problemas ambientais, hídricos e de saneamento realizado na Escola  Tancredo Neves, um arrogante técnico do Estado deu um vigorosos puxão de orelhas no município dizendo que a incapacidade local em realizar as desapropriações comprometeu as áreas tão bem escolhidas por eles e que agora novos estudos teriam que ser feitos. E é exatamente nesse ponto que deve ter início o raciocínio de planejamento.

Há pouco mais de quarenta anos queimava-se o lixo no fundo dos quintais, depois o poder público passou a recolhê-lo lançando-o em valas naturais, grotões e lugares afastados devido ao mau cheiro. Adultos perceberam que no meio daquele lixão que apodrecia ao sol havia alguma riqueza e puseram crianças e velhos desempregados para disputar com os urubus o conteúdo dos caminhões que chegavam diariamente. Hoje Ubatuba tem quase cem mil habitantes, um potencial de turismo internacional altíssimo, a região vai abrigar a unidade processadora de gás da Petrobrás e será implantado o corredor de exportação com as ampliações do Porto de São Sebastião. O cenário futuro da questão do lixo urbano a curtíssimo prazo é caótico, está na hora de pensar de outra forma, de mudar o patamar da solução e identificar melhor seus agentes e responsáveis.

Inicialmente investigue-se quem produz o lixo e como o município pode arcar com os custos dessa operação. Penso que a resposta que dei ao arrogante técnico do Estado acima citado, serve para apontar um caminho. Disse-lhe que Ubatuba tem cerca de 80 mil habitantes, dos quais cerca da metade pagam IPTU e demais impostos municipais, nossa evasão fiscal é imensa. Considerando o ciclo de verão, freqüentam Ubatuba mais de um milhão de pessoas, provenientes de todo país em particular de todo Estado de São Paulo e todas produzindo toneladas de lixo diárias. Olhando dessa forma identifica-se uma situação extremamente injusta para Ubatuba, ou seja, 40 mil habitantes pagam impostos para que a Prefeitura do município recolha e trate do lixo produzido por um milhão de pessoas vindas de todo país. É uma equação socialmente criminosa tanto para os nossos moradores como para os freqüentadores da cidade, e nunca será resolvida com os recursos locais. É injusto e inexeqüível. Não há porque técnicos estaduais responsabilizarem o município num assunto de interesse e responsabilidade estadual e nacional.

Considerando a importância turística e econômica do Litoral Norte para a economia do Estado e do país, conclui-se que, tanto quanto o interesse nacional na preservação da Mata Atlântica, mangues e costeiras, o saneamento da região tem que ser programado e bancado em escala estadual e federal. O município tem que se cuidar para receber turistas de toda parte, mas a carga financeira tem que ser suportada por quem também se beneficia com a qualidade desse cuidado.

Esse procedimento é exatamente igual ao dos “royalties” pagos pela Petrobrás aos municípios à frente dos quais extrai e enriquece a economia petrolífera do Brasil. A solução técnica da coleta e tratamento do lixo no Litoral Norte tem que ser elevada ao patamar político de uma questão de interesse estadual e nacional.

Quando isso ocorrer surgirá como possível, obrigatória e financiada pelo poder público a implantação de programas como a verdadeira coleta seletiva do lixo, a criação de cooperativas de usinas de reciclagem, a implantação de biodigestores e outras formas de geração de energia conforme as já existentes em vários paises diante de igual problema.


Esse programa poderá aproveitar ainda o conhecimento acumulado nas universidades que fazem estudos sérios e pesquisas de novas formas de tratamento e utilização do lixo orgânico.Só depois disso tudo equacionado é que se poderá mexer no terreno e buscar as definições físicas e de localização dos equipamentos necessários.

Antes disso é um chute e improvisação de palpiteiros que custará muito caro para as próximas gerações.

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Opinião

Lula deve, sim, explicações

O Estado de S.Paulo
Pelo mais elementar bom senso, a vítima de acusações caluniosas é sempre a principal interessada na imediata e rigorosa apuração das maquinações que a atingem, para que a verdade cristalina venha à tona, eliminando qualquer resquício de dúvida sobre uma reputação ilibada. Por que, então, diante da torrente de denúncias que têm colocado a reverenciada figura de Luiz Inácio Lula da Silva na berlinda, ele próprio e o PT têm preferido atacar a se defender, esforçando-se para desqualificar liminarmente os acusadores e as acusações? Por que a presidente Dilma Rousseff, que vinha primando por manter prudente distância do mar de sujeira que ameaça o lulopetismo, decidiu agora mobilizar o governo na tentativa de blindar seu padrinho? Por que não exigem, todos, que se abra rapidamente uma investigação oficial do Ministério Público que coloque em pratos limpos toda essa infamante campanha articulada pelas forças do mal para destruir Lula e o PT? Afinal, quem não deve não teme.

Mas a verdade, e é por isso que o lulopetismo anda batendo cabeça em evidente sintoma de pânico, é que Lula deve, sim. Deve, pelo menos, muitas explicações à Nação.

Muitos preferem não ver, outros não conseguem, mas o desapreço do Grande Chefe por aquilo que os petistas ideológicos chamam de "moral burguesa" é marca registrada de seu comportamento. Até mesmo como chefe de governo, Lula deu claras demonstrações desse desvio de conduta nas várias oportunidades em que, ao longo de seus dois mandatos, não hesitou em tratar publicamente com indulgência ou com inconveniente deboche os companheiros "aloprados" pegos com a boca na botija. E despediu-se da Presidência demonstrando em grande estilo como se sente "mais igual" do que todo mundo, ao ordenar ao obsequioso chanceler Celso Amorim que, ao arrepio da lei, distribuísse passaportes diplomáticos para toda a sua prole. E logo depois, já como ex-presidente, "a convite" do então ministro da Defesa, foi refestelar-se às expensas do agradecido povo brasileiro em dependências do Exército nas praias do Guarujá. Comportamento típico de quem se considera todo-poderoso, acima do bem e do mal. Não exatamente de alguém que, como apregoam seus acólitos, ostenta "reputação ilibada".

Lula, portanto, deve realmente muitas explicações ao País. Mas prefere, com o apoio da habitual corte de bajuladores e beneficiários de sua liderança, fazer aquilo em que ele próprio e o PT são craques: atacar.

A estratégia para blindá-lo está se desenvolvendo em vários planos: no comando do partido, na base aliada e nos quadros governamentais, por decisão, até certo ponto surpreendente, de Dilma Rousseff. Vários ministros já procuraram jornalistas para protestar contra a "falsidade impressionante" das denúncias que envolvem o Grande Chefe.

A direção nacional do PT, por sua vez, divulgou mais uma nota oficial, desta vez conclamando a militância, parlamentares e governadores a "expressarem sua indignação diante de mais esse ataque, essa sucessão de mentiras envelhecidas que a mídia conservadora, com setores do Ministério Público, insiste em continuar veiculando". Como de hábito em manifestações de autoria de Rui Falcão, boa parte da nota, e do depoimento gravado veiculado pelo site oficial do PT, dedica-se a atacar a imprensa, porque dá ouvidos às mentiras de "um condenado". Para o PT, definitivamente, Marcos Valério não está entre os condenados injustamente pelo STF.

Na base aliada, além do notório José Sarney, para quem Lula está acima de qualquer suspeita, agora Fernando Collor - logo quem! -, dá uma mãozinha, como presidente da Comissão de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso, ao fogo de encontro solicitado pelo líder petista na Câmara, Jilmar Tatto: propôs o convite a FHC e ao procurador-geral Roberto Gurgel para deporem sobre supostas irregularidades cometidas, no passado, sob suas respectivas responsabilidades. Como explicou Tatto, "se eles querem guerra, vão ter".

