sábado, setembro 22, 2012

Altura! Quem tem medo?

Trabalhadores no Rockefeller Center, 1932

Colunistas

Povo descartável e idiota

“A posição política dos dois partidos americanos é clara: se você não é o 1%, você é descartável. E idiota”

Márcia Denser
Um artigo de Paul Craig Roberts aborda as eleições americanas deste ano com uma ironia devastadora, a começar pela provocação do título. Diz ele que se as convenções de partidos nos EUA valessem nota de 1 a 10 por inteligência e sensibilidade, daria zero à republicana e 1 à dos democratas: cruzes, como os EUA podem ser “a única superpotência mundial”, se os dois principais partidos políticos ignoram completamente o que acontece em casa e no mundo?

Os republicanos esperam vencer impulsionados por quatro anos de propaganda anti-Obama e suas máquinas de votar eletronicamente programadas e jamais fiscalizadas. Ininterruptamente, durante quatro anos, agentes dos republicanos inundaram a internet com retratos de Obama em que ele foi representado como “‘cidadão estrangeiro”, não norte-americano; como muçulmano (apesar de Obama ter passado quatro anos matando muçulmanos em sete países do planeta!) e como marxista (apesar de guindado ao poder pelo lobby israelense, Wall Street e o complexo militar de segurança!).

O pior é que a maioria dos republicanos votará contra Obama baseados nessas sandices, apesar do estranho fato de que nenhuma comissão da Câmara de Deputados (controlada pelos republicanos, diga-se) jamais ter realizado investigação alguma sobre o estranhíssimo fato de os EUA continuarem a ser governados por um estrangeiro, muçulmano e marxista (além de negro)!

Se Obama não é cidadão dos EUA, por que os cães de guerra da agressiva Câmara de Deputados republicana não capitalizam o fato que tanto “noticiaram”? Nada mais fácil que uma Comissão Parlamentar de Inquérito investigar e determinar se o presidente, afinal, é ou não cidadão dos EUA! O fato é que, apesar da propaganda, os republicanos nada fizeram para capitalizar as loucuras espalhadas pela Internet por seus próprios agentes.

Ou os republicanos sabem que disseminam mentiras, ou não querem que o próprio Congresso declare que Obama é cidadão dos EUA, ou os republicanos, depois de destruir até a última linha a Constituição dos EUA, reduzindo-a a estilhaços de papel, sentem que inventar discussões sobre o pouco que resta da Constituição seria hipocrisia demais – uma apoteose da hipocrisia, e esta sim, indisfarçável – uma vez que não desejam que se discutam questões constitucionais e se descubra que, há muito tempo, os republicanos tratam a Constituição como letra morta.

Senão, vejamos: se os republicanos já destruíram o habeas corpus, o devido processo legal, violaram sistematicamente a leis, sejam nacionais e internacionais, ignoraram a independência entre os Poderes e criaram um Cesar imperial, por que os democratas se importariam que os EUA fossem governados por um cidadão não-americano, muçulmano e marxista (além de negro)?

Por que os republicanos não levantaram (na Convenção Nacional) a questão de, no governo Obama, o Executivo continuar mandando assassinar cidadãos norte-americanos, sem qualquer processo legal de julgamento? Não há uma linha, na Constituição dos EUA, nem na lei ordinária que autorize esse tipo de crime. Só na não-lei do estado policial de Gestapo, a que está reduzido o governo dos EUA, o presidente pode ordenar assassinatos premeditados. Mas a respeito os republicanos mantiveram silêncio absoluto. Porque essa é a parte do governo dos democratas que os republicanos apoiam e aprovam. Afinal, quem inventou tudo isso foi o presidente Bush, outro republicano, e eles têm que ser “coerentes”, certo?

Por que os democratas não discutiram, na Convenção Nacional, a questão de governos republicanos terem levado os EUA a mais de uma guerra, unicamente baseados em boatos decorrentes do 11/9, sem nunca terem investigado efetivamente os eventos do 11/9?

Não há nos EUA um único arquiteto sério, um único engenheiro estrutural competente, um único físico, um único químico, um único especialista sério em segurança nacional que tenha engolido sequer uma linha da história oficial que o governo dos EUA divulga sobre o 11/9. Até os primeiros a chegar ao local do desmoronamento, nem as testemunhas nem os sobreviventes, tampouco acreditam numa palavra sequer dessa história. No entanto, a maioria dos especialistas fica em silêncio, porque senão desaparecem as verbas de pesquisa nas universidades nas quais têm de trabalhar para viver, ou somem os projetos de arquitetura e engenharia nos seus escritórios, boicotados por ex-clientes e excelsos patriotas. Contudo, apesar de todos esses riscos, 1.700 arquitetos e engenheiros norte-americanos encaminharam documentação ao Congresso, em que demonstram por que não acreditam numa linha da explicação oficial sobre o 11/9, exigindo uma investigação que vise revelar a verdade e não “comprovar” mentiras.

Por que nenhum dos dois partidos levantou (nas respectivas convenções nacionais) a questão de como é possível que alguém ainda espere que a economia dos EUA entre em processo de recuperação, se as grandes empresas já exportaram, para sempre, milhões de empregos da classe média, sejam trabalhadores não qualificados, sejam qualificados, além de prestadores de serviços. Já faz uma década que a economia norte-americana só tem fôlego para criar subempregos, nenhum deles exportável, tipo tarefas domésticas, atendente de balcão, garçonetes, faxineiros hospitalares, etc.

Sobre empregos, os dois partidos só repetem o mais completo nonsense. Os republicanos dizem que só criará empregos quem cortar impostos dos ricos, e os Democratas afirmam que só criará empregos quem subsidiar programas de empregos. Os Republicanos dizem que os programas de empregos dos Democratas só fazem desviar dinheiro de investimentos lucrativos para enriquecer traficantes de drogas e donos de bares. Os Democratas argumentam que os impostos baixos para os mais ricos só fazem subsidiar iates, carros exóticos, aviões particulares e relógios de 800 mil dólares para o 1% – sendo que a maioria desses bens é produzida no exterior.

Nenhum dos dois partidos políticos jamais admitirá que, quando as empresas norte-americanas transferem suas fábricas para o exterior a fim de produzir produtos para o próprio mercado dos EUA, os americanos são segregados, exilados de toda a renda associada à produção dos bens e serviços que consomem. A exportação das fábricas e dos empregos é defendida por esses dois patéticos partidos políticos, a pretexto de estarem aplicando a ideologia do “livre comércio”. Ou o mantra neoliberal. Ou ambos, a cartilha rezada pelo 1% dos ricos da humanidade esquizóide.

De fato, a exportação de fábricas e empregos é uma espécie de “doação” do que um dia foi o PIB dos EUA, à China, à Índia e a outros países nos quais as empresas norte-americanas instalam suas fábricas, enquanto o PIB dos EUA escoa pelo ralo, engorda o PIB dos outros países que produzem os produtos que as empresas norte-americanas vendem a norte-americanos endividados. E economistas idiotas chamam de “livre comércio” o que qualquer um vê que é a “desindustrialização dos EUA”.

Qualquer economista inteligente – o que é um oximoro – sabe que destruir a renda dos consumidores, arrancando-lhes os empregos para exportá-los para outros países, deixa tais consumidores sem renda para comprar, sequer, os produtos cuja produção foi exportada.

Mas, nem a republicanos nem a democratas interessa admitir tal “desconexão”. Nem republicanos nem democratas podem expor-se a este risco, porque todos dependem do dinheiro das mesmas mega empresas para pagar as respectivas campanhas eleitorais. Além do mais, exportar fábricas e empregos para terras distantes faz explodir os lucros das empresas e, consequentemente, o valor das ações, os dividendos distribuídos entre os acionistas e os bônus a pagar aos gerentes e executivos.

Em síntese, por mais absurda que seja: partido político que se oponha a exportação de fábricas e empregos dos eleitores nos EUA não arranja dinheiro para campanha eleitoral, ergo não consegue ser eleito.

Assim, afinal, se cria um quadro ‘eleitoral’ no qual a “única superpotência mundial”, a “nação indispensável”, a “senhora da hegemonia mundial” está caminhando para eleições nas quais nenhum eleitor consegue entender o que realmente está em jogo nas tais “eleições justas, livres e democráticas”.

Por que nenhum dos dois partidos perguntou: se Washington demonizou, garantindo que “isolou” totalmente o Irã, porque, semana retrasada, haviam 120 países reunidos em Teerã, na reunião do Movimento dos Não Alinhados? A propaganda de Washington está falhando? Washington já não consegue convencer o mundo de que países que Washington deseja destruir são “o mal” e merecem ser destruídos?

Mas se a propaganda de Washington começa a fazer água, também começa a fracassar seu poder hegemônico. Se Washington planeja aliar-se à mais atrasada ideologia neoconservadora para tentar manter-se como potência hegemônica, então Washington também está fracassando. E já não existe a tal “única superpotência” que os EUA ainda fingem ser.

Especialistas em política externa (nenhum deles contratado por qualquer dos dois grandes partidos norte-americanos) já perceberam que Washington há muito trocou o “soft power” pelas mais descaradas mentiras e os mais injustificados ataques militares contra sete países muçulmanos, o “plano” de cercar a Rússia com bases de lançamento de mísseis, além de cercar a China com bases aéreas, navais, quartéis e marines.

Em outras palavras: se já nem Washington acredita na força moral de Washington, resta a força financeira e a militar – aliás, forças insuficientes (posto que advindas da mentira e da coerção) e, a longo prazo, condenadas ao fracasso.

Nem republicanos nem democratas perguntam por que os EUA estão em guerra contra os muçulmanos, ao lado de Israel. Por que norte-americanos são mandados à guerra, perdem braços, pernas, a própria vida, e os EUA empobrecem porque o déficit de guerra já é impagável, o que significa que o povo norte-americano compromete o futuro dos próprios filhos e netos por… Israel?!

Vote em quem votar, seja qual for o partido ou o candidato votado, quem votar nos EUA em novembro estará votando a favor de Israel. E do autodescarte.

A saída dos dois partidos é botar a culpa pela bancarrota nacional no pouco que Washington faz pelos norte-americanos mais pobres. A bancarrota dos EUA é culpa da Seguridade Social, do Medicare, dos bônus de alimentação, dos subsídios à moradia, das bolsas de estudo – de qualquer coisa e de tudo que ajude mais os cidadãos que o 1%.

Em resumo, a posição política dos dois partidos é clara: se você não é o 1%, você é descartável. E idiota.

Publicado originalmente no "congressoemfoco"

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Opinião

O revisor revê sua posição

O Estado de S.Paulo
A tendência natural da imprensa é a de ressaltar como fica, a cada sessão do Supremo Tribunal Federal (STF), a situação dos réus do mensalão, com as condenações que já possam ter-se acumulado nos pareceres do relator do processo, Joaquim Barbosa, do revisor, Ricardo Lewandowski, e nas ainda poucas decisões tomadas pelo pleno da Corte. A cobertura do 26.º dia dos seus trabalhos, na quinta-feira, por exemplo, destacou que Barbosa concluiu a leitura do seu voto sobre as condutas dos incluídos no "núcleo político-publicitário", condenando por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e, eventualmente, formação de quadrilha 10 dos 11 políticos e operadores partidários acusados de terem recebido vantagem indevida do esquema de Marcos Valério, a mando do então tesoureiro petista Delúbio Soares. Apenas um ex-assessor do PL (hoje PR) saiu livre das três imputações.

O noticiário também salientou o contraste entre a severidade do relator e a propensão do revisor a matizar as suas conclusões. Examinando apenas dois réus do capítulo esgotado por Barbosa, frisaram os relatos, Lewandowski "já" absolveu um deles por inteiro, o ex-deputado federal Pedro Henry, do PP, e condenou o outro, o seu colega Pedro Correa, por corrupção passiva, mas não por lavagem de dinheiro. Os fatos foram esses mesmos. Mas, ao fixar-se predominantemente neles para atualizar o escore do mensalão e em busca de elementos adicionais que confirmariam a polaridade de enfoques entre revisor e relator, a mídia fixou as vistas nas árvores e perdeu de vista o que parecem ser novas e inesperadas movimentações do arvoredo. Essas mudanças, a se firmarem, não apenas serão decisivas para o desfecho do processo, mas poderão eliminar a diferença entre a paga de propina a parlamentar para trocar de partido e votar com o governo, capitulada no Código Penal como corrupção, e a movimentação de valores espúrios, dentro e entre as legendas, via caixa 2, que não passa de crime eleitoral.

Lewandowski, que há duas semanas votara pela absolvição do ex-presidente da Câmara dos Deputados João Paulo Cunha, por não estar convencido de que os R$ 50 mil que lhe repassara o valerioduto representavam um presente pela escolha de uma agência de Marcos Valério para cuidar da imagem da Casa - poderia ter sido dinheiro liberado pelo PT por ínvios caminhos para financiar pesquisas eleitorais nos seus redutos -, mudou da água para o vinho. Ele aceitou a "nova jurisprudência" do tribunal - instigada pela ministra Rosa Weber - de que a comprovação objetiva de que um agente público recebeu vantagens indevidas de terceiros dispensa investigar seja o motivo do recebimento, seja o destino dado aos valores recebidos. O ato em si caracteriza o crime de corrupção passiva.

A esta altura do julgamento, pode o revisor ainda abrigar as convicções íntimas que o levaram a ser leniente com João Paulo, na contramão da quase totalidade de seus pares. E pode ele, em dado momento de sua fala de anteontem, ainda ter indicado sotto voce que o dinheiro do mensalão fazia parte de acordos de "financiamento de campanha" - a tese do caixa 2 alegada pelo PT para minimizar o escândalo. Mas o essencial - o grande fato novo do julgamento - é ter ele admitido que se curvou ao entendimento dominante na Corte. A ponto de dizer, pouco depois, em entrevista, que a razão de ser do mensalão - compra de apoio parlamentar para o governo Lula, ou acertos financeiros com aliados presentes e futuros para quitar dívidas de campanhas e engordar os cofres para as disputas seguintes - tornara-se irrelevante. "Não há necessidade de entrar nesse tipo de elucubração", encerrou o assunto.

Daí se pode prever que Lewandowski só absolverá réus de corrupção passiva se entender que as acusações contra eles foram ineptas, como no caso de Pedro Henry. Com a mesma ressalva, terá de condenar os hierarcas do PT pelas operações de corrupção ativa executadas por Valério em parceria com a sua gente na banca mineira. Contra o tesoureiro Delúbio Soares, há provas e confissões. Contra o presidente José Genoino, assinaturas indeléveis em contratos de fancaria. Contra José Dirceu, o "domínio do fato" - o poder de mandar fazer.

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Manchetes do dia

Sábado, 22 / 09 / 2012

Folha de São Paulo
"Comitiva da Rio-16 furtou documentos de Londres-12" 

Dez brasileiros foram demitidos após britânicos exigirem providências

Funcionários do comitê organizador da Rio-2016 foram demitidos por furtarem informações confidenciais do comitê de Londres-2012 durante a Olimpíada. O conteúdo dos arquivos subtraídos da área de tecnologia não foi divulgado. Em seu blog no UOL, onde revelou o furto, o colunista da Folha Juca Kfouri diz que foram acessados documentos sobre ações estratégicas e da área de segurança. Brasileiros e ingleses trabalhavam juntos no programa de troca de informações sobre os Jogos Olímpicos. Segundo o comitê da Rio-2016, os documentos não eram confidenciais, mas não poderiam ser copiados. Os ingleses exigiram providências do Comitê Olímpico Brasileiro e ameaçaram ir à Justiça. Dez funcionários foram demitidos (os nomes não foram revelados) e os arquivos, devolvidos.


O Estado de São Paulo
"Dilma rebate relator do mensalão em nota oficial" 

Presidente se irrita com menção de seu nome no STF e esclarece depoimento de 2009 citando ‘apagão'

Irritada com a menção de seu nome para reforçar a existência do mensalão e compra de voto no Congresso, a presidente Dilma Rousseff divulgou nota para responder ao relator da ação no STF. Joaquim Barbosa se valeu de trecho do depoimento da então ministra-chefe no processo, em 2009, para reafirmar tese da Procuradoria-Geral da República. Dilma, à época, disse que ficou “surpresa” com a rapidez da votação do marco regulatório do setor elétrico. Em seu voto, Barbosa indicou que essa rapidez poderia ter como razão a compra de apoio no Congresso durante o governo do ex-presidente Lula. Na nota, Dilma afirma que realmente se surpreendeu com a rapidez na aprovação do marco regulatório, mas ressaltou que a pressa se justificava pela importância do tema. E citou o risco de apagão no setor elétrico durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

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sexta-feira, setembro 21, 2012

Gatos


Coluna do Celsinho

Globo da Morte

Celso de Almeida Jr.
Semana passada fui ao circo.

Penúltima apresentação.

Eu, a esposa e a filha.

Muito bacana.

Equilibrista.

Mágico.

Trapézio.

Palhaço; genial, por sinal.

Globo da morte.

O mais bacana foi constatar a juventude dos integrantes.

Moços e moças tocando em frente esta arte admirável.

No final, um show da Galinha Pintadinha fez minha filha torcer o nariz.

Pré adolescente, considera que já superou esta fase mirim.

Eu procurei explicar que o bacana do circo é a diversidade.

Um pouco de tudo para todos os públicos.

E, claro, a garotadinha merece uma atração especial.

Não sei se convenci.

Mas foi muito divertido.

Inevitárvel pensar como seria interessante uma escolinha de circo na cidade.

Sob uma lona bonita, bons profissionais despertando essa paixão na juventude.

Quem sabe, um dia, né?

Com essa história, lembrei de um amigo, o Zamyrton, que resolveu aprender a pilotar motocicleta no globo da morte, após os 40 anos de idade.

Aprendeu, gostou, comprou um globo e chegou a criar uma escolinha para ensinar a técnica, instalando o equipamento numa praça em Porto Velho, capital de Rondônia.

Virou atração turística.

Iniciativa particular, com o apoio do poder público.

Depois, seguiu outros caminhos e vendeu seu globo para um circo.

Mas, realizou o sonho e contribuiu para revelar novos talentos.

Belo exemplo para seguir.

Visite: www.letrasdocelso.blogspot.com

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Opinião

Bases para crescer em 2013

O Estado de S.Paulo
Prometido pelo governo, o crescimento econômico de pelo menos 4% no próximo ano parece garantido, se depender do consumo. As famílias continuam com boa capacidade de compra, sustentada pelo emprego elevado e pelo aumento da renda média e da massa de rendimentos, como acaba de confirmar mais uma vez o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o reforço do crédito ainda vigoroso, os brasileiros continuarão indo às compras neste semestre e, se outros fatores ajudarem, a economia poderá retomar um bom ritmo de expansão antes do fim do ano. Mas a boa disposição dos consumidores é apenas uma das condições necessárias para o aumento geral do nível de atividade. Falta ver se a indústria será capaz de atender à demanda interna e de retomar o espaço perdido, nos últimos anos, para os concorrentes de fora.

Do lado do consumo, os dados são claramente positivos, como têm sido quase invariavelmente há alguns anos. As condições do mercado de trabalho permanecem muito favoráveis, nas seis áreas metropolitanas cobertas pela pesquisa do IBGE, embora a economia esteja em marcha lenta há mais de um ano. No mês passado, a desocupação ficou em 5,3%, praticamente sem variação em relação a julho (5,4%) e bem abaixo do nível observado em agosto de 2011 (6%). Nas seis regiões, o rendimento médio habitual dos trabalhadores foi 1,9% maior que o do mês anterior e 2,3% superior ao de agosto do ano passado. Como consequência da criação de empregos e da elevação do rendimento médio, a massa dos ganhos da população ocupada aumentou 2,3% de julho para agosto e foi 3,6% maior que a de um ano antes.

Com o crédito ainda em expansão e alguma redução da inadimplência, os consumidores continuam com elevado potencial de compra. Os últimos dados gerais sobre o varejo, referentes a julho, mostram um cenário positivo. O volume de vendas do comércio varejista cresceu 1,4% de junho para julho. Nesse mês, foi 7,1% maior que o de igual mês do ano anterior. O total acumulado em 12 meses foi 7,5% superior ao dos 12 meses anteriores.

O varejo ampliado (com veículos e material de construção) recuou 1,5% em julho, porque as vendas de automóveis diminuíram 8,9% depois de um crescimento espetacular de 23,9% no mês anterior. No acumulado de 12 meses, o volume vendido pelo varejo ampliado foi 5,9% maior que o do período precedente.

Apesar da vigorosa demanda de consumo, o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro semestre foi só 0,6% maior que o de janeiro a junho de 2011. Mesmo com alguma recuperação, o crescimento médio do ano dificilmente passará de 2%, em nova estimativa do governo (a anterior era de 3%). A mediana das projeções do mercado coletadas pelo Banco Central no dia 14 havia chegado a 1,57%. Será o segundo ano de estagnação. Em 2011 o PIB aumentou só 2,7%.

Esses números refletem principalmente o mau desempenho da indústria. O mercado interno tem crescido, mas a indústria de transformação vem sendo afetada, há anos, por desvantagens crescentes diante da concorrência. Durante anos, o governo atribuiu as dificuldades do setor principalmente à valorização do real - fator de encarecimento dos produtos nacionais e de barateamento dos importados - e aos juros altos. Mas o real desvalorizou-se desde o ano passado, os juros caíram e as exportações empacaram, enquanto as importações continuaram vigorosas. Além disso, o crédito para investimentos já era barateado por subsídios. Mas têm ocorrido novidades promissoras.

A presidente Dilma Rousseff decidiu dar menos ênfase ao discurso costumeiro e cuidar mais da produtividade geral da economia e das condições de competição da indústria. O governo deu um passo além dos estímulos pontuais e temporários e anunciou políticas de redução de custos. É cedo para dizer se essas medidas permitirão à empresa brasileira, em poucos meses, acompanhar mais de perto a expansão da demanda interna. Os sinais são positivos e o índice de confiança do empresário industrial, medido pela confederação do setor, subiu em setembro pelo segundo mês seguido e superou o de um ano antes.

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Manchetes do dia

Sexta-feira, 21 / 09 / 2012

Folha de São Paulo
"PT e aliados afirmam que explorar mensalão é golpe" 

Em manifesto, partidos acusam oposição de tentar reverter conquistas de Lula

O PT e os principais partidos aliados divulgaram ontem manifesto em que acusam a oposição de golpismo por utilizar o julgamento do mensalão no STF durante a campanha eleitoral. O documento, apresentado como defesa da “honra e dignidade” de Lula, compara o atual ambiente político ao que antecedeu o golpe militar (1964) e o suicídio de Getúlio Vargas (1954). Com o aval de Dilma, o texto acusa PSDB, DEM e PPS de pressionar o STF para transformar o mensalão em um julgamento político e reverter as conquistas que marcaram a gestão Lula. Entre os que assinam, está Marcos Pereira (PRB), coordenador da campanha de Celso Russomanno em São Paulo. Em nota, a oposição disse que o manifesto é fruto de “desespero”.

O Estado de São Paulo
"Lewandowski vê mensalão como dinheiro para campanha" 

Em seu voto no STF, ministro discorda de Joaquim Barbosa e fala em financiamento para eleições

Revisor do processo do mensalão no STF, o ministro Ricardo Lewandowski não relacionou ontem o esquema de pagamento de parlamentares no início do governo Lula à compra de apoio político no Congresso. “Era um acordo de financiamento de campanha”, disse ao ler seu voto sobre os políticos que receberam dinheiro do valerioduto. A tese do caixa dois é a base da defesa dos parlamentares que receberam recursos do mensalão e o argumento que restringiria aos partidos a responsabilidade pelos crimes. A declaração de Lewandowski conflita com o entendimento do relator Joaquim Barbosa. Lewandowski condenou o ex-presidente do PP Pedro Corrêa por corrupção passiva.

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quinta-feira, setembro 20, 2012

Eleições 2012


E por falar em civilidade... (XXI)

José Ronaldo do Santos
Impressionante um detalhe que observo nesta época eleitoral, mas que também já ocorreu em outras: os carros estacionados próximos de estabelecimentos públicos municipais ostentam os adesivos do candidato da situação. Mais feio ainda é notar a mesma coisa nos veículos de tantos professores e de outros profissionais que atuam nas escolas, no ensino de nossas crianças. Um detalhe: de vários deles, fora de período eleitoreiro, eu cansei de ouvir absurdos contra a administração municipal. Porém, conforme máxima antiga: “Farinha pouca? Meu pirão primeiro!”.

Comentam até de “últimas e desesperadoras convocações” por parte dos chefes. Será verdade? Coitados dos contratados!

Que não passem por virtuosos os egoístas prudentes (que pensam somente na sua própria salvação)!  

Triste é que assim vão se formando as futuras gerações!

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Opinião

Ainda A voz do Brasil

O Estado de S.Paulo
Um dos mais antigos "entulhos autoritários" do Brasil tornou a provar sua capacidade de resistência. No mês passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) reafirmou a obrigatoriedade de transmissão do programa A Voz do Brasil pelas emissoras de rádio de todo o País, de segunda a sexta-feira, das 19 às 20 horas. O ministro Antonio Dias Toffoli, que aceitou recurso da União, julgou legal a determinação de formação de cadeia nacional de radiodifusão para o programa, que é porta-voz dos Três Poderes. Com isso, anulou decisão do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região, que havia permitido a uma emissora de rádio do Paraná transmitir A Voz do Brasil em horário de sua escolha.

Além de tentar liberar o horário da transmissão, a emissora de rádio procurou demonstrar que sua obrigatoriedade é inconstitucional. Para isso, entrou com recurso no STF invocando o artigo 220 da Constituição, segundo o qual "a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição". A União, por sua vez, argumenta que a Constituição lhe faculta a competência de explorar os serviços de radiodifusão, de acordo com o artigo 21, o que confirmaria o caráter obrigatório de A Voz do Brasil. Toffoli aceitou esse entendimento e acrescentou que a decisão do tribunal regional divergiu de "orientação pacífica" do STF a respeito do tema.

Assim, o Supremo apenas reafirmou a constitucionalidade de A Voz do Brasil. A outra parte de sua decisão diz respeito ao horário em que o programa deve necessariamente ser transmitido, conforme previsto na Lei 4.117, de 1962 - algo que, no entendimento do STF, também foi "recepcionado" pela Constituição. Diante disso, resta esperar que o Congresso elabore uma nova lei para, ao menos, eliminar uma obrigação que é imposta às emissoras desde os tempos da ditadura Vargas, a pretexto de dar publicidade aos atos de governos nos mais remotos pontos do País. Mas, a julgar pela histórica indisposição dos parlamentares de abrir mão do palanque franqueado por A Voz do Brasil, trata-se de uma quimera.

"Macaco não costuma serrar o galho onde está pendurado", definiu Acácio Costa, da rádio Estadão ESPN, em recente evento da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) que abordou o assunto. A última tentativa de flexibilizar o horário de A Voz do Brasil ocorreu em junho, quando uma proposta chegou a ser incluída na pauta de votação da Câmara, graças a um acordo entre líderes partidários - e que tinha o apoio declarado do ministro Paulo Bernardo (Comunicações). O projeto estabelecia que as emissoras poderiam começar a transmitir o programa a qualquer momento entre 19 e 22 horas, conforme os interesses de cada rádio. No entanto, a votação foi bloqueada pelo PT. Para o líder petista na Câmara, Jilmar Tato (SP), A Voz do Brasil faz parte da identidade nacional: "O povo está ouvindo. Quem não quer ouvir coloca um CD. Pobre gosta de ouvir". Para o deputado, as emissoras só querem o horário "para ganhar dinheiro com publicidade", como se isso fosse um crime.

A Voz do Brasil existe desde 1935 - criada no governo de Getúlio Vargas com o nome de Hora do Brasil e com o objetivo de integrar o País em torno da ditadura que então se configurava. Esse caráter autoritário foi convenientemente explorado pelo regime militar a partir de 1964 e sobreviveu na transição para a democracia, travestido de "informação institucional". Seus defensores dizem que se trata de uma abertura necessária para que os Poderes da República prestem contas de seus atos, embora haja uma enorme gama de veículos de comunicação à disposição desses Poderes, no rádio, na TV e na internet.

A título de enquadrar-se nos novos tempos, o programa revestiu-se de truques de comunicação - a protofonia da ópera O Guarani, que é a marca do programa, foi remixada em ritmo de forró e de bossa-nova, para parecer moderninha, e até a famosa frase de abertura, "Em Brasília, 19 horas", foi trocada por um informal "Sete da noite, em Brasília". Mas a velha fórmula oportunista permanece: do programa se aproveitam políticos em busca de votos e um governo que alardeia, sem o contraditório, suas façanhas.

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Manchetes do dia

Quinta-feira, 20 / 09 / 2012

Folha de São Paulo
"Serra se descola de Haddad no duelo por 2º lugar em SP" 

Tucano oscila 1 ponto para cima no Datafolha e petista, 2 para baixo; Russomano volta aos 35% e se mantém líder

O candidato tucano José Serra se deslocou do petista Fernando Haddad e agora está isolado no segundo lugar na disputa pela Prefeitura de São Paulo, aponta pesquisa Datafolha. Serra oscilou um ponto para cima (tem 21% das intenções de voto), e Haddad, dois para baixo (19%). Celso Russomano (PRB) variou três pontos para cima, mantendo-se na liderança com 35% dos votos. A margem de erro é de dois pontos percentuais. Após ser atacado pelo PSDB, que associa a réus do mensalão, Haddad teve aumento de sua rejeição, de 19% para 23% - a de Serra é de 44%. Russomano lidera em 6 das 8 grandes regiões de SP e chega a 46% dos votos no extremo da zona leste. Nas simulações de segundo turno, ele vence tanto Serra (57% a 37%) como Haddad (55% a 30%).

O Estado de São Paulo
"Relator condena Jefferson, delator do esquema do mensalão" 

Joaquim Barbosa concluiu que presidente do PTB cometeu crime de corrupção passiva

No segundo dia de leitura de seu voto que envolve parlamentares que receberam dinheiro do mensalão, o relator do processo, Joaquim Barbosa, condenou o delator do esquema, Roberto Jefferson, presidente do PTB, pelo crime de corrupção passiva. O ministro também entendeu que o PL (atual PR), do ex-vice-presidente José Alencar, foi beneficiário do valerioduto. Barbosa condenou o deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP), ex-presidente do PL, por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Hoje, Barbosa vai concluir a análise sobre o PTB e votar sobre a conduta de José Borba (PMDB). O relator disse que Romeu Queiroz e José Carlos Martinez (falecido em outubro de 2003) receberam do PT mais de R$ 5 milhões para compra de apoio político do PTB.

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quarta-feira, setembro 19, 2012

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Opinião

Religião na política

O Estado de S.Paulo
A contaminação das campanhas eleitorais no País pela disputa religiosa é um fenômeno crescente e preocupante que conspira contra o fundamento constitucional do Estado laico. Em São Paulo e em outras importantes cidades brasileiras, como o Rio de Janeiro, esse lamentável fenômeno se agrava nos últimos tempos, e por aqui explode no atual pleito municipal, especialmente em função de uma questão que não tem nada a ver com eleições: o acirramento da disputa entre a Igreja Católica e as confissões evangélicas, à frente a Igreja Universal do Reino de Deus.

Dias atrás o conflito entre católicos e seguidores da igreja do bispo Edir Macedo reacendeu-se por causa da divulgação, pelas redes sociais, de texto publicado em maio de 2011 no blog do pastor da Universal Marcos Pereira, presidente do Partido Republicano Brasileiro (PRB) e atual coordenador da campanha de Celso Russomanno à Prefeitura da capital. O texto continha duras críticas à Igreja Católica por conta da edição, pelo MEC, do chamado "kit gay", manual de orientação didática acusado pelo lobby evangélico no Congresso Nacional de fazer apologia do homossexualismo. A reação foi tão violenta que o então ministro da Educação, Fernando Haddad, mandou suspender a publicação.

O reavivamento dessa polêmica, movido certamente por interesses eleitorais, provocou vigoroso contra-ataque da Igreja Católica: no último domingo a Arquidiocese de São Paulo divulgou longa e dura nota assinada pelo cardeal arcebispo dom Odilo Scherer, lida durante as missas, sob o título Política, com ofensas à Igreja, não!. Afirma o documento que a Arquidiocese, em obediência aos cânones da Igreja Católica e às determinações da Justiça Eleitoral, orienta seus fiéis "para que os espaços e os momentos de celebrações religiosas não sejam utilizados para a propaganda eleitoral partidária, nem para pedir votos para candidatos", embora reconheça que "também deu orientações e critérios sobre a participação dos fiéis na campanha eleitoral e na vida política da cidade e sobre a escolha de candidatos idôneos, embora sem citar nomes ou partidos". Em seguida, afirma que a Igreja Católica foi "atacada e injuriada, de maneira injustificada e gratuita, justamente num artigo do chefe da campanha de um candidato à Prefeitura de São Paulo".

Afirma ainda a nota que "a manipulação política da religião não é um benefício para o convívio democrático e pluralista e pode colocar em risco a tolerância e a paz social". E conclui reiterando "orientação para que os fiéis católicos votem de maneira consciente (...) para que nossa cidade seja governada por autoridades dignas e atentas à promoção do bem da cidade, mais que aos interesses de parte". Forçado pelas circunstâncias, o fato é que o chefe da Igreja Católica em São Paulo acabou misturando política com religião e contribuindo para ampliar a "manipulação" que sua nota condena.

Não deixa de ser irônico, de qualquer modo - e isso, na verdade, reflete o nível rasteiro desta campanha eleitoral -, o fato de que Celso Russomanno, candidato pelo partido comandado pela Universal, faz questão de ostentar sua condição de "católico fervoroso". Na medida em que política e religião não se devem misturar, não há problema no fato de um candidato a prefeito católico ter o apoio de fiéis de outra confissão religiosa. Ocorre que, neste caso, apesar do discurso e da pose, Celso Russomanno, para usar a expressão popular, "não é muito católico" nem seus apoiadores no comando do PRB são simples correligionários, mas hierarcas de uma poderosa organização religiosa que é dona de um partido político.

Assim, se não fosse falso e mal-intencionado, soaria apenas como ofensa pueril ao discernimento dos eleitores o argumento usado no maior caradurismo por Russomanno, no debate promovido pelo Estado e pela TV Cultura, para rebater as acusações de que sua candidatura estaria a serviço dos interesses das organizações, religiosa e comerciais, do bispo Edir Macedo: "No meu partido 80% dos membros são católicos; 20% são evangélicos, dos quais 6% seriam da Igreja Universal. Portanto, não existe um partido político comandado por uma igreja". O fato é que a legenda de Russomanno é comandada por uma igreja.

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Manchetes do dia

Quarta-feira, 19 / 09 / 2012

Folha de São Paulo
"Haddad diz que associá-lo a José Dirceu é degradante" 

Petista tentou, sem sucesso, tirar do ar filme de Serra que o liga a réus do mensalão

Ao tentar proibir na Justiça Eleitoral um comercial de José Serra (PSDB), a campanha de Fernando Haddad (PT) afirma ser “degradante” a associação de sua imagem à de José Dirceu e de Delúbio Soares, seus colegas de partido, e à de Paulo Maluf, que integra a sua coligação, informa Daniela Lima. Dirceu e Delúbio são réus do mensalão, em julgamento no Supremo, e Maluf responde a ações por desvios. O filme exibido pela campanha tucana diz que a eleição de Haddad trará de volta os três personagens. O petista alega que não é réu do mensalão e que, por isso, é indevido associá-lo a envolvidos em processos. A Justiça negou o pedido alegando que eles são políticos do mesmo partido ou coligação. Procurado, o advogado que redigiu a petição diz que degradante é o comercial de Serra.

O Estado de São Paulo
"Governo reage a críticas e anuncia leilões de petróleo" 

Licitação de 174 blocos foi marcada para maio e a do pré-sal será no fim de 2013; setor foi surpreendido

Após quase quatro anos sem ofertar novos blocos de exploração de petróleo, o governo surpreendeu o mercado ontem ao anunciar que fará o primeiro leilão do pré-sal, sob o regime de partilha, em novembro de 2013. Haverá também, em maio, licitação em 174 blocos em áreas que não são pré-sal. A decisão veio após críticas de empresários na maior feira do setor na América Latina, a Rio Oil & Gas. A abertura do evento, anteontem, não recebeu nenhum representante graduado do governo e foi marcada pela cobrança por novos leilões. O setor avaliou que a indefinição afastava investimentos e ameaçava a produção de petróleo no País. Há também descontentamento com a política de conteúdo local e o congelamento de preços dos combustíveis, que resultou em prejuízo para a Petrobrás.

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terça-feira, setembro 18, 2012

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Opinião

A lógica férrea do relator

O Estado de S.Paulo
A etapa crucial do julgamento do mensalão - que focaliza os 23 acusados de integrar o "núcleo político" do esquema - começou ontem no Supremo Tribunal Federal (STF) sob o impacto das declarações atribuídas ao publicitário Marcos Valério pela revista Veja sobre o envolvimento do ex-presidente Lula com o escândalo e a multiplicação de indícios de que, a começar dele e do seu ex-ministro José Dirceu, o PT está perdendo as esperanças de sair com ferimentos suportáveis do ordálio que enfrenta. Quando Dirceu, o primeiro entre os réus do processo, diz que não vai "sofrer por antecipação" e, mais ainda, que não há hipótese de ele "fugir do Brasil", como afirmou à colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, deixa claro que as suas manifestações sobre o que o aguarda na Corte finalmente se renderam ao realismo.

Isso guarda relação direta com os rumos tomados pelo julgamento, agora no seu 24.º dia, desde a decisão do relator do caso, ministro Joaquim Barbosa, de fatiar o exame da denúncia, criando um férreo encadeamento lógico entre o desvio de recursos públicos para bancar o mensalão, o complexo roteiro traçado por Valério para fazer o dinheiro chegar aos beneficiários e a condução política de Dirceu - sob a chefia e o aval de Lula, segundo as palavras atribuídas ao publicitário. A estratégia adotada pelo relator desemaranhou os fatos, deles extraiu os delitos camuflados e tornou como que inexoráveis as condenações, até a semana passada, de 10 réus, entre eles o próprio Valério e o deputado petista João Paulo Cunha (ambos por peculato, lavagem de dinheiro e corrupção), configurando uma tendência que só deverá se consolidar no julgamento dos 11 políticos até então na fila de espera.

Dois outros fatos devem ter ajudado a pulverizar as ilusões petistas. Um, atingindo Dirceu em especial, é a opinião predominante na Corte de que, em um processo dessa natureza, a massa crítica de indícios pode fazer as vezes de evidência cabal para a condenação dos réus que exerciam funções públicas à época - além de não ser necessária a comprovação do chamado "ato de ofício". Outro, o entendimento, expresso desde o início pela ministra Rosa Weber, de que as razões alegadas para a oferta e o recebimento de "vantagem indevida", bem como o destino dado ao dinheiro ilícito pelos beneficiados, são irrelevantes em matéria de corrupção. Pouco importa, nessa ordem de ideias, por que o então presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha, recebeu R$ 50 mil do valerioduto e o que fez com o dinheiro. Do mesmo modo, pouco importa, a rigor, se o PT subornou parlamentares para que votassem com o governo em matérias de seu interesse direto ou se as somas distribuídas se destinavam a pagar por baixo dos panos dívidas de campanha dos aliados.

O essencial é a concatenação entre fins e meios. De um lado, o projeto petista de ocupação e permanência no poder. De outro, a decisão de recorrer à "tecnologia" de Marcos Valério que já servira ao PSDB em Minas Gerais. De um lado, o imperativo de proporcionar ao então recém-empossado presidente Lula maioria no Congresso. De outro, o arrebanhamento de políticos de diversos partidos para o lado do Planalto mediante a mais elementar das formas de persuasão conhecidas no ramo. Esse enredo, como antecipou o Estado, é a substância do parecer que o relator Barbosa começou a ler ontem, para respaldar o seu veredicto, tido como certo, pela condenação de Dirceu, do tesoureiro petista Delúbio Soares e do também então presidente da sigla, José Genoino - os protagonistas centrais do "núcleo político" do mensalão.

Nesta fase, pesam contra o ex-ministro nove acusações de corrupção ativa, pela compra da fidelidade de deputados de cinco partidos. A pena prevista em cada caso varia de 2 a 12 anos de prisão. Ele ainda será julgado por formação de quadrilha.

Embora imateriais para o desfecho da ação penal, as revelações atribuídas a Valério - a quem o PT teria prometido adiar o julgamento - vão além do que consta nos autos. Teriam sido movimentados R$ 350 milhões, duas vezes e meia além do que apurou o Ministério Público - o que só teria sido possível porque "Lula era o chefe".

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Manchetes do dia

Terça-feira, 18 / 09 / 2012

Folha de São Paulo
"Não há dúvida de que houve compra de votos, diz relator" 

Segundo Joaquim Barbosa, aliados receberam dinheiro do PT para apoiar Lula no Congresso

O relator do julgamento do mensalão no STF, Joaquim Barbosa, confirmou a acusação da Procuradoria ao concluir que congressistas e partidos receberam dinheiro do PT para apoiar o governo Lula entre 2003 e 2005. Não há “dúvida de compra de votos”, disse Barbosa. Para o ministro, foram comprovadas transferências milionárias por réus ligados ao PT em proveito de vários políticos que compuseram a base aliada do governo.

O Estado de São Paulo
"Relator do mensalão diz que governo Lula comprou votos" 

Joaquim Barbosa concluiu que foi comprado o apoio de PP, PMDB, PTB e PL e condenou réus do PP

O relator do julgamento do mensalão no STF, Joaquim Barbosa, afirmou que o governo do ex-presidente Lula comprou votos de deputados e apoio de PP, PMDB, PTB e PL (hoje, PR) para aprovar leis na Câmara. Barbosa indicou que condenará por corrupção passiva e lavagem de dinheiro deputados e ex-deputados acusados de receber recursos do esquema. Também indicou que vai considerar culpados os acusados de serem os corruptores: José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares. No total, foram repassados R$ 55 milhões. Barbosa disse que o governo Lula comprou o ingresso do PP na base aliada, em 2003. Pedro Henry (MT) e Pedro Corrêa (PE) foram condenados pelo relator por crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

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segunda-feira, setembro 17, 2012

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Opinião

A retomada e o longo prazo

O Estado de S.Paulo
A economia brasileira saiu do fundo do poço e está de novo em crescimento, segundo vários indicadores importantes, mas falta saber se a indústria terá fôlego para sustentar, a médio prazo, um dinamismo bem maior que o dos últimos dois ou três anos. De junho para julho a atividade econômica aumentou 0,42%, em termos reais, segundo o indicador estimado mensalmente pelo Banco Central (BC) e considerado pelos especialistas uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A recuperação ocorre depois de um primeiro semestre muito ruim. Por isso o Ministério da Fazenda deve baixar de 3% para cerca de 2% sua previsão de crescimento para este ano. Para o próximo, no entanto, a economia crescerá provavelmente mais que 4%, segundo o ministro Guido Mantega.

Essa previsão parece razoável, depois de dois anos em marcha muito lenta, com expansão de apenas 2,7% em 2011 e bem menos que isso em 2012. Economistas do mercado financeiro e de consultorias já baixaram suas projeções para algo em torno de 1,6%. O resultado efetivo poderá ser pouco melhor que isso, mas, nesta altura, nem o governo se mostra muito mais otimista quanto ao número final do ano. É outra, no entanto, a questão mais importante.

Trata-se de saber quanto a economia brasileira poderá crescer nos próximos anos sem fortes pressões inflacionárias ou sem graves problemas nas contas externas. A dúvida mais importante, agora, é quanto ao potencial de crescimento do País.

Estimativas têm apontado um potencial em torno de 4% ao ano. Há sempre uma ampla margem de incerteza em cálculos desse tipo, mas a experiência dos últimos dez anos parece confirmar aquela avaliação. A capacidade de crescimento acumulada nas duas décadas anteriores - especialmente a partir da estabilização e das reformas dos anos 90 - parece ter sido plenamente explorada. Os surtos de inflação depois das últimas fases de rápido crescimento e a tendência à erosão do saldo comercial fortalecem esse ponto de vista.

O esgotamento daquele potencial tem sido visível principalmente no fraco desempenho da indústria de transformação, durante décadas o principal motor do sistema econômico brasileiro. O agronegócio preservou a capacidade de crescer e tem sido por alguns anos o setor mais competitivo da economia nacional. Só um excedente de produtividade parece explicar esse desempenho. Afinal, vários obstáculos enfrentados pela indústria prejudicam também a agropecuária - entraves como as deficiências da infraestrutura, a tributação irracional, a baixa qualidade da administração pública e, durante algum tempo, a valorização cambial excessiva.

Durante os últimos quatro anos, o governo deu ampla atenção a uns poucos fatores. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, acusou as autoridades do mundo rico de promover uma guerra cambial - tese apoiada pela presidente Dilma Rousseff. A presidente, além disso, insistiu na redução de juros como solução para boa parte dos problemas de crescimento. Além disso, o Executivo brasileiro tentou, por longo tempo, associar o baixo dinamismo da economia nacional à crise externa, como se a maior parte dos grandes problemas fosse conjuntural.

A boa notícia é uma aparente mudança de atitude da presidente e de seus principais auxiliares da área econômica. Na quinta-feira, o ministro da Fazenda anunciou a mais alguns setores a desoneração da folha de pagamentos. A medida vale agora para 25 setores. Dois dias antes a presidente havia lançado formalmente o plano de redução das contas de energia elétrica, um insumo absurdamente caro no Brasil. Em agosto, o Executivo havia apresentado um plano de investimentos em logística, baseado em concessões e em parcerias com o setor privado. O ponto comum aos três conjuntos de medidas é a ênfase em problemas estruturais e em ações de longo alcance destinadas a elevar a produtividade geral da economia brasileira.

Falta saber se o governo saberá cuidar dos detalhes e mostrará, na gestão dos planos, mais competência do que tem exibido até agora. Resta, por enquanto, registrar a novidade positiva.

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Manchetes do dia

Segunda-feira, 17 / 09 / 2012

Folha de São Paulo
"‘Eu não vou fugir do Brasil’, afirma Dirceu" 

Ex-ministro diz que está preparado para qualquer resultado no Supremo

O ex-ministro José Dirceu (PT) nega que tenha planos de fugir do país caso seja condenado pelo Supremo Tribunal Federal ao final do processo do mensalão. “Essa história que inventam de que vou sair do Brasil não combina comigo”, disse à Folha em seu apartamento. “Se tem algo que não conhecemos no PT é a palavra covardia. A chance de eu fugir do Brasil é zero.”

O Estado de São Paulo
"Relator vai votar pela condenação de Dirceu" 

Joaquim Barbosa deverá basear seu voto nas negociações políticas e com bancos do mensalão

O ministro Joaquim Barbosa começa a apresentar hoje seu voto sobre os réus políticos do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF). Barbosa pedirá a condenação de parlamentares e ex-deputados que teriam recebido dinheiro para apoiar o governo Lula e do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, apontado pelo Ministério Público como mentor do esquema. Em sua apresentação, o ministro vai relatar as negociações com os partidos e as reuniões com dirigentes do Banco Espírito Santo e do Banco Rural com a presença do empresário Marcos Valério. Na falta de provas cabais, o conjunto de indícios e depoimentos será fundamental para os ministros que quiserem condenar Dirceu.

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domingo, setembro 16, 2012

Sociais

Steve Jobs e Bill Gates

Coluna do Mirisola

Fábula rodoviária

“O que era ódio declarado de ambas as partes transforma-se em destino – o mesmo e improvável destino”

Marcelo Mirisola

1. Plataforma 36

2. Crianças de até cinco anos comem cheetos na área de embarque

3. Zoeira, furdunço,barafunda.

4. Pais adolescentes

5. Avó-urubu. Também jovem, porém visivelmente evangélica e arruinada.

6. Dedos engordurados de cheetos das crianças de até cinco anos.

7. Unhas micosadas da avó-urubu.

8. Nomes que desafiam a lei da gravidade:

9. Maicon puxa o cabelo de Katiene

10. Katiene abre o berreiro.

11. Dafne tatuada no antebraço de Uélinton.

12. Uélinton recrimina Maicon

13. Maicon e Katiene choram.

14. Malas e mochilas cor-de-rosa da mesma cor do esmalte que tenta cobrir a unha micosada da avó-urubu-evangélica. Eu me aproximo.

15. Conteúdo ameaçador das malas e mochilas

16. Véspera de feriado.

17. Babelão é a soma de zoeira, furdunço, barafunda, mais a quizumba tão ameaçadora quanto o conteúdo (cheetos) das mochilas-cor-rosa. O termo “Babelão” foi cunhado por Furio Lonza, registre-se.

18. Descarto os Bálcãs por despeito fonético, como se fosse o responsável pelo setor de admissão dos novos sócios do Clube Harmonia.

19. E penso: “Jamais acontecerá um genocídio limpinho na Vila Joaniza”. Mas não trabalho no setor de degola do Clube Harmonia. Nem sou o Mengele da Oscar Freire.

20. Sou muito mais Odara que isso.

21. Dafne torce o braço de Maicon, e ameaça: “não pertuba! não pertuba!”

22. Uélinton não é menos podre do que eu – embora seja um pouco mais adaptado e bem mais novo, tem idade para ser meu filho.

23. Se fosse …meu filho, o castraria e trancaria numa jaula.

24. Não vejo futuro para Maicon nem para Katiene. Apenas celulares cor-de-rosa, eletrodomésticos, desqualificação profissional, cheetos e dívidas no cartão da Renner.

25. Bermudões, tênis de três andares, mochilas cor-de-rosa. Penso: “Crianças tem um alto potencial pro mau gosto”. Em seguida, faço uns cálculos:

26. Consumo = cidadania

27. Cidadania = consumo.

28. Lula é um gênio. Um estadista que é transmitido pelos telões da rodoviária. Ele vocifera e pragueja. Mas não ouvimos o que diz, portanto Lula apenas se espalha – feito um câncer.

29. Um estadista sem uma única frase. Divago:

30. Getúlio saiu da vida e deu um jeito de virar história – embora haja controvérsias com relação à autenticidade da carta-testamento. Dizem que o autor é Augusto Frederico-Schimidt.

31. Traído pelas divagações, estabeleço contato visual.

Tarde demais.

32. Getúlio arrumou uma frase para si e entrou para a história, e eu entrei pelo cano.

33. Dafne e a sogra apavoram-se ao se defrontar comigo. Maicon tem convulsões brutais debaixo da burca encardida da avó-urubu.

34. O ônibus das 16 horas encosta na plataforma 36. Uélinton entra na fila do bagageiro. Equilibra uma maçaroca de papelão sobre a cabeça. O embrulho destoa acintosamente das mochilas cor-de-rosa. “Tropical-fanho”, penso.

35. Cheetos esparramados pelo chão.

36. Katiene alcança os salgadinhos, Maicon – ainda sob o efeito das convulsões – vislumbra os despojos de cheetos entornados pelo chão, e avança na direção da irmã. As crianças chafurdam na plataforma 36.

37. Ânsias. Refluxos. Azia. Cheetos.

38. A avó de unha micosada sacode violentamente Katiene, e reprova com veemência o pânico escancarado que deforma meu rosto.

39. Eu recuo, e me apavoro diante da repulsa de Dafne e das imprecações da velha-urubu evangélica que têm as unhas micosadas do pé pintadas de cor-de-rosa … acrílico.

40. Antes de recuar, porém, distribuo um gesto obsceno. Um foda-se amplo, fervoroso, carregado de fungos e perplexidade. Penso que no dia seguinte será 7 de setembro. Dilmão passará as tropas em revista.

41. Uélinton e Maicon têm os cabelos cortados à Neymar. Duas crianças.

42. Dafne alisou e descoloriu a carapinha no salão da Michelly. Num futuro próximo, terá unhas micosadas acrílicas iguais às unhas da sogra. E burcas da Renner.

43. Uélinton mostra os documentos das crianças pro motorista.

44. Noto que há uma cumplicidade maligna entre o motorista e Uélinton.

45. Dafne corre atrás de Katiene. Maicon volta a ter convulsões e espasmos, e agora relincha.

46. Vejo meu perfil refletido na plataforma de embarque. Em poucos minutos me transformarei num queijo quente.

47. A velha de unha micosada cor-de-rosa saca uma Bíblia em meio aos salgadinhos e me amaldiçoa pro resto dos meus dias.

48. O pavor impresso no meu rosto transforma-se em escárnio.

49. O motorista nota que há algo de maligno na minha figura, e pede meus documentos.

50. Era tudo o que eu queria. No RG, ostento um bigodinho grisalho estampado numa cara de bunda. Sou um filhodaputa premeditado.

51. Subimos no ônibus – o que era pavor, medo, desconfiança, ressentimento,animosidade,ultraje, afronta, nojo, carne viva, fratura exposta, ridículo pleno e intolerância;

52. enfim, o que era ódio declarado de ambas as partes …

53. transforma-se em destino -

54. O mesmo e improvável destino:

Brasil, 6 de setembro de 2012. 15h: 50 min. Plataforma 36. Terminal Rodoviário do Tietê.

Publicado originalmente no "congresso em foco"

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Opinião

Armadilha lulista

O Estado de S.Paulo
Foi perfeita a armadilha montada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a plena concordância da diretoria anterior da estatal, para tornar a Petrobrás refém dos interesses políticos e das irresponsabilidades administrativas do presidente venezuelano, Hugo Chávez, por meio da associação - por enquanto apenas no discurso político dos dois governos - da empresa brasileira com a estatal venezuelana de petróleo PDVSA.

Para alimentar seu delírio megalomaníaco de se transformar em grande líder político regional, o ex-presidente não hesitou em utilizar recursos do Estado brasileiro para auxiliar governantes que poderiam fazer parte do grupo que pretendia liderar, como os da Venezuela, Equador, Paraguai (na época governada por Fernando Lugo) e Bolívia. Do ponto de vista político, o projeto de liderança do ex-presidente pode ter- lhe rendido algumas vantagens. Do lado econômico, porém, além de perdas para empresas brasileiras prejudicadas por atos lesivos aos interesses do País praticados por governos chefiados por supostos aliados de Lula, o projeto de liderança política regional do ex-presidente está tendo consequências danosas para a Petrobrás.

O acordo de associação entre a Petrobrás (com 60%) e a PDVSA (com 40%) para a construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, foi assinado por Lula e Hugo Chávez em 2005. A refinaria foi projetada para processar óleo venezuelano e óleo do Campo de Marlim, na Bacia de Campos, em partes iguais. O fato de, durante décadas, a Petrobrás não ter ampliado sua capacidade de refino, tornou a obra urgente.

Iniciada em 2007, a construção foi orçada em R$ 4,75 bilhões. Mas, devido a atraso e a estudos incompletos, a obra foi ficando cada vez mais cara e a previsão de custo mais recente já alcança US$ 20,3 bilhões, ou cerca de R$ 41 bilhões, quase dez vezes a estimativa inicial. Com previsão de inauguração em 2014, a refinaria está com 62% das obras executadas. Mas a Venezuela ainda não pôs um centavo na obra, o que demonstra desinteresse e desrespeito ao acordo de 2005.

Mesmo sem garantias de que a sócia cumpriria sua parte, a Petrobrás, na gestão anterior chefiada por José Sérgio Gabrielli, comprou praticamente todos os equipamentos necessários para o refino do petróleo venezuelano, com teor de enxofre bem mais alto do que o óleo de Marlim. A explicação dada pela empresa para a antecipação da compra desses equipamentos foi a necessidade de "garantir prazos em função do aquecimento do mercado fornecedor de bens e serviços na ocasião". Quaisquer que tenham sido as razões, o certo é que essa antecipação contribuiu para encarecer a obra.

Isso significa que, com ou sem a parceria da PDVSA, a Refinaria Abreu e Lima utilizará metade de sua capacidade instalada para processar petróleo com alto teor de enxofre. Se não obtiver esse óleo por meio da parceria, terá de comprá-lo no mercado externo, onde uma das únicas fornecedoras é a própria PDVSA, que certamente fornecerá o produto a preços de mercado, sem nenhuma vantagem. A Petrobrás está sendo refém da PDVSA, que continua a afirmar sua intenção de cumprir sua parte na sociedade na construção da refinaria, e, quando esta iniciar suas operações, continuará a ser, pois dependerá do petróleo a ser fornecido por ela.

Sem poder salvar a empresa da armadilha criada por Lula ao associá-la com a PDVSA, a presidente da Petrobrás, Graça Foster, diz-se disposta a conceder novos prazos para a venezuelana honrar seus compromissos. "Eles precisam fazer parte desse projeto", disse no Senado. Tendo a aventura lulista avançado tanto, a solução menos ruim talvez seja, de fato, manter a PDVSA como sócia.

A estatal venezuelana vem adiando seguidamente a apresentação das garantias reais exigidas pelo BNDES para a concessão de um financiamento de US$ 4 bilhões que lhe permitiria cumprir parcialmente seus compromissos na sociedade. O novo prazo termina em novembro, mas, mais uma vez, a PDVSA poderá se valer da notória dependência da Refinaria Abreu e Lima do seu petróleo para continuar ganhando tempo.

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Manchetes do dia

Domingo, 16 / 09 / 2012

Folha de São Paulo
"Prefeitura paga aluguel para 100 mil em São Paulo" 

Total de inscritos no principal programa para desalojados dobrou desde 2010

A Prefeitura de São Paulo paga até R$ 500 mensais a 27 mil famílias desalojadas de favelas. O total de beneficiados equivale a 100 mil pessoas - número superior à população de 88% dos 645 municípios do Estado. No principal programa, o Aluguel Social, estão inscritas 21 mil famílias —eram 11 mil em 2010. Outras 6.000 recebem a ajuda financeira por meio do Parceria Social.

O Estado de São Paulo
"Mantega diz que juros do cartão de crédito são ‘escorchantes’" 

Ministro avisa aos bancos que quer ver os cortes da Selic chegarem ao consumidor

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que os bancos estão cobrando taxas “escorchantes” e injustificáveis no cartão de crédito. “Esses disparates têm que desaparecer”, disse em entrevista a Raquel Landim. Os spreads bancários se tornaram uma das principais brigas do governo Dilma Rousseff, que quer ver chegar ao consumidor o efeito dos cortes na Selic. Sobre a taxa, Mantega foi categórico: “Não há necessidade de alta de juros”, disse. Ele está seguro de que os preços vão se manter sob controle em 2013, apesar da recuperação da economia e ao contrário da projeção de consultorias.

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