sábado, outubro 06, 2012

Dominguice...


Para descontrair

José Ronaldo dos Santos
Mais uma poesia do mano Mingo, sempre continuando no alastramento de aspectos da cultura caiçara, da criatividade necessária e espontânea que nos anima. A minha dica, em véspera de escolher os futuros administradores deste chão (Ubatuba), é aproveitar e se descontrair em mais um....

PAPO DE PESCADOR
   
Na minha terra
há meia légua
do Mar à Serra,
não peço água,   
não faço guerra,
não guardo mágoa.
Tenho cinco namoradas
em uma dúzia de retratos,
cada qual em seu porto
cada qual com sua história,
cada vez mais belas,
conforme meu barco afasta
do porto da memória.
   
(Fonte: livro Peixe-palavra. Ilustração: Estevan)

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Opinião

A hora do voto consciente

O Estado de S.Paulo
Se fossem verduras e legumes, os prognósticos sobre a eleição em São Paulo feitos pelos politólogos ao longo desta campanha dariam uma boa salada. Poucas vezes houve tanta divergência de interpretações sobre a intenção de voto e o desempenho dos candidatos como na atual disputa paulistana, o que torna extremamente difícil antecipar o resultado. Tal cenário de confusão, em que nada é o que parece e intenções de voto migram de lá para cá ao sabor de picuinhas e diz-que-diz, reflete muito mais os problemas dos postulantes que suas virtudes. Nada menos que 37% dos eleitores não sabem dizer em quem vão votar, segundo a pesquisa do Datafolha que mede a intenção espontânea - aquela em que o eleitor deve dizer o nome de seu candidato. Em meio a esse desanimador cipoal eleitoral, porém, não se deve perder de vista a importância política desta eleição: o Município de São Paulo é o principal objetivo do PT em todo o País e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na missão que se atribuíram de liquidar a oposição e de se tornarem hegemônicos no Brasil.

A grande surpresa da reta final foi a queda abrupta de Celso Russomanno (PRB), que perdeu 10 pontos porcentuais em duas semanas, segundo o Datafolha divulgou na quinta-feira. Com seus 25%, ele aparecia tecnicamente empatado com José Serra (PSDB), que tinha 23%. A candidatura de Russomanno despencou do mesmo modo como havia subido, isto é, como bom aventureiro ele não tinha um patrimônio eleitoral sólido no qual pudesse sustentar sua dianteira. As explicações para a liderança do "menino malufinho" variaram, mas a mais exótica delas foi atribuir-lhe poder de sedução sobre um certo "eleitor-consumidor", graças a seu passado de paladino na TV dos consumidores lesados. Em poucos dias, porém, ele espantou sua freguesia, e o Datafolha mostra que os votos que ele perdeu foram pulverizados entre os seus adversários - ou seja, Russomanno era o candidato de insatisfeitos de qualquer partido à direita e à esquerda. Com isso, até o azarão Gabriel Chalita (PMDB), em quarto lugar, animou-se a se considerar no páreo.

Outras hipóteses sobre a extrema instabilidade do cenário se acumularam ao longo da campanha. Russomanno estaria liderando, por exemplo, em razão da "fadiga de material", como sugeriu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, referindo-se à polarização entre PT e PSDB em São Paulo e também ao "cansaço do eleitorado com a predominância do PSDB por longo tempo".

O fator religioso também foi bastante mencionado. A proximidade de Russomanno com os evangélicos da Igreja Universal, a afinidade de Serra e de Chalita com os católicos e a suposta ofensa de Fernando Haddad (PT) aos religiosos graças ao famoso "kit gay" foram invocadas como elementos importantes na eleição. Nada disso, porém, foi capaz de mobilizar os eleitores - as pesquisas indicaram que a maioria deles não leva em conta questões de fé na hora de escolher seus candidatos.

Do mesmo modo, os levantamentos demonstraram que os eleitores não pretendem votar pensando no escândalo do mensalão. Isso significa que a explicação para a estagnação da candidatura de Haddad deveria ser procurada em outro lugar - talvez no fato de que a eleição municipal não leva em conta questões nacionais, como pretendia Lula, que até a última pesquisa não conseguira transferir seu formidável capital popular para o candidato que inventou.

A ironia é que um ingrediente importante dessa salada eleitoral foi introduzido pelo próprio Lula, ao estimular o crescimento do PRB de Russomanno e da Igreja Universal. O modelo lulista, que inclui abraçar Paulo Maluf e o bispo Edir Macedo, aposta na confusão ideológica, levando ao esvaziamento da política e abrindo caminho ao mais raso dos populismos.

Amanhã estará nas mãos do eleitor paulistano, portanto, o poder de impedir que tal situação prospere. É na cabine de votação que os cidadãos interessados em abortar o arrivismo político, representado por Russomanno, e o aparelhamento do Estado a serviço de um partido e de seu projeto hegemônico, como pretende fazer o lulismo em São Paulo, poderão exercer o enorme poder que a democracia lhes confere.

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Manchetes do dia

Sábado, 06 / 10 / 2012

Folha de São Paulo
"Eleição nunca teve tantos partidos com chance nas capitais" 

Segundo pesquisas, 16 legendas podem eleger prefeitos em grandes cidades; PSDB e PT têm mais possibilidades

A disputa pelas prefeituras nas 26 capitais pode resultar num fracionamento partidário inédito. Segundo pesquisas recentes, 16 partidos têm candidatos competitivos e podem vencer, informa Fernando Rodrigues. Em 2008, na reta final, só 11 legendas possuíam candidatos bem posicionados - dez saíram vencedoras. Neste ano, há vários representantes de partidos nanicos. O mais evidente é o PRB em SP, com Celso Russomanno.

O Estado de São Paulo
"Candidatos elevam tom em eleição indefinida" 

Russomanno chama Haddad de 'mentiroso', Serra lembra mensalão e Lula diz que qualquer coisa machuca tucano

Na antevéspera do primeiro turno da eleição para a Prefeitura de SP, os candidatos não pouparam ataques aos adversários. Celso Russomanno (PRB) usou carros de som para chamar Fernando Haddad (PT) de mentiroso. "O Haddad vem mentindo quando diz que vou aumentar o preço da passagem", diz o candidato na gravação. José Serra (PSDB) também investiu contra o petista, comparando o uso do espaço da propaganda de vereadores no último dia de horário eleitoral de TV, anteontem, a uma afronta à Justiça, como "o mensalão". "Parece desproporcional, mas o que houve foi uma transgressão frontal e acintosa às regras legais vigentes", disse. Haddad deixou os ataques por conta do ex-presidente Lula, que chamou Serra de "frágil", porque "qualquer coisa o machuca", em referência ao fato de o tucano ter sido atingido por uma bola de papel em 2010.

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sexta-feira, outubro 05, 2012

Eu voo...


Coluna do Celsinho

Transição

Celso de Almeida Jr.
O saldo positivo da eleição deste domingo será o grande número de novas lideranças que encararam o processo eleitoral.

Ganhando ou perdendo, todos tiveram a oportunidade de revelar o pensamento sobre as questões ubatubenses.

Isto sempre é bom.

Muitas soluções saem deste debate com a comunidade.

É uma escola; um aprendizado coletivo.

Pós domingo, começará outra importante etapa.

O novo prefeito iniciará a transição.

Discutirá com a atual Câmara os detalhes do próximo orçamento municipal.

Deverá, também, interagir com os novos vereadores, abrindo um canal civilizado de comunicação.

Espera-se que o atual prefeito facilite a transição, nomeando um coordenador técnico e disponibilizando todos os dados de forma objetiva.

Do novo comando espera-se que forme uma equipe de especialistas competentes, prestigiando a experiência dos funcionários de carreira da prefeitura.

