sábado, novembro 10, 2012

Higgs


Na Mata Atlântica

Vivendo e sonhando

Sidney Borges
Romeu Féres, o sabiá, chegou cedo. Pousou ao lado da janela do quarto e soltou o dó de peito. Acordei. Cinco e quarenta e oito, olhei de novo, cinco e cinquenta e quatro. Devo ter cochilado. Lá fora o bardo continuava a produzir ondas sonoras de grande intensidade. Sem conseguir conciliar o sono resolvi pensar. 


Comecei imaginando o Universo sem o bóson de Higgs. Para quem não se lembra, ou não está familiarizado, bóson de Higgs é a partícula subatômica que dá massa a outras partículas. Massa é a propriedade que faz com que um objeto atraia outro objeto que também tenha massa. Sem massa, sem atração gravitacional, ou seja, sem o bóson de Higgs seríamos leves, ou melhor levíssimos, pois a Terra não nos atrairia.

Mas também não atrairia a Lua e esta iria embora. O Sol também não atrairia a Terra, na verdade sem massa o Sol nem sequer existiria. Não existindo gravidade não haveria luz solar. Sem o bóson de Higgs o Universo seria constituído de partículas isoladas e sem interação gravitacional. Individualismo quase total!

Foi por isso que Deus criou o bóson de Higgs e encheu o Universo com ele, como enchemos uma jarra com água.

Pensei tanto que adormeci. Sonhei que estava na idade do bronze, para ser mais preciso em Stonehenge, bem no momento em que estavam erguendo uma pedra de 50 toneladas. Sem máquinas, sem guindastes, apenas com as mãos! 

Sem que os trabalhadores notassem a minha presença acompanhei o transporte de outra pedra, desta vez mais leve, umas 30 toneladas. Primeiro a envolveram em um tecido que parecia aquele filme plástico que usamos para embrulhar alimentos antes de colocar na geladeira. Depois de concluído o trabalho ligaram uma mangueira ao envólucro e um som agudíssimo encheu os ares. 

Da mangueira saiu uma espécie de vapor de cor salmão. Um inspetor fechou o buraco onde a mangueira fora introduzida. A pedra estava pronta para ser transportada o que foi feito por uma graciosa menina de tranças de não mais de doze anos.

Entendi tudo. O vapor cor de salmão é que dava massa à pedra. Um caldo de bóson de Higgs!

Como o peso é igual ao produto da massa pela intensidade do campo gravitacional, sem massa o peso da pedra foi anulado.

A menina estava transportando um objeto que teria 30 toneladas, mas que sem a partícula de Deus ficou sem massa e portanto sem peso. Na verdade a menina erguia somente o filme do envólucro de 200, talvez 300 gramas.

Que sonho elucidativo! Pensei em perguntar como eles retiravam a partícula de Deus do embrulho plástico.

Perguntei, um druida simpático começou a explicar, mas não consegui entender nada, Romeu Féres havia voltado à carga, desta vez com sotaque de Vicente Celestino. Ou seria Lady Gaga?

Acordei!

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Charles Demuth (1883-1935):

Negócio, 1921 - óleo sobre tela (Instituto de Arte de Chicago)

Colunistas

Reflexos da ficção

O conto adiante, Reflexos, tem como fenômeno estético central a “construção em abismo”. Em suma, o conto dentro do conto dentro do conto, ad infinitum

Márcia Denser
Dando uma pausa na política – que nenhum escritor é de ferro – e atendendo ao pedido de alguns leitores, retorno à ficção, aproveitando pra fazer uma outra coisa que têm me dado um grande prazer ultimamente: descobrir o processo criativo. O conto adiante, Reflexos, tem como fenômeno estético central a “construção em abismo” ou mise-em-abîme, pra usar o termo técnico e, se eu quiser ser besta, ou servindo-me duma analogia tridimensional, a babushka ou boneca russa. Em suma, o conto dentro do conto dentro do conto, ad infinitum.

Como usei o estilo epistolar, é a carta dentro da carta dentro da carta, etc. E como vocês irão observar, são quatro cartas (completas ou fragmentárias) em três níveis narrativos e uma quarta que, inesperadamente, ao recapitular o efeito acumulado dos anteriores, realiza a síntese do conto, libertando-o finalmente do seu labirinto. Enjoe it.

REFLEXOS*

Márcia Denser

(para Filadélfia Jones, onde quer que você esteja)

Marco,

Hoje abri a janela para o domingo chuvoso e inerte. Entediada, liguei o computador onde uma jovem marquesa triste molhava a pena e começava uma carta:

“M,

Chove esta manhã. Não obstante o tempo, será impossível mandar selar Juno. Quando desci ao pequeno salão, fui informada por Artémise que Mme. Berthe mandara Lorin à Meséglise, de onde só retornará à noite. Creio não ser possível nos avistarmos no local combinado. Prevejo um serão melancólico com o senhor cura e M. de Charlus a jogar gamão e Berthe, minha carcereira, vigiando os postigos. Como sofro ao saber-te tão próximo e inatingível. Desgraçadamente, partiremos amanhã para Ostende. Estaremos separados durante todo o verão sem o derradeiro consolo de uma despedida. Nuvens carregadas me afligem com maus presságios, todavia tu não mereces que te faças sofrer. Manda a razão dizer-te que estás livre, mas meu coração é teu prisioneiro. Basta por ora, meu amigo, Berthe se aproxima…”

Marco,

Suponho que você saiba que a carta da marquesa é essencialmente igual à minha, embora também desta vez eu me escondesse por detrás do estilo rococó de espartilho e anquinhas, através do qual todo sentimento humano soa frívolo e melodramático. Como se a autora os ignorasse quando, no fundo, tem medo. Meus múltiplos disfarces já não te divertem mais. Aos reflexos do que não sou, você responde com suas próprias imagens deformadas.

Lembro do que disse naquele dia de fevereiro – lembro-me bem porque o sol fervia e Cortázar havia morrido – obrigando-me a ouvi-lo, a te encarar frente a frente: Cortázar que vá para o inferno! Onde está você? Está aí, e me sinto só, entende? Sei que não estou sendo objetivo, mas veja: você está em cima, embaixo, atrás, na frente, mas não ao meu lado, ao meu lado nunca. E seus punhos esmurravam as paredes quando era minha cabeça que você queria quebrar para enfiar um pouco do teu desespero lá dentro. Lá, onde se pressupõe que viva a compreensão, lá, onde mantenho aprisionada uma andorinha ferida embora ela se debata e bata e me atordoe e enlouqueça.