Não há dúvida. Pela primeira vez, desde que chegou ao governo em 2003, Lula sentiu um golpe. Pela primeira vez teme as consequências dos seus atos.

Esta história está apenas começando.

Original aqui

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Manchetes do dia

Sábado, 15 / 12 / 2012

O Globo
"Massacre de crianças leva a pressão contra armas" 

Atirador mata 20 crianças e 6 adultos em novo massacre com armas de fogo nos EUA

Ao menos 26 pessoas, sendo 20 com idades de 5 a 10 anos, foram assassinadas numa escola na cidade de Newtown, no estado de Connecticut, o maior número de vítimas num estabelecimento de ensino americano desde 2007, e mais que o dobro do célebre massacre de Columbine. O atirador, um jovem de 20 anos identificado como Adam Lanza, portava quatro armas, duas delas pelo menos compradas legalmente, e morreu no local. Ele matou a própria mãe, que era professora na escola e, numa segunda cena de crime, foi encontrado um corpo de uma pessoa envolvida com o caso.


O Estado de São Paulo
"Tiroteio deixa 20 crianças mortas em escola primária dos EUA" 

De acordo com a polícia de Connecticut, onde ocorreu a tragédia, seis adultos e o atirador também morreram

Um atirador matou 20 crianças e 6 adultos, e depois morreu, em uma escola de ensino fundamental em Newtown, no Estado americano de Connecticut. Segundo a polícia local, a identidade do suspeito ainda não foi confirmada. Esse foi o pior massacre nos EUA desde Virginia Tech, em 2007. Consternado, o presidente Barack Obama decretou luto oficial e chorou durante pronunciamento no qual se solidarizou com as famílias das vítimas. O governador de Connecticut, Dan Malloy, agradeceu o apoio do presidente e disse que ninguém está preparado para receber uma notícia como essa. "Foi uma tragédia inominável", disse.


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sexta-feira, dezembro 14, 2012

Transição em marcha

Maurício Moromizato e sua equipe de governo

Maurício anuncia secretariado e diz que priorizou “técnica e conhecimento sobre Ubatuba”

Assessoria M.M.
O prefeito eleito de Ubatuba, Maurício Moromizato, anunciou nesta sexta-feira, em entrevista coletiva, 14 nomes que irão compor o próximo secretariado de governo da prefeitura municipal. O evento ocorreu na Agência da Caixa Econômica Federal de Ubatuba e contou com a presença de jornalistas da cidade e região.
Neste primeiro anúncio, Maurício anunciou 14 integrantes do primeiro escalão da próxima gestão ubatubense, entre eles, 10 secretários (Administração, Fazenda, Jurídico, Meio Ambiente, Turismo, Obras, Saúde, Educação, Pesca e Esportes), 3 administradores regionais (Oeste, Sul e Norte) e 1 presidente de autarquia (EMDURB).
Durante a coletiva, o prefeito eleito ressaltou os desafios da equipe para os próximos anos e ressaltou um compromisso coletivo com a cidade de Ubatuba.
“A formação deste time foi feita juntamente com os partidos que participaram da chapa vitoriosa nas eleições de outubro. Agora com a equipe quase totalmente definida me sinto ainda mais confiante de que será um governo que fará a diferença em Ubatuba, pois todos aqui são capazes e estão comprometidos com um projeto conjunto de governo”, destacou Maurício, ressaltando a composição do próximo secretariado.
“É um time heterogêneo, mas que apresenta uma característica em comum: querem fazer a diferença por Ubatuba. Além disso, nosso processo de escolha levou em conta o conhecimento setorial, técnico e, principalmente, sobre nossa cidade. Portanto, cada um desses nomes merece estar aqui e, o mais importante, cada um sabe da responsabilidade deste grupo com a população de Ubatuba”, disse Maurício, acrescentando que o restante do secretariado será anunciado nos próximos dias.
“Alguns espaços ainda precisam de uma melhor definição, mas pretendo anunciar os nomes nos próximos dias, juntamente com os indicados para atuar no gabinete do prefeito. Mesmo assim é importante esse primeiro anúncio, pois todos estes indicados já estão trabalhando em um plano dos 100 primeiros dias de cada secretaria”, completou o prefeito eleito em entrevista coletiva.

Acompanhe abaixo os nomes e um breve currículo dos indicados por Maurício nesta sexta-feira:

Secretaria de Administração
Jaime Coelho Lula – Graduado em Matemática, atuou na gestão pública entre os anos de 1991 e 2004. Trabalhou nas prefeituras de Diadema, Santo André, Suzano e São Paulo, atuando em áreas ligadas à Administração e Finanças. Em 2005 se mudou para Ubatuba, e desde lá atua como empresário na Região Sul.

Secretaria de Fazenda
Tarcisio Carlos de Abreu - Formado em Administração, com ênfase em Processos Gerenciais, trabalhou no Banco Santander do Brasil (antigo Banespa) desde 1977, onde ocupou o cargo de gerente geral da Agência de Ubatuba em 1999. Aposentado como bancário desde 2011, atualmente ocupa o cargo de tesoureiro da Liga Ubatubense de Futebol.

Secretaria de Educação
Jony Teixeira P. Bottini - Nascida na Ilha Anchieta, em Ubatuba. Formada em Letras pela UNIVAP, com especialização em Literatura Contemporânea, em Didática do Ensino Superior e Gestão Escolar. Professora aposentada da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo e da Rede Municipal de Ensino de Ubatuba. Atuou como professora no curso de Pedagogia Para o Magistério na UNITAU- Ubatuba.

Secretaria de Saúde
Ana Emília Gaspar – Formada em Odontologia pela UNITAU, com Especialização em Gestão de Sistemas e Serviços de Saúde, exerce atualmente a função de Secretária de Saúde de Pindamonhangaba, onde ocupa o cargo desde 2005. Também foi Secretária de Saúde de Lagoinha (87/91), Campos de Jordão (02/03) e Santo Antônio do Pinhal (03/04).

Secretaria de Esporte e Lazer
José Carlos Saviolli Papp – Formado em Educação Física pela Universidade Mogi das Cruzes e Pós Graduado na área pela FMU de São Paulo. A partir de 1989 atuou como professor de Educação Física em instituições de ensino da capital Paulista, com destaque para o tranalho no Instituto Presbiteriano Mackenzie, onde também atuou como treinador de Basquete, Vôlei, Futsal e Handebol. Em Ubatuba desde 2002, atua como empresário, mas segue participando de grupos esportivos locais, principalmente, com relação ao Basquete.

Secretaria de Assuntos Jurídicos
Wagner Andriotti - Formado em Direito, com Pós Graduação em Direito Civil e Especialização em MBA em Perícia e Auditoria Ambiental. Advogado atuante em todas as áreas, foi Conciliador do Juizado Informal de Conciliação na Comarca de Ubatuba, Presidente da Junta Administrativa para Recurso de Infrações de Ubatuba e Assessor da 2ª Turma Disciplinar do Tribunal de Ética e Disciplina II. Atuou também como professor iniversitário na UNIMODULO, em Caraguatatuba.

Secretaria de Abastecimento, Pesca e Agricultura
Maurici Romeu da Silva - Morador de Ubatuba há 12 anos, foi diretor da Associação dos Pescadores (2008/2010) e presidente da Colônia Z-10 de pescadores. Na atividade há 8 anos é também representante do setor em diversos fóruns como Conselho da APA, Conselho do Parque Estadual da Ilha Anchieta, Grupo da Revisão do Gerenciamento Costeiro do Litoral Norte e vice presidência do Conselho do Comitê de Bacias Hidrográficas.