Fundamental, também, será criar um canal com a imprensa, nos seus diversos meios, respondendo com agilidade aos questionamentos do cotidiano.

Será gratificante ver o prefeito eleito fazer valer na transição um postura que prestigie a transparência.

Um inventário de cada secretaria e o planejamento das ações possíveis para 2013, divulgados até o início de dezembro, revelariam que o novo governo priorizará a técnica e não o discurso vazio.

Um plano detalhado para os primeiros cem dias coroaria a nova equipe com o crédito de pautar pela gestão de alto desempenho.

Somando a isso a ética, a harmonia e a disciplina orçamentária teremos a certeza de que Ubatuba será a grande vitoriosa.

Agora, às urnas!

Boa eleição!

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

Os apagões de Dilma

O Estado de S.Paulo
Da promessa várias vezes repetida pela então responsável pelo setor de energia do governo Lula e depois candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, de que, com ela no governo, não haveria mais apagões, só ficou a lembrança. Interrupções do fornecimento de energia elétrica continuam a ocorrer com frequência, afetando diferentes regiões do País e causando transtornos a milhões de brasileiros, comprovando a fragilidade do sistema elétrico administrado pelo governo Dilma.

O apagão mais recente ocorreu entre a noite de quarta-feira (3/10) e a madrugada seguinte, quando parte das Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste e os Estados do Acre e de Rondônia ficaram sem energia. Ao tentar minimizar o episódio, considerando-o apenas um "apaguinho" e tentando justificá-lo com a afirmação de que "defeitos acontecem", o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema (ONS), Hermes Chipp, desfez parte das esperanças do consumidor brasileiro de que, a partir de investigações precisas, afinal, o governo reduza o risco de repetição de fatos como esse - e a presidente comece a cumprir o que prometeu.

Enquanto o ONS ainda se preparava para iniciar as investigações do apagão de quarta-feira, na tarde de quinta-feira (4/10), a região central de Brasília ficou sem energia elétrica.

O apagão - pois foi disto que se tratou - de quarta-feira teve como causa uma pane num dos transformadores de uma subestação administrada pela estatal Furnas em Foz do Iguaçu, que provocou a retirada do sistema interligado, administrado pelo ONS, de uma carga de 3,5 mil megawatts originária da Usina Hidrelétrica de Itaipu. Imediatamente, as companhias distribuidoras foram orientadas a suspender a distribuição de energia elétrica.

Embora a suspensão tenha sido seletiva, como esclareceu o ONS, uma extensa área do País ficou temporariamente sem energia. No Estado de São Paulo, 24 municípios, entre os quais a capital (parcialmente) e 7 outras cidades da Grande São Paulo, ficaram às escuras por um período que variou de 2 a 5 minutos. Só na região metropolitana, foram afetados 695 mil consumidores. Em outros Estados, a interrupção foi mais longa.

"Embora (a estatal Furnas) faça manutenção, esses defeitos acontecem", disse Chipp. Ele duvida que seja imposta alguma multa ou punição à empresa responsável pelo corte de fornecimento, pois não acredita que tenha havido negligência nesse caso. "As empresas estão fazendo a manutenção dos equipamentos regularmente. A probabilidade de o problema ocorrer novamente é muito remota."

Pode, de fato, ser pouco provável a repetição desse problema, na mesma subestação, com os mesmos efeitos observados há dias. Mas, por outros motivos, outros problemas têm surgido, interrompendo o fornecimento de energia em diversos pontos do País, em períodos diferentes ou simultaneamente.

Nenhum sistema elétrico é imune a falhas. É praticamente impossível eliminar o risco de acidentes que provoquem a interrupção do fornecimento de energia. A redução do risco para níveis próximos de zero, por sua vez, exigiria investimentos pesados que, na avaliação dos técnicos, não compensariam. Mas o sistema brasileiro - bem ao contrário do prometido por Dilma - está longe da segurança possível, pois, nos últimos anos, acidentes continuaram a ocorrer com frequência bem maior do que a tolerável.

Em 2009, por exemplo, 60 milhões de brasileiros em 18 Estados ficaram sem energia elétrica por até seis horas, por causa da interrupção de três linhas de alta-tensão que vinham da Usina de Itaipu, provocada por problemas na subestação de Itaberá, no Estado de São Paulo.

Para especialistas do setor, 2011 foi o ano em que se registrou o recorde de interrupções de fornecimento de energia. Em fevereiro de 2011, um blecaute provocado por falha no sistema de proteção de uma subestação em Pernambuco deixou oito Estados do Nordeste sem luz.

Há poucas semanas, novo apagão, provocado por falhas do sistema de proteção de outra subestação, em Imperatriz, no Maranhão, afetou 11 Estados do Norte e do Nordeste.

Original aqui

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 05 / 10 / 2012

Folha de São Paulo
"Revisor absolve Dirceu, mas três já o condenam" 

Lewandowski diz que provas contra petista não passam de ‘ilações’; colegas criticam e veem contradição em seu voto

O revisor do mensalão no Supremo, Ricardo Lewandowski, votou pela absolvição de José Dirceu do crime de corrupção ativa. Para ele, as acusações do Ministério Público contra o ex-ministro da Casa Civil não passam de “ilações" e "conjecturas”. Lewandowski chegou a dizer que Dirceu pode até ter sido o “mentor da trama”, mas ressalvou que as provas existentes no processo do mensalão não o fizeram concluir dessa forma. Os ministros Rosa Weber e Luiz Fux seguiram o relator do caso, Joaquim Barbosa, e votaram pela condenação de Dirceu. Eles argumentam que o petista foi o responsável pela compra de apoio de congressistas. Quatro ministros que ainda não votaram questionaram os argumentos do revisor, indicando que devem concordar com a denúncia. Três ministros já condenaram José Genoino, e quatro, Delúbio Soares. 

O Estado de São Paulo
"Três ministros condenam Dirceu; Lewandowski absolve" 

Manifestações de outros quatro integrantes da Corte indicam que eles também votarão contra o ex-ministro

O destino do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu no julgamento do mensalão foi praticamente traçado na sessão de ontem do STF. O revisor do processo, Ricardo Lewandowski, afirmou não haver provas para condená-lo pelo crime de corrupção ativa, mas três ministros votaram pela condenação. E as críticas de quatro outros integrantes da Corte ao voto do revisor indicam que o ex-ministro será condenado por ter comandado a compra de votos no Congresso. Até ontem, condenaram Dirceu os ministros Joaquim Barbosa, Rosa Weber e Luiz Fux. Mesmo sem votar, Carlos Ayres Britto, Celso de Mello, Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello fizeram críticas ao voto do revisor pela absolvição de Dirceu, indicando que também votarão pela condenação do chefe da Casa Civil do governo Lula.

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quinta-feira, outubro 04, 2012

Pitacos do Zé


O areeiro e a barreação escatológica

José Ronaldo do Santos
Para entender o espírito brincalhão do caiçara em época eleitoreira, apresento:

Tião Sereno, o areeiro, mora há bastante tempo no Ipiranguinha. É um dos “Filhos da  Caçandoca”, daquela leva que foi escorraçada pela Construtora Continental, em 1975. Gosto desse meio parente por parte dos Félix, mas detesto uma característica no coitado: é fundamentalista, vive dizendo uns absurdos a partir da literatura bíblica. Faz-me lembrar do velho Voltaire: “A primeira lei da natureza é a tolerância, visto que todos nós temos uma porção de erros e fraquezas”. Só espero que não chegue à falta de juízo de arrancar um olho caso cometa algo próximo de pecado grave.