Não sou a marquesa encerrada em seu castelo pela governanta, o mau tempo ou um cavalariço, nada impede que eu tire o carro da garagem, recapitule o itinerário, o traçado de ruas e avenidas que em quinze minutos me fariam estacionar em frente à tua casa, debaixo da árvore de flores amarelas cujo nome não sei, buzinar até que teu belo rosto jovem apareça no terraço, rever tua expressão de resignado desgosto, te pressentir descendo as escadas com brusca lentidão a contragosto dos teus próprios passos que lentamente atravessariam o jardim, detendo-se do lado de dentro do portão com os antebraços apoiados na grade numa tentativa de sorriso que os lábios não obedeceriam.

Trocaríamos cumprimentos à distância, talvez eu dissesse que passava por acaso ou talvez não dissesse nada; educadamente perguntaríamos  pela família, pelo trabalho, pela saúde, pelos amigos, acrescentando comentários a respeito das próximas eleições, da catástrofe do México, do último filme e até da meteorologia, sempre tão incerta, aí talvez você arriscasse um elogio falsamente bem-humorado sobre meu corte de cabelo que eu retribuiria com um sorriso complacente (aquele que você detesta) acendendo um cigarro enquanto buscavas teu  maço no bolso, retesando o frágil arco do silêncio até que presumivelmente eu o rompesse com um soluço, um palavrão ou uma súplica, cedendo ao impulso de estilhaçar este muro de vidro a que chamamos realidade e boas maneiras e tanta cordialidade, para, mais uma vez, encontrar do outro lado a máscara sem rosto da tua infinita, obstinada negação.

Marco,

Levanto a cabeça e, debaixo das lágrimas, vejo a chuva, o domingo, as duas da tarde: não, não sou a marquesa, não me é permitido padecer de irrealidade. Mas continuarei tentando. Saio e ligo o carro. A cena martela meu cérebro: teu belo rosto, o desgosto resignado, um ramo de flores amarelas, tuas pernas lentamente, a tua boca, a tua boca insuportavelmente formando palavras que você não quer dizer e eu não quero ouvir, e mais uma vez o silêncio das palavras não ditas, dos gestos desfeitos, o muro de vidro que um dia atravessarei quando abandonar a marquesa, o sorriso complacente, minhas medalhas de religião, uma cicatriz que deformou minha alma, minha inteligência, minha cultura, meu saldo bancário, meu prestígio, sobretudo meu prestígio, mas que importa tudo isso se conseguir atravessar os espelhos e passar para o outro lado, para dentro do teu abraço, finalmente libertando a andorinha.

SP.

06/11/2012.

*Publicado em Toda Prosa II – Obra Escolhida. Rio, Record, 2008

Publicado originalmnte no "congressoemfoco"

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Opinião

A deturpação do royalty

O Estado de S.Paulo
Envolvidos na feroz disputa por algo que ainda não existe, nem se sabe se vai existir - o petróleo do pré-sal -, e movidos apenas por seus próprios interesses político-eleitorais, que os tornaram incapazes de avaliar o interesse nacional, 286 deputados impuseram uma derrota política ao governo ao aprovar um projeto sobre a distribuição dos royalties do petróleo que, na essência, acaba com o conceito de royalty, rompe contratos em plena vigência e pune as cidades que têm despesas adicionais por causa da exploração do óleo em seu território ou vizinhança.

"Foi uma demonstração de vitalidade do Parlamento brasileiro", exultou o presidente da Câmara, deputado Marco Maia, após a derrota do governo - que, a propósito, é chefiado pelo partido a que ele pertence. Diante dos desastrosos efeitos que o projeto - que já havia sido aprovado pelo Senado - poderá ter para os municípios e Estados produtores de petróleo, caso a presidente Dilma Rousseff não o vete, cabe indagar para que serve tanta vitalidade parlamentar. Neste episódio, pelo menos, certamente não é para o bem do País.

Por meio de uma hábil manobra em plenário, os deputados decidiram votar o projeto já aprovado no Senado, antes de examinar o substitutivo elaborado pelo relator designado pela Câmara, deputado Carlos Zarattini (PT-SP). Aprovado o texto vindo do Senado, o substitutivo do relator, que continha pontos de interesse do governo, nem chegou a ser examinado. O substitutivo de Zarattini previa, como queria o governo, que todos os recursos originários de royalties deveriam ser aplicados em educação. A exceção caberia à União, que poderia aplicar parte do dinheiro em ciência e tecnologia e em defesa. O texto aprovado permite o uso dos royalties em diversas áreas, como infraestrutura, educação, saúde, segurança, erradicação da miséria e até tratamento de dependentes químicos.

Este, porém, é o ponto menos pernicioso do projeto. Ao mudar radicalmente o critério de distribuição dos royalties entre os Estados e municípios, garantindo fatia substancial desses recursos para regiões que não produzem nenhuma gota de petróleo, o projeto muda também o conceito de royalty.

Royalty é uma compensação financeira, uma indenização, paga àqueles que sofrem pela retirada, de seus territórios, de recursos escassos e não renováveis e têm despesas adicionais decorrentes do uso de sua infraestrutura e da degradação ambiental. O projeto assegura, porém, que também Estados e municípios que não têm esses custos adicionais, e já recebiam uma parcela desse dinheiro, tenham direito a uma fatia muito maior.

De 8,75% do total dos royalties do petróleo que recebem atualmente, Estados e municípios não produtores passarão a recebe 40% até 2020. A contrapartida, obviamente, é a redução da fatia que cabe à União e aos Estados e municípios produtores. A da União será reduzida de 30% para 20% já em 2013, a dos Estados produtores cairá de 26,25% para 20% e a dos municípios produtores, de 26,25% para 15% em 2013 e 4% em 2020. Para os municípios não produtores, mas que são afetados pela produção, por causa do uso de seu território pelas empresas envolvidas no trabalho de exploração, transporte e armazenagem, a fatia será reduzida de 8,75% para 3% a partir de 2013 e para 2% em 2020.

É uma redução brutal, que poderá inviabilizar financeiramente muitas prefeituras que enfrentam gastos adicionais decorrentes da exploração do petróleo em seu território ou em suas proximidades. Cálculos preliminares do secretário do Desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro, Júlio Bueno, com base na variação da cotação do barril do petróleo e da produção estimada pela Petrobrás, indicam que o governo estadual e as prefeituras fluminenses perderão R$ 77 bilhões em oito anos. O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, fala em perdas de R$ 11 bilhões até 2020.

Além dessas perdas e distorções que gera, o projeto desrespeita contratos ao estabelecer regras novas para a distribuição de royalties das áreas já licitadas e em plena atividade. Deve ser vetado integralmente.