Secretaria de Turismo
Gerson Peres Campos - Empresário reconhecido na cidade é um dos sócio fundadores da Associação dos Restaurantes de Ubatuba (AREUBA) e um dos primeiros integrantes do Conselho Municipal de Turismo. Colaborou para a realização de cinco Festivais Gastronômicos da cidade e já ocupou a presidência do Rotary Clube de Ubatuba.

Secretaria de Meio Ambiente
Juan Blanco Prada - Formado em Agreocologia e Manejo Ambiental pelo Merritt College (Oakland) e em Cinematografia pelo Taller de Artes Imaginárias (Madrid).
Residiu na Espanha e Estados Unidos mais de duas décadas, aonde militou em diversos movimentos sociais ligados à área de sustentabilidade. Casado e pai de dois filhos, reside em Ubatuba desde 2010, quando regressou ao país.

Secretaria de Obras e Serviços Públicos
Mauro Ségio Bezerra - Formado em Engenharia Civil pela UNITAU, com Pós Graduação em Gerenciamento da Construção, Atua na área da Construção Civil desde 1997, tendo realizado mais de 30.000,00 M². Foi presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Ubatuba por dois mandatos e Conselheiro do CREA/SP entre 2002 e 2004.

Administração Regional Sul
Damião José da Silva - Formado no Curso de Administração pelo Instituto Universal Brasileiro. Morador do bairro do Corcovado, na Região Sul, desde 1990, trabalha como empreiteiro desde 2005 e recentemente atuou como consultor imobiliário.

Administração Regional Norte
Leonildo Rolim - Morador do Sertão do Ubatumirim, cursa atualmente a faculdade de Direito na UNIMODULO. Militante desde os 13 anos, atuou como líder comunitário no processo por melhorias na telefonia fixa e móvel da Região Norte de Ubatuba. Atualmente representa os cidadãos locais nas discussões por acesso à energia elétrica em comunidades mais isoladas.

Administração Regional Oeste
Ivanderlei Barbosa - Morador de Ubatuba desde 1989 é formado em Técnico em Contabilidade e em Gestão Pública. É empresário na área de construção civil e proprietário de uma Imobiliária na região Central da Cidade

EMDURB
Cláudio de Campos - Formado em engenharia pela FEI/PUC na modalidade Química, com especialização em Papel e Celulose na Swedish School Forest Industries, na Suécia.Atua no setor de engenharia e consultoria desde 1972. Morador de Ubatuba há 22 anos foi coordenador do Procon municipal e atualmente é presidente do PSDC local.

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Tulipas


Coluna do Celsinho

Tia Helô

Celso de Almeida Jr.

Perdi a chance.

Justifico.

Ausente da comarca.

Estive, porém, em pensamento.

Explico.

Noite de autógrafos.

Na Fundart, quarta-feira, próxima passada.

Heloisa Salles Teixeira, a autora.

A saga de uma caipira em terra caiçara de Anchieta, o título.

Tia Helô... quanta saudade!

Suas aulas de língua portuguesa tive no SESI, nº 15.

Tempo delicioso, marcante.

Escrever e ler, ler e escrever.

Muitos horizontes.

Professora que desperta.

Professora que liberta.

Professora do passado, do presente e do futuro.

Em qualquer tempo, sempre no coração.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

A armadilha do crédito

O Estado de S.Paulo
Atraídas pela oferta de crédito fácil, dezenas de milhares de famílias entraram na armadilha do endividamento e da inadimplência, quase sempre sem ter uma ideia clara de como chegaram a esse ponto. Na semana passada, em quatro dias, 60 mil endividados foram ao Memorial da América Latina, em São Paulo, para um mutirão de renegociação. Até sexta-feira, 35 mil haviam conseguido renegociar suas dívidas. Mutirões desse tipo ocorreram nos últimos 7 meses em 15 cidades de 7 Estados. Cerca de 50 mil dívidas foram reescalonadas. Esse drama é um dos subprodutos de uma política de crescimento baseada em grande parte no estímulo ao consumo por meio da expansão dos empréstimos e da redução dos juros. A partir da crise de 2008 essa estratégia foi reforçada com redução temporária de impostos para compras de veículos e de outros bens duráveis. O incentivo fiscal teria produzido resultados muito menos sensíveis sem a expansão dos empréstimos e a indução ao endividamento.

A ampliação do crédito facilitou o ingresso de milhões de pessoas - a chamada nova classe C - no mercado de consumo. Esse movimento elevou o padrão de vida desses brasileiros, mas a maior parte desses consumidores nunca foi preparada para usar com prudência os novos instrumentos financeiros colocados a seu alcance. Limites de endividamento foram ignorados por tomadores e fornecedores de empréstimos. Clientes recém-chegados ao mundo dos serviços bancários perderam-se no uso do cheque especial e do cartão de crédito e afundaram no atoleiro dos juros mais escorchantes do mercado. Mesmo na classe média tradicional muita gente entrou na festa do endividamento sem calcular as consequências. Uma dessas pessoas, uma professora citada em reportagem do Estado, acumulou compromissos de R$ 120 mil, muito acima de sua capacidade financeira, e foi aconselhada, no mutirão, a declarar insolvência civil.

Enquanto estimulava o consumo com uma política monetária frouxa e pressões para redução dos juros, o governo procurou estimular o investimento em habitações, por meio do programa Minha Casa, Minha Vida. A participação do crédito habitacional no total dos empréstimos tem crescido. Chegou a 24,6% em outubro, ainda abaixo do crédito pessoal (25,9%), e deve continuar em expansão. No fim do próximo ano, será provavelmente o item mais importante da carteira geral de crédito, segundo projeção da Serasa Experian. O panorama dos financiamentos ficará mais parecido com o dos países desenvolvidos. Mas a formação de uma bolha imobiliária parecida com a dos países avançados é um risco remoto, segundo especialistas.

A mensagem seria mais tranquilizadora se as condições atuais do mercado de crédito fossem mais saudáveis. A expansão do financiamento imobiliário ocorre num universo de consumidores já muito endividados. Segundo o Banco Central, as famílias já comprometeram com dívidas 44,4% de sua renda anual. Indicadores de inadimplência melhoraram nos últimos doze meses, mas o quadro continua preocupante. De janeiro a outubro do ano passado, o saldo de novos inadimplentes no cadastro da Serasa Experian foi de 5,9 milhões. Neste ano, o saldo ficou em 5,5 milhões, um número ainda muito alto. Metade dos devedores pertence a famílias com renda entre R$ 1.376 e R$ 3.825 - de 2,2 a 6,1 salários mínimos.

O crédito concedido ao setor privado - pessoas e empresas - correspondeu em outubro a 51,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Essa proporção é menor que a encontrada em muitos outros países, tanto desenvolvidos quanto em desenvolvimento. O ponto que mais preocupa é outro: a relação entre crédito e PIB dobrou em dez anos, isto é, avançou muito mais rapidamente do que na maior parte do mundo. Como os financiamentos foram dirigidos muito mais ao consumo do que ao investimento produtivo, a política de crédito tem sido um importante fator inflacionário. Neste ano e em 2011, mesmo com um crescimento econômico pífio, o Brasil enfrentou taxas de inflação bem superiores às de economias muito mais prósperas. Também isso comprova a urgência de buscar uma nova estratégia de crescimento.

