sábado, dezembro 08, 2012

Então é isso!


Colunistas

Danuza já não se usa (ou a “corrupção das massas”)

“Deviam botar na seção de “Humor” do jornal a coluna absolutamente jurássica, alienada e cada vez mais engraçada de Dona Danuza”

Márcia Denser
Realmente não se usa, tá por fora, old fashion, triássico, o preconceito de classe dominante manifestado e assinado embaixo por Danuza Leão em sua coluna da FSP e muito bem captado por Saul Leblon da Carta Maior. Porque acontece que eu não leio Danuza Leão e por três motivos: 1) Por que ainda não fiquei louca; 2) Por que não quero ficar besta; 3) Por que não chuto cachorro morto. Mas Saul, como é editorialista, precisa ler TUDO (até por força das circunstâncias) – ergo: dá-lhe, estômago de aligátor – e flagrou Dona Danuza legal.

Ele diz que, na coluna supracitada, Danuza “lamenta a ascensão do consumo de massa no Brasil, não por ter restrições ao consumo, mas porque ficou difícil ‘ser especial’ nesses tempos em que ‘todos têm acesso a absolutamente tudo, pagando módicas prestações mensais’. Musicais na Broadway perderam a graça, não pelo gosto duvidoso do que se oferece ali, mas é que por míseros R$ 50 mensais o porteiro do prédio também pode ir. Enfrentar doze horas de avião para chegar a Paris, entrar nas perfumarias que dão 40% de desconto, com vendedoras falando português e onde você só encontra brasileiros – não é melhor ficar por aqui mesmo?”, conclui desolada a triássica Danuza.

Leblon observa que as raízes desse desencanto com o Brasil, personificado na elite caricatural assumida por Danuza, encontram uma explicação no relatório da consultoria Boston Consulting Group (BCG), divulgado semana passada. O estudo compara meia centena de indicadores econômicos e sociais de 150 países, coletados junto ao Banco Mundial, FMI, ONU e OCDE, e o Brasil surge como a nação que melhor utilizou o crescimento econômico dos últimos cinco anos para elevar o padrão de vida e o bem-estar do seu povo.

O PIB brasileiro cresceu a um ritmo médio anual de 5,1% entre 2006 e 2011. Mas os ganhos sociais obtidos no período se equiparam aos de um país que tivesse registrado um crescimento explosivo de 13% ao ano, diz a análise. Ou seja, para efeito de redução da pobreza, as coisas se passaram como se o Brasil tivesse crescido bem mais que a China nos últimos cinco anos. O salto na qualidade de vida da população, segundo a consultoria, decorre basicamente da prioridade implementada à distribuição de renda no período.

Algo que Danuza Leão “intui” apenas através da crescente dificuldade de se distinguir a si própria do porteiro do prédio.

As diferenças entre ambos naturalmente continuam abissais. Mas registraram a queda mais rápida da história brasileira nos anos Lula, quando a pobreza recuou à metade e 97% da infância foi para a escola. É o que demonstram também os dados do IBGE divulgados nesta 4ª feira: o índice de Gini que mede a desigualdade encontra-se hoje no menor nível em 30 anos. Ainda assim os 40% mais pobres têm apenas 11% do total da riqueza do país. Mas o deslocamento da seta na década Lula é um fato: entre 2001 e 2011, a renda dos 20% mais ricos – equivalente a 24 vezes a dos 20% mais pobres em 2001 – caiu para 16,5 vezes em 2011.

Nada disso é captado no visor histórico de quem está obcecado em preservar espaços de um privilégio socialmente patológico, incorporado à rotina da classe dominante como extensão, digamos, da paisagem tropical. O desencanto inconsolável com o Brasil deixado por Lula inclui outras versões igualmente elitistas, mas de apelo não tão exclusivista. O porteiro do prédio neste caso é a ‘corrupção de massa’ que o governo Lula teria promovido, segundo os críticos, num aparelho de Estado antes depenado com elegância pelos donos do país. Assim como o porteiro de Danuza, a corrupção no aparelho público agora comandado pelo PT também é real.

Não é o caso do que se convencionou chamar de Ação Penal 470 – ainda que a prática do caixa 2 de campanha tenha igualmente nivelado o partido aos adversários, que, a despeito de tudo, desfrutam da tolerância obsequiosa nos circuitos escandalizados com os forasteiros. A atual operação Porto Seguro, a exemplo de outras desencadeadas pela Polícia Federal desde 2003, desnuda com vasta difusão midiática, aquilo que antes era encoberto, pouco investigado e raramente punido. Não é necessário revisitar o personagem do ‘engavetador geral da República’, de bons serviços prestados à causa tucana.

E Saul conclui: “Porém há nuances que a esquerda não pode mais ignorar. A virtude que se cobra do campo progressista não é um dote imanente a porteiros que conquistaram o legítimo direito de viajar a prestação, tampouco a qualidade intrínseca de governantes eleitos pelos pobres. Virtuosas devem ser as instituições, ancoradas em leis justas e indutoras da convivência solidária; no serviço público digno e transparente; na escola capaz de preparar cidadãos para o livre discernimento; nos bens comuns valorizados e desfrutados coletivamente.”

Realmente é preciso integrar luta econômica & idéias emancipadoras a fim de ampliar o horizonte subjetivo para além do consumismo individualista. Do contrário, só resta o vale tudo por dinheiro. E a coluna de Dona Danuza, absolutamente jurássica, alienada e cada vez mais engraçada. Deviam botar na seção de “Humor” do jornal.

Publicado originalmente no "congressoemfoco"

Twitter
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Derrota de Cristina

O Estado de S.Paulo
Dado o retrospecto de agressiva ingerência da presidente Cristina Kirchner nas instituições do Estado argentino, chega a surpreender pela ousadia a decisão de um tribunal federal, a Câmara Civil Comercial de Buenos Aires, em defesa dos direitos de um querelante que o kirchnerismo considera seu inimigo número um e contra o qual move há quatro anos uma pertinaz campanha de aniquilamento. Trata-se do Grupo Clarín, o maior conglomerado de mídia do país, que edita o jornal de mesmo nome, o mais importante órgão argentino de imprensa. De aliado - e beneficiário - do então presidente Néstor Kirchner, o Clarín passou a fazer-lhe oposição desde a sua ofensiva, afinal malograda, contra o setor rural, em 2008.

A decisão judicial a que nos referimos prorrogou, até a palavra final dos tribunais, a vigência de uma liminar obtida pela empresa sobre a constitucionalidade de dois artigos da Lei de Mídia promulgada em 2009 com o alegado objetivo de democratizar a comunicação social. Na realidade, a lei nada mais é do que um instrumento da Casa Rosada para consolidar o seu já não desprezível controle sobre o setor e amordaçar de vez o jornalismo independente na Argentina. O que o ditador Juan Domingo Perón fez pela força, em 1951, contra o jornal La Prensa e ao expropriar o Clarín, a sua seguidora tenciona fazer sob um manto legal feito sob medida. A prorrogação foi concedida anteontem, na véspera do término da vigência da liminar, o 7D (7 de dezembro), na terminologia oficial, quando o governo convocaria ele próprio uma licitação para desmembrar o grupo.