Original aqui

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Manchetes do dia

Sábado, 10 / 11 / 2012

Folha de São Paulo
"Violência aumenta e dez são mortos por dia em SP" 

15 são assassinados após Alckmin dizer que homicídios estavam caindo

Menos de 24 horas depois de o governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmar que a série de crimes na Grande São Paulo estava diminuindo, 15 pessoas foram mortas entre a noite de quinta-feira e a manhã de ontem. Nos últimos 15 dias, quando teve início uma nova escalada da violência, 142 pessoas foram assassinadas na região metropolitana. A média diária de homicídios neste período se aproxima de dez. No ano passado, era de seis. A aliados Alckmin diz estar insatisfeito com o secretário da Segurança, Antônio Ferreira Pinto. Segundo interlocutores, ele procura um substituto há três meses, mas tem dificuldade de encontrar um novo nome. Em junho, a PF informou o governo do Estado de que a facção PCC aumentaria os ataques contra policiais. Apesar do recrudescimento das mortes, São Paulo não figura entre os Estados mais violentos. 

O Estado de São Paulo
"Supremo vai revisar penas para corrigir distorções" 

Corte admite fazer ajuste para evitar recurso; José Dirceu e mais 4 condenados entregaram passaportes

Os ministros do STF se reunirão ao final da dosimetria das penas dos 25 condenados por participar do mensalão para desfazer erros e padronizar punições. Um dos problemas que exigirão correção diz respeito à aplicação de penas severas para personagens secundários. Outro equívoco é a não aplicação de causas de aumento para situações em que a corrupção provocou resultados práticos. Esse pente-fino tem por objetivo proteger o acórdão do processo dos recursos que serão movidos pelos advogados dos condenados e pode resultar na mudança de penas. A revisão exigirá sessão extra e deve atrasar ainda mais o fim do julgamento. Ontem, o ex-ministro José Dirceu e outros quatro condenados entregaram seus passaportes no STF, em cumprimento a determinação do relator, Joaquim Barbosa.

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sexta-feira, novembro 09, 2012

Arte das ruas


Coluna do Celsinho

Diaféria

Celso de Almeida Jr.

Não sei o motivo.

Veio à cabeça o nome do Lourenço Carlos Diaféria, falecido lá em 2008.

Talvez, tenha sido o fim do Jornal da Tarde, decretado neste 31 de outubro passado.

Décadas atrás eu procurava os textos dele no JT.

Contista, cronista; seu estilo sempre me agradou.

Sobre crônicas, pincei algumas frases suas:

"O cronista precisa fingir que faz crônicas por divertimento e que trabalha por não ter o que fazer."

"No jornal, a crônica é o intervalo do grande espetáculo. Não resolve nada."

"Crônica só serve para dar um tempo de o sujeito ir lá fora, comprar amendoim, tomar café, espreguiçar-se. Talvez até seja uma inutilidade."

Diaféria foi preso no final dos anos 70, época do regime militar.

Foi enquadrado na lei de segurança nacional pelo seguinte trecho de "Herói. Morto. Nós", publicado na Folha de São Paulo:

"O Duque de Caxias é um homem a cavalo reduzido a uma estátua...O povo urina nos heróis de pedestal."

Lourenço Diaféria viveu intensamente ligado a cidade de São Paulo, onde nasceu em 1933, no bairro do Brás.

Uma definição sua traduz bem a capital paulista e seu entorno:

"Megalópole é o mesmo que um x-tudo de pedra, aço, cimento e vidro com bastante mostarda e ketchup.”

Saudade do Diaféria.

Taí...descobri!!

Saudade da paulicéia.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

Os 'barracos' no STF

O Estado de S.Paulo
Na véspera da retomada do julgamento do mensalão, na quarta-feira, o relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, participava de um congresso de juristas, em Aracaju, quando foi perguntado sobre a sua popularidade, traduzida em cumprimentos, fotos e pedidos de autógrafos, por onde quer que passe. "Há uma identificação cada vez maior da população com as questões jurídico-institucionais tratadas pelo Supremo", comentou. "Esse julgamento trouxe o tribunal para dentro das famílias, e o que vem acontecendo no plano pessoal é consequência disso." A elegância e a modéstia destas suas palavras, no entanto, são tudo que lhe tem faltado no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), que completou ontem 44 sessões, enredado na questão dos critérios para a fixação das penas dos réus condenados por uma variedade de delitos.

As divergências a respeito estimularam Barbosa a reincidir no comportamento que vem caracterizando a sua participação no exame da mais importante ação penal da história da Casa. Desde as primeiras manifestações de inconformismo com o parecer do revisor da matéria, ministro Ricardo Lewandowski, a sua atuação destoa do que se espera de um membro da mais alta Corte de Justiça do País, ainda mais quando os seus trabalhos podem ser acompanhados ao vivo por todos quantos por eles se interessem. Em vez da serenidade - que de modo algum exclui a defesa viva e robusta de posições, bem assim a contestação até exuberante dos argumentos contrários -, o ministro como que se esmera em levar "para dentro das famílias" um espetáculo de nervos à flor da pele, intolerância e desqualificação dos colegas.

Um integrante do STF não pode reagir com um sorriso depreciativo à exposição de um ponto de vista de um de seus pares, por discrepar de suas convicções sobre a questão da hora. Foi o que se passou anteontem quando o ministro Marco Aurélio Mello defendia uma interpretação antagônica à do relator - e mais benigna para os réus - sobre crimes e penas. O desdém estampado na face do relator fez o colega adverti-lo: "Não sorria porque a coisa é muito séria. Estamos no Supremo. O deboche não cabe aqui". Barbosa retrucou dizendo saber aonde o outro queria chegar, para ouvir em seguida: "Não admito que Vossa Excelência suponha que todos aqui sejam salafrários e só Vossa Excelência seja uma vestal". Decerto ele não supõe nada parecido com isso, mas é a impressão que transmite, principalmente para aquela parcela do público que assiste pela primeira vez a um julgamento no Supremo.

Seria deplorável se também isso estivesse na raiz da súbita notoriedade de Barbosa - para a qual hão de ter contribuído a sua condição de negro e o seu manifesto desconforto físico provocado por um crônico problema na coluna. O relator merece aplausos, isso sim, pelo desassombro, coerência e conhecimento de causa com que evidenciou os delitos cometidos pela quadrilha do mensalão, entre eles o "sujeito oculto" do esquema corruptor armado em favor do governo Lula, o seu então braço direito José Dirceu. É de louvar igualmente a sua clareza ao apontar a gravidade incomum dos crimes praticados - por serem o que eram os réus e pelo efeito corrosivo de seus atos para as instituições políticas e a ordem democrática nacional. Mas ele deveria ser o último a dar azo a que os brasileiros confundam rigor com desrespeito pela opinião alheia. Nenhum juiz pode insinuar, como fez, que um colega se equipara aos advogados de defesa dos mensaleiros.