Original aqui

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 14 / 12 / 2012

O Globo
"AGU se recusou a pedir de volta dinheiro do mensalão" 

Por duas vezes, órgão preferiu não fazer parte de processos de ressarcimento

A Advocacia Geral da União (AGU), em pelo menos duas oportunidades, se recusou a fazer parte de processos que pedem devolução do dinheiro desviado pelo esquema do mensalão. Uma dessas negativas aconteceu há menos de três meses, em ação em que o Ministério Público Federal busca reaver R$ 4,1 milhões de 21 réus, entre eles José Dirceu, Delúbio Soares, José Genoino e Marcos Valério. A AGU afirma que seu ingresso nas ações poderia atrasar a tramitação do pedido, pois a União teria que ser intimada a participar de todos os atos dos processos.


O Estado de São Paulo
"Vieira ameaça agora delatar a máfia dos pareceres" 

Apontado pela Polícia Federal como o chefe do esquema, ele fala em ‘novos personagens’

Apontado pela Polícia Federal como o chefe da máfia dos pareceres, o ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA) Paulo Vieira ameaça contar detalhes e revelar novos personagens do esquema, revelam Vera Rosa e Felipe Recondo. O grupo, que atuava nos bastidores do poder, tinha a participação da ex-chefe do gabinete da Presidência em SP Rosemary Noronha, ligada ao ex-presidente Lula. Após trocar de advogado e adotar estratégia agressiva de defesa, Vieira quer negociar uma delação premiada com o Ministério Público e obter tratamento menos severo. Ele tem dito que não sairá do caso como chefe da quadrilha e promete denunciar gente “graúda”. Vieira foi indiciado por corrupção, falsidade ideológica, falsificação de documento e formação de quadrilha. A PF suspeita que ele e Rosemary tenham praticado lavagem de dinheiro.


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quinta-feira, dezembro 13, 2012

Marilyn


Pitacos do Zé

E por falar em civilidade... (XXVIII)

José Ronaldo dos Santos
O amigo Júlio Mendes sempre escreve a respeito de algumas coisas do nosso município (Ubatuba). A última foi a partir da observação  da mortandade dos sapinhauás, na praia do Itaguá, afirmando que deve ser devido ao aquecimento da água do mar. Eu digo que se deve mais à péssima qualidade do tratamento do esgoto da Praia Grande. Quem passar em determinadas horas pelo trevo da mesma, bem próximo da estação de tratamento, no entroncamento das águas que seguem para o Acarau, sentirá um cheiro bem desagradável. Os moradores das margens do sufocado regato, sobretudo os meus amigos do Acarau e Itaguá, poderão confirmar o que estou dizendo. Faz lembrar um dizer do finado Florindo Teixeira Leite, na metade da década de 1980, quando um infeliz teve a iniciativa de construir uma estação de tratamento de esgoto na Barra da Lagoa, resultando nesse mesmo fenômeno descrito pelo Júlio. Na ocasião, cheio de sabedoria, eis as palavras do velho pescador: “O que tá matando os guenzo e fazendo montanha de sapinhauás na areia da praia é o batedor de bosta do prefeito”.

Perguntas:

1 - Quais compromissos têm os poderes constituídos responsáveis pelo nosso meio ambiente?
2 - Por que não é realizado um verdadeiro tratamento dos esgotos de Ubatuba?
3 - Onde está a Cetesb, a Sabesp e tantos outros órgãos que se dizem atentos à qualidade de vida para todos?
4 - Como vai ficar essa situação assim que chegarem os turistas?

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Transição em marcha

Maurício Moromizato e a gerente da Caixa Econômica Federal, Silvia Rizos.

Escritório de transição de Maurício já está funcionando na agência da Caixa Econômica Federal

Assessoria M.M.
Foi inaugurado nesta segunda-feira (10), o escritório de transição do prefeito eleito Maurício, sediado na agência da Caixa Econômica Federal de Ubatuba. O espaço foi oferecido pela direção nacional da instituição, em reunião com o consultor da presidência, Vicente Trevas e é composto por estações de trabalho equipadas com computadores ligados à internet, impressora e telefone.

A oferta foi prontamente aceita pelo prefeito eleito de Ubatuba, Maurício, que aproveitou para agradecer a estrutura e espaço cedidos. “Nesses meses antes de assumir fica realmente um pouco complicado essa questão estrutural e toda a ajuda é bem vinda. O apoio da Caixa será fundamental para que o trabalho de transição seja mais dinâmico e eficiente. Além disso, aqui temos mais facilidade de acesso aos recursos públicos que são destinados à Ubatuba por meio da instituição”, ressalta Maurício.

O prefeito eleito foi recebido pela gerente geral da Agência Ubatuba, Silvia Rizos, que colocou a agência à disposição para os trabalhos de transição. “Recebemos o Maurício e sua equipe com muita satisfação. Além de ser diretriz da Caixa Econômica Federal, a agência de Ubatuba tem total interesse nessa parceria e o compromisso em proporcionar um ambiente adequado de trabalho à equipe de transição”, ressaltou a gerente Silvia Rizos, confirmando que a instituição também tem condições de dar um suporte detalhado com relação às informações referentes aos convênios.

A estratégia tem como objetivo estabelecer relacionamento com os novos gestores municipais e estreitar o relacionamento com os reeleitos em 2012. As ações também devem contribuir para o alcance dos resultados previstos no Plano de Negócios Caixa.

Apoio – As equipes de transição receberão também assessoramento técnico da Caixa para capacitar gerentes de contratos e convênios. Os representantes das prefeituras têm disponíveis também uma ouvidoria de governo, um portal da Universidade Caixa para Estados e municípios e um Portal de Compras.

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Opinião

O furo

Eugênio Bucci
Mensalão pagou despesa pessoal de Lula, diz Valério. Foi como a ventania radiativa de uma bomba atômica que a manchete de terça-feira do Estado varreu as melhores redações do País. A notícia de que Marcos Valério, em depoimento prestado à Procuradoria-Geral da República em setembro, acusa o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ter se beneficiado pessoalmente dos recursos ilícitos arrecadados pelo esquema do mensalão obrigou os principais veículos jornalísticos do Brasil a reconhecer o furo espetacular dos repórteres deste jornal Felipe Recondo, Alana Rizzo e Fausto Macedo. Imediatamente a pauta da imprensa brasileira virou caudatária da manchete do Estadão.

Não sem motivo. Embora não fosse inédita a informação de que Marcos Valério, depois de condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), vinha procurando as autoridades para, com base num regime de delação premiada, conseguir reduzir seu período de cadeia, ainda faltavam as provas de que ele realmente tinha disparado sua metralhadora giratória. Até aqui ninguém tinha visto o documento oficial com suas acusações. Pois foi isso que Felipe Recondo, Alana Rizzo e Fausto Macedo trouxeram a público. A partir de agora não há mais espaço para que um ou outro se esquive do mal-estar, alegando que esse ou aquele órgão de imprensa inventa frases que Valério nunca teria pronunciado. Ele as pronunciou todas - e mais algumas outras. A prova de que falou o que falou, irrefutável, se encontra impressa em folhas de papel timbrado do Ministério Público e acaba de ser revelada pela reportagem do Estadão. Ponto final. Ninguém mais pode dizer que é boato, que é invencionice. É preto no branco: o operador do mensalão acusa o ex-presidente da República de ter levado dinheiro.

Temos, então, uma certeza e uma dúvida. A certeza é de que é verdade que Marcos Valério falou o que falou. Quanto à dúvida, essencial, esta se resume no seguinte: será verdade tudo o que ele falou?