Pela Lei de Mídia, uma empresa de comunicação poderá acumular até 24 licenças de rádio e televisão (o Clarín tem mais de 250) e a sua cobertura não poderá ultrapassar 35% da população das cidades em que operar (as estações de rádio da holding alcançam 41% dos argentinos; os seus canais de TV aberta, 38%; de TV a cabo, 58%). A lei proíbe ainda que uma concessionária de emissora convencional opere também no mercado de TV paga. No 7D, aqueles dos 21 grupos do setor na Argentina que já não tivessem apresentado planos para se adequar às novas regras, no prazo de um ano, correriam o risco de ser fatiados compulsoriamente. Para Cristina, portanto, a sentença representou uma acachapante derrota. Semanas atrás, decerto para prevenir o pior, o governo tentou forçar a troca de juízes da Câmara Civil e Comercial.

Pode-se aquilatar a intensidade da fúria kirchnerista pela truculência das manifestações do oficialismo. Antes ainda da divulgação do resultado, ninguém menos do que o ministro da Justiça, Julio Alak, disparou que, se a Câmara não votasse com o governo, os seus membros seriam tratados como se estivessem em "estado de rebelião" - passíveis portanto de "julgamento político", na ameaça do senador Marcelo Fuentes, um dos principais porta-vozes da presidente no Congresso. Divulgada a decisão, o titular da Autoridade Federal de Serviços de Comunicação, Martín Sabatella, não só acusou os juízes que a subscreveram de terem sido subornados pelo Clarín com "viagens a Miami", como considerou o seu ato "uma vergonha". Em nenhuma democracia madura, um figurão do governo se permitiria vociferar tamanha enormidade.

Até a data antes tida como fatal, três outros grupos, além do Clarín, não haviam informado o que fariam e quando para se desfazer parcialmente dos seus ativos. Mas nada conta tanto para a Casa Rosada como quebrar o mais poderoso desses conglomerados, no que seria "a mãe de todas as batalhas", conforme o linguajar grandiloquente de seus ocupantes. Ontem, o governo recorreu à Suprema Corte para desfazer a prorrogação da liminar. Valeu-se do recém-instituído per saltum, mecanismo pelo qual ações que tramitam em segunda instância podem ser transferidas para a mais alta Corte do país. Resta saber se ecoará ali o protesto da Comissão Nacional de Independência Judicial, divulgado na véspera, contra a mão pesada do kirchnerismo, traduzida em "fatos que agridem institucionalmente um poder do Estado". A crescente impopularidade de Cristina talvez incentive o Supremo argentino a examinar a matéria de forma compatível com a reputação de autonomia que ainda preserva.

Original aqui

Twitter

Manchetes do dia

Sábado, 08 / 12 / 2012

Folha de São Paulo
"PF encerra operação sobre agências em prazo recorde" 

É a primeira vez desde 2003 que a PF em SP conclui relatório final em 15 dias

O caso envolve Rose Noronha, indicada em 2005 por Lula para a chefia do gabinete da Presidência em SP. A Polícia Federal entregou ontem à Justiça o relatório final da Operação Porto Seguro, que apura tráfico de influência e venda de pareceres de órgãos do governo. A entrega encerra a investigação da PF. O caso provocou repercussão porque envolve Rosemary Noronha. Ela foi indicada em 2005 pelo então presidente Lula para a chefia de gabinete da Presidência em São Paulo e mantida por Dilma Rousseff. Também foram investigados diretores de agências da reguladoras da União. O inquérito da operação, aberto em março de 2011, tem cerca de 4.000 páginas.


O Estado de São Paulo
"Cachoeira é condenado a 39 anos e volta à prisão" 

Contraventor foi preso pela PF por corrupção, peculato, violação de sigilo e formação de quadrilha

A Justiça Federal de Goiás condenou o contraventor Carlinhos Cachoeira a 39 anos e 8 meses de prisão por peculato, corrupção ativa, violação de sigilo e formação de quadrilha com base em denúncia da Operação Monte Cario, contra a exploração de jogos ilegais. Ele foi preso ontem, em sua casa, em Goiânia, e levado para a Superintendência da Polícia Federal, onde deve passar o fim de semana. Cachoeira volta à cadeia duas semanas após deixar o Presídio da Papuda, em Brasília, onde ficou 266 dias detido. O advogado do contraventor se disse “surpreso e estupefato” com a ordem de prisão. Além de Cachoeira, outros sete réus foram condenados. Deflagrada em fevereiro, a Monte Cario trouxe à tona detalhes da relação do contraventor com políticos, que levaram à cassação do ex-senador Demóstenes Torres.


Twitter

sexta-feira, dezembro 07, 2012

Oscar Niemeyer

O blog Ubatuba Víbora não poderia deixar de homenagear o arquiteto Oscar Niemeyer, cuja marca deixada em edifícios icônicos em diversas cidades brasileiras -e estrangeiras-, permanecerá para sempre como uma conquista do gênio humano. Ubatuba poderia ter um edifício com a chancela do mestre, o arquiteto Renato Nunes propôs e Oscar aceitou fazer um projeto para a cidade. A visão estreita do governante da época impediu que a idéia se materializasse. É de se lamentar... (Sidney Borges)

Coluna do Celsinho

Grão em grão

Celso de Almeida Jr.
Entrei com o carro na Thomaz Galhardo.
Diversos postinhos - estilo luminárias antigas - estavam sendo instalados por toda a avenida.
Reparei, também, na decoração de Natal.
As calçadas refeitas.
A ciclofaixa bem sinalizada.
Devo registrar.
Ficou bacana.
Eu, particularmente, tenho certa restrição quanto ao material escolhido para as calçadas, que escurece rapidamente.
O tipo de luminária instalada, por sua vez, não parece das mais resistentes.
Um fechamento de administração, digamos, com um toquinho de maquiagem.
Mas, tudo bem.
Não serei mais chato.
Darei um desconto.
Afinal, ficou bem melhor do que estava.
Garantiu um certo charme, tudo a ver com a cidade que sonhamos.
Palpiteiro, deixo como sugestão ao novo governo que integre ao projeto uma maciça arborização do centro da cidade.
O calor está intenso.
Tivéssemos mais árvores nas calçadas, suportaríamos melhor o castigo solar.
Um acordo entre a prefeitura, a Sabesp e a Elektro garantiria a escolha de árvores adequadas, evitando transtornos futuros para a tubulação de água, esgoto e para a rede elétrica.
Tarefa fácil, considerando o que precisa ser feito na saúde, na educação, na assistência social, na segurança, nos bairros...
No adeus ao governo velho, à luz do lampião, boa sorte à nova administração.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

Twitter

Tempo de transição (II)

Maurício cumprimenta Gilberto Carvalho em encontro na capital Federal

Em Brasília, ministro Gilberto Carvalho recebe Maurício e ressalta obra do PAC na BR 101

Assessoria M.M.
O prefeito eleito de Ubatuba Mauricio, que assume a prefeitura em 1º de janeiro de 2013, vem trabalhando intensamente mesmo antes da posse. Esteve em Brasília nesta quarta-feira (5), e foi recebido pelo ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. O “braço direito” da presidenta Dilma primeiramente o parabenizou pela vitória e ressaltou a responsabilidade em se cumprir os compromissos firmados durante a campanha.