O estilo, digamos assim, do relator deve preocupar por outra razão ainda. A partir do próximo dia 18, quando o presidente do STF, Carlos Ayres Britto, deixar o cargo e a Corte por ter completado 70 anos, Barbosa o substituirá por um biênio. E de forma alguma é descabido perguntar se ele sabe que terá de domar o seu temperamento para conduzir o tribunal com a paciência e o comedimento demonstrados por Ayres Britto - duramente testados, aliás, nos "barracos" que teve de acalmar no curso deste julgamento. O presidente do tribunal incumbido de dar a última palavra também em demandas que envolvem a conduta alheia deve ser o primeiro a vigiar o próprio comportamento.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 09 / 11 / 2012

Folha de São Paulo
"Transição chinesa - Líder chinês afirma que corrupção ameaça país" 

Prestes a deixar o poder, Hu Jintao diz que desvios podem levar China a colapso

Na abertura do congresso do Partido Comunista, que mudará a estrutura de comando da segunda maior potência mundial, o líder Hu Jintao, à frente do partido há dez anos, surpreendeu com um discurso duro de combate à corrupção. A 2.300 delegados Hu disse que a corrupção pode levar o país ao colapso e exortou os membros do governo a educar e controlar as atividades de suas famílias. “Se falharmos em lidar bem com a corrupção, ela poderá se tornar fatal para o partido e até mesmo provocar o seu colapso e a queda do Estado”, afirmou. Em crise, o PC expulsou o dirigente Bo Xilai. Além disso, reportagens mostraram que a família do futuro líder, Xi Jinping, acumulou milhões de dólares. 

O Estado de São Paulo
"Republicanos admitem ceder por pacto fiscal nos EUA" 

Após aceno de Obama, presidente da Câmara não descarta aceitar aumento de impostos para reduzir déficit

Dois dias após a reeleição de Barack Obama, a Casa Branca e os republicanos deram os passos iniciais para negociações envolvendo o abismo fiscal, termo usado para designar o risco de impasse no Congresso sobre cortes de gastos e o fim de isenções, que devem retirar US$ 600 bilhões da economia. Ontem, a administração Obama e membros do Partido Democrata reagiram com otimismo à declaração do presidente da Câmara dos Deputados, o republicano John Boehner, que na quarta-feira defendeu o diálogo entre os dois lados em busca de um ponto de equilíbrio. Boehner admitiu aumento nos impostos, embora sem detalhar quais - até então, os republicanos apoiavam a redução no déficit apenas por meio do corte nos gastos, sem elevação de tributos. Se há quatro anos a vitória de Obama foi atribuída aos jovens e negros, desta vez os hispânicos foram os fiéis da balança. O democrata obteve 71% dos votos de eleitores que se descrevem como hispânicos, ante 27% de Mitt Romney.

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quinta-feira, novembro 08, 2012

Ubatuba em Foco

Mauricio (dir), Luiz Claudio (DNIT) e os vereadores eleitos Xibiu e Bibi analisam a planta do projeto de duplicação do trecho urbano da BR 101 em Ubatuba

Em visita ao DNIT, Maurício pede que duplicação da BR comece melhorando acesso à Estufa

Saulo Gil Carvalho

O prefeito eleito de Ubatuba, Maurício Moromizato (PT), visitou nesta terça-feira a sede do Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (DNIT) no município. O assunto principal do encontro com o Coordenador local, Luiz Claudio dos Santos, foi referente à obra de duplicação da BR 101 e as construções de acessos aos bairros que margeiam a rodovia. Para Maurício, é desejo da próxima administração que os trabalhos comecem facilitando a travessia de pedestres, ciclistas e veículos entre a Estufa e a grande região Central da cidade.

“Os acidentes e os relatos que temos de moradores revelam que o cruzamento da rodovia no trecho urbano apresenta muitos problemas. Um dos locais que mais recebemos reclamações na campanha foi na Estufa e pelo que vimos no projeto já existe a previsão de dois pequenos viadutos ligando o bairro ao Centro. O que vamos pedir é que a obra seja iniciada neste trecho para que logo no começo possamos resolver um problema dos ubatubenses com a rodovia e também de acesso ao Fórum da cidade”, ressalta Maurício, garantindo que trabalhará politicamente para que os trabalhos comecem o mais rápido possível.

“Pelas informações que recebi, o projeto está bem encaminhado e vamos utilizar nossos contatos com o Governo Federal para mostrar que Ubatuba precisa e merece uma grande obra, que vai abrir a cidade, melhorar o transito interno e tornar segura a travessia de milhares de pedestres e ciclistas. Estou animado com a possibilidade e já agendamos uma reunião com o superintendente do Dnit em São Paulo para a próxima semana”, completa o prefeito eleito de Ubatuba, Mauricio.

O próximo prefeito de Ubatuba foi acompanhado na visita pelos vereadores eleitos Eraldo Todão (Xibiu) –PSDC e Bibi Índio (PT). Ambos também gostaram do projeto e ressaltaram que a obra vai valorizar e melhorar a vida de diversos bairros, inclusive do Perequê Açu e da Estufa, onde residem os futuros parlamentares ubatubenses.

Obra

A obra de duplicação da BR 101 foi idealizada pelo falecido deputado Clodovil Hernandes em 2008. No trecho entre o trevo da Praia Grande e o trevo do Perequê Açu, a previsão é de duplicação da pista, construção de duas marginais, ciclovias, seis pequenos viadutos, além de um grande complexo viário substituindo o trevo central da cidade e cruzamento com a rodovia Oswaldo Cruz (SP-125).


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Pitacos do Zé


Uma escola bem nossa

José Ronaldo dos Santos
Há bastante tempo eu não via, por dois anos seguidos, uma escola pública estadual com tantos eventos envolvendo os alunos e professores! Estou me referindo à E.E. Semíramis Prado de Oliveira, no Saco da Ribeira. Começamos o semestre com uma Festa do Folclore bem participada. Em seguida, dando prosseguimento à seleção feita nas classes no primeiro semestre, sob a batuta das professoras Luísa e Karina, a Tabuada Semíramis foi um show em todos os aspectos, sobretudo das torcidas. Parabéns ao João Pedro por mais uma vitória!

Em meados de setembro, por dois dias consecutivos, estivemos numa atividade preparada pelo pessoal do Parque Estadual da Serra do Mar (Caraguatatuba). Na semana passada os alunos, espontaneamente, comemoraram o Halloween. A equipe do Grêmio Estudantil, juntamente com o professor Benedito, fez palestra na Escola Idalina (Ipiranguinha). No dia 6/11, completando a programação do início do ano letivo, nos dois períodos aconteceu a Feira do Conhecimento, onde os alunos expuseram seus trabalhos, demonstraram suas experiências e puderam apreciar um conjunto bem interessante e repleto de conteúdo. Até a Elektro fez uma palestra maravilhosa. São comprovações de que “ a criançada” aproveitou bem os esforços dos professores, da equipe gestora e dos demais funcionários que formam um conjunto eficiente.