Tanto pela certeza quanto pela dúvida, o quadro político alterou-se completamente. Não que se vá tomar como fato o que afirma um agente criminoso condenado a cumprir pena atrás das grades. Ele não tem credibilidade - ao menos, não a de antemão. Suas afirmações só podem ser recebidas com desconfiança, para dizer o mínimo. "Delação premiada para salvar o próprio couro é coisa de canalha", disse Roberto Jefferson, o delator inaugural do mensalão. Ninguém há de dar crédito fácil e rápido ao arquiteto financeiro-publicitário do maior escândalo do governo Lula. A propósito, a notícia do Estadão de terça-feira não estimula a confiança ingênua e desavisada, apenas demonstra que as acusações do condenado não são produto de inferências especulativas irresponsáveis de jornalistas de oposição, mas são falas reais, que de fato existem. Eis o que altera por inteiro o quadro político.

Nesse ponto, o depoimento de Valério abre uma fissura de morte entre os condenados do mensalão: uns insultam os outros, as versões se contradizem, a coisa ali está muito malparada. Existe algo de mais podre ainda dentro de que já existia de muito podre na Esplanada dos Ministérios.

Daqui por diante a indiferença deixa de ser uma tática segura. Os que preferiam o silêncio não têm mais margem para calar. O próprio Lula esboçou uma primeira reação: "Não posso acreditar em mentira. Não posso responder mentira". A presidente da República, Dilma Rousseff, que observava um distanciamento de estadista em relação aos rancores e rumores emanados do submundo do crime, tachou de "lamentável" o que, segundo ela, constitui uma "tentativa de destituir (o ex-presidente) da imensa carga de respeito que o povo brasileiro lhe tem". Num comentário breve, telegráfico, o presidente do STF, Joaquim Barbosa, indagado se o ex-presidente deveria ser investigado, limitou-se a uma frase: "Creio que sim". Opositores de plantão começam a considerar chamar mais gente para depor.

Se fosse só isso, já seria muito. Mas há mais. Marcos Valério afirma que recebeu uma ameaça de morte do hoje presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, que também revidou: "Eu ameacei ele de morte? Por que vou ameaçar ele de morte? Está nos autos que eu ameacei ele de morte? Duvido! Duvido que ele tenha dito isso". Conforme o próprio Estado informou em sua edição de ontem, em reportagem de Andrei Netto e Fernando Nakagawa, da Agência Estado, Okamotto disse não ter lido a reportagem de terça passada. Afirmou também que "Lula não lê o Estadão". Sobre as denúncias de que o ex-presidente teria participado de uma reunião para autorizar os empréstimos fraudulentos que viabilizaram o mensalão, orientou os repórteres: "Meu nome não é Lula. Se teve esse negócio, eu não estava nessa reunião. Tem que perguntar ao Lula um negócio desses".

Uma observação: na fala de Paulo Okamotto podemos compreender um pouco melhor os efeitos que a manchete de terça-feira provoca na cena política. "Tem que perguntar ao Lula." De fato, é a ele que certas perguntas devem ser dirigidas. Por mais doloroso e indigesto que seja - a presidente Dilma tem razão em apontar o desgaste que essa investida de Marcos Valério impõe ao seu antecessor -, Lula precisará pensar numa estratégia de comunicação menos lacônica.

E há mais ainda. Ontem, outra revelação complicada foi manchete no Estado: BB cobrava 'pedágio' de agências para o PT, afirma Valério. Será verdade? Só um trabalho investigativo nas documentações do próprio Banco do Brasil e em outras frentes poderá responder.

O furo de terça-feira vai trazer mais desdobramentos nos próximos dias. Para a imprensa o trajeto que se abre é delicado: sem dar crédito a quem não merece e sem macular a honra de quem pode estar sendo acusado injustamente, terá de remexer o lixo, que contém material explosivo, e puxar, de lá de dentro, o fio da meada da verdade.

* JORNALISTA,  É PROFESSOR DA ECA-USP E DA ESPM

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 13 / 12 / 2012

O Globo
"Dilma é derrotada e Rio recorre ao Supremo" 

Congresso aprova requerimento de urgência para analisar veto da presidente

Estados produtores querem evitar quebra de contratos e perdas bilionárias. Por ampla maioria, em sessão tumultuada, deputados e senadores aprovaram ontem o requerimento de urgência para análise dos vetos da presidente Dilma a artigos do projeto que redistribui os royalties do petróleo. O movimento foi articulado por estados não produtores. Um dos vetos foi sobre a divisão dos recursos de campos já licitados, o que significaria quebra de contratos e imporia perdas bilionárias a Rio e Espírito Santo. A bancada do Rio vai pedir ao Supremo Tribunal Federal que anule o resultado da sessão. Ontem, a Câmara aprovou a MP 579, que altera as regras para o setor elétrico.


O Estado de São Paulo
"Dilma manda ministros defenderem Lula de denúncias" 

José Eduardo Cardozo, Gilberto Carvalho e Paulo Bernardo tentaram desqualificar depoimento de Valério

Ministros petistas receberam ordens do Planalto para sair em defesa do ex-presidente Lula. Um dia depois de a presidente Dilma classificar de “lamentáveis” as denúncias de Marcos Valério que envolvem Lula no esquema do mensalão, reveladas pelo Estado, Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência), José Eduardo Cardozo (Justiça) e Paulo Bernardo (Comunicações) desqualificaram as declarações. “Do ponto de vista jurídico, isoladamente, esse depoimento não tem nenhum significado”, disse Cardozo. Carvalho classificou as denúncias de “desespero oportunista” e “indignidade”. “O presidente Lula teve a sua vida privada invadida, examinada, atacada com lupa e até hoje não apareceu nada e não vai aparecer nada”, afirmou. Bernardo disse que as denúncias devem ser analisadas com cuidado. Em Paris, Lula criticou a imprensa.


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quarta-feira, dezembro 12, 2012

Birds


Transição em marcha

Entrevista coletiva / Anúncio de secretariado

Assessoria M.M.
O prefeito eleito de Ubatuba, Maurício (PT), realiza nesta sexta-feira (14), a partir das 9h, entrevista coletiva sobre o primeiro anúncio de secretariado para a próxima administração municipal. O evento ocorrerá na Agência da Caixa Econômica Federal de Ubatuba, localizada na Rua Aparecida S. Velloso, 32, Centro (próximo ao Terminal Rodoviário).

*A coletiva começará pontualmente, pois o espaço precisa ser liberado até às 10h.

Mais informações no telefone (12) 9744 3593.

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Opinião

Crítica sem autocrítica

O Estado de S.Paulo
O Brasil tem feito sua parte para a superação da crise global, disse em Paris a presidente Dilma Rousseff, em mais uma aula a respeito de como os governos do mundo rico deveriam cuidar de seus problemas. Os emergentes, segundo ela, mostraram maior capacidade de recuperação e de manutenção da estabilidade macroeconômica depois do choque de 2008. "Não vacilamos em lançar mão de estímulos fiscais para reduzir os impactos da crise", lembrou a presidente, apontando uma diferença importante entre a política seguida no Brasil e em outros países em desenvolvimento e aquela praticada, com efeitos fortemente recessivos, na maior parte do mundo rico. Ela parece, no entanto, haver esquecido alguns detalhes importantes: os estímulos animaram a economia brasileira no segundo semestre de 2009 e ao longo de 2010, mas foram insuficientes para impedir resultados muito ruins nos dois anos seguintes. Em 2011 e 2012, a produção estagnou, a exportação empacou e a inflação se manteve bem acima da meta de 4,5%.