Maurício aproveitou a agenda para levar ao ministro algumas questões importantes para a cidade. Iniciou a conversa apresentando o registro do projeto de duplicação do trecho urbano da BR 101 em Ubatuba. A obra de duplicação da rodovia já tem recurso previsto no PAC e está na fase final de análise técnica. Maurício ressaltou que daqui pra frente precisa haver um esforço político entre município e União para que a obra saia do papel.

“Terminadas as questões técnicas e legais, o processo entra numa fase de priorização por parte dos executores e consequentemente da cidade que irá receber o benefício. Como prefeito eleito, tenho todo o interesse em que esse projeto se torne realidade, pois será uma obra que trará diversos benefícios à Ubatuba, principalmente no que diz respeito a redução dos atropelamentos e melhoria do acesso urbano na grande região central. Por isso trouxemos essa questão ao Ministro Gilberto Carvalho, pedindo também a atenção do Governo Federal para essa importante obra”, explicou Maurício.

A solicitação do prefeito eleito de Ubatuba foi bem recebida por Gilberto Carvalho que prontamente se comprometeu a dar prioridade para o projeto, inclusive, o levando ao conhecimento da presidente Dilma. “Eu conheço Ubatuba e sei dos problemas de acidentes que temos nesta rodovia e também de como a estrada representa uma barreira urbana para a cidade. Além disso, esta obra não resolverá apenas os problemas de atropelamentos e acessos, mas também será um marco no que diz respeito à infraestrutura e parceria com o Governo Federal. Por isso, me comprometo em fazer o possível para que ela se torne realidade aos ubatubenses”, ressaltou o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, que na mesma hora ainda conseguiu agendar uma reunião de Maurício com a presidência da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) sobre questões relativas ao saneamento básico de comunidades isoladas.

Maurício comemorou os avanços obtidos na reunião e enalteceu o trabalho do Ministro Gilberto Carvalho. “Ele ocupa o cargo de braço direito da presidenta Dilma e deve ter centenas de coisas para resolver em um dia. Mesmo assim, ele nos recebeu com atenção e deixou as portas de seu gabinete abertas para nossa cidade. A conversa nos dá a confiança de que teremos todo apoio do Governo Federal para transformar Ubatuba”, completou.

Twitter
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

A mão do gato

O Estado de S.Paulo
As investigações da Operação Porto Seguro, que penetraram a intimidade de Lula ao revelar os desmandos de sua companheira e ex-chefe de gabinete em São Paulo, parecem ter tocado um ponto sensível da onipotência do Grande Chefe, que finalmente acusou o golpe e mobilizou a tropa. Num mesmo dia, três expoentes do lulopetismo apelaram ao melhor argumento de defesa que o PT conhece: o ataque. O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho; o presidente nacional do partido, Rui Falcão; e o condenado chefe de corruptores José Dirceu entoaram o coro cínico: corrupção havia durante o governo FHC; hoje o que existe é investigação implacável de todas as denúncias. Mais: os partidos que combatem o governo do PT sofreram mais uma "dura derrota" nas urnas de outubro, por isso, cada vez mais a oposição passa a ser exercida pela "mídia monopolizada e o Judiciário conservador".

Gilberto Carvalho falou em seminário realizado na segunda-feira em Brasília: "As coisas agora não estão mais debaixo do tapete. A PF e os órgãos de vigilância e fiscalização estão autorizados e com plena liberdade para agir. (...) No governo FHC não havia (autonomia). Agora há". Assim, segundo o raciocínio do amigo de Lula, "pode parecer" que hoje há mais corrupção, mas o que existe "é autonomia e independência das instituições". A inconformidade irada dos petistas com o julgamento do mensalão pelo STF define claramente o conceito de "autonomia e independência das instituições" cultivado pelo PT.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso reagiu com firmeza ao ataque de Gilberto Carvalho: "Este senhor deveria respeitar o passado e não dizer coisas levianas". Mencionou o trabalho de reestruturação da PF realizado durante seu primeiro mandato e citou exemplos de ações policiais de ampla repercussão contra poderosos de então, como o senador Jader Barbalho e a governadora Roseana Sarney.

No Rio de Janeiro, durante encontro de prefeitos e vereadores petistas, Rui Falcão seguiu na mesma linha do ministro Carvalho, garantindo que "ninguém mais do que os governos Lula e Dilma combateu mais corrupção e tráfico de influência". Dilma, pelo menos, tem sido implacável com quem é pego com a boca na botija, como sabem vários ex-ministros e a protegida de Lula, Rosemary Noronha. Mas isso, para muitos petistas, tem sentido literal: o feio é ser pego, não é malfazer.

Mas Falcão foi mais longe. Fez questão de dramatizar as dificuldades que o "sistema" impõe ao governo: "Não dá para avançar no Brasil sem uma reforma do Estado que pegue a questão da mídia monopolizada e o Judiciário conservador". E lamentou: "Não é possível ter mais democracia no Brasil com o atual sistema político-eleitoral, sobretudo se não se conquistar o financiamento público de campanha".

É difícil de entender o presidente do partido que governa o País com 80% de apoio parlamentar, e que está há 10 anos no poder, queixar-se de que "não dá para avançar" e de que a democracia que temos é pouca. Não há quem discorde de que o Brasil necessita de uma profunda reforma política. Mas o que é que Rui Falcão e seu partido hegemônico fizeram para isso nesses dez anos? A resposta é pura retórica vazia: tudo é culpa da "oposição real", que "é aquela que reúne grandes grupos que se opõem a um projeto de desenvolvimento independente, que se opõem ao avanço da revolução democrática e que têm, para vocalizar seus interesses, uma certa mídia que tem partido, tem lado, e que permanentemente investe contra nós".

José Dirceu engrossou o coro falando a sindicalistas em Curitiba. Garantiu que mesmo atrás das grades "a luta continua", porque "o poder começa a se deslocar para o outro lado da praça (dos Três Poderes), onde está o Judiciário, e para os grupos de comunicação".

Quando a situação aperta, Lula convoca o velho PT bom de briga. Aquele que em 2002, na campanha presidencial, divulgou um filmete de um minuto criado por Duda Mendonça, em que ratos saem da toca para roer a bandeira do Brasil: "Xô corrupção! Uma campanha do PT e do povo brasileiro". E o áudio, dramático: "Ou a gente acaba com eles ou eles acabam com o Brasil". Quem diria!

Original aqui

Twitter

Manchetes do dia

Sexta-feira, 07 / 12 / 2012

Folha de São Paulo
"Maioria dos novos médicos é inapta, mas poderá atuar" 

No primeiro teste obrigatório, conselho paulista de medicina reprova 54% dos quase 2.500 alunos

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo reprovou, em seu primeiro exame obrigatório para fornecer o registro profissional de médico, 54% dos quase 2.500 estudantes que vão se formar neste ano. Para o Cremesp, não têm condições mínimas de atender a população aqueles que acertaram menos de 60% das 120 questões de nove áreas da medicina. A reprovação, porém, não impede o exercício da profissão. Em saúde mental e pediatria, a média de acerto não atingiu 56%. Não haverá divulgação de ranking, mas as universidades terão acesso a seus resultados. As notas individuais só serão informadas aos próprios alunos. Segundo o conselho, a maioria dos aprovados é de escolas públicas. Foram desconsiderados 86 testes atribuídos a participantes do boicote defendido por alunos que pediam um exame teórico e prático.