Eu faço questão de destacar que um conjunto eficiente sempre apresenta um bom rendimento. A coordenação não divaga em temas abstratos, e, juntamente com a direção, zela pela autonomia do projeto político pedagógico, cuida da disciplina, do bom aspecto das dependências do prédio, dos encaminhamentos cabíveis em casos especiais etc. Os alunos também percebem isso! Logo após o ENEM, os alunos comentavam entre si sobre as condições deploráveis que encontraram em outras unidades, onde fizeram as provas. Reconheceram que a disciplina da “Semíramis” faz a diferença. Certamente que, continuando nesse rumo, teremos uma safra de novos cidadãos. Em tempo: mesmo que “as autoridades” não queiram enxergar... Que venha a cidadania!

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Opinião

Vitória apertada

O Estado de S.Paulo
Uma nação bem mais dividida do que aquela que o consagrou há quatro anos manteve na Casa Branca o presidente Barack Obama, rejeitando a plataforma do candidato republicano Mitt Romney de cortes de impostos e dos gastos sociais - menos Estado, em suma -, para reanimar a economia e conter o déficit público. Mesmo a maioria dos insatisfeitos com os modestos progressos obtidos por Obama no combate à mais severa recessão desde a Grande Depressão dos anos 1930, que surgiu pouco antes de sua primeira vitória, parece ter preferido o certo ao perigoso. Grosso modo, a densidade dessa maioria variou conforme a posição dos seus membros na escala social. Quanto mais pobre, vulnerável e inseguro o eleitor que enfrentou horas de fila nos postos de votação, maior foi a sua propensão para barrar o acesso ao governo de um representante acabado do "poder do dinheiro". Não hão de ter sido poucos, a propósito, os que se sentiram pessoalmente ofendidos ao saber que Romney havia dito que 47% da população vivia à custa do governo - e foram ao revide.

Ao voto dos have not somou-se o dos hispânicos, como se designam nos EUA os habitantes de origem latino-americana, com uma presença sem paralelo na história das eleições presidenciais do país. Romney revoltou esse contingente cada vez mais ativo na vida nacional, ao lado dos asiáticos, ao defender na campanha a "autodeportação" dos imigrantes ilegais. Os números apertados da disputa na Flórida deixaram patente a repulsa dos latinos à ameaça a muitos dos seus - nesse país construído por forasteiros e em plena aceleração da diversidade demográfica. Além disso, parte ponderável do eleitorado feminino bisou o apoio dado a Obama em 2008, enquanto aumentou o apoio da sociedade à nova agenda de liberdades civis, a que os conservadores têm horror, com o casamento gay, o direito ao aborto que procuram bloquear, a separação entre ciência e religião, e desta do Estado. A coalizão social obamista incluiu ainda os muitos para os quais a nova lei da saúde, que os republicanos pretendiam derrogar, representa um avanço histórico - o que, de fato, é.

Com tantos eleitores com tantos motivos para reeleger o presidente, apesar do desmanche do seu mito, era de esperar, talvez, que ele tivesse nas urnas um desempenho, se não à altura do pleito anterior, pelo menos que não o apequenasse. Não foi o que aconteceu: o conservantismo é uma força na América profunda. Embora não se saiba quando serão conhecidos - e pacificados - os números finais da disputa direta pela Casa Branca, tudo indica que Obama terá sobre Romney uma vantagem nitidamente mais modesta do que os 7 pontos porcentuais com que deixou John McCain para trás em 2008. Em votos, a diferença foi de 9,5 milhões, em 130 milhões depositados. Já agora, na média das últimas pesquisas antes do 6 de novembro, Obama vencia por menos de 1 ponto. As projeções de ontem, apresentadas com compreensível cautela, sugeriam que a vantagem poderá alcançar 2,5 pontos, mas dificilmente irá além. Obama saiu-se um tanto melhor do que o oponente em quase todos os Estados-pêndulo, disputados voto a voto. Foi o que bastou, nesse restritivo modelo eleitoral, para ele conquistar a maioria dos 538 delegados que, afinal, escolhem o presidente.

De qualquer modo, Obama não voltará a ter os 365 "votos eleitorais" de 2008, ao passo que Romney superará os 173 de McCain. E, como se previa, os republicanos mantiveram na Câmara dos Representantes a maioria tomada aos democratas nas eleições de meio de mandato de 2010; em compensação, estes consolidaram o seu domínio no Senado. O que interessa é que os republicanos parecem tão refratários ao diálogo com Obama como estiveram ao longo do período presidencial que, rancorosamente, se empenharam em manietar. A vantagem de Obama, a curto prazo, é ser esse um Congresso em fim de mandato. É improvável que a atual oposição se negue a um acordo que impeça os EUA de cair no "abismo fiscal". É o que ocorrerá se não for desativado a tempo o pacote de US$ 600 bilhões em cortes de gastos e aumento de impostos, a entrar em vigor em janeiro. A partir daí Obama terá de provar, como disse, já reeleito, que "o melhor ainda está por vir".

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 08 / 11 / 2012

Folha de São Paulo
"Após vitória apertada, Obama adota discurso de conciliação" 

Cai de 53% para 50% o voto popular no democrata; Mulheres e hispânicos ajudam a derrotar republicano Mitt Romney; Coalizão menor dificultará aprovação de projetos

Barack Hussein Obama, 51, reeleito presidente dos EUA, terá um segundo mandato com mais problemas pela frente, informa Raul Juste Lores, enviado a Boston. Um deles será o chamado abismo fiscal, o corte de US$ 600 bilhões nos gastos públicos, que deve abalar a recuperação da economia. Obama quer elevar os impostos dos mais ricos, mas enfrentará oposição do Partido Republicano do candidato derrotado Mitt Romney. O democrata apelou para a conciliação no discurso da vitória, relata Luciana Coelho, de Chicago. Ele foi reeleito por uma coalizão mais magra do que em 2008. Os 365 delegados conquistados na eleição passada passaram para 332 — se incluídos os 29 da Flórida, com apuração em andamento. Mulheres, latinos e negros ajudaram na reeleição, mas com margens menores que em 2008. 

O Estado de São Paulo
"Congresso dividido faz Obama propor união a republicanos" 

A falta de acordo com a oposição sobre ajuste fiscal pode levar os EUA à suspensão do pagamento de despesas

Pressionado pelo passivo de promessas de 2008 não cumpridas e com o Congresso dividido, o presidente americano, Barack Obama, chamou os opositores republicanos para diálogo. E o primeiro teste de conciliação ocorrerá antes mesmo da posse no segundo mandato, em 20 de janeiro. Sem acordo com a maioria opositora na Câmara, o impasse em torno do ajuste nas contas públicas poderá levar o país à suspensão dos pagamentos de despesas correntes e da dívida federal já em 1º de janeiro. Os desafios do democrata continuam os mesmos do primeiro mandato: criar empregos, equilibrar o orçamento e equacionar o déficit público. A reeleição de Obama agrada ao governo brasileiro, que tem maior apreço pelo governo democrata.

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quarta-feira, novembro 07, 2012

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Opinião

Não há recursos para as cotas

O Estado de S.Paulo
Quando o governo divulgou o decreto e a portaria que regulamentam a Lei de Cotas, que reserva 50% das vagas em universidades federais a estudantes oriundos da rede pública de ensino médio e a estudantes pobres, pretos, pardos e indígenas, alguns reitores reclamaram que não dispunham de recursos suficientes para custear as aulas de reforço, oferecer cursos de nivelamento e oferecer moradia e alimentação para os cotistas.

O mais veemente foi o reitor Roberto Salles, da Universidade Federal Fluminense. Ele reclamou da insuficiência de verbas do Programa Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes) e afirmou que, se o governo não garantir auxílio financeiro, muitos cotistas não conseguirão concluir os cursos. Só o aumento das verbas evitará evasões, afirmou. "O problema é dramático. Precisamos fazer com que o estudante continue na universidade e se forme", diz a pró-reitora de graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Angela Rocha.

Em resposta, o Ministério da Educação (MEC) divulgou nota afirmando que os recursos do Pnaes quadruplicaram, entre 2008 e 2012, e informando que o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) "viabilizou" a construção de moradias e restaurantes universitários nas instituições mantidas pela União.

Duas semanas depois do início dessa polêmica, os integrantes do Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assuntos Comunitários e Estudantis (Fonaprace) fizeram as contas e divulgaram o volume de recursos de que precisam para implementar a Lei de Cotas, como quer o Palácio do Planalto. Segundo eles, as universidades federais precisarão de pelo menos R$ 2 bilhões para arcar com os gastos de transporte, alimentação, moradia e assistência pedagógica dos cotistas que ingressarão em 2013.

Esse valor é quase quatro vezes superior aos recursos previstos para o Pnaes para o próximo ano. "Os recursos atuais de assistência estudantil são insuficientes. Não conseguimos atender à demanda de 44% dos estudantes das universidades federais que são das classes C, D e E", afirma o coordenador do Fonaprace, Ronaldo Barros. "Questões sobre bolsas, transporte, residência estudantil e necessidades de novos restaurantes universitários têm impacto nas contas da universidade", diz o pró-reitor de graduação da Universidade Federal do Ceará. Isso mostra que eram os reitores - e não os burocratas do MEC - que estavam com a razão, na polêmica em torno das verbas necessárias para a implantação da Lei de Cotas.

Nos debates do Fonaprace, o reitor da Universidade Federal do Ceará fez uma observação importante. Segundo ele, quando as autoridades educacionais começaram a pressionar os dirigentes das universidades federais para implantar a Lei de Cotas já no vestibular de 2013, alguns reitores reagiram com sensatez, afirmando que essa lei foi sancionada pela presidente Dilma depois de definido o orçamento do Pnaes para o próximo ano. Apesar da advertência, dizem os pró-reitores de assuntos comunitários, o Palácio do Planalto continuou exigindo a implantação da Lei de Cotas nos próximos vestibulares, ao mesmo tempo que continuou garantindo que as verbas do Pnaes serão suficientes para atender às necessidades das universidades.

Professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo e especialista em gestão e avaliação educacional, Ocimar Munhoz Alavarse lançou um alerta após a divulgação dos cálculos do Fonaprace sobre o montante de recursos de que as instituições federais de ensino superior necessitam para implantar a Lei de Cotas. "A cada ano teremos um contingente maior de alunos cotistas, o que pode tornar complexo esse problema de assistência estudantil, que não vem de hoje."

Nos três últimos anos, os vestibulares das universidades federais foram prejudicados pelas trapalhadas no Enem. Agora, o processo seletivo será prejudicado pela pressa com que o governo, pensando nas eleições municipais, quis aplicar uma lei demagógica. É desse modo que a educação tem sido gerida.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 07 / 11 / 2012

Folha de São Paulo
"Eleição americana - Obama é reeleito" 

Apesar de crise econômica, presidente vence disputa com Romney voto a voto * Democrata sai com menos poder que em 2008 * Republicanos obtém maioria na Câmara, mas perdem no Senado

Luciana Coelho - Enviada especial a Chicago
O democrata Barack Obama, 51, foi reeleito presidente dos Estados Unidos, segundo projeções de redes de TVs. Às 2h30, ele havia conquistado 274 votos no colégio eleitoral que escol hei á o presidente contra 201 do republicano Mitt Romney, 65. A eleição é indireta. Para vencei são necessários 270 votos dos delegados. Obama foi reeleito apesar da crise econômica que eclodiu em 2008, uma das mais graves da história americana. A recessão elevou o desemprego a taxas acima de 10%, e muitos americanos perderam suas casas. Foi uma vitória mais modesta do que a de 2008, quando Obama foi eleito o primeiro presidente negro dos EUA. Naquela disputa, seu adversário, John McCain, obteve 173 delegados. Na votação popular, Romney obtinha 50% dos votos contra 49% de Obama. Em Estados como Flórida e Ohio, a apuração foi dramática, com os candidatos se alternando na dianteira, com vantagem inferior a 0,5%. Na Flórida, pode haver recontagem de votos, como ocorreu em 2000. Os republicanos vão manter o domínio sobre a Câmara, e os democratas controlarão o Senado. 


O Estado de São Paulo
"São Paulo descarta Exército e inicia transferência de presos" 

Líder do PCC será levado para presídio federal; União e Estado decidem criar agência contra crime organizado

O governo do Estado descartou o uso do Exército e da Força Nacional para combater a onda de violência em São Paulo, mas já iniciou a transferência de presos ligados ao PCC para presídios federais, com a ida de “Piauí”, um dos chefes da facção, para Porto Velho até amanhã. A medida, oficializada ontem na primeira reunião entre os governos federal e estadual, é a única de aplicação imediata. As outras ações antiviolência terão efeito a médio prazo, caso da agência para integrar as inteligências da Polícia Federal e da estadual. Foram acertadas ainda medidas para bloquear as rotas de entrada de drogas e armas no Estado, parcerias contra o crack e para o aprimoramento da polícia científica, e a criação de um centro de comando integrado. “Juntos, governo estadual e federal são mais fortes do que o crime organizado”, disse o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

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terça-feira, novembro 06, 2012

Pitacos do Zé


E por falar em civilidade... (XXVI)

José Ronaldo dos Santos
A fotografia mostra o trabalho realizado há pouco tempo no Rio Tavares, na ponte que da rodovia (BR 101). Trata-se da limpeza dos aguapés, do lixo que foi se encostando por ali, e, do desassoreamento (retirada da areia acumulada).

O assoreamento é, em parte, natural porque a erosão acontece desde o ponto mais elevado da Serra do Mar. Aos poucos tudo vai descendo. Deste jeito se formaram pelos milênios as nossas planícies.

Hoje, quem reparar no mesmo ponto onde registrei a imagem, notará que a areia já ocupou novamente a calha do rio. Uma ação lógica seria alguma secretária municipal, em conjunto com o órgão federal que cuida dos recursos minerais, agilizar um processo que resolva, no mínimo, dois problemas: liberar o rio para melhor escoamento das águas e empregar os pequenos areeiros. Note bem: os pequenos! (Friso isto porque não duvido que “o mundo está cheio de sem noção” com máquinas, caminhões e influências corruptíveis na esfera do governo municipal).

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Opinião

Por que torcer por Obama

O Estado de S.Paulo
É claro que nem tudo que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil, ao contrário do que pensava o primeiro embaixador do País em Washington, sob o regime militar, Juracy Magalhães. Mas será bom para o Brasil - e para o mundo - se os americanos reelegerem hoje o presidente democrata Barack Obama. Quanto mais não seja porque a alternativa - a ida à Casa Branca do candidato republicano Mitt Romney - dificilmente deixará de empurrar os EUA a um retrocesso econômico que será sentido nos quatro cantos do globo. Sem falar no ressurgimento do militarismo na política externa, o que se pode antecipar dado o primarismo das posições do desafiante em relações internacionais e a sua dependência dos mesmos gurus neoconservadores que atiçaram George W. Bush para a aventura da guerra no Iraque. Uma vitória de Romney de certo será saudada por Israel como o sinal verde de Washington para deter, à bomba, o programa nuclear iraniano.

O ex-governador de Massachusetts, onde implantou a reforma do sistema de saúde que inspirou a de Obama, apresentou-se como moderado às prévias da legenda, apenas para guinar à direita, onde se aglomeravam todos os seus rivais, quando, com espantoso atraso, descobriu a pólvora: o fim do centrismo na vida partidária. A radicalização republicana começou com a chamada revolução conservadora de 1968 e foi levada literalmente ao extremo com a hegemonia conquistada pelo movimento Tea Party, com seu horror ao Estado e às políticas sociais, aliado aos ultramontanos religiosos que abominam a extensão dos direitos civis aos homossexuais e pregam a revogação do direito ao aborto. Passando a fazer coro com os pregadores do privatismo, da tributação leniente com os mais ricos e da amputação do gasto público, Romney invocou ainda a experiência administrativa e a condição de empresário bem-sucedido do setor financeiro para arrebatar a candidatura.

Indicado, tratou de abrandar a sua defesa de uma política econômica darwinista que, levada à prática, mergulhará os EUA numa crise talvez ainda pior do que a de 2008. Mas o verdadeiro Romney se deu a conhecer em um reservado jantar de arrecadação de fundos a US$ 50 mil por cabeça, ainda em maio. Ali confessou que não se importava com 47% dos concidadãos que, segundo ele, não pagam Imposto de Renda e vivem do Estado.

De seu lado, o Obama da Casa Branca pouco conserva do candidato que galvanizou a América e o mundo com sua trajetória, carisma e visão de mudança. Na realidade, Washington é que mudou Obama - e não o contrário. Ainda assim ele vem resgatando o país da recessão. Embora a taxa de desemprego continue a flertar com a marca de 8%, a economia nacional começou a se recuperar já no quinto mês da administração democrata e, desde então, só não cresceu mais do que a alemã, entre os país ricos.

Obama é criticado por não ter feito mais. Como se fosse pouco implementar um pacote de estímulo econômico da ordem de US$ 830 bilhões, prevenir o desmanche da indústria automobilística, criar e conservar 2,5 milhões de postos de trabalho, reduzir o déficit público de 13,3% para 8,7% do PIB, aprovar um histórico plano de saúde para um país com 48,6 milhões de habitantes sem seguro médico-hospitalar e acabar com a guerra no Iraque. E isso diante de uma oposição feroz a ponto de o líder republicano na Câmara dos Representantes, John Andrew Boehner, ter dito em 2010 que a prioridade absoluta da legenda era assegurar que Obama fosse presidente de um mandato só. Podia ter acrescentado, como tantos de seus correligionários tentando disfarçar o racismo, que esse presidente "nasceu no Quênia", é "muçulmano enrustido", "socialista convicto" e "não compartilha dos valores americanos".

Quem prevalecerá hoje? Obama vence Romney na média das pesquisas sobre o colegiado de 538 delegados que afinal elegem os presidentes americanos. O democrata tem 201 votos firmes, ante os 191 de Romney. Os 146 duvidosos concentram-se em 11 dos 50 Estados cuja preferência varia de eleição para eleição. Naqueles, Obama está na dianteira em 9, incluindo Ohio, que desde 1964 "acerta" o vencedor. Mas as diferenças são estreitas - e, em muitas partes, os republicanos devem jogar bruto na boca de urna.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 06 / 11 / 2012

Folha de São Paulo
"Futuro dos EUA está nas mãos de 8 Estados indecisos" 

Pesquisas de opinião mostram democrata Barack Obama e republicano Mitt Romney empatados no dia da eleição

O democrata Barack Hussein Obama II, 51, e o republicano Willard Mitt Romney, 65, chegam ao dia da eleição presidencial dos EUA tecnicamente empatados, segundo as pesquisas. No sistema americano, porém, são delegados nomeados pelos Estados que decidem quem chega à Casa Branca — o vencedor não é necessariamente quem tem mais votos da população. Por isso, os candidatos se concentraram em oito Estados ainda indecisos. Os outros 42 Estados tendem para um lado ou para o outro, como Nova York (tradicionalmente democrata) e Texas (republicano). O medo de uma apuração confusa, como ocorreu em 2000, é grande nesses locais em que a votação promete ser apertada.

O Estado de São Paulo
"Pesquisa dá ligeira vantagem a Obama" 

Em busca do segundo mandato, democrata é favorito para vencer as eleições de hoje nos EUA na disputa com o republicano Mitt Romney

O presidente Barack Obama é o favorito para vencer as eleições de hoje nos EUA na disputa com Mitt Romney. A vantagem do democrata está no Colégio Eleitoral, onde seu caminho para alcançar a metade dos 538 delegados tem menos obstáculos que o do republicano. De acordo com a média das pesquisas calculada pelo site Real Clear Politics, Obama tem 48,5% das intenções de voto e Romney, 48,1% - ou seja, dentro da margem de erro. Nos EUA, o presidente é eleito no Colégio Eleitoral. Ao vencer em um Estado, o candidato leva todos os seus delegados. Obama será julgado pelo eleitorado pelos resultados de sua política econômica e pelo grau de confiança que conseguiu atrair. Hoje também ocorrem as eleições legislativas. Toda a Câmara e um terço do Senado serão renovados.

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segunda-feira, novembro 05, 2012

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Opinião

O custo da infraestrutura ruim

O Estado de S.Paulo
O Brasil paga muito caro pelas deficiências da infraestrutura de transportes. A mais recente pesquisa da Fundação Dom Cabral sobre o tema mostra que, se o sistema brasileiro de transportes e logística tivesse a eficiência do sistema dos Estados Unidos - país tomado como comparação por causa de suas dimensões, comparáveis às do Brasil -, as empresas economizariam R$ 83,2 bilhões por ano. O valor corresponde, por exemplo, ao orçamento anual do Ministério da Saúde.

A instituição responsável pela pesquisa ouviu 126 grandes empresas, responsáveis por cerca de 20% do PIB brasileiro, e constatou que, enquanto o custo logístico nos EUA se limita a 8% do PIB, no Brasil chega a 12% de tudo o que se produz. Obviamente, esse gasto adicional retira competitividade da economia brasileira, além de retardar o crescimento, pois reduz a capacidade de investimento das empresas.

As perdas impostas às empresas brasileiras pela ineficiência do sistema de transportes e de logística mostram a urgência da execução do plano para o setor, anunciado em agosto pelo governo. O crescimento sustentável, admitiu o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, em entrevista à revista Conjuntura Econômica, exige uma infraestrutura maior, mais moderna, conjugada a um sistema de logística eficiente. É preciso que, conhecido o problema, o governo passe à ação, e aja com a eficácia exigida pelas necessidades do País. E elas são muitas.

Estradas ruins, malha ferroviária insuficiente, baixa competitividade no setor e custos operacionais elevados em portos, entre outros fatores, exigem que as empresas gastem com logística 13% de sua receita, contra 7,5% gastos pelas empresas americanas. Alguns setores são mais prejudicados que outros e gastam bem mais, como a indústria de bens de capital (gastos de 22,7% da receita com logística), construção (20,9%) e mineração (14,6%).

Há uma grande diferença no uso das diversas modalidades de transportes no Brasil e nos Estados Unidos. Aqui, é destacada a predominância das rodovias, por onde trafegam praticamente dois terços de toda a carga movimentada no País. Nos EUA, as rodovias respondem por 38% da matriz de transportes. As ferrovias respondem por 19,5% da carga transportada no Brasil, índice que, nos EUA, chega a 28,7%. A parcela do transporte aquaviário é parecida nos dois países. A maior diferença surge no transporte por dutos, que, no Brasil, responde por 3,5% da matriz de transportes e, nos EUA, por 21,5%.

A má situação das estradas - retratada no número de acidentes e nas pesquisas feitas anualmente pela Confederação Nacional do Transporte ao longo de quase 100 mil quilômetros de rodovias - eleva os custos de manutenção da frota de caminhões e, assim, do custo do transporte, sobretudo o de longa distância, item que mais pesa nas despesas operacionais das empresas. As empresas não se queixam de pagar pedágios, desde que a rodovia esteja em bom estado.

Em seguida, as empresas apontam os custos de armazenagem como item importante de suas despesas de transportes e logística. Além do transporte de longa distância, as empresas mencionam como outro grande fator de aumento de custos os problemas de distribuição de seus produtos nos centros urbanos, decorrentes das restrições impostas pelas autoridades municipais das áreas de trânsito e de preservação ambiental.

"Da porteira para dentro, a indústria se moderniza e investe", ressalvou o coordenador do Núcleo de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral, Paulo Rezende. "Na hora que vai transportar, muitos ganhos são perdidos." Quando conseguem, as empresas repassam os custos adicionais para os consumidores; caso contrário, são obrigadas a absorvê-los, o que dificulta a modernização e a expansão de suas atividades.

A solução apontada pelas empresas é conhecida: expandir a oferta de serviços mais baratos, o que significa ampliação da malha ferroviária, permitir maior integração de diferentes meios de transportes e aumentar a concorrência, para reduzir custos. A disposição do governo de abrir mais espaço para o investimento privado no setor é um bom sinal.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 05 / 11 / 2012

Folha de São Paulo
"STF ordena que ação de Valério no BC seja apurada" 

Operador do mensalão é suspeito de tráfico de influência em favor de bancos

O ministro do STF Joaquim Barbosa ordenou a abertura de inquérito para apurar se Marcos Valério fez tráfico de influência no Banco Central em favor dos bancos Rural e Econômico. Segundo a PF, o operador do mensalão tentou influir no processo de socorro financeiro do Econômico e do Mercantil, que pertence ao Rural. Valério e os bancos negam irregularidades. O empresário tem ameaçado fazer novas revelações sobre o escândalo e outros casos. Para ministros, ele tenta reduzir suas penas. As punições podem se agravar com investigações desmembradas que venham a resultar em novas ações como no caso do suposto tráfico de influência.

O Estado de São Paulo
"STF avalia dar penas mais leves para Valério" 

Depoimentos do mineiro e de Jefferson ajudaram condenações no mensalão; julgamento volta na 4ª

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) já debatem uma possível redução da pena do empresário Marcos Valério e do deputado Roberto Jefferson por suas contribuições às investigações que resultaram na condenação dos acusados de integrar o esquema do mensalão. A decisão não tem relação com o depoimento prestado espontaneamente por Valério à Procuradoria-Geral da República em setembro. Valério entregou ao Ministério Público Federal, durante o processo, uma lista de beneficiários dos pagamentos do mensalão e Jefferson foi quem trouxe a público o esquema em 2005. A pena imposta a Valério supera 40 anos pelos crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, evasão de divisas, corrupção ativa e peculato. Mas um integrante do tribunal admite que a Corte pode reduzir "drasticamente" a pena quando esse assunto for discutido. O tribunal retoma o cálculo das penas na quarta-feira sem ter uma definição do critério a ser utilizado. A expectativa de alguns ministros é de que o julgamento se encerre em quatro sessões. Nesse caso, o presidente do STF, Carlos Ayres Brito, participaria até o final e se aposentaria em seguida. Ele completa 70 anos no dia 18 e compulsoriamente deixará a Corte.

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