A presidente havia recitado essa ladainha em recente visita à Espanha, retomando o tema de pronunciamentos em outros eventos internacionais. A cantilena foi retomada fielmente pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, diante de seu hotel parisiense, nessa segunda-feira, um dia antes de mais um pronunciamento de sua chefe. Também ele parece ter esquecido a parte menos gloriosa da história, a dos últimos dois anos.

A presidente Dilma Rousseff tem razão ao criticar as políticas baseadas essencialmente no aperto fiscal, mas seu recitativo nada acrescenta ao debate. Bons argumentos a favor de maior equilíbrio entre ajuste e crescimento foram apresentados várias vezes por economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI), da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pelo governo francês, seu anfitrião.

Se o seu discurso serviu para alguma coisa, foi para dar ao presidente da França, François Hollande, mais uma deixa para condenar a austeridade excessiva defendida pelo governo alemão e para reclamar do superávit comercial da Alemanha, mantido, em boa parte, à custa dos demais europeus. O próprio Hollande, no entanto, preserva o esforço de arrumação das contas públicas, indispensável a qualquer projeto sério de retorno à prosperidade.

A contribuição do Brasil nos próximos meses, disse a presidente, será a aceleração do crescimento. Não entrou em muitos detalhes sobre seus planos, mas citou de passagem compromissos com a austeridade fiscal, com a redução de custos e com a busca de competitividade. Não renunciou, no entanto, a um exercício frequente em seus pronunciamentos diante de plateias internacionais - cobrar dos estrangeiros maior cooperação no esforço pela estabilidade global. Segundo ela, deveria haver um conselho de estabilidade econômica e social semelhante ao Conselho de Segurança das Nações Unidas. Aparentemente, esse organismo deveria dispor de poderes para atuar em diversos setores da economia internacional. A presidente mencionou a importância de uma ação permanente "para deter a marcha insensata de formas de protecionismo".

Em outros pronunciamentos, ela incluiu entre essas formas a política monetária expansionista dos ricos, por seus efeitos sobre o câmbio. Ela e seu ministro da Fazenda, Guido Mantega, têm atribuído um propósito comercial a ações dos bancos centrais dos Estados Unidos e dos países da zona do euro. Os efeitos cambiais dessas medidas são indiretos e às vezes irrelevantes, como comprova a depreciação do real nos últimos 12 meses. Mas a retórica dispensa detalhes factuais.

Bem pesados todos os fatos, a maior contribuição do Brasil aos demais países, nos últimos anos, foi o aumento da importação de bens manufaturados, graças ao descompasso entre a demanda interna e a capacidade de resposta da indústria local, prejudicada por um enorme conjunto de ineficiências made in Brazil. O governo apenas começou a reconhecer esses problemas e a ensaiar medidas para enfrentá-los. Dependerá apenas de si para realizar essa tarefa. Para esses males, pelo menos, as potências estrangeiras não contribuíram.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 12 / 12 / 2012

O Globo
"Dilma reage a Marcos Valério e defende Lula" 

Operador do mensalão disse ter pagado despesas do então presidente da República

Em evento em Paris, ex-presidente evitou a imprensa e afirmou apenas que não poderia 'responder a mentiras'. Diante das revelações do operador do mensalão, Marcos Valério, de que pagou despesas pessoais do então presidente Lula e que este sabia dos empréstimos ao PT, a presidente Dilma saiu em defesa do antecessor ontem. "Considero lamentáveis as tentativas de desgastar a imagem do presidente Lula”, reagiu Dilma, em Paris. Também na capital francesa, o ex-presidente disse apenas que não poderia "responder a mentiras”. Em depoimento à Procuradoria Geral da República em setembro, após ser condenado pelo STF a 40 anos de cadeia, Valério disse ainda que o PT pagou sua defesa no STF. O PT e aliados defenderam Lula. A oposição pedirá abertura de inquérito.


O Estado de São Paulo
"BB arrecadava para PT, diz Valério" 

Empresário afirmou que ex-diretor do Banco do Brasil e ex-presidente do Banco Popular do Brasil cobravam pedágio de agências de publicidade

O empresário Marcos Valério afirmou que Henrique Pizzolato, ex-diretor do Banco do Brasil, e Ivan Guimarães, ex-presidente do Banco Popular do Brasil, criaram um pedágio para o PT. Em depoimento prestado em setembro à Procuradoria-Geral da República, revelado ontem pelo Estado, Valério diz que os ex-dirigentes dos bancos estabeleceram que 2% do valor dos contratos das agências de publicidade com as instituições teria de ir para o caixa do partido. Em 2003, primeiro ano do governo Lula, a DNA Propaganda, de Valério, renovou o contrato com o Banco do Brasil. O valor estimado dos gastos com publicidade era de R$ 152,8 milhões, segundo o Ministério Público Federal. A renovação teria rendido a Pizzolato, condenado no processo do mensalão, mais de R$ 300 mil de contrapartida. Entre março de 2000 e junho de 2005, a agência de Valério respondia por 39,77% da verba publicitária do banco. O PT não comentou a denúncia. O advogado de Pizzolato contestou a acusação. Ivan Guimarães não foi encontrado.


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terça-feira, dezembro 11, 2012

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Opinião

A confissão de Chávez

O Estado de S.Paulo
A natureza deve ter golpeado duramente o caudilho venezuelano Hugo Chávez para ele se sentir obrigado a anunciar em cadeia nacional, no sábado à noite, a recidiva do câncer do qual em mais de uma ocasião se declarou curado e apontar o chanceler e vice-presidente Nicolás Maduro seu herdeiro político. "Se se apresentar alguma circunstância inesperada que requeira novas eleições presidenciais, vocês todos têm de eleger Nicolás Maduro", exortou. "Peço isso de coração." Chávez, de 58 anos, voltou ontem para Havana. Ele foi operado pela primeira vez para extrair um tumor na região pélvica - a sua localização exata é tratada como segredo de Estado - em junho do ano passado. Seguiram-se duas outras intervenções, a mais recente em fevereiro último, sempre em Cuba. Jamais um médico cubano ou venezuelano teve autorização para falar do quadro clínico do jactancioso paciente. (O seu único sinal de humildade foi rogar a Deus, aos prantos, que "não me leves ainda", numa missa em abril.)

Na semana passada, ele interrompeu uma nova internação de 19 dias na ilha - a contragosto dos médicos, confessou - para revelar, em Caracas, que se submeterá a uma quarta cirurgia e pedir apoio ao vice. Na Venezuela, o titular o nomeia e pode substituí-lo. No poder há 14 anos, Chávez se reelegeu em outubro para um quarto mandato que o manteria no Palácio Miraflores até 2019, a contar da posse, em 10 de janeiro próximo. Se ele não tiver condições de assumir, o presidente da Assembleia Nacional o substituirá e nova eleição presidencial terá de ser realizada em 30 dias. Se assumir, mas deixar o cargo nos primeiros quatro anos do seu período, o vice assumirá e convocará novo pleito no mesmo prazo. O cenário, portanto, é de incerteza. Segundo o cientista político Carlos Romero, da Universidade Central da Venezuela, citado pelo Globo, Chávez teria voltado a Caracas também para mobilizar a população em torno dos candidatos do partido oficial, o PSUV, nas eleições estaduais do domingo.