O Estado de São Paulo
"Barbosa vota pela cassação de deputados do mensalão" 

Três ministros já sinalizaram que devem seguir o entendimento; Lewandowski quer que a Câmara decida

Relator do processo do mensalão, o presidente do STF, Joaquim Barbosa, votou pela perda automática dos mandatos e dos direitos políticos dos três deputados condenados, João Paulo Cunha, Valdemar Costa Neto e Pedro Henry. O revisor, Ricardo Lewandowski, por outro lado, entendeu que cabe à Câmara decidir sobre o mandato. Os ministros que sinalizaram que devem votar com Barbosa são Luiz Fux, Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello, Dias Toffoli apoiou a tese do revisor. Após 51 sessões, Barbosa disse que o julgamento precisa terminar. “A Nação não aguenta mais. Está na hora de acabar”, afirmou. Congressistas rechaçaram o voto de Barbosa. Para eles, cabe ao Congresso decidir sobre o caso.


Twitter

quinta-feira, dezembro 06, 2012

Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Conto da carochinha

O Estado de S.Paulo
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, não foi terça-feira à Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados para fazer justiça aos fatos de que se viu obrigado a tratar em depoimento que se arrastou por cerca de oito horas - as evidências de corrupção no governo reveladas pela Operação Porto Seguro da Polícia Federal. Foi para salvar a face da presidente Dilma Rousseff, alvejada por mais um escândalo na sua administração, semeado, também este, pelo seu antecessor e padrinho Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o noticiário, a chefe gostou do desempenho do ministro. Só se foi porque ele cumpriu sem corar o papel que lhe cabia. Já se a avaliação se pautar pelo respeito do depoente pelas verdades trazidas à luz, o resultado foi deplorável.

Como se sabe, em fevereiro do ano passado, um então auditor do Tribunal de Contas da União, Cyonil da Cunha Borges de Farias Júnior, procurou a Polícia Federal para delatar um esquema de fabricação sob medida de pareceres oficiais, para o qual ele teria sido aliciado mediante suborno. As investigações disso resultantes, incluindo escutas telefônicas e interceptação de e-mails autorizadas pela Justiça, identificaram uma quadrilha chefiada pelo diretor de Hidrologia da Agência Nacional de Águas (ANA), Paulo Vieira, com aparentes ramificações na Advocacia-Geral da União (AGU), na pessoa de José Weber Holanda, o sub do titular Luís Inácio Adams. Vieira, assim como seu irmão Rubens, então diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), também envolvido em maracutaias, deviam os seus cargos à chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Nóvoa de Noronha - Rose para os íntimos -, que por sua vez ganhou o posto por ser namorada de Lula.

Justiça se faça à presidente Dilma, ela de imediato demitiu ou afastou de seus cargos estes e outros funcionários graduados, mandou abrir cinco sindicâncias e revisar os atos por eles praticados. O que, já de si, fazem parecer conto da carochinha as principais alegações de Cardozo na sua alocução aos deputados, que se resumem, afinal, a duas falácias. Uma, a de que não cabe falar em quadrilha, porque tudo se limitou à conduta criminosa de "servidores de um patamar secundário". Outra, a de que "imaginar que o ex-presidente estivesse envolvido por trás disso está, a meu ver, desmentido". O ministro atropelou o idioma e a inteligência alheia. Antes de tudo, chamar diretores de agências reguladoras de setores estratégicos da área pública, para não mencionar o segundo homem da AGU, o maior escritório de advocacia do País, de "servidores de um patamar secundário" é dose, como se diz.

Já o envolvimento de Lula não é fruto da imaginação de ninguém, mas do que se conhece do esquema - e decerto há muito mais a conhecer. O então presidente, que premiou a sua amiga com uma boquinha no gabinete presidencial em São Paulo, promoveu-a mais tarde a chefe da repartição e, antes de deixar o Planalto, pediu a Dilma que a mantivesse no lugar, não só estava ciente, mas, a pedido de Rose, trabalhou pela nomeação de Paulo Vieira. Tanto que, não tendo o seu nome sido homologado pelo Senado em duas votações, foi providenciada uma terceira, enfim bem-sucedida. Pode alguém imaginar - aqui, sim, o verbo se aplica - que essa anomalia teria ocorrido sem o concurso do então presidente? A cadeia de malfeitos evidentemente não começa com as jogadas da espaçosa Rose - sempre pronta, aliás, a destratar os de baixo e se fazer benquista pelo seu protetor - em troca de prendas de variados tamanhos: de empregos para a parentela a pagamento de contas.

Lula deu mão forte a Rose o tempo todo - até, naturalmente, ela cair em desgraça, indiciada por corrupção, tráfico de influência e falsidade ideológica. Desde então ele se mantém fechado em copas. Para diminuir a importância da sua acompanhante em 24 viagens ao exterior, com passaporte diplomático - e, por tabela, tirar o ex-presidente de cena -, Cardozo argumentou que, segundo conversas interceptadas, ela havia sido "escanteada" pelos quadrilheiros. É irrelevante. O que conta é que, sem o apoio de Lula, não teria a importância que teve a contribuição de Rose à esbórnia na "administração republicana" do PT.

Original aqui

Twitter

Manchetes do dia

Quinta-feira, 06 / 12 / 2012

Folha de São Paulo
"Plano de Dilma tiraria ao menos R$ 8 bi de elétricas" 

Presidente lamenta ‘falta de sensibilidade’ de Estados que não aderiram

A renovação das concessões das elétricas, proposta por Dilma para baixar a tarifa, traria perdas de ao menos R$ 8 bilhões às empresas de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina, segundo dados das empresas. As quatro elétricas desses Estados recusaram total ou parcialmente o plano do governo. O cálculo inclui prejuízos com indenizações e receitas de tarifas. Não estão computados números da Cemig, que não revela dados. Especialistas do setor encaminharam carta à presidente pedindo a revogação da medida provisória. Eles temem pelas consequências que podem decorrer das alterações, como apagões e contratos contestados. Ontem, Dilma criticou quem não aderiu e sinalizou que garantirá a queda da conta de luz. “O governo não recuará, apesar de lamentar a imensa falta de sensibilidade dos que não veem a importância disso.”


O Estado de São Paulo
"Após PIB fraco, governo anuncia plano de R$ 100 bi" 

Recursos vão para compra de máquinas; presidente Dilma reconheceu o ‘desempenho precário da indústria’

O governo lançou novas medidas para conter o fraco desempenho do PIB no ano e ampliou em R$ 100 bilhões a linha de crédito para estímulo ao investimento do BNDES. A ação ainda baixa para 5% ao ano a Taxa de Juros de Longo Prazo, usada como referência em empréstimos pela instituição. O governo espera elevar em 8% os investimentos, após cinco trimestres de queda. A medida ajudaria o País a crescer 4% no ano que vem, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega. A presidente Dilma Rousseff reconheceu o “desempenho precário da indústria”, mas disse “ter certeza” de que as medidas “vão se difundir pelo sistema econômico e sinalizar novo estágio de desenvolvimento”. Hoje, será anunciada reforma nas regras do setor de portos.


