sábado, outubro 27, 2012

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Opinião

Por que as estradas pioram

O Estado de S.Paulo
Temida pelos usuários por causa de suas graves deficiências de conservação, traçado e sinalização, que a tornam cada vez menos segura e elevam os custos dos transportes, a malha rodoviária brasileira está ficando cada vez pior. Depois de apresentar pequenas melhorias na década passada, o estado geral das estradas de todo o País vem se deteriorando desde 2010. Quase dois terços (ou 62,7%) da extensão de 95,7 mil quilômetros de rodovias percorridos recentemente pelas equipes da Confederação Nacional do Transporte (CNT) foram considerados em estado regular, ruim ou péssimo. Na pesquisa de 2011, 57,3% da malha foi considerada em mau estado.

A CNT estima que a modernização da infraestrutura rodoviária do País, com obras de construção, duplicação, pavimentação e outras, exige investimentos de R$ 177,5 bilhões. O governo tem anunciado investimentos anuais no setor que, somados aos previstos pelas empresas que operam e mantêm as estradas concedidas ao setor privado, permitiriam atingir esse volume em prazo relativamente curto. Mas, em razão de seu péssimo desempenho gerencial, o governo do PT não tem conseguido utilizar os recursos previstos no Orçamento da União.

O resultado da pesquisa rodoviária da CNT mostra claramente que, no que se refere à infraestrutura de transportes, as seguidas promessas do governo Dilma de dar prioridade à execução do PAC para estimular a atividade econômica não estão sendo cumpridas inteiramente, ou talvez nem estejam saindo do papel.

As denúncias de sérias irregularidades nos seus contratos, que levaram à substituição de sua direção, paralisaram o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no ano passado, o que reduziu o volume de obras sob sua responsabilidade. É possível que parte da deterioração da malha federal (que representa 68% do total pesquisado pela CNT) se deva à crise política e administrativa do Dnit. O que mais preocupa é que dados recentes da execução financeira mostram que o governo não conseguiu superar suas dificuldades para aplicar o dinheiro previsto.

Do total de R$ 13,627 bilhões que deveriam ser aplicados ao longo de 2012, até o início de outubro o governo tinha aplicado apenas R$ 6,581 bilhões, ou 48,3%, de acordo com cálculos da coordenação da área de infraestrutura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgados pelo jornal Valor (25/10). Se nos últimos meses do ano se repetir a média histórica de desembolsos para obras rodoviárias, o valor investido em 2012 corresponderá a apenas 57,9% do total.

Mas o que torna ainda pior a execução financeira é o fato de que, do total que deverá ser aplicado neste ano, nada menos do que 70% deverão corresponder a restos a pagar, isto é, a compromissos assumidos em exercícios anteriores e ainda não quitados. Apenas 30% de uma fatia de 57,9% dos recursos orçados corresponderão a obras novas. Isso dá menos de um quinto do orçamento para o setor.

Não é à toa, pois, que a malha rodoviária brasileira está piorando. Os problemas não se referem apenas à pavimentação e sinalização. Na análise da situação das estradas, a CNT leva em conta o traçado, o número de pistas, a disponibilidade de faixa adicional em subidas e as condições do acostamento. Também por esses critérios de avaliação as estradas são ruins.

Há uma notória diferença de qualidade média das rodovias que tiveram sua operação e manutenção concedidas a empresas privadas. Enquanto na malha de responsabilidade do setor público (estradas federais ou estaduais) o índice ótimo e bom é de 27,8% (em 2011, era de 33,8%), nas estradas concedidas ele sobe para 86,7% (praticamente o mesmo índice de 2011, de 86,9%).

Por ser ideologicamente resistente à privatização, o governo do PT impede o aumento dos investimentos no setor e sua melhoria. Além disso, estende os maus métodos administrativos para outras modalidades de transportes. Em ferrovias, até agora investiu apenas 26,9% do previsto para todo o ano; em hidrovias, 37,8%. É uma incompetência que pesa no custo Brasil.

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Manchetes do dia

Sábado, 27 / 10 / 2012

Folha de São Paulo
"Novo apagão atinge 11 estados"

Repetição de blecautes ‘não é normal’, afirma ministro; curto-circuito deixa Nordeste e parte do Norte sem luz por 4 h

Os nove Estados do Nordeste, além de parte do Pará e do Tocantins, no Norte, ficaram ao menos quatro horas sem energia elétrica na madrugada em razão de curto-circuito ocorrido na subestação de Colinas (TO). É o quarto apagão no país em 35 dias e o segundo de grande porte no Nordeste. Cidades inteiras ficaram sem água, e hospitais funcionaram à meia-luz - houve calote em restaurantes, incêndios e assaltos. Não foi divulgado o número de pessoas afetadas. Para o ministro interino Márcio Zimmermann (Minas e Energia), o risco de ocorrerem apagões seguidos é “praticamente zero”. “Eventos como esses não são normais e a coincidência é mais anormal ainda”, disse. O Operador Nacional do Sistema descarta a hipótese de sabotagem e afirma que o mecanismo de proteção do sistema falhou. A Cemig, responsável pela subestação, não se manifestou.

O Estado de São Paulo
"Governo admite falha e não sabe motivo de novo apagão"

Falta de luz atingiu 11 Estados do Norte e Nordeste; é o terceiro caso de grandes proporções em 5 semanas

O governo admitiu que o sistema elétrico no País é falho e que ainda não sabe o que causou o problema em uma linha de transmissão entre Tocantins e Maranhão, deixando às escuras 11 Estados do Norte e do Nordeste, por 4 horas, na madrugada de ontem. Este é o terceiro' apagão de grandes proporções provocado por problemas técnicos registrado em pouco mais de um mês. O ministro interino de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, descartou a hipótese de sabotagem e prometeu fazer uma investigação a fim de identificar os gargalos do sistema. A presidente Dilma Rousseff determinou que um avião da Força Aérea levasse 12 técnicos para o local. O apagão causou transtornos em hospitais e, em alguns locais, a falta de energia provocou também o desabastecimento de água.

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sexta-feira, outubro 26, 2012

Voar é preciso...


Coluna do Celsinho

Humanidade

Celso de Almeida Jr.

Ouvi uma história engraçada numa cidade vizinha.

Um rapaz, que acabara de quebrar o braço, foi atendido num hospital com aquela frieza de praxe.

Enfermeira linha dura encaminhando os procedimentos iniciais.

Sem muita paciência, o médico responsável encarou o problema e deu solução.

Áspero, como uma lixa, recomendou ao paciente que fosse mais "esperto".

Passada uma semana, engessado, o moço acompanhou a namorada numa missão especial.

Levavam o cachorrinho de estimação, machucado, para tratamento.

Começou a reparar no atendimento ao animalzinho.

Recepcionistas lindas e carinhosas demonstravam zelo extremado.

A veterinária, muito doce, agiu com aquele cuidado digno das pessoas sensíveis.

Tratado e confortado, o bichinho saiu tranquilo, feliz.

Não teve jeito.

Por um rápido instante, o jovem preferiu a vida de cão...

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Hexágonos regulares


O foco é a cidade

Ubatuba mais habitável

Um desafio para o próximo prefeito

Pedro Tuzino
Passando a ressaca das eleições, a nova equipe de governo terá uma extensa agenda para dinamizar ou mesmo manter os projetos e as ações prioritárias para o setor da construção.

Não cabe em hipótese alguma chorar o leite derramado e tentar achar culpados, essa era uma estratégia que os ex-prefeitos utilizavam no primeiro ano de mandato a fim de acalmar as ansiedades da população, os novos prefeitos terão a sua disposição ferramentas de gestão com métodos e tecnologias eficazes que traçam diagnósticos quase que “on line” e concomitante com o advento da lei de responsabilidade fiscal, em que o gestor público tem regras rígidas de endividamento, caem por terra culpar o passado pelo presente ou futuro.

É fato que o novo gestor de Ubatuba recebe conscientemente a herança de péssimas administrações consecutivas, e que para tirar os vícios causará fortes impactos, através de um choque de gestão como numa cirurgia causará dores, isto será inevitável para garantir o mínimo de governabilidade, acredito que o novo Prefeito cumprira essa missão, pois tem o apoio popular.

Na área da habitação terá que dar continuidade aos projetos e contratos em andamento, fortalecer parcerias com o Estado e com a União, trazer o programa minha casa minha vida em parceria com a iniciativa privada (PPPs), agilizar a aprovação de projetos e minimizar o alto custo dos terrenos, elevar a oferta de habitações de interesse social com mudanças do plano diretor, incrementar a verticalização em face á escassez de terrenos, desonerar tributos e taxas municipais, evitar a formação de novos loteamentos informais, bem como regularizar as ocupações clandestinas e promover soluções para habitações em área de riscos.

Para promover o ordenamento do setor deverá estabelecer o Plano Municipal de Habitação, integrado com as politicas de mobilidade urbana, saneamento e serviços urbanos essenciais.

Para desenvolver o setor imobiliário e construção civil, em caráter de urgência agilizar o licenciamento de projetos, modernizando a legislação e processo interno com a adoção do protocolo único via digital aprazando em 07 dias as comunicações ou aprovação dos diversos atores, além disso, rever o Plano Diretor, Lei de Uso e Solo e Zoneamento.

Valorizar os funcionários municipais, incrementando e capacitando o quadro técnico das secretarias que analisam os projetos, rever a metodologia de apuração do ISS e INSS, desvinculando da concessão do habite-se, acelerar e simplificar o cadastramento dos imóveis afim de recolhimento do IPTU que hoje é extremamente burocratizada, ou seja, o óbvio facilitando o recebimento para os cofres públicos.

Criar o conselho de desenvolvimento em caráter deliberativo para questões polêmicas e grandes e médios empreendimentos sejam discutidos, através da participação popular, adotar um plano de investimento em obras de infraestrutura a médio e longo prazo, realizar licitações respeitando a publicidade e transparência assegurando a participação de empresas de todos os portes, garantindo menores preços e qualidade.

Enfim, a nova equipe deverá começar essa empreitada com força de vontade, ânimo, destreza e competência, a responsabilidade é enorme, mesmo a atual administração não permitindo o processo de transição, esse trabalho tem que começar imediatamente.

Pedro Tuzino é engenheiro civil, sanitarista, e de segurança do trabalho. 

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Opinião

Crime e castigo

O Estado de S.Paulo
Perto dos lenientes padrões penais brasileiros, no caso dos chamados crimes de colarinho branco, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de condenar o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, o operador do mensalão, a um total de 40 anos, 1 mês e 6 dias de prisão e ao pagamento de multas que somam, em valores não corrigidos, R$ 2,783 milhões, chama a atenção por seu caráter literalmente excepcional. Mas não deveria surpreender. Em primeiro lugar, porque - sempre por unanimidade - o publicitário havia sido condenado três vezes por corrupção ativa, duas vezes por peculato, uma vez por lavagem de dinheiro e uma vez por evasão de divisas. Foi ainda condenado, dessa vez por 6 votos a 4 - por formação de quadrilha (ao lado de nove outros acusados, entre eles o trio José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares). Não é pouca coisa.

Em segundo lugar, as penas são compatíveis com a enormidade dos delitos cometidos. A cada rodada do julgamento, não só o relator Joaquim Barbosa, mas ministros como Carlos Ayres Britto, presidente da Corte, o decano Celso de Mello e seus pares Cármen Lúcia e Marco Aurélio Mello revezaram-se em expor o que a singularidade do mensalão representou em termos de agressão à sociedade, à ordem republicana, ao Estado Democrático de Direito e à Constituição que os consagra. O STF, no entender de quase todos os seus integrantes, não se pronunciava apenas sobre o "conjunto probatório" que levaria à condenação por ilícitos diversos 25 dos 37 réus da Ação Penal 470. Os fatos falavam também, de forma ainda mais ensurdecedora, da fria determinação dos seus principais protagonistas de corromper o sistema político nacional, em escala sem precedentes, para promover a perpetuação do PT no poder. Impossível deixar de ouvi-los e tirar as consequências inexoráveis na esfera judicial.

Em terceiro lugar, dando a medida do cuidado da Corte em deixar claro perante a opinião pública que as penas aplicadas não constituíam uma extravagância jurídica nem um transbordamento punitivo, ministros procuraram explicar com argumentos o quanto possível ao alcance do público leigo por que estavam condenando Valério a tanto ou quanto tempo de cadeia, conforme a natureza dos seus ilícitos e as prescrições do Código Penal. Independentemente disso, as penas por corrupção ativa a que foi sentenciado o provedor do mensalão ainda poderão ser modificadas se o tribunal entender que, no caso dos seus contratos com a Câmara dos Deputados e o Banco do Brasil, não foram dois os crimes, mas a repetição de um mesmo - "continuidade delitiva", em linguagem técnica. Por fim, é certo que o empresário não mofará, como se diz, no cárcere. Nem esse é o cerne da questão.

O célebre jurista italiano Cesare Beccaria (1738-1794) ensinou que o tamanho do castigo conta menos do que a certeza da punição para coibir a reincidência do crime e a difusão de sua prática. Ainda mais quando não podem pairar dúvidas sobre a legitimidade das sentenças proferidas. O mensalão foi julgado pelo corpo da mais alta instituição do Judiciário, em sessões que podiam ser acompanhadas por todos os brasileiros, sob a égide da pluralidade e do contraditório. As desavenças entre o relator Joaquim Barbosa e o revisor Ricardo Lewandowski talvez tenham ido além do que as suas togas haverão de tolerar, mas foram eloquentes como exemplo da independência da Corte. É um escárnio, portanto, o mentor e mandante do esquema, José Dirceu, condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha - pelo que poderá pegar de 3 a 15 anos de reclusão -, declarar-se desde logo "prisioneiro político de um tribunal de exceção".

Cinicamente, quer que o vejam reencarnado no papel do líder estudantil de oposição que um regime de força baniria do País, cassando-lhe a cidadania. Quer também que se esqueça que oito dos ministros do STF foram indicados pelos presidentes petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Dirceu não vê a hora de as eleições municipais chegarem ao fim para desencadear uma campanha de descrédito do Supremo Tribunal. Faça o barulho que fizer, o processo de autodepuração da jovem democracia brasileira seguirá adiante, renovando suas forças a cada nova vitória como esta que acaba de conquistar.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 26 / 10 / 2012

Folha de São Paulo
"Dispara número de homicídios na capital paulista"

Em meio a tensão entre policiais e criminosos, registros sobem 96% em setembro em relação ao mesmo mês de 2011

Os casos de homicídios dolosos (intencionais) na cidade de São Paulo aumentaram 96% em setembro em relação ao mesmo mês de 2011. No acumulado do ano, o crescimento foi de 22%. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, no mês passado a capital teve 135 registros de homicídio, que vitimaram 144 pessoas. No mesmo mês de 2011, foram 69 casos com 71 vítimas. No Estado de SP, o aumento de homicídios foi de 27% em relação a setembro de 2011, e de 8% no ano. O latrocínio (roubo seguido de morte) também subiu. Até o último mês, foram registradas 263 ocorrências — maior número desde 2004. De acordo com especialistas, o aumento da violência é resultado do acirramento do confronto entre policiais militares e criminosos. O comandante-geral da PM, Roberval França, nega descontrole da violência na cidade.

O Estado de São Paulo
"Haddad e Serra travam guerra do transporte"

Na reta final da campanha, petista e tucano batem boca sobre ampliação de benefícios do Bilhete Único

O debate sobre transporte público em São Paulo voltou à cena na reta final da campanha pela Prefeitura. A proposta de José Serra (PSDB) de ampliar os benefícios do Bilhete Único foi chamada por Fernando Haddad (PT) de “cópia mal feita” do seu projeto de Bilhete Único Mensal. Serra classificou a reação do petista de “inveja”. O projeto do tucano, que não constava de seu plano de governo, prevê a ampliação do Bilhete Único de três para seis horas de duração e o aumento do benefício do Bilhete Amigão, que, pela proposta, valerá das 14h do sábado até a noite de domingo. O custo da medida é avaliado em R$ 500 milhões por ano. Já no projeto petista, o paulistano pagaria R$ 140 por mês para viajar quantas vezes quisesse de ônibus. O custo para a Prefeitura seria de R$ 400 milhões anuais.

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quinta-feira, outubro 25, 2012

A hora se aproxima. Cautela!


Pane!

Caiu o sistema

Sidney Borges
Na segunda-feira, 22, por volta das 21h30 caiu a conexão do Speedy. No dia seguinte, como o problema persistisse, liguei para 10315 e solicitei reparo. 

Depois de fazerem alguns testes marcaram a visita de um técnico.

Prazo: 24 h. 

Eram muitas as tarefas que me cabiam e que só poderiam ser feitas através da Internet, assim fui até a loja Vivo e comprei um modem e um chip. 

Baratinho, apenas 110 reais!

A conexão por meio desse artefato é lenta, lembra os primeiros anos da rede quando não havia banda larga.

Sem alternativa, passei 6 horas do dia de ontem em uma lan house colocando a vida em ordem. Findo o trabalho liguei novamente para a Vivo e fui informado que o prazo para a visita do técnico era de 24h e não 12h como me informaram na primeira ligação.

Paciência, esperar é preciso.

O horário programado termina às 11h30 de hoje. Não arredo pé daqui. Se o técnico não aparecer prometo ser duro.

Vou reclamar. Com o Bispo!

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Opinião

Elefante branco

O Estado de S.Paulo
As obras do maior e mais caro canal da transposição das águas do Rio São Francisco, no Eixo Norte do projeto, estão paralisadas desde julho, quando a Controladoria-Geral da União (CGU) constatou um sobrepreço de R$ 76 milhões no orçamento do trecho 6, a cargo da Delta Construções, empresa considerada inidônea e proibida por dois anos de firmar contratos com o governo federal. A empreiteira recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, enquanto não se resolve a pendência ou se realiza nova licitação, o que já foi construído está em rápido processo de deterioração. Evidentemente, se e quando as obras forem retomadas, o ônus para o Tesouro será mais pesado.

Como apurou a CGU, as planilhas de custo, que deveriam ser elaboradas pelo Ministério da Integração Nacional, responsável pelo gerenciamento e fiscalização da obra, eram preenchidas pela própria empreiteira, numa chocante inversão de papéis, antes de ser encaminhadas para aprovação. Em vista desses fatos, a CGU determinou a abertura de sindicância para apurar a responsabilidade de servidores públicos, além de revisão dos projetos e encontro de contas para cálculo dos valores pagos a mais e que deverão ser devolvidos ao Tesouro.

Na realidade, esta é uma das tantas outras obras incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que não vão para a frente, por irregularidades ou incompetência gerencial. Exaltado pelo governo do ex-presidente Lula como um projeto de redenção do semiárido nordestino, a transposição do São Francisco tornou-se um sorvedouro de recursos, sem apresentar, até agora, resultado algum. Em 2007, quando o projeto foi iniciado, prevendo a construção de dois canais, numa extensão total de 713 quilômetros - um no Eixo Leste, com 293 km, em direção a Pernambuco e à Paraíba, e outro no Eixo Norte, com 420 km, voltado para o Ceará e o Rio Grande do Norte -, as obras foram orçadas em R$ 4,5 bilhões. Hoje, o custo é estimado em R$ 8,2 bilhões e pode ser mais elevado depois de novas licitações, levando-se em conta o crescimento dos preços de mercado.

Quanto aos prazos, nunca foram realmente para valer. O Eixo Leste deveria ser entregue este ano, segundo o cronograma, mas agora o Ministério da Integração Nacional prevê a conclusão no final de 2014, ainda no mandato da presidente Dilma Rousseff, se tudo der certo. Quanto ao Eixo Norte, além de uma barragem no início da obra, o único trecho pronto é de 2 km, construídos pelo Departamento de Engenharia e Construção do Exército. Dos 14 lotes entregues a empreiteiras, as obras a cargo da Delta eram as únicas ativas até julho. A princípio, a inauguração desse Eixo mais extenso deveria ocorrer em 2015, mas os técnicos estimam que, se houver uma disposição do governo de tocar as obras, com dotações orçamentárias adequadas, as obras podem ser concluídas em 2020, com cinco anos de atraso.

Pode não ser politicamente realista uma decisão do governo de suspender a construção do Eixo Norte, por razões de economia. Mas se resolver retomá-lo, isso deverá levar tempo. Como observou a CGU, há graves deficiências nos projetos básico e executivo das obras de transposição, que terão de ser praticamente refeitos, além de falhas de fiscalização por parte do Ministério da Integração Nacional. O planejamento traçado pelo Ministério não correspondia à realidade de custo das obras, o que levou a sucessivos aditivos para alteração de preços.

Se se efetivar a transposição do Rio São Francisco, a tão longas distâncias dos pontos de consumo, os técnicos calculam que o preço da água para os lavradores ou para residentes será um dos mais altos do mundo, levando em conta os custos de operação e manutenção do sistema. Como os consumidores não terão meios para pagar uma conta mais salgada, o poder público terá de conceder subsídios, que acabarão saindo do bolso do contribuinte.

Sem exagero, a transposição de águas do Rio São Francisco tem todos os contornos de um elefante branco.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 25 / 10 / 2012

Folha de São Paulo
"Na reta final, Haddad tem 49% e Serra, 34%"

Datafolha aponta que tucano oscilou 2 pontos para cima, dentro da margem de erro

Pesquisa Datafolha para a Prefeitura de São Paulo mostra que Fernando Haddad (PT) se mantém com 49% das intenções de voto e está 15 pontos à frente de José Serra (PSDB). O tucano oscilou dois pontos para cima e agora tem 34%. O percentual de eleitores que dizem estar indecisos caiu de 9% para 6%. O de brancos e nulos soma 11%. Desconsiderados esses votos, Haddad alcança 60% e Serra, 40%. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos. Para a maioria dos entrevistados (76%), todos os candidatos que disputaram o primeiro turno deveriam estar mais preparados para enfrentar os problemas da cidade. Só 18% afirmam que eles estavam à altura do que São Paulo precisa. Na pesquisa Ibope/TV Globo/“O Estado de S. Paulo”, Haddad tem 49% e Serra, 36%. A margem de erro é de três pontos.

O Estado de São Paulo
"Haddad mantém 49% e Serra chega a 36%, aponta Ibope"

Diferença entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo caiu de 16 para 13 pontos porcentuais em uma semana

Pesquisa Ibope/Estado/TV Globo divulgada ontem mostra que o candidato José Serra (PSDB) oscilou três pontos porcentuais para cima, de 33% para 36%, e Fernando Haddad (PT) manteve 49% das intenções de voto na disputa pela Prefeitura de São Paulo. A diferença entre os dois caiu de 16 para 13 pontos em uma semana. Em votos válidos - excluídos os eleitores que pretendem votar nulo ou em branco - Haddad tem 57% e o tucano, 43%, ante 60% e 40% há uma semana. A margem de erro é de três pontos porcentuais. Nos últimos dias, Serra passou a atacar seu adversário com base no programa de governo do PT em relação ao setor de saúde. Pesquisa Datafolha, também divulgada ontem, indica que a vantagem de Haddad sobre Serra é de 15 pontos (49% a 34%) - há uma semana, era de 17 pontos. A margem de erro é dois pontos.

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segunda-feira, outubro 22, 2012

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Opinião

O descaso com a inflação

O Estado de S.Paulo
Se não retomar sua função primordial, a de perseguir a meta da inflação, o Banco Central (BC) perderá sua capacidade de instilar confiança nos agentes econômicos, o que poderá ter consequências danosas para o crescimento no longo prazo. Com palavras semelhantes a estas, ex-presidentes do BC apontam para os perigos que trazem para a economia brasileira as mudanças na política econômica, em decorrência, sobretudo, do descaso com que o governo vem avaliando as tendências da inflação.

Ao atribuir a aceleração recente da inflação a fatores externos, como a alta dos alimentos no mercado internacional, e a problemas de produção no Brasil, as autoridades da área econômica procuram justificar os estímulos que continuam a oferecer ao consumo, como a expansão do crédito a juros menores nos bancos oficiais e a redução da taxa básica de juros (Selic) pelo BC.

O problema, porém, é que, ao proceder desse modo, ao contrário de combater, o governo pode estar estimulando os fatores que impulsionam a inflação. O fato de que a alta não se concentra nos itens apontados pelo governo, mas vem se disseminando por um número cada vez maior de produtos, indica que não há um problema de oferta, mas de demanda. E as medidas tomadas nos últimos tempos pelo governo e pelo BC destinaram-se, exatamente, a estimular a demanda.

"Essas últimas reduções (da taxa Selic) estão preocupando", disse o ex-presidente do BC (1999-2002) Armínio Fraga ao jornal Folha de S.Paulo (15/10). Em sua reunião mais recente, na semana passada, o Copom voltou a reduzir a Selic, em 0,25 ponto, para 7,25% ao ano, em decisão não unânime. "Não ficou muito claro o porquê do último corte (em setembro). Mais um neste momento requer uma certa explicação", observou Fraga.

Outro ex-presidente do BC, Carlos Geraldo Langoni (1980-1983), disse à Agência Estado que, por diversificar seus objetivos, como perseguir a meta de inflação, estimular o crescimento e monitorar a taxa de câmbio, o BC teve afetada sua capacidade de gerenciar expectativas. "Eu gostaria que o BC voltasse à sua função básica, que é gerenciar a meta de inflação."

A inflação projetada pelo BC para este ano é de 5,2%. Documentos recentes do BC projetam inflação de 4,9% para 2013 e de 5,1% no período de 12 meses que terminará no terceiro trimestre de 2014. O BC, diz Fraga, precisa fazer "alguma coisa que nos leve a crer que a inflação vai convergir para a meta, que é de 4,5%; a meta não é 5,2%".

Gustavo Franco, que presidiu o BC de 1997 a 1999, admite que as noções de disciplina monetária e de autonomia dos bancos centrais "foram desarrumadas com a crise de 2008" e que "há uma perplexidade sobre qual é o novo mandato dos BCs". Mas, como disse ao Estado (14/10), "o momento é muito perigoso".

A política fiscal é expansionista, com forte crescimento dos créditos oferecidos pelo BNDES, o que tem exigido recursos adicionais do Tesouro, que, para isso, tem emitido dívida pública. Outro problema que pode ter consequências graves é a política do governo de "resolver o problema dos juros no braço", como diz Franco. Há um erro de diagnóstico do governo nessa questão, como houve quando, na década de 1980, se tentou conter a inflação por meio de tabelamento ou congelamento de preços.

"Os juros são um preço de mercado, que refletem, sobretudo, a decisão das pessoas de comprar títulos públicos", observou Franco. "Quanto mais o Tesouro se endivida, mais puxa os juros para cima." Assim, "reduzir juros deveria começar pelo aumento do superávit primário". Mas o governo "só enxerga a política fiscal como instrumento para aumentar a demanda". A continuar assim, "vamos repetir o insucesso das políticas de estabilização" (da década de 1980) - que, não custa lembrar, resultaram em índices astronômicos de inflação.

A fraca atividade econômica ajuda a conter a inflação. Mas, como advertiu Franco, "se o impulso fiscal continuar e o setor privado se animar, a inflação vai beirar o limite de tolerância do sistema de metas em seis meses". Como reagirá, então, o BC? E com que credibilidade?

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 22 / 10 / 2012

Folha de São Paulo
"TSE investiga contas de 17 partidos após fraude" 

Prestações irregulares do PP, aprovadas pelo tribunal, provocam devassa

Após constatar fraude nas contas do PP, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) investiga as prestações de 16 outros partidos para apurar se houve desvio de recursos do fundo partidário. A auditória vai de 2001 a 2009. O objetivo é apurar se o dinheiro do fundo, que só neste ano distribuirá R$ 320 milhões, foi aplicado irregularmente, ainda que as contas tenham sido aprovadas. Só no caso do PP, o desfalque chegaria a R$ 20,1 milhões. A Polícia Federal foi acionada para apurar a atuação de Wladimir Azevedo Caetano, ex-coordenador de exame de contas do tribunal, responsável pela aprovação dos casos suspeitos. No total 60 processos serão revistos. PMDB, DEM, PSDB, PDT, PSB, PTB e diversas outras siglas menores estarão sob escrutínio e disseram ignorar a investigação. Caetano não foi encontrado.

O Estado de São Paulo
"Mutirão limpa nome e tenta animar vendas de Natal" 

Lojas e bancos fazem feirões para renegociação de dívidas, mas a inadimplência continua alta

Bancos e lojas estão fazendo um esforço inédito para renegociar dívidas e liberar os brasileiros para consumir mais no fim do ano. A iniciativa inclui mutirões de renegociação de dívida, em que devedores e credores se encontram para acertar as contas. Empresas especializadas usam vans e contêineres para levar os feirões a várias cidades do País. Só em São Paulo, 3,9 milhões de consumidores limparam seus nomes. Além disso, o governo facilitou a troca de dívida cara de um banco por outra mais barata de um concorrente, e baixou a taxa de juros ao menor nível da história. Apesar de todo o esforço, a inadimplência continua alta e o comércio prevê um crescimento modesto de vendas no Natal, entre 2% e 5% em comparação ao ano passado. “Ainda estamos resolvendo o problema de caixa do consumidor”, diz o economista da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Nicola Tingas.

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domingo, outubro 21, 2012

Cuidado! A mosca tá de olho!


Então é isso!

A zelite

João Ubaldo Ribeiro - O Estado de S.Paulo
Vejamos aqui, que novidades há, neste que espero ser um domingo ensolarado e ameno, em que o distinto leitor e a cativante leitora (cartas sobre como estas designações são machistas devem, por caridade, ser encaminhadas ao editor) possam tirar muito proveito do que ainda nos dadiva a Natureza? Não muitas, acho eu. Talvez as novidades mesmo estejam nas páginas de medicina ou ciência dos jornais, onde sempre anunciam o sensacional estudo que desmente outro sensacional estudo de anos atrás, como acontece principalmente em relação a alimentos. A notícia mais recente, se não me trai outra vez a vil memória, é a respeito do camarão. Parece que aboliram a vingança do camarão. A vingança do camarão estava em que o freguês podia comê-lo, mas, em compensação, o colesterol entrava em órbita. Agora não mais, pelo menos até realizarem novo estudo. Periodicamente, a verdade científica vira mentira e, pensando bem, não há grandes novidades nem nas páginas de ciência.

E, infelizmente, não são tampouco grande novidade os acontecimentos terrificantes em hospitais. De cabeça, lembro agora o da senhora que mataram, injetando-lhe café com leite na veia. Anteriormente, em outro hospital, um paciente morreu, após lhe darem sopa também por via endovenosa. Mataram um terceiro, trocando por glicerina o soro que receberia. Administraram a recém-nascidos remédio contra verrugas por via oral, causando lesões horrendas e permanentes. Amputaram por engano o braço de um bebê. E, como é de nossa prática de povo cordial, tolerante e compreensivo, não vai haver responsáveis em qualquer desses casos e de inúmeros outros como eles, muito menos reparação para as vítimas. Nenhuma novidade.

No setor das grandes questões nacionais, o julgamento do mensalão se aproxima do fim, grande parte do suspense inicial já se foi e agora o que se espera é, no interessante dizer do comentarista que escutei no rádio de um táxi, a customização das penas, ou seja, a definição das punições que receberá cada um dos réus condenados, por sinistro desígnio da zelite. Acho difícil haver um problema que não tenha sido causado pela ação da zelite, é um grande achado. E talvez nele esteja, afinal, uma novidade. Não muito importante, quiçá, mas, na falta de outra, quebra o galho. Creio que já podemos cogitar da inclusão de "zelite" nos dicionários como mais um coletivo da lavra popular, com a observação de que por enquanto leva o predicado ao plural, mas no futuro talvez perca essa peculiaridade. Acredito que logo estaremos dizendo coisas como "a zelite não vai aceitar" ou "ele pertence à zelite paulista". Não deixa de ser uma contribuição ao vocabulário da perseguida língua portuguesa.

Resta, porém, definir direito o que é zelite. Não é muito fácil, pelo menos para quem acompanha o noticiário brasileiro. Por enquanto, lembra um pouco o que sucede com a palavra "democracia" e cognatas. Qualquer regime - e tem sido assim em toda a História contemporânea - pode apregoar ser uma democracia. A Alemanha Oriental era a República Democrática Alemã e a Coreia do Norte é oficialmente a República Democrática Popular da Coreia. Fenômeno semelhante acontece com a zelite, na direção oposta. É desejável ser democrático e é odioso ser da zelite; elogia-se com o primeiro e xinga-se com a segunda.

Além disso, a zelite vem desempenhando um papel comparável ao dos comunistas de antigamente. No Brasil, com a notável exceção de Oscar Niemeyer e Zecamunista, sofremos de uma lastimável escassez de comunistas sobre os quais fazer recair a culpa de tudo o que diabo apronta. Os comunistas, como testemunharão os mais velhos, tinham muita serventia e até moças de conduta avançadex, como se dizia, eram fruto da doutrinação dos comunistas. A zelite e seu braço direito, a imprensa venal, corrupta e a serviço de interesses tenebrosos, vêm preenchendo essa lacuna, tão aflitiva para quem não tem nada de substancial a dizer em sua defesa, a não ser, talvez, o inconfessável.

Mas que diabo é a zelite? Sabemos que a palavra vem de "elite". No caso, elite política e econômica. Imagina-se que a elite política seja composta por quem está no poder. Presidente da República é zelite política, assim como os que exercem alguma fatia do poder. Que outro critério haveria? Ou a elite política está diretamente no governo ou o exerce mediante fantoches e paus-mandados, caso em que, ao denunciar a zelite, estaria denunciando a si mesma. Qual a zelite que se opõe aos que estão no poder? A zelite financeira está com eles, os bancos prosperando e ganhando dinheiro como nunca, como já comentou o próprio ex-presidente Lula. A zelite empresarial também não parece descontente, a não ser quanto a um ponto ocasional ou outro. A zelite das empreiteiras, então, nem se fala. A zelite artístico-intelectual, além de não ter poder concreto para nada, não costuma pensar uniformemente. Não me ocorre nenhuma outra zelite à qual se possa atribuir a culpa dos infortúnios enfrentados pelos réus do mensalão. Quem aprontou a trapalhada foram eles, mas a culpa não é do despreparo e dos erros deles, é da zelite.

A palavra já cria raízes em nossa terminologia política e, ao que tudo indica, terá vida longa, porque serve para fingir que se está explicando alguma coisa. Foi pegado com a boca na botija ou mentindo deslavadamente, os planos deram errado? Distribua uma nota ou faça um discurso, mostrando como a responsável é a zelite. O pessoal ganha, chega ao poder já pela terceira vez, está no topo da zelite governante e, no entanto, a zelite, até mesmo através do voto, fica atrapalhando. É por essas e outras que dá vontade de arrolhar a zelite e sua imprensa e estabelecer aqui uma verdadeira democracia, igual à da Coreia do Norte.

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Opinião

Mudanças e permanências

O Estado de S.Paulo
São notáveis as mudanças ocorridas nos últimos anos no perfil da família brasileira, no papel da mulher no domicílio e no mercado de trabalho e na taxa de fecundidade, entre outros indicadores, mas o crescimento da economia não foi suficiente para eliminar velhas mazelas sociais típicas de países subdesenvolvidos, como a precariedade da moradia de quase metade dos brasileiros. Os dados do Censo 2010 divulgados pelo IBGE mostram um Brasil de contrastes, que melhora rapidamente em diversos aspectos, mas não consegue evitar a persistência de graves problemas, sobretudo entre as camadas mais pobres.

De 57 milhões de domicílios brasileiros, só 30 milhões, ou 52,5%, são considerados adequados, ou seja, não têm mais de dois moradores por dormitório e dispõem de abastecimento de água por rede pública, de coleta de esgoto sanitário por rede pública ou sistema de fossa sanitária e de coleta regular de lixo. Isso significa que são inadequados 27 milhões de domicílios, onde vivem quase 105 milhões de brasileiros. Além disso, cresceu o número de famílias que dividem suas moradias, indicador do déficit habitacional do País. Eram 6,5 milhões (13,9% do total) em 2000 e passaram para 8,3 milhões (15,4%) em 2010.

A situação já foi pior. Em 2000, nada menos do que 56,1% das moradias eram consideradas inadequadas. A melhora, porém, tem sido lenta, e os obstáculos institucionais, administrativos e financeiros à execução dos ambiciosos programas nacionais de saneamento básico e de recuperação urbana tendem a retardar a necessária mudança desse quadro.

Bem mais rápida tem sido a transformação do perfil das famílias. O número de mulheres chefes de família, por exemplo, dobrou entre o Censo de 2000 e o de 2010, passando de 9,048 milhões para 18,617 milhões. O Censo de 2010 contabilizou 49,9 milhões de chefes de família no País. As mulheres são 37,3% do total; dez anos antes, eram 22,6%.

Para o IBGE esse aumento reflete a maior presença das mulheres no mercado de trabalho e melhor escolaridade. Também a diminuição da taxa de fecundidade favorece o fortalecimento do papel da mulher na família. "A tendência é que esse cenário continue nos próximos anos", diz o técnico da área de população e indicadores do IBGE Gilson Gonçalves de Matos.

Há alguns aspectos dessa mudança, no entanto, que não são positivos. Estudos específicos sobre as mulheres chefes de família têm constatado que elas têm menos tempo de estudo e salários menores do que os homens que também são chefes de família. A renda do trabalho da mulher, não apenas das chefes de família, representa 70,4% da renda do trabalho do homem, de acordo com a Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (Pnad) de 2011.

O Censo de 2010 mostrou nova queda da taxa nacional de fecundidade, que chegou a 1,86 filho por mulher, a menor de toda a série do IBGE. Como a taxa de fecundidade necessária à reposição da população é de 2,1 filhos por mulher, a taxa nacional constatada pelo Censo indica que, a partir de 2030, a população brasileira começará a diminuir.

O Censo mostra um novo perfil das famílias. É crescente o número de uniões informais, de casais sem filhos e de casamentos inter-raciais. Cresce também o número de separações e de divórcios. Há também mais uniões consensuais, de casais que vivem sob alguma forma de união conjugal não formalizada nem no civil nem no religioso. Entre 2000 e 2010, esse tipo de união passou de 28,6% para 36,4% do total. Além de uma espécie de acordo de experiência antes da constituição da união formal, também a questão econômica estimula essa forma de união, que não requer gastos com festas. "Houve uma mudança cultural, iniciada pelos jovens", disse a pesquisadora do IBGE Ana Lúcia Saboia.

Em decorrência do aumento dos divórcios, tem aumentado também o número de famílias reconstituídas, com filhos só de pai, só de mãe e de ambos. O IBGE constatou a existência de 4,446 milhões de lares com esse tipo de formação familiar. Isso representa 16,3% dos lares de casais com filhos.

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Manchetes do dia

Domingo, 21 / 10 / 2012

Folha de São Paulo
"Voto conservador amplia liderança de Haddad em SP" 

Pesquisa Datafolha mostra que petista bate Serra nesse segmento, além de vencer entre os eleitores liberais

Líder nas pesquisas em SP, Fernando Haddad (PT) também venceria o tucano José Serra entre os eleitores conservadores - segmento no qual tinha o pior desempenho no Datafolha no fim de setembro (12% dos votos). Hoje, ele ganha de Serra por 46% a 33% nesse eleitorado. No conjunto das intenções de voto, o petista lidera a disputa por 49% a 32%. Em pesquisa realizada antes do primeiro turno, em setembro, o líder isolado entre os conservadores era Celso Russomanno (PRB), com 41% desses votos. Serra tinha 21% das intenções. Os conservadores representam 33% dos eleitores na cidade. É o maior contingente numa escala que vai de extremamente liberais (6%) a extremamente conservadores (9%), passando por liberais (28%) e medianos (23%). Haddad bate Serra em 4 dos 5 grupos.

O Estado de São Paulo
"Por votos, Haddad e Serra investem nos redutos adversários" 

Petista vai a bairros centrais e tucano faz campanha na periferia

Na reta final da campanha pela Prefeitura de SP, Fernando Haddad (PT) investirá nos setores médios do eleitorado, nos bairros centrais da cidade. José Serra (PSDB) tentará se aproximar do eleitor de mais baixa renda, nos extremos das zonas leste e sul. Os candidatos também tentarão calibrar os ataques. O PT decidiu retirar as inserções mais críticas ao tucano. Serra reagirá ao discurso petista de que Haddad é o candidato que beneficia os pobres.

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