Pode até ser, mas o principal intuito político do bolivariano decerto se relaciona, ao que tudo indica, com a surda competição no interior do chavismo e que há de ter-se acentuado com a deterioração da saúde do líder. Como se sabe, quanto mais autocrático um regime, maior a propensão dos subordinados do número um a se engalfinhar nos bastidores por suas boas graças e consequente ascensão na escadaria do poder. Não só os civis, mas também a cúpula militar e dos serviços de segurança participam dessa luta a cotoveladas. Para Chávez, ainda que não tenha jogado a toalha diante da malignidade que o acomete, pôr ordem na casa era imperativo nas atuais circunstâncias. E nada mais normal do que ungir o seu vice. É provável que ele já tivesse isso em mente ao escolhê-lo para a função, sem tirá-lo do posto de chanceler, que ocupa desde 2006, em vez de chamar de novo o ex, Elías Jaua, um linha-dura que meses atrás chegou a dizer, com outras palavras, que o voto popular só é bom quando promove a continuidade do regime. Ou o presidente do Congresso, Diosdado Cabello, que também ambicionava chegar lá.

Ao que se especula, o octogenário Fidel Castro foi quem aconselhou Chávez a preferir Maduro, de 49 anos. Faz sentido para quem sabe que a estabilidade é preciosa nos regimes de força, tendo ele próprio sido sucedido pelo irmão Raúl. Além disso, o vice parece satisfeito com a linha conciliadora adotada nos últimos meses pelo caudilho - o que não impediu este de vociferar coisas escabrosas sobre o opositor Henrique Capriles na recente campanha eleitoral. Chávez e Maduro são pessoalmente próximos. O ex-condutor de metrô, líder sindical, deputado e presidente da Assembleia Nacional acompanhou o chefe em todas as internações em Cuba. Nos desembarques é o segundo a aparecer na porta do avião. Politicamente, é um bolivariano de mãos enluvadas. Para uma analista, o seu traço mais marcante é a fidelidade. Outros destacam o seu "temperamento de chanceler" e disposição para o diálogo - a antítese de Chávez. A ver como se portará quando a natureza seguir o seu curso e o chavismo precisar de outra liderança carismática para evitar a sua fragmentação e eventual colapso.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 11 / 12 / 2012

O Globo
"Cassações por um voto no STF" 

Celso de Mello deve sacramentar perda de mandato; presidente da Câmara fala em crise institucional

O Supremo Tribunal Federal (STF) vai decidir amanhã se cabe à própria Corte, e não à Câmara, decretar a perda de mandato dos três deputados condenados no julgamento do mensalão. Com o placar em quatro votos a quatro, Celso de Mello vai desempatar e já indicou que votará pela cassação. Ontem, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), afirmou que a Casa poderá não cumprir a ordem do STF: "Pode não se cumprir a medida tomada pelo STF. Isso não é desobedecer ao STF. É obedecer à Constituição."


O Estado de São Paulo
"Mensalão pagou despesa pessoal de Lula, diz Valério" 

Empresário relatou em depoimento à Procuradoria ter feito dois depósitos, em 2003, para a empresa do ex-assessor da Presidência Freud Godoy. Ele afirma ainda que Lula deu “ok” a empréstimos do PT

O empresário Marcos Valério Fernandes de Souza disse, em depoimento de 3h30 e 13 páginas, prestado em 24 de setembro à Procuradoria-Geral da República, que o esquema do mensalão ajudou a bancar despesas pessoais de Lula em 2003, quando já ocupava a Presidência. O Estado teve acesso à íntegra do depoimento, dado após o empresário ter sido condenado pelo STF. Segundo ele, os recursos foram depositados na conta da empresa do ex-assessor da Presidência Freud Godoy. Valério afirma ainda que o ex-presidente deu “ok”, em reunião no Planalto com a presença do ex-ministro José Dirceu e do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, para os empréstimos que serviriam de pagamentos a deputados da base aliada. Dirceu teria dito que Delúbio, quando negociava, falava em seu nome e no de Lula. O advogado de Dirceu repudiou a acusação. Em viagem a Paris, Lula não falou.


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segunda-feira, dezembro 10, 2012

Transição em marcha

Capitão Alexandre Motta de Souza e Maurício Moromizato

Capitão abre possibilidade de Ubatuba ter uma agência da Marinha do Brasil

Assessoria M.M.
O prefeito eleito de Ubatuba segue trabalhando no processo de transição, se reunindo com autoridades municipais, estaduais e federais. No último dia 3, Maurício teve encontro com o capitão da delegacia da Capitania dos Portos de São Sebastião, Alexandre Motta de Souza. A reunião foi solicitada pelo próprio capitão, com o objetivo de discutir a próxima operação verão prevista pela Marinha na região.

De acordo com o delegado, nesta temporada a atuação da Capitania dos Portos será diferenciada e quer contar com o apoio das prefeituras. Segundo Sousa, a fiscalização da Marinha para essa operação verão priorizará os locais frequentados por banhistas. “Na alta temporada, as praias e ilhas mais procuradas por turistas apresentam alguns problemas com relação à ocupação do espaço marítimo. Já estamos convencidos de que a presença da Marinha não deve ocorrer apenas em locais mais afastados da costa, mas também em pontos onde existe o risco de acidentes entre embarcações e banhistas”, ressaltou o capitão Alexandre de Sousa, que espera contar com o apoio das prefeituras, da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e da própria população que flagrar algum abuso ou irregularidade nas pr aias ubatubenses.Ainda de acordo com o capitão Sousa, a prefeitura poderá ajudar no sucesso da operação fomentando a colocação de sinalização nos locais identificados como “mais problemáticos”, como Maranduba, Lagoinha, Lázaro, Sete Fontes, Tenório entre outros.

O prefeito eleito de Ubatuba elogiou a iniciativa da Capitania e ressaltou a importância da preocupação com o banhista na questão da organização e fiscalização náutica. Maurício se comprometeu em ajudar o capitão na iniciativa. “Vamos enviar um breve diagnóstico sobre as praias mais movimentadas e seremos parceiros da Marinha nesta operação. A náutica de Ubatuba é formada por diversas atividades, como pesca, turismo, serviços, além dos particulares. Por isso, queremos ter a capitania cada vez mais próxima de nossa cidade, para que possamos ter um setor organizado e regularizado”, afirmou Maurício, recebendo mais um sinal de aproximação por parte do Capitão Sousa.

“Essa parceria entre Marinha e município pode evoluir, inclusive, no sentido de termos uma agência da delegacia de São Sebastião aqui em Ubatuba. A cidade tem uma atividade náutica intensa e somente isso já justificaria a presença de um braço da Marinha no município. É claro que para isso se tornar realidade precisaremos do apoio e da vontade da administração municipal”, completou o capitão.

O prefeito eleito Maurício se animou com a possibilidade e reforçou que a nova gestão da cidade terá todo interesse em trazer uma agência da Marinha para Ubatuba. Ele ainda se comprometeu em escalar integrantes da equipe de transição para acompanharem as discussões sobre a próxima operação verão da Marinha, que deve ter início ainda em dezembro.

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Opinião

Lula - privacidade versus interesse público

Carlos Alberto Di Franco
Frequentemente insinuada na cobertura dos jornais, a relação amorosa de Rosemary Nóvoa de Noronha, ex-chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo, com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva finalmente foi escancarada pela Folha de S.Paulo em recente edição: Poder de assessora vem de relação íntima com Lula, cravou a chamada de primeira página.

A jornalista Suzana Singer, ombudsman daquele jornal, fez oportuna análise da matéria. Sem usar a palavra "amante", a Folha conta que nas 23 viagens internacionais em que Rosemary acompanhou Lula a então primeira-dama, Marisa Letícia, nunca estava presente. Segundo a reportagem, havia um esquema especial que permitia o acesso de Rose à suíte presidencial nessas escapadas. Seria um relacionamento de 19 anos, iniciado quando ela era bancária e ele, candidato derrotado à Presidência da República. "A Folha invadiu a privacidade de Lula? Sim. Era necessário? Sim." As respostas de Suzana Singer às interrogações éticas, curtas e diretas, são redondas. Concordo plenamente.

O jornalismo brasileiro, ao contrário da imprensa norte-americana, por exemplo, tende a preservar a intimidade dos homens públicos. As escapulidas dos ex-presidentes Juscelino Kubitschek e João Figueiredo, conhecidas e comentadas nas rodas de jornalistas, nunca migraram para as manchetes dos jornais. O mesmo se pode dizer do comportamento da imprensa com relação a Fernando Henrique Cardoso, que teria tido um filho fora do casamento. A mídia, embora ciente, preservou a privacidade do ex-presidente. O episódio foi revelado pela Folha de S.Paulo quando ele, já viúvo e ex-presidente, reconheceu o rapaz como filho. Os episódios, todos, poderiam ser "interessantes" para o público (despertavam curiosidade), mas não eram de interesse público legítimo. Não estava em jogo dinheiro público.

O caso Lula, no entanto, é bem diferente. De acordo com a Polícia Federal, Rosemary conseguiu, entre outras coisas, colocar, em postos estratégicos do governo amigos corruptos que vendiam pareceres jurídicos favoráveis a empresários. Lula, ainda presidente da República, prestou - mesmo que não soubesse disso - favores à quadrilha apadrinhada por Rose. Por sua influência, indicou os irmãos Paulo e Rubens Vieira para a direção, respectivamente, da Agência Nacional de Águas (ANA) e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Os irmãos Vieira, ligados a gente do governo, passaram a vender facilidades a empresários que dependiam de decisões de Brasília.

Rose, gabando-se de sua relação íntima com Lula, tinha influência no Banco do Brasil (BB). Trabalhou pela escolha do atual presidente do BB, Aldemir Bendine, e indicou diretores da instituição. Como foi possível que Rose, uma antiga secretária do PT, acumulasse tanto poder, a ponto de influir em setores nevrálgicos do governo? Tudo isso, rigorosamente de interesse social, só ganhou dimensão pública graças ao trabalho da imprensa.

Só isso, e não é pouco, já justificaria a invasão da privacidade do ex-presidente Lula. A defesa do direito à intimidade não pode ser usada para impedir a investigação e revelação pela imprensa de informações de evidente interesse público. O direito à privacidade não pode ser jamais um escudo protetor.

Cito, amigo leitor, um texto belíssimo e de grande atualidade, A imprensa e o dever da verdade, de Rui Barbosa. Recomendo-o vivamente a todos os que se preocupam com a ética informativa e as relações entre o jornalismo e o poder. Não resisto, caro leitor, à vontade de aguçar sua curiosidade.

"A imprensa", dizia Rui Barbosa, "é a vista da Nação. Por ela é que a Nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, colhe o que lhe sonegam, ou roubam. (...) O poder não é um antro: é um tablado. A autoridade não é uma capa, mas um farol. A política não é uma maçonaria, e sim uma liça. Queiram, ou não queiram, os que se consagraram à vida pública, até à sua vida particular deram paredes de vidro. Agrade, ou não agrade, as constituições que abraçaram o governo da Nação pela Nação têm por suprema esta norma: para a Nação não há segredos; na sua administração não se toleram escaninhos; no procedimento dos seus servidores não cabe mistério; e toda encoberta, sonegação ou reserva, em matéria de seus interesses, importa, nos homens públicos, traição ou deslealdade aos mais altos deveres do funcionário para com o cargo, do cidadão para com o país."

Um abismo separa os ideais de Rui Barbosa dos usos e costumes da vida pública brasileira. Informação jornalística relevante é, frequentemente, considerada um abuso ou um despropósito. A informação não é um enfeite. É o núcleo da missão da imprensa e a base da democracia. Homens públicos invocam o direito à privacidade como forma de fugir da investigação da mídia. Entendo que o direito à privacidade não é intocável. Pode cessar quando a ação praticada tem transcendência pública. É o caso dos governantes ou candidatos a cargos públicos. Os aspectos da vida privada que possam afetar o interesse público não devem ser omitidos em nome do direito à privacidade.

Não pode existir uma separação esquizofrênica entre vida privada e vida pública. Há atitudes na vida privada que prenunciam comportamentos na vida pública. E o leitor e o eleitor têm o direito de conhecê-las. Se assim não fosse, tudo o que teríamos para ler na imprensa seriam amontoados de declarações emitidas pelas fontes interessadas. E há informações da vida privada - e o caso Rose-Lula é emblemático - que revelam inequívoca mistura entre o público e o privado. A imprensa tem, então, não só o direito, mas o dever de invadir a vida privada do homem público. É uma clara questão de interesse da sociedade.

*  DOUTOR EM COMUNICAÇÃO PELA UNIVERSIDADE DE NAVARRA, É DIRETOR DO DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO DO INSTITUTO INTERNACIONAL DE CIÊNCIAS SOCIAIS
E-MAIL: DIFRANCO@IICS.ORG.BR

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 10 / 12 / 2012

O Globo
"Chávez anuncia 4ª cirurgia e nomeia vice como sucessor" 

Após relatar piora do câncer, presidente admite que pode não concluir mandato

Líder venezuelano retorna a Cuba para nova operação, e faz um apelo aos partidários para que votem em Nicolás Maduro caso seu estado de saúde o obrigue a deixar o comando do país e seja marcada nova eleição. Dois dias após retornar de Cuba, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, surpreendeu o país ao anunciar, em cadeia nacional, que fará nova cirurgia — a quarta desde que adoeceu em junho de 2011 — para tratar de uma recidiva do câncer, cuja origem nunca foi revelada. Chávez admitiu pela primeira vez que pode ter de deixar o comando da Venezuela e não cumprir sequer o atual mandato, que termina em janeiro. Há dois meses, ele foi reeleito para mais seis anos. Ontem, nomeou como sucessor o vice-presidente e chanceler, Nicolás Maduro. Emocionado, apelou aos venezuelanos: "Em um cenário em que sejamos obrigados a fazer uma nova eleição presidencial, vocês devem escolher Maduro.” Caso seja impossibilitado de concluir o mandato, Chávez, que viajaria ontem para Cuba, disse que o vice assumiria e convocaria novas eleições.


O Estado de São Paulo
"Chávez anuncia volta do câncer e nomeia sucessor" 

Presidente venezuelano viaja a Cuba; pela 1ª vez, ele reconheceu que a doença pode pôr fim a seu governo

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, voltou ontem a Cuba para nova cirurgia, após chocar o país com a notícia de que o câncer havia reincidido. O anúncio foi feito em cadeia nacional de TV, quando Chávez reconheceu pela primeira vez que o novo estágio da doença poderá levar ao fim de seu governo. E tratou de apontar como sucessor o chanceler e vice-presidente, Nicolás Maduro. De origem sindical e considerado um chavista moderado, Maduro foi uma escolha adequada ao momento, segundo analistas. Em um apelo dramático, Chávez pediu que os venezuelanos elejam o vice-presidente, caso ele não consiga mais continuar no comando do país e novas eleições sejam convocadas. Também comentou seu regresso a Havana. “É necessário submeter-me a uma intervenção nos próximos dias”, admitiu ao revelar que havia contrariado médicos cubanos no breve retorno ao país. Houve manifestações emocionadas por Caracas e apoio público dos opositores.


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