Twitter

quarta-feira, dezembro 05, 2012

Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Energia sem planejamento

O Estado de S.Paulo
O governo federal terá de recorrer a cortes de impostos e a subsídios para garantir a prometida redução de 20,2% nas contas de luz, se for incapaz de superar ou compensar a resistência da Cesp e de outros grupos ao esquema de renovação antecipada de concessões. Terminado o prazo para adesão, ontem, só 60% das usinas aceitaram a proposta. O governo paulista a rejeitou, mas poderia aceitar um entendimento, se as condições apresentadas pela administração federal fossem melhoradas, segundo o secretário de Energia do Estado de São Paulo, José Aníbal. Até ontem, no entanto, nenhum avanço ocorreu nas negociações, disse o secretário ao sair de uma reunião no Ministério de Minas e Energia, em Brasília. Nem mesmo o prazo especial, até 31 de dezembro, para a apresentação de relatórios sobre reformas e ampliações de centrais elétricas tornou as condições mais aceitáveis, disse Aníbal. Sem acerto, a Cesp poderá ter de devolver a Usina Três Irmãos no começo do ano.

O governo mineiro havia informado, alguns dias antes, a intenção de recusar parcialmente as condições do poder central. A Cemig, segundo os representantes de Minas Gerais, teria direito à renovação dos contratos de três de suas usinas nos termos originais, sem compromisso de redução de tarifas.

O governo só conseguiu adesão geral das empresas de transmissão.

A presidente Dilma Rousseff e os responsáveis pelo setor energético falharam, portanto, quando resolveram impor às concessionárias um acordo concebido no interior do governo e nunca discutido abertamente com todos os grupos.

De modo geral, a proposta federal foi recusada porque as condições financeiras foram consideradas insuficientes. O governo propôs renovar as concessões antecipadamente em troca de redução das tarifas. Isso seria possível, segundo o esquema concebido em Brasília, porque as concessionárias já teriam amortizado a maior parte do investimento fixo. Poderiam excluir esse custo, portanto, da composição das tarifas.

O raciocínio pode ser correto, em princípio, mas ainda haveria uma amortização residual e seria preciso cobrir essa diferença. O valor oferecido ficou muito abaixo da necessidade estimada pelas companhias. Pelo menos em um caso - o da Usina Três Irmãos, da Cesp - houve um erro indiscutível, porque os cálculos foram feitos como se a operação tivesse começado dez anos antes da data efetiva.

Depois de alguns dias de discussão e de muitas críticas, contas foram refeitas e alguns valores foram aumentados. Alguns grupos aceitara. Outros, incluída a Cesp, continuaram rejeitando como insuficientes as compensações. Com as três usinas paulistas - Três Irmãos, Jupiá e Ilha Solteira - fora do esquema, o governo federal deve perder algo entre 1,6 e 1,7 ponto porcentual dos 20,2% de redução prometidos, disse o secretário José Aníbal.

Como outros grupos deveriam ficar fora do acordo, a perda total poderia ser maior e as renovações permitiriam um corte de apenas 17% ou menos, segundo especialistas. Para manter o objetivo original, o governo teria de cobrir a diferença com recursos próprios, cortando tributos ou subsidiando a energia.

A Eletrobrás, controlada pela União, aderiu ao acordo contra a vontade dos minoritários. Eles tentaram impedir a adesão, na assembleia de segunda-feira, mas o governo impôs sua vontade, sujeitando a empresa a perdas elevadas e reduzindo sua capacidade de investimento.

O elevado custo da energia elétrica é uma importante desvantagem da indústria brasileira na competição internacional. O governo deve dar prioridade, portanto, à redução desse custo, para fortalecer a economia nacional. Mas a administração federal tomou o caminho errado. Preferiu a improvisação ao planejamento, sem negociação com os agentes envolvidos. Aceitou até o risco de impor perdas à Eletrobrás, prejudicando sua capacidade de investir e comprometendo, portanto, a oferta e o custo futuros da energia. Mais uma vez a presidente Dilma Rousseff confundiu o papel do Estado como articulador e indutor do crescimento com o exercício autoritário do poder. Isso é ruim para seu governo e para o País.

Original aqui

Twitter

Manchetes do dia

Quarta-feira, 05 / 12 / 2012

Folha de São Paulo
"Presos fazem conferências de até 10 horas pelo celular" 

Em presídio de SP, criminosos discutem a compra de drogas e o rumo de facção

Presos da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, passam horas ao telefone celular discutindo os rumos de uma facção criminosa que atua no Estado, revelam investigações da Polícia Federal e da Polícia Civil. Em fevereiro de 2011, uma conferência durou quase dez horas. Nela se discutiram a compra e a venda de drogas e os investimentos a serem feitos com o dinheiro. Além dos presos, participam das conversas criminosos que estão em liberdade. As investigações mostram que os diálogos acontecem de acordo com a equipe de agentes de plantão. Em nota, o governo paulista afirma que controla a entrada das penitenciárias e que está testando bloqueadores de celulares. De janeiro a agosto, diz, apreendeu 8.335 aparelhos em prisões estaduais.


O Estado de São Paulo
"União culpa SP e MG por corte menor de tarifa de luz" 

Governados pelo PSDB, Estados não aderiram à renovação; redução ficará em 16,7%, em vez de 20,2%

O governo federal culpou os Estados de São Paulo e Minas Gerais pelo corte menor na conta de energia elétrica a partir de março de 2013. Sem a adesão de Cesp, Cemig e Copel, empresas de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, respectivamente, à renovação de contratos, a redução ficará em 16,7%, em média, em vez dos 20,2%, como queria o governo. Os governadores dos três Estados são do PSDB. “A decisão dessas empresas, principalmente as companhias de São Paulo e Minas Gerais, de não renovar seus contratos sob novas bases é a causa de, hoje, não podermos anunciar o corte na conta de luz pretendido pelo governo federal”, disse o secretário executivo de Minas e Energia, Márcio Zimmerman. Ao desistir do contrato, as três empresas continuarão vendendo energia pelos termos atuais. O governo estudará alternativas para conseguir o porcentual de corte proposto.


Twitter

terça-feira, dezembro 04, 2012

Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

O futuro da internet

O Estado de S.Paulo
A internet, essa maravilha sem dono, há tempos atiça a cobiça de governos, sempre dispostos a tentar controlar o fluxo das ideias, e de empresas de telecomunicação, interessadas em impor à rede mundial regras que lhes confiram receitas adicionais. Esse espectro paira sobre a conferência da União Internacional de Telecomunicações (UIT), que vai até 14 de dezembro em Dubai e que tratará dos ITRs (regulamentos internacionais de telecomunicação, na sigla em inglês). A última reunião para revisar os ITRs foi em 1988, quando a web, criada fora do mundo tradicional das telecomunicações, apenas engatinhava. De lá para cá, ela ameaça condenar os velhos modelos de negócio e de comunicação à obsolescência, razão pela qual é provável que surjam propostas para que se dê à UIT o poder de impor uma regulação que acabe por manietar a internet, situação que merece enfático repúdio.

A UIT, órgão da ONU que conta com a participação dos governos e das grandes teles, define padrões de modulação e coordena recursos de telefonia e de uso do espectro de radiofrequência. Sobre a estrutura de telecomunicações, mas indo muito além dela, roda a internet. Hoje, tudo acaba sendo transportado pela rede das redes, seja a antiga telefonia, seja o correio, seja a comunicação entre indivíduos, gerando novas formas de ganhos.

De certa maneira, a UIT vê sua atuação sendo reduzida nos novos tempos e vê os modelos tradicionais de receita das teles assediados por formas muito competitivas e baratas, capazes de implementar os mesmos serviços, mas de forma melhor. Assim, certamente haverá em Dubai quem defenda o aumento do espectro de atuação da UIT, tentando domar a internet, bem como haverá propostas de geração adicional de receitas sobre serviços de rede, que já pagam pelo que usam, mas que, pelo fato de gerarem ganhos em abundância, atraem a atenção das teles.

Se bem-sucedidas, essas propostas trarão múltiplos riscos à internet. Por um lado, pode ser quebrada a neutralidade da rede, em que a infraestrutura se encarrega apenas de levar a informação do gerador ao consumidor, sem distinção, garantindo uma rede em que todos podem ter acesso a tudo, dentro do plano de velocidade de conexão contratado. Se essa neutralidade for quebrada, não será de espantar que passemos a ter de assinar serviços específicos, como voz ou dados. Seria como voltar aos tempos antigos da telefonia a longa distância. O Parlamento Europeu e as entidades reguladoras de comunicações eletrônicas do continente já se posicionaram contra essa proposta. Ademais, taxas extras seriam um obstáculo à criatividade e ao empreendedorismo, que são as marcas da internet, onde ninguém precisa de licença ou contrato para testar ideias.

Outro valor em risco é o que se refere à abertura e à liberdade da rede. Através da UIT, governos tentam introduzir mecanismos de controle de conteúdo e comportamento na rede, ignorando o fato de que nela não há, nem pode haver, fronteiras claras. Quem deve escolher que sítios visita é o próprio indivíduo.

Finalmente, é importante notar que a internet usa infraestrutura de telecomunicações, mas com ela não se confunde. Não há porque a UIT arvorar-se em órgão regulador da internet. O Brasil é um bom exemplo nessa área porque aqui, desde 1995, a internet é considerada "serviço de valor adicionado" e, portanto, não submetida à Lei Geral de Telecomunicações de 1997 ou ao órgão regulador de telecomunicações. O Marco Civil da Internet, hoje em trâmite no Congresso, garantirá valores como os da neutralidade e do respeito à privacidade dos usuários, para que as conquistas que a web potencializou e que já fazem parte do nosso dia a dia não se percam.

A internet, por definição, é um ambiente livre. Quantidades imensas de informação tornaram-se disponíveis a todos, transações passaram a estar ao alcance dos dedos, opiniões puderam ser exprimidas facilmente gerando e articulando grupos de interesse e de ação. O mundo mudou muito desde a criação da internet e, cremos, para muito melhor. Esperemos que esses valores, tão caros a todos, não sejam ameaçados em Dubai.

Original aqui

Twitter

Manchetes do dia

Terça-feira, 04 / 12 / 2012

Folha de São Paulo
"SP recusa plano do governo que barateia energia" 

Para Cesp, programa de Dilma para renovar contratos de concessão de hidrelétricas é economicamente inviável

O governo do Estado de São Paulo, acionista controlador da Cesp (Companhia Energética de São Paulo), recusou a proposta do Palácio do Planalto de renovação dos contratos de três usinas hidrelétricas. A decisão instalou o primeiro obstáculo nos planos de Dilma de reduzir em 20%, em média, o custo da energia no país. O plano da presidente era convencer as empresas a baixar custos, em troca de renovar as concessões que terminariam nos próximos anos. Assim, elas faturariam menos, mas ganhariam o direito de explorar a companhia por mais tempo. A Cesp considerou a proposta economicamente inviável, pois iria gerar prejuízo. Sem essas três usinas (Três Irmãos, Ilha Solteira e Jupiá), a previsão de analistas é que a redução de tarifa não passe de 18%. Ontem, as ações da Cesp, que haviam caído 37% desde o plano de cortes de tarifa, subiram 8,9%. A Eletrobras já aderiu ao plano do governo federal. A Cemig decide hoje.


O Estado de São Paulo
"FHC lança candidatura de Aécio para presidente" 

Senador mineiro afirmou que 'vai cumprir papel', mas que decisão só sairá ‘no amanhecer de 2014’

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o chefe do PSDB, Sérgio Guerra, lançaram o nome do segador Aécio Neves à disputa presidencial, ontem, durante evento para prefeitos do partido. Aécio disse que “cumprirá papel”, mas sua candidatura será decidida só em 2014. Ele afirmou que está à disposição para andar pelo País. “É hora de o PSDB ouvir o pulsar das ruas.” Para Fernando Henrique, é possível ganhar de Dilma Rousseff. “A hora é já. O nome do PSDB, hoje, é do Aécio. Ele tem de assumir suas responsabilidades, não de candidato, mas de líder do partido, para começar a percorrer o Brasil.” Para aliados de José Serra, o processo foi “atropelado”. Na mesma ocasião, Aécio foi lançado candidato a presidente do PSDB.


Twitter

segunda-feira, dezembro 03, 2012

Tempo de transição

Mauricio (dir) em reunião com representates da Elektro

Maurício se encontra com “Elektro” para discutir setor da iluminação pública

Assessoria M.M.

O prefeito eleito de Ubatuba, Mauricio Moromizato, se reuniu no último dia 27 com o representante institucional da Elektro, empresa concessionária de energia em Ubatuba, Milton Pontes. Durante o encontro foram abordados diversos assuntos, com destaque para o fim da taxa de iluminação pública.

De acordo com o representante da empresa, a atual administração municipal (Executivo e Legislativo), retirou recentemente a referida taxa, causando impacto significativo nas contas a serem pagas pela próxima gestão municipal. Maurício lamentou a perda dos recursos e acredita que seria mais apropriado que a futura Câmara e prefeitura decidissem sobre o tema

“Os vereadores aprovaram a taxa pouco depois que assumiram e, somente ao final de seus mandatos e do mandato desta administração, eles optam por revogar essa legislação. Acho que como a medida interfere no orçamento de Ubatuba para os próximos anos, seria uma matéria adequada para a discussão entre os políticos que governarão a cidade nos próximos anos, no caso, os eleitos em outubro”, ressalta Maurício que já pediu para a equipe de transição calcular o impacto nas contas da cidade causado pela remoção da receita.

“O que poderemos fazer agora no processo de transição é nos prepararmos para os impactos desta revogação. O que já foi me passado é que a cidade perderá milhares de reais no orçamento com essa medida tomada no apagar das luzes deste atual governo. Nosso dever agora é fazer com que a sociedade não sinta a falta desta verba que poderia se transformar em benefícios por meio de políticas públicas sérias”, reforçou o prefeito Eleito.

A reunião ainda tratou da transferência da manutenção das redes elétricas da cidade, da Elektro para a prefeitura, respeitando o prazo estabelecido pela legislação Constitucional. De acordo com os responsáveis da Elektro, no ano passado foi entregue à prefeitura um extenso trabalho elaborado de "Custos e Abrangências" para preparar a cidade para a mudança obrigatória. No entanto, segundo os representantes da Elektro, nenhuma providência foi tomada e o processo de transição terá de ser retomado desde o início.

Por fim, o encontro ainda selou o compromisso do prefeito eleito, no sentido de promover iniciativas sociais em parceria com a empresa concessionária, como o projeto “Escola de Circo”, proposto à atual gestão, mas que não se tornou realidade para a população. Mauricio confirmou que demandará os projetos existentes para análise junto à equipe de transição, sinalizando que pretende coloca-los em prática já no primeiro semestre de 2013.

Twitter
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Os lagostins do Mercosul

O Estado de S.Paulo
Os lagostins argentinos são muito competitivos, muito maiores que os brasileiros, garantiu em tom irado a presidente Cristina Kirchner, diante da colega Dilma Rousseff, no encerramento da reunião da União Industrial Argentina (UIA) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI), no hotel-spa de Los Cardales, a 77 quilômetros de Buenos Aires, na quarta-feira. Foi a referência mais importante da presidente argentina ao comércio de seu país com o Brasil, numa conferência programada oficialmente para cuidar de assuntos de integração produtiva e de comércio. A importância atribuída aos lagostins pode parecer um tanto exagerada, quando se pensa no tamanho, nas possibilidades e nos problemas de relacionamento das duas economias. Mas o desabafo presidencial tocou em pelo menos um ponto relevante: competitividade. Nesse quesito os dois países vão mal, e a condição da indústria argentina é visivelmente muito pior que a da brasileira. O protecionismo cada vez mais amplo tem sido a resposta política da Casa Rosada, com prejuízos crescentes para os produtores brasileiros, nenhum ganho de produtividade para os argentinos, dispensados de se mexer, e danos cada vez maiores para o Mercosul, condenado a ser um clube da mediocridade.

Em Brasília, as autoridades têm tolerado esse tipo de política. Já chegaram a aconselhar os empresários brasileiros a aceitar o jogo e negociar cotas e acordos de restrição. Alguém de vez em quando encena um protesto, como fez a presidente Dilma Rousseff em seu discurso em Los Cardales. Mas as palavras são raramente acompanhadas de ações. Retaliações ocasionais duram pouco e são normalmente suspensas em troca de quase nada.

Ao agir dessa forma, o governo brasileiro descuida tanto dos interesses correntes dos produtores nacionais quanto do futuro do Mercosul. Criado para servir como plataforma de integração, modernização e inserção global, esse bloco foi amesquinhado nos últimos dez anos pela devastadora aliança do kirchnerismo com o petismo. Nesse acasalamento, cada um dos parceiros contribuiu com uma mistura de terceiro-mundismo anacrônico, populismo enfeitado com adereços de esquerdismo e uma indisfarçável atração pelos arranjos autoritários. Essa atração explica o empenho dos dois governos em abrir espaço para a Venezuela do caudilho Hugo Chávez, num golpe realizado logo depois da suspensão, muito contestável, de um dos sócios fundadores do bloco, o Paraguai.

Na inútil conferência da UIA e da CNI, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, tentou deixar em segundo plano as desavenças comerciais e convocar os parceiros para um empreendimento mais de acordo com a agenda original do Mercosul. Brasil e Argentina, disse ele, podem fomentar a criação do terceiro maior mercado do mundo, depois do chinês e do americano. De fato, os dois países talvez pudessem provocar esse efeito a partir do Mercosul, se fossem administrados com mais seriedade e alguma competência.

A integração seria o caminho, com a formação de cadeias produtivas e a exploração das possibilidades de complementação. Mas até a referência prática citada pelo ministro prova exatamente o contrário de sua tese. "O que já fazemos no setor automotivo é o exemplo da integração que devemos estender a outros setores", disse Pimentel.

O acordo automotivo bilateral é um resumo das mazelas do Mercosul. Foi refeito várias vezes, com mudanças ditadas sempre pelos interesses do lado argentino, despreparado para competir. A passagem do regime especial de trocas para a liberação total do comércio automotivo deveria ter ocorrido há muitos anos, mas continuará adiada ainda por um bom tempo.

O ministro dificilmente encontraria exemplos menos deprimentes. Sem estratégias sérias e políticas de longo prazo, o isolamento atrás de barreiras protecionistas será a tentação constante dos governos do Brasil e da Argentina. Os dois países poderão até formar um grande mercado, mas para produtos de uma economia de terceira classe. A de segunda classe é a dos países empenhados em alcançar os melhores padrões internacionais.

Original aqui

Twitter

Manchetes do dia

Segunda-feira, 03 / 12 / 2012

Folha de São Paulo
"Governo usa apenas 48% dos recursos para desastre" 

União divide ônus de baixa execução de R$ 4,4 bi com Estados e municípios

O governo usou menos da metade do valor que estava reservado no Orçamento deste ano para ações de prevenção e resposta a desastres, em especial as medidas ligadas a chuvas. Dos R$ 4,4 bilhões previstos, só R$ 2,1 bilhões, ou 48°/o, estão comprometidos. E apenas R$ 1,1 bilhão (25%) já foi efetivamente pago. A União divide o ônus da baixa execução com municípios e Estados. Diz que, como beneficiários dessas ações, eles precisam cumprir uma série de exigências, como a apresentação de projeto e de plano de trabalho e uma contra-partida financeira. O governo afirma ainda que tem até o final do ano para empenhar os recursos orçamentários reservados. A previsão meteorológica para o verão é de chuvas fortes, em especial no Sul e no Sudeste do país.


O Estado de São Paulo
"Paulo Vieira planejava trocar pareceres por apoio eleitoral" 

Investigação mostra que ex-diretor da ANA queria usar dinheiro de empresas em campanha para deputado

O diretor afastado da Agência Nacional de Águas Paulo Vieira planejava se candidatar a deputado federal pelo PT, revelam depoimentos, e-mails e telefonemas interceptados pela Polícia Federal. Relatórios da PF indicam que a campanha seria financiada por empresas favorecidas pelo esquema de compra de pareceres de órgãos públicos liderado por Paulo. O ex-auditor do Tribunal de Contas da União Cyonil Borges disse à PF que Paulo contava com parecer favorável à Tecondi, que opera no Porto de Santos, para garantir dinheiro para a campanha. Uma conversa entre Paulo e a ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo Rosemary Noronha indica que ele registrou bens em nome de terceiros para evitar que o aumento do patrimônio prejudicasse a candidatura.


Twitter

domingo, dezembro 02, 2012

O tempo não para...


Pitacos do Zé

Ecos da praça

José Ronaldo dos Santos
O colega Antônio, homem do interior paulista que há alguns anos chegou ao nosso litoral, após ler aquilo que eu escrevi a respeito da nossa Praça Exaltação da Santa Cruz, a “Praça da Matriz”, fez o seguinte comentário:

- Talvez essa praça tenha sido alegre quando você era mais jovem, né, Zé? Atualmente, me parece, ela tem uma ponta discreta de horror. Isto não é um privilégio só dela. Em outras cidades também têm quadros assim (medonhos). Faz-me lembrar um personagem de Sartre [o filósofo francês Jean-Paul Sartre] com a seguinte frase: “As minhas lembranças são como as moedas da bolsa do diabo: quando a abriram só encontraram folhas secas”.

É isso mesmo! Por isso que estou apreensivo em relação ao projeto do Museu Caiçara em torno do resgate cultural da Praça Treze de Maio. Imagino cenas se reconstituindo, imagens e fragmentos de imagens correndo em nossas direções. Vejo como um dos produtos do evento um saldo onde recordações e ficções se embaralham. Recomendo que mais pessoas entrem em contato com o Julinho, o encaminhador deste projeto.

Assim como eu, creio que a maioria das pessoas se encanta em ver as imagens de outro tempo em fotografias e cartões postais. Elas permitem “descobrir” aventuras inimagináveis em coisas que, aparentemente, estão no ordinário. Ou seja, como “acontecimentos que saem do ordinário sem ser necessariamente extraordinários”.

Os textos de quem viveu intensamente a proximidade cultural com um lugar, com o povão, também me encantam. Por isso que estou aguardando há anos um livro de memórias prometido pela professora Heloísa, a “Tia Helô”, uma taubateana que veio quase adolescente viver em nosso município. O amigo Ivan disse que, finalmente, o tão esperado será lançado agora, no mês de dezembro. Será mais uma oportunidade de descobrir e redescobrir a nossa cidade e o nosso povo. Digo isto porque essa querida professora não se cansa de afirmar, orgulhosamente, em poder ter vivido, graças a este chão (Ubatuba), tantas aventuras.

Que venha o Livro da Tia Helô!

Twitter
Acesse aqui o "Blog do Ninja"

Opinião

Estagnação com inflação

O Estado de S.Paulo
O governo brasileiro pode apresentar ao mundo, com muito orgulho, uma rara combinação de resultados econômicos - uma das taxas de crescimento mais pífias do globo e uma inflação muito mais alta que a da maior parte dos países civilizados. Com as bênçãos da presidente Dilma Rousseff, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, prometeu no começo de 2012 uma expansão econômica de 4%, um resultado apenas razoável depois dos 2,7% do ano passado. Hoje só os otimistas ainda esperam um avanço de 1,5% neste ano. Os últimos cálculos divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficaram abaixo da pior estimativa do mercado e reforçaram as dúvidas sobre a recuperação em 2013.

No terceiro trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu apenas 0,6% sobre o período de abril a junho. Especialistas do setor financeiro e das consultorias haviam apostado em números na faixa de 0,9% a 1,4%, com mediana de 1,2%. A inflação estimada, no entanto, continua na faixa de 5% a 5,4%, compatível, em condições mais ou menos normais, com um ritmo de atividade muito mais intenso. As autoridades toleram a inflação em troca de nada e isso pode complicar os próximos lances do jogo.

A produção nacional, segundo o discurso mantido pela cúpula do governo há várias semanas, vinha avançando nos últimos meses num ritmo equivalente a pelo menos 4% ao ano. Também essa ilusão foi desfeita pelos dados do IBGE. Projetado para quatro trimestres, o crescimento do período julho-setembro resultaria numa expansão de 2,42%. Será necessária uma aceleração considerável para alcançar o resultado prometido pelos ministros da área econômica.

Mas é difícil descobrir de onde virá o impulso. Neste ano, a indústria foi incapaz de acompanhar a demanda de consumo das famílias e do governo e boa parte do estímulo foi aproveitada, afinal, pelos fornecedores estrangeiros. O governo se mostra, no entanto, disposto a continuar incentivando os consumidores a ir às compras, sem dar atenção pelo menos equivalente aos produtores nacionais de manufaturados. Pouco se tem feito para garantir as bases necessárias a uma expansão razoável e segura da produção nos próximos anos. Do segundo trimestre para o terceiro, o valor investido em máquinas, equipamentos, instalações e obras de infraestrutura diminuiu 2%. No acumulado do ano, o setor público e o setor privado investiram 3,9% menos que em igual período de 2011.

Este é o pior de todos os resultados. O investimento, normalmente muito inferior ao necessário para uma expansão econômica sustentável na faixa de 4% a 5% ao ano, diminuiu em 2012. No terceiro trimestre, foi 5,6% menor que em igual período do ano anterior. No acumulado do ano, a diferença para menos chegou a 3,9%. Isso se explica em boa parte pela incapacidade gerencial do setor público, mas a retração dos investidores privados também é preocupante. São compreensíveis os receios do empresariado, diante das incertezas quanto à política econômica e das dificuldades de enfrentar a competição internacional. Sem efetivo planejamento de longo prazo, o governo continua baseando sua ação econômica em medidas de alcance limitado, como incentivos temporários, benefícios fiscais a setores escolhidos e mais protecionismo.

No terceiro trimestre, o Brasil investiu o equivalente a 18,7% do PIB. Um ano antes a taxa havia alcançado 20%, mas o resultado final de 2011 ficou em 19,3%. Outros países emergentes investem valores mais próximos de 30% do PIB e os mais dinâmicos alcançam proporções próximas de 40% (caso da China). Além do valor investido, é preciso também levar em conta a eficiência da aplicação dos recursos e a qualidade dos projetos.

No Brasil, um exame desses detalhes provavelmente mostrará um quadro bem mais feio, por causa do custo excessivo das obras e da pulverização de recursos em projetos mal concebidos ou pouco relevantes para a produtividade geral do País. Nem será preciso comparar o custo de uma estrada chinesa com o de uma estrada brasileira para chegar a essa conclusão. A realidade material, enfim, pode ser bem pior do que sugerem os números revelados pelo IBGE.

Original aqui

Twitter

Manchetes do dia

Domingo, 02 / 12 / 2012

Folha de São Paulo
"Fux levou seu currículo a Dirceu por vaga no STF'" 

Em 2010, ministro da corte pediu ajuda a réu do mensalão que julgou agora

Em 2010, quando estava no superior Tribunal de Justiça e iniciou campanha para ser indicado ao Supremo, o ministro Luiz Fux, 59, levou seu currículo a José Dirceu e pediu que o entregasse ao então presidente Lula. Aquela altura, o ex-ministro da Casa Civil aguardava o julgamento do mensalão. Em entrevista à Folha, Fux diz que não achou incompatível procurar réu de processo que ele poderia vir a julgar e que não se lembrou da condição de “mensaleiro” do petista. Para Dirceu, o voto do novo ministro do STF, indicado por Dilma, poderia ser o da sua absolvição. No julgamento, porém, Fux foi implacável. “Eu só ouvia as pessoas dizendo: ‘não tem prova, não tem prova’. Mas, quando fui ler o processo, fiquei estarrecido.”


O Estado de São Paulo
"Pajero de Rose pertencia ao esquema dos irmãos Vieira" 

Em e-mail que cobrava transferência do carro, ex-chefe de gabinete também pedia R$ 5 mil para comprar móveis

Documentos interceptados pela PF mostram que o Pajero TR4 da ex-chefe de gabinete da Presidência em SP Rosemary Noronha estava no nome de uma funcionária de Paulo Vieira,apontado como líder da máfia dos pareceres. Ele pagava despesas com multas, seguro e IPVA, informa Alfredo Junqueira. Em e-mail de 2 de maio de 2011, Rose cobra de Vieira a transferência do veículo e mostra preocupação com o pagamento do seguro. “Vc (sic) renovou o seguro? Quando pretende passar o carro para o meu nome?”, diz. O veículo, no valor de R$ 55 mil, pertence atualmente à ex-assessora do presidente Lula. Antes, porém, já havia sido multado na frente da casa dela. No mesmo e-mail, Rose pede R$ 5 mil para quitar despesas com a filha. A defesa não comentou.


Twitter
 
Free counter and web stats