Nesta semana o Tião parou para apreciar o meu trabalho de pedreiro e dar uns conselhos estéticos na obra. Em seguida fez um discurso sobre “um novo Adão e uma nova Eva para a remissão da humanidade”. Machista de última hora que é, remendou deste modo a prosa:

- Primeiro deve aparecer um novo Adão. Mulher vem depois.

Em seguida, reparando nuns cartazes recolhidos da esquina, aproveitou para estabelecer um laço com as eleições:

- Você tá sabendo de uma ‘diarreia de abóbora’ no dia da eleição?

Percebendo a minha pasmaceira, continuou:

- Os caras tão pagando bem. Ouvi dizer que cinco mil estarão uniformizados durante a votação, naquela cor quase que barrenta do pretendente ao continuísmo na prefeitura. Muita gente bonita barreará em volta das escolas. Tudo ficará breiado. E por falar nisso: onde já se viu tantas mulheres pretenderem a vereança? Elas têm é que cuidar da casa, educar os filhos sem se descuidar dos maridos. Depois de um novo Adão, aí sim, elas –mulheres - terão novas luzes. Só depois poderão pleitear uns cargos de governo. Nisso já terá aparecido uma nova Eva também. Será o Reino! Viva!

Argumentei pacientemente contra a parte fundamentalista e machista, que as coisas não eram assim, os tempos eram outros etc. Mas desconfio que consegui quase nada na minha falação. Por que afirmo isso? Porque, assim que virei as costas, escutei o Tião seguir o seu caminho cantarolando o seu jingles:

“Eu quero vê Adão lá no podê. Aleluia. Inda hei de vê Adão lá no podê. Do barro sairá. Um barro e um berro. Ale...luiá. Eu quero vê Adão lá no podê”.

Tem jeito um homem assim?

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Opinião

O pacto da alfabetização

O Estado de S.Paulo
Inspirado num programa adotado pelo governo do Ceará, o Ministério da Educação (MEC) lançará o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa. A iniciativa, anunciada na última reunião do Conselho Nacional de Secretários de Educação, visa a garantir que todas as crianças matriculadas na rede de ensino fundamental cheguem ao final da 2.ª série inteiramente alfabetizadas - ou seja, com plena capacidade de ler e escrever.

Envolvendo os municípios e os Estados, que são encarregados de oferecer a educação básica às crianças e adolescentes, o Pacto enfatiza a "universalização do aprendizado" e a reformulação dos "direitos de aprendizagem". Promete "escolas com ensino inovador", por meio de apoio pedagógico e gerencial da União aos entes federados. Propõe a adoção de currículos "mais atraentes" para os alunos. E, com base na premissa de que a criança atendida na primeira infância tem mais facilidade de aprender a ler e a escrever, acena com mais investimentos em creches e educação infantil.

O MEC pretende implementar o Pacto segundo cinco eixos básicos: alfabetização; educação infantil; literatura infantil e formação do leitor; gestão municipal; e avaliação externa. Além da alfabetização, o MEC quer que as crianças dominem as quatro operações aritméticas até os 8 anos de idade, no máximo. O Pacto também prevê projetos de formação continuada de professores especializados em alfabetização, materiais didáticos específicos e literatura. Para avaliar as crianças, o MEC aplicará a Provinha Brasil tanto no início quanto no término da 2.ª série e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais promoverá uma avaliação externa no final da 3.ª série.

Para o MEC, o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa objetivará melhorar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, diminuir a evasão escolar no ensino fundamental e reduzir as distorções desse nível de ensino. Segundo a Prova ABC, dos alunos que concluíram a 3.ª série do ensino fundamental, só 56,1% aprenderam o que era esperado em leitura para este nível de ensino. Em matemática, o índice foi de 42,8%.

À primeira vista, o pacto destinado a garantir que as crianças sejam alfabetizadas aos 8 anos de idade é uma iniciativa original para promover o tão desejado choque de qualidade no ensino básico. Na prática, contudo, ele não passa de um disfarce para ocultar o fracasso da administração petista no setor. Em seu governo, o presidente Fernando Henrique Cardoso universalizou o ensino fundamental, assegurando matrícula na rede pública para todas as crianças do País. Ao governo do presidente Lula cabia melhorar a qualidade desse nível de ensino, criando condições para que as crianças pudessem ser alfabetizadas entre os 6 e os 7 anos - a idade recomendada pelos pedagogos.

"Oito anos é muito tarde. O País já paga muito caro pelo histórico de falta de atenção à educação. Se a ideia é mudar isso, temos de apostar em metas mais ousadas, diz a secretária de Educação do Ceará, Izolda de Arruda Coelho. "Considerando que a escolarização tem começado aos 4 anos, não dá para conceber que se leve outros quatro para que essa criança leia e escreva", afirma João Batista Araújo e Oliveira, do Instituto Alfa e Beto. Se o aluno do colégio particular aprende a ler e a escrever no primeiro ano, por que a expectativa para quem depende da rede pública é maior, indaga a educadora Ilona Becskeházy.

Por sua vez, as autoridades educacionais afirmam que, por causa das desigualdades sociais e regionais, nem todas as crianças têm acesso à educação infantil e chegam preparadas para a alfabetização. "Nossas crianças vêm de várias origens e a escola procura minimizar essa desigualdade", afirma o secretário de Educação Básica do MEC, Cesar Callegari. O argumento é correto. Mas, se a administração petista tivesse privilegiado o ensino fundamental, em vez de gastar recursos escassos com a criação de universidades federais, a esta altura o problema da desigualdade já teria sido parcialmente contornado e as crianças estariam sendo alfabetizadas na idade considerada adequada pelos pedagogos.

Original aqui

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 04 / 10 / 2012

Folha de São Paulo
"Dirceu foi o mandante, diz relator" 

Barbosa condena por corrupção ativa ex-ministro da Casa Civil, Delúbio e Genoino, que foi absolvido pelo revisor

O relator do mensalão no Supremo, Joaquim Barbosa, apontou o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu como “mandante” do esquema de compra de apoio parlamentar no Congresso e o condenou por corrupção ativa. Barbosa ainda considerou culpados pelo mesmo crime o ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro Delúbio Soares, o empresário Marcos Valério e mais quatro pessoas ligadas a ele. A condenação dos réus na corte depende de uma maioria de 6 dos 10 ministros. O revisor Ricardo Lewandowski também condenou Delúbio e Valério, mas absolveu Genoino. Ele concluirá hoje seu voto sobre Dirceu e os demais réus. Para Barbosa, ficou comprovado que o ex-ministro controlava os “destinos da empreitada criminosa”. Sobre a principal linha de defesa de Dirceu, de que desconhecia empréstimos e pagamentos a congressistas, o relator disse ser “impossível acolher a tese de que ele simplesmente não sabia”. A defesa do ex-ministro disse confiar na absolvição dele. 

O Estado de São Paulo
"Relator diz que Dirceu comandava o mensalão" 

Joaquim Barbosa vota pela condenação do ex-ministro; revisor absolve José Genoino e condena Delúbio Soares

O relator do processo do mensalão no STF, Joaquim Barbosa, votou pela condenação de José Dirceu pelo crime de corrupção ativa e o chamou de “mentor do mensalão”. Barbosa afirmou que Dirceu controlava o esquema, organizava o que era necessário para viabilizar os pagamentos, negociava os empréstimos bancários que alimentaram o mensalão com as diretorias do BMG e do Banco Rural e acertou com os líderes partidários a distribuição do dinheiro. Para isso, se valeu daqueles que foram apontados como operadores do esquema: o empresário Marcos Valério e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. Depoimentos de deputados beneficiados, reuniões entre instituições financeiras e Dirceu na Casa Civil e a atuação de Marcos Valério em sintonia com o então ministro do governo Lula comporiam o “mosaico” citado pelo relator do processo para mostrar quem comandava o esquema. O revisor do processo, ministro Ricardo Lewandowski, iniciou ontem seu voto. Ele absolveu o ex-presidente do PT José Genoino e condenou Delúbio Soares.

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quarta-feira, outubro 03, 2012

Pitacos do Zé


E por falar em civilidade... (XXIII)

José Ronaldo dos Santos
Será possível que estão chamando o povo de incapaz de autonomia reflexiva?

Hoje, uma coisa detestável para os civilizados se repetiu: por baixo portão da minha casa enfiaram um jornal duvidoso intitulado Costa Azul, onde diz que o substituto dessa “maravilhosa gestão municipal” cresceu mais de 12 % na pesquisa eleitoral em dois dias. É isso mesmo!

Na semana passada, o Jornal Imprensa Livre, que me parece ser mais confiável do que o jornaleco azul, soltou um resultado encerrado em 26/9. O candidato da situação que aí se encontra estava com 14% das intenções de voto. Hoje, se referindo a uma pesquisa nos dias 27 e 28/9, o pretendente a continuar essa “maravilhosa gestão municipal”, no temporário recurso midiático é colocado com 26,20% nas citadas intenções. Que pulo em dois dias! Coisa comparável à inflação galopante de algumas décadas passadas.

Será que não se trata de mais uma ofensa àqueles que usam um pouco mais a capacidade reflexiva? (Eu duvido que o povo veja maravilhas no estado lastimável da nossa cidade). Perdoem-me os colaboradores, mas eu teria vergonha de me prestar a tal serviço.

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Opinião

De onde veio o mensalão

O Estado de S.Paulo
O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Celso de Mello, responsabilizou diretamente o governo Lula pelo mensalão, ao proferir na segunda-feira o seu voto no julgamento do escândalo. Em nenhuma das 29 sessões anteriores se encontrará manifestação de igual contundência e impacto político, no corpo de um libelo de mais de uma hora sobre os efeitos da corrupção para as instituições e a sociedade. Textualmente: "Este processo criminal revela a face sombria daqueles que, no controle do aparelho de Estado, transformaram a cultura da transgressão em prática ordinária e desonesta de poder, como se o exercício das instituições da República pudesse ser degradado a uma função de mera satisfação instrumental de interesses governamentais e de desígnios pessoais". Note-se: Mello não se fixou no partido no poder, o PT, nem nos seus cúmplices na operação do esquema, mas nos condutores do governo. Só faltou chamá-los pelos nomes, sobrenomes e apelidos.

Desse modo, ele foi muito além de seus pares na rejeição da patranha de Lula e sua gente de que os montantes distribuídos a pelo menos uma dezena de deputados federais no início do seu mandato se destinavam a cobrir dívidas de partidos aliados e a financiar futuras campanhas eleitorais, pelo mecanismo do caixa 2, usado "sistematicamente" no País, segundo o ainda presidente. Dos 10 ministros atuando no julgamento, apenas um, o revisor Ricardo Lewandowski, encampou essa versão pelo valor de face. Até o seu colega Dias Toffoli, que trabalhou para José Dirceu na Casa Civil e servia a Lula como advogado-geral da União quando o escândalo rebentou, entendeu que o mensalão foi concebido para comprar apoio parlamentar ao governo. (As ministras Cármen Lúcia e Rosa Weber ainda não deram a conhecer a sua opinião.) "Não se pode cogitar de caixa 2 nem mesmo coloquialmente", fulminou o presidente da Corte, Carlos Ayres Britto. "Ao contrário da roupa no tanque, quanto mais se torce a verdade, mais ela encarde."

Na sessão que terminou pela condenação unânime dos políticos indiciados por corrupção passiva, notadamente o ex-presidente do PTB Roberto Jefferson e o do PL (atual PR) Valdemar da Costa Neto, foi Britto quem mais esteve perto, depois de Celso de Mello, naturalmente, de conectar o mensalão ao Planalto. Ao apontar a "arrecadação criminosa de recursos públicos e privados para aliciar partidos e corromper parlamentares", afirmou que o esquema fazia parte de um "projeto de continuísmo político idealizado por um núcleo político". Mello foi mais explícito ao falar em "altos dirigentes do Poder Executivo e de agremiações partidárias" - numa evidente referência aos principais réus políticos do processo, que começam a ser julgados hoje: o ex-ministro Dirceu, o presidente à época do PT, José Genoino, e o então tesoureiro da legenda, Delúbio Soares, acusados de corrupção ativa e formação de quadrilha. Adiantando-se a eventuais alegações dos seus defensores e correligionários, Mello observou que o STF está respeitando os direitos e garantias dos réus, sem "flexibilizar" uma coisa ou outra.

Mas não deixou de assinalar, pouco depois, que a corrupção parlamentar - alimentada por "transações obscuras idealizadas e implementadas em altas esferas governamentais" - deve ser punida "com o peso e o rigor das leis", por configurar uma tentativa criminosa de manipular o processo democrático. A "aliança profana entre corruptos e corruptores", sendo os primeiros "marginais do poder", como os qualificou o ministro, constitui uma "perversão" da ordem graças a qual "o Estado brasileiro não tolera o poder que corrompe e nem admite o poder que se admite corromper". A exposição de Celso de Mello parece encarnar a virada de página na vida institucional do País que a Suprema Corte demonstra almejar, em última análise e em boa hora, com o julgamento do mensalão.

Não apenas pelos seus votos, mas pelos princípios que os embasam, ao lado do exame dos fatos contidos nos autos, os ministros consagram o direito dos cidadãos de exigir, como destacou o decano, "que o Estado seja dirigido por administradores íntegros, legisladores probos e juízes incorruptíveis".

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 03 / 10 / 2012

Folha de São Paulo
"Nova alta impulsiona a retomada da indústria" 

Maior aumento em 15 meses, porém, será insuficiente para zerar perdas

Impactada por medidas do governo de estímulo ao consumo, a indústria acentuou a sua retomada em agosto e cresceu 1,5% na comparação com o mês anterior, segundo o IBGE. É o terceiro resultado positivo seguido e o maior crescimento desde maio de 2011. Dos 27 setores analisados, 20 tiveram taxas positivas. A produção de bens duráveis (carros, eletrodomésticos e móveis) aumentou 2,6%. A indústria deverá manter até o fim do ano a tendência de aquecimento iniciada em junho, na avaliação de analistas. A reação, porém, não será suficiente para zerar as perdas em 2012. A estimativa é de queda em torno de 2% — até agosto, a retração acumulada era de 3,4%. O ministro Guido Mantega (Fazenda) comemorou o resultado. “Deixamos para trás o período de crescimento fraco”, disse ele.

O Estado de São Paulo
"Russomanno cai; Serra e Haddad empatados" 

Pesquisa Ibope/Estado/TV Globo mostra que a intenção de voto no candidato do PRB à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno, caiu de.34% para 27% em uma semana

A cinco dias da eleição, José Serra (PSDB), com 19%, e Fernando Haddad (PT), com 18%, seguem em situação de empate técnico. Gabriel Chalita (PMDB) foi o candidato que mais se beneficiou da queda de Russomanno: subiu três pontos porcentuais e chegou a 10% das preferências. Serra oscilou dois pontos para cima e Haddad permaneceu com a mesma taxa. A candidata Soninha Francine (PPS) manteve os 4% e Paulinho da Força (PDT), que chegou a aparecer com 5% no começo do mês passado, agora nem sequer pontuou - teve menos de 1% das menções dos entrevistados. Nas projeções de segundo turno, Russomanno venceria Haddad (39% a 30%) e Serra (46% a 28%). Um confronto direto entre PT e PSDB seria vencido por Haddad (38% a 31%). A margem de erro é de três pontos porcentuais.

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terça-feira, outubro 02, 2012

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Opinião

Metas de investimento

O Estado de S.Paulo
Aumentar o investimento em máquinas, equipamentos, fábricas, infraestrutura e outros ativos essenciais ao crescimento econômico é uma das metas do governo - um objetivo reafirmado em várias ocasiões e agora posto mais uma vez no topo da agenda. A pretensão, segundo se informa em Brasília, é criar condições para o País investir no próximo ano 10% mais do que em 2012. Se der certo, o aumento da capacidade produtiva ainda terá sido medíocre. Mesmo com esse aumento, o governo e o setor privado terão investido, na melhor hipótese, algo próximo de 20% do Produto Interno Bruto (PIB), uma proporção irrisória diante das necessidades do Brasil e do esforço observado em outras economias emergentes, com taxas acima de 25% e em muitos casos superiores a 30%. Embora a presidente Dilma Rousseff e seus ministros se recusem a admiti-lo, o esquema de expansão econômica baseada no consumo está obviamente esgotado. A mudança depende tanto de ações econômicas em vários campos quanto da melhora da administração pública - direta e indireta.

A elevação do investimento pretendida pelo governo é pouco ambiciosa, mas talvez seja realista, diante dos pobres resultados obtidos nos últimos anos. As últimas projeções da área oficial, apresentadas no relatório trimestral de inflação do Banco Central (BC) são pouco animadoras. As novas estimativas indicam para este ano crescimento econômico de apenas 1,6% e investimento 2,2% menor que o de 2011. Até o meio do próximo ano, o PIB terá crescido 3,3% em quatro trimestres e o valor investido terá aumentado só 1,4%.

Até agora, as contas nacionais calculadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) cobrem até o fim do primeiro semestre. Entre abril e junho, o investimento em bens de produção, infraestrutura e outras construções equivaleu a 17,9% do PIB. No segundo trimestre do 2012 a relação havia sido de 18,8%. Pode ter ocorrido nova redução no terceiro trimestre, segundo a Fundação Getúlio Vargas.
Nos últimos dez anos, as taxas mais altas ficaram em torno de 19% do PIB, mas o resultado deste ano poderá ser mais modesto. Se o PIB crescer 4% em 2013 e o investimento for 10% maior que o deste ano, a proporção ainda ficará próxima - e talvez abaixo - de 20%. O governo anunciou há algum tempo a intenção de alcançar 24% até 2014, mas só com muito otimismo se pode, atualmente, apostar nesse resultado.

O menos importante, nesta altura, é fixar metas. Todos estão de acordo quanto à necessidade de se investir pelo menos 24% ou 25% do PIB para sustentar, a longo prazo, um crescimento econômico igual ou pouco superior a 5% ao ano. É um erro fixar um objetivo de expansão econômica para um ou dois anos, mas essa foi a política dominante na maior parte da última década.

Em vez de continuar simplesmente inventando metas e definindo políticas de curto alcance, o governo deveria estudar seriamente a situação para chegar a uma política para tentar remover os obstáculos. A baixa qualidade do planejamento e da execução de projetos da administração federal é um dos entraves mais evidentes. Neste ano, até agosto, as estatais controladas pela União investiram 53,3% do previsto para 2012, mas só uma empresa, a Petrobrás, foi responsável por 89,7% do total aplicado no período.

No Sudoeste da Bahia, 185 aerogeradores - cataventos gigantes - estão prontos para produzir energia elétrica, mas continuam parados por falta de linhas de transmissão. Este é apenas um dos muitos e espantosos exemplos de incompetência gerencial de um setor público loteado, aparelhado e preparado muito mais para acomodar companheiros e aliados do que para operar e apoiar o desenvolvimento.

Há outros bem conhecidos. Dois dos mais importantes são a tributação excessiva e mal distribuída e as discutíveis prioridades do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), muito mais empenhado em apoiar grandes grupos eleitos como vencedores do que em multiplicar as oportunidades de crescimento e de modernização de milhares de outras empresas promissoras. Sem o ataque a esses problemas, a fixação de metas de investimento será uma perda de tempo.

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Manchetes do dia

Terça-feira, 02 / 10 / 2012

Folha de São Paulo
"Mensalão comprou votos no Congresso, conclui STF" 

Sete dos dez ministros refutaram a tese do caixa dois; réus do PT começarão a ser julgados

Sete dos dez ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) decidiram que houve um esquema de compra de votos de parlamentares no Congresso durante o primeiro mandato do presidente Lula, entre 2003 e 2004. A decisão sepulta a tese do PT de que o mensalão se tratava de caixa dois eleitoral, aceita só pelo ministro Ricardo Lewandowski — Rosa Weber e Cármen Lúcia não se manifestaram sobre os objetivos do esquema. Os ministros concluíram o julgamento dos políticos aliados e condenaram 12 dos B réus. Delator do mensalão, Roberto Jefferson (PTB), já culpado por corrupção passiva, também o foi por lavagem de dinheiro. Amanhã começa a etapa que tratará dos réus do PT, entre eles José Dirceu. Até agora, 22 foram condenados. “Não se pode falar em caixa dois nem mesmo prosaicamente”, disse Ayres Brito, presidente do STF.

O Estado de São Paulo
"Mensalão foi compra de apoio político, confirma STF" 

Para Celso de Mello, ‘marginais do poder’ formaram uma ‘quadrilha de assaltantes de cofres públicos’

O STF confirmou ontem a existência de compra e venda de apoio parlamentar e condenou por corrupção passiva todos os deputados que receberam dinheiro do mensalão. A tese do caixa dois de campanha, encampada pelo PT e pelo ex-presidente Lula, foi rechaçada pela maioria dos ministros do STF. Para o decano da Corte, Celso de Mello, “marginais do poder” formaram uma “quadrilha de assaltantes de cofres públicos” que praticaram atos que comprometem a “integralidade dos valores que formam a ideia de República” e frustram “a consolidação das instituições”. Foram condenados por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha Pedro Corrêa (PP-PE) e Valdemar Costa Neto (PR-SP). Roberto Jefferson, Bispo Rodrigues, Romeu Queiroz e Pedro Henry (PTB-MT) foram condenados por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. José Borba (PP-PR), por corrupção passiva.

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segunda-feira, outubro 01, 2012

Pitacos do Zé



E por falar em civilidade... (XXII)

José Ronaldo dos Santos
Ouvindo uma entrevista da falecida Hebe Camargo, no programa Roda Viva, fiz questão de anotar um detalhe importantíssimo na sua fala. Creio que se aplica bem nesta semana:

“Que os candidatos que, em época de eleição enchem os nossos bairros com suas propagandas, papéis e tantas promessas, não deixem de fazer isso após serem eleitos”.


Perigo amarelo!


Coluna do Mirisola

ET Mazzaropi – uma história real de abdução

“Era como se a luminosidade daquele clarão me envolvesse num manto gelado, que tinha mais a ver com a visão em si do que com a baixa temperatura da noite”

Marcelo Mirisola
Amora era uma hippie em pleno 2009. Até hoje guardei essa história comigo. Um tanto pela inverossimilhança. Outro tanto pela vergonha. Mas chega uma hora que a ficção não dá conta do recado e a realidade acachapante dos fatos se impõe ao estilo. O nome disso pode ser constrangimento, transcendência ou apenas Amora.

Vou contar.

Ela me convidou para passar um final de semana em Lumiar. Aquela mesma. Do Beto Guedes. Todo mundo conhece a música, e eu fiquei perplexo ao saber que a cidade e Amora – as duas ao mesmo tempo – existiam pra valer: com o agravante de que o convite para conhecer a cidade partiu dela, Amora, a última hippie do planeta. Muito gostosa. À época, eu flanava barbudão pela Lapa e conversava com os espíritos da Gomes Freire, Lavradio e adjacências. As almas do Arco do Telles me recebiam exultantes e rejubiladas. Eu me encontrava em pleno carnaval do século dezenove. Sozinho, porém bem-acompanhado. Os becos,travessas, ruas e vielas me pegavam pelo braço, abriam suas janelas, estendiam lençóis brancos e davam seus recados e boas-vindas. A cidade me levava. Tirando pela média, levei poucos sustos. Tive uma experiência soturna e ameaçadoramente gay no Mosteiro de São Bento. Depois aconteceu no Museu Nacional de Belas Artes. Quando fui sugado para dentro de uma tela de Rodolfo Amoedo. Uma espécie de aspiração maligna ou escárnio plácido do artista – como se o olhar da mulher retratada me aguardasse por cento e cinquenta anos somente para revelar o título da tela: “Más notícias”. De resto, foi só felicidade e algumas solidões que iam e vinham conforme as ondas que rebentavam nos molhes do largo da Prainha, como se o aterro não fosse o suficiente para conter as histórias e as ressacas prolongadas ao longo de todo um século.

Nesses dias, eu era todo-ouvidos pros mares extintos, pros fantasmas e pros baianos que chegavam na capital para trabalhar na estiva. Na pedra do Sal joguei capoeira, andei na ponta dos pés e fui mestre-sala, logo eu. “Sabe quem nasceu ali?” – a mendiga deu uma freada nas palavras desconexas, apontou pruma antena no alto do Morro da Conceição, e disse na maior naturalidade: “Você”.

Da mesma forma, Amora, a hippie, encantou-se com meu lero-lero e logo me deu trela. Eu fingi que era tudo bem simples, muito natural: um amor romântico, fruto tropical. De acordo com a musiquinha (Roupa Nova?) grudenta dos oitenta que – já naqueles tempos – eu não suportava. Desde sempre desconfiei de hippies e almas do outro mundo. E, de repente, (nem tão de repente assim…) me transformo numa espécie de maluco barbudo que chamou a atenção de Amora devido à aura luminosa que eu carregava sobre meus cornos resplandecentes. Amora-fora-de-contexto jurava que eu refletia as sete cores do arco-íris e mais uma outra cor oculta que somente os grandes avatares eram capazes de irradiar em raros momentos de sincronicidade cósmica. Eu, hein?

Bem, já que ela pensava assim, me senti na obrigação de tirar uma casquinha. Mas, para tanto, teria de disfarçar minha ansiedade.Não podia chegar nela, e falar algo do tipo “chupa meu avatar aí, Amora”. Então, me aguentei, como se o convite dela – pra gente passar um final de semana em Lumiar – fosse a coisa mais natural do mundo. Ah, Beto Guedes. Ah, Amora. Uma garota de no máximo vinte anos, vendia origamis na Lapa, e tinha uma carapinha meio ensebada. Até aí, tudo bem. Eu não ia comer a carapinha, mas com certeza desfrutaria da bunda arrebitada e das tetas bicudas que fariam qualquer avatar irradiar sincronias cósmicas e muito esperma amiúde. Imaginei uma selva de pelos debaixo do suvaco e pentelheira farta na chavasca. Aquilo me deu um tesão sobrenatural, telúrico – algo condizente com minha condição de barbudo maluco da Lapa que conversava com fantasmas e não comia ninguém há pelo menos seis meses. Amora deve ter percebido a fissura, mas ficou na dela.

Arrumou uma pousadinha toda limpa pra gente passar o final de semana. A primeira surpresa. Eu estava preparado para pescar, moer cana e caçar lua, e no dia seguinte estender o sol na varanda, todo bicho-grilo feito Beto Guedes em 1978. Depois, ela quis saber qual era a “bandeira” do meu cartão de crédito. Aí falou do noivo. O sujeito trabalhava de recreacionista (leia-se bobo da corte e corno) nos navios da Linea C, e encerrou de vez minhas expectativas telúricas e pentelhúricas quando me chamou pra entrar na hidro. Máquina zero. Suvaco também era liso. Nenhuma penugem na canela, a buceta parecia um marisco triste vindo diretamente do mar de Peruíbe. Liso. Uma hippie depilada. Pensei em reclamar pro gerente da pousada, mas deixei pra lá. Afinal, o par de tetas (mamilos chocolate) apontava para o céu de Lumiar e estava lá sorrindo pra mim, o sorriso também depilado. Nem maconha ela fumava. Fazer o que, né?

Comi.

Em seguida, fomos dar umas bandas no centro de Lumiar. Ela costumava ir a um “espaço” que – às vezes – funcionava no quintal da Ideli, debaixo de uma jaqueira. Ideli era uma artista experimental amiga dela que, não bastasse ser artista e ser experimental, “interagia com espaços multidisciplinares”. Como se a xaropice da figura não coubesse em si mesma, Ideli tinha a capacidade de ser chata por metro quadrado e de – literalmente – ocupar os espaços. Para resumir, posso dizer que Ideli correspondeu ao meu ceticismo mais primário, e ocupou os espaços dela e minhas piores expectativas.

A gente pensa que está preparado. Que a sabedoria é uma condição adquirida junto com os calos que carregamos na alma. É nada. Logo que entramos no quintal da Ideli, identifiquei um cabeludo vestido de índio boliviano cantando “Açaí”, aquela mesma do Djavan; em seguida o cara sapecou Chico César e Legião Urbana – digamos que o filhodaputa não parou por aí. Nando Reis, Lenine. Tava frio pracacete e eu não aguentava mais ouvir o som de besouro-imã ou coisa que o valha, pedi licença e disse que ia meditar na mamma África que os pariu, e me pirulitei.

Noite de Lua cheia. De lua óbvia. Sou um cara paciente, e – segundo Amora – tenho uma aura gay com as sete cores do arco-íris e mais uma cor oculta e conluiada com o cosmos bordejando sobre meus cornos iluminados, ora, se o xamã boliviano tivesse enveredado por Almir Sater … ou, sei lá, Renato Teixeira, até que eu encarava. Mas aquele papo de que a gente tem que amar as pessoas como se não houvesse amanhã deu no meu saco, porra.

Lua cheia de merda, hippie depilada, o som do besouro-imã atazanando minhas ideias. Nessas horas sou mais Jorginho Bush e defendo o porte de arma. Bem, para voltar à pousada – fiz uns cálculos –, eu teria de atravessar a ponte e depois pegar à direita, em seguida passaria defrontre o ginásio de esportes e caminharia uns duzentos metros pela estrada de terra. Quando chegasse no depósito “Veleiro” de materiais de construção, era só virar à esquerda, atravessar uma segunda ponte, e seguir morro acima. Consegui chegar na primeira ponte, e logo que pus os pés do outro lado, tudo ficou quase branco. Parecia que alguém havia acendido os holofotes dos Campos do Senhor – desculpem a analogia: é que, não só na ocasião, mas agora também, o Chico César e o Djavan juntos não me permitiram/não me permitem achar imagem melhor. Senti muito frio. E uma cegueira branca. Todavia não era o frio da noite, era como se a luminosidade daquele clarão me envolvesse num manto gelado, que tinha mais a ver com a visão em si do que com a baixa temperatura da noite que … já não era noite. Me senti atraído por algo que, em vez de integrar e chamar para si, dissipava. Portanto, o contrário de uma atração. Tratava-se de uma gravidade enviesada. Como se a eletricidade do entorno e a temperatura externa fossem uma coisa só: juntas, essas duas forças agiam no meu corpo e me acalmavam quando – em tese – deveriam me deixar puto da vida. Na verdade, eu estava apavorado, mas não conseguia reagir a ponto de esboçar nada diferente de complacência e aceitação. Imobilidade. Como eu poderia dizer? Digamos que fui atraído por um estado de imponderabilidade e suspensão. Um imã que me indicava a direção oposta àquela que eu deveria seguir se quisesse voltar à pousada. Então, aos poucos, a luminosidade que quase havia me cegado foi cedendo a uma luz amarela, e depois âmbar, até que finalmente pude enxergar um objeto metálico em formato de ovo. Um ovo metálico. Conforme eu me aproximava do ovo e mais nitidamente o distinguia de todo o resto (passado,presente e futuro) perdia o controle sobre meu corpo. Como se eu, e todos os meus sentidos, tivéssemos sido condensados em visão. Eu era somente visão. De modo que tinha um espectro de 360 graus a meu dispor – as moscas enxergam assim. Se eu dissesse que me encontrava de cabeça para baixo e lúcido, qualquer um – inclusive eu – juraria que isso é papo de louco ou que, dessa vez, os efeitos do besouro-imã mais a mamma África teriam ultrapassados todos os limites do suportável. A ponto de me fazer optar por uma abdução (esse é o termo técnico “abdução”) em vez de dividir e/ou ocupar qualquer espaço multidisciplinar comandado por uma artista plástica sem talento e amiga de uma hippie depilada, bem, digo que foi mais ou menos isso que aconteceu. Apesar de toda contrariedade, eu que escolhi ser abduzido.

Só que lá dentro, depois que eles me permitiram sair do estado de suspensão, é que entendi exatamente as coisas do jeito que elas eram (ou deviam ser). Tudo muito precário. Chão batido, lenha e panelas de cobre penduradas nos janelões que davam prum lugar escuro e muito alto. Os alienígenas deviam estar tirando uma da minha cara quando me perguntaram se eu queria dar uma tapa no cigarro deles. Maconha? Não, apenas distração, fumo de corda mesmo. Parecia que eu estava no céu do Mazzaropi, naquele filme: “Jecão um fofoqueiro no Céu” (1977).

ETs Mazzaropi? E a tecnologia, perguntei.

Um deles, que vestia uma camisa esgarçada e tinha olhos puxados a partir de uma esclerótica branca e as pupilas lilás, me disse: “Quem gosta de apertar botãozinho é caipira”. O ET até que foi didático e paciente comigo, eu no lugar dele teria me mandado de volta pra jaqueira da Ideli. Explicou-me que a gente aqui na terra projetava as coisas de acordo com a precariedade de nossas ambições, daí as naves em forma de ovo metálico e o som do besouro-imã. Aquilo podia ser uma nave ou uma choupana. Eu que escolhia. E como a maioria dos meus semelhantes optou pelos seriados dos anos sessenta, então, aos nossos olhos, eles deviam ser aqueles seres ultra-inteligentes e donos de uma tecnologia infinitamente superior à nossa, tudo bobagem, me garantiu o ET – inclusive a esclerótica branca e as púpilas lilás.

Simples. Pelo fato de eu nunca ter dado muita bola pro George Lucas – ele me explicou – eu os projetava como Mazzaropis estelares. Uma nave pode ser movida a lenha ou a criptonita, ou a papel crepom.

- Nunca viu Fellini, mané?

- E os militares? – perguntei.

- Quiéquitem? – ele ria da minha cara.

- Roswell, Área 51. Nasa!

- Bobagem. Tudo bobagem. Ou você acha que nós, evoluídos tecnologicamente – o ET sacudia a pança de tanto rir – temos fetiche por fardinha?

- E a operação Prato?

Ele saltou do banquinho, e mudou de fisionomia. De repente,o Mazzaropi se transformou no general Figueiredo:

- Prefiro o cheiro de bosta de cavalo ao cheiro do povo!

Ele apontou pruma mesinha de fórmica. Sobre o móvel, uma Semp-Toshiba transmitia o desfile de 7 de setembro. Urutus na avenida. Hino da Bandeira. Autoridades no palanque, as mulheres dos generais faziam o contraponto aos Urutus, e usavam capacetes de laquê.

Então, o ET perfilou-se na minha frente, olhou nos meus olhos, e falou cuspindo fogo:

- Inquéritos policiais militares. Bases, hangares. Dragonas, patentes. Arquivos secretos e documentos ultraconfidenciais, homens de preto. Buuuuuuu!!!!.

O filho da puta me assustou. Voltou o Mazzaropi:

- Ô, sô. Num orneia, não. Vocês que inventaram a ordem, a disciplina, a hierarquia e a regrinha de três. A maluquice é de vocês.

- Eu? Eu não tenho nada a ver com isso, seu ET.

Tava na hora da merenda.

Ele sabia que mais ou menos eu compartilhava das ideias dele, antes mesmo do nosso encontro. Então, me ofereceu um bolo de fubá e passou um cafezinho num coador encardido. O melhor café que tomei na vida, registre-se. O ET Mazzaropi recomendou que eu voltasse a Ouro Preto, disse que eu tinha o privilégio de testemunhar a transformação de um sujeito – amigo meu que havia rejeitado a deserção – em santo: “Ele tá virando santo diante do seu nariz e de uma platéia maluca e distraída, a gente aqui fica zelando por aquele bebum”. Eu sabia que sim, e de quebra o ET me lembrou do Preto Velho, aquele do terreiro do Andaraí. Fiquei intrigado, como é que ele sabia da macumba no Andaraí?

- Eu sei, uai. Lembra o que ele disse?

Lembrei, mas não falei nada pro ET. Mesmo porque mudamos de conversa para tratar do mesmo assunto:

- Isso aí, meu filho. Vai em paz e diz pros seus coleguinhas lá de baixo que o mineiro só é solidário no câncer. E fala pro povo rancoroso pra não ralhar com a tia Nastácia. Aqui não existe botãozinho pra apertar, tá vendo?

Eu queria saber se o mundo ia acabar em 2012, se o Palmeiras cairia pra segundona outra vez, se a Ivete Sangalo era mesmo a reencarnação de Hitler, se o mundo espiritual tinha alguma relação com os ETs, por que o Chico Xavier usava peruca e pra qual sistema solar teriam ido os pentelhos de Amora, aquela hippie mequetrefe … Nesse momento, ele abriu um sorriso largo e desdentado, pitou o cigarrinho de palha e afagou o holograma do Batuque, um vira-latinha simpático que se aninhou sobre as nuvens do nosso planeta. A gente via a sombra do cãozinho atravessando cordilheiras, indo ao encontro de outras nuvens e se transformando em canções sofridas. “Coisa triste e bonita” – comentou o ET .

O puto do ET era o Mazzaropi cuspido e escarrado. “Servido?” Entornei um gole de uma amarelinha do outro mundo, brindamos o nascimento de um garoto que tinha tudo para ser uma espécie de Antonio Conselheiro da Vila Joaniza, ia depender somente dele. “Esse garoto pode mudar o mundo … mas se bobear vai ser recreacionista no Clube Med”, constatou o ET, meio que desconsolado e rindo de si mesmo. Eu acrescentei: “Recreacionista, e corno”.

Enchemos a cara, puta viagem legal. O convidei pra estréia da minha peça-punk, “Sobre os ombros dourados da felicidade” *, que aconteceria dali a 3 anos, no Reserva +, lá no Rio de Janeiro num 1º de outubro de 2012 (no problem: ele viajava no tempo) e lhe disse também que não o perdoaria se não dividisse comigo um filé encrenca no Planeta’s. A essa altura estávamos pra lá de alfa-centauro: “Planeta’s, sei sei. Encrenca no Planeta’s Terra” – ele se divertiu com o próprio trocadilho, e arrematou:

- Quando dá errado é que dá certo.

- E´?

- Claro que é, uai.

Guardo uma última lembrança. Quando o ET coça o dedão do pé, e diz p’reu desencanar que a vida engana, cacete!, ele citou Nelson Rodrigues,citou Reinaldão Moraes … e falou da macumba no Andaraí. Agora lembro:

- Anjo toco – disse o Preto Velho do Andaraí – “anjo toco não voa”.

Publicado originalmente no "congressoemfoco"

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Opinião

Queda da mortalidade infantil

O Estado de S.Paulo
O Brasil reduziu em 73% o número de mortes de crianças de até 5 anos nas últimas duas décadas, conforme dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O País se classificou em quarto lugar no ranking das nações que mais evoluíram na prevenção de doenças infantis, atrás da Turquia, do Peru e de El Salvador. A média global de redução da taxa de mortalidade infantil foi de 40%. Em 1990, a taxa brasileira era de 58 mortes por mil crianças na faixa de 0 a 5 anos. No ano passado, foram registradas 16 por mil nessa faixa etária. Com uma antecipação de quatro anos, o Brasil conseguiu atingir a meta estabelecida pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

O feito levou o governo brasileiro a assinar, há dias, o Relatório de Progresso 2012, intitulado Compromisso com a sobrevivência da criança: uma promessa renovada, um acordo proposto pelo Unicef, em que o País se compromete a, por meio do intercâmbio de informações e troca de experiências, auxiliar outras nações que hoje enfrentam dificuldades para baixar a taxa de mortalidade infantil. Dados divulgados pelo Grupo Interinstitucional de Estimativas sobre Mortalidade Infantil da ONU mostram que o número de crianças menores de 5 anos que morreram em todo o mundo caiu de 12 milhões, em 1990, para 6,9 milhões, em 2011.

Há de se reconhecer o esforço do governo nos últimos anos. O Ministério da Saúde investiu R$ 3,3 bilhões na Rede Cegonha, um programa que visa a ampliar o acesso e a melhorar a qualidade do pré-natal, com atendimento médico nos 24 primeiros meses de vida do bebê. A taxa de aleitamento materno também registrou elevação: entre 1999 e 2008, o tempo médio de aleitamento aumentou em um mês e meio. A prevenção de doenças por meio das campanhas de vacinação colaborou significativamente para o desempenho do País. Em 2006, houve um grande avanço com a inclusão da vacina de Rotavírus Humano (VORH) no calendário de vacinação; hoje, 87% das crianças estão imunizadas. Há dois anos, as vacinas pneumocócica 10 e meningocócica C também foram incluídas no calendário.

Apesar desses progressos, ainda há um longo caminho a percorrer. O mesmo relatório que reconhece o esforço do governo brasileiro revela que o País está em posição desconfortável (107.ª) no ranking mundial. Cingapura, Eslovênia, Suécia e Finlândia são os líderes, com menos de 3 mortes por mil crianças.

O Brasil ainda perde muitos bebês por causa de problemas ocorridos no pós-parto. O levantamento do Unicef revela um elevado número de óbitos de crianças em decorrência de doenças como diarreia e pneumonia, além de outros males sem definição específica.

Em novembro, o IBGE registrou em seu website, no banco de dados Sidra, a morte de mais de 35 mil bebês com menos de 1 ano, entre agosto de 2009 e julho de 2010. Esse número representa 3,4% do total de 1,034 milhão de óbitos do País no período. A assistência à saúde da mãe durante a gravidez e o acompanhamento permanente nos primeiros anos de vida da criança ainda estão longe de ser garantias universais, principalmente nas regiões mais carentes. Áreas pobres do Norte são as que mais sofrem com a perda de bebês. Nas décadas de 80 e 90, os bebês morriam vítimas de doenças infectocontagiosas, como diarreia e desidratação. Atualmente, problemas com a gravidez, com o parto e doenças congênitas são as principais causas de mortes.

Os maiores investimentos devem ser feitos para assegurar que a rede pública de saúde seja capaz de prestar um bom atendimento nesses casos. Nas áreas rurais e nas cidades mais pobres das Regiões Norte e Nordeste, os médicos não chegam, ou chegam em número muito menor do que o necessário e, muitas vezes, despreparados. Além disso, não contam com estrutura hospitalar adequada, principalmente para atender bebês prematuros.

O Brasil avançou bastante, sem dúvida, mas não pode se contentar com isso. Precisa agora buscar posição ainda melhor no ranking mundial.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 01 / 10 / 2012

Folha de São Paulo
"Facção criminosa atua em 123 cidades paulistas" 

Arquivos do PCC foram apreendidos em três grandes operações policiais

Cerca de 400 documentos revelam que o PCC possui ramificações em 123 das 645 cidades de São Paulo. Esses arquivos mostram que os bandidos da organização estão espalhados por todas as regiões do Estado. A facção tem 1.343 criminosos nas ruas, o que equivale a dois batalhões da Polícia Militar, informam Rogério Pagnan, Afonso Benites e Josmar Jozino. Cada um deve pagar ao PCC mensalidade de R$ 600. Em troca, o bandido recebe ajuda no caso de ser preso, entre outros benefícios. A organização é a principal suspeita de atacar os policiais do Estado. Até ontem, desde o começo do ano, 73 PMs foram assassinados. Elaborados pelos bandidos, os arquivos foram apreendidos em três grandes operações policiais, já embasaram o Ministério Público em denúncias e norteiam a polícia na desarticulação da facção.

O Estado de São Paulo
"Serra crítica Dilma na véspera de ato por Haddad" 

Presidente participa hoje de comício; tucano diz que ela usou o governo para ajudar a candidatura petista

O candidato tucano à Prefeitura, José Serra, afirmou que a presidente Dilma Rousseff “usou o governo” para beneficiar o candidato petista na véspera da presidente desembarcar em São Paulo para participar de comício de Fernando Haddad, candidato do PT. Serra referia-se à escolha de Marta Suplicy para ministra da Cultura logo depois de ela ter anunciado apoio ao petista. “Nós não usamos governo para fazer aliança em eleição como o que foi feito em SP”, disse Serra, que estava acompanhado do governador Geraldo Alckmin (SP). Haddad insiste nas críticas à proposta sobre tarifa de ônibus do líder das pesquisas, Celso Russomanno, que não fez campanha pública ontem em razão do nascimento de sua filha.

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domingo, setembro 30, 2012

Indo pra Maracangalha pelo ar...


Declaração

À população de Ubatuba

Eu Antenor Ricardo Benetti, quero comunicar que desde 06 de setembro estou desvinculado dos trabalhos de prevenção à dengue. Quero agradecer aos cidadãos desta cidade que acreditaram no meu trabalho e o apoiaram, razão pela qual tivemos desde 2007 excelentes resultados se comparados a outras cidades com características semelhantes às nossas. Agradecer aos agentes de controle de endemias, pela seriedade com que trabalharam durante estes pouco mais de 5 anos em que estive à frente dos trabalhos. Por não concordar com alguns procedimentos adotados e que embora tenha me esforçado para trazer as coisas à luz da lei, não obtive êxito e por esta razão decidi por sair, porém, por força de minha função pública continuo protegendo nossa população, pois sou fiscal de saúde pública em cargo de provimento efetivo e, portanto conheço e procuro me manter sempre nos princípios básicos que norteiam a administração publica, a saber, a legalidade, a impessoalidade, a moralidade, a publicidade e a eficiência. Minha decisão não possui há qualquer cunho político/ partidário e nem é oportunismo de momento e por isso coloco-me a disposição para quaisquer esclarecimentos que forem necessários.


Agradeço a todos pelo apoio e contem sempre com este servidor